Autor: Dra. Juliana Soares

  • Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico 

    Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico 

    Sentir o coração acelerar, bater mais forte ou até parecer que está “tremendo” dentro do peito é algo que quase todo mundo já viveu em algum momento. Uma corrida para pegar o ônibus, uma notícia inesperada, um café forte ou até mesmo uma noite mal dormida podem acelerar os batimentos e causar aquela sensação estranha no peito: as palpitações.

    Na maioria dos casos, as palpitações são benignas e passageiras, ligadas a situações de ansiedade ou estresse. Mas se vierem acompanhadas de falta de ar ou dor no peito, podem indicar arritmias e exigem avaliação médica.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, para esclarecer as principais dúvidas sobre o sintoma e quando procurar atendimento médico.

    Afinal, o que são palpitações no coração?

    As palpitações não são uma doença em si, mas um sintoma percebido pela pessoa. Normalmente elas surgem em situações cotidianas, como após atividade física, em momentos de estresse ou até após o consumo de bebidas com cafeína. Nesses casos, o coração apenas responde a um estímulo externo e volta ao normal em seguida.

    As palpitações podem se manifestar de várias maneiras:

    • Coração batendo mais rápido;
    • Coração batendo mais forte;
    • Sensação de vibração na região do peito ou até mesmo no pescoço.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, muitas vezes a sensação é benigna, ou seja, não indica um problema de saúde. “Porém, se a sensação de palpitação vier acompanhada de outros sintomas como falta de ar, tontura, desmaio, dor no peito ou suor frio, ela pode ser decorrente de uma arritmia, sendo necessária avaliação médica imediata”, afirma a especialista.

    O que pode causar palpitação no coração?

    A principal causa das palpitações é a taquicardia sinusal, um aumento normal da frequência cardíaca que ocorre em resposta a estímulos cotidianos. Entre os principais desencadeadores, Juliana aponta:

    • Atividade física;
    • Estresse e ansiedade;
    • Cafeína em excesso;
    • Febre e desidratação.

    Normalmente, os fatores não representam risco, mas podem causar desconforto significativo no dia a dia. Contudo, quando vêm acompanhados de sintomas como falta de ar, dor no peito ou desmaios, é necessário procurar atendimento médico imediato, pois podem indicar quadros mais sérios, como:

    • Arritmias cardíacas: como taquicardia supraventricular, fibrilação atrial ou taquicardia ventricular;
    • Alterações nos minerais do sangue: como potássio e magnésio em níveis anormais;
    • Doenças cardíacas: insuficiência cardíaca, cardiopatias estruturais ou doença arterial coronariana;
    • Outros fatores clínicos: anemia, distúrbios da tireoide ou uso de determinados medicamentos.

    Quando as palpitações são sinais de alerta?

    De acordo com Juliana, os sintomas que exigem atenção imediata são:

    • Falta de ar;
    • Dor, pressão ou desconforto no peito;
    • Suor frio;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Desmaio efetivo;
    • Náusea;
    • Batimentos muito rápidos (acima de 120 batimentos por minuto [bpm] em repouso) ou muito baixos (abaixo de 45 bpm).

    Se o coração disparado vier acompanhado de algum desses sintomas, é importante procurar atendimento médico imediatamente.

    Confira: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Como é feito o diagnóstico das palpitações no coração?

    Quando uma pessoa procura o médico relatando episódios de palpitações, a investigação costuma incluir diferentes exames para entender o que está acontecendo. Os mais solicitados são:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração em repouso;
    • Holter de 24 horas: monitora o ritmo cardíaco durante um dia inteiro, captando alterações que ocorrem ao longo das atividades normais;
    • Ecocardiograma: avalia a estrutura e o funcionamento do coração;
    • Teste ergométrico (teste de esforço): analisa o comportamento cardíaco durante atividade física.

    Além disso, os exames de sangue são muito importantes para verificar se há um desequilíbrio de minerais como potássio e magnésio, checar distúrbios hormonais ou identificar condições como anemia, que também podem estar relacionadas às palpitações.

    Como prevenir ou reduzir as palpitações no dia a dia

    Nem sempre é possível evitar as palpitações, contudo, adotar hábitos de vida mais saudáveis ajuda a reduzir os episódios e melhora a saúde do coração como um todo. Veja o que fazer:

    • Evite refeições muito pesadas, principalmente à noite;
    • Beba bastante água para manter-se hidratado;
    • Reduza ou evite o consumo de álcool e cafeína;
    • Durma bem, buscando manter horários regulares;
    • Pratique exercícios físicos regularmente, respeitando seus limites e sob orientação médica;
    • Encontre formas de controlar o estresse, como meditação, respiração profunda, yoga ou caminhadas.

    Leia também: Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Ansiedade, estresse e palpitações: qual a relação?

    Primeiro, é importante entender que o coração é sensível ao estado emocional. Em momentos de estresse, ansiedade ou até mesmo após um susto, o corpo libera hormônios como adrenalina e cortisol, que aceleram os batimentos cardíacos. Isso explica por que tantas pessoas sentem palpitações em dias de nervosismo ou pressão emocional.

    Por outro lado, a própria palpitação pode gerar ansiedade, criando um ciclo vicioso: quanto mais a pessoa se preocupa, mais palpitações sente. Nesse sentido, buscar apoio psicológico, adotar técnicas de relaxamento e praticar atividades que proporcionem prazer e bem-estar são igualmente importantes para manter a qualidade de vida.

    Leia mais: Batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca? Descubra

    Perguntas frequentes sobre palpitações no coração

    1. Quem tem palpitações no coração pode praticar exercícios físicos?

    Sim! A atividade física pode trazer diversos benefícios para o coração e pode ser praticada por pessoas com palpitações — desde que devidamente avaliadas por um médico. A escolha do tipo e da intensidade do treino deve respeitar a condição individual de cada pessoa. Alguns exercícios que costumam ser bem tolerados incluem:

    • Caminhadas leves ou moderadas;
    • Yoga e alongamentos;
    • Musculação em intensidade controlada.

    Durante a prática, é fundamental estar atento a sinais como dor no peito, tontura ou falta de ar. Caso eles surjam, a atividade deve ser interrompida imediatamente e o médico deve ser consultado.

    2. Palpitação é o mesmo que arritmia?

    Não. Palpitação é apenas a sensação do batimento cardíaco alterado, percebida pela própria pessoa. A arritmia, por sua vez, é um diagnóstico médico: significa que há uma alteração real no ritmo do coração.

    Nem toda palpitação corresponde a uma arritmia. Muitas vezes, o coração está batendo normalmente, mas o indivíduo o percebe de forma mais intensa. Apenas exames, como o eletrocardiograma e o Holter de 24h, podem confirmar a presença de arritmia.

    3. Ansiedade pode causar palpitações no coração?

    Sim. A ansiedade é uma das causas mais comuns de palpitações benignas. Em momentos de nervosismo, o corpo libera adrenalina, que acelera os batimentos cardíacos. Isso pode gerar a sensação de coração disparado, mesmo sem uma arritmia real. Técnicas de respiração, meditação e terapia podem ajudar a aliviar os episódios.

    4. Palpitações podem acontecer durante o sono?

    Sim, e isso é relativamente comum. Elas podem ocorrer por ansiedade, apneia do sono, refluxo gastroesofágico, consumo de estimulantes antes de dormir ou até alterações hormonais. Se forem frequentes, atrapalharem o descanso ou vierem acompanhadas de sintomas como falta de ar noturna e despertares súbitos, é fundamental investigar com um médico.

    5. Palpitações são mais comuns em alguma faixa etária?

    As palpitações podem aparecer em qualquer idade. Em jovens, costumam estar ligadas a ansiedade, desidratação ou consumo de bebidas estimulantes, como energéticos. Já em adultos de meia-idade e idosos, a chance de que estejam relacionadas a arritmias e doenças cardíacas é maior.

    Por isso, em pessoas acima dos 40 anos, principalmente com histórico familiar ou fatores de risco cardiovascular, é recomendada avaliação médica mesmo em palpitações aparentemente benignas.

    6. Palpitações no coração podem estar ligadas ao uso de medicamentos?

    Sim. Alguns medicamentos, como broncodilatadores (usados em crises de asma), antidepressivos e alguns remédios para tireoide, podem provocar palpitações como efeito colateral. Se o sintoma surge após iniciar um novo medicamento, é importante relatar ao médico, que poderá ajustar a dose ou substituir o tratamento.

    7. Quem tem palpitações precisa tomar remédio?

    Nem sempre. Muitas vezes, a palpitação não exige tratamento medicamentoso, apenas mudanças de hábitos. O uso de remédios é indicado apenas quando há diagnóstico de arritmia ou outra doença cardíaca. Nesses casos, o médico pode prescrever antiarrítmicos, betabloqueadores ou outros medicamentos específicos.

    8. Existe exame caseiro para identificar palpitações perigosas?

    Não existe um exame caseiro confiável. Algumas pessoas usam relógios inteligentes e pulseiras fitness para monitorar os batimentos, mas os dispositivos não substituem exames médicos. Eles podem ajudar a registrar a frequência cardíaca e mostrar irregularidades, mas apenas o cardiologista poderá interpretar corretamente e indicar o tratamento adequado.

    9. Quando devo marcar consulta com cardiologista por causa de palpitações?

    Sempre que as palpitações forem frequentes, atrapalharem a qualidade de vida ou vierem acompanhadas de sintomas como dor no peito, falta de ar, tontura ou desmaio. Mesmo sem sintomas associados, se o episódio se repete com frequência ou causa ansiedade, vale marcar uma consulta para investigar e ter tranquilidade sobre a saúde do coração.

    Leia também: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

  • Os riscos de usar sapato alto no escritório todos os dias

    Os riscos de usar sapato alto no escritório todos os dias

    Os sapatos de salto alto são considerados itens elegantes e necessários para o dia a dia de trabalho no escritório, mas, apesar de ajudarem a transmitir uma imagem mais formal, podem afetar a saúde de diferentes maneiras quando usados por muitas horas seguidas.

    A sobrecarga sobre os pés, a alteração da postura natural e o esforço extra exigido de músculos e articulações aumentam o risco de dores nos pés, tornozelos, joelhos, quadris e coluna.

    Com o passar das horas, o peso do corpo fica concentrado principalmente na parte da frente dos pés, obrigando tendões, ligamentos e músculos a trabalharem além do habitual para manter o equilíbrio.

    Além do desconforto que costuma aparecer no fim do expediente, o uso frequente de calçados inadequados pode favorecer o surgimento ou o agravamento de problemas ortopédicos, principalmente quando não há pausas ou alternância com modelos mais confortáveis.

    O que acontece com o corpo ao calçar o salto alto?

    Ao calçar um salto alto, o corpo passa por uma mudança imediata no alinhamento natural, já que o calcanhar elevado projeta o peso do tronco para a frente. O centro de gravidade se desloca, obrigando os joelhos e a coluna lombar a compensarem o desequilíbrio por meio de uma inclinação que aumenta a sobrecarga sobre as articulações.

    A musculatura das panturrilhas permanece contraída durante todo o período de uso, e a dificuldade de relaxamento da região reduz a eficiência do retorno do sangue ao coração. Ao mesmo tempo, a pressão sobre a parte da frente dos pés aumenta de forma significativa, concentrando o impacto da caminhada sobre os ossos metatarsais e os dedos.

    Quando você fica com o salto alto por muitas horas e com frequência, a forma de caminhar muda, os tendões ficam mais rígidos e aumenta o risco de problemas nos pés.

    Principais problemas causados pelo uso de sapatos desconfortáveis no trabalho

    A compressão constante e a distribuição desigual do peso favorecem o surgimento de lesões que, quando não recebem atenção, podem evoluir de incômodos ocasionais para problemas crônicos.

    1. Joanetes e calosidades

    A pressão contínua exercida pelas laterais e pelos bicos estreitos dos sapatos favorece o desvio do osso do dedão do pé, formando o joanete. O atrito repetitivo também estimula o espessamento da pele, levando ao aparecimento de calos.

    2. Dores na coluna lombar e nos joelhos

    A mudança na postura faz com que a musculatura das costas e as articulações dos joelhos trabalhem com uma sobrecarga constante para manter o equilíbrio. Ao longo do tempo, a situação aumenta o risco de inflamações, dores persistentes e desgaste das cartilagens.

    3. Encurtamento do tendão de Aquiles

    O hábito de manter o calcanhar elevado durante muitas horas favorece a adaptação dos músculos da panturrilha e do tendão de Aquiles a um comprimento menor. Depois, caminhar descalço ou usar calçados baixos pode provocar dor e dificuldade para movimentar os pés.

    4. Fascite plantar

    A falta de suporte adequado para o arco dos pés aumenta a sobrecarga sobre a fáscia plantar, tecido que reveste a sola do pé. A inflamação costuma provocar uma dor intensa, principalmente nos primeiros passos do dia.

    5. Problemas na circulação sanguínea

    Os sapatos rígidos ou muito apertados dificultam a movimentação natural dos pés e reduzem a ação da panturrilha, que funciona como uma bomba para impulsionar o sangue de volta ao coração. A circulação fica menos eficiente, favorecendo o inchaço, a sensação de peso nas pernas, o cansaço e o desenvolvimento de varizes.

    Como escolher o sapato ideal para o ambiente de trabalho?

    Como muitas pessoas passam várias horas em pé ou caminhando ao longo do dia, o modelo escolhido deve proporcionar estabilidade, conforto e boa distribuição do peso corporal. Veja algumas dicas para escolher o sapato ideal para você:

    • Prefira modelos com bom suporte para os pés: um calçado que sustenta corretamente o arco plantar ajuda a distribuir melhor o peso do corpo e reduz a sobrecarga sobre pés, tornozelos, joelhos e coluna;
    • Escolha um salto de altura moderada: quando o ambiente de trabalho exige um visual mais formal, vale optar por saltos baixos ou médios, geralmente entre 2 e 3 centímetros, que oferecem mais estabilidade e exigem menos esforço das articulações;
    • Evite bicos muito estreitos: sapatos que comprimem os dedos aumentam o risco de joanetes, calos, unhas encravadas e outras deformidades ao longo do tempo. O ideal é que os dedos consigam se movimentar livremente dentro do calçado;
    • Dê preferência a materiais flexíveis e respiráveis: couro macio, tecidos tecnológicos e outros materiais que permitem a ventilação ajudam a reduzir o atrito, o excesso de suor e o desconforto durante o expediente;
    • Observe a sola do calçado: solas com amortecimento e boa aderência absorvem parte do impacto da caminhada, oferecem mais estabilidade e diminuem o risco de escorregões;
    • Alterne os calçados ao longo da semana: usar sempre o mesmo sapato faz com que a pressão recaia repetidamente sobre as mesmas regiões dos pés. Variar os modelos ajuda a reduzir a sobrecarga e aumenta a durabilidade dos calçados.

    Por fim, quando você estiver provando um sapato na loja, considere o conforto dele desde o primeiro uso. Um calçado não deve machucar com a expectativa de que ficará mais confortável após alguns usos. Se o desconforto já aparece durante a prova, é muito provável que ele permaneça ao longo da rotina de trabalho.

    Dicas para aliviar os pés após um dia cansativo

    Se você chegou do trabalho com os pés doloridos, inchados e cansados, alguns cuidados simples podem aliviar o desconforto e ajudar na recuperação da musculatura e das articulações, como:

    • Fazer um escalda-pés com água morna por cerca de 15 minutos para aliviar o inchaço e relaxar a musculatura;
    • Descansar com as pernas elevadas por aproximadamente 20 minutos para facilitar a circulação sanguínea e reduzir a sensação de peso;
    • Massagear a sola dos pés com movimentos circulares, usando um creme hidratante ou óleo corporal para diminuir a tensão muscular;
    • Rolar uma bola de tênis ou uma garrafa de água congelada sob a sola dos pés para aliviar a dor e alongar a fáscia plantar;
    • Alongar as panturrilhas diariamente para relaxar os músculos e reduzir a tensão provocada pelo uso prolongado do calçado.

    Se as dores, o inchaço ou a dificuldade para caminhar se tornarem frequentes, mesmo após o descanso, vale procurar um ortopedista ou um especialista em pé e tornozelo para identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a altura de salto considerada saudável para o dia a dia?

    A altura recomendada pelos ortopedistas para o uso diário é de até três centímetros. A elevação mínima oferece um suporte confortável para o arco do pé e não sobrecarrega os joelhos.

    2. Por que sinto dor na sola do pé ao usar sapatilhas muito rasteiras?

    As sapatilhas totalmente planas oferecem pouco amortecimento e sustentação para o arco dos pés, aumentando o risco de fascite plantar.

    3. O que causa a sensação de pernas pesadas no final do expediente?

    Ficar muito tempo em pé ou sentado dificulta o retorno do sangue ao coração, favorecendo inchaço e cansaço nas pernas.

    4. O uso de salto grosso é melhor do que o de salto agulha?

    Sim. O salto grosso distribui melhor o peso do corpo, oferece mais estabilidade e reduz o risco de quedas.

    5. O que é o encurtamento do tendão de Aquiles?

    O encurtamento é a perda de elasticidade do tendão da panturrilha provocada pela permanência prolongada do calcanhar em posição elevada. A condição faz com que a pessoa sinta dores ao andar descalça.

    6. O uso de sapatos apertados pode encravar as unhas?

    Sim. A pressão sobre os dedos favorece o crescimento da unha contra a pele, provocando dor e inflamação.

    7. Passar o dia sentada diminui os danos do salto alto?

    A posição sentada reduz o peso direto sobre os pés, mas mantém os músculos da panturrilha encurtados e prejudica a circulação.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

  • O que acontece se você tomar um remédio vencido? 

    O que acontece se você tomar um remédio vencido? 

    Ninguém discorda que manter um pequeno estoque de medicamentos pode ser útil no dia a dia. Muitas famílias mantêm uma verdadeira farmácia caseira em casa, com analgésicos, antialérgicos, pomadas e diversos outros remédios guardados para situações de emergência. Só que, com o passar do tempo, um detalhe pode passar despercebido: a data de validade.

    Numa situação de crise, você pode até não ter em consideração, mas a validade presente na embalagem indica o período em que o fabricante garante a eficácia, a estabilidade e a segurança do medicamento quando armazenado corretamente.

    Depois do vencimento, não é possível saber qual seria o efeito no organismo, em especial se você convive com alguma condição crônica ou utiliza outro remédio de forma contínua.

    Prazo de validade dos medicamentos

    Por determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todo medicamento, seja ele de venda livre ou controlado, deve trazer de forma clara na embalagem o lote, a data de fabricação e o prazo de validade.

    A data-limite é definida pela indústria farmacêutica após testes de estabilidade química. Ela representa o fim da vida útil do produto: a partir dali, o laboratório já não garante mais que o remédio terá a mesma potência, eficácia e segurança para o paciente.

    De maneira geral, a data de validade de um remédio é definida pelo tempo que o princípio ativo leva para perder cerca de 10% de sua potência original quando armazenado nas condições recomendadas pelo fabricante.

    O que acontece se tomar remédio vencido?

    Os efeitos do uso de um medicamento vencido podem variar conforme o tipo de remédio, o tempo de vencimento e as condições de armazenamento, mas incluem especialmente:

    1. Perda de eficácia

    Com o passar do tempo, os princípios ativos podem se degradar, reduzindo a capacidade do medicamento de agir como deveria.

    A gravidade da perda pode variar conforme o tipo de medicamento. Se você tomar um analgésico vencido para dor de cabeça, o máximo que pode acontecer é a dor não passar. Mas se for um remédio para o coração, pressão alta, convulsão ou um antibiótico, a falha no efeito pode agravar rapidamente o quadro ou causar uma resistência bacteriana.

    2. Reações adversas

    Em alguns casos, a degradação dos componentes químicos do medicamento pode resultar na formação de substâncias diferentes das originalmente presentes na fórmula.

    Quando isso acontece, órgãos responsáveis pelo metabolismo e eliminação de medicamentos, como fígado e rins, podem ser sobrecarregados ao processar compostos alterados, o que favorece o surgimento de reações indesejadas e complicações para a saúde, como náuseas, vômitos e lesões gástricas.

    Em situações raras, pessoas alérgicas a determinado ingrediente da fórmula podem ter um choque anafilático.

    3. Risco de contaminação

    Os remédios contêm conservantes para evitar a proliferação de microorganismos. Com o vencimento, sobretudo quando ele é armazenado de forma inadequada, os conservantes perdem o efeito e podem contribuir para o crescimento de fungos e bactérias.

    O risco tende a ser maior em medicamentos líquidos, como xaropes, colírios e pomadas, que podem se tornar ambientes favoráveis para o crescimento de microrganismos.

    Quais remédios são mais perigosos após o vencimento?

    Nenhum medicamento deve ser usado depois da data de validade, mas alguns merecem ainda mais atenção porque podem perder o efeito mais rapidamente ou apresentar maior risco de problemas, como:

    • Antibióticos, como a amoxicilina: podem perder a capacidade de combater infecções adequadamente, permitindo a progressão da doença e favorecendo o desenvolvimento de resistência bacteriana. No caso da tetraciclina, a degradação da substância após o vencimento pode gerar compostos potencialmente tóxicos para os rins;
    • Insulina e hormônios da tireoide: são substâncias altamente sensíveis a alterações químicas. Pequenas perdas de eficácia podem comprometer o controle da glicemia ou do metabolismo, aumentando o risco de descompensações clínicas;
    • Medicamentos para o coração e anticoagulantes: precisam de dosagens muito precisas para funcionar corretamente. Qualquer redução na potência pode diminuir a proteção contra eventos cardiovasculares, como tromboses, AVC e infarto;
    • Anticonvulsivantes: dependem de concentrações estáveis no organismo para prevenir crises convulsivas. A perda de eficácia pode favorecer o reaparecimento de convulsões, mesmo em pacientes com a doença controlada há longos períodos;
    • Medicamentos líquidos, como xaropes, suspensões e colírios: apresentam maior risco de deterioração e contaminação por fungos e bactérias após o vencimento. O problema é especialmente preocupante nos colírios, cujo uso pode provocar infecções oculares graves e danos à visão;
    • Medicamentos de emergência, como epinefrina/adrenalina: precisam agir rapidamente em situações potencialmente fatais, como crises cardíacas e reações alérgicas graves. Se eles perderem a eficácia, podem não produzir a resposta esperada, aumentando o risco de complicações graves.

    Como saber se o remédio está fora da validade?

    A forma mais segura de verificar se um remédio ainda pode ser utilizado é consultar a data de validade impressa na caixa externa, no relevo da cartela (blister) ou no fundo do frasco. Mas se a data estiver apagada ou você suspeita que o medicamento estragou antes da hora por erro de armazenamento, é possível notar alguns sinais de degradação:

    Em comprimidos e cápsulas

    • Comprimidos que racham, quebram ou se esfarelam facilmente ao toque;
    • Presença de manchas pretas, cinzas, amareladas ou de qualquer cor incomum;
    • Cápsulas gelatinosas grudadas umas nas outras;
    • Cápsulas com aparência murcha, mole ou deformada.

    Em líquidos (xaropes, gotas e suspensões)

    • Líquido que deveria ser transparente, mas apresenta aspect opaco ou turvo;
    • Separação de fases que não desaparece mesmo após agitação adequada;
    • Presença de partículas, cristais, fios ou grumos flutuando no produto;
    • Alteração significativa do odor, com cheiro azedo, rançoso ou incomum.

    Em pomadas e cremes

    • Saída de líquido transparente ou oleoso antes do produto ao apertar a embalagem;
    • Consistência diferente da original, ficando muito líquida, empelotada ou ressecada;
    • Mudanças na cor, na textura ou no cheiro da formulação.

    Como descartar remédio vencido de forma correta e segura?

    Se o medicamento vencer, você não deve descartá-lo no lixo comum, no vaso sanitário ou na pia. Quando eliminados de forma inadequada, os componentes químicos podem contaminar o solo, os lençois freáticos e a água que chega às torneiras, além de expor catadores e animais ao risco de intoxicação.

    A forma mais segura de descarte é levar os medicamentos a farmácias, drogarias, unidades de saúde ou pontos de coleta específicos que participam de programas de logística reversa. Veja algumas dicas:

    • Manter os medicamentos nas embalagens originais, sempre que possível;
    • Separar comprimidos, cápsulas, pomadas, xaropes, colírios e outros produtos conforme as orientações do local de coleta;
    • Remover ou inutilizar informações pessoais presentes em receitas, etiquetas ou embalagens;
    • Descartar também medicamentos sem identificação, com embalagem danificada ou que apresentem alterações na cor, cheiro ou textura.

    Além dos medicamentos, materiais utilizados em tratamentos, como seringas, agulhas e lancetas, precisam de um descarte específico e não devem ser misturados ao lixo doméstico. A orientação é buscar informações em unidades de saúde ou farmácias habilitadas.

    Como armazenar medicamentos para durarem mais?

    Para conservar os medicamentos corretamente, algumas medidas são recomendadas:

    • Guardar os medicamentos em locais secos, frescos e protegidos da luz direta;
    • Manter os produtos nas embalagens originais, que contêm informações importantes sobre validade, lote e modo de uso;
    • Fechar bem frascos, bisnagas e embalagens após cada utilização;
    • Evitar armazenar medicamentos no banheiro, onde a umidade costuma ser elevada;
    • Não guardar remédios próximos ao fogão, forno, micro-ondas ou outras fontes de calor;
    • Respeitar as orientações de armazenamento descritas na bula e na embalagem;
    • Manter os medicamentos fora do alcance de crianças e animais de estimação;
    • Verificar regularmente as datas de validade e as condições físicas dos produtos.

    Também é importante lembrar que alguns remédios precisam de refrigeração, como determinadas insulinas, hormônios, vacinas e antibióticos reconstituídos. Eles devem ser armazenados na temperatura indicada pelo fabricante, normalmente entre 2°C e 8°C, sem serem congelados.

    Veja mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Pode tomar remédio vencido há poucos dias ou semanas?

    Não é recomendado. A degradação não acontece abruptamente no dia seguinte ao vencimento, mas após a data de expiração o fabricante deixa de garantir que o remédio é seguro e eficaz.

    2. Qual o perigo de usar colírio vencido?

    O maior risco é a cegueira ou infecções oculares graves, pois os colírios perdem a ação dos conservantes rapidamente após o vencimento. Usar um produto contaminado por bactérias ou fungos diretamente nos olhos pode causar úlceras de córnea severas.

    3. Qual a diferença entre a validade fechada e após aberto?

    A validade da caixa vale apenas para o produto lacrado. Uma vez aberto, o remédio entra em contato com o ar e a umidade, reduzindo drasticamente seu tempo de vida útil, especialmente colírios, xaropes e sprays nasais, que costumam durar apenas entre 15 a 90 dias após abertos.

    4. O que acontece se eu guardar remédio no banheiro?

    O medicamento vai estragar antes da data de validade. O banheiro é o pior lugar da casa para manter os remédios, pois o calor e a umidade constantes dos banhos destroem a barreira protetora de cápsulas e comprimidos.

    5. Pode guardar remédio na geladeira para durar mais?

    Apenas se a bula exigir expressamente. A geladeira possui muita umidade, o que acelera a degradação de comprimidos, cápsulas e cartelas de alumínio.

    6. Farmácia pode vender remédio perto do vencimento?

    Sim, desde que avise o consumidor. É legal vender produtos próximos à data de expiração (muitas vezes com grandes descontos), mas o estabelecimento tem a obrigação de informar o cliente de forma clara.

    7. Posso doar remédios que vão vencer daqui a um mês?

    Sim! Muitas instituições e postos de saúde aceitam doações de medicamentos dentro do prazo de validade, normalmente com pelo menos 30 a 60 dias restantes. O importante é que a cartela esteja intacta e com o nome visível para que outra pessoa possa usar a tempo.

    Leia também: Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer

  • Falta de vitamina D: sintomas na pele, no cabelo e no humor que você deve notar

    Falta de vitamina D: sintomas na pele, no cabelo e no humor que você deve notar

    Conhecida como vitamina do sol, a vitamina D é um hormônio que o corpo produz naturalmente ao absorver a radiação UVB dos raios solares, responsável por ajudar na absorção do cálcio e do fósforo, fortalecer os ossos e os dentes e manter os músculos, o sistema imunológico e diversos outros órgãos funcionando corretamente. No entanto, como grande parte da rotina atualmente acontece em ambientes fechados, como escritórios, transportes e dentro de casa, a deficiência de vitamina D tornou-se uma das mais comuns no mundo e afeta mais de um bilhão de pessoas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria.

    A deficiência acontece quando os níveis de vitamina D no organismo ficam abaixo de 30 ng/ml, sendo identificada por meio do exame de sangue de 25-hidroxivitamina D (25-OH). Mas, antes mesmo da confirmação nos exames, alguns sinais no dia a dia podem servir de alerta e indicar que é hora de procurar um médico.

    Quais os sintomas da falta de vitamina D?

    Sintomas na pele

    A vitamina D tem ação anti-inflamatória e participa da renovação das células da pele. Quando os níveis estão baixos, a barreira de proteção da pele fica mais frágil e podem surgir alguns sinais, como:

    • Pele muito seca: a deficiência reduz a capacidade da pele de reter água, favorecendo o ressecamento, a descamação, a coceira e o aspecto opaco;
    • Piora de doenças de pele: problemas como psoríase, dermatite atópica e acne podem se tornar mais intensos ou apresentar crises com maior frequência;
    • Cicatrização mais lenta: cortes, feridas e queimaduras tendem a demorar mais para cicatrizar, já que a vitamina D participa da regeneração dos tecidos.

    Sintomas no cabelo

    Os folículos capilares possuem receptores para a vitamina D, que participa do ciclo normal de crescimento dos fios. Quando há deficiência, podem surgir alterações como:

    • Queda de cabelo: é comum perceber uma perda de fios maior do que o habitual ao lavar ou escovar o cabelo.
    • Fios finos e quebradiços: o cabelo perde força, fica mais frágil e quebra com mais facilidade;
    • Piora da alopecia areata: estudos mostram que níveis baixos de vitamina D podem estar associados ao agravamento dessa doença autoimune, que provoca a queda de cabelo em áreas arredondadas.

    Sintomas no humor

    A vitamina D também atua no sistema nervoso e participa do funcionamento de neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como a serotonina e a dopamina. A deficiência pode provocar:

    • Cansaço excessivo: sensação constante de fadiga e falta de disposição, mesmo depois de uma boa noite de sono;
    • Alterações de humor: irritabilidade, desânimo e dificuldade de concentração nas atividades do dia a dia;
    • Maior risco de ansiedade e depressão: a deficiência de vitamina D está associada a um maior risco de sintomas depressivos, ansiedade e transtorno afetivo sazonal, embora nem sempre seja a causa dos quadros.

    Sintomas no corpo

    Como a principal função da vitamina D é ajudar na absorção do cálcio, a falta do nutriente afeta diretamente o sistema musculoesquelético:

    • Dores nos ossos e nas articulações: principalmente na região lombar, nas pernas e nas costelas;
    • Fraqueza muscular: sensação de pernas pesadas, perda de força e dificuldade para realizar atividades simples, como subir escadas ou levantar de uma cadeira;
    • Maior facilidade para infecções: a deficiência pode prejudicar o funcionamento do sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade a gripes, resfriados e outras infecções respiratórias.

    O que fazer para aumentar a vitamina D?

    A principal forma de aumentar os níveis de vitamina D é por meio da exposição regular ao sol, já que a pele produz naturalmente o hormônio quando entra em contato com a radiação UVB.

    O recomendado é tomar sol por cerca de 15 a 20 minutos, de duas a três vezes por semana, com braços e pernas expostos e sem protetor solar durante o curto período, sempre respeitando a orientação médica e evitando os horários de maior intensidade da radiação.

    A alimentação também contribui para manter níveis adequados de vitamina D, mas responde por apenas cerca de 10% da quantidade que o organismo precisa. Os alimentos mais ricos no nutriente incluem peixes gordurosos, como salmão, sardinha e atum, além de gema de ovo, fígado, cogumelos e alimentos fortificados, como alguns tipo de leite e cereais.

    Quando a suplementação é necessária?

    A suplementação de vitamina D é recomendada quando os exames de sangue comprovam que os níveis estão abaixo do ideal e quando o paciente apresenta fatores de risco que dificultam a produção natural do nutriente por meio da exposição ao sol.

    Mesmo sem sintomas, algumas pessoas podem ter maior dificuldade para sintetizar a vitamina D, como:

    • Idosos;
    • Pessoas obesidade;
    • Gestantes;
    • Quem passa a maior parte do tempo em ambientes fechados;
    • Pacientes com doenças que prejudicam a absorção de gorduras, como doença celíaca, doença de Crohn e algumas doenças hepáticas e renais.

    Em todos os casos, a suplementação deve ser indicada por um médico, que pode definir a dose e o tempo de tratamento de acordo com os resultados dos exames e as necessidades de cada paciente.

    A automedicação não é recomendada, pois o excesso de vitamina D pode causar intoxicação, aumentar os níveis de cálcio no sangue e aumentar o risco de complicações, como cálculos renais e alterações cardiovasculares.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o exame que detecta a falta de vitamina D?

    É o exame de sangue chamado 25-hidroxivitamina D ou 25(OH)D.

    2. Qual o valor ideal de vitamina D no sangue?

    Para a população geral saudável, valores acima de 20 ng/mL são adequados. Para idosos, gestantes e pessoas com doenças ósseas, o ideal é estar acima de 30 ng/mL

    3. Quem tem pele negra precisa de mais tempo ao sol?

    Sim. Como a alta concentração de melanina funciona como um filtro natural, a pele negra absorve menos os raios ultravioleta, precisando de um tempo de exposição um pouco maior.

    4. Tomar sol pela janela de vidro ajuda a produzir vitamina D?

    Não. O vidro dos carros e das janelas bloqueia os raios UVB, que são justamente os raios necessários para o corpo sintetizar o nutriente.

    5. Quanto tempo demora para normalizar a vitamina D com suplemento?

    Normalmente, leva entre 6 a 12 semanas de suplementação correta para que os níveis no sangue voltem ao patamar ideal, dependendo da dose prescrita.

    6. Qual a diferença entre vitamina D2 e D3?

    A vitamina D2 (ergocalciferol) é de origem vegetal, enquanto a vitamina D3 (colecalciferol) é de origem animal e produzida pela pele humana, sendo a forma mais eficiente e utilizada nos suplementos.

    7. Qual o melhor horário para tomar o suplemento de vitamina D?

    O ideal é tomar o suplemento junto ou logo após as principais refeições, como almoço ou jantar.

    Leia mais: Vitamina B6: saiba mais sobre a importância dela no cérebro e metabolismo das proteínas

  • O que você NÃO pode fazer quando está usando lentes de contato?

    O que você NÃO pode fazer quando está usando lentes de contato?

    Para quem não gosta de usar óculos o tempo inteiro, as lentes de contato são uma alternativa extremamente prática e confortável para corrigir a visão no dia a dia. Só que, apesar de toda a facilidade, elas precisam de cuidados de higiene para prevenir problemas como irritações, alergias e infecções.

    Como as lentes ficam em contato direto com a superfície dos olhos durante várias horas, qualquer descuido facilita a entrada de bactérias, fungos e outros microrganismos. Em alguns casos, uma infecção pode evoluir rapidamente e causar lesões na córnea, precisando de um tratamento imediato para evitar complicações.

    O que não fazer ao usar lentes de contato?

    1. Dormir com as lentes (quando elas não são indicadas para uso noturno)

    Durante o sono, a quantidade de oxigênio que chega à córnea diminui naturalmente porque os olhos permanecem fechados. A presença da lente reduz ainda mais a oxigenação, aumentando o risco de ressecamento e favorecendo a proliferação de microrganismos.

    Mesmo as lentes aprovadas para uso noturno precisam do acompanhamento do oftalmologista, pois dormir com elas pode elevar a chance de infecções e inflamações na córnea.

    2. Tomar banho ou nadar (mar, piscina ou cachoeira)

    A água de chuveiros, piscinas, rios, cachoeiras e do mar pode conter bactérias, fungos e outros microrganismos, incluindo a Acanthamoeba, um protozoário capaz de causar uma infecção grave na córnea. As lentes também podem absorver parte da água e reter os microrganismos em contato direto com os olhos, aumentando o risco de complicações.

    3. Lavar as lentes ou o estojo com água da torneira

    A água da torneira, mesmo tratada para o consumo, não é estéril e pode conter microrganismos que contaminam as lentes e o estojo. Por isso, tanto a limpeza das lentes quanto a higienização do estojo devem ser feitas apenas com soluções específicas recomendadas para lentes de contato.

    4. Usar soro fisiológico ou saliva para higienizar as lentes

    O soro fisiológico não possui ação desinfetante e, sozinho, não elimina bactérias, fungos ou outros microrganismos presentes na superfície das lentes. Já a saliva contém diversas bactérias da boca que podem causar infecções oculares.

    A limpeza deve ser feita exclusivamente com soluções próprias para lentes de contato, desenvolvidas para limpar, desinfetar e conservar o material com segurança.

    5. Não lavar as mãos antes de manusear as lentes

    As mãos carregam naturalmente bactérias, vírus, fungos, gordura e resíduos do dia a dia. Ao colocar ou retirar as lentes sem lavar bem as mãos, você aumenta muito a chance de contaminação dos olhos. O ideal é usar água e sabonete, enxaguar completamente e secar as mãos com uma toalha limpa que não solte fiapos antes de tocar nas lentes.

    6. Compartilhar lentes de contato

    As lentes são de uso totalmente individual, então você não deve emprestar ou experimentar as lentes de outra pessoa, pois isso pode facilitar a transmissão de bactérias, fungos, vírus e outros microrganismos que podem causar infecções oculares. Além disso, cada lente é adaptada ao grau, ao formato da córnea e às necessidades específicas de cada usuário.

    7. Usar as lentes além do prazo de descarte

    Todas as lentes de contato possuem um tempo de uso definido pelo fabricante, seja diário, quinzenal ou mensal. Se você ultrapassar o período recomendado, o material começa a se desgastar e a acumular proteínas, gordura, resíduos e microrganismos que não são totalmente removidos durante a limpeza.

    Como consequência, aumenta o risco de irritações, allergies, ressecamento, diminuição da oxigenação da córnea e infecções oculares.

    8. Colocar as lentes depois de se maquiar

    O ideal é colocar as lentes antes de iniciar a maquiagem e retirá-las antes de remover os produtos do rosto. Quando a maquiagem é aplicada primeiro, partículas de sombra, delineador, lápis ou máscara de cílios podem ficar presas entre a lente e a superfície do olho, causando irritação, sensação de corpo estranho e até pequenas lesões na córnea.

    Também é importante evitar aplicar maquiagem na linha interna dos olhos para reduzir o risco de contaminação das lentes.

    Quais sinais indicam que algo está errado?

    Se qualquer um dos sintomas aparecer, a orientação é retirar imediatamente as lentes e procurar um oftalmologista:

    • Dor nos olhos;
    • Vermelhidão intensa;
    • Sensação de areia ou corpo estranho;
    • Ardência persistente;
    • Lacrimejamento excessivo;
    • Sensabilidade à luz;
    • Visão embaçada;
    • Secreção ocular.

    Também é importante não se automedicar com colírios que já estejam em casa, pois o uso inadequado de medicamentos, especialmente aqueles que contêm corticoides, pode mascarar os sintomas ou agravar infecções causadas por fungos ou amebas.

    O diagnóstico realizado pelo oftalmologista, por meio do exame de biomicroscopia, permite identificar a causa do problema e indicar o tratamento mais adequado, que normalmente inclui colírios específicos e a suspensão do uso das lentes até a recuperação completa dos olhos.

    Como cuidar das lentes do jeito certo?

    Uma rotina simples de higiene ajuda a evitar infecções, aumenta a durabilidade das lentes e garante mais conforto durante o uso. Veja a alguns cuidados para adotar no dia a dia:

    • Lavar e secar bem as mãos: use água e sabonete líquido neutro antes de tocar nas lentes e seque as mãos com papel-toalha ou uma toalha que não solte fiapos;
    • Friccionar e enxaguar as lentes: coloque a lente na palma da mão com algumas gotas de solução multiuso e esfregue delicadamente com a ponta do indicador por 20 segundos antes do enxágue final;
    • Trocar o líquido do estojo diariamente: jogue fora toda a solução antiga após colocar as lentes, lave o estojo com o produto de limpeza e deixe-o secar de cabeça para baixo;
    • Substituir o estojo a cada três meses: troque o recipiente de armazenamento regularmente para evitar o acúmulo invisível de bactérias e fungos na superfície do plástico;
    • Limitar o tempo de uso diário: use as lentes por no máximo 10 a 12 horas seguidas, retirando o acessório ao chegar em casa para garantir a oxigenação correta da córnea.

    Além dos cuidados, mantenha consultas periódicas com o oftalmologista. Mesmo quando não há sintomas, o acompanhamento permite avaliar a adaptação das lentes, verificar a saúde da córnea e identificar precocemente qualquer alteração que possa comprometer a visão.

    Perguntas frequentes

    1. Posso usar colírio comum com a lente de contato?

    Não, os colírios comuns ou de venda livre podem conter conservantes que danificam o material da lente e causam irritação. Use apenas lágrimas artificiais e lubrificantes específicos para quem usa lentes.

    2. O que acontece se eu colocar a lente do avesso?

    A lente do avesso causa desconforto, sensação de olho arranhando, visão levemente embaçada e sai do lugar com facilidade ao piscar. Se notar os sinais, retire, limpe e inverta a posição.

    3. Grávidas podem usar lentes de contato normalmente?

    As alterações hormonais da gravidez podem diminuir a produção de lágrimas e modificar a curvatura da córnea, tornando o uso desconfortável. O uso não é proibido, mas deve ser avaliado pelo oftalmologista.

    4. Posso chorar usando lentes de contato?

    Sim. As lágrimas naturais não danificam as lentes, mas o excesso de líquido e o ato de esfregar os olhos durante o choro podem fazer com que a lente saia do lugar ou caia.

    5. Quanto tempo dura um estojo de lente de contato?

    O estojo deve ser trocado por um novo a cada 3 meses, pois o plástico acumula um biofilme microscópico de bactérias que não sai com a lavagem comum.

    6. Crianças podem usar lentes de contato?

    Sim, não há idade mínima biológica. A decisão depende da maturidade da criança para cumprir as regras rígidas de higiene e da orientação do oftalmologista.

    7. O que fazer se a lente rasgar um pedacinho?

    Descarte a lente imediatamente. Usar uma lente rasgada ou danificada, mesmo que o pedaço seja pequeno, causa arranhões e lesões severas na superfície da córnea.

    8. Posso usar lentes de contato gripado ou resfriado?

    O recomendado é evitar e priorizar os óculos, pois as secreções respiratórias aumentam a carga de bactérias nas mãos e o risco de contaminação ocular involuntária é maior.

  • Desmaio: entenda causas, o que fazer e quando procurar o médico

    Desmaio: entenda causas, o que fazer e quando procurar o médico

    O desmaio costuma assustar tanto quem passa pela situação quanto quem presencia. Ele pode acontecer em consequência de algo simples, como um susto, mas também ser sinal de problemas sérios de saúde. Por isso, saber identificar as possíveis causas e agir diante delas faz toda a diferença.

    A cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein, explica que o desmaio é a perda súbita e transitória da consciência e da sustentação do corpo, o que provoca a queda. “Pode afetar tanto o homem como a mulher, e a incidência de desmaios aumenta com a idade”.

    O que é desmaio (síncope)?

    O desmaio não é uma doença, mas um sintoma. Na maior parte das vezes, ele acontece quando o fluxo de sangue para o cérebro cai, mesmo que por alguns segundos. Geralmente, é rápido e a recuperação é completa, sem sequelas.

    Alguns sinais podem aparecer antes do episódio, como:

    • Palidez;
    • Tontura;
    • Náusea;
    • Visão turva.

    Principais causas de desmaio

    Segundo a cardiologista, o desmaio pode estar associado a uma variedade grande de causas. Veja abaixo as mais comuns.

    Causas benignas (mais frequentes)

    • Síndrome vasovagal: quando o nervo vago é ativado por dor intensa, calor, tosse, evacuação, emoção súbita;
    • Hipotensão ortostática: queda rápida da pressão arterial ao se levantar de repente;
    • Desidratação: quando a pessoa não se hidrata corretamente;
    • Hipoglicemia: queda de açúcar no sangue;
    • Anemia intensa: quando há poucos glóbulos vermelhos no sangue, o transporte de oxigênio para o cérebro diminui e pode causar desmaios;
    • Hemorragias: perda abrupta de sangue.

    Causas cardiovasculares

    • Arritmias: batimento irregular do coração;
    • Cardiomiopatias: doenças estruturais do coração;
    • Isquemia: obstrução das artérias coronárias.

    Causas neurológicas

    • Epilepsia;
    • Acidente vascular cerebral (AVC).

    Primeiros socorros: o que fazer em um desmaio

    1. Se você sentir que vai desmaiar

    “Primeiramente, caso você apresente sintomas como palidez, sudorese, sensação de fraqueza, o importante é rapidamente avisar quem estiver por perto do seu mal-estar, apoiar-se em algum lugar e, se possível, deitar e elevar as pernas.”, orienta a cardiologista.

    2. Se presenciar alguém desmaiando

    • Proteja a cabeça da pessoa;
    • Afrouxe roupas apertadas e retire acessórios no pescoço;
    • Eleve as pernas;
    • Se a consciência não voltar rapidamente, acione o atendimento médico.

    Quando procurar ajuda médica urgente

    É fundamental investigar a causa do desmaio, especialmente se:

    • Os episódios forem recorrentes;
    • Houver dor no peito, palpitações ou falta de ar;
    • O desmaio causar quedas ou traumas;
    • Acontecer com portadores de doenças cardíacas ou neurológicas.

    “Os desmaios podem ter riscos relacionados ao próprio evento, como quedas e traumas, ou à atividade que a pessoa estava realizando no momento, como dirigir ou operar máquinas”, alerta a cardiologista Juliana Soares.

    Como prevenir desmaios

    • Mantenha-se hidratado;
    • Evite ficar longos períodos sem comer;
    • Levante-se devagar após estar deitado ou sentado;
    • Vá ao médico para identificar e tratar condições de saúde associadas;
    • Converse com seu médico se os episódios forem frequentes.

    Veja também: Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Perguntas frequentes sobre desmaio

    1. Desmaio é sempre perigoso?

    Não. Muitas vezes é causado por situações benignas, mas é importante investigar.

    2. Quanto tempo dura um desmaio?

    Normalmente, segundos ou poucos minutos, com recuperação completa.

    3. Posso morrer de desmaio?

    O desmaio em si não mata, mas pode ser sinal de doenças graves ou causar acidentes.

    4. Quando o desmaio indica problema no coração?

    Quando vem acompanhado de dor no peito, palpitações ou falta de ar.

    5. Desmaio e epilepsia são a mesma coisa?

    Não. A epilepsia é uma condição neurológica específica que pode causar perda de consciência, mas desmaio não é a mesma coisa que epilepsia.

    Veja também: Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

  • Unha encravou? Saiba como prevenir e tratar o incômodo no pé

    Unha encravou? Saiba como prevenir e tratar o incômodo no pé

    Quem já passou pela experiência de dar um passo e sentir uma dor aguda e latejante no dedão do pé sabe o quão limitante pode ser uma unha encravada. O quadro, também chamado de onicocriptose, aparece quando a borda da unha cresce e penetra na pele ao redor, provocando dor, vermelhidão, inchaço e, em alguns casos, até infecção.

    Se a unha encravada não recebe os cuidados necessários, a condição pode evoluir rapidamente, tornando atividades rotineiras extremamente desconfortáveis, como caminhar, praticar exercícios, usar sapatos fechados ou até permanecer em pé.

    Em situações mais avançadas, a região pode ficar bastante sensível ao toque, apresentar secreção e desenvolver uma inflamação persistente, o que aumenta o risco de complicações.

    Afinal, por que a unha encrava?

    A unha encravada pode surgir por diferentes motivos, mas, na maioria das vezes, está relacionada à forma como as unhas são cortadas e aos hábitos do dia a dia.

    Em vez de crescer em linha reta para a frente, a lateral da unha começa a crescer para os lados, curvando-se e rompendo a barreira da pele ao redor. O corpo entende aquela borda da unha como um agente agressor e desencadeia uma resposta inflamatória na tentativa de proteger a região.

    Entre algumas das possíveis causas da unha encravada, é possível destacar:

    1. Corte incorreto das unhas

    O hábito de arredondar os cantos das unhas ou cortá-las curtas demais é a principal causa da unha encravada. O espaço deixado nas laterais acaba sendo ocupado pela pele e, quando a unha cresce novamente, pode penetrar na região e provocar inflamação.

    2. Uso de sapatos apertados ou de bico fino

    Os calçados muito justos, como tênis apertados, chuteiras e sapatos de bico fino, exercem uma pressão constante sobre os dedos dos pés. A compressão faz com que a unha seja empurrada contra a pele, favorecendo o encravamento e aumentando o desconforto durante a caminhada ou a prática de atividades físicas.

    3. Predisposição genética

    As unhas naturalmente mais largas, espessas ou curvadas apresentam maior probabilidade de crescer em direção à pele. O formato dos dedos também pode influenciar no surgimento do problema, tornando algumas pessoas mais propensas a desenvolver episódios recorrentes de unha encravada ao longo da vida.

    4. Traumas nos pés

    As pancadas, os pisões e os impactos repetitivos podem alterar a forma como a unha cresce. Em alguns casos, a lesão afeta a estrutura da unha e faz com que ela passe a crescer de maneira irregular, aumentando o risco de penetração na pele.

    A situação é comum em pessoas que praticam esportes de corrida, saltos ou mudanças frequentes de direção.

    5. Excesso de suor

    O suor excessivo mantém a pele ao redor das unhas constantemente úmida e mais sensível. A região fica mais macia e vulnerável, facilitando a entrada da borda da unha na pele. Além de favorecer o encravamento, a condição também pode aumentar o risco de irritações e infecções locais.

    Sintomas de que a unha está infeccionada

    Quando a unha encrava e rompe a pele, a região fica vulnerável à entrada de bactérias. Para identificar se o quadro evoluiu para uma infecção, fique atento aos seguintes sinais:

    • Dor muito intensa e latejante, mesmo quando você não está caminhando ou tocando no dedo;
    • Vermelhidão intensa que começa a se espalhar ao redor do dedo;
    • Inchaço evidente e endurecimento da pele em volta da unha;
    • Presença de pus (secreção amarelada ou esverdeada) saindo do local;
    • Calor local, ou seja, o dedo afetado fica visivelmente mais quente que os outros;
    • Formação de carne esponjosa (granuloma piogênico), que é um tecido avermelhado que sangra facilmente;
    • Febre baixa ou calafrios em casos mais graves, quando a infecção começa a se espalhar pelo corpo.

    Como tratar a unha encravada em casa?

    É recomendado tratar a unha encravada em casa apenas se o local estiver apenas inflamado, com pouca dor e vermelhidão, e sem sinais de infecção. Mas, se você tiver diabetes ou problemas de circulação, o ideal é ir direto ao médico.

    Veja um passo a passo para aliviar o incômodo em casa:

    1. Faça um escalda-pés com água morna

    O escalda-pés ajuda a aliviar a dor, reduzir o inchaço e amolecer a unha e a pele ao redor da região afetada. O ideal é deixar o pé de molho em água morna por cerca de 15 a 20 minutos, de duas a três vezes ao dia. Algumas pessoas também optam por adicionar sal à água para aumentar a sensação de conforto durante o processo.

    2. Afaste a unha da pele com cuidado

    Após o escalda-pés, quando a pele estiver mais macia, é possível tentar levantar delicadamente a ponta da unha para reduzir a pressão sobre a pele. O procedimento deve ser feito com materiais limpos e sem forçar a região. Nunca tente cortar a parte encravada, pois pode piorar a situação.

    Caso você sinta muita dor, sangramento ou dificuldade para manipular a unha, o mais seguro é procurar atendimento profissional.

    3. Mantenha a região limpa e protegida

    A limpeza adequada ajuda a reduzir o risco de infecção e favorece a recuperação da pele lesionada. Após a higienização, a aplicação de produtos recomendados por um profissional de saúde pode ajudar a proteger a região.

    O uso de um curativo leve também pode ser útil para evitar o atrito com meias e calçados enquanto a área cicatriza.

    Quando é necessário ir ao médico ou podólogo?

    O acompanhamento profissional é necessário nas seguintes situações:

    • Sinais de infecção: presença de pus, dor intensa, vermelhidão que se espalha ou calor na região podem indicar infecção e exigem avaliação médica;
    • Diabetes ou problemas circulatórios: pequenas lesões podem evoluir para complicações mais graves;
    • Crescimento excessivo da pele: o surgimento de uma masa avermelhada, úmida e que sangra facilmente ao redor da unha indica um quadro mais avançado;
    • Problema recorrente: unhas que encravam com frequência podem estar relacionadas ao formato da unha ou do dedo e precisam de avaliação profissional;
    • Sem melhora após alguns dias: se a dor e o inchaço não melhorarem ou piorarem após 2 a 3 dias de cuidados em casa, procure atendimento médico.

    Dicas para prevenir que a unha encrave de novo

    É possível manter os pés saudáveis com a mudança de alguns hábitos simples no dia a dia, como:

    • Corte as unhas em linha reta: o correto é deixar a ponta da unha ligeiramente para fora da pele do dedo. Use uma lixa apenas para tirar as pontas afiadas que restarem, sem invadir as laterais;
    • Não corte as unhas curtas demais: quando a unha fica curta demais, a pele da ponta do dedo cria uma barreira. Ao crescer, a unha bate nessa pele e acaba perfurando-a. Deixe sempre uma pequena faixa branca visível;
    • Escolha sapatos confortáveis e do tamanho certo: evite usar sapatos de bico fino ou sapatos muito apertados no dia a dia. Dê preferência a calçados com espaço suficiente para mexer os dedos livremente. Para esportes de impacto, como corrida ou futebol, certifique-se de que o tênis é meio número maior;
    • Evite tirar a cutícula dos cantos dos dedos: a cutícula serve como uma barreira de proteção natural. Ao retirá-la excessivamente, principalmente nos cantos das unhas dos pés, você deixa a região desprotegida e mais propensa a inflamações que facilitam o problema;
    • Mantenha os pés sempre secos: a umidade constante amolece a pele e a torna mais frágil, facilitando a penetração da unha. Se você transpira muito nos pés, use meias de algodão, evite repetir o mesmo sapato dois dias seguidos e use talcos antissépticos;

    Se você tem um formato de unha naturalmente muito curvado ou já teve unha encravada várias vezes, vale manter um acompanhamento com o podólogo. Ele pode aplicar órteses, pequenos dispositivos que corrigem o formato da unha, para forçá-la a crescer do jeito certo.

    Leia mais: Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Pode passar dipirona na unha encravada?

    A dipirona em gotas ou comprimido ajuda a aliviar a dor provocada pela unha encravada, pois é um analgésico. No entanto, aplicar a dipirona líquida diretamente sobre a unha inflamada não cura o problema e não trata a causa do encravamento ou da infecção.

    2. Quanto tempo demora para curar uma unha encravada inflamada?

    Em casos leves tratados precocemente em casa, o alívio e a melhora da inflamação costumam acontecer entre 3 e 7 dias.

    3. Pode colocar sal na unha encravada?

    Colocar sal refinado puro diretamente na ferida não é recomendado, pois causa ardência extrema e pode irritar ainda mais o tecido.

    4. Como funciona a cirurgia de unha encravada?

    A cirurgia mais comum é a cantoplastia, feita no consultório médico com anestesia local, no dedo. O médico remove apenas a lateral da unha que está encravando e destrói a matriz da unha naquele pedaço para que aquela borda nunca mais volte a crescer.

    5. O que fazer quando a unha do bebê encrava?

    As unhas dos bebês são muito finas e macias, mas podem encravar pelo uso de macacões com pés apertados ou meias justas. O tratamento caseiro consiste apenas em fazer compressas de água morna e deixar os pés livres. Nunca tente cortar ou cutucar a unha do bebê. Se houver vermelhidão, leve ao pediatra.

    6. Qual o melhor calçado para usar enquanto a unha está inflamada?

    Durante a fase aguda de dor e inflamação, o ideal é usar sapatos totalmente abertos, como chinelos ou sandálias de tiras largas, que não encostem no dedão.

    7. Tem problema colocar gelo na unha encravada?

    O gelo pode ser usado envolto em um pano limpo (nunca direto na pele) por 10 a 15 minutos para ajudar a reduzir o inchaço e anestesiar temporariamente a dor aguda após uma topada, por exemplo.

    Veja mais: Tontura: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum

  • Creatina: conheça os benefícios, como tomar e cuidados importantes

    Creatina: conheça os benefícios, como tomar e cuidados importantes

    Ela já foi vista como “coisa de marombeiro”, mas hoje a creatina é estudada até como parceira da saúde do cérebro e do envelhecimento saudável. Produzida pelo próprio corpo e encontrada em alimentos como carne e peixe, essa substância ganhou fama por melhorar a performance nos treinos, mas os efeitos vão além.

    A cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein, explica como a creatina age no organismo, quais são seus benefícios reais e o que você precisa saber antes de começar a suplementar.

    Como o corpo produz energia para se exercitar

    Para que a gente possa se mexer, pensar, respirar ou simplesmente existir, o corpo precisa de energia. Esse combustível vem dos alimentos: açúcares, proteínas e gorduras.

    “Os nutrientes provenientes da alimentação são transformados em pequenas moléculas no nosso organismo para que consigam ser absorvidos pelas células e se transformem em energia”, explica a cardiologista Juliana Soares.

    Durante o exercício, o que o corpo mais usa é o glicogênio, uma reserva de energia feita a partir da glicose, que é o açúcar presente nos alimentos. Ele é armazenado no fígado e nos músculos, e é essencial para atividades de intensidade alta, como correr ou levantar peso.

    “Estudos evidenciam que quanto maiores essas reservas, maior o tempo total de exercício até a exaustão”, afirma a cardiologista. E ela ainda reforça: é importante comer bem antes e depois do treino, combinando carboidratos com proteínas, para garantir energia e recuperar os músculos.

    O que é creatina e qual seu papel no corpo?

    A creatina é uma substância formada por três aminoácidos (metionina, glicina e arginina). Nosso corpo a produz naturalmente, principalmente no fígado, mas também conseguimos creatina ao comer carne vermelha, frango, peixe, ou por meio da suplementação.

    A creatina é importante no processo de geração de energia. “No processo de utilização do ATP (adenosina trifosfato) pelas células, a creatina atua ‘recarregando’ o ATP, permitindo que o músculo mantenha a energia e desempenhe suas funções”, explica a especialista.

    Portanto, o ATP é como uma bateria de energia das células, e a creatina ajuda a manter essa bateria sempre cheia. Isso, sem dúvida, faz diferença na performance física.

    “O corpo humano produz cerca de 1g de creatina diariamente, o que é uma quantidade considerada insuficiente para suprir as necessidades do organismo e permitir o seu pleno funcionamento”, conta a médica.

    “Para garantir níveis adequados e os benefícios da creatina é aconselhável seguir uma dieta que inclua diariamente alimentos e/ou suplementos ricos em creatina”, aconselha.

    Quais os benefícios da creatina?

    Além de aumentar a energia muscular, a creatina pode ser interessante para outras funcionalidades do organismo, inclusive para o cérebro.

    “Existe um outro tipo celular que muito se beneficia da creatina: os neurônios”, diz a médica. Os neurônios são células extremamente dinâmicas que demandam uma quantidade considerável de energia, que é fornecida na forma de ATP.

    “Quanto mais eficiente for o processo de utilização e reciclagem do ATP, maior será a ativação de funções neurais, como a cognição e a memória. Nesse contexto, a creatina desempenha um papel crucial na geração de energia cerebral, de forma semelhante ao que ocorre nos músculos”, detalha. “Além disso, tem ação antioxidante, podendo ter efeito neuroprotetor”.

    Outro benefício da creatina é para evitar a perda de músculos com a idade, a chamada sarcopenia. “Devido aos seus benefícios em relação à preservação da massa muscular, prevenção da sarcopenia e apoio às funções cognitivas, a população idosa também é aconselhada a utilizar, salvo contraindicações”, diz a médica.

    Como tomar creatina do jeito certo

    Aqui vai uma dúvida comum: tem jeito certo de tomar creatina? Tem, sim. A cardiologista orienta que a creatina, que geralmente é vendida em pó, seja diluída em alguma bebida com carboidrato, como um suco.

    “Estudos apontam que o consumo de creatina com glicose (proveniente carboidrato) eleva sua concentração nos músculos”. A dose ideal varia de 1,5 a 3 gramas por dia.

    E sobre o horário? “Estudos indicam que o horário em que o suplemento é consumido não influencia significativamente o desempenho físico ou a recuperação após os exercícios”.

    O segredo, segundo a médica, está na consistência. É o uso regular que faz efeito, e não o horário exato da ingestão.

    Quais são os riscos e efeitos colaterais da creatina?

    Embora seja um suplemento seguro, a creatina também pode causar efeitos colaterais, principalmente quando usada em doses altas.

    “Especialmente em doses elevadas, a ingestão de creatina pode causar náuseas e diarreia, bem como levar à retenção de líquido e inchaço, cãibras e desidratação”.

    O uso exagerado e prolongado pode sobrecarregar rins e fígado, e alguns grupos não devem usar esse suplemento:

    • Gestantes;
    • Mulheres que estão amamentando;
    • Crianças;
    • Pessoas com problemas nos rins.

    Por isso, é importante conversar com um médico ou nutricionista antes de começar a tomar o suplemento.

    Confira: Pode treinar com gripe? Saiba quanto tempo você deve esperar antes de voltar

    Perguntas frequentes sobre creatina

    1. Quem pode tomar creatina?

    Adultos saudáveis que desejam melhorar o desempenho físico ou proteger os músculos, desde que não tenham contraindicações.

    2. Creatina engorda ou retém líquido?

    Pode causar retenção de líquidos, mas isso não significa acúmulo de gordura, ou seja, não engorda.

    3. Posso tomar creatina todos os dias?

    Sim. O efeito da creatina vem do uso diário e consistente, dentro da dose recomendada.

    4. Qual a melhor forma de tomar creatina?

    Diluída em bebida com carboidrato, como suco, para melhorar a absorção.

    5. Existe melhor horário para tomar creatina?

    Não. O mais importante é manter a regularidade no consumo.

    6. Creatina faz mal para os rins?

    Em excesso e por tempo prolongado, pode sobrecarregar os rins.

    7. Idosos podem tomar creatina?

    Sim, e podem se beneficiar bastante, desde que não tenham contraindicações e estejam acompanhados por um profissional de saúde.

    Veja também: Quem tem problemas cardíacos pode fazer musculação? Cardiologista responde

  • Cooling break: a pausa para hidratação é mesmo necessária na Copa do Mundo? 

    Cooling break: a pausa para hidratação é mesmo necessária na Copa do Mundo? 

    Na Copa do Mundo de 2026, realizada na América do Norte, a Fifa instituiu pausas obrigatórias de três minutos para hidratação em todos os jogos. A medida foi adotada para proteger a saúde dos atletas diante do calor extremo e do estresse térmico registrados nas cidades-sede, mas será que ela é realmente necessária para preservar a saúde dos jogadores?

    A decisão, que inclui pausas mesmo em estádios com teto retrátil e controle climático interno, dividiu opiniões entre jogadores, técnicos, torcedores e comentaristas esportivos. Para alguns, a interrupção quebra o ritmo dinâmico do futebol e é usada apenas para a inserção de propagandas e comerciais pelas emissoras detentoras de direitos.

    Já os especialistas em saúde apoiam a medida como necessária para evitar problemas como desidratação, queda no rendimento físico e cognitivo, exaustão pelo calor e, nos casos mais graves, insolação, uma condição médica grave que pode colocar a vida dos atletas em risco.

    Afinal, o que acontece com o corpo do jogador sob calor extremo?

    Quando o jogador se expõe ao calor extremo e ao esforço físico intenso, a temperatura interna do corpo sobe rapidamente, podendo passar dos 39°C. Para tentar resfriar o organismo, o cérebro desvia o fluxo de sangue dos músculos e dos órgãos internos em direção à pele, estimulando a produção de suor.

    Com menos sangue e oxigênio chegando aos músculos, o rendimento físico despenca e a exaustão surge muito mais rápido. Ao mesmo tempo, o suor excessivo faz o atleta perder litros de água e eletrólitos essenciais, principalmente sódio e potássio.

    Quando a reposição de líquidos não acontece da forma adequada, o organismo pode perder a capacidade de controlar a própria temperatura, aumentando os riscos de desidratação, câimbras, tontura, queda da pressão arterial, confusão mental e redução dos reflexos, fatores que comprometem tanto o desempenho esportivo quanto a segurança do atleta em campo.

    Riscos da desidratação no futebol

    Durante uma partida intensa de 90 minutos sob calor extremo, um jogador de futebol pode perder entre 2 e 4 litros de água através do suor. Quando a perda não é compensada a tempo, o corpo entra em estado de desidratação, podendo causar problemas como:

    1. Queda no rendimento físico e aparecimento de cãibras

    À medida que o corpo perde água pelo suor, diminui o volume de sangue em circulação, de modo que o coração precisa trabalhar mais para levar oxigênio e nutrientes até os músculos. O atleta começa a sentir o cansaço mais cedo, perde força e velocidade nas arrancadas e encontra mais dificuldade para manter o mesmo ritmo durante toda a partida.

    Além disso, a perda de eletrólitos, principalmente sódio e potássio, favorece o surgimento de cãibras musculares, que podem limitar os movimentos e prejudicar o desempenho em campo.

    2. Diminuição da concentração e dos reflexos

    Mesmo uma perda moderada de líquidos pode reduzir a concentração, prejudicar a tomada de decisões e aumentar o tempo de reação. Na prática, o jogador pode errar mais passes, demorar para responder às jogadas e apresentar pior coordenação motora.

    Com os reflexos comprometidos e o cansaço acumulado, o risco de lesões e de acidentes durante a partida também aumenta.

    3. Exaustão pelo calor

    Se o esforço físico continua e a reposição de líquidos não acontece, o organismo começa a ter dificuldade para controlar a própria temperatura. A exaustão pelo calor costuma causar sintomas como:

    • Tontura e sensação de vertigem;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Náuseas ou vômitos;
    • Fraqueza extrema;
    • Sensação de desmaio;
    • Suor intenso e pele fria ou úmida.

    Se não houver uma intervenção rápida, o quadro pode evoluir para uma situação ainda mais grave.

    4. Insolação

    A insolação, também conhecida como intermação ou choque térmico por esforço, é a complicação mais grave provocada pelo calor excessivo e acontece quando o corpo perde a capacidade de se resfriar sozinho, fazendo com que a temperatura interna aumente rapidamente e possa ultrapassar os 40°C.

    Nessa situação, o cérebro e outros órgãos importantes começam a deixar de funcionar corretamente, e o atleta pode apresentar confusão mental, dificuldade para falar, desorientação, convulsões e até perder a consciência.

    Sem atendimento médico imediato para reduzir a temperatura do corpo e repor os líquidos perdidos, o calor continua causando danos ao organismo, podendo levar à falência de órgãos e, nos casos mais graves, colocar a vida em risco.

    O que os jogadores devem beber durante a pausa?

    Como o suor elimina grandes quantidades de sais minerais, os jogadores costumam consumir bebidas isotônicas, que ajudam a recuperar rapidamente o sódio e o potássio perdidos, além de fornecerem carboidratos que repõem a energia dos músculos de forma imediata.

    Já a água é uma forma complementar para ajudar na reidratação e no resfriamento do corpo, mas é a combinação com os eletrólitos dos isotônicos que previne as cãibras, evita a queda de pressão e garante que o organismo continue funcionando em alto rendimento até o fim da partida.

    Como funciona a regra da pausa para hidratação da FIFA?

    Em torneios anteriores, a interrupção para hidratação só era autorizada quando o índice de calor e umidade (WBGT) ultrapassava 32°C. Na Copa do Mundo de 2026, as pausas passaram a ser obrigatórias em todas as partidas, independentemente da temperatura, do horário do jogo ou da existência de teto retrátil e controle climático no estádio.

    Cada pausa dura três minutos e acontece duas vezes por jogo: por volta dos 22 minutos do primeiro tempo e dos 67 minutos da partida, aproximadamente na metade de cada etapa.

    Durante o período, os jogadores permanecem na beira do gramado para se hidratar com água e isotônicos, enquanto as comissões técnicas podem transmitir orientações rápidas antes da retomada da partida.

    A pausa melhora o jogo?

    Do ponto de vista físico, a pausa para hidratação ajuda os jogadores a manterem o desempenho durante a partida, mesmo que alguns torcedores sintam que ela interrompe o ritmo do jogo.

    Quando o atleta começa a desidratar, o cansaço aumenta rapidamente e o rendimento cai. Ao oferecer três minutos para repor água, eletrólitos e energia, a pausa oferece dois benefícios importantes:

    • Mantém a intensidade da partida: jogadores bem hidratados conseguem correr, acelerar e manter a força física por mais tempo, evitando que o jogo fique lento nos minutos finais por causa da exaustão;
    • Melhora a qualidade técnica: a hidratação ajuda o cérebro a funcionar melhor, preservando a concentração, os reflexos e a capacidade de tomar decisões rápidas, o que contribui para passes mais precisos, menos erros e um futebol mais dinâmico.

    Ao mesmo tempo, a interrupção também acaba funcionando como uma pausa tática. Os treinadores aproveitam para orientar a equipe, corrigir o posicionamento e fazer adjustments na estratégia antes de a bola voltar a rolar.

    Confira: Beber água demais é perigoso para a saúde?

    Perguntas frequentes

    1. A pausa para hidratação na Copa de 2026 acontece em todos os jogos?

    Sim, a Fifa determinou que a parada é obrigatória em todas as partidas da competição, independentemente do clima ou do local.

    2. O tempo da pausa é descontado do jogo?

    Não. O cronômetro continua rodando e o árbitro adiciona os três minutos integralmente ao tempo de acréscimo de cada etapa.

    3. Por que apenas o intervalo de 15 minutos não é suficiente?

    Porque em condições de esforço extremo o corpo precisa de reidratação a cada 15 ou 20 minutos para evitar que a temperatura interna suba a níveis perigosos.

    4. Beber apenas água pura resolve o problema durante o jogo?

    Não totalmente. A água reidrata, mas não repõe os sais minerais que o jogador perdeu em grandes quantidades através do suor.

    5. Qual é o principal sinal de que um jogador está gravemente desidratado?

    A ausência repentina de suor mesmo sob esforço intenso, acompanhada de confusão mental, tontura extrema ou desmaio.

    6. O que é a hiponatremia no esporte?

    É a diluição excessiva de sódio no sangue, que acontece quando o atleta bebe água pura em excesso sem repor os sais minerais perdidos.

    7. Quantos quilos um jogador pode perder em uma partida sob calor extremo?

    Um atleta de elite pode perder entre 2 e 4 quilos de peso corporal em um único jogo, correspondendo quase totalmente à perda de água.

    Veja mais: Pode trocar água comum por água com gás?

  • Por que a ferida começa a coçar quando está cicatrizando?

    Por que a ferida começa a coçar quando está cicatrizando?

    É muito comum que um corte, arranhão, queimadura ou cicatriz cirúrgica comece a coçar alguns dias após a lesão. Essa coceira, embora incômoda, geralmente faz parte do processo normal de cicatrização da pele e indica que o organismo está trabalhando para reparar o tecido lesionado.

    Quando a coceira é intensa ou vem acompanhada de outros sintomas, também pode ser sinal de uma complicação, como infecção ou reação ao curativo. Por isso, é importante saber diferenciar essas situações.

    Como ocorre a cicatrização?

    A cicatrização acontece em várias etapas. Após uma lesão, o organismo inicia um processo coordenado que inclui:

    • Controle do sangramento;
    • Resposta inflamatória;
    • Formação de novo tecido;
    • Remodelação da cicatriz.

    Durante todas essas fases, diferentes células e substâncias químicas atuam para reconstruir a pele.

    Por que a ferida começa a coçar?

    A coceira pode ocorrer por vários motivos.

    Durante a cicatrização, há intensa atividade das células responsáveis pela regeneração da pele, além da formação de novos vasos sanguíneos e da regeneração de terminações nervosas.

    Ao mesmo tempo, diversas substâncias produzidas pelo organismo estimulam os receptores responsáveis pela sensação de coceira.

    O resultado é aquela vontade de coçar que muitas vezes aparece justamente quando a ferida começa a melhorar.

    A histamina tem um papel importante

    Uma das substâncias envolvidas nesse processo é a histamina. Ela participa da resposta inflamatória normal da cicatrização e ajuda na chegada de células de defesa ao local da lesão.

    Ao estimular as terminações nervosas da pele, a histamina também pode provocar a sensação de coceira. Isso ajuda a explicar por que esse incômodo costuma aparecer alguns dias após o ferimento.

    Os nervos também estão se regenerando

    Durante a cicatrização, pequenas fibras nervosas lesionadas começam a se reconstruir. Esse processo pode provocar sensações como:

    • Coceira;
    • Formigamento;
    • Pequenas fisgadas;
    • Sensação de “repuxar”.

    Esses sintomas costumam diminuir à medida que a cicatriz amadurece.

    A pele nova é mais sensível

    A pele recém-formada ainda é fina, delicada e possui uma barreira de proteção incompleta.

    Além disso, ela costuma apresentar menor quantidade de oleosidade natural. Como consequência, a região pode ficar:

    • Mais seca;
    • Mais sensível;
    • Mais propensa à coceira.

    Coçar pode atrapalhar a cicatrização?

    Sim. Apesar de a vontade de coçar poder ser intensa, esfregar ou arranhar a ferida não é o ideal, pois isso pode:

    • Romper o tecido em formação;
    • Aumentar o risco de sangramento;
    • Favorecer infecções;
    • Retardar a cicatrização;
    • Deixar cicatrizes mais evidentes.

    Em crianças, esse cuidado merece atenção especial, pois elas podem manipular a ferida com mais frequência.

    Toda coceira é normal?

    Não. Embora uma coceira leve possa fazer parte da cicatrização, alguns sinais sugerem que pode existir outro problema. A avaliação médica é recomendada quando a coceira vem acompanhada de:

    • Vermelhidão intensa e crescente;
    • Dor importante;
    • Saída de pus;
    • Mau cheiro;
    • Febre;
    • Aumento do inchaço.

    Esses sintomas podem indicar uma infecção.

    A reação ao curativo também pode causar coceira

    Algumas pessoas podem desenvolver dermatite de contato causada por produtos utilizados durante os cuidados com a ferida, como:

    • Curativos adesivos;
    • Esparadrapos;
    • Pomadas;
    • Antissépticos.

    Nesses casos, a coceira costuma ser acompanhada de:

    • Vermelhidão ao redor da ferida;
    • Pequenas bolhas;
    • Descamação;
    • Irritação da pele.

    O tratamento depende da identificação da substância responsável pela reação.

    Cicatrizes podem continuar coçando por meses?

    Sim. Mesmo após o fechamento completo da pele, algumas cicatrizes podem permanecer sensíveis por vários meses.

    Isso é mais comum em:

    • Cicatrizes cirúrgicas;
    • Queimaduras;
    • Feridas profundas.

    Isso acontece porque, durante a fase de remodelação, a reorganização do colágeno e das fibras nervosas ainda está em andamento.

    Existe alguma forma de aliviar a coceira?

    Sim. Algumas medidas podem ajudar a reduzir o incômodo. Veja abaixo.

    1. Manter a pele hidratada

    Após a cicatrização completa e conforme orientação médica, o uso de hidratantes pode ajudar a reduzir o ressecamento da pele.

    2. Evitar coçar

    Mesmo que a vontade seja grande, é importante evitar arranhar a região. Se necessário, pode ser mais confortável pressionar suavemente o local em vez de coçá-lo.

    3. Proteger a cicatriz do sol

    A exposição solar pode aumentar a inflamação e favorecer alterações na cicatriz.

    4. Seguir corretamente os cuidados com o curativo

    Trocar os curativos conforme orientação ajuda a reduzir o risco de irritações e infecções.

    Quando procurar um médico?

    Procure avaliação médica se:

    • A coceira for muito intensa;
    • A ferida voltar a abrir;
    • Surgirem secreção ou pus;
    • A dor aumentar progressivamente;
    • Houver febre;
    • A pele ao redor ficar muito vermelha ou quente.

    Esses sinais podem indicar complicações que exigem tratamento.

    Confira: Sua ferida não fecha? Entenda o que pode estar por trás da cicatrização lenta

    Perguntas frequentes sobre coceira na cicatrização

    1. É normal uma ferida coçar enquanto cicatriza?

    Sim. Na maioria das vezes, a coceira faz parte do processo normal de cicatrização.

    2. Por que isso acontece?

    Principalmente pela ação da histamina, pela regeneração das terminações nervosas e pela formação da nova pele.

    3. Posso coçar a ferida?

    Não é recomendado. Coçar pode atrasar a cicatrização, provocar sangramento e aumentar o risco de infecção.

    4. Quanto tempo a coceira costuma durar?

    Ela geralmente é mais intensa durante as primeiras semanas, mas algumas cicatrizes podem permanecer sensíveis por meses.

    5. Quando a coceira pode indicar infecção?

    Quando vem acompanhada de sinais como vermelhidão intensa, dor crescente, pus, mau cheiro ou febre.

    6. Curativos podem causar coceira?

    Sim. Algumas pessoas apresentam alergia ou irritação aos adesivos, pomadas ou antissépticos utilizados no tratamento.

    7. Como aliviar a coceira?

    Evitar manipular a ferida, manter a pele hidratada após a cicatrização completa, seguir corretamente os cuidados com o curativo e procurar orientação médica se os sintomas forem intensos ou persistentes podem ajudar.

    Veja também: 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar