Autor: Dra. Juliana Soares

  • Anti-inflamatório não serve para qualquer coisa: entenda os riscos para rins, coração e estômago

    Anti-inflamatório não serve para qualquer coisa: entenda os riscos para rins, coração e estômago

    Dor nas costas, dor de garganta, dor de cabeça ou dor muscular. Para muitas pessoas, a primeira reação diante de qualquer um desses sintomas é tomar um anti-inflamatório.

    Medicamentos como ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno, cetoprofeno, nimesulida e meloxicam são amplamente utilizados e podem ser comprados com facilidade em muitos locais. Isso faz com que sejam frequentemente considerados inofensivos.

    No entanto, apesar de serem excelentes medicamentos quando bem indicados, os anti-inflamatórios não esteroides, conhecidos pela sigla AINEs, estão entre as principais causas de efeitos adversos relacionados a medicamentos, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Além disso, existe um equívoco muito comum: nem toda dor precisa de um anti-inflamatório. Mesmo que esses medicamentos também tenham ação analgésica, eles não devem ser tratados como simples remédios para qualquer tipo de dor.

    Anti-inflamatório e analgésico são a mesma coisa?

    Não exatamente. Embora muitos anti-inflamatórios também aliviem a dor, analgésicos simples e anti-inflamatórios pertencem a categorias diferentes e atuam de maneiras distintas no organismo.

    Analgésicos simples

    O principal objetivo dos analgésicos simples é aliviar a dor.

    Entre os exemplos estão:

    • Paracetamol;
    • Dipirona.

    Esses medicamentos podem reduzir a dor e a febre, mas possuem pouca ou nenhuma ação anti-inflamatória significativa.

    Anti-inflamatórios

    Além de aliviarem a dor, os anti-inflamatórios atuam reduzindo o processo inflamatório.

    Os mais utilizados são:

    • Ibuprofeno;
    • Naproxeno;
    • Diclofenaco;
    • Cetoprofeno;
    • Meloxicam;
    • Celecoxibe;
    • Nimesulida.

    Eles costumam ser mais úteis quando a dor está associada a uma inflamação evidente.

    Quando o anti-inflamatório realmente faz diferença?

    Os anti-inflamatórios são utilizados principalmente em condições ortopédicas ou reumatológicas nas quais existe um processo inflamatório.

    Entre os exemplos estão:

    • Entorses;
    • Tendinites;
    • Crises de gota;
    • Artrites inflamatórias;
    • Dor após alguns procedimentos odontológicos;
    • Inflamações musculoesqueléticas.

    Nessas situações, o medicamento não atua apenas sobre a percepção da dor. Ele também ajuda a reduzir a inflamação envolvida na origem do problema.

    Isso não significa, porém, que toda dor nessas regiões precise obrigatoriamente de um anti-inflamatório. A indicação deve considerar a causa do sintoma e as condições de saúde de cada pessoa.

    Como os anti-inflamatórios funcionam?

    Os anti-inflamatórios bloqueiam enzimas chamadas ciclooxigenases, conhecidas como COX-1 e COX-2.

    Essas enzimas participam da produção das prostaglandinas, substâncias envolvidas em processos inflamatórios e infecciosos. Elas podem participar de manifestações como:

    • Dor;
    • Febre;
    • Inchaço no local da inflamação.

    Essa resposta faz parte da reação do organismo diante de uma agressão. No entanto, as prostaglandinas não atuam apenas na inflamação. Elas também exercem funções importantes na proteção de diferentes órgãos.

    É justamente por bloquear essas substâncias que os anti-inflamatórios podem causar efeitos adversos no estômago, nos rins e no sistema cardiovascular.

    Por que os anti-inflamatórios podem causar lesões no estômago?

    Uma das funções das prostaglandinas é proteger a mucosa que reveste o estômago.

    Elas ajudam a:

    • Produzir muco protetor;
    • Estimular a produção de bicarbonato;
    • Manter o fluxo sanguíneo da mucosa gástrica.

    Quando a quantidade dessas substâncias diminui, a parede do estômago fica mais exposta à ação do ácido gástrico.

    A repetição dessas agressões pode levar à inflamação da mucosa, como ocorre na gastrite, e evoluir para o desenvolvimento de úlceras. Em alguns casos, essas lesões podem provocar sangramentos ou outras complicações mais graves.

    Quais são os sintomas de lesão no estômago?

    As lesões provocadas pelos anti-inflamatórios podem, inicialmente, não causar sintomas. Quando aparecem manifestações, elas podem envolver:

    • Dor na região conhecida como “boca do estômago”;
    • Sensação de queimação;
    • Enjoo;
    • Sensação de indigestão.

    Nos casos mais graves, quando existem úlceras ou sangramentos, podem ocorrer:

    • Vômitos com sangue;
    • Fezes muito escuras, chamadas de melena;
    • Anemia causada pela perda de sangue;
    • Perfuração da úlcera.

    Essas situações exigem atendimento médico imediato.

    Por que os anti-inflamatórios podem prejudicar os rins?

    Os rins dependem das prostaglandinas para manter um fluxo sanguíneo adequado, principalmente quando o organismo já enfrenta alguma situação que dificulta a circulação de sangue até esses órgãos.

    Isso pode acontecer, por exemplo, em casos de:

    • Desidratação;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Doença renal crônica;
    • Idade avançada.

    Ao bloquear a produção das prostaglandinas, os anti-inflamatórios podem reduzir a chegada de sangue aos rins. Como consequência, pode ocorrer uma lesão renal aguda, principalmente em pessoas mais vulneráveis.

    Por isso, mesmo um medicamento utilizado por pouco tempo pode representar risco em determinadas situações, como durante um quadro de desidratação.

    Os anti-inflamatórios também podem afetar o coração?

    Sim. Alguns anti-inflamatórios podem aumentar discretamente o risco de problemas cardiovasculares, como:

    • Infarto;
    • Acidente vascular cerebral, o AVC;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Elevação da pressão arterial.

    Esse risco tende a ser maior em pessoas que:

    • Já possuem doença cardiovascular;
    • Utilizam doses elevadas;
    • Fazem uso prolongado do medicamento.

    Por esse motivo, quando há indicação, o tratamento deve ser realizado com a menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário.

    Quais outros efeitos colaterais podem ocorrer?

    Além das lesões no estômago, nos rins e dos riscos cardiovasculares, os anti-inflamatórios podem provocar:

    • Retenção de líquidos;
    • Inchaço nas pernas;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Reações alérgicas;
    • Crises de asma em pessoas predispostas;
    • Alterações da função hepática, mais raramente.

    O risco de efeitos adversos varia conforme o medicamento utilizado, a dose, o tempo de tratamento e as condições de saúde da pessoa.

    Tomar o anti-inflamatório com alimento evita problemas?

    Apenas parcialmente. Tomar o medicamento após as refeições pode ajudar a reduzir sintomas como azia, queimação e desconforto gástrico. Entretanto, isso não impede a formação de úlceras nem elimina o risco de sangramento.

    Isso acontece porque a lesão não é causada apenas pelo contato direto do comprimido com o estômago. O principal mecanismo envolve a redução das prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica.

    Portanto, tomar o medicamento com comida pode melhorar o desconforto, mas não torna o uso livre de riscos.

    O protetor gástrico resolve todos os riscos?

    Não. Medicamentos conhecidos como inibidores da bomba de prótons, como omeprazol e pantoprazol, podem reduzir o risco de úlceras e sangramentos em pacientes selecionados.

    Entretanto, eles:

    • Não protegem os rins;
    • Não eliminam o risco cardiovascular;
    • Não impedem todos os efeitos adversos dos anti-inflamatórios.

    Além disso, nem toda pessoa que utiliza um AINE precisa obrigatoriamente tomar um protetor gástrico. A indicação depende do risco individual, do tipo de medicamento, da dose utilizada, do tempo de tratamento e do histórico de saúde do paciente.

    Quem deve evitar anti-inflamatórios?

    O uso deve ser evitado ou realizado com muita cautela por pessoas que apresentam:

    • Doença renal crônica;
    • Úlcera gástrica ativa;
    • Histórico de sangramento digestivo;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Hipertensão arterial descontrolada;
    • Cirrose avançada;
    • Gravidez, especialmente no terceiro trimestre, salvo orientação médica.

    Nessas situações, outras opções para o controle da dor podem ser consideradas mais seguras. A escolha, no entanto, deve ser feita por um profissional de saúde, levando em conta a causa da dor e as demais condições do paciente.

    Misturar dois anti-inflamatórios aumenta o efeito?

    Não é recomendado. Associar dois medicamentos da mesma classe, como ibuprofeno e diclofenaco, geralmente não oferece um benefício significativo para o controle da dor.

    Por outro lado, essa combinação pode aumentar o risco de:

    • Lesões no estômago;
    • Sangramento digestivo;
    • Problemas renais;
    • Retenção de líquidos;
    • Alterações cardiovasculares.

    Também é importante verificar a composição de medicamentos combinados, pois algumas pessoas podem utilizar dois anti-inflamatórios sem perceber que ambos pertencem à mesma classe.

    Como utilizar anti-inflamatórios com mais segurança?

    Algumas recomendações ajudam a reduzir os riscos:

    • Utilize apenas quando houver indicação;
    • Não ultrapasse a dose prescrita ou indicada;
    • Evite tratamentos prolongados sem orientação médica;
    • Mantenha uma boa hidratação;
    • Informe ao profissional se possui doença renal, cardíaca ou gástrica;
    • Evite associar dois anti-inflamatórios ao mesmo tempo;
    • Não utilize medicamentos indicados para familiares ou amigos.

    O princípio mais importante é utilizar a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário.

    Também é fundamental informar ao profissional quais outros medicamentos estão sendo utilizados, já que algumas combinações podem aumentar o risco de efeitos adversos.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação imediatamente se, durante o uso de um anti-inflamatório, ocorrer:

    • Dor abdominal intensa;
    • Vômitos com sangue;
    • Fezes pretas ou muito escuras;
    • Diminuição importante da quantidade de urina;
    • Inchaço intenso;
    • Falta de ar;
    • Dor no peito;
    • Reação alérgica com inchaço ou dificuldade para respirar.

    Esses sintomas podem indicar complicações graves relacionadas ao medicamento e não devem ser ignorados.

    Confira: Insuficiência renal aguda: quando os rins param de funcionar de repente

    Perguntas frequentes sobre anti-inflamatórios

    1. Anti-inflamatório e analgésico são iguais?

    Não exatamente. Analgésicos simples atuam principalmente no alívio da dor, enquanto os anti-inflamatórios reduzem a dor e também o processo inflamatório.

    2. Toda dor precisa de anti-inflamatório?

    Não. Muitas dores, como alguns tipos de dor de cabeça ou quadros de febre, podem ser tratadas adequadamente com analgésicos simples, dependendo da causa.

    3. Anti-inflamatórios fazem mal aos rins?

    Podem prejudicar os rins, principalmente em idosos, pessoas desidratadas e pacientes com doença renal, insuficiência cardíaca ou que utilizam determinados medicamentos para controlar a pressão.

    4. Anti-inflamatórios podem causar gastrite?

    Sim. Além da gastrite, esses medicamentos podem provocar úlceras e sangramentos digestivos, especialmente quando utilizados por períodos prolongados ou por pessoas com maior risco.

    5. Tomar junto com alimento protege o estômago?

    Pode reduzir o desconforto gastrointestinal, mas não elimina o risco de lesões na mucosa, úlceras ou sangramentos.

    6. O protetor gástrico impede todos os efeitos colaterais?

    Não. O protetor gástrico pode reduzir o risco de algumas complicações no estômago, mas não protege os rins nem elimina os riscos cardiovasculares dos anti-inflamatórios.

    7. Posso tomar dois anti-inflamatórios ao mesmo tempo?

    Não é recomendado. A associação aumenta o risco de efeitos adversos e, para a maioria dos pacientes, não oferece um benefício significativo adicional.

    8. Qual é a maneira mais segura de usar um anti-inflamatório?

    A forma mais segura é utilizar o medicamento apenas quando realmente indicado, na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.

    Também é importante respeitar a orientação de um profissional de saúde e considerar doenças preexistentes e outros medicamentos em uso.

    Veja também: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

  • Prego enferrujado causa tétano? Saiba quando procurar atendimento

    Prego enferrujado causa tétano? Saiba quando procurar atendimento

    Muitas pessoas acreditam que o tétano acontece apenas quando alguém pisa em um prego enferrujado. Embora essa seja uma situação clássica, ela representa apenas um dos inúmeros cenários em que a doença pode ocorrer.

    Na realidade, a ferrugem não causa tétano. O verdadeiro responsável é o Clostridium tetani, bactéria encontrada no solo, na poeira, nas fezes de animais e em diversos ambientes naturais.

    Quando os esporos dessa bactéria entram em um ferimento com condições favoráveis para seu desenvolvimento, podem produzir uma toxina extremamente potente, capaz de afetar o sistema nervoso.

    Por isso, a avaliação de um ferimento deve considerar não apenas o objeto que causou o machucado, mas também as características da lesão e a situação vacinal da pessoa.

    O que é o tétano?

    O tétano é uma doença infecciosa causada pela bactéria Clostridium tetani. Após entrar no organismo por meio de um ferimento, a bactéria pode produzir uma toxina chamada tetanospasmina, que atinge o sistema nervoso.

    Essa toxina interfere no funcionamento dos neurônios responsáveis pelo relaxamento muscular, levando à contração contínua dos músculos.

    Sem tratamento, a doença pode ser fatal.

    A ferrugem causa tétano?

    Não. Esse é um dos maiores mitos relacionados à doença. O prego enferrujado é frequentemente associado ao tétano porque costuma permanecer em contato com:

    • Solo;
    • Poeira;
    • Ambientes úmidos.

    Esses locais podem favorecer a presença dos esporos da bactéria. Entretanto, qualquer objeto contaminado pode permitir a entrada do microrganismo em um ferimento, mesmo que não apresente ferrugem.

    Quais ferimentos apresentam maior risco?

    Nem todo corte apresenta o mesmo risco de desenvolvimento do tétano. Entre os ferimentos considerados de maior risco estão:

    • Perfurações profundas;
    • Mordidas de animais ou de seres humanos;
    • Ferimentos contaminados com terra ou fezes;
    • Lesões causadas por objetos agrícolas;
    • Queimaduras extensas;
    • Esmagamentos;
    • Feridas com tecido desvitalizado;
    • Ferimentos com corpos estranhos retidos.

    Essas lesões podem criar um ambiente com pouco oxigênio, condição favorável ao crescimento da bactéria.

    Ferimentos pequenos também podem transmitir tétano?

    Sim. Mesmo lesões aparentemente pequenas podem permitir a entrada dos esporos da bactéria.

    Além disso, algumas perfurações profundas praticamente se fecham na superfície. Isso dificulta a limpeza completa e pode criar, no interior do ferimento, um ambiente favorável para o desenvolvimento do microrganismo.

    Por esse motivo, o tamanho externo da lesão nem sempre indica seu verdadeiro risco.

    O que os médicos avaliam após um ferimento?

    A avaliação do risco de tétano faz parte do atendimento inicial de determinados ferimentos. O profissional costuma analisar:

    • Tipo de ferimento;
    • Profundidade da lesão;
    • Presença de sujeira;
    • Tempo transcorrido desde o acidente;
    • Existência de tecido desvitalizado;
    • Presença de corpo estranho;
    • Histórico vacinal do paciente.

    A combinação dessas informações determina se será necessária apenas a limpeza da lesão ou se também haverá indicação de imunização.

    A limpeza da ferida é tão importante quanto a vacina?

    A limpeza adequada é uma das principais medidas após um ferimento.

    Ela pode incluir:

    • Irrigação abundante com soro fisiológico ou água potável;
    • Remoção de sujeira e corpos estranhos;
    • Retirada de tecido desvitalizado, quando necessário.

    Esses cuidados ajudam a reduzir a quantidade de bactérias presentes no local e devem ser realizados o mais cedo possível.

    A limpeza, no entanto, não substitui a vacinação quando houver indicação de reforço ou de início do esquema vacinal.

    Quando a vacina contra o tétano é indicada?

    A vacina pode ser indicada tanto para atualizar a imunização quanto para iniciar ou completar o esquema vacinal. A decisão depende do tipo de ferimento e do histórico de vacinação da pessoa.

    Atualização da vacinação

    Pessoas que completaram o esquema básico, mas receberam a última dose há muitos anos, podem precisar de um reforço.

    Em geral:

    • Para ferimentos limpos e de baixo risco, costuma-se indicar reforço quando a última dose foi aplicada há 10 anos ou mais;
    • Para ferimentos considerados de maior risco, o reforço pode ser recomendado quando a última dose foi aplicada há 5 anos ou mais.

    As recomendações podem variar conforme as diretrizes nacionais e a situação clínica do paciente.

    Esquema vacinal incompleto ou desconhecido

    Quem nunca foi vacinado, não completou o esquema básico ou não sabe informar quais doses recebeu deverá iniciar ou completar a imunização. O profissional de saúde avaliará quais doses são necessárias e orientará a continuidade do esquema.

    A vacina precisa ser tomada imediatamente?

    Após um ferimento de risco, a avaliação médica deve ser procurada o mais cedo possível.

    Não é necessário esperar sinais de infecção ou sintomas do tétano para buscar atendimento. A prevenção é definida com base no ferimento e na situação vacinal, antes que a doença se manifeste.

    Mesmo quando já se passaram algumas horas ou dias desde o acidente, a pessoa deve procurar avaliação, especialmente se o ferimento for profundo, contaminado ou se houver dúvida sobre a vacinação.

    Quando o soro ou a imunoglobulina antitetânica são necessários?

    Além da vacina, algumas pessoas podem precisar receber imunoglobulina antitetânica ou, em determinados locais, soro antitetânico.

    Esse produto fornece anticorpos prontos e oferece proteção imediata.

    Geralmente, é indicado quando:

    • Existe um ferimento de alto risco;
    • A pessoa nunca foi vacinada;
    • O histórico de vacinação é desconhecido;
    • O esquema vacinal está incompleto.

    A imunoglobulina oferece proteção imediata, enquanto a vacina estimula o organismo a produzir sua própria imunidade ao longo das semanas seguintes.

    Vacina e imunoglobulina têm funções diferentes?

    Sim. Embora ambas sejam utilizadas na prevenção do tétano, suas funções são diferentes.

    Vacina

    A vacina estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos contra a toxina da bactéria. A proteção não é imediata, mas tende a ser duradoura quando o esquema é completado e os reforços são mantidos.

    Imunoglobulina antitetânica

    A imunoglobulina fornece anticorpos prontos. A ação dela é imediata, porém temporária.

    Quando as duas são indicadas, vacina e imunoglobulina podem ser administradas no mesmo atendimento, mas em locais diferentes do corpo.

    Tomar antibiótico substitui a vacina?

    Não. A prevenção específica do tétano depende da vacinação, da imunoglobulina quando indicada e dos cuidados adequados com a ferida.

    Antibióticos podem ser necessários em algumas lesões para tratar ou prevenir outras infecções, conforme avaliação médica. No entanto, seu uso não substitui a imunização antitetânica.

    Quais são os sintomas do tétano?

    Os sintomas costumam aparecer entre 3 e 21 dias após a infecção, embora esse intervalo possa variar conforme a localização e a gravidade da lesão.

    Entre os principais sinais estão:

    • Rigidez da mandíbula, conhecida como trismo;
    • Dificuldade para abrir a boca;
    • Rigidez no pescoço;
    • Espasmos musculares intensos;
    • Dificuldade para engolir;
    • Contrações dolorosas desencadeadas por luz, sons ou toque.

    Nos casos graves, pode ocorrer comprometimento da respiração. O surgimento desses sintomas exige atendimento médico imediato.

    O tétano é contagioso?

    Não. O tétano não é transmitido de uma pessoa para outra. A doença acontece quando os esporos da bactéria entram diretamente no organismo por meio de um ferimento.

    Por isso, não há risco de transmissão pelo convívio, contato físico ou compartilhamento de objetos com alguém que tenha a doença.

    Como prevenir o tétano?

    A prevenção baseia-se em três pilares principais.

    Manter a vacinação atualizada

    A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir a doença. Ela faz parte do calendário infantil, mas a proteção precisa ser mantida com doses de reforço ao longo da vida.

    Por isso, é importante saber quando foi recebida a última dose e manter o comprovante de vacinação atualizado.

    Limpar adequadamente os ferimentos

    Todo machucado deve ser lavado o mais cedo possível com água corrente e sabão ou conforme orientação de um profissional de saúde.

    Ferimentos profundos ou com sujeira retida podem precisar de uma limpeza mais cuidadosa em um serviço de saúde.

    Avaliar os ferimentos de maior risco

    Perfurações profundas, ferimentos contaminados, queimaduras extensas, esmagamentos e mordidas devem ser avaliados por um profissional.

    A consulta permite definir a necessidade de:

    • Limpeza mais profunda;
    • Remoção de corpos estranhos;
    • Atualização da vacina;
    • Aplicação de imunoglobulina antitetânica.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure atendimento se ocorrer:

    • Perfuração profunda;
    • Ferimento contaminado com terra ou fezes;
    • Mordida de animal ou de ser humano;
    • Esmagamento;
    • Queimadura extensa;
    • Corpo estranho retido na ferida;
    • Lesão causada por objeto agrícola;
    • Dúvida sobre a vacinação contra o tétano.

    Também é importante procurar assistência se surgirem sinais de infecção, como:

    • Vermelhidão crescente;
    • Inchaço;
    • Presença de pus;
    • Febre;
    • Dor intensa ou em piora.

    Mesmo que a lesão pareça pequena, a avaliação pode ser necessária se houver dúvida sobre a profundidade, a contaminação ou o histórico de vacinação.

    Confira: Vacinas salvam vidas: entenda por que a imunização é uma das maiores conquistas da medicina

    Perguntas frequentes sobre tétano e ferimentos

    1. Apenas pregos enferrujados causam tétano?

    Não. O risco está relacionado à entrada dos esporos da bactéria em um ferimento, e não à presença de ferrugem. Objetos sem ferrugem também podem estar contaminados.

    2. Um corte pequeno pode causar tétano?

    Sim. Ferimentos pequenos, especialmente perfurações profundas, também podem permitir a entrada da bactéria e dificultar a limpeza adequada.

    3. Como saber se preciso tomar a vacina?

    Isso depende do tipo de ferimento, do risco de contaminação e do histórico de vacinação. Um profissional de saúde deve avaliar a necessidade de reforço, início ou conclusão do esquema.

    4. Qual é a diferença entre vacina e soro ou imunoglobulina?

    A vacina estimula o organismo a produzir anticorpos e oferece proteção duradoura. A imunoglobulina fornece anticorpos prontos e protege imediatamente, mas por tempo limitado.

    5. O tétano passa de uma pessoa para outra?

    Não. A doença não é contagiosa e não pode ser transmitida pelo contato com uma pessoa infectada.

    6. Se lavei bem a ferida, ainda posso precisar da vacina?

    Sim. A limpeza reduz a contaminação da ferida, mas não substitui a vacinação quando ela é indicada.

    7. Antibiótico substitui a vacina contra o tétano?

    Não. O antibiótico não substitui a vacina nem a imunoglobulina antitetânica quando elas são indicadas.

    8. O que fazer após um ferimento com terra ou objeto contaminado?

    Lave imediatamente a lesão com água corrente e sabão. Depois, procure atendimento para avaliar a necessidade de limpeza mais profunda, atualização da vacina e, quando indicado, aplicação de imunoglobulina antitetânica.

    Veja também: Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave

  • MAPA: entenda o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro 

    MAPA: entenda o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro 

    A pressão arterial pode se comportar de maneiras bem diferentes ao longo do dia. Em alguns momentos, ela sobe; em outros, volta ao normal. No consultório, a medição dura poucos segundos, e isso nem sempre reflete a realidade dos outros momentos.

    É aí que entra o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), um exame que acompanha a pressão durante 24 horas e registra as variações em atividades comuns e até durante o sono.

    Cada vez mais solicitado pelos cardiologistas, o MAPA é considerado um excelente exame para entender se a pressão alta aparece apenas em situações específicas, como no consultório médico, ou se realmente está elevada durante todo o dia.

    O que é o exame MAPA?

    O MAPA é um exame que mede e registra a pressão arterial ao longo de 24 horas. A pessoa usa um aparelho preso à cintura, conectado a uma braçadeira no braço. Em intervalos programados (geralmente a cada 15 a 30 minutos durante o dia e a cada 30 a 60 minutos à noite), o aparelho infla automaticamente e mede a pressão arterial.

    Leia também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Para que serve o MAPA?

    O exame é muito útil para diversas situações, como:

    • Confirmar diagnóstico de pressão alta;
    • Avaliar o efeito de remédios para pressão alta;
    • Detectar hipertensão do avental branco: quando a pressão sobe apenas no consultório do médico;
    • Identificar pressão alta mascarada: parece normal no consultório, mas está elevada no dia a dia;
    • Avaliar se a pressão cai adequadamente durante o sono.

    Como o MAPA é feito na prática?

    • A pessoa vai ao consultório ou laboratório para colocar o equipamento;
    • Durante as 24 horas, ela segue a rotina normal e anota em um diário as atividades, horários de sono e sintomas;
    • No dia seguinte, retorna para retirar o aparelho e entregar o diário.

    O exame não dói, não é invasivo, mas pode causar algum incômodo por conta do enchimento frequente da braçadeira, que gera pressão no braço, inclusive durante o sono.

    Confira: Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Quem deve fazer o MAPA?

    O médico pode indicar o exame para:

    • Pessoas com suspeita de pressão alta;
    • Quem está em tratamento para pressão alta, para avaliar se os medicamentos estão funcionando;
    • Indivíduos com variações de pressão ainda sem explicação;
    • Casos de sintomas como tontura, palpitação ou dor de cabeça que podem estar relacionados à pressão arterial.

    Confira: Holter 24h: como o exame ajuda a flagrar arritmias ocultas

    Perguntas frequentes sobre o exame MAPA

    1. O exame MAPA dói?

    Não, o exame MAPA não dói. Ele pode causar um incômodo leve na hora da braçadeira inflar, pois aperta o braço, mas não causa dor.

    2. Preciso ficar internado para fazer o exame?

    Não é necessário ficar internado para fazer o exame. A pessoa pode manter a rotina normalmente, apenas usando o aparelho durante as 24 horas.

    3. Posso tomar banho durante o exame?

    Não é permitido molhar o equipamento, logo, não se deve tomar banho durante o uso do MAPA 24h. O banho deve ser feito antes da colocação ou depois da retirada do aparelho.

    4. O MAPA substitui as medições de pressão em casa?

    Não. Ele complementa as medições de pressão arterial. As medições caseiras também são importantes no acompanhamento.

    5. O resultado sai na hora?

    Não. Os dados precisam ser analisados pelo médico, que gera um relatório detalhado e só depois apresenta o resultado.

    Leia também: Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova 

  • Diabetes: por que controlar é tão importante para a saúde do coração 

    Diabetes: por que controlar é tão importante para a saúde do coração 

    Você provavelmente já ouviu falar de diabetes, mas talvez não saiba exatamente o que é ou por que os médicos batem tanto na tecla da importância de controlar a glicemia. O fato é que a doença pode afetar toda a saúde, inclusive o coração.

    Apesar de muita gente associar o diabetes apenas ao açúcar alto no sangue, ele é bem mais complexo. A condição mexe com todo o metabolismo, pode afetar órgãos importantes e, quando não controlada, abrir caminho para problemas sérios.

    O que é diabetes

    Quando comemos alimentos que contêm carboidratos, como pães, massas, arroz, frutas e doces, eles são digeridos e transformados em glicose, um tipo de açúcar que serve de combustível para as células do corpo.

    Em condições normais, a glicose passa do intestino para a corrente sanguínea e, com a ajuda da insulina (um hormônio produzido pelo pâncreas), entra nas células para ser usada como energia.

    Quando a pessoa tem diabetes, esse processo é prejudicado. Ou o corpo não produz insulina suficiente, ou a insulina não consegue fazer o seu papel direito. Como resultado, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue. Esse excesso, com o tempo, pode danificar vasos sanguíneos, nervos e órgãos.

    Tipos de diabetes

    Existem diferentes tipos de diabetes, mas todos exigem cuidado e acompanhamento médico.

    • Diabetes tipo 1: de origem autoimune, costuma aparecer na infância ou adolescência, embora também possa surgir em adultos.
    • Diabetes tipo 2: mais comum em adultos, mas está cada vez mais frequente em jovens por conta de hábitos ruins de vida;
    • Diabetes gestacional: aparece durante a gravidez e exige atenção redobrada.

    Por que controlar o diabetes é tão importante para o coração

    O diabetes não tratado, segundo a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, é um grande problema.

    “Ele aumenta consideravelmente o risco do desenvolvimento de outras condições de saúde, em especial as doenças cardiovasculares. A doença cardiovascular ainda é a principal causa de morte nos pacientes diabéticos”, conta a especialista.

    Quando o açúcar no sangue fica alto por muito tempo, ele favorece o acúmulo de gordura e placas nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, que pode levar a infarto e AVC.

    “Além disso, o diabetes não tratado pode levar a alterações nos nervos e vasos sanguíneos com diminuição de sensibilidade, um processo chamado neuropatia, e que pode inclusive dificultar a percepção de infarto, pois o paciente com diabetes pode ter um infarto sem dor”, detalha a médica.

    Quem tem diabetes tipo 1 precisa ainda ficar mais atento. Além do endocrinologista, Juliana Soares recomenda acompanhamento com:

    • Nefrologista: para a saúde dos rins;
    • Oftalmologista: para prevenir retinopatia diabética que pode provocar perda de visão;
    • Cardiologista: para avaliar e proteger o coração;
    • Nutricionista: para ajustar a alimentação.

    A médica explica que portadores de diabetes tipo 1 têm mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares, principalmente quando os controles dos níveis de glicose são inadequados.

    “Isso leva ao aumento do processo de formação das placas nas artérias e a lesão nos vasos sanguíneos e nervos. A doença cardiovascular é a principal causa de morte em adultos com diabetes tipo 1”, alerta.

    E o pré-diabetes?

    Se o diabetes é o sinal vermelho, o pré-diabetes é o sinal amarelo. Os níveis de açúcar já estão acima do normal, mas ainda não chegaram ao ponto de ser diabetes.

    A boa notícia, segundo Juliana Soares, é que mudanças no estilo de vida como melhora da alimentação, prática de atividade física e perda de peso são altamente eficazes.

    “Em algumas situações o uso de remédios, em especial a metformina, é muito benéfico e ajuda a conter a evolução para o diabetes”.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Hoje há novos remédios que podem tratar diabetes, sendo que o mais falado atualmente é a semaglutida (Ozempic). Esse remédio pertence ao grupo dos agonistas do GLP-1, um hormônio que, como explica Juliana Soares, estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, evitando picos de glicose no sangue.

    Esses remédios também ajudam a reduzir risco de infarto e AVC, melhorando colesterol, pressão arterial e até a saúde dos vasos sanguíneos.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Nos últimos anos, uma classe de remédios ganhou destaque no tratamento do diabetes tipo 2: os agonistas do GLP-1, como a semaglutida (Ozempic). O GLP-1 é um hormônio que o próprio corpo produz e que ajuda a regular a glicose no sangue de forma inteligente.

    A cardiologista explica que, quando os níveis de açúcar estão altos, os remédios agonistas do GLP-1 estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas e, ao mesmo tempo, inibem a liberação de um hormônio chamado glucagon, que atua na liberação de glicose pelo fígado. Ou seja, eles não só ajudam a colocar a glicose para dentro das células, mas também evitam que o fígado jogue mais açúcar na corrente sanguínea.

    Esse tipo de remédio também age no cérebro. Eles diminuem o apetite, aumentam a sensação de saciedade e ainda reduzem a velocidade com que o estômago esvazia após as refeições. Esse conjunto de ações faz com que a glicose seja absorvida mais devagar e evita picos de açúcar no sangue.

    “Os agonistas do GLP-1 podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC e até mesmo morte por causas cardiovasculares”, conta a médica. “A ação no controle dos níveis de açúcar e no peso são, por si, fatores protetores e que reduzem o risco cardiovascular através da melhora metabólica”.

    Como viver bem com diabetes tipo 2

    O diagnóstico de diabetes não precisa ser sinônimo de uma qualidade de vida ruim. “A vida do portador de diabetes pode ser saudável desde que um estilo de vida adequado e os cuidados necessários sejam seguidos. O foco no autocuidado, no tratamento adequado e na prevenção das complicações é fundamental”, reforça Juliana Soares.

    O tratamento conta com:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física regular;
    • Controle do colesterol e da pressão;
    • Monitoramento da glicemia;
    • Uso correto dos remédios;
    • Exames regulares.

    Leia também: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

    Perguntas frequentes sobre diabetes

    1. O diabetes pode ser curado?

    Não, mas pode ser controlado com tratamento e mudanças no estilo de vida.

    2. O que é hipoglicemia?

    É quando o açúcar no sangue fica muito baixo. Isso pode causar tontura, suor frio, desmaio e, se a queda de açúcar for muito intensa e não for revertida a tempo, pode levar até à morte.

    3. Como prevenir o diabetes tipo 2?

    Mantendo um peso saudável, fazendo exercícios e comendo de forma equilibrada.

    5. O que é pré-diabetes?

    É quando a glicose está acima do normal, mas ainda não ao ponto de ser caracterizada diabetes.

    6. Diabetes afeta só o açúcar no sangue?

    Não, pode atingir coração, rins, olhos e nervos, por isso é importante tratar a doença.

    7. O que é resistência à insulina?

    É quando o corpo não consegue usar a insulina de forma eficiente, e isso faz com que o açúcar no sangue fique mais alto.

    8. Quem tem diabetes pode comer doce?

    Sim, mas com moderação e dentro de um plano alimentar equilibrado.

    Veja também: É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

  • Remédio para pressão e coração acelerado: como funciona o atenolol

    Remédio para pressão e coração acelerado: como funciona o atenolol

    O atenolol é um medicamento muito conhecido no tratamento de problemas cardiovasculares, especialmente pressão alta e alterações relacionadas ao ritmo e à frequência do coração. Apesar de ser usado há décadas, ainda há desconhecimento sobre a sua forma de ação. O que muita gente sabe é que é um “remédio para o coração”, mas não entende exatamente como ele funciona ou por que foi prescrito.

    Isso é importante porque o atenolol não age apenas reduzindo a pressão arterial. Ele interfere também na resposta do organismo à adrenalina, o que diminui a frequência cardíaca e a força de contração do coração.

    Pode ser útil, portanto, em várias situações. Porém, também exige alguns cuidados, principalmente em pessoas com certas doenças respiratórias, frequência cardíaca baixa ou uso de outros medicamentos. Entenda mais.

    O que é o atenolol?

    O atenolol é um medicamento da classe dos betabloqueadores. Isso significa que ele bloqueia parcialmente a ação da adrenalina e de outras substâncias semelhantes no coração e nos vasos sanguíneos.

    Na prática, ele ajuda a:

    • Diminuir a frequência cardíaca;
    • Reduzir a pressão arterial;
    • Reduzir o esforço do coração;
    • Diminuir o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco.

    Esses efeitos explicam por que ele é tão usado em cardiologia e em situações relacionadas ao controle cardiovascular.

    Para que serve o atenolol?

    O atenolol pode ser indicado em diferentes condições cardiovasculares. As indicações mais frequentes são:

    • Pressão alta;
    • Angina, que é a dor no peito relacionada ao coração;
    • Controle da frequência cardíaca;
    • Algumas arritmias;
    • Situações após infarto.

    Além das indicações cardíacas, em alguns casos o medicamento também pode ser usado para ajudar no controle de tremores ou sintomas físicos de ansiedade, como palpitações e taquicardia, sempre conforme avaliação médica.

    Como o atenolol age no corpo?

    O coração responde à adrenalina aumentando a frequência e a força das batidas. O atenolol bloqueia parte dessa resposta.

    Com isso, ele ajuda a desacelerar o coração. Isso pode ser útil quando a pressão está alta, quando o coração está trabalhando demais ou quando há excesso de estímulo adrenérgico.

    Os principais efeitos do atenolol são:

    • Redução dos batimentos cardíacos para um valor adequado;
    • Diminuição da pressão arterial;
    • Menor esforço cardíaco;
    • Redução de palpitações em alguns casos.

    Atenolol é um remédio para pressão alta?

    Sim. O atenolol pode ser usado no tratamento da hipertensão arterial. No entanto, hoje existem várias classes de medicamentos para pressão alta, e a escolha depende das características de cada paciente.

    As diretrizes médicas atuais costumam individualizar o tratamento, considerando idade, outras doenças, frequência cardíaca e risco cardiovascular. Isso significa que o atenolol pode ser uma ótima opção em alguns casos, mas não necessariamente a primeira escolha para todos.

    Atenolol ajuda em palpitações e coração acelerado?

    Pode ajudar, sim. Como reduz a resposta do coração à adrenalina, ele frequentemente diminui palpitações e episódios de taquicardia em algumas pessoas.

    Isso é especialmente percebido em situações como:

    • Ansiedade com sintomas físicos intensos;
    • Taquicardia;
    • Algumas arritmias;
    • Sensação de coração acelerado.

    Mas é importante lembrar que palpitação não é um diagnóstico. Antes de usar qualquer medicamento para controlar esse sintoma, é importante entender a causa dele.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Como o atenolol diminui um pouco o ritmo do coração, alguns efeitos colaterais podem ser consequência disso.

    Veja os mais comuns:

    • Cansaço;
    • Tontura;
    • Sensação de fraqueza;
    • Mãos e pés frios;
    • Frequência cardíaca baixa;
    • Sonolência em algumas pessoas.

    Esses sintomas podem ser mais perceptíveis no início do tratamento ou quando a dose está elevada.

    O atenolol pode baixar demais a frequência cardíaca?

    Sim. Como ele reduz os batimentos do coração, algumas pessoas podem apresentar bradicardia, que é quando a frequência cardíaca fica muito baixa.

    Dependendo do caso, isso pode causar:

    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Sensação de desmaio;
    • Cansaço excessivo.

    Por isso, a dose deve ser individualizada e acompanhada pelo médico.

    Quem precisa ter mais cuidado com atenolol?

    Algumas pessoas exigem atenção especial durante o uso do medicamento, como:

    • Pessoas com asma ou broncoespasmo;
    • Pacientes com frequência cardíaca muito baixa;
    • Pessoas com pressão muito baixa;
    • Quem tem diabetes;
    • Pacientes com insuficiência cardíaca descompensada.

    Isso acontece porque os betabloqueadores podem mascarar alguns sintomas, como taquicardia associada à hipoglicemia, que é a baixa taxa de açúcar no sangue, além de interferirem em mecanismos cardiovasculares e respiratórios.

    Pode parar atenolol de uma vez?

    Em geral, não é recomendado interromper o atenolol abruptamente sem orientação médica. A retirada repentina pode causar efeito rebote em algumas pessoas, com aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.

    Por isso, quando o medicamento precisa ser suspenso, normalmente o médico orienta uma redução gradual da dose.

    Atenolol causa sono ou cansaço?

    Pode causar, principalmente no início do tratamento. Algumas pessoas relatam sensação de fadiga, indisposição ou menor tolerância ao exercício.

    Isso acontece porque o medicamento reduz a resposta cardiovascular ao esforço. Em muitos casos, o organismo se adapta ao longo do tempo, mas, se os sintomas forem intensos, o médico deve ser avisado.

    Confira: Fibrilação atrial: a arritmia silenciosa que pode causar AVC

    Perguntas frequentes sobre atenolol

    1. Atenolol serve para pressão alta?

    Sim. Ele pode ser usado no tratamento da hipertensão arterial.

    2. Atenolol diminui os batimentos cardíacos?

    Sim. Esse é um dos principais efeitos do medicamento.

    3. Atenolol ajuda em palpitações?

    Pode ajudar em alguns casos, dependendo da causa.

    4. Pode parar de tomar atenolol sozinho?

    Não é recomendado interromper abruptamente sem orientação médica.

    5. Atenolol pode causar cansaço?

    Sim. Fadiga e indisposição podem ocorrer.

    6. Quem tem asma pode usar atenolol?

    Precisa de avaliação médica cuidadosa antes de usar o medicamento.

    7. Atenolol é ansiolítico?

    Não, mas o medicamento pode ajudar em sintomas físicos relacionados à adrenalina, como taquicardia e tremor.

    Leia também: Holter 24h: como o exame ajuda a flagrar arritmias ocultas

  • Kiwi: 6 benefícios e por que essa fruta merece um lugar na sua alimentação

    Kiwi: 6 benefícios e por que essa fruta merece um lugar na sua alimentação

    Pequeno no tamanho, mas gigante em nutrientes, o kiwi é uma das frutas mais completas do ponto de vista nutricional. Muitas pessoas o conhecem apenas pelo sabor levemente ácido e refrescante, mas ele também traz uma combinação de vitaminas, minerais, fibras e compostos antioxidantes que fazem dele um importante aliado da saúde.

    Entre os principais benefícios estão o auxílio ao funcionamento do intestino, a alta concentração de vitamina C, a contribuição para o sistema imunológico e a presença de compostos bioativos capazes de combater o estresse oxidativo.

    Nas últimas décadas, diversos estudos vêm mostrando que consumir kiwi regularmente pode trazer vantagens que vão muito além da nutrição básica. Entenda mais os benefícios dele.

    1. O kiwi é uma das frutas mais ricas em vitamina C

    Quando se fala em vitamina C, muita gente pensa imediatamente na laranja. O kiwi, no entanto, costuma fornecer uma quantidade ainda maior desse nutriente.

    Dependendo da variedade e do tamanho da fruta, apenas um kiwi já é capaz de suprir praticamente toda — ou até ultrapassar — a necessidade diária de vitamina C de um adulto saudável.

    A recomendação diária de vitamina C para adultos é de 75 mg para mulheres e 90 mg para homens. Um kiwi verde médio costuma fornecer entre 60 e 90 mg da vitamina, enquanto algumas variedades de kiwi amarelo podem ultrapassar 150 mg por fruta, superando facilmente a ingestão diária recomendada.

    A vitamina C exerce diversas funções importantes no organismo. Veja algumas:

    • Participa da produção de colágeno, proteína essencial para a pele, cartilagens, vasos sanguíneos e ossos;
    • Fortalece o funcionamento do sistema imunológico;
    • Ajuda na cicatrização;
    • Atua como antioxidante, protegendo as células contra os danos provocados pelos radicais livres;
    • Melhora a absorção do ferro presente nos alimentos de origem vegetal.

    Por ser uma vitamina hidrossolúvel, o organismo não consegue armazená-la em grandes quantidades. Por isso, o ideal é consumi-la diariamente por meio da alimentação. O kiwi é uma das maneiras mais simples de atingir essa recomendação.

    2. Kiwi é rico em nutrientes

    Embora a vitamina C seja seu nutriente mais conhecido, ela está longe de ser o único. O kiwi oferece uma combinação interessante de vitaminas, minerais e compostos bioativos que contribuem para o bom funcionamento do organismo.

    Entre os principais nutrientes presentes na fruta estão:

    • Vitamina E;
    • Vitamina K;
    • Folato (vitamina B9);
    • Potássio;
    • Cobre;
    • Magnésio;
    • Fibras alimentares.

    No kiwi também estão presentes carotenoides, polifenóis e outros antioxidantes naturais que ajudam a combater o estresse oxidativo, um processo relacionado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

    Outro diferencial da fruta é a alta densidade nutricional. Isso significa que ela oferece muitos nutrientes importantes com relativamente poucas calorias, o que a torna uma ótima opção para quem busca uma alimentação equilibrada.

    3. O kiwi ajuda o intestino a funcionar melhor

    Entre todos os benefícios estudados, um dos mais bem documentados é o efeito positivo sobre o funcionamento intestinal.

    Diversos ensaios clínicos mostram que consumir kiwi regularmente aumenta a frequência das evacuações, melhora a consistência das fezes e reduz sintomas como sensação de evacuação incompleta, esforço para evacuar e desconforto abdominal em pessoas com prisão de ventre.

    Inclusive, revisões científicas recentes apontam que o kiwi pode ser uma estratégia nutricional interessante para pessoas com constipação leve a moderada antes mesmo da necessidade de utilizar medicamentos laxativos.

    4. O kiwi melhora o trânsito intestinal

    Esse efeito ocorre graças à combinação de diferentes mecanismos. O primeiro deles é a elevada quantidade de fibras, pois o kiwi contém tanto fibras solúveis quanto insolúveis.

    As fibras insolúveis aumentam o volume das fezes e estimulam os movimentos naturais do intestino. Já as fibras solúveis absorvem água e formam uma espécie de gel, deixando as fezes mais macias e facilitando a eliminação delas.

    Outro fator importante é que o kiwi ajuda a aumentar a quantidade de água presente no conteúdo intestinal. Isso ajuda a ter um trânsito intestinal mais eficiente sem provocar o efeito irritativo observado em alguns laxantes.

    Outro diferencial do kiwi é a presença da actinidina, uma enzima natural que ajuda a quebrar proteínas durante a digestão, o que facilita o processamento de alimentos como carnes, ovos, leite e algumas leguminosas.

    Isso pode favorecer uma digestão mais confortável após refeições ricas em proteínas, reduzindo a sensação de estômago pesado em algumas pessoas.

    5. O kiwi pode beneficiar a microbiota intestinal

    Nos últimos anos, os pesquisadores também passaram a investigar como o kiwi influencia as trilhões de bactérias que vivem naturalmente no intestino.

    As evidências disponíveis sugerem que as fibras e os compostos bioativos da fruta favorecem o crescimento de bactérias consideradas boas, funcionando como uma espécie de prebiótico natural.

    6. O kiwi ajuda na imunidade

    De forma indireta, o kiwi ajuda no fortalecimento da imunidade. A vitamina C, que também está presente na fruta, participa do funcionamento normal de diversas células do sistema imunológico e também atua protegendo essas células contra os danos causados pelos radicais livres.

    Além disso, ela participa da formação da barreira de proteção da pele e das mucosas, que representam uma das primeiras linhas de defesa do organismo contra microrganismos.

    Isso não significa, porém, que comer kiwi impeça alguém de desenvolver gripes, resfriados ou outras infecções. O fortalecimento da imunidade também depende de diversos fatores, como alimentação equilibrada, sono adequado, prática de atividade física e vacinação em dia.

    Quantos kiwis podem ser consumidos por dia?

    Não existe uma quantidade oficial recomendada. Para a maioria das pessoas, consumir um ou dois kiwis por dia já é suficiente para aproveitar seus principais benefícios nutricionais dentro de uma alimentação equilibrada.

    Como qualquer alimento, o kiwi deve fazer parte de uma dieta variada, rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e fontes de proteínas de boa qualidade.

    Quem deve tomar cuidado ao consumir kiwi?

    Apesar de ser considerado um alimento bastante seguro, algumas pessoas podem apresentar alergia ao kiwi.

    Os sintomas costumam surgir poucos minutos após o consumo e podem incluir:

    • Coceira na boca ou na garganta;
    • Inchaço dos lábios, língua ou rosto;
    • Urticária;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas;
    • Dificuldade para respirar, nos casos mais graves.

    Pessoas com alergia ao látex apresentam maior risco de desenvolver reação ao kiwi devido ao fenômeno conhecido como reação cruzada. O mesmo pode acontecer com indivíduos alérgicos a frutas como banana, abacate, castanha e mamão.

    Além disso, quem possui doença renal crônica avançada e precisa restringir o consumo de potássio deve conversar com o médico ou nutricionista antes de aumentar significativamente a ingestão da fruta.

    Confira: 9 frutas com casca comestível que você não deve jogar fora

    Perguntas frequentes sobre kiwi

    1. O kiwi tem mais vitamina C do que a laranja?

    Sim. De forma geral, o kiwi apresenta uma concentração maior de vitamina C do que a laranja quando comparadas quantidades equivalentes das frutas. Um único kiwi médio pode fornecer praticamente toda a recomendação diária de vitamina C para um adulto saudável, enquanto algumas variedades, como o kiwi amarelo, podem ultrapassar essa necessidade.

    2. Comer kiwi todos os dias faz bem?

    Sim. Para a maioria das pessoas saudáveis, consumir um ou dois kiwis por dia pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. O consumo regular ajuda a aumentar a ingestão de fibras, vitamina C, antioxidantes e outros nutrientes importantes para o organismo.

    3. O kiwi ajuda quem tem intestino preso?

    Sim. Esse é um dos benefícios mais bem documentados pela ciência. O consumo regular de kiwi aumenta a frequência das evacuações, melhora a consistência das fezes e reduz sintomas de prisão de ventre.

    4. O kiwi ajuda na imunidade?

    Indiretamente, sim. O kiwi é uma excelente fonte de vitamina C, nutriente essencial para o funcionamento adequado do sistema imunológico. Entretanto, ele não impede sozinho o surgimento de infecções.

    5. O kiwi engorda?

    O kiwi é uma fruta pouco calórica e rica em fibras, características que favorecem a saciedade. Como qualquer alimento, pode contribuir para o excesso de calorias apenas quando consumido em grandes quantidades, mas, isoladamente, não é considerado uma fruta que favoreça o ganho de peso.

    6. É melhor comer o kiwi com ou sem casca?

    As duas formas são seguras, desde que a fruta seja bem higienizada. A casca concentra fibras e antioxidantes, o que aumenta o valor nutricional do alimento. Muitas pessoas, porém, preferem descascá-la devido à textura. A escolha depende do gosto pessoal.

    7. Pessoas com diabetes podem comer kiwi?

    Sim. Em geral, pessoas com diabetes podem consumir kiwi como parte de uma alimentação equilibrada. A fruta tem baixo índice glicêmico e contém fibras, que ajudam a retardar a absorção dos açúcares. Ainda assim, a quantidade ideal deve ser orientada pelo médico ou nutricionista, de acordo com as necessidades individuais.

    8. Crianças podem comer kiwi?

    Sim. O kiwi pode ser oferecido após a introdução alimentar, respeitando a consistência adequada para cada idade. Além de fornecer vitamina C e fibras, ajuda a diversificar o consumo de frutas. Caso exista histórico de alergias alimentares, é recomendado conversar com o pediatra antes da introdução.

    9. Qual a diferença entre o kiwi verde e o kiwi amarelo?

    Os dois são muito nutritivos e oferecem benefícios semelhantes. O kiwi amarelo costuma ser mais doce e apresenta concentrações ainda maiores de vitamina C. Já o kiwi verde fornece um pouco mais de fibras e contém maior quantidade da enzima actinidina, que auxilia na digestão de proteínas.

    10. Quem tem alergia ao látex pode comer kiwi?

    Nem sempre. Pessoas com alergia ao látex apresentam maior risco de desenvolver reação alérgica ao kiwi devido à chamada reação cruzada. Nesses casos, o ideal é procurar orientação médica antes de consumir a fruta regularmente.

    Veja também: Como usar kiwi e psyllium para soltar o intestino de forma natural

  • Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

    Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

    O infarto ainda é visto, no imaginário popular, como um problema masculino. Mas a realidade é bem diferente e preocupante. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no mundo. E o mais grave é que o infarto nelas pode se manifestar de forma diferente, com sinais discretos que passam despercebidos e atrasam o socorro.

    “O infarto em mulheres apresenta peculiaridades significativas que o diferenciam do infarto em homens, desde os sintomas até os impactos e desfechos”, explica a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein. Entender essas diferenças é muito importante para agir rápido e salvar vidas.

    Por que o infarto em mulheres é diferente?

    Enquanto nos homens o sintoma mais típico é a dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo, nas mulheres os sinais podem ser mais discretos, e podem ser facilmente confundidos com ansiedade, indigestão ou cansaço.

    “Uma das distinções mais marcantes entre o infarto em mulheres e homens reside na apresentação dos sintomas”, explica a cardiologista. Isso ajuda a entender por que tantas mulheres demoram a buscar atendimento.

    Os 7 sintomas silenciosos do infarto feminino

    Mesmo que não haja dor forte no peito, as mulheres precisam ficar atentas a outros sinais. Conheça os mais comuns:

    • Fadiga persistente;
    • Desconforto na região do tórax;
    • Falta de ar;
    • Náuseas e vômitos;
    • Tontura.

    “Esses sintomas menos proeminentes e muitas vezes pouco valorizados podem levar a um atraso significativo no diagnóstico e tratamento”, reforça a médica.

    Fatores de risco específicos para mulheres

    Alguns riscos são compartilhados com os homens, como pressão alta, colesterol alto, obesidade e tabagismo, mas outros afetam mais as mulheres ou têm impacto diferente nelas.

    • Diabetes: essa doença aumenta o risco cardiovascular de forma mais intensa nas mulheres.
    • Estresse e depressão: mais comuns nas mulheres, essas condições estão ligadas a um risco maior de infarto.
    • Doenças autoimunes: o lúpus e a artrite reumatoide, por exemplo, são mais comuns em mulheres e podem aumentar o risco de infarto.
    • Complicações na gravidez: pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes gestacional e parto prematuro são fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares em mulheres.
    • Menopausa: a queda nos níveis de estrogênio aumenta o risco cardiovascular.

    Diferença no infarto em mulheres e homens

    Nos homens, o infarto costuma ocorrer pelo rompimento de uma placa de gordura em uma grande artéria do coração, levando à formação de um coágulo.

    “Já nas mulheres, é mais comum haver problemas nos pequenos vasos sanguíneos do coração ou mesmo um infarto causado por uma condição chamada dissecção espontânea da artéria coronária, um ‘rasgo’ na parede da artéria que, embora rara, é mais frequente em mulheres jovens e de meia-idade”, explica a cardiologista.

    Por que o prognóstico pode ser pior nas mulheres?

    A médica explica que quatro fatores principais contribuem para a gravidade do infarto nas mulheres:

    • Atraso no diagnóstico: devido aos sintomas atípicos, o diagnóstico pode demorar a acontecer.
    • Maior número de comorbidades: mulheres tendem a ser mais velhas e ter mais doenças associadas no momento do infarto, e isso pode complicar o tratamento e a recuperação.
    • Baixa adesão à reabilitação cardíaca: menos mulheres são encaminhadas e participam desses programas de reabilitação cardíaca, que são essenciais para a recuperação.
    • Padrão de vida pós-infarto: as mulheres podem enfrentar mais desafios em retomar suas atividades diárias ou profissionais por conta de sequelas físicas e emocionais do infarto.

    Prevenção: o que você pode fazer

    As mulheres precisam conhecer seus fatores de risco e manter um estilo de vida saudável. Isso inclui alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse e acompanhamento médico. E, sobretudo, não ignorar sinais incomuns que possam indicar problemas no coração.

    “Aumentar a conscientização sobre os sintomas atípicos, a importância do diagnóstico precoce e a necessidade de uma abordagem personalizada no tratamento e prevenção é fundamental para mudar essa realidade”, conclui a cardiologista Juliana Soares.

    Confira: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes sobre infarto em mulheres

    1. Quais são os sintomas mais comuns de infarto em mulheres?

    Fadiga, falta de ar, desconforto no peito, náuseas, tontura são os principais sinais.

    2. É verdade que mulheres têm menos dor no peito durante o infarto?

    Sim. Muitas não apresentam a dor clássica, o que dificulta o reconhecimento imediato.

    3. Mulheres jovens podem ter infarto?

    Sim, especialmente em casos de dissecção espontânea da artéria coronária (o “rasgo” na artéria) ou fatores de risco como estresse, depressão, diabetes e doenças autoimunes.

    4. O que devo fazer se sentir sintomas suspeitos?

    Procure atendimento médico imediato ou acione o SAMU pelo número 192.

    5. Menopausa aumenta o risco de infarto?

    Sim. A queda no estrogênio após a menopausa está associada a maior risco de problemas no coração.

    6. Quais fatores de risco são exclusivos das mulheres?

    Complicações na gravidez e impacto hormonal da menopausa.

    7. Como prevenir o infarto feminino?

    Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas, fazer check-ups regulares e conhecer os sinais de alerta.

    Veja mais: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

  • Quantos passos por dia são realmente necessários se você já faz musculação?

    Quantos passos por dia são realmente necessários se você já faz musculação?

    Você vai à academia quatro ou cinco vezes por semana, faz um bom treino de musculação e mantém uma rotina consistente. Mas, fora daquele período, trabalha oito horas sentado, se desloca de carro, usa elevador e termina o dia com apenas poucos passos. Nesse cenário, a hora passada na academia puxando ferro compensa todo o restante do tempo com pouco movimento?

    A resposta não cabe em um simples sim ou não. A musculação é uma das melhores formas de cuidar da saúde, preservar massa muscular, aumentar força e melhorar a capacidade funcional. Mas fazer exercício e permanecer fisicamente ativo ao longo do dia não são exatamente a mesma coisa.

    Uma pessoa pode treinar regularmente e, ainda assim, acumular muitas horas de comportamento sedentário. É justamente aí que entram os passos diários: não como uma competição para chegar obrigatoriamente aos 10 mil, mas como uma forma simples de observar quanto nos movimentamos fora do treino.

    Afinal, quem faz musculação precisa se preocupar com o número de passos?

    Não existe, até o momento, uma recomendação científica que determine um número específico de passos para quem pratica musculação. As principais diretrizes de atividade física são formuladas principalmente em minutos de atividade e intensidade, e não em uma meta universal de passos.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos façam de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. A entidade também recomenda reduzir o tempo sedentário e lembra que toda atividade física conta.

    Isso ajuda a entender uma questão importante: musculação e passos não são concorrentes. Um não necessariamente substitui o outro porque representam formas diferentes de movimento e podem oferecer benefícios complementares.

    A musculação fornece um estímulo específico para força, massa muscular e função física. Caminhar e se movimentar ao longo do dia aumentam o gasto energético e o volume total de atividade física, além de reduzir o tempo em que o corpo permanece praticamente parado. O ideal, portanto, não é pensar ou musculação ou passos, mas observar a rotina como um todo.

    Uma pessoa que faz musculação pode ser sedentária?

    Existe uma diferença de conceitos que costuma gerar confusão.

    No uso cotidiano, chamamos de sedentária a pessoa que não pratica exercícios. Cientificamente, porém, inatividade física e comportamento sedentário não são exatamente a mesma coisa.

    Uma pessoa é considerada insuficientemente ativa quando não alcança os níveis recomendados de atividade física. Já comportamento sedentário corresponde ao tempo acordado passado em atividades de baixo gasto energético, como ficar sentado ou reclinado diante do computador, no carro ou no sofá.

    Por isso, uma pessoa pode cumprir sua rotina de exercícios e, ao mesmo tempo, acumular muitas horas de comportamento sedentário.

    Imagine alguém que treina musculação das 7h às 8h e depois passa grande parte das 15 horas seguintes sentado ou deitado. Essa pessoa não é necessariamente fisicamente inativa, porque fez exercício. Mas ainda pode apresentar um volume elevado de comportamento sedentário.

    A distinção é importante porque a OMS aponta que maiores quantidades de comportamento sedentário estão associadas, em adultos, a maior risco de mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares, além de maior incidência de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes tipo 2.

    Uma hora de academia compensa passar o dia inteiro sentado?

    A atividade física regular certamente reduz riscos e é muito melhor do que não se exercitar. Mas isso não significa que passar o restante do dia quase completamente parado seja irrelevante.

    Um grande estudo publicado no JAMA Network Open, que acompanhou mais de 481 mil pessoas por cerca de 13 anos, encontrou associação entre permanecer predominantemente sentado no trabalho e maior risco de morte.

    Em comparação com pessoas que não passavam a maior parte do trabalho sentadas, aquelas que ficavam predominantemente sentadas apresentaram risco 16% maior de morte por todas as causas e 34% maior de morte cardiovascular. Por se tratar de um estudo observacional, ele mostra associação, e não prova isoladamente uma relação direta de causa e efeito.

    O próprio estudo encontrou um dado interessante: aumentar a atividade física diária esteve associado à atenuação desse risco. Entre as pessoas que permaneciam predominantemente sentadas no trabalho e faziam pouca ou nenhuma atividade física no tempo livre, acrescentar cerca de 15 a 30 minutos diários de atividade esteve associado a um risco semelhante ao observado em pessoas menos sedentárias no trabalho.

    A mensagem, portanto, não é que a musculação não adianta se você trabalha sentado. Ela adianta, e muito. O ponto é que uma rotina saudável pode incluir tanto o exercício estruturado quanto mais oportunidades de movimento no restante do dia.

    E quantos passos por dia são necessários?

    Essa é provavelmente a pergunta mais difícil de responder com um único número. Isso porque não existe uma quantidade de passos que funcione como uma fronteira absoluta entre saudável e não saudável para quem faz musculação.

    Ainda assim, estudos observacionais permitem identificar faixas de passos associadas a melhores desfechos de saúde.

    Um estudo científico publicado em 2025 no periódico The Lancet Public Health analisou a relação entre passos diários e diferentes desfechos de saúde. Os resultados reforçaram algo que pesquisas anteriores já sugeriam: os benefícios começam muito antes dos 10 mil passos por dia.

    Na análise, cerca de 7 mil passos por dia foram associados a uma redução de 47% no risco de morte por todas as causas em comparação com uma referência de aproximadamente 2 mil passos diários.

    A mesma quantidade também esteve associada a menor risco de outros desfechos, incluindo doença cardiovascular. Como os estudos analisados são predominantemente observacionais, esses números devem ser interpretados como associações populacionais, e não como garantia individual de proteção.

    Isso não significa que 7 mil seja um novo número mágico. Significa que, para muitas pessoas, essa pode ser uma meta prática associada a benefícios importantes, e que não é necessário considerar um dia com 8 mil ou 9 mil passos como um fracasso simplesmente porque o relógio não marcou os 10 mil.

    Então os famosos 10 mil passos não são necessários?

    Não necessariamente. A meta de 10 mil passos se popularizou muito antes de existirem as evidências atuais sobre qual quantidade estaria associada a melhores desfechos de saúde. Hoje, os estudos indicam que há benefícios importantes em níveis inferiores.

    Isso não quer dizer que caminhar 10 mil passos seja perda de tempo. Para uma pessoa saudável, que gosta de caminhar e consegue encaixar esse volume naturalmente na rotina, atingir essa marca pode ser excelente. O problema está em transformar o número em uma regra rígida para todas as pessoas.

    Alguém que passa de 2 mil para 5 mil passos diários provavelmente fez uma mudança muito relevante em seu nível de atividade. Da mesma forma, quem consegue manter cerca de 7 mil passos já está em uma faixa associada, nos estudos populacionais, a benefícios expressivos para diferentes aspectos da saúde.

    Por isso, a pergunta mais útil talvez não seja “estou chegando aos 10 mil passos?”, mas sim “estou me movimentando mais do que antes e evitando passar praticamente o dia inteiro parado?”.

    Musculação e caminhada oferecem os mesmos benefícios?

    Não, e é justamente por isso que elas podem se complementar.

    O treinamento de força é especialmente importante para aumentar ou preservar massa muscular, força e capacidade funcional. Também tem papel relevante na saúde metabólica e na manutenção da autonomia ao longo do envelhecimento.

    Já caminhar aumenta o volume de movimento diário e pode contribuir para a aptidão cardiorrespiratória, especialmente dependendo da velocidade e da duração. Uma caminhada em ritmo acelerado, que aumenta a frequência respiratória e cardíaca, representa um estímulo diferente de andar lentamente pela casa ou pelo escritório.

    Por isso, não há necessidade de escolher um vencedor. Para a saúde geral, a combinação tende a ser mais completa.

    Os passos dados dentro da academia também contam?

    Sim. Passo é passo. Se você caminha até a academia, circula entre aparelhos, faz aquecimento na esteira ou passa alguns minutos caminhando após o treino, esses passos entram naturalmente na contagem diária do relógio ou do celular.

    O que merece atenção é que número de passos e intensidade do exercício são medidas diferentes.

    Duas pessoas podem terminar o dia com 7 mil passos, mas ter rotinas muito distintas. Uma pode ter caminhado lentamente durante atividades cotidianas; outra pode ter feito uma caminhada rápida e acumulado parte desses passos em intensidade moderada.

    Da mesma forma, um treino intenso de musculação pode trazer grandes benefícios e gerar relativamente poucos passos. Portanto, o contador de passos é uma ferramenta útil para observar movimento cotidiano, mas não consegue medir sozinho toda a qualidade da atividade física realizada.

    Quem faz musculação precisa fazer caminhada também?

    Não existe uma regra dizendo que toda pessoa que faz musculação precisa obrigatoriamente reservar mais 30 ou 60 minutos do dia para caminhar.

    Se alguém já se desloca a pé, sobe escadas, realiza tarefas domésticas, circula bastante no trabalho e acumula um bom volume de movimento cotidiano, talvez não seja necessário criar uma “sessão de passos” apenas para atingir um número no relógio.

    Por outro lado, para quem treina musculação e passa praticamente todo o restante do dia sentado, incluir mais movimento pode ser uma boa estratégia.

    Isso pode acontecer de várias formas:

    • Caminhar alguns minutos ao longo do expediente;
    • Fazer pequenos deslocamentos a pé;
    • Usar escadas quando possível;
    • Levantar-se regularmente durante o trabalho;
    • Fazer uma caminhada curta após uma refeição;
    • Estacionar um pouco mais longe;
    • Caminhar enquanto fala ao telefone.

    A vantagem é que o movimento não precisa necessariamente acontecer de uma só vez.

    É melhor dar todos os passos de uma vez ou distribuí-los pelo dia?

    Para o total de atividade física, acumular passos de qualquer maneira é positivo. Mas, para quem passa muitas horas sentado, distribuí-los ao longo do dia tem uma vantagem adicional: cria oportunidades de interromper períodos prolongados de comportamento sedentário.

    Isso não significa que seja necessário levantar a cada poucos minutos ou viver em função do relógio. A ideia é evitar a situação em que a pessoa faz um treino pela manhã e depois permanece praticamente imóvel durante todo o restante do dia.

    Quem busca hipertrofia pode caminhar bastante?

    Para a maioria das pessoas que treina apenas para melhorar a saúde, sem querer participar de competições ou esportes de alto rendimento, caminhar não deve ser visto como inimigo do ganho de músculos.

    Existe uma discussão na ciência do exercício sobre o chamado efeito de interferência, que ocorreria quando volumes elevados de treinamento aeróbico prejudicam algumas adaptações do treinamento de força. Mas isso não significa que uma caminhada cotidiana vá impedir o ganho de massa muscular.

    É importante diferenciar uma rotina normal de caminhada de volumes muito altos de treinamento de endurance. Dar mais passos durante o dia não é a mesma coisa que correr longas distâncias diariamente ou fazer sessões intensas e prolongadas de exercício aeróbico.

    Para quem busca hipertrofia, fatores como qualidade do treino de força, ingestão adequada de energia e proteínas, sono e recuperação continuam sendo fundamentais.

    Um volume muito elevado de atividade pode se tornar um problema se aumentar excessivamente o gasto energético, dificultar a recuperação ou provocar fadiga que prejudique o treino. Mas, para a maioria das pessoas, caminhar e se movimentar durante o dia pode coexistir perfeitamente com o objetivo de ganhar massa muscular.

    Confira: Sedentarismo na infância: quais os principais riscos para o coração?

    Perguntas frequentes sobre quantidade de passos e musculação

    1. Quem faz musculação precisa dar 10 mil passos por dia?

    Não. Não existe uma recomendação científica que determine 10 mil passos especificamente para quem faz musculação. Para a população geral, estudos mostram benefícios importantes em quantidades inferiores, e cerca de 7 mil passos aparecem como uma referência prática em evidências recentes.

    2. Fazer musculação compensa ficar sentado o dia inteiro?

    A musculação traz benefícios importantes, mas passar muitas horas em comportamento sedentário continua sendo relevante para a saúde. O ideal é combinar exercício regular com mais movimento ao longo do dia.

    3. Uma pessoa que treina pode ser sedentária?

    Ela pode cumprir as recomendações de exercício e, ao mesmo tempo, acumular muitas horas de comportamento sedentário. Cientificamente, inatividade física e comportamento sedentário são conceitos diferentes.

    4. Sete mil passos são suficientes?

    Não existe um número universal que garanta saúde, mas estudos recentes associam cerca de 7 mil passos por dia a benefícios importantes em comparação com níveis muito baixos de atividade.

    5. Caminhar pode atrapalhar a hipertrofia?

    Para a maioria das pessoas, uma quantidade habitual de caminhada não deve prejudicar o ganho de massa muscular.

    6. É melhor fazer uma caminhada longa ou se movimentar várias vezes ao dia?

    As duas estratégias podem contribuir para aumentar a atividade física. Para quem passa muitas horas sentado, distribuir parte do movimento ao longo do dia também ajuda a interromper períodos prolongados de comportamento sedentário.

    7. Se eu dou apenas 3 mil passos por dia, preciso ir direto para 10 mil?

    Não. Aumentar gradualmente a partir da própria média costuma ser uma estratégia mais realista. Sair de um nível muito baixo de movimento já pode representar uma mudança importante, e toda atividade física conta.

    Leia também: Quem tem problemas cardíacos pode fazer musculação? Cardiologista responde

  • Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    O colesterol é muito importante para o corpo, mas em excesso pode ser perigoso. Quando está bem equilibrado, ajuda o organismo a funcionar direito, mas o colesterol alto aumenta o risco de doenças bem graves, como infarto e AVC.

    Neste texto, você vai entender o que é colesterol, os tipos e os principais fatores que contribuem para que ele fique alto, além de aprender o que fazer para resolver esse problema.

    O que é colesterol e por que ele é importante?

    O colesterol é um tipo de gordura produzido pelo próprio organismo e também obtido pela alimentação. Apesar da fama ruim, ele é fundamental: está presente nas membranas das células, participa da produção de hormônios e é necessário para a saúde do corpo. No entanto, é preciso evitar a todo custo o colesterol alto.

    Tipos de colesterol: LDL, HDL e VLDL explicado

    Colesterol LDL: por que é considerado ruim?

    Quando está em excesso, o LDL se acumula nas artérias e pode formar placas que dificultam a passagem do sangue. Quando essas placas bloqueiam a passagem total do sangue é que acontecem infartos e AVC.

    Colesterol HDL: o protetor do coração

    Nem todo colesterol é ruim. O colesterol HDL tem o papel de “limpar” o excesso de colesterol nas artérias e ajudar a proteger o coração.

    VLDL

    O colesterol VLDL transporta triglicerídeos, outra gordura que faz mal ao coração. Quando há VLDL em excesso, sobram triglicérides circulando, o que predispõe ao acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco cardiovascular.

    Valores de referência para colesterol

    Exame Desejável para população geral Desejável para alto risco cardiovascular Desejável para risco muito alto
    Colesterol Total Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL
    LDL (colesterol “ruim”) Menor que 100 mg/dL Menor que 70 mg/dL Menor que 50 mg/dL
    HDL (colesterol “bom”) ≥ 40 mg/dL (homens) / ≥ 50 mg/dL (mulheres) Igual Igual
    Triglicerídeos Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL
    Não-HDL Menor que 130 mg/dL Menor que 100 mg/dL Menor que 80 mg/dL

    O que causa o colesterol alto?

    As causas do colesterol alto são várias. O problema pode acontecer tanto por maus hábitos de saúde ou por fatores genéticos. Entenda.

    Fatores genéticos

    Algumas pessoas nascem com maior tendência ao colesterol alto, mesmo estando dentro do peso ideal e fazendo uma alimentação saudável. Essa condição é uma herança genética chamada de hipercolesterolemia familiar e afeta cerca de 1 em cada 250 brasileiros.

    Dieta rica em gordura saturada e trans

    Alimentos como fast-food, frituras, carnes gordurosas e produtos industrializados são grandes problemas, pois uma alimentação ruim pode aumentar o LDL em até 25%. E os riscos do colesterol alto são muitos, por isso é importante manter uma boa alimentação.

    Sedentarismo

    A falta de atividade física reduz o HDL, que é o colesterol bom, e dificulta o controle do colesterol ruim. Apenas 150 minutos de exercício de intensidade moderada por semana já fazem diferença.

    Tabagismo e álcool em excesso

    Fumar danifica as artérias e reduz o colesterol bom. O excesso de bebida alcoólica também aumenta os triglicérides, que é péssimo para o coração.

    Envelhecimento e hormônios

    Com o passar dos anos, o corpo tende a produzir mais colesterol. Após a menopausa, muitas mulheres apresentam aumento do LDL.

    Veja também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Doenças associadas

    Diabetes tipo 2, hipotireoidismo e doenças renais ou hepáticas alteram o metabolismo e aumentam a chance de ter colesterol alto.

    Estresse

    O estresse crônico aumenta o cortisol, um hormônio que interfere no metabolismo das gorduras e pode aumentar os níveis de colesterol.

    Uso de remédios

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, alguns remédios, como corticóides, anticoncepcionais, diuréticos e betabloqueadores, podem contribuir para alterações do colesterol. “É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso ao investigar causas de colesterol alto”, alerta.

    Como prevenir o colesterol alto?

    O controle do colesterol começa com hábitos saudáveis. Veja os três pilares de prevenção do colesterol alto:

    • Alimentação balanceada: frutas, verduras, grãos integrais, azeite de oliva e peixes são ótimos para ajudar a manter o colesterol sob controle. Evite frituras, embutidos e alimentos industrializados.
    • Exercício físico: caminhar, pedalar, nadar ou dançar ajuda a melhorar os níveis de HDL e controlar o LDL. Lembre-se de ser constante na atividade física.
    • Acompanhamento médico: em alguns casos, pode ser necessário o uso de remédios (como as estatinas), sempre com orientação profissional. Se for o caso do colesterol por herança genética, outros remédios ainda mais específicos também podem ser usados.

    Manter o colesterol em ordem é um passo muito importante para uma vida longa e saudável. O colesterol e o estilo de vida estão muito relacionados.

    Confira: O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    Perguntas frequentes sobre colesterol alto

    1. Colesterol alto tem sintomas?

    Na maioria dos casos, não. O colesterol alto é silencioso. Só exames de sangue podem identificar o problema.

    2. Colesterol alto sempre precisa de remédio?

    Nem sempre. Mudanças na alimentação e no estilo de vida muitas vezes são suficientes, mas em alguns casos o médico pode indicar medicamentos.

    3. Qual o nível ideal de colesterol?

    Depende do histórico de saúde da pessoa. Em geral, o LDL deve ficar abaixo de 100 mg/dL. Mas para pessoas com risco cardíaco mais alto, esse número pode ser bem menor. O médico saberá dizer o melhor para cada caso.

    4. Crianças e adolescentes também podem ter colesterol alto?

    Sim. Por isso, é importante criar bons hábitos desde cedo e, quando necessário, fazer exames de rotina.

    5. O que comer para baixar o colesterol?

    Alimentos ricos em fibras (aveia, frutas, leguminosas), ômega-3 (peixes, linhaça) e gorduras boas (abacate, azeite) ajudam no controle do colesterol.

    Leia mais: Sou magro e meu colesterol está alto: como isso é possível?