Autor: Dra. Juliana Soares

  • Os riscos de beber água que ficou muito tempo parada (e como evitar)

    Os riscos de beber água que ficou muito tempo parada (e como evitar)

    Sabe aquele copo de água que fica na mesa de cabeceira a noite toda ou aquela garrafa esquecida na mesa do trabalho de um dia para o outro? Você já deve ter se perguntado se ainda é seguro beber aquela água no dia seguinte.

    Apesar da água pura não estragar da mesma maneira que os alimentos, o hábito de consumir a água que ficou parada por muito tempo e exposta ao ambiente pode favorecer a contaminação por microrganismos, poeira e outras partículas presentes no ar.

    Na verdade, o simples ato de encostar a boca no copo ou no gargalo da garrafa transfere bactérias da saliva para o líquido, criando condições favoráveis para que os microrganismos se multipliquem ao longo das horas.

    Por isso, embora beber a água que ficou parada por uma noite normalmente não seja um grande perigo para pessoas saudáveis, existem alguns cuidados importantes que ajudam a evitar riscos desnecessários.

    O que acontece com a água parada no copo ou garrafa?

    Quando a água fica parada no copo ou na garrafa por algumas horas, ela passa por algumas transformações físicas e biológicas, como:

    1. Alteração no sabor (reação química)

    Você já deve ter percebido que a água que passa a noite no copo pode ficar com um gosto diferente, e isso acontece porque ela entra em contato com o ar e absorve dióxido de carbono.

    Como consequência, é formado uma pequena quantidade de ácido carbônico, que reduz levemente o pH da água e a torna um pouco mais ácida. A mudança é muito discreta e não representa riscos à saúde, mas pode alterar o sabor e dar a sensação de que a água está menos fresca.

    2. Contaminação e proliferação de microrganismos

    Quando a água fica parada por muitas horas, ela deixa de estar protegida e passa a ficar exposta ao ambiente.

    No caso do copo sem tampa, a água pode acumular poeira, fios de cabelo, pólen e outras partículas que circulam no ar. Pequenos insetos também podem cair no recipiente. As bactérias e fungos presentes no ambiente também podem entrar em contato com o líquido.

    Já quando a água permanece em uma garrafa ou em um copo que já foi utilizado, o contato dos lábios com o gargalo ou a borda do recipiente transfere bactérias naturalmente presentes na boca para o líquido.

    Com o passar das horas, especialmente em ambientes quentes, os microrganismos podem se multiplicar. Se a garrafa ficar exposta ao calor ou à luz solar direta, o processo pode acontecer ainda mais rápido.

    Faz mal beber água velha?

    Depende de como ela foi armazenada e há quanto tempo está ali. Na maioria das vezes, para um adulto saudável, beber a água que passou a noite na cabeceira da cama não vai causar um problema grave de saúde, mas o hábito diário ou o consumo de água parada há muitos dias pode trazer riscos.

    Quando NÃO faz mal (ou o risco é muito baixo)

    • Água em garrafa tampada (por até 24 a 48 horas): se a garrafa foi fechada e ninguém bebeu direto no gargalo, a água continua protegida do ambiente. Ela pode ficar com o gosto levemente alterado, mas continua segura;
    • O copo na cabeceira da cama (de uma noite para a outra): o risco de infecção é baixo se você tiver uma boa imunidade. O maior problema aqui é o desconforto de beber poeira e o gosto ruim devido à troca de gases com o ar.

    Quando pode fazer mal

    • Água que recebeu saliva há mais de 24 horas: quando você bebe diretamente da garrafa ou do copo e deixa a água parada por muito tempo, as bactérias naturalmente presentes na boca podem se multiplicar e contaminar o líquido;
    • Água parada ao ar livre por vários dias: copos ou jarras esquecidos por muito tempo acumulam impurezas e podem se tornar focos de proliferação de fungos e bactérias mais perigosas;
    • Para grupos de risco: idosos, bebês, gestantes e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido (em tratamento de quimioterapia ou com doenças crônicas) são muito mais sensíveis. Para eles, mesmo a água de uma noite para a outra pode causar infecções intestinais.

    Riscos de beber água que ficou muito tempo parada

    Quando a água fica parada por muito tempo, especialmente se estiver destampada ou em um recipiente onde você já encostou a boca, ela pode desencadear:

    1. Infecções gastrointestinais

    Quando bactérias e fungos se multiplicam na água, seja por causa do contato com a saliva ou pela exposição ao ambiente, o consumo pode aumentar o risco de desconfortos gastrointestinais. Os sintomas mais comuns incluem náuseas, vômitos, dores abdominais e diarreia.

    2. Acúmulo de alérgenos e partículas do ambiente

    Um copo de água deixado aberto pode acumular poeira, ácaros, pelos de animais e pólen que circulam no ar e, ao beber a água, a pessoa também entra em contato com as partículas. Para quem tem alergias ou asma, isso pode favorecer irritação na garganta, espirros e até crises respiratórias.

    3. Exposição a substâncias químicas de garrafas plásticas

    Quando a água permanece por muito tempo em garrafas plásticas descartáveis, especialmente sob calor ou exposição ao sol, algumas substâncias químicas presentes no plástico podem migrar para o líquido.

    Uma delas é o bisfenol A (BPA), um composto que tem sido associado a alterações hormonais quando a exposição ocorre de forma frequente e por longos períodos.

    4. Proliferação de mosquitos transmissores de doenças

    Quando a água fica parada em um recipiente destampado por vários dias, ela pode se tornar um local de reprodução para mosquitos, como o Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya.

    Cuidados para garantir uma água segura

    Para garantir que a água esteja sempre saudável e livre de contaminações, você pode adotar algumas medidas no dia a dia, como:

    • Use recipientes com tampa para proteger a água da poeira, dos insetos e de microrganismos presentes no ambiente;
    • Evite beber direto no gargalo se a garrafa for usada ao longo do dia. Prefira servir a água em um copo;
    • Lave as garrafas e os recipientes diariamente com água e detergente neutro, incluindo a tampa e o bico;
    • Não reutilize garrafas plásticas descartáveis por longos períodos, pois elas podem acumular bactérias e sofrer desgaste;
    • Troque a água antes de dormir e coloque água fresca e filtrada no recipiente;
    • Tenha mais cuidado com bebês, idosos, gestantes e pessoas com a imunidade baixa, oferecendo sempre água fresca e filtrada.

    Caso você ou alguém da sua família tenha consumido uma água que estava parada há muito tempo e apresente sintomas como diarreia persistente, vômitos, cólicas abdominais fortes ou febre, é importante consultar um clínico geral ou gastroenterologista para avaliar o quadro e evitar a desidratação.

    Perguntas frequentes

    1. Ferver a água da torneira a torna 100% segura para beber?

    Não totalmente. Ferver a água por pelo menos 1 minuto elimina microrganismos vivos, como bactérias, vírus e parasitas. No entanto, o processo não remove impurezas químicas, como excesso de cloro, metais pesados ou resíduos de agrotóxicos.

    2. Quanto tempo a água pode ficar dentro da garrafa de inox?

    Se a garrafa foi lavada, fechada e você não educa bebeu direto no gargalo, a água permanece segura por até 48 horas. Se bebeu direto na boca, o ideal é consumir em até 24 horas e lavar a garrafa antes de usar novamente.

    3. É perigoso beber água direto do filtro de barro se ele não for lavado frequentemente?

    Sim, a falta de limpeza regular pode fazer com que fungos e bactérias se acumulem nas paredes internas e na vela. O ideal é lavar o reservatório e a vela uma vez por semana usando apenas água limpa. Nunca use sabão ou cloro na vela, pois estraga a sua capacidade de filtragem.

    4. Colocar a garrafa de água na geladeira faz ela durar mais?

    Sim. O ambiente frio da geladeira retarda drasticamente a multiplicação de fungos e bactérias. Uma garrafa fechada (sem contato com a saliva) pode durar de 3 a 5 dias na geladeira com segurança.

    5. Qual é o melhor tipo de garrafa para usar no dia a dia?

    As garrafas de vidro ou de aço inoxidável (inox) são as melhores opções. Elas não liberam substâncias químicas na água, não quebram ou racham internamente com facilidade e são muito mais fáceis de higienizar do que as de plástico.

    6. Qual a forma correta de lavar a minha garrafa de água?

    Lave diariamente com água morna e detergente neutro, utilizando uma escova de garrafa para esfregar bem o fundo e as paredes internas. Preste atenção especial ao bocal e aos cantos da tampa, onde o acúmulo de saliva e sujeira é maior.

  • Insônia: por que dormir mal afeta corpo e mente 

    Insônia: por que dormir mal afeta corpo e mente 

    Dormir virou quase um luxo nos dias de hoje. Entre o celular que não para de apitar, o trabalho que invade a madrugada e a cabeça que não desliga, muita gente já nem lembra como é acordar descansado. Mas o problema vai além do cansaço. A privação de sono pode desencadear problemas físicos, emocionais e até mesmo transtornos como a depressão.

    Hoje, estima-se que 72% dos brasileiros sofram com alterações no sono. Entenda mais sobre a relação entre insônia, depressão e outras doenças, e o que você pode fazer para ter boas noites de sono.

    Por que dormir bem é importante?

    O sono é um processo biológico essencial para a saúde. Enquanto você dorme, seu corpo trabalha e regula hormônios, equilibra o sistema imunológico, consolida memórias e faz até uma espécie de “faxina” no cérebro. Essa limpeza é feita pelo chamado sistema glinfático, que remove toxinas e proteínas associadas a doenças neurológicas, uma função descoberta só em 2012.

    Hoje, o sono é considerado o terceiro pilar da saúde, ao lado da alimentação equilibrada e da atividade física. “Reconhecer seus impactos profundos representa o primeiro passo para uma revolução nos cuidados pessoais e na saúde pública”, afirma a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein.

    O impacto da insônia na saúde física

    O impacto do sono é brutal. Uma noite maldormida já bagunça o corpo todo. Estudos mostram que uma única noite de sono ruim pode reduzir a sensibilidade à insulina em até 25%, e isso é preocupante, pois deixa o corpo em um estado semelhante ao pré-diabetes. Não é exagero: dormir pouco aumenta a chance de ganhar peso, de obesidade e de diabetes tipo 2.

    Como se não bastasse, a falta de sono também afeta o coração. “Durante o sono, a pressão arterial tende a cair. Quando o sono é curto ou fragmentado, isso não acontece, e o risco de hipertensão e doenças cardíacas aumenta”, explica a cardiologista.

    Coração, pressão e sono andam juntos

    O sono é o momento em que o sistema cardiovascular relaxa. Quando esse descanso não acontece da melhor maneira, o corpo continua em alerta, com a pressão arterial e a frequência cardíaca elevadas, e tudo isso sobrecarrega o coração.

    Estudos também apontam que dormir mal aumenta em até 48% o risco de eventos cardíacos. O motivo é que a falta de sono interrompe processos de autorregulação do sistema nervoso e hormonal, o que deixa o corpo em um estado constante de tensão.

    Insônia e depressão: uma via de mão dupla

    A relação entre sono e saúde mental é mútua. Quem está deprimido tem mais chance de dormir mal, e quem dorme mal tem risco aumentado de desenvolver depressão.

    “A concomitância de insônia e depressão promove maior redução na qualidade de vida do que quando uma dessas condições ocorre isoladamente. Tal interação amplifica a importância do tratamento e da gestão conjunta dessas condições”, afirma Juliana.

    A explicação está no cérebro. Durante o sono, especialmente na fase REM, aquela dos sonhos, o cérebro processa emoções, regula neurotransmissores e se prepara para enfrentar um novo dia. Quando esse ciclo é interrompido, ficamos mais vulneráveis, ansiosos e emocionalmente instáveis.

    Quanto tempo devemos dormir por noite?

    A necessidade de sono muda conforme a idade. Mas, para adultos e idosos, a recomendação da National Sleep Foundation é de sete a nove horas por noite.

    Parece simples, mas a rotina moderna dificulta esse padrão. Trabalho em turnos, uso excessivo de telas, estresse crônico e até a alimentação influenciam na qualidade do sono. E não basta dormir muito, é preciso que o sono seja profundo e restaurador.

    E quando dormir mal vira hábito?

    A insônia crônica é um problema de saúde. Ela reduz a produtividade, afeta o humor, enfraquece o sistema imunológico e, com o tempo, pode aumentar o risco de doenças graves.

    “Um tratamento eficaz para distúrbios do sono pode incluir estratégias comportamentais, como a terapia cognitivo-comportamental para insônia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicação”, orienta Juliana.

    Alguns sinais para procurar ajuda são:

    • Dificuldade frequente para dormir;
    • Acordar várias vezes durante a noite;
    • Acordar cansado;
    • Ficar irritado;
    • Dificuldade de concentração.

    Sono ruim afeta a qualidade de vida

    Tanto a insônia quanto a depressão afetam o bem-estar de uma pessoa. Quem tem problema de sono relata menos satisfação com a vida, mais cansaço e menor disposição para as atividades do dia a dia.

    O tratamento de distúrbios do sono melhora o humor, a energia e o desempenho no trabalho. Não é exagero dizer que dormir bem muda a vida.

    O que a sociedade pode fazer pelo nosso sono?

    A culpa nem sempre é individual. O ritmo das cidades, a pressão por produtividade e o excesso de estímulos digitais criam um ambiente hostil ao descanso.

    “Políticas de saúde pública devem enfatizar a importância do sono e promover práticas que encorajem padrões de sono saudáveis, especialmente em uma era em que a tecnologia e o ritmo acelerado da vida moderna frequentemente o interrompem”, alerta Juliana.

    Entre as ações que ajudam estão campanhas educativas, inclusão da higiene do sono nas escolas e até programas corporativos que valorizem o bem-estar do trabalhador.

    Dicas práticas de higiene do sono para dormir melhor

    Criar uma rotina na hora de dormir ajuda bastante na qualidade do sono. Veja algumas dicas para dormir melhor:

    • Durma sempre no mesmo horário: tente dormir e acordar sempre nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana. Isso ajuda a regular o relógio biológico.
    • Evite telas antes de dormir: celular, tablet e TV emitem luz azul, que atrapalha a produção de melatonina, o hormônio do sono.
    • Diminua o ritmo à noite: crie um ritual relaxante antes de se deitar, como tomar um banho morno, ouvir uma música tranquila ou ler um livro leve. Encontre o que é melhor para você.
    • Deixe o quarto confortável: o quarto precisa ser escuro, silencioso e com temperatura agradável.
    • Corte a cafeína à tarde: café, chá-preto, energéticos e até chocolate podem atrapalhar o sono se consumidos no fim do dia. Prefira consumir só de manhã.
    • Não faça refeições pesadas à noite: o correto é comer algo leve e pelo menos duas horas antes de se deitar.

    Dormir bem é prioridade, não luxo

    Dormir bem é tão importante quanto comer bem ou fazer exercícios. É durante o sono que o corpo se restaura, o coração descansa e o cérebro se organiza.

    Se você vive acordando cansado, tem dificuldade para dormir ou se sente irritado e sem foco durante o dia, vale a pena rever seus hábitos de sono. Priorize o descanso e procure ajuda médica caso não consiga dormir bem.

    Perguntas frequentes sobre insônia e depressão

    1. Quantas horas de sono são ideais por noite?

    Para adultos, o ideal é dormir entre:

    • 7 a 9 horas por noite, de forma regular
    • Dormir menos que 6 horas com frequência pode afetar a saúde
    • O sono insuficiente está ligado a problemas físicos e mentais, como depressão, ansiedade e doenças cardiovasculares

    2. A insônia pode causar depressão?

    Sim. A insônia crônica é um fator de risco para depressão e pode agravar uma depressão que já existe.

    3. Dormir pouco afeta o coração?

    Sim, sono e coração estão interligados. O sono ajuda a regular a pressão arterial e o funcionamento do coração. Dormir mal aumenta o risco de pressão alta e doenças cardíacas.

  • Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    A Copa do Mundo é um dos eventos esportivos mais emocionantes do planeta e costuma mobilizar milhões de torcedores. Durante os jogos, principalmente nas partidas decisivas, é normal sentir o coração acelerar, ficar ansioso, nervoso, tenso ou extremamente eufórico a cada lance.

    Com tantos sentimentos intensos acontecendo ao mesmo tempo, é natural se perguntar se eles podem aumentar o risco de algum problema de saúde, como infarto ou AVC. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, as emoções, independente da origem, podem causar uma série de respostas ao organismo.

    “Em quem já tem alguma predisposição a ter alguma doença cardiovascular ou quem já tem doença cardíaca previamente, as emoções podem aumentar, no momento do pico da emoção, o risco de eventos cardíacos”, explica a especialista.

    Fortes emoções podem mesmo afetar o coração?

    As emoções intensas, independentemente de serem positivas ou negativas, podem funcionar como um gatilho para eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas que já possuem fatores de risco ou doenças cardíacas pré-existentes.

    O corpo humano não consegue diferenciar o estresse provocado por um jogo de futebol de uma situação de perigo real. Por isso, quando vivemos uma emoção muito forte, o cérebro envia um sinal de alerta que afeta diretamente o funcionamento do coração.

    Em pessoas saudáveis, as alterações costumam ser temporárias, mas em pessoas vulneráveis elas podem representar um risco adicional.

    O que acontece no corpo durante um momento de grande tensão ou euforia?

    Durante um momento de grande tensão, ansiedade ou euforia, Juliana explica que o cérebro avisa o sistema nervoso simpático, que é a parte do organismo responsável por reagir a situações de estresse. O sistema prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga, como se precisássemos fugir de uma ameaça física.

    Para preparar o corpo, ocorre uma liberação massiva de hormônios do estresse na corrente sanguínea, principalmente a adrenalina e a noradrenalina, que desencadeiam:

    • Frequência cardíaca mais acelerada, fazendo o coração bater mais rápido e provocando palpitações;
    • Pressão arterial mais elevada, devido à contração dos vasos sanguíneos para acelerar a circulação do sangue;
    • Aumento da força de contração do coração, que passa a trabalhar com mais intensidade;
    • Aumento da necessidade de oxigênio, já que o coração precisa de mais energia para sustentar o esforço extra.

    Em uma pessoa saudável, o corpo costuma lidar bem com esse pico de adrenalina e retorna ao normal pouco tempo após o fim do jogo.

    Mas, em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou alguma doença cardíaca, Juliana destaca que o aumento súbito da pressão arterial e dos batimentos cardíacos pode provocar o rompimento de uma dessas placas, causando um infarto, além de desregular o ritmo do coração e desencadear arritmias.

    Infarto ou AVC: qual é o maior risco durante o jogo?

    Segundo Juliana, o infarto é o maior risco e o evento cardiovascular mais comum durante um jogo de futebol.

    O aumento dos níveis de adrenalina provocado pela emoção altera diretamente a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de poder causar o rompimento de uma placa de gordura presente nas artérias. Quando isso ocorre, pode haver a obstrução do fluxo sanguíneo, levando ao infarto.

    O AVC também pode acontecer em situações de grande tensão emocional, mas é consideravelmente menos frequente. A associação entre emoções intensas e AVC costuma ocorrer principalmente em pessoas com pressão arterial descontrolada ou que apresentam alguma arritmia grave.

    Quem precisa ter cuidado redobrado em jogos emocionantes?

    Os grupos de pessoas que precisam de ter cuidados redobrados são:

    • Pessoas que já sofreram um infarto anteriormente;
    • Doentes com histórico de AVC;
    • Indivíduos diagnosticados com insuficiência cardíaca;
    • Pessoas que sofrem de arritmias cardíacas;
    • Pacientes com angina ou outras doenças coronárias conhecidas;
    • Hipertensos com a pressão arterial descontrolada;
    • Diabéticos;
    • Pessoas com níveis de colesterol alto e descontrolado;
    • Fumadores crónicos;
    • Pessoas com obesidade.

    Nesses casos, o estresse e a emoção do jogo podem representar uma sobrecarga maior para o coração. É importante ter atenção redobrada e seguir corretamente todas as orientações médicas para aproveitar as partidas com mais segurança.

    Sinais de alerta: quando a emoção vira uma emergência médica?

    É normal sentir o coração acelerar, ficar nervoso ou até suar mais durante um jogo decisivo, mas alguns sintomas podem indicar um problema de saúde mais sério, como:

    • Dor ou pressão no peito que não melhora com o passar dos minutos;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Suor excessivo acompanhado de desconforto no peito;
    • Náuseas ou enjoos associados à dor no peito;
    • Palpitações intensas ou sensação de que o coração está batendo de forma irregular;
    • Tontura, desmaio ou perda de consciência;
    • Dificuldade para falar ou para compreender o que as outras pessoas dizem;
    • Dor de cabeça muito forte e de início repentino.

    Caso qualquer um dos sintomas apareça durante ou após o jogo, o ideal é procurar atendimento médico imediatamente. Em situações como infarto ou AVC, agir rapidamente pode fazer toda a diferença no tratamento e na recuperação.

    Como torcer e curtir a Copa do Mundo em segurança?

    A emoção faz parte do esporte e da vida, mas alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos, especialmente para quem já tem alguma doença cardiovascular ou fatores de risco. Entre as principais, Juliana orienta:

    • Manter o tratamento médico em dia e seguir corretamente as orientações do profissional de saúde;
    • Não interromper nem suspender os medicamentos por conta própria;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, principalmente durante os jogos;
    • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
    • Controlar fatores de risco como pressão alta, diabetes e colesterol elevado;
    • Realizar consultas médicas regularmente para acompanhar a saúde cardiovascular.

    “A emoção faz parte da nossa vida, nós não temos como nos privar totalmente, mas cuidar da saúde de base, estar com todos os fatores controlados”, finaliza Juliana.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. De que forma a adrenalina afeta o sistema cardiovascular?

    A adrenalina faz o coração bater mais rápido (taquicardia), aumenta a força de contração do músculo cardíaco e estreita os vasos sanguíneos, o que provoca uma subida rápida da pressão arterial.

    2. O uso de calmantes naturais (como passiflora ou camomila) antes do jogo funciona?

    Sim, fitoterápicos à base de passiflora, valeriana ou camomila ajudam a modular o sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade de forma leve. Eles podem ser úteis para pessoas muito ansiosos, pois ajudam a evitar que a frequência cardíaca suba de forma tão abrupta.

    3. Energéticos misturados com álcool aumentam o risco cardíaco na hora do jogo?

    Muito, os energéticos contêm altas doses de cafeína e outros estimulantes que aceleram o coração. Quando misturados ao álcool, mascaram os efeitos de sonolência da bebida, fazendo com que a pessoa beba mais e exponha o coração a um duplo estresse: a arritmia induzida pela cafeína e a toxicidade do álcool.

    4. Por que ficar muito tempo sentado a ver o jogo também é perigoso?

    Ficar sentado imóvel por várias horas, especialmente se associado à desidratação e ao álcool, lentifica a circulação nas pernas, aumentando o risco de trombose venosa profunda (TVP). Se o coágulo se desprender, pode viajar até aos pulmões, causando uma embolia pulmonar. O ideal é levantar e caminhar um pouco no intervalo.

    5. Tomar uma aspirina (AAS) antes do jogo previne o infarto em quem é do grupo de risco?

    Não se deve fazer isso sem orientação médica. Embora a aspirina afine o sangue e previna coágulos, o uso preventivo por conta própria pode mascarar sintomas ou aumentar o risco de hemorragias (inclusive AVC hemorrágico), especialmente se a pressão arterial subir muito durante a partida.

    6. O que é a síndrome do coração partido e como ela se relaciona com o futebol?

    Também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição desencadeada por um forte estresse emocional. Ela causa sintomas semelhantes aos de um infarto, mas ocorre por uma alteração temporária no funcionamento do músculo cardíaco provocada pelo excesso de hormônios do estresse.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

  • 5 sinais de que você precisa trocar o seu travesseiro 

    5 sinais de que você precisa trocar o seu travesseiro 

    O travesseiro é um item tão pessoal que pode ser difícil desapegar dele, mesmo quando ele já perdeu a forma ou está visivelmente gasto. Só que, assim como o colchão, o travesseiro também tem um prazo de validade e continuar usando um modelo velho pode afetar diretamente a qualidade do sono, o conforto e até a saúde respiratória.

    Como é usado todas as noites, ele acumula suor, oleosidade da pele, resíduos de cabelo, poeira e ácaros ao longo do tempo. Com o tempo, o enchimento também vai perdendo a sustentação natural, deixando de apoiar corretamente a cabeça e a coluna.

    Em média, o recomendado é trocar o travesseiro a cada 1 a 2 anos, mas o tempo pode variar de acordo com o material e os hábitos de uso.

    Sinais de que está na hora de trocar o travesseiro

    O desgaste do travesseiro acontece de maneira gradual, mas existem alguns sinais que podem indicar o melhor momento para jogá-lo fora e comprar um novo.

    1. O travesseiro está amarelado ou com manchas escuras

    O acúmulo de suor, saliva, oleosidade da pele e do cabelo, além de restos de cosméticos, cria manchas difíceis de remover ao longo do tempo. O ambiente úmido e quente é o ambiente ideal para a proliferação de fungos e bactérias, transformando o travesseiro em um risco para a saúde da pele e do sistema respiratório.

    2. Você acorda com dor no pescoço ou rigidez muscular

    Se você costuma levantar com a sensação de torcicolo, dores nos ombros ou rigidez na região cervical, o preenchimento do travesseiro provavelmente cedeu. Sem a firmeza necessária, ele deixa de alinhar a cabeça com a coluna, forçando a musculatura durante toda a noite.

    3. Dores de cabeça frequentes logo ao acordar

    A falta de apoio adequado para a base do crânio e pescoço pode comprimir nervos e tensionar os músculos suboccipitais. A tensão acumulada durante as horas de sono frequentemente se manifesta como uma dor de cabeça tensional logo nos primeiros minutos do dia.

    4. Crises de espirros, coriza ou coceira ao deitar

    O travesseiro velho pode acumular uma grande quantidade de ácaros e resíduos ao longo do tempo, especialmente quando já está muito usado, o que pode acabar piorando alergias respiratórias e irritações na pele.

    Se você percebe espirros frequentes, nariz entupido, coceira nos olhos ou desconforto na pele sempre que se deita, vale a pena observar o estado do travesseiro. Em muitos casos, ele já está acumulando microrganismos e poeira em excesso.

    5. O travesseiro ficou muito baixo e sem sustentação

    Quando o travesseiro perde a altura original e fica “murcho”, ele deixa de oferecer o apoio adequado para a cabeça e o pescoço.

    Na prática, a cabeça acaba afundando mais do que deveria, forçando a região do pescoço e dos ombros por várias horas seguidas. Isso pode causar desconforto ao acordar, sensação de rigidez muscular, dores cervicais e até dores de cabeça ao longo do dia.

    6. O enchimento ficou irregular ou com caroços

    Independentemente do material, o enchimento passa por um desgaste natural com o uso contínuo. Aos poucos, o material interno pode começar a deformar, formando áreas mais vazias e outras endurecidas ou acumuladas.

    Quando isso acontece, o apoio deixa de ser uniforme e, em vez de sustentar a cabeça de maneira equilibrada, o travesseiro passa a criar pontos de pressão desconfortáveis durante a noite.

    Se você sente partes vazias, ondulações ou caroços ao tocar o travesseiro, provavelmente ele já perdeu boa parte da capacidade de sustentação.

    7. O travesseiro continua com cheiro ruim mesmo depois de lavado

    Cheiro de mofo, umidade ou odor persistente podem indicar que o interior do travesseiro acumulou muita umidade ao longo do tempo. Em alguns casos, isso favorece a proliferação de fungos e microrganismos que não são eliminados apenas com lavagem superficial.

    Quando o cheiro permanece mesmo após a higienização e a ventilação adequadas, vale a pena considerar a troca. Além do desconforto, o excesso de umidade acumulada também pode piorar alergias respiratórias e irritações em pessoas mais sensíveis.

    De quanto em quanto tempo deve-se trocar o travesseiro?

    De forma geral, os especialistas recomendam trocar o travesseiro a cada 1 a 2 anos, mas a durabilidade pode variar bastante conforme o material, a qualidade do produto e os cuidados de conservação:

    • Fibra de poliéster ou siliconado: normalmente duram cerca de 1 a 2 anos, já que tendem a deformar e perder sustentação mais rapidamente com o uso diário;
    • Pena ou pluma de ganso: costumam ter vida útil de aproximadamente 1 a 2 anos, principalmente porque acumulam mais umidade e exigem manutenção frequente;
    • Espuma viscoelástica (NASA): normalmente mantêm a sustentação por cerca de 2 a 3 anos, dependendo da densidade e da qualidade do material;
    • Látex ou espuma de poliuretano: podem durar entre 2 e 4 anos, já que costumam ser materiais mais resistentes e resilientes.

    Mesmo quando o travesseiro parece visualmente bem conservado ou é lavado regularmente, o desgaste interno acontece naturalmente com o tempo.

    Riscos de usar um travesseiro velho para a saúde

    Como passamos muitas horas por dia em contato direto com o travesseiro, o desgaste dele pode afetar o corpo de diversas formas:

    • Desalinhamento da coluna e dores crônicas: a perda de sustentação deixa a cabeça desalinhada com o resto do corpo, forçando as articulações e os músculos. Isso resulta em torcicolos frequentes, dores no pescoço e nos ombros, além de agravar problemas como hérnia de disco;
    • Crises de alergia e problemas respiratórios: o acúmulo massivo de ácaros, fungos e poeira no interior do material irrita as vias aéreas. O contato prolongado é um gatilho direto para crises de rinite alérgica, sinusite, asma e tosses noturnas;
    • Piora da acne e irritações na pele: a oleosidade, o suor e as bactérias retidos no travesseiro são transferidos para o rosto durante a noite, o que obstrui os poros, favorecendo o surgimento de espinhas (acne inflamatória) e crises de dermatite;
    • Dores de cabeça tensionais: quando os músculos do pescoço e da base do crânio passam a noite inteira contraídos para compensar a falta de apoio, causam uma fadiga muscular que se manifesta como dor de cabeça logo ao amanhecer;
    • Sono de má qualidade e cansaço diário: o desconforto físico e as pequenas interrupções na respiração impedem que você atinja as fases mais profundas do sono. O resultado é um acordar com fadiga, com indisposição e falta de concentração durante o dia.

    Como escolher o travesseiro ideal?

    Para escolher o travesseiro correto, o principal critério que você deve avaliar é a posição que costuma dormir, uma vez que a altura e a firmeza do travesseiro influenciam diretamente no alinhamento da coluna durante a noite.

    Quem dorme de lado

    Sendo a posição mais comum de dormir, também é uma das que mais precisam de atenção na escolha do travesseiro, já que o espaço entre a cabeça e o colchão é maior por causa da largura dos ombros.

    Nesses casos, o ideal é escolher um travesseiro com maior altura e boa firmeza, capaz de preencher corretamente a distância entre a ponta do ombro e a base do pescoço.

    O travesseiro precisa sustentar a cabeça sem deixá-la afundar demais, mantendo o pescoço alinhado em relação aos ombros e à coluna. Quando a altura está inadequada, a cabeça pode ficar inclinada para cima ou para baixo, favorecendo dores cervicais e tensão muscular.

    Para quem dorme de costas (barriga para cima)

    Quem dorme de barriga para cima normalmente precisa de um suporte intermediário, que mantenha a curvatura natural do pescoço sem elevar demais a cabeça. Um travesseiro muito alto pode forçar a cervical para frente, enquanto um modelo muito baixo deixa o pescoço sem apoio adequado.

    Na posição, o ideal costuma ser um travesseiro de altura média ou baixa, que preencha suavemente a região da nuca e permita que a cabeça permaneça alinhada de forma natural, com o olhar voltado para o teto.

    Para quem dorme de barriga para baixo

    Dormir de bruços não costuma ser muito recomendado, já que essa posição aumenta a rotação do pescoço e pode sobrecarregar a região lombar. Ainda assim, algumas pessoas simplesmente não conseguem dormir de outra forma.

    Nesses casos, o ideal é usar um travesseiro bem baixo e macio, quase plano, apenas para oferecer um apoio leve para a cabeça sem elevar demais o pescoço. Quanto mais alto o travesseiro, maior tende a ser a tensão na região cervical durante a noite.

    Como fazer o travesseiro durar mais?

    Para ajudar o travesseiro a manter a sustentação adequada e reduzir o acúmulo de microrganismos ao longo do tempo, alguns cuidados diários e de conservação podem fazer diferença:

    • Use sempre uma capa protetora impermeável e com zíper por baixo da fronha comum;
    • Lave a capa protetora e a fronha pelo menos uma vez por semana;
    • Deixe o travesseiro arejar em um local ventilado e com sombra regularmente;
    • Evite expor o travesseiro diretamente ao sol forte para não ressecar a espuma interna;
    • Sacuda e afofe o travesseiro diariamente ao arrumar a cama para redistribuir o preenchimento;
    • Nunca durma com os cabelos úmidos ou molhados para evitar a proliferação interna de fungos;
    • Siga estritamente as instruções de lavagem do fabricante na etiqueta e evite molhar o miolo se o material não permitir;
    • Evite sentar, deitar por cima ou apoiar objetos pesados sobre o travesseiro para não acelerar a deformação da espuma.

    Mesmo com todos os cuidados e com a troca regular do travesseiro, é importante prestar atenção aos sinais do corpo. Se as dores no pescoço, nos ombros ou a rigidez ao acordar continuarem por mais de duas a três semanas, vale procurar avaliação de um ortopedista ou fisioterapeuta.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes

    1. Posso contrair alguma doença usando um travesseiro velho?

    Sim, pois o acúmulo de microrganismos pode causar ou agravar doenças respiratórias como rinite alérgica, asma, bronquite e sinusite. Além disso, a presença de bactérias e fungos na superfície pode favorecer infecções na pele, como a dermatite, e inflamações nos olhos, como a conjuntivite alérgica.

    2. Lavar o travesseiro na máquina elimina a necessidade de trocá-lo?

    Não, a lavagem remove apenas a sujeira superficial. Ela não recupera a elasticidade e a firmeza do material interno que foram perdidas com o uso. Se o miolo do travesseiro não secar completamente, a lavagem também acelera a proliferação de fungos no interior do produto.

    3. Como funciona o teste de dobrar o travesseiro ao meio?

    Coloque o travesseiro em uma superfície plana e dobre-o exatamente ao meio, pressionando por alguns segundos. Ao soltar, o travesseiro deve voltar imediatamente à sua forma original. Se ele continuar dobrado, demorar para subir ou ficar marcado, significa que perdeu a resiliência e precisa ser trocado.

    4. Colocar o travesseiro ao sol ajuda a eliminar os ácaros?

    Não, o sol quente cria um ambiente aquecido ideal para os ácaros migrarem para o interior do travesseiro, onde continuarão se multiplicando. Além disso, a radiação solar direta e o calor excessivo ressecam e degradam a espuma ou as fibras, acelerando a perda de sustentação del produto.

    5. Crianças precisam trocar de travesseiro com a mesma frequência que adultos?

    Sim, o prazo de 1 a 2 anos também se aplica às crianças. No caso delas, o cuidado deve ser ainda maior, pois o sistema respiratório infantil é mais sensível a alergias causadas por ácaros. A altura do travesseiro infantil também deve ser ajustada conforme o crescimento da criança.

    6. Existe algum material de travesseiro que seja totalmente imune a ácaros?

    Nenhum material impede 100% o acúmulo de poeira com o passar dos anos, mas o látex natural e a espuma de poliuretano tratada são os mais resistentes.

    7. O que devo fazer com o travesseiro velho após a troca?

    Por conter uma quantidade massiva de carga biológica (ácaros, fungos e pele morta), os travesseiros velhos não devem ser doados para outras pessoas usarem para dormir. O ideal é descartá-los no lixo comum ou verificar se existem postos de reciclagem têxtil na sua região que aceitem o material de preenchimento.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

  • Quantas vezes é normal levantar para fazer xixi durante a noite?

    Quantas vezes é normal levantar para fazer xixi durante a noite?

    Você costuma acordar no meio da noite com aquela vontade urgente de ir ao banheiro? A situação pode acontecer de vez em quando e, na maioria dos casos, não indica nenhum problema sério de saúde.

    Mas, quando o hábito se repete várias vezes na mesma madrugada, pode acabar prejudicando a qualidade do sono e causando cansaço no dia seguinte. Mas afinal, quantas vezes é normal levantar para fazer xixi durante a noite?

    A noctúria não é considerada uma doença, mas um sintoma que pode indicar desde hábitos simples do dia a dia, como o consumo de café durante a noite, até condições de saúde que precisam de tratamento, como infecção urinária, diabetes ou alterações na próstata.

    Em alguns casos, ela pode impactar diretamente a qualidade de vida, já que o sono interrompido afeta o humor, a memória, a concentração e até a saúde cardiovascular. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, quantas vezes é normal acordar para urinar à noite?

    De maneira geral, é considerado normal acordar para urinar até uma vez por noite. Na maioria dos casos, a frequência está relacionada apenas à quantidade de líquidos ingeridos antes de dormir, especialmente café, álcool ou bebidas em grande volume, além do próprio processo natural de envelhecimento do corpo.

    No entanto, quando a pessoa precisa levantar duas ou mais vezes na mesma noite de forma frequente, a situação merece atenção. A noctúria pode indicar que o organismo está produzindo mais urina do que o normal durante a madrugada ou que a bexiga não consegue armazenar o líquido pelo tempo necessário.

    Com o passar do tempo, as interrupções constantes do sono podem causar cansaço, sonolência durante o dia, dificuldade de concentração e impacto na qualidade de vida.

    O fator idade e o volume de urina

    É importante destacar que a definição do que é considerado normal pode variar um pouco de acordo com a idade:

    • Jovens e adultos saudáveis: o esperado é conseguir dormir entre 6 e 8 horas seguidas sem precisar levantar para ir ao banheiro;
    • Idosos acima de 65 anos: é mais comum acordar uma ou até duas vezes durante a noite para urinar, porque a capacidade de armazenamento da bexiga tende a diminuir com o passar dos anos, além de ocorrerem alterações na produção dos hormônios responsáveis por controlar a urina durante a madrugada.

    Se você percebe que a frequência aumentou de repente ou que as idas ao banheiro estão causando cansaço, sono excessivo durante o dia e prejuízo na qualidade do sono, vale a pena investigar o que pode estar estimulando o organismo a produzir mais urina durante a noite.

    O que é a noctúria?

    A noctúria é o termo usado para definir a necessidade de acordar uma ou mais vezes durante a noite especificamente para urinar.

    Para ser considerada noctúria, cada ida ao banheiro deve ser precedida e seguida por um período de sono. Logo, ela não conta quando a pessoa já está acordada por causa de insônia, ansiedade ou outro motivo e aproveita para ir ao banheiro.

    A condição acontece devido a um desequilíbrio no organismo, que pode estar relacionado a três fatores principais:

    • Poliúria global: o corpo produz uma quantidade excessiva de urina ao longo de todo o dia e da noite, ultrapassando 40 mL por quilo de peso corporal em 24 horas;
    • Poliúria noturna: o organismo produz urina em excesso apenas durante o período do sono, representando mais de 20% a 33% do volume urinário total diário, dependendo da idade;
    • Redução da capacidade da bexiga: a produção de urina é normal, mas a bexiga não consegue armazenar o líquido por muito tempo devido a inflamações, infecções, alterações musculares ou pressão sobre a região.

    Vale apontar que as interrupções repetidas durante a madrugada alteram as fases mais profundas do descanso, o que pode causar fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de memória e até queda da imunidade ao longo do tempo.

    Principais causas para levantar muito à noite para fazer xixi

    A necessidade de ir ao banheiro várias vezes durante a madrugada pode estar relacionada desde a hábitos simples do dia a dia até condições de saúde que precisam de avaliação e tratamento médico, como:

    1. Ingestão excessiva de líquidos antes de dormir

    A causa mais comum da noctúria é o hábito de ingerir grandes volumes de água, chás, sucos ou refrigerantes nas duas ou três horas antes de dormir. Durante o descanso, os rins continuam filtrando o líquido ingerido, aumentando a produção de urina e a necessidade de esvaziar a bexiga ao longo da madrugada.

    2. Consumo de cafeína ou álcool

    Bebidas como café, chá-preto, chá-mate, refrigerantes à base de cola e bebidas alcoólicas possuem efeito diurético, que estimulam os rins a produzir mais urina. Além disso, a cafeína e o álcool podem irritar a bexiga, aumentando a sensação de urgência para urinar mesmo quando ela ainda não está completamente cheia.

    3. Envelhecimento natural do corpo

    Com o passar dos anos, o organismo reduz a produção do hormônio antidiurético (ADH), responsável por diminuir a formação de urina durante a noite. Ao mesmo tempo, a musculatura da bexiga perde elasticidade e capacidade de armazenamento, o que favorece os despertares noturnos para urinar.

    4. Infecção urinária

    Nas infecções urinárias, a uretra e a bexiga ficam inflamadas e mais sensíveis, o que provoca a sensação frequente de bexiga cheia, urgência urinária e a vontade constante de fazer xixi, mesmo quando há pouca urina acumulada. Em muitos casos, a condição também causa ardência e desconforto ao urinar.

    5. Hiperplasia prostática benigna (próstata aumentada)

    A próstata aumentada é uma das causas mais comuns de noctúria em homens acima dos 50 anos. O aumento benigno da próstata comprime a uretra, dificultando o esvaziamento completo da bexiga. Como parte da urina permanece acumulada, a bexiga volta a encher mais rapidamente.

    6. Diabetes descompensado

    Quando os níveis de glicose no sangue estão elevados, o organismo tenta eliminar o excesso de açúcar pela urina. Como consequência, a pessoa sente mais sede e passa a urinar em maior quantidade durante o dia e também à noite.

    7. Gravidez

    Durante a gestação, especialmente nos primeiros meses, as alterações hormonais aumentam o fluxo de sangue nos rins e favorecem a produção de urina. Já no final da gravidez, o crescimento do útero pressiona a bexiga, aumentando a capacidade de armazenamento e aumentando a frequência urinária.

    8. Uso de medicamentos diuréticos

    Os medicamentos diuréticos, utilizados principalmente no tratamento da pressão alta e de doenças cardíacas, estimulam a eliminação de líquidos pelo organismo. Quando são tomados no final do dia ou à noite, podem aumentar bastante a vontade de urinar durante a madrugada.

    Quando o xixi noturno frequente pode ser um sinal de alerta?

    Você deve buscar uma avaliação médica se a noctúria vier acompanhada de:

    • Dor, ardência ou queimação ao urinar;
    • Presença de sangue na urina;
    • Dificuldade para iniciar o jato urinário;
    • Jato urinário fraco ou interrompido;
    • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
    • Sede excessiva ao longo do dia;
    • Perda de peso sem motivo aparente;
    • Febre ou dor nas costas;
    • Perda involuntária de urina;
    • Cansaço excessivo e prejuízo na qualidade do sono.

    Se as idas ao banheiro durante a madrugada estão afetando o humor, a concentração, a disposição no dia seguinte ou a qualidade de vida, também vale a pena procurar orientação médica, mesmo que não existam outros sintomas associados.

    Como é feito o diagnóstico?

    Para descobrir o que está causando a vontade frequente de urinar durante a noite, o médico costuma fazer uma avaliação detalhada sobre os hábitos do dia a dia, o consumo de líquidos, o uso de remédios e o histórico de saúde da pessoa. Também podem ser pedidos alguns exames, como:

    • Exame de urina (urina tipo 1 e urocultura) para investigar infecção urinária, inflamações ou presença de sangue na urina;
    • Exames de sangue para avaliar os níveis de glicose e o funcionamento dos rins;
    • Ultrassonografia das vias urinárias e da próstata para verificar alterações na bexiga, nos rins ou aumento da próstata.

    Em alguns casos, o médico também pode pedir um diário miccional, em que você anota durante 2 ou 3 dias tudo o que bebe, os horários, a quantidade de líquido ingerida e o número de vezes que vai ao banheiro ao longo do dia e da noite. Isso pode ajudar a identificar a causa da noctúria.

    O que fazer para diminuir as idas ao banheiro durante a noite?

    O tratamento para as idas frequentes ao banheiro na madrugada depende diretamente da causa do problema, mas algumas mudanças simples de hábitos no dia a dia podem ajudar a reduzir a produção de urina à noite, como:

    • Evitar grandes volumes de líquidos 2 a 3 horas antes de dormir;
    • Manter a hidratação adequada ao longo do dia;
    • Reduzir o consumo de café, chá-preto, chá-verde, chá-mate e refrigerantes no fim da tarde;
    • Evitar bebidas alcoólicas e excesso de chocolate à noite;
    • Elevar as pernas por cerca de 30 minutos no final da tarde, especialmente em casos de inchaço;
    • Fazer exercícios para fortalecer o assoalho pélvico, como os exercícios de Kegel;
    • Buscar orientação de um fisioterapeuta pélvico para treinamento da bexiga;
    • Conversar com o médico sobre o melhor horário para tomar medicamentos diuréticos;
    • Evitar o uso de diuréticos no período da tarde e da noite.

    Veja também: A cor do seu xixi pode revelar muito sobre sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. Beber água de madrugada faz mal?

    Não faz mal à saúde, mas se você já tem tendência a acordar para ir ao banheiro, beber água ao despertar vai criar um ciclo, fazendo você acordar novamente algumas horas depois para urinar.

    2. O que pode ser quando a pessoa urina muito à noite e sente muita sede?

    Esse é um dos sintomas clássicos da diabetes descompensada. O corpo tenta eliminar o excesso de açúcar do sangue através da urina e, para não desidratar, o cérebro ativa o mecanismo da sede constante.

    3. Qual o melhor horário para tomar remédio de pressão para não urinar à noite?

    Normalmente, medicamentos diuréticos para pressão devem ser tomados pela manhã. Tomá-los no final da tarde ou à noite vai, inevitavelmente, fazer você acordar de madrugada para ir ao banheiro. Sempre confirme com seu médico antes de mudar o horário.

    4. O que é a bexiga hiperativa?

    É uma disfunção onde o músculo da bexiga se contrai de forma involuntária antes mesmo de ela estar cheia. Isso causa uma urgência repentina e incontrolável de urinar, tanto de dia quanto de noite.

    5. O que acontece se eu prender o xixi de madrugada para não levantar?

    Prender a urina por muito tempo enfraquece os músculos da bexiga, facilita a proliferação de bactérias (causando infecção urinária) e, em casos crônicos, pode gerar refluxo de urina para os rins.

    6. Mulheres na menopausa fazem mais xixi à noite?

    Sim. A queda na produção de estrogênio durante a menopausa causa o afinamento e a perda de elasticidade dos tecidos da uretra e da bexiga. Isso deixa o trato urinário feminino mais sensível, aumentando a frequência urinária e o risco de infecções.

    7. Como o urologista trata o xixi frequente à noite?

    O tratamento depende da causa: pode envolver remédios para relaxar a bexiga, medicamentos para reduzir o tamanho da próstata, ajuste de horários de outros remédios ou indicação de fisioterapia pélvica.

    Leia mais: IST ou infecção urinária? Saiba como diferenciar os sintomas

  • O que acontece com o corpo quando você não cuida da higiene do pênis? 

    O que acontece com o corpo quando você não cuida da higiene do pênis? 

    As consequências da falta de higiene íntima masculina não envolvem apenas o cheiro desagradável e o desconforto no dia a dia.

    Apesar de a saúde íntima masculina ainda ser cercada por muita desinformação e tabu, negligenciar a limpeza da região genital pode fazer o surgimento de diversos problemas de saúde, como irritações, infecções dolorosas, feridas e inflamações. Em situações mais graves, a falta de higiene também pode estar associada ao aumento do risco de câncer de pênis.

    A anatomia masculina, especialmente nos homens que não são circuncidados, facilita o acúmulo de secreções naturais, suor e resquícios de urina ou sêmen. Quando a região deixa de ser lavada adequadamente, o pênis se torna o ambiente ideal para a proliferação acelerada de fungos e bactérias.

    O que é o esmegma e por que ele se acumula?

    O esmegma é uma secreção natural do corpo humano, com aspecto esbrançado e consistência pastosa, composta pelo acúmulo de células mortas da pele, óleos produzidos pelas glândulas sebáceas da região e suor.

    Ele é produzido tanto por homens quanto por mulheres, mas, no caso dos homens, se acumula principalmente debaixo do prepúcio, que é a pele que cobre a cabeça do pênis. Ela é responsável especialmente por lubrificar a glande para evitar o atrito da pele, ajudando a proteger a região íntima de pequenos machucados e ressecamento.

    O problema acontece quando o esmegma não é removido corretamente durante a higiene íntima diária e, como o prepúcio forma uma região mais fechada, a secreção natural pode ficar acumulada no local.

    Com o passar do tempo, os resíduos entram em contato com bactérias e fungos que vivem naturalmente na pele, favorecendo o surgimento de mau cheiro, irritação e infecções na região íntima. O problema também afeta quem tem fimose, já que a dificuldade física de expor a glande impede que a higienização seja feita de forma adequada.

    Riscos de não lavar o pênis: o que acontece com o corpo?

    A pele do pênis é extremamente fina e sensível, o que significa que o contato prolongado com impurezas e microrganismos pode causar reações rápidas e bastante incômodas:

    1. Mau cheiro e proliferação de bactérias

    O pênis possui uma grande quantidade de glândulas de suor e gordura e, quando o suor, o esmegma e as células mortas se acumulam sem a limpeza adequada, as bactérias que vivem naturalmente na pele começam a se multiplicar na região.

    Com o tempo, os microrganismos passam a decompor os resíduos acumulados, liberando substâncias que causam um odor forte, azedo e persistente, que muitas vezes não melhora apenas com a troca da cueca. Quanto mais tempo a sujeira permanece no local, maior tende a ser a proliferação de bactérias.

    2. Balanite (inflamação da cabeça do pênis)

    A balanite acontece quando a glande, conhecida popularmente como cabeça do pênis, fica inflamada. Quando o prepúcio também é afetado, o quadro recebe o nome de balanopostite.

    O acúmulo de esmegma e resíduos pode irritar a pele da região, provocando sintomas como:

    • Vermelhidão intensa na glande;
    • Coceira e sensação de ardência;
    • Inchaço na pele do prepúcio;
    • Dor ou desconforto ao puxar a pele;
    • Pequenas rachaduras dolorosas.

    Sem o tratamento adequado, que pode incluir pomadas e melhora dos hábitos de higiene, a inflamação pode persistir e aumentar o risco de infecções mais graves.

    3. Candidíase masculina e outras infecções por fungos

    A candidíase masculina é uma infecção causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, que vive naturalmente no corpo sem provocar problemas na maior parte do tempo. Mas, quando existe um ambiente quente, úmido e com acúmulo de resíduos, o fungo pode se proliferar de maneira descontrolada.

    A infecção costuma afetar principalmente a glande e a região do prepúcio, causando sintomas como:

    • Vermelhidão na glande;
    • Coceira intensa;
    • Descamação da pele;
    • Ardência ao urinar ou após relações sexuais;
    • Secreção esbranquiçada e espessa.

    Em muitos casos, a secreção pode até ser confundida com o esmegma, mas costuma vir acompanhada de irritação, dor e bastante desconforto.

    4. Irritações e feridas na pele

    A falta de higiene íntima pode deixar a pele do pênis constantemente úmida e irritada. Com o acúmulo de suor, esmegma e bactérias, a região fica mais sensível e vulnerável a inflamações.

    Ao longo do tempo, podem surgir vermelhidão, ardência, coceira, pequenas rachaduras e feridas superficiais na pele, principalmente na glande e no prepúcio. Além do desconforto, as lesões facilitam a entrada de fungos e bactérias, aumentando o risco de infecções.

    5. Fimose adquirida

    A fimose é mais comum na infância, quando o menino nasce com a pele do prepúcio mais fechada, dificultando a exposição da glande. Mas, em alguns homens, as inflamações repetidas causadas pela falta de higiene podem levar ao endurecimento e estreitamento do prepúcio, dificultando a exposição da glande.

    A condição, conhecida como fimose adquirida, acontece porque a pele da região sofre pequenas cicatrizações após episódios frequentes de irritação e infecção. Com o tempo, o prepúcio perde a elasticidade natural e fica mais rígido, dificultando cada vez mais a retração da pele.

    Além de causar dor, desconforto nas ereções e dificuldade durante as relações sexuais, a fimose adquirida também dificulta a higiene íntima adequada, favorecendo o acúmulo de esmegma, bactérias e fungos na região.

    6. Infecções urinárias

    Apesar de menos frequentes nos homens, as infecções urinárias também podem acontecer quando existe excesso de bactérias na região íntima. A proximidade entre a pele contaminada e a uretra facilita a entrada dos microrganismos no trato urinário.

    Os sintomas mais comuns incluem:

    • Ardência ao urinar;
    • Vontade frequente de fazer xixi;
    • Dor ou desconforto na região genital;
    • Sensação de bexiga sempre cheia.

    Sem tratamento adequado, a infecção pode se espalhar para outras partes do sistema urinário e causar complicações mais sérias.

    7. Maior risco de câncer de pênis

    O câncer de pênis é um tipo raro de câncer que afeta a pele e os tecidos do pênis, acontecendo com mais frequência na glande, que é a cabeça do pênis, ou no prepúcio. A doença costuma se desenvolver lentamente e, quando descoberta no início, tem maiores chances de tratamento e cura.

    Apesar de incomum, o Ministério da Saúde aponta que alguns fatores aumentam o risco da doença, principalmente a má higiene íntima ao longo dos anos, a presença de fimose, o acúmulo de esmegma e infecções gerais e persistentes na região íntima, além da infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

    Os principais sinais do câncer de pênis são feridas ou úlceras que não cicatrizam, mas também podem surgir outros sintomas, como:

    • Caroços ou alterações na glande (cabeça do pênis);
    • Alterações na pele que cobre a cabeça do pênis;
    • Nódulos ou aumento anormal do tecido no corpo do pênis;
    • Secreção branca, como o esmegma em excesso;
    • Mau cheiro persistente;
    • Sangramento ou irritação constante.

    Ao perceber qualquer alteração na região íntima, é importante procurar um médico o quanto antes para avaliar a causa e iniciar o tratamento adequado, se necessário.

    Como lavar o pênis corretamente?

    A higiene íntima masculina deve ser feita todos os dias, durante o banho, para evitar o acúmulo de suor, esmegma, células mortas e bactérias na região íntima. O passo a passo é simples:

    • Puxe a pele do prepúcio com cuidado: se você não é circuncidado, o primeiro passo é puxar delicadamente a pele para trás até expor completamente a glande, que é a cabeça do pênis. Lavar apenas a parte externa não é suficiente, já que o esmegma costuma se acumular justamente abaixo do prepúcio;
    • Use água morna ou fria: deixe a água correr pela região para ajudar a soltar os resíduos acumulados. Evite água muito quente, pois ela pode ressecar e irritar a pele sensível da glande;
    • Aplique o sabonete suavemente: coloque um pouco de sabonete nas mãos, faça espuma e lave delicadamente a glande, o corpo do pênis, o saco escrotal e a região entre os testículos e o ânus. Evite esfregar com força, usar buchas ou unhas, porque o atrito excessivo pode causar pequenas lesões na pele;
    • Enxágue bem: remova completamente o sabonete com água corrente. Os resíduos de produto acumulados na região íntima podem provocar irritação, ardência e coceira;
    • Seque bem a região: depois da lavagem, use uma toalha limpa e macia para secar cuidadosamente toda a região íntima, sem esfregar. A umidade favorece a proliferação de fungos e bactérias, por isso é importante que a pele esteja completamente seca antes de colocar a cueca ou reposicionar o prepúcio sobre a glande.

    Como a pele da glande possui um pH específico e uma flora bacteriana natural que ajudam a proteger a região íntima, o ideal é usar sabonete neutro ou produtos específicos para a higiene íntima masculina.

    Também é importante evitar sabonetes bactericidas muito agressivos, já que eles podem irritar a mucosa sensível do pênis e desequilibrar a proteção natural da pele.

    Higiene pós-sexo e outros cuidados diários

    A saúde do pênis também depende de pequenos hábitos que evitam o acúmulo de umidade e a proliferação de microrganismos ao longo do dia, como:

    • Não durma sem lavar o pênis após a relação sexual, pois o sêmen, os fluidos vaginais ou anais e os resíduos da camisinha podem favorecer a proliferação de bactérias e fungos;
    • Se não for possível tomar banho imediatamente, use lenços umedecidos sem perfume e sem álcool para remover o excesso de fluidos até conseguir fazer a higiene adequada;
    • Faça xixi depois de transar, isso ajuda a eliminar bactérias que possam ter entrado na uretra durante a relação sexual, reduzindo o risco de infecções urinárias;
    • Troque a cueca todos os dias, pois repetir a mesma roupa íntima favorece o contato da pele com suor, bactérias e resíduos acumulados;
    • Prefira cuecas de algodão. Os tecidos sintéticos abafam a região íntima e aumentam a umidade local, enquanto o algodão ajuda a manter a pele mais ventilada e seca;
    • Ao urinar, tente puxar levemente o prepúcio para trás para evitar que gotas de urina fiquem acumuladas na pele. Se possível, seque delicadamente a ponta do pênis com papel higiênico.

    Quando procurar um urologista?

    A recomendação geral é realizar uma consulta de rotina anualmente, mas você deve agendar uma consulta imediatamente se notar qualquer um dos seguintes sinais de alerta:

    • Feridas, úlceras ou verrugas no pênis, mesmo sem dor ou coceira;
    • Manchas avermelhadas, esbranquiçadas ou escuras que não desaparecem após alguns dias de higiene adequada;
    • Coceira intensa e descamação;
    • Secreção com pus ou líquido com cheiro forte saindo pela uretra;
    • Dificuldade para puxar o prepúcio para trás;
    • Caroços, nódulos ou áreas endurecidas no pênis ou nos testículos.

    É importante destacar que alterações como mau cheiro persistente, feridas, coceira, dor ou secreções não devem ser vistas como motivo de vergonha, mas como sinais de que o corpo precisa de atenção. O urologista está acostumado a lidar diariamente com esse tipo de situação, e buscar ajuda cedo costuma tornar o tratamento mais simples e rápido.

    Por isso, tente encarar a consulta com a mesma naturalidade com que cuida de qualquer outra parte do corpo. Ignorar sintomas por constrangimento pode fazer com que infecções, inflamações e outras condições se agravem com o tempo.

    Confira: Micropênis existe mesmo? Saiba por que acontece e como é feita a avaliação

    Perguntas frequentes

    1. Quantas vezes por dia devo lavar o pênis?

    Uma vez por dia, durante o banho, é o suficiente para a maioria dos homens. No entanto, se você pratica atividades físicas intensas, sua muito ou tem relações sexuais, deve lavá-lo novamente após as atividades.

    2. Posso usar sabonete comum de barra para lavar a região?

    Pode, desde que seja um sabonete neutro ou de glicerina. Evite sabonetes comuns muito perfumados ou com ação bactericida intensa, pois eles podem ressecar a mucosa da glande e causar irritações.

    3. Homens circuncidados precisam lavar o pênis do mesmo jeito?

    Quem passou pela circuncisão (retirada do prepúcio) tem a glande constantemente exposta, o que reduz drasticamente o acúmulo de esmegma. Mesmo assim, a região precisa ser lavada diariamente com água e sabonete para remover o suor e resíduos de urina.

    4. O esmegma é uma IST (Infecção Sexualmente Transmissível)?

    Não. O esmegma é uma secreção totalmente natural do corpo, composta por células mortas, óleos da pele e suor. Ele não é transmissível, mas o seu acúmulo indica falta de higiene.

    5. Posso usar pomadas por conta própria se o pênis estiver vermelho?

    Não é recomendado. Usar pomadas de farmácia (como corticoides ou antifúngicos) por conta própria pode mascarar sintomas, piorar infecções bacterianas ou afinar a pele da região, tornando-a ainda mais frágil. Sempre consulte um médico.

    6. Como deve ser feita a higiene dos testículos (saco escrotal)?

    O saco escrotal possui muitas glândulas sebáceas e de suor. Ele deve ser lavado com água e sabonete, afastando as dobras da pele para limpar bem. A virilha e a região entre os testículos e o ânus (períneo) também devem receber a mesma atenção e ser muito bem secas.

    Leia também: Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer

  • Por que o pé fica grosso e rachado? Saiba o que fazer e como prevenir

    Por que o pé fica grosso e rachado? Saiba o que fazer e como prevenir

    Os pés sustentam o peso do corpo todos os dias, sendo uma região que convive constantemente com pressão, atrito e impacto.

    O calcanhar, em especial, tende a ter uma sobrecarga maior durante a caminhada, ao ficar muito tempo em pé e até pelo uso de determinados tipos de calçados. Por isso, como mecanismo de proteção, a pele pode ficar mais espessa e endurecida para tentar reduzir os danos causados pelo atrito diário.

    Mas, quando há excesso de ressecamento e falta de cuidados, o calcanhar também pode perder elasticidade, ficar áspero e desenvolver rachaduras que, além do desconforto estético, podem causar dor e sangramentos. Vamos entender mais, a seguir.

    O que pode causar o calcanhar ressecado e grosso?

    O calcanhar ressecado e grosso, quadro conhecido como hiperqueratose, acontece quando a camada externa da pele se funde e endurece para se proteger.

    Se a região não receber os cuidados certos, a falta de elasticidade faz a pele se romper, causando rachaduras que podem ser dolorosas. Entre as principais causas, é possível destacar:

    1. Falta de hidratação na região

    Ao contrário de outras partes do corpo, a pele dos pés não possui glândulas sebáceas, responsáveis pela produção da oleosidade natural. A região conta apenas com glândulas sudoríparas, que produzem suor. Sem a aplicação regular de cremes específicos, a pele perde água com mais facilidade, ficando ressecada e endurecida.

    2. Uso frequente de calçados abertos ou inadequados

    Os chinelos, as sandálias e os tamancos deixam o calcanhar mais exposto e sem o suporte adequado durante a caminhada. A cada passo, a região sofre uma pressão constante e acaba se expandindo para os lados, aumentando o atrito contra o solo.

    Sem a proteção e a sustentação que um calçado fechado oferece, a pele reage criando uma camada mais grossa como forma de defesa natural. O hábito de andar descalço com frequência também pode provocar o mesmo efeito, principalmente em superfícies ásperas e secas.

    3. Longos períodos em pé ou excesso de peso

    Os longos períodos em pé ao longo do dia e o excesso de peso aumentam de forma significativa a pressão exercida sobre os pés, especialmente sobre os calcanhares.

    Como resposta à sobrecarga contínua, o organismo estimula uma produção maior de queratina, fazendo com que a pele da sola dos pés fique progressivamente mais espessa, rígida e ressecada.

    4. Banhos muito quentes e demorados

    Os banhos muito quentes e demorados também podem contribuir bastante para o ressecamento dos pés, porque a água em temperaturas elevadas remove a camada natural de proteção da pele, que ajuda a preservar a hidratação da região.

    Como os pés já possuem uma tendência natural ao ressecamento, a perda de proteção faz com que a pele fique ainda mais sensível, áspera e com aquele aspecto esbranquiçado bastante comum nos calcanhares ressecados.

    5. Doenças e condições de saúde subjacentes

    Em alguns casos, existem condições que podem interferir na circulação sanguínea, na renovação celular ou na capacidade natural da pele de manter a hidratação. Como consequência, o calcanhar pode ficar não apenas mais seco e grosso, mas também mais sensível, descamativo e propenso ao surgimento de rachaduras profundas. São elas:

    • Diabetes: os danos nos nervos periféricos, conhecidos como neuropatia diabética, podem reduzir a transpiração natural dos pés, deixando a pele extremamente seca e mais vulnerável ao aparecimento de fissuras e rachaduras;
    • Problemas na tireoide, como o hipotireoidismo: a redução dos hormônios tireoidianos desacelera o metabolismo e diminui a atividade das glândulas responsáveis pela hidratação natural da pele, favorecendo o ressecamento;
    • Psoríase e o eczema: as doenças inflamatórias crônicas da pele podem causar descamação intensa, vermelhidão, irritação e o acúmulo de pele mais grossa na região dos pés e calcanhares.

    Quando o ressecamento é muito intenso, surgem rachaduras frequentes, dor, descamação persistente ou alterações na sensibilidade dos pés, pode ser necessário buscar uma avaliação médica para identificar a causa correta e indicar o tratamento mais adequado.

    O que fazer para tirar o grosso do calcanhar?

    Para reduzir o aspecto grosso e ressecado do calcanhar, o mais importante é manter uma rotina contínua de hidratação e cuidados suaves com a pele.

    Como o espessamento acontece como uma forma de proteção contra o atrito e a pressão, remover toda a pele endurecida de uma vez pode acabar causando sensibilidade, dor e até mais rachaduras. Algumas dicas incluem:

    Faça um escalda-pés com esfoliação (1 a 2 vezes por semana)

    O calor ajuda a amolecer a queratina acumulada, facilitando a remoção da pele morta de forma suave. Para fazer o escalda-pés, basta mergulhar os pés em uma bacia com água morna por 10 a 15 minutos. Você pode adicionar um pouco de sabonete líquido ou óleo essencial de amêndoas na água, se quiser.

    Logo após o molho, use um esfoliante caseiro (como açúcar com óleo de coco) ou uma lixa de pés suave para massagear a região em movimentos circulares.

    Importante: nunca use lixas de metal, lâminas ou raladores de pé. Remover a pele de forma agressiva ou em excesso faz o cérebro entender que a região sofreu uma agressão grave. O resultado é o efeito rebote: o corpo produces ainda mais queratina e o calcanhar fica duas vezes mais grosso em poucos dias.

    Use cremes hidratantes com ativos queratolíticos

    Em alguns casos, os cremes hidratantes comuns de corpo podem não ser suficientes para tratar o calcanhar grosso. Nesse caso, pode ser necessário usar cremes específicos para os pés que contenham ativos capazes de quebrar as ligações das células mortas (ação queratolítica) e reter água, como:

    • Ureia (concentração entre 10% e 20%): é um ativo que penetra nas camadas mais profundas, hidrata e descama suavemente a pele grossa;
    • Ácido salicílico: que ajuda a afinar a camada da pele e a remover as células mortas de forma gradual;
    • Lanolina e vaselina: que são excelentes para aplicar antes de dormir, pois criam uma barreira física que impede a água de sair da pele.

    A aplicação deve ser feita de forma contínua, principalmente após o banho e antes de dormir, momento em que a pele costuma absorver melhor os ativos hidratantes. Uma dica é usar meias de algodão logo após a aplicação do creme, o que ajuda a manter a hidratação por mais tempo durante a noite.

    Evite andar descalço ou com sapatos abertos

    Durante o tratamento do calcanhar ressecado e grosso, o ideal é dar preferência a sapatos fechados com meias ou a sandálias que ofereçam um bom amortecimento na região do calcanhar. Isso ajuda a reduzir o atrito e a pressão excessiva sobre os pés, diminuindo o estímulo constante que faz a pele engrossar como mecanismo de proteção.

    Evite arrancar a pele solta com as mãos

    A tentativa de puxar, arrancar ou cortar a pele ressecada dos pés pode acabar causando pequenos machucados e fissuras que facilitam a entrada de bactérias e fungos. Além de aumentar o risco de infecções, o hábito também pode deixar a região mais sensível e favorecer o surgimento de rachaduras ainda mais profundas e dolorosas.

    Quando existe um excesso de pele endurecida, o ideal é investir em hidratação contínua e em uma remoção suave e gradual.

    Seque muito bem os pés após o banho

    A umidade acumulada nos pés, principalmente entre os dedos, cria um ambiente favorável para irritações, proliferação de fungos e desenvolvimento de micoses. Depois do banho, o ideal é secar os pés com cuidado e atenção, utilizando uma toalha macia e sem esfregar a pele com força para não aumentar a sensibilidade da região.

    Como prevenir o ressecamento dos pés?

    Como os pés convivem com atrito e pressão no dia a dia, o ideal é Adotar alguns cuidados simples de hidratação e proteção, como:

    • Hidrate os pés diariamente com cremes específicos, principalmente após o banho e antes de dormir;
    • Evite banhos muito quentes e demorados, já que a água quente favorece o ressecamento da pele;
    • Use calçados confortáveis e com bom suporte para reduzir o atrito e a pressão sobre o calcanhar;
    • Evite andar descalço com frequência, principalmente em pisos ásperos e secos;
    • Beba água ao longo do dia para ajudar na hidratação da pele de dentro para fora;
    • Faça esfoliações suaves ocasionalmente para remover o excesso de células mortas sem agredir a pele;
    • Seque bem os pés após o banho, especialmente entre os dedos, para evitar irritações e micoses;
    • Observe sinais persistentes, como dor, rachaduras profundas e ressecamento intenso que não melhora com os cuidados básicos.

    Quando ir ao médico?

    Se mesmo após duas semanas de hidratação intensa o calcanhar continuar muito grosso, se houver rachaduras profundas que sangram ou se você sentir dor ao pisar, é fundamental buscar ajuda profissional.

    O podólogo pode realizar o desbastamento seguro da pele (com aparelhos adequados) e o dermatologista pode avaliar se há alguma infecção por fungos ou psoríase associada.

    Leia também: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    1. Por que o calcanhar fica branco e descamando?

    O aspecto esbranquiçado é o sinal inicial de desidratação extrema e acúmulo de células mortas (queratina). Sem água e óleo natural, a pele perde a aderência entre suas camadas e começa a descamar e a esfarelar.

    2. Usar lixa no pé piora o calcanhar grosso?

    Sim, se for usada em excesso ou com muita força. Quando você lixa o pé agressivamente, o organismo entende que a região sofreu uma agressão mecânica e ativa um mecanismo de defesa conhecido como efeito rebote, produzindo ainda mais queratina e deixando a pele duas vezes mais grossa.

    3. Qual a diferença entre pele grossa e micose no calcanhar?

    O engrossamento comum é causado por atrito e falta de hidratação. Já a micose costuma causar descamação fina, coceira intensa, vermelhidão e pode apresentar um odor desagradável. Se houver coceira, o ideal é consultar um dermatologista.

    4. Passar limão no calcanhar ajuda a clarear e afinar?

    Não é recomendado. O limão contém ácido cítrico que pode causar queimaduras químicas graves e manchas escuras persistentes (fitofotodermatose) se a pele for exposta ao sol, mesmo dias após a aplicação. Existem alternativas seguras e testadas, como o ácido salicílico.

    5. Quanto tempo leva para recuperar um calcanhar rachado?

    Com uma rotina rigorosa de hidratação oclusiva noturna e esfoliação suave, as rachaduras superficiais e o aspecto áspero melhoram visivelmente em 7 a 14 dias. Rachaduras profundas que sangram podem levar de 3 a 4 semanas para fechar completamente.

    6. O que fazer quando a rachadura no calcanhar está doendo muito?

    Se houver dor crônica ou sangramento, limpe a região com soro fisiológico, aplique uma pomada cicatrizante e protetora e proteja o local com um curativo limpo e meias. Evite sapatos abertos ou andar descalço até que a ferida feche. Se notar sinais de infecção, como pus, calor local ou vermelhidão que se espalha, procure ajuda médica.

    7. Por que o calcanhar engrossa mais no verão?

    No verão, o uso de calçados abertos (chinelos, rasteirinhas e sandálias) aumenta drasticamente. Como eles não têm as laterais fechadas para segurar a gordura do calcanhar, o impacto do pé contra o chão esparrama a pele para os lados. Além disso, a exposição direta ao calor, vento e poeira acelera a evaporação da umidade natural.

    Leia mais: 7 sintomas de dermatite atópica (e quais as áreas mais afetadas)

  • 9 frutas com casca comestível que você não deve jogar fora

    9 frutas com casca comestível que você não deve jogar fora

    As cascas das frutas não servem apenas como uma proteção natural e, no dia a dia, você pode aproveitá-las para aumentar o consumo de nutrientes e reduzir o desperdício na cozinha. Para ter uma ideia, as cascas concentram uma quantidade significativa de fibras, vitaminas e antioxidantes essenciais para o bom funcionamento do organismo.

    Mas será que toda fruta pode ser consumida assim? Para garantir o consumo seguro, é preciso saber quais variedades são realmente recomendadas para o consumo e como higienizá-las corretamente para eliminar as impurezas superficiais. Confira!

    Por que você deveria parar de descascar as frutas comestíveis?

    As cascas das frutas possuem uma grande concentração de nutrientes importantes para o organismo. Quando você descasca frutas como a maçã, a pera e a ameixa, por exemplo, acaba perdendo parte das fibras, vitaminas e compostos bioativos que ajudam o corpo a funcionar melhor e fortalecem a imunidade.

    As fibras presentes na casca, como a pectina e a celulose, ajudam a aumentar a saciedade, controlar os níveis de açúcar no sangue e manter o intestino funcionando bem. Sem a casca, o açúcar da fruta é absorvido mais rapidamente pelo organismo, o que pode aumentar o índice glicêmico da refeição.

    A parte externa das frutas também é rica em antioxidantes, como os polifenóis, as antocianinas e vitaminas como a C e a A. Eles ajudam a proteger as células contra os danos causados pelos radicais livres, contribuindo para a prevenção do envelhecimento precoce e de doenças crônicas.

    Além dos benefícios para a saúde, aproveitar as frutas com casca também ajuda a reduzir o desperdício de alimentos e deixa a alimentação mais sustentável no dia a dia. Afinal, muita coisa que normalmente vai para o lixo ainda pode ser aproveitada de forma simples e saborosa.

    Quais frutas podem ser comidas com casca?

    1. Maracujá

    A casca do maracujá é muito rica em fibras, principalmente a pectina, um tipo de fibra que ajuda a aumentar a saciedade e contribui para o controle dos níveis de açúcar no sangue.

    Apesar da poupa ser a parte mais consumida da fruta, a casca, depois de higienizada e cozida, pode virar farinha, geleia, doce caseiro e até ingrediente para sucos e vitaminas.

    2. Melancia

    A casca da melancia contém fibras, água e compostos antioxidantes que ajudam na hidratação e no funcionamento do organismo. Ela pode ser usada em sucos, conservas, refogados e doces, ficando com uma textura parecida com a do chuchu em algumas receitas.

    Como a melancia já possui uma grande quantidade de água, aproveitar essa parte da fruta também ajuda a criar preparações leves e refrescantes.

    3. Banana

    A casca da banana é uma ótima fonte de fibras, potássio, magnésio e antioxidantes. Apesar de muita gente não ter o costume de consumir, ela pode ser usada em diversas receitas doces e salgadas. Quando cozida ou batida em preparações, a textura fica mais macia e o sabor mais suave.

    A casca funciona muito bem em bolos, panquecas, vitaminas, brigadeiros fit e até em versões de carne vegetal desfiada. Além dos nutrientes, ela ajuda a aumentar a saciedade e contribui para o bom funcionamento do intestino.

    4. Abacaxi

    A casca do abacaxi é muito aromática e concentra boas quantidades de vitamina C e compostos antioxidantes. Em vez de ser descartada, ela pode ser aproveitada para preparar chás, águas saborizadas, sucos e até fermentados naturais.

    O chá da casca do abacaxi, por exemplo, é bastante popular por ser refrescante e ter um sabor naturalmente adocicado. Para completar, o reaproveitamento da casca ajuda a extrair ainda mais sabor da fruta sem aumentar os custos da alimentação.

    5. Laranja

    Com fibras, antioxidantes e óleos essenciais naturais que dão aroma e sabor para diferentes receitas, a casca da laranja pode ser usada em raspas para bolos, caldas, doces, chás e até em preparações salgadas. A parte branca da casca, que é comum evitar por ser mais amarga, também contém compostos importantes para a saúde.

    Além de ajudar na digestão, os antioxidantes presentes na casca auxiliam na proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres.

    6. Mamão

    Como o mamão já é conhecido pelo auxílio ao funcionamento intestinal, consumir a fruta de forma integral pode aumentar ainda mais a quantidade de fibras ingeridas na alimentação.

    A casca pode ser aproveitada principalmente em vitaminas e preparações batidas, já que possui uma textura macia e fácil de incorporar nas receitas. Ela costuma ficar bem suave quando combinada com outras frutas, especialmente banana e laranja.

    7. Pera

    A pera é uma fruta que praticamente já vem pronta para ser consumida com casca, porque a camada externa é fina e concentra uma boa quantidade de fibras e antioxidantes importantes para a saúde. Quando a fruta é descascada, parte dos nutrientes acaba sendo perdida, principalmente aqueles relacionados à saciedade e ao bom funcionamento intestinal.

    A casca também ajuda a diminuir a velocidade de absorção do açúcar natural da fruta, tornando a digestão mais equilibrada. Como o sabor da pera é suave, a presença da casca quase não interfere na experiência de consumo.

    8. Kiwi

    Apesar da aparência diferente e da textura mais áspera, a casca do kiwi pode ser consumida normalmente e possui uma boa concentração de fibras e vitamina C. Uma dica é esfregar a superfície da fruta antes de comer para deixar os pelos mais discretos e melhorar a textura na boca.

    Quando consumido inteiro, o kiwi oferece um aproveitamento nutricional ainda maior, principalmente para quem deseja aumentar a ingestão de fibras sem precisar recorrer a suplementos. O contraste entre a casca e a polpa deixa o sabor mais intenso e levemente ácido.

    9. Pêssego

    A casca do pêssego concentra compostos antioxidantes importantes, além de fibras que ajudam a prolongar a sensação de saciedade depois das refeições.

    Como a pele do pêssego já possui uma textura macia e fina, você pode consumir a fruta inteira naturalmente. Os pigmentos presentes na casca ajudam na proteção celular e fazem parte dos compostos responsáveis pela coloração característica da fruta.

    Como higienizar corretamente as frutas para comer com casca?

    A água corrente sozinha não consegue eliminar completamente bactérias, vírus e parasitas que podem ficar na superfície dos alimentos, então é importante fazer a sanitização com uma solução clorada adequada. Veja o passo a passo:

    • Passo 1: Lave as frutas uma por uma em água corrente para remover resíduos de terra, poeira e outras impurezas. Em frutas com casca mais resistente, como melão, laranja e abacaxi, vale usar uma escova de cerdas macias reservada apenas para a higienização dos alimentos;
    • Passo 2: Em uma bacia limpa, misture 1 colher de sopa de água sanitária para cada 1 litro de água. A água sanitária deve conter apenas hipoclorito de sódio entre 2% e 2,5% na composição, sem perfume ou outros aditivos;
    • Passo 3: Coloque as frutas na solução e deixe tudo completamente submerso por cerca de 10 a 15 minutos. O tempo é importante para que o cloro consiga agir de forma adequada contra os microrganismos presentes na superfície dos alimentos;
    • Passo 4: Depois do molho, enxágue bem as frutas em água corrente potável para remover qualquer resíduo da solução sanitizante;
    • Passo 5: Deixe as frutas secarem naturalmente ou utilize papel-toalha ou um pano limpo e seco. Guardar frutas úmidas na geladeira pode acelerar o apodrecimento e diminuir a durabilidade dos alimentos.

    Importante: o vinagre não substitui a sanitização correta e pode até ajudar a soltar sujeiras e pequenos resíduos, mas não possui ação suficiente para eliminar bactérias, vírus e parasitas de forma eficaz. Por isso, o uso da solução clorada continua sendo a forma mais segura de higienizar frutas, verduras e legumes antes do consumo.

    Leia mais: Vai começar dieta? Veja quais são as mais saudáveis

    Perguntas frequentes

    1. A casca do kiwi realmente pode ser comida? Ela tem pelos!

    Sim, é perfeitamente comestível. Os pelinhos podem causar uma textura estranha no início, mas a casca do kiwi é riquíssima em fibras e vitamina E. Se o aspecto incomodar, você pode esfregar a fruta debaixo da água com uma escovinha para remover o excesso de pelos antes de comer.

    2. Lavar a fruta remove 100% dos agrotóxicos?

    Não. A lavagem correta com água e a fricção removem parte dos resíduos que ficam na superfície (externos), mas alguns defensivos agrícolas são sistêmicos, ou seja, são absorvidos pela planta e vão para o interior da polpa.

    3. Qual é a principal vantagem das fibras da casca?

    Geladas melhoram o trânsito intestinal, aumentam a sensação de saciedade (ajudando no controle do peso) e fazem com que o açúcar da fruta (frutose) seja absorvido de forma mais lenta pelo sangue, evitando picos de insulina.

    4. Podemos comer a casca de frutas cítricas, como laranja e limão?

    Comer a casca pura é difícil pelo sabor amargo e textura dura, mas as raspas (zest) da superfície da casca do limão e da laranja são riquíssimas em óleos essenciais aromáticos e ótimas para temperar pratos, bolos e doces. Apenas evite raspar a parte branca, que é a que amarga.

    5. É verdade que a casca da manga pode ser comida?

    Sim, mas com cautela. A casca da manga é comestível e rica em antioxidantes, porém ela contém uma substância chamada urushiol, que é a mesma encontrada na hera venenosa. Em algumas pessoas mais sensíveis, mastigar a casca da manga pode causar dermatite ou pequenas reações alérgicas ao redor da boca.

    6. Crianças pequenas podem comer frutas com casca?

    A partir do momento em que a criança já mastiga bem (geralmente por volta de 1 ano ou mais, dependendo do desenvolvimento), ela pode comer. Para bebês na introdução alimentar, o ideal é oferecer sem casca ou muito bem picada/raspada para evitar o risco de engasgo, já que a casca pode grudar no céu da boca.

    7. Por que algumas pessoas sentem gases ou estufamento ao comer frutas com casca?

    Isso acontece por causa do alto teor de fibras insolúveis presentes na casca. Se o corpo não está acostumado a uma dieta rica em fibras, ou se você bebe pouca água, o sistema digestivo pode trabalhar mais devagar, gerando fermentação, gases e desconforto abdominal. O ideal é aumentar o consumo de água junto com as frutas.

    Leia mais: 9 benefícios do abacaxi para a saúde (e como incluir na rotina)

  • O que acontece na orelha quando você usa cotonete? Saiba como o hábito pode ser prejudicial

    O que acontece na orelha quando você usa cotonete? Saiba como o hábito pode ser prejudicial

    Seja no ritual pós-banho ou para aliviar aquela coceira incômoda, o uso das hastes flexíveis de algodão, conhecido como cotonete, ainda faz parte da rotina de muitos brasileiros. Só que, ao contrário do que parece, ele não limpa de verdade o canal auditivo e ainda pode te causar uma série de problemas.

    O ouvido já possui um sistema natural de proteção e autolimpeza que funciona sem a necessidade de objetos introduzidos no canal auditivo. Inclusive, a cera produzida pela região, chamada cerúmen, funciona como uma barreira natural de proteção, ajudando a impedir a entrada de poeira, microrganismos e outras impurezas.

    Quando o cotonete é introduzido no canal auditivo, parte da cera pode ser empurrada para regiões mais profundas, favorecendo obstruções, irritações e até mesmo lesões. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que nós produzimos cera de ouvido? (ela não é sujeira!)

    O cerume, ou cera de ouvido, é uma secreção natural produzida pelo próprio corpo, formada pela mistura de secreções das glândulas sebáceas, queratina e células descamadas da pele. Ela funciona como uma espécie de mecanismo de defesa do organismo, atuando a partir de três ações:

    • Barreira protetora: devido à sua textura pegajosa, ela atua como uma fita adesiva natural, retendo poeira, sujeira, pelos e pequenas partículas que poderiam chegar até o tímpano;
    • Ação bactericida e antifúngica: a cera possui propriedades químicas e um pH levemente ácido que ajudam a combater a proliferação de microrganismos. Sem ele, o ouvido fica mais exposto a infecções causadas por fungos e bactérias;
    • Lubrificação: a cera evita que a pele sensível do canal auditivo fique ressecada, descame ou apresente fissuras, ajudando a prevenir a coceira persistente na região.

    Portanto, ao tentar remover toda a cera do ouvido, você deixa a região mais desprotegida e exposta a riscos desnecessários.

    O mecanismo de autolimpeza do corpo

    O ouvido já possui um sistema natural de autolimpeza que funciona de forma contínua, sem necessidade de cotonetes ou de qualquer outro objeto introduzido no canal auditivo.

    A pele que reveste a parte interna do ouvido cresce lentamente em direção à saída da orelha, promovendo um movimento natural que empurra gradualmente o excesso de cerume para a região externa. O processo ainda é impulsionado pelos movimentos naturais da mandíbula, como ao falar, mastigar ou bocejar.

    Durante o percurso, o cerume atua como uma espécie de barreira de proteção, carregando junto poeira, células mortas, microrganismos e pequenas partículas que ficam acumuladas na região, permitindo que tudo seja eliminado naturalmente pelo próprio organismo.

    Basicamente, isso significa que, na maior parte das vezes, o ouvido consegue manter sozinho o equilíbrio entre a produção e a eliminação da cera, sem precisar de limpezas internas frequentes.

    Qual o perigo de usar cotonete para limpar o ouvido?

    Em vez de limpar o excesso de cerume no ouvido, o cotonete empurra a cera para o fundo do canal auditivo, interrompendo o processo natural de limpeza do corpo. Como a haste é mais larga do que o espaço disponível, ela funciona compactuando a cera contra o tímpano, podendo causar:

    • Formação de tampão de cera: ao compactar a substância no fundo do ouvido, ela acumula e endurece. Isso bloqueia a passagem do som, causando perda temporária de audição, sensação de ouvido abafado, zumbido e tontura;
    • Infecções (otites): o uso do cotonete remove a camada de cera protetora e pode causar microfissuras na pele sensível do canal auditivo. Sem proteção e com pequenas feridas, o ouvido fica exposto à entrada de água, bactérias e fungos, causando otites dolorosas;
    • Perfuração do tímpano: a membrana do tímpano é extremamente fina e delicada, de modo que um movimento brusco, um esbarrão ou uma introdução mais profunda da haste pode rasgar a membrana, causando dor intensa, sangramento e a necessidade de tratamento médico ou cirúrgico para corrigir a lesão.

    Afinal, como limpar os ouvidos do jeito certo?

    Para limpar os ouvidos do jeito certo, a recomendação é simples: limpe apenas até onde o seu dedo indicador alcança, e o canal interno não deve ser mexido.

    Com o ouvido úmido após o banho, envolva a ponta do dedo indicador em uma toalha macia (ou gaze) e limpe apenas o pavilhão auricular (a parte externa da orelha) e a entrada do canal auditivo. Isso é o suficiente para remover a cera que o próprio corpo já expeliu.

    Durante o banho, a água morna do chuveiro que entra naturalmente na orelha ajuda a amolecer o excesso de cera na borda externa, facilitando a remoção com a toalha depois. Não use jatos de água forte direcionados para dentro do ouvido.

    Além do cotonete, nunca use grampos, tampas de caneta, chaves ou as unhas para coçar ou limpar o ouvido, pois o risco de ferimento e infecção é muito alto.

    Quando é hora de procurar um médico?

    É importante procurar avaliação médica, especialmente com um otorrinolaringologista, quando surgirem sintomas como:

    • Sensação persistente de ouvido entupido;
    • Diminuição da audição;
    • Dor ou desconforto no ouvido;
    • Zumbidos;
    • Coceira intensa e frequente;
    • Tontura;
    • Saída de secreção, pus ou sangue;
    • Sensação de pressão dentro do ouvido.

    Ah, e se você sentir que seu ouvido está entupido, com o som abafado ou com acúmulo excessivo de cera, não tente resolver em casa. Nesses casos, o correto é procurar um médico para avaliar a causa do problema e realizar a limpeza de forma segura, quando necessário.

    Leia mais: Chiado ou zumbido no ouvido: por que você ouve sons que ninguém mais ouve

    Perguntas frequentes

    1. Posso usar cotonete se for só na bordinha do ouvido?

    Sim, o uso na parte externa (pavilhão auricular) é seguro. O erro está em introduzir a haste no canal auditivo. No entanto, uma toalha macia após o banho faz esse mesmo papel de forma mais segura.

    2. O que acontece se eu perfurar o tímpano com o cotonete?

    Você sentirá uma dor aguda imediata, seguida de sangramento ou saída de secreção e diminuição da audição. Na maioria dos casos, o tímpano se regenera sozinho em algumas semanas, mas é obrigatório passar por avaliação médica para evitar infecções crônicas.

    3. Sinto muita coceira no ouvido. Se não posso usar cotonete, faço o quê?

    A coceira normalmente é sinal de ressecamento (muitas vezes causado pelo próprio uso do cotonete que tirou a proteção) ou de fungos. Para aliviar, você pode usar uma compressa morna pelo lado de fora. Se persistir, consulte um médico, ele pode receitar gotas específicas.

    4. Água oxigenada ajuda a derreter a cera em casa?

    Não use por conta própria. A água oxigenada pode borbulhar e expandir a cera, piorando o entupimento, além de correr o risco de irritar a pele sensível do canal auditivo ou causar dor si houver alguma lesão oculta.

    5. Cotonetes ecológicos (de papel ou bambu) são mais seguros?

    Eles são melhores para o meio ambiente, mas o risco para a sua saúde auditiva é exatamente o mesmo. O problema não é o material da haste, mas sim o ato mecânico de empurrar a cera e o risco de ferir o canal.

    6. O que é a lavagem de ouvido feita pelo médico?

    É um procedimento simples onde o profissional injeta água morna ou soro fisiológico com uma seringa apropriada no canal auditivo para remover o excesso de cera compactada. Também pode ser feita a remoção por aspiração ou com pinças especiais.

    7. Afinal, para que serve o cotonete se não posso usar no ouvido?

    As hastes flexíveis foram criadas para funções de precisão: corrigir ou remover maquiagem, aplicar medicamentos em feridas pequenas na pele, limpar dobrinhas de bebês (como o umbigo), higienizar eletrônicos e fazer artesanato.

    Confira: Otite externa: como identificar e aliviar a dor no ouvido

  • Fezes escuras ou pretas podem indicar algo grave? Veja as principais causas e o que fazer

    Fezes escuras ou pretas podem indicar algo grave? Veja as principais causas e o que fazer

    Já olhou para o vaso sanitário e tomou um susto ao notar as fezes muito escuras ou completamente pretas? Na maioria das vezes, a alteração na cor do cocô está apenas relacionada a algo que você comeu recentemente ou ao uso de certos medicamentos e suplementos, como o ferro.

    Mas, se ela surgir de forma persistente, vier acompanhada de dor abdominal, tontura, fraqueza ou apresentar um aspecto brilhante e pegajoso, pode indicar um sangramento no sistema digestivo, principalmente no estômago ou no intestino.

    A seguir, vamos esclarecer quais são as principais causas da mudança de cor, quando ela pode ser sinal de algo mais grave e o que você deve fazer para investigar e resolver o problema.

    O que podem significar as fezes escuras ou pretas?

    As fezes escuras ou pretas podem indicar desde uma simples reação do organismo a determinados alimentos até sinais de alerta para condições médicas que precisam de tratamento. Veja as causas mais comuns:

    1. Consumo de alimentos escuros

    Os alimentos com pigmentação intensa ou corantes escuros não são totalmente absorvidos pelo intestino e acabam alterando a cor das fezes, sendo os principais:

    • Mirtilo (blueberry);
    • Beterraba;
    • Açaí;
    • Alcaçuz preto;
    • Feijão preto;
    • Biscoitos de chocolate muito escuros.

    Se você consumiu algum deles nas últimas 24 a 48 horas, é a causa mais provável das fezes escuras.

    2. Uso de suplementos de ferro

    O uso de suplementos de sulfato ferroso, muito comuns no tratamento da anemia e durante a gravidez, pode deixar as fezes pretas e com consistência ligeiramente mais endurecida. Isso acontece porque o organismo não absorve todo o ferro ingerido, e a parcela que sobra é eliminada e oxidada no intestino, escurecendo as fezes.

    3. Uso de certos medicamentos

    Além do ferro, alguns medicamentos de venda livre ou prescritos podem alterar a cor do cocô, como aqueles que contêm subsalicilato de bismuto, usados para azia e má digestão. Eles reagem com o enxofre presente no trato digestivo, formando uma substância preta.

    O uso frequente de anti-inflamatórios também precisa de atenção, porque eles podem irritar a parede do estômago e causar pequenos sangramentos.

    4. Sangramento no trato gastrointestinal superior

    Quando acontece um sangramento em partes mais altas do sistema digestivo, como o esôfago, o estômago ou o duodeno (a primeira parte do intestino delgado), o sangue passa pelo processo de digestão antes de ser eliminado nas fezes.

    Ao longo do caminho, ele sofre alterações por causa do ácido do estômago e da ação das bactérias intestinais, ficando mais escuro.

    Por isso, as fezes podem ganhar um aspecto preto, brilhante, mais pastoso e com um cheiro muito forte e desagradável. A condição é chamada de melena e costuma ser um sinal de alerta para sangramentos digestivos que precisam de avaliação médica.

    5. Úlcera gástrica ou gastrite severa

    A presença de feridas na parede do estômago ou uma inflamação muito grave, como gastrite, pode corroer pequenos vasos sanguíneos. O sangue liberado pelas feridas segue o fluxo da digestão e resulta em fezes escuras. É uma das principais origens da melena e precisa de avaliação médica para evitar complicações.

    6. Varizes esofágicas ou lesões no esôfago

    Pessoas com problemas crônicos no fígado, como cirrose, podem desenvolver veias dilatadas no esôfago, conhecidas como varizes esofágicas. Se as veias se rompem, causam um sangramento que pode ser volumoso.

    Outra causa na região é a Síndrome de Mallory-Weiss, que são pequenos cortes no esôfago causados por esforços intensos de vômito ou tosse prolongada. Em ambos os casos, o sangue desce para o estômago e sai nas fezes em tons escuros.

    Quando as fezes pretas podem indicar algo grave?

    Para diferenciar uma alteração simples de algo mais sério, você deve prestar atenção à textura, ao cheiro e, principalmente, à presença de outros sintomas pelo corpo, como:

    • Odor extremamente forte e desagradável;
    • Cólicas fortes, sensação de queimação no estômago ou dor que piora após comer;
    • Fezes pretas, moles, brilhantes e com aspecto parecido com borra de café;
    • Vômitos escuros ou com presença de sangue vivo;
    • Sinais de perda de sangue, como tontura, fraqueza intensa, palidez, cansaço excessivo e batimentos acelerados;
    • Perda de peso sem explicação aparente.

    Se notar qualquer um dos sintomas, procure o pronto-socorro imediatamente. O sangramento digestivo pode evoluir rapidamente e causar complicações sérias se não for tratado a tempo.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico das fezes escuras começa com a avaliação clínica, já que nem toda alteração na cor das fezes indica sangramento. O médico analisa o histórico do paciente, a aparência das fezes, os sintomas associados, além do uso de medicamentos, suplementos de ferro e a presença de doenças digestivas.

    Se houver suspeita de que a cor escura é provocada por sangue, o diagnóstico precisará ser confirmado por meio de exames laboratoriais e de imagem, como:

    • Exame de sangue oculto nas fezes: utiliza reagentes químicos para detectar a presença de partículas mínimas de sangue que não são visíveis a olho nu;
    • Endoscopia digestiva alta (EDA): um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta é introduzido pela boca para avaliar detalhadamente o esôfago, o estômago e o início do intestino delgado. É o exame principal e mais importante quando há forte suspeita de sangramento digestivo superior;
    • Colonoscopia: se a endoscopia alta não mostrar nenhuma alteração, o médico pode solicitar a colonoscopia para examinar o intestino grosso e a parte final do intestino delgado;
    • Hemograma: é solicitado para avaliar se a perda de sangue causou anemia. Níveis baixos de hemoglobina e hemácias (glóbulos vermelhos) ajudam o médico a entender a gravidade e a velocidade do sangramento no corpo.

    Em alguns casos específicos, como na suspeita de uma tomografia do abdômen ou uma cintilografia, que ajudam a mapear o fluxo sanguíneo na região digestiva e identificar vazamentos ou malformações nos vasos.

    O que fazer e como tratar as fezes escuras?

    O tratamento das fezes escuras depende do que está causando a alteração. Se você percebeu que as fezes ficaram escuras após consumir alimentos como açaí, beterraba ou mirtilo, a recomendação é suspender os alimentos por alguns dias e observar se a cor volta ao normal.

    Quando a alteração acontece por causa de suplementos de ferro ou medicamentos com bismuto, o ideal é conversar com o médico para avaliar se existe necessidade de ajustar a dose ou trocar o remédio, mas nunca interrompa o tratamento por conta própria.

    Por outro lado, se as fezes pretas forem causadas por um sangramento no estômago ou no intestino, o tratamento deve ser feito por um médico com urgência. No hospital, podem ser prescritos remédios para diminuir a acidez do estômago e cicatrizar feridas, como úlceras e gastrites.

    Em casos de sangramento ativo, o médico pode fazer uma endoscopia para fechar o vaso sanguíneo que está vazando e, se a perda de sangue tiver sido grande, o paciente pode precisar receber soro ou transfusão de sangue para se recuperar.

    Quando ir ao médico?

    Você deve procurar atendimento médico imediatamente se notar as fezes pretas e elas vierem acompanhadas de qualquer um dos seguintes sintomas:

    • Dor forte na barriga ou no estômago;
    • Fezes pastosas;
    • Cheiro muito forte, azedo e muito pior do que o normal;
    • Tontura, fraqueza extrema ou sensação de desmaio;
    • Vômito com sangue ou com pedaços escuros;
    • Palidez excessiva na pele e nos olhos;
    • Perda de peso sem motivo aparente.

    Mesmo que você não tenha os sintomas mais graves, se as fezes continuarem escuras por mais de 3 ou 4 dias e você não tiver comido alimentos escuros ou tomado ferro, o ideal é agendar uma consulta com um especialista para investigar a causa.

    Confira: Hemorragia digestiva baixa: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado

    Perguntas frequentes

    1. É normal ter fezes pretas na gravidez?

    Sim, na maioria das vezes é normal porque muitas gestantes precisam tomar suplementação de ferro para prevenir a anemia. O ferro não absorvido pelo corpo escurece as fezes. No entanto, se houver dor forte ou tontura, o obstetra deve ser consultado.

    2. O açaí deixa as fezes escuras?

    Sim, o açaí tem uma pigmentação roxa muito intensa. Quando consumido em moderada ou grande quantidade, o corpo não absorve todo esse pigmento, o que pode deixar as fezes escuras ou arroxeadas no dia seguinte.

    3. Quanto tempo o ferro deixa as fezes pretas?

    As fezes costumam continuar escuras durante todo o período em que você estiver tomando o suplemento de ferro. A cor deve voltar ao normal entre 2 a 5 dias após a interrupção do uso do medicamento.

    4. Tomar vinho ou cerveja preta escurece as fezes?

    Sim, o consumo excessivo de vinho tinto ou de cervejas muito escuras (como a Malzbier ou Stout) pode alterar temporariamente a cor das fezes devido aos corantes naturais e à quantidade de polifenóis presentes nas bebidas.

    5. O que significa fezes pretas e diarreia ao mesmo tempo?

    Pode indicar uma infecção intestinal grave ou que um sangramento no estômago acelerou o funcionamento do intestino. Se a diarreia preta persistir ou vier acompanhada de febre e cólicas fortes, procure um médico.

    6. Hemorroidas podem causar fezes pretas?

    Não. As hemorroidas ficam localizadas no final do intestino, na região do ânus. Como o sangue liberado por elas não passa pelo processo de digestão, ele sai vivo, com uma cor vermelha bem viva e brilhante (normalmente no papel higiênico ou gotejando no vaso), e não misturado e escurecido nas fezes.

    7. Fezes escuras podem ser sinal de câncer?

    Em casos raros e quando o sintoma persiste, sim. Tumores no estômago ou no início do intestino podem causar pequenos sangramentos contínuos. A grande diferença é que, nesses casos, as fezes escuras costumam vir acompanhadas de perda de peso rápida sem motivo, fraqueza constante (anemia) e falta de apetite.

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