Autor: Dra. Juliana Soares

  • Dormir de cabelo molhado: dá gripe, mofa o travesseiro ou quebra o fio? 

    Dormir de cabelo molhado: dá gripe, mofa o travesseiro ou quebra o fio? 

    Se você costuma lavar o cabelo à noite, provavelmente já foi dormir alguma vez sem esperar os fios secarem completamente. A falta de tempo, o cansaço ou até o hábito podem fazer com que o cabelo molhado vá direto para o travesseiro. Mas será que a prática realmente faz mal?

    Quando você deita com o cabelo ainda úmido, os fios permanecem em contato com o travesseiro durante várias horas, o que pode criar condições favoráveis para alguns microrganismos e piorar problemas dermatológicos em pessoas predispostas. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, dormir de cabelo molhado faz mal?

    Se o hábito é frequente, dormir com o cabelo molhado pode prejudicar os fios e favorecer alguns problemas no couro cabeludo. Ao se deitar com o cabelo ainda úmido, os fios ficam em contato com o travesseiro por várias horas durante o sono.

    A combinação de umidade, calor e pouca ventilação pode favorecer a proliferação de alguns microrganismos. Para completar, o cabelo molhado fica mais vulnerável aos danos provocados pelo atrito com a fronha.

    Com o tempo, o hábito pode contribuir para a quebra dos fios, o surgimento de pontas duplas e o aumento do frizz. Em pessoas que já apresentam problemas no couro cabeludo, como a dermatite seborreica, permanecer com a região úmida por muito tempo também pode piorar sintomas como coceira, vermelhidão e descamação.

    Mito ou verdade: dormir de cabelo molhado causa gripe ou resfriado?

    É um mito! A gripe e o resfriado são infecções respiratórias causadas por vírus. A gripe é provocada pelos vírus influenza, enquanto diferentes tipos de vírus podem causar resfriados, incluindo os rinovírus.

    Para desenvolver uma infecção respiratória, é necessário entrar em contato com o vírus responsável. O cabelo molhado, sozinho, não causa a doença.

    A confusão pode acontecer porque dormir com os fios úmidos pode causar uma sensação desagradável de frio, principalmente em ambientes com temperaturas mais baixas.

    Além disso, manter o travesseiro constantemente úmido pode favorecer a presença de ácaros e fungos. Para quem sofre com rinite alérgica ou asma, a exposição aos alérgenos pode contribuir para sintomas como espirros, congestão nasal e tosse, que tendem a ser confundidos com um resfriado.

    O cabelo molhado pode favorecer fungos no travesseiro e no couro cabeludo?

    Durante a noite, parte da água presente nos fios passa para a fronha e para o travesseiro. Quando a situação ocorre com frequência e o material não seca adequadamente, a umidade pode criar condições favoráveis para a proliferação de fungos e outros microrganismos.

    No couro cabeludo, permanecer com a região úmida e abafada por várias horas também pode favorecer problemas em pessoas predispostas, principalmente quando já existe alguma condição dermatológica.

    Um exemplo é a dermatite seborreica, problema relacionado a vários fatores, incluindo a ação do fungo Malassezia, que vive naturalmente na pele. A doença pode causar descamação, coceira, vermelhidão e oleosidade no couro cabeludo.

    Por outro lado, dormir com o cabelo molhado, sozinho, não causa micose no couro cabeludo. A tinha do couro cabeludo (tinea capitis), por exemplo, é uma infecção causada por fungos dermatófitos e ocorre após o contato com o agente causador.

    Dormir de cabelo molhado quebra ou danifica os fios?

    A resposta é sim, pois o cabelo fica mais vulnerável quando está molhado, o que aumenta a possibilidade de danos mecânicos.

    A água provoca mudanças temporárias na estrutura do fio e faz com que ele fique mais inchado e elástico. Quando ele é puxado, penteado ou submetido ao atrito, pode sofrer danos com maior facilidade.

    Durante o sono, a pessoa muda de posição várias vezes e o cabelo entra constantemente em contato com a fronha. O atrito pode favorecer:

    • Quebra dos fios;
    • Formação de pontas duplas;
    • Aumento do frizz;
    • Desgaste da cutícula, camada mais externa do fio;
    • Aparência mais ressecada e sem brilho.

    O risco tende a ser maior quando o hábito é frequente ou quando o cabelo já está fragilizado por descoloração, tintura, alisamento ou uso excessivo de fontes de calor.

    Dormir de cabelo molhado piora das alergias respiratórias?

    O hábito pode piorar os sintomas de alergias respiratórias em algumas pessoas, mas não porque o cabelo molhado cause alergia diretamente.

    Na verdade, a umidade no cabelo e no travesseiro favorecem a presença e a proliferação de fungos e ácaros, que contribuem para sintomas como espirros, nariz entupido, coriza, coceira no nariz e tosse, principalmente em quem já convive com rinite alérgica ou asma.

    O que fazer se não der para secar o cabelo antes de dormir?

    Se você não tiver tempo para secar o cabelo, algumas medidas ajudam a diminuir a umidade e os danos aos fios, como:

    • Retire o excesso de água com uma toalha: antes de usar o secador ou deixar o cabelo terminar de secar naturalmente, pressione a toalha delicadamente sobre os fios para retirar o excesso de água. Evite esfregar ou torcer o cabelo, pois os fios ficam mais frágeis quando estão molhados e podem quebrar com maior facilidade;
    • Prefira uma toalha de microfibra: o material absorve bem a água e gera menos atrito nos fios. A toalha de microfibra também pode ajudar a diminuir o frizz e os danos provocados pela fricção durante a secagem;
    • Use o secador: quando não houver tempo para esperar a secagem natural, o secador pode ser uma boa alternativa. Prefira temperaturas mornas ou frias e evite manter o aparelho muito próximo do couro cabeludo ou parado por muito tempo na mesma região;
    • Aplique um protetor térmico: se for usar o secador com ar quente, passe um protetor térmico antes da secagem. O produto forma uma camada de proteção nos fios e ajuda a diminuir os danos provocados pela exposição ao calor;
    • Evite prender o cabelo molhado: fazer coque, rabo de cavalo ou trança enquanto os fios ainda estão úmidos pode aumentar a tensão sobre a fibra capilar e favorecer a quebra. O ideal é esperar o cabelo secar antes de prender;
    • Mantenha o travesseiro seco e higienizado: se a fronha ou o travesseiro ficarem úmidos, deixe-os secar completamente antes de usá-los novamente. Também é importante trocar e lavar a fronha regularmente para evitar o acúmulo de suor, oleosidade, células mortas e microrganismos.

    As fronhas de cetim ou seda também podem diminuir o atrito com os fios durante o sono, mas trocar o tecido da fronha não elimina os possíveis problemas relacionados à umidade. O ideal continua sendo dormir com o cabelo seco ou retirar o máximo possível de água antes de se deitar.

    Quando procurar um dermatologista?

    Vale procurar um dermatologista quando surgirem alterações persistentes ou intensas no couro cabeludo, como:

    • Coceira forte ou que não melhora;
    • Descamação intensa;
    • Vermelhidão ou ardência;
    • Feridas ou crostas no couro cabeludo;
    • Bolinhas com pus;
    • Áreas com falhas no cabelo;
    • Queda de cabelo acima do habitual;
    • Dor ou sensibilidade no couro cabeludo.

    O dermatologista poderá avaliar a causa dos sintomas e indicar o tratamento adequado. Dependendo do diagnóstico, podem ser recomendados xampus específicos, medicamentos antifúngicos, antibióticos ou outros tratamentos.

    Veja também: Queda de cabelo: o que causa e quando é preocupante?

    Perguntas frequentes

    1. Pode dormir de cabelo úmido ou precisa estar 100% seco?

    O ideal é que esteja 100% seco. Mesmo levemente úmido, o abafamento contra o travesseiro já é suficiente para enfraquecer o fio e criar fungos.

    2. Secar com secador antes de dormir faz menos mal do que dormir molhado?

    Sim, o secador é muito menos prejudicial. Usando protetor térmico e ar morno ou frio, você evita o risco de micoses e a quebra por atrito.

    3. Dormir de touca de cetim com o cabelo molhado resolve o problema?

    Não. A touca vai abafar ainda mais a umidade na raiz, acelerando a proliferação de fungos e bactérias.

    4. Quantas vezes por semana o travesseiro deve ser trocado se eu dormir de cabelo molhado?

    Se isso acontecer com frequência, a fronha deve ser trocada diariamente e o travesseiro deve ser higienizado ou exposto ao sol regularmente.

    5. Lavar o cabelo à noite sempre faz mal?

    Não, desde que você seque completamente os fios e o couro cabeludo antes de se deitar.

    6. Qual é o tempo mínimo que devo esperar entre lavar o cabelo e ir dormir?

    O tempo varia conforme o volume do cabelo, mas o recomendado é lavar pelo menos 2 a 3 horas antes de se deitar caso vá secar ao natural.

    7. A umidade do cabelo pode causar espinhas na pele do rosto?

    Sim, a umidade transferida para a fronha facilita o acúmulo de bactérias que, em contato com o rosto à noite, podem obstruir os poros e piorar a acne.

    Leia mais: Alopecia: como tratar e prevenir a queda de cabelo

  • 7 benefícios de comer aveia todos os dias para o intestino 

    7 benefícios de comer aveia todos os dias para o intestino 

    É difícil falar sobre alimentação saudável sem citar a aveia. Presente em mingaus, vitaminas, frutas, iogurtes e inúmeras receitas, esse cereal integral está entre os alimentos mais estudados quando o assunto é saúde intestinal. O motivo é simples: além de fornecer vitaminas, minerais e antioxidantes, a aveia concentra um tipo de fibra chamado beta-glucana, associado a benefícios bem documentados para o funcionamento do intestino.

    Apesar da fama, vale fazer uma ressalva importante. A aveia não é um remédio nem faz milagres. Ela não limpa o intestino nem resolve, sozinha, problemas digestivos.

    Os benefícios aparecem quando o consumo é regular e faz parte de uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e outros alimentos fonte de fibras. Ainda assim, incluí-la no dia a dia pode representar um passo importante para quem busca melhorar a saúde intestinal.

    O que faz da aveia um alimento tão especial?

    A aveia é um cereal integral naturalmente rico em fibras alimentares. Diferentemente dos grãos refinados, ela preserva boa parte de seus componentes naturais, oferecendo uma combinação de fibras solúveis e insolúveis, além de proteínas, vitaminas do complexo B, ferro, magnésio, fósforo, zinco e compostos antioxidantes chamados avenantramidas, praticamente exclusivos desse cereal.

    O grande destaque, porém, são as beta-glucanas, um tipo de fibra solúvel presente em quantidade significativa na aveia.

    Quando entram em contato com a água durante a digestão, essas fibras formam um gel viscoso dentro do intestino. Essa característica explica boa parte dos benefícios associados ao alimento, como o favorecimento do funcionamento intestinal, o auxílio no controle do colesterol e uma absorção mais lenta dos carboidratos.

    Além disso, parte dessas fibras chega praticamente intacta ao intestino grosso, onde serve de alimento para bactérias benéficas da microbiota intestinal.

    Vale lembrar que a quantidade de beta-glucanas pode variar conforme a variedade da aveia e o grau de processamento do produto. Ainda assim, todas as formas integrais da aveia contribuem para aumentar a ingestão de fibras da alimentação.

    Aveia é um cereal ou um grão?

    Do ponto de vista botânico, a aveia é um cereal, assim como trigo, arroz, milho e centeio. Já do ponto de vista da alimentação, ela também pode ser chamada de grão integral, pois mantém as três partes originais do grão: farelo, endosperma e gérmen, preservando boa parte de seus nutrientes.

    Porém, essa classificação importa menos do que sua composição nutricional.

    Por ser um cereal integral rico em fibras, a aveia costuma oferecer vantagens em relação aos cereais refinados, que perdem parte das fibras e dos micronutrientes durante o processamento.

    É justamente essa riqueza em fibras que faz da aveia um dos alimentos mais recomendados para quem deseja cuidar da saúde intestinal. Veja os benefícios abaixo.

    1. Ajuda a aumentar o consumo diário de fibras

    Talvez o maior benefício da aveia seja ajudar a corrigir um problema bastante comum: o baixo consumo de fibras.

    Diversos levantamentos mostram que grande parte da população não atinge a recomendação diária desse nutriente. Em adultos, a ingestão recomendada costuma variar entre 25 e 38 gramas por dia, dependendo da idade, do sexo e de condições fisiológicas, como gestação e amamentação.

    Essa deficiência muitas vezes passa despercebida, mas pode influenciar diretamente o funcionamento do intestino.

    As fibras exercem diversas funções importantes no organismo:

    • Favorecem a formação de fezes com consistência adequada;
    • Contribuem para o trânsito intestinal;
    • Servem de alimento para bactérias benéficas da microbiota;
    • Participam da produção de substâncias importantes para a saúde intestinal;
    • Ajudam a manter a integridade da mucosa intestinal.

    Uma porção de aveia no café da manhã, em frutas, vitaminas ou iogurtes pode representar um passo importante para aumentar a ingestão diária de fibras.

    Naturalmente, ela não precisa ser a única fonte desse nutriente. Frutas, verduras, legumes, feijões, sementes e outros cereais integrais também devem fazer parte da alimentação.

    2. Pode ajudar a combater a prisão de ventre

    A constipação intestinal, popularmente conhecida como prisão de ventre, é uma das queixas digestivas mais frequentes entre adultos.

    Ela pode ter diversas causas, como uma baixa ingestão de fibras, consumo insuficiente de água, sedentarismo, uso de alguns medicamentos e determinadas doenças. É justamente nesse contexto que a aveia pode ajudar.

    Para entender melhor, as fibras presentes no cereal agem por mecanismos diferentes e complementares.

    As fibras insolúveis ajudam a aumentar o volume das fezes, o que favorece a movimentação ao longo do intestino.

    Já as fibras solúveis, como as beta-glucanas, absorvem água e formam um gel que contribui para manter as fezes mais macias e hidratadas.

    O resultado costuma ser evacuações mais confortáveis e um funcionamento intestinal mais regular ao longo do tempo.

    É importante destacar, porém, que a aveia não funciona como um laxante de efeito imediato. Os benefícios costumam aparecer gradualmente, à medida que o consumo de fibras passa a fazer parte da rotina.

    Outro ponto importante é a hidratação.

    As fibras dependem da presença de água para exercer adequadamente suas funções. Por isso, aumentar bastante o consumo de aveia sem ingerir líquidos suficientes pode reduzir seus benefícios e, em algumas pessoas, até causar fezes endurecidas.

    Também é comum que pessoas que consumiam poucas fibras percebam um aumento temporário de gases, distensão abdominal ou sensação de estufamento nas primeiras semanas após incluir mais aveia na alimentação.

    Isso acontece porque a microbiota intestinal passa a fermentar uma quantidade maior de fibras. Na maioria dos casos, esse desconforto diminui naturalmente conforme o organismo se adapta.

    Por isso, especialistas costumam recomendar que o aumento da ingestão de fibras seja gradual, sempre acompanhado de uma boa hidratação.

    3. Alimenta as bactérias benéficas da microbiota intestinal

    Nos últimos anos, poucas áreas da ciência despertaram tanto interesse quanto a microbiota intestinal.

    Ela corresponde ao conjunto de trilhões de bactérias, fungos e outros microrganismos que vivem naturalmente no intestino e participam de diversas funções importantes para o organismo.

    Esses microrganismos ajudam, por exemplo, na digestão de componentes dos alimentos, participam da produção de algumas vitaminas e influenciam o funcionamento do sistema imunológico.

    Para permanecer equilibrada, porém, essa comunidade precisa receber nutrientes específicos. É justamente aí que entram as fibras da aveia.

    Como o organismo humano não consegue digerir completamente as beta-glucanas, elas chegam praticamente intactas ao intestino grosso, onde passam a servir de alimento para diversas bactérias consideradas benéficas. Por isso, elas são classificadas como fibras com efeito prebiótico.

    Vale, porém, fazer uma ressalva importante. Nenhum alimento é capaz de corrigir sozinho a microbiota intestinal.

    Ela é influenciada pelo conjunto da alimentação, além de fatores como prática de atividade física, uso de antibióticos, idade, qualidade do sono e diversas outras características individuais.

    Ainda assim, consumir regularmente alimentos ricos em fibras, como a aveia, é uma das estratégias mais bem estabelecidas para favorecer esse equilíbrio.

    4. Ajuda na produção de substâncias importantes para o intestino

    Quando as bactérias intestinais fermentam as fibras da aveia, elas produzem compostos chamados ácidos graxos de cadeia curta.

    Os principais são:

    • Acetato;
    • Propionato;
    • Butirato.

    Eles têm funções importantes no funcionamento do intestino.

    O butirato, por exemplo, é considerado uma das principais fontes de energia das células que revestem o intestino grosso.

    Esses compostos também ajudam a manter a integridade da barreira intestinal, participam da comunicação entre o intestino e o sistema imunológico e ajudam a manter um ambiente intestinal saudável.

    Consumir aveia aumenta a oferta de fibras fermentáveis e favorece sua produção, mas isso não significa que o alimento previna ou trate doenças específicas. O benefício mais bem estabelecido continua sendo contribuir para um funcionamento intestinal adequado dentro de um padrão alimentar saudável.

    5. A aveia também faz bem para quem não sofre de prisão de ventre

    É comum associar as fibras apenas ao tratamento da constipação intestinal. Na realidade, elas são importantes mesmo em pessoas que evacuam regularmente.

    Além de favorecerem uma consistência adequada das fezes, as fibras ajudam a manter a diversidade da microbiota intestinal e participam do equilíbrio do ambiente intestinal.

    Pessoas com consumo adequado de fibras tendem a apresentar menor risco de diferentes doenças crônicas ao longo da vida. Isso não significa que a aveia seja responsável, sozinha, por esses benefícios. O mais provável é que ela faça parte de um padrão alimentar globalmente mais saudável.

    Ainda assim, incluir aveia na rotina pode ser uma estratégia simples para aumentar o consumo de fibras e favorecer a saúde intestinal, mesmo na ausência de sintomas digestivos.

    6. Um intestino saudável pode beneficiar muito mais do que a digestão

    Nos últimos anos, o intestino deixou de ser visto apenas como o órgão responsável pela digestão.

    Hoje sabemos que ele abriga uma parte importante do sistema imunológico, participa da absorção de nutrientes, produz diferentes substâncias importantes para o organismo e mantém uma comunicação constante com o cérebro por meio do chamado eixo intestino-cérebro.

    Essa descoberta fez crescer o interesse pela microbiota intestinal e seu possível papel em diversas condições de saúde.

    Entretanto, é preciso cautela. Mesmo que existam inúmeras pesquisas nessa área, muitos resultados ainda estão sendo investigados e não significam, necessariamente, que modificar a microbiota por meio de um único alimento seja suficiente para prevenir ou tratar doenças.

    No caso da aveia, as evidências mais consistentes continuam relacionadas ao aumento do consumo de fibras, ao efeito prebiótico das beta-glucanas e à melhora do ambiente intestinal.

    Os possíveis impactos sobre outras áreas da saúde são promissores, mas ainda dependem de novas pesquisas para serem melhor compreendidos.

    7. Os benefícios para o intestino vêm acompanhados de vantagens para o coração e para a glicemia

    Seria impossível falar sobre aveia sem mencionar dois benefícios bastante conhecidos das beta-glucanas.

    Essas fibras estão entre as poucas que possuem alegações de saúde reconhecidas por autoridades regulatórias, como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos.

    Quando consumidas em quantidades adequadas e dentro de uma alimentação equilibrada, elas podem ajudar a reduzir os níveis de colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim.

    Isso ocorre porque o gel formado pelas beta-glucanas dificulta parcialmente a reabsorção dos ácidos biliares no intestino. Para produzir novos ácidos biliares, o organismo usa colesterol, o que contribui para reduzir a concentração dele no sangue.

    Esse mesmo gel torna mais lenta a digestão e a absorção dos carboidratos, o que faz com que o aumento da glicose após as refeições ocorra de forma mais gradual.

    Vale destacar que a aveia não substitui medicamentos nem tratamentos para colesterol alto ou diabetes. Ela deve ser encarada como parte de um padrão alimentar saudável, e não como uma solução isolada.

    Aveia não é um laxante

    É comum que algumas pessoas comecem a consumir aveia esperando um efeito semelhante ao de um laxante. Ela, no entanto, funciona de outra forma.

    Os laxantes estimulam ou facilitam a evacuação de maneira relativamente rápida, dependendo do tipo de medicamento. A aveia, por outro lado, melhora gradualmente as condições para que o intestino funcione adequadamente.

    Os efeitos dela dependem da regularidade do consumo, da ingestão adequada de água e da alimentação como um todo. Por isso, quem inclui aveia na rotina costuma perceber mudanças progressivas, e não um efeito imediato.

    Farelo, aveia em flocos ou farinha: qual escolher?

    Outra dúvida bastante comum é se existe uma forma de aveia melhor do que outra. A verdade é que todas podem fazer parte de uma alimentação saudável, mas existem algumas diferenças. Veja abaixo.

    Farelo de aveia

    É a fração mais rica em fibras, especialmente em beta-glucanas. Por isso, costuma ser a melhor opção quando o principal objetivo é aumentar o consumo de fibras.

    Aveia em flocos

    Preserva praticamente todas as características do grão integral e apresenta excelente perfil nutricional. É muito versátil e pode ser utilizada em frutas, vitaminas, mingaus, panquecas e diversas receitas.

    Farinha de aveia

    Também mantém nutrientes importantes, mas sua textura mais fina modifica um pouco a velocidade de digestão quando comparada aos flocos. Ainda assim, continua sendo uma alternativa mais nutritiva do que farinhas refinadas, como a farinha de trigo branca.

    Independentemente da apresentação escolhida, o mais importante é que a aveia seja consumida regularmente.

    Quanto de aveia consumir por dia?

    Não existe uma quantidade única que sirva para todas as pessoas. Uma porção entre 30 e 50 gramas por dia, aproximadamente três a cinco colheres de sopa, dependendo da apresentação, já representa um aumento importante na ingestão de fibras.

    Para quem busca os benefícios das beta-glucanas sobre o colesterol, estudos indicam que o consumo de cerca de 3 gramas por dia dessa fibra pode contribuir para a redução do LDL quando inserido em uma alimentação saudável.

    Mais importante do que consumir grandes quantidades em um único dia é manter a regularidade ao longo do tempo.

    Quem deve ter mais atenção ao consumir aveia?

    A aveia é considerada um alimento seguro para a grande maioria das pessoas. Mesmo assim, algumas situações merecem atenção.

    Pessoas com doença celíaca devem optar por produtos certificados como “sem glúten”, pois a aveia frequentemente sofre contaminação cruzada com trigo, cevada ou centeio durante o cultivo, transporte e processamento.

    Quem possui síndrome do intestino irritável também pode precisar individualizar o consumo. Muitas pessoas toleram bem a aveia, mas algumas apresentam maior sensibilidade dependendo da quantidade ingerida e do restante da alimentação.

    Por fim, quem pretende aumentar significativamente a ingestão de fibras deve fazer isso de forma gradual e manter uma boa hidratação para reduzir o risco de desconfortos gastrointestinais.

    O mais importante não é a aveia: é o conjunto da alimentação

    É tentador acreditar que um único alimento seja capaz de transformar a saúde intestinal. Mas a ciência mostra que não é assim.

    A aveia pode ser um excelente alimento, mas os benefícios dela são potencializados quando ela faz parte de um padrão alimentar rico em frutas, verduras, legumes, feijões, sementes, oleaginosas e outros cereais integrais.

    Além disso, outros fatores, como hidratação adequada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse, também influenciam no funcionamento do intestino.

    Confira: Aprenda a montar um prato saudável em todas as refeições

    Perguntas frequentes sobre aveia e intestino

    1. Comer aveia todos os dias faz bem?

    Para a maioria das pessoas, sim. O consumo diário pode ajudar a aumentar a ingestão de fibras e favorecer o funcionamento do intestino quando faz parte de uma alimentação equilibrada.

    2. Quanto tempo a aveia demora para fazer efeito no intestino?

    Os efeitos variam de pessoa para pessoa. Em geral, os benefícios aparecem após alguns dias ou semanas de consumo regular, especialmente quando há ingestão adequada de líquidos.

    3. Aveia prende ou solta o intestino?

    Na maioria dos casos, ela favorece o funcionamento intestinal. Por conter fibras solúveis e insolúveis, ajuda a formar fezes com melhor consistência e pode beneficiar pessoas com constipação.

    4. Qual é a melhor aveia para o intestino?

    O farelo costuma conter maior concentração de fibras e beta-glucanas, mas aveia em flocos e farinha de aveia também são opções nutritivas.

    5. Quem tem síndrome do intestino irritável pode consumir aveia?

    Muitas pessoas conseguem consumi-la sem problemas, mas a tolerância é individual. Em caso de sintomas persistentes, vale buscar orientação médica ou nutricional.

    6. A aveia substitui um laxante?

    Não. Ela melhora gradualmente as condições para o funcionamento do intestino, mas não possui ação laxativa imediata.

    7. É preciso beber mais água ao consumir aveia?

    Sim. As fibras dependem da água para exercer adequadamente seus efeitos. Uma hidratação insuficiente pode reduzir seus benefícios e favorecer o endurecimento das fezes.

    Leia mais: 10 alimentos ricos em fibras para regular o seu intestino

  • Sentar no vaso sanitário fora de casa: dá mesmo para pegar infecção? 

    Sentar no vaso sanitário fora de casa: dá mesmo para pegar infecção? 

    Você já deixou de sentar em um vaso sanitário fora de casa por medo de pegar alguma infecção? A preocupação é bastante comum e costuma levar algumas pessoas a cobrir o assento com várias camadas de papel higiênico ou até fazer um verdadeiro malabarismo para usar o banheiro sem encostar no vaso.

    Mas, apesar do receio, o simples contato da pele com o assento dificilmente provoca uma infecção. Na prática, outros locais do banheiro podem representar uma fonte maior de contaminação, principalmente as superfícies tocadas pelas mãos.

    A seguir, esclarecemos quais são os riscos de usar um banheiro público e os cuidados que realmente ajudam a proteger a saúde.

    Dá mesmo para pegar infecção no vaso sanitário?

    As chances de contrair uma infecção apenas por sentar no assento de um vaso sanitário são muito baixas. A superfície pode conter bactérias, vírus e outros microrganismos, mas o contato com a pele das coxas ou das nádegas normalmente não é suficiente para provocar uma doença.

    Na verdade, para ocorrer uma infecção, vários fatores precisam estar presentes, como um microrganismo capaz de causar a doença, uma quantidade suficiente para provocar a contaminação e uma forma de entrada no organismo.

    A pele como uma barreira protetora

    Um dos principais motivos para o baixo risco de infecção ao sentar no vaso sanitário é a proteção oferecida pela própria pele. A camada mais externa funciona como uma barreira física contra a entrada de bactérias, fungos e vírus no organismo.

    Para provocar uma infecção, muitos microrganismos precisam encontrar uma porta de entrada, como as mucosas da vagina, da uretra, da boca ou dos olhos, ou alguma lesão na pele.

    Quando a pele das coxas e das nádegas está íntegra, os microrganismos que entram em contato com a região têm maior dificuldade para chegar ao interior do organismo. Por isso, apenas encostar a pele saudável no assento não costuma ser suficiente para causar uma infecção.

    É possível pegar uma IST no vaso sanitário?

    O risco de contrair uma infecção sexualmente transmissível (IST) ao sentar em um vaso sanitário é considerado extremamente baixo.

    As infecções como HIV, sífilis, gonorreia e clamídia são transmitidas principalmente por relações sexuais e pelo contato direto com fluidos corporais ou lesões infectadas, dependendo da doença. O HIV também pode ser transmitido pelo compartilhamento de agulhas e da gestante para o bebê, por exemplo.

    Os agentes responsáveis por muitas ISTs não encontram no assento sanitário as condições necessárias para uma transmissão eficiente. Além disso, como já explicado acima, a pele íntegra das nádegas e das coxas funciona como uma barreira contra a entrada de microrganismos.

    Quais são os riscos reais ao usar um banheiro público?

    Se o assento sanitário apresenta um risco muito baixo, significa que não é preciso ter nenhum cuidado no banheiro público? Na verdade, não. Os principais riscos de contaminação estão relacionados às mãos e ao contato com superfícies tocadas por várias pessoas.

    Depois de usar o banheiro, uma pessoa pode tocar na descarga, na torneira, na maçaneta ou em outras superfícies antes de lavar as mãos. Os microrganismos podem passar para outra pessoa que toca no mesmo local e, depois, leva as mãos à boca, ao nariz ou aos olhos.

    O que acontece quando damos descarga?

    Ao acionar a descarga, pequenas gotículas e partículas podem ser lançadas no ar ao redor do vaso, o que é conhecido como pluma de aerossóis.

    As partículas podem carregar microrganismos presentes no conteúdo do vaso e alcançar superfícies próximas, como o botão da descarga, a torneira do lavatório, o suporte do papel higiênico e até a maçaneta da porta. A distância e a quantidade de partículas espalhadas variam de acordo com o modelo do vaso, a força da descarga e outras características do ambiente.

    Por precaução, quando houver uma tampa disponível, vale fechá-la antes de dar a descarga. A medida ajuda a reduzir a dispersão de partículas pelo ambiente.

    Fazer xixi sem sentar no vaso pode fazer mal?

    No dia a dia, é comum que algumas pessoas, principalmente as mulheres, fiquem agachadas sobre o vaso para urinar, sem encostar no assento. Só que a prática pode dificultar o relaxamento adequado da musculatura do assoalho pélvico.

    Para fazer xixi normalmente, a bexiga precisa se contrair enquanto os músculos envolvidos na saída da urina relaxam. Quando a mulher permanece agachada e precisa fazer força para sustentar o próprio corpo, pode ser mais difícil relaxar completamente a região.

    Com isso, o fluxo da urina pode ser prejudicado e, em algumas pessoas, a bexiga pode não esvaziar completamente. Quando o hábito se repete com frequência, a pessoa também pode acabar se acostumando a fazer força para urinar, algo que não é recomendado.

    Mesmo com o receio de encostar no assento, quando o vaso estiver limpo, o ideal é sentar de maneira confortável, com os pés apoiados e sem manter o corpo suspenso. Se o assento estiver visivelmente sujo com urina, fezes ou sangue, procure outra cabine, se houver uma disponível.

    4 cuidados simples de higiene ao usar banheiros fora de casa

    Para usar um banheiro público com mais segurança, alguns hábitos podem ajudar a diminuir o contato com microrganismos:

    1. Higienize bem as mãos

    Depois de usar o banheiro, molhe as mãos, aplique sabonete e esfregue as palmas, o dorso, os espaços entre os dedos, os polegares e a região das unhas. A higienização deve durar cerca de 20 segundos.

    Depois, enxágue bem e seque as mãos. Quando não houver água e sabonete disponíveis, o álcool em gel 70% pode ser usado como alternativa, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas.

    2. Feche a tampa antes de dar a descarga

    Quando houver uma tampa disponível, feche o vaso antes de acionar a descarga. A medida pode diminuir a dispersão de gotículas e partículas no ambiente.

    Caso o banheiro não tenha tampa, procure se afastar do vaso logo após acionar a descarga e evite permanecer próximo enquanto a água está em movimento. Depois, lave bem as mãos com água e sabonete e evite tocar no rosto antes da higienização.

    3. Limpe o assento se preferir

    Mesmo com um risco muito baixo de transmissão de infecções pelo contato da pele íntegra com o assento, é compreensível preferir fazer uma limpeza antes de sentar.

    Se o vaso estiver visivelmente sujo com fezes, urina ou sangue, procure outra cabine, se possível. Quando o assento estiver limpo, sentar normalmente permite uma posição mais confortável para urinar e facilita o relaxamento da musculatura do assoalho pélvico.

    Também não é necessário cobrir o vaso com várias camadas de papel higiênico. A medida pode aumentar a sensação de conforto, mas não substitui os cuidados realmente importantes, principalmente a higiene adequada das mãos.

    4. Evite colocar os pertences no chão

    Bolsas, mochilas e outros objetos pessoais não devem ser colocados no chão do banheiro quando houver uma alternativa, como um gancho ou suporte.

    Também é importante evitar usar o celular enquanto estiver no vaso. As mãos podem contaminar o aparelho durante o uso do banheiro e, mais tarde, o celular volta a entrar em contato com o rosto, as mãos e outras superfícies.

    Leia mais: IST ou infecção urinária? Saiba como diferenciar os sintomas

    Perguntas frequentes

    1. Posso pegar sapinho ou candidíase no vaso sanitário?

    Não, a candidíase é causada pelo fungo Candida albicans, que já habita naturalmente o corpo humano e se prolifera por desequilíbrios na flora íntima ou imunidade baixa, e não por contato com o assento.

    2. Soro fisiológico ou lenço umedecido servem para limpar o assento?

    O soro não mata os germes. Já o lenço umedecido comum apenas limpa a sujeira visível, mas não desinfeta. Para eliminar bactérias, o ideal é usar álcool 70% ou lenços desinfetantes próprios.

    3. Secador de mãos a ar quente é mais higiênico que papel toalha?

    Não. Segundo estudos, os secadores de ar podem espalhar bactérias do ar do banheiro de volta para as suas mãos. O papel toalha descartável continua sendo a opção mais segura e higiênica.

    4. Como usar o banheiro público de forma segura durante a gravidez?

    A gestante pode sentar no vaso normalmente (desde que limpo), pois o feto está protegido no útero. O importante é nunca segurar o xixi e não urinar agachada para evitar infecções urinárias.

    5. Quanto tempo posso segurar o xixi até achar um banheiro limpo?

    O ideal é não segurar o xixi por mais de 3 a 4 horas. Ficar se contorcendo para evitar o banheiro público pode deixar a bexiga muito cheia e favorecer problemas urinários.

    6. O que fazer se não houver sabão no banheiro público?

    Enxágue as mãos apenas com água para tirar a sujeira grossa, seque bem com papel toalha e, em seguida, aplique abundante álcool em gel 70% friccionando até secar completamente.

    7. Sentar em um vaso molhado de urina de outra pessoa pode transmitir infecção?

    O risco de infecção grave continua baixo pela proteção da pele, mas a urina alheia causa irritações e assaduras. Se o assento estiver molhado, limpe-o completamente com álcool/papel ou prefira trocar de cabine.

    Leia mais: Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

  • Doença de Creutzfeldt-Jakob: entenda essa doença rara causada por príons 

    Doença de Creutzfeldt-Jakob: entenda essa doença rara causada por príons 

    Quando pensamos em doenças capazes de afetar rapidamente o cérebro, é natural imaginar vírus, bactérias, alterações genéticas ou mesmo doenças degenerativas mais conhecidas, como o Alzheimer. Mas existe um grupo extremamente raro de condições em que o problema começa de uma maneira muito diferente: uma proteína do próprio organismo muda de formato e passa a induzir outras proteínas a fazerem o mesmo.

    É o que acontece na doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e grave provocada pelos chamados príons. À medida que essas proteínas anormais se acumulam, células do cérebro são danificadas e podem surgir perda de memória, alterações de comportamento, dificuldade para caminhar, problemas de coordenação e movimentos involuntários.

    Uma das características que mais chama atenção nessa doença é a velocidade: enquanto algumas doenças neurodegenerativas avançam durante anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar uma deterioração neurológica importante em questão de meses.

    O nome também pode despertar outra associação: a chamada “doença da vaca louca”. Embora exista uma relação histórica entre uma forma específica de doença priônica humana e a encefalopatia espongiforme bovina, essa não é a origem da grande maioria dos casos de Creutzfeldt-Jakob. Na maior parte das vezes, a doença surge espontaneamente, sem que se consiga identificar uma exposição responsável.

    Rara, pois ocorre aproximadamente na ordem de um caso por milhão de pessoas ao ano, a doença de Creutzfeldt-Jakob ainda não tem cura. Nas últimas décadas, porém, a medicina avançou bastante na capacidade de reconhecê-la ainda em vida.

    Exames de ressonância magnética e técnicas capazes de detectar a atividade associada aos príons ajudam hoje os médicos a diferenciar a doença de outras causas de deterioração neurológica rápida, inclusive algumas que podem ser tratadas.

    O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    A doença de Creutzfeldt-Jakob pertence a um grupo de condições chamadas doenças priônicas ou encefalopatias espongiformes transmissíveis. Isso significa que são doenças neurodegenerativas caracterizadas pelo acúmulo no sistema nervoso de formas anormais da proteína priônica, que existe normalmente no organismo.

    O problema começa quando essa proteína muda sua conformação, ou seja, passa a apresentar uma estrutura tridimensional anormal. A proteína alterada consegue induzir outras proteínas priônicas normais a também assumirem uma conformação inadequada.

    Cria-se, então, uma espécie de reação em cadeia.

    Progressivamente, essas proteínas se acumulam no cérebro e estão associadas à perda de neurônios e a alterações microscópicas que dão ao tecido cerebral uma aparência semelhante a uma esponja, daí o termo “encefalopatia espongiforme”.

    É justamente essa capacidade de uma proteína anormal favorecer a transformação de outras proteínas que torna os príons tão diferentes dos agentes infecciosos tradicionais.

    Afinal, o que é um príon?

    Normalmente, quando pensamos em uma doença transmissível, imaginamos algum organismo ou agente que carregue material genético, como vírus ou bactérias.

    O príon foge completamente dessa lógica.

    Ele é essencialmente uma proteína com conformação anormal. Diferentemente de vírus e bactérias, os príons não possuem DNA ou RNA. Ainda assim, determinadas formas anormais da proteína priônica conseguem atuar como um molde, fazendo proteínas normais assumirem a configuração inadequada.

    Com o tempo, esse processo leva ao acúmulo das proteínas alteradas e à morte de células nervosas.

    Outra particularidade é que os príons apresentam grande resistência a alguns métodos convencionais de descontaminação. Essa característica ajuda a explicar por que serviços de saúde adotam protocolos específicos para instrumentos que possam ter entrado em contato com tecidos de alto risco de pacientes com suspeita de doença priônica.

    Isso não significa, entretanto, que a doença de Creutzfeldt-Jakobseja facilmente transmitida de uma pessoa para outra. Na realidade, a transmissão entre pessoas é extremamente incomum e está relacionada a circunstâncias muito específicas, como contato direto durante cirurgias, por exemplo.

    A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma demência?

    A doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar uma demência que progride rapidamente, mas é bastante diferente das causas mais comuns de demência.

    Na doença de Alzheimer, por exemplo, o comprometimento cognitivo geralmente progride ao longo de anos. Na doença de Creutzfeldt-Jakob, alterações importantes podem surgir e avançar em semanas ou meses.

    A pessoa pode começar apresentando mudanças relativamente inespecíficas, como dificuldade de memória, confusão, alterações de comportamento ou problemas de equilíbrio. Em pouco tempo, outros sintomas neurológicos podem aparecer.

    É justamente essa velocidade de progressão que costuma chamar a atenção dos neurologistas.

    Entretanto, uma demência rapidamente progressiva não significa automaticamente doença de Creutzfeldt-Jakob. Doenças autoimunes, encefalites, alterações metabólicas, infecções, alguns tipos de câncer e outras condições neurológicas podem produzir quadros semelhantes, e algumas delas são tratáveis.

    Por isso, diante de uma deterioração neurológica rápida, a investigação médica precisa ser ampla antes que se chegue ao diagnóstico de uma doença priônica.

    Quais são os sintomas da doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Os sintomas podem variar conforme a forma da doença e as regiões cerebrais mais afetadas.

    Na doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica, uma apresentação típica envolve declínio cognitivo rapidamente progressivo associado ao desenvolvimento de outros sinais neurológicos.

    Entre as manifestações possíveis estão:

    • Perda progressiva da memória;
    • Confusão mental;
    • Mudanças de comportamento ou personalidade;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Perda de equilíbrio e coordenação;
    • Alterações visuais;
    • Rigidez muscular;
    • Movimentos involuntários rápidos, conhecidos como mioclonias;
    • Dificuldade para falar;
    • Comprometimento progressivo da capacidade de realizar atividades cotidianas.

    Nos estágios avançados, o comprometimento neurológico pode se tornar muito intenso. Algumas pessoas evoluem para um estado chamado mutismo acinético, no qual perdem a capacidade de falar e realizar movimentos voluntários, apesar de poderem permanecer aparentemente despertos.

    Uma das características mais marcantes da doença é justamente a rapidez dessa evolução.

    Os primeiros sintomas sempre são problemas de memória?

    Não. Embora o declínio cognitivo seja uma característica importante da doença de Creutzfeldt-Jakob, os primeiros sintomas podem ser bastante variados.

    Algumas pessoas inicialmente apresentam alterações de equilíbrio ou coordenação. Outras podem desenvolver mudanças comportamentais, alterações do sono, tontura, problemas visuais ou dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples.

    Isso pode tornar o diagnóstico particularmente difícil no começo.

    Além disso, diversas doenças neurológicas e psiquiátricas são muito mais frequentes e podem provocar manifestações semelhantes. Por esse motivo, os sintomas iniciais isoladamente não permitem diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob.

    A velocidade com que novas alterações aparecem e se acumulam costuma fornecer uma pista importante para a investigação.

    Existem diferentes tipos de doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Sim. E essa diferenciação é fundamental para entender a doença. A doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser dividida principalmente em formas esporádica, genética e adquirida. Entre as formas adquiridas estão a doença de Creutzfeldt-Jakob iatrogênica e a variante da doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica

    É, de longe, a forma mais frequente. Aproximadamente 85% a 90% dos casos surgem de maneira esporádica, ou seja, sem uma mutação hereditária conhecida e sem exposição identificável a um príon externo.

    Nesses pacientes, acredita-se que uma proteína priônica normal adquira espontaneamente uma conformação anormal, iniciando o processo da doença.

    Por que isso acontece em uma determinada pessoa ainda não é completamente compreendido.

    Doença de Creutzfeldt-Jakob genética

    Uma parcela menor dos casos está relacionada a alterações no gene PRNP, responsável pela produção da proteína priônica. Nessas situações, a alteração genética aumenta a predisposição para que a proteína adquira uma conformação anormal.

    A existência de uma forma genética não significa que toda pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob tenha familiares com a doença. A forma esporádica continua sendo, com ampla diferença, a mais comum.

    Quando existe suspeita de uma doença priônica hereditária, aconselhamento genético e testes específicos podem fazer parte da investigação.

    Doença de Creutzfeldt-Jakob iatrogênica

    “Iatrogênica” significa que a transmissão ocorreu como consequência de uma intervenção médica.

    Historicamente, casos extremamente raros foram relacionados a determinados enxertos de dura-máter provenientes de cadáveres, transplantes de córnea, instrumentos neurocirúrgicos contaminados e hormônio do crescimento produzido a partir de hipófises humanas de cadáveres.

    Muitas dessas práticas foram abandonadas há décadas e protocolos modernos de segurança reduziram drasticamente esse risco.

    A possibilidade continua sendo relevante para a vigilância em saúde justamente porque os príons podem permanecer resistentes a métodos convencionais de esterilização.

    E a doença da “vaca louca”? É a mesma coisa?

    Não exatamente. Essa é provavelmente uma das maiores confusões envolvendo a doença de Creutzfeldt-Jakob.

    A chamada doença da vaca louca é a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), uma doença priônica que acomete bovinos.

    Durante a epidemia de BSE ocorrida principalmente no Reino Unido nas décadas de 1980 e 1990, descobriu-se que pessoas expostas a produtos bovinos contaminados poderiam desenvolver uma doença priônica denominada variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (vDCJ).

    A variante, portanto, é diferente da forma esporádica clássica. Ela surgiu em pessoas geralmente mais jovens e apresenta características clínicas e neuropatológicas próprias.

    A Organização Mundial da Saúde considera o consumo de produtos contendo tecidos bovinos de risco contaminados pelo agente da BSE a principal via associada à variante da doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Isso não significa que comer carne bovina normalmente provoque doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Os sistemas modernos de vigilância sanitária, controle da alimentação dos animais e retirada de tecidos considerados de risco da cadeia alimentar foram desenvolvidos justamente para reduzir essa possibilidade.

    E, sobretudo, é importante reforçar: a imensa maioria dos casos de doença de Creutzfeldt-Jakob não tem relação com carne bovina ou com a doença da vaca louca.

    A doença de Creutzfeldt-Jakob passa de uma pessoa para outra?

    Nas situações cotidianas, não. A doença de Creutzfeldt-Jakob não é transmitida por abraço, beijo, tosse, espirro, compartilhamento de objetos, convivência familiar ou cuidado rotineiro de uma pessoa doente.

    Também não existe evidência de transmissão da forma esporádica por contato social comum.

    Os raríssimos casos adquiridos descritos ao longo da história envolveram exposição direta a determinados tecidos humanos contaminados ou procedimentos médicos muito específicos.

    Por isso, familiares e cuidadores não precisam se isolar da pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob.

    A preocupação com transmissão é principalmente uma questão de biossegurança em situações médicas específicas, particularmente quando determinados tecidos do sistema nervoso estão envolvidos.

    A doença é comum?

    Não. A doença de Creutzfeldt-Jakob é considerada extremamente rara. A incidência da forma esporádica fica aproximadamente na ordem de um caso por milhão de pessoas por ano, embora os números variem ligeiramente entre sistemas de vigilância e populações.

    Ela ocorre principalmente em adultos mais velhos, com pico de incidência nas décadas mais avançadas da vida.

    A variante associada à BSE é ainda mais rara e apresenta epidemiologia diferente.

    Portanto, apesar de a doença de Creutzfeldt-Jakob ser uma doença grave e chamar bastante atenção devido à sua evolução rápida, ela representa uma causa muito incomum de sintomas como esquecimento, desequilíbrio ou alterações de comportamento.

    Na enorme maioria das pessoas que apresentam esses sintomas, a explicação será outra, e muitas das possíveis causas têm tratamento.

    Como é feito o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser desafiador, especialmente nas fases iniciais.

    Isso acontece porque os primeiros sintomas podem se parecer com os de diversas outras doenças neurológicas. Alterações de memória, comportamento, equilíbrio e coordenação, por exemplo, não são exclusivas das doenças priônicas.

    Por isso, diante de uma suspeita de demência rapidamente progressiva, uma das prioridades é investigar outras condições que podem provocar sintomas semelhantes, principalmente aquelas que possuem tratamento.

    A avaliação pode envolver exames de sangue, ressonância magnética do cérebro, eletroencefalograma (EEG), punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano e testes específicos para doenças priônicas.

    O diagnóstico, portanto, não costuma depender de um único exame. Os médicos analisam o conjunto formado pela história clínica, velocidade de progressão dos sintomas, exame neurológico e resultados dos testes complementares.

    É preciso fazer uma biópsia do cérebro para diagnosticar?

    Na maioria das pessoas com suspeita de doença de Creutzfeldt-Jakob, não é necessário realizar uma biópsia cerebral apenas para estabelecer o diagnóstico clínico.

    A evolução das técnicas de ressonância e, principalmente, o desenvolvimento do RT-QuIC permitiram aumentar consideravelmente a precisão diagnóstica em vida sem recorrer a um procedimento invasivo no cérebro.

    A análise neuropatológica do tecido cerebral continua sendo a referência para a confirmação definitiva da doença, podendo ser realizada em circunstâncias específicas ou após a morte, por meio de autópsia.

    A decisão depende do contexto clínico e deve ser discutida por equipes especializadas.

    Por que é tão importante descartar outras doenças?

    Porque algumas condições que provocam demência rapidamente progressiva são tratáveis.

    Uma pessoa que apresenta deterioração cognitiva ao longo de semanas ou meses pode ter, além de uma doença priônica, condições como encefalites autoimunes ou infecciosas, distúrbios metabólicos, intoxicações, deficiências nutricionais e algumas doenças neoplásicas.

    Algumas delas podem melhorar significativamente quando identificadas e tratadas rapidamente.

    Por isso, mesmo quando a apresentação parece compatível com doença de Creutzfeldt-Jakob, a investigação não deve simplesmente parar nessa hipótese.

    O objetivo dos médicos é tanto procurar evidências de uma doença priônica quanto excluir diagnósticos alternativos potencialmente reversíveis.

    Existe tratamento para a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a progressão da doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Também não existe medicamento aprovado capaz de eliminar os príons do cérebro ou impedir definitivamente que continuem induzindo outras proteínas a adquirir uma conformação anormal.

    Por isso, o tratamento é essencialmente de suporte e tem como objetivo proporcionar conforto e qualidade de vida ao paciente.

    Dependendo dos sintomas, podem ser utilizados medicamentos para controlar:

    • Dor;
    • Ansiedade e agitação;
    • Movimentos involuntários;
    • Rigidez;
    • Alterações do sono;
    • Outros sintomas que causem desconforto.

    À medida que a doença progride, podem surgir dificuldades para caminhar, falar, engolir e realizar atividades básicas.

    Nesse momento, cuidados de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte nutricional e cuidados paliativos podem assumir um papel cada vez mais importante.

    O acompanhamento da família também é fundamental, já que a velocidade de progressão da doença costuma tornar todo o processo particularmente difícil.

    Por que a doença de Creutzfeldt-Jakob progride tão rapidamente?

    Essa é uma das características que mais diferenciam a doença de Creutzfeldt-Jakob de outras doenças neurodegenerativas.

    Uma vez iniciado o processo de conversão das proteínas priônicas, as proteínas anormais favorecem a alteração de outras proteínas, permitindo que o processo se amplifique progressivamente.

    Ao mesmo tempo, acontece uma perda neuronal intensa em diferentes áreas do cérebro. Como resultado, funções cognitivas e neurológicas podem deteriorar-se em um intervalo relativamente curto.

    Enquanto doenças como Alzheimer e Parkinson geralmente evoluem durante muitos anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica costuma apresentar uma progressão muito mais rápida.

    Existem, porém, diferenças entre pacientes e entre os diversos subtipos de doenças priônicas.

    Qual é o prognóstico da doença?

    Infelizmente, a doença de Creutzfeldt-Jakob é fatal. Na forma esporádica, a evolução costuma acontecer ao longo de meses, embora a duração varie de pessoa para pessoa e alguns pacientes apresentem evolução mais prolongada.

    Com o avanço da doença, a pessoa perde progressivamente sua autonomia. Dificuldades para caminhar e falar tornam-se mais intensas, a capacidade cognitiva se deteriora e podem aparecer problemas para engolir.

    Nos estágios avançados, muitos pacientes permanecem acamados e completamente dependentes de cuidados. Complicações relacionadas à imobilidade e à dificuldade de deglutição, como infecções respiratórias por aspiração, podem ocorrer durante a evolução.

    Essa rapidez torna particularmente importante que familiares e equipe médica conversem precocemente sobre objetivos de cuidado, conforto e preferências do paciente sempre que isso for possível.

    É possível prevenir a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Para a forma esporádica, que corresponde à grande maioria dos casos, não existe atualmente uma estratégia conhecida de prevenção.

    Isso acontece justamente porque a doença surge espontaneamente, sem um comportamento ou exposição identificável que possa ser evitado.

    Não há evidências de que alimentação, exercício físico, suplementos ou qualquer outro hábito de vida consiga impedir especificamente o aparecimento da doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica.

    Já as formas adquiridas são outra história. Protocolos de segurança desenvolvidos nas últimas décadas reduziram o risco de transmissão por procedimentos médicos. Serviços de saúde também seguem medidas especiais para manipulação e descontaminação de instrumentos potencialmente expostos a tecidos de maior infectividade.

    Uma pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob precisa ficar isolada?

    Não. A convivência cotidiana com uma pessoa que tem doença de Creutzfeldt-Jakob não representa a forma de transmissão observada nas doenças priônicas humanas.

    Abraçar, tocar, conversar, compartilhar o mesmo ambiente ou prestar cuidados cotidianos não transmite a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica. Portanto, não existe motivo para afastar familiares ou restringir o contato afetivo com o paciente.

    As precauções especiais dizem respeito principalmente a situações médicas envolvendo determinados tecidos com potencial de infectividade, especialmente tecidos do sistema nervoso, e são responsabilidade dos serviços de saúde.

    Essa diferenciação é importante para evitar estigma e medo desnecessários em torno de uma doença que já é emocionalmente difícil para pacientes e familiares.

    Quando uma demência rapidamente progressiva deve ser investigada?

    Esquecimentos ocasionais são extremamente comuns e, isoladamente, não devem levar alguém a suspeitar de doença de Creutzfeldt-Jakob.

    O que chama atenção na doença de Creutzfeldt-Jakob é a progressão rápida e contínua de múltiplas alterações neurológicas.

    Uma avaliação médica torna-se particularmente importante quando uma pessoa apresenta, ao longo de semanas ou poucos meses, piora evidente da memória ou do raciocínio acompanhada de alterações como dificuldade para caminhar, perda de coordenação, movimentos involuntários, problemas visuais, mudanças marcantes de comportamento ou perda rápida de autonomia.

    Mesmo nessas circunstâncias, a doença de Creutzfeldt-Jakob continua sendo apenas uma entre várias possibilidades.

    Como existem causas tratáveis de deterioração neurológica rápida, procurar avaliação médica precocemente é fundamental.

    Leia também: Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental

    Perguntas frequentes sobre a doença de Creutzfeldt-Jakob

    1. A doença de Creutzfeldt-Jakob é contagiosa?

    Não da maneira como entendemos normalmente uma doença contagiosa. A doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica não é transmitida por contato cotidiano, tosse, espirro, abraço ou convivência com o paciente. Casos adquiridos ocorreram em circunstâncias médicas muito específicas.

    2. A doença de Creutzfeldt-Jakob é a mesma coisa que doença da vaca louca?

    Não. A doença da vaca louca é a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), que afeta bovinos. A exposição ao agente da BSE foi relacionada à variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, que é diferente da forma esporádica clássica e extremamente rara.

    3. A doença pode ser hereditária?

    Algumas doenças priônicas estão associadas a variantes patogênicas no gene PRNP e podem ocorrer em famílias. Entretanto, a grande maioria dos casos de doença de Creutzfeldt-Jakob é esporádica e não decorre de uma mutação hereditária conhecida.

    4. A doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser confundida com Alzheimer?

    Nas fases iniciais, algumas manifestações cognitivas podem levantar diferentes hipóteses diagnósticas. Entretanto, a doença de Creutzfeldt-Jakob geralmente progride muito mais rapidamente. Enquanto o Alzheimer costuma evoluir ao longo de anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar deterioração neurológica importante em meses.

    5. Existe exame de sangue para diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    A investigação atualmente depende principalmente da avaliação clínica, ressonância magnética e análise de biomarcadores, especialmente no líquido cefalorraquidiano. Exames de sangue também podem ser solicitados para procurar outras causas dos sintomas, mas não existe um exame sanguíneo de rotina que, sozinho, confirme a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica.

    6. Existe cura para a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Atualmente, não. O tratamento busca controlar sintomas, proporcionar conforto e oferecer suporte ao paciente e à família.

    7. É possível pegar doença de Creutzfeldt-Jakob convivendo com uma pessoa doente?

    Não há evidência de transmissão da doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica por contato social cotidiano. Familiares podem abraçar, tocar e conviver normalmente com a pessoa.

    8. Todo caso de demência que evolui rapidamente pode ser doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Não. Existem diversas causas de demência rapidamente progressiva, inclusive doenças autoimunes, infecciosas, metabólicas e tóxicas. Algumas são tratáveis, razão pela qual uma investigação médica abrangente é tão importante.

    Confira: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

  • Café preto em jejum faz mal? Descubra o que acontece com o seu estômago logo cedo

    Café preto em jejum faz mal? Descubra o que acontece com o seu estômago logo cedo

    No Brasil, há quem não consiga começar o dia sem um cafezinho, seja para despertar, ter mais disposição ou simplesmente por já fazer parte da rotina. O café ajuda a aumentar o estado de alerta e pode dar aquela sensação de energia necessária para enfrentar o trânsito e começar o dia de trabalho.

    Mas, para algumas pessoas, tomar café de estômago vazio pode aumentar o desconforto digestivo, principalmente quando o hábito vem acompanhado de uma rotina estressante. A bebida pode estimular a produção de ácido no estômago e favorecer sintomas como queimação, azia, enjoo e refluxo. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que o café em jejum faz mal para o estômago?

    O café possui diferentes compostos que podem interferir no funcionamento do sistema digestivo, inclusive a cafeína. A bebida pode estimular a produção de ácido gástrico, que participa da digestão dos alimentos.

    Quando você toma café em jejum, não há alimentos no estômago naquele momento. Em algumas pessoas, principalmente nas mais sensíveis, o aumento da acidez pode provocar desconfortos como queimação, dor na parte superior da barriga, azia e enjoo.

    O café também pode favorecer os sintomas de refluxo em algumas pessoas, porque a bebida pode interferir no funcionamento do esfíncter esofágico inferior, uma espécie de válvula localizada entre o esôfago e o estômago.

    Quando o mecanismo não funciona adequadamente, o conteúdo ácido do estômago consegue voltar para o esôfago, provocando azia e sensação de queimação.

    Vale destacar que a resposta pode variar de pessoa para pessoa: enquanto algumas conseguem tomar café em jejum sem sentir nada, outras apresentam desconforto mesmo após pequenas quantidades.

    O papel do estresse matinal e da rotina de trabalho

    O estresse também pode interferir no funcionamento do sistema digestivo, pois ativa uma série de respostas no organismo que envolvem o sistema nervoso e a liberação de hormônios.

    O corpo entra em estado de alerta e passa a priorizar funções importantes para aquele momento, como a atenção e a capacidade de reagir rapidamente, enquanto a digestão pode ficar mais lenta ou desregulada.

    Além disso, os níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estado de alerta, aumentam naturalmente pela manhã. Quando você já acorda preocupada ou ansiosa, o estresse pode contribuir para alterações no funcionamento do sistema digestivo e aumentar a percepção de sintomas como dor, queimação e desconforto abdominal.

    Sintomas que indicam que o café já está prejudicando seu estômago

    Algumas pessoas apresentam sintomas mais leves depois de tomar café, principalmente em jejum, como:

    • Dor ou sensação de queimação: desconforto na parte superior da barriga, região popularmente conhecida como “boca do estômago”;
    • Azia e gosto ácido na boca: sensação de ardor que pode subir do estômago em direção ao peito e à garganta;
    • Náusea ou enjoo: sensação de estômago embrulhado depois de tomar café;
    • Estufamento: sensação de barriga cheia, acompanhada ou não de gases e arrotos;
    • Vontade de evacuar: o café pode estimular os movimentos do intestino e fazer algumas pessoas sentirem necessidade de ir ao banheiro pouco tempo depois.

    Se os sintomas aparecem com frequência ou pioram após o consumo da bebida, vale observar a quantidade de café ingerida e o momento em que ele é consumido.

    Como tomar café da manhã sem prejudicar a saúde?

    Você não precisa parar de beber o café se a bebida não está causando problemas. Para quem percebe desconfortos, algumas mudanças simples na rotina podem ajudar.

    O que comer antes do café?

    Se tomar café em jejum provoca sintomas, uma opção é fazer uma pequena refeição antes ou consumir a bebida junto com o café da manhã. Veja algumas dicas:

    • Carboidratos e fibras: pão integral, aveia e outros cereais podem fazer parte da primeira refeição do dia;
    • Proteínas: ovos, iogurte e queijos podem ajudar a compor um café da manhã mais completo;
    • Frutas: banana, mamão, maçã e outras frutas podem ser consumidas antes ou junto com o café, de acordo com a tolerância de cada pessoa.

    Se o café em jejum não provoca nenhum sintoma, o hábito não necessariamente representa um problema e você não precisa deixar de consumir a bebida em jejum.

    O que fazer se o café provoca desconforto?

    Quem percebe que o café piora a azia, a queimação ou outros sintomas pode testar algumas mudanças:

    • Reduzir a quantidade: diminuir o número de xícaras ou preparar um café menos concentrado pode ajudar;
    • Evitar tomar em jejum: consumir a bebida junto com uma refeição pode ser melhor tolerado por algumas pessoas;
    • Experimentar o café descafeinado: a redução da cafeína pode ajudar quem apresenta sensibilidade à substância;
    • Observar outros gatilhos: álcool, cigarro, alimentos muito gordurosos, refeições grandes e alguns medicamentos também podem piorar os sintomas digestivos;
    • Beber água ao longo do dia: manter uma boa hidratação é importante para o funcionamento geral do organismo.

    Também vale lembrar que adicionar leite não torna o café automaticamente seguro para quem apresenta gastrite ou refluxo. A tolerância depende de cada pessoa e, em alguns casos, determinados tipos de leite também podem causar desconforto.

    Se a dor no estômago, a queimação, a azia ou o enjoo aparecem com frequência, é importante procurar um gastroenterologista ou clínico geral. O médico poderá investigar outras possíveis causas, como refluxo gastroesofágico, gastrite, úlcera ou infecção por H. pylori, e indicar o tratamento adequado.

    Veja também: Dor de estômago ou dor de barriga por estresse: por que acontece?

    Perguntas frequentes

    1. Quem já tem gastrite precisa parar de tomar café para sempre?

    Nem sempre. Na fase aguda (de dor forte), o ideal é cortar. Na fase de controle, muitas pessoas conseguem consumir pequenas quantidades após uma refeição balanceada.

    2. Café descafeinado também faz mal para o estômago em jejum?

    Sim. Embora a cafeína seja um grande estimulante ácido, o café contém outros compostos e ácidos naturais que continuam irritando a mucosa gástrica se ingeridos em jejum.

    3. Por que sinto vontade urgente de ir ao banheiro logo após o café matinal?

    A cafeína estimula as contrações dos músculos do cólon (movimentos peristálticos). Em jejum, o efeito é ainda mais rápido e intenso.

    4. Qual o limite máximo de café por dia?

    Para a maioria dos adultos saudáveis, o limite seguro é de até 400 mg de cafeína por dia, o que equivale a cerca de 4 xícaras de café coado (240 ml cada) ou 5 xícaras de expresso.

    5. O tipo de torra do café influencia na dor de estômago?

    Sim. Cafés de torra muito escura contêm mais compostos resultantes da carbonização que podem irritar a mucosa, enquanto os de torra média tendem a ser mais equilibrados.

    6. Tomar remédio para gastrite (como omeprazol) permite beber café em jejum?

    Não é recomendado. O remédio reduz a acidez gástrica, mas a cafeína continua estimulando a mucosa e relaxando o esfíncter do esôfago, mantendo a agressão ao estômago.

    7. Quanto tempo o estômago leva para se recuperar das agressões do café em jejum?

    Ao adotar hábitos saudáveis (comer antes do café e reduzir a acidez), a mucosa gástrica costuma apresentar melhora nos sintomas de irritação em poucas semanas.

    Confira: Gastrite nervosa: o que é, sintomas e como aliviar

  • Holter 24h: como o exame ajuda a flagrar arritmias ocultas 

    Holter 24h: como o exame ajuda a flagrar arritmias ocultas 

    O coração nem sempre mostra seus segredos durante os minutos de uma consulta médica ou em um eletrocardiograma comum. Algumas alterações, como arritmias e pausas nos batimentos, acontecem de forma intermitente e podem não aparecer no exame convencional.

    Nesses casos, o Holter 24h é indicado. Esse exame registra continuamente a atividade elétrica do coração ao longo de um dia inteiro e é considerado uma ferramenta essencial para avaliar palpitações, arritmias e outras alterações que surgem em momentos específicos da rotina.

    O que é o Holter 24h?

    O Holter 24h é um exame que monitora de forma contínua a atividade elétrica cardíaca por 24 horas ou mais (há versões de até 48h ou 72h). Ele funciona como um eletrocardiograma portátil, permitindo observar como o coração se comporta durante as atividades diárias e também durante o sono.

    Como o exame é feito?

    • A pessoa vai até o consultório ou laboratório para instalar o aparelho;
    • Pequenos eletrodos são fixados no peito e conectados a um gravador portátil preso à cintura, ombro ou peito;
    • O equipamento registra todos os batimentos cardíacos por 24 horas;
    • O paciente deve manter um diário com atividades, horários de alimentação e sintomas;
    • Após 24 horas, o aparelho é retirado para análise dos registros.

    Leia mais: Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    Para que serve o Holter 24h?

    O exame pode ser solicitado para:

    • Investigar arritmias cardíacas;
    • Avaliar sintomas como palpitação, tontura, desmaios e sensação de coração acelerado;
    • Monitorar se medicamentos para controlar os batimentos estão funcionando;
    • Observar o funcionamento de dispositivos como marcapassos;
    • Detectar alterações que não aparecem em exames de curta duração, como o eletrocardiograma.

    Veja mais: Saiba quando os batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca

    Quem deve fazer o Holter 24h?

    O cardiologista pode recomendar o exame para pessoas com:

    • Palpitações frequentes;
    • Desmaios sem causa aparente;
    • Tonturas ou sensação de fraqueza;
    • Histórico de arritmias ou doenças cardíacas;
    • Acompanhamento após cirurgias cardíacas ou implante de marcapasso.

    Perguntas frequentes sobre Holter 24h

    1. O Holter 24h dói?

    Não. O exame é indolor e não invasivo.

    2. Posso tomar banho durante o exame?

    Não. O aparelho não pode ser molhado. O banho deve ser feito apenas após a retirada do equipamento.

    3. O Holter atrapalha o sono?

    Os aparelhos atuais são pequenos, então raramente atrapalham o sono.

    4. Crianças podem usar o Holter 24h?

    Sim. O exame é seguro em qualquer idade, desde que indicado pelo médico.

    5. O resultado sai na hora?

    Não. Os registros precisam ser analisados pelo cardiologista, que emite o laudo posteriormente.

    6. O Holter substitui o eletrocardiograma comum?

    Não. O exame é complementar: o ECG mostra um retrato do momento, enquanto o Holter acompanha o coração por um período mais longo.

    7. É possível usar o Holter por mais de 24 horas?

    Sim. Existem versões de 48h ou 72h, de acordo com a necessidade e indicação médica.

    Confira: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

  • Apoio para os pés no trabalho: bobagem ergonômica ou necessidade da sua circulação?

    Apoio para os pés no trabalho: bobagem ergonômica ou necessidade da sua circulação?

    Quem passa boa parte do dia trabalhando sentado, seja em casa ou no escritório, provavelmente já viu aquele apoio para os pés embaixo da mesa e pensou: será que isso realmente serve para alguma coisa? Apesar de parecer apenas mais um acessório ergonômico, ele pode ajudar a deixar a postura mais confortável e evitar que os pés fiquem sem apoio durante horas.

    Para a circulação, porém, existe um detalhe importante: as pernas precisam se movimentar. A musculatura da panturrilha ajuda a empurrar o sangue de volta para o coração e, quando passamos muito tempo sentados e quase sem nos mexer, o retorno venoso pode ficar mais lento.

    Mas será que usar um apoio para os pés realmente ajuda a circulação ou o benefício é apenas para a postura? Vamos entender mais, a seguir.

    Para que serve o apoio para os pés?

    O apoio para os pés é um acessório usado para deixar os pés bem apoiados enquanto a pessoa está sentada, principalmente quando eles não conseguem encostar completamente no chão. Ele ajuda a manter uma postura mais confortável, evitando que as pernas fiquem penduradas e diminuindo a pressão na parte de trás das coxas.

    Quando os pés ficam pendurados, a pessoa pode acabar escorregando na cadeira, inclinando o corpo para a frente ou adotando outras posições desconfortáveis para conseguir se apoiar. Com o suporte, fica mais fácil distribuir o peso do corpo e permanecer sentado de maneira confortável.

    Afinal, o apoio para os pés é frescura ou realmente funciona?

    O apoio para os pés realmente pode ajudar, principalmente para quem não consegue manter os dois pés totalmente apoiados no chão depois de ajustar a cadeira na altura correta da mesa.

    Quando os pés ficam pendurados, a borda da cadeira pode aumentar a pressão na parte de trás das coxas, causando desconforto e dificultando a circulação das pernas. Além disso, sem um ponto firme de apoio, a pessoa tende a procurar outras posições para ficar confortável, o que pode favorecer uma postura inadequada ao longo do dia.

    O acessório também permite movimentar os pés e os tornozelos com mais facilidade, o que ajuda a ativar os músculos das pernas e favorece a circulação, principalmente para quem trabalha várias horas sentado.

    Principais benefícios para o retorno venoso e para o corpo

    O apoio para os pés pode trazer diferentes benefícios para quem fica sentado durante boa parte do dia, principalmente quando a cadeira é alta e os pés não alcançam completamente o chão, como:

    • Melhora o apoio das pernas: evita que os pés fiquem pendurados e diminui a pressão na parte de trás das coxas;
    • Ajuda na circulação: uma posição mais confortável das pernas, associada aos movimentos dos pés e tornozelos, favorece o retorno do sangue;
    • Diminui o desconforto nas pernas: pode ajudar a reduzir a sensação de peso e cansaço causada por permanecer muito tempo na mesma posição;
    • Melhora a postura: com os pés bem apoiados, fica mais fácil manter o quadril e as costas em uma posição confortável;
    • Pode diminuir o desconforto na lombar: o apoio adequado dos pés ajuda a evitar que a pessoa escorregue ou fique torta na cadeira.

    Quem precisa usar o apoio para os pés?

    O apoio não é obrigatório para todo mundo. Se você consegue manter os pés totalmente apoiados no chão enquanto a cadeira está ajustada corretamente para a mesa, provavelmente não precisa do acessório.

    Ele pode ser especialmente útil para:

    • Pessoas mais baixas: principalmente quando os pés ficam pendurados depois que a cadeira é ajustada na altura da mesa;
    • Quem trabalha várias horas sentado: o suporte pode deixar a posição mais confortável ao longo do expediente;
    • Quem sente desconforto nas pernas: principalmente quando ficar sentado por muito tempo provoca sensação de peso ou incômodo;
    • Quem sente desconforto na lombar: manter os pés apoiados pode ajudar a melhorar a posição do corpo na cadeira.

    Como escolher e ajustar o apoio para os pés?

    Primeiro de tudo, o apoio para os pés precisa ter uma altura confortável e permitir que os dois pés fiquem completamente apoiados. O ideal é escolher um modelo com altura e inclinação ajustáveis, que possa ser adaptado à altura da pessoa e da cadeira, além de uma superfície antiderrapante para evitar que os pés escorreguem.

    A plataforma também deve ter espaço suficiente para acomodar os dois pés confortavelmente. Na hora de ajustar, os joelhos devem ficar aproximadamente na altura do quadril, sem que a borda da cadeira pressione a parte de trás das coxas.

    O mais importante é encontrar uma posição confortável, sem precisar esticar, encolher ou manter as pernas em uma posição forçada.

    Outros hábitos que ajudam a circulação das pernas

    Para melhorar a circulação nas pernas, é importante adotar medidas como:

    1. Faça pequenas pausas

    Levante da cadeira algumas vezes ao longo do expediente e caminhe um pouco pelo ambiente, mesmo que seja apenas por alguns minutos. As pequenas pausas ajudam a movimentar as pernas, ativar os músculos e evitar o desconforto causado por ficar sentado durante várias horas seguidas.

    2. Movimente os tornozelos

    Mesmo enquanto estiver sentado, procure movimentar os pés e os tornozelos ao longo do dia. Você pode levantar e abaixar as pontas dos pés ou fazer pequenos movimentos circulares, ajudando a ativar os músculos da panturrilha e favorecer a circulação das pernas.

    3. Evite ficar muito tempo na mesma posição

    Mesmo com uma cadeira confortável e um apoio para os pés adequado, permanecer várias horas na mesma posição pode causar dores e desconforto. Tente alternar a postura durante o expediente e aproveite pequenas pausas para levantar, caminhar ou alongar o corpo.

    4. Beba água regularmente

    Durante a correria do trabalho, é fácil esquecer de beber água, principalmente quando você permanece várias horas sentado. Deixar uma garrafa por perto pode ajudar a manter uma boa hidratação ao longo do dia e criar pequenos momentos para fazer uma pausa na rotina.

    5. Evite cruzar as pernas por muito tempo

    Cruzar as pernas por alguns minutos não costuma ser um problema, mas permanecer muito tempo na mesma posição pode aumentar o desconforto e a pressão em algumas regiões. O ideal é mudar a posição das pernas regularmente e manter os dois pés apoiados sempre que possível.

    Quando ir ao médico?

    O desconforto nas pernas depois de ficar muito tempo sentado costuma melhorar ao levantar, caminhar e mudar de posição. Mas se você apresentar os seguintes sinais, é importante procurar um médico:

    • Inchaço frequente nas pernas ou nos tornozelos;
    • Dor nas pernas que persiste mesmo após levantar e caminhar;
    • Varizes acompanhadas de dor, inchaço ou sensação de peso;
    • Formigamento ou dormência frequente nas pernas e nos pés;
    • Mudanças na cor ou na temperatura da pele;
    • Inchaço repentino em apenas uma perna, principalmente acompanhado de dor, vermelhidão ou calor.

    O inchaço repentino em uma única perna, principalmente quando aparece com dor, vermelhidão ou calor, precisa de avaliação médica rápida, pois pode ser sinal de um problema mais sério na circulação, como a trombose venosa profunda.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

    Perguntas frequentes

    1. Qual a altura ideal para o apoio dos pés?

    A altura ideal é aquela que permite que seus pés fiquem apoiados enquanto seus joelhos formam um ângulo de aproximadamente 90° em relação ao quadril.

    2. Como saber se preciso de um apoio para os pés?

    Se ao sentar seus pés ficam flutuando, tocando apenas as pontas no chão, ou se você sente pernas pesadas, inchaço e dor lombar no fim do dia, você precisa do apoio.

    3. Quem é alto precisa de apoio para os pés?

    Depende. Se a mesa de trabalho for muito alta e exigir que a cadeira seja elevada a ponto de os pés do usuário alto perderem o contato total com o chão, o apoio será necessário.

    4. Posso usar o apoio para os pés descalço?

    Sim, desde que o material seja confortável, higienizável e antiderrapante para evitar movimentos bruscos ou torções acidentais.

    5. Grávidas podem usar o apoio para os pés?

    Sim, é altamente recomendado. O uso ajuda a combater o inchaço e a sensação de pernas pesadas, muito comuns durante a gestação devido às alterações circulatórias.

    6. Posso improvisar um apoio para os pés com caixas ou livros?

    Temporariamente sim, desde que o improviso seja firme e não escorregue. Porém, modelos ergonômicos próprios são preferíveis por permitirem ajuste fino de ângulo e altura.

    7. Quanto tempo por dia devo usar o apoio para os pés?

    Durante todo o tempo em que você estiver trabalhando ou estudando sentado. O objetivo é que ele seja a sua posição padrão de descanso para as pernas.

    Leia mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

  • 7 sintomas de toxoplasmose na gravidez (e exames necessários para o diagnóstico)

    7 sintomas de toxoplasmose na gravidez (e exames necessários para o diagnóstico)

    Causada pelo parasita Toxoplasma gondii, a toxoplasmose é uma infecção transmitida principalmente pelo consumo de carne crua ou malpassada contaminada, pela ingestão de água ou alimentos contaminados e pelo contato com solo ou fezes de gatos que contenham o parasita.

    Na maioria das pessoas saudáveis, a toxoplasmose não causa sintomas ou provoca sinais leves, mas é uma condição que precisa de atenção durante a gravidez. Se a mulher for infectada pela primeira vez durante a gestação, o parasita pode atravessar a placenta e chegar ao bebê, causando problemas como alterações nos olhos e no cérebro.

    Para te ajudar, listamos a seguir alguns dos sinais que podem aparecer durante a infecção e quais exames são necessários para o diagnóstico.

    Quais os principais sintomas de toxoplasmose na gravidez?

    Na maioria dos casos, a toxoplasmose na gravidez não causa sintomas e pode passar completamente despercebida.

    Quando aparecem, os sinais costumam ser leves e podem lembrar bastante uma gripe ou outra infecção comum, o que nem sempre facilita perceber que o problema está relacionado ao Toxoplasma gondii.

    1. Ínguas no pescoço

    O aparecimento de ínguas, também chamadas de linfonodos aumentados, é um dos sinais mais característicos da toxoplasmose sintomática. Elas costumam surgir principalmente no pescoço, mas também podem aparecer em outras regiões do corpo, e acontecem como uma resposta do sistema imunológico ao parasita. Em alguns casos, os linfonodos podem permanecer aumentados por várias semanas.

    2. Febre

    A toxoplasmose também pode causar febre, acompanhada de cansaço, dores pelo corpo e mal-estar. Como os sintomas são muito parecidos com os de uma gripe ou virose, é comum que a pessoa não desconfie da toxoplasmose logo no começo.

    3. Dores musculares

    As dores musculares também podem aparecer e provocar aquela conhecida sensação de corpo dolorido, parecida com o que acontece durante uma gripe. O desconforto pode aparecer nas costas, nos braços, nas pernas e em outras regiões, normalmente acompanhado de cansaço e falta de disposição.

    4. Cansaço e fraqueza

    A pessoa pode sentir muito mais cansaço do que o normal, mesmo sem ter feito grandes esforços ou depois de descansar. A fraqueza e a falta de energia podem atrapalhar as atividades do dia a dia e continuar por algum tempo, mesmo depois que os outros sintomas começam a melhorar.

    5. Dor de cabeça

    A dor de cabeça também pode aparecer junto com a febre, o cansaço e o mal-estar. Em pessoas saudáveis, ela frequentemente é leve ou moderada e pode continuar enquanto o organismo está combatendo a infecção.

    6. Mal-estar geral

    Também é comum sentir aquela indisposição geral, com falta de energia, redução do apetite e sensação de corpo pesado. Como todos os sintomas também aparecem em várias outras infecções, é fácil confundir a toxoplasmose com uma gripe ou uma virose.

    Riscos da toxoplasmose na gravidez

    Quando a mulher adquire a infecção durante a gestação, o parasita pode atravessar a placenta e infectar o bebê, causando a chamada toxoplasmose congênita.

    Os riscos para o bebê variam de acordo com o momento da gravidez em que a infecção acontece. De forma geral, a chance de transmissão aumenta conforme a gestação avança, enquanto as infecções adquiridas mais cedo podem estar relacionadas a consequências mais graves para o feto.

    A toxoplasmose congênita pode provocar alterações nos olhos, no cérebro e em outros órgãos. Além disso, alguns bebês podem nascer sem sintomas aparentes e apresentar problemas posteriormente, principalmente alterações oculares.

    Como a doença é normalmente silenciosa na gestante, o diagnóstico depende fundamentalmente dos exames de sangue do pré-natal (sorologias para IgG e IgM).

    Como é feito o diagnóstico de toxoplasmose na gravidez?

    O diagnóstico da toxoplasmose na gravidez é feito principalmente por meio de exames de sangue, geralmente solicitados durante o pré-natal. Os testes procuram os anticorpos IgG e IgM, produzidos pelo organismo após o contato com o parasita Toxoplasma gondii.

    Quando existe dúvida sobre o momento da infecção, o médico também pode solicitar o teste de avidez do IgG, que ajuda a entender se o contato com o parasita aconteceu recentemente ou há mais tempo.

    Se houver a confirmação ou uma forte suspeita de que a infecção aconteceu durante a gravidez, também podem ser indicados exames para investigar se o bebê foi infectado, além de ultrassonografias para acompanhar o desenvolvimento fetal.

    A escolha dos exames depende da fase da gestação e dos resultados encontrados na avaliação da mãe.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Como se pega toxoplasmose?

    A contaminação ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados com o parasita (como carnes cruas ou malpassadas e vegetais mal lavados) ou pelo contato direto com fezes de gatos infectados.

    2. Gato passa toxoplasmose só pelo contato ou carinho?

    Não. O contato direto com o pelo, saliva ou carinho no gato não transmite a doença. A infecção só ocorre se houver ingestão acidental dos ovos do parasita presentes nas fezes do felino.

    3. Quanto tempo duram os sintomas?

    Em pessoas saudáveis, os sintomas costumam durar de 2 a 6 semanas e desaparecem espontaneamente sem deixar sequelas.

    4. Quem pega toxoplasmose uma vez pode pegar de novo?

    Não. Após o primeiro contato e a cura da infecção primária, o sistema imunológico produz anticorpos permanentes (IgG), garantindo imunidade para o resto da vida.

    5. Toxoplasmose tem cura?

    Sim, o sistema imunológico de pessoas saudáveis elimina a fase ativa da doença naturalmente. Quando há indicação médica, o tratamento com antibióticos e antiparasitários combate o microorganismo eficazmente.

    6. O que significa IgM positivo e IgG negativo no exame?

    Indica que você está com uma infecção aguda e recente por toxoplasmose. Se estiver grávida, é necessário procurar o obstetra imediatamente para iniciar o acompanhamento.

    7. O que significa IgM negativo e IgG positivo no exame?

    Significa que você teve toxoplasmose no passado e hoje está imune à doença. Não há risco de nova infecção ou transmissão para o bebê durante a gestação.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Dorme, mas não descansa? O café no fim da tarde pode ser o culpado

    Dorme, mas não descansa? O café no fim da tarde pode ser o culpado

    Muita gente conhece a cena: são cinco ou seis horas da tarde, o cansaço do trabalho começa a aparecer e a solução parece simples. Basta preparar mais uma xícara de café para ganhar energia e terminar o dia com mais disposição. O problema é que esse hábito, aparentemente inofensivo, pode cobrar um preço algumas horas depois.

    O curioso é que nem sempre esse preço é percebido. Há pessoas que tomam café no fim da tarde, deitam no horário habitual e dizem dormir como uma pedra. Ainda assim, podem acordar menos descansadas no dia seguinte.

    Isso acontece porque a cafeína não interfere apenas no momento de pegar no sono: ela também pode alterar a arquitetura do sono, o que reduz a profundidade do descanso e faz com que o cérebro passe menos tempo em algumas fases importantes para a recuperação física e mental.

    É justamente esse o paradoxo do café: a pessoa acredita que dormiu normalmente, mas a qualidade do sono pode ter sido comprometida.

    Como a cafeína mantém o cérebro desperto?

    A cafeína é um estimulante natural presente no café, mas também em chás, refrigerantes à base de cola, bebidas energéticas, chocolates e alguns medicamentos.

    O principal mecanismo de ação da cafeína é bloquear os receptores de adenosina, uma substância produzida naturalmente pelo organismo ao longo do dia. Quanto mais tempo permanecemos acordados, maior tende a ser o acúmulo de adenosina no cérebro. Esse processo faz parte da chamada pressão do sono, ou seja, da necessidade crescente de dormir.

    Quando a cafeína ocupa esses receptores, ela impede temporariamente que a adenosina exerça seu efeito. O cérebro interpreta que ainda não está tão cansado, aumentando o estado de alerta e reduzindo a sensação de sonolência.

    Esse efeito explica por que o café melhora temporariamente a atenção, o tempo de reação e a sensação de disposição. Porém, o mesmo mecanismo que ajuda durante o dia pode atrapalhar quando a hora de dormir se aproxima.

    A cafeína continua agindo muito tempo depois da última xícara

    Um dos maiores equívocos é imaginar que o efeito do café termina quando passa a sensação de energia.

    Na realidade, a cafeína permanece circulando no organismo por várias horas. Em adultos saudáveis, a meia-vida costuma variar entre três e sete horas, embora possa ser ainda maior em algumas situações, como durante a gravidez, em pessoas com determinadas características genéticas ou em indivíduos que metabolizam a substância mais lentamente.

    Isso significa que uma pessoa que toma uma dose de cafeína às 17 horas pode ainda ter uma quantidade relevante circulando no organismo na hora de dormir.

    É justamente por isso que especialistas em medicina do sono costumam recomendar cautela com bebidas cafeinadas durante o final da tarde e à noite, principalmente em pessoas que já apresentam dificuldade para dormir.

    O problema nem sempre é demorar para dormir

    Quando se fala em café e sono, muita gente pensa apenas na dificuldade para pegar no sono.

    Mas esse é apenas um dos possíveis efeitos. A cafeína pode provocar alterações como:

    • Aumento do tempo para adormecer;
    • Redução do tempo total de sono;
    • Maior número de despertares ao longo da noite;
    • Redução do sono profundo;
    • Menor eficiência do sono.

    Em outras palavras, a pessoa pode até conseguir dormir no horário habitual, mas acordar menos recuperada porque a estrutura do sono foi modificada.

    Por que algumas pessoas juram que o café não faz efeito nelas?

    Essa é uma das dúvidas mais frequentes. A resposta envolve uma combinação de fatores. Primeiro, existe uma grande variação genética na velocidade com que cada organismo metaboliza a cafeína. Algumas pessoas eliminam a substância rapidamente; outras levam muito mais tempo.

    Além disso, quem consome café diariamente pode desenvolver certa tolerância aos efeitos mais perceptíveis, como tremores e sensação intensa de alerta. Isso, porém, não significa necessariamente que a cafeína deixou de interferir no sono.

    Mesmo indivíduos habituados ao consumo podem apresentar alterações objetivas na qualidade do sono, ainda que não percebam isso conscientemente.

    Quanto café é considerado seguro?

    Para adultos saudáveis, uma ingestão de até 400 mg de cafeína por dia costuma ser considerada segura.

    Essa quantidade corresponde aproximadamente a quatro xícaras pequenas de café coado, embora o teor de cafeína varie bastante conforme o método de preparo, o tipo de grão e o tamanho da bebida.

    No entanto, segurança não significa ausência de impacto sobre o sono. Uma pessoa pode permanecer dentro desse limite diário e, ainda assim, consumir praticamente toda a cafeína no fim da tarde, aumentando a chance de prejudicar o descanso noturno.

    Existe um horário ideal para parar de tomar café?

    Não existe um horário universal que funcione para todas as pessoas. Como a meia-vida da cafeína é longa e varia entre indivíduos, muitos especialistas sugerem evitar bebidas cafeinadas nas seis a oito horas que antecedem o horário habitual de dormir, principalmente em pessoas com insônia ou sono leve.

    Isso não significa que todos precisem abandonar o café depois do almoço. Algumas pessoas toleram pequenas quantidades no meio da tarde sem qualquer repercussão perceptível.

    Por outro lado, quem sofre com dificuldade para dormir pode se beneficiar de um teste simples: reduzir ou suspender a cafeína durante o período da tarde por algumas semanas e observar se a qualidade do sono melhora.

    Café, chá, energético: todos entram nessa conta?

    Sim. Embora o café seja a principal fonte de cafeína para muitas pessoas, ele não é o único.

    Também podem contribuir para o consumo diário de cafeína:

    • Chá preto;
    • Chá verde;
    • Chá-mate;
    • Refrigerantes à base de cola;
    • Bebidas energéticas;
    • Chocolate;
    • Alguns suplementos esportivos;
    • Alguns medicamentos para dor ou resfriado.

    Por isso, às vezes a pessoa acredita que tomou apenas um cafezinho, mas, ao longo do dia, acabou acumulando cafeína proveniente de diferentes fontes.

    Vale a pena trocar pelo café descafeinado?

    Para quem aprecia o ritual de tomar café no fim da tarde, o café descafeinado pode ser uma alternativa interessante. Mesmo que ele não seja completamente isento de cafeína, a quantidade costuma ser muito menor do que a presente no café tradicional.

    Isso permite manter o sabor e o hábito social do café, reduzindo a chance de interferência no sono.

    O café precisa ser eliminado da rotina?

    De forma alguma. O café é uma das bebidas mais estudadas do mundo e, quando consumido com moderação, está associado a diversos benefícios para a saúde, incluindo menor risco de diabetes tipo 2, algumas doenças cardiovasculares e doenças neurodegenerativas em estudos populacionais.

    O problema não costuma ser o café em si, mas o contexto.

    Para muitas pessoas, basta ajustar o horário de consumo para aproveitar seus benefícios sem prejudicar o descanso noturno.

    Como saber se o café está atrapalhando seu sono?

    Alguns sinais podem indicar que a cafeína está interferindo na qualidade do descanso:

    • Demorar mais para adormecer;
    • Acordar várias vezes durante a noite;
    • Sentir que o sono ficou mais superficial;
    • Acordar cansado mesmo após muitas horas na cama;
    • Precisar de ainda mais café no dia seguinte para compensar o cansaço.

    Esse último ponto pode criar um círculo vicioso: a pessoa dorme pior por causa da cafeína, acorda cansada, consome mais cafeína durante o dia e volta a prejudicar o sono na noite seguinte.

    Veja também: Cafeína faz mal para o coração? Veja os efeitos (e quanto tomar)

    Perguntas frequentes sobre café e sono

    1. Tomar café às 17 horas sempre prejudica o sono?

    Não necessariamente. O efeito depende da quantidade ingerida, do horário de dormir e da sensibilidade individual.

    2. Posso dormir normalmente mesmo com cafeína no organismo?

    Sim. Algumas pessoas conseguem adormecer, mas ainda apresentam redução da qualidade do sono.

    3. Chá verde também pode atrapalhar o sono?

    Sim. Ele contém cafeína, embora em quantidade menor do que o café.

    4. Café descafeinado interfere no sono?

    Em geral, muito menos, porque contém apenas uma discreta quantidade de cafeína.

    5. Quanto tempo a cafeína permanece no organismo?

    A meia-vida costuma variar entre três e sete horas, podendo ser maior em algumas pessoas.

    6. Vale a pena parar de tomar café para dormir melhor?

    Nem sempre é necessário eliminar o café. Muitas vezes, apenas antecipar o horário de consumo já é suficiente para reduzir o impacto sobre o sono.

    Confira: Viciado em café? Veja o que fazer para diminuir o consumo

  • Como identificar se o bebê precisa de óculos?

    Como identificar se o bebê precisa de óculos?

    Os problemas de visão podem estar presentes desde o nascimento, já que algumas alterações no desenvolvimento ocular se formam ainda durante a gravidez. É por isso que os primeiros cuidados com a saúde ocular acontecem logo nos primeiros dias de vida, com exames como o Teste do Olhinho.

    Mas, com o passar dos meses, outras dificuldades para enxergar podem começar a ficar mais perceptíveis. Como a criança ainda não consegue dizer que está vendo tudo embaçado ou que não enxerga bem de longe, os pais precisam ficar atentos aos pequenos sinais do dia a dia. Vamos entender mais, a seguir.

    Quais sinais indicam que o bebê precisa de óculos?

    Conforme o bebê cresce, ele começa a prestar mais atenção nos rostos, acompanhar objetos com os olhos e tentar alcançar brinquedos que estão por perto.

    Quando existe algum problema de visão, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia, alguns comportamentos diferentes podem aparecer, como:

    1. Aproximar muito os objetos do rosto

    O bebê pode aproximar brinquedos, livros ou outros objetos do rosto para conseguir enxergar melhor os detalhes. Quando o comportamento acontece com frequência, pode indicar dificuldade para enxergar com nitidez, principalmente a determinadas distâncias.

    2. Esfregar os olhos com frequência

    É normal que o bebê esfregue os olhos quando está cansado ou com sono. Porém, quando isso acontece várias vezes ao longo do dia, pode ser um sinal de cansaço visual, irritação nos olhos ou esforço maior para conseguir enxergar.

    3. Inclinar a cabeça para enxergar

    Algumas crianças inclinam a cabeça para um dos lados ou viram o rosto sempre na mesma direção quando querem observar alguma coisa. O comportamento pode ser uma tentativa de encontrar uma posição em que consigam enxergar melhor e pode estar relacionado a alterações no alinhamento dos olhos ou na visão.

    4. Apresentar desvio nos olhos

    Nos primeiros meses de vida, pequenos desalinhamentos podem acontecer enquanto a visão ainda está amadurecendo. Quando um dos olhos permanece desviado para dentro ou para fora com frequência, contudo, o comportamento pode indicar estrabismo ou outra alteração no alinhamento ocular.

    5. Apresentar sensibilidade à luz e lacrimejamento

    Quando o bebê demonstra muito incômodo com a claridade, fecha os olhos em ambientes iluminados ou apresenta lacrimejamento frequente, os sinais podem estar relacionados a alterações na superfície dos olhos, na córnea ou a outras condições oculares.

    6. Ter dificuldade para alcançar objetos

    À medida que cresce, o bebê começa a usar a visão para calcular a distância dos brinquedos e coordenar os movimentos das mãos. Quando apresenta dificuldade frequente para alcançar objetos ou calcular onde eles estão, pode existir alguma alteração na visão ou na percepção de profundidade.

    7. Apertar os olhos ou franzir a testa

    Apertar os olhos ou franzir a testa com frequência pode ser uma tentativa de enxergar melhor. Se o comportamento acontece repetidamente, principalmente quando a criança tenta observar alguma coisa mais distante, vale procurar uma avaliação.

    Importante: se os pais perceberem uma mancha ou um reflexo branco na pupila do bebê, inclusive em fotografias, é importante procurar atendimento oftalmológico rapidamente. O sinal é chamado de leucocoria e pode estar relacionado a diferentes alterações oculares que precisam ser investigadas.

    Como é feito o teste de visão em bebês?

    Como o bebê ainda não sabe falar ou responder aos tradicionais testes com letras, existem exames que não dependem das respostas e permitem avaliar a saúde dos olhos e identificar alterações visuais desde muito cedo, como:

    Teste do olhinho

    O teste do olhinho, também chamado de teste do reflexo vermelho, é realizado nos primeiros dias de vida e ajuda a identificar alterações importantes nos olhos. Durante o exame, o profissional utiliza um aparelho chamado oftalmoscópio para direcionar uma luz aos olhos do bebê e observar o reflexo produzido.

    Quando o reflexo tem alterações, o bebê pode precisar de uma avaliação mais detalhada com um oftalmologista. O exame ajuda na identificação precoce de problemas que podem comprometer a visão, como a catarata congênita e outras condições oculares.

    Exame com dilatação da pupila

    Na consulta com o oftalmopediatra, podem ser usados colírios para dilatar as pupilas e permitir uma avaliação mais detalhada dos olhos. A dilatação também ajuda o médico a medir o grau com maior precisão, já que as crianças possuem uma grande capacidade de acomodação, ou seja, conseguem fazer um esforço natural para focar nas imagens.

    Para descobrir se existe miopia, hipermetropia ou astigmatismo, o profissional pode utilizar diferentes exames:

    • Retinoscopia: o médico direciona uma luz para os olhos da criança e utiliza diferentes lentes para observar como o reflexo luminoso se comporta. Ele consegue identificar se existe algum grau que precisa ser corrigido;
    • Aparelhos de medição: também existem equipamentos capazes de avaliar o grau e o alinhamento dos olhos sem que a criança precise responder perguntas. Alguns aparelhos são portáteis e utilizam luzes ou sons para chamar a atenção do bebê durante o exame.

    Com qual idade o bebê pode ir ao oftalmologista?

    A avaliação da saúde dos olhos começa logo nos primeiros dias de vida, com o Teste do Olhinho. Além da triagem inicial, o acompanhamento oftalmológico ao longo da infância é importante para identificar alterações que podem aparecer conforme a visão se desenvolve.

    A Sociedade Brasileira de Pediatria e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia recomendam avaliações oftalmológicas periódicas desde os primeiros meses de vida, mesmo quando não existem sintomas aparentes, seguindo a orientação do pediatra e do oftalmologista.

    Como escolher os óculos ideais para o bebê?

    Os bebês se movimentam bastante, brincam, engatinham e provavelmente vão tentar tirar os óculos algumas vezes, então a armação precisa ser leve, resistente e adequada para o tamanho do rosto. Veja algumas dicas para escolher o melhor modelo:

    • Prefira uma armação leve e flexível: as armações feitas com materiais leves e flexíveis costumam ser mais confortáveis para os bebês, já que acompanham melhor os movimentos e diminuem o risco de machucar o rosto durante uma queda ou brincadeira;
    • Veja se os óculos encaixam bem no nariz: como o nariz do bebê ainda está em desenvolvimento, é importante que a armação fique bem encaixada, sem apertar e sem escorregar o tempo todo;
    • Use uma tira para manter os óculos no lugar: alguns modelos possuem uma faixa ajustável que fica atrás da cabeça e ajuda a impedir que os óculos caiam ou saiam do lugar. A tira pode ser bastante útil para os bebês menores, principalmente no começo da adaptação;
    • Escolha lentes leves e resistentes: quedas, batidas e brincadeiras fazem parte da rotina de qualquer bebê, por isso as lentes precisam ser leves e resistentes a impactos. O material deve ser escolhido de acordo com o grau e com as necessidades da criança, seguindo a orientação do profissional responsável.

    No começo, é normal que o bebê tente tocar ou retirar os óculos algumas vezes enquanto se acostuma com o acessório. Com uma armação confortável, o grau correto e um pouco de paciência da família, a adaptação tende a ficar mais fácil ao longo do tempo.

    Confira: Conjuntivite: o que é, sintomas, tipos e tratamentos

    Perguntas frequentes

    1. Com quantos meses o bebê começa a enxergar nitidamente?

    A visão do bebê melhora gradativamente. Nos primeiros meses ele enxerga vultos e contrastes, mas a capacidade de focar em objetos e rostos com mais clareza e nitidez se desenvolve por volta dos 3 a 4 meses de vida.

    2. Como saber se o estrabismo no bebê é preocupante?

    O estrabismo passa a ser preocupante se for constante, se afetar apenas um dos olhos o tempo todo ou se persistir após os 4 meses de vida. Nesses casos, o bebê deve ser avaliado por um oftalmopediatra.

    3. Quanto tempo dura o efeito do colírio de dilatação no bebê?

    O efeito da pupila dilatada costuma durar entre 12 e 24 horas. Durante esse período, é recomendado proteger os olhos do bebê da luz solar direta.

    4. Como limpar os óculos do bebê com segurança?

    Lave as lentes com água corrente e sabão neutro, secando com um pano macio de microfibra. Evite álcool, produtos de limpeza domésticos ou esfregar na roupa, pois podem danificar os tratamentos da lente.

    5. De quanto em quanto tempo é preciso trocar os óculos do bebê?

    Geralmente a cada 6 meses ou 1 ano, dependendo do crescimento da criança e da evolução do grau. A troca deve ser feita sempre após a reavaliação do oftalmopediatra.

    6. O bebê precisa usar os óculos o dia todo?

    Depende da orientação médica. Em casos de graus elevados ou risco de olho preguiçoso, o uso deve ser contínuo durante todo o tempo em que o bebê estiver acordado.

    Veja também: Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê?