Febre alta, dores no corpo e mal-estar podem parecer sintomas comuns de viroses conhecidas, como dengue ou gripe. No entanto, em regiões específicas do Brasil, esses sinais podem indicar uma doença muito mais grave e ainda pouco conhecida: a hantavirose.
Transmitida exclusivamente por roedores, essa zoonose pode evoluir rapidamente para quadros severos, com comprometimento dos rins, dos pulmões e do coração, exigindo diagnóstico rápido e atendimento hospitalar especializado.
O que é a hantavirose?
A hantavirose é uma zoonose causada por vírus do gênero Ortohantavirus, tendo os roedores como única fonte de infecção. A doença pode provocar infecções nas meninges e no sistema nervoso, além de comprometer outros órgãos vitais.
Existem duas principais formas clínicas da doença:
- Febre hemorrágica com síndrome renal;
- Síndrome cardiopulmonar do hantavírus.
Desde sua identificação no Brasil, em 1993, a incidência da hantavirose vem aumentando, com maior concentração de casos na região Sul do país. A população mais acometida está entre 20 e 49 anos, sem distinção entre homens e mulheres.
Principais sintomas
A apresentação clínica da hantavirose varia conforme a forma da doença.
Febre hemorrágica com síndrome renal
Essa forma da doença é dividida em cinco fases clínicas:
Fase febril
Início súbito de febre alta, calafrios, enjoo, vômitos, dor de cabeça (frequentemente atrás dos olhos), dores no corpo e manchas avermelhadas na pele. Os sintomas são semelhantes aos da dengue e duram, em média, 7 dias.
Fase hipotensiva
Parte dos pacientes evolui para queda da pressão arterial, que pode variar de leve a grave, exigindo uso de medicamentos para estabilização. Também podem ocorrer sangramentos pela pele ou mucosas.
Fase oligúrica
Há piora da função renal, com redução do volume urinário e perda de proteínas pela urina. Em casos graves, pode ser necessária diálise.
Fase diurética
Com a recuperação dos rins, ocorre aumento do volume urinário e episódios de elevação da pressão arterial.
Fase de convalescência
Fase de recuperação gradual, com melhora progressiva dos sintomas.
Síndrome cardiopulmonar do hantavírus
Essa forma é a mais grave da doença.
Inicialmente, surgem sintomas prodrômicos como:
- Febre;
- Dores no corpo;
- Enjoo;
- Diarreia.
Após 3 a 6 dias, o quadro evolui para a fase cardiopulmonar, caracterizada por:
- Infiltração de líquidos e proteínas nos pulmãos;
- Falta de ar;
- Tosse;
- Aumento da frequência cardíaca;
- Queda da pressão arterial devido ao comprometimento do coração.
Nos casos mais graves, há necessidade de intubação, evolução para choque e internação em UTI. O prognóstico desses casos é ruim, com alta taxa de mortalidade.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da hantavirose é feito por meio de testes sorológicos, que identificam o vírus ou os anticorpos produzidos pelo organismo.
A suspeita clínica deve ser levantada em pacientes com:
- Exposição a roedores;
- Histórico ambiental de risco;
- Sintomas compatíveis.
Exames de sangue e urina são solicitados para avaliar a gravidade da doença e possíveis complicações, de acordo com a forma clínica apresentada.
Atualmente, não existe tratamento específico para a hantavirose. O manejo é baseado em tratamento de suporte, que inclui:
- Hidratação;
- Medicamentos sintomáticos;
- Antibióticos, quando há suspeita de pneumonia secundária;
- Internação em UTI nos casos graves.
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Perguntas frequentes sobre hantavirose
1. A hantavirose é transmitida de pessoa para pessoa?
De forma geral, não. No entanto, a cepa Andes do vírus pode ser transmitida entre pessoas.
2. Os sintomas iniciais podem confundir com dengue?
Sim. Na fase inicial, os sintomas são muito semelhantes.
3. Toda pessoa infectada deve desenvolver a forma grave?
Não. A evolução varia conforme a forma clínica e o organismo do paciente.
4. Existe tratamento específico contra o vírus?
Não. O tratamento é de suporte.
5. A hantavirose pode levar à morte?
Sim. Especialmente na forma cardiopulmonar, a mortalidade é elevada.
5. Existe vacina para hantavírus
Não. Até o momento não existe vacina contra o hantavírus.
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