Categoria: Prevenção

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  • Medicamentos para emagrecer: quem não pode usar os análogos de GLP-1? 

    Medicamentos para emagrecer: quem não pode usar os análogos de GLP-1? 

    Não é novidade que o uso de qualquer medicamento precisa ser orientado por um profissional de saúde, e não seria diferente com os análogos de GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras.

    Apesar dos resultados de Ozempic e Mounjaro na perda de peso e no controle da glicemia, eles não são indicados para todo mundo, de acordo com a endocrinologista Daniella Romanholi.

    Por serem remédios que alteram processos metabólicos e hormonais complexos, existem contraindicações e grupos de risco que podem ter complicações graves ao usá-los sem a devida orientação médica, como pancreatite ou problemas renais.

    Como funcionam as canetas emagrecedoras?

    No organismo, os princípios ativos das canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, funcionam imitando a ação de um hormônio natural chamado GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições e atua diretamente na regulação da fome e da glicose no sangue.

    Segundo Daniella, o hormônio envia sinais ao cérebro de que o corpo já recebeu alimento suficiente, ajudando a controlar o apetite no dia a dia.

    Com o uso do medicamento, a pessoa passa a sentir menos fome ao longo do dia e maior saciedade nas refeições, o que torna mais fácil reduzir a quantidade de comida sem ter a sensação constante de restrição. Como o esvaziamento do estômago também fica mais lento, a endocrinologista explica que a digestão acontece de forma mais gradual, prolongando a sensação de estômago cheio por mais tempo.

    Para completar, os análogos de GLP-1 atuam no controle da glicose no sangue, estimulando a liberação de insulina quando necessário e ajudando a evitar picos de açúcar. Por isso, eles foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2.

    Quem não pode usar Ozempic e Mounjaro?

    As principais contraindicações das canetas emagrecedoras são:

    Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT)

    O carcinoma medular de tireoide é um tipo raro de câncer que se desenvolve nas células da tireoide responsáveis pela produção de hormônios específicos. Aqui, a contraindicação dos análogos de GLP-1 existe por um motivo de segurança.

    Em estudos realizados com roedores, os pesquisadores observaram que os medicamentos da classe podem estimular alterações nas células da tireoide, especialmente nas chamadas células C, justamente aquelas envolvidas nesse tipo de câncer.

    Até o momento, não existem evidências conclusivas de que o mesmo efeito aconteça em humanos, mas, por precaução, o uso não é recomendado para pessoas que apresentam maior risco, como quem já teve diagnóstico de carcinoma medular de tireoide ou quem tem casos da doença na família.

    Síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2)

    A NEM 2 é uma condição genética rara, em que a pessoa tem maior risco de desenvolver tumores em glândulas hormonais, incluindo a tireoide. Quem convive com a síndrome já apresenta uma predisposição aumentada para o carcinoma medular de tireoide. Por isso, Daniella aponta que o uso de análogos de GLP-1 não é indicado.

    Gestantes e mulheres em fase de amamentação

    Não existem estudos de segurança suficientes que garantam que a semaglutida ou a tirzepatida não causem malformações fetais ou passem pelo leite materno. A recomendação é interromper o uso pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, para garantir que a substância tenha sido totalmente eliminada do organismo.

    Diabetes tipo 1

    Diferente do diabetes tipo 2, no tipo 1 o organismo perdeu a capacidade de produzir insulina. Como o mecanismo de ação de remédios como Ozempic e Mounjaro depende de um pâncreas funcional para estimular a liberação hormonal, eles não são capazes de substituir a insulina e, por isso, são contraindicados para diabetes tipo 1.

    Hipersensibilidade aos componentes da fórmula

    A hipersensibilidade é uma contraindicação básica para qualquer medicamento. No caso dos análogos de GLP-1, a pessoa não deve usar se tiver alergia à semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou à tirzepatida (Mounjaro), ou a qualquer outro componente da fórmula.

    Em casos mais graves, pode ocorrer uma reação alérgica grave (anafilaxia), que exige atendimento imediato. Por isso, se já houve reação a esse tipo de medicamento, o uso não é indicado.

    Situações que exigem cautela e avaliação médica

    Não são contraindicações absolutas, mas são situações em que o uso precisa ser feito com mais cuidado e sempre com acompanhamento médico:

    Histórico de pancreatite

    A pancreatite é uma inflamação no pâncreas, que pode causar dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Como os análogos de GLP-1 atuam diretamente no sistema digestivo e no próprio pâncreas, o uso poderia aumentar o risco de uma nova inflamação.

    Por isso, quem já teve pancreatite precisa de uma avaliação mais cuidadosa antes de iniciar o tratamento.

    Doenças gastrointestinais graves (como gastroparesia)

    Uma das formas de ação do GLP-1 é deixar a digestão mais lenta, fazendo com que o estômago demore mais para esvaziar e aumentando a sensação de saciedade.

    Se a pessoa já possui o esvaziamento gástrico lento, como em quadros de gastroparesia, o medicamento pode paralisar o trato digestivo, causando náuseas crônicas, vômitos persistentes e obstruções.

    Doença renal ou risco de desidratação

    Os análogos de GLP-1 não são diretamente tóxicos para os rins em todos os pacientes, mas os efeitos colaterais comuns, como vômitos e diarreia intensos, podem aumentar o risco de desidratação. Em quem já possui a função renal comprometida, isso pode levar a uma insuficiência renal aguda súbita.

    Uso junto com insulina ou sulfonilureias (risco de hipoglicemia)

    Quando os análogos de GLP-1 são usados junto com outros medicamentos que também diminuem a glicose, como a insulina ou as sulfonilureias, aumenta o risco de hipoglicemia, que é a queda do açúcar no sangue. Os sintomas podem incluir:

    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Suor frio;
    • Tremor;
    • Confusão.

    Nesses casos, o médico costuma ajustar as doses dos outros medicamentos para evitar o risco.

    Quando procurar um médico imediatamente?

    Sintomas como náuseas leves e desconforto abdominal são comuns no início do tratamento, mas alguns sinais indicam complicações graves que não devem ser ignoradas:

    • Dor abdominal intensa e persistente, principalmente na parte superior do abdômen, que pode ir para as costas e vir com vômitos frequentes, pode indicar pancreatite aguda;
    • Alterações na urina ou inchaço nas pernas, como urinar menos, urina escura ou inchaço nos pés e tornozelos, podem ser sinais de problema nos rins por desidratação;
    • Problemas de visão, como visão embaçada ou mudança repentina, precisam de avaliação, principalmente em pessoas com diabetes;
    • Sintomas de reação alérgica grave, como dificuldade para respirar, inchaço no rosto, lábios, língua ou garganta, além de coceira com manchas vermelhas pelo corpo;
    • Alterações no ritmo cardíaco, como sensação de coração acelerado ou batimentos irregulares mesmo em repouso;
    • Mudanças intensas de humor, como ansiedade forte, tristeza profunda ou pensamentos negativos, devem ser comunicadas ao médico o quanto antes.

    Sempre que algum dos sintomas aparecer, a orientação é não ignorar e buscar avaliação médica o quanto antes.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre Ozempic e Mounjaro?

    O Ozempic contém semaglutida (imita o GLP-1). O Mounjaro contém tirzepatida, que imita dois hormônios (GLP-1 e GIP), o que pode potencializar a perda de peso.

    2. Por que as canetas emagrecedoras causam náuseas?

    Porque elas diminuem a velocidade com que o estômago se esvazia. A comida fica mais tempo no órgão, o que pode gerar desconforto, náuseas e até vômitos.

    3. Posso beber álcool usando Ozempic ou Mounjaro?

    Não é recomendado, pois o álcool pode irritar o estômago e aumentar o risco de hipoglicemia ou inflamação no pâncreas (pancreatite) durante o tratamento.

    4. O remédio causa o “rosto de Ozempic”?

    O termo se refere à aparência mais abatida ou flácida do rosto após uma perda de peso muito rápida. Não é um efeito do remédio em si, mas do emagrecimento acelerado.

    5. Quanto tempo demora para começar a emagrecer?

    Os efeitos na saciedade são imediatos, mas a perda de peso significativa costuma ser notada após as primeiras 4 semanas, quando as doses são ajustadas.

    6. Onde devo aplicar a injeção?

    A aplicação é subcutânea (embaixo da pele) na região do abdômen, coxa ou parte superior do braço.

    7. O que fazer se eu esquecer uma dose?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar de 5 dias, pule a dose e retorne ao cronograma normal na semana seguinte.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Análogos de GLP-1: como armazenar os medicamentos corretamente? 

    Análogos de GLP-1: como armazenar os medicamentos corretamente? 

    Se você está em tratamento com os medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” (Ozempic ou Mounjaro), já deve saber que elas precisam de alguns cuidados no armazenamento para manter a eficácia ao longo do tempo.

    Os análogos de GLP-1, sendo compostos por substâncias sensíveis a variações de temperatura, luz e manuseio, podem perder a estabilidade quando não são armazenados corretamente, o que compromete o efeito esperado do tratamento e, em alguns casos, até a segurança do uso.

    Na prática, isso significa que deixar a caneta exposta ao calor, ao sol ou a mudanças bruscas de temperatura pode reduzir a potência do medicamento, mesmo que ele ainda esteja dentro do prazo de validade.

    Por que o armazenamento correto é importante para o tratamento?

    O princípio ativo dos análogos de GLP-1 é composto por proteínas extremamente sensíveis a variações ambientais. Quando a caneta é exposta a temperaturas acima de 30°C ou ao congelamento, as moléculas sofrem um processo de desnaturação, o que significa que o remédio perde a estrutura química original e, consequentemente, a capacidade de agir no organismo.

    Isso faz com que a dose aplicada não produza o efeito esperado no controle do apetite ou da glicemia, o que compromete diretamente o progresso do tratamento.

    Além disso, a conservação inadequada coloca em risco a segurança biológica do paciente, pois o calor excessivo e a exposição direta à luz podem acelerar a degradação dos conservantes presentes na fórmula.

    Sem a proteção, o líquido pode se tornar um meio propício para a proliferação de microrganismos ou sofrer alterações químicas que aumentam o risco de reações adversas no local da aplicação, como irritações severas ou infecções.

    Como armazenar a caneta emagrecedora antes do primeiro uso?

    Antes de iniciar o uso, a caneta deve ser mantida sob refrigeração adequada para preservar a estabilidade do medicamento:

    • Guardar na geladeira, em temperatura entre 2 °C e 8 °C;
    • Manter na embalagem original, para proteger da luz e de variações externas;
    • Armazenar na parte interna da geladeira, onde a temperatura é mais estável;
    • Evitar deixar na porta, pois há maior oscilação térmica;
    • Não posicionar próximo ao congelador;
    • Não congelar em nenhuma hipótese.

    O congelamento é um dos principais riscos do armazenamento dos análogos de GLP–1, pois quando acontece, mesmo que por pouco tempo, pode alterar a estrutura do remédio e comprometer totalmente a eficácia. Nesses casos, a recomendação é não utilizar a caneta e fazer o descarte adequado.

    Dica: ao chegar da farmácia, certifique-se de retirar a caneta da sacola e colocá-la na geladeira o mais rápido possível, evitando que ela fique exposta ao calor ambiente por períodos prolongados antes de ser refrigerada.

    Como guardar a caneta após aberta (em uso)?

    Se você já começou a usar o medicamento, existem duas possibilidades seguras de armazenamento: manter na geladeira, entre 2 °C e 8 °C, ou manter em temperatura ambiente controlada, normalmente abaixo de 30 °C.

    Na prática, muitas pessoas optam por deixar fora da geladeira para facilitar o uso no dia a dia, já que a aplicação com o medicamento menos frio pode ser mais confortável. Ainda assim, o mais importante não é o local em si, mas evitar extremos de temperatura a partir de alguns cuidados:

    • Sempre manter a caneta tampada, protegida da luz;
    • Evitar exposição ao calor, como locais próximos ao fogão, bolsa fechada ao sol ou carro;
    • Não deixar em ambientes com variações bruscas de temperatura;
    • Não armazenar em locais úmidos ou com risco de contato com líquidos.

    Sobre o tempo de uso, vale destacar que cada medicamento tem um limite específico, que pode ser verificado na bula. O Ozempic, por exemplo, pode ser utilizado por até 6 semanas após aberto. Já o Mounjaro pode permanecer fora da geladeira por até 21 dias, desde que abaixo de 30 °C.

    Passado o período, o remédio pode perder a estabilidade, mesmo sem alteração visível.

    Cuidados que você deve ter com a agulha

    O uso incorreto pode causar entupimento da agulha, vazamento do medicamento, aplicação incompleta da dose e até mesmo infecções. Por isso, alguns cuidados são recomendados:

    • Utilizar uma agulha nova em cada aplicação;
    • Nunca reutilizar a agulha, mesmo que pareça em bom estado;
    • Não tentar recolocar a tampa interna, para evitar acidentes;
    • Descartar a agulha imediatamente após o uso;
    • Não utilizar agulhas tortas, danificadas ou com sinais de contaminação;
    • Nunca compartilhar a caneta ou a agulha com outras pessoas.

    Como transportar a caneta emagrecedora em viagens?

    Durante viagens, é preciso manter a temperatura o mais estável possível e proteger o medicamento de extremos. Veja algumas dicas que podem te ajudar:

    • Utilizar uma bolsa térmica para ajudar a manter a temperatura;
    • Evitar contato direto com gelo, para não correr risco de congelamento;
    • Proteger da luz solar direta;
    • Não deixar em locais muito quentes, como carro fechado;
    • Evitar locais muito frios ou com risco de congelamento.

    No caso de viagens de avião, o ideal é levar o medicamento sempre na bagagem de mão, pois o compartimento de carga pode atingir temperaturas muito baixas, aumentando o risco de congelamento.

    Quando descartar a caneta emagrecedora?

    Mesmo que ainda tenha remédio na caneta, existem situações em que você precisa realizar o descarte para garantir a segurança do tratamento, como:

    • O prazo de uso após abertura for ultrapassado;
    • Houve congelamento, mesmo que por pouco tempo;
    • Ficou exposta a temperaturas inadequadas por tempo prolongado;
    • Apresenta alteração no aspecto, como líquido turvo ou diferente do padrão.

    Para o descarte, as agulhas devem ser colocadas em recipientes resistentes, como embalagens rígidas de plástico, para evitar acidentes e perfurações. Depois disso, o material deve ser levado a pontos de coleta adequados, como farmácias, drogarias ou unidades de saúde, que possuem descarte apropriado para resíduos perfurocortantes.

    A importância do acompanhamento médico no uso de GLP-1

    Como qualquer outro tratamento médico, o uso de análogos de GLP-1 precisa de acompanhamento de um profissional do início ao fim.

    Hoje, não é incomum ver pessoas iniciando o tratamento com análogos de GLP-1 sem receita ou orientação médica, o que não é indicado. De acordo com a endocrinologista Daniella Romanholi, o uso inadequado das medicações pode levar à perda de massa muscular, à desaceleração do metabolismo e à dificuldade de manter o peso a longo prazo.

    Nem todas as pessoas têm indicação para o uso, por isso apenas um médico pode avaliar, de forma individualizada, se o tratamento é adequado, considerando o histórico de saúde, o índice de massa corporal e a presença de outras condições associadas.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Posso guardar a caneta emagrecedora na porta da geladeira?

    Não é recomendado. A porta sofre grandes variações de temperatura toda vez que é aberta. O ideal é guardar nas prateleiras centrais ou na gaveta de verduras.

    2. Como saber se a caneta emagrecedora estragou?

    Observe o líquido dentro da caneta: ele deve ser límpido e incolor. Se estiver turvo, com partículas ou com coloração alterada, não utilize.

    3. Por que devo retirar a agulha após a aplicação?

    Deixar a agulha acoplada pode causar vazamento do medicamento, entrada de bolhas de ar e contaminação do líquido.

    4. Esqueci minha caneta fora da geladeira a noite toda, e agora?

    Se a temperatura ambiente não ultrapassou 30°C, ela ainda pode ser usada, mas o prazo de validade passa a ser de apenas 30 dias a partir desse momento.

    5. Posso usar uma caixa térmica com gelo comum para transportar a caneta?

    Sim, mas com cuidado. O gelo comum derrete e pode molhar a embalagem. O ideal é envolver a caneta em um pano ou plástico bolha para que ela não fique em contato direto com o gelo, evitando o risco de congelamento acidental.

    6. Existe algum problema em guardar a caneta perto de alimentos com cheiro forte?

    Desde que a caneta esteja dentro da caixa original e com a tampa, não há interferência química. No entanto, por higiene, recomenda-se mantê-la em uma prateleira isolada ou dentro de um pote organizador limpo.

    7. É normal o líquido da caneta emagrecedora ficar com uma bolha de ar?

    Sim, uma pequena bolha de ar não afeta a qualidade do medicamento nem o armazenamento. O importante é que o líquido continue transparente e sem partículas sólidas.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Como aliviar os sintomas de hemorroidas? Conheça 10 cuidados no dia a dia

    Como aliviar os sintomas de hemorroidas? Conheça 10 cuidados no dia a dia

    Você sabia que cerca de 50% da população adulta no Brasil convive ou vai conviver com hemorroidas em algum momento da vida? A condição, que costuma ser frequente durante a gravidez, acontece com a dilatação de veias que ficam na região do ânus e do reto, semelhante ao que ocorre nas varizes.

    Quando elas ficam inchadas, inflamadas ou aumentadas, podem causar sintomas como coceira intensa, dor, inchaço e até mesmo sangramento durante as evacuações, o que afeta diretamente a qualidade de vida e a realização das tarefas do cotidiano, como se sentar para trabalhar.

    Apesar de incômodos, é possível aliviar os sintomas das hemorroidas com algumas medidas no estilo de vida, cuidados de higiene específicos e mudanças na alimentação, que ajudam no processo de recuperação. Vamos entender mais, a seguir.

    Como aliviar os sintomas de hemorroidas?

    Para aliviar o desconforto e acelerar a cicatrização das hemorroidas, o ideal é reduzir a pressão na região pélvica e manter as fezes macias.

    1. Banhos de assento para hemorroida

    Os banhos de assento contribuem para melhorar a circulação sanguínea local, reduzir o inchaço das veias e aliviar a dor causada pela inflamação. Para isso, basta sentar em uma bacia ou bidê com água morna (sem sabão ou produtos químicos) por 10 a 15 minutos, cerca de duas a três vezes ao dia.

    2. Aumentar o consumo de fibras

    As fibras presentes nos alimentos, como frutas com casca, vegetais folhosos e grãos integrais, aumentam o volume fecal e tornam as fezes mais pastosas, facilitando a passagem sem atrito. Com isso, você faz menos esforço durante a evacuação, o que ajuda a reduzir a pressão sobre as veias da região anal.

    3. Beber bastante água

    Ao aumentar o consumo de fibras, também é necessário beber bastante água ao longo do dia, pois sem hidratação, as fibras podem endurecer as fezes e piorar a constipação. A quantidade diária pode variar de acordo com alguns fatores, mas o ideal é ingerir pelo menos 35 ml por kg de peso corporal.

    4. Limpar a região anal adequadamente

    O atrito do papel higiênico seco, por mais macio que pareça, funciona como uma lixa sobre uma veia que já está inflamada e sensível. Durante uma crise, o recomendado é fazer a higiene apenas com água corrente (ducha higiênica) e secar a região dando batidinhas leves com uma toalha de algodão, sem esfregar. Se estiver fora de casa, prefira lenços umedecidos sem álcool e sem fragrância.

    5. Usar roupas íntimas de algodão

    A região anal precisa respirar para evitar o acúmulo de umidade, que pode causar maceração da pele e aumentar a coceira. Por isso, use cuecas ou calcinhas de algodão e evite roupas muito apertadas, como calças jeans rígidas, que aumentam a temperatura local e o atrito constante ao caminhar.

    6. Não segurar a vontade de evacuar

    Quando você segura a vontade de ir ao banheiro, as fezes permanecem retidas no cólon e o organismo continua extraindo água delas, deixando-as ressecadas e endurecidas. Consequentemente, a evacuação se torna mais difícil e exige maior esforço, aumentando a pressão na região anal e favorecendo a dilatação das veias da região anal.

    7. Caminhar ao longo do expediente

    Para quem passa a maior parte do dia em frente ao computador, o hábito de permanecer sentado por longos períodos exerce uma pressão gravitacional contínua sobre a região pélvica, o que acaba sobrecarregando o quadril e dificultando o retorno venoso na área anal. Como consequência, pode ocorrer a dilatação das veias locais, favorecendo o surgimento de inflamações e o desenvolvimento da doença hemorroidária.

    Então, se o seu trabalho exige que você fique sentado por muitas horas, tente levantar a cada 50 minutos para caminhar um pouco, ou utilize almofadas específicas (com furo central) para aliviar a pressão direta sobre o ânus.

    8. Utilize pomadas para hemorroidas com orientação

    As pomadas para hemorroidas contém anestésicos, anti-inflamatórios ou agentes protetores que criam uma barreira na mucosa. Elas ajudam muito no controle da dor e do ardor, mas não devem ser utilizadas por conta própria por longos períodos, pois podem causar reações alérgicas ou afinar a pele da região. O uso também não é recomendado para crianças, gestantes e mulheres no período de amamentação.

    9. Parar de fumar

    A nicotina e substâncias tóxicas do cigarro prejudicam a circulação sanguínea, fragilizam os tecidos da região anal e provocam inflamação crônica. Além disso, o fumo está associado ao aumento da constipação, o que favorece o ressecamento das fezes e exige mais esforço durante a evacuação.

    10. Praticar atividades físicas leves

    Durante uma crise de hemorroidas, não é recomendado praticar atividades físicas que aumentem a pressão na região abdominal e anal, como musculação intensa, levantamento de peso ou exercícios de alto impacto. Contudo, você pode optar por atividades leves, como caminhadas, que ajudam a estimular o funcionamento do intestino sem sobrecarregar a região afetada.

    Veja também: Prisão de ventre: o que fazer quando o intestino trava

    Perguntas frequentes

    1. Quais são os sintomas mais comuns de hemorroidas?

    Os principais sinais incluem sangue vivo nas fezes ou no papel higiênico, coceira ou irritação na região anal, dor, desconforto e a presença de um nódulo sensível perto do ânus.

    2. O uso de gelo ajuda no tratamento?

    Sim. Aplicar compressas de gelo (envoltas em um pano fino) na área externa pode ajudar a reduzir o inchaço e anestesiar a dor aguda.

    3. Hemorroida tem cura definitiva?

    Muitas vezes, mudanças no estilo de vida costumam resolver os sintomas. Em casos persistentes ou graves, procedimentos médicos como ligadura elástica, escleroterapia ou cirurgia podem ser necessários.

    4. Quando o sangramento deve ser motivo de preocupação?

    Embora o sangue vivo seja comum nas hemorroidas internas, qualquer sangramento anal deve ser avaliado por um médico para descartar outras condições mais graves, como o câncer colorretal.

    5. Qual a relação entre o uso do celular no banheiro e as hemorroidas?

    Passar muito tempo sentado no vaso sanitário, muitas vezes por distração com o celular, relaxa a musculatura pélvica e permite que o sangue se acumule nas veias anais por gravidade, o que favorece o inchaço e o surgimento de hemorroidas. O ideal é permanecer sentado apenas o tempo necessário.

    6. O consumo de pimenta e condimentos causa o problema?

    A pimenta não causa hemorroidas, mas pode irritar a mucosa do canal anal. Se você já tem hemorroidas inflamadas, alimentos picantes podem tornar a evacuação muito mais dolorosa e aumentar a sensação de queimação.

    7. Qual a diferença entre hemorroida e fissura anal?

    Enquanto a hemorroida é uma veia inchada, a fissura anal é um pequeno corte ou rachadura no revestimento do canal anal. Ambas causam dor e sangramento, mas o tratamento inicial pode variar, por isso o diagnóstico médico é essencial.

    8. Qual médico devo procurar?

    O especialista indicado para tratar hemorroidas e outras doenças do sistema digestivo final é o proctologista ou coloproctologista.

    Leia mais: Por que o intestino é chamado de ‘segundo cérebro’?

  • Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca? 

    Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca? 

    Você já ouviu falar no termo coração de atleta? Quando uma pessoa se exercita com regularidade, o coração passa por mudanças estruturais e funcionais que tornam o funcionamento mais eficiente e adaptado ao esforço.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, as mudanças fazem parte de uma resposta natural do organismo. Um coração adaptado ao exercício consegue bombear mais sangue a cada batimento e, ao mesmo tempo, trabalhar com uma frequência mais baixa, reduzindo o esforço necessário para manter o corpo em funcionamento.

    O especialista esclarece que as mudanças são visíveis em exames como ecocardiograma e eletrocardiograma, mas é importante que médicos e atletas saibam reconhecê-las para não confundi-las com doenças cardíacas. Afinal, o que é uma adaptação de alta performance para um maratonista pode ser um sinal de alerta para uma pessoa sedentária.

    O que acontece com o coração de quem treina pesado?

    Quando você treina com intensidade e regularidade, o coração (que é, essencialmente, um músculo) passa por um remodelamento cardíaco fisiológico. Segundo Giovanni, as mudanças variam conforme o tipo de exercício, mas algumas adaptações são comuns em quem mantém uma rotina de treinos:

    • Câmaras do coração maiores: o ventrículo esquerdo, que bombeia o sangue para o corpo, pode aumentar de tamanho. Isso permite que mais sangue seja enviado a cada batimento, algo muito comum em esportes de resistência, como corrida, natação e ciclismo;
    • Paredes do coração mais fortes: em atividades de força, como musculação e lutas, as paredes do coração podem ficar um pouco mais espessas. Isso acontece como resposta ao esforço e ao aumento da pressão durante o exercício;
    • Mais sangue a cada batimento: o coração treinado consegue bombear uma quantidade maior de sangue em cada contração. Com isso, ele não precisa bater tantas vezes para dar conta das necessidades do corpo;
    • Melhor relaxamento do coração: entre um batimento e outro, o coração consegue relaxar e se encher de sangue com mais facilidade, o que melhora ainda mais o funcionamento.

    Em pessoas com coração de atleta, também é possível observar a redução da frequência cardíaca em repouso, ou bradicardia sinusal, com frequências entre 40 e 60 batimentos por minuto, ou até abaixo disso em atletas de elite.

    Isso é consequência direta do maior volume sistólico: o coração não precisa bater com tanta frequência para cumprir sua função, segundo Giovanni.

    “Mas existe um ponto importante: a bradicardia só é saudável quando assintomática. Se a pessoa apresenta tontura, fadiga, síncope ou intolerância ao exercício com frequências baixas, é necessária avaliação médica, pois pode haver uma bradicardia patológica associada”, complementa o cardiologista.

    Coração de atleta é considerado saudável?

    Na maioria dos casos, sim. Giovanni explica que as modificações do coração do atleta estão associadas a menor risco cardiovascular, maior longevidade e melhor qualidade de vida.

    “Atletas e pessoas fisicamente ativas têm, em média, menor incidência de hipertensão, doença coronariana, insuficiência cardíaca e morte súbita do que sedentários. Isso está diretamente relacionado às adaptações positivas que o exercício regular promove no coração e em todo o sistema cardiovascular” explica o cardiologista.

    Vale destacar que as pessoas ativas também podem desenvolver doenças cardíacas, e alguns problemas que estavam silenciosos podem aparecer justamente durante exercícios mais intensos. Por isso a importância do acompanhamento com um cardiologista, principalmente para quem treina com frequência ou em alta intensidade.

    Como diferenciar o coração de atleta de uma doença cardíaca?

    É preciso fazer uma avaliação cuidadosa para diferenciar o que é uma adaptação saudável do que pode indicar um problema, já que algumas alterações vistas nos exames de atletas podem parecer, à primeira vista, iguais às de doenças cardíacas mais sérias.

    Segundo o Giovanni, alguns pontos ajudam nessa distinção:

    • História clínica e familiar: o médico avalia se existem casos de doenças cardíacas na família. Sintomas como desmaio durante o exercício, palpitações fortes ou dor no peito são um sinal de alerta;
    • Resposta ao tempo sem treino: quando a mudança no coração é apenas uma adaptação ao exercício, ela costuma diminuir ou até desaparecer após um período sem treinar, normalmente entre 3 e 6 meses. Isso não acontece em doenças cardíacas;
    • Exames complementares: podem ser necessários exames mais detalhados, como ressonância cardíaca, teste de esforço, Holter ou outros, para confirmar o diagnóstico.

    “Isso reforça que a avaliação de atletas de alto rendimento deve ser feita por cardiologistas com experiência em medicina esportiva”, diz Giovanni.

    Existe risco em treinar demais?

    A atividade física regular contribui com vários benefícios para o coração, mas existe um limite entre o que é uma adaptação saudável e o que pode virar sobrecarga. Isso vale principalmente para quem pratica esportes de resistência por muitos anos, com treinos muito intensos.

    Segundo Giovanni, a saúde do coração não melhora sem parar conforme você aumenta o treino. Para a maioria das pessoas, a recomendação de 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada já é suficiente para fortalecer o músculo cardíaco, melhorar a circulação e prevenir doenças cardiovasculares.

    Treinar muito além disso pode até melhorar o desempenho, mas não significa, necessariamente, mais saúde.

    Riscos do treinamento extremo (ultra-endurance)

    Pessoas que treinam por muitos anos com volumes e intensidades muito altos, como maratonistas e triatletas, podem apresentar algumas alterações no coração:

    • Fibrilação atrial: aumento na incidência de arritmias cardíacas devido ao estresse crônico nas câmaras superiores do coração (átrios);
    • Fibrose miocárdica: pequenas cicatrizes no tecido do coração resultantes de anos de inflamação e esforço extremo;
    • Calcificação de artérias: em alguns casos, atletas de elite podem apresentar maior acúmulo de cálcio nas coronárias do que pessoas moderadamente ativas.

    Para quem treina em alta intensidade, o acompanhamento cardiológico regular é necessário para garantir que o coração está apenas se adaptando ao esforço, e não sofrendo uma sobrecarga que possa comprometer a saúde a longo prazo.

    Como o exercício transforma o coração sedentário (em qualquer idade)?

    O coração humano é extremamente responsivo à prática de atividades físicas, independentemente da idade em que se começa. Quando você começa uma rotina regular de treinos, nas primeiras semanas, já é possível observar reduções na frequência cardíaca de repouso, melhora da capacidade aeróbica e redução da pressão arterial.

    “Com meses a anos de treinamento progressivo, é possível observar adaptações estruturais no coração, como aumento do volume das câmaras e melhora da função diastólica, semelhantes (em menor grau) às observadas em atletas”, explica Giovanni.

    Segundo estudos, o exercício físico pode reverter danos do sedentarismo no coração. Mesmo em idades mais avançadas, o treino de endurance com supervisão médica atua diretamente contra o enrijecimento cardíaco, melhorando a performance do órgão e a longevidade.

    “Portanto, nunca é tarde para começar. O coração de quem começa a se exercitar hoje não será idêntico ao de um atleta que treina há décadas — mas será significativamente mais saudável do que o de quem permanece sedentário. E isso tem impacto direto na qualidade e na expectativa de vida”, finaliza o cardiologista.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Por que atletas têm batimentos cardíacos baixos?

    Como o coração de atleta ejeta um volume maior de sangue a cada batida, ele não precisa bater tantas vezes para manter o corpo funcionando em repouso.

    2. Qual é a frequência cardíaca de repouso normal para um atleta?

    Normalmente entre 40 e 60 bpm, mas atletas de elite de alto rendimento podem chegar a registrar entre 30 e 40 bpm.

    3. O que é hipertrofia ventricular esquerda fisiológica?

    É o espessamento das paredes do ventrículo esquerdo como resposta natural ao treino de força ou resistência, sem causar prejuízos à saúde.

    4. Qual o melhor exame para avaliar o coração de quem treina?

    O ecocardiograma e o eletrocardiograma (ECG) são os principais, mas o teste ergométrico ajuda a ver como o coração reage ao esforço.

    5. O que é o volume sistólico e por que ele aumenta no atleta?

    É a quantidade de sangue que o coração expulsa em cada batida. No atleta, o ventrículo se dilata e se torna mais elástico, permitindo que ele se encha mais e bombeie um volume maior de sangue a cada pulsação.

    6. Existe diferença entre o coração de quem faz crossfit e quem corre?

    Sim. As práticas de força (como crossfit ou musculação) tendem a promover mais o espessamento das paredes cardíacas. Já esportes de endurance (corrida, ciclismo) promovem mais a dilatação das câmaras para lidar com o volume de sangue.

    7. Por que é importante o histórico familiar na avaliação do atleta?

    Muitas doenças que causam morte súbita em esportistas são genéticas e silenciosas. Saber se houve casos de desmaios ou mortes precoces na família é crucial para garantir a segurança de quem treina em alta intensidade.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio 

    Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio 

    O paracetamol é um dos medicamentos mais presentes na rotina das famílias. Ele costuma ser lembrado diante de febre, dor de cabeça, dor no corpo, sintomas de gripe e uma série de desconfortos comuns. Justamente por ser tão familiar, muita gente assume que ele não causa nenhum dano, e é aí que mora o problema.

    Quando usado na dose correta, o paracetamol tem um histórico consolidado de eficácia e segurança. Mas o uso indiscriminado, a repetição sem orientação e a soma de diferentes produtos que também contêm paracetamol podem aumentar o risco de intoxicação e lesão no fígado. Entenda mais a seguir!

    O que é o paracetamol?

    O paracetamol, também chamado de acetaminofeno em alguns países, é um medicamento analgésico e antitérmico. Isso significa que ele é usado principalmente para aliviar dor e reduzir febre. Ele não é, porém, um anti-inflamatório clássico como alguns outros remédios bastante conhecidos.

    Isso quer dizer que ele pode ajudar bastante em sintomas comuns do dia a dia, mas não resolve tudo. O papel do paracetamol é aliviar sintomas, não tratar diretamente a causa da febre ou da dor.

    Para que serve o paracetamol?

    Segundo bula aprovada pela Anvisa, ele é indicado para redução da febre e alívio temporário de dores leves a moderadas. Isso inclui situações como dor de cabeça, dor muscular, dor de dente, dor nas costas e dores associadas a gripes e resfriados.

    Em outras palavras, ele serve para ajudar a pessoa a se sentir melhor enquanto o organismo se recupera ou enquanto a causa do sintoma é investigada. Isso vale tanto para adultos quanto para crianças, desde que a dose seja apropriada para a faixa etária e o peso.

    Como o paracetamol age no corpo?

    O paracetamol atua principalmente no sistema nervoso central, reduzindo a percepção da dor e ajudando a regular a temperatura corporal. Ele é muito usado justamente porque costuma ter boa tolerabilidade em doses corretas.

    Mas um ponto importante diferencia esse medicamento de outros de uso frequente: o risco de dano ao fígado em caso de excesso. Ou seja, o fato de ser comum não significa que possa ser tomado sem critério.

    Quando o paracetamol pode ser uma boa escolha?

    Ele pode ser útil em situações em que a pessoa está com febre, dor leve a moderada ou sintomas associados a infecções virais comuns. Muitas vezes, é escolhido quando se busca alívio sintomático sem recorrer a anti-inflamatórios.

    Ainda assim, funcionar para dor e febre não significa que ele seja o remédio ideal em toda situação. Em quadros persistentes, fortes ou acompanhados de sinais de alarme, é importante investigar a causa em vez de apenas repetir o medicamento.

    Quais cuidados são importantes?

    O principal cuidado é a dose. A Anvisa alerta que o uso indiscriminado pode levar a eventos adversos graves, inclusive hepatite medicamentosa e morte. A agência regulatória norte-americana, FDA, também reforça que tomar acetaminofeno em excesso pode causar overdose e lesão hepática severa.

    Isso pode acontecer de forma mais fácil do que muita gente imagina. Às vezes, a pessoa toma paracetamol puro e, sem perceber, usa também um antigripal, um remédio para resfriado ou outro produto combinado que já contém a mesma substância. A soma dessas doses aumenta o risco. O FDA destaca que existem centenas de produtos contendo acetaminofeno.

    Por que ele pode fazer mal ao fígado?

    Em dose terapêutica, o paracetamol costuma ser seguro. Em dose excessiva, porém, ele pode causar necrose hepática e, em casos graves, falência hepática. Essa toxicidade é dose-dependente e pode ser grave mesmo quando a pessoa inicialmente não sente nada muito alarmante.

    Esse é um ponto traiçoeiro: os sintomas de superdose podem não aparecer de imediato. Náusea, vômito, dor abdominal, confusão e icterícia podem surgir depois, e em alguns casos o quadro evolui ao longo de dias.

    Quem precisa de atenção especial?

    Pessoas com doença hepática, uso excessivo de álcool, idosos e quem usa múltiplos medicamentos devem ter cuidado redobrado. Crianças também exigem atenção estrita à dose correta, o que motivou alertas específicos da Anvisa sobre administração em bebês e crianças.

    Além disso, qualquer pessoa que já usa mais de um remédio para sintomas gripais ou dor precisa conferir a composição dos produtos para evitar duplicidade sem perceber.

    Quando procurar ajuda?

    Vale procurar orientação se a febre persiste, se a dor é forte, se há necessidade de tomar o medicamento repetidamente por vários dias ou se houver suspeita de dose maior do que a recomendada. Em caso de overdose, a busca por atendimento deve ser imediata, mesmo que ainda não existam sintomas importantes.

    Veja mais:

    Febre não é inimiga: saiba quando tratar e quando observar

    Perguntas frequentes sobre paracetamol

    1. Paracetamol serve para febre?

    Sim. Ele é indicado para redução da febre.

    2. Paracetamol serve para dor?

    Sim, para dores leves a moderadas.

    3. Pode tomar todo dia?

    Sem orientação, não é o ideal. Repetir uso contínuo exige avaliação.

    4. Ele faz mal ao fígado?

    Pode fazer, especialmente em doses excessivas.

    5. Posso misturar com outros antigripais?

    Só com atenção à composição, porque muitos já contêm paracetamol.

    6. Criança pode usar?

    Pode, mas com dose correta para idade e peso.

    7. O que fazer em caso de superdose?

    Procurar atendimento imediatamente.

    Confira:

    Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral

  • Esteroides anabolizantes: o que são, como funcionam e efeitos colaterais

    Esteroides anabolizantes: o que são, como funcionam e efeitos colaterais

    O ganho rápido de massa muscular, o aumento da força e a melhora da performance são alguns dos principais efeitos dos esteroides anabolizantes androgênicos (EAA), substâncias sintéticas que atuam no organismo imitando a ação da testosterona, o principal hormônio masculino.

    Elas são indicadas em situações médicas específicas, como no tratamento de deficiência de testosterona, perda de massa muscular associada a doenças crônicas e algumas condições que afetam o desenvolvimento hormonal. O uso é feito sob prescrição, com doses controladas para restaurar as funções fisiológicas sem ultrapassar os níveis hormonais saudáveis.

    Quando não há indicação médica, o uso recreativo e para fins estéticos dos anabolizantes é proibido no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ele pode comprometer severamente o equilíbrio hormonal, causando danos que vão desde problemas dermatológicos até complicações cardiovasculares.

    O que são os esteroides anabolizantes?

    Os esteroides anabolizantes são substâncias sintéticas criadas em laboratório para imitar a função da testosterona, o principal hormônio sexual masculino, de acordo com o cardiologista Remo Furtado.

    Eles atuam no organismo ao se ligarem a receptores nas células, enviando sinais para aumentar a produção de proteínas. Com isso, o corpo passa a construir mais fibras musculares, reter mais nitrogênio e se recuperar mais rápido após o esforço físico, o que leva a um aumento acelerado de força e de volume muscular.

    Para que servem os anabolizantes?

    Os esteroides anabolizantes servem para promover o crescimento celular e a síntese proteica, sendo utilizados para restaurar níveis hormonais ou reverter a perda de tecido muscular e ósseo em pacientes debilitados. As principais indicações incluem:

    • Hipogonadismo: tratamento de homens com deficiência na produção de testosterona, ajudando a restabelecer níveis hormonais adequados e aliviar sintomas como fadiga e perda de massa muscular;
    • Puberdade tardia: estimulação do desenvolvimento em adolescentes com atraso hormonal importante, promovendo o aparecimento das características sexuais secundárias;
    • Sarcopenia e catabolismo: auxílio na recuperação da massa muscular perdida em doenças crônicas, como AIDS e câncer, ou após grandes cirurgias e queimaduras;
    • Anemias graves: estímulo à produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea, embora esse uso seja menos comum atualmente devido a alternativas mais modernas;
    • Angioedema hereditário: prevenção de episódios de inchaço subcutâneo em pessoas com condições genéticas específicas.

    Em todos os casos, o uso deve ser feito com indicação e acompanhamento médico, com doses ajustadas de acordo com a necessidade de cada paciente.

    Como são administrados?

    Os esteroides anabolizantes podem ser administrados por via oral, por meio de comprimidos, por via intramuscular, com aplicações injetáveis, ou por via transdérmica, na forma de géis ou adesivos aplicados na pele.

    Esteroides anabolizantes para uso estético

    Apesar de proibido no Brasil pelo CFM, o uso de anabolizantes para uso estético se tornou cada vez mais comum nas academias de musculação e luta. Segundo Remo, tanto homens quanto mulheres utilizam as substâncias para aumentar a massa muscular e melhorar o desempenho físico, especialmente em atividades que exigem força.

    Ao contrário do uso médico, as doses usadas para fins estéticos costumam ser muito mais altas do que o normal, o que desregula o organismo e provoca desequilíbrios hormonais. Os esteroides anabolizantes estão diretamente associados a graves riscos para a saúde física e mental, inclusive aumentando o risco de doenças cardiovasculares e hepáticas.

    Eles também não contam com controle sanitário, o que aumenta o risco de uso de produtos de origem duvidosa. Muitas das substâncias podem estar adulteradas, com doses diferentes das informadas no rótulo ou até contaminadas, o que eleva ainda mais os riscos à saúde.

    Efeitos colaterais dos esteroides anabolizantes

    Os efeitos colaterais dos esteroides anabolizantes acontecem especialmente quando a utilização é indiscriminada, porque normalmente as doses superam a capacidade do corpo de processar hormônios.

    Quando o organismo recebe uma carga excessiva de testosterona sintética, ele tenta compensar desregulando o sistema endócrino e sobrecarregando órgãos vitais, podendo causar:

    • Aumento da pressão arterial (hipertensão): sobrecarga contínua do sistema cardiovascular, elevando consideravelmente o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Hipertrofia cardíaca: crescimento anormal do coração, o que compromete o funcionamento do órgão a longo prazo e pode evoluir para insuficiência cardíaca;
    • Tumores hepáticos: o uso prolongado eleva o risco de lesões graves no fígado, podendo favorecer o desenvolvimento de câncer;
    • Hepatite medicamentosa: inflamação hepática severa causada pelas substâncias, gerando dor abdominal, mal-estar e alterações em exames de sangue;
    • Trombose: formação de coágulos nos vasos sanguíneos que podem obstruir a circulação e causar complicações fatais;
    • Acne severa: aumento acentuado da oleosidade da pele, provocando o surgimento de espinhas inflamadas, especialmente no rosto, peito e costas;
    • Olhos amarelados (Icterícia): sintoma que indica a dificuldade do fígado em metabolizar substâncias e eliminar toxinas do organismo;
    • Alteração do perfil lipídico: redução do colesterol HDL (o “bom” colesterol) e aumento do LDL, facilitando o acúmulo de placas de gordura nas artérias.

    Os danos também podem variar de acordo com o gênero, já que os efeitos hormonais se manifestam de formas diferentes em homens e mulheres. Em alguns casos, eles são irreversíveis.

    Efeitos colaterais em homens

    O uso excessivo de anabolizantes nos homens reduz a produção natural de testosterona pelo próprio corpo, podendo causar:

    • Ginecomastia: o excesso de hormônio pode ser convertido em estrogênio, estimulando o crescimento indesejado de tecido mamário;
    • Infertibilidade: a queda drástica na produção de espermatozoides pode levar à esterilidade temporária ou permanente;
    • Atrofia testicular: a suspensão da função glandular causa a redução física do tamanho dos testículos;
    • Disfunção erétil: a desregulação hormonal compromete a libido e dificulta a manutenção da ereção.

    Efeitos colaterais em mulheres

    Como o organismo feminino possui níveis naturalmente baixos de testosterona, a introdução de altas doses de anabolizantes provoca a virilização, um processo de masculinização em que as alterações são, em muitos casos, irreversíveis:

    • Alterações na voz, que pode ficar mais grave de forma permanente;
    • Aumento de pelos em regiões como rosto e tórax;
    • Crescimento do clitóris;
    • Irregularidades no ciclo menstrual e redução do volume das mamas.

    Efeitos psicológicos dos anabolizantes

    O uso de esteroides anabolizantes interfere diretamente no sistema nervoso, provocando oscilações mentais tanto durante o ciclo quanto no período de interrupção. A Associação Médica Brasileira (AMB) aponta alguns dos principais efeitos psicológicos:

    • Aumento súbito da irritabilidade e propensão a comportamentos violentos, fenômeno frequentemente chamado de “fúria do esteroide”;
    • Mania, em que há episódios de autoconfiança desmedida, impulsividade e percepção distorcida da própria capacidade;
    • Dismorfia muscular, em que a pessoa apresenta uma preocupação patológica com o corpo, nunca se sentindo suficientemente forte ou musculoso;
    • Em situações graves, a pessoa pode apresentar delírios ou perda de conexão com a realidade.

    Em casos de abstinência, como o corpo se acostuma com o uso contínuo de altas doses, a interrupção pode provocar uma síndrome de retirada, que causa depressão, cansaço intenso e desânimo persistente.

    Além do impacto emocional, a pessoa pode enfrentar insônia severa, perda de apetite e um desejo compulsivo (conhecido como craving) de retomar o uso para aliviar o mal-estar físico e psicológico.

    Anabolizantes podem causar dependência?

    O uso prolongado de esteroides, especialmente em dosagens altas, pode provocar alterações cerebrais e comportamentais que resultam em dependência física e psicológica. Diferente do que acontece com o uso de drogas recreativas, a dependência está associada especialmente à imagem corporal e necessidade de manter os efeitos no corpo.

    Segundo a AMB, cerca de 30% dos usuários desenvolvem um padrão de consumo dependente, mesmo sabendo dos riscos cardíacos, hepáticos e nas complicações na vida pessoal e profissional.

    Importante: a interrupção do uso em usuários crônicos deve ser feita com acompanhamento médico e, muitas vezes, psicológico.

    Como detectar o uso de anabolizantes?

    O uso de anabolizantes pode ser identificado por meio de exames laboratoriais que mostram alterações hormonais e metabólicas no organismo, como:

    • Dosagem de testosterona total e livre, que pode estar muito elevada ou suprimida após o uso;
    • LH e FSH, hormônios que costumam ficar baixos quando há uso de testosterona externa;
    • Perfil lipídico, com aumento do LDL (colesterol ruim) e redução do HDL (colesterol bom);
    • Enzimas hepáticas (TGO e TGP), que podem indicar sobrecarga no fígado;
    • Hemograma, que pode mostrar aumento de glóbulos vermelhos;
    • SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), normalmente alterada;
    • Estradiol, que pode estar elevado devido à conversão da testosterona.

    Na prática esportiva, é possível identificar o uso de anabolizantes através do exame antidoping (ou toxicológico específico), capaz de detectar não apenas a substância original, mas também os metabólitos, que são os rastros deixados no organismo após o processamento da droga.

    Os testes utilizam tecnologias avançadas, como a espectrometria de massas, para separar e identificar cada molécula presente na amostra.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante procurar atendimento médico nas seguintes situações:

    • Dor no peito, falta de ar ou palpitações;
    • Inchaço nas pernas ou aumento da pressão arterial;
    • Dor abdominal intensa ou pele e olhos amarelados (sinais de problema no fígado);
    • Alterações de humor importantes, como agressividade, ansiedade ou depressão;
    • Aparecimento de nódulos ou dor nas mamas (em homens);
    • Ausência de menstruação ou sinais de masculinização nas mulheres;
    • Redução do tamanho dos testículos ou infertilidade;
    • Acne severa ou lesões na pele que pioram rapidamente;
    • Sinais de infecção no local da aplicação, como dor, vermelhidão, inchaço ou presença de pus.

    Em caso de uso recente ou suspeita de efeitos colaterais, também é importante buscar avaliação médica para orientação e acompanhamento adequado.

    Confira: Anabolizantes fazem mal? Conheça os efeitos colaterais no corpo masculino e feminino

    Perguntas frequentes

    1. Quem toma anabolizante pode doar sangue?

    Não imediatamente. O uso de anabolizantes injetáveis sem prescrição médica gera um impedimento temporário (geralmente de 6 a 12 meses após a última dose) devido ao risco de contaminação por agulhas e à presença da substância no sangue, que pode prejudicar o receptor.

    2. O que são anabolizantes naturais?

    O termo é usado comercialmente para suplementos (como o tribulus terrestris ou maca peruana) que prometem estimular a produção natural de testosterona do corpo, sem conter hormônios sintéticos. Os efeitos são muito mais leves e não comparáveis aos esteroides.

    3. O uso de anabolizantes é crime?

    No Brasil, a venda e exposição à venda de anabolizantes sem receita médica é crime previsto no Código Penal, com penas de reclusão.

    4. Qual a diferença entre anabolizante oral e injetável?

    Os orais (comprimidos) passam primeiro pelo fígado, sendo normalmente mais tóxicos para o órgão quando o uso é indiscriminado. Os injetáveis caem direto na corrente sanguínea, mas apresentam riscos de infecções, abscessos no local da aplicação e transmissão de doenças por agulhas.

    5. Por que quem usa anabolizante fica com o rosto inchado?

    Isso ocorre devido à retenção de sódio e líquidos causada pelos hormônios, além de possíveis alterações nas glândulas adrenais, conferindo um aspecto arredondado e inflado à face.

    6. Existe dose segura para fins estéticos?

    Não. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), não existe evidência científica de uma dose segura para fins estéticos ou de performance esportiva. Os riscos à saúde superam qualquer benefício visual temporário.

    Leia também: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

  • Meia de compressão: diferenças entre os tipos e como acertar na escolha

    Meia de compressão: diferenças entre os tipos e como acertar na escolha

    A meia de compressão, também conhecida como meia elástica, é um tipo de meia terapêutica feita para apertar de forma controlada as pernas, ajudando a melhorar a circulação do sangue.

    Ela pode ser indicada para diferentes condições, desde varizes até durante a gravidez, além de ser útil na prevenção de trombose e no alívio de sintomas como inchaço, dor e sensação de peso nas pernas.

    Como existem diferentes níveis de compressão, a escolha adequada deve levar em consideração a necessidade de cada pessoa, sempre com orientação de um profissional de saúde. Vamos entender mais, a seguir.

    Como a meia compressão age na circulação?

    As meias elásticas funcionam por meio de uma compressão graduada, um aperto que é mais forte no tornozelo e vai diminuindo ao subir pela perna. Segundo o cirurgião vascular Marcelo Dalio, isso ajuda o sangue a subir de volta para o coração com mais facilidade, melhorando a circulação.

    A meia também ajuda no funcionamento das válvulas das veias, que são responsáveis por impedir que o sangue volte para baixo. Quando as válvulas não funcionam bem, como nos casos de varizes, o sangue pode se acumular. A compressão da meia dá suporte para que as válvulas fechem melhor, melhorando a circulação e aliviando sintomas como dor e sensação de peso.

    Para completar, a meia contribui para reduzir o inchaço, pois facilita a reabsorção do líquido que fica acumulado nos tecidos, ajudando o organismo a eliminar o excesso com mais facilidade.

    Quando a meia de compressão é indicada?

    A meia elástica é indicada quando existe alguma dificuldade na circulação das pernas ou quando há risco de problemas circulatórios, como:

    • Varizes;
    • Inchaço nas pernas e nos pés;
    • Sensação de peso ou cansaço ao final do dia;
    • Má circulação (insuficiência venosa);
    • Gravidez;
    • Pós-operatório, principalmente de cirurgias nas pernas;
    • Prevenção de trombose, como em viagens longas ou períodos de imobilidade;
    • Pessoas que ficam muito tempo sentadas ou em pé, como em alguns tipos de trabalho.

    Apesar de ser bastante útil, a escolha da meia precisa ser individualizada e sempre com orientação de um médico.

    Quais os tipos de meia de compressão?

    Segundo Marcelo, as meias de compressão são classificadas de acordo com a intensidade da pressão que exercem:

    • Compressão leve (15 a 20 mmHg): indicada para prevenção e para desconfortos leves, como inchaço ao final do dia ou durante viagens, e pode ser usada por pessoas sem doença venosa. Ela costuma ser vendida sem prescrição médica, em farmácias e lojas, e normalmente não oferece riscos para a circulação;
    • Compressão moderada (20 a 30 mmHg): indicada para quem já apresenta algum problema venoso, como varizes, vasinhos ou inchaço mais persistente. Nesse caso, é importante ter orientação médica, pois nem todas as pessoas podem usar esse tipo de compressão;
    • Compressão alta (30 a 40 mmHg): utilizada em casos mais graves, como doenças venosas avançadas ou presença de feridas. Deve ser usada apenas com indicação e acompanhamento médico, já que exige uma avaliação criteriosa.

    A orientação médica é importante porque algumas condições podem contraindicar o uso da meia, como doenças arteriais, alergias ao material ou outros problemas circulatórios. O uso inadequado pode não trazer benefício ou até piorar o quadro, segundo o profissional.

    Modelos de meias de compressão

    Além do nível de compressão, Marcelo explica existem diferentes modelos disponíveis de meia, como:

    • Meia até o joelho (3/4);
    • Meia até a coxa (7/8);
    • Meia-calça (até a cintura);
    • Modelos específicos para gestantes.

    Também existem variações no tipo de tecido e na forma de fabricação, como malha circular ou plana, além de modelos específicos para condições como linfedema e lipedema.

    Como usar a meia de compressão adequadamente?

    A meia de compressão deve ser colocada preferencialmente no início do dia, quando as pernas ainda estão menos inchadas. Marcelo explica que não é necessário colocar antes de levantar da cama, mas o ideal é usar logo pela manhã, depois de acordar.

    Se você só conseguir colocar mais tarde, o melhor é elevar as pernas por alguns minutos antes, para reduzir o inchaço. O uso noturno só é indicado em situações específicas, com orientação médica, como na prevenção de trombose ou em alguns casos de linfedema.

    O cirurgião ainda destaca que, para situações simples, como viagens longas ou inchaço leve, a meia de compressão leve pode ser usada sem grandes riscos. Em todos os outros casos, especialmente durante a gravidez ou quando há doenças venosas, apenas um médico pode indicar o melhor tipo de meia.

    Quando desconfiar de problemas circulatórios?

    As doenças vasculares costumam ser silenciosas em algumas pessoas e apresentam sintomas que muitas vezes passam despercebidos, mas alguns sinais no dia a dia, especialmente quando frequentes, precisam de mais atenção:

    • Inchaço nas pernas ou nos pés, com sapatos apertando no fim do dia ou marcas profundas das meias no tornozelo, além de pele que fica marcada ao pressionar;
    • Mudanças na cor ou na temperatura, como pés arroxeados, azulados, muito pálidos, frios demais ou com sensação de queimação;
    • Presença de varizes ou vasinhos aparentes, com veias mais grossas, tortuosas ou agrupamentos avermelhados;
    • Sensação de peso e cansaço nas pernas, que melhora ao elevar os membros;
    • Cãibras frequentes ou formigamento, especialmente à noite;
    • Dor na panturrilha ao caminhar, que melhora após alguns minutos de descanso;
    • Pele mais seca, fina, brilhante ou com manchas escuras na região das pernas;
    • Feridas que demoram para cicatrizar, mesmo quando são pequenas;

    Se houver inchaço repentino em apenas uma das pernas, acompanhado de dor forte, calor localizado e vermelhidão, procure um pronto-atendimento imediatamente.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre meia de compressão e meia esportiva?

    A meia de compressão medicinal tem pressão graduada (mais forte no tornozelo). Já as esportivas focam na redução da vibração muscular e na recuperação após o treino, nem sempre seguindo a graduação médica rigorosa.

    2. Posso dormir de meia de compressão?

    Não sem indicação médica. Ao deitar, a gravidade deixa de ser um problema e o retorno venoso flui naturalmente. Dormir com ela pode restringir o fluxo arterial desnecessariamente, a menos que haja uma recomendação médica específica (como pós-operatório imediato).

    3. Como saber o tamanho ideal?

    É preciso medir a circunferência do tornozelo, da panturrilha e, se for o caso, da coxa, de preferência logo ao acordar, quando as pernas estão menos inchadas. Cada fabricante possui uma tabela de medidas específica.

    4. Quanto tempo dura uma meia elástica?

    Em média, de 4 a 6 meses. Após esse período e com as lavagens constantes, o elastano perde a memória e a compressão deixa de ser eficaz, mesmo que a meia pareça inteira.

    5. Como lavar as meias para que durem mais?

    Lave à mão com sabão neutro e seque à sombra. Nunca use amaciante, não torça e não use máquina de secar, pois o calor e os produtos químicos destroem as fibras elásticas.

    6. A meia elástica emagrece as pernas?

    Ela reduz o inchaço causado pela retenção de líquidos, o que pode dar a impressão visual de pernas mais finas, mas ela não elimina gordura.

    7. É normal sentir a perna coçar ao usar a meia?

    A coceira pode ocorrer por dois motivos: a pele muito seca ou uma reação leve ao material da meia. O ideal é manter a pele hidratada (passando creme na noite anterior) e garantir que a meia não tenha resíduos de sabão da lavagem. Se houver vermelhidão, suspenda o uso e fale com um médico.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Fases do climatério: o que é, sintomas e o que acontece com o corpo

    Fases do climatério: o que é, sintomas e o que acontece com o corpo

    O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva, em que acontece uma queda gradual na produção de hormônios pelos ovários. Apesar de normalmente confundido com a menopausa, o climatério não é um momento específico, mas um processo contínuo que pode durar vários anos.

    Ele inclui todas as mudanças físicas e emocionais que aparecem antes e depois da última menstruação, funcionando como uma fase de adaptação do corpo para uma nova etapa da vida. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, ele costuma ter início a partir dos 40 anos de idade.

    Afinal, o que é o climatério?

    O climatério é o nome dado a todo o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva. Ao contrário da menopausa, que é um evento pontual (a data da última menstruação), o climatério é um processo gradual e prolongado que pode durar dos 40 aos 65 anos, aproximadamente.

    Ele acontece por causa da diminuição natural da reserva ovariana, um processo fisiológico e contínuo que ocorre em todas as mulheres ao longo da vida, resultando em menor quantidade e qualidade dos óvulos.

    Com menos folículos ovarianos ativos, a ovulação passa a ser irregular e a produção de hormônios como progesterona e estrogênio diminui, o que impacta diversos sistemas do corpo, desde o controle da temperatura interna até a saúde dos ossos e do coração.

    Quais são as fases do climatério?

    O climatério costuma ser dividido em três fases principais, sendo elas:

    1. Perimenopausa (ou pré-menopausa)

    A perimenopausa é a fase que acontece antes da menopausa e marca o início das mudanças hormonais no corpo da mulher. Durante o período, a mulher ainda menstrua, mas de forma irregular, com ciclos que podem variar bastante em duração e intensidade. É comum que a menstruação atrase, adiante ou até fique ausente por alguns meses.

    Normalmente, a perimenopausa se inicia por volta dos 40 aos 45 anos, mas pode começar antes em algumas mulheres, segundo Andreia. Ela pode durar de 4 a 8 anos, terminando oficialmente quando a mulher atinge a menopausa, que acontece quando ela completa 12 meses seguidos sem menstruar.

    Ao longo da fase, é comum que os sintomas fiquem mais intensos conforme a última menstruação se aproxima.

    Quais os sintomas da perimenopausa?

    Como os hormônios estão instáveis, os sintomas podem surgir e desaparecer espontaneamente:

    • Irregularidade menstrual;
    • Ondas de calor (fogachos);
    • Dificuldade para adormecer ou episódios de suor noturno;
    • Irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem motivo aparente;
    • Alteração no desejo sexual e possível secura vaginal.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    De acordo com Andreia, apesar da chance ser menor, é possível engravidar na perimenopausa. A fertilidade feminina diminui drasticamente na fase devido à menor reserva de óvulos, mas a ovulação ainda pode ocorrer de forma esporádica e imprevisível.

    Por isso, o recomendado é manter o uso de métodos contraceptivos até que a menopausa seja confirmada.

    2. Menopausa

    A menopausa é o marco que indica o fim definitivo da fase reprodutiva da mulher. Diferente do climatério, que é um processo longo, Andreia explica que a menopausa é um evento específico: ela consiste na última menstruação após 12 meses consecutivos sem fluxo.

    Se ocorrer qualquer sangramento vaginal nesse intervalo de um ano, a contagem deve ser reiniciada.

    Em média, a menopausa acontece entre os 45 e 55 anos. Quando ocorre antes dos 40 anos, é classificada como menopausa precoce, normalmente precisando de uma investigação médica mais detalhada para identificar as causas.

    Quais os sintomas da menopausa?

    Na menopausa, os ovários interrompem a produção de estrogênio e progesterona, causando sintomas como:

    • Ondas de calor (fogachos), que surgem de forma repentina e podem vir acompanhadas de vermelhidão;
    • Suor noturno, que pode atrapalhar o sono;
    • Dificuldade para dormir ou sono mais leve e fragmentado;
    • Alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade ou tristeza;
    • Ressecamento vaginal, causando desconforto ou dor nas relações;
    • Diminuição da libido;
    • Cansaço frequente e falta de energia;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Nem todas as mulheres apresentam os sintomas, e algumas passam pela fase com pouco desconforto. Mas, quando eles começam a atrapalhar o dia a dia ou o bem-estar, vale procurar um médico para receber orientação e encontrar formas de aliviar os incômodos.

    É importante lembrar que a redução do estrogênio aumenta o risco de perda de massa óssea (osteoporose) e doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares.

    Por isso, mesmo com o fim da menstruação ainda é necessário manter uma rotina periódica de exames de rotina, como mamografia, densitometria óssea e check-ups cardiovasculares.

    3. Pós-menopausa

    A pós-menopausa é a última fase do climatério e compreende todo o período da vida da mulher após a confirmação da menopausa. Ela se inicia oficialmente quando se completa 1 ano inteiro desde a última menstruação e se estende até o final da vida.

    Nessa etapa, os ovários já não liberam óvulos, e os níveis de hormônios, como o estrogênio e a progesterona, permanecem baixos permanentemente. Alguns sintomas da fase anterior podem continuar, como ondas de calor e ressecamento vaginal, mas, para muitas mulheres, eles tendem a diminuir com o tempo.

    Cuidados na pós-menopausa

    A partir da pós-menopausa, com a ausência permanente do estrogênio, o corpo fica mais vulnerável a algumas condições de saúde, como a perda de massa óssea, que pode levar ao desenvolvimento de osteoporose e aumentar o risco de fraturas, além do maior risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC.

    Também podem ocorrer alterações no metabolismo, que favorecem o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.

    No dia a dia, a mulher deve adotar alguns cuidados para garantir a qualidade de vida, como:

    • Garantir a ingestão adequada de cálcio por meio da alimentação ou suplementação;
    • Manter níveis adequados de vitamina D para ajudar na absorção do cálcio;
    • Realizar a densitometria óssea para acompanhar a saúde dos ossos;
    • Controlar os níveis de colesterol e triglicerídeos com exames regulares;
    • Monitorar a pressão arterial com frequência;
    • Praticar musculação ou exercícios de resistência para preservar a massa muscular e fortalecer os ossos;
    • Incluir exercícios aeróbicos, como caminhada, natação ou bicicleta, para cuidar do coração e do peso;
    • Usar hidratantes e lubrificantes íntimos para reduzir o ressecamento vaginal, conforme orientação médica;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, grãos integrais e gorduras boas;
    • Reduzir o consumo de açúcar e de sódio para evitar problemas metabólicos;
    • Manter a mente ativa com leitura, aprendizado e convívio social;
    • Buscar apoio psicológico quando houver sintomas persistentes de ansiedade ou tristeza.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do climatério e da menopausa é feito com base na avaliação clínica, a partir da idade, do padrão do ciclo menstrual e da presença de sintomas. Quando a mulher já ficou 12 meses seguidos sem menstruar, a menopausa é confirmada, sem necessidade de exames na maioria dos casos.

    Em algumas situações, o médico pode solicitar exames de sangue para avaliar os níveis hormonais, como:

    • FSH (hormônio folículo-estimulante): que costuma estar elevado na menopausa, pois o organismo tenta estimular os ovários, que já não respondem como antes;
    • Estradiol (estrogênio): geralmente apresenta níveis baixos, indicando a redução da atividade dos ovários.

    Os exames não são necessários em todos os casos, mas podem ser solicitados pelo médico quando há dúvidas no diagnóstico.

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo dura o climatério?

    O climatério dura, em média, de 7 a 10 anos ou mais, começando normalmente por volta dos 40 a 45 anos e se estendendo até a pós-menopausa.

    2. Por que sinto tantas ondas de calor (fogachos)?

    Isso ocorre devido à queda do estrogênio, que afeta o centro termorregulador no cérebro, fazendo com que o corpo sinta calor excessivo mesmo em ambientes frios.

    3. O climatério causa ganho de peso?

    As alterações hormonais tornam o metabolismo mais lento e favorecem o acúmulo de gordura na região abdominal, o que exige ajustes na dieta e exercícios.

    4. O que é menopausa precoce?

    É quando a última menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade, podendo ser causada por genética, doenças autoimunes ou tratamentos como quimioterapia.

    5. É normal ter sangramento após a menopausa?

    Não! Qualquer sangramento vaginal após um ano sem menstruar deve ser investigado imediatamente por um ginecologista para descartar alterações no endométrio.

    6. É normal sentir palpitações cardíacas no climatério?

    Sim, as oscilações hormonais podem afetar o sistema nervoso autônomo, causando episódios de batimentos acelerados (taquicardia), que muitas vezes acompanham as ondas de calor. No entanto, é importante descartar causas cardíacas com um médico.

    7. O que é a “barriga da menopausa”?

    É o acúmulo de gordura visceral (abdominal) causado pela queda do estrogênio, que muda o padrão de distribuição de gordura do corpo feminino (que antes se concentrava mais em quadris e coxas).

    8. Quanto tempo depois da menopausa os sintomas desaparecem?

    Na maioria das mulheres, os sintomas mais intensos (como fogachos) melhoram significativamente entre 2 a 5 anos após a última menstruação, embora o corpo continue em adaptação permanente na pós-menopausa.

  • 7 alimentos que carregam sódio escondido (e você nem desconfia)

    7 alimentos que carregam sódio escondido (e você nem desconfia)

    O sódio é um dos minerais mais importantes para o funcionamento do corpo, atuando para manter o equilíbrio de líquidos e participando da condução de impulsos nervosos. Ainda assim, como acontece com qualquer nutriente, a quantidade consumida no dia a dia precisa de atenção.

    Quando há sódio demais no organismo, o corpo tende a reter mais líquidos, o que pode aumentar a pressão arterial e sobrecarregar órgãos como o coração e os rins.

    O sódio é encontrado naturalmente nos alimentos, mas a maior parte do consumo provém dos produtos industrializados, onde ele atua como conservante e realçador de sabor.

    Por que o excesso de sódio é prejudicial para a saúde?

    Quando o consumo de sódio é excessivo, o corpo tende a reter mais líquidos do que o necessário, pois o organismo tenta equilibrar a quantidade de sal no sangue, puxando água para dentro dos vasos.

    Consequentemente, o volume de sangue aumenta e a pressão nas artérias sobe, o que pode levar à hipertensão ao longo do tempo.

    Com a pressão mais alta, o coração precisa fazer mais esforço para bombear o sangue, o que aumenta o risco de problemas como infarto e AVC. Ao mesmo tempo, os rins precisam filtrar todo o excesso de sal, e o esforço constante pode prejudicar o funcionamento renal com o passar do tempo.

    Como o sódio estimula a eliminação de cálcio pela urina, o corpo também pode acabar retirando cálcio dos ossos para compensar perdas no sangue, o aumenta o risco de osteoporose a longo prazo, especialmente em mulheres na pós-menopausa.

    Quais alimentos podem conter sódio oculto?

    A maior parte do sódio consumido no dia a dia provém dos alimentos industrializados, inclusive aqueles considerados saudáveis. Veja alguns exemplos:

    1. Sopas instantâneas e caldos prontos

    Mesmo nas versões com menos gordura, as sopas instantâneas e os caldos prontos costumam ter muito sal e vários aditivos à base de sódio, como o glutamato monossódico, para realçar o sabor e aumentar a durabilidade.

    Em muitos casos, uma única porção de sopa de copo ou um cubinho de caldo pode conter mais de 50% da recomendação diária de sódio de um adulto.

    2. Queijos magros e cottage

    Apesar de terem menos gordura saturada, queijos como o cottage e o ricota industrializada recebem doses extras de sal para compensar a perda de sabor da gordura e ajudar na conservação, já que são alimentos com muita umidade.

    Uma dica é comparar as marcas e priorizar aquelas com menor teor de miligramas de sódio por porção.

    3. Peito de peru, presunto magro e embutidos “light”

    Para manter a cor rosada e evitar a proliferação de bactérias, os alimentos recebem nitritos e nitratos de sódio. Mesmo as versões light ou com redução de gordura mantêm um nível elevado de sódio, o que contribui para a retenção de líquidos e o aumento da pressão arterial se o consumo for diário.

    4. Cereais matinais e pães de forma

    O sódio é necessário na panificação industrial para controlar a fermentação, fortalecer a rede de glúten e garantir que o pão de forma dure mais tempo sem embolorar.

    Já nos cereais matinais, o sal serve para equilibrar o dulçor excessivo, fazendo com que você consuma sódio logo na primeira refeição do dia sem perceber.

    5. Lanches “assados” ou integrais

    Para compensar a falta da gordura e manter a crocância e o sabor, é comum adicionar grandes quantidades de sal e aditivos (como o bicarbonato de sódio) em lanches como biscoitos salgados, chips de legumes e crackers integrais. Inclusive, algumas marcas podem ter tanto sódio quanto salgadinhos tradicionais, mesmo com aparência mais saudável.

    6. Refrigerantes, especialmente as versões zero

    Nos refrigerantes, o sal é usado em larga escala na forma de ciclamato de sódio e sacarina sódica (adoçantes) e também como conservante (benzoato de sódio). Nas versões zero, a quantidade de sódio costuma ser ainda maior do que na versão normal para ajudar a equilibrar o sabor residual dos adoçantes.

    7. Molhos prontos

    Os molhos para salada, shoyu, molho inglês e temperos em cubo ou em pó, ainda que usados em pequenas quantidades, costumam ter uma grande quantidade de sódio. Frequentemente, eles também contêm açúcar, corantes e outros aditivos que podem prejudicar a saúde.

    8. Macarrão instantâneo

    A maior parte do sódio presente no macarrão instantâneo está concentrada no sachê de tempero, que é rico em sal e glutamato monossódico.

    No entanto, a própria massa do macarrão também contribui para o excesso, pois o processo de fabricação envolve o uso de sal na massa e uma etapa de fritura prévia, que ajuda na conservação e na rapidez do preparo.

    9. Bebidas esportivas (isotônicos)

    As bebidas esportivas contêm quantidades significativas de sódio e outros eletrólitos, como o potássio, sendo formuladas especificamente para a reposição rápida de nutrientes perdidos através do suor durante atividades físicas intensas e prolongadas.

    Mas, quando são consumidos por pessoas que não estão fazendo atividade física intensa, os isotônicos contribuem para o consumo de sódio sem necessidade, o que pode sobrecarregar os rins e favorecer o aumento da pressão arterial.

    Como ler o rótulo para identificar o sódio?

    A melhor maneira de identificar o sódio no rótulo do alimento é observar a tabela nutricional. De acordo com as normas da Anvisa, os alimentos com alto teor de sódio agora devem exibir uma lupa de alerta na parte frontal da embalagem.

    Ao ler a lista de ingredientes, também é importante ficar atento a termos como:

    • Glutamato monossódico;
    • Bicarbonato de sódio;
    • Nitrato ou nitrito de sódio;
    • Benzoato de sódio.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de menos de 2.000 mg de sódio por dia (o equivalente a 5g de sal ou uma colher de chá rasa). No Brasil, a média de consumo é quase o dobro disso.

    Confira: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre sal e sódio?

    O sal de cozinha (cloreto de sódio) é composto por 40% de sódio e 60% de cloro. Portanto, o sódio é uma parte do sal. Quando os rótulos indicam “sódio”, eles se referem ao mineral puro, que é o componente que afeta a pressão arterial.

    2. Alimentos doces podem ter muito sódio?

    Sim, o sódio é usado em doces industrializados para realçar o sabor, controlar a fermentação (bicarbonato de sódio) e conservar o produto. Bolos de caixinha e cereais matinais são exemplos clássicos.

    3. Por que o refrigerante zero tem mais sódio que o normal?

    Para compensar a falta do açúcar e manter o paladar agradável, a indústria utiliza adoçantes à base de sódio (como ciclamato e sacarina) e conservantes que elevam o teor do mineral na versão diet/zero.

    4. O sal rosa do Himalaia é melhor que o sal comum?

    Embora contenha mais minerais (como cálcio e magnésio), o sal rosa tem praticamente a mesma quantidade de sódio que o sal refinado. Portanto, deve ser consumido com a mesma moderação.

    5. Crianças podem consumir a mesma quantidade de sódio que adultos?

    Não. Os rins das crianças ainda estão em desenvolvimento e são mais sensíveis. A recomendação é muito menor e, para bebês até 1 ano, o ideal é não adicionar sal aos alimentos.

    6. O sódio causa pedras nos rins?

    Sim, o alto consumo de sódio aumenta a eliminação de cálcio pela urina. Quando acumulado nos rins, o cálcio pode se cristalizar, formando os cálculos renais.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Perimenopausa (pré-menopausa): como saber se ela já começou?

    Perimenopausa (pré-menopausa): como saber se ela já começou?

    A pré-menopausa, também chamada de perimenopausa, é a fase de transição natural do corpo feminino até a menopausa, quando a produção dos hormônios começa a oscilar, principalmente o estrogênio. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a mulher ainda menstrua, mas já passa por mudanças hormonais que podem causar alterações no ciclo.

    O início nem sempre é óbvio, já que os sinais aparecem de forma gradual e podem ser confundidos com estresse ou mudanças da rotina. Ainda assim, alguns indícios ajudam a perceber que o corpo já entrou nessa fase. Vamos entender mais, a seguir.

    Quando a perimenopausa começa?

    A perimenopausa costuma iniciar entre os 40 e 50 anos, mas pode variar bastante de mulher para mulher. Em alguns casos, os primeiros sinais aparecem por volta dos 35 anos, enquanto em outros surgem mais próximos da menopausa.

    Segundo Andreia, a perimenopausa não tem uma duração definida. Em algumas mulheres, a fase pode durar poucos meses, enquanto em outras pode se estender por anos, até que a menstruação pare de forma definitiva.

    O mais importante no período é identificar quais sintomas aparecem, qual é a intensidade deles e de que forma eles impactam a rotina e a qualidade de vida.

    Quais os principais sintomas de perimenopausa?

    Os sintomas da perimenopausa variam de mulher para mulher, mas estão ligados principalmente às oscilações hormonais, especialmente do estrogênio. Eles podem surgir de forma gradual e mudar ao longo do tempo, sendo os principais:

    • Mudanças de humor, incluindo irritabilidade, ansiedade ou maior sensibilidade emocional;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
    • Queda na produtividade;
    • Irregularidade no ciclo menstrual, com atrasos, adiantamentos ou mudanças no fluxo;
    • Ondas de calor (fogachos);
    • Alterações no sono, como insônia ou despertares frequentes;
    • Diminuição da lubrificação vaginal;
    • Dor ou sensibilidade nos seios, inchaço abdominal e dor de cabeça.

    Nem todos os sintomas aparecem ao mesmo tempo, e a intensidade pode variar bastante.

    Como saber se a perimenopausa já começou?

    O diagnóstico da perimenopausa é feito pelo médico ginecologista por meio da avaliação dos sintomas, como irregularidade menstrual, ondas de calor, mudanças no sono e no humor, que indicam que os hormônios já estão oscilando.

    Em situações em que a menstruação não serve como referência, como após histerectomia (retirada do útero) ou uso de métodos que suspendem o ciclo (como DIU), Andreia explica que podem ser solicitados exames laboratoriais.

    O principal é o FSH, um hormônio que tende a aumentar quando os ovários começam a funcionar de forma mais irregular. Quando o FSH aparece elevado de forma persistente, isso indica que o corpo está entrando na fase de transição.

    O médico também pode pedir outros exames, como o estradiol, para complementar a avaliação e orientar o melhor cuidado para aliviar os sintomas.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    A resposta é sim, é possível engravidar na perimenopausa. Mesmo com as oscilações hormonais e com a irregularidade da menstruação, a ovulação ainda pode acontecer, mesmo que de forma menos previsível.

    Se não houver desejo de engravidar, é importante manter o uso de métodos contraceptivos até a confirmação da menopausa, que é feita 12 meses seguidos sem menstruar.

    Quando procurar um médico?

    A avaliação com um ginecologista é indicada quando:

    • A menstruação começa a ficar muito irregular, com atrasos frequentes ou mudanças importantes no fluxo;
    • Os sintomas passam a incomodar no dia a dia e atrapalhar as atividades;
    • Há impacto no sono, na disposição ou na concentração;
    • Surgem sintomas como ressecamento vaginal ou dor nas relações;
    • Existe dúvida sobre se os sinais estão relacionados à pré-menopausa ou a outra condição;
    • Há histórico familiar de menopausa precoce.

    Vale destacar que se os sintomas (como ondas de calor e ausência de menstruação) surgirem antes dos 40 anos de idade, a busca por um médico ginecologista deve ser imediata.

    Nesses casos, a transição hormonal precoce pode trazer riscos aumentados para a saúde óssea e cardiovascular, precisando de uma investigação mais detalhada para identificar a causa e avaliar a necessidade de reposição hormonal.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre climatério e perimenopausa?

    Na prática, os termos são usados como sinônimos para descrever a fase de transição hormonal. O climatério é o período completo de mudanças que antecede e sucede a última menstruação, enquanto a pré-menopausa foca nos anos que levam à interrupção total do ciclo.

    2. O que é menopausa precoce?

    É quando a interrupção definitiva da menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade, podendo ser causada por fatores genéticos, doenças autoimunes ou tratamentos médicos.

    3. Por que a libido diminui na perimenopausa?

    A redução dos níveis de testosterona e estrogênio, somada ao cansaço e ao possível desconforto na relação (secura vaginal), contribui para a queda do desejo sexual.

    4. Quando posso dizer que já entrei na menopausa?

    A menopausa só é confirmada após a mulher passar 12 meses seguidos sem nenhuma menstruação. Antes disso, ela ainda está na fase de pré-menopausa ou climatério.

    5. Pode usar apenas lubrificante para a secura vaginal?

    O lubrificante ajuda no conforto durante a relação sexual, mas não trata a causa. Para melhorar a saúde do tecido vaginal a longo prazo, o médico pode indicar hidratantes vaginais de uso contínuo ou cremes de estrogênio local.

    6. É verdade que a menopausa aumenta o risco de infarto?

    Sim, o estrogênio exerce uma proteção natural sobre as artérias, ajudando a manter a elasticidade dos vasos e o bom colesterol (HDL). Com a sua queda definitiva na menopausa, o risco cardiovascular da mulher se equipara ao do homem, tornando o controle da pressão e do colesterol ainda mais vital.

    7. Existem exames obrigatórios para quem já está na menopausa?

    Sim. Além do preventivo e mamografia, é fundamental realizar a densitometria óssea (para checar a saúde dos ossos), o perfil lipídico completo e a avaliação da glicemia, já que o risco de diabetes tipo 2 também aumenta na fase.

    Confira: Perimenopausa: o que é e quais são os sintomas