Esquecer o nome de alguém que você acabou de conhecer, entrar em um cômodo sem lembrar o que foi fazer ou passar vários minutos procurando as chaves pela casa são situações comuns na rotina.
Normalmente, os lapsos de memória estão ligados ao estilo de vida, como o estresse, as noites mal dormidas ou simplesmente a falta de atenção por fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
No entanto, quando as falhas de memória começam a se tornar frequentes, intensas ou passam a atrapalhar atividades simples da rotina, a neurologista Paula Dieckmann orienta procurar uma avaliação médica.
Em casos mais raros, os esquecimentos podem estar relacionados a fatores emocionais, excesso de sobrecarga mental e até algumas condições de saúde que precisam de investigação. Vamos entender mais, a seguir.
Esquecer nomes e objetos é normal?
A resposta é sim, esquecer nomes e objetos de vez em quando é considerado normal, principalmente em períodos de estresse, ansiedade, excesso de tarefas, noites mal dormidas ou falta de atenção. Muitas vezes, o cérebro está sobrecarregado e acaba não registrando algumas informações direito.
De acordo com Paula, quando você coloca o celular na mesa enquanto pensa em várias coisas ao mesmo tempo, por exemplo, o cérebro pode nem registrar direito aquele momento — e o que não foi registrado com atenção fica muito mais difícil de lembrar depois.
Outra questão é que os nomes próprios são particularmente mais difíceis para o cérebro, porque não possuem uma associação direta com significado, então é comum esquecê-los. Na maior parte das vezes, a neurologista explica que isso faz parte do funcionamento normal da memória.
O que pode causar o esquecimento frequente?
O esquecimento frequente pode ter várias causas, e nem sempre está relacionado a um problema grave de memória. Normalmente, ele é resultado de:
- Estresse e ansiedade;
- Noites mal dormidas;
- Sobrecarga mental e excesso de tarefas;
- Falta de atenção no dia a dia;
- Depressão;
- Uso excessivo de álcool;
- Uso de alguns medicamentos;
- Deficiência de vitamina B12;
- Alterações hormonais;
- Envelhecimento natural.
Quando o esquecimento pode ser sinal de algo grave?
O esquecimento pode ser um sinal de alerta quando começa a acontecer com muita frequência, piora ao longo do tempo ou passa a atrapalhar atividades simples da rotina. Assim, fique atento se os lapsos de memória vierem acompanhados de:
- Desorientação temporal ou espacial, como esquecer em que dia da semana está, em que ano vivemos ou se perder em trajetos conhecidos;
- Dificuldade para realizar tarefas do dia a dia, como usar eletrodomésticos, cozinhar receitas familiares ou organizar contas;
- Alterações na linguagem, como esquecer palavras simples com frequência ou trocar nomes por termos sem sentido;
- Mudanças de comportamento e humor, incluindo apatia, agressividade, confusão ou paranoia sem motivo aparente;
- Repetição excessiva de perguntas ou histórias em um curto período de tempo sem perceber.
Se você ou um familiar notar que os sinais estão se tornando frequentes e prejudicando a qualidade de vida, é recomendável agendar uma consulta com um neurologista ou geriatra.
Como melhorar a memória e a concentração?
No dia a dia, some algumas mudanças na rotina podem ajudar o cérebro a funcionar melhor e reduzir os lapsos de memória do dia a dia, como:
- Dormir entre 7 e 9 horas por noite para ajudar o cérebro a consolidar as memórias;
- Evitar telas antes de dormir, já que a luz do celular e da TV pode atrapalhar o sono;
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em ômega-3, frutas, verduras e vegetais escuros;
- Beber água ao longo do dia, porque até a desidratação leve pode afetar a concentração;
- Praticar atividade física regularmente para melhorar a oxigenação cerebral;
- Controlar o estresse e a ansiedade, que podem prejudicar a atenção e a memória;
- Fazer exercícios mentais, como leitura, palavras cruzadas, aprender um idioma ou tocar um instrumento;
- Sair do “piloto automático” e estimular o cérebro com novas atividades e hábitos;
- Evitar fazer muitas tarefas ao mesmo tempo, já que o excesso de estímulos reduz o foco;
- Usar agendas, listas e lembretes para organizar a rotina e diminuir a sobrecarga mental.
Além dos hábitos de vida, alguns medicamentos também podem prejudicar a memória, como calmantes, antialérgicos e certos remédios para pressão arterial. O consumo frequente de álcool também pode afetar a capacidade de lembrar informações.
Por isso, ao perceber falhas de memória frequentes, é importante conversar com um médico para revisar os medicamentos e suplementos em uso, já que ajustes simples podem ajudar a melhorar a clareza mental.
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Perguntas frequentes
1. É normal esquecer o que ia fazer ao entrar em um cômodo?
Sim, e isso é conhecido como “efeito porta”. O cérebro entende a mudança de ambiente como um novo contexto e apaga informações irrelevantes do ambiente anterior para focar no novo.
2. Qual a diferença entre esquecimento comum e Alzheimer?
No esquecimento comum, você esquece um nome, mas lembra depois. No Alzheimer, a pessoa esquece a função de objetos (para que serve uma chave) ou não reconhece pessoas muito próximas.
3. O uso excessivo de celular prejudica a concentração?
Sim, o excesso de estímulos e o hábito de “rolar a tela” (scroll) treinam o cérebro para manter uma atenção superficial e fragmentada, o que prejudica o foco profundo.
4. O que é névoa mental (brain fog)?
É uma sensação de confusão e falta de clareza mental, comum em casos de estresse crônico, alterações hormonais (como na menopausa) ou após infecções virais.
5. Café ajuda a estudar e lembrar melhor?
A cafeína melhora o alerta e a atenção imediata, mas o excesso pode causar ansiedade e insônia, o que acaba prejudicando a memória a longo prazo.
6. Quando devo levar um idoso ao médico por esquecimento?
Quando ele começar a repetir a mesma história várias vezes, perder-se em locais conhecidos ou apresentar mudanças bruscas de personalidade.
7. Qual exame detecta problemas de memória?
O diagnóstico começa com testes neuropsicológicos (perguntas e tarefas) e pode incluir exames de sangue (para ver vitaminas e tireoide) e ressonância magnética do crânio.
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