Categoria: Prevenção

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  • Falta de vitaminas pode causar doenças graves? Entenda os sinais de alerta

    Falta de vitaminas pode causar doenças graves? Entenda os sinais de alerta

    Cansaço constante, dificuldade de concentração, queda de cabelo e falta de disposição costumam ser sintomas atribuídos ao estresse ou à correria do dia a dia. Em alguns casos, no entanto, eles podem ser um sinal de que o organismo não está recebendo vitaminas e nutrientes essenciais para funcionar adequadamente.

    Embora pequenas deficiências nem sempre provoquem sintomas, quadros mais intensos ou prolongados podem afetar diferentes sistemas do corpo, incluindo o cérebro, os nervos, os músculos, os ossos e até a produção das células do sangue.

    Identificar e tratar deficiências vitamínicas é importante para evitar complicações potencialmente graves.

    O que acontece quando faltam vitaminas

    As vitaminas participam de inúmeras funções do organismo. Elas são fundamentais para:

    • Funcionamento do sistema nervoso;
    • Produção de células sanguíneas;
    • Funcionamento do sistema imunológico;
    • Metabolismo energético;
    • Saúde óssea.

    Cada vitamina exerce funções específicas. Por isso, os sintomas variam conforme o nutriente que está em falta.

    Além disso, a gravidade depende de fatores como:

    • Qual vitamina está deficiente;
    • Intensidade da deficiência;
    • Tempo de duração do problema;
    • Presença de outras doenças associadas.

    Em muitos casos, o organismo consegue compensar pequenas quedas inicialmente, o que explica por que algumas deficiências passam despercebidas durante meses ou até anos.

    Deficiências leves podem causar sintomas?

    Sim. Embora muitas deficiências leves sejam assintomáticas, algumas pessoas podem apresentar manifestações precoces, como:

    • Cansaço;
    • Queda de cabelo;
    • Alterações na pele;
    • Falta de disposição;
    • Dificuldade de concentração.

    Esses sintomas costumam ser inespecíficos e podem ter várias causas, o que torna a avaliação médica importante quando persistem.

    Quais vitaminas mais costumam causar sintomas importantes?

    Algumas deficiências são particularmente conhecidas por causar alterações significativas quando não tratadas.

    1. Vitamina B12

    A vitamina B12 é essencial para a formação das células sanguíneas e para o funcionamento adequado do sistema nervoso.

    Sua deficiência pode causar:

    • Anemia;
    • Formigamentos em mãos e pés;
    • Dormências;
    • Alterações neurológicas;
    • Problemas de memória;
    • Dificuldades cognitivas.

    Em alguns casos, os sintomas podem até ser confundidos com quadros demenciais.

    Quando a deficiência é prolongada e intensa, podem surgir danos neurológicos importantes.

    Nos casos mais graves, além da anemia, pode ocorrer redução global das células do sangue, incluindo:

    • Glóbulos vermelhos;
    • Glóbulos brancos;
    • Plaquetas.

    2. Vitamina D

    A vitamina D está diretamente relacionada ao metabolismo do cálcio e à saúde óssea. Níveis muito baixos podem provocar:

    • Dor muscular;
    • Fraqueza muscular;
    • Desmineralização óssea;
    • Maior risco de fraturas.

    Em casos prolongados, a deficiência pode comprometer significativamente a saúde dos ossos.

    3. Vitamina C

    A deficiência grave de vitamina C pode levar ao escorbuto, uma doença atualmente rara, mas ainda observada em situações específicas. Os sintomas podem incluir:

    • Sangramentos;
    • Gengivite;
    • Fraqueza;
    • Dificuldade de cicatrização;
    • Dores musculares;
    • Artrite;
    • Inchaço nas articulações.

    4. Tiamina (vitamina B1)

    A deficiência importante de vitamina B1 pode causar duas doenças clássicas:

    Beribéri

    Pode provocar:

    • Fraqueza muscular;
    • Perda de sensibilidade;
    • Formigamentos;
    • Comprometimento cardíaco;
    • Insuficiência cardíaca.

    Síndrome de Wernicke-Korsakoff

    Essa condição costuma ocorrer principalmente em pessoas com alcoolismo crônico ou após cirurgia bariátrica. Na fase aguda (encefalopatia de Wernicke), podem surgir:

    • Confusão mental;
    • Alterações neurológicas;
    • Problemas de coordenação.

    Na fase crônica (síndrome de Korsakoff), podem ocorrer:

    • Alterações importantes de memória;
    • Déficits cognitivos;
    • Apatia.

    Quando a deficiência se torna grave?

    O risco de complicações aumenta quando:

    • Os níveis vitamínicos estão muito baixos;
    • A deficiência persiste por longos períodos;
    • Existem doenças associadas;
    • Há dificuldade de absorção intestinal.

    Pessoas com doenças intestinais ou que passaram por cirurgia bariátrica merecem atenção especial, pois apresentam maior risco de desenvolver deficiências importantes.

    Quem tem maior risco de deficiência vitamínica?

    Alguns grupos são mais vulneráveis:

    • Idosos;
    • Pessoas com dietas muito restritivas;
    • Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica;
    • Pessoas com doenças intestinais;
    • Indivíduos com alcoolismo crônico.

    Nesses grupos, a investigação costuma ser mais frequente.

    Sintomas neurológicos podem acontecer?

    Sim. As deficiências mais importantes de vitaminas do complexo B, especialmente B1 e B12, podem provocar:

    • Dormências;
    • Formigamentos;
    • Alterações do equilíbrio;
    • Confusão mental;
    • Esquecimentos;
    • Alterações cognitivas.

    Quando não tratadas, algumas dessas alterações podem se tornar permanentes.

    Deficiência vitamínica pode causar anemia?

    Sim. Uma das manifestações mais conhecidas das deficiências nutricionais é a anemia. Os nutrientes mais relacionados a esse problema são:

    • Ferro;
    • Vitamina B12;
    • Ácido fólico.

    A anemia pode causar sintomas como:

    • Cansaço;
    • Falta de ar aos esforços;
    • Palidez;
    • Tonturas;
    • Redução da disposição física.

    Como os médicos investigam deficiência de vitamina

    A investigação depende dos sintomas apresentados e dos fatores de risco de cada pessoa.

    Ela pode incluir:

    • Exames de sangue;
    • Avaliação nutricional;
    • Pesquisa de doenças intestinais;
    • Investigação de problemas de absorção.

    Em alguns casos, exames de imagem podem ser necessários para investigar causas associadas.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da vitamina que está em falta e da gravidade da deficiência.

    1. Ajuste alimentar

    O primeiro passo costuma ser aumentar o consumo de alimentos ricos no nutriente deficiente.

    2. Suplementação

    Pode ser realizada:

    • Por via oral;
    • Por via injetável, quando necessário.

    A escolha depende da intensidade da deficiência e da capacidade de absorção do paciente.

    3. Tratamento da causa de base

    Quando existe uma doença que dificulta a absorção dos nutrientes, ela também precisa ser tratada. Isso é especialmente importante em casos de:

    • Doenças intestinais;
    • Cirurgia bariátrica;
    • Distúrbios de absorção.

    Tomar vitaminas sem necessidade faz bem?

    Não. O excesso de algumas vitaminas também pode causar problemas de saúde.

    Por isso, a suplementação deve ser feita preferencialmente com orientação de um profissional de saúde, que poderá indicar a dose adequada e o tempo necessário de tratamento.

    Quando procurar avaliação médica

    É importante buscar orientação médica quando houver:

    • Cansaço persistente;
    • Formigamentos;
    • Queda de cabelo importante;
    • Alterações neurológicas;
    • Dietas muito restritivas;
    • Histórico de cirurgia bariátrica;
    • Doenças intestinais.

    A investigação precoce pode evitar complicações e permitir tratamento antes que a deficiência se torne mais grave.

    Confira: Recebeu um exame com resultado limítrofe? Saiba o que isso realmente significa

    Perguntas frequentes sobre falta de vitaminas

    1. Falta de vitaminas pode causar sintomas graves?

    Sim. Algumas deficiências podem provocar anemia, alterações neurológicas, problemas ósseos e outras complicações importantes.

    2. Deficiência de vitaminas causa cansaço?

    Sim. O cansaço é um dos sintomas mais frequentes em diversas deficiências nutricionais.

    3. Vitamina B12 baixa pode afetar os nervos?

    Sim. A deficiência pode causar formigamentos, dormências e alterações neurológicas.

    4. Dietas restritivas aumentam o risco de deficiência vitamínica?

    Sim. Quanto mais restritiva a alimentação, maior o risco de falta de alguns nutrientes.

    5. Excesso de vitaminas pode fazer mal?

    Pode. Algumas vitaminas podem causar efeitos adversos quando consumidas em excesso.

    6. Toda deficiência aparece rapidamente nos exames?

    Não necessariamente. Algumas alterações podem demorar para se manifestar ou serem detectadas.

    7. Quando devo investigar uma possível deficiência vitamínica?

    Quando houver sintomas persistentes, fatores de risco ou suspeita de má absorção de nutrientes.

    Veja também: Ferritina baixa: por que ela pode causar tanto cansaço?

  • Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    O orforglipron é um medicamento de via oral que pertence à classe dos análogos de GLP-1 e recentemente foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

    Ao contrário de treatments populares como o Ozempic e o Wegovy (semaglutida), que exigem aplicações de injeções subcutâneas semanais, o novo remédio é um comprimido de uso diário.

    No Brasil, o remédio ainda não foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado.

    “Apesar de se tratar de um mecanismo de ação já conhecido, ele chamou a atenção por ser mais uma opção no tratamento dessas doenças e principalmente por ser um agonista sintético não peptídico. Isso é inovador”, aponta o endocrinologista André Colapietro.

    O que é o orforglipron?

    O orforglipron, comercializado nos Estados Unidos com o nome comercial Foundayo, é um medicamento de uso oral, em formato de comprimido diário, desenvolvido para o tratamento da obesidade, do sobrepeso com comorbidades e do diabetes tipo 2. Ele pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, a mesma de compostos injetáveis como a semaglutida e a tirzepatida.

    Segundo André, um dos principais diferenciais do orforglipron é o fato de ser administrado por via oral, sem necessidade de jejum prolongado ou cuidados muito específicos com horários e alimentação. Porém, as recomendações definitivas dependem ainda da aprovação regulatória final e da bula oficial.

    “Muitas pessoas têm resistência ao uso de injeções, medo de agulhas ou dificuldade prática de armazenamento e aplicação. Um comprimido diário pode tornar o tratamento mais confortável e aceitável para parte dos pacientes”, aponta André.

    Como o orforglipron funciona no corpo?

    O medicamento atua imitando a ação do hormônio natural GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições. No corpo, ele desempenha funções importantes para a perda de peso e controle glicêmico, como:

    • Sinalização de saciedade: atua nos receptores do cérebro para reduzir o apetite e aumentar a sensação de que o corpo já está alimentado;
    • Retardo no esvaziamento gástrico: faz com que a comida permaneça mais tempo no estômago, prolongando a saciedade ao longo do dia;
    • Regulação da glicose: estimula a liberação de insulina pelo pâncreas apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos, além de diminuir a produção de glicose pelo fígado.

    Diferente das versões injetáveis, André esclarece que o orforglipron é uma molécula não peptídica. Na prática, isso significa que ele foi estruturado quimicamente para resistir aos ácidos e enzimas do sistema digestivo, permitindo que seja totalmente absorvido pelo estômago de forma direta.

    Qual a diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1, como Ozempic?

    A principal diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1 está na estrutura química e na forma de uso.

    Enquanto a semaglutida, por exemplo, é composto por proteínas que seriam destruídas pelo estômago se fossem engolidas, precisando de uma aplicação por injeção semanal e armazenamento em geladeira, o orforglipron é uma molécula menor e mais estável, que resiste aos ácidos digestivos e pode ser consumida diariamente como um comprimido guardado em temperatura ambiente.

    O remédio também contorna as limitações da semaglutida oral já existente no mercado, pois dispensa a necessidade de jejum rígido e restrição de água, podendo ser tomado a qualquer hora do dia com ou sem alimentos.

    Por fim, estudos clínicos de fase 3, publicados no periódico The Lancet, compararam diretamente o desempenho do orforglipron com a semaglutida oral no tratamento do diabetes tipo 2 e perda de peso.

    O orforglipron, nas doses mais altas, apresentou resultados melhores, reduzindo a hemoglobina glicada (exame que reflete a média da glicose no sangue) em cerca de 1,9 a 2,2 pontos percentuais e promovendo uma perda de peso média de até 9,2% em um ano.

    Já a semaglutida oral, nas doses avaliadas no mesmo estudo, reduziu a hemoglobina glicada em cerca de 1,4 ponto percentual e o peso corporal em aproximadamente 5,3%.

    Ambos causam os mesmos efeitos gastrointestinais, mas como o orforglipron é uma molécula mais potente no estômago, a taxa de pessoas que interromperam o tratamento por efeitos colaterais foi ligeiramente maior quando comparada às que usavam semaglutida oral.

    Quanto o Orforglipron promete emagrecer?

    Os resultados dos estudos indicam que o potencial de emagrecimento do orforglipron depende da dose utilizada e do tempo de tratamento.

    Segundo um estudo publicado em 2024 na revista científica Obesity Science & Practice, o orforglipron promoveu uma perda de peso média entre 5,5% e 8,8% do peso corporal após cerca de 26 semanas de tratamento, dependendo da dose utilizada. Os melhores resultados foram observados com as doses de 24 mg e 36 mg por dia.

    Dados mais recentes de um estudo de fase 3, publicado em 2025 no The New England Journal of Medicine (NEJM), mostraram resultados ainda mais expressivos. Após 72 semanas de tratamento, os participantes que utilizaram 36 mg de orforglipron perderam, em média, 11,2% do peso corporal, enquanto o grupo placebo perdeu 2,1%.

    Além disso, no grupo que recebeu a dose de 36 mg, 54,6% dos participantes perderam pelo menos 10% do peso corporal, 36% perderam ao menos 15% e 18,4% alcançaram uma redução igual ou superior a 20% do peso inicial.

    Na prática, isso significa que uma pessoa com 100 kg poderia perder, em média, cerca de 11 kg ao longo de aproximadamente um ano e meio de tratamento. Em alguns casos, a perda pode ser ainda maior, especialmente quando o medicamento é associado a mudanças na alimentação e à prática regular de atividade física.

    Quais são os efeitos colaterais do medicamento?

    Os efeitos colaterais do orforglipron são muito semelhantes aos observados em outros medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 (como o Ozempic e o Mounjaro):

    • Náuseas e enjoos;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação (prisão de ventre);
    • Sensação de estufamento, gases ou cólicas leves;
    • Diminuição acentuada do apetite.

    Os sintomas costumam se manifestar com maior intensidade no início do tratamento ou logo após o aumento das doses, tendendo a diminuir ou desaparecer à medida que o corpo se adapta à medicação.

    Como acontece com qualquer medicamento dessa classe, quadros mais graves, como inflamação no pâncreas (pancreatite) ou problemas na vesícula biliar, são considerados raros, mas precisam de acompanhamento e monitoramento médico rigoroso durante o tratamento.

    “Cada organismo responde de maneira diferente, e o acompanhamento médico é importante para avaliar a tolerabilidade e segurança”, complementa André.

    Cuidados quanto ao medicamento

    Apesar dos resultados promissores, o orforglipron não funciona como uma solução isolada para a obesidade. Segundo André, ele depende de avaliação individualizada, mudanças de hábitos, acompanhamento médico e manejo de expectativas realistas.

    “Além disso, resultados divulgados em estudos costumam representar médias populacionais, acompanhamento rigoroso e progressão até a dose máxima e não garantem que todos terão a mesma resposta, pode existir variação individual nos resultados, além das outras variáveis envolvidas no processo do tratamento”, destaca o especialista.

    Também é importante considerar os possíveis efeitos colaterais, as contraindicações, os custos do tratamento e a necessidade de acompanhamento médico a longo prazo.

    Quando o Orforglipron chega ao mercado?

    No Brasil, o medicamento ainda não está disponível para compra e não tem uma data exata de lançamento definida. Para chegar às farmácias brasileiras, a farmacêutica Eli Lilly precisa submeter os dados completos de eficácia e segurança à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e obter o registro sanitário.

    Após a aprovação da Anvisa, o medicamento ainda precisará passar pela definição de preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), um processo que costuma levar alguns meses até que o produto chegue efetivamente às prateleiras.

    Perguntas frequentes

    1. O orforglipron já foi aprovado?

    Sim. Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu aprovação da agência regulatória FDA (Food and Drug Administration) e foi batizado com o nome comercial Foundayo.

    2. Precisa tomar o orforglipron em jejum?

    Não. Esse é um dos seus grandes diferenciais em relação aos outros comprimidos da mesma classe. O orforglipron pode ser tomado a qualquer hora do dia, com ou sem alimentos, e com qualquer quantidade de água.

    3. O orforglipron serve para tratar diabetes?

    Sim. No tratamento do diabetes tipo 2, ele ajuda o pâncreas a liberar insulina de forma inteligente (apenas quando o açúcar no sangue está alto) e reduz a produção de glicose pelo fígado.

    4. O remédio é seguro para o estômago?

    A maioria dos efeitos colaterais é considerada de leve a moderada, mas por ser um comprimido digerido diretamente no estômago, ele causou um pouco mais de desconforto gástrico nos testes do que as versões injetáveis, levando alguns pacientes a abandonarem o tratamento.

    5. Ele causa hipoglicemia (queda drástica de açúcar no sangue)?

    O risco de hipoglicemia é muito baixo quando o orforglipron é usado sozinho, porque ele só estimula a produção de insulina se os níveis de açúcar no sangue estiverem elevados. O risco aumenta apenas se ele for combinado com remédios antigos para diabetes, como a insulina sintética.

    6. O orforglipron vai precisar de receita médica?

    Sim. Assim como todos os análogos de GLP-1, se aprovado pela Anvisa, sua venda provavelmente só será permitida mediante receita médica.

  • Exercícios físicos ajudam a proteger o cérebro? Saiba quais os melhores para praticar no dia a dia

    Exercícios físicos ajudam a proteger o cérebro? Saiba quais os melhores para praticar no dia a dia

    Você sabia que não é só o corpo que funciona melhor quando você faz exercícios? Além de fortalecer os músculos e proteger o coração, a atividade física regular contribui para manter o cérebro jovem, ágil e saudável.

    Ao se movimentar, a neurologista Paula Dieckmann explica que há um aumento da circulação sanguínea e da liberação de substâncias químicas que ajudam a proteger os neurônios.

    O processo não apenas melhora o humor e o foco no dia a dia, mas também contribui para reduzir o risco de declínio cognitivo ao longo da vida, além de demência e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

    Além disso, Paula complementa que a prática regular de exercícios ajuda a controlar condições que também impactam diretamente a saúde cerebral, como pressão alta, diabetes, obesidade e colesterol elevado.

    Quando os problemas não são bem controlados, o risco de alterações na circulação do cérebro e de perda cognitiva pode aumentar ao longo dos anos.

    Como a atividade física protege o cérebro?

    Quando você pratica uma atividade física, como caminhada ou natação, o cérebro recebe um aumento imediato no fluxo sanguíneo, o que melhora a oxigenação e a entrega de nutrientes aos neurônios.

    O movimento também estimula a liberação de substâncias importantes para a saúde cerebral, especialmente o BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), uma proteína que ajuda a proteger as células do cérebro e favorece a criação de novas conexões entre os neurônios.

    Além disso, o exercício ajuda a reduzir inflamações e o chamado estresse oxidativo, fatores ligados ao envelhecimento precoce das células cerebrais. Com o passar do tempo, a prática regular contribui para preservar regiões importantes do cérebro, como o hipocampo, responsável pela memória e pela aprendizagem.

    Por fim, ao equilibrar neurotransmissores como dopamina e serotonina, a atividade física estabiliza o humor e a resposta ao estresse, criando uma proteção natural contra o declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas.

    Principais benefícios para a saúde mental

    A prática regular de exercícios físicos provoca mudanças no organismo que impactam diretamente o equilíbrio emocional e o funcionamento do cérebro, trazendo benefícios como:

    • Regulação do humor: a atividade física estimula a produção de endorfina e serotonina, substâncias relacionadas à sensação de bem-estar, prazer e relaxamento. Por isso, os exercícios podem ajudar no controle do desânimo e dos sintomas de depressão;
    • Redução da ansiedade e do estresse: o movimento ajuda o organismo a controlar melhor o cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Com isso, há redução da tensão muscular, da agitação mental e da sensação de ansiedade;
    • Melhora da memória e da aprendizagem: a prática regular estimula a neuroplasticidade e fortalece áreas importantes do cérebro, como o hipocampo, ligado à memória. Isso favorece o aprendizado e ajuda a prevenir o esquecimento precoce;
    • Mais foco e concentração: os exercícios aumentam os níveis de neurotransmissores, como dopamina e noradrenalina, melhorando a atenção, o raciocínio e a clareza mental no dia a dia;
    • Melhora da qualidade do sono: a atividade física ajuda a regular o relógio biológico e contribui para um sono mais profundo e reparador, o que é necessário para a saúde mental e o funcionamento adequado do cérebro;
    • Fortalecimento da autoestima: a melhora da disposição física, do condicionamento e da percepção do próprio corpo pode aumentar a autoconfiança e a sensação de bem-estar.

    Exercícios ajudam a prevenir o Alzheimer e a demência?

    A prática regular de exercícios físicos é uma das medidas mais importantes para prevenir o Alzheimer e outras demências, por melhorar a saúde vascular e o fluxo de oxigênio para o cérebro. Isso evita microlesões nas células nervosas e ajuda a controlar o diabetes e a hipertensão, condições que aceleram a degeneração cognitiva.

    No nível cerebral, o exercício ajuda o organismo a eliminar substâncias tóxicas que podem se acumular no cérebro, como a beta-amiloide, associada ao Alzheimer. Ao mesmo tempo, o movimento ajuda a preservar o hipocampo, região importante para a memória, e estimula a criação de novas conexões entre os neurônios.

    Com o passar dos anos, as adaptações ajudam a manter a memória, a capacidade de raciocínio e a autonomia nas atividades do dia a dia. As pessoas fisicamente ativas tendem a apresentar menor risco de perda cognitiva precoce e podem envelhecer com mais qualidade de vida e independência.

    Quais os melhores tipos de exercícios para a mente?

    Os melhores exercícios para a saúde da mente são aqueles que combinam estímulo cardiovascular, fortalecimento muscular e desafios de coordenação, atenção ou memória, como:

    1. Exercícios aeróbicos

    Os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, natação e ciclismo, aumentam a circulação sanguínea e a oxigenação do cérebro, além de estimular a produção de BDNF, proteína que ajuda na formação de novos neurônios e conexões entre as células cerebrais. A prática regular também pode melhorar a memória, a concentração e a disposição mental.

    2. Treino de força

    Segundo estudos, o fortalecimento muscular em atividades como musculação e pilates está associado à melhora das funções executivas, como a capacidade de tomar decisões, planejar tarefas e manter o raciocínio lógico.

    3. Atividades de coordenação e agilidade

    Os exercícios que exigem coordenação motora, ritmo e respostas rápidas, como dança, tênis, lutas e esportes coletivos, estimulam diferentes áreas cerebrais ao mesmo tempo.

    Como o cérebro precisa aprender movimentos, memorizar sequências e reagir rapidamente aos estímulos, essas atividades ajudam a fortalecer a neuroplasticidade e a velocidade de processamento das informações.

    4. Exercícios de equilíbrio e flexibilidade

    Os exercícios de equilíbrio e flexibilidade, como yoga e tai chi, ajudam a reduzir os níveis de estresse e cortisol no organismo, promovendo relaxamento e maior consciência corporal.

    Além disso, eles favorecem o foco, a respiração e a atenção ao momento presente, fatores importantes para a saúde emocional e para o funcionamento das áreas cerebrais ligadas às emoções e ao controle da ansiedade.

    Qual a frequência ideal de treino?

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem praticar:

    • Entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica moderada por semana, como caminhada acelerada, bicicleta leve ou dança;
    • Ou realizar entre 75 e 150 minutos de exercícios mais intensos, como corrida ou treinos de alta intensidade.

    A OMS também recomenda incluir exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, trabalhando grandes grupos musculares, como pernas, braços, costas e abdômen.

    No caso dos idosos, além das atividades aeróbicas e de força, o recomendado é praticar exercícios de equilíbrio e coordenação pelo menos três vezes por semana, ajudando a prevenir quedas e preservar a autonomia.

    “São essas pequenas coisas feitas de forma consistente que podem fazer uma grande diferença para o cérebro ao longo da vida”, finaliza Paula.

    Leia também: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

    Perguntas frequentes sobre atividade física e saúde mental

    1. Exercício físico realmente ajuda o cérebro?

    Sim. A atividade física melhora a circulação sanguínea cerebral, aumenta a oxigenação e estimula substâncias que ajudam a proteger os neurônios e fortalecer as conexões cerebrais.

    2. Exercícios ajudam a prevenir Alzheimer?

    Sim. Estudos mostram que pessoas fisicamente ativas tendem a ter menor risco de declínio cognitivo, Alzheimer e outras demências.

    3. Qual o melhor exercício para a saúde mental?

    Os melhores resultados costumam acontecer com a combinação de exercícios aeróbicos, fortalecimento muscular e atividades que estimulam coordenação e equilíbrio.

    4. Caminhada já traz benefícios para o cérebro?

    Sim. Caminhadas regulares já ajudam a melhorar o humor, reduzir o estresse e estimular funções importantes da memória e da concentração.

    5. Exercício pode ajudar na ansiedade?

    Sim. A atividade física ajuda a regular o cortisol, hormônio ligado ao estresse, além de estimular substâncias relacionadas à sensação de bem-estar.

    6. Atividade física melhora o sono?

    Sim. Exercícios ajudam a regular o relógio biológico e favorecem um sono mais profundo e reparador.

    7. Quantas vezes por semana é ideal se exercitar?

    A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, além de exercícios de fortalecimento muscular duas vezes por semana.

    8. Musculação também faz bem para o cérebro?

    Sim. O treino de força está associado à melhora do raciocínio, planejamento e outras funções cognitivas.

    9. Exercício ajuda na memória?

    Sim. A prática regular estimula áreas cerebrais importantes para memória e aprendizagem, como o hipocampo.

    10. Pessoas idosas também se beneficiam?

    Sim. A atividade física ajuda idosos a preservar memória, equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.

    Confira: Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência

  • Quando voos longos se tornam perigosos para o coração e a circulação

    Quando voos longos se tornam perigosos para o coração e a circulação

    Passar horas sentado na mesma posição, a milhares de metros de altitude, pode ser cansativo para qualquer pessoa. Mas, para além do desconforto físico e do jet lag, as viagens longas de avião podem aumentar o risco de alguns problemas de saúde, inclusive aqueles associados à circulação sanguínea e a desidratação.

    Apesar de ser um meio de transporte seguro, as condições da cabine e a baixa movimentação das pernas dificultam o retorno do sangue para o coração, favorecendo o inchaço nos pés e tornozelos.

    Em casos mais raros, principalmente em pessoas com fatores de risco, também pode ocorrer a formação de coágulos sanguíneos, conhecida como trombose venosa profunda.

    Para entender como as viagens longas afetam o organismo e quais medidas ajudam a reduzir os riscos durante o voo, conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    Por que voos longos podem afetar o coração?

    Durante um voo longo, o corpo passa muitas horas em uma condition de pouca movimentação, baixa umidade e menor pressão de oxigênio dentro da cabine. Apesar do avião ser pressurizado, a quantidade de oxigênio disponível em grandes altitudes é menor do que em solo, o que faz o organismo trabalhar um pouco mais para manter o equilíbrio.

    Na maioria das pessoas saudáveis, isso não causa problemas graves. No entanto, em indivíduos com doenças cardiovasculares, pressão alta, insuficiência cardíaca ou arritmias, a combinação de imobilidade prolongada e desidratação pode aumentar as chances de complicações.

    “O principal perigo é o desenvolvimento de trombose venosa profunda (TVP), popularmente conhecida como ‘síndrome da classe econômica’. Isso ocorre porque durante o voo a pessoa permanece sentada por longos períodos, com pouco espaço para movimentar as pernas, o que favorece o acúmulo de sangue nas veias das pernas”, explica Giovanni.

    O cardiologista ainda explica que, uma vez que a pressão reduzida da cabine e o ar ressecado contribuem para a desidratação, o sangue fica mais espesso e propenso à formação de coágulos. Se um coágulo se forma e migra para os pulmões, ocorre uma embolia pulmonar, uma condição grave que pode ser fatal.

    Existe um tempo de voo considerado mais crítico?

    O risco de problemas circulatórios e cardíacos aumenta significativamente em voos com mais de quatro horas de duração. A partir do período de imobilidade, cresce a chance de o sangue se acumular nas pernas e formar coágulos.

    Quando a viagem ultrapassa oito horas, o risco se torna ainda maior devido à combinação entre desidratação e longos períodos sem movimentação adequada.

    “Também importa a frequência — quem faz voos longos repetidos em curto intervalo de tempo acumula risco. O período mais crítico costuma ser a segunda metade de voos muito longos, quando a imobilidade já se prolongou por horas”, explica Giovanni.

    Quem faz parte do grupo de risco?

    Segundo Giovanni, as pessoas com maior risco são aquelas que já têm histórico de:

    • Trombose ou embolia pulmonar;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Arritmias graves, como fibrilação atrial não controlada;
    • Doença arterial coronariana grave;
    • Hipertensão arterial não controlada;
    • Obesidade severa;
    • Varizes importantes;
    • Mobilidade reduzida.

    Também fazem parte do grupo de maior vulnerabilidade as gestantes, as pessoas com mais de 60 anos, quem realizou cirurgia recente (especialmente ortopédica), os pacientes com câncer e os usuários de anticoncepcionais hormonais. Quanto maior a combinação de fatores de risco, maior a preocupação, ressalta o cardiologista.

    Sinais de alerta: quando se preocupar durante ou após o voo?

    Giovanni aponta que a atenção deve ser redobrada nas primeiras 72 horas após o voo, período em que há maior risco de manifestação de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar.

    Os principais sinais de alerta nas pernas incluem:

    • Dor em uma das pernas, principalmente na panturrilha;
    • Inchaço em apenas uma perna;
    • Vermelhidão;
    • Sensação de calor local.

    Já os sinais de embolia pulmonar exigem atendimento de emergência imediato, pois a condição pode ser grave. Os mais comuns incluem:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito, especialmente ao respirar fundo;
    • Tosse com sangue;
    • Desmaio ou sensação de desmaio iminente;
    • Batimentos cardíacos acelerados;
    • Ansiedade intensa sem motivo claro.

    “Para quem tem doença cardíaca, qualquer sintoma diferente do habitual após a viagem, como cansaço excessivo, inchaço nas pernas ou piora da falta de ar, deve ser avaliado pelo médico preferencialmente no mesmo dia”, esclarece Giovanni.

    Pessoas com doenças cardíacas podem viajar de avião com segurança?

    Na maioria das vezes, desde que os fatores de risco estejam controlados e a viagem seja planejada com cuidado, é possível viajar de avião sem problemas. Contudo, Giovanni orienta consultar um cardiologista antes de qualquer voo longo.

    “Quem teve infarto recente deve aguardar pelo menos duas a quatro semanas antes de voar em casos não complicados, e até seis semanas em situações mais graves”, recomenda o cardiologista. Já pessoas com com insuficiência cardíaca descompensada, dor no peito frequente ou arritmias sem controle devem evitar viagens de avião até que o quadro esteja estabilizado.

    Em alguns casos, o médico pode fornecer uma autorização para a viagem e solicitar oxigênio suplementar durante o voo, que deve ser pedido com antecedência à companhia aérea.

    Como proteger o coração e a circulação em viagens longas?

    Alguns cuidados simples podem ajudar a reduzir os riscos e tornar a viagem mais segura, especialmente em voos com muitas horas de duração, como:

    • Levantar e caminhar pelo corredor a cada uma ou duas horas;
    • Fazer exercícios com as pernas mesmo sentado;
    • Flexionar e estender os tornozelos;
    • Elevar os joelhos alternadamente;
    • Evitar cruzar as pernas por longos períodos;
    • Beber água regularmente durante o voo;
    • Evitar bebidas alcoólicas;
    • Evitar refrigerantes, que favorecem a desidratação;
    • Usar meias de compressão graduada em voos acima de quatro horas, com orientação médica;
    • Usar anticoagulantes preventivos antes das viagens, no caso de pacientes de alto risco.

    Giovanni também ressalta que é importante levar medicamentos na bagagem de mão em quantidade suficiente para todo o período, incluindo reserva para imprevistos.

    Também vale carregar um resumo do histórico de saúde, exames recentes (eletrocardiograma, ecocardiograma) e lista de medicamentos em uso, além de verificar a cobertura do seguro de viagem para condições preexistentes.

    Quando consultar o médico antes de viajar?

    O ideal é consultar o cardiologista com pelo menos duas a quatro semanas de antecedência, segundo Giovanni. Na consulta, o médico pode avaliar se os fatores de risco estão bem controlados, ajustando os medicamentos, se necessário, e indicando medidas preventivas individualizadas.

    A avaliação médica é ainda mais importante para pessoas com doenças cardíacas, histórico de trombose, pressão alta descontrolada ou outras condições que aumentam o risco de complicações durante voos longos.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. O que é a “síndrome da classe econômica”?

    É o termo popular usado para descrever a trombose venosa profunda que ocorre em passageiros de voos longos. O nome surgiu devido ao espaço reduzido entre as poltronas da classe econômica, que limita ainda mais os movimentos das pernas, embora o problema também possa acontecer na classe executiva se a pessoa não se mexer.

    2. Qual é o principal perigo de um coágulo se formar na perna?

    O maior risco é que esse coágulo (trombo) se desprenda da veia da perna e viaje pela corrente sanguínea até chegar aos pulmões. Se isso acontecer, ele pode bloquear a passagem de sangue local, causando uma condição grave chamada embolia pulmonar, que é uma emergência médica.

    3. Quais são os sintomas de trombose na perna após o voo?

    Os principais sinais de alerta nas pernas, que podem surgir durante o voo ou até semanas após a viagem, são:

    • Inchaço em apenas uma das pernas (assimétrico);
    • Dor ou sensação de peso na panturrilha que piora ao caminhar;
    • Vermelhidão ou pele arroxeada na região dolorida;
    • Região da panturrilha visivelmente mais quente que o resto do corpo.

    4. Quem tem varizes corre mais risco em voos longos?

    Sim. Pessoas com varizes calibrosas e insuficiência venosa crônica já possuem uma circulação nas pernas mais lenta e prejudicada por natureza. A imobilidade do voo agrava essa condição, tornando esse grupo mais propenso a inchaços severos e trombose.

    5. Quem já teve infarto ou usa marca-passo pode voar?

    Pessoas com marca-passo podem voar normalmente e devem apenas avisar a segurança do aeroporto antes de passar pelo detector de metais. Já quem sofreu um infarto recente ou passou por cirurgia cardíaca precisa de liberação do cardiologista. Normalmente, o recomendado é aguardar de 2 a 4 semanas para voar, dependendo da gravidade do caso.

    6. Como as meias de compressão ajudam a proteger o coração e as veias?

    As meias de compressão elástica exercem uma pressão graduada no tornozelo que vai diminuindo em direção ao joelho. Isso ajuda a pressionar as veias superficiais, direcionando o sangue para as veias profundas e facilitando o retorno do sangue para o coração, reduzindo drasticamente o inchaço e o risco de coágulos.

    7. O uso de remédios para dormir ou calmantes é recomendado?

    Eles devem ser evitados em voos longos. Os sedativos e indutores de sono fazem com que a pessoa durma profundamente por muitas horas sem mudar de posição ou acordar para esticar as pernas, o que aumenta drasticamente o tempo de imobilidade total e o risco de complicações vasculares.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Tempo frio pode aumentar o risco cardíaco? Veja como proteger o coração no inverno

    Tempo frio pode aumentar o risco cardíaco? Veja como proteger o coração no inverno

    Sabia que não são apenas as vias respiratórias e as articulações que sofrem com a chegada dos dias frios? A queda de temperatura provoca uma série de respostas fisiológicas que sobrecarregam o coração, especialmente em pessoas que já têm alguma vulnerabilidade cardiovascular, de acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de infarto e de outras complicações cardíacas pode aumentar em até 30% durante o inverno. “Não é comentário ou coincidência que hospitais registrem aumento de atendimentos por infarto e descompensação cardíaca nos meses mais frios do ano”, comenta o cardiologista.

    Como é comum haver mudanças na rotina no inverno, como a redução da prática de atividades físicas, o aumento do consumo de alimentos calóricos e a menor ingestão de água, alguns fatores de risco cardiovasculares podem se tornar ainda mais difíceis de controlar.

    Por que o coração sofre mais no inverno?

    Com a queda nas temperaturas, o organismo ativa mecanismos de defesa para preservar o calor corporal e manter a temperatura interna estável. Um dos principais é a vasoconstrição, processo em que os vasos sanguíneos se contraem para diminuir a perda de calor pela pele.

    Como consequência, o coração precisa fazer mais esforço para bombear o sangue através dos vasos mais estreitos, o que pode aumentar a pressão arterial e sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    “Em hipertensos, isso é especialmente preocupante porque a pressão já está elevada e o frio pode levá-la a níveis perigosos. É por isso que o inverno é associado a maior incidência de sangramentos cerebrais (AVC hemorrágico) e infartos”, explica Giovanni.

    Ao mesmo tempo, o cardiologista explica que ocorre a ativação do sistema nervoso simpático, liberando hormônios que aceleram a frequência cardíaca e elevam a pressão arterial, como a adrenalina e noradrenalina.

    O sangue também tende a ficar mais espesso (maior viscosidade) e com maior tendência a coagular no frio, o que aumenta o risco de entupimento de artérias. Para completar, o frio pode provocar espasmos nas artérias coronárias, que são responsáveis por irrigar o coração, diminuindo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

    O frio realmente aumenta o risco de infarto?

    O risco de infarto e de acidente vascular cerebral (AVC) pode aumentar em até 30% nos dias frios e no inverno, segundo dados do Instituto Nacional de Cardiologia e do Ministério da Saúde.

    “No Brasil, mesmo com invernos mais amenos que os europeus, também se observa essa sazonalidade. Cidades como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre registram aumento de internações por infarto e AVC no período de junho a agosto”, aponta Giovanni.

    O risco costuma ser maior não exatamente nos dias mais frios, mas nas primeiras quedas de temperatura após períodos mais quentes, quando o organismo ainda não conseguiu se adaptar ao frio.

    O cardiologista destaca que os dias com grande variação de temperatura entre a manhã e à tarde também exigem mais do corpo e podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares.

    Quem faz parte do grupo de risco?

    O inverno pode afetar qualquer pessoa, mas alguns grupos têm maior risco de sofrer complicações cardiovasculares durante o inverno, como:

    • Pessoas com hipertensão arterial;
    • Pessoas com histórico de infarto ou insuficiência cardíaca;
    • Pacientes com colesterol alto ou diabetes;
    • Idosos;
    • Fumantes;
    • Pessoas sedentárias;
    • Indivíduos com obesidade;
    • Quem possui histórico familiar de doenças cardiovasculares.

    “Quando o frio aumenta a demanda, exigindo mais trabalho para manter a temperatura e bombear o sangue pelos vasos contraídos, o coração comprometido pode não conseguir suprir essa demanda extra, desencadeando um infarto, uma descompensação da insuficiência cardíaca ou uma arritmia grave”, pontua o cardiologista.

    Como proteger o coração nos dias frios?

    Segundo Giovanni, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a sobrecarga do coração durante o inverno, como:

    • Agasalhar-se adequadamente, com atenção especial para a cabeça, o pescoço, as mãos e os pés, regiões onde a perda de calor costuma ser maior;
    • Evitar mudanças bruscas de temperatura, como sair rapidamente de ambientes aquecidos para o frio intenso;
    • Manter a casa aquecida, principalmente o quarto e o banheiro;
    • Não interromper os medicamentos cardiovasculares sem orientação médica, especialmente no caso de pessoas com hipertensão;
    • Seguir corretamente o tratamento prescrito, já que alguns pacientes podem precisar de ajuste nas doses dos medicamentos durante o inverno;
    • Evitar o consumo de álcool, pois a bebida provoca dilatação dos vasos e aumenta a perda de calor;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, mesmo com a menor sensação de sede provocada pelo frio;
    • Continuar praticando atividades físicas de forma regular e segura, respeitando as orientações médicas quando houver doenças cardíacas pré-existentes.

    Exercícios ao ar livre no frio são seguros?

    Para pessoas saudáveis, a prática de exercícios físicos no frio costuma ser segura, desde que alguns cuidados sejam adotados no dia a dia. Giovanni orienta o aquecimento prévio, por cerca de 10 a 15 minutos, pois ajuda o organismo a se adaptar gradualmente ao esforço físico. Também é recomendado:

    • Cobrir o nariz e a boca com um lenço ou uma máscara para ajudar a aquecer o ar antes que ele chegue aos pulmões;
    • Respirar pelo nariz, já que isso contribui para o aquecimento do ar inspirado;
    • Evitar os horários mais frios do dia, como a madrugada e o início da manhã.

    Para pessoas com doenças cardiovasculares, a recomendação é evitar exercícios intensos ao ar livre quando a temperatura estiver abaixo de 10 °C, dando preferência a ambientes fechados e climatizados durante o inverno. Também é importante não iniciar atividades físicas intensas sem avaliação médica.

    “Uma caminhada em ritmo moderado é muito diferente de correr ou fazer esforço intenso — o tipo de exercício importa tanto quanto a temperatura”, destaca Giovanni.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    Qualquer sinal de alerta cardiovascular no frio deve ser levado a sério e avaliado rapidamente. Giovanni comenta os principais:

    • Dor, pressão ou aperto no peito, mesmo que leve ou passageiro;
    • Dor irradiando para o braço esquerdo, a mandíbula, as costas ou o pescoço;
    • Falta de ar desproporcional ao esforço ou até mesmo em repouso;
    • Palpitações, com o coração acelerado ou irregular de forma persistente;
    • Tontura, desmaio ou sensação de desmaio iminente;
    • Suor frio sem motivo aparente;
    • Inchaço súbito nas pernas;
    • Para pessoas com hipertensão, pressão arterial muito acima do habitual.

    “Um sinal que muitas pessoas ignoram: dor em uma mandíbula ou dente sem causa dentária aparente, especialmente associada ao esforço no frio — pode ser angina atípica”, explica Giovanni.

    No caso de dor no peito intensa e súbita, o correto é ligar imediatamente para o SAMU (192) ou acionar o serviço de emergência mais próximo.

    Confira: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. A partir de qual temperatura o coração começa a correr risco?

    Não existe um número exato na tabela, mas estudos mostram que quando a temperatura média diária fica abaixo de 14°C, o corpo já começa a fazer um esforço cardiovascular significativamente maior para manter o calor interno.

    2. Sinto palpitações ou o coração acelerado no frio. Isso é normal?

    Até certo ponto, sim. O coração bate mais rápido no frio para acelerar a circulação e ajudar a produzir calor. No entanto, se as palpitações vierem acompanhadas de tontura, falta de ar ou dor no peito, você deve procurar um médico.

    3. Tomar banho muito quente logo após sair do frio faz mal para o coração?

    Pode ser perigoso para quem tem problemas cardíacos. A mudança brusca do ambiente gelado para a água muito quente causa uma dilatação rápida dos vasos (vasodilatação), o que pode fazer a pressão despencar repentinamente, provocando tonturas, desmaios ou arritmias.

    4. Quem toma remédio para pressão alta precisa mudar a dose no inverno?

    Apenas se houver orientação médica. Como a pressão tende a subir no frio, o médico pode ajustar a medicação após uma consulta. Nunca altere a dose ou interrompa o tratamento por conta própria, pois isso pode causar crises hipertensivas graves.

    5. O uso de aquecedores elétricos em casa ajuda a proteger o coração?

    Ajuda, pois mantém o ambiente em uma temperatura confortável, evitando que o corpo precisa fazer vasoconstrição constante. No entanto, lembre-se de manter uma bacia de água no quarto para o ar não ficar muito seco, o que prejudica as vias respiratórias.

    6. Por que as extremidades (mãos e pés) ficam tão frias?

    É um mecanismo de defesa. O corpo prioriza mandar o sangue quente para os órgãos vitais localizados no tórax e no abdômen (incluindo o coração). Por isso, ele “fecha” a circulação das pontas dos dedos, orelhas e nariz.

    7. Tomar a vacina da gripe ajuda a proteger o coração no frio?

    Sim, com certeza. Como as infecções respiratórias graves (como a gripe) causam uma inflamação intensa no corpo capaz de romper placas de gordura nas artérias, estar vacinado reduz drasticamente esse gatilho inflamatório, protegendo indiretamente o coração.

    8. Café ou chá preto bem quentes ajudam a proteger o coração nos dias frios?

    Bebidas quentes são ótimas para ajudar a aquecer o corpo, mas é preciso moderação com a cafeína. O café e o chá preto em excesso são estimulantes que podem aumentar os batimentos cardíacos e a pressão arterial, que já tendem a estar mais altos por causa do frio. Prefira chás de ervas sem cafeína, como camomila ou erva-doce.

    9. Por que urinamos mais no frio e como isso afeta o coração?

    Quando o corpo contrai os vasos sanguíneos periféricos para reter calor, mais sangue se concentra na região central do corpo.

    O organismo interpreta esse aumento de volume central como um sinal de que há excesso de líquido e estimula os rins a produzirem mais urina. Se você urina mais e não se hidrata adequadamente, o sangue fica mais denso, prejudicando a circulação.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Exame mostrou glicemia alta? Veja quais são os próximos passos 

    Exame mostrou glicemia alta? Veja quais são os próximos passos 

    Receber um exame mostrando glicemia alta costuma assustar, principalmente porque muita gente associa imediatamente o resultado ao diagnóstico de diabetes. Embora o diabetes seja uma das principais causas, um exame alterado isoladamente nem sempre confirma a doença, e é justamente por isso que a investigação médica costuma envolver outros testes e avaliação clínica completa.

    Muitas pessoas também descobrem a glicemia elevada sem sentir absolutamente nada. Em outros casos, sintomas como sede excessiva, cansaço e vontade frequente de urinar começam a aparecer.

    É importante entender o que pode causar o aumento da glicose e quais são os próximos passos para reduzir a ansiedade e iniciar o acompanhamento adequado.

    O que é a glicemia

    A glicemia é a quantidade de glicose (açúcar) circulando no sangue. A glicose é uma importante fonte de energia para o organismo, mas níveis muito elevados podem causar danos ao longo do tempo.

    Quando a glicemia é considerada alta

    Os valores dependem do tipo de exame realizado.

    Os principais exames são:

    • Glicemia em jejum;
    • Hemoglobina glicada (HbA1c);
    • Teste oral de tolerância à glicose.

    Valores persistentemente elevados merecem investigação.

    Glicemia alta sempre significa diabetes?

    Não necessariamente. A glicemia pode subir temporariamente em situações como:

    • Estresse físico;
    • Infecções;
    • Uso de corticoides;
    • Internações hospitalares.

    Por isso, muitas vezes é necessário repetir exames antes de confirmar o diagnóstico.

    Quais sintomas podem estar associados

    Algumas pessoas não apresentam sintomas. Quando presentes, os mais comuns são:

    • Muita sede;
    • Urinar com frequência;
    • Cansaço;
    • Visão embaçada;
    • Perda de peso.

    Em casos mais importantes, podem surgir sintomas mais intensos relacionados à descompensação da glicose.

    Quais exames costumam ser solicitados

    Quando a glicemia vem elevada, o médico pode pedir exames complementares.

    1. Hemoglobina glicada (HbA1c)

    Avalia a média da glicose nos últimos meses.

    2. Repetição da glicemia em jejum

    Ajuda a confirmar o resultado.

    3. Teste oral de tolerância à glicose

    Avalia como o corpo responde ao açúcar.

    4. Exames adicionais

    Também podem ser solicitados:

    • Função renal;
    • Colesterol e triglicerídeos;
    • Avaliação do fígado;
    • Exame de urina.

    O que mais os médicos investigam

    Além de confirmar diabetes, os médicos avaliam:

    • Presença de complicações;
    • Pressão arterial;
    • Risco cardiovascular;
    • Histórico familiar;
    • Peso e hábitos de vida.

    O que é pré-diabetes

    O pré-diabetes é uma fase intermediária em que a glicose está acima do normal, mas ainda não atinge critérios para diabetes.

    Nessa fase, mudanças no estilo de vida podem evitar a progressão da doença.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da gravidade e da causa.

    1. Mudanças no estilo de vida

    São fundamentais em praticamente todos os casos:

    • Alimentação equilibrada;
    • Redução de açúcar e ultraprocessados;
    • Atividade física regular;
    • Controle do peso.

    2. Medicamentos

    Algumas pessoas precisam de medicações para controle da glicose.

    3. Insulina

    Pode ser necessária em alguns casos, especialmente:

    • Diabetes tipo 1;
    • Glicemias muito elevadas;
    • Situações específicas.

    Glicemia alta pode causar complicações?

    Sim. Quando mantida elevada por muito tempo, a glicemia alta pode afetar:

    • Rins;
    • Olhos;
    • Nervos;
    • Coração e vasos sanguíneos.

    Por isso, o acompanhamento médico é importante mesmo quando os sintomas são leves ou inexistentes.

    Quando procurar atendimento urgente

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Sonolência excessiva;
    • Confusão mental;
    • Vômitos;
    • Falta de ar;
    • Glicemias extremamente elevadas.

    Veja mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

    Perguntas frequentes sobre glicemia alta

    1. Uma glicemia alta já confirma diabetes?

    Nem sempre. Pode ser necessário repetir exames.

    2. O que é hemoglobina glicada?

    É um exame que avalia a média da glicose nos últimos meses.

    3. Pré-diabetes tem tratamento?

    Sim, principalmente com mudanças no estilo de vida.

    4. Diabetes sempre precisa de insulina?

    Não, há diversos tratamentos para diabetes, e a insulina é apenas um deles.

    5. Glicemia alta pode não causar sintomas?

    Sim, a depender do valor, a glicemia alta pode ser silenciosa.

    6. Estresse pode aumentar a glicose?

    Sim, o estresse é capaz de elevar a glicemia.

    7. Quando procurar um médico?

    Sempre que houver glicemia elevada ou sintomas sugestivos de diabetes.

    Veja também: Sintomas de diabetes: conheça os principais sinais de cada tipo (e como identificar)

  • Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Infecções de urina, pedras nos rins, infertilidade e até mesmo câncer são apenas alguns dos problemas de saúde que podem surgir ao longo da vida do homem. E, apesar da resistência em procurar atendimento médico no dia a dia, manter exames de rotina ajuda a identificar alterações antes que se tornem graves e afetem a qualidade de vida.

    O acompanhamento preventivo envolve consultas periódicas com o urologista e exames que avaliam o funcionamento dos rins, bexiga, próstata e hormônios — identificando precocemente possíveis alterações. Além disso, cuidar da saúde urológica traz benefícios que vão muito além da prevenção de doenças, influenciando também na energia, vida sexual e bem-estar geral.

    Afinal, quando o homem deve começar a ir ao urologista?

    A saúde urológica deve ser acompanhada ao longo de toda a vida, e não apenas na maturidade.

    Nos primeiros meses de vida, se houver suspeita médica, o pediatra pode encaminhar o bebê para avaliação com o urologista. Nessa fase, podem ser identificadas condições como fimose, hidrocele e criptorquidia (quando os testículos não descem para o escroto).

    Durante a puberdade, o corpo passa por intensas mudanças hormonais — momento ideal para orientar o adolescente sobre sexualidade, prevenção de ISTs e infertilidade. Também podem surgir infecções urinárias e alterações hormonais.

    Já na vida adulta, especialmente a partir dos 40 anos, os cuidados precisam ser mais frequentes. Nessa fase, aumentam os riscos de doenças como câncer de próstata, e o foco passa a ser a prevenção e o diagnóstico precoce de disfunções urinárias e sexuais.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU):

    • Homens sem histórico familiar de câncer de próstata devem iniciar os exames anuais aos 50 anos;
    • Homens com histórico familiar da doença devem começar aos 45 anos.

    Quais são os exames urológicos que o homem deve fazer?

    Segundo o urologista Willy Baccaglini, a saúde urológica é ampla e pode envolver aspectos da vida sexual, urinária e geral do homem. Alguns exames, porém, são mais comuns a partir dos 40 anos:

    Ultrassonografia de próstata

    A ultrassonografia prostática utiliza ondas sonoras para visualizar a glândula prostática e estruturas próximas, como a bexiga e as vesículas seminais. O exame avalia o tamanho e volume da próstata e ajuda a diagnosticar condições como hiperplasia benigna (aumento da próstata) e prostatite (inflamação).

    PSA total

    O PSA total (Antígeno Prostático Específico) é um exame de sangue que mede a quantidade dessa proteína produzida pela próstata. Níveis elevados podem indicar inflamação, infecção ou câncer de próstata, mas nem sempre significam algo grave.

    Willy explica que a frequência do exame deve ser definida pelo urologista conforme o perfil e o histórico de cada paciente, não sendo obrigatoriamente anual.

    Exame de urina simples

    O exame de urina avalia o trato urinário e detecta sinais de infecção, sangue, proteínas ou cristais. Nos homens, ajuda a identificar infecção urinária, cálculos renais, prostatite e até doenças renais crônicas.

    “Não há recomendação formal de exames de rotina para bexiga e rins em todos os homens, mas testes de acompanhamento podem identificar doenças precocemente”, observa Willy.

    Creatinina e ureia

    Esses exames avaliam a função renal, medindo a eficiência dos rins na filtragem do sangue. Alterações podem indicar insuficiência renal, desidratação ou sobrecarga por uso excessivo de medicamentos ou proteínas. São importantes especialmente para quem usa remédios contínuos ou tem histórico de doenças renais.

    Testosterona total e livre

    A testosterona é o principal hormônio masculino, regulando funções como libido, massa muscular, força e humor. A redução dos níveis pode causar fadiga, queda de desejo sexual e disfunção erétil. O exame ajuda a identificar a andropausa e outros distúrbios hormonais precocemente.

    Exames complementares

    O urologista pode solicitar outros exames, como hemograma completo, glicemia, colesterol e função hepática, além de exames de imagem (ultrassom ou ressonância) quando há suspeita de inflamação, tumores ou alterações mais graves.

    Quando o exame de toque retal é necessário?

    O toque retal é um procedimento rápido e indolor que permite avaliar o tamanho e a consistência da próstata. É essencial para detectar alterações como aumento benigno ou câncer.

    “O exame de toque ainda é necessário, principalmente em programas de detecção precoce do câncer de próstata”, explica Willy. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta que a decisão sobre o exame seja compartilhada entre médico e paciente.

    Homens negros ou com histórico familiar devem iniciar o acompanhamento urológico aos 45 anos, conforme recomendação da SBU.

    Com que frequência os exames urológicos devem ser feitos?

    A recomendação geral é realizar os exames anualmente a partir dos 40 anos, mas a frequência pode variar conforme histórico familiar e fatores de risco. Na ausência de alterações, o intervalo entre as consultas pode ser maior, segundo orientação do especialista.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Mesmo com exames regulares, é importante observar sinais que exigem avaliação imediata:

    • Sangue na urina ou no esperma;
    • Dor ou ardência ao urinar;
    • Jato urinário fraco ou interrompido;
    • Vontade frequente de urinar à noite;
    • Dores na lombar ou na pelve;
    • Disfunção erétil persistente.

    Outros cuidados para manter a saúde urológica em dia

    • Beba bastante água: hidratar-se ajuda a eliminar toxinas, melhora a função dos rins e reduz o risco de infecções urinárias e cálculos renais;
    • Alimente-se bem: prefira frutas, verduras e grãos integrais; evite excesso de sal, álcool e alimentos processados;
    • Pratique atividade física: melhora a circulação, ajuda no controle de peso e protege a saúde cardiovascular e renal;
    • Não segure a urina: isso favorece o crescimento de bactérias e sobrecarrega a bexiga;
    • Tenha uma vida sexual segura: use preservativos e previna ISTs;
    • Durma bem e reduza o estresse: o equilíbrio emocional e o descanso são fundamentais para a saúde hormonal.

    “A saúde deve ser acompanhada de forma proativa, buscando cultivar saúde e não apenas tratar doenças. Alimentação, atividade física, sono e saúde mental são os quatro pilares principais”, reforça Willy.

    Confira: Infecção urinária: sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre exames de rotina para homens

    1. Por que homens não vão ao médico?

    O medo de descobrir doenças, o constrangimento e a falta de informação fazem com que muitos homens evitem consultas. Segundo a SBU, 46% dos homens só procuram atendimento quando têm sintomas — o que aumenta o risco de diagnósticos tardios, como o câncer de próstata.

    2. O câncer de próstata tem sintomas visíveis?

    Nos estágios iniciais, não. Quando os sintomas aparecem, o tumor já pode estar avançado. Os principais sinais são dificuldade para urinar, jato fraco, sangue na urina ou no sêmen e dor na pelve.

    3. O uso frequente de medicamentos para ereção é perigoso?

    Sim, se feito sem orientação médica. O uso excessivo pode mascarar doenças cardíacas e causar dependência psicológica. Em pessoas com problemas cardiovasculares, pode provocar queda de pressão e arritmias.

    4. Como é feita a biópsia da próstata e quando ela é indicada?

    A biópsia é indicada quando exames como PSA ou toque retal apontam alterações. O procedimento é feito com agulha fina guiada por ultrassom transretal, sob anestesia local. Fragmentos da próstata são analisados em laboratório para verificar a presença de células cancerígenas.

    5. O que significa PSA alto e o que fazer?

    Um PSA elevado não indica automaticamente câncer. Pode ser causado por inflamações, infecções ou aumento benigno. O médico avaliará o histórico, poderá repetir o exame ou solicitar outros testes, como ultrassom ou ressonância.

    6. Existe algum preparo antes do exame de urina?

    Sim. O ideal é coletar a primeira urina da manhã (ou após 2 horas sem urinar), higienizar a região íntima e descartar o primeiro jato. Evite relações sexuais 24 a 48 horas antes e também exercícios físicos intensos.

    Leia também: Sintomas de próstata aumentada que não devem ser ignorados e quando procurar um urologista

  • Remédios que podem ser perigosos quando combinados 

    Remédios que podem ser perigosos quando combinados 

    Tomar remédios parece algo simples, mas combinar medicamentos sem orientação pode trazer riscos importantes. Algumas misturas diminuem o efeito do tratamento; outras aumentam efeitos colaterais ou podem até provocar situações graves, como sangramentos, alterações cardíacas, queda excessiva da pressão ou danos ao fígado e aos rins.

    As chamadas interações medicamentosas acontecem quando um medicamento altera o efeito de outro, e isso não envolve apenas remédios controlados. Analgésicos comuns, anti-inflamatórios, antibióticos, suplementos, álcool e até certos alimentos podem interferir na ação de medicamentos.

    Entenda mais sobre as interações mais frequentes para ajudar a reduzir riscos e usar remédios de forma mais segura.

    O que são interações medicamentosas?

    As interações medicamentosas acontecem quando uma substância interfere na ação de outra. Isso pode fazer com que o medicamento:

    • Fique mais fraco;
    • Fique mais forte do que deveria;
    • Aumente efeitos colaterais;
    • Gere reações inesperadas no organismo.

    O uso seguro de medicamentos depende também de atenção às combinações feitas no dia a dia.

    Essas interações podem ocorrer entre:

    • Dois ou mais medicamentos;
    • Medicamentos e álcool;
    • Medicamentos e alimentos;
    • Medicamentos e suplementos ou plantas medicinais.

    Nem toda interação é grave, mas algumas podem trazer riscos importantes, principalmente em idosos, pessoas com doenças crônicas ou pacientes que usam muitos medicamentos ao mesmo tempo.

    Por que interações medicamentosas acontecem?

    Os medicamentos passam por várias etapas dentro do organismo: absorção, metabolização, circulação e eliminação. Algumas substâncias podem alterar essas etapas, modificando a quantidade do remédio no sangue ou a forma como ele atua.

    Além disso, certos medicamentos têm efeitos parecidos no corpo. Quando usados juntos, esses efeitos podem se somar de maneira perigosa.

    É por isso que algumas combinações aumentam muito o risco de sonolência, sangramento, queda de pressão ou sobrecarga nos rins e no fígado.

    Interações medicamentosas mais comuns

    Anti-inflamatórios + álcool

    Essa é uma das combinações mais comuns, e uma das mais problemáticas. Anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno já podem irritar o estômago por si só. Quando combinados ao álcool, o risco de gastrite, sangramento e úlcera aumenta.

    Além disso, o álcool pode aumentar efeitos colaterais como tontura e mal-estar.

    Dipirona, paracetamol ou outros analgésicos + álcool

    O álcool também pode aumentar riscos hepáticos, especialmente com o paracetamol. O fígado participa da metabolização do medicamento e do álcool ao mesmo tempo, o que pode aumentar a toxicidade.

    Por isso, usar analgésicos repetidamente enquanto há consumo frequente de álcool merece atenção.

    Anticoagulantes + anti-inflamatórios

    Pessoas que usam anticoagulantes, como varfarina ou rivaroxabana, precisam ter muito cuidado com anti-inflamatórios. Essa combinação pode aumentar bastante o risco de sangramentos.

    Os sinais de alerta são:

    • Sangramento gengival;
    • Sangue na urina;
    • Fezes escuras;
    • Hematomas frequentes.

    Remédios para ansiedade + álcool

    Benzodiazepínicos, como alprazolam, clonazepam e diazepam, já reduzem a atividade do sistema nervoso central. Misturados ao álcool, o efeito sedativo pode aumentar muito.

    Isso pode causar:

    • Sonolência intensa;
    • Confusão;
    • Queda de pressão;
    • Dificuldade para respirar;
    • Risco aumentado de acidentes.

    Em casos graves, a combinação pode causar problemas para respirar (depressão respiratória).

    Antibióticos + álcool

    Nem todos os antibióticos têm interação grave com álcool, mas alguns merecem atenção especial. Metronidazol e tinidazol, por exemplo, podem causar reações importantes quando combinados com bebida alcoólica.

    Entre os sintomas possíveis estão:

    • Náusea;
    • Vômitos;
    • Rubor facial;
    • Taquicardia;
    • Queda de pressão.

    Além disso, mesmo quando não há interação direta grave, o álcool pode atrapalhar a recuperação do organismo durante infecções.

    Antidepressivos + outros medicamentos que envolvem serotonina

    Algumas combinações podem aumentar excessivamente a serotonina no corpo, elevando o risco de síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente grave.

    O risco pode aumentar quando antidepressivos são combinados com:

    • Outros antidepressivos;
    • Alguns opioides;
    • Certos remédios para enxaqueca;
    • Suplementos como erva-de-são-joão.

    Anti-hipertensivos + medicamentos para ereção

    Medicamentos como tadalafila e sildenafil podem reduzir a pressão arterial. Quando usados junto com nitratos cardíacos, como nitroglicerina e isossorbida, a queda de pressão pode ser perigosa.

    Essa combinação pode causar:

    • Bastante tontura;
    • Desmaio;
    • Queda de pressão arterial grave;
    • Risco cardiovascular aumentado.

    Alimentos também podem interferir?

    Sim. Algumas interações conhecidas envolvem alimentos e bebidas.

    Conheça as mais famosas:

    • Suco de grapefruit (toranja) com certos medicamentos cardiovasculares;
    • Vitamina K em excesso interferindo na varfarina;
    • Cafeína potencializando alguns estimulantes.

    Isso não significa que a pessoa precise cortar completamente esses alimentos em todos os casos, mas que vale seguir orientação médica quando usa medicamentos contínuos. E, principalmente, avisar o médico que está prescrevendo algum medicamento de todos os outros remédios ou vitaminas já em uso.

    Quem corre mais risco?

    Alguns grupos têm risco maior de sofrer interações medicamentosas:

    • Idosos;
    • Pessoas que usam muitos medicamentos;
    • Pacientes com doenças renais ou hepáticas;
    • Pessoas com doenças cardiovasculares;
    • Pacientes que fazem tratamento psiquiátrico.

    Isso acontece porque o organismo pode metabolizar medicamentos de forma diferente, além de existir maior chance de múltiplas combinações.

    O que fazer para evitar interações perigosas?

    Existem algumas coisas para evitar ou diminuir a chance de interações perigosas:

    • Informar todos os medicamentos em uso ao médico;
    • Avisar sobre suplementos e fitoterápicos;
    • Evitar automedicação;
    • Ler a bula;
    • Perguntar ao farmacêutico em caso de dúvida;
    • Evitar misturar remédios com álcool sem orientação.

    Também é importante evitar a ideia de que, se o medicamento é vendido sem receita, não oferece risco. Isso não é verdade. Muitos medicamentos comuns podem interagir entre si.

    Quando procurar ajuda imediatamente?

    Procure atendimento rápido se surgirem sinais como:

    • Falta de ar;
    • Sonolência excessiva;
    • Confusão mental;
    • Desmaio;
    • Sangramento importante;
    • Batimentos cardíacos muito alterados;
    • Reação alérgica intensa.

    Esses sintomas podem indicar uma interação medicamentosa relevante e precisam de avaliação médica imediata.

    Veja também: Dipirona: quando usar e por que é proibida em alguns países

    Perguntas frequentes sobre interações medicamentosas

    1. Misturar remédios pode ser perigoso?

    Sim. Algumas combinações aumentam muito o risco de efeitos adversos.

    2. Álcool interfere em medicamentos?

    Sim. O álcool pode aumentar sedação, irritação no estômago e ser tóxico para o fígado.

    3. Suplementos também interagem?

    Sim. Fitoterápicos e suplementos podem alterar o efeito de medicamentos.

    4. Posso tomar anti-inflamatório com anticoagulante?

    A combinação exige cuidado e orientação médica devido ao risco de sangramento.

    5. Todo antibiótico interage com álcool?

    Não, mas alguns podem causar reações importantes.

    6. Medicamentos para ansiedade podem ser misturados com bebida alcoólica?

    Não é recomendado devido ao risco de sedação intensa e depressão respiratória.

    7. O farmacêutico pode orientar sobre interações?

    Sim. Farmacêuticos são profissionais capacitados para orientar sobre uso seguro de medicamentos. O Centro de Assistência Toxicológica (CEATOX) também é capaz de trazer mais informações sobre interações medicamentosas.

    Confira: Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio

  • Sono ruim pode afetar a memória? Neurologista responde

    Sono ruim pode afetar a memória? Neurologista responde

    Dificuldade para lembrar nomes, esquecimento no meio de uma conversa ou a sensação de que o raciocínio está mais lento que o normal são apenas alguns dos sinais que podem surgir se você não teve uma noite de sono adequada.

    Durante o descanso, principalmente nas fases mais profundas do sono, o cérebro fortalece conexões importantes entre os neurônios e te ajuda a aprender, prestar atenção e tomar decisões com mais facilidade.

    Quando o sono é insuficiente ou de má qualidade, a concentração, a criatividade e até a velocidade do raciocínio podem ficar prejudicadas já no dia seguinte.

    Afinal, como o sono consolida a memória?

    A memória se fortalece durante o sono porque o cérebro aproveita o período para organizar e guardar as informações aprendidas ao longo do dia. Enquanto você dorme, principalmente no sono profundo, uma região chamada hipocampo revisita as experiências recentes e ajuda a transferir as lembranças para áreas do cérebro responsáveis pelo armazenamento de longo prazo.

    Ao mesmo tempo, as conexões entre os neurônios que participaram do aprendizado ficam mais fortes, facilitando a lembrança de informações, nomes, conteúdos estudados e experiências vividas. Por isso, dormir bem ajuda você a aprender melhor e lembrar das coisas com mais facilidade.

    Já durante o sono REM, fase em que os sonhos são mais intensos, o cérebro trabalha especialmente na consolidação de habilidades, emoções e memórias ligadas às experiências emocionais do dia.

    Por fim, a noite de sono também funciona como uma espécie de limpeza cerebral: o cérebro enfraquece conexões menos importantes para evitar sobrecarga e abrir espaço para novos aprendizados. Quando você dorme pouco ou mal, as memórias podem se tornar mais confusas, frágeis ou fáceis de esquecer.

    Principais impactos do sono ruim na mente

    A privação de sono ou uma noite de descanso de má qualidade interferem diretamente na comunicação entre os neurônios e na química cerebral, podendo causar:

    • Dificuldade para manter a atenção e o foco nas tarefas;
    • Maior facilidade para se distrair durante conversas ou atividades;
    • Aprendizado mais lento e dificuldade para absorver novas informações;
    • Esquecimentos frequentes, como perder objetos ou esquecer recados recentes;
    • Mais dificuldade para planejar, organizar tarefas e tomar decisões;
    • Raciocínio mais lento e menor capacidade de resolver problemas;
    • Maior irritação, ansiedade e sensibilidade emocional;
    • Reações exageradas a situações simples do dia a dia;
    • Tempo de resposta mais lento e redução da coordenação motora;
    • Maior risco de acidentes ao dirigir ou realizar atividades que exigem atenção;
    • Acúmulo de substâncias tóxicas no cérebro, prejudicando a clareza mental e a saúde cerebral ao longo do tempo.

    Riscos a longo prazo para a mente

    Além dos prejuízos imediatos, o sono ruim impede a ativação do sistema glinfático, uma espécie de mecanismo de limpeza que remove toxinas cerebrais durante a noite. Como consequência, resíduos como a proteína beta-amiloide se acumulam nos tecidos, criando um ambiente tóxico que favorece o declínio cognitivo e aumenta o risco de doenças neurodegenerativas, como demências e Alzheimer.

    O sono ruim persistente também está ligado ao surgimento de transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade crônica, devido ao desequilíbrio neuroquímico constante.

    Há também um aumento no risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC), pois a falta de descanso compromete a saúde cardiovascular e a regulação da pressão arterial, afetando diretamente a irrigação sanguínea do cérebro.

    Sinais de que sua memória está sendo afetada pelo sono

    Os sinais de que a falta de sono está prejudicando a função cognitiva costumam surgir de maneira sutil, mas se tornam frequentes na rotina. São eles:

    • Dificuldade em lembrar onde deixou objetos comuns (chaves, celular ou carteira) ou se realizou tarefas automáticas, como trancar a porta;
    • Esquecer a palavra que ia usar ou perder o fio da meada durante uma explicação ou conversa simples;
    • Ler uma página inteira de um livro ou documento e perceber que não absorveu nenhuma informação, precisando reler várias vezes;
    • Uma sensação de névoa (brain fog) que torna o pensamento menos nítido e faz com que tarefas simples demandem um esforço mental desproporcional;
    • Começar a confundir eventos, datas ou detalhes de situações que aconteceram recentemente, misturando fatos reais com sonhos ou suposições;
    • Sentir-se momentaneamente confuso sobre o dia da semana ou demorar mais do que o habitual para decidir qual trajeto seguir em um caminho conhecido.

    Dicas para dormir melhor e proteger a memória

    No dia a dia, alguns hábitos simples ajudam bastante a melhorar a qualidade do sono e proteger o funcionamento do cérebro, como:

    • Mantenha a regularidade: tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias, inclusive nos finais de semana, o que regula o ciclo circadiano (seu relógio biológico), facilitando a entrada no sono profundo;
    • Controle a exposição à luz: reduza as luzes da casa e evite telas (celular, tablet e TV) pelo menos uma hora antes de deitar. A luz azul inibe a produção de melatonina, o hormônio essencial para o sono;
    • Crie um ambiente agradável para dormir: o quarto deve ser um local escuro, silencioso e com temperatura agradável. Ruídos externos podem ser bloqueados com protetores auriculares ou sons brancos constantes;
    • Atenção à alimentação: evite bebidas estimulantes, como café, chás pretos e energéticos, após as 16h. Além disso, prefira jantares leves para que o processo de digestão não interfira na qualidade do descanso;
    • Pratique atividades físicas: o exercício ajuda a reduzir o tempo necessário para pegar no sono e aumenta a duração do sono profundo. No entanto, evite treinos muito intensos próximo ao horário de dormir, pois a adrenalina pode causar agitação;
    • Aplique técnicas de relaxamento: meditação guiada, respiração profunda ou um banho morno ajudam a baixar os níveis de cortisol (hormônio do estresse), preparando a mente para o repouso.

    Quando procurar um médico?

    Você deve procurar um médico quando os esquecimentos deixarem de ser esporádicos e passarem a afetar a rotina, ou se a melhora na higiene do sono não trouxer resultados após algumas semanas. Fique atento aos seguintes sinais de alerta:

    • Esquecer nomes de pessoas próximas ou compromissos importantes rotineiramente;
    • Pausas na respiração durante a noite, que impedem o sono profundo;
    • Dificuldade para dormir que ocorre mais de três vezes por semana por um longo período;
    • Sentir-se confuso em locais conhecidos ou perder a noção de datas e horários;
    • Cochilar involuntariamente durante atividades como dirigir ou trabalhar.

    O médico poderá solicitar exames como a polissonografia para identificar se existe um distúrbio físico impedindo a restauração do seu cérebro.

    Leia mais: Falta de sono pode te deixar mais doente

    Perguntas frequentes

    1. Quantas horas preciso dormir para não ter perda de memória?

    Para a maioria dos adultos, o ideal é entre 7 e 9 horas por noite. Menos que 6 horas já prejudica a capacidade do cérebro de processar e armazenar informações.

    2. Cochilar durante o dia ajuda a memória?

    Sim. Cochilos curtos (20 a 30 minutos) podem melhorar o alerta e a memória de trabalho, mas não substituem o sono profundo da noite para a consolidação de longo prazo.

    3. O que é o sono REM e por que ele é importante?

    É a fase dos movimentos oculares rápidos, onde ocorrem os sonhos. Ela é essencial para o processamento emocional e para a consolidação de memórias de habilidades (como tocar um instrumento).

    4. Café ajuda a recuperar a memória de quem dormiu mal?

    O café mascara o cansaço e melhora o alerta temporariamente, mas não repara o processo de consolidação de memória que deveria ter ocorrido durante o sono.

    5. O uso de remédios para dormir afeta a memória?

    Alguns sedativos (como benzodiazepínicos) podem interferir na arquitetura do sono, impedindo as fases profundas e causando lapsos de memória ou confusão mental.

    6. Qual a melhor posição para dormir e limpar o cérebro?

    Alguns estudos sugerem que dormir de lado (posição lateral) pode favorecer a eficiência do sistema glinfático na remoção de toxinas cerebrais.

    7. Por que idosos têm mais problemas de memória relacionados ao sono?

    Com o envelhecimento, o sono profundo diminui naturalmente, o que reduz o tempo disponível para o cérebro realizar a manutenção e a fixação de memórias.

    Veja também: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

  • Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    O coração trabalha 24 horas por dia, sem pausa para descanso. E, assim como um carro que precisa de revisão para não quebrar no meio da estrada, o coração também merece atenção preventiva. É aí que entra o check-up cardíaco, um conjunto de exames que ajuda a identificar riscos e prevenir problemas antes que eles apareçam.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, explica que a partir dos 40 anos mesmo quem não tem fatores de risco já deve começar a avaliação.

    “Mas se houver histórico familiar de doenças cardíacas, diabetes, hipertensão ou colesterol alto, o check-up deve começar antes, por volta dos 30 ou 35 anos”, recomenda.

    Quando começar o check-up do coração

    Se você tem um histórico familiar de infarto ou AVC, a recomendação é antecipar o check-up cardíaco.

    “Se um parente de primeiro grau teve infarto ou AVC antes dos 55 anos, no caso de homens, ou 65 anos, para mulheres, é indicado iniciar a avaliação 10 anos antes da idade em que o evento ocorreu”, orienta Giovanni.

    Exames básicos que fazem parte do check-up cardíaco

    Segundo o cardiologista, todo check-up começa com exames essenciais:

    • Eletrocardiograma: exame que registra a atividade elétrica do coração e ajuda a detectar arritmias.
    • Dosagem de colesterol e glicemia: exame que mede as gorduras e o açúcar no sangue, fatores ligados a doenças cardíacas.
    • Avaliação da pressão arterial: verifica se a pessoa tem pressão alta, um dos maiores problemas para o coração.

    Exames complementares que podem ser solicitados no check-up cardíaco

    Dependendo do perfil e histórico da pessoa, o médico pode pedir outros exames do coração para avaliar pontos específicos. Alguns deles são:

    • Ecocardiograma: ultrassom que mostra o funcionamento do coração.
    • Teste ergométrico: é o famoso teste da esteira, que avalia o desempenho do coração sob esforço intenso.
    • MAPA ou Holter: monitoram a pressão arterial ou o ritmo cardíaco por 24 horas.
    • Cintilografia miocárdica ou angiotomografia coronariana: em casos selecionados, para avaliar fluxo sanguíneo e artérias do coração.

    Esses são exames para prevenir infarto e outros problemas cardiovasculares.

    Homens e mulheres: exames iguais, mas atenção diferente

    De maneira geral, os homens e as mulheres fazem os mesmos exames do coração. “No entanto, mulheres podem apresentar sintomas atípicos de doenças cardíacas e, por isso, a avaliação pode incluir exames mais específicos”, diz o médico.

    “A menopausa também é um fator de risco e devemos estar atentos a esse período de vida das mulheres”, alerta o cardiologista. Nessas situações, o médico pode recomendar exames extras.

    Com que frequência repetir os exames

    A resposta depende do risco cardiovascular de cada um. A partir do primeiro check-up cardíaco, o médico saberá dizer quando deve ser feito o próximo.

    • Baixo risco, sem outros fatores de risco: a cada 2 a 3 anos.
    • Risco moderado: anualmente.
    • Alto risco ou portadores de doenças cardiovasculares: anual ou até semestral, conforme orientação médica.

    Check-up cardiológico detecta risco de infarto?

    Sim, o check-up cardíaco consegue detectar risco de infarto, conta o cardiologista.

    “Por meio da análise dos fatores de risco e exames, é possível estimar a chance de eventos cardiovasculares e adotar medidas preventivas”, afirma o médico.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto conta que exames como escore de cálcio e teste ergométrico podem identificar placas nas artérias ou isquemia silenciosa, que é quando o coração sofre falta de sangue sem causar sintomas.

    Sintomas que merecem atenção fora da rotina

    Apesar de fazer o check-up regularmente, não espere a data do próximo exame cardiológico para procurar ajuda se sentir:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar ao se esforçar;
    • Tontura ou desmaios;
    • Palpitações;
    • Inchaço nas pernas.

    Esses são sinais que você deve procurar um médico imediatamente para investigar o que está acontecendo.

    Check-up cardiológico normal significa risco zero?

    Infelizmente, não. “O risco cardiovascular pode mudar com alterações nos hábitos, peso, pressão e colesterol. Por isso, mesmo com exames normais, é fundamental manter hábitos saudáveis e reavaliar periodicamente”, reforça o Dr. Giovanni.

    Veja também: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    Perguntas frequentes sobre check-up cardíaco

    1. Check-up cardíaco dói?

    Não. Os exames são simples e não invasivos na maioria dos casos.

    2. Preciso fazer jejum para o check-up?

    Para exames de sangue, sim, geralmente de 8 a 12 horas.

    3. Posso fazer check-up grávida?

    Alguns exames são seguros, mas é preciso informar o médico para adaptar a avaliação.

    4. Quanto custa um check-up cardíaco?

    O valor varia conforme a quantidade de exames solicitados e o local. Os planos de saúde também cobrem os exames que constam no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

    5. Atletas também precisam fazer check-up?

    Sim. A avaliação ajuda a garantir que o coração está preparado para esforços intensos.

    6. Quem nunca teve sintomas precisa fazer?

    Sim. O objetivo é prevenir e identificar riscos antes dos sintomas aparecerem e manter a saúde do coração.

    7. Existe idade máxima para fazer check-up?

    Não. A avaliação é importante em qualquer fase da vida.

    8. O check-up substitui hábitos saudáveis?

    De forma alguma. Ele complementa a prevenção, para que os médicos consigam intervir precocemente caso necessário, mas não dispensa alimentação equilibrada, exercícios e controle do estresse.

    Confira: Como organizar um check-up médico anual? Veja algumas dicas que podem te ajudar