Categoria: Prevenção

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  • Suplementação: o perigo de dar vitaminas para idosos sem prescrição médica

    Suplementação: o perigo de dar vitaminas para idosos sem prescrição médica

    A perda gradual de massa muscular e de força ao longo dos anos é uma condição natural conhecida como sarcopenia, que costuma acelerar consideravelmente após os cinquenta anos de idade. Na tentativa de combater o processo, algumas famílias tendem a recorrer ao uso de suplementos alimentares para manter a autonomia dos idosos.

    No entanto, o uso dos produtos por conta própria e sem orientação médica apresenta riscos graves que podem comprometer o funcionamento de órgãos vitais.

    Segundo Maysa Seabra Cendoroglo, médica geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o organismo na terceira idade processa as substâncias de forma diferente, já que os rins e o fígado também passam pelo processo de envelhecimento e toleram menos as sobrecargas.

    Por isso, mesmo suplementos considerados seguros podem causar efeitos indesejados quando utilizados sem necessidade ou em doses inadequadas. “Quanto mais a pessoa envelhece, mais individualizada é a necessidade de você fazer uma prescrição para ela”, aponta Maysa.

    Por que a suplementação sem orientação é perigosa para o idoso?

    A suplementação sem orientação médica é perigosa para o idoso porque o organismo na terceira idade processa as substâncias de forma completamente diferente de um adulto jovem. Com o passar dos anos, os órgãos passam por um envelhecimento natural, o que altera o ritmo de absorção, filtragem e eliminação de nutrientes.

    Quando o idoso consome vitaminas ou shakes proteicos por conta própria, o corpo não consegue expelir o excesso, causando uma sobrecarga que pode provocar uma doença renal, segundo Maysa.

    Além do risco de sobrecarga, o consumo exagerado de nutrientes pode causar toxicidade, conhecida como hipervitaminose. Por exemplo, vitaminas como a A, D e K não são eliminadas facilmente pela urina e acumulam-se no organismo, provocando desde tonturas e náuseas até a calcificação perigosa de artérias.

    Por fim, há também o risco das interações medicamentosas, já que muitos idosos tomam remédios contínuos para pressão ou diabetes, e alguns minerais presentes nos suplementos podem cortar ou anular o efeito dessas medicações.

    O risco de mascarar problemas de saúde mais sérios

    A perda de força, o emagrecimento e a diminuição da massa muscular nem sempre são apenas consequência do envelhecimento e podem estar relacionados a doenças que precisam de tratamento específico, como anemias, alterações na tireoide e até problemas gastrointestinais.

    Quando o idoso começa a tomar suplementos por conta própria, sem passar por uma avaliação médica, existe o risco de aliviar temporariamente alguns sintomas e adiar o diagnóstico da verdadeira causa do problema. Ao mesmo tempo, a doença preexistente pode continuar evoluindo de maneira silenciosa.

    Vitaminas em excesso: quais os efeitos colaterais na terceira idade?

    Como os rins e o fígado dos idosos têm uma capacidade reduzida de filtrar e eliminar os excessos, o consumo exagerado e sem controle de vitaminas pode causar complicações como:

    1. Excesso de cálcio e vitamina D

    O consumo excessivo desses nutrientes pode aumentar os níveis de cálcio no sangue. Como consequência, pode favorecer a formação de pedras nos rins, causar alterações no ritmo cardíaco e aumentar o risco de calcificação dos vasos sanguíneos, especialmente quando há suplementação sem indicação médica.

    2. Excesso de vitamina A

    O uso prolongado de doses elevadas de vitamina A pode aumentar o risco de perda de massa óssea, favorecendo o desenvolvimento de osteoporose e fraturas, principalmente em idosos. Além disso, pode causar toxicidade no fígado, provocando sintomas como náuseas, tontura, dor de cabeça e queda de cabelo.

    3. Excesso de vitamina C

    Apesar de ser eliminada pela urina, o consumo frequente de doses muito altas de vitamina C pode aumentar o risco de formação de cálculos renais em pessoas predispostas e provocar desconfortos gastrointestinais, como cólicas, diarreia e azia.

    4. Excesso de vitamina B6

    O uso prolongado de altas doses de vitamina B6 pode causar neuropatia periférica, caracterizada por sintomas como formigamento, dormência e sensação de queimação nas mãos e nos pés. Em casos mais graves, também pode comprometer o equilíbrio e dificultar a caminhada.

    5. Excesso de ferro

    O ferro só deve ser suplementado quando há deficiência comprovada, pois o excesso pode se acumular em órgãos como fígado, coração e pâncreas, causando lesões ao longo do tempo e aumentando o risco de problemas como cirrose, alterações cardíacas e diabetes.

    Quando o idoso realmente precisa tomar suplementos?

    A necessidade de suplementação só deve ser confirmada após uma avaliação clínica e, quando necessário, a realização de exames laboratoriais solicitados por um médico ou nutricionista.

    Com base nos resultados, o profissional consegue identificar possíveis deficiências nutricionais, como baixos níveis de vitamina D, vitamina B12 ou ferro, e indicar o suplemento mais adequado, na dose e pelo tempo necessários para corrigir a deficiência com segurança.

    Além da deficiência comprovada, a suplementação também pode ser indicada em situações que dificultam a ingestão ou a absorção dos nutrientes, como em casos de:

    • Perda importante de apetite;
    • Dificuldades para mastigar ou engolir os alimentos;
    • Doenças que comprometem a absorção intestinal;
    • Após cirurgias no estômago ou no intestino.

    Em todas as situações, o acompanhamento profissional é importante para garantir que a suplementação realmente traga benefícios e não represente riscos para a saúde do idoso.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes

    1. Quais os sintomas de que o idoso está sofrendo com excesso de vitaminas?

    Os sinais mais comuns de hipervitaminose incluem náuseas, tonturas, cansaço inexplicável, formigamento nas mãos e pés, além de alterações nos exames de função renal.

    2. Suplementos podem cortar o efeito dos remédios de uso contínuo?

    Sim, certos minerais e vitaminas interagem com medicamentos para pressão, diabetes, coração e anticoagulantes, anulando o efeito do remédio ou potencializando seus riscos.

    3. Vitaminas para o cérebro funcionam contra a perda de memória?

    Não há comprovação científica de que polivitamínicos comerciais previnam o Alzheimer. A perda de memória deve ser investigada por um médico para tratar a causa exata.

    4. Shakes industriais podem substituir as refeições principais do idoso?

    Não, eles devem funcionar apenas como um complemento. Substituir o almoço ou jantar por shakes reduz o estímulo da mastigação e pode causar desequilíbrios nutricionais a longo prazo.

    5. Por que a falta de vitamina B12 é tão comum em idosos?

    Porque o estômago do idoso produz menos ácido e uma substância chamada fator intrínseco, essenciais para absorver a B12 dos alimentos. A carência causa anemia e formigamentos, mas a dose da reposição deve ser calculada pelo médico.

    6. Qual é o perigo de dar cápsulas de ômega-3 sem indicação para o idoso?

    O ômega-3 em altas doses tem efeito anticoagulante. Se o idoso já toma remédios para afinar o sangue (como AAS ou varfarina), o uso do suplemento sem controle aumenta o risco de sangramentos e hemorragias perigosas.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

  • Reserva funcional: 5 hábitos que ajudam você a viver mais e melhor

    Reserva funcional: 5 hábitos que ajudam você a viver mais e melhor

    Você já ouviu falar no termo reserva funcional? De maneira geral, é a capacidade que o corpo desenvolve para enfrentar o envelhecimento, doenças, cirurgias ou períodos de maior estresse sem perder a independência e a qualidade de vida.

    Na prática, é como se a reserva fosse uma poupança biológica de saúde: quanto maior ela for, mais preparado o organismo estará para lidar com os desafios naturais do passar dos anos. A geriatra Maysa Seabra Cendoroglo, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, explica que ela começa a ser formada e gasta desde o momento em que nascemos.

    “Se você faz escolhas boas, positivas, vai gastar menos dessas reservas e chegar a idades mais avançadas com um potencial melhor. Se, na verdade, faz escolhas ruins, mais precocemente vai ficar sem reserva”, explica a especialista.

    Como funciona a reserva funcional?

    A reserva funcional funciona como um mecanismo de compensação e proteção do próprio organismo. Todos os órgãos e sistemas, como o coração, os pulmões, os rims, os músculos e até o cérebro, possuem uma capacidade de funcionamento muito maior do que aquela necessária para realizar as atividades básicas do dia a dia, como caminhar, tomar banho, subir escadas ou respirar em repouso.

    A reserva permite justamente que o organismo responda melhor quando enfrenta situações que demandam um esforço maior. Quanto maior ela for, maior tende a ser a capacidade de recuperação do corpo e menores são as chances de perder a autonomia após um problema de saúde.

    Ao longo da vida, o organismo passa naturalmente por mudanças que reduzem a força muscular, a capacidade cardiorrespiratória, a densidade óssea e até algumas funções cognitivas. Contudo, a velocidade pode variar de uma pessoa para outra e está diretamente relacionada aos hábitos de vida.

    Por que a reserva funcional é importante para a longevidade?

    A reserva funcional ajuda a determinar se os anos a mais de vida serão vividos com independência ou com limitações. A ideia não é apenas esticar o tempo de vida, mas garantir chegar na terceira idade com disposição para manter a própria rotina e a autonomia.

    Uma boa reserva funcional permite que o idoso continue realizando tanto as atividades básicas, como levantar da cama, tomar banho, se vestir e se alimentar sozinho, quanto tarefas mais complexas, como fazer compras, cozinhar, administrar o próprio dinheiro, dirigir ou utilizar o transporte público.

    Além de preservar a independência, a reserva funcional também ajuda o organismo a enfrentar melhor os efeitos do envelhecimento. Mesmo em quadros de diabetes ou hipertensão, por exemplo, um corpo mais preparado costuma responder melhor ao tratamento, se recuperar com mais facilidade após cirurgias ou internações e sofrer menos impacto na qualidade de vida.

    Sinais de que a sua reserva funcional pode estar baixa

    O corpo costuma dar pequenos sinais de alerta no dia a dia de que a reserva funcional está ficando baixa, como:

    • Cansaço excessivo para realizar tarefas simples, como subir escadas, carregar compras ou caminhar pequenas distâncias;
    • Recuperação mais lenta após gripes, resfriados ou outras doenças comuns;
    • Perda de força muscular, dificuldade para levantar da cadeira ou redução do equilíbrio;
    • Falta de ar durante atividades leves ou até mesmo ao conversar e caminhar;
    • Dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de raciocínio mais lento;
    • Sono que não traz sensação de descanso, com cansaço mesmo após uma noite inteira dormindo;
    • Cicatrização lenta de cortes, arranhões e hematomas, que demoram mais para desaparecer.

    Como aumentar e preservar a reserva funcional

    A genética influencia apenas cerca de 30% da longevidade, e os outros 70% estão relacionados aos hábitos de vida. As escolhas feitas todos os dias ajudam a construir (ou a reduzir) a reserva funcional ao longo dos anos.

    Para ajudar a fortalecer a reserva funcional, vale a pena adotar algumas medidas, como:

    1. Pratique atividade física regularmente

    Com o envelhecimento, a perda de massa muscular acontece de forma natural. O processo acelera sem estímulos, aumentando o risco de fragilidade e perda de autonomia.

    O que fazer: combine exercícios de força, como musculação ou pilates, com atividades aeróbicas. O treino deve respeitar a condição física e evoluir de forma gradual para fortalecer músculos, coração e pulmões.

    2. Tenha uma alimentação equilibrada

    Uma alimentação variada fornece os nutrientes necessários para manter músculos, ossos e órgãos saudáveis. Já os suplementos só devem ser utilizados quando houver indicação de um profissional de saúde.

    O que fazer: priorize frutas, verduras, legumes, grãos, leguminosas e proteínas de qualidade, reduzindo o consumo de alimentos ultraprocessados. Também é importante consumir proteínas em quantidade adequada para preservar a massa muscular, sempre com orientação quando necessário.

    3. Mantenha o cérebro e a vida social ativos

    A reserva funcional também depende da saúde do cérebro. No cotidiano, aprender coisas novas e manter contato com outras pessoas ajuda a preservar a memória, o raciocínio e reduz o risco de isolamento.

    O que fazer: leia, faça jogos de raciocínio, aprenda uma nova habilidade, participe de grupos e cultive os relacionamentos. Conviver com pessoas de diferentes idades também traz benefícios para a saúde física e mental.

    4. Controle o estresse

    O estresse constante favorece processos inflamatórios e o chamado estresse oxidativo, que acelera o desgaste das células e pode comprometer a reserva funcional.

    O que fazer: reserve momentos para descansar e encontre estratégias que ajudem a aliviar as tensões do dia a dia, como atividades relaxantes, exercícios físicos, meditação e acompanhamento psicológico, quando necessário.

    5. Cuide da qualidade do sono

    Durante o tempo de sono, o organismo recupera os tecidos, fortalece o sistema imunológico e regula diversos processos importantes para a saúde. Com o envelhecimento, é comum que o sono fique mais leve e fragmentado, mas isso não significa que deva ser deixado de lado.

    O que fazer: mantenha horários regulares para dormir, evite o uso de telas antes de deitar e procure ajuda médica caso tenha dificuldade para dormir ou acorde cansado com frequência. Um sono de qualidade é necessário para preservar a reserva funcional e envelhecer com mais saúde.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade certa para começar a cuidar da reserva?

    Sim, o momento ideal é desde o nascimento. A reserva é formada e gasta continuamente, por isso, hábitos saudáveis desde a juventude fazem toda a diferença no futuro.

    2. É possível aumentar a reserva funcional depois dos 60 anos?

    Com certeza. O corpo responde positivamente a estímulos, como exercícios de força e boa nutrição, em qualquer fase da vida.

    3. Suplementos são necessários para aumentar a reserva?

    Não necessariamente. A maioria das pessoas consegue o que precisa na alimentação. Os suplementos devem ser prescritos apenas por médicos ou nutricionistas após avaliação individual.

    4. Onde buscar ajuda para avaliar minha reserva atual?

    O médico geriatra é o profissional mais indicado para realizar uma avaliação completa e orientar estratégias específicas para o seu caso.

    5. Terapia ajuda a melhorar a reserva funcional?

    Sim, principalmente a terapia de apoio. Ela ajuda o idoso a lidar com o estresse e as dificuldades do dia a dia, diminuindo o impacto emocional negativo no organismo.

    6. A reabilitação física funciona mesmo em idades muito avançadas?

    Funciona. Desde que o idoso queira e passe por fisioterapia adequada, o corpo demonstra uma capacidade fantástica de resiliência e recuperação, mesmo após internações graves ou cirurgias.

    Leia mais: Vitamina B6: saiba mais sobre a importância dela no cérebro e metabolismo das proteínas

  • O que muda na alimentação depois da retirada da vesícula? 

    O que muda na alimentação depois da retirada da vesícula? 

    A retirada da vesícula biliar, procedimento chamado de colecistectomia, é uma das cirurgias mais realizadas no mundo, principalmente para tratar cálculos na vesícula (também chamados de pedras na vesícula) e suas complicações.

    Depois da cirurgia, uma das dúvidas mais frequentes é se será necessário seguir uma dieta restritiva para o resto da vida.

    Na maioria dos casos, não é necessário. O fígado continua produzindo bile normalmente e a maioria das pessoas consegue voltar a uma alimentação praticamente normal após o período de recuperação.

    Ainda assim, algumas adaptações alimentares podem ser úteis nas primeiras semanas e algumas pessoas podem apresentar sensibilidade a determinados alimentos por mais tempo. Entenda melhor.

    Qual é a função da vesícula biliar?

    A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado abaixo do fígado.

    Sua principal função é armazenar e concentrar a bile, um líquido produzido continuamente pelo fígado.

    A bile tem um papel importante na digestão, especialmente na digestão das gorduras, ajudando a quebrá-las para que possam ser absorvidas pelo intestino.

    Quando uma pessoa faz uma refeição rica em gordura, a vesícula se contrai e libera uma quantidade maior de bile no intestino.

    O que acontece após a retirada da vesícula?

    Após a cirurgia, o fígado continua produzindo bile normalmente. A diferença é que não existe mais um reservatório para armazená-la.

    Assim, a bile passa a escorrer continuamente do fígado para o intestino, mesmo entre as refeições.

    Na maioria das pessoas, o organismo se adapta bem a essa mudança ao longo das semanas ou meses seguintes.

    É possível viver normalmente sem vesícula?

    Sim. Milhões de pessoas vivem normalmente após a retirada da vesícula.

    Depois do período de adaptação:

    • A digestão continua acontecendo;
    • A absorção da maior parte dos nutrientes permanece preservada;
    • Não costuma haver deficiência nutricional causada pela cirurgia.

    Na maioria dos casos, a qualidade de vida melhora justamente porque desaparecem as dores e crises provocadas pelos cálculos biliares.

    O que costuma acontecer nas primeiras semanas?

    Logo após a cirurgia, é comum que o sistema digestivo ainda esteja se adaptando.

    Algumas pessoas podem apresentar:

    • Sensação de estômago mais sensível;
    • Estufamento abdominal;
    • Gases;
    • Fezes mais amolecidas;
    • Diarreia após refeições gordurosas;
    • Desconforto abdominal leve.

    Esses sintomas costumam diminuir progressivamente.

    Gorduras precisam ser evitadas para sempre?

    Não. Esse é um dos maiores mitos relacionados à retirada da vesícula.

    A maioria das pessoas não precisa eliminar completamente as gorduras da alimentação. Entretanto, nas primeiras semanas costuma ser recomendado evitar excessos de:

    • Frituras;
    • Fast-food;
    • Carnes muito gordurosas;
    • Embutidos;
    • Molhos ricos em gordura;
    • Grandes quantidades de manteiga e creme de leite.

    Após a adaptação, muitos pacientes conseguem voltar a consumir esses alimentos ocasionalmente, sempre com moderação.

    Por que algumas pessoas têm diarreia após retirar a vesícula?

    Sem a vesícula, a bile chega continuamente ao intestino. Em algumas pessoas, principalmente nas primeiras semanas, isso pode estimular o funcionamento intestinal e provocar:

    • Fezes amolecidas;
    • Aumento da frequência das evacuações;
    • Diarreia, especialmente após refeições gordurosas.

    Esse quadro é chamado de diarreia pós-colecistectomia e costuma melhorar espontaneamente.

    Em uma pequena parcela dos pacientes, os sintomas podem persistir e exigir avaliação médica. Nesses casos, uma das possíveis causas é a má absorção de ácidos biliares, condição que pode ser tratada com medicamentos específicos quando confirmada.

    Existem alimentos que costumam ser melhor tolerados?

    Sim. Durante a recuperação, normalmente são melhor tolerados:

    • Frango sem pele;
    • Peixes;
    • Carnes magras;
    • Arroz;
    • Batata;
    • Legumes cozidos;
    • Frutas;
    • Verduras;
    • Cereais integrais.

    Também pode ser útil fazer refeições menores ao longo do dia, evitando grandes volumes de comida de uma só vez.

    É necessário fazer dieta para sempre?

    Na maior parte dos casos, não.

    Após o período de adaptação:

    • Não existe uma dieta universal obrigatória;
    • A alimentação pode ser bastante semelhante à de qualquer outra pessoa;
    • As restrições dependem da tolerância individual.

    Algumas pessoas conseguem comer normalmente praticamente qualquer alimento, enquanto outras percebem desconforto após refeições muito gordurosas.

    Algumas pessoas permanecem sensíveis a certos alimentos

    Embora a maioria se adapte bem, algumas pessoas continuam apresentando sintomas após consumir:

    • Refeições muito gordurosas;
    • Grandes volumes de comida;
    • Alimentos ultraprocessados;
    • Bebidas alcoólicas em excesso.

    Nesses casos, ajustar a alimentação costuma ser suficiente para controlar os sintomas.

    Retirar a vesícula prejudica a digestão?

    De forma geral, não, pois o fígado continua produzindo bile normalmente. O que muda é apenas a forma como ela chega ao intestino.

    Por isso, a retirada da vesícula não costuma causar deficiência na absorção de vitaminas ou outros nutrientes na maioria das pessoas.

    O que fazer se os sintomas persistirem?

    Se semanas ou meses após a cirurgia persistirem sintomas como os abaixo, é importante procurar o médico:

    • Diarreia frequente;
    • Dor abdominal recorrente;
    • Perda de peso;
    • Intolerância alimentar importante;
    • Náuseas persistentes.

    Alguns pacientes apresentam condições específicas, como excesso de ácidos biliares no intestino, que podem ser tratadas com medicamentos.

    Como costuma ser a alimentação após a cirurgia?

    Primeiras semanas

    Recomenda-se:

    • Refeições menores e mais frequentes;
    • Redução temporária da gordura;
    • Boa hidratação;
    • Alimentação leve e de fácil digestão.

    Após adaptação

    Na maioria dos casos ocorre:

    • Retorno gradual da alimentação habitual;
    • Introdução progressiva dos alimentos;
    • Avaliação da tolerância individual.

    Quando procurar atendimento médico?

    Embora a recuperação costume ser tranquila, procure avaliação médica se surgirem:

    • Dor abdominal intensa ou persistente;
    • Febre;
    • Pele ou olhos amarelados (icterícia);
    • Vômitos persistentes;
    • Diarreia intensa que não melhora;
    • Perda importante de peso;
    • Incapacidade de se alimentar normalmente.

    Esses sintomas podem indicar complicações ou outra condição digestiva que merece investigação.

    Veja também: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

    Perguntas frequentes sobre alimentação após retirada da vesícula

    1. Posso viver normalmente sem vesícula?

    Sim. A grande maioria das pessoas leva uma vida completamente normal após a cirurgia.

    2. Preciso fazer dieta para o resto da vida?

    Não. Na maioria dos casos, apenas alguns cuidados temporários são necessários durante a recuperação.

    3. Posso comer gordura depois da cirurgia?

    Sim. Geralmente recomenda-se apenas evitar excessos nas primeiras semanas, reintroduzindo esses alimentos gradualmente.

    4. É normal ter diarreia após retirar a vesícula?

    Sim. Algumas pessoas apresentam diarreia temporária durante a adaptação do organismo.

    5. O fígado continua produzindo bile?

    Sim. A produção de bile continua normalmente mesmo após a retirada da vesícula.

    6. A digestão fica prejudicada?

    Na maioria dos casos, não. O organismo costuma se adaptar e manter a digestão adequada.

    7. Quando procurar um médico?

    Se houver dor persistente, febre, icterícia, diarreia importante, perda de peso ou dificuldade significativa para se alimentar após a cirurgia.

    Veja mais: Descobri pedra na vesícula e não sinto nada: preciso operar?

  • Minoxidil: o que é, para que serve e como usar contra a queda de cabelo

    Minoxidil: o que é, para que serve e como usar contra a queda de cabelo

    Um dos medicamentos mais usados no tratamento da alopecia, que provoca a queda excessiva dos fios ou a diminuição gradual da densidade capilar, o minoxidil ajuda a estimular o crescimento dos cabelos e a retardar a progressão da queda.

    Indicado para homens e mulheres, pode ser encontrado em versões de uso tópico, aplicadas diretamente no couro cabeludo, e em formulações orais, utilizadas sob orientação médica. Por ser tão versátil, o minoxidil permite que o tratamento seja ajustado de acordo com as necessidades e características de cada pessoa.

    Como a queda de cabelo pode ter diferentes causas, lembre-se que o uso do medicamento deve ser acompanhado por um dermatologista, que poderá avaliar o quadro e indicar a forma de tratamento mais adequada para cada caso.

    O que é o minoxidil?

    O minoxidil é um medicamento vasodilatador, o que significa que ele dilata os vasos sanguíneos, aumentando o calibre das artérias e melhorando a circulação do sangue. Uma curiosidade é que, na década de 1970, ele foi aprovado como um remédio de uso oral voltado exclusivamente para o tratamento de pacientes com pressão alta severa.

    No entanto, durante os testes clínicos, os médicos observaram um crescimento acentuado de pelos em diferentes partes do corpo dos pacientes, uma condição conhecida como hipertricose.

    Com o tempo, foram desenvolvidas formulações específicas para aplicação no couro cabeludo, que se mostraram eficazes no tratamento de alguns tipos de alopecia, especialmente a alopecia androgenética (calvície).

    Apesar de ser usado especialmente de forma tópica, aplicada diretamente na pele para o tratamento da calvície, o minoxidil também ganhou espaço em tratamentos orais com doses baixas e controladas, utilizados para reduzir o afinamento dos fios e estimular o crescimento capilar em áreas com falhas.

    Para que serve o minoxidil?

    A principal função do minoxidil é estimular o crescimento dos fios e frear a queda capilar, agindo diretamente nos folículos pilosos, as estruturas onde os pelos nascem e crescem. Ao ser aplicado na pele, ele melhora a circulação sanguínea local, o que aumenta o fluxo de oxigênio e nutrientes para a raiz do cabelo.

    O processo prolonga a fase de crescimento dos fios, chamada de fase anágena, e faz com que os cabelos nasçam mais grossos e fortes. Por isso, ele pode ser indicado para tratar diferentes tipos de queda de cabelo, como:

    • Alopecia androgenética (calvície): utilizada para tratar o afinamento progressivo dos fios e a queda crônica de cabelo em homens e mulheres, ajudando a preservar a densidade capilar e a estimular o crescimento de novos fios
    • Eflúvio telógeno: pode acelerar a recuperação capilar após episódios de queda intensa desencadeados por fatores como estresse físico ou emocional, pós-parto, cirurgias, dietas restritivas ou infecções;
    • Falhas nas sobrancelhas: pode favorecer o engrossamento dos fios e o preenchimento de áreas com menor densidade, deixando as sobrancelhas mais definidas;
    • Alopecia areata: pode ser usada como tratamento complementar da doença autoimune que provoca a queda de cabelo em áreas circulares específicas, ajudando a estimular o crescimento dos fios nas regiões afetadas.

    Minoxidil na barba funciona?

    O minoxidil é bastante eficaz para preencher falhas e engrossar os pelos da barba, mesmo sendo um uso considerado off-label, ou seja, que não consta originalmente na bula do remédio.

    O remédio atua estimulando os folículos pilosos da região do rosto, aumentando a circulação sanguínea local e favorecendo a fase de crescimento dos pelos. Com o uso contínuo, a barba tende a ficar mais cheia, uniforme e volumosa.

    No entanto, os resultados variam de pessoa para pessoa: o minoxidil pode estimular o desenvolvimento dos pelos que já têm potencial para crescer, mas não é capaz de criar novos folículos onde eles não existem. Por isso, algumas pessoas apresentam resultados mais expressivos do que outras.

    Como usar o minoxidil corretamente?

    A forma de usar o minoxidil depende da versão indicada pelo dermatologista. Independentemente da fórmula, é preciso ter regularidade: o remédio deve ser utilizado todos os dias, conforme a orientação médica.

    Minoxidil tópico (solução ou espuma)

    A versão tópica é a mais conhecida e deve ser aplicada diretamente na região que será tratada, como o couro cabeludo, a barba ou as sobrancelhas. Na maioria dos casos, a aplicação é feita uma ou duas vezes ao dia.

    Como aplicar: com a pele limpa e seca, aplique a quantidade recomendada pelo médico diretamente na área desejada. Em seguida, espalhe o produto suavemente com a ponta dos dedos para facilitar a absorção.

    Após o uso, é importante lavar bem as mãos para evitar o crescimento de pelos em áreas indesejadas. Também é recomendado não lavar o cabelo ou a região tratada por pelo menos quatro horas, permitindo que o medicamento seja absorvido adequadamente.

    Para quem tem pele sensível, a versão em espuma costuma ser uma alternativa interessante, já que normalmente provoca menos irritação do que a solução líquida.

    Minoxidil oral (comprimido)

    Diferentemente da loção, o comprimido age por todo o organismo. As doses utilizadas para queda de cabelo são baixas e muito menores do que as usadas originalmente para o tratamento da hipertensão arterial.

    Como tomar: o comprimido é ingerido por via oral, normalmente uma vez ao dia, com ou sem alimentos. O ideal é tomá-lo sempre no mesmo horário para manter uma rotina regular de tratamento.

    Como o minoxidil oral atua em todo o organismo, o uso precisa de prescrição e acompanhamento médico. Antes de iniciar o tratamento, o dermatologista pode avaliar o histórico de saúde do paciente, especialmente a saúde cardiovascular, para garantir que o medicamento seja seguro e adequado para o caso.

    Quanto tempo o minoxidil demora para fazer efeito?

    O minoxidil é um tratamento de longo prazo, então você vai precisar ter paciência (e constância) antes dos primeiros resultados começarem a aparecer.

    Na maioria dos casos, os primeiros sinais de melhora são percebidos após cerca de 2 a 4 meses de uso diário e contínuo, período necessário para que os folículos capilares respondam ao estímulo do medicamento e iniciem a produção de fios mais fortes e saudáveis.

    Os resultados mais expressivos costumam surgir entre o 6º e o 12º mês de uso, quando é possível observar um maior preenchimento das áreas afetadas, aumento da densidade capilar e fios mais grossos.

    Vale lembrar que o minoxidil não cura a calvície nem elimina a causa da queda de cabelo. Ele ajuda a controlar o problemal e a estimular o crescimento dos fios enquanto está sendo usado.

    Logo, se o tratamento foi interrompido, os resultados tendem a diminuir aos poucos, e muitos dos fios que cresceram ou foram preservados com a ajuda do medicamento podem voltar a cair nos meses seguintes.

    Quais são os efeitos colaterais do minoxidil?

    O minoxidil é considerado um medicamento seguro quando utilizado corretamente, mas, como qualquer tratamento, pode causar alguns efeitos colaterais. Os sintomas variam de acordo com a forma de uso:

    Minoxidil tópico

    • Coceira no couro cabeludo;
    • Vermelhidão na pele;
    • Ardência ou irritação no local da aplicação;
    • Ressecamento e descamação do couro cabeludo;
    • Sensação de sensibilidade na região tratada;
    • Crescimento de pelos em áreas próximas à aplicação devido ao contato acidental do produto.

    Minoxidil oral

    • Crescimento excessivo de pelos no rosto e no corpo (hipertricose);
    • Inchaço nas pernas, pés ou tornozelos;
    • Retenção de líquidos;
    • Dor de cabeça;
    • Tontura;
    • Aumento dos batimentos cardíacos;
    • Palpitações;
    • Queda temporária dos fios no início do tratamento;
    • Alterações da pressão arterial, em casos raros.

    A maioria dos efeitos colaterais é leve e controlável, mas é importante informar o dermatologista caso apareçam sintomas persistentes ou que causem desconforto durante o tratamento.

    O que é o efeito shedding?

    O efeito shedding é um fenômeno temporário em que a pessoa percebe um aumento repentino na queda de cabelo logo nas primeiras semanas de uso do minoxidil. Ele pode até assustar no início, mas é um sinal positivo de que o medicamento está funcionando.

    Ele acontece porque o minoxidil acelera o ciclo de vida dos fios. O remédio faz com que os cabelos que já estavam fracos, finos e na fase final de vida (fase de queda) caiam de uma vez para dar lugar a fios novos, muito mais grossos, fortes e saudáveis que já começaram a nascer logo abaixo.

    Quem NÃO deve usar o minoxidil?

    O uso do minoxidil não é recomendado ou precisa de extrema cautela médica para os seguintes grupos:

    • Gestantes e lactantes: o minoxidil não deve ser utilizado durante a gravidez e a amamentação. A substância pode ser absorvida pelo organismo e, potencialmente, atravessar a placenta ou passar para o leite materno, o que pode representar riscos para o bebê;
    • Pessoas com doenças cardíacas: quem tem histórico de arritmias, insuficiência cardíaca, infarto recente ou outras doenças cardiovasculares deve conversar com o médico antes de iniciar o tratamento. Como ele pode influenciar a circulação sanguínea e os batimentos cardíacos, ele pode não ser indicado em alguns casos;
    • Pessoas com o couro cabeludo inflamado ou lesionado: o minoxidil tópico não deve ser aplicado sobre áreas com feridas abertas, queimaduras, infecções ou inflamações importantes, pois isso pode aumentar a absorção do medicamento e favorecer o aparecimento de efeitos colaterais;
    • Pessoas alérgicas aos componentes da fórmula: quem tem allergy ao minoxidil ou a outros ingredientes presentes na formulação, como o propilenoglicol encontrado em algumas soluções líquidas, deve evitar o uso do produto para não desenvolver irritação, coceira intensa, vermelhidão ou descamação;
    • Menores de 18 anos: o uso de minoxidil em crianças e adolescentes não é recomendado, pois a segurança e a eficácia do tratamento nessa faixa etária ainda não estão totalmente estabelecidas. Quando necessário, o uso deve ser feito apenas com orientação e acompanhamento médico especializado.

    Se você notar tonturas, coração acelerado, dor no peito ou inchaço repentino nas mãos e nos pés durante o uso do minoxidil, suspenda o tratamento imediatamente e procure ajuda médica.

    Veja também: Queda de cabelo: o que causa e quando é preocupante?

    Perguntas frequentes

    1. Pode dormir com o minoxidil no cabelo?

    Sim, pode dormir com o produto, mas o ideal é aplicar a loção de duas a quatro horas antes de deitar. É o tempo necessário para que a pele absorva totalmente o medicamento, evitando que ele seja transferido para o travesseiro e acabe espalhado pelo rosto, o que poderia causar o nascimento de pelos indesejados na face ou irritação nos olhos.

    2. O que acontece se eu parar de usar minoxidil?

    O cabelo que cresceu ou engrossou devido ao remédio voltará a cair. O minoxidil controla a calvície, mas não a cura. Quando o tratamento é interrompido, o fluxo sanguíneo extra na raiz cessa e os folículos retornam ao ritmo antigo de enfraquecimento. O processo de queda costuma ser notado entre 2 e 4 meses após a interrupção.

    3. Precisa de receita médica para comprar minoxidil?

    Para a versão tópica comercial, a receita médica não é obrigatória, embora seja recomendada. Já para o minoxidil oral e para fórmulas tópicas personalizadas/manipuladas, a apresentação da receita médica é obrigatória nas farmácias.

    4. Minoxidil pode causar impotência sexual?

    Não, esse é um mito muito comum causado pela confusão entre o minoxidil e a finasterida, outro medicamento usado contra a calvície que age nos hormônios. O minoxidil atua apenas na circulação sanguínea e não interfere na testosterona ou em qualquer outra função hormonal, logo, não afeta a libido ou a ereção.

    5. Posso aplicar minoxidil com o cabelo molhado?

    Não é recomendado, o couro cabeludo deve estar completamente seco. A água na pele pode diluir o medicamento, reduzindo a eficácia, além de alterar a taxa de absorção da substância, aumentando as chances de o remédio entrar em excesso na corrente sanguínea e causar efeitos colaterais como tontura.

    6. Quem usa minoxidil pode pintar ou descolorir o cabelo?

    Sim, mas com cautela. O recomendado é suspender o uso do minoxidil tópico 24 horas antes do procedimento químico (tintura, luzes ou progressiva) e só retornar o uso 24 horas após o procedimento. Isso evita que o couro cabeludo, sensibilizado pela química, sofra ardência ou irritação severa com o produto.

    7. Posso pegar sol na cabeça ou no rosto usando minoxidil?

    Não deve. O minoxidil contém álcool na sua composição tópica, o que deixa a pele muito mais sensível. Expor-se ao sol logo após a aplicação pode causar queimaduras, vermelhidão e manchas escuras na pele.

    Leia mais: Alopecia: como tratar e prevenir a queda de cabelo

  • Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    A ginecologia regenerativa, também conhecida como ginecologia íntima funcional, é uma área da medicina que usa tecnologias e procedimentos minimamente invasivos para estimular a recuperação, a renovação e o funcionamento saudável dos tecidos da região íntima feminina.

    Por meio de tecnologias modernas, os tratamentos ajudam a recuperar a elasticidade, a hidratação e a lubrificação natural da região íntima, contribuindo para mais conforto no dia a dia, bem-estar e qualidade de vida.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, os tratamentos podem ajudar mulheres que convivem com sintomas como ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais e até alguns casos de incontinência urinária leve.

    Vale destacar que a área não tem como foco principal a estética, mas a recuperação de funções que podem ser prejudicadas pelo envelhecimento, pelas mudanças hormonais da menopausa, pela gestação, pelo parto e por outros fatores que afetam a saúde íntima ao longo da vida.

    Como funciona a ginecologia regenerativa?

    A ginecologia regenerativa funciona estimulando a capacidade natural do próprio corpo de recuperar e renovar os tecidos da região íntima. Com o envelhecimento ou a queda na produção de hormônio, como o estrogênio, as paredes da vagina e da vulva passam por um processo de atrofia, em que ficam mais finas, perdem colágeno, elastina e capacidade de lubrificação.

    Para reverter o quadro, Andreia esclarece que os tratamentos utilizam o princípio de lesão e reparação. Através de tecnologias físicas ou materiais específicos, o médico realiza estímulos ou microlesões controladas na mucosa vaginal ou na pele da região íntima. O organismo entende que aquela área precisa ser reparada e ativa uma série de mecanismos naturais de regeneração.

    Como resposta, ocorre um aumento da produção de colágeno e elastina, proteínas responsáveis pela sustentação, elasticidade e firmeza dos tecidos. Também há melhora da circulação sanguínea local e da hidratação da mucosa, o que contribui para restaurar parte das características perdidas ao longo do tempo.

    Quando a ginecologia regenerativa é indicada?

    A ginecologia regenerativa é indicada principalmente para mulheres que convivem com:

    • Ressecamento vaginal intenso, com redução da lubrificação natural, coceira, irritação e desconforto no dia a dia;
    • Dor ou desconforto durante as relações sexuais devido à perda de elasticidade e ao afinamento das paredes vaginais;
    • Síndrome geniturinária da menopausa, que reúne sintomas vaginais e urinários relacionados à queda do estrogênio;
    • Incontinência urinária leve, com pequenos escapes de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforços;
    • Infecções urinárias de repetição;
    • Candidíase recorrente;
    • Desconfortos no pós-parto, especialmente em mulheres que estão amamentando;
    • Ressecamento vaginal associado ao uso de anticoncepcionais hormonais;
    • Flacidez e perda de volume dos grandes lábios, que podem causar atrito, ferimentos e dor;
    • Incômodo íntimo durante a prática de atividades físicas, como ciclismo e equitação.

    Vale destacar que, embora o tratamento também melhore a aparência externa da região íntima, a indicação médica sempre prioriza a melhora dos sintomas e a qualidade de vida da paciente.

    Quais são os tratamentos mais comuns?

    Segundo Andreia, os tratamentos mais comuns realizados no consultório são:

    1. Laser vaginal

    O laser vaginal é uma das tecnologias mais utilizadas na ginecologia regenerativa e promove um aquecimento controlado dos tecidos, estimulando a renovação celular, a produção de colágeno e a melhora da lubrificação natural da vagina.

    2. Radiofrequência

    A radiofrequência utiliza ondas eletromagnéticas para aquecer as camadas mais profundas dos tecidos sem causar danos à superfície. A técnica é indicada para melhorar a flacidez, aumentar a elasticidade vaginal e auxiliar no tratamento da incontinência urinária leve.

    3. HIFU (Ultrassom Microfocado)

    O ultrassom microfocado de alta intensidade, conhecido como HIFU, atua nas camadas mais profundas dos tecidos íntimos. O tratamento é especialmente indicado para fortalecer as estruturas que sustentam a uretra e a bexiga, contribuindo para o controle de perdas urinárias.

    4. Fios de PDO

    Os fios de PDO (polidioxanona) são materiais biodegradáveis utilizados para promover a sustentação dos tecidos. Na ginecologia regenerativa, podem ser aplicados para melhorar a flacidez da vulva e reforçar estruturas relacionadas ao suporte da uretra.

    5. Preenchimento com ácido hialurônico

    O preenchimento com ácido hialurônico é indicado para recuperar o volume dos grandes lábios genitais. Além da melhora estética, o procedimento ajuda a proteger a região íntima contra atritos, desconfortos e pequenas lesões.

    6. Estrogenização vaginal local

    A estrogenização vaginal local costuma ser uma das primeiras opções de tratamento para mulheres que apresentam sintomas relacionados à queda do estrogênio. O hormônio é aplicado diretamente na vagina, por meio de cremes, óvulos ou comprimidos vaginais, promovendo hidratação, elasticidade e recuperação da mucosa local.

    Quando os procedimentos são contraindicados?

    Apesar de serem procedimentos considerados seguros e minimamente invasivos, realizados geralmente em consultório, existem algumas contraindicações que variam de acordo com a técnica escolhida.

    Mulheres com doenças autoimunes ou doenças do colágeno, como o lúpus, precisam de uma avaliação cuidadosa, pois há risco de o organismo rejeitar o produto ou desencadear uma crise da doença. Isso vale especialmente quando o tratamento envolve materiais injetáveis, como fios de PDO, ácido hialurônico ou bioestimuladores.

    A presença de próteses metálicas na região pélvica ou o uso de DIU de cobre ou prata também podem limitar a utilização de algumas tecnologias que funcionam por meio de energia física, como determinados tipos de radiofrequência.

    Além disso, os procedimentos não devem ser realizados quando a paciente apresenta uma infecção genital ativa, como candidíase, vaginose bacteriana ou herpes, já que o tratamento pode agravar o quadro ou prejudicar a recuperação da região.

    Durante a gravidez, por questão de segurança, as tecnologias físicas e os procedimentos injetáveis também não são recomendados.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença entre ginecologia regenerativa e estética íntima?

    A ginecologia regenerativa foca na função, como melhorar o ressecamento, a dor e a perda urinária. A estética íntima foca apenas na aparência. Na regenerativa, a melhora estética é apenas uma consequência positiva.

    2. Quantas sessões são necessárias?

    Normalmente, o protocolo inicial varia de 2 a 4 sessões, realizadas com intervalos de 30 a 45 dias entre elas. O número exato depende da tecnologia escolhida e da gravidade dos sintomas.

    3. Quanto tempo dura o resultado?

    Os resultados costumam durar de 12 a 18 meses. Como o envelhecimento do corpo continua, é recomendado fazer uma sessão de manutenção uma vez por ano.

    4. Mulheres jovens também podem fazer?

    Sim, é indicada para jovens que sofrem com dores na relação devido ao uso prolongado de anticoncepcionais, mulheres no pós-parto (amamentação) ou atletas que sofrem com atrito e dor na vulva.

    5. Quanto tempo depois do parto posso fazer?

    Em geral, o recomendado é aguardar cerca de 60 dias após o parto para que o corpo se recupere fisicamente. O tratamento é seguro e não interfere na amamentação.

    6. Quanto tempo preciso ficar sem ter relações sexuais?

    O recomendado é aguardar de 3 a 7 dias sem relações sexuais após o procedimento, dependendo da tecnologia utilizada (especialmente no caso de lasers ablativos), para permitir a cicatrização do tecido.

    7. O laser vaginal pode causar queimaduras?

    Se for realizado por um médico ginecologista devidamente capacitado, o risco é mínimo. Os aparelhos são regulados com parâmetros de energia específicos e seguros para a mucosa vaginal.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Se você está tentando engravidar, já deve ter ouvido falar sobre os testes de ovulação vendidos nas farmácias. Ele funciona de forma muito parecida com o teste de gravidez, mas, em vez de detectar a gestação, ajuda a prever quais são os dias mais férteis do mês.

    Ao identificar o chamado pico do hormônio LH, que ocorre pouco antes da liberação do óvulo pelo ovário, o teste indica que você está entrando no período de maior fertilidade. Assim, fica mais fácil planejar as relações sexuais nos dias em que as chances de gravidez são mais altas.

    Mas, para que ele realmente funcione, é preciso saber o dia certo de começar a testar e como interpretar as linhas do resultado. Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explica como o exame funciona e quando utilizá-lo. Confira!

    O que é e para que serve o teste de ovulação?

    O teste de ovulação de farmácia serve para identificar os dias mais férteis do ciclo menstrual, mostrando quando as chances de engravidar estão mais altas. Segundo Andreia, ele funciona detectando o aumento repentino do hormônio luteinizante (LH) na urina, o que é conhecido como pico de LH.

    Durante o ciclo menstrual, o organismo desenvolve um folículo, uma pequena estrutura no ovário que abriga e amadurece o óvulo. Quando ele está pronto para ser liberado, a glândula hipófise, localizada no cérebro, aumenta significativamente a produção do hormônio luteinizante, que é lançado na corrente sanguínea.

    O aumento repentino funciona como um gatilho para a ovulação, fazendo com que o folículo se rompa e libere o óvulo para as trompas de Falópio, onde poderá ser fecundado por um espermatozoide.

    Como a liberação do óvulo costuma acontecer entre 24 e 36 horas após o pico de LH, o teste funciona como um aviso antecipado de que a ovulação está prestes a ocorrer. Se você está planejando uma gravidez, a informação te permite concentrar as relações sexuais nos dias em que a probabilidade de fecundação é maior.

    Para quem ele é indicado?

    O teste de ovulação de farmácia pode ser útil para diferentes mulheres, como:

    • Mulheres que desejam engravidar mais rapidamente, pois o teste ajuda a identificar os dias de maior fertilidade e evita as tentativas às cegas ao longo do mês;
    • Mulheres com ciclos menstruais irregulares, já que a falta de regularidade dificulta prever a ovulação apenas pelo calendário;
    • Mulheres que estão começando a tentar engravidar e ainda não conhecem bem o funcionamento do próprio ciclo menstrual;
    • Mulheres que desejam monitorar a fertilidade de forma mais natural, sem depender apenas de aplicativos ou cálculos baseados na data da última menstruação;
    • Mulheres que querem conhecer melhor o próprio corpo, observando a relação entre a ovulação, os sintomas do período fértil e as mudanças do ciclo menstrual.

    Vale destacar que, apesar de útil, o teste não substitui o acompanhamento médico. Em casos de dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares ou suspeita de alterações hormonais, procure a orientação de um ginecologista.

    Quando começar a fazer o teste de ovulação?

    Como o teste identifica o aumento do hormônio LH antes da ovulação, o ideal é começar a usá-lo alguns dias antes do período em que a ovulação costuma acontecer, pois há menos risco de perder o pico hormonal e ter um resultado mais preciso.

    Para fazer o cálculo, considere o primeiro dia da menstruação como o Dia 1 do ciclo. A partir daí, a recomendação geral para mulheres com um ciclo regular de 28 dias é iniciar os testes no 11º dia do ciclo. Como a duração dos ciclos menstruais varia de mulher para mulher, a data ideal para começar o teste também pode mudar:

    • Ciclo curto (25 dias): comece a testar no 8º dia do ciclo;
    • Ciclo médio (30 dias): comece a testar no 13º dia do ciclo;
    • Ciclo longo (32 dias): comece a testar no 15º dia do ciclo.

    A partir da data calculada, faça um teste por dia, de preferência sempre no mesmo horário. Continue o acompanhamento até que a linha do teste fique tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o que indica um resultado positivo e sinaliza que a ovulação está próxima.

    E se o meu ciclo for irregular?

    Se os ciclos variam bastante de um mês para outro, o cálculo pode ser um pouco mais difícil. Segundo Andreia, a irregularidade menstrual normalmente está associada a alterações hormonais ou metabólicas que interferem no processo normal da ovulação.

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, é comum a ocorrência de ciclos em que a ovulação não acontece. A mulher pode passar vários meses sem menstruar e, durante o período, apenas alguns ciclos podem ser realmente ovulatórios.

    Por causa da variação, o teste de ovulação pode permanecer negativo por semanas ou até meses e, de repente, apresentar um resultado positivo quando ocorre um ciclo com ovulação.

    Por isso, a ginecologista ressalta que mulheres com anovulação crônica, seja por SOP ou por outras alterações hormonais, devem encarar o teste como uma ferramenta complementar para obter informações sobre o ciclo menstrual, e não como um método definitivo para identificar a fertilidade.

    Como usar o teste de ovulação corretamente?

    Diferente do teste de gravidez tradicional, o teste de ovulação precisa de alguns cuidados específicos com a diluição dos hormônios:

    Passo 1: escolha um horário para realizar o teste

    Verifique as orientações da embalagem, pois alguns testes não recomendam o uso da primeira urina da manhã. Em geral, o hormônio LH costuma ser detectado com mais facilidade na urina entre 10h e 20h. O mais importante é realizar o teste sempre no mesmo horário todos os dias.

    Passo 2: reduza a ingestão de líquidos antes do exame

    Cerca de duas horas antes de fazer o teste, evite beber grandes quantidades de água, café, chás ou outras bebidas. O excesso de líquidos pode diluir a urina e dificultar a identificação do pico de LH.

    Passo 3: fique algumas horas sem urinar

    Procure permanecer pelo menos quatro horas sem ir ao banheiro antes da coleta, pois ajuda a concentrar o hormônio na urina, tornando o resultado mais confiável.

    Passo 4: faça a coleta corretamente

    Urine em um recipiente limpo e seco. Em seguida, retire a fita do envelope e mergulhe a ponta absorvente na amostra pelo tempo indicado na bula, geralmente entre 5 e 10 segundos. Tome cuidado para não ultrapassar a linha máxima indicada pela marcação “MAX”.

    Passo 5: aguarde o tempo de leitura

    Coloque a fita sobre uma superfície plana e horizontal e aguarde o tempo recomendado pelo fabricante, normalmente entre 5 e 10 minutes, antes de verificar o resultado. Durante o período, evite movimentar a fita.

    Passo 6: interprete o resultado

    Se a linha de teste ficar tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o resultado é positivo e indica que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 36 horas. Se a linha de teste estiver mais clara ou não aparecer, o resultado é considerado negativo.

    Como ler os resultados do teste de ovulação?

    O teste de ovulação leva cerca de 3 a 5 minutos para processar a urina e mostrar o resultado, que pode ser interpretado da seguinte forma:

    • Resultado negativo: a linha de teste (T) está mais clara do que a linha de controle (C) ou não aparece, o que significa que o pico de LH ainda não foi detectado. A recomendação é continuar realizando os testes nos próximos dias;
    • Resultado positivo: a linha de teste (T) está tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle (C). Isso indica que o pico de LH foi identificado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas. Após obter um resultado positivo, não é necessário continuar os testes naquele ciclo.

    Importante: nunca leia o resultado do teste após passarem 10 ou 15 minutos da realização. Depois que a fita seca totalmente, uma linha falsa pode aparecer por conta da evaporação da urina, invalidando o diagnóstico.

    O teste deu positivo: quando ter relação para engravidar?

    Quando o teste de ovulação dá positivo, significa que o pico do hormônio LH foi detectado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas.

    Para aumentar as chances de engravidar, Andreia explica que o ideal é ter relações sexuais no mesmo dia em que o resultado positivo aparecer e também nos dois dias seguintes. Os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo foi liberado, aumentando as chances de fecundação.

    Vale lembrar que os espermatozoides podem sobreviver por até cinco dias no trato reprodutivo feminino, enquanto o óvulo permanece viável por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. Por isso, o ideal é que eles já estejam presentes quando a ovulação acontecer, em vez de esperar que ela ocorra para só então tentar a gravidez.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Andreia, se a gravidez não acontecer após cerca de um ano de tentativas regulares, ou após seis meses para mulheres com mais de 35 anos, o ideal é procurar avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

    O profissional poderá investigar possíveis causas de infertilidade e orientar os exames mais adequados para cada caso.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. O teste de ovulação serve como teste de gravidez?

    Não, eles detectam hormônios completamente diferentes. O teste de ovulação detecta o LH (hormônio luteinizante), que prepara o corpo para liberar o óvulo. O teste de gravidez detecta o hCG, que só é produzido pela placenta após a implantação do embrião no útero. Um teste não substitui o outro.

    2. Posso usar a primeira urina da manhã para fazer o teste?

    Depende da marca, mas normalmente não é o ideal. O hormônio LH costuma ser produzido pelo corpo no início da manhã e leva algumas horas para aparecer na urina, então a maioria dos fabricantes recomenda fazer o teste entre as 10h e às 20h.

    3. O teste deu positivo e eu tive relações, por que não engravidei de primeira?

    O teste de ovulação apenas ajuda a acertar o momento em que o óvulo está disponível, aumentando as chances. No entanto, a gravidez depende de muitos outros fatores, como a qualidade do espermatozoide, a saúde das trompas, a receptividade do útero e até mesmo a própria genética do embrião formado.

    4. O teste de ovulação pode ser usado como método contraceptivo para evitar gravidez?

    Não! O teste só avisa que a ovulação vai acontecer quando o pico de LH já está ocorrendo.

    5. Quanto tempo vive o óvulo depois que ele é liberado?

    O óvulo tem uma vida útil curtíssima: ele sobrevive apenas entre 12 e 24 horas após ser liberado pelo ovário.

    6. Posso reutilizar a mesma tira de teste no dia seguinte?

    Não. Todas as fitas e tiras de teste de ovulação (assim como os digitais) são de uso único.

    7. Amamentar altera o resultado do teste de ovulação?

    Sim, pois a amamentação exclusiva produz o hormônio prolactina, que bloqueia os hormônios da reprodução. Isso impede o pico de LH e faz com que os testes deem negativo até que os ciclos menstruais retornem ao normal.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    A menopausa é o marco natural do fim do período reprodutivo da mulher, acontecendo normalmente entre os 45 e 55 anos de idade, mas ela também faz parte de um processo de transição que se estende ao longo de vários anos.

    Após a última menstruação, o corpo entra em uma nova fase chamada pós-menopausa, marcada principalmente pela queda significativa nos níveis de estrogênio, um hormônio que influencia diversas funções do organismo.

    Durante os anos anteriores, conhecidos como perimenopausa, os níveis hormonais costumam oscilar bastante, provocando sintomas como ondas de calor, alterações de humor e irregularidade menstrual. Quando a menopausa é confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar, as oscilações tendem a diminuir, mas o organismo ainda precisa de tempo para se adaptar ao novo equilíbrio hormonal.

    As alterações hormonais impactam diretamente diferentes partes do corpo, incluindo os ossos, os músculos, o coração, a pele, o cérebro e o metabolismo. Algumas mudanças acontecem de forma gradual e quase imperceptível, enquanto outras são mais evidentes no dia a dia.

    A seguir, com o apoio da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, listamos as principais mudanças que ocorrem no corpo após a menopausa e o que você pode fazer, na prática, para evitar ou reverter cada uma delas.

    Quais mudanças podem acontecer no corpo após a menopausa?

    1. Ondas de calor e suor noturno (fogachos)

    As ondas de calor e os suores noturnos são os sintomas mais frequentes da pós-menopausa e afetam cerca de 80% das mulheres no período.

    Elas costumam se manifestar como uma sensação súbita e intensa de calor que começa no peito, sobe para o pescoço e rosto, e muitas vezes vem acompanhada de vermelhidão na pele, batimentos cardíacos acelerados e suor excessivo.

    Segundo Andreia, por causa da redução dos níveis hormonais, acontece uma desregulação do sistema responsável pelo controle da temperatura corporal, localizado no sistema nervoso central.

    Como resultado, o organismo passa a interpretar pequenas variações de temperatura como se o corpo estivesse superaquecido, desencadeando mecanismos para dissipar o calor, como a dilatação dos vasos sanguíneos e o aumento da produção de suor.

    Como evitar ou aliviar os fogachos?

    Nem sempre é possível evitar completamente os fogachos, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises, como:

    • Evitar o consumo de pimenta, cafeína e bebidas alcoólicas para não estimular a dilatação dos vasos sanguíneos;
    • Vestir-se em camadas com roupas de tecidos leves e naturais para facilitar a adaptação às mudanças de temperatura;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Manter o quarto bem ventilado e com lençois frescos para reduzir o impacto do suor durante a noite;
    • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou exercícios de respiração.

    Nos casos em que os sintomas são mais intensos e interferem na qualidade de vida, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal para reequilibrar os níveis de estrogênio no cérebro. Contudo, ele deve ser avaliado individualmente pelo ginecologista, levando em conta o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher.

    2. Ganho de peso e aumento da gordura na barriga

    Durante a vida reprodutiva, os hormônios femininos determinam uma distribuição de gordura mais periférica, fazendo com que a mulher acumule mais gordura no tecido subcutâneo, que fica logo abaixo da pele (principalmente nos quadris, coxas e nádegas).

    Já os homens têm uma tendência natural a acumular gordura na região visceral, que fica entre os órgãos internos, resultando no aumento do abdômen.

    Com a chegada da pós-menopausa, Andreia explica que a queda acentuada nos níveis de estrogênio altera o metabolismo e a composição corporal da mulher. O organismo passa a redistribuir a gordura de forma semelhante ao padrão masculino, concentrando o acúmulo na região da cintura.

    O problema é que a gordura visceral é metabolicamente ativa e inflamatória, favorecendo a formação de placas de gordura que podem obstruir os vasos sanguíneos, além de elevar as chances de desenvolvimento de resistência à insulina, diabetes e colesterol alto.

    Como evitar o acúmulo de gordura abdominal?

    Iniciar a terapia de reposição hormonal quando indicada pelo médico pode ajudar a conter a redistribuição de gordura para o abdômen, mas outras medidas também são importantes, como:

    • Praticar treinos de força regularmente para acelerar o metabolismo basal e aumentar o gasto calórico diário do corpo;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar para evitar picos de insulina que favorecem o estoque de gordura na barriga;
    • Adotar uma dieta baseada no estilo Mediterrâneo com foco em grãos integrais, vegetais, leguminosas e gorduras boas como o azeite;
    • Ajustar a ingestão calórica diária às necessidades atuais do organismo para compensar a desaceleração natural do metabolismo com a idade;
    • Priorizar o consumo de proteínas magras em todas as refeições para aumentar a saciedade e preservar a massa magra durante o processo de emagrecimento.

    3. Perda de massa muscular (sarcopenia)

    A perda de massa muscular é um processo natural do envelhecimento conhecido como sarcopenia. A partir dos 30 anos, o corpo humano passa a perder cerca de 1% de massa muscular ao ano de forma gradual.

    De acordo com Andreia, isso significa que, ao chegar aos 40 ou 50 anos, a mulher já pode ter perdido uma parcela significativa da musculatura sem perceber.

    Como o estrogênio tem um papel importante na manutenção da massa muscular e na recuperação dos tecidos, a queda nos níveis que acontece na menopausa pode favorecer a diminuição da força, da massa magra e do desempenho físico.

    Campanha lembrar que os músculos ajudam o corpo a gastar energia ao longo do dia, mesmo quando estamos em repouso. Eles também utilizam parte da glicose que circula no sangue para produzir energia. Manter uma boa quantidade de massa muscular é necessário para o controle dos níveis de açúcar no sangue e ajuda a reduzir o risco de problemas como a resistência à insulina e o diabetes tipo 2.

    Como reverter a perda de músculos após a menopausa?

    É possível recuperar parte da musculatura e preservar a força com algumas mudanças na rotina, como:

    • Praticar exercícios de força como musculação, pilates ou calistenia de forma regular para dar o estímulo mecânico necessário para a construção e recuperação dos músculos;
    • Consumir uma quantidade adequada de proteínas de alto valor biológico nas refeições diárias para fornecer a matéria-prima essencial para a síntese de novas fibras musculares;
    • Manter a constância nos treinos de resistência para garantir um metabolismo basal mais acelerado e um gasto calórico diário protetor;
    • Buscar a orientação conjunta de um profissional de educação física e de um nutricionista para alinhar a intensidade dos treinos ao aporte de nutrientes e calorias necessários.

    Mesmo depois da menopausa, o organismo continua capaz de ganhar força e massa muscular quando recebe os estímulos adequados.

    4. Enfraquecimento dos ossos (osteopenia e osteoporose)

    O estrogênio é um dos principais hormônios responsáveis por manter o equilíbrio da remodelação óssea, ajudando a reduzir a reabsorção do osso e a preservar a sua densidade. Com a queda acentuada dos níveis hormonais após a menopausa, a perda óssea se torna mais rápida, especialmente nos primeiros anos, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose, segundo Andreia.

    A osteopenia é considerada uma fase inicial de perda óssea. Já a osteoporose ocorre quando a redução da densidade óssea é mais intensa, aumentando significativamente o risco de fraturas, principalmente na coluna, no quadril e nos punhos.

    Além da menopausa, fatores como sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio e histórico familiar também podem contribuir para o enfraquecimento dos ossos.

    Como proteger os ossos e evitar fraturas?

    Entre as medidas que ajudam a preservar a saúde óssea ao longo dos anos, é possível destacar:

    • Realizar o exame de densitometria óssea periodicamente a partir da menopausa para monitorar a densidade dos ossos e flagrar o desgaste logo no início;
    • Praticar exercícios de força e de impacto controlado como musculação ou caminhadas para gerar estímulo mecânico que induz as células a produzirem mais massa óssea;
    • Garantir uma ingestão diária adequada de alimentos ricos em cálcio como iogurte, queijos magros, gergelim e vegetais de folhas escuras;
    • Manter os níveis de vitamina D adequados no sangue por meio da exposição solar segura ou de suplementação orientada pelo médico para garantir a absorção correta do cálcio no intestino;
    • Avaliar com o ginecologista o uso da terapia de reposição hormonal como forma de interromper o desgaste ósseo acelerado provocado pela falta de estrogênio;
    • Adotar medidas de segurança em casa como evitar tapetes soltos e melhorar a iluminação dos ambientes para prevenir quedas e fraturas de alto risco.

    5. Ressecamento vaginal e dor na relação

    A queda acentuada do estrogênio após a menopausa afeta diretamente a saúde íntima da mulher e pode levar ao desenvolvimento da síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

    Os tecidos da vulva, da vagina, da uretra e da bexiga dependem da ação do hormônio para manter a hidratação, a elasticidade e o funcionamento adequados. Com a redução dos níveis de estrogênio, o revestimento vaginal se torna mais fino, menos elástico e menos lubrificado.

    Como resultado, a mulher pode apresentar ressecamento vaginal, coceira, ardência, irritação e desconforto na região íntima. Durante as relações sexuais, a diminuição da lubrificação natural pode causar dor, sensação de atrito e até pequenas lesões na mucosa vaginal.

    A redução da proteção natural dos tecidos também pode favorecer sintomas como urgência para urinar, aumento da frequência urinária, infecções urinárias recorrentes e, em alguns casos, incontinência urinária.

    Como reverter o ressecamento e o desconforto íntimo?

    Nos casos mais leves, o uso regular de hidratantes vaginais pode ajudar a restaurar a hidratação dos tecidos e aliviar o ressecamento. Já os lubrificantes íntimos podem reduzir o atrito e o desconforto durante as relações sexuais.

    Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, o ginecologista pode indicar o uso de estrogênio vaginal em creme, comprimidos ou óvulos. Como o tratamento age diretamente na região afetada, ele ajuda a recuperar a espessura, a elasticidade e a lubrificação natural da mucosa vaginal.

    No dia a dia, algumas medidas simples podem contribuir para o conforto íntimo, como:

    • Usar lubrificantes à base de água ou de silicone no momento da relação sexual para reduzir o atrito e evitar dores ou lesões na mucosa;
    • Manter a frequência de atividades sexuais ou estímulos locais para favorecer a circulação sanguínea na região pélvica e ajudar a preservar a elasticidade dos tecidos;
    • Higienizar a região íntima apenas com água ou sabonetes suaves de pH neutro para não agredir ou ressecar ainda mais a mucosa fragilizada;
    • Praticar exercícios de fisioterapia pélvica para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e melhorar a sustentação dos órgãos urinários e genitais.

    6. Insônia e alterações no sono

    A dificuldade para pegar no sono, os despertares frequentes no meio da noite e a sensação de não ter descansado o suficiente estão diretamente ligados às mudanças hormonais da pós-menopausa. A queda do estrogênio interfere na regulação de neurotransmissores como a serotonina e a melatonina, que são importantes para o controle do ciclo do sono.

    O ciclo de noites mal dormidas eleva os níveis de cortisol, que pode desencadear uma série de alterações no organismo, como:

    • Aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar e gordura;
    • Maior tendência ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura abdominal;
    • Mais dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue;
    • Alterações nos níveis de colesterol;
    • Cansaço físico e mental durante o dia;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Com o passar do tempo, a privação de sono pode afetar o bem-estar físico e emocional, tornando ainda mais importante identificar e tratar a causa do problema

    Como combater a insônia na pós-menopausa?

    Para restabelecer a qualidade do descanso e quebrar o ciclo do estresse, são indicadas algumas medidas práticas, como:

    • Manter horários consistentes para deitar e acordar todos os dias para ajudar o relógio biológico a se reorganizar;
    • Evitar o uso de telas de celulares, tablets ou televisão na cama antes de dormir para não bloquear a produção natural de melatonina pela luz azul;
    • Reduzir o consumo de alimentos pesados, cafeína e bebidas alcoólicas no período da noite para evitar digestões difíceis e picos de calor residual;
    • Criar um ambiente escuro, silencioso e com temperatura amena no quarto para favorecer o relaxamento profundo e evitar despertares por calor;
    • Praticar técnicas de relaxamento ou meditação antes de deitar para diminuir os níveis de estresse e desacelerar os pensamentos antes de dormir.

    7. Aumento do risco de doenças cardiovasculares

    Durante a vida reprodutiva, o estrogênio contribui para manter os vasos sanguíneos mais flexíveis e participa do equilíbrio da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Após a menopausa, é comum ocorrer um aumento do colesterol LDL (o chamado colesterol ruim), além de uma maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.

    As mudanças podem favorecer o desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC, especialmente quando estão associadas a outros fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo, obesidade, diabetes ou histórico familiar de doenças cardíacas.

    Como proteger a saúde cardiovascular?

    Muitas das mudanças que aumentam o risco cardiovascular podem ser controladas com acompanhamento médico regular e hábitos saudáveis, como:

    • Praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular;
    • Manter um peso adequado, especialmente evitando o acúmulo excessivo de gordura abdominal;
    • Priorizar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, frituras e produtos ricos em açúcar;
    • Não fumar;
    • Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
    • Dormir bem e cuidar da qualidade do sono;
    • Controlar o estresse sempre que possível;
    • Monitorar regularmente a pressão arterial, a glicemia e os níveis de colesterol;
    • Realizar consultas médicas e exames de rotina periodicamente.

    Quando a reposição hormonal é indicada para reverter os sintomas?

    A terapia de reposição hormonal pode ser indicada quando os sintomas da menopausa afetam significativamente a qualidade de vida da mulher.

    Além do alívio dos sintomas, o médico também pode recomendar o tratamento como uma estratégia preventiva para reduzir a perda óssea acelerada, ajudando a prevenir a osteoporose, e para auxiliar no controle do perfil metabólico e dos níveis de colesterol.

    No entanto, a reposição hormonal não é indicada para todas e, antes de iniciar o tratamento, é necessário realizar uma avaliação individualizada, considerando fatores como a idade, o tempo desde a menopausa, o histórico médico pessoal e familiar e os possíveis fatores de risco cardiovasculares.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. É normal engordar na pós-menopausa mesmo comendo a mesma coisa de antes?

    Sim. Com o envelhecimento e a queda do estrogênio, o metabolismo desacelera naturalmente. Além disso, o corpo perde massa muscular (que gasta mais energia). Por isso, manter a mesma dieta que você tinha aos 30 anos fará o peso subir aos 50.

    2. Quanto tempo duram os fogachos e as ondas de calor?

    O tempo é muito individual. Na maioria das mulheres, as ondas de calor duram entre 2 e 5 anos, mas algumas mulheres podem continuar sentindo os sinais por 10 anos ou mais se não houver intervenção médica.

    3. A reposição hormonal engorda?

    Não. A terapia de reposição hormonal clássica ajuda a frear a redistribuição de gordura para a barriga e melhora o metabolismo. O ganho de peso está associado ao envelhecimento natural e à perda de massa muscular, e não ao uso dos hormônios.

    4. Dá para recuperar a massa muscular perdida após os 50 anos?

    Sim, pois o músculo mantém a capacidade de responder a estímulos em qualquer idade.Mulheres que começam a fazer musculação ou pilates na pós-menopausa conseguem ganhar força e ter uma composição corporal melhor do que tinham na juventude.

    5. Qual a diferença entre hidratante vaginal e lubrificante?

    O hidratante vaginal deve ser usado regularmente (2 a 3 vezes por semana) para tratar o ressecamento contínuo, pois ele recupera a umidade natural da mucosa. Já o lubrificante é de uso imediato, servindo apenas para reduzir o atrito e a dor no momento da relação sexual.

    6. Por que o estresse piora tanto os sintomas da menopausa?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina no organismo, que desregulam ainda mais o termostato cerebral (piorando os fogachos), prejudicam a qualidade do sono e estimulam o corpo a estocar gordura na região da barriga.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    A Copa do Mundo é um dos eventos esportivos mais emocionantes do planeta e costuma mobilizar milhões de torcedores. Durante os jogos, principalmente nas partidas decisivas, é normal sentir o coração acelerar, ficar ansioso, nervoso, tenso ou extremamente eufórico a cada lance.

    Com tantos sentimentos intensos acontecendo ao mesmo tempo, é natural se perguntar se eles podem aumentar o risco de algum problema de saúde, como infarto ou AVC. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, as emoções, independente da origem, podem causar uma série de respostas ao organismo.

    “Em quem já tem alguma predisposição a ter alguma doença cardiovascular ou quem já tem doença cardíaca previamente, as emoções podem aumentar, no momento do pico da emoção, o risco de eventos cardíacos”, explica a especialista.

    Fortes emoções podem mesmo afetar o coração?

    As emoções intensas, independentemente de serem positivas ou negativas, podem funcionar como um gatilho para eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas que já possuem fatores de risco ou doenças cardíacas pré-existentes.

    O corpo humano não consegue diferenciar o estresse provocado por um jogo de futebol de uma situação de perigo real. Por isso, quando vivemos uma emoção muito forte, o cérebro envia um sinal de alerta que afeta diretamente o funcionamento do coração.

    Em pessoas saudáveis, as alterações costumam ser temporárias, mas em pessoas vulneráveis elas podem representar um risco adicional.

    O que acontece no corpo durante um momento de grande tensão ou euforia?

    Durante um momento de grande tensão, ansiedade ou euforia, Juliana explica que o cérebro avisa o sistema nervoso simpático, que é a parte do organismo responsável por reagir a situações de estresse. O sistema prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga, como se precisássemos fugir de uma ameaça física.

    Para preparar o corpo, ocorre uma liberação massiva de hormônios do estresse na corrente sanguínea, principalmente a adrenalina e a noradrenalina, que desencadeiam:

    • Frequência cardíaca mais acelerada, fazendo o coração bater mais rápido e provocando palpitações;
    • Pressão arterial mais elevada, devido à contração dos vasos sanguíneos para acelerar a circulação do sangue;
    • Aumento da força de contração do coração, que passa a trabalhar com mais intensidade;
    • Aumento da necessidade de oxigênio, já que o coração precisa de mais energia para sustentar o esforço extra.

    Em uma pessoa saudável, o corpo costuma lidar bem com esse pico de adrenalina e retorna ao normal pouco tempo após o fim do jogo.

    Mas, em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou alguma doença cardíaca, Juliana destaca que o aumento súbito da pressão arterial e dos batimentos cardíacos pode provocar o rompimento de uma dessas placas, causando um infarto, além de desregular o ritmo do coração e desencadear arritmias.

    Infarto ou AVC: qual é o maior risco durante o jogo?

    Segundo Juliana, o infarto é o maior risco e o evento cardiovascular mais comum durante um jogo de futebol.

    O aumento dos níveis de adrenalina provocado pela emoção altera diretamente a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de poder causar o rompimento de uma placa de gordura presente nas artérias. Quando isso ocorre, pode haver a obstrução do fluxo sanguíneo, levando ao infarto.

    O AVC também pode acontecer em situações de grande tensão emocional, mas é consideravelmente menos frequente. A associação entre emoções intensas e AVC costuma ocorrer principalmente em pessoas com pressão arterial descontrolada ou que apresentam alguma arritmia grave.

    Quem precisa ter cuidado redobrado em jogos emocionantes?

    Os grupos de pessoas que precisam de ter cuidados redobrados são:

    • Pessoas que já sofreram um infarto anteriormente;
    • Doentes com histórico de AVC;
    • Indivíduos diagnosticados com insuficiência cardíaca;
    • Pessoas que sofrem de arritmias cardíacas;
    • Pacientes com angina ou outras doenças coronárias conhecidas;
    • Hipertensos com a pressão arterial descontrolada;
    • Diabéticos;
    • Pessoas com níveis de colesterol alto e descontrolado;
    • Fumadores crónicos;
    • Pessoas com obesidade.

    Nesses casos, o estresse e a emoção do jogo podem representar uma sobrecarga maior para o coração. É importante ter atenção redobrada e seguir corretamente todas as orientações médicas para aproveitar as partidas com mais segurança.

    Sinais de alerta: quando a emoção vira uma emergência médica?

    É normal sentir o coração acelerar, ficar nervoso ou até suar mais durante um jogo decisivo, mas alguns sintomas podem indicar um problema de saúde mais sério, como:

    • Dor ou pressão no peito que não melhora com o passar dos minutos;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Suor excessivo acompanhado de desconforto no peito;
    • Náuseas ou enjoos associados à dor no peito;
    • Palpitações intensas ou sensação de que o coração está batendo de forma irregular;
    • Tontura, desmaio ou perda de consciência;
    • Dificuldade para falar ou para compreender o que as outras pessoas dizem;
    • Dor de cabeça muito forte e de início repentino.

    Caso qualquer um dos sintomas apareça durante ou após o jogo, o ideal é procurar atendimento médico imediatamente. Em situações como infarto ou AVC, agir rapidamente pode fazer toda a diferença no tratamento e na recuperação.

    Como torcer e curtir a Copa do Mundo em segurança?

    A emoção faz parte do esporte e da vida, mas alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos, especialmente para quem já tem alguma doença cardiovascular ou fatores de risco. Entre as principais, Juliana orienta:

    • Manter o tratamento médico em dia e seguir corretamente as orientações do profissional de saúde;
    • Não interromper nem suspender os medicamentos por conta própria;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, principalmente durante os jogos;
    • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
    • Controlar fatores de risco como pressão alta, diabetes e colesterol elevado;
    • Realizar consultas médicas regularmente para acompanhar a saúde cardiovascular.

    “A emoção faz parte da nossa vida, nós não temos como nos privar totalmente, mas cuidar da saúde de base, estar com todos os fatores controlados”, finaliza Juliana.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. De que forma a adrenalina afeta o sistema cardiovascular?

    A adrenalina faz o coração bater mais rápido (taquicardia), aumenta a força de contração do músculo cardíaco e estreita os vasos sanguíneos, o que provoca uma subida rápida da pressão arterial.

    2. O uso de calmantes naturais (como passiflora ou camomila) antes do jogo funciona?

    Sim, fitoterápicos à base de passiflora, valeriana ou camomila ajudam a modular o sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade de forma leve. Eles podem ser úteis para pessoas muito ansiosos, pois ajudam a evitar que a frequência cardíaca suba de forma tão abrupta.

    3. Energéticos misturados com álcool aumentam o risco cardíaco na hora do jogo?

    Muito, os energéticos contêm altas doses de cafeína e outros estimulantes que aceleram o coração. Quando misturados ao álcool, mascaram os efeitos de sonolência da bebida, fazendo com que a pessoa beba mais e exponha o coração a um duplo estresse: a arritmia induzida pela cafeína e a toxicidade do álcool.

    4. Por que ficar muito tempo sentado a ver o jogo também é perigoso?

    Ficar sentado imóvel por várias horas, especialmente se associado à desidratação e ao álcool, lentifica a circulação nas pernas, aumentando o risco de trombose venosa profunda (TVP). Se o coágulo se desprender, pode viajar até aos pulmões, causando uma embolia pulmonar. O ideal é levantar e caminhar um pouco no intervalo.

    5. Tomar uma aspirina (AAS) antes do jogo previne o infarto em quem é do grupo de risco?

    Não se deve fazer isso sem orientação médica. Embora a aspirina afine o sangue e previna coágulos, o uso preventivo por conta própria pode mascarar sintomas ou aumentar o risco de hemorragias (inclusive AVC hemorrágico), especialmente se a pressão arterial subir muito durante a partida.

    6. O que é a síndrome do coração partido e como ela se relaciona com o futebol?

    Também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição desencadeada por um forte estresse emocional. Ela causa sintomas semelhantes aos de um infarto, mas ocorre por uma alteração temporária no funcionamento do músculo cardíaco provocada pelo excesso de hormônios do estresse.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

  • 7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    Na hora de escolher o anticoncepcional, o ginecologista precisa considerar uma série de fatores para garantir que a opção escolhida seja a mais adequada para cada mulher. O ideal é encontrar um método que seja seguro, confortável e compatível com a rotina da paciente, reduzindo as chances de efeitos colaterais e aumentando a satisfação com o uso.

    Só que, no dia a dia, nem sempre a adaptação acontece da forma esperada e é comum conviver com efeitos colaterais que persistem mesmo depois do período inicial de adaptação, afetando a qualidade de vida e o bem-estar.

    Além disso, como os hábitos de vida e a saúde também podem mudar com o tempo, um anticoncepcional que funcionava bem deixou de ser a melhor opção. Nesses casos, é importante conversar com o ginecologista para reavaliar a escolha e verificar se vale a pena fazer algum ajuste ou trocar de método.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais sinais podem indicar que o anticoncepcional atual não está mais sendo a melhor alternativa para você. Confira!

    Sinais de que o método anticoncepcional não está adequado

    1. Náuseas e dores de cabeça constantes

    Se você sente enjoos ou dores de cabeça com frequência desde que começou a usar um anticoncepcional, pode ser um sinal de que o método não está se adaptando bem ao seu organismo. Os efeitos colaterais são relativamente comuns, mas eles não devem fazer parte da rotina.

    Segundo Andreia, em alguns casos, ajustes simples podem ajudar, como tomar o comprimido à noite, antes de dormir, para diminuir a percepção dos efeitos colaterais. No entanto, quando os sintomas persistem, a recomendação frequentemente é trocar o método anticoncepcional.

    2. Queda da libido

    Uma diminuição significativa do desejo sexual pode ocorrer com o uso de alguns métodos hormonais, como pílulas, injeções, implantes, anel vaginal e adesivos, devido às alterações nos níveis hormonais. Se isso estiver afetando o seu bem-estar ou os seus relacionamentos, vale a pena conversar com o ginecologista para avaliar outras opções.

    3. Sangramentos de escape frequentes

    Pequenos sangramentos fora do período menstrual podem acontecer com alguns métodos anticoncepcionais, principalmente aqueles que reduzem ou suspendem a menstruação. Normalmente, eles não representam nenhum problema de saúde, só que podem ser bastante incômodos quando persistem por muitos dias ou acontecem repetidamente.

    4. Dor ou desconforto durante a relação sexual

    Algumas mulheres podem perceber menos lubrificação vaginal após o início de determinados anticoncepcionais hormonais, o que pode tornar a relação sexual desconfortável ou até dolorosa. Caso isso aconteça com frequência, pode ser necessário avaliar outras opções.

    5. Esquecimentos frequentes da pílula

    Segundo Andreia, o melhor anticoncepcional é aquele que se encaixa na sua rotina. Se você costuma esquecer de tomar a pílula, por exemplo, a proteção contra a gravidez pode diminuir significativamente.

    Nesses casos, pode ser interessante conversar com o médico sobre métodos de longa duração, como o DIU ou o implante, que exigem menos cuidados diários.

    6. Mudanças intensas no humor

    Os hormônios presentes nos anticoncepcionais podem influenciar o humor de maneiras diferentes em cada pessoa. Andreia explica que, em geral, o bloco do eixo endócrino promovido pela pílula melhora a oscilação de humor, como nos casos de TPM.

    Contudo, algumas mulheres podem notar uma maior irritabilidade, tristeza, ansiedade ou sensação de apatia no dia a dia. Nesses casos, o médico pode orientar a troca se as mudanças estiverem afetando a qualidade de vida.

    7. Surgimento de novos problemas de saúde

    A saúde muda ao longo da vida, e um anticoncepcional que era adequado há alguns anos pode deixar de ser a melhor opção com o passar do tempo.

    O surgimento de condições como pressão alta, enxaqueca, diabetes ou obesidade, assim como o início do tabagismo, pode aumentar os riscos associados a determinados métodos contraceptivos, especialmente os hormonais.

    Por isso, é importante informar o ginecologista sobre qualquer mudança no seu estado de saúde durante as consultas de rotina.

    Qual o período de adaptação do organismo ao anticoncepcional?

    Os médicos costumam orientar que, sempre que possível, a mulher aguarde cerca de três meses antes de trocar o método anticoncepcional, de acordo com Andreia. É o período normal de adaptação do organismo, durante o qual muitos efeitos colaterais tendem a diminuir ou desaparecer.

    No entanto, não é necessário esperar pela consulta de rotina se aparecerem situações que precisem uma reavaliação mais rápida, como:

    • Efeitos colaterais intensos ou difíceis de tolerar;
    • Início de um medicamento de uso contínuo que possa interagir com o anticoncepcional e reduzir a sua eficácia;
    • Mudanças importantes no estado de saúde, como pressão alta, enxaqueca ou diabetes;
    • Dúvidas sobre a eficácia do método ou dificuldades para usá-lo corretamente.

    Dependendo da situação, pode ser necessário ajustar a dosagem hormonal, mudar a forma de uso ou até trocar o anticoncepcional por outro mais adequado ao perfil e às necessidades da paciente.

    Como escolher o método anticoncepcional ideal?

    A escolha do anticoncepcional deve levar em conta o histórico de saúde, o estilo de vida e as preferências de cada mulher. Segundo Andreia, costuma ser uma das primeiras conversas durante a consulta ginecológica, mesmo quando o objetivo é apenas um acompanhamento de rotina.

    O processo começa com uma avaliação completa da paciente, considerando fatores de risco, doenças já existentes, hábitos, rotina e vida sexual. Todas as informações ajudam a identificar quais métodos podem ser mais adequados e seguros para cada caso.

    Se não houver contraindicações, a paciente recebe orientações sobre as opções disponíveis, incluindo as vantagens, as desvantagens, a forma de uso e os possíveis efeitos colaterais. Como a maioria das mulheres não apresenta restrições importantes, a decisão final costuma ser compartilhada, levando em conta as necessidades, os planos reprodutivos e as preferências individuais.

    Em alguns casos, características da rotina também podem influenciar a recomendação. Por exemplo, mulheres que costumam esquecer a pílula podem se beneficiar de métodos de longa duração, como o DIU ou o implante.

    De acordo com Andreia, o método anticoncepcional deve ser reavaliado regularmente nas internacionais ginecológicas. Para auxiliar na escolha, os médicos utilizam os Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos, elaborados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    As diretrizes relacionam as condições de saúde da paciente às evidências científicas disponíveis para indicar quais métodos são mais seguros em cada situação.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. A escolha do anticoncepcional é baseada apenas na minha preferência?

    Não totalmente. Primeiro, o médico avalia quais métodos são seguros para você. Se não houver contraindicações, a escolha passa a ser feita de acordo com o seu estilo de vida, suas preferências e a facilidade de uso de cada método.

    2. Quais são os principais efeitos colaterais das pílulas anticoncepcionais orais?

    Como as pílulas orais precisam ser metabolizadas pelo fígado, os efeitos adversos mais comuns associados a elas incluem náuseas, dores de cabeça (cefaleia) e um aumento no risco de desenvolvimento de trombose.

    3. Sinto muitas náuseas ao tomar a pílula. Existe algo que eu possa fazer antes de mudar de método?

    Sim. Uma dica simples é mudar o horário da tomada para o período da noite, logo antes de dormir. Assim, você passa pelo pico de absorção do medicamento enquanto dorme, reduzindo a sensibilidade do organismo aos efeitos gastrointestinais. Se ainda assim persistir, a troca do método é recomendada.

    4. É verdade que o anticoncepcional diminui a libido?

    Sim, isso é muito comum em quase todos os métodos hormonais sistêmicos, como pílulas, injetáveis, anel vaginal, adesivos e implantes. Como os métodos agem inibindo a ovulação, eles acabam reduzindo os níveis de hormônios circulantes que estimulam o desejo sexual.

    5. Existe algum sintoma colateral que seja um sinal de alerta grave de saúde?

    Sintomas isolados provocados pelo anticoncepcional, como escapes ou dor de cabeça leve, não costumam ser graves. No entanto, sangramentos excessivamente intensos e dores agudas/fortes são sinais de alerta imediatos.

    6. O uso prolongado de anticoncepcional pode me deixar estéril?

    Não, a pílula ou outros métodos não prejudicam a fertilidade de base. Ao interromper o uso, o corpo volta a ter exatamente a fertilidade que você teria naturalmente para a sua idade e condição de saúde.

    7. Com que frequência devo avaliar se o meu método contraceptivo ainda é seguro?

    A avaliação deve ser feita em toda consulta ginecológica de rotina, que idealmente deve acontecer uma vez por ano.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • Exame mostrou plaquetas baixas? Saiba o que isso pode significar 

    Exame mostrou plaquetas baixas? Saiba o que isso pode significar 

    Receber o resultado de um exame de sangue mostrando plaquetas baixas pode gerar certa preocupação. Afinal, essas células são fundamentais para a coagulação e ajudam o organismo a controlar sangramentos quando ocorre algum ferimento.

    Apesar do susto inicial, nem toda redução das plaquetas significa uma doença grave. Em muitos casos, a alteração é temporária e está relacionada a infecções virais ou ao uso de determinados medicamentos.

    Por outro lado, algumas situações exigem investigação mais aprofundada para identificar problemas da medula óssea, doenças autoimunes ou outras condições que podem afetar a produção e a destruição dessas células.

    O que são as plaquetas

    As plaquetas são pequenas células presentes no sangue que desempenham papel essencial na coagulação. Quando ocorre um corte ou lesão em um vaso sanguíneo, elas ajudam a formar um tampão que reduz a perda de sangue e inicia o processo de cicatrização.

    Sem uma quantidade adequada de plaquetas, o organismo pode ter mais dificuldade para controlar sangramentos.

    O que significa ter plaquetas baixas

    A redução do número de plaquetas recebe o nome de trombocitopenia. Dependendo da intensidade da queda, podem surgir sintomas como:

    • Manchas roxas pelo corpo;
    • Sangramentos mais fáceis;
    • Hematomas após pequenos traumas;
    • Pequenos pontos vermelhos na pele.

    Em muitos casos, especialmente quando a redução é leve, a pessoa não apresenta nenhum sintoma e a alteração é descoberta apenas em exames de rotina.

    Quais são os valores considerados normais?

    De forma geral, considera-se normal uma contagem entre aproximadamente 150 mil e 450 mil plaquetas por microlitro de sangue.

    Quando os valores ficam abaixo desse intervalo, o médico avalia:

    • O grau da redução;
    • A velocidade da queda;
    • A presença de sintomas;
    • O histórico clínico do paciente.

    Nem toda trombocitopenia tem o mesmo significado clínico.

    Principais causas de plaquetas baixas

    Existem diversas situações que podem levar à redução das plaquetas.

    1. Infecções virais

    As infecções virais estão entre as causas mais comuns.

    Entre elas estão:

    • Dengue;
    • Covid-19;
    • Mononucleose;
    • Outras viroses.

    Nesses casos, a queda costuma ser temporária e tende a melhorar conforme a infecção é controlada.

    2. Uso de medicamentos

    Alguns remédios podem interferir na produção ou aumentar a destruição das plaquetas. Exemplos são:

    • Alguns antibióticos;
    • Heparina;
    • Certos anticonvulsivantes.

    Por isso, sempre é importante informar ao médico todos os medicamentos em uso.

    3. Doenças autoimunes

    Em algumas situações, o próprio sistema imunológico passa a destruir as plaquetas.

    Um exemplo clássico é a púrpura trombocitopênica imune (PTI).

    4. Problemas da medula óssea

    A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue. Doenças que afetam seu funcionamento podem reduzir a produção de plaquetas, incluindo algumas doenças hematológicas.

    5. Doenças do fígado e aumento do baço

    Algumas doenças hepáticas e alterações do baço podem provocar retenção ou destruição aumentada das plaquetas, levando à redução dos níveis circulantes.

    Plaquetas baixas sempre causam sintomas?

    Não. Os sintomas costumam surgir principalmente quando os níveis ficam muito baixos, geralmente abaixo de 20.000 a 50.000 plaquetas por microlitro, embora isso possa variar de uma pessoa para outra.

    Quando aparecem, os sinais mais comuns são:

    • Manchas roxas sem trauma evidente;
    • Sangramentos nasais;
    • Sangramento das gengivas;
    • Petéquias (pequenos pontos vermelhos na pele);
    • Menstruação excessiva.

    Quando as plaquetas baixas preocupam mais?

    O risco depende tanto do valor encontrado quanto da causa da trombocitopenia.

    Valores muito baixos aumentam a chance de:

    • Sangramentos espontâneos;
    • Hemorragias importantes;
    • Complicações hemorrágicas.

    Além disso, a presença de sintomas costuma ser tão importante quanto o número absoluto de plaquetas.

    Plaquetas baixas podem acontecer na dengue?

    Sim. A dengue é uma das causas mais conhecidas de trombocitopenia.

    Durante a fase crítica da doença, pode ocorrer uma redução significativa das plaquetas, motivo pelo qual o acompanhamento médico e os exames de sangue são tão importantes em alguns pacientes.

    No entanto, é importante lembrar que o risco de sangramento na dengue não depende apenas da contagem de plaquetas, mas também de outros fatores clínicos.

    Como os médicos investigam a causa?

    A investigação depende do contexto clínico e dos sintomas apresentados. Os exames podem envolver:

    • Repetição do hemograma;
    • Avaliação das demais células do sangue;
    • Testes para infecções;
    • Exames para doenças autoimunes;
    • Avaliação da medula óssea em situações específicas.

    O objetivo é identificar se o problema está na produção, destruição ou distribuição das plaquetas.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento varia conforme a causa da trombocitopenia.

    1. Apenas acompanhamento

    Em alguns casos leves e transitórios, pode ser necessário apenas monitorar os exames.

    2. Suspensão de medicamentos

    Quando a causa é um remédio, a interrupção ou substituição pode resolver o problema.

    3. Tratamento da doença de base

    Infecções, doenças autoimunes e outras condições devem ser tratadas adequadamente.

    4. Tratamentos específicos

    Algumas situações podem exigir medicamentos que reduzam a destruição das plaquetas ou estimulem sua produção.

    5. Transfusão de plaquetas

    Em casos graves, especialmente quando há sangramento importante, pode ser necessária a transfusão de plaquetas.

    Quando procurar atendimento urgente

    Procure atendimento médico imediato se houver:

    • Sangramentos importantes;
    • Sangue na urina;
    • Sangue nas fezes;
    • Dor de cabeça intensa associada a sangramentos;
    • Surgimento súbito de muitas manchas roxas;
    • Sangramento difícil de controlar.

    Esses sinais podem indicar uma situação que exige avaliação rápida.

    Confira: Por que não pode tomar AAS com dengue?

    Perguntas frequentes sobre plaquetas baixas

    1. Plaquetas baixas sempre indicam uma doença grave?

    Não. Muitas vezes a alteração é temporária e relacionada a infecções ou medicamentos.

    2. Dengue pode baixar as plaquetas?

    Sim. A dengue é uma das causas mais comuns de trombocitopenia temporária.

    3. Plaquetas baixas causam sangramentos?

    Podem causar, principalmente quando os valores estão muito reduzidos.

    4. Medicamentos podem reduzir as plaquetas?

    Sim. Alguns antibióticos, anticonvulsivantes e outros remédios podem estar envolvidos.

    5. Quando devo repetir o exame?

    Isso depende do valor encontrado, da causa suspeita e da orientação médica.

    6. Existe tratamento para plaquetas baixas?

    Sim. O tratamento depende da causa da trombocitopenia.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Sempre que houver plaquetas baixas associadas a sintomas, sangramentos ou alterações persistentes nos exames.

    Veja mais: Dengue: os sinais que indicam que a doença pode estar piorando