Categoria: Prevenção

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  • Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    A ginecologia regenerativa, também conhecida como ginecologia íntima funcional, é uma área da medicina que usa tecnologias e procedimentos minimamente invasivos para estimular a recuperação, a renovação e o funcionamento saudável dos tecidos da região íntima feminina.

    Por meio de tecnologias modernas, os tratamentos ajudam a recuperar a elasticidade, a hidratação e a lubrificação natural da região íntima, contribuindo para mais conforto no dia a dia, bem-estar e qualidade de vida.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, os tratamentos podem ajudar mulheres que convivem com sintomas como ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais e até alguns casos de incontinência urinária leve.

    Vale destacar que a área não tem como foco principal a estética, mas a recuperação de funções que podem ser prejudicadas pelo envelhecimento, pelas mudanças hormonais da menopausa, pela gestação, pelo parto e por outros fatores que afetam a saúde íntima ao longo da vida.

    Como funciona a ginecologia regenerativa?

    A ginecologia regenerativa funciona estimulando a capacidade natural do próprio corpo de recuperar e renovar os tecidos da região íntima. Com o envelhecimento ou a queda na produção de hormônio, como o estrogênio, as paredes da vagina e da vulva passam por um processo de atrofia, em que ficam mais finas, perdem colágeno, elastina e capacidade de lubrificação.

    Para reverter o quadro, Andreia esclarece que os tratamentos utilizam o princípio de lesão e reparação. Através de tecnologias físicas ou materiais específicos, o médico realiza estímulos ou microlesões controladas na mucosa vaginal ou na pele da região íntima. O organismo entende que aquela área precisa ser reparada e ativa uma série de mecanismos naturais de regeneração.

    Como resposta, ocorre um aumento da produção de colágeno e elastina, proteínas responsáveis pela sustentação, elasticidade e firmeza dos tecidos. Também há melhora da circulação sanguínea local e da hidratação da mucosa, o que contribui para restaurar parte das características perdidas ao longo do tempo.

    Quando a ginecologia regenerativa é indicada?

    A ginecologia regenerativa é indicada principalmente para mulheres que convivem com:

    • Ressecamento vaginal intenso, com redução da lubrificação natural, coceira, irritação e desconforto no dia a dia;
    • Dor ou desconforto durante as relações sexuais devido à perda de elasticidade e ao afinamento das paredes vaginais;
    • Síndrome geniturinária da menopausa, que reúne sintomas vaginais e urinários relacionados à queda do estrogênio;
    • Incontinência urinária leve, com pequenos escapes de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforços;
    • Infecções urinárias de repetição;
    • Candidíase recorrente;
    • Desconfortos no pós-parto, especialmente em mulheres que estão amamentando;
    • Ressecamento vaginal associado ao uso de anticoncepcionais hormonais;
    • Flacidez e perda de volume dos grandes lábios, que podem causar atrito, ferimentos e dor;
    • Incômodo íntimo durante a prática de atividades físicas, como ciclismo e equitação.

    Vale destacar que, embora o tratamento também melhore a aparência externa da região íntima, a indicação médica sempre prioriza a melhora dos sintomas e a qualidade de vida da paciente.

    Quais são os tratamentos mais comuns?

    Segundo Andreia, os tratamentos mais comuns realizados no consultório são:

    1. Laser vaginal

    O laser vaginal é uma das tecnologias mais utilizadas na ginecologia regenerativa e promove um aquecimento controlado dos tecidos, estimulando a renovação celular, a produção de colágeno e a melhora da lubrificação natural da vagina.

    2. Radiofrequência

    A radiofrequência utiliza ondas eletromagnéticas para aquecer as camadas mais profundas dos tecidos sem causar danos à superfície. A técnica é indicada para melhorar a flacidez, aumentar a elasticidade vaginal e auxiliar no tratamento da incontinência urinária leve.

    3. HIFU (Ultrassom Microfocado)

    O ultrassom microfocado de alta intensidade, conhecido como HIFU, atua nas camadas mais profundas dos tecidos íntimos. O tratamento é especialmente indicado para fortalecer as estruturas que sustentam a uretra e a bexiga, contribuindo para o controle de perdas urinárias.

    4. Fios de PDO

    Os fios de PDO (polidioxanona) são materiais biodegradáveis utilizados para promover a sustentação dos tecidos. Na ginecologia regenerativa, podem ser aplicados para melhorar a flacidez da vulva e reforçar estruturas relacionadas ao suporte da uretra.

    5. Preenchimento com ácido hialurônico

    O preenchimento com ácido hialurônico é indicado para recuperar o volume dos grandes lábios genitais. Além da melhora estética, o procedimento ajuda a proteger a região íntima contra atritos, desconfortos e pequenas lesões.

    6. Estrogenização vaginal local

    A estrogenização vaginal local costuma ser uma das primeiras opções de tratamento para mulheres que apresentam sintomas relacionados à queda do estrogênio. O hormônio é aplicado diretamente na vagina, por meio de cremes, óvulos ou comprimidos vaginais, promovendo hidratação, elasticidade e recuperação da mucosa local.

    Quando os procedimentos são contraindicados?

    Apesar de serem procedimentos considerados seguros e minimamente invasivos, realizados geralmente em consultório, existem algumas contraindicações que variam de acordo com a técnica escolhida.

    Mulheres com doenças autoimunes ou doenças do colágeno, como o lúpus, precisam de uma avaliação cuidadosa, pois há risco de o organismo rejeitar o produto ou desencadear uma crise da doença. Isso vale especialmente quando o tratamento envolve materiais injetáveis, como fios de PDO, ácido hialurônico ou bioestimuladores.

    A presença de próteses metálicas na região pélvica ou o uso de DIU de cobre ou prata também podem limitar a utilização de algumas tecnologias que funcionam por meio de energia física, como determinados tipos de radiofrequência.

    Além disso, os procedimentos não devem ser realizados quando a paciente apresenta uma infecção genital ativa, como candidíase, vaginose bacteriana ou herpes, já que o tratamento pode agravar o quadro ou prejudicar a recuperação da região.

    Durante a gravidez, por questão de segurança, as tecnologias físicas e os procedimentos injetáveis também não são recomendados.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença entre ginecologia regenerativa e estética íntima?

    A ginecologia regenerativa foca na função, como melhorar o ressecamento, a dor e a perda urinária. A estética íntima foca apenas na aparência. Na regenerativa, a melhora estética é apenas uma consequência positiva.

    2. Quantas sessões são necessárias?

    Normalmente, o protocolo inicial varia de 2 a 4 sessões, realizadas com intervalos de 30 a 45 dias entre elas. O número exato depende da tecnologia escolhida e da gravidade dos sintomas.

    3. Quanto tempo dura o resultado?

    Os resultados costumam durar de 12 a 18 meses. Como o envelhecimento do corpo continua, é recomendado fazer uma sessão de manutenção uma vez por ano.

    4. Mulheres jovens também podem fazer?

    Sim, é indicada para jovens que sofrem com dores na relação devido ao uso prolongado de anticoncepcionais, mulheres no pós-parto (amamentação) ou atletas que sofrem com atrito e dor na vulva.

    5. Quanto tempo depois do parto posso fazer?

    Em geral, o recomendado é aguardar cerca de 60 dias após o parto para que o corpo se recupere fisicamente. O tratamento é seguro e não interfere na amamentação.

    6. Quanto tempo preciso ficar sem ter relações sexuais?

    O recomendado é aguardar de 3 a 7 dias sem relações sexuais após o procedimento, dependendo da tecnologia utilizada (especialmente no caso de lasers ablativos), para permitir a cicatrização do tecido.

    7. O laser vaginal pode causar queimaduras?

    Se for realizado por um médico ginecologista devidamente capacitado, o risco é mínimo. Os aparelhos são regulados com parâmetros de energia específicos e seguros para a mucosa vaginal.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Se você está tentando engravidar, já deve ter ouvido falar sobre os testes de ovulação vendidos nas farmácias. Ele funciona de forma muito parecida com o teste de gravidez, mas, em vez de detectar a gestação, ajuda a prever quais são os dias mais férteis do mês.

    Ao identificar o chamado pico do hormônio LH, que ocorre pouco antes da liberação do óvulo pelo ovário, o teste indica que você está entrando no período de maior fertilidade. Assim, fica mais fácil planejar as relações sexuais nos dias em que as chances de gravidez são mais altas.

    Mas, para que ele realmente funcione, é preciso saber o dia certo de começar a testar e como interpretar as linhas do resultado. Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explica como o exame funciona e quando utilizá-lo. Confira!

    O que é e para que serve o teste de ovulação?

    O teste de ovulação de farmácia serve para identificar os dias mais férteis do ciclo menstrual, mostrando quando as chances de engravidar estão mais altas. Segundo Andreia, ele funciona detectando o aumento repentino do hormônio luteinizante (LH) na urina, o que é conhecido como pico de LH.

    Durante o ciclo menstrual, o organismo desenvolve um folículo, uma pequena estrutura no ovário que abriga e amadurece o óvulo. Quando ele está pronto para ser liberado, a glândula hipófise, localizada no cérebro, aumenta significativamente a produção do hormônio luteinizante, que é lançado na corrente sanguínea.

    O aumento repentino funciona como um gatilho para a ovulação, fazendo com que o folículo se rompa e libere o óvulo para as trompas de Falópio, onde poderá ser fecundado por um espermatozoide.

    Como a liberação do óvulo costuma acontecer entre 24 e 36 horas após o pico de LH, o teste funciona como um aviso antecipado de que a ovulação está prestes a ocorrer. Se você está planejando uma gravidez, a informação te permite concentrar as relações sexuais nos dias em que a probabilidade de fecundação é maior.

    Para quem ele é indicado?

    O teste de ovulação de farmácia pode ser útil para diferentes mulheres, como:

    • Mulheres que desejam engravidar mais rapidamente, pois o teste ajuda a identificar os dias de maior fertilidade e evita as tentativas às cegas ao longo do mês;
    • Mulheres com ciclos menstruais irregulares, já que a falta de regularidade dificulta prever a ovulação apenas pelo calendário;
    • Mulheres que estão começando a tentar engravidar e ainda não conhecem bem o funcionamento do próprio ciclo menstrual;
    • Mulheres que desejam monitorar a fertilidade de forma mais natural, sem depender apenas de aplicativos ou cálculos baseados na data da última menstruação;
    • Mulheres que querem conhecer melhor o próprio corpo, observando a relação entre a ovulação, os sintomas do período fértil e as mudanças do ciclo menstrual.

    Vale destacar que, apesar de útil, o teste não substitui o acompanhamento médico. Em casos de dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares ou suspeita de alterações hormonais, procure a orientação de um ginecologista.

    Quando começar a fazer o teste de ovulação?

    Como o teste identifica o aumento do hormônio LH antes da ovulação, o ideal é começar a usá-lo alguns dias antes do período em que a ovulação costuma acontecer, pois há menos risco de perder o pico hormonal e ter um resultado mais preciso.

    Para fazer o cálculo, considere o primeiro dia da menstruação como o Dia 1 do ciclo. A partir daí, a recomendação geral para mulheres com um ciclo regular de 28 dias é iniciar os testes no 11º dia do ciclo. Como a duração dos ciclos menstruais varia de mulher para mulher, a data ideal para começar o teste também pode mudar:

    • Ciclo curto (25 dias): comece a testar no 8º dia do ciclo;
    • Ciclo médio (30 dias): comece a testar no 13º dia do ciclo;
    • Ciclo longo (32 dias): comece a testar no 15º dia do ciclo.

    A partir da data calculada, faça um teste por dia, de preferência sempre no mesmo horário. Continue o acompanhamento até que a linha do teste fique tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o que indica um resultado positivo e sinaliza que a ovulação está próxima.

    E se o meu ciclo for irregular?

    Se os ciclos variam bastante de um mês para outro, o cálculo pode ser um pouco mais difícil. Segundo Andreia, a irregularidade menstrual normalmente está associada a alterações hormonais ou metabólicas que interferem no processo normal da ovulação.

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, é comum a ocorrência de ciclos em que a ovulação não acontece. A mulher pode passar vários meses sem menstruar e, durante o período, apenas alguns ciclos podem ser realmente ovulatórios.

    Por causa da variação, o teste de ovulação pode permanecer negativo por semanas ou até meses e, de repente, apresentar um resultado positivo quando ocorre um ciclo com ovulação.

    Por isso, a ginecologista ressalta que mulheres com anovulação crônica, seja por SOP ou por outras alterações hormonais, devem encarar o teste como uma ferramenta complementar para obter informações sobre o ciclo menstrual, e não como um método definitivo para identificar a fertilidade.

    Como usar o teste de ovulação corretamente?

    Diferente do teste de gravidez tradicional, o teste de ovulação precisa de alguns cuidados específicos com a diluição dos hormônios:

    Passo 1: escolha um horário para realizar o teste

    Verifique as orientações da embalagem, pois alguns testes não recomendam o uso da primeira urina da manhã. Em geral, o hormônio LH costuma ser detectado com mais facilidade na urina entre 10h e 20h. O mais importante é realizar o teste sempre no mesmo horário todos os dias.

    Passo 2: reduza a ingestão de líquidos antes do exame

    Cerca de duas horas antes de fazer o teste, evite beber grandes quantidades de água, café, chás ou outras bebidas. O excesso de líquidos pode diluir a urina e dificultar a identificação do pico de LH.

    Passo 3: fique algumas horas sem urinar

    Procure permanecer pelo menos quatro horas sem ir ao banheiro antes da coleta, pois ajuda a concentrar o hormônio na urina, tornando o resultado mais confiável.

    Passo 4: faça a coleta corretamente

    Urine em um recipiente limpo e seco. Em seguida, retire a fita do envelope e mergulhe a ponta absorvente na amostra pelo tempo indicado na bula, geralmente entre 5 e 10 segundos. Tome cuidado para não ultrapassar a linha máxima indicada pela marcação “MAX”.

    Passo 5: aguarde o tempo de leitura

    Coloque a fita sobre uma superfície plana e horizontal e aguarde o tempo recomendado pelo fabricante, normalmente entre 5 e 10 minutes, antes de verificar o resultado. Durante o período, evite movimentar a fita.

    Passo 6: interprete o resultado

    Se a linha de teste ficar tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o resultado é positivo e indica que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 36 horas. Se a linha de teste estiver mais clara ou não aparecer, o resultado é considerado negativo.

    Como ler os resultados do teste de ovulação?

    O teste de ovulação leva cerca de 3 a 5 minutos para processar a urina e mostrar o resultado, que pode ser interpretado da seguinte forma:

    • Resultado negativo: a linha de teste (T) está mais clara do que a linha de controle (C) ou não aparece, o que significa que o pico de LH ainda não foi detectado. A recomendação é continuar realizando os testes nos próximos dias;
    • Resultado positivo: a linha de teste (T) está tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle (C). Isso indica que o pico de LH foi identificado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas. Após obter um resultado positivo, não é necessário continuar os testes naquele ciclo.

    Importante: nunca leia o resultado do teste após passarem 10 ou 15 minutos da realização. Depois que a fita seca totalmente, uma linha falsa pode aparecer por conta da evaporação da urina, invalidando o diagnóstico.

    O teste deu positivo: quando ter relação para engravidar?

    Quando o teste de ovulação dá positivo, significa que o pico do hormônio LH foi detectado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas.

    Para aumentar as chances de engravidar, Andreia explica que o ideal é ter relações sexuais no mesmo dia em que o resultado positivo aparecer e também nos dois dias seguintes. Os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo foi liberado, aumentando as chances de fecundação.

    Vale lembrar que os espermatozoides podem sobreviver por até cinco dias no trato reprodutivo feminino, enquanto o óvulo permanece viável por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. Por isso, o ideal é que eles já estejam presentes quando a ovulação acontecer, em vez de esperar que ela ocorra para só então tentar a gravidez.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Andreia, se a gravidez não acontecer após cerca de um ano de tentativas regulares, ou após seis meses para mulheres com mais de 35 anos, o ideal é procurar avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

    O profissional poderá investigar possíveis causas de infertilidade e orientar os exames mais adequados para cada caso.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. O teste de ovulação serve como teste de gravidez?

    Não, eles detectam hormônios completamente diferentes. O teste de ovulação detecta o LH (hormônio luteinizante), que prepara o corpo para liberar o óvulo. O teste de gravidez detecta o hCG, que só é produzido pela placenta após a implantação do embrião no útero. Um teste não substitui o outro.

    2. Posso usar a primeira urina da manhã para fazer o teste?

    Depende da marca, mas normalmente não é o ideal. O hormônio LH costuma ser produzido pelo corpo no início da manhã e leva algumas horas para aparecer na urina, então a maioria dos fabricantes recomenda fazer o teste entre as 10h e às 20h.

    3. O teste deu positivo e eu tive relações, por que não engravidei de primeira?

    O teste de ovulação apenas ajuda a acertar o momento em que o óvulo está disponível, aumentando as chances. No entanto, a gravidez depende de muitos outros fatores, como a qualidade do espermatozoide, a saúde das trompas, a receptividade do útero e até mesmo a própria genética do embrião formado.

    4. O teste de ovulação pode ser usado como método contraceptivo para evitar gravidez?

    Não! O teste só avisa que a ovulação vai acontecer quando o pico de LH já está ocorrendo.

    5. Quanto tempo vive o óvulo depois que ele é liberado?

    O óvulo tem uma vida útil curtíssima: ele sobrevive apenas entre 12 e 24 horas após ser liberado pelo ovário.

    6. Posso reutilizar a mesma tira de teste no dia seguinte?

    Não. Todas as fitas e tiras de teste de ovulação (assim como os digitais) são de uso único.

    7. Amamentar altera o resultado do teste de ovulação?

    Sim, pois a amamentação exclusiva produz o hormônio prolactina, que bloqueia os hormônios da reprodução. Isso impede o pico de LH e faz com que os testes deem negativo até que os ciclos menstruais retornem ao normal.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    A menopausa é o marco natural do fim do período reprodutivo da mulher, acontecendo normalmente entre os 45 e 55 anos de idade, mas ela também faz parte de um processo de transição que se estende ao longo de vários anos.

    Após a última menstruação, o corpo entra em uma nova fase chamada pós-menopausa, marcada principalmente pela queda significativa nos níveis de estrogênio, um hormônio que influencia diversas funções do organismo.

    Durante os anos anteriores, conhecidos como perimenopausa, os níveis hormonais costumam oscilar bastante, provocando sintomas como ondas de calor, alterações de humor e irregularidade menstrual. Quando a menopausa é confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar, as oscilações tendem a diminuir, mas o organismo ainda precisa de tempo para se adaptar ao novo equilíbrio hormonal.

    As alterações hormonais impactam diretamente diferentes partes do corpo, incluindo os ossos, os músculos, o coração, a pele, o cérebro e o metabolismo. Algumas mudanças acontecem de forma gradual e quase imperceptível, enquanto outras são mais evidentes no dia a dia.

    A seguir, com o apoio da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, listamos as principais mudanças que ocorrem no corpo após a menopausa e o que você pode fazer, na prática, para evitar ou reverter cada uma delas.

    Quais mudanças podem acontecer no corpo após a menopausa?

    1. Ondas de calor e suor noturno (fogachos)

    As ondas de calor e os suores noturnos são os sintomas mais frequentes da pós-menopausa e afetam cerca de 80% das mulheres no período.

    Elas costumam se manifestar como uma sensação súbita e intensa de calor que começa no peito, sobe para o pescoço e rosto, e muitas vezes vem acompanhada de vermelhidão na pele, batimentos cardíacos acelerados e suor excessivo.

    Segundo Andreia, por causa da redução dos níveis hormonais, acontece uma desregulação do sistema responsável pelo controle da temperatura corporal, localizado no sistema nervoso central.

    Como resultado, o organismo passa a interpretar pequenas variações de temperatura como se o corpo estivesse superaquecido, desencadeando mecanismos para dissipar o calor, como a dilatação dos vasos sanguíneos e o aumento da produção de suor.

    Como evitar ou aliviar os fogachos?

    Nem sempre é possível evitar completamente os fogachos, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises, como:

    • Evitar o consumo de pimenta, cafeína e bebidas alcoólicas para não estimular a dilatação dos vasos sanguíneos;
    • Vestir-se em camadas com roupas de tecidos leves e naturais para facilitar a adaptação às mudanças de temperatura;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Manter o quarto bem ventilado e com lençois frescos para reduzir o impacto do suor durante a noite;
    • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou exercícios de respiração.

    Nos casos em que os sintomas são mais intensos e interferem na qualidade de vida, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal para reequilibrar os níveis de estrogênio no cérebro. Contudo, ele deve ser avaliado individualmente pelo ginecologista, levando em conta o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher.

    2. Ganho de peso e aumento da gordura na barriga

    Durante a vida reprodutiva, os hormônios femininos determinam uma distribuição de gordura mais periférica, fazendo com que a mulher acumule mais gordura no tecido subcutâneo, que fica logo abaixo da pele (principalmente nos quadris, coxas e nádegas).

    Já os homens têm uma tendência natural a acumular gordura na região visceral, que fica entre os órgãos internos, resultando no aumento do abdômen.

    Com a chegada da pós-menopausa, Andreia explica que a queda acentuada nos níveis de estrogênio altera o metabolismo e a composição corporal da mulher. O organismo passa a redistribuir a gordura de forma semelhante ao padrão masculino, concentrando o acúmulo na região da cintura.

    O problema é que a gordura visceral é metabolicamente ativa e inflamatória, favorecendo a formação de placas de gordura que podem obstruir os vasos sanguíneos, além de elevar as chances de desenvolvimento de resistência à insulina, diabetes e colesterol alto.

    Como evitar o acúmulo de gordura abdominal?

    Iniciar a terapia de reposição hormonal quando indicada pelo médico pode ajudar a conter a redistribuição de gordura para o abdômen, mas outras medidas também são importantes, como:

    • Praticar treinos de força regularmente para acelerar o metabolismo basal e aumentar o gasto calórico diário do corpo;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar para evitar picos de insulina que favorecem o estoque de gordura na barriga;
    • Adotar uma dieta baseada no estilo Mediterrâneo com foco em grãos integrais, vegetais, leguminosas e gorduras boas como o azeite;
    • Ajustar a ingestão calórica diária às necessidades atuais do organismo para compensar a desaceleração natural do metabolismo com a idade;
    • Priorizar o consumo de proteínas magras em todas as refeições para aumentar a saciedade e preservar a massa magra durante o processo de emagrecimento.

    3. Perda de massa muscular (sarcopenia)

    A perda de massa muscular é um processo natural do envelhecimento conhecido como sarcopenia. A partir dos 30 anos, o corpo humano passa a perder cerca de 1% de massa muscular ao ano de forma gradual.

    De acordo com Andreia, isso significa que, ao chegar aos 40 ou 50 anos, a mulher já pode ter perdido uma parcela significativa da musculatura sem perceber.

    Como o estrogênio tem um papel importante na manutenção da massa muscular e na recuperação dos tecidos, a queda nos níveis que acontece na menopausa pode favorecer a diminuição da força, da massa magra e do desempenho físico.

    Campanha lembrar que os músculos ajudam o corpo a gastar energia ao longo do dia, mesmo quando estamos em repouso. Eles também utilizam parte da glicose que circula no sangue para produzir energia. Manter uma boa quantidade de massa muscular é necessário para o controle dos níveis de açúcar no sangue e ajuda a reduzir o risco de problemas como a resistência à insulina e o diabetes tipo 2.

    Como reverter a perda de músculos após a menopausa?

    É possível recuperar parte da musculatura e preservar a força com algumas mudanças na rotina, como:

    • Praticar exercícios de força como musculação, pilates ou calistenia de forma regular para dar o estímulo mecânico necessário para a construção e recuperação dos músculos;
    • Consumir uma quantidade adequada de proteínas de alto valor biológico nas refeições diárias para fornecer a matéria-prima essencial para a síntese de novas fibras musculares;
    • Manter a constância nos treinos de resistência para garantir um metabolismo basal mais acelerado e um gasto calórico diário protetor;
    • Buscar a orientação conjunta de um profissional de educação física e de um nutricionista para alinhar a intensidade dos treinos ao aporte de nutrientes e calorias necessários.

    Mesmo depois da menopausa, o organismo continua capaz de ganhar força e massa muscular quando recebe os estímulos adequados.

    4. Enfraquecimento dos ossos (osteopenia e osteoporose)

    O estrogênio é um dos principais hormônios responsáveis por manter o equilíbrio da remodelação óssea, ajudando a reduzir a reabsorção do osso e a preservar a sua densidade. Com a queda acentuada dos níveis hormonais após a menopausa, a perda óssea se torna mais rápida, especialmente nos primeiros anos, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose, segundo Andreia.

    A osteopenia é considerada uma fase inicial de perda óssea. Já a osteoporose ocorre quando a redução da densidade óssea é mais intensa, aumentando significativamente o risco de fraturas, principalmente na coluna, no quadril e nos punhos.

    Além da menopausa, fatores como sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio e histórico familiar também podem contribuir para o enfraquecimento dos ossos.

    Como proteger os ossos e evitar fraturas?

    Entre as medidas que ajudam a preservar a saúde óssea ao longo dos anos, é possível destacar:

    • Realizar o exame de densitometria óssea periodicamente a partir da menopausa para monitorar a densidade dos ossos e flagrar o desgaste logo no início;
    • Praticar exercícios de força e de impacto controlado como musculação ou caminhadas para gerar estímulo mecânico que induz as células a produzirem mais massa óssea;
    • Garantir uma ingestão diária adequada de alimentos ricos em cálcio como iogurte, queijos magros, gergelim e vegetais de folhas escuras;
    • Manter os níveis de vitamina D adequados no sangue por meio da exposição solar segura ou de suplementação orientada pelo médico para garantir a absorção correta do cálcio no intestino;
    • Avaliar com o ginecologista o uso da terapia de reposição hormonal como forma de interromper o desgaste ósseo acelerado provocado pela falta de estrogênio;
    • Adotar medidas de segurança em casa como evitar tapetes soltos e melhorar a iluminação dos ambientes para prevenir quedas e fraturas de alto risco.

    5. Ressecamento vaginal e dor na relação

    A queda acentuada do estrogênio após a menopausa afeta diretamente a saúde íntima da mulher e pode levar ao desenvolvimento da síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

    Os tecidos da vulva, da vagina, da uretra e da bexiga dependem da ação do hormônio para manter a hidratação, a elasticidade e o funcionamento adequados. Com a redução dos níveis de estrogênio, o revestimento vaginal se torna mais fino, menos elástico e menos lubrificado.

    Como resultado, a mulher pode apresentar ressecamento vaginal, coceira, ardência, irritação e desconforto na região íntima. Durante as relações sexuais, a diminuição da lubrificação natural pode causar dor, sensação de atrito e até pequenas lesões na mucosa vaginal.

    A redução da proteção natural dos tecidos também pode favorecer sintomas como urgência para urinar, aumento da frequência urinária, infecções urinárias recorrentes e, em alguns casos, incontinência urinária.

    Como reverter o ressecamento e o desconforto íntimo?

    Nos casos mais leves, o uso regular de hidratantes vaginais pode ajudar a restaurar a hidratação dos tecidos e aliviar o ressecamento. Já os lubrificantes íntimos podem reduzir o atrito e o desconforto durante as relações sexuais.

    Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, o ginecologista pode indicar o uso de estrogênio vaginal em creme, comprimidos ou óvulos. Como o tratamento age diretamente na região afetada, ele ajuda a recuperar a espessura, a elasticidade e a lubrificação natural da mucosa vaginal.

    No dia a dia, algumas medidas simples podem contribuir para o conforto íntimo, como:

    • Usar lubrificantes à base de água ou de silicone no momento da relação sexual para reduzir o atrito e evitar dores ou lesões na mucosa;
    • Manter a frequência de atividades sexuais ou estímulos locais para favorecer a circulação sanguínea na região pélvica e ajudar a preservar a elasticidade dos tecidos;
    • Higienizar a região íntima apenas com água ou sabonetes suaves de pH neutro para não agredir ou ressecar ainda mais a mucosa fragilizada;
    • Praticar exercícios de fisioterapia pélvica para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e melhorar a sustentação dos órgãos urinários e genitais.

    6. Insônia e alterações no sono

    A dificuldade para pegar no sono, os despertares frequentes no meio da noite e a sensação de não ter descansado o suficiente estão diretamente ligados às mudanças hormonais da pós-menopausa. A queda do estrogênio interfere na regulação de neurotransmissores como a serotonina e a melatonina, que são importantes para o controle do ciclo do sono.

    O ciclo de noites mal dormidas eleva os níveis de cortisol, que pode desencadear uma série de alterações no organismo, como:

    • Aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar e gordura;
    • Maior tendência ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura abdominal;
    • Mais dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue;
    • Alterações nos níveis de colesterol;
    • Cansaço físico e mental durante o dia;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Com o passar do tempo, a privação de sono pode afetar o bem-estar físico e emocional, tornando ainda mais importante identificar e tratar a causa do problema

    Como combater a insônia na pós-menopausa?

    Para restabelecer a qualidade do descanso e quebrar o ciclo do estresse, são indicadas algumas medidas práticas, como:

    • Manter horários consistentes para deitar e acordar todos os dias para ajudar o relógio biológico a se reorganizar;
    • Evitar o uso de telas de celulares, tablets ou televisão na cama antes de dormir para não bloquear a produção natural de melatonina pela luz azul;
    • Reduzir o consumo de alimentos pesados, cafeína e bebidas alcoólicas no período da noite para evitar digestões difíceis e picos de calor residual;
    • Criar um ambiente escuro, silencioso e com temperatura amena no quarto para favorecer o relaxamento profundo e evitar despertares por calor;
    • Praticar técnicas de relaxamento ou meditação antes de deitar para diminuir os níveis de estresse e desacelerar os pensamentos antes de dormir.

    7. Aumento do risco de doenças cardiovasculares

    Durante a vida reprodutiva, o estrogênio contribui para manter os vasos sanguíneos mais flexíveis e participa do equilíbrio da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Após a menopausa, é comum ocorrer um aumento do colesterol LDL (o chamado colesterol ruim), além de uma maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.

    As mudanças podem favorecer o desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC, especialmente quando estão associadas a outros fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo, obesidade, diabetes ou histórico familiar de doenças cardíacas.

    Como proteger a saúde cardiovascular?

    Muitas das mudanças que aumentam o risco cardiovascular podem ser controladas com acompanhamento médico regular e hábitos saudáveis, como:

    • Praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular;
    • Manter um peso adequado, especialmente evitando o acúmulo excessivo de gordura abdominal;
    • Priorizar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, frituras e produtos ricos em açúcar;
    • Não fumar;
    • Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
    • Dormir bem e cuidar da qualidade do sono;
    • Controlar o estresse sempre que possível;
    • Monitorar regularmente a pressão arterial, a glicemia e os níveis de colesterol;
    • Realizar consultas médicas e exames de rotina periodicamente.

    Quando a reposição hormonal é indicada para reverter os sintomas?

    A terapia de reposição hormonal pode ser indicada quando os sintomas da menopausa afetam significativamente a qualidade de vida da mulher.

    Além do alívio dos sintomas, o médico também pode recomendar o tratamento como uma estratégia preventiva para reduzir a perda óssea acelerada, ajudando a prevenir a osteoporose, e para auxiliar no controle do perfil metabólico e dos níveis de colesterol.

    No entanto, a reposição hormonal não é indicada para todas e, antes de iniciar o tratamento, é necessário realizar uma avaliação individualizada, considerando fatores como a idade, o tempo desde a menopausa, o histórico médico pessoal e familiar e os possíveis fatores de risco cardiovasculares.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. É normal engordar na pós-menopausa mesmo comendo a mesma coisa de antes?

    Sim. Com o envelhecimento e a queda do estrogênio, o metabolismo desacelera naturalmente. Além disso, o corpo perde massa muscular (que gasta mais energia). Por isso, manter a mesma dieta que você tinha aos 30 anos fará o peso subir aos 50.

    2. Quanto tempo duram os fogachos e as ondas de calor?

    O tempo é muito individual. Na maioria das mulheres, as ondas de calor duram entre 2 e 5 anos, mas algumas mulheres podem continuar sentindo os sinais por 10 anos ou mais se não houver intervenção médica.

    3. A reposição hormonal engorda?

    Não. A terapia de reposição hormonal clássica ajuda a frear a redistribuição de gordura para a barriga e melhora o metabolismo. O ganho de peso está associado ao envelhecimento natural e à perda de massa muscular, e não ao uso dos hormônios.

    4. Dá para recuperar a massa muscular perdida após os 50 anos?

    Sim, pois o músculo mantém a capacidade de responder a estímulos em qualquer idade.Mulheres que começam a fazer musculação ou pilates na pós-menopausa conseguem ganhar força e ter uma composição corporal melhor do que tinham na juventude.

    5. Qual a diferença entre hidratante vaginal e lubrificante?

    O hidratante vaginal deve ser usado regularmente (2 a 3 vezes por semana) para tratar o ressecamento contínuo, pois ele recupera a umidade natural da mucosa. Já o lubrificante é de uso imediato, servindo apenas para reduzir o atrito e a dor no momento da relação sexual.

    6. Por que o estresse piora tanto os sintomas da menopausa?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina no organismo, que desregulam ainda mais o termostato cerebral (piorando os fogachos), prejudicam a qualidade do sono e estimulam o corpo a estocar gordura na região da barriga.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    A Copa do Mundo é um dos eventos esportivos mais emocionantes do planeta e costuma mobilizar milhões de torcedores. Durante os jogos, principalmente nas partidas decisivas, é normal sentir o coração acelerar, ficar ansioso, nervoso, tenso ou extremamente eufórico a cada lance.

    Com tantos sentimentos intensos acontecendo ao mesmo tempo, é natural se perguntar se eles podem aumentar o risco de algum problema de saúde, como infarto ou AVC. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, as emoções, independente da origem, podem causar uma série de respostas ao organismo.

    “Em quem já tem alguma predisposição a ter alguma doença cardiovascular ou quem já tem doença cardíaca previamente, as emoções podem aumentar, no momento do pico da emoção, o risco de eventos cardíacos”, explica a especialista.

    Fortes emoções podem mesmo afetar o coração?

    As emoções intensas, independentemente de serem positivas ou negativas, podem funcionar como um gatilho para eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas que já possuem fatores de risco ou doenças cardíacas pré-existentes.

    O corpo humano não consegue diferenciar o estresse provocado por um jogo de futebol de uma situação de perigo real. Por isso, quando vivemos uma emoção muito forte, o cérebro envia um sinal de alerta que afeta diretamente o funcionamento do coração.

    Em pessoas saudáveis, as alterações costumam ser temporárias, mas em pessoas vulneráveis elas podem representar um risco adicional.

    O que acontece no corpo durante um momento de grande tensão ou euforia?

    Durante um momento de grande tensão, ansiedade ou euforia, Juliana explica que o cérebro avisa o sistema nervoso simpático, que é a parte do organismo responsável por reagir a situações de estresse. O sistema prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga, como se precisássemos fugir de uma ameaça física.

    Para preparar o corpo, ocorre uma liberação massiva de hormônios do estresse na corrente sanguínea, principalmente a adrenalina e a noradrenalina, que desencadeiam:

    • Frequência cardíaca mais acelerada, fazendo o coração bater mais rápido e provocando palpitações;
    • Pressão arterial mais elevada, devido à contração dos vasos sanguíneos para acelerar a circulação do sangue;
    • Aumento da força de contração do coração, que passa a trabalhar com mais intensidade;
    • Aumento da necessidade de oxigênio, já que o coração precisa de mais energia para sustentar o esforço extra.

    Em uma pessoa saudável, o corpo costuma lidar bem com esse pico de adrenalina e retorna ao normal pouco tempo após o fim do jogo.

    Mas, em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou alguma doença cardíaca, Juliana destaca que o aumento súbito da pressão arterial e dos batimentos cardíacos pode provocar o rompimento de uma dessas placas, causando um infarto, além de desregular o ritmo do coração e desencadear arritmias.

    Infarto ou AVC: qual é o maior risco durante o jogo?

    Segundo Juliana, o infarto é o maior risco e o evento cardiovascular mais comum durante um jogo de futebol.

    O aumento dos níveis de adrenalina provocado pela emoção altera diretamente a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de poder causar o rompimento de uma placa de gordura presente nas artérias. Quando isso ocorre, pode haver a obstrução do fluxo sanguíneo, levando ao infarto.

    O AVC também pode acontecer em situações de grande tensão emocional, mas é consideravelmente menos frequente. A associação entre emoções intensas e AVC costuma ocorrer principalmente em pessoas com pressão arterial descontrolada ou que apresentam alguma arritmia grave.

    Quem precisa ter cuidado redobrado em jogos emocionantes?

    Os grupos de pessoas que precisam de ter cuidados redobrados são:

    • Pessoas que já sofreram um infarto anteriormente;
    • Doentes com histórico de AVC;
    • Indivíduos diagnosticados com insuficiência cardíaca;
    • Pessoas que sofrem de arritmias cardíacas;
    • Pacientes com angina ou outras doenças coronárias conhecidas;
    • Hipertensos com a pressão arterial descontrolada;
    • Diabéticos;
    • Pessoas com níveis de colesterol alto e descontrolado;
    • Fumadores crónicos;
    • Pessoas com obesidade.

    Nesses casos, o estresse e a emoção do jogo podem representar uma sobrecarga maior para o coração. É importante ter atenção redobrada e seguir corretamente todas as orientações médicas para aproveitar as partidas com mais segurança.

    Sinais de alerta: quando a emoção vira uma emergência médica?

    É normal sentir o coração acelerar, ficar nervoso ou até suar mais durante um jogo decisivo, mas alguns sintomas podem indicar um problema de saúde mais sério, como:

    • Dor ou pressão no peito que não melhora com o passar dos minutos;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Suor excessivo acompanhado de desconforto no peito;
    • Náuseas ou enjoos associados à dor no peito;
    • Palpitações intensas ou sensação de que o coração está batendo de forma irregular;
    • Tontura, desmaio ou perda de consciência;
    • Dificuldade para falar ou para compreender o que as outras pessoas dizem;
    • Dor de cabeça muito forte e de início repentino.

    Caso qualquer um dos sintomas apareça durante ou após o jogo, o ideal é procurar atendimento médico imediatamente. Em situações como infarto ou AVC, agir rapidamente pode fazer toda a diferença no tratamento e na recuperação.

    Como torcer e curtir a Copa do Mundo em segurança?

    A emoção faz parte do esporte e da vida, mas alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos, especialmente para quem já tem alguma doença cardiovascular ou fatores de risco. Entre as principais, Juliana orienta:

    • Manter o tratamento médico em dia e seguir corretamente as orientações do profissional de saúde;
    • Não interromper nem suspender os medicamentos por conta própria;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, principalmente durante os jogos;
    • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
    • Controlar fatores de risco como pressão alta, diabetes e colesterol elevado;
    • Realizar consultas médicas regularmente para acompanhar a saúde cardiovascular.

    “A emoção faz parte da nossa vida, nós não temos como nos privar totalmente, mas cuidar da saúde de base, estar com todos os fatores controlados”, finaliza Juliana.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. De que forma a adrenalina afeta o sistema cardiovascular?

    A adrenalina faz o coração bater mais rápido (taquicardia), aumenta a força de contração do músculo cardíaco e estreita os vasos sanguíneos, o que provoca uma subida rápida da pressão arterial.

    2. O uso de calmantes naturais (como passiflora ou camomila) antes do jogo funciona?

    Sim, fitoterápicos à base de passiflora, valeriana ou camomila ajudam a modular o sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade de forma leve. Eles podem ser úteis para pessoas muito ansiosos, pois ajudam a evitar que a frequência cardíaca suba de forma tão abrupta.

    3. Energéticos misturados com álcool aumentam o risco cardíaco na hora do jogo?

    Muito, os energéticos contêm altas doses de cafeína e outros estimulantes que aceleram o coração. Quando misturados ao álcool, mascaram os efeitos de sonolência da bebida, fazendo com que a pessoa beba mais e exponha o coração a um duplo estresse: a arritmia induzida pela cafeína e a toxicidade do álcool.

    4. Por que ficar muito tempo sentado a ver o jogo também é perigoso?

    Ficar sentado imóvel por várias horas, especialmente se associado à desidratação e ao álcool, lentifica a circulação nas pernas, aumentando o risco de trombose venosa profunda (TVP). Se o coágulo se desprender, pode viajar até aos pulmões, causando uma embolia pulmonar. O ideal é levantar e caminhar um pouco no intervalo.

    5. Tomar uma aspirina (AAS) antes do jogo previne o infarto em quem é do grupo de risco?

    Não se deve fazer isso sem orientação médica. Embora a aspirina afine o sangue e previna coágulos, o uso preventivo por conta própria pode mascarar sintomas ou aumentar o risco de hemorragias (inclusive AVC hemorrágico), especialmente se a pressão arterial subir muito durante a partida.

    6. O que é a síndrome do coração partido e como ela se relaciona com o futebol?

    Também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição desencadeada por um forte estresse emocional. Ela causa sintomas semelhantes aos de um infarto, mas ocorre por uma alteração temporária no funcionamento do músculo cardíaco provocada pelo excesso de hormônios do estresse.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

  • Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    O DIU, ou dispositivo intrauterino, é um pequeno dispositivo em formato de T que é posicionado na cavidade uterina, atuando de maneira contínua para impedir a fecundação. Apesar de ser considerado um dos métodos contraceptivos mais seguros para prevenir a gravidez, ele não é totalmente isento de complicações.

    A perfuração uterina é uma ocorrência bastante rara, mas que pode ocorrer devido a fatores anatômicos individuais, infecções ativas ou alterações na própria espessura do órgão, comuns durante a amamentação e a menopausa.

    Normalmente, a complicação acontece no momento da inserção pelo médico, embora o dispositivo também possa migrar de forma tardia decorrente de contrações do próprio organismo.

    O DIU realmente pode perfurar o útero?

    O DIU realmente pode perfurar o útero, mas é uma complicação extremamente rara, ocorrendo em cerca de 1 a 2 casos a cada mil inserções. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a perfuração costuma acontecer durante o próprio procedimento de colocação do dispositivo, principalmente quando existem características anatômicas que tornam a inserção mais difícil.

    Durante a inserção, quando o colo do útero é muito estreito ou quando o útero apresenta um formato ou posicionamento que dificulta o procedimento, o aplicador pode exercer uma pressão excessiva sobre a parede uterina. Nesses casos, a direção da perfuração pode acompanhar a inclinação natural do útero, que tende a estar voltado para a frente ou para trás.

    Em situações ainda mais raras, a perfuração pode acontecer por migração tardia do DIU. Isso ocorre quando o dispositivo fica muito próximo da parede do útero e, ao longo do tempo, pequenas contrações naturais acabam promovendo um deslocamento gradual, fazendo com que ele penetre na musculatura uterina.

    Em quais situações a perfuração do útero pode acontecer?

    Os principais fatores de risco que aumentam as chances de uma perfuração uterina incluem:

    • Útero com aderências: condições como endometriose, doença inflamatória pélvica ou cicatrizes de cirurgias podem deixar o útero mais rígido e dificultar a inserção do DIU;
    • Menopausa e climatério: a redução dos hormônios pode tornar o útero menor e menos elástico, aumentando a delicadeza do procedimento;
    • Amamentação: durante a lactação, alterações hormonais podem deixar a parede do útero mais fina, elevando o risco de complicações na inserção;
    • Pós-parto recente: logo após o parto, o útero ainda está em recuperação e mais sensível, o que pode aumentar o risco de perfuração ou expulsão do DIU;
    • Infecções uterinas ativas: processos infecciosos podem deixar os tecidos mais frágeis e suscetíveis a lesões durante o procedimento.

    Como saber se o DIU perfurou o útero?

    O principal sinal de alerta para uma possível perfuração uterina é o desaparecimento do fio de controle do DIU. Quando ocorre a perfuração, o dispositivo pode atravessar a parede do útero e migrar para a cavidade pélvica ou abdominal, fazendo com que o fio deixe de ser visualizado pelo médico durante o exame ginecológico, segundo Andreia.

    Nem sempre a ausência do fio significa que houve uma perfuração, mas ela é um dos sinais que merecem investigação. Para realizar o diagnóstico, o ginecologista pode solicitar alguns exames:

    • Ultrassonografia pélvica ou transvaginal para verificar se o DIU continua dentro do útero;
    • Raio-X da pelve ou do abdômen caso o dispositivo não seja visualizado na ultrassonografia.

    Como o DIU possui uma estrutura radiopaca (visível ao raio-X), o exame consegue localizá-lo na cavidade abdominal, diferenciando a perfuração de uma simples expulsão inadvertida durante a menstruação.

    Quais são os sintomas de uma perfuração uterina?

    A perfuração uterina pode não causar sintomas imediatamente, e muitas mulheres não percebem que ela aconteceu. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

    • Cólica pélvica intensa e persistente, que não melhora com analgésicos comuns;
    • Sangramentos intensos, hemorrágicos ou escapes primitivos que ocorrem logo após o procedimento;
    • Dores profundas e desconforto na região pélvica durante ou após o contato íntimo.

    Em casos raros onde a perfuração causa uma infecção, podem surgir sintomas como febre, calafrios, mal-estar geral e corrimento vaginal com odor forte.

    O que acontece se o DIU perfurar o útero?

    O tratamento depende da extensão da perfuração e da localização do dispositivo. Andreia explica que o DIU que está deslocado ou fora do útero precisa ser removido. Quando se encontra na cavidade abdominal, ele deixa de exercer a sua função contraceptiva e passa a atuar como um corpo estranho, podendo provocar inflamações, aderências e, em alguns casos, infecções.

    Na maioria das situações, a retirada é feita por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdômen. Após a retirada do dispositivo, a maioria das mulheres se recupera completamente sem consequências para a fertilidade ou para a saúde reprodutiva.

    Se a paciente desejar continuar usando o método, um novo DIU pode ser inserido posteriormente, muitas vezes com o auxílio da histeroscopia, que permite a visualização direta da cavidade uterina para garantir o posicionamento adequado do dispositivo.

    Perfuração do útero por DIU deixa sequelas ou causa infertilidade?

    Na maioria dos casos, a perfuração uterina cicatriza espontaneamente. Como o útero é formado por uma musculatura espessa e resistente, a ginecologista explica que o próprio órgão tende a se contrair e fechar a pequena lesão, sem a necessidade de pontos.

    As complicações são incomuns, mas podem ocorrer se a perfuração atingir um vaso sanguíneo importante ou algum órgão próximo, o que exige avaliação e tratamento adequados. Quando tratada corretamente, a perfuração uterina normalmente não deixa sequelas e não costuma comprometer a fertilidade da mulher.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. O que acontece com o DIU depois que ele perfura o útero?

    Uma vez que ele atravessa a parede muscular, ele “cai” na cavidade pélvica ou abdominal. Ele pode ficar solto perto do útero, se alojar perto da bexiga ou do intestino, ou o próprio organismo pode criar uma capa de tecido inflamatório ao redor dele para tentar isolar o corpo estranho.

    2. O DIU perfurado perde o efeito anticoncepcional?

    Sim, perde totalmente. Para funcionar, o DIU (seja de cobre ou hormonal) precisa estar obrigatoriamente dentro da cavidade uterina, liberando íons ou hormônios no local correto para impedir a chegada dos espermatozoides. Na cavidade abdominal, ele não oferece nenhuma proteção contra a gravidez.

    3. Quanto tempo depois de uma perfuração posso colocar outro DIU?

    Geralmente, os médicos recomendam aguardar de 1 a 3 meses para que o útero esteja completamente cicatrizado e desinflamado.

    4. O que é um DIU “normoposicionado”?

    É o termo técnico que aparece no laudo do seu ultrassom para dizer que o DIU está no lugar perfeito. Significa que ele está centralizado dentro da cavidade do útero, com as hastes em formato de “T” voltadas para o fundo do órgão, garantindo 100% de sua eficácia.

    5. Posso fazer atividades físicas ou ter relações se suspeitar que o DIU deslocou?

    O ideal é repousar até consultar o médico. Se você estiver sentindo cólicas fortes, sangramento ou não achar o fio, suspenda atividades físicas intensas e relações sexuais.

    6. Usar DIU de cobre ou DIU hormonal (Mirena ou Kyleena) muda o risco de perfurar?

    Não, o tipo de DIU não altera o risco de perfuração. O risco está diretamente ligado ao formato do aplicador, à força mecânica utilizada e à anatomia do útero da paciente no momento da inserção.

    7. Há risco de o DIU perfurado se movimentar pelo corpo e chegar ao coração ou pulmão?

    Não, isso é um mito anatômico. O DIU não entra na corrente sanguínea. Uma vez que ele perfura o útero, ele fica restrito à cavidade peritoneal, que é o espaço dentro do abdômen que abriga os órgãos digestivos e pélvicos.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • 7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    Na hora de escolher o anticoncepcional, o ginecologista precisa considerar uma série de fatores para garantir que a opção escolhida seja a mais adequada para cada mulher. O ideal é encontrar um método que seja seguro, confortável e compatível com a rotina da paciente, reduzindo as chances de efeitos colaterais e aumentando a satisfação com o uso.

    Só que, no dia a dia, nem sempre a adaptação acontece da forma esperada e é comum conviver com efeitos colaterais que persistem mesmo depois do período inicial de adaptação, afetando a qualidade de vida e o bem-estar.

    Além disso, como os hábitos de vida e a saúde também podem mudar com o tempo, um anticoncepcional que funcionava bem deixou de ser a melhor opção. Nesses casos, é importante conversar com o ginecologista para reavaliar a escolha e verificar se vale a pena fazer algum ajuste ou trocar de método.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais sinais podem indicar que o anticoncepcional atual não está mais sendo a melhor alternativa para você. Confira!

    Sinais de que o método anticoncepcional não está adequado

    1. Náuseas e dores de cabeça constantes

    Se você sente enjoos ou dores de cabeça com frequência desde que começou a usar um anticoncepcional, pode ser um sinal de que o método não está se adaptando bem ao seu organismo. Os efeitos colaterais são relativamente comuns, mas eles não devem fazer parte da rotina.

    Segundo Andreia, em alguns casos, ajustes simples podem ajudar, como tomar o comprimido à noite, antes de dormir, para diminuir a percepção dos efeitos colaterais. No entanto, quando os sintomas persistem, a recomendação frequentemente é trocar o método anticoncepcional.

    2. Queda da libido

    Uma diminuição significativa do desejo sexual pode ocorrer com o uso de alguns métodos hormonais, como pílulas, injeções, implantes, anel vaginal e adesivos, devido às alterações nos níveis hormonais. Se isso estiver afetando o seu bem-estar ou os seus relacionamentos, vale a pena conversar com o ginecologista para avaliar outras opções.

    3. Sangramentos de escape frequentes

    Pequenos sangramentos fora do período menstrual podem acontecer com alguns métodos anticoncepcionais, principalmente aqueles que reduzem ou suspendem a menstruação. Normalmente, eles não representam nenhum problema de saúde, só que podem ser bastante incômodos quando persistem por muitos dias ou acontecem repetidamente.

    4. Dor ou desconforto durante a relação sexual

    Algumas mulheres podem perceber menos lubrificação vaginal após o início de determinados anticoncepcionais hormonais, o que pode tornar a relação sexual desconfortável ou até dolorosa. Caso isso aconteça com frequência, pode ser necessário avaliar outras opções.

    5. Esquecimentos frequentes da pílula

    Segundo Andreia, o melhor anticoncepcional é aquele que se encaixa na sua rotina. Se você costuma esquecer de tomar a pílula, por exemplo, a proteção contra a gravidez pode diminuir significativamente.

    Nesses casos, pode ser interessante conversar com o médico sobre métodos de longa duração, como o DIU ou o implante, que exigem menos cuidados diários.

    6. Mudanças intensas no humor

    Os hormônios presentes nos anticoncepcionais podem influenciar o humor de maneiras diferentes em cada pessoa. Andreia explica que, em geral, o bloco do eixo endócrino promovido pela pílula melhora a oscilação de humor, como nos casos de TPM.

    Contudo, algumas mulheres podem notar uma maior irritabilidade, tristeza, ansiedade ou sensação de apatia no dia a dia. Nesses casos, o médico pode orientar a troca se as mudanças estiverem afetando a qualidade de vida.

    7. Surgimento de novos problemas de saúde

    A saúde muda ao longo da vida, e um anticoncepcional que era adequado há alguns anos pode deixar de ser a melhor opção com o passar do tempo.

    O surgimento de condições como pressão alta, enxaqueca, diabetes ou obesidade, assim como o início do tabagismo, pode aumentar os riscos associados a determinados métodos contraceptivos, especialmente os hormonais.

    Por isso, é importante informar o ginecologista sobre qualquer mudança no seu estado de saúde durante as consultas de rotina.

    Qual o período de adaptação do organismo ao anticoncepcional?

    Os médicos costumam orientar que, sempre que possível, a mulher aguarde cerca de três meses antes de trocar o método anticoncepcional, de acordo com Andreia. É o período normal de adaptação do organismo, durante o qual muitos efeitos colaterais tendem a diminuir ou desaparecer.

    No entanto, não é necessário esperar pela consulta de rotina se aparecerem situações que precisem uma reavaliação mais rápida, como:

    • Efeitos colaterais intensos ou difíceis de tolerar;
    • Início de um medicamento de uso contínuo que possa interagir com o anticoncepcional e reduzir a sua eficácia;
    • Mudanças importantes no estado de saúde, como pressão alta, enxaqueca ou diabetes;
    • Dúvidas sobre a eficácia do método ou dificuldades para usá-lo corretamente.

    Dependendo da situação, pode ser necessário ajustar a dosagem hormonal, mudar a forma de uso ou até trocar o anticoncepcional por outro mais adequado ao perfil e às necessidades da paciente.

    Como escolher o método anticoncepcional ideal?

    A escolha do anticoncepcional deve levar em conta o histórico de saúde, o estilo de vida e as preferências de cada mulher. Segundo Andreia, costuma ser uma das primeiras conversas durante a consulta ginecológica, mesmo quando o objetivo é apenas um acompanhamento de rotina.

    O processo começa com uma avaliação completa da paciente, considerando fatores de risco, doenças já existentes, hábitos, rotina e vida sexual. Todas as informações ajudam a identificar quais métodos podem ser mais adequados e seguros para cada caso.

    Se não houver contraindicações, a paciente recebe orientações sobre as opções disponíveis, incluindo as vantagens, as desvantagens, a forma de uso e os possíveis efeitos colaterais. Como a maioria das mulheres não apresenta restrições importantes, a decisão final costuma ser compartilhada, levando em conta as necessidades, os planos reprodutivos e as preferências individuais.

    Em alguns casos, características da rotina também podem influenciar a recomendação. Por exemplo, mulheres que costumam esquecer a pílula podem se beneficiar de métodos de longa duração, como o DIU ou o implante.

    De acordo com Andreia, o método anticoncepcional deve ser reavaliado regularmente nas internacionais ginecológicas. Para auxiliar na escolha, os médicos utilizam os Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos, elaborados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    As diretrizes relacionam as condições de saúde da paciente às evidências científicas disponíveis para indicar quais métodos são mais seguros em cada situação.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. A escolha do anticoncepcional é baseada apenas na minha preferência?

    Não totalmente. Primeiro, o médico avalia quais métodos são seguros para você. Se não houver contraindicações, a escolha passa a ser feita de acordo com o seu estilo de vida, suas preferências e a facilidade de uso de cada método.

    2. Quais são os principais efeitos colaterais das pílulas anticoncepcionais orais?

    Como as pílulas orais precisam ser metabolizadas pelo fígado, os efeitos adversos mais comuns associados a elas incluem náuseas, dores de cabeça (cefaleia) e um aumento no risco de desenvolvimento de trombose.

    3. Sinto muitas náuseas ao tomar a pílula. Existe algo que eu possa fazer antes de mudar de método?

    Sim. Uma dica simples é mudar o horário da tomada para o período da noite, logo antes de dormir. Assim, você passa pelo pico de absorção do medicamento enquanto dorme, reduzindo a sensibilidade do organismo aos efeitos gastrointestinais. Se ainda assim persistir, a troca do método é recomendada.

    4. É verdade que o anticoncepcional diminui a libido?

    Sim, isso é muito comum em quase todos os métodos hormonais sistêmicos, como pílulas, injetáveis, anel vaginal, adesivos e implantes. Como os métodos agem inibindo a ovulação, eles acabam reduzindo os níveis de hormônios circulantes que estimulam o desejo sexual.

    5. Existe algum sintoma colateral que seja um sinal de alerta grave de saúde?

    Sintomas isolados provocados pelo anticoncepcional, como escapes ou dor de cabeça leve, não costumam ser graves. No entanto, sangramentos excessivamente intensos e dores agudas/fortes são sinais de alerta imediatos.

    6. O uso prolongado de anticoncepcional pode me deixar estéril?

    Não, a pílula ou outros métodos não prejudicam a fertilidade de base. Ao interromper o uso, o corpo volta a ter exatamente a fertilidade que você teria naturalmente para a sua idade e condição de saúde.

    7. Com que frequência devo avaliar se o meu método contraceptivo ainda é seguro?

    A avaliação deve ser feita em toda consulta ginecológica de rotina, que idealmente deve acontecer uma vez por ano.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • Qual o perigo do PMMA? O que você precisa saber antes de qualquer procedimento 

    Qual o perigo do PMMA? O que você precisa saber antes de qualquer procedimento 

    Nos últimos anos, o PMMA (polimetilmetacrilato) voltou a ganhar destaque após diversos casos de complicações graves relacionados a procedimentos estéticos. Embora o produto tenha aplicações médicas específicas e regulamentadas, o uso inadequado ou em grandes volumes tem sido associado a inflamações, deformidades, infecções e até situações potencialmente fatais.

    O tema costuma gerar dúvidas porque muitas pessoas confundem o PMMA com preenchedores mais modernos, como o ácido hialurônico. Existe, no entanto, uma diferença fundamental entre eles: enquanto alguns preenchedores são absorvidos pelo organismo ao longo do tempo, o PMMA é considerado um material permanente. Isso faz com que eventuais complicações possam ser mais difíceis de tratar e, em alguns casos, apareçam muitos anos após a aplicação.

    O que é o PMMA

    O PMMA (polimetilmetacrilato) é um material sintético composto por microesferas que permanecem no organismo após a aplicação.

    Quando injetado, ele estimula uma reação do corpo que leva à formação de tecido ao redor das microesferas, produzindo um efeito de preenchimento duradouro.

    Ao contrário de substâncias absorvíveis, o PMMA não é degradado naturalmente pelo organismo. Por isso, os efeitos tendem a ser permanentes, o material permanece no local aplicado e complicações podem surgir mesmo anos após o procedimento.

    Para que o PMMA foi desenvolvido

    O PMMA possui indicações médicas específicas e regulamentadas.

    Historicamente, foi utilizado em situações como:

    • Correção de defeitos teciduais selecionados;
    • Reconstruções em casos específicos;
    • Algumas indicações reparadoras.

    O uso de PMMA deve seguir critérios rigorosos e ser realizado por profissionais habilitados e treinados para esse tipo de procedimento.

    Por que o PMMA é diferente de outros preenchedores?

    A principal diferença está na permanência do produto no organismo.

    PMMA

    • Material permanente;
    • Não é absorvido pelo corpo;
    • Complicações podem ser difíceis de corrigir.

    Ácido hialurônico

    • Material absorvível;
    • É degradado gradualmente pelo organismo;
    • Possui opções de reversão em muitos casos.

    Essa diferença faz com que a abordagem diante de uma complicação seja bastante distinta.

    Quais são os principais riscos do PMMA?

    As complicações podem acontecer logo após a aplicação ou surgir muitos anos depois.

    Os problemas mais conhecidos são:

    • Inflamações crônicas;
    • Formação de nódulos;
    • Endurecimento dos tecidos;
    • Assimetrias;
    • Dor persistente;
    • Alterações estéticas permanentes.

    A gravidade varia conforme a quantidade aplicada, a região tratada e a resposta individual de cada organismo.

    O organismo pode rejeitar o PMMA?

    Não ocorre uma rejeição clássica como a observada em transplantes. O organismo, porém, pode desencadear reações inflamatórias importantes contra o material.

    Em alguns pacientes surgem estruturas chamadas granulomas, que são áreas de inflamação formadas ao redor do PMMA.

    Essas reações podem aparecer meses após a aplicação, anos depois do procedimento ou até mesmo décadas mais tarde. É por isso que uma pessoa pode permanecer sem sintomas por muito tempo e desenvolver complicações posteriormente.

    Complicações graves podem acontecer?

    Sim. Embora sejam menos frequentes, algumas complicações podem ter consequências importantes para a saúde.

    1. Necrose dos tecidos

    A necrose ocorre quando o fluxo sanguíneo de uma região é comprometido.

    Isso pode causar:

    • Morte dos tecidos;
    • Feridas graves;
    • Cicatrizes permanentes;
    • Deformidades.

    2. Infecções

    As infecções associadas ao PMMA podem ser particularmente difíceis de tratar porque o material permanece no organismo.

    Em alguns casos, são necessários:

    • Antibióticos prolongados;
    • Procedimentos cirúrgicos;
    • Múltiplas intervenções.

    3. Embolia

    Uma das complicações mais temidas acontece quando o produto atinge um vaso sanguíneo.

    Nessa situação pode ocorrer:

    • Obstrução da circulação;
    • Lesão dos tecidos;
    • Complicações sistêmicas graves.

    Dependendo da região afetada, a situação pode representar risco à vida.

    Por que algumas complicações aparecem anos depois?

    Diferentemente de substâncias absorvíveis, o PMMA permanece indefinidamente no organismo.

    Isso significa que processos inflamatórios podem surgir muito tempo após a aplicação.

    Alguns fatores que podem desencadear complicações tardias incluem:

    • Alterações imunológicas;
    • Infecções;
    • Traumas locais;
    • Respostas inflamatórias do organismo.

    Por esse motivo, pessoas que fizeram o procedimento devem informar esse histórico durante consultas médicas futuras.

    É possível remover o PMMA?

    A remoção completa costuma ser um dos maiores desafios. Dependendo da quantidade e da localização do produto:

    • Nem todo o material pode ser retirado;
    • Podem ser necessárias cirurgias complexas;
    • Múltiplos procedimentos podem ser necessários.

    Em alguns casos, a retirada total simplesmente não é possível sem causar danos significativos aos tecidos. Essa é uma das principais diferenças em relação aos preenchedores absorvíveis.

    PMMA e grandes volumes: por que o risco aumenta?

    O risco de complicações tende a crescer conforme aumenta a quantidade aplicada.

    Quando grandes volumes são utilizados, especialmente para aumento corporal, podem ocorrer:

    • Inflamações mais extensas;
    • Maior risco de infecção;
    • Deformidades;
    • Dificuldade ainda maior de remoção.

    Além disso, o tratamento de eventuais complicações costuma ser mais complexo.

    Quais sintomas após a aplicação merecem atenção?

    Procure avaliação médica se surgirem:

    • Dor intensa;
    • Vermelhidão progressiva;
    • Endurecimento da região;
    • Saída de secreção;
    • Febre;
    • Alterações na cor da pele;
    • Surgimento de nódulos;
    • Mudanças estéticas inesperadas.

    Esses sintomas podem surgir logo após a aplicação ou muitos anos depois.

    O que os médicos avaliam em pessoas que receberam PMMA?

    A investigação depende da região tratada e dos sintomas apresentados.

    Ela pode incluir:

    • Exame físico detalhado;
    • Ultrassonografia;
    • Ressonância magnética;
    • Tomografia em casos específicos;
    • Avaliação por cirurgia plástica;
    • Avaliação por especialistas em reconstrução.

    O objetivo é determinar a extensão do material e identificar possíveis complicações.

    PMMA é proibido?

    Não. O PMMA possui regulamentação para indicações específicas. O problema está principalmente no uso inadequado, em aplicações fora das recomendações ou em grandes volumes para fins estéticos.

    Por isso, é fundamental que qualquer procedimento seja realizado apenas por profissionais habilitados e dentro das indicações aprovadas.

    Leia também: Falta de sono pode te deixar mais doente

    Perguntas frequentes sobre PMMA

    1. O PMMA é absorvido pelo organismo?

    Não. Ele é considerado um material permanente.

    2. Toda pessoa que usa PMMA terá complicações?

    Não. Muitas pessoas nunca desenvolvem problemas, mas o risco existe e pode surgir anos depois.

    3. O PMMA é igual ao ácido hialurônico?

    Não. O ácido hialurônico é absorvido pelo organismo, enquanto o PMMA fica no corpo de forma permanente.

    4. É possível remover totalmente o PMMA?

    Nem sempre. A remoção completa pode ser muito difícil ou até impossível em alguns casos.

    5. As complicações podem aparecer anos depois?

    Sim. Existem relatos de complicações surgindo muitos anos após a aplicação.

    6. O PMMA pode causar infecção?

    Sim. Infecções podem ocorrer e, em alguns casos, são difíceis de tratar devido à presença permanente do material.

    7. Quando procurar um médico?

    Sempre que houver dor, inflamação, deformidades, endurecimento ou qualquer alteração na região onde o produto foi aplicado.

    Leia mais: Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

  • Exame mostrou plaquetas baixas? Saiba o que isso pode significar 

    Exame mostrou plaquetas baixas? Saiba o que isso pode significar 

    Receber o resultado de um exame de sangue mostrando plaquetas baixas pode gerar certa preocupação. Afinal, essas células são fundamentais para a coagulação e ajudam o organismo a controlar sangramentos quando ocorre algum ferimento.

    Apesar do susto inicial, nem toda redução das plaquetas significa uma doença grave. Em muitos casos, a alteração é temporária e está relacionada a infecções virais ou ao uso de determinados medicamentos.

    Por outro lado, algumas situações exigem investigação mais aprofundada para identificar problemas da medula óssea, doenças autoimunes ou outras condições que podem afetar a produção e a destruição dessas células.

    O que são as plaquetas

    As plaquetas são pequenas células presentes no sangue que desempenham papel essencial na coagulação. Quando ocorre um corte ou lesão em um vaso sanguíneo, elas ajudam a formar um tampão que reduz a perda de sangue e inicia o processo de cicatrização.

    Sem uma quantidade adequada de plaquetas, o organismo pode ter mais dificuldade para controlar sangramentos.

    O que significa ter plaquetas baixas

    A redução do número de plaquetas recebe o nome de trombocitopenia. Dependendo da intensidade da queda, podem surgir sintomas como:

    • Manchas roxas pelo corpo;
    • Sangramentos mais fáceis;
    • Hematomas após pequenos traumas;
    • Pequenos pontos vermelhos na pele.

    Em muitos casos, especialmente quando a redução é leve, a pessoa não apresenta nenhum sintoma e a alteração é descoberta apenas em exames de rotina.

    Quais são os valores considerados normais?

    De forma geral, considera-se normal uma contagem entre aproximadamente 150 mil e 450 mil plaquetas por microlitro de sangue.

    Quando os valores ficam abaixo desse intervalo, o médico avalia:

    • O grau da redução;
    • A velocidade da queda;
    • A presença de sintomas;
    • O histórico clínico do paciente.

    Nem toda trombocitopenia tem o mesmo significado clínico.

    Principais causas de plaquetas baixas

    Existem diversas situações que podem levar à redução das plaquetas.

    1. Infecções virais

    As infecções virais estão entre as causas mais comuns.

    Entre elas estão:

    • Dengue;
    • Covid-19;
    • Mononucleose;
    • Outras viroses.

    Nesses casos, a queda costuma ser temporária e tende a melhorar conforme a infecção é controlada.

    2. Uso de medicamentos

    Alguns remédios podem interferir na produção ou aumentar a destruição das plaquetas. Exemplos são:

    • Alguns antibióticos;
    • Heparina;
    • Certos anticonvulsivantes.

    Por isso, sempre é importante informar ao médico todos os medicamentos em uso.

    3. Doenças autoimunes

    Em algumas situações, o próprio sistema imunológico passa a destruir as plaquetas.

    Um exemplo clássico é a púrpura trombocitopênica imune (PTI).

    4. Problemas da medula óssea

    A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue. Doenças que afetam seu funcionamento podem reduzir a produção de plaquetas, incluindo algumas doenças hematológicas.

    5. Doenças do fígado e aumento do baço

    Algumas doenças hepáticas e alterações do baço podem provocar retenção ou destruição aumentada das plaquetas, levando à redução dos níveis circulantes.

    Plaquetas baixas sempre causam sintomas?

    Não. Os sintomas costumam surgir principalmente quando os níveis ficam muito baixos, geralmente abaixo de 20.000 a 50.000 plaquetas por microlitro, embora isso possa variar de uma pessoa para outra.

    Quando aparecem, os sinais mais comuns são:

    • Manchas roxas sem trauma evidente;
    • Sangramentos nasais;
    • Sangramento das gengivas;
    • Petéquias (pequenos pontos vermelhos na pele);
    • Menstruação excessiva.

    Quando as plaquetas baixas preocupam mais?

    O risco depende tanto do valor encontrado quanto da causa da trombocitopenia.

    Valores muito baixos aumentam a chance de:

    • Sangramentos espontâneos;
    • Hemorragias importantes;
    • Complicações hemorrágicas.

    Além disso, a presença de sintomas costuma ser tão importante quanto o número absoluto de plaquetas.

    Plaquetas baixas podem acontecer na dengue?

    Sim. A dengue é uma das causas mais conhecidas de trombocitopenia.

    Durante a fase crítica da doença, pode ocorrer uma redução significativa das plaquetas, motivo pelo qual o acompanhamento médico e os exames de sangue são tão importantes em alguns pacientes.

    No entanto, é importante lembrar que o risco de sangramento na dengue não depende apenas da contagem de plaquetas, mas também de outros fatores clínicos.

    Como os médicos investigam a causa?

    A investigação depende do contexto clínico e dos sintomas apresentados. Os exames podem envolver:

    • Repetição do hemograma;
    • Avaliação das demais células do sangue;
    • Testes para infecções;
    • Exames para doenças autoimunes;
    • Avaliação da medula óssea em situações específicas.

    O objetivo é identificar se o problema está na produção, destruição ou distribuição das plaquetas.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento varia conforme a causa da trombocitopenia.

    1. Apenas acompanhamento

    Em alguns casos leves e transitórios, pode ser necessário apenas monitorar os exames.

    2. Suspensão de medicamentos

    Quando a causa é um remédio, a interrupção ou substituição pode resolver o problema.

    3. Tratamento da doença de base

    Infecções, doenças autoimunes e outras condições devem ser tratadas adequadamente.

    4. Tratamentos específicos

    Algumas situações podem exigir medicamentos que reduzam a destruição das plaquetas ou estimulem sua produção.

    5. Transfusão de plaquetas

    Em casos graves, especialmente quando há sangramento importante, pode ser necessária a transfusão de plaquetas.

    Quando procurar atendimento urgente

    Procure atendimento médico imediato se houver:

    • Sangramentos importantes;
    • Sangue na urina;
    • Sangue nas fezes;
    • Dor de cabeça intensa associada a sangramentos;
    • Surgimento súbito de muitas manchas roxas;
    • Sangramento difícil de controlar.

    Esses sinais podem indicar uma situação que exige avaliação rápida.

    Confira: Por que não pode tomar AAS com dengue?

    Perguntas frequentes sobre plaquetas baixas

    1. Plaquetas baixas sempre indicam uma doença grave?

    Não. Muitas vezes a alteração é temporária e relacionada a infecções ou medicamentos.

    2. Dengue pode baixar as plaquetas?

    Sim. A dengue é uma das causas mais comuns de trombocitopenia temporária.

    3. Plaquetas baixas causam sangramentos?

    Podem causar, principalmente quando os valores estão muito reduzidos.

    4. Medicamentos podem reduzir as plaquetas?

    Sim. Alguns antibióticos, anticonvulsivantes e outros remédios podem estar envolvidos.

    5. Quando devo repetir o exame?

    Isso depende do valor encontrado, da causa suspeita e da orientação médica.

    6. Existe tratamento para plaquetas baixas?

    Sim. O tratamento depende da causa da trombocitopenia.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Sempre que houver plaquetas baixas associadas a sintomas, sangramentos ou alterações persistentes nos exames.

    Veja mais: Dengue: os sinais que indicam que a doença pode estar piorando

  • Falta de vitaminas pode causar doenças graves? Entenda os sinais de alerta

    Falta de vitaminas pode causar doenças graves? Entenda os sinais de alerta

    Cansaço constante, dificuldade de concentração, queda de cabelo e falta de disposição costumam ser sintomas atribuídos ao estresse ou à correria do dia a dia. Em alguns casos, no entanto, eles podem ser um sinal de que o organismo não está recebendo vitaminas e nutrientes essenciais para funcionar adequadamente.

    Embora pequenas deficiências nem sempre provoquem sintomas, quadros mais intensos ou prolongados podem afetar diferentes sistemas do corpo, incluindo o cérebro, os nervos, os músculos, os ossos e até a produção das células do sangue.

    Identificar e tratar deficiências vitamínicas é importante para evitar complicações potencialmente graves.

    O que acontece quando faltam vitaminas

    As vitaminas participam de inúmeras funções do organismo. Elas são fundamentais para:

    • Funcionamento do sistema nervoso;
    • Produção de células sanguíneas;
    • Funcionamento do sistema imunológico;
    • Metabolismo energético;
    • Saúde óssea.

    Cada vitamina exerce funções específicas. Por isso, os sintomas variam conforme o nutriente que está em falta.

    Além disso, a gravidade depende de fatores como:

    • Qual vitamina está deficiente;
    • Intensidade da deficiência;
    • Tempo de duração do problema;
    • Presença de outras doenças associadas.

    Em muitos casos, o organismo consegue compensar pequenas quedas inicialmente, o que explica por que algumas deficiências passam despercebidas durante meses ou até anos.

    Deficiências leves podem causar sintomas?

    Sim. Embora muitas deficiências leves sejam assintomáticas, algumas pessoas podem apresentar manifestações precoces, como:

    • Cansaço;
    • Queda de cabelo;
    • Alterações na pele;
    • Falta de disposição;
    • Dificuldade de concentração.

    Esses sintomas costumam ser inespecíficos e podem ter várias causas, o que torna a avaliação médica importante quando persistem.

    Quais vitaminas mais costumam causar sintomas importantes?

    Algumas deficiências são particularmente conhecidas por causar alterações significativas quando não tratadas.

    1. Vitamina B12

    A vitamina B12 é essencial para a formação das células sanguíneas e para o funcionamento adequado do sistema nervoso.

    Sua deficiência pode causar:

    • Anemia;
    • Formigamentos em mãos e pés;
    • Dormências;
    • Alterações neurológicas;
    • Problemas de memória;
    • Dificuldades cognitivas.

    Em alguns casos, os sintomas podem até ser confundidos com quadros demenciais.

    Quando a deficiência é prolongada e intensa, podem surgir danos neurológicos importantes.

    Nos casos mais graves, além da anemia, pode ocorrer redução global das células do sangue, incluindo:

    • Glóbulos vermelhos;
    • Glóbulos brancos;
    • Plaquetas.

    2. Vitamina D

    A vitamina D está diretamente relacionada ao metabolismo do cálcio e à saúde óssea. Níveis muito baixos podem provocar:

    • Dor muscular;
    • Fraqueza muscular;
    • Desmineralização óssea;
    • Maior risco de fraturas.

    Em casos prolongados, a deficiência pode comprometer significativamente a saúde dos ossos.

    3. Vitamina C

    A deficiência grave de vitamina C pode levar ao escorbuto, uma doença atualmente rara, mas ainda observada em situações específicas. Os sintomas podem incluir:

    • Sangramentos;
    • Gengivite;
    • Fraqueza;
    • Dificuldade de cicatrização;
    • Dores musculares;
    • Artrite;
    • Inchaço nas articulações.

    4. Tiamina (vitamina B1)

    A deficiência importante de vitamina B1 pode causar duas doenças clássicas:

    Beribéri

    Pode provocar:

    • Fraqueza muscular;
    • Perda de sensibilidade;
    • Formigamentos;
    • Comprometimento cardíaco;
    • Insuficiência cardíaca.

    Síndrome de Wernicke-Korsakoff

    Essa condição costuma ocorrer principalmente em pessoas com alcoolismo crônico ou após cirurgia bariátrica. Na fase aguda (encefalopatia de Wernicke), podem surgir:

    • Confusão mental;
    • Alterações neurológicas;
    • Problemas de coordenação.

    Na fase crônica (síndrome de Korsakoff), podem ocorrer:

    • Alterações importantes de memória;
    • Déficits cognitivos;
    • Apatia.

    Quando a deficiência se torna grave?

    O risco de complicações aumenta quando:

    • Os níveis vitamínicos estão muito baixos;
    • A deficiência persiste por longos períodos;
    • Existem doenças associadas;
    • Há dificuldade de absorção intestinal.

    Pessoas com doenças intestinais ou que passaram por cirurgia bariátrica merecem atenção especial, pois apresentam maior risco de desenvolver deficiências importantes.

    Quem tem maior risco de deficiência vitamínica?

    Alguns grupos são mais vulneráveis:

    • Idosos;
    • Pessoas com dietas muito restritivas;
    • Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica;
    • Pessoas com doenças intestinais;
    • Indivíduos com alcoolismo crônico.

    Nesses grupos, a investigação costuma ser mais frequente.

    Sintomas neurológicos podem acontecer?

    Sim. As deficiências mais importantes de vitaminas do complexo B, especialmente B1 e B12, podem provocar:

    • Dormências;
    • Formigamentos;
    • Alterações do equilíbrio;
    • Confusão mental;
    • Esquecimentos;
    • Alterações cognitivas.

    Quando não tratadas, algumas dessas alterações podem se tornar permanentes.

    Deficiência vitamínica pode causar anemia?

    Sim. Uma das manifestações mais conhecidas das deficiências nutricionais é a anemia. Os nutrientes mais relacionados a esse problema são:

    • Ferro;
    • Vitamina B12;
    • Ácido fólico.

    A anemia pode causar sintomas como:

    • Cansaço;
    • Falta de ar aos esforços;
    • Palidez;
    • Tonturas;
    • Redução da disposição física.

    Como os médicos investigam deficiência de vitamina

    A investigação depende dos sintomas apresentados e dos fatores de risco de cada pessoa.

    Ela pode incluir:

    • Exames de sangue;
    • Avaliação nutricional;
    • Pesquisa de doenças intestinais;
    • Investigação de problemas de absorção.

    Em alguns casos, exames de imagem podem ser necessários para investigar causas associadas.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da vitamina que está em falta e da gravidade da deficiência.

    1. Ajuste alimentar

    O primeiro passo costuma ser aumentar o consumo de alimentos ricos no nutriente deficiente.

    2. Suplementação

    Pode ser realizada:

    • Por via oral;
    • Por via injetável, quando necessário.

    A escolha depende da intensidade da deficiência e da capacidade de absorção do paciente.

    3. Tratamento da causa de base

    Quando existe uma doença que dificulta a absorção dos nutrientes, ela também precisa ser tratada. Isso é especialmente importante em casos de:

    • Doenças intestinais;
    • Cirurgia bariátrica;
    • Distúrbios de absorção.

    Tomar vitaminas sem necessidade faz bem?

    Não. O excesso de algumas vitaminas também pode causar problemas de saúde.

    Por isso, a suplementação deve ser feita preferencialmente com orientação de um profissional de saúde, que poderá indicar a dose adequada e o tempo necessário de tratamento.

    Quando procurar avaliação médica

    É importante buscar orientação médica quando houver:

    • Cansaço persistente;
    • Formigamentos;
    • Queda de cabelo importante;
    • Alterações neurológicas;
    • Dietas muito restritivas;
    • Histórico de cirurgia bariátrica;
    • Doenças intestinais.

    A investigação precoce pode evitar complicações e permitir tratamento antes que a deficiência se torne mais grave.

    Confira: Recebeu um exame com resultado limítrofe? Saiba o que isso realmente significa

    Perguntas frequentes sobre falta de vitaminas

    1. Falta de vitaminas pode causar sintomas graves?

    Sim. Algumas deficiências podem provocar anemia, alterações neurológicas, problemas ósseos e outras complicações importantes.

    2. Deficiência de vitaminas causa cansaço?

    Sim. O cansaço é um dos sintomas mais frequentes em diversas deficiências nutricionais.

    3. Vitamina B12 baixa pode afetar os nervos?

    Sim. A deficiência pode causar formigamentos, dormências e alterações neurológicas.

    4. Dietas restritivas aumentam o risco de deficiência vitamínica?

    Sim. Quanto mais restritiva a alimentação, maior o risco de falta de alguns nutrientes.

    5. Excesso de vitaminas pode fazer mal?

    Pode. Algumas vitaminas podem causar efeitos adversos quando consumidas em excesso.

    6. Toda deficiência aparece rapidamente nos exames?

    Não necessariamente. Algumas alterações podem demorar para se manifestar ou serem detectadas.

    7. Quando devo investigar uma possível deficiência vitamínica?

    Quando houver sintomas persistentes, fatores de risco ou suspeita de má absorção de nutrientes.

    Veja também: Ferritina baixa: por que ela pode causar tanto cansaço?

  • O que acontece com o corpo quando você não cuida da higiene do pênis? 

    O que acontece com o corpo quando você não cuida da higiene do pênis? 

    As consequências da falta de higiene íntima masculina não envolvem apenas o cheiro desagradável e o desconforto no dia a dia.

    Apesar de a saúde íntima masculina ainda ser cercada por muita desinformação e tabu, negligenciar a limpeza da região genital pode fazer o surgimento de diversos problemas de saúde, como irritações, infecções dolorosas, feridas e inflamações. Em situações mais graves, a falta de higiene também pode estar associada ao aumento do risco de câncer de pênis.

    A anatomia masculina, especialmente nos homens que não são circuncidados, facilita o acúmulo de secreções naturais, suor e resquícios de urina ou sêmen. Quando a região deixa de ser lavada adequadamente, o pênis se torna o ambiente ideal para a proliferação acelerada de fungos e bactérias.

    O que é o esmegma e por que ele se acumula?

    O esmegma é uma secreção natural do corpo humano, com aspecto esbrançado e consistência pastosa, composta pelo acúmulo de células mortas da pele, óleos produzidos pelas glândulas sebáceas da região e suor.

    Ele é produzido tanto por homens quanto por mulheres, mas, no caso dos homens, se acumula principalmente debaixo do prepúcio, que é a pele que cobre a cabeça do pênis. Ela é responsável especialmente por lubrificar a glande para evitar o atrito da pele, ajudando a proteger a região íntima de pequenos machucados e ressecamento.

    O problema acontece quando o esmegma não é removido corretamente durante a higiene íntima diária e, como o prepúcio forma uma região mais fechada, a secreção natural pode ficar acumulada no local.

    Com o passar do tempo, os resíduos entram em contato com bactérias e fungos que vivem naturalmente na pele, favorecendo o surgimento de mau cheiro, irritação e infecções na região íntima. O problema também afeta quem tem fimose, já que a dificuldade física de expor a glande impede que a higienização seja feita de forma adequada.

    Riscos de não lavar o pênis: o que acontece com o corpo?

    A pele do pênis é extremamente fina e sensível, o que significa que o contato prolongado com impurezas e microrganismos pode causar reações rápidas e bastante incômodas:

    1. Mau cheiro e proliferação de bactérias

    O pênis possui uma grande quantidade de glândulas de suor e gordura e, quando o suor, o esmegma e as células mortas se acumulam sem a limpeza adequada, as bactérias que vivem naturalmente na pele começam a se multiplicar na região.

    Com o tempo, os microrganismos passam a decompor os resíduos acumulados, liberando substâncias que causam um odor forte, azedo e persistente, que muitas vezes não melhora apenas com a troca da cueca. Quanto mais tempo a sujeira permanece no local, maior tende a ser a proliferação de bactérias.

    2. Balanite (inflamação da cabeça do pênis)

    A balanite acontece quando a glande, conhecida popularmente como cabeça do pênis, fica inflamada. Quando o prepúcio também é afetado, o quadro recebe o nome de balanopostite.

    O acúmulo de esmegma e resíduos pode irritar a pele da região, provocando sintomas como:

    • Vermelhidão intensa na glande;
    • Coceira e sensação de ardência;
    • Inchaço na pele do prepúcio;
    • Dor ou desconforto ao puxar a pele;
    • Pequenas rachaduras dolorosas.

    Sem o tratamento adequado, que pode incluir pomadas e melhora dos hábitos de higiene, a inflamação pode persistir e aumentar o risco de infecções mais graves.

    3. Candidíase masculina e outras infecções por fungos

    A candidíase masculina é uma infecção causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, que vive naturalmente no corpo sem provocar problemas na maior parte do tempo. Mas, quando existe um ambiente quente, úmido e com acúmulo de resíduos, o fungo pode se proliferar de maneira descontrolada.

    A infecção costuma afetar principalmente a glande e a região do prepúcio, causando sintomas como:

    • Vermelhidão na glande;
    • Coceira intensa;
    • Descamação da pele;
    • Ardência ao urinar ou após relações sexuais;
    • Secreção esbranquiçada e espessa.

    Em muitos casos, a secreção pode até ser confundida com o esmegma, mas costuma vir acompanhada de irritação, dor e bastante desconforto.

    4. Irritações e feridas na pele

    A falta de higiene íntima pode deixar a pele do pênis constantemente úmida e irritada. Com o acúmulo de suor, esmegma e bactérias, a região fica mais sensível e vulnerável a inflamações.

    Ao longo do tempo, podem surgir vermelhidão, ardência, coceira, pequenas rachaduras e feridas superficiais na pele, principalmente na glande e no prepúcio. Além do desconforto, as lesões facilitam a entrada de fungos e bactérias, aumentando o risco de infecções.

    5. Fimose adquirida

    A fimose é mais comum na infância, quando o menino nasce com a pele do prepúcio mais fechada, dificultando a exposição da glande. Mas, em alguns homens, as inflamações repetidas causadas pela falta de higiene podem levar ao endurecimento e estreitamento do prepúcio, dificultando a exposição da glande.

    A condição, conhecida como fimose adquirida, acontece porque a pele da região sofre pequenas cicatrizações após episódios frequentes de irritação e infecção. Com o tempo, o prepúcio perde a elasticidade natural e fica mais rígido, dificultando cada vez mais a retração da pele.

    Além de causar dor, desconforto nas ereções e dificuldade durante as relações sexuais, a fimose adquirida também dificulta a higiene íntima adequada, favorecendo o acúmulo de esmegma, bactérias e fungos na região.

    6. Infecções urinárias

    Apesar de menos frequentes nos homens, as infecções urinárias também podem acontecer quando existe excesso de bactérias na região íntima. A proximidade entre a pele contaminada e a uretra facilita a entrada dos microrganismos no trato urinário.

    Os sintomas mais comuns incluem:

    • Ardência ao urinar;
    • Vontade frequente de fazer xixi;
    • Dor ou desconforto na região genital;
    • Sensação de bexiga sempre cheia.

    Sem tratamento adequado, a infecção pode se espalhar para outras partes do sistema urinário e causar complicações mais sérias.

    7. Maior risco de câncer de pênis

    O câncer de pênis é um tipo raro de câncer que afeta a pele e os tecidos do pênis, acontecendo com mais frequência na glande, que é a cabeça do pênis, ou no prepúcio. A doença costuma se desenvolver lentamente e, quando descoberta no início, tem maiores chances de tratamento e cura.

    Apesar de incomum, o Ministério da Saúde aponta que alguns fatores aumentam o risco da doença, principalmente a má higiene íntima ao longo dos anos, a presença de fimose, o acúmulo de esmegma e infecções gerais e persistentes na região íntima, além da infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

    Os principais sinais do câncer de pênis são feridas ou úlceras que não cicatrizam, mas também podem surgir outros sintomas, como:

    • Caroços ou alterações na glande (cabeça do pênis);
    • Alterações na pele que cobre a cabeça do pênis;
    • Nódulos ou aumento anormal do tecido no corpo do pênis;
    • Secreção branca, como o esmegma em excesso;
    • Mau cheiro persistente;
    • Sangramento ou irritação constante.

    Ao perceber qualquer alteração na região íntima, é importante procurar um médico o quanto antes para avaliar a causa e iniciar o tratamento adequado, se necessário.

    Como lavar o pênis corretamente?

    A higiene íntima masculina deve ser feita todos os dias, durante o banho, para evitar o acúmulo de suor, esmegma, células mortas e bactérias na região íntima. O passo a passo é simples:

    • Puxe a pele do prepúcio com cuidado: se você não é circuncidado, o primeiro passo é puxar delicadamente a pele para trás até expor completamente a glande, que é a cabeça do pênis. Lavar apenas a parte externa não é suficiente, já que o esmegma costuma se acumular justamente abaixo do prepúcio;
    • Use água morna ou fria: deixe a água correr pela região para ajudar a soltar os resíduos acumulados. Evite água muito quente, pois ela pode ressecar e irritar a pele sensível da glande;
    • Aplique o sabonete suavemente: coloque um pouco de sabonete nas mãos, faça espuma e lave delicadamente a glande, o corpo do pênis, o saco escrotal e a região entre os testículos e o ânus. Evite esfregar com força, usar buchas ou unhas, porque o atrito excessivo pode causar pequenas lesões na pele;
    • Enxágue bem: remova completamente o sabonete com água corrente. Os resíduos de produto acumulados na região íntima podem provocar irritação, ardência e coceira;
    • Seque bem a região: depois da lavagem, use uma toalha limpa e macia para secar cuidadosamente toda a região íntima, sem esfregar. A umidade favorece a proliferação de fungos e bactérias, por isso é importante que a pele esteja completamente seca antes de colocar a cueca ou reposicionar o prepúcio sobre a glande.

    Como a pele da glande possui um pH específico e uma flora bacteriana natural que ajudam a proteger a região íntima, o ideal é usar sabonete neutro ou produtos específicos para a higiene íntima masculina.

    Também é importante evitar sabonetes bactericidas muito agressivos, já que eles podem irritar a mucosa sensível do pênis e desequilibrar a proteção natural da pele.

    Higiene pós-sexo e outros cuidados diários

    A saúde do pênis também depende de pequenos hábitos que evitam o acúmulo de umidade e a proliferação de microrganismos ao longo do dia, como:

    • Não durma sem lavar o pênis após a relação sexual, pois o sêmen, os fluidos vaginais ou anais e os resíduos da camisinha podem favorecer a proliferação de bactérias e fungos;
    • Se não for possível tomar banho imediatamente, use lenços umedecidos sem perfume e sem álcool para remover o excesso de fluidos até conseguir fazer a higiene adequada;
    • Faça xixi depois de transar, isso ajuda a eliminar bactérias que possam ter entrado na uretra durante a relação sexual, reduzindo o risco de infecções urinárias;
    • Troque a cueca todos os dias, pois repetir a mesma roupa íntima favorece o contato da pele com suor, bactérias e resíduos acumulados;
    • Prefira cuecas de algodão. Os tecidos sintéticos abafam a região íntima e aumentam a umidade local, enquanto o algodão ajuda a manter a pele mais ventilada e seca;
    • Ao urinar, tente puxar levemente o prepúcio para trás para evitar que gotas de urina fiquem acumuladas na pele. Se possível, seque delicadamente a ponta do pênis com papel higiênico.

    Quando procurar um urologista?

    A recomendação geral é realizar uma consulta de rotina anualmente, mas você deve agendar uma consulta imediatamente se notar qualquer um dos seguintes sinais de alerta:

    • Feridas, úlceras ou verrugas no pênis, mesmo sem dor ou coceira;
    • Manchas avermelhadas, esbranquiçadas ou escuras que não desaparecem após alguns dias de higiene adequada;
    • Coceira intensa e descamação;
    • Secreção com pus ou líquido com cheiro forte saindo pela uretra;
    • Dificuldade para puxar o prepúcio para trás;
    • Caroços, nódulos ou áreas endurecidas no pênis ou nos testículos.

    É importante destacar que alterações como mau cheiro persistente, feridas, coceira, dor ou secreções não devem ser vistas como motivo de vergonha, mas como sinais de que o corpo precisa de atenção. O urologista está acostumado a lidar diariamente com esse tipo de situação, e buscar ajuda cedo costuma tornar o tratamento mais simples e rápido.

    Por isso, tente encarar a consulta com a mesma naturalidade com que cuida de qualquer outra parte do corpo. Ignorar sintomas por constrangimento pode fazer com que infecções, inflamações e outras condições se agravem com o tempo.

    Confira: Micropênis existe mesmo? Saiba por que acontece e como é feita a avaliação

    Perguntas frequentes

    1. Quantas vezes por dia devo lavar o pênis?

    Uma vez por dia, durante o banho, é o suficiente para a maioria dos homens. No entanto, se você pratica atividades físicas intensas, sua muito ou tem relações sexuais, deve lavá-lo novamente após as atividades.

    2. Posso usar sabonete comum de barra para lavar a região?

    Pode, desde que seja um sabonete neutro ou de glicerina. Evite sabonetes comuns muito perfumados ou com ação bactericida intensa, pois eles podem ressecar a mucosa da glande e causar irritações.

    3. Homens circuncidados precisam lavar o pênis do mesmo jeito?

    Quem passou pela circuncisão (retirada do prepúcio) tem a glande constantemente exposta, o que reduz drasticamente o acúmulo de esmegma. Mesmo assim, a região precisa ser lavada diariamente com água e sabonete para remover o suor e resíduos de urina.

    4. O esmegma é uma IST (Infecção Sexualmente Transmissível)?

    Não. O esmegma é uma secreção totalmente natural do corpo, composta por células mortas, óleos da pele e suor. Ele não é transmissível, mas o seu acúmulo indica falta de higiene.

    5. Posso usar pomadas por conta própria se o pênis estiver vermelho?

    Não é recomendado. Usar pomadas de farmácia (como corticoides ou antifúngicos) por conta própria pode mascarar sintomas, piorar infecções bacterianas ou afinar a pele da região, tornando-a ainda mais frágil. Sempre consulte um médico.

    6. Como deve ser feita a higiene dos testículos (saco escrotal)?

    O saco escrotal possui muitas glândulas sebáceas e de suor. Ele deve ser lavado com água e sabonete, afastando as dobras da pele para limpar bem. A virilha e a região entre os testículos e o ânus (períneo) também devem receber a mesma atenção e ser muito bem secas.

    Leia também: Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer