A pré-menopausa, também chamada de perimenopausa, é a fase de transição natural do corpo feminino até a menopausa, quando a produção dos hormônios começa a oscilar, principalmente o estrogênio. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a mulher ainda menstrua, mas já passa por mudanças hormonais que podem causar alterações no ciclo.
O início nem sempre é óbvio, já que os sinais aparecem de forma gradual e podem ser confundidos com estresse ou mudanças da rotina. Ainda assim, alguns indícios ajudam a perceber que o corpo já entrou nessa fase. Vamos entender mais, a seguir.
Quando a perimenopausa começa?
A perimenopausa costuma iniciar entre os 40 e 50 anos, mas pode variar bastante de mulher para mulher. Em alguns casos, os primeiros sinais aparecem por volta dos 35 anos, enquanto em outros surgem mais próximos da menopausa.
Segundo Andreia, a perimenopausa não tem uma duração definida. Em algumas mulheres, a fase pode durar poucos meses, enquanto em outras pode se estender por anos, até que a menstruação pare de forma definitiva.
O mais importante no período é identificar quais sintomas aparecem, qual é a intensidade deles e de que forma eles impactam a rotina e a qualidade de vida.
Quais os principais sintomas de perimenopausa?
Os sintomas da perimenopausa variam de mulher para mulher, mas estão ligados principalmente às oscilações hormonais, especialmente do estrogênio. Eles podem surgir de forma gradual e mudar ao longo do tempo, sendo os principais:
- Mudanças de humor, incluindo irritabilidade, ansiedade ou maior sensibilidade emocional;
- Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
- Queda na produtividade;
- Irregularidade no ciclo menstrual, com atrasos, adiantamentos ou mudanças no fluxo;
- Ondas de calor (fogachos);
- Alterações no sono, como insônia ou despertares frequentes;
- Diminuição da lubrificação vaginal;
- Dor ou sensibilidade nos seios, inchaço abdominal e dor de cabeça.
Nem todos os sintomas aparecem ao mesmo tempo, e a intensidade pode variar bastante.
Como saber se a perimenopausa já começou?
O diagnóstico da perimenopausa é feito pelo médico ginecologista por meio da avaliação dos sintomas, como irregularidade menstrual, ondas de calor, mudanças no sono e no humor, que indicam que os hormônios já estão oscilando.
Em situações em que a menstruação não serve como referência, como após histerectomia (retirada do útero) ou uso de métodos que suspendem o ciclo (como DIU), Andreia explica que podem ser solicitados exames laboratoriais.
O principal é o FSH, um hormônio que tende a aumentar quando os ovários começam a funcionar de forma mais irregular. Quando o FSH aparece elevado de forma persistente, isso indica que o corpo está entrando na fase de transição.
O médico também pode pedir outros exames, como o estradiol, para complementar a avaliação e orientar o melhor cuidado para aliviar os sintomas.
É possível engravidar na perimenopausa?
A resposta é sim, é possível engravidar na perimenopausa. Mesmo com as oscilações hormonais e com a irregularidade da menstruação, a ovulação ainda pode acontecer, mesmo que de forma menos previsível.
Se não houver desejo de engravidar, é importante manter o uso de métodos contraceptivos até a confirmação da menopausa, que é feita 12 meses seguidos sem menstruar.
Quando procurar um médico?
A avaliação com um ginecologista é indicada quando:
- A menstruação começa a ficar muito irregular, com atrasos frequentes ou mudanças importantes no fluxo;
- Os sintomas passam a incomodar no dia a dia e atrapalhar as atividades;
- Há impacto no sono, na disposição ou na concentração;
- Surgem sintomas como ressecamento vaginal ou dor nas relações;
- Existe dúvida sobre se os sinais estão relacionados à pré-menopausa ou a outra condição;
- Há histórico familiar de menopausa precoce.
Vale destacar que se os sintomas (como ondas de calor e ausência de menstruação) surgirem antes dos 40 anos de idade, a busca por um médico ginecologista deve ser imediata.
Nesses casos, a transição hormonal precoce pode trazer riscos aumentados para a saúde óssea e cardiovascular, precisando de uma investigação mais detalhada para identificar a causa e avaliar a necessidade de reposição hormonal.
Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos
Perguntas frequentes
1. Qual a diferença entre climatério e perimenopausa?
Na prática, os termos são usados como sinônimos para descrever a fase de transição hormonal. O climatério é o período completo de mudanças que antecede e sucede a última menstruação, enquanto a pré-menopausa foca nos anos que levam à interrupção total do ciclo.
2. O que é menopausa precoce?
É quando a interrupção definitiva da menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade, podendo ser causada por fatores genéticos, doenças autoimunes ou tratamentos médicos.
3. Por que a libido diminui na perimenopausa?
A redução dos níveis de testosterona e estrogênio, somada ao cansaço e ao possível desconforto na relação (secura vaginal), contribui para a queda do desejo sexual.
4. Quando posso dizer que já entrei na menopausa?
A menopausa só é confirmada após a mulher passar 12 meses seguidos sem nenhuma menstruação. Antes disso, ela ainda está na fase de pré-menopausa ou climatério.
5. Pode usar apenas lubrificante para a secura vaginal?
O lubrificante ajuda no conforto durante a relação sexual, mas não trata a causa. Para melhorar a saúde do tecido vaginal a longo prazo, o médico pode indicar hidratantes vaginais de uso contínuo ou cremes de estrogênio local.
6. É verdade que a menopausa aumenta o risco de infarto?
Sim, o estrogênio exerce uma proteção natural sobre as artérias, ajudando a manter a elasticidade dos vasos e o bom colesterol (HDL). Com a sua queda definitiva na menopausa, o risco cardiovascular da mulher se equipara ao do homem, tornando o controle da pressão e do colesterol ainda mais vital.
7. Existem exames obrigatórios para quem já está na menopausa?
Sim. Além do preventivo e mamografia, é fundamental realizar a densitometria óssea (para checar a saúde dos ossos), o perfil lipídico completo e a avaliação da glicemia, já que o risco de diabetes tipo 2 também aumenta na fase.
