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  • Menopausa: 5 dúvidas que você provavelmente tem sobre o fim da fase reprodutiva

    Menopausa: 5 dúvidas que você provavelmente tem sobre o fim da fase reprodutiva

    Além do fim da menstruação, a menopausa envolve uma série de mudanças físicas, emocionais e hormonais que variam bastante de uma pessoa para outra. Enquanto algumas mulheres convivem com poucos sintomas, outras apresentam ondas de calor, alterações no sono, secura vaginal, mudanças de humor e até preocupações com a saúde dos ossos.

    No meio de tantas alterações, você pode ter dúvidas sobre o que realmente acontece com o corpo no fim da fase reprodutiva. Afinal, quem menstruou cedo entra na menopausa mais cedo? Quem usa anticoncepcional ou DIU hormonal consegue perceber quando a menopausa chegou?

    Para esclarecer algumas das perguntas mais frequentes, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos respostas para cinco dúvidas muito comuns sobre essa fase da vida. Confira!

    Dúvidas comuns sobre a menopausa

    1. A idade da primeira menstruação influencia a idade da menopausa?

    A relação entre a idade da primeira menstruação e a idade da menopausa não é bem definida e, segundo Andreia, o fator que mais influencia o momento é a genética. É mais comum que uma mulher entre na menopausa em uma idade parecida com a da mãe do que com base no tempo total em que menstruou ao longo da vida.

    Na prática, a ginecologista aponta que existem vários cenários possíveis: mulheres que menstruam cedo e chegam à menopausa mais tarde, mulheres que menstruam mais tarde e entram na menopausa precocemente, e muitas outras combinações.

    A reserva folicular, que representa a quantidade de folículos presentes nos ovários, também pode influenciar a idade da menopausa, mas a tendência familiar costuma ser o fator mais importante para determinar quando ela acontecerá.

    2. O risco de osteoporose aumenta em quanto tempo após a menopausa?

    Não existe um prazo exato para o surgimento da osteoporose após a menopausa, porque isso varia bastante de uma mulher para outra. Andreia explica que tanto homens quanto mulheres atingem o pico de massa óssea por volta dos 28 aos 30 anos e, a partir dessa fase, os ossos começam a perder densidade de forma lenta e gradual.

    A diferença é que, com a chegada da menopausa e a queda dos níveis de estrogênio, a perda óssea acelera significativamente nas mulheres, enquanto nos homens o processo costuma acontecer de maneira mais linear ao longo da vida.

    A velocidade com que a osteoporose se desenvolve depende da quantidade de massa óssea acumulada na juventude. As mulheres que atingiram um pico de massa óssea mais alto tendem a demorar mais para desenvolver a doença, enquanto aquelas com uma reserva óssea menor podem apresentar osteopenia ou osteoporose mais cedo, inclusive antes da menopausa.

    Para avaliar a saúde óssea, os médicos solicitam a densitometria óssea, exame que analisa dois parâmetros principais:

    • Z-score: compara a massa óssea da pessoa com a de indivíduos da mesma faixa etária e sexo;
    • T-score: compara a massa óssea atual com o pico de massa óssea de adultos jovens saudáveis, permitindo medir a perda óssea acumulada ao longo da vida.

    Vale destacar que, atualmente, o diagnóstico e a decisão de tratamento não se baseiam apenas na densitometria.

    A ginecologista esclarece que também são consideradas calculadoras de risco que combinam os resultados do exame com outros fatores, como baixo peso corporal, uso prolongado de corticosteroides, histórico familiar de fraturas, tabagismo e ocorrência prévia de fraturas.

    Quando o risco de fratura é considerado elevado, o tratamento pode ser indicado mesmo em pacientes que apresentam apenas osteopenia na densitometria.

    Com que frequência realizar a densitometria óssea?

    Se a primeira densitometria e os fatores de risco estiverem normais, o exame deve ser repetido a cada 2 anos durante a menopausa. Como a remodelação óssea é um processo lento, intervalos menores dificilmente mostrarão diferenças consideráveis.

    Intervalos mais curtos, como seis meses, costumam ser reservados para o acompanhamento da resposta ao tratamento em casos mais graves ou específicos, especialmente em pacientes que usam medicamentos como ácido zoledrônico ou denosumabe.

    3. Quem usa anticoncepcional contínuo ou DIU hormonal pode demorar para perceber que entrou na menopausa?

    O uso de anticoncepcionais hormonais pode dificultar a identificação da menopausa, uma vez que os métodos muitas vezes reduzem ou até suspendem os sangramentos menstruais.

    No entanto, eles não impedem o aumento do FSH (hormônio folículo-estimulante), que pode ser identificado por exames laboratoriais, nem evitam o surgimento dos sintomas do climatério.

    Se a mulher está na faixa etária em que a menopausa costuma acontecer, entre os 45 e 55 anos, e começa a apresentar sintomas como ondas de calor, mesmo sem menstruar por causa do método hormonal, o médico já pode suspeitar da menopausa. O mesmo ocorre com mulheres que retiraram o útero, mas mantiveram os ovários.

    Nesses casos, como a menstruação não pode ser usada como referência, é importante acompanhar regularmente os sintomas e realizar exames hormonais a partir dos 45 anos.

    3. A secura e a atrofia vaginal melhoram com o tratamento sistêmico ou apenas com o tópico?

    A reposição hormonal sistêmica costuma funcionar bem para aliviar sintomas como ondas de calor, suores noturnos e alterações do sono. Já para a secura vaginal e a atrofia dos tecidos da região íntima, a resposta costuma ser mais limitada, segundo Andreia.

    5. Existe algum risco em interromper a reposição hormonal de uma vez? É possível voltar a usar depois?

    Na maioria dos casos, a reposição hormonal pode ser interrompida sem necessidade de reduzir a dose aos poucos. A interrupção normalmente acontece porque surgiu alguma contraindicação médica ou porque a própria paciente decidiu parar o tratamento.

    Quando a suspensão ocorre por escolha da mulher, é comum que o médico acompanhe a evolução dos sintomas nos meses seguintes. Se as ondas de calor, a insônia ou outros desconfortos voltarem de forma intensa, Andreia destaca que pode ser discutida a possibilidade de retomar a terapia.

    Por outro lado, quando a interrupção acontece devido ao surgimento de fatores de risco, como trombose, determinadas doenças cardiovasculares ou alguns tipos de câncer, a reintrodução dos hormônios normalmente não é recomendada.

    Quando a reposição hormonal pode ser iniciada?

    Atualmente, os médicos consideram a chamada janela de oportunidade, que é o período em que a reposição hormonal costuma trazer mais benefícios do que riscos. O tratamento é mais indicado quando iniciado nos primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos 65 anos.

    Depois do período, os riscos relacionados ao uso dos hormônios tendem a aumentar, enquanto os benefícios diminuem, principalmente em relação à proteção dos ossos. Por isso, a decisão de iniciar ou manter a reposição hormonal nessa fase deve ser avaliada caso a caso, sempre com acompanhamento médico.

    Perguntas frequentes

    1. O que define exatamente o momento da menopausa?

    A menopausa é um diagnóstico retrospectivo, confirmado quando a mulher passa 12 meses consecutivos sem menstruar, sem que haja outra causa aparente, como gravidez, uso de medicamentos ou doenças.

    2. Com qual idade ela costuma acontecer?

    Normalmente, a menopausa aparece entre os 45 e 55 anos, sendo a média por volta dos 50 anos.

    3. O que é menopausa precoce?

    É quando a falência ovariana ocorre antes dos 40 anos. Ela pode ser espontânea ou causada por cirurgias, quimioterapia ou doenças autoimunes.

    4. A menopausa engorda?

    A queda hormonal e o envelhecimento natural desaceleram o metabolismo, facilitando o ganho de peso e mudando a distribuição da gordura para a região abdominal.

    5. Como o sono é afetado na menopausa?

    Os suores noturnos interrompem o sono várias vezes, causando insônia e cansaço crônico no dia seguinte.

    6. Ainda é possível engravidar no climatério?

    Sim, enquanto a menopausa não for oficialmente confirmada (12 meses seguidos sem menstruar), ainda pode haver ovulações esporádicas, então os métodos contraceptivos continuam necessários.

    7. Quanto tempo duram os sintomas?

    Varia muito. Em média, os sintomas duram de 4 a 5 anos, mas algumas mulheres podem ter ondas de calor por uma década ou mais.

    8. Existe alguma relação entre menopausa e dores nas articulações?

    Sim, o estrogênio age como um anti-inflamatório natural nas articulações. Sem ele, é comum surgir rigidez e dor nos joelhos, mãos e ombros.

  • Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    A menopausa é o marco natural do fim do período reprodutivo da mulher, acontecendo normalmente entre os 45 e 55 anos de idade, mas ela também faz parte de um processo de transição que se estende ao longo de vários anos.

    Após a última menstruação, o corpo entra em uma nova fase chamada pós-menopausa, marcada principalmente pela queda significativa nos níveis de estrogênio, um hormônio que influencia diversas funções do organismo.

    Durante os anos anteriores, conhecidos como perimenopausa, os níveis hormonais costumam oscilar bastante, provocando sintomas como ondas de calor, alterações de humor e irregularidade menstrual. Quando a menopausa é confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar, as oscilações tendem a diminuir, mas o organismo ainda precisa de tempo para se adaptar ao novo equilíbrio hormonal.

    As alterações hormonais impactam diretamente diferentes partes do corpo, incluindo os ossos, os músculos, o coração, a pele, o cérebro e o metabolismo. Algumas mudanças acontecem de forma gradual e quase imperceptível, enquanto outras são mais evidentes no dia a dia.

    A seguir, com o apoio da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, listamos as principais mudanças que ocorrem no corpo após a menopausa e o que você pode fazer, na prática, para evitar ou reverter cada uma delas.

    Quais mudanças podem acontecer no corpo após a menopausa?

    1. Ondas de calor e suor noturno (fogachos)

    As ondas de calor e os suores noturnos são os sintomas mais frequentes da pós-menopausa e afetam cerca de 80% das mulheres no período.

    Elas costumam se manifestar como uma sensação súbita e intensa de calor que começa no peito, sobe para o pescoço e rosto, e muitas vezes vem acompanhada de vermelhidão na pele, batimentos cardíacos acelerados e suor excessivo.

    Segundo Andreia, por causa da redução dos níveis hormonais, acontece uma desregulação do sistema responsável pelo controle da temperatura corporal, localizado no sistema nervoso central.

    Como resultado, o organismo passa a interpretar pequenas variações de temperatura como se o corpo estivesse superaquecido, desencadeando mecanismos para dissipar o calor, como a dilatação dos vasos sanguíneos e o aumento da produção de suor.

    Como evitar ou aliviar os fogachos?

    Nem sempre é possível evitar completamente os fogachos, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises, como:

    • Evitar o consumo de pimenta, cafeína e bebidas alcoólicas para não estimular a dilatação dos vasos sanguíneos;
    • Vestir-se em camadas com roupas de tecidos leves e naturais para facilitar a adaptação às mudanças de temperatura;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Manter o quarto bem ventilado e com lençois frescos para reduzir o impacto do suor durante a noite;
    • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou exercícios de respiração.

    Nos casos em que os sintomas são mais intensos e interferem na qualidade de vida, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal para reequilibrar os níveis de estrogênio no cérebro. Contudo, ele deve ser avaliado individualmente pelo ginecologista, levando em conta o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher.

    2. Ganho de peso e aumento da gordura na barriga

    Durante a vida reprodutiva, os hormônios femininos determinam uma distribuição de gordura mais periférica, fazendo com que a mulher acumule mais gordura no tecido subcutâneo, que fica logo abaixo da pele (principalmente nos quadris, coxas e nádegas).

    Já os homens têm uma tendência natural a acumular gordura na região visceral, que fica entre os órgãos internos, resultando no aumento do abdômen.

    Com a chegada da pós-menopausa, Andreia explica que a queda acentuada nos níveis de estrogênio altera o metabolismo e a composição corporal da mulher. O organismo passa a redistribuir a gordura de forma semelhante ao padrão masculino, concentrando o acúmulo na região da cintura.

    O problema é que a gordura visceral é metabolicamente ativa e inflamatória, favorecendo a formação de placas de gordura que podem obstruir os vasos sanguíneos, além de elevar as chances de desenvolvimento de resistência à insulina, diabetes e colesterol alto.

    Como evitar o acúmulo de gordura abdominal?

    Iniciar a terapia de reposição hormonal quando indicada pelo médico pode ajudar a conter a redistribuição de gordura para o abdômen, mas outras medidas também são importantes, como:

    • Praticar treinos de força regularmente para acelerar o metabolismo basal e aumentar o gasto calórico diário do corpo;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar para evitar picos de insulina que favorecem o estoque de gordura na barriga;
    • Adotar uma dieta baseada no estilo Mediterrâneo com foco em grãos integrais, vegetais, leguminosas e gorduras boas como o azeite;
    • Ajustar a ingestão calórica diária às necessidades atuais do organismo para compensar a desaceleração natural do metabolismo com a idade;
    • Priorizar o consumo de proteínas magras em todas as refeições para aumentar a saciedade e preservar a massa magra durante o processo de emagrecimento.

    3. Perda de massa muscular (sarcopenia)

    A perda de massa muscular é um processo natural do envelhecimento conhecido como sarcopenia. A partir dos 30 anos, o corpo humano passa a perder cerca de 1% de massa muscular ao ano de forma gradual.

    De acordo com Andreia, isso significa que, ao chegar aos 40 ou 50 anos, a mulher já pode ter perdido uma parcela significativa da musculatura sem perceber.

    Como o estrogênio tem um papel importante na manutenção da massa muscular e na recuperação dos tecidos, a queda nos níveis que acontece na menopausa pode favorecer a diminuição da força, da massa magra e do desempenho físico.

    Campanha lembrar que os músculos ajudam o corpo a gastar energia ao longo do dia, mesmo quando estamos em repouso. Eles também utilizam parte da glicose que circula no sangue para produzir energia. Manter uma boa quantidade de massa muscular é necessário para o controle dos níveis de açúcar no sangue e ajuda a reduzir o risco de problemas como a resistência à insulina e o diabetes tipo 2.

    Como reverter a perda de músculos após a menopausa?

    É possível recuperar parte da musculatura e preservar a força com algumas mudanças na rotina, como:

    • Praticar exercícios de força como musculação, pilates ou calistenia de forma regular para dar o estímulo mecânico necessário para a construção e recuperação dos músculos;
    • Consumir uma quantidade adequada de proteínas de alto valor biológico nas refeições diárias para fornecer a matéria-prima essencial para a síntese de novas fibras musculares;
    • Manter a constância nos treinos de resistência para garantir um metabolismo basal mais acelerado e um gasto calórico diário protetor;
    • Buscar a orientação conjunta de um profissional de educação física e de um nutricionista para alinhar a intensidade dos treinos ao aporte de nutrientes e calorias necessários.

    Mesmo depois da menopausa, o organismo continua capaz de ganhar força e massa muscular quando recebe os estímulos adequados.

    4. Enfraquecimento dos ossos (osteopenia e osteoporose)

    O estrogênio é um dos principais hormônios responsáveis por manter o equilíbrio da remodelação óssea, ajudando a reduzir a reabsorção do osso e a preservar a sua densidade. Com a queda acentuada dos níveis hormonais após a menopausa, a perda óssea se torna mais rápida, especialmente nos primeiros anos, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose, segundo Andreia.

    A osteopenia é considerada uma fase inicial de perda óssea. Já a osteoporose ocorre quando a redução da densidade óssea é mais intensa, aumentando significativamente o risco de fraturas, principalmente na coluna, no quadril e nos punhos.

    Além da menopausa, fatores como sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio e histórico familiar também podem contribuir para o enfraquecimento dos ossos.

    Como proteger os ossos e evitar fraturas?

    Entre as medidas que ajudam a preservar a saúde óssea ao longo dos anos, é possível destacar:

    • Realizar o exame de densitometria óssea periodicamente a partir da menopausa para monitorar a densidade dos ossos e flagrar o desgaste logo no início;
    • Praticar exercícios de força e de impacto controlado como musculação ou caminhadas para gerar estímulo mecânico que induz as células a produzirem mais massa óssea;
    • Garantir uma ingestão diária adequada de alimentos ricos em cálcio como iogurte, queijos magros, gergelim e vegetais de folhas escuras;
    • Manter os níveis de vitamina D adequados no sangue por meio da exposição solar segura ou de suplementação orientada pelo médico para garantir a absorção correta do cálcio no intestino;
    • Avaliar com o ginecologista o uso da terapia de reposição hormonal como forma de interromper o desgaste ósseo acelerado provocado pela falta de estrogênio;
    • Adotar medidas de segurança em casa como evitar tapetes soltos e melhorar a iluminação dos ambientes para prevenir quedas e fraturas de alto risco.

    5. Ressecamento vaginal e dor na relação

    A queda acentuada do estrogênio após a menopausa afeta diretamente a saúde íntima da mulher e pode levar ao desenvolvimento da síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

    Os tecidos da vulva, da vagina, da uretra e da bexiga dependem da ação do hormônio para manter a hidratação, a elasticidade e o funcionamento adequados. Com a redução dos níveis de estrogênio, o revestimento vaginal se torna mais fino, menos elástico e menos lubrificado.

    Como resultado, a mulher pode apresentar ressecamento vaginal, coceira, ardência, irritação e desconforto na região íntima. Durante as relações sexuais, a diminuição da lubrificação natural pode causar dor, sensação de atrito e até pequenas lesões na mucosa vaginal.

    A redução da proteção natural dos tecidos também pode favorecer sintomas como urgência para urinar, aumento da frequência urinária, infecções urinárias recorrentes e, em alguns casos, incontinência urinária.

    Como reverter o ressecamento e o desconforto íntimo?

    Nos casos mais leves, o uso regular de hidratantes vaginais pode ajudar a restaurar a hidratação dos tecidos e aliviar o ressecamento. Já os lubrificantes íntimos podem reduzir o atrito e o desconforto durante as relações sexuais.

    Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, o ginecologista pode indicar o uso de estrogênio vaginal em creme, comprimidos ou óvulos. Como o tratamento age diretamente na região afetada, ele ajuda a recuperar a espessura, a elasticidade e a lubrificação natural da mucosa vaginal.

    No dia a dia, algumas medidas simples podem contribuir para o conforto íntimo, como:

    • Usar lubrificantes à base de água ou de silicone no momento da relação sexual para reduzir o atrito e evitar dores ou lesões na mucosa;
    • Manter a frequência de atividades sexuais ou estímulos locais para favorecer a circulação sanguínea na região pélvica e ajudar a preservar a elasticidade dos tecidos;
    • Higienizar a região íntima apenas com água ou sabonetes suaves de pH neutro para não agredir ou ressecar ainda mais a mucosa fragilizada;
    • Praticar exercícios de fisioterapia pélvica para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e melhorar a sustentação dos órgãos urinários e genitais.

    6. Insônia e alterações no sono

    A dificuldade para pegar no sono, os despertares frequentes no meio da noite e a sensação de não ter descansado o suficiente estão diretamente ligados às mudanças hormonais da pós-menopausa. A queda do estrogênio interfere na regulação de neurotransmissores como a serotonina e a melatonina, que são importantes para o controle do ciclo do sono.

    O ciclo de noites mal dormidas eleva os níveis de cortisol, que pode desencadear uma série de alterações no organismo, como:

    • Aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar e gordura;
    • Maior tendência ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura abdominal;
    • Mais dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue;
    • Alterações nos níveis de colesterol;
    • Cansaço físico e mental durante o dia;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Com o passar do tempo, a privação de sono pode afetar o bem-estar físico e emocional, tornando ainda mais importante identificar e tratar a causa do problema

    Como combater a insônia na pós-menopausa?

    Para restabelecer a qualidade do descanso e quebrar o ciclo do estresse, são indicadas algumas medidas práticas, como:

    • Manter horários consistentes para deitar e acordar todos os dias para ajudar o relógio biológico a se reorganizar;
    • Evitar o uso de telas de celulares, tablets ou televisão na cama antes de dormir para não bloquear a produção natural de melatonina pela luz azul;
    • Reduzir o consumo de alimentos pesados, cafeína e bebidas alcoólicas no período da noite para evitar digestões difíceis e picos de calor residual;
    • Criar um ambiente escuro, silencioso e com temperatura amena no quarto para favorecer o relaxamento profundo e evitar despertares por calor;
    • Praticar técnicas de relaxamento ou meditação antes de deitar para diminuir os níveis de estresse e desacelerar os pensamentos antes de dormir.

    7. Aumento do risco de doenças cardiovasculares

    Durante a vida reprodutiva, o estrogênio contribui para manter os vasos sanguíneos mais flexíveis e participa do equilíbrio da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Após a menopausa, é comum ocorrer um aumento do colesterol LDL (o chamado colesterol ruim), além de uma maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.

    As mudanças podem favorecer o desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC, especialmente quando estão associadas a outros fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo, obesidade, diabetes ou histórico familiar de doenças cardíacas.

    Como proteger a saúde cardiovascular?

    Muitas das mudanças que aumentam o risco cardiovascular podem ser controladas com acompanhamento médico regular e hábitos saudáveis, como:

    • Praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular;
    • Manter um peso adequado, especialmente evitando o acúmulo excessivo de gordura abdominal;
    • Priorizar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, frituras e produtos ricos em açúcar;
    • Não fumar;
    • Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
    • Dormir bem e cuidar da qualidade do sono;
    • Controlar o estresse sempre que possível;
    • Monitorar regularmente a pressão arterial, a glicemia e os níveis de colesterol;
    • Realizar consultas médicas e exames de rotina periodicamente.

    Quando a reposição hormonal é indicada para reverter os sintomas?

    A terapia de reposição hormonal pode ser indicada quando os sintomas da menopausa afetam significativamente a qualidade de vida da mulher.

    Além do alívio dos sintomas, o médico também pode recomendar o tratamento como uma estratégia preventiva para reduzir a perda óssea acelerada, ajudando a prevenir a osteoporose, e para auxiliar no controle do perfil metabólico e dos níveis de colesterol.

    No entanto, a reposição hormonal não é indicada para todas e, antes de iniciar o tratamento, é necessário realizar uma avaliação individualizada, considerando fatores como a idade, o tempo desde a menopausa, o histórico médico pessoal e familiar e os possíveis fatores de risco cardiovasculares.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. É normal engordar na pós-menopausa mesmo comendo a mesma coisa de antes?

    Sim. Com o envelhecimento e a queda do estrogênio, o metabolismo desacelera naturalmente. Além disso, o corpo perde massa muscular (que gasta mais energia). Por isso, manter a mesma dieta que você tinha aos 30 anos fará o peso subir aos 50.

    2. Quanto tempo duram os fogachos e as ondas de calor?

    O tempo é muito individual. Na maioria das mulheres, as ondas de calor duram entre 2 e 5 anos, mas algumas mulheres podem continuar sentindo os sinais por 10 anos ou mais se não houver intervenção médica.

    3. A reposição hormonal engorda?

    Não. A terapia de reposição hormonal clássica ajuda a frear a redistribuição de gordura para a barriga e melhora o metabolismo. O ganho de peso está associado ao envelhecimento natural e à perda de massa muscular, e não ao uso dos hormônios.

    4. Dá para recuperar a massa muscular perdida após os 50 anos?

    Sim, pois o músculo mantém a capacidade de responder a estímulos em qualquer idade.Mulheres que começam a fazer musculação ou pilates na pós-menopausa conseguem ganhar força e ter uma composição corporal melhor do que tinham na juventude.

    5. Qual a diferença entre hidratante vaginal e lubrificante?

    O hidratante vaginal deve ser usado regularmente (2 a 3 vezes por semana) para tratar o ressecamento contínuo, pois ele recupera a umidade natural da mucosa. Já o lubrificante é de uso imediato, servindo apenas para reduzir o atrito e a dor no momento da relação sexual.

    6. Por que o estresse piora tanto os sintomas da menopausa?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina no organismo, que desregulam ainda mais o termostato cerebral (piorando os fogachos), prejudicam a qualidade do sono e estimulam o corpo a estocar gordura na região da barriga.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Menopausa: conheça os cuidados com o coração nessa fase da vida 

    Menopausa: conheça os cuidados com o coração nessa fase da vida 

    A menopausa é definida pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos e acontece, normalmente, entre os 45 e 55 anos de idade. Nesse período da vida, o corpo passa por alterações hormonais significativas (em especial, a queda do estrogênio), que afetam o metabolismo, os ossos, o humor e, principalmente, a saúde do coração.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), são a principal causa de morte entre as mulheres após a menopausa. O risco aumenta justamente porque, com a queda hormonal, o organismo perde parte da proteção natural que tinha durante a fase reprodutiva.

    Por isso, especialistas destacam a importância do acompanhamento médico regular, de exames preventivos e da adoção de hábitos saudáveis.

    Por que a menopausa aumenta o risco de doenças do coração?

    A menopausa provoca uma série de mudanças no corpo que impactam diretamente o coração. Primeiramente, o estrogênio, principal hormônio feminino, exerce um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular. Ele ajuda a manter as artérias flexíveis, regula o colesterol e contribui para o equilíbrio da pressão arterial. Quando o hormônio diminui, o risco de desenvolver doenças do coração aumenta.

    “Com a queda do estrogênio, há piora do perfil do colesterol (aumento do LDL e redução do HDL), aumentando a aterosclerose, assim como aumento da gordura visceral, ganho de peso, resistência à insulina e rigidez dos vasos. Com isso, o risco para doenças cardiovasculares sobe”, explica Giovanni Henrique Pinto, cardiologista e cardio-oncologista do Hospital Albert Einstein.

    Vale lembrar que, muitas vezes, o impacto não acontece de imediato, mas ao longo de anos, o que torna a prevenção ainda mais importante.

    Sintomas cardíacos que merecem atenção após a menopausa

    Pode ser difícil identificar sinais de alerta para problemas cardiovasculares, uma vez que eles podem ser confundidos com os efeitos comuns da menopausa, como insônia e palpitações.

    Segundo o Giovanni Henrique Pinto, é importante não ignorar manifestações como:

    • Dor ou pressão no peito, podendo aparecer também como queimação ou dor nas costas, nos braços ou na mandíbula;
    • Falta de ar em atividades simples;
    • Palpitações frequentes;
    • Tontura ou desmaios;
    • Inchaço nas pernas;
    • Cansaço desproporcional ao esforço.

    Se os sintomas surgirem, é importante procurar atendimento médico para descartar a possibilidade de doenças cardíacas.

    Quais hábitos podem ajudar a proteger o coração na menopausa?

    O estilo de vida continua sendo a melhor forma de reduzir riscos, e mesmo em rotinas mais agitadas, incluir alguns hábitos é necessário para manter a saúde. Segundo orientações do Ministério da Saúde e do cardiologista Giovanni Henrique Pinto:

    • Praticar atividade física regularmente (150 a 300 minutos por semana de exercícios aeróbicos + treinos de força duas vezes por semana);
    • Adotar alimentação de padrão mediterrâneo ou DASH, priorizando frutas, verduras, grãos integrais, peixes e azeite, além de reduzir o consumo de sal;
    • Dormir de 7 a 9 horas por noite;
    • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou hobbies;
    • Não fumar e moderar o consumo de álcool;
    • Seguir corretamente o uso de medicamentos para pressão, colesterol e diabetes, quando indicados.

    Acompanhamento na menopausa é importante para proteger o coração

    Durante a menopausa, manter consultas regulares com o cardiologista permite identificar cedo alterações na pressão, no colesterol, na glicemia e até na rigidez dos vasos. Os exames cardíacos regulares nessa fase incluem:

    • Eletrocardiograma (ECG);
    • Holter (monitoramento do ritmo cardíaco por 24h);
    • Ecocardiograma;
    • MAPA (monitoramento da pressão arterial);
    • Exames laboratoriais de glicemia, hemoglobina glicada e perfil lipídico;
    • Teste ergométrico (de esforço);
    • Escore de cálcio coronário em mulheres de risco intermediário;
    • Cintilografia ou angiotomografia coronária quando há sintomas sugestivos ou risco elevado.

    Além disso, o acompanhamento não serve só para detectar doenças, mas também para discutir formas de prevenção. O médico pode orientar sobre dieta, atividade física, controle de peso e, quando necessário, prescrever medicações para equilibrar colesterol, glicemia ou pressão.

    Leia também: Por que cuidar do coração antes de uma cirurgia

    Reposição hormonal na menopausa protege o coração?

    O tratamento de reposição hormonal (TRH ou MHT) pode ser útil para aliviar sintomas moderados a graves da menopausa, como fogachos e suores noturnos. No entanto, Giovanni Henrique Pinto reforça que não deve ser usado com o objetivo de prevenir doenças cardiovasculares.

    A terapia pode ter perfil de risco mais favorável quando iniciada antes dos 60 anos ou até 10 anos após a última menstruação, especialmente pela via transdérmica (adesivo ou gel), que apresenta menor risco de trombose do que os comprimidos orais.

    Ainda assim, há contraindicações importantes: mulheres com histórico de infarto, AVC, trombose ativa, alguns tipos de câncer ou sangramentos uterinos não esclarecidos devem evitar o tratamento. A decisão deve sempre ser individualizada e tomada em conjunto com o médico.

    Confira: Névoa mental na menopausa: o que é e como tratar o “brain fog”

    Perguntas frequentes sobre saúde do coração na menopausa

    1. A menopausa pode acelerar doenças já existentes?

    Sim. Condições como pressão alta, colesterol alto, diabetes e doença coronária podem se agravar mais rápido depois da menopausa se não fizer um controle rigoroso.

    2. A partir de que idade a menopausa costuma aparecer?

    A menopausa ocorre, em média, aos 51 anos. Ela é confirmada quando a mulher fica 12 meses consecutivos sem menstruar. Porém, pode acontecer mais cedo: entre 40 e 45 anos é chamada de menopausa precoce, e antes dos 40 anos recebe o nome de insuficiência ovariana prematura.

    3. Quais são os sintomas mais comuns da menopausa?

    Os principais sintomas da menopausa são:

    • Ondas de calor;
    • Suores noturnos;
    • Insônia;
    • Irritabilidade;
    • Diminuição da libido;
    • Secura vaginal;
    • Alterações do humor;
    • Dificuldade de concentração e palpitações.

    Os sinais podem começar anos antes da última menstruação e durar até 8 anos.

    4. Quais doenças cardiovasculares são mais comuns após a menopausa?

    Há um risco maior de doenças como:

    • Doença arterial coronariana (angina e infarto);
    • Pressão alta;
    • Acidente vascular cerebral (AVC);
    • Arritmias, como fibrilação atrial;
    • Insuficiência cardíaca.

    5. A menopausa causa aumento de peso? Isso afeta o coração?

    Sim. Na menopausa o metabolismo fica mais lento e o corpo gasta menos energia. Isso facilita o ganho de peso, principalmente na barriga, onde a gordura tende a se acumular.

    E é importante apontar: esse tipo de gordura libera substâncias inflamatórias que aumentam a resistência à insulina, aumentando o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Além disso, está diretamente ligada à pressão alta e à aterosclerose — que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

    6. Quais sinais diferenciam sintomas da menopausa de problemas cardíacos?

    Fogachos e palpitações podem ser sintomas da menopausa, mas quando há dor no peito, falta de ar, inchaço em pernas ou cansaço desproporcional, é preciso investigar problemas cardíacos.

    O acompanhamento médico é fundamental porque apenas exames, como eletrocardiograma e ecocardiograma, conseguem diferenciar com clareza o que é efeito hormonal e o que é sinal de doença cardiovascular.

    7. A menopausa pode causar palpitações?

    Sim. Muitas mulheres sentem o coração acelerar ou bater mais forte durante a menopausa, por causa das mudanças hormonais e das ondas de calor. Mas, se as palpitações forem frequentes e vierem junto com tontura, dor no peito ou falta de ar, é importante procurar um médico para investigar.

    8. Como diferenciar sintomas de ansiedade dos sintomas cardíacos na menopausa?

    A ansiedade pode provocar palpitações, falta de ar, aperto no peito e até sensação de desmaio — sintomas muito semelhantes aos cardíacos. A diferença é que, muitas vezes, a ansiedade aparece em situações de estresse emocional ou crises de pânico, e tende a melhorar com técnicas de respiração e relaxamento.

    Já os sintomas de origem cardíaca podem surgir de forma inesperada, durante esforços leves ou mesmo em repouso, e não desaparecem apenas com controle emocional. Destaca-se que a única forma segura de diferenciar é com avaliação médica e exames específicos.

    Veja também: Perimenopausa (pré-menopausa): como saber se ela já começou?

  • Suor noturno excessivo: o que pode ser e quando você deve se preocupar? 

    Suor noturno excessivo: o que pode ser e quando você deve se preocupar? 

    Você já ouviu falar em sudorese noturna? O termo é usado para descrever aquele suor intenso que aparece durante a noite, a ponto de molhar a roupa de dormir e até os lençois.

    Diferente da transpiração que ocorre por causa de um ambiente abafado ou de um cobertor mais pesado, o sintoma aparece mesmo em temperaturas amenas e, normalmente, de forma repentina.

    A seguir, esclarecemos o que pode estar causando o suor noturno excessivo e quando é importante ir ao médico.

    O que pode causar o suor noturno excessivo?

    O suor noturno não é uma doença em si, mas um sintoma que pode estar relacionado a diversos processos do corpo.

    Quando o sistema nervoso percebe que a temperatura interna está subindo, ele ativa as glândulas sudoríparas para resfriar o organismo. No entanto, várias condições podem desregular o termostato natural durante o sono, como:

    1. Alterações hormonais

    As alterações hormonais são as principais causas do suor noturno excessivo, especialmente em mulheres. A queda nos níveis de estrogênio durante a menopausa ou no período pré-menstrual interfere na regulação térmica do cérebro, provocando as famosas ondas de calor (fogachos) que também ocorrem à noite.

    2. Ansiedade e estresse

    O estado de alerta constante provocado pela ansiedade mantém o sistema nervoso simpático ativado por mais tempo do que o ideal, o que resulta em um aumento da frequência cardíaca, maior liberação de hormônios como o cortisol e elevação da temperatura corporal.

    Consequentemente, é comum ter episódios de suor frio durante a noite, muitas vezes acompanhados de sensação de inquietação e dificuldade para voltar a dormir. Em casos mais intensos, a pessoa pode acordar com a sensação de tensão no corpo, respiração acelerada e até palpitações.

    3. Infecções

    O aumento da temperatura corporal é um dos mecanismos de defesa do organismo durante quadros de infecção, como a gripe ou o resfriado, pois dificulta a multiplicação de vírus e bactérias. Quando a temperatura começa a cair, é comum ocorrer a sudorese, especialmente durante a noite, como uma forma de regular o calor interno.

    O processo faz parte da resposta do sistema imunológico e, normalmente, o sintoma desaparece conforme a infecção é tratada.

    4. Apneia obstrutiva do sono

    A pessoa com apneia do sono apresenta pausas na respiração durante a noite, muitas vezes sem perceber. A cada pausa, o nível de oxigênio cai, e o corpo precisa fazer um esforço extra para normalizar a respiração.

    Assim, o processo é interpretado pelo organismo como um estado de alerta, ativando o sistema nervoso e liberando hormônios como a adrenalina, o que gera um intenso estresse físico.

    Como consequência, pode ocorrer uma sudorese excessiva, principalmente na região do pescoço, do tórax e da cabeça. Além do suor, você pode acordar cansado, com dor de cabeça, boca seca e sensação de sono não reparador.

    5. Hipoglicemia

    A queda do nível de açúcar no sangue durante a noite é mais comum em pessoas que usam insulina ou medicamentos para diabetes. O organismo reage a essa queda liberando hormônios como a adrenalina, como se estivesse diante de uma situação de perigo, o que também pode causar tremores, coração acelerado e até confusão ao acordar.

    6. Uso de medicamentos

    O suor noturno excessivo é um efeito colateral que pode surgir com o uso de alguns medicamentos, em especial os que interferem em áreas do cérebro responsáveis pela regulação da temperatura corporal. Alguns exemplos incluem:

    • Antidepressivos;
    • Antitérmicos, como o paracetamol e a aspirina;
    • Medicamentos para reposição hormonal;
    • Remédios para o tratamento da pressão alta.

    Nesses casos, o suor tende a aparecer de forma recorrente após o início do uso do remédio. Quando o sintoma causa desconforto ou afeta a qualidade do sono, vale conversar com o médico para avaliar possíveis ajustes na dose ou alternativas de tratamento.

    7. Problemas na tireoide

    Os distúrbios da tireoide estão entre as causas mais frequentes de suor noturno, especialmente o hipertireoidismo. Quando a glândula produz hormônios em excesso, ela acelera o metabolismo basal, como se o termostato natural do corpo estivesse ajustado para uma temperatura muito alta.

    O estado de hiperatividade faz com que o organismo produza mais calor interno e tenha dificuldade para se resfriar, provocando o suor intenso mesmo em ambientes frescos.

    Além da sudorese, o quadro costuma vir acompanhado de outros sinais de alerta, como batimentos cardíacos acelerados, tremores nas mãos, irritabilidade e perda de peso sem causa aparente.

    O suor noturno pode ser sinal de câncer?

    Em casos raros, quando o suor excessivo está associado ao câncer, ele costuma aparecer em quadros como linfomas, que são cânceres do sistema linfático, e algumas leucemias. Nesses casos, o suor tende a ser intenso, frequente e persistente, a ponto de encharcar roupas e lençois com regularidade, independentemente da temperatura do quarto.

    No entanto, é importante ter atenção quando o suor noturno vem acompanhado de outros sinais, como:

    • A perda de peso sem explicação;
    • A febre persistente;
    • O cansaço excessivo;
    • O aumento de gânglios (ínguas), principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha.

    Se o suor noturno frequente estiver associado a qualquer um dos sinais, é fundamental buscar uma avaliação médica para uma investigação mais detalhada.

    Como aliviar o suor excessivo à noite?

    Se a causa do suor noturno não for uma condição de saúde, algumas mudanças no ambiente e nos hábitos podem reduzir drasticamente o desconforto, como:

    • Use tecidos de algodão ou linho, que permitem que a pele respire, e evite materiais sintéticos como poliéster;
    • Mantenha o ambiente bem ventilado, usando ventiladores ou ar-condicionado em temperaturas amenas;
    • Prefira usar várias mantas leves em vez de um único edredom pesado, facilitando o ajuste durante a noite;
    • Evite jantares pesados e alimentos termogênicos, como pimenta, gengibre e cafeína, antes de dormir;
    • Evite o consumo de álcool à noite, pois ele dilata os vasos sanguíneos e aumenta o calor corporal;
    • Beba um copo de água fresca antes de deitar e mantenha uma garrafa ao lado da cama;
    • Tome um banho em temperatura agradável (nem quente, nem frio) para ajudar o corpo a relaxar e resfriar;
    • Pratique técnicas de respiração ou meditação para evitar que o estresse ative o suor por nervosismo.

    Além das medidas práticas, é importante observar o horário em que o suor ocorre. Se a transpiração for persistente mesmo após você ajustar o ambiente e trocar os tecidos da cama, pode ser um sinal de que o corpo não está conseguindo realizar a termorregulação sozinho.

    Quando ir ao médico?

    Procure um profissional de saúde nas seguintes situações:

    • Persistência do suor noturno por mais de duas ou três semanas seguidas;
    • Interrupção do sono para trocar roupas ou lençois;
    • Presença de febre, mesmo que baixa e recorrente;
    • Perda de peso sem mudança na rotina;
    • Presença de outros sinais, como cansaço, tosse, dor ou ínguas;
    • Início do suor após mudança de medicação.

    Como o suor noturno pode ser um sintoma silencioso de várias questões de saúde, o acompanhamento médico é recomendado sempre que ele for persistente.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Perguntas frequentes

    1. O que é considerado suor noturno excessivo?

    É a transpiração intensa que ocorre durante o sono, a ponto de molhar as roupas de dormir e os lençóis, mesmo quando o ambiente não está excessivamente quente.

    2. Suor noturno em homens é sinal de quê?

    Pode indicar baixos níveis de testosterona (andropausa), apneia do sono, estresse ou até consumo excessivo de álcool.

    3. Refluxo pode causar transpiração à noite?

    Embora menos comum que a azia, o estresse físico causado pelo retorno do ácido ao esôfago pode desencadear sudorese em algumas pessoas.

    4. O que é “suor frio” ao dormir?

    É o suor que ocorre sem o aumento da temperatura corporal, normalmente ligado a quedas de pressão, hipoglicemia ou crises de pânico.

    5. Qual o melhor tecido para quem sua muito?

    O algodão e o linho são os melhores, pois absorvem a umidade e permitem que a pele respire. Evite tecidos sintéticos como o poliéster.

    6. Tomar banho gelado antes de dormir ajuda?

    O ideal é o banho morno. O banho gelado pode causar um efeito rebote, fazendo o corpo trabalhar para se aquecer logo em seguida.

    7. É normal suar apenas na cabeça durante o sono?

    Em adultos, isso pode estar ligado ao estresse, apneia do sono ou problemas na tireoide. Se for em crianças, frequentemente é normal devido ao amadurecimento do sistema de regulação térmica, mas deve ser avaliado se houver febre.

    8. O que é a hiperidrose idiopática?

    É uma condição onde a pessoa apresenta suor excessivo sem uma causa médica aparente. Nesses casos, as glândulas sudoríparas são apenas hiperativas por questões genéticas ou constitucionais.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Fases do climatério: o que é, sintomas e o que acontece com o corpo

    Fases do climatério: o que é, sintomas e o que acontece com o corpo

    O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva, em que acontece uma queda gradual na produção de hormônios pelos ovários. Apesar de normalmente confundido com a menopausa, o climatério não é um momento específico, mas um processo contínuo que pode durar vários anos.

    Ele inclui todas as mudanças físicas e emocionais que aparecem antes e depois da última menstruação, funcionando como uma fase de adaptação do corpo para uma nova etapa da vida. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, ele costuma ter início a partir dos 40 anos de idade.

    Afinal, o que é o climatério?

    O climatério é o nome dado a todo o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva. Ao contrário da menopausa, que é um evento pontual (a data da última menstruação), o climatério é um processo gradual e prolongado que pode durar dos 40 aos 65 anos, aproximadamente.

    Ele acontece por causa da diminuição natural da reserva ovariana, um processo fisiológico e contínuo que ocorre em todas as mulheres ao longo da vida, resultando em menor quantidade e qualidade dos óvulos.

    Com menos folículos ovarianos ativos, a ovulação passa a ser irregular e a produção de hormônios como progesterona e estrogênio diminui, o que impacta diversos sistemas do corpo, desde o controle da temperatura interna até a saúde dos ossos e do coração.

    Quais são as fases do climatério?

    O climatério costuma ser dividido em três fases principais, sendo elas:

    1. Perimenopausa (ou pré-menopausa)

    A perimenopausa é a fase que acontece antes da menopausa e marca o início das mudanças hormonais no corpo da mulher. Durante o período, a mulher ainda menstrua, mas de forma irregular, com ciclos que podem variar bastante em duração e intensidade. É comum que a menstruação atrase, adiante ou até fique ausente por alguns meses.

    Normalmente, a perimenopausa se inicia por volta dos 40 aos 45 anos, mas pode começar antes em algumas mulheres, segundo Andreia. Ela pode durar de 4 a 8 anos, terminando oficialmente quando a mulher atinge a menopausa, que acontece quando ela completa 12 meses seguidos sem menstruar.

    Ao longo da fase, é comum que os sintomas fiquem mais intensos conforme a última menstruação se aproxima.

    Quais os sintomas da perimenopausa?

    Como os hormônios estão instáveis, os sintomas podem surgir e desaparecer espontaneamente:

    • Irregularidade menstrual;
    • Ondas de calor (fogachos);
    • Dificuldade para adormecer ou episódios de suor noturno;
    • Irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem motivo aparente;
    • Alteração no desejo sexual e possível secura vaginal.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    De acordo com Andreia, apesar da chance ser menor, é possível engravidar na perimenopausa. A fertilidade feminina diminui drasticamente na fase devido à menor reserva de óvulos, mas a ovulação ainda pode ocorrer de forma esporádica e imprevisível.

    Por isso, o recomendado é manter o uso de métodos contraceptivos até que a menopausa seja confirmada.

    2. Menopausa

    A menopausa é o marco que indica o fim definitivo da fase reprodutiva da mulher. Diferente do climatério, que é um processo longo, Andreia explica que a menopausa é um evento específico: ela consiste na última menstruação após 12 meses consecutivos sem fluxo.

    Se ocorrer qualquer sangramento vaginal nesse intervalo de um ano, a contagem deve ser reiniciada.

    Em média, a menopausa acontece entre os 45 e 55 anos. Quando ocorre antes dos 40 anos, é classificada como menopausa precoce, normalmente precisando de uma investigação médica mais detalhada para identificar as causas.

    Quais os sintomas da menopausa?

    Na menopausa, os ovários interrompem a produção de estrogênio e progesterona, causando sintomas como:

    • Ondas de calor (fogachos), que surgem de forma repentina e podem vir acompanhadas de vermelhidão;
    • Suor noturno, que pode atrapalhar o sono;
    • Dificuldade para dormir ou sono mais leve e fragmentado;
    • Alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade ou tristeza;
    • Ressecamento vaginal, causando desconforto ou dor nas relações;
    • Diminuição da libido;
    • Cansaço frequente e falta de energia;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Nem todas as mulheres apresentam os sintomas, e algumas passam pela fase com pouco desconforto. Mas, quando eles começam a atrapalhar o dia a dia ou o bem-estar, vale procurar um médico para receber orientação e encontrar formas de aliviar os incômodos.

    É importante lembrar que a redução do estrogênio aumenta o risco de perda de massa óssea (osteoporose) e doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares.

    Por isso, mesmo com o fim da menstruação ainda é necessário manter uma rotina periódica de exames de rotina, como mamografia, densitometria óssea e check-ups cardiovasculares.

    3. Pós-menopausa

    A pós-menopausa é a última fase do climatério e compreende todo o período da vida da mulher após a confirmação da menopausa. Ela se inicia oficialmente quando se completa 1 ano inteiro desde a última menstruação e se estende até o final da vida.

    Nessa etapa, os ovários já não liberam óvulos, e os níveis de hormônios, como o estrogênio e a progesterona, permanecem baixos permanentemente. Alguns sintomas da fase anterior podem continuar, como ondas de calor e ressecamento vaginal, mas, para muitas mulheres, eles tendem a diminuir com o tempo.

    Cuidados na pós-menopausa

    A partir da pós-menopausa, com a ausência permanente do estrogênio, o corpo fica mais vulnerável a algumas condições de saúde, como a perda de massa óssea, que pode levar ao desenvolvimento de osteoporose e aumentar o risco de fraturas, além do maior risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC.

    Também podem ocorrer alterações no metabolismo, que favorecem o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.

    No dia a dia, a mulher deve adotar alguns cuidados para garantir a qualidade de vida, como:

    • Garantir a ingestão adequada de cálcio por meio da alimentação ou suplementação;
    • Manter níveis adequados de vitamina D para ajudar na absorção do cálcio;
    • Realizar a densitometria óssea para acompanhar a saúde dos ossos;
    • Controlar os níveis de colesterol e triglicerídeos com exames regulares;
    • Monitorar a pressão arterial com frequência;
    • Praticar musculação ou exercícios de resistência para preservar a massa muscular e fortalecer os ossos;
    • Incluir exercícios aeróbicos, como caminhada, natação ou bicicleta, para cuidar do coração e do peso;
    • Usar hidratantes e lubrificantes íntimos para reduzir o ressecamento vaginal, conforme orientação médica;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, grãos integrais e gorduras boas;
    • Reduzir o consumo de açúcar e de sódio para evitar problemas metabólicos;
    • Manter a mente ativa com leitura, aprendizado e convívio social;
    • Buscar apoio psicológico quando houver sintomas persistentes de ansiedade ou tristeza.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do climatério e da menopausa é feito com base na avaliação clínica, a partir da idade, do padrão do ciclo menstrual e da presença de sintomas. Quando a mulher já ficou 12 meses seguidos sem menstruar, a menopausa é confirmada, sem necessidade de exames na maioria dos casos.

    Em algumas situações, o médico pode solicitar exames de sangue para avaliar os níveis hormonais, como:

    • FSH (hormônio folículo-estimulante): que costuma estar elevado na menopausa, pois o organismo tenta estimular os ovários, que já não respondem como antes;
    • Estradiol (estrogênio): geralmente apresenta níveis baixos, indicando a redução da atividade dos ovários.

    Os exames não são necessários em todos os casos, mas podem ser solicitados pelo médico quando há dúvidas no diagnóstico.

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo dura o climatério?

    O climatério dura, em média, de 7 a 10 anos ou mais, começando normalmente por volta dos 40 a 45 anos e se estendendo até a pós-menopausa.

    2. Por que sinto tantas ondas de calor (fogachos)?

    Isso ocorre devido à queda do estrogênio, que afeta o centro termorregulador no cérebro, fazendo com que o corpo sinta calor excessivo mesmo em ambientes frios.

    3. O climatério causa ganho de peso?

    As alterações hormonais tornam o metabolismo mais lento e favorecem o acúmulo de gordura na região abdominal, o que exige ajustes na dieta e exercícios.

    4. O que é menopausa precoce?

    É quando a última menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade, podendo ser causada por genética, doenças autoimunes ou tratamentos como quimioterapia.

    5. É normal ter sangramento após a menopausa?

    Não! Qualquer sangramento vaginal após um ano sem menstruar deve ser investigado imediatamente por um ginecologista para descartar alterações no endométrio.

    6. É normal sentir palpitações cardíacas no climatério?

    Sim, as oscilações hormonais podem afetar o sistema nervoso autônomo, causando episódios de batimentos acelerados (taquicardia), que muitas vezes acompanham as ondas de calor. No entanto, é importante descartar causas cardíacas com um médico.

    7. O que é a “barriga da menopausa”?

    É o acúmulo de gordura visceral (abdominal) causado pela queda do estrogênio, que muda o padrão de distribuição de gordura do corpo feminino (que antes se concentrava mais em quadris e coxas).

    8. Quanto tempo depois da menopausa os sintomas desaparecem?

    Na maioria das mulheres, os sintomas mais intensos (como fogachos) melhoram significativamente entre 2 a 5 anos após a última menstruação, embora o corpo continue em adaptação permanente na pós-menopausa.

  • Perimenopausa (pré-menopausa): como saber se ela já começou?

    Perimenopausa (pré-menopausa): como saber se ela já começou?

    A pré-menopausa, também chamada de perimenopausa, é a fase de transição natural do corpo feminino até a menopausa, quando a produção dos hormônios começa a oscilar, principalmente o estrogênio. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a mulher ainda menstrua, mas já passa por mudanças hormonais que podem causar alterações no ciclo.

    O início nem sempre é óbvio, já que os sinais aparecem de forma gradual e podem ser confundidos com estresse ou mudanças da rotina. Ainda assim, alguns indícios ajudam a perceber que o corpo já entrou nessa fase. Vamos entender mais, a seguir.

    Quando a perimenopausa começa?

    A perimenopausa costuma iniciar entre os 40 e 50 anos, mas pode variar bastante de mulher para mulher. Em alguns casos, os primeiros sinais aparecem por volta dos 35 anos, enquanto em outros surgem mais próximos da menopausa.

    Segundo Andreia, a perimenopausa não tem uma duração definida. Em algumas mulheres, a fase pode durar poucos meses, enquanto em outras pode se estender por anos, até que a menstruação pare de forma definitiva.

    O mais importante no período é identificar quais sintomas aparecem, qual é a intensidade deles e de que forma eles impactam a rotina e a qualidade de vida.

    Quais os principais sintomas de perimenopausa?

    Os sintomas da perimenopausa variam de mulher para mulher, mas estão ligados principalmente às oscilações hormonais, especialmente do estrogênio. Eles podem surgir de forma gradual e mudar ao longo do tempo, sendo os principais:

    • Mudanças de humor, incluindo irritabilidade, ansiedade ou maior sensibilidade emocional;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
    • Queda na produtividade;
    • Irregularidade no ciclo menstrual, com atrasos, adiantamentos ou mudanças no fluxo;
    • Ondas de calor (fogachos);
    • Alterações no sono, como insônia ou despertares frequentes;
    • Diminuição da lubrificação vaginal;
    • Dor ou sensibilidade nos seios, inchaço abdominal e dor de cabeça.

    Nem todos os sintomas aparecem ao mesmo tempo, e a intensidade pode variar bastante.

    Como saber se a perimenopausa já começou?

    O diagnóstico da perimenopausa é feito pelo médico ginecologista por meio da avaliação dos sintomas, como irregularidade menstrual, ondas de calor, mudanças no sono e no humor, que indicam que os hormônios já estão oscilando.

    Em situações em que a menstruação não serve como referência, como após histerectomia (retirada do útero) ou uso de métodos que suspendem o ciclo (como DIU), Andreia explica que podem ser solicitados exames laboratoriais.

    O principal é o FSH, um hormônio que tende a aumentar quando os ovários começam a funcionar de forma mais irregular. Quando o FSH aparece elevado de forma persistente, isso indica que o corpo está entrando na fase de transição.

    O médico também pode pedir outros exames, como o estradiol, para complementar a avaliação e orientar o melhor cuidado para aliviar os sintomas.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    A resposta é sim, é possível engravidar na perimenopausa. Mesmo com as oscilações hormonais e com a irregularidade da menstruação, a ovulação ainda pode acontecer, mesmo que de forma menos previsível.

    Se não houver desejo de engravidar, é importante manter o uso de métodos contraceptivos até a confirmação da menopausa, que é feita 12 meses seguidos sem menstruar.

    Quando procurar um médico?

    A avaliação com um ginecologista é indicada quando:

    • A menstruação começa a ficar muito irregular, com atrasos frequentes ou mudanças importantes no fluxo;
    • Os sintomas passam a incomodar no dia a dia e atrapalhar as atividades;
    • Há impacto no sono, na disposição ou na concentração;
    • Surgem sintomas como ressecamento vaginal ou dor nas relações;
    • Existe dúvida sobre se os sinais estão relacionados à pré-menopausa ou a outra condição;
    • Há histórico familiar de menopausa precoce.

    Vale destacar que se os sintomas (como ondas de calor e ausência de menstruação) surgirem antes dos 40 anos de idade, a busca por um médico ginecologista deve ser imediata.

    Nesses casos, a transição hormonal precoce pode trazer riscos aumentados para a saúde óssea e cardiovascular, precisando de uma investigação mais detalhada para identificar a causa e avaliar a necessidade de reposição hormonal.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre climatério e perimenopausa?

    Na prática, os termos são usados como sinônimos para descrever a fase de transição hormonal. O climatério é o período completo de mudanças que antecede e sucede a última menstruação, enquanto a pré-menopausa foca nos anos que levam à interrupção total do ciclo.

    2. O que é menopausa precoce?

    É quando a interrupção definitiva da menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade, podendo ser causada por fatores genéticos, doenças autoimunes ou tratamentos médicos.

    3. Por que a libido diminui na perimenopausa?

    A redução dos níveis de testosterona e estrogênio, somada ao cansaço e ao possível desconforto na relação (secura vaginal), contribui para a queda do desejo sexual.

    4. Quando posso dizer que já entrei na menopausa?

    A menopausa só é confirmada após a mulher passar 12 meses seguidos sem nenhuma menstruação. Antes disso, ela ainda está na fase de pré-menopausa ou climatério.

    5. Pode usar apenas lubrificante para a secura vaginal?

    O lubrificante ajuda no conforto durante a relação sexual, mas não trata a causa. Para melhorar a saúde do tecido vaginal a longo prazo, o médico pode indicar hidratantes vaginais de uso contínuo ou cremes de estrogênio local.

    6. É verdade que a menopausa aumenta o risco de infarto?

    Sim, o estrogênio exerce uma proteção natural sobre as artérias, ajudando a manter a elasticidade dos vasos e o bom colesterol (HDL). Com a sua queda definitiva na menopausa, o risco cardiovascular da mulher se equipara ao do homem, tornando o controle da pressão e do colesterol ainda mais vital.

    7. Existem exames obrigatórios para quem já está na menopausa?

    Sim. Além do preventivo e mamografia, é fundamental realizar a densitometria óssea (para checar a saúde dos ossos), o perfil lipídico completo e a avaliação da glicemia, já que o risco de diabetes tipo 2 também aumenta na fase.

    Confira: Perimenopausa: o que é e quais são os sintomas

  • Névoa mental na menopausa: o que é e como tratar o “brain fog”

    Névoa mental na menopausa: o que é e como tratar o “brain fog”

    Você já ouviu falar em brain fog? O termo, também conhecido como névoa mental, é usado para descrever a sensação de mente lenta, confusa ou com dificuldade de pensar com clareza. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é um dos sintomas mais incômodos durante o climatério e pode afetar diretamente a produtividade.

    A névoa mental afeta cerca de 60% das mulheres durante a transição da perimenopausa para a pós-menopausa, e acontece por causa da diminuição nos níveis de estrogênio, que afeta neurotransmissores como serotonina e dopamina.

    Como consequência, a mulher pode perceber dificuldade para se concentrar, esquecimentos mais frequentes, sensação de “branco” no meio de uma conversa e até uma certa lentidão para organizar pensamentos e tomar decisões.

    O que é névoa mental e por que acontece na menopausa?

    A névoa mental consiste em um conjunto de sintomas que afetam o funcionamento cognitivo, como dificuldade de concentração, lapsos de memória, raciocínio mais lento e sensação de confusão mental ao longo do dia.

    Ela pode aparecer em diferentes condições de saúde, mas, na menopausa, está associada diretamente à queda do estrogênio, que atua ajudando no funcionamento de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que estão ligados à memória, ao foco e ao humor.

    Ao mesmo tempo, fatores como noites mal dormidas, estresse, ansiedade e cansaço podem intensificar ainda mais os sintomas.

    Apesar de ser desconfortável, o brain fog tende a ser temporário e pode melhorar com o tempo, especialmente com cuidados no estilo de vida e acompanhamento adequado.

    Quais os sintomas de névoa mental na menopausa?

    Os sintomas de névoa mental na menopausa podem variar de mulher para mulher, mas frequentemente envolvem:

    • Dificuldade de concentração, especialmente em tarefas que exigem foco por mais tempo;
    • Esquecimentos frequentes, como compromissos, nomes ou onde deixou objetos;
    • Sensação de “branco” no meio de uma conversa;
    • Raciocínio mais lento para entender ou responder algo;
    • Dificuldade para organizar pensamentos ou tomar decisões;
    • Sensação de mente confusa;
    • Dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa;
    • Redução da produtividade no trabalho ou nos estudos.

    Os sintomas podem variar de intensidade e dificultam a realização de tarefas rotineiras, como manter uma conversa, ouvir instruções ou lembrar os passos de algo que você está fazendo.

    Como tratar a névoa mental na menopausa?

    Não existe um tratamento específico para diminuir a névoa mental na menopausa, mas o profissional de saúde pode recomendar algumas mudanças no estilo de vida, como:

    • Manter uma rotina de acesso regular e priorizar um descanso de qualidade;
    • Ter uma alimentação equilibrada, rica em antioxidantes, fitoestrogênios e ômega-3;
    • Praticar atividade física regularmente, pelo menos 30 minutos por dia;
    • Anotar compromissos e tarefas importantes para ajudar na organização;
    • Fazer pausas ao longo do dia para evitar sobrecarga mental;
    • Realizar exercícios cognitivos, como aprender algo novo (como um idioma) e ler um livro;
    • Cuidar da saúde emocional, com acompanhamento psicológico quando necessário.

    Quando os sintomas persistem, são mais intensos ou acompanham mais sinais incômodos do climatério, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal, que consiste na reposição dos hormônios que estão em queda.

    Ao estabilizar os níveis de estrogênio, é possível melhorar significativamente a memória verbal e a clareza mental. Contudo, o tratamento não é indicado para todas as mulheres e a opção deve ser discutida com o médico, considerando os riscos e benefícios individuais.

    Quanto tempo dura o brain fog?

    A duração da névoa mental na menopausa pode variar de mulher para mulher, mas, na maioria dos casos, é uma condição temporária. Os sintomas costumam ser mais expressivos durante a perimenopausa e nos primeiros anos após a menopausa, quando as mudanças hormonais são mais intensas.

    Com o tempo, o organismo se adapta à queda do estrogênio, e a clareza mental tende a melhorar aos poucos. Em algumas mulheres, a brain fog dura poucos meses, já em outras, pode se estender por mais tempo, especialmente quando há fatores como estresse, noites mal dormidas e rotina desorganizada.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar a avaliação de um médico nos seguintes casos:

    • Dificuldade de memória ou concentração passa a atrapalhar o trabalho ou tarefas simples;
    • Os esquecimentos se tornam frequentes ou mais intensos;
    • Há sensação constante de confusão mental;
    • Os sintomas vêm acompanhados de ansiedade, tristeza ou alterações de humor persistentes;
    • O sono está muito ruim ou não melhora com ajustes na rotina;
    • Surgem outros sintomas importantes do climatério, como ondas de calor intensas ou cansaço excessivo.

    Por ser uma fase de adaptação neurológica aos baixos níveis de estrogênio, o brain fog raramente é permanente.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Como diferenciar o brain fog do Alzheimer?

    É comum o medo, mas no brain fog da menopausa a pessoa geralmente lembra da informação mais tarde. No Alzheimer, a perda de memória é progressiva e compromete a execução de tarefas básicas e o julgamento.

    2. Por que a queda de estrogênio afeta a memória?

    O estrogênio funciona como um “combustível” cerebral, ajudando no metabolismo da glicose e na comunicação entre os neurônios. Quando ele cai, o cérebro precisa de mais esforço para processar informações.

    3. Existem vitaminas que melhoram o foco nesta fase?

    As vitaminas do complexo B (especialmente a B12), o magnésio e a vitamina D são fundamentais para a saúde neurológica e podem ajudar a reduzir o cansaço mental, mas qualquer suplementação deve ser feita com orientação médica.

    4. Beber café ajuda a combater a névoa mental?

    A cafeína pode dar um alerta temporário, mas em excesso pode piorar a ansiedade e os fogachos, prejudicando o sono e agravando a confusão mental no dia seguinte.

    5. Quando os esquecimentos devem ser motivo de preocupação?

    Se os lapsos de memória vierem acompanhados de desorientação no tempo/espaço ou se impedirem a realização de tarefas rotineiras, é fundamental consultar um neurologista.

    6. Existe algum exame de sangue para diagnosticar o brain fog?

    Não existe um exame específico para o “brain fog”, mas o médico pode solicitar dosagens hormonais (FSH, estradiol), de tireoide e de vitaminas (B12, D) para descartar outras causas de cansaço mental.

    7. É possível trabalhar normalmente com brain fog?

    Sim, mas muitas mulheres precisam adaptar sua rotina, utilizando mais listas, lembretes no celular e priorizando uma tarefa por vez (evitando o multitasking) para manter a produtividade.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Menopausa: o que muda no acompanhamento ginecológico? 

    Menopausa: o que muda no acompanhamento ginecológico? 

    Com o fim da fase reprodutiva da mulher, que acontece após doze meses consecutivos sem menstruação, as consultas com o ginecologista precisam acompanhar as novas necessidades do organismo.

    A menopausa é causada diretamente pela diminuição drástica e permanente dos hormônios sexuais femininos, principalmente o estrogênio e a progesterona, o que aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e condições crônicas, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, mesmo quando a mulher não apresenta sintomas ou doenças diagnosticadas, os exames de rotina contribuem para identificar fatores de risco ou diagnósticos muito precoces, o que permite uma intervenção capaz de fazer diferença no prognóstico e na evolução da doença.

    Por que o acompanhamento ginecológico muda após a menopausa?

    Com o fim da menstruação, o corpo da mulher passa por mudanças devido a queda na produção dos hormônios estrogênio e progesterona. Além do sistema reprodutor, as mudanças hormonais também afetam a saúde dos ossos, do coração, do metabolismo e da região íntima.

    Nesta fase da vida, Andreia aponta que o ginecologista assume frequentemente o papel de clínico geral da mulher, acompanhando riscos que se tornam mais comuns com o passar dos anos:

    • Risco cardiovascular aumenta: sem o efeito protetor do estrogênio, as artérias ficam mais expostas ao acúmulo de gordura e ao aumento do colesterol, o que eleva o risco de doenças do coração;
    • Saúde dos ossos fica mais frágil: a queda dos hormônios acelera a perda de cálcio, por isso o acompanhamento da saúde óssea se torna essencial para prevenir osteoporose e fraturas;
    • Rastreamento de câncer precisa de mais atenção: com o avanço da idade, aumenta o risco de câncer de mama e de intestino, o que torna importante manter os exames em dia e com a frequência indicada pelo médico;
    • Surgem mudanças na região íntima: a diminuição hormonal pode causar ressecamento vaginal, desconforto e até perda de urina, mas esses sintomas têm tratamento e não precisam ser encarados como algo normal da idade;
    • Ocorrem mudanças no metabolismo: com a queda dos hormônios, o corpo tende a gastar menos energia, o que facilita o ganho de peso e pode aumentar o risco de diabetes e alterações no colesterol.

    A recomendação é que a consulta ginecológica seja feita anualmente, independentemente da idade ou da fase da vida, porque o acompanhamento e os exames são ajustados de acordo com cada etapa que a mulher está vivendo.

    Quais exames mudam ou são incluídos nesta fase?

    A escolha e a frequência de cada exame são individualizadas, mas alguns se tornam mais frequentes na menopausa:

    1. Mamografia e ultrassom de mama

    A mamografia é um dos principais exames de rotina, com recomendação anual a partir dos 40 anos de idade. Para mulheres com histórico familiar de câncer de mama, Andreia explica que a orientação é iniciar o rastreamento cerca de dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado.

    O ultrassom de mama pode ser solicitado como complemento, principalmente em casos de mamas densas ou quando há alguma alteração que precisa de uma avaliação mais detalhada.

    2. Teste de HPV e papanicolau

    O rastreio do câncer de colo do útero evoluiu nos últimos anos, e o teste de HPV passou a ser considerado o padrão-ouro desde julho de 2025. Ele permite identificar o vírus antes mesmo de alterações celulares aparecerem, o que possibilita um acompanhamento mais precoce.

    Diferente do Papanicolau, que detecta alterações já instaladas nas células do colo do útero, o teste de HPV atua identificando os tipos de vírus com maior risco de desenvolver câncer. Com isso, quando o resultado é negativo, o intervalo entre os exames pode ser maior, conforme a orientação médica.

    Já quando o teste é positivo, Andreia aponta que o acompanhamento se torna mais próximo, podendo incluir exames complementares, como a colposcopia e a vulvoscopia, para avaliar melhor o colo do útero, a vagina e a vulva e definir a necessidade de tratamento.

    Mesmo após os 65 anos, o acompanhamento pode continuar no consultório particular, especialmente se houver histórico de alterações ou se o rastreamento anterior não foi feito de forma adequada.

    3. Ultrassonografia transvaginal

    A ultrassonografia transvaginal continua sendo um exame importante no acompanhamento ginecológico, mas na menopausa, ele é focado na avaliação do endométrio e dos ovários. Como os ovários deixam de funcionar de forma ativa, o exame ajuda a identificar alterações estruturais, como cistos ou massas que precisam de investigação.

    No caso do endométrio, qualquer espessamento fora do padrão ou episódios de sangramento devem ser investigados com cuidado, já que podem estar relacionados a alterações benignas, como pólipos, ou a condições mais sérias, como o câncer de endométrio.

    4. Densitometria óssea

    A densitometria óssea costuma ser indicada a partir dos 50 anos, ou até antes, dependendo dos fatores de risco, como histórico familiar, menopausa precoce, baixo peso ou uso prolongado de alguns medicamentos.

    Com a queda do estrogênio na menopausa, ocorre uma perda mais acelerada de massa óssea, o que aumenta o risco de osteopenia e osteoporose. A identificação precoce dessas condições permite iniciar medidas de tratamento e prevenção, como ajustes na alimentação, prática de atividade física e, quando necessário, uso de medicamentos.

    5. Colonoscopia

    A colonoscopia passou a ser recomendada a partir dos 45 anos para o rastreio de pólipos e do câncer de intestino, segundo Andreia. O exame é importante porque muitas alterações começam de forma silenciosa, e a retirada de pólipos durante o procedimento pode evitar a progressão para câncer.

    6. Check-up cardiovascular e exames de sangue

    A menopausa aumenta significativamente o risco cardiovascular devido à queda dos níveis de estrogênio, hormônio que protege o coração e os vasos sanguíneos. Para isso, o médico pode solicitar alguns exames importantes, como:

    • Teste de esforço para avaliar o funcionamento do coração durante a atividade física;
    • Ecocardiograma para analisar a estrutura e o desempenho do coração;
    • Perfil lipídico para verificar os níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos;
    • Glicemia e hemoglobina glicada para investigar risco de diabetes ou resistência à insulina;
    • Dosagem de função renal e hepática para avaliar o funcionamento dos órgãos;
    • Marcadores inflamatórios, quando necessário, para complementar a avaliação de risco.

    Com base nos exames, o médico consegue identificar precocemente possíveis alterações, mesmo antes do aparecimento de sintomas. A partir disso, podem ser indicadas mudanças no estilo de vida, como ajustes na alimentação, prática regular de atividade física, controle do peso e redução do estresse.

    7. Avaliação urodinâmica

    De acordo com Andreia, a avaliação urodinâmica pode ser indicada quando há queixas de perda de urina, urgência ou dificuldade para segurar a urina.

    O exame ajuda a entender como a bexiga e a uretra estão funcionando e orienta o melhor tratamento para cada caso, já que a incontinência urinária é comum na menopausa, mas não deve ser considerada normal.

    Saúde sexual no climatério

    O climatério é a fase de transição natural em que a mulher passa do período reprodutivo para o não reprodutivo. Nesse período, Andreia explica que é comum a queixa de diminuição da libido e de dificuldades durante a relação sexual, devido a fatores como:

    • Queda dos hormônios femininos, que afeta diretamente o desejo sexual;
    • Ressecamento vaginal, causado pela síndrome geniturinária da menopausa;
    • Afinamento do tecido vaginal, que deixa a região mais sensível e propensa à dor;
    • Dor e desconforto na relação, o que pode levar à evitação do contato íntimo;
    • Fatores emocionais, como estresse, ansiedade e questões no relacionamento;
    • Cansaço e sobrecarga na rotina, que reduzem o interesse e a disponibilidade para a vida sexual.

    Durante o exame físico, o ginecologista observa a região íntima para identificar sinais de ressecamento, alterações na mucosa vaginal, perda de elasticidade e possíveis lesões ou infecções.

    Além da avaliação externa, pode ser realizado o exame com espéculo, que permite visualizar o canal vaginal e o colo do útero com mais detalhes. Em alguns casos, o médico também avalia o assoalho pélvico, verificando a força da musculatura, especialmente em mulheres que apresentam sintomas como dor na relação ou incontinência urinária.

    Sinais de alerta para procurar o ginecologista

    A mulher deve procurar um médico com urgência nas seguintes situações:

    • Sangramento vaginal após um ano sem menstruar, mesmo que seja um pequeno escape ou uma secreção rosada;
    • Nódulos ou alterações nas mamas, como presença de caroços, retração da pele, saída de secreção pelo mamilo ou mudança na textura;
    • Dor pélvica persistente ou sensação de pressão no baixo ventre que não melhora;
    • Perda urinária, como escapes ao tossir, espirrar, carregar peso ou uma urgência súbita de urinar;
    • Dor ou sangramento durante ou após a relação sexual;
    • Corrimento com odor forte, alteração na cor ou associado a coceira e irritação;
    • Aumento do volume abdominal, com sensação de estufamento ou inchaço persistente.

    Como é feito o tratamento das alterações hormonais?

    O tratamento das alterações hormonais no climatério deve ser individualizado, considerando os sintomas, as emoções e a qualidade de vida da mulher, segundo Andreia.

    Para tratar a atrofia e o ressecamento vaginal, o ginecologista pode prescrever o uso de estrogênio local (em cremes ou óvulos) e o uso de tecnologias regenerativas que melhoram a qualidade do tecido e o conforto na relação sexual.

    Quando há sintomas como ondas de calor, queda da libido ou alterações de humor, pode ser indicada a reposição hormonal, que repõe o estrogênio e ajuda a aliviar os sintomas. Em alguns casos, a progesterona também é associada, principalmente quando a mulher ainda possui útero, para garantir a segurança do tratamento.

    Além do tratamento com remédios, as mudanças no estilo de vida fazem diferença no controle dos sintomas, como a prática de atividade física, uma alimentação equilibrada, o cuidado com o sono e a redução do estresse.

    Em todos os casos, o mais importante é que o tratamento seja visto de forma completa, incluindo o corpo, a mente e a rotina da mulher, já que as mudanças hormonais afetam diferentes aspectos da saúde

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre climatério e menopausa?

    O climatério é todo o período de transição do estágio reprodutivo para o não reprodutivo. Já a menopausa é um marco específico: o momento após 12 meses consecutivos sem menstruação.

    2. Por que o risco de infarto aumenta após a menopausa?

    Porque a queda do estrogênio retira uma proteção natural das artérias. Sem o hormônio, o risco cardiovascular da mulher se iguala ao do homem, aumentando as chances de pressão alta e colesterol elevado.

    3. É normal ter escapes de urina na menopausa?

    É comum, mas não é normal. Qualquer perda urinária ao tossir, espirrar ou fazer esforço deve ser investigada. Existem tratamentos eficazes, como fisioterapia pélvica e intervenções médicas.

    4. O uso de estrogênio vaginal causa efeitos no corpo todo?

    O estrogênio tópico (cremes ou óvulos) tem ação majoritariamente local, focada em recuperar a mucosa vaginal, sendo uma opção segura para tratar a atrofia em muitas mulheres.

    5. Por que a mamografia não costuma ser feita antes dos 40 anos?

    Porque, em mulheres mais jovens, a mama costuma ser muito densa (com muito tecido glandular). Nesses casos, a mamografia traz pouca informação visual, sendo o ultrassom de mama o exame que oferece mais detalhes para o diagnóstico.

    6. O que são os “sorotipos de alto risco” no exame de HPV?

    Existem diversos tipos de vírus HPV. O protocolo do Ministério da Saúde foca nos tipos de alto risco oncogênico (mais propensos a causar câncer). No consultório particular, o médico avalia esses e outros sorotipos para um acompanhamento mais próximo.

    7. Quais exames o ginecologista pede para o coração?

    Além do perfil lipídico no sangue, podem ser solicitados o teste de esforço, o ecocardiograma transtorácico e o ultrassom de carótidas para avaliar a presença de placas ou alterações na função cardíaca.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Sangramento pós-menopausa: o que pode ser e quando ir ao médico

    Sangramento pós-menopausa: o que pode ser e quando ir ao médico

    A menopausa é uma fase natural do corpo da mulher, que acontece quando os ovários deixam de produzir hormônios e a menstruação para de forma definitiva, sendo confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar. Por isso, não é esperado nenhum tipo de sangramento nesse período, e qualquer alteração deve ser avaliada por um médico.

    Na maioria das vezes, o sangramento pós-menopausa está ligado a mudanças comuns da fase, como o afinamento dos tecidos íntimos ou alterações hormonais. Mesmo assim, ele também pode ser um dos primeiros sinais de problemas no útero, incluindo alterações no endométrio que precisam ser investigadas.

    O que pode ser sangramento após a menopausa?

    O sangramento após a menopausa, independentemente da causa, precisa ser investigado por um médico. A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza aponta algumas das possíveis causas:

    1. Atrofia genital

    A atrofia genital é causada principalmente pela queda dos níveis de estrogênio no corpo, em que os tecidos do útero e da vagina passam por um processo de afinamento. Consequentemente, Andreia explica que a região fica mais delicada, menos hidratada e com os vasos mais expostos, o que facilita pequenos sangramentos, principalmente após atrito ou até de forma espontânea.

    2. Hiperplasia endometrial

    A hiperplasia acontece quando o endométrio (revestimento interno do útero) cresce mais do que o esperado, normalmente por estímulo hormonal, principalmente do estrogênio sem o equilíbrio da progesterona. O excesso de tecido pode se desprender de forma irregular, causando sangramento.

    Apesar de não ser um quadro de câncer, a hiperplasia é considerada uma alteração que pode evoluir, por isso exige acompanhamento e tratamento adequado, segundo Andreia.

    3. Pólipo endometrial

    O pólipo é um crescimento benigno que se forma dentro do endométrio, como uma pequena verruga. Ele é uma alteração localizada, mas pode causar sangramentos, especialmente fora do padrão esperado. Na maioria dos casos, é benigno, mas costuma ser removido para confirmar o diagnóstico e resolver o sintoma.

    4. Terapia de reposição hormonal desregulada

    A terapia de reposição hormonal é utilizada para aliviar os sintomas da menopausa, como ondas de calor e ressecamento. No entanto, quando não está bem ajustada, também pode causar episódios de sangramento. Isso ocorre, principalmente, quando há uso de estrogênio sem a quantidade adequada de progesterona para equilibrar o efeito no endométrio.

    Com isso, o endométrio pode ficar mais espesso do que o normal e se desprender de forma irregular, provocando o sangramento, mesmo após a menopausa.

    5. Câncer de endométrio

    O câncer de endométrio é uma causa menos frequente, mas que sempre deve ser investigada, uma vez que cerca de 90% dos casos têm como primeiro sinal o sangramento após a menopausa. É o tipo mais comum de câncer uterino e, quando diagnosticado precocemente, possui taxas de cura que podem superar 90% em estágios iniciais.

    Vale destacar que, entre as mulheres que apresentam sangramento, apenas cerca de 5% terão câncer. O sangramento precisa ser investigado justamente por ser um possível sinal inicial, mas, na maioria dos casos, a causa não é maligna.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do sangramento após a menopausa começa sempre com uma avaliação médica, para entender quando o sangramento começou, a quantidade, se houve outros episódios e se a mulher faz uso de terapia hormonal. Depois, o primeiro exame solicitado é o ultrassom transvaginal, que permite avaliar a espessura e o aspecto do endométrio.

    • Em mulheres que não usam reposição hormonal, o esperado é um endométrio de até 4 mm;
    • Em quem usa reposição, o valor pode chegar até 8 mm.

    Caso tenha alterações nos valores ou um aspecto irregular, podem ser solicitados exames complementares, como a histeroscopia, em que é introduzida uma microcâmera dentro do útero, permitindo visualizar diretamente o endométrio.

    Durante a histeroscopia, também é possível retirar um pequeno fragmento do tecido (biópsia) para análise. O exame é necessário para confirmar o diagnóstico e descartar ou identificar alterações como hiperplasia ou câncer.

    Tratamento de sangramento pós-menopausa

    O tratamento do sangramento após a menopausa depende diretamente da causa, e apenas um médico pode indicar as melhores medidas, que costumam incluir:

    • Pólipo endometrial: o tratamento é a retirada do pólipo, geralmente por histeroscopia, um procedimento com microcâmera dentro do útero. O material é enviado para análise, e, na maioria dos casos, trata-se de uma alteração benigna;
    • Atrofia genital: pode ser tratada com o uso de estrogênio, principalmente na forma vaginal, ajudando a recuperar a espessura e a saúde do tecido, reduzindo o risco de novos sangramentos;
    • Hiperplasia endometrial: o tratamento envolve o uso de progesterona, que pode ser por via oral ou por meio de dispositivos como o DIU hormonal (Mirena), que atua diretamente no endométrio;
    • Terapia de reposição hormonal desregulada: é necessário ajustar o tratamento, corrigindo doses, tipos de hormônios ou a forma de uso, restabelecendo o equilíbrio entre estrogênio e progesterona;
    • Câncer de endométrio: o tratamento é oncológico e varia conforme o estágio da doença, podendo incluir cirurgia, radioterapia ou outros métodos específicos.

    Mesmo que o sangramento seja leve ou pare sozinho, a investigação ainda é obrigatória. Muitas vezes, o câncer de endométrio apresenta um pequeno sangramento que cessa por semanas antes de retornar.

    Quando ir ao médico?

    É importante ir ao médico imediatamente após notar qualquer tipo de sangramento, mesmo que seja apenas uma gota ou uma mancha rosada no papel higiênico.

    Na pós-menopausa, o corpo não deve mais apresentar descamação do endométrio (menstruação), então o sangramento é sempre considerada anormal e precisa de investigação.

    Se o sangramento vier acompanhado de tontura, fraqueza extrema, palidez ou dor abdominal aguda, procure atendimento de urgência. Caso seja apenas um escape leve, agende seu ginecologista o quanto antes (preferencialmente para a mesma semana).

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Sangramento tipo “borra de café” é preocupante?

    Sim. Embora indique sangue antigo e geralmente esteja ligado à atrofia ou pólipos, ele ainda conta como sangramento pós-menopausa e exige diagnóstico.

    2. O sangramento pode ser causado por infecção?

    Sim, infecções vaginais ou uterinas (endometrite) podem causar inflamação e levar a pequenos sangramentos acompanhados de corrimento.

    3. Miomas podem causar sangramento na menopausa?

    É raro, pois os miomas costumam regredir após a menopausa. Se houver sangramento por miomas nesta fase, o caso exige atenção redobrada.

    4. Existe algum remédio caseiro para parar o sangramento?

    Não, nenhum chá ou remédio caseiro substitui a investigação médica. Tentar tratar em casa pode mascarar um sintoma grave e atrasar o diagnóstico.

    5. Qual a diferença entre climatério e menopausa?

    O climatério é o período de transição que antecede a menopausa (quando os hormônios começam a oscilar). A menopausa propriamente dita é apenas a data da última menstruação, confirmada após 12 meses seguidos sem sangramento.

    6. Por que a pele fica mais seca na menopausa?

    A queda do estrogênio reduz a produção de colágeno e de óleos naturais da pele. Isso a torna mais fina, menos elástica e mais propensa a coceiras e descamações.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Menopausa precoce: o que é, sintomas, o que causa e se é possível reverter

    Menopausa precoce: o que é, sintomas, o que causa e se é possível reverter

    A menopausa é uma fase natural da vida marcada pelo fim definitivo da menstruação e da capacidade reprodutiva, causada pela redução na produção de hormônios femininos, como estrogênio e progesterona.

    Normalmente, ocorre entre os 45 e 55 anos, mas fatores genéticos, estilo de vida e condições de saúde podem antecipar esse processo. Nesses casos, a condição recebe o nome de falência ovariana precoce, popularmente conhecida como menopausa precoce.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a menopausa precoce acomete cerca de 1% das mulheres antes dos 40 anos e pode trazer impactos significativos para a saúde física e emocional. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é menopausa precoce?

    A menopausa precoce precoce é a interrupção definitiva da menstruação antes dos 40 anos de idade. Ela acontece quando ovários reduzem de forma progressiva a produção de hormônios femininos, especialmente o estrogênio e a progesterona, que regulam o ciclo menstrual e diversas funções do organismo.

    Em condições habituais, a menopausa surge entre 45 e 55 anos, mas nos quadros precoces, a falência ovariana ocorre antes do esperado, resultando na perda da função reprovutiva e em alterações hormonais semelhantes às observadas na menopausa que surge na idade considerada habitual.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a principal preocupação da menopausa precoce é a redução dos hormônios femininos, que também exercem função protetora sobre a saúde óssea e cardiovascular, muitas vezes uma década antes do esperado.

    De acordo com a SBEM, mulheres com falência ovariana precoce apresentam risco quatro vezes maior de doenças cardíacas e sete vezes maior de osteoporose.

    O que causa a menopausa precoce?

    As causas podem variar bastante e, em muitos casos, não são completamente identificadas. Entre alguns dos fatores associados, é possível destacar:

    • Predisposição genética, quando há histórico familiar: se a mãe ou irmãs entraram na menopausa cedo, o risco é significativamente maior, sugerindo mutações em genes que controlam a reserva de óvulos;
    • Alterações cromossômicas: condições congênitas, como a síndrome de Turner (onde falta um cromossomo X total ou parcialmente) ou a síndrome do X Frágil, podem causar o desenvolvimento incompleto dos ovários ou a perda acelerada de folículos;
    • Doenças autoimunes: o sistema imunológico pode, por erro, produzir anticorpos que atacam o tecido ovariano. Isso é frequentemente observado em mulheres que já possuem outras condições, como tireoidite de Hashimoto, vitiligo ou lúpus;
    • Tratamentos oncológicos, como quimioterapia e radioterapia: quimioterapia e a radioterapia (especialmente na região pélvica) são gonadotóxicas, ou seja, podem “matar” os folículos ovarianos durante o combate às células cancerígenas, resultando em uma menopausa imediata ou acelerada;
    • Cirurgias ginecológicas: a remoção cirúrgica dos dois ovários (ooforectomia bilateral) causa a chamada menopausa cirúrgica. No entanto, mesmo cirurgias que preservam os ovários, mas interferem na irrigação sanguínea da região, podem antecipar a falência do órgão;
    • Tabagismo intenso e prolongado: é o fator de risco evitável mais comum, uma vez que substâncias presentes no cigarro têm efeito tóxico direto nos ovários;
    • Em algumas mulheres, mesmo após investigação detalhada, não é possível apontar uma causa específica.

      Sintomas da menopausa precoce

      Os sintomas da menopausa precoce são semelhantes aos da menopausa em idade regular, mas tendem a ser mais severos e abruptos em algumas mulheres, já que o corpo não teve tempo de se adaptar à queda hormonal gradual.

      Entre os mais comuns, é possível destacar:

      • Ondas de calor e suor noturno;
      • Irregularidade menstrual antes da parada definitiva;
      • Alterações de humor, irritabilidade e ansiedade;
      • Insônia e sono fragmentado;
      • Ressecamento vaginal e desconforto nas relações;
      • Redução da libido;
      • Ganho de peso e mudanças na distribuição de gordura;
      • Queda de cabelo e pele mais ressecada;
      • Dores articulares e musculares;
      • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

      Como a menopausa é diagnosticada?

      O diagnóstico da menopausa precoce começa com uma avaliação clínica detalhada, levando em conta a idade da mulher, o histórico menstrual e a presença de sintomas compatíveis com queda hormonal. A partir dessa suspeita inicial, são solicitados exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico e, em seguida, investigar a causa.

      O principal teste é o exame de sangue de FSH (hormônio folículo-estimulante), que avalia os níveis produzidos pela hipófise. Segundo Andréia, valores elevados de FSH, geralmente acima de 30, associados a níveis baixos de estrogênio e estradiol, confirmam o diagnóstico de falência ovariana.

      Também pode ser solicitada a avaliação do hormônio anti-mülleriano, utilizado para analisar a reserva ovariana. A partir do valor encontrado, é possível estimar se essa reserva está dentro do esperado, reduzida ou mais comprometida.

      Após a confirmação, é necessário uma investigação para identificar o motivo da perda precoce da função dos ovários, a partir de diferentes exames, como exames genéticos, ultrassom e pesquisa de autoanticorpos, para investigação de doenças autoimunes.

      É possível reverter a menopausa precoce?

      Não é possível reverter o processo de falência ovariana, já que a perda da função dos ovários tende a ser permanente. Na maioria dos casos, os ovários deixam de responder de forma adequada aos estímulos hormonais, o que impede a retomada regular da ovulação e da produção hormonal.

      Quem tem menopausa precoce pode engravidar?

      A impossibilidade de reverter a menopausa precoce não significa que uma gravidez não seja possível. Em alguns casos, Andréia explica que a mulher ainda possui alguns óvulos viáveis, que podem ser estimulados e utilizados por meio de técnicas de reprodução assistida.

      Quando não há mais óvulos disponíveis, a doação de óvulos surge como uma alternativa viável para quem deseja engravidar.

      No caso de pessoas que vão entrar em tratamento oncológico e desejam engravidar, existe um protocolo para congelamento de óvulos ou embriões antes da quimioterapia. Assim, mesmo que ela perca a função ovariana depois, ainda terá essa possibilidade no futuro.

      Como é feito o tratamento de menopausa precoce?

      Se a paciente com menopausa precoce não deseja ter filhos, o tratamento é semelhante ao realizado na menopausa que ocorre na idade habitual. Ele é feito para repor os hormônios que o organismo deixou de produzir, aliviando os sintomas e protegendo a saúde a longo prazo.

      A terapia de reposição hormonal, quando não há contraindicações, costuma ser indicada até a idade em que a menopausa ocorreria naturalmente. Ela ajuda a controlar ondas de calor, alterações do sono, ressecamento vaginal e oscilações de humor, além de reduzir riscos como perda de massa óssea e alterações cardiovasculares.

      Além da reposição hormonal, o acompanhamento médico pode incluir orientações sobre alimentação, prática regular de atividade física, suplementação de cálcio e vitamina D, cuidados com a saúde óssea e avaliação periódica do coração.

      Cuidados na menopausa precoce

      Como a queda hormonal acontece mais cedo do que o esperado, alguns cuidados são necessários para preservar a saúde e a qualidade de vida ao longo dos anos, como:

      1. Acompanhamento médico regular

      O acompanhamento com ginecologista é necessário para avaliar sintomas, ajustar a terapia hormonal quando indicada e monitorar possíveis impactos da deficiência hormonal. As consultas periódicas permitem prevenir complicações e adaptar o tratamento conforme as necessidades de cada mulher.

      2. Cuidado com a saúde óssea

      A redução do estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose. Por isso, pode ser necessário realizar exames específicos, além de avaliar a necessidade de suplementação de cálcio e vitamina D, sempre com orientação médica.

      3. Atenção à saúde cardiovascular

      Como o estrogênio atua como um escudo protetor para o sistema cardiovascular, auxiliando na manutenção da elasticidade dos vasos e no equilíbrio lipídico, a queda antecipada acende um alerta para a saúde do coração.

      A menopausa precoce pode aumentar o risco de doenças coronárias, tornando importante o controle constante da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de outros fatores de risco metabólicos

      4. Alimentação equilibrada

      Com uma alimentação saudável e equilibrada no dia a dia, é possível reduzir parte dos impactos da queda hormonal e proteger a saúde a longo prazo. Uma dieta adequada contribui para a manutenção da massa óssea, do equilíbrio metabólico e da saúde cardiovascular, além de auxiliar no controle do peso e da disposição física.

      O ideal é apostar em alimentos ricos em cálcio, proteínas, fibras, vitaminas e minerais, que ajudam a minimizar os efeitos da deficiência hormonal e a manter o organismo mais estável.

      Também é importante manter uma boa hidratação e evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras em excesso, que podem aumentar o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares.

      5. Prática regular de atividade física

      A prática regular de atividade física contribui para preservar a densidade óssea e a força muscular. Além dos benefícios físicos, o movimento libera endorfinas que estabilizam o humor e melhoram a arquitetura do sono.

      O ideal é uma rotina personalizada, que combine treinos de resistência (musculação) com atividades aeróbicas, respeitando as condições individuais. Uma profissional pode te ajudar nesse processo!

      6. Cuidados com a saúde vaginal e sexual

      O ressecamento vaginal e o desconforto íntimo podem surgir com mais intensidade. Existem tratamentos locais e orientações específicas que ajudam a aliviar os sintomas e a manter o bem-estar e a vida sexual confortável.

      7. Atenção à saúde emocional

      Com a falência ovariana precoce, alterações de humor, ansiedade e irritabilidade podem surgir ao longo do processo. O acompanhamento psicológico é importante para ajudar a mulher a compreender as mudanças hormonais, lidar com o impacto emocional do diagnóstico e desenvolver estratégias para manter o equilíbrio emocional.

      Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

      Perguntas frequentes

      1. Qual é a diferença entre menopausa e climatério?

      O climatério é o período de transição que antecede a menopausa, onde os hormônios começam a oscilar. A menopausa, tecnicamente, é apenas a data da última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem sangramento.

      2. Com que idade a menopausa é considerada precoce?

      A menopausa é considerada precoce quando ocorre antes dos 40 anos. Se acontecer entre os 40 e 45 anos, é chamada de menopausa antecipada.

      3. O uso de anticoncepcionais pode causar menopausa precoce?

      Não. Os anticoncepcionais “poupam” a ovulação, mas não impedem o envelhecimento natural dos folículos ovarianos, nem antecipam esse processo.

      4. Ter tido a primeira menstruação muito cedo antecipa a menopausa?

      Não há uma relação direta comprovada. A reserva ovariana é determinada geneticamente e por outros fatores ambientais, não apenas pela data da primeira menstruação.

      5. O que é o “rejuvenescimento ovariano”?

      É um termo usado para técnicas experimentais (como a injeção de plasma rico em plaquetas nos ovários) que tentam “reativar” folículos dormentes. No entanto, ainda não possuem comprovação científica robusta para serem indicadas como tratamento padrão.

      6. O consumo de álcool interfere nos sintomas da menopausa?

      Sim. O álcool pode atuar como um gatilho para os fogachos (ondas de calor) e piorar a qualidade do sono, que já costuma estar fragmentado nessa fase.

      Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos