Névoa mental na menopausa: o que é e como tratar o “brain fog”

mulher na menopausa sentada pensativa no quarto, representando sintomas de névoa mental, dificuldade de concentração e lapsos de memória

Você já ouviu falar em brain fog? O termo, também conhecido como névoa mental, é usado para descrever a sensação de mente lenta, confusa ou com dificuldade de pensar com clareza. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é um dos sintomas mais incômodos durante o climatério e pode afetar diretamente a produtividade.

A névoa mental afeta cerca de 60% das mulheres durante a transição da perimenopausa para a pós-menopausa, e acontece por causa da diminuição nos níveis de estrogênio, que afeta neurotransmissores como serotonina e dopamina.

Como consequência, a mulher pode perceber dificuldade para se concentrar, esquecimentos mais frequentes, sensação de “branco” no meio de uma conversa e até uma certa lentidão para organizar pensamentos e tomar decisões.

O que é névoa mental e por que acontece na menopausa?

A névoa mental consiste em um conjunto de sintomas que afetam o funcionamento cognitivo, como dificuldade de concentração, lapsos de memória, raciocínio mais lento e sensação de confusão mental ao longo do dia.

Ela pode aparecer em diferentes condições de saúde, mas, na menopausa, está associada diretamente à queda do estrogênio, que atua ajudando no funcionamento de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que estão ligados à memória, ao foco e ao humor.

Ao mesmo tempo, fatores como noites mal dormidas, estresse, ansiedade e cansaço podem intensificar ainda mais os sintomas.

Apesar de ser desconfortável, o brain fog tende a ser temporário e pode melhorar com o tempo, especialmente com cuidados no estilo de vida e acompanhamento adequado.

Quais os sintomas de névoa mental na menopausa?

Os sintomas de névoa mental na menopausa podem variar de mulher para mulher, mas frequentemente envolvem:

  • Dificuldade de concentração, especialmente em tarefas que exigem foco por mais tempo;
  • Esquecimentos frequentes, como compromissos, nomes ou onde deixou objetos;
  • Sensação de “branco” no meio de uma conversa;
  • Raciocínio mais lento para entender ou responder algo;
  • Dificuldade para organizar pensamentos ou tomar decisões;
  • Sensação de mente confusa;
  • Dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa;
  • Redução da produtividade no trabalho ou nos estudos.

Os sintomas podem variar de intensidade e dificultam a realização de tarefas rotineiras, como manter uma conversa, ouvir instruções ou lembrar os passos de algo que você está fazendo.

Como tratar a névoa mental na menopausa?

Não existe um tratamento específico para diminuir a névoa mental na menopausa, mas o profissional de saúde pode recomendar algumas mudanças no estilo de vida, como:

  • Manter uma rotina de acesso regular e priorizar um descanso de qualidade;
  • Ter uma alimentação equilibrada, rica em antioxidantes, fitoestrogênios e ômega-3;
  • Praticar atividade física regularmente, pelo menos 30 minutos por dia;
  • Anotar compromissos e tarefas importantes para ajudar na organização;
  • Fazer pausas ao longo do dia para evitar sobrecarga mental;
  • Realizar exercícios cognitivos, como aprender algo novo (como um idioma) e ler um livro;
  • Cuidar da saúde emocional, com acompanhamento psicológico quando necessário.

Quando os sintomas persistem, são mais intensos ou acompanham mais sinais incômodos do climatério, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal, que consiste na reposição dos hormônios que estão em queda.

Ao estabilizar os níveis de estrogênio, é possível melhorar significativamente a memória verbal e a clareza mental. Contudo, o tratamento não é indicado para todas as mulheres e a opção deve ser discutida com o médico, considerando os riscos e benefícios individuais.

Quanto tempo dura o brain fog?

A duração da névoa mental na menopausa pode variar de mulher para mulher, mas, na maioria dos casos, é uma condição temporária. Os sintomas costumam ser mais expressivos durante a perimenopausa e nos primeiros anos após a menopausa, quando as mudanças hormonais são mais intensas.

Com o tempo, o organismo se adapta à queda do estrogênio, e a clareza mental tende a melhorar aos poucos. Em algumas mulheres, a brain fog dura poucos meses, já em outras, pode se estender por mais tempo, especialmente quando há fatores como estresse, noites mal dormidas e rotina desorganizada.

Quando procurar um médico?

É importante procurar a avaliação de um médico nos seguintes casos:

  • Dificuldade de memória ou concentração passa a atrapalhar o trabalho ou tarefas simples;
  • Os esquecimentos se tornam frequentes ou mais intensos;
  • Há sensação constante de confusão mental;
  • Os sintomas vêm acompanhados de ansiedade, tristeza ou alterações de humor persistentes;
  • O sono está muito ruim ou não melhora com ajustes na rotina;
  • Surgem outros sintomas importantes do climatério, como ondas de calor intensas ou cansaço excessivo.

Por ser uma fase de adaptação neurológica aos baixos níveis de estrogênio, o brain fog raramente é permanente.

Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

Perguntas frequentes

1. Como diferenciar o brain fog do Alzheimer?

É comum o medo, mas no brain fog da menopausa a pessoa geralmente lembra da informação mais tarde. No Alzheimer, a perda de memória é progressiva e compromete a execução de tarefas básicas e o julgamento.

2. Por que a queda de estrogênio afeta a memória?

O estrogênio funciona como um “combustível” cerebral, ajudando no metabolismo da glicose e na comunicação entre os neurônios. Quando ele cai, o cérebro precisa de mais esforço para processar informações.

3. Existem vitaminas que melhoram o foco nesta fase?

As vitaminas do complexo B (especialmente a B12), o magnésio e a vitamina D são fundamentais para a saúde neurológica e podem ajudar a reduzir o cansaço mental, mas qualquer suplementação deve ser feita com orientação médica.

4. Beber café ajuda a combater a névoa mental?

A cafeína pode dar um alerta temporário, mas em excesso pode piorar a ansiedade e os fogachos, prejudicando o sono e agravando a confusão mental no dia seguinte.

5. Quando os esquecimentos devem ser motivo de preocupação?

Se os lapsos de memória vierem acompanhados de desorientação no tempo/espaço ou se impedirem a realização de tarefas rotineiras, é fundamental consultar um neurologista.

6. Existe algum exame de sangue para diagnosticar o brain fog?

Não existe um exame específico para o “brain fog”, mas o médico pode solicitar dosagens hormonais (FSH, estradiol), de tireoide e de vitaminas (B12, D) para descartar outras causas de cansaço mental.

7. É possível trabalhar normalmente com brain fog?

Sim, mas muitas mulheres precisam adaptar sua rotina, utilizando mais listas, lembretes no celular e priorizando uma tarefa por vez (evitando o multitasking) para manter a produtividade.

Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos