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  • Fases do climatério: o que é, sintomas e o que acontece com o corpo

    Fases do climatério: o que é, sintomas e o que acontece com o corpo

    O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva, em que acontece uma queda gradual na produção de hormônios pelos ovários. Apesar de normalmente confundido com a menopausa, o climatério não é um momento específico, mas um processo contínuo que pode durar vários anos.

    Ele inclui todas as mudanças físicas e emocionais que aparecem antes e depois da última menstruação, funcionando como uma fase de adaptação do corpo para uma nova etapa da vida. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, ele costuma ter início a partir dos 40 anos de idade.

    Afinal, o que é o climatério?

    O climatério é o nome dado a todo o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva. Ao contrário da menopausa, que é um evento pontual (a data da última menstruação), o climatério é um processo gradual e prolongado que pode durar dos 40 aos 65 anos, aproximadamente.

    Ele acontece por causa da diminuição natural da reserva ovariana, um processo fisiológico e contínuo que ocorre em todas as mulheres ao longo da vida, resultando em menor quantidade e qualidade dos óvulos.

    Com menos folículos ovarianos ativos, a ovulação passa a ser irregular e a produção de hormônios como progesterona e estrogênio diminui, o que impacta diversos sistemas do corpo, desde o controle da temperatura interna até a saúde dos ossos e do coração.

    Quais são as fases do climatério?

    O climatério costuma ser dividido em três fases principais, sendo elas:

    1. Perimenopausa (ou pré-menopausa)

    A perimenopausa é a fase que acontece antes da menopausa e marca o início das mudanças hormonais no corpo da mulher. Durante o período, a mulher ainda menstrua, mas de forma irregular, com ciclos que podem variar bastante em duração e intensidade. É comum que a menstruação atrase, adiante ou até fique ausente por alguns meses.

    Normalmente, a perimenopausa se inicia por volta dos 40 aos 45 anos, mas pode começar antes em algumas mulheres, segundo Andreia. Ela pode durar de 4 a 8 anos, terminando oficialmente quando a mulher atinge a menopausa, que acontece quando ela completa 12 meses seguidos sem menstruar.

    Ao longo da fase, é comum que os sintomas fiquem mais intensos conforme a última menstruação se aproxima.

    Quais os sintomas da perimenopausa?

    Como os hormônios estão instáveis, os sintomas podem surgir e desaparecer espontaneamente:

    • Irregularidade menstrual;
    • Ondas de calor (fogachos);
    • Dificuldade para adormecer ou episódios de suor noturno;
    • Irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem motivo aparente;
    • Alteração no desejo sexual e possível secura vaginal.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    De acordo com Andreia, apesar da chance ser menor, é possível engravidar na perimenopausa. A fertilidade feminina diminui drasticamente na fase devido à menor reserva de óvulos, mas a ovulação ainda pode ocorrer de forma esporádica e imprevisível.

    Por isso, o recomendado é manter o uso de métodos contraceptivos até que a menopausa seja confirmada.

    2. Menopausa

    A menopausa é o marco que indica o fim definitivo da fase reprodutiva da mulher. Diferente do climatério, que é um processo longo, Andreia explica que a menopausa é um evento específico: ela consiste na última menstruação após 12 meses consecutivos sem fluxo.

    Se ocorrer qualquer sangramento vaginal nesse intervalo de um ano, a contagem deve ser reiniciada.

    Em média, a menopausa acontece entre os 45 e 55 anos. Quando ocorre antes dos 40 anos, é classificada como menopausa precoce, normalmente precisando de uma investigação médica mais detalhada para identificar as causas.

    Quais os sintomas da menopausa?

    Na menopausa, os ovários interrompem a produção de estrogênio e progesterona, causando sintomas como:

    • Ondas de calor (fogachos), que surgem de forma repentina e podem vir acompanhadas de vermelhidão;
    • Suor noturno, que pode atrapalhar o sono;
    • Dificuldade para dormir ou sono mais leve e fragmentado;
    • Alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade ou tristeza;
    • Ressecamento vaginal, causando desconforto ou dor nas relações;
    • Diminuição da libido;
    • Cansaço frequente e falta de energia;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Nem todas as mulheres apresentam os sintomas, e algumas passam pela fase com pouco desconforto. Mas, quando eles começam a atrapalhar o dia a dia ou o bem-estar, vale procurar um médico para receber orientação e encontrar formas de aliviar os incômodos.

    É importante lembrar que a redução do estrogênio aumenta o risco de perda de massa óssea (osteoporose) e doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares.

    Por isso, mesmo com o fim da menstruação ainda é necessário manter uma rotina periódica de exames de rotina, como mamografia, densitometria óssea e check-ups cardiovasculares.

    3. Pós-menopausa

    A pós-menopausa é a última fase do climatério e compreende todo o período da vida da mulher após a confirmação da menopausa. Ela se inicia oficialmente quando se completa 1 ano inteiro desde a última menstruação e se estende até o final da vida.

    Nessa etapa, os ovários já não liberam óvulos, e os níveis de hormônios, como o estrogênio e a progesterona, permanecem baixos permanentemente. Alguns sintomas da fase anterior podem continuar, como ondas de calor e ressecamento vaginal, mas, para muitas mulheres, eles tendem a diminuir com o tempo.

    Cuidados na pós-menopausa

    A partir da pós-menopausa, com a ausência permanente do estrogênio, o corpo fica mais vulnerável a algumas condições de saúde, como a perda de massa óssea, que pode levar ao desenvolvimento de osteoporose e aumentar o risco de fraturas, além do maior risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC.

    Também podem ocorrer alterações no metabolismo, que favorecem o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.

    No dia a dia, a mulher deve adotar alguns cuidados para garantir a qualidade de vida, como:

    • Garantir a ingestão adequada de cálcio por meio da alimentação ou suplementação;
    • Manter níveis adequados de vitamina D para ajudar na absorção do cálcio;
    • Realizar a densitometria óssea para acompanhar a saúde dos ossos;
    • Controlar os níveis de colesterol e triglicerídeos com exames regulares;
    • Monitorar a pressão arterial com frequência;
    • Praticar musculação ou exercícios de resistência para preservar a massa muscular e fortalecer os ossos;
    • Incluir exercícios aeróbicos, como caminhada, natação ou bicicleta, para cuidar do coração e do peso;
    • Usar hidratantes e lubrificantes íntimos para reduzir o ressecamento vaginal, conforme orientação médica;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, grãos integrais e gorduras boas;
    • Reduzir o consumo de açúcar e de sódio para evitar problemas metabólicos;
    • Manter a mente ativa com leitura, aprendizado e convívio social;
    • Buscar apoio psicológico quando houver sintomas persistentes de ansiedade ou tristeza.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do climatério e da menopausa é feito com base na avaliação clínica, a partir da idade, do padrão do ciclo menstrual e da presença de sintomas. Quando a mulher já ficou 12 meses seguidos sem menstruar, a menopausa é confirmada, sem necessidade de exames na maioria dos casos.

    Em algumas situações, o médico pode solicitar exames de sangue para avaliar os níveis hormonais, como:

    • FSH (hormônio folículo-estimulante): que costuma estar elevado na menopausa, pois o organismo tenta estimular os ovários, que já não respondem como antes;
    • Estradiol (estrogênio): geralmente apresenta níveis baixos, indicando a redução da atividade dos ovários.

    Os exames não são necessários em todos os casos, mas podem ser solicitados pelo médico quando há dúvidas no diagnóstico.

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo dura o climatério?

    O climatério dura, em média, de 7 a 10 anos ou mais, começando normalmente por volta dos 40 a 45 anos e se estendendo até a pós-menopausa.

    2. Por que sinto tantas ondas de calor (fogachos)?

    Isso ocorre devido à queda do estrogênio, que afeta o centro termorregulador no cérebro, fazendo com que o corpo sinta calor excessivo mesmo em ambientes frios.

    3. O climatério causa ganho de peso?

    As alterações hormonais tornam o metabolismo mais lento e favorecem o acúmulo de gordura na região abdominal, o que exige ajustes na dieta e exercícios.

    4. O que é menopausa precoce?

    É quando a última menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade, podendo ser causada por genética, doenças autoimunes ou tratamentos como quimioterapia.

    5. É normal ter sangramento após a menopausa?

    Não! Qualquer sangramento vaginal após um ano sem menstruar deve ser investigado imediatamente por um ginecologista para descartar alterações no endométrio.

    6. É normal sentir palpitações cardíacas no climatério?

    Sim, as oscilações hormonais podem afetar o sistema nervoso autônomo, causando episódios de batimentos acelerados (taquicardia), que muitas vezes acompanham as ondas de calor. No entanto, é importante descartar causas cardíacas com um médico.

    7. O que é a “barriga da menopausa”?

    É o acúmulo de gordura visceral (abdominal) causado pela queda do estrogênio, que muda o padrão de distribuição de gordura do corpo feminino (que antes se concentrava mais em quadris e coxas).

    8. Quanto tempo depois da menopausa os sintomas desaparecem?

    Na maioria das mulheres, os sintomas mais intensos (como fogachos) melhoram significativamente entre 2 a 5 anos após a última menstruação, embora o corpo continue em adaptação permanente na pós-menopausa.

  • Névoa mental na menopausa: o que é e como tratar o “brain fog”

    Névoa mental na menopausa: o que é e como tratar o “brain fog”

    Você já ouviu falar em brain fog? O termo, também conhecido como névoa mental, é usado para descrever a sensação de mente lenta, confusa ou com dificuldade de pensar com clareza. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é um dos sintomas mais incômodos durante o climatério e pode afetar diretamente a produtividade.

    A névoa mental afeta cerca de 60% das mulheres durante a transição da perimenopausa para a pós-menopausa, e acontece por causa da diminuição nos níveis de estrogênio, que afeta neurotransmissores como serotonina e dopamina.

    Como consequência, a mulher pode perceber dificuldade para se concentrar, esquecimentos mais frequentes, sensação de “branco” no meio de uma conversa e até uma certa lentidão para organizar pensamentos e tomar decisões.

    O que é névoa mental e por que acontece na menopausa?

    A névoa mental consiste em um conjunto de sintomas que afetam o funcionamento cognitivo, como dificuldade de concentração, lapsos de memória, raciocínio mais lento e sensação de confusão mental ao longo do dia.

    Ela pode aparecer em diferentes condições de saúde, mas, na menopausa, está associada diretamente à queda do estrogênio, que atua ajudando no funcionamento de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que estão ligados à memória, ao foco e ao humor.

    Ao mesmo tempo, fatores como noites mal dormidas, estresse, ansiedade e cansaço podem intensificar ainda mais os sintomas.

    Apesar de ser desconfortável, o brain fog tende a ser temporário e pode melhorar com o tempo, especialmente com cuidados no estilo de vida e acompanhamento adequado.

    Quais os sintomas de névoa mental na menopausa?

    Os sintomas de névoa mental na menopausa podem variar de mulher para mulher, mas frequentemente envolvem:

    • Dificuldade de concentração, especialmente em tarefas que exigem foco por mais tempo;
    • Esquecimentos frequentes, como compromissos, nomes ou onde deixou objetos;
    • Sensação de “branco” no meio de uma conversa;
    • Raciocínio mais lento para entender ou responder algo;
    • Dificuldade para organizar pensamentos ou tomar decisões;
    • Sensação de mente confusa;
    • Dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa;
    • Redução da produtividade no trabalho ou nos estudos.

    Os sintomas podem variar de intensidade e dificultam a realização de tarefas rotineiras, como manter uma conversa, ouvir instruções ou lembrar os passos de algo que você está fazendo.

    Como tratar a névoa mental na menopausa?

    Não existe um tratamento específico para diminuir a névoa mental na menopausa, mas o profissional de saúde pode recomendar algumas mudanças no estilo de vida, como:

    • Manter uma rotina de acesso regular e priorizar um descanso de qualidade;
    • Ter uma alimentação equilibrada, rica em antioxidantes, fitoestrogênios e ômega-3;
    • Praticar atividade física regularmente, pelo menos 30 minutos por dia;
    • Anotar compromissos e tarefas importantes para ajudar na organização;
    • Fazer pausas ao longo do dia para evitar sobrecarga mental;
    • Realizar exercícios cognitivos, como aprender algo novo (como um idioma) e ler um livro;
    • Cuidar da saúde emocional, com acompanhamento psicológico quando necessário.

    Quando os sintomas persistem, são mais intensos ou acompanham mais sinais incômodos do climatério, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal, que consiste na reposição dos hormônios que estão em queda.

    Ao estabilizar os níveis de estrogênio, é possível melhorar significativamente a memória verbal e a clareza mental. Contudo, o tratamento não é indicado para todas as mulheres e a opção deve ser discutida com o médico, considerando os riscos e benefícios individuais.

    Quanto tempo dura o brain fog?

    A duração da névoa mental na menopausa pode variar de mulher para mulher, mas, na maioria dos casos, é uma condição temporária. Os sintomas costumam ser mais expressivos durante a perimenopausa e nos primeiros anos após a menopausa, quando as mudanças hormonais são mais intensas.

    Com o tempo, o organismo se adapta à queda do estrogênio, e a clareza mental tende a melhorar aos poucos. Em algumas mulheres, a brain fog dura poucos meses, já em outras, pode se estender por mais tempo, especialmente quando há fatores como estresse, noites mal dormidas e rotina desorganizada.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar a avaliação de um médico nos seguintes casos:

    • Dificuldade de memória ou concentração passa a atrapalhar o trabalho ou tarefas simples;
    • Os esquecimentos se tornam frequentes ou mais intensos;
    • Há sensação constante de confusão mental;
    • Os sintomas vêm acompanhados de ansiedade, tristeza ou alterações de humor persistentes;
    • O sono está muito ruim ou não melhora com ajustes na rotina;
    • Surgem outros sintomas importantes do climatério, como ondas de calor intensas ou cansaço excessivo.

    Por ser uma fase de adaptação neurológica aos baixos níveis de estrogênio, o brain fog raramente é permanente.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Como diferenciar o brain fog do Alzheimer?

    É comum o medo, mas no brain fog da menopausa a pessoa geralmente lembra da informação mais tarde. No Alzheimer, a perda de memória é progressiva e compromete a execução de tarefas básicas e o julgamento.

    2. Por que a queda de estrogênio afeta a memória?

    O estrogênio funciona como um “combustível” cerebral, ajudando no metabolismo da glicose e na comunicação entre os neurônios. Quando ele cai, o cérebro precisa de mais esforço para processar informações.

    3. Existem vitaminas que melhoram o foco nesta fase?

    As vitaminas do complexo B (especialmente a B12), o magnésio e a vitamina D são fundamentais para a saúde neurológica e podem ajudar a reduzir o cansaço mental, mas qualquer suplementação deve ser feita com orientação médica.

    4. Beber café ajuda a combater a névoa mental?

    A cafeína pode dar um alerta temporário, mas em excesso pode piorar a ansiedade e os fogachos, prejudicando o sono e agravando a confusão mental no dia seguinte.

    5. Quando os esquecimentos devem ser motivo de preocupação?

    Se os lapsos de memória vierem acompanhados de desorientação no tempo/espaço ou se impedirem a realização de tarefas rotineiras, é fundamental consultar um neurologista.

    6. Existe algum exame de sangue para diagnosticar o brain fog?

    Não existe um exame específico para o “brain fog”, mas o médico pode solicitar dosagens hormonais (FSH, estradiol), de tireoide e de vitaminas (B12, D) para descartar outras causas de cansaço mental.

    7. É possível trabalhar normalmente com brain fog?

    Sim, mas muitas mulheres precisam adaptar sua rotina, utilizando mais listas, lembretes no celular e priorizando uma tarefa por vez (evitando o multitasking) para manter a produtividade.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Menopausa: o que muda no acompanhamento ginecológico? 

    Menopausa: o que muda no acompanhamento ginecológico? 

    Com o fim da fase reprodutiva da mulher, que acontece após doze meses consecutivos sem menstruação, as consultas com o ginecologista precisam acompanhar as novas necessidades do organismo.

    A menopausa é causada diretamente pela diminuição drástica e permanente dos hormônios sexuais femininos, principalmente o estrogênio e a progesterona, o que aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e condições crônicas, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, mesmo quando a mulher não apresenta sintomas ou doenças diagnosticadas, os exames de rotina contribuem para identificar fatores de risco ou diagnósticos muito precoces, o que permite uma intervenção capaz de fazer diferença no prognóstico e na evolução da doença.

    Por que o acompanhamento ginecológico muda após a menopausa?

    Com o fim da menstruação, o corpo da mulher passa por mudanças devido a queda na produção dos hormônios estrogênio e progesterona. Além do sistema reprodutor, as mudanças hormonais também afetam a saúde dos ossos, do coração, do metabolismo e da região íntima.

    Nesta fase da vida, Andreia aponta que o ginecologista assume frequentemente o papel de clínico geral da mulher, acompanhando riscos que se tornam mais comuns com o passar dos anos:

    • Risco cardiovascular aumenta: sem o efeito protetor do estrogênio, as artérias ficam mais expostas ao acúmulo de gordura e ao aumento do colesterol, o que eleva o risco de doenças do coração;
    • Saúde dos ossos fica mais frágil: a queda dos hormônios acelera a perda de cálcio, por isso o acompanhamento da saúde óssea se torna essencial para prevenir osteoporose e fraturas;
    • Rastreamento de câncer precisa de mais atenção: com o avanço da idade, aumenta o risco de câncer de mama e de intestino, o que torna importante manter os exames em dia e com a frequência indicada pelo médico;
    • Surgem mudanças na região íntima: a diminuição hormonal pode causar ressecamento vaginal, desconforto e até perda de urina, mas esses sintomas têm tratamento e não precisam ser encarados como algo normal da idade;
    • Ocorrem mudanças no metabolismo: com a queda dos hormônios, o corpo tende a gastar menos energia, o que facilita o ganho de peso e pode aumentar o risco de diabetes e alterações no colesterol.

    A recomendação é que a consulta ginecológica seja feita anualmente, independentemente da idade ou da fase da vida, porque o acompanhamento e os exames são ajustados de acordo com cada etapa que a mulher está vivendo.

    Quais exames mudam ou são incluídos nesta fase?

    A escolha e a frequência de cada exame são individualizadas, mas alguns se tornam mais frequentes na menopausa:

    1. Mamografia e ultrassom de mama

    A mamografia é um dos principais exames de rotina, com recomendação anual a partir dos 40 anos de idade. Para mulheres com histórico familiar de câncer de mama, Andreia explica que a orientação é iniciar o rastreamento cerca de dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado.

    O ultrassom de mama pode ser solicitado como complemento, principalmente em casos de mamas densas ou quando há alguma alteração que precisa de uma avaliação mais detalhada.

    2. Teste de HPV e papanicolau

    O rastreio do câncer de colo do útero evoluiu nos últimos anos, e o teste de HPV passou a ser considerado o padrão-ouro desde julho de 2025. Ele permite identificar o vírus antes mesmo de alterações celulares aparecerem, o que possibilita um acompanhamento mais precoce.

    Diferente do Papanicolau, que detecta alterações já instaladas nas células do colo do útero, o teste de HPV atua identificando os tipos de vírus com maior risco de desenvolver câncer. Com isso, quando o resultado é negativo, o intervalo entre os exames pode ser maior, conforme a orientação médica.

    Já quando o teste é positivo, Andreia aponta que o acompanhamento se torna mais próximo, podendo incluir exames complementares, como a colposcopia e a vulvoscopia, para avaliar melhor o colo do útero, a vagina e a vulva e definir a necessidade de tratamento.

    Mesmo após os 65 anos, o acompanhamento pode continuar no consultório particular, especialmente se houver histórico de alterações ou se o rastreamento anterior não foi feito de forma adequada.

    3. Ultrassonografia transvaginal

    A ultrassonografia transvaginal continua sendo um exame importante no acompanhamento ginecológico, mas na menopausa, ele é focado na avaliação do endométrio e dos ovários. Como os ovários deixam de funcionar de forma ativa, o exame ajuda a identificar alterações estruturais, como cistos ou massas que precisam de investigação.

    No caso do endométrio, qualquer espessamento fora do padrão ou episódios de sangramento devem ser investigados com cuidado, já que podem estar relacionados a alterações benignas, como pólipos, ou a condições mais sérias, como o câncer de endométrio.

    4. Densitometria óssea

    A densitometria óssea costuma ser indicada a partir dos 50 anos, ou até antes, dependendo dos fatores de risco, como histórico familiar, menopausa precoce, baixo peso ou uso prolongado de alguns medicamentos.

    Com a queda do estrogênio na menopausa, ocorre uma perda mais acelerada de massa óssea, o que aumenta o risco de osteopenia e osteoporose. A identificação precoce dessas condições permite iniciar medidas de tratamento e prevenção, como ajustes na alimentação, prática de atividade física e, quando necessário, uso de medicamentos.

    5. Colonoscopia

    A colonoscopia passou a ser recomendada a partir dos 45 anos para o rastreio de pólipos e do câncer de intestino, segundo Andreia. O exame é importante porque muitas alterações começam de forma silenciosa, e a retirada de pólipos durante o procedimento pode evitar a progressão para câncer.

    6. Check-up cardiovascular e exames de sangue

    A menopausa aumenta significativamente o risco cardiovascular devido à queda dos níveis de estrogênio, hormônio que protege o coração e os vasos sanguíneos. Para isso, o médico pode solicitar alguns exames importantes, como:

    • Teste de esforço para avaliar o funcionamento do coração durante a atividade física;
    • Ecocardiograma para analisar a estrutura e o desempenho do coração;
    • Perfil lipídico para verificar os níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos;
    • Glicemia e hemoglobina glicada para investigar risco de diabetes ou resistência à insulina;
    • Dosagem de função renal e hepática para avaliar o funcionamento dos órgãos;
    • Marcadores inflamatórios, quando necessário, para complementar a avaliação de risco.

    Com base nos exames, o médico consegue identificar precocemente possíveis alterações, mesmo antes do aparecimento de sintomas. A partir disso, podem ser indicadas mudanças no estilo de vida, como ajustes na alimentação, prática regular de atividade física, controle do peso e redução do estresse.

    7. Avaliação urodinâmica

    De acordo com Andreia, a avaliação urodinâmica pode ser indicada quando há queixas de perda de urina, urgência ou dificuldade para segurar a urina.

    O exame ajuda a entender como a bexiga e a uretra estão funcionando e orienta o melhor tratamento para cada caso, já que a incontinência urinária é comum na menopausa, mas não deve ser considerada normal.

    Saúde sexual no climatério

    O climatério é a fase de transição natural em que a mulher passa do período reprodutivo para o não reprodutivo. Nesse período, Andreia explica que é comum a queixa de diminuição da libido e de dificuldades durante a relação sexual, devido a fatores como:

    • Queda dos hormônios femininos, que afeta diretamente o desejo sexual;
    • Ressecamento vaginal, causado pela síndrome geniturinária da menopausa;
    • Afinamento do tecido vaginal, que deixa a região mais sensível e propensa à dor;
    • Dor e desconforto na relação, o que pode levar à evitação do contato íntimo;
    • Fatores emocionais, como estresse, ansiedade e questões no relacionamento;
    • Cansaço e sobrecarga na rotina, que reduzem o interesse e a disponibilidade para a vida sexual.

    Durante o exame físico, o ginecologista observa a região íntima para identificar sinais de ressecamento, alterações na mucosa vaginal, perda de elasticidade e possíveis lesões ou infecções.

    Além da avaliação externa, pode ser realizado o exame com espéculo, que permite visualizar o canal vaginal e o colo do útero com mais detalhes. Em alguns casos, o médico também avalia o assoalho pélvico, verificando a força da musculatura, especialmente em mulheres que apresentam sintomas como dor na relação ou incontinência urinária.

    Sinais de alerta para procurar o ginecologista

    A mulher deve procurar um médico com urgência nas seguintes situações:

    • Sangramento vaginal após um ano sem menstruar, mesmo que seja um pequeno escape ou uma secreção rosada;
    • Nódulos ou alterações nas mamas, como presença de caroços, retração da pele, saída de secreção pelo mamilo ou mudança na textura;
    • Dor pélvica persistente ou sensação de pressão no baixo ventre que não melhora;
    • Perda urinária, como escapes ao tossir, espirrar, carregar peso ou uma urgência súbita de urinar;
    • Dor ou sangramento durante ou após a relação sexual;
    • Corrimento com odor forte, alteração na cor ou associado a coceira e irritação;
    • Aumento do volume abdominal, com sensação de estufamento ou inchaço persistente.

    Como é feito o tratamento das alterações hormonais?

    O tratamento das alterações hormonais no climatério deve ser individualizado, considerando os sintomas, as emoções e a qualidade de vida da mulher, segundo Andreia.

    Para tratar a atrofia e o ressecamento vaginal, o ginecologista pode prescrever o uso de estrogênio local (em cremes ou óvulos) e o uso de tecnologias regenerativas que melhoram a qualidade do tecido e o conforto na relação sexual.

    Quando há sintomas como ondas de calor, queda da libido ou alterações de humor, pode ser indicada a reposição hormonal, que repõe o estrogênio e ajuda a aliviar os sintomas. Em alguns casos, a progesterona também é associada, principalmente quando a mulher ainda possui útero, para garantir a segurança do tratamento.

    Além do tratamento com remédios, as mudanças no estilo de vida fazem diferença no controle dos sintomas, como a prática de atividade física, uma alimentação equilibrada, o cuidado com o sono e a redução do estresse.

    Em todos os casos, o mais importante é que o tratamento seja visto de forma completa, incluindo o corpo, a mente e a rotina da mulher, já que as mudanças hormonais afetam diferentes aspectos da saúde

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre climatério e menopausa?

    O climatério é todo o período de transição do estágio reprodutivo para o não reprodutivo. Já a menopausa é um marco específico: o momento após 12 meses consecutivos sem menstruação.

    2. Por que o risco de infarto aumenta após a menopausa?

    Porque a queda do estrogênio retira uma proteção natural das artérias. Sem o hormônio, o risco cardiovascular da mulher se iguala ao do homem, aumentando as chances de pressão alta e colesterol elevado.

    3. É normal ter escapes de urina na menopausa?

    É comum, mas não é normal. Qualquer perda urinária ao tossir, espirrar ou fazer esforço deve ser investigada. Existem tratamentos eficazes, como fisioterapia pélvica e intervenções médicas.

    4. O uso de estrogênio vaginal causa efeitos no corpo todo?

    O estrogênio tópico (cremes ou óvulos) tem ação majoritariamente local, focada em recuperar a mucosa vaginal, sendo uma opção segura para tratar a atrofia em muitas mulheres.

    5. Por que a mamografia não costuma ser feita antes dos 40 anos?

    Porque, em mulheres mais jovens, a mama costuma ser muito densa (com muito tecido glandular). Nesses casos, a mamografia traz pouca informação visual, sendo o ultrassom de mama o exame que oferece mais detalhes para o diagnóstico.

    6. O que são os “sorotipos de alto risco” no exame de HPV?

    Existem diversos tipos de vírus HPV. O protocolo do Ministério da Saúde foca nos tipos de alto risco oncogênico (mais propensos a causar câncer). No consultório particular, o médico avalia esses e outros sorotipos para um acompanhamento mais próximo.

    7. Quais exames o ginecologista pede para o coração?

    Além do perfil lipídico no sangue, podem ser solicitados o teste de esforço, o ecocardiograma transtorácico e o ultrassom de carótidas para avaliar a presença de placas ou alterações na função cardíaca.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos