O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva, em que acontece uma queda gradual na produção de hormônios pelos ovários. Apesar de normalmente confundido com a menopausa, o climatério não é um momento específico, mas um processo contínuo que pode durar vários anos.
Ele inclui todas as mudanças físicas e emocionais que aparecem antes e depois da última menstruação, funcionando como uma fase de adaptação do corpo para uma nova etapa da vida. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, ele costuma ter início a partir dos 40 anos de idade.
Afinal, o que é o climatério?
O climatério é o nome dado a todo o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva. Ao contrário da menopausa, que é um evento pontual (a data da última menstruação), o climatério é um processo gradual e prolongado que pode durar dos 40 aos 65 anos, aproximadamente.
Ele acontece por causa da diminuição natural da reserva ovariana, um processo fisiológico e contínuo que ocorre em todas as mulheres ao longo da vida, resultando em menor quantidade e qualidade dos óvulos.
Com menos folículos ovarianos ativos, a ovulação passa a ser irregular e a produção de hormônios como progesterona e estrogênio diminui, o que impacta diversos sistemas do corpo, desde o controle da temperatura interna até a saúde dos ossos e do coração.
Quais são as fases do climatério?
O climatério costuma ser dividido em três fases principais, sendo elas:
1. Perimenopausa (ou pré-menopausa)
A perimenopausa é a fase que acontece antes da menopausa e marca o início das mudanças hormonais no corpo da mulher. Durante o período, a mulher ainda menstrua, mas de forma irregular, com ciclos que podem variar bastante em duração e intensidade. É comum que a menstruação atrase, adiante ou até fique ausente por alguns meses.
Normalmente, a perimenopausa se inicia por volta dos 40 aos 45 anos, mas pode começar antes em algumas mulheres, segundo Andreia. Ela pode durar de 4 a 8 anos, terminando oficialmente quando a mulher atinge a menopausa, que acontece quando ela completa 12 meses seguidos sem menstruar.
Ao longo da fase, é comum que os sintomas fiquem mais intensos conforme a última menstruação se aproxima.
Quais os sintomas da perimenopausa?
Como os hormônios estão instáveis, os sintomas podem surgir e desaparecer espontaneamente:
- Irregularidade menstrual;
- Ondas de calor (fogachos);
- Dificuldade para adormecer ou episódios de suor noturno;
- Irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem motivo aparente;
- Alteração no desejo sexual e possível secura vaginal.
É possível engravidar na perimenopausa?
De acordo com Andreia, apesar da chance ser menor, é possível engravidar na perimenopausa. A fertilidade feminina diminui drasticamente na fase devido à menor reserva de óvulos, mas a ovulação ainda pode ocorrer de forma esporádica e imprevisível.
Por isso, o recomendado é manter o uso de métodos contraceptivos até que a menopausa seja confirmada.
2. Menopausa
A menopausa é o marco que indica o fim definitivo da fase reprodutiva da mulher. Diferente do climatério, que é um processo longo, Andreia explica que a menopausa é um evento específico: ela consiste na última menstruação após 12 meses consecutivos sem fluxo.
Se ocorrer qualquer sangramento vaginal nesse intervalo de um ano, a contagem deve ser reiniciada.
Em média, a menopausa acontece entre os 45 e 55 anos. Quando ocorre antes dos 40 anos, é classificada como menopausa precoce, normalmente precisando de uma investigação médica mais detalhada para identificar as causas.
Quais os sintomas da menopausa?
Na menopausa, os ovários interrompem a produção de estrogênio e progesterona, causando sintomas como:
- Ondas de calor (fogachos), que surgem de forma repentina e podem vir acompanhadas de vermelhidão;
- Suor noturno, que pode atrapalhar o sono;
- Dificuldade para dormir ou sono mais leve e fragmentado;
- Alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade ou tristeza;
- Ressecamento vaginal, causando desconforto ou dor nas relações;
- Diminuição da libido;
- Cansaço frequente e falta de energia;
- Dificuldade de concentração e lapsos de memória.
Nem todas as mulheres apresentam os sintomas, e algumas passam pela fase com pouco desconforto. Mas, quando eles começam a atrapalhar o dia a dia ou o bem-estar, vale procurar um médico para receber orientação e encontrar formas de aliviar os incômodos.
É importante lembrar que a redução do estrogênio aumenta o risco de perda de massa óssea (osteoporose) e doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares.
Por isso, mesmo com o fim da menstruação ainda é necessário manter uma rotina periódica de exames de rotina, como mamografia, densitometria óssea e check-ups cardiovasculares.
3. Pós-menopausa
A pós-menopausa é a última fase do climatério e compreende todo o período da vida da mulher após a confirmação da menopausa. Ela se inicia oficialmente quando se completa 1 ano inteiro desde a última menstruação e se estende até o final da vida.
Nessa etapa, os ovários já não liberam óvulos, e os níveis de hormônios, como o estrogênio e a progesterona, permanecem baixos permanentemente. Alguns sintomas da fase anterior podem continuar, como ondas de calor e ressecamento vaginal, mas, para muitas mulheres, eles tendem a diminuir com o tempo.
Cuidados na pós-menopausa
A partir da pós-menopausa, com a ausência permanente do estrogênio, o corpo fica mais vulnerável a algumas condições de saúde, como a perda de massa óssea, que pode levar ao desenvolvimento de osteoporose e aumentar o risco de fraturas, além do maior risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC.
Também podem ocorrer alterações no metabolismo, que favorecem o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.
No dia a dia, a mulher deve adotar alguns cuidados para garantir a qualidade de vida, como:
- Garantir a ingestão adequada de cálcio por meio da alimentação ou suplementação;
- Manter níveis adequados de vitamina D para ajudar na absorção do cálcio;
- Realizar a densitometria óssea para acompanhar a saúde dos ossos;
- Controlar os níveis de colesterol e triglicerídeos com exames regulares;
- Monitorar a pressão arterial com frequência;
- Praticar musculação ou exercícios de resistência para preservar a massa muscular e fortalecer os ossos;
- Incluir exercícios aeróbicos, como caminhada, natação ou bicicleta, para cuidar do coração e do peso;
- Usar hidratantes e lubrificantes íntimos para reduzir o ressecamento vaginal, conforme orientação médica;
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, grãos integrais e gorduras boas;
- Reduzir o consumo de açúcar e de sódio para evitar problemas metabólicos;
- Manter a mente ativa com leitura, aprendizado e convívio social;
- Buscar apoio psicológico quando houver sintomas persistentes de ansiedade ou tristeza.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do climatério e da menopausa é feito com base na avaliação clínica, a partir da idade, do padrão do ciclo menstrual e da presença de sintomas. Quando a mulher já ficou 12 meses seguidos sem menstruar, a menopausa é confirmada, sem necessidade de exames na maioria dos casos.
Em algumas situações, o médico pode solicitar exames de sangue para avaliar os níveis hormonais, como:
- FSH (hormônio folículo-estimulante): que costuma estar elevado na menopausa, pois o organismo tenta estimular os ovários, que já não respondem como antes;
- Estradiol (estrogênio): geralmente apresenta níveis baixos, indicando a redução da atividade dos ovários.
Os exames não são necessários em todos os casos, mas podem ser solicitados pelo médico quando há dúvidas no diagnóstico.
Perguntas frequentes
1. Quanto tempo dura o climatério?
O climatério dura, em média, de 7 a 10 anos ou mais, começando normalmente por volta dos 40 a 45 anos e se estendendo até a pós-menopausa.
2. Por que sinto tantas ondas de calor (fogachos)?
Isso ocorre devido à queda do estrogênio, que afeta o centro termorregulador no cérebro, fazendo com que o corpo sinta calor excessivo mesmo em ambientes frios.
3. O climatério causa ganho de peso?
As alterações hormonais tornam o metabolismo mais lento e favorecem o acúmulo de gordura na região abdominal, o que exige ajustes na dieta e exercícios.
4. O que é menopausa precoce?
É quando a última menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade, podendo ser causada por genética, doenças autoimunes ou tratamentos como quimioterapia.
5. É normal ter sangramento após a menopausa?
Não! Qualquer sangramento vaginal após um ano sem menstruar deve ser investigado imediatamente por um ginecologista para descartar alterações no endométrio.
6. É normal sentir palpitações cardíacas no climatério?
Sim, as oscilações hormonais podem afetar o sistema nervoso autônomo, causando episódios de batimentos acelerados (taquicardia), que muitas vezes acompanham as ondas de calor. No entanto, é importante descartar causas cardíacas com um médico.
7. O que é a “barriga da menopausa”?
É o acúmulo de gordura visceral (abdominal) causado pela queda do estrogênio, que muda o padrão de distribuição de gordura do corpo feminino (que antes se concentrava mais em quadris e coxas).
8. Quanto tempo depois da menopausa os sintomas desaparecem?
Na maioria das mulheres, os sintomas mais intensos (como fogachos) melhoram significativamente entre 2 a 5 anos após a última menstruação, embora o corpo continue em adaptação permanente na pós-menopausa.


