Categoria: Bem-estar

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  • Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

    Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

    Quem tem pressão alta ou quer evitar ter no futuro, precisa saber que o que vai no prato pode ajudar a cuidar do coração. Uma das estratégias mais recomendadas por especialistas no mundo todo é a dieta DASH, uma sigla em inglês que significa Dietary Approaches to Stop Hypertension, ou, em português, “Abordagem Alimentar para Reduzir a Hipertensão”.

    Apesar do nome complicado, a ideia por trás dela é bem simples: comer comida de verdade, reduzir o sal e montar pratos coloridos, nutritivos e equilibrados. Apesar de ter sido criada nos Estados Unidos, dá para adaptar a dieta DASH ao arroz com feijão bem brasileiro de todo dia.

    O que é a dieta DASH e para que ela serve?

    A dieta DASH foi criada nos EUA como uma dieta para pressão alta, ou seja, o intuito era de ajudar a controlar a pressão arterial. Mas, de tão eficaz, ela acabou virando referência também para prevenção de doenças do coração, controle do colesterol e melhora da saúde no geral.

    Segundo o cardiologista Pablo Cartaxo, do Instituto do Coração da USP (InCor), a dieta DASH é baseada no alto consumo de frutas, legumes, verduras, leite e derivados desnatados, cereais integrais e oleaginosas, como castanha-do-pará, nozes e amêndoas, e tem baixo teor de sódio, gordura saturada e colesterol.

    “Além disso, é rica em potássio, cálcio e magnésio, minerais que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e controlar a pressão arterial”, explica o especialista.

    Alimentos permitidos na dieta DASH

    A ideia principal da dieta DASH é dar atenção a alimentos naturais e nutritivos e fugir daqueles ultraprocessados, que são salgadinhos, refrigerantes, macarrão instantâneo, embutidos, como salsicha, presunto, entre outros. Mesmo sem eles, dá para ter uma dieta muito variada e saborosa. A ideia, no entanto, é ter alimentos fontes de potássio, magnésio, cálcio e fibras.

    Veja alguns dos alimentos da dieta DASH que são bem-vindos no prato.

    • Frutas: banana, maçã, mamão, melancia, laranja, melão, uva, pêssego, abacaxi, uva passa, morango, tangerina
    • Verduras e legumes: brócolis, couve, espinafre, vagem, cenoura, abobrinha, tomate, batata, batata doce
    • Leite e derivados desnatados: leite desnatado, iogurte natural sem açúcar, queijo branco
    • Grãos integrais: arroz integral, aveia, pães integrais
    • Oleaginosas: castanha-do-pará, nozes, amêndoas, avelã, amendoim, sementes de girassol
    • Leguminosas: feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico
    • Carnes: cortes magros de carne, frango e peixe.

    E o sal? O vilão da pressão alta deve ser usado com moderação. O melhor a se fazer é não usar mais de uma colher de chá rasa por dia. A dica é caprichar nos temperos naturais como alho, cebola, limão, ervas frescas e secas, pimenta-do-reino e cúrcuma.

    Tabela nutricional da dieta DASH

    Veja abaixo os principais nutrientes envolvidos no controle da pressão alta presentes nos alimentos da dieta DASH.

    Alimento Sódio (mg/100g) Potássio (mg/100g) Cálcio (mg/100g) Magnésio (mg/100g) Fibras (g/100g)
    Banana prata < 0,1 mg 358 8 26 2
    Laranja pera < 0,1 mg 163 22 9 0,8
    Mamão papaia 2 126 26 22 1
    Melancia < 0,1 mg 104 8 10 0.1
    Brócolis cozido 2 119 51 15 3,4
    Espinafre refogado 47 149 112 123 2,5
    Abobrinha italiana cozida 1 126 17 17 1,6
    Tomate cru 1 222 7 11 1,2
    Batata inglesa cozida 2 161 4 5 1,3
    Feijão carioca cozido 2 255 27 42 8,5
    Grão-de-bico cru 5 1116 114 146 12,4
    Arroz integral cozido 1 75 5 59 2,7
    Aveia em flocos 5 336 48 119 9,1
    Leite de vaca desnatado UHT 51 140 134 10 0
    Iogurte natural desnatado 60 182 157 12 0
    Castanha-do-pará 1 651 146 365 7,9
    Noz 5 533 105 153 7,2
    Amêndoa torrada salgada 279 640 237 222 11,6

    Dá para fazer a dieta DASH no Brasil?

    Sem dúvida. Apesar de ter sido criada fora, ela pode e deve ser ajustada à cultura alimentar brasileira. “No Brasil, ela pode ser adaptada com alimentos como feijão, arroz integral, banana, abobrinha, couve e leite desnatado”, explica o cardiologista.

    Ou seja: você não precisa abrir mão do arroz com feijão do dia a dia. Dá para seguir a dieta DASH trocando o arroz branco pelo integral, usando feijão com pouco sal e preparando os legumes no vapor ou refogados com azeite e temperos caseiros. E, claro, incluir as frutas na rotina.

    O bom desta dieta é que não é preciso mudar tudo de uma vez. Aos poucos, dá para fazer trocas inteligentes, como um refrigerante por um suco natural, salgadinhos por castanhas, bolacha recheada por uma fruta, arroz branco por integral. Assim o corpo e o paladar vão se acostumando e a dieta passa a ser algo natural.

    A dieta DASH funciona ainda melhor quando combinada com outros bons hábitos, como atividade física, sono de qualidade e controle do estresse, mas é uma boa forma de como baixar a pressão naturalmente.

    A pressão alta pode ser silenciosa, mas os efeitos no corpo são sérios. Cuidar da alimentação é um dos jeitos mais inteligentes para manter a saúde em ordem sem recorrer a fórmulas mirabolantes ou dietas da moda, que costumam não trazer bons resultados. E, claro, é sempre importante consultar um médico regularmente para fazer o acompanhamento da pressão arterial.

    Contraindicações da dieta DASH

    Mesmo sendo uma dieta para pressão alta, assim como qualquer outra dieta é importante apenas começar a fazer quando o médico ou nutricionista indicar. Apesar de ser muito segura e nutritiva, por ter foco em minerais como o potássio, por exemplo, a dieta DASH pode ser contraindicada para quem tem doença renal crônica, já que os rins não conseguem filtrar adequadamente o potássio.

    Ela também pode ser contraindicada para quem tem insuficiência cardíaca grave, pois a quantidade de potássio pode descompensar a doença. Algumas pessoas que usam determinados remédios poupadores de potássio, indicados para controlar a pressão alta, podem ter de adaptar a dieta DASH no dia a dia para ficarem com excesso de potássio no organismo, o que pode ser perigoso.

    De toda forma, o médico e o nutricionista saberão indicar a dieta DASH para cada caso, e sinalizar quando ela não deve ser feita.

    Leia mais: Por que a pressão aumenta só na consulta médica? Entenda mais sobre síndrome do jaleco branco

    Perguntas frequentes sobre a dieta DASH

    1. O que é a dieta DASH e para que ela serve?

    A dieta DASH foi criada para ajudar no controle da pressão alta, mas também traz benefícios para o coração, o colesterol e a saúde em geral. Ela prioriza alimentos naturais e muito nutritivos, tem pouco sal, gordura saturada e colesterol.

    2. A dieta DASH é boa para colesterol também?

    Sim. Ela também ajuda a reduzir gordura saturada e colesterol ruim (LDL).

    3. A dieta DASH ajuda mesmo a controlar a pressão alta?

    Sim. A dieta DASH é rica em potássio, cálcio e magnésio, minerais que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e baixar a pressão arterial. Estudos mostram que ela é uma das estratégias alimentares mais eficazes para prevenir e tratar a hipertensão.

    4. Dá para seguir a dieta DASH com alimentos brasileiros?

    Com certeza. A dieta pode ser adaptada de forma simples ao nosso dia a dia, com arroz integral, feijão, banana, couve, abobrinha e leite desnatado, por exemplo. O truque está em fazer escolhas simples e saudáveis, sem precisar mudar tudo de uma vez.

    5. A dieta DASH substitui o uso de remédios para pressão alta?

    Não. A dieta DASH é uma boa forma de como baixar a pressão naturalmente, mas complementa o tratamento e não necessariamente substitui os medicamentos prescritos pelo médico. A dieta pode ajudar a diminuir a dose ou até evitar que a pressão arterial progrida, mas é muito importante fazer o acompanhamento médico com regularidade.

    Confira: Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

  • Tomar banho muito quente: o que isso faz de verdade com a pele?

    Tomar banho muito quente: o que isso faz de verdade com a pele?

    Um banho bem quente é uma das melhores formas de relaxar depois de um dia cansativo, mas você sabia que ele pode ser o responsável por trás do ressecamento e da coceira na sua pele? Como a alta temperatura atua diretamente na remoção da camada protetora natural da pele, ela favorece a perda de água, diminui a hidratação natural e deixa a região mais sensível às agressões do ambiente.

    Com isso, a pele pode ficar áspera, repuxando, descamando e até apresentar pequenas rachaduras, especialmente em pessoas que já têm tendência ao ressecamento, dermatite ou outras doenças de pele.

    Mas então, o que fazer nos dias mais frios? Não é preciso abrir mão completamente do banho quentinho para manter a pele saudável, mas você vai precisar adotar alguns cuidados simples, como evitar temperaturas muito elevadas, reduzir o tempo embaixo do chuveiro e reforçar a hidratação da pele logo após o banho.

    O que acontece com a pele no banho muito quente?

    A barreira de proteção da pele conta com uma camada superficial chamada manto hidrolipídico, formada por uma mistura de água, suor e gorduras naturais (lipídios) produzidas pelo próprio organismo. Ela ajuda a manter a hidratação da pele e funciona como uma espécie de escudo contra bactérias, fungos, poluentes e outras substâncias irritantes.

    Quando você toma um banho com a água muito quente, parte da camada de gordura natural é removida. A pele perde água com mais facilidade, fica ressecada e se torna mais sensível aos componentes químicos do sabonete, do perfume e até ao atrito da toalha.

    Ao mesmo tempo, a alta temperatura dilata os vasos sanguíneos e pode intensificar a vermelhidão, a coceira e a sensação de desconforto, principalmente em pessoas que já têm doenças de pele, como dermatite, psoríase ou rosácea.

    Principais riscos do banho quente para a pele e cabelo

    A alta temperatura da água afeta tanto o corpo quanto o couro cabeludo, podendo causar:

    Ressecamento e descamação

    A água muito quente remove parte dos óleos naturais responsáveis por manter a hidratação da pele. Sem a proteção, a perda de água aumenta e a pele fica mais seca, áspera e com aquela sensação de repuxamento logo após o banho.

    Com o passar do tempo, as células mortas começam a se desprender de forma irregular, provocando uma descamação fina e esbranquiçada, bastante comum nas pernas, braços e cotovelos.

    Piora de dermatites e psoríase

    Pessoas com doenças de pele, como dermatite atópica, dermatite seborreica, psoríase ou rosácea, costumam sentir os efeitos do banho quente de forma ainda mais intensa. A alta temperatura compromete a barreira de proteção da pele, favorece a inflamação e pode desencadear crises com vermelhidão, coceira, ardência e aumento da descamação.

    Envelhecimento precoce da pele

    Quando a pele permanece ressecada por longos períodos, ela perde parte da capacidade de manter a elasticidade e de se renovar. Embora o banho quente, por si só, não cause envelhecimento precoce, ele favorece o ressecamento crônico, deixando linhas finas e rugas mais aparentes, especialmente em regiões como rosto, pescoço e colo.

    Caspa e aumento da oleosidade do couro cabeludo

    Ao remover a oleosidade natural do couro cabeludo, o organismo pode responder produzindo ainda mais sebo para compensar a perda, o que é conhecido como efeito rebote. A raiz pode ficar oleosa poucas horas depois do banho.

    Além disso, a alteração da barreira cutânea e da microbiota do couro cabeludo favorece o agravamento da dermatite seborreica, aumentando a descamação, a coceira e a irritação. O calor excessivo também abre as cutículas dos fios, facilitando a perda de água e deixando o cabelo mais opaco, áspero e propenso à quebra.

    Qual é a temperatura ideal da água para o banho?

    Para manter a pele saudável e preservar a sua barreira de proteção, os dermatologistas recomendam que a temperatura da água fique entre 29°C e 37°C. Na prática, isso significa tomar um banho morno, o mais próximo possível da temperatura natural do corpo, que gira em torno de 36,5°C.

    Como a maioria das pessoas não mede a temperatura da água com um termômetro, existe um jeito simples de perceber quando ela está quente demais: se o banheiro fica cheio de vapor e o espelho ou o box embaçam rapidamente, é sinal de que a água provavelmente está acima do ideal para a pele.

    Além da temperatura, o recomendado é que o banho dure entre 5 e 10 minutos. Mesmo a água morna, quando utilizada por muito tempo, pode remover parte dos óleos naturais da pele e favorecer o ressecamento. Por isso, banhos mais curtos ajudam a preservar a hidratação natural e reduzem o risco de irritações, principalmente durante os dias mais frios.

    Dica: se você não consegue abrir mão da água mais quente nos dias frios, tente deixar o banho quente apenas para os últimos 2 ou 3 minutos, usando a água morna no restante do tempo para ensaboar e lavar o cabelo.

    Cuidados essenciais para proteger a pele durante e após o banho

    Além de diminuir a temperatura do chuveiro, você também pode adotar alguns hábitos simples na rotina diária para cuidar da saúde da pele, como:

    • Evite usar buchas ou esfregar a pele com força, pois o atrito pode danificar a barreira de proteção;
    • Escolha sabonetes suaves, de preferência hidratantes ou com pH fisiológico, especialmente se a pele for seca ou sensível;
    • Use sabonete apenas nas áreas que realmente precisam, como axilas, pés, virilha e região íntima, evitando o excesso no restante do corpo;
    • Seque a pele delicadamente, dando leves batidinhas com a toalha, sem esfregar;
    • Aplique um hidratante logo após o banho, de preferência nos primeiros minutos, enquanto a pele ainda está levemente úmida;
    • Capriche na hidratação das áreas mais ressecadas, como pernas, cotovelos, joelhos, mãos e calcanhares;
    • Beba bastante água ao longo do dia para ajudar a manter a hidratação do organismo.

    Se o ressecamento, a coceira, e descamação ou as rachaduras não melhorarem mesmo com os cuidados, o ideal é procurar um dermatologista. Eles podem indicar doenças como dermatite atópica, dermatite seborreica, psoríase ou outras condições que precisam de tratamento específico.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    1. Tomar banho quente causa coceira?

    Sim, a água muito quente remove parte da gordura natural que protege a pele, favorecendo o ressecamento. O calor também pode estimular a dilatação dos vasos sanguíneos e a liberação de substâncias inflamatórias, como a histamina, aumentando a sensação de coceira e vermelhidão, principalmente em pessoas com pele sensível.

    2. Por que a pele fica esbranquiçada após o banho quente?

    Isso acontece porque a água muito quente aumenta a perda de água pela pele, favorecendo o ressecamento. Com isso, ocorre uma descamação fina e superficial, que deixa a pele com um aspecto esbranquiçado, principalmente nas pernas, braços e cotovelos.

    3. O banho quente faz mal para o cabelo?

    Sim, a alta temperatura resseca o couro cabeludo, favorece a perda de água dos fios e deixa as cutículas mais abertas. O cabelo pode ficar mais opaco, áspero, com frizz e mais suscetível à quebra, além de desbotar mais rapidamente quando é tingido.

    4. Tomar banho quente abaixa a pressão?

    Pode acontecer. O calor provoca a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode reduzir temporariamente a pressão arterial e causar tontura, sensação de fraqueza ou até desmaios, principalmente em idosos ou pessoas predispostas.

    5. Qual o melhor tipo de sabonete para usar no banho?

    O ideal é optar por sabonetes suaves, com pH fisiológico ou do tipo syndet (sem sabão tradicional). Eles limpam a pele sem remover excessivamente a camada de gordura responsável pela proteção natural.

    6. Qual é o melhor momento para passar hidratante corporal?

    Logo após o banho, de preferência nos primeiros minutos, enquanto a pele ainda está levemente úmida. Isso ajuda a reter a água na superfície da pele e melhora a ação do hidratante.

    Leia mais: 7 sintomas de dermatite atópica (e quais as áreas mais afetadas)

  • Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?

    Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?

    Não é uma novidade que a escova de dentes é um dos itens mais necessários para a higiene diária, ajudando a reduzir o risco de cáries, gengivite, mau hálito e outras doenças bucais. Só que, no dia a dia, é comum notar que precisa trocar a escova quando ela está com as cerdas completamente abertas ou até depois de uma gripe.

    Com o uso diário, as cerdas vão perdendo a firmeza, deixam de remover a placa bacteriana com a mesma eficiência e podem até machucar a gengiva se estiverem deformadas. A escova também acumula microrganismos ao longo do tempo, principalmente quando é armazenada em ambientes úmidos, como o banheiro.

    Por isso, a troca deve acontecer bem antes do desgaste das cerdas ou de qualquer sinal evidente de que ela perdeu a eficiência.

    De quanto em quanto tempo devo trocar a escova de dentes?

    A escova de dentes deve ser trocated a cada três meses de uso. Com o desgaste natural, as cerdas perdem a flexibilidade e a capacidade de limpar os dentes de forma adequada, mesmo que a escovação seja feita pelo tempo recomendado.

    No entanto, existem algumas exceções importantes. Primeiro, se houver gripe, resfriado, dor de garganta ou infecções na boca, mude de escova assim que os sintomas desaparecerem, pois os germes e vírus podem se alojar nas cerdas e aumentar o risco de uma nova infecção.

    Se as cerdas começarem a abrir, deformar ou perder a cor antes de completar 3 meses, também é necessário descartar a escova. As cerdas tortas perdem a capacidade de higienização e podem machucar a gengiva.

    Sinais de que está na hora de trocar a escova antes do tempo

    O uso diário causa desgastes que podem demandar a substituição do item antes dos 3 meses recomendados. Veja alguns sinais de alerta para ficar atento:

    • Cerdas abertas ou tortas: quando as cerdas perdem o formato original e apontam para os lados, perdem a capacidade de limpar os vãos dos dentes e passam a machucar a gengiva;
    • Cerdas moles demais: o uso contínuo faz com que o material perca a firmeza necessária para raspar a placa bacteriana de forma eficaz;
    • Mudança de cor na base: manchas escuras ou amareladas no local onde as cerdas se fixam na cabeça da escova indicam acúmulo de sujeira, restos de pasta e umidade;
    • Recuperação de infecções: gripe, resfriado, dor de garganta ou herpes deixam vírus e bactérias alojados no objeto, tornando a troca obrigatória após a cura para evitar a reinfecção;
    • Falta de elasticidade: cerdas que demoram a voltar para a posição inicial após o aperto dos dedos já perderam a vida útil.

    O que acontece se usar a mesma escova por muito tempo?

    1. Acúmulo de fungos e bactérias

    O banheiro é um ambiente úmido, o que favorece a proliferação de microrganismos. Com o passar do tempo, bactérias, fungos e até coliformes fecais dispersos no ar podem se depositar nas cerdas da escova, principalmente quando ela fica próxima ao vaso sanitário ou é armazenada sem proteção adequada.

    A cada escovação, os microrganismos podem ser levados diretamente para a boca.

    2. Ferimentos e retração na gengiva

    As cerdas tortas, gastas ou endurecidas pelo tempo perdem a flexibilidade necessária para limpar os dentes sem agredir os tecidos. O atrito excessivo pode provocar pequenos cortes, irritação, sensibilidade e sangramentos.

    Com o uso prolongado, o trauma repetitivo também pode contribuir para a retração gengival, deixando a raiz dos dentes mais exposta.

    3. Aumento do risco de cáries e tártaro

    Quando as cerdas estão deformadas, elas deixam de alcançar corretamente os espaços entre os dentes e a linha da gengiva, onde a placa bacteriana costuma se acumular. Como resultado, a limpeza fica incompleta, favorecendo o endurecimento da placa em forma de tártaro e aumentando o risco de cáries e doenças gengivais.

    4. Mau hálito persistente

    Uma escova desgastada não consegue remover completamente os restos de alimentos e as bactérias presentes nos dentes, na gengiva e na língua. Com o acúmulo, os microrganismos passam a produzir substâncias responsáveis pelo mau hálito, que pode persistir mesmo após a escovação.

    5. Risco de infecções sistêmicas

    Quando existem feridas ou inflamações na gengiva, algumas bactérias da boca podem alcançar a corrente sanguínea. Em pessoas com baixa imunidade ou com determinadas doenças, isso pode favorecer infecções e agravar problemas de saúde, como doenças cardiovasculares e outros processos inflamatórios.

    Apesar do risco ser maior em grupos mais vulneráveis, manter a escova em boas condições ajuda a reduzir a exposição aos microrganismos.

    Cuidados diários para conservar escova de dentes

    A forma como a escova é cuidada após a escovação determina a durabilidade das cerdas e impede a proliferação de microrganismos. No dia a dia, alguns cuidados importantes incluem:

    • Lavar bem após o uso: ao terminar a escovação, lave a cabeça da escova em água corrente abundante. Use os dedos para abrir as cerdas e garantir a remoção completa de restos de alimentos e excessos de pasta de dentes;
    • Retirar o excesso de umidade: nunca guarde a escova encharcada e, após a escovação, dê batidas leves no canto da pia para eliminar o acúmulo de água. Evite secar o objeto em toalhas de banho ou de rosto, que costumam conter germes;
    • Guardar na posição vertical: mantenha o item em pé, dentro de um suporte ou copo aberto. O hábito faz com que a água escorra para baixo, acelerando a secagem natural das cerdas;
    • Evitar capinhas protetoras fechadas: capas plásticas criam um ambiente abafado e úmido, perfeito para o surgimento de fungos e bactérias. Use protetores apenas se forem totalmente ventilados (com furos) ou durante viagens;
    • Manter distância do vaso sanitário: a descarga espalha gotículas invisíveis cheias de bactérias pelo ar do banheiro. Guarde o suporte em um armário fechado ou a uma distância mínima de 1 metro e meio do vaso, mantendo a tampa do vaso sempre abaixada na hora da descarga;
    • Não encostar em outras escovas: se o suporte for compartilhado com a família, garanta que as cabeças dos objetos não fiquem em contato, impedindo a transmissão cruzada de germes de uma boca para outra.

    Lembre-se de que a visita ao dentista deve acontecer, de forma preventiva, a cada 6 meses. As consultas regulares servem para realizar uma limpeza profissional profunda, remover o tártaro que a escova não consegue tirar e identificar problemas logo no início.

    Perguntas frequentes

    1. Posso ferver a escova de dentes para desinfetar?

    Não é recomendado. A água fervendo deforma as cerdas de nylon e derrete o plástico, estragando o objeto e reduzindo a capacidade de limpeza.

    2. Crianças devem trocar de escova no mesmo prazo que os adultos?

    Sim, a cada 3 meses ou antes. Como as crianças costumam morder as cerdas durante o aprendizado, o desgaste pode acontecer bem mais rápido.

    3. Usar enxaguante bucal para lavar a escova ajuda a limpar?

    Ajuda a eliminar bactérias superficiais. Mergulhar a cabeça do objeto em um pouco de enxaguante por alguns minutos uma vez por semana é uma boa prática de higiene.

    4. Escova com cerdas duras limpa melhor?

    Não. Cerdas duras dão a falsa sensação de limpeza, mas desgastam o esmalte dos dentes e machucam a gengiva, provocando retração.

    5. Como saber se a escova de dentes é macia?

    A informação vem escrita de forma clara na parte frontal da embalagem do produto, indicada pelos termos “macia” ou “extramacia”.

    6. Quem usa aparelho ortodôntico precisa trocar a escova antes?

    Sim, os bráquetes e fios do aparelho causam maior atrito, desalinhando e desgastando as cerdas em menos tempo, muitas vezes exigindo a troca a cada 2 meses.

    7. Posso usar vinagre ou bicarbonato para lavar a escova?

    Não é necessário. Água corrente e uma boa secagem já são suficientes para a manutenção diária do item.

  • Gosto metálico na boca durante exercícios: quando é normal e quando preocupa

    Gosto metálico na boca durante exercícios: quando é normal e quando preocupa

    Algumas pessoas relatam um sintoma curioso durante corridas, treinos de alta intensidade ou provas de longa duração: um gosto metálico, semelhante ao gosto de sangue na boca, mesmo sem apresentar qualquer sangramento visível.

    Na maioria das vezes, esse fenômeno é temporário e não representa uma doença grave. No entanto, dependendo do contexto e dos sintomas associados, também pode ser um sinal de alterações respiratórias, lesões na mucosa ou, mais raramente, problemas cardiovasculares.

    Por isso, é importante entender quando esse sintoma é esperado e quando ele merece investigação médica.

    O gosto metálico é comum durante exercícios intensos?

    Sim. Embora não aconteça com todas as pessoas, esse sintoma é relativamente frequente em atividades que exigem esforço intenso, como:

    • Corridas de alta intensidade;
    • Treinos intervalados (HIIT);
    • Ciclismo competitivo;
    • Subidas longas;
    • Esportes de resistência.

    Na maioria dos casos, o gosto metálico desaparece poucos minutos após o término da atividade.

    Por que esse gosto aparece?

    Não existe uma única explicação. Na verdade, diferentes mecanismos podem contribuir para essa sensação, e mais de um deles pode ocorrer ao mesmo tempo.

    Respiração intensa pode irritar as vias aéreas

    Durante exercícios intensos, a ventilação aumenta várias vezes em relação ao repouso. Isso faz com que grandes volumes de ar passem rapidamente pelas vias respiratórias.

    Pode ocorrer irritação da mucosa do nariz, da garganta e dos brônquios se o ar estiver:

    • Frio;
    • Muito seco;
    • Poluído.

    Em algumas pessoas, essa irritação pode provocar a sensação de gosto metálico na boca.

    Pequenos sangramentos podem ocorrer

    Em exercícios muito intensos, especialmente entre corredores de longa distância, podem ocorrer pequenas lesões nos vasos da mucosa nasal ou das vias respiratórias. Essas microlesões podem liberar quantidades mínimas de sangue.

    Mesmo quando o volume é tão pequeno que não pode ser visto, o ferro presente na hemoglobina pode produzir um gosto metálico característico.

    O pulmão também pode participar?

    Sim. Durante esforços muito intensos, a pressão dentro dos pequenos vasos pulmonares aumenta.

    Em atletas submetidos a exercícios extremos, isso pode favorecer o extravasamento de pequenas quantidades de líquido ou de células sanguíneas para os alvéolos, fenômeno conhecido como hemorragia pulmonar induzida pelo exercício.

    Na maioria das pessoas que praticam atividade física de forma recreativa, isso não acontece. Quando ocorre, costuma estar relacionado a exercícios de alta intensidade e longa duração, principalmente em atletas de elite.

    Boca seca pode alterar o paladar

    Outra causa bastante comum é a redução da produção de saliva. Durante o exercício:

    • A respiração pela boca aumenta;
    • O fluxo de saliva diminui;
    • O paladar pode sofrer alterações temporárias.

    Isso pode gerar um gosto metálico, amargo ou simplesmente desagradável, mesmo sem qualquer sangramento.

    Refluxo pode ser o responsável?

    Sim. O exercício, principalmente quando realizado logo após refeições ou durante atividades que aumentam a pressão abdominal, pode favorecer episódios de refluxo gastroesofágico.

    Além da azia, algumas pessoas percebem:

    • Gosto metálico;
    • Gosto amargo;
    • Sensação ácida na boca.

    O uso de medicamentos também pode influenciar?

    Sim. Alguns medicamentos podem alterar a percepção do paladar. Entre eles estão:

    • Antibióticos;
    • Alguns anti-hipertensivos;
    • Certos antidepressivos;
    • Vitaminas e suplementos que contêm ferro.

    Nesses casos, o exercício pode apenas tornar essa alteração mais perceptível.

    Quando o gosto metálico pode indicar um problema?

    Embora a maioria dos casos seja benigna, o sintoma merece investigação quando ocorre junto com:

    • Tosse com sangue;
    • Falta de ar intensa;
    • Dor no peito;
    • Chiado persistente;
    • Tontura ou desmaio;
    • Queda importante do desempenho físico.

    Nessas situações, é importante descartar doenças respiratórias e cardiovasculares.

    O que os médicos costumam investigar?

    A avaliação depende das características do sintoma e pode envolver a investigação abaixo.

    1. Histórico da atividade física

    Análise da intensidade, da duração do exercício e do momento em que o sintoma aparece.

    2. Exame das vias respiratórias

    Para identificar possíveis pequenos sangramentos ou sinais de irritação.

    3. Avaliação pulmonar

    Especialmente quando houver tosse, falta de ar ou sangramento.

    4. Avaliação cardiovascular

    Indicada quando o sintoma estiver associado a dor no peito, tontura ou outros sinais de alerta.

    Como reduzir esse sintoma?

    Algumas medidas podem ajudar:

    • Manter boa hidratação;
    • Evitar treinar em ambientes muito secos;
    • Fazer um aquecimento adequado;
    • Respirar preferencialmente pelo nariz, quando possível, durante exercícios leves;
    • Tratar rinite ou outras doenças respiratórias, quando presentes.

    Em pessoas com refluxo, evitar refeições volumosas imediatamente antes do treino também pode reduzir os sintomas.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação médica se:

    • O gosto metálico ocorrer em praticamente todos os treinos;
    • Houver sangue visível na saliva ou no escarro;
    • Surgir dor no peito;
    • O sintoma vier acompanhado de falta de ar importante;
    • O desempenho físico cair de forma inexplicável;
    • Os episódios se tornarem cada vez mais frequentes.

    Confira: Rabdomiólise: quanto esforço físico é necessário para aumentar o risco?

    Perguntas frequentes sobre gosto metálico durante exercícios

    1. É normal sentir gosto metálico ao correr?

    Pode acontecer, especialmente durante exercícios muito intensos.

    2. Isso significa que estou sangrando?

    Nem sempre. Muitas vezes, o gosto metálico ocorre sem que exista sangramento visível.

    3. Boca seca pode causar esse sintoma?

    Sim. A diminuição da produção de saliva pode alterar temporariamente o paladar.

    4. O gosto metálico pode ser causado por refluxo?

    Sim. Algumas pessoas apresentam gosto metálico ou amargo durante o exercício devido ao refluxo gastroesofágico.

    5. Atletas de longa distância têm mais risco?

    Sim. Exercícios extremos aumentam a chance de irritação das vias respiratórias e, mais raramente, de hemorragia pulmonar induzida pelo exercício.

    6. Quando devo me preocupar?

    Quando o sintoma vier acompanhado de sangue na saliva, dor no peito, falta de ar intensa, tontura ou queda importante do desempenho físico.

    7. Como posso diminuir o gosto metálico durante o treino?

    Manter boa hidratação, tratar doenças respiratórias quando presentes, evitar treinar em ambientes muito secos e respeitar uma progressão adequada da intensidade do exercício podem ajudar a reduzir esse sintoma.

    Veja também: Excesso de exercícios físicos faz mal ao coração? Conheça os riscos

  • Chocolate ao leite ou chocolate amargo: a partir de qual porcentagem ele traz benefícios?

    Chocolate ao leite ou chocolate amargo: a partir de qual porcentagem ele traz benefícios?

    Poucos alimentos despertam tanto entusiasmo no Brasil quanto o chocolate. Além de aparecer em datas comemorativas como a Páscoa, é um dos presentes mais populares e é possível encontrá-lo em sobremesas, bolos e diversas receitas típicas. Quando o consumo é moderado, ele pode trazer uma série de benefícios para a saúde, desde que seja feita a escolha certa.

    As versões ao leite e branca, apesar de mais populares do que o chocolate amargo, contêm grandes quantidades de açúcar e gordura, o que reduz significativamente os benefícios para a saúde.

    As vantagens para a saúde estão concentradas no cacau, ingrediente rico em flavonoides, compostos antioxidantes capazes de combater os radicais livres, reduzir a inflamação e proteger o sistema cardiovascular. Vamos entender mais, a seguir.

    Qual a diferença entre o chocolate ao leite e o chocolate amargo?

    A principal diferença entre os dois tipos de chocolate está na proporção de cacau e na quantidade de ingredientes adicionados, como açúcar e gordura. Normalmente, o chocolate ao leite contém entre 25% e 40% de cacau, além de grandes quantidades de açúcar adicionado e leite em pó, o que o torna mais doce, porém menos nutritivo.

    Já o chocolate amargo apresenta uma concentração muito maior de cacau, o que reduz a quantidade de açúcar. Ele não costuma levar leite na composição, o que preserva o sabor intenso do fruto e garante uma quantidade muito maior de compostos benéficos para o organismo.

    A partir de qual porcentagem o chocolate traz benefícios?

    Para que o chocolate seja benéfico para a saúde, a recomendação é escolher opções com pelo menos 70% de cacau. A partir dessa concentração, há uma quantidade significativamente maior de flavonoides, polifenóis, magnésio, ferro, cobre e outros nutrientes importantes para o organismo.

    Vale apontar que isso não significa que um chocolate com 60% de cacau não ofereça nenhum benefício, mas quanto maior for a concentração de cacau, maior costuma ser a quantidade de compostos antioxidantes e menor é a presença de açúcar.

    Importante: além do percentual de cacau, a lista de ingredientes também deve ser observada, já que alguns produtos com alto teor de cacau ainda podem conter muitos aditivos, aromatizantes e gorduras de baixa qualidade.

    Principais benefícios do chocolate amargo para a saúde

    O consumo moderado de chocolate amargo pode trazer diversos benefícios para a saúde, principalmente por causa da elevada concentração de flavonoides e outros antioxidantes presentes no cacau:

    • Protege o coração ao favorecer a saúde dos vasos sanguíneos e contribuir para um melhor controle da pressão arterial;
    • Ajuda a combater os radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo associado ao envelhecimento precoce;
    • Pode melhorar o humor, já que estimula a produção de substâncias relacionadas à sensação de bem-estar, como serotonina e endorfinas;
    • Contribui para a saciedade, o que pode ajudar no controle do apetite quando consumido em pequenas quantidades;
    • Favorece o funcionamento do cérebro, melhorando o fluxo sanguíneo cerebral e contribuindo para a memória e a concentração;
    • Fornece minerais importantes, como magnésio, ferro, cobre e manganês, que participam de diversas funções do organismo.

    Apesar dos benefícios, lembre-se que o chocolate continua sendo um alimento calórico e deve fazer parte de uma alimentação equilibrada, sem excessos.

    Como escolher o melhor chocolate amargo no supermercado?

    Nem todo chocolate que se diz “amargo” ou “fit” na parte da frente da embalagem é saudável de verdade. Para escolher a melhor opção, é preciso virar a embalagem e verificar atentamente a lista de ingredientes.

    O ideal é que a massa de cacau ou o liquor de cacau apareça como o primeiro ingrediente da lista, indicando que o cacau é o principal componente do produto. Se o açúcar for o primeiro item da lista, significa que aquele produto ainda é majoritariamente composto por açúcar, mesmo que a embalagem destaque os “70% de cacau”.

    Também vale dar preferência aos chocolates com poucos ingredientes e evitar opções com excesso de açúcar, gordura vegetal hidrogenada, aromatizantes artificiais e muitos aditivos.

    Qual a quantidade recomendada por dia?

    Como o chocolate amargo ainda contém calorias e gorduras naturais do cacau, a quantidade recomendada é de cerca de 30 gramas por dia, o que equivale a aproximadamente 4 quadradinhos pequenos de uma barra convencional.

    O ideal é consumir a porção logo após uma refeição principal (como o almoço), já que as fibras ajudam a evitar picos de glicose no sangue.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. O chocolate branco tem os mesmos benefícios do amargo?

    Não, o chocolate branco não leva massa de cacau em sua composição, apenas a manteiga de cacau, açúcar e leite. Por isso, ele não possui os antioxidantes do fruto e é rico em gorduras e açúcares.

    2. Chocolate amargo emagrece?

    Sozinho não, mas ele pode ser um aliado. Por conter mais fibras que a versão ao leite, ele aumenta a saciedade e ajuda a controlar a compulsão por doces.

    3. Posso comer chocolate amargo todos os dias?

    Sim. O consumo diário de cerca de 30g (4 quadradinhos) de chocolate com mais de 70% de cacau é seguro e recomendado para garantir seus benefícios cardiovasculares e antioxidantes.

    4. Gestantes podem comer chocolate amargo?

    Sim, com moderação. O chocolate amargo é seguro e até benéfico na gravidez por ajudar a controlar a pressão arterial. O único cuidado é não exagerar devido à presença de pequenas quantidades de cafeína.

    5. Quem tem pressão alta pode comer chocolate amargo?

    Sim, e é recomendado. Os antioxidantes do cacau ajudam a relaxar as artérias, o que contribui diretamente para a redução e o controle da pressão arterial.

    6. O chocolate amargo ajuda a dar energia para o treino?

    Sim. Por conter carboidratos simples combinados com a gordura boa do cacau e um toque de cafeína, ele funciona como um excelente pré-treino rápido para dar energia.

    7. Posso substituir o chocolate amargo por cacau em pó?

    Sim. O cacau em pó 100% (sem açúcar) é a forma mais pura do fruto e traz os mesmos benefícios, podendo ser adicionado em frutas, iogurtes, shakes e receitas fit.

    Leia mais: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

  • Suco de fruta ou fruta inteira: qual opção protege mais o fígado?

    Suco de fruta ou fruta inteira: qual opção protege mais o fígado?

    Tanto o suco natural quanto a fruta inteira vêm do mesmo alimento e fornecem vitaminas, minerais e antioxidantes, mas você sabia que o organismo reage de maneiras diferentes a cada um? A principal diferença está na quantidade de fibras e na forma como o açúcar natural da fruta chega ao sistema digestivo, fatores que influenciam diretamente o trabalho do fígado.

    A fruta precisa ser mastigada, tem mais fibras e faz o açúcar natural chegar ao organismo de maneira mais lenta, facilitando o trabalho do metabolismo. Já o suco, mesmo sendo natural, perde boa parte das fibras durante o preparo e concentra uma quantidade maior de açúcar em poucos goles, deixando a absorção muito mais rápida.

    Se você tem o hábito de trocar as frutas frescas por copos de suco no dia a dia, entenda a seguir como a escolha pode afetar o metabolismo e por que o simples ato de mastigar pode ajudar na saúde do fígado.

    Se é natural, por que o suco pode ser um problema?

    Quando você come uma fruta inteira, o açúcar natural presente nela, chamado frutose, fica envolvido por uma estrutura rica em fibras. Para aproveitar todos os nutrientes, o organismo precisa mastigar o alimento e fazer a digestão aos poucos, permitindo que a absorção do açúcar aconteça de forma gradual.

    Já no preparo do suco, a situação muda um pouco:

    • As fibras são reduzidas ou eliminadas durante o preparo, principalmente quando o suco é coado. Sem a proteção natural, a frutose fica livre para ser absorvida muito mais rapidamente;
    • O açúcar chega ao intestino em pouco tempo e entra na circulação de forma acelerada, demandando uma resposta mais intensa do organismo para controlar a glicemia;
    • A quantidade de fruta também costuma ser maior, pois um único copo de suco pode levar três ou quatro frutas, consumidas em poucos goles.

    Depois de ser absorvido pelo organismo, o açúcar natural da fruta chega ao fígado, onde a frutose é transformada em energia ou armazenada para ser usada mais tarde. Quando uma grande quantidade chega de uma só vez e isso acontece com frequência, o fígado precisa fazer um esforço maior para processar todo o açúcar.

    O que acontece com o fígado quando há excesso de frutose?

    Diferente da glicose, que pode ser usada como energia por praticamente todas as células do corpo, a frutose depende especialmente do fígado para ser aproveitada pelo organismo.

    Quando uma grande quantidade de frutose chega de uma só vez, situação que pode acontecer com o consumo frequente de grandes copos de suco, o fígado precisa trabalhar mais para dar conta de todo o açúcar. A parte que não é utilizada imediatamente como energia pode ser transformada em gordura.

    Com o passar do tempo, o consumo excessivo de frutose, associado a uma alimentação desequilibrada e ao sedentarismo, favorece o acúmulo de gordura nas células do fígado, quadro conhecido como gordura no fígado.

    Além disso, o excesso de gordura pode dificultar a ação da insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue, aumentando o risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

    Importante: na maioria das vezes, o quadro de gordura no fígado não provoca sintomas nas fases iniciais e acaba sendo descoberta apenas durante exames de rotina, como ultrassonografia abdominal ou exames de sangue que avaliam a saúde do fígado.

    Todo suco de fruta afeta o fígado?

    O impacto no fígado depende diretamente do tipo de fruta, da forma de preparo e da quantidade consumida. Vale ficar atento a alguns pontos:

    • O tipo de fruta faz diferença: frutas com menor teor de frutose, como limão, acerola, maracujá, caju e kiwi, costumam causar um impacto menor sobre o metabolismo quando comparadas a frutas mais doces, como uva, laranja e tangerina;
    • Os sucos industrializados merecem mais atenção: néctares, refrescos e muitos sucos de caixinha costumam conter açúcar adicionado ou xarope de glicose e frutose. O consumo frequente dessas bebidas está associado a um maior risco de gordura no fígado e de outras alterações metabólicas;
    • A forma de preparo também influencia: o suco preparado no liquidificador e consumido com o bagaço preserva parte das fibras da fruta. Já os sucos coados ou preparados em centrífugas perdem grande parte delas, fazendo com que o açúcar natural seja absorvido mais rapidamente;
    • Os sucos com vegetais podem ser uma boa opção: combinar frutas com ingredientes como couve, espinafre, pepino, hortelã ou gengibre aumenta o teor de fibras e de compostos antioxidantes, tornando a bebida mais equilibrada. Ainda assim, a fruta inteira continua sendo a melhor escolha para o dia a dia.

    Também é importante apontar que um copo de suco natural consumido de maneira ocasional dificilmente causa problemas para uma pessoa saudável. O problema é quando o consumo é muito frequente, em grandes quantidades, especialmente quando o suco substitui a água ou a fruta inteira nas refeições.

    Como incluir frutas na alimentação de forma saudável para o fígado?

    Para aproveitar todos os benefícios das frutas sem sobrecarregar o fígado, você pode adotar pequenas mudanças na forma de consumir os alimentos, como:

    • Prefira consumir a fruta inteira e, quando possível, com a casca ou o bagaço;
    • Acrescente fontes de fibras, como aveia, chia, linhaça ou psyllium, e combine a fruta com iogurte natural ou castanhas;
    • Dê preferência às frutas vermelhas e cítricas, como morango, amora, mirtilo, limão, acerola e maracujá;
    • Se preparar suco, não coe e use apenas uma porção de fruta, completando a bebida com água e vegetais, como couve ou hortelã;
    • Evite adicionar açúcar, mel ou xaropes às frutas e aos sucos.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de, pelo menos, 400 gramas de frutas e vegetais por dia. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta incluir diariamente três porções de frutas e três porções de vegetais na alimentação para garantir uma boa ingestão de fibras, vitaminas e outros nutrientes importantes para o organismo.

    Confira: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

    Perguntas frequentes

    1. O açúcar das frutas (frutose) é igual ao açúcar de mesa?

    Não. A frutose da fruta, quando consumida inteira, vem acompanhada de água, vitamins e fibras. O açúcar de mesa é sacarose pura, refinada e sem nenhum valor nutricional.

    2. Qual o melhor horário para comer frutas e proteger o fígado?

    Nos lanches intermediários ou como sobremesa após refeições que já contenham fibras e proteínas, o que ajuda a frear a absorção do açúcar.

    3. O suco de caixinha é pior que o suco natural?

    Sim, a maioria dos sucos de caixinha contém xarope de milho ou açúcar adicionado, sendo uma bomba de frutose artificial diretamente para o fígado.

    4. O bagaço da laranja ajuda a diminuir a frutose?

    Ele não diminui a quantidade de frutose, mas as fibras do bagaço tornam a absorção desse açúcar muito mais lenta, poupando o fígado.

    5. Bater a fruta no liquidificador preserva as fibras?

    Parte delas permanece, mas a textura muda e o consumo costuma ser mais rápido, favorecendo uma maior ingestão de açúcar.

    6. O suco detox limpa o fígado?

    Não. O próprio fígado já realiza a desintoxicação do organismo, e não há evidências de que sucos detox façam esse trabalho.

    7. O suco detox limpa o fígado?

    Não. O próprio fígado já realiza a desintoxicação do organismo, e não há evidências de que sucos detox façam esse trabalho.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Os riscos de usar sapato alto no escritório todos os dias

    Os riscos de usar sapato alto no escritório todos os dias

    Os sapatos de salto alto são considerados itens elegantes e necessários para o dia a dia de trabalho no escritório, mas, apesar de ajudarem a transmitir uma imagem mais formal, podem afetar a saúde de diferentes maneiras quando usados por muitas horas seguidas.

    A sobrecarga sobre os pés, a alteração da postura natural e o esforço extra exigido de músculos e articulações aumentam o risco de dores nos pés, tornozelos, joelhos, quadris e coluna.

    Com o passar das horas, o peso do corpo fica concentrado principalmente na parte da frente dos pés, obrigando tendões, ligamentos e músculos a trabalharem além do habitual para manter o equilíbrio.

    Além do desconforto que costuma aparecer no fim do expediente, o uso frequente de calçados inadequados pode favorecer o surgimento ou o agravamento de problemas ortopédicos, principalmente quando não há pausas ou alternância com modelos mais confortáveis.

    O que acontece com o corpo ao calçar o salto alto?

    Ao calçar um salto alto, o corpo passa por uma mudança imediata no alinhamento natural, já que o calcanhar elevado projeta o peso do tronco para a frente. O centro de gravidade se desloca, obrigando os joelhos e a coluna lombar a compensarem o desequilíbrio por meio de uma inclinação que aumenta a sobrecarga sobre as articulações.

    A musculatura das panturrilhas permanece contraída durante todo o período de uso, e a dificuldade de relaxamento da região reduz a eficiência do retorno do sangue ao coração. Ao mesmo tempo, a pressão sobre a parte da frente dos pés aumenta de forma significativa, concentrando o impacto da caminhada sobre os ossos metatarsais e os dedos.

    Quando você fica com o salto alto por muitas horas e com frequência, a forma de caminhar muda, os tendões ficam mais rígidos e aumenta o risco de problemas nos pés.

    Principais problemas causados pelo uso de sapatos desconfortáveis no trabalho

    A compressão constante e a distribuição desigual do peso favorecem o surgimento de lesões que, quando não recebem atenção, podem evoluir de incômodos ocasionais para problemas crônicos.

    1. Joanetes e calosidades

    A pressão contínua exercida pelas laterais e pelos bicos estreitos dos sapatos favorece o desvio do osso do dedão do pé, formando o joanete. O atrito repetitivo também estimula o espessamento da pele, levando ao aparecimento de calos.

    2. Dores na coluna lombar e nos joelhos

    A mudança na postura faz com que a musculatura das costas e as articulações dos joelhos trabalhem com uma sobrecarga constante para manter o equilíbrio. Ao longo do tempo, a situação aumenta o risco de inflamações, dores persistentes e desgaste das cartilagens.

    3. Encurtamento do tendão de Aquiles

    O hábito de manter o calcanhar elevado durante muitas horas favorece a adaptação dos músculos da panturrilha e do tendão de Aquiles a um comprimento menor. Depois, caminhar descalço ou usar calçados baixos pode provocar dor e dificuldade para movimentar os pés.

    4. Fascite plantar

    A falta de suporte adequado para o arco dos pés aumenta a sobrecarga sobre a fáscia plantar, tecido que reveste a sola do pé. A inflamação costuma provocar uma dor intensa, principalmente nos primeiros passos do dia.

    5. Problemas na circulação sanguínea

    Os sapatos rígidos ou muito apertados dificultam a movimentação natural dos pés e reduzem a ação da panturrilha, que funciona como uma bomba para impulsionar o sangue de volta ao coração. A circulação fica menos eficiente, favorecendo o inchaço, a sensação de peso nas pernas, o cansaço e o desenvolvimento de varizes.

    Como escolher o sapato ideal para o ambiente de trabalho?

    Como muitas pessoas passam várias horas em pé ou caminhando ao longo do dia, o modelo escolhido deve proporcionar estabilidade, conforto e boa distribuição do peso corporal. Veja algumas dicas para escolher o sapato ideal para você:

    • Prefira modelos com bom suporte para os pés: um calçado que sustenta corretamente o arco plantar ajuda a distribuir melhor o peso do corpo e reduz a sobrecarga sobre pés, tornozelos, joelhos e coluna;
    • Escolha um salto de altura moderada: quando o ambiente de trabalho exige um visual mais formal, vale optar por saltos baixos ou médios, geralmente entre 2 e 3 centímetros, que oferecem mais estabilidade e exigem menos esforço das articulações;
    • Evite bicos muito estreitos: sapatos que comprimem os dedos aumentam o risco de joanetes, calos, unhas encravadas e outras deformidades ao longo do tempo. O ideal é que os dedos consigam se movimentar livremente dentro do calçado;
    • Dê preferência a materiais flexíveis e respiráveis: couro macio, tecidos tecnológicos e outros materiais que permitem a ventilação ajudam a reduzir o atrito, o excesso de suor e o desconforto durante o expediente;
    • Observe a sola do calçado: solas com amortecimento e boa aderência absorvem parte do impacto da caminhada, oferecem mais estabilidade e diminuem o risco de escorregões;
    • Alterne os calçados ao longo da semana: usar sempre o mesmo sapato faz com que a pressão recaia repetidamente sobre as mesmas regiões dos pés. Variar os modelos ajuda a reduzir a sobrecarga e aumenta a durabilidade dos calçados.

    Por fim, quando você estiver provando um sapato na loja, considere o conforto dele desde o primeiro uso. Um calçado não deve machucar com a expectativa de que ficará mais confortável após alguns usos. Se o desconforto já aparece durante a prova, é muito provável que ele permaneça ao longo da rotina de trabalho.

    Dicas para aliviar os pés após um dia cansativo

    Se você chegou do trabalho com os pés doloridos, inchados e cansados, alguns cuidados simples podem aliviar o desconforto e ajudar na recuperação da musculatura e das articulações, como:

    • Fazer um escalda-pés com água morna por cerca de 15 minutos para aliviar o inchaço e relaxar a musculatura;
    • Descansar com as pernas elevadas por aproximadamente 20 minutos para facilitar a circulação sanguínea e reduzir a sensação de peso;
    • Massagear a sola dos pés com movimentos circulares, usando um creme hidratante ou óleo corporal para diminuir a tensão muscular;
    • Rolar uma bola de tênis ou uma garrafa de água congelada sob a sola dos pés para aliviar a dor e alongar a fáscia plantar;
    • Alongar as panturrilhas diariamente para relaxar os músculos e reduzir a tensão provocada pelo uso prolongado do calçado.

    Se as dores, o inchaço ou a dificuldade para caminhar se tornarem frequentes, mesmo após o descanso, vale procurar um ortopedista ou um especialista em pé e tornozelo para identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a altura de salto considerada saudável para o dia a dia?

    A altura recomendada pelos ortopedistas para o uso diário é de até três centímetros. A elevação mínima oferece um suporte confortável para o arco do pé e não sobrecarrega os joelhos.

    2. Por que sinto dor na sola do pé ao usar sapatilhas muito rasteiras?

    As sapatilhas totalmente planas oferecem pouco amortecimento e sustentação para o arco dos pés, aumentando o risco de fascite plantar.

    3. O que causa a sensação de pernas pesadas no final do expediente?

    Ficar muito tempo em pé ou sentado dificulta o retorno do sangue ao coração, favorecendo inchaço e cansaço nas pernas.

    4. O uso de salto grosso é melhor do que o de salto agulha?

    Sim. O salto grosso distribui melhor o peso do corpo, oferece mais estabilidade e reduz o risco de quedas.

    5. O que é o encurtamento do tendão de Aquiles?

    O encurtamento é a perda de elasticidade do tendão da panturrilha provocada pela permanência prolongada do calcanhar em posição elevada. A condição faz com que a pessoa sinta dores ao andar descalça.

    6. O uso de sapatos apertados pode encravar as unhas?

    Sim. A pressão sobre os dedos favorece o crescimento da unha contra a pele, provocando dor e inflamação.

    7. Passar o dia sentada diminui os danos do salto alto?

    A posição sentada reduz o peso direto sobre os pés, mas mantém os músculos da panturrilha encurtados e prejudica a circulação.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

  • Creatina: conheça os benefícios, como tomar e cuidados importantes

    Creatina: conheça os benefícios, como tomar e cuidados importantes

    Ela já foi vista como “coisa de marombeiro”, mas hoje a creatina é estudada até como parceira da saúde do cérebro e do envelhecimento saudável. Produzida pelo próprio corpo e encontrada em alimentos como carne e peixe, essa substância ganhou fama por melhorar a performance nos treinos, mas os efeitos vão além.

    A cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein, explica como a creatina age no organismo, quais são seus benefícios reais e o que você precisa saber antes de começar a suplementar.

    Como o corpo produz energia para se exercitar

    Para que a gente possa se mexer, pensar, respirar ou simplesmente existir, o corpo precisa de energia. Esse combustível vem dos alimentos: açúcares, proteínas e gorduras.

    “Os nutrientes provenientes da alimentação são transformados em pequenas moléculas no nosso organismo para que consigam ser absorvidos pelas células e se transformem em energia”, explica a cardiologista Juliana Soares.

    Durante o exercício, o que o corpo mais usa é o glicogênio, uma reserva de energia feita a partir da glicose, que é o açúcar presente nos alimentos. Ele é armazenado no fígado e nos músculos, e é essencial para atividades de intensidade alta, como correr ou levantar peso.

    “Estudos evidenciam que quanto maiores essas reservas, maior o tempo total de exercício até a exaustão”, afirma a cardiologista. E ela ainda reforça: é importante comer bem antes e depois do treino, combinando carboidratos com proteínas, para garantir energia e recuperar os músculos.

    O que é creatina e qual seu papel no corpo?

    A creatina é uma substância formada por três aminoácidos (metionina, glicina e arginina). Nosso corpo a produz naturalmente, principalmente no fígado, mas também conseguimos creatina ao comer carne vermelha, frango, peixe, ou por meio da suplementação.

    A creatina é importante no processo de geração de energia. “No processo de utilização do ATP (adenosina trifosfato) pelas células, a creatina atua ‘recarregando’ o ATP, permitindo que o músculo mantenha a energia e desempenhe suas funções”, explica a especialista.

    Portanto, o ATP é como uma bateria de energia das células, e a creatina ajuda a manter essa bateria sempre cheia. Isso, sem dúvida, faz diferença na performance física.

    “O corpo humano produz cerca de 1g de creatina diariamente, o que é uma quantidade considerada insuficiente para suprir as necessidades do organismo e permitir o seu pleno funcionamento”, conta a médica.

    “Para garantir níveis adequados e os benefícios da creatina é aconselhável seguir uma dieta que inclua diariamente alimentos e/ou suplementos ricos em creatina”, aconselha.

    Quais os benefícios da creatina?

    Além de aumentar a energia muscular, a creatina pode ser interessante para outras funcionalidades do organismo, inclusive para o cérebro.

    “Existe um outro tipo celular que muito se beneficia da creatina: os neurônios”, diz a médica. Os neurônios são células extremamente dinâmicas que demandam uma quantidade considerável de energia, que é fornecida na forma de ATP.

    “Quanto mais eficiente for o processo de utilização e reciclagem do ATP, maior será a ativação de funções neurais, como a cognição e a memória. Nesse contexto, a creatina desempenha um papel crucial na geração de energia cerebral, de forma semelhante ao que ocorre nos músculos”, detalha. “Além disso, tem ação antioxidante, podendo ter efeito neuroprotetor”.

    Outro benefício da creatina é para evitar a perda de músculos com a idade, a chamada sarcopenia. “Devido aos seus benefícios em relação à preservação da massa muscular, prevenção da sarcopenia e apoio às funções cognitivas, a população idosa também é aconselhada a utilizar, salvo contraindicações”, diz a médica.

    Como tomar creatina do jeito certo

    Aqui vai uma dúvida comum: tem jeito certo de tomar creatina? Tem, sim. A cardiologista orienta que a creatina, que geralmente é vendida em pó, seja diluída em alguma bebida com carboidrato, como um suco.

    “Estudos apontam que o consumo de creatina com glicose (proveniente carboidrato) eleva sua concentração nos músculos”. A dose ideal varia de 1,5 a 3 gramas por dia.

    E sobre o horário? “Estudos indicam que o horário em que o suplemento é consumido não influencia significativamente o desempenho físico ou a recuperação após os exercícios”.

    O segredo, segundo a médica, está na consistência. É o uso regular que faz efeito, e não o horário exato da ingestão.

    Quais são os riscos e efeitos colaterais da creatina?

    Embora seja um suplemento seguro, a creatina também pode causar efeitos colaterais, principalmente quando usada em doses altas.

    “Especialmente em doses elevadas, a ingestão de creatina pode causar náuseas e diarreia, bem como levar à retenção de líquido e inchaço, cãibras e desidratação”.

    O uso exagerado e prolongado pode sobrecarregar rins e fígado, e alguns grupos não devem usar esse suplemento:

    • Gestantes;
    • Mulheres que estão amamentando;
    • Crianças;
    • Pessoas com problemas nos rins.

    Por isso, é importante conversar com um médico ou nutricionista antes de começar a tomar o suplemento.

    Confira: Pode treinar com gripe? Saiba quanto tempo você deve esperar antes de voltar

    Perguntas frequentes sobre creatina

    1. Quem pode tomar creatina?

    Adultos saudáveis que desejam melhorar o desempenho físico ou proteger os músculos, desde que não tenham contraindicações.

    2. Creatina engorda ou retém líquido?

    Pode causar retenção de líquidos, mas isso não significa acúmulo de gordura, ou seja, não engorda.

    3. Posso tomar creatina todos os dias?

    Sim. O efeito da creatina vem do uso diário e consistente, dentro da dose recomendada.

    4. Qual a melhor forma de tomar creatina?

    Diluída em bebida com carboidrato, como suco, para melhorar a absorção.

    5. Existe melhor horário para tomar creatina?

    Não. O mais importante é manter a regularidade no consumo.

    6. Creatina faz mal para os rins?

    Em excesso e por tempo prolongado, pode sobrecarregar os rins.

    7. Idosos podem tomar creatina?

    Sim, e podem se beneficiar bastante, desde que não tenham contraindicações e estejam acompanhados por um profissional de saúde.

    Veja também: Quem tem problemas cardíacos pode fazer musculação? Cardiologista responde

  • Cooling break: a pausa para hidratação é mesmo necessária na Copa do Mundo? 

    Cooling break: a pausa para hidratação é mesmo necessária na Copa do Mundo? 

    Na Copa do Mundo de 2026, realizada na América do Norte, a Fifa instituiu pausas obrigatórias de três minutos para hidratação em todos os jogos. A medida foi adotada para proteger a saúde dos atletas diante do calor extremo e do estresse térmico registrados nas cidades-sede, mas será que ela é realmente necessária para preservar a saúde dos jogadores?

    A decisão, que inclui pausas mesmo em estádios com teto retrátil e controle climático interno, dividiu opiniões entre jogadores, técnicos, torcedores e comentaristas esportivos. Para alguns, a interrupção quebra o ritmo dinâmico do futebol e é usada apenas para a inserção de propagandas e comerciais pelas emissoras detentoras de direitos.

    Já os especialistas em saúde apoiam a medida como necessária para evitar problemas como desidratação, queda no rendimento físico e cognitivo, exaustão pelo calor e, nos casos mais graves, insolação, uma condição médica grave que pode colocar a vida dos atletas em risco.

    Afinal, o que acontece com o corpo do jogador sob calor extremo?

    Quando o jogador se expõe ao calor extremo e ao esforço físico intenso, a temperatura interna do corpo sobe rapidamente, podendo passar dos 39°C. Para tentar resfriar o organismo, o cérebro desvia o fluxo de sangue dos músculos e dos órgãos internos em direção à pele, estimulando a produção de suor.

    Com menos sangue e oxigênio chegando aos músculos, o rendimento físico despenca e a exaustão surge muito mais rápido. Ao mesmo tempo, o suor excessivo faz o atleta perder litros de água e eletrólitos essenciais, principalmente sódio e potássio.

    Quando a reposição de líquidos não acontece da forma adequada, o organismo pode perder a capacidade de controlar a própria temperatura, aumentando os riscos de desidratação, câimbras, tontura, queda da pressão arterial, confusão mental e redução dos reflexos, fatores que comprometem tanto o desempenho esportivo quanto a segurança do atleta em campo.

    Riscos da desidratação no futebol

    Durante uma partida intensa de 90 minutos sob calor extremo, um jogador de futebol pode perder entre 2 e 4 litros de água através do suor. Quando a perda não é compensada a tempo, o corpo entra em estado de desidratação, podendo causar problemas como:

    1. Queda no rendimento físico e aparecimento de cãibras

    À medida que o corpo perde água pelo suor, diminui o volume de sangue em circulação, de modo que o coração precisa trabalhar mais para levar oxigênio e nutrientes até os músculos. O atleta começa a sentir o cansaço mais cedo, perde força e velocidade nas arrancadas e encontra mais dificuldade para manter o mesmo ritmo durante toda a partida.

    Além disso, a perda de eletrólitos, principalmente sódio e potássio, favorece o surgimento de cãibras musculares, que podem limitar os movimentos e prejudicar o desempenho em campo.

    2. Diminuição da concentração e dos reflexos

    Mesmo uma perda moderada de líquidos pode reduzir a concentração, prejudicar a tomada de decisões e aumentar o tempo de reação. Na prática, o jogador pode errar mais passes, demorar para responder às jogadas e apresentar pior coordenação motora.

    Com os reflexos comprometidos e o cansaço acumulado, o risco de lesões e de acidentes durante a partida também aumenta.

    3. Exaustão pelo calor

    Se o esforço físico continua e a reposição de líquidos não acontece, o organismo começa a ter dificuldade para controlar a própria temperatura. A exaustão pelo calor costuma causar sintomas como:

    • Tontura e sensação de vertigem;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Náuseas ou vômitos;
    • Fraqueza extrema;
    • Sensação de desmaio;
    • Suor intenso e pele fria ou úmida.

    Se não houver uma intervenção rápida, o quadro pode evoluir para uma situação ainda mais grave.

    4. Insolação

    A insolação, também conhecida como intermação ou choque térmico por esforço, é a complicação mais grave provocada pelo calor excessivo e acontece quando o corpo perde a capacidade de se resfriar sozinho, fazendo com que a temperatura interna aumente rapidamente e possa ultrapassar os 40°C.

    Nessa situação, o cérebro e outros órgãos importantes começam a deixar de funcionar corretamente, e o atleta pode apresentar confusão mental, dificuldade para falar, desorientação, convulsões e até perder a consciência.

    Sem atendimento médico imediato para reduzir a temperatura do corpo e repor os líquidos perdidos, o calor continua causando danos ao organismo, podendo levar à falência de órgãos e, nos casos mais graves, colocar a vida em risco.

    O que os jogadores devem beber durante a pausa?

    Como o suor elimina grandes quantidades de sais minerais, os jogadores costumam consumir bebidas isotônicas, que ajudam a recuperar rapidamente o sódio e o potássio perdidos, além de fornecerem carboidratos que repõem a energia dos músculos de forma imediata.

    Já a água é uma forma complementar para ajudar na reidratação e no resfriamento do corpo, mas é a combinação com os eletrólitos dos isotônicos que previne as cãibras, evita a queda de pressão e garante que o organismo continue funcionando em alto rendimento até o fim da partida.

    Como funciona a regra da pausa para hidratação da FIFA?

    Em torneios anteriores, a interrupção para hidratação só era autorizada quando o índice de calor e umidade (WBGT) ultrapassava 32°C. Na Copa do Mundo de 2026, as pausas passaram a ser obrigatórias em todas as partidas, independentemente da temperatura, do horário do jogo ou da existência de teto retrátil e controle climático no estádio.

    Cada pausa dura três minutos e acontece duas vezes por jogo: por volta dos 22 minutos do primeiro tempo e dos 67 minutos da partida, aproximadamente na metade de cada etapa.

    Durante o período, os jogadores permanecem na beira do gramado para se hidratar com água e isotônicos, enquanto as comissões técnicas podem transmitir orientações rápidas antes da retomada da partida.

    A pausa melhora o jogo?

    Do ponto de vista físico, a pausa para hidratação ajuda os jogadores a manterem o desempenho durante a partida, mesmo que alguns torcedores sintam que ela interrompe o ritmo do jogo.

    Quando o atleta começa a desidratar, o cansaço aumenta rapidamente e o rendimento cai. Ao oferecer três minutos para repor água, eletrólitos e energia, a pausa oferece dois benefícios importantes:

    • Mantém a intensidade da partida: jogadores bem hidratados conseguem correr, acelerar e manter a força física por mais tempo, evitando que o jogo fique lento nos minutos finais por causa da exaustão;
    • Melhora a qualidade técnica: a hidratação ajuda o cérebro a funcionar melhor, preservando a concentração, os reflexos e a capacidade de tomar decisões rápidas, o que contribui para passes mais precisos, menos erros e um futebol mais dinâmico.

    Ao mesmo tempo, a interrupção também acaba funcionando como uma pausa tática. Os treinadores aproveitam para orientar a equipe, corrigir o posicionamento e fazer adjustments na estratégia antes de a bola voltar a rolar.

    Confira: Beber água demais é perigoso para a saúde?

    Perguntas frequentes

    1. A pausa para hidratação na Copa de 2026 acontece em todos os jogos?

    Sim, a Fifa determinou que a parada é obrigatória em todas as partidas da competição, independentemente do clima ou do local.

    2. O tempo da pausa é descontado do jogo?

    Não. O cronômetro continua rodando e o árbitro adiciona os três minutos integralmente ao tempo de acréscimo de cada etapa.

    3. Por que apenas o intervalo de 15 minutos não é suficiente?

    Porque em condições de esforço extremo o corpo precisa de reidratação a cada 15 ou 20 minutos para evitar que a temperatura interna suba a níveis perigosos.

    4. Beber apenas água pura resolve o problema durante o jogo?

    Não totalmente. A água reidrata, mas não repõe os sais minerais que o jogador perdeu em grandes quantidades através do suor.

    5. Qual é o principal sinal de que um jogador está gravemente desidratado?

    A ausência repentina de suor mesmo sob esforço intenso, acompanhada de confusão mental, tontura extrema ou desmaio.

    6. O que é a hiponatremia no esporte?

    É a diluição excessiva de sódio no sangue, que acontece quando o atleta bebe água pura em excesso sem repor os sais minerais perdidos.

    7. Quantos quilos um jogador pode perder em uma partida sob calor extremo?

    Um atleta de elite pode perder entre 2 e 4 quilos de peso corporal em um único jogo, correspondendo quase totalmente à perda de água.

    Veja mais: Pode trocar água comum por água com gás?

  • Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Uma das alternativas mais sustentáveis ao uso do absorvente descartável, o coletor menstrual é um copinho flexível de silicone medicinal, introduzido no canal vaginal para coletar o fluxo menstrual em vez de absorvê-lo.

    Para você ter uma ideia, ele pode durar anos e, se usado corretamente, é bastante confortável para usar durante as atividades do dia a dia, inclusive para dormir, praticar exercícios físicos, nadar ou trabalhar.

    No entanto, para garantir todos os benefícios do método e evitar riscos à saúde, é importante saber como escolher o tamanho certo e manter os cuidados ideais de higiene. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para explicar os principais detalhes do coletor. Confira!

    Como funciona o coletor menstrual?

    Ao contrário do absorvente, que absorve o sangue da menstruação, o coletor menstrual funciona coletando o fluxo dentro da vagina, mantendo o sangue armazenado em seu interior até o momento da retirada.

    Antes de ser inserido, o coletor é dobrado para ficar menor e facilitar a colocação e, depois de introduzido no canal vaginal, ele se abre naturalmente e se ajusta às paredes da vagina, formando uma vedação suave que ajuda a evitar vazamentos.

    À medida que a menstruação acontece, o sangue fica acumulado dentro do coletor, sem entrar em contato com o ambiente externo. Dependendo da intensidade do fluxo menstrual, ele pode permanecer por até 8 horas antes de precisar ser esvaziado, oferecendo mais praticidade para a rotina e diminuindo a necessidade de trocas frequentes ao longo do dia.

    Benefícios do coletor menstrual

    Por ser feito de um material inerte e seguro, ele oferece benefícios diretos para a saúde da mulher, para o orçamento mensal e para a rotina, como:

    • Mais saúde para a região íntima: diferente dos absorventes descartáveis, o coletor não altera o pH vaginal e não absorve a umidade natural da vagina, apenas o sangue. Isso reduz drasticamente o risco de infecções, como a candidíase, e evita alergias e assaduras na vulva;
    • Livre de odores desagradáveis: o mau cheiro característico do período menstrual só acontece quando o sangue entra em contato com o oxigênio e com os componentes químicos dos absorventes comuns. Como o coletor fica bem vedado dentro da vagina, o sangue não oxida, eliminando qualquer odor;
    • Maior capacidade de armazenamento: o coletor consegue reter mais fluxo do que os absorventes tradicionais, o que diminui a necessidade de trocas constantes ao longo do dia, oferecendo mais praticidade para quem tem fluxo intenso;
    • Conforto e liberdade de movimento: quando inserido corretamente, o coletor se adapta perfeitamente às paredes vaginais e não causa nenhum incômodo. Com ele, é possível praticar atividades físicas, correr, dançar e até nadar com total segurança e sem medo de vazamentos.

    Também vale destacar que, embora o investimento inicial seja maior do que o de um pacote de absorventes, o coletor menstrual é reutilizável e pode durar de 5 a 10 anos se bem cuidado.

    A longo prazo, você acaba gastando muito menos com produtos menstruais, já que um único coletor pode substituir centenas de absorventes descartáveis durante toda a sua vida útil.

    Como escolher o tamanho ideal do coletor menstrual?

    Segundo Andreia, o tamanho do coletor deve ser escolhido de acordo com as características do colo do útero, já que a região pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    Durante a consulta ginecológica, o médico avalia a anatomia e orienta qual é o tamanho mais adequado para cada caso. Se necessário, também é possível demonstrar e treinar a colocação e a retirada do coletor no próprio consultório, ajudando a paciente a ganhar mais segurança antes de começar a utilizá-lo.

    A ginecologista explica que o posicionamento correto é importante para evitar vazamentos. O coletor precisa ficar logo abaixo do colo do útero para que todo o fluxo menstrual seja direcionado para o seu interior.

    Quando ele é colocado na posição errada e não envolve corretamente a região, o sangue pode escorrer pelas laterais, fazendo com que o coletor não cumpra sua principal função, que é coletar a menstruação.

    Passo a passo para colocar e tirar o coletor com segurança

    Com um pouco de prática e seguindo alguns cuidados básicos de higiene, a colocação e a retirada se tornam simples e confortáveis. O primeiro passo é lavar as mãos com água e sabonete, para evitar a entrada de microrganismos na vagina e reduzir o risco de infecções.

    Como colocar o coletor menstrual

    1º passo: encontre uma posição confortável

    Você pode ficar agachada, sentada no vaso sanitário com os joelhos afastados ou em pé, apoiando uma das pernas na borda do vaso ou do box. O ideal é escolher a posição em que se sentir mais relaxada.

    2º passo: dobre o coletor

    Como o silicone é flexível, o coletor precisa ser dobrado para facilitar a inserção. As dobras mais utilizadas são:

    • Dobra em C (ou U): dobre o coletor ao meio, unindo as duas bordas para formar o formato da letra C;
    • Dobra punch down: empurre uma das bordas para dentro, em direção à base do coletor, formando uma ponta mais fina, o que costuma facilitar a colocação, principalmente para quem está começando.

    3º passo: introduza o coletor

    Segure o coletor dobrado com uma das mãos e, com a outra, afaste delicadamente os lábios vaginais. Em seguida, introduza o coletor na vagina, direcionando-o para trás, em direção ao cóccix, e não para cima.

    4º passo: verifique se ele abriu corretamente

    O coletor não precisa ficar tão profundo quanto um absorvente interno. Depois de inserido, ele costuma se abrir sozinho e formar uma vedação suave nas paredes da vagina.

    Para conferir se está bem posicionado, gire delicadamente a base do coletor ou passe um dedo ao redor dela. Se o coletor estiver completamente aberto, sem dobras, a vedação estará formada e o risco de vazamentos será menor.

    Como retirar o coletor menstrual

    Para retirar, a principal dica é nunca puxar apenas pelo pino. Ele serve apenas como um guia para você localizar a base do coletor. Puxá-lo sem desfazer o vácuo pode causar um efeito de sucção desconfortável no colo do útero.

    • Lave as mãos e adote uma posição confortável (ficar agachada ajuda o coletor a descer um pouco no canal);
    • Faça uma leve força com a musculatura da vagina (como se estivesse evacuando) para empurrar o coletor para baixo;
    • Introduza o polegar e o indicador na vagina até alcançar a base do coletor. Aperte a base do copinho com firmeza. Isso fará o ar entrar, desfazendo o vácuo imediatamente;
    • Mantendo a base pressionada, puxe o coletor suavemente para fora, mantendo-o na vertical para que o sangue não derrame;
    • Despeje o conteúdo no vaso sanitário, lave o coletor na pia com água corrente e sabão neutro e ele estará pronto para ser inserido novamente.

    Segundo Andreia, a paciente precisa conhecer muito bem o próprio corpo para conseguir inserir o coletor corretamente, verificar se ele ficou bem posicionado, retirá-lo no momento adequado e realizar a higienização antes de colocá-lo novamente.

    As etapas se tornam fáceis com a prática, mas algumas pessoas podem ter mais dificuldade durante o período de adaptação.

    Cuidados de higiene com o coletor menstrual

    Como o sangue é um líquido muito nutritivo, ele funciona como um meio de cultura natural onde bactérias podem se proliferar se o coletor ficar sujo ou for mal higienizado, segundo Andreia. Para evitar riscos, você deve adotar alguns cuidados no di a adia:

    1. Lave sempre as mãos

    Antes de colocar ou retirar o coletor, lave bem as mãos com água e sabonete para evitar a transferência de microrganismos para a região íntima.

    2. Higienize o coletor a cada troca

    Sempre que esvaziar o coletor durante a menstruação, lave-o com água corrente e sabonete neutro ou outro produto recomendado pelo fabricante. Antes de recolocá-lo, enxágue bem para remover qualquer resíduo de sabonete.

    3. Limpe os furinhos de vedação

    O coletor possui pequenos furos próximos à borda que ajudam a formar a vedação. Durante a lavagem, encha o coletor com água, tampe a abertura com a palma da mão e aperte levemente a base para que a água passe pelos furos e remova possíveis resíduos.

    4. Esterilize antes do primeiro uso e após cada ciclo

    Antes de usar o coletor pela primeira vez e ao final de cada menstruação, faça a esterilização para eliminar microrganismos e garantir um uso mais seguro.

    5. Ferva o coletor corretamente

    Coloque o coletor em uma panela com água suficiente para cobri-lo completamente e deixe ferver por cerca de 3 a 5 minutos, seguindo as orientações do fabricante. Evite deixá-lo fervendo por mais tempo do que o recomendado para não comprometer o material.

    6. Use o micro-ondas apenas se o fabricante permitir

    Alguns coletores podem ser esterilizados em recipientes próprios para micro-ondas. Nesses casos, basta colocá-lo em um recipiente adequado com água e seguir as instruções do fabricante quanto ao tempo de aquecimento.

    7. Guarde o coletor em local adequado

    Depois de esterilizado e completamente seco, guarde-o no saquinho de tecido que normalmente acompanha o produto ou em outro recipiente que permita a circulação de ar. Evite armazená-lo em potes plásticos totalmente fechados.

    8. Não utilize produtos químicos agressivos

    Álcool, água sanitária, desinfetantes, detergentes e sabonetes perfumados não devem ser usados na limpeza do coletor, pois podem danificar o silicone e causar irritações na região íntima.

    De quanto em quanto tempo é preciso esvaziar o coletor?

    O tempo de uso do coletor menstrual varia de acordo com a intensidade do fluxo, que é diferente para cada pessoa e também pode mudar ao longo da própria menstruação. Em geral, o fluxo costuma ser mais leve no início, aumenta no segundo ou terceiro dia e depois volta a diminuir.

    Por isso, a frequência para esvaziar o coletor deve ser adaptada à quantidade de sangue coletada, já que, quando ele atinge a capacidade máxima, pode acabar vazando.

    Segundo Andreia, assim como acontece com o absorvente interno, o coletor não deve permanecer por muitas horas seguidas sem ser esvaziado. O recomendado é não ultrapassar 8 horas de uso contínuo e, sempre que possível, fazer a troca antes desse período, de preferência a cada 6 horas, especialmente nos dias de fluxo mais intenso.

    Existem contraindicações ao uso?

    Não existe uma contraindicação absoluta para o uso do coletor menstrual, já que a adaptação varia de pessoa para pessoa.

    Mas, em algumas situações, a ginecologista explica que o médico pode orientar a suspensão do uso, principalmente quando há suspeita de infecção, histórico recente de infecções vaginais recorrentes ou irritação causada pelo contato com o material. A recomendação é individualizada e depende da avaliação clínica de cada paciente.

    Quem tem DIU pode usar o coletor menstrual?

    Pessoas que usam DIU, seja ele de cobre ou hormonal (Mirena/Kyleena), podem utilizar o coletor menstrual sem problemas. O uso do coletor não interfere na eficácia do anticoncepcional e não causa o deslocamento do dispositivo, desde que retirado da forma correta.

    Mulheres virgens podem usar o coletor menstrual?

    De acordo com Andreia, mulheres virgens podem usar o coletor menstrual, mas o processo pode ser um pouco mais desafiador e existe o risco de romper o hímen. Do ponto de vista anatômico e médico, não há nenhuma contraindicação à saúde, sendo uma escolha totalmente baseada no desejo e no conforto da mulher.

    Se a mulher ainda não teve relações sexuais e deseja usar o coletor, é preciso levar em consideração alguns pontos importantes, como:

    • O coletor pode esticar ou romper o hímen durante a colocação ou a retirada, já que essa membrana é fina e pode variar de elasticidade entre as pessoas;
    • O ideal é escolher a coletor de tamanho menor, que costuma ser mais confortável para quem nunca utilizou produtos de inserção vaginal;
    • Nas primeiras tentativas, um lubrificante à base de água pode facilitar a colocação e reduzir o desconforto.

    Como nessa fase pode ser mais difícil avaliar a altura do colo do útero sozinha, uma ótima recomendação é conversar com o ginecologista antes de comprar. O médico poderá examinar a elasticidade do hímen e indicar o modelo mais adequado para a anatomia da paciente.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O coletor menstrual pode vazar?

    Não, se for escolhido o tamanho correto e inserido adequadamente, ele se molda às paredes vaginais, criando um vácuo que impede vazamentos.

    2. Como saber se o coletor abriu completamente?

    Passe o dedo indicador ao redor da base do coletor; se não sentir dobras ou partes amassadas, é sinal de que ele abriu e formou o vácuo.

    3. É possível urinar com o coletor?

    Sim. O coletor fica posicionado na vagina, um canal diferente da uretra, por onde sai a urina.

    4. Como higienizar o coletor em banheiros públicos?

    Leve uma garrafinha de água com você. Esvazie o coletor no vaso, enxágue-o com a água da garrafinha sobre o vaso e reinsira-o.

    5. O coletor pode causar infecções?

    Não, se for higienizado corretamente. O material (silicone medicinal) é hipoalergênico e não altera a flora vaginal.

    6. O que fazer se o coletor ficar “preso”?

    Não entre em pânico. Relaxe, respire fundo e faça força abdominal (como se fosse evacuar) para empurrá-lo para baixo até conseguir alcançar a base e quebrar o vácuo.

    7. Posso usar o coletor no pós-parto?

    Não, o ideal é esperar o período de resguardo (geralmente 40 a 60 dias) e a liberação do médico para retomar o uso.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão