Autor: Dra. Juliana Soares

  • Hemorragia digestiva baixa: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado 

    Hemorragia digestiva baixa: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado 

    Encontrar sangue nas fezes é sempre um sinal de alerta. Embora nem todo sangramento intestinal represente uma condição grave, a hemorragia digestiva baixa pode estar associada a diferentes doenças do intestino grosso e precisa ser investigada com atenção.

    Dependendo da causa e da intensidade da perda sanguínea, o quadro pode variar desde episódios leves e autolimitados até situações que exigem internação, transfusão de sangue e procedimentos invasivos.

    O que é a hemorragia digestiva baixa?

    A hemorragia digestiva baixa é definida como a perda de sangue cuja origem está localizada na porção colorretal do trato gastrointestinal, ou seja, no intestino grosso.

    Essa condição pode estar relacionada a diversas doenças e deve sempre ser avaliada com cuidado, já que pode levar a complicações como anemia e instabilidade clínica, dependendo do volume de sangue perdido.

    Principais sintomas

    O sintoma mais característico da hemorragia digestiva baixa é a presença de sangue nas fezes.

    Sangue vivo nas fezes

    A principal queixa dos pacientes é a eliminação de sangue vivo, visível ao evacuar, o que geralmente indica sangramento mais distal no intestino grosso.

    Fezes escurecidas (melena)

    Dependendo da localização do sangramento, as fezes podem se tornar escurecidas e apresentar odor forte, devido à digestão do sangue.

    A gravidade dos sintomas varia conforme a intensidade do sangramento, e pode ir de episódios leves até quadros mais graves, com repercussões clínicas importantes.

    Causas

    As causas da hemorragia digestiva baixa podem ser divididas em diferentes grupos.

    Causas anatômicas

    • Diverticulose: presença de divertículos no intestino grosso que podem sangrar;
    • Hemorróidas: sangramentos geralmente associados à passagem de fezes ressecadas.

    Causas vasculares

    • Angiodisplasias: malformações dos vasos sanguíneos intestinais que aumentam o risco de sangramento.

    Causas inflamatórias

    • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa;
    • Infecções intestinais (enterites), que deixam a mucosa mais fragilizada.

    Neoplasias

    • Câncer colorretal, que pode causar desde sangramentos discretos e imperceptíveis até hemorragias volumosas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da hemorragia digestiva baixa é considerado quando o paciente apresenta sangue vivo nas fezes ou melena.

    A investigação deve sempre buscar a causa do sangramento, levando em conta o histórico clínico e a presença de comorbidades.

    Exames laboratoriais

    • Hemograma, para avaliar anemia secundária à perda de sangue;
    • Testes de coagulação, especialmente em pacientes que utilizam anticoagulantes.

    Exames endoscópicos e de imagem

    • Colonoscopia, exame essencial para identificar a causa do sangramento e que também pode ter função terapêutica;
    • Angiografia, indicada quando a colonoscopia não consegue identificar a origem do sangramento.

    Tratamento

    O tratamento da hemorragia digestiva baixa depende da gravidade do sangramento e de sua causa.

    Casos leves

    Pacientes com baixo risco de complicações podem ser tratados de forma ambulatorial, com acompanhamento médico.

    Casos moderados a graves

    Pacientes com sangramentos significativos ou maior risco devem ser internados para:

    • Hidratação venosa;
    • Oxigenoterapia, se necessário;
    • Correção de alterações metabólicas.

    Transfusão e procedimentos

    • Transfusão sanguínea pode ser necessária em casos de anemia grave ou perda intensa de sangue;
    • Colonoscopia e endoscopia podem ser utilizadas tanto para diagnóstico quanto para tratamento durante o exame.

    O manejo final será direcionado à causa do sangramento, podendo envolver observação clínica, uso de remédios específicos ou cirurgia, conforme o quadro.

    Leia mais: Vomitou sangue? Pode ser hemorragia digestiva alta

    Perguntas frequentes sobre hemorragia digestiva baixa

    1. Hemorragia digestiva baixa é sempre grave?

    Não. A gravidade depende da causa e do volume de sangue perdido. Alguns casos são leves e autolimitados.

    2. Sangue vivo nas fezes sempre indica hemorragia digestiva baixa?

    É o sinal mais comum, mas a investigação médica é necessária para confirmar a origem e a causa.

    3. Hemorróidas podem causar esse tipo de sangramento?

    Sim. Hemorróidas são uma das causas anatômicas mais frequentes de hemorragia digestiva baixa.

    4. Câncer colorretal pode causar sangramento intestinal?

    Sim. O câncer colorretal pode causar desde sangramentos discretos até hemorragias volumosas.

    5. A colonoscopia serve apenas para diagnóstico?

    Não. Além de identificar a causa, a colonoscopia pode permitir tratamento do sangramento durante o exame.

    6. Sempre é necessário internação?

    Não. Pacientes com sangramentos leves e baixo risco podem ser tratados ambulatorialmente.

    7. A transfusão de sangue é comum nesses casos?

    Ela é indicada apenas quando há anemia grave ou perda significativa de sangue.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Nem toda hepatite é causada por vírus: saiba mais sobre a hepatite autoimune 

    Nem toda hepatite é causada por vírus: saiba mais sobre a hepatite autoimune 

    Nem toda inflamação do fígado é causada por vírus, álcool ou medicamentos. Em alguns casos, o próprio sistema imunológico passa a atacar as células hepáticas, dando origem a uma condição chamada hepatite autoimune.

    Apesar de pouco conhecida, essa é uma doença crônica que pode evoluir silenciosamente por anos, sendo descoberta apenas em exames de rotina. Quando não diagnosticada e acompanhada corretamente, pode levar a fibrose, cirrose e falência hepática, o que reforça a importância do reconhecimento precoce.

    O que é a hepatite autoimune?

    A hepatite autoimune é uma doença crônica caracterizada pela inflamação do fígado causada pela ação inadequada do sistema imunológico, que passa a produzir autoanticorpos contra as próprias células hepáticas. Esse processo inflamatório contínuo pode levar à lesão do fígado e à formação de fibrose ao longo do tempo.

    A condição pode surgir em qualquer idade, mas é mais frequente em mulheres, com dois picos de incidência: um em torno dos 20 anos e outro por volta dos 50 anos.

    Principais sintomas

    Os sintomas da hepatite autoimune variam amplamente, indo desde quadros assintomáticos até manifestações graves de insuficiência hepática.

    Quadros assintomáticos

    Muitos pacientes não apresentam sintomas e recebem o diagnóstico de forma incidental, durante exames de rotina que mostram elevação das enzimas do fígado ou alterações em exames de imagem.

    Sintomas iniciais ou agudos

    Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:

    • Cansaço;
    • Icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Dor abdominal.

    Sintomas em fases avançadas

    Em estágios mais avançados, especialmente quando há cirrose, podem surgir:

    • Ascite (acúmulo de líquido no abdômen);
    • Confusão mental e sonolência;
    • Sangramentos;
    • Aumento do fígado.

    A hepatite autoimune também pode estar associada a outras doenças autoimunes, como artrites e doenças da tireoide.

    Causas

    A hepatite autoimune não possui uma causa única definida. Acredita-se que ela surja em pessoas com predisposição genética, após a exposição a algum gatilho ambiental.

    Entre os fatores associados estão:

    • Infecções virais, como sarampo, hepatites virais, herpes e varicela-zóster;
    • Uso de alguns medicamentos, como metildopa, nitrofurantoína e diclofenaco.

    Esses gatilhos podem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que atacam o fígado, gerando inflamação persistente e fibrose hepática.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da hepatite autoimune deve ser considerado em qualquer paciente com sinais de doença hepática, seja aguda ou crônica.

    Investigação inicial

    O primeiro passo é excluir causas mais comuns de doença do fígado, como:

    • Doenças metabólicas;
    • Infecções;
    • Consumo excessivo de álcool.

    Exames laboratoriais

    Os exames de sangue geralmente mostram:

    • Elevação das transaminases;
    • Presença de autoanticorpos específicos.

    Biópsia hepática

    A biópsia pode confirmar o diagnóstico, mas nem sempre é necessária. Em muitos casos, o diagnóstico é feito com base no conjunto de sintomas, exames laboratoriais e presença de autoanticorpos.

    Tratamento

    O tratamento da hepatite autoimune deve ser conduzido por um hepatologista e envolve acompanhamento a longo prazo.

    Medidas gerais

    • Suspensão do consumo de álcool;
    • Vacinação contra hepatite A e B;
    • Imunizações adicionais, como pneumococo, influenza e covid-19.

    Quando tratar

    Pacientes assintomáticos geralmente não precisam de tratamento imediato, apenas acompanhamento regular. Já aqueles com sintomas ou alterações laboratoriais importantes iniciam tratamento com remédios.

    Tratamento com remédios

    O tratamento é feito com corticoides, com dose e duração individualizadas. Em pacientes com risco aumentado de efeitos colaterais, pode ser associado um imunossupressor.

    Confira: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre hepatite autoimune

    1. A hepatite autoimune tem cura?

    Não. Trata-se de uma doença crônica, mas o tratamento adequado pode controlar a inflamação e evitar a progressão para cirrose.

    2. A doença pode ficar silenciosa por anos?

    Sim. Muitos pacientes são assintomáticos e descobrem a doença em exames de rotina.

    3. Homens também podem ter hepatite autoimune?

    Sim, embora a doença seja mais comum em mulheres.

    4. Quem tem hepatite autoimune pode consumir álcool?

    Não. O consumo de álcool deve ser evitado, pois pode acelerar a progressão da doença.

    5. A hepatite autoimune é contagiosa?

    Não. Ela não é causada por vírus transmissíveis e não passa de pessoa para pessoa.

    6. É necessário tratamento para toda a vida?

    Nem sempre. Alguns pacientes podem suspender a medicação sob supervisão médica, mas o acompanhamento é contínuo.

    7. A doença pode evoluir para cirrose?

    Sim, principalmente se não for diagnosticada e tratada adequadamente.

    Leia mais: Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir

  • Vitamina D em excesso pode fazer mal? Entenda 

    Vitamina D em excesso pode fazer mal? Entenda 

    A vitamina D é amplamente conhecida por seu papel essencial na saúde óssea e no metabolismo do cálcio. Nos últimos anos, a suplementação dessa vitamina se popularizou, muitas vezes sem acompanhamento médico adequado. O que pouca gente sabe é que o uso indiscriminado pode levar a uma condição potencialmente grave: a hipervitaminose D, ou excesso de vitamina D no corpo.

    Embora seja menos comum do que a deficiência, o excesso de vitamina D pode provocar alterações importantes no organismo, principalmente por aumentar de forma perigosa os níveis de cálcio no sangue.

    O que é o excesso de vitamina D?

    O excesso de vitamina D, condição chamada de hipervitaminose D, é uma condição resultante da acumulação excessiva de vitamina D no organismo, que alcança níveis considerados tóxicos. A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel, o que significa que seu excesso se acumula no corpo ao longo do tempo, especialmente em casos de suplementação inadequada.

    Diferentemente das vitaminas hidrossolúveis, como a vitamina C — que são eliminadas pela urina —, as vitaminas lipossolúveis permanecem armazenadas no organismo, o que aumenta o risco de intoxicação.

    A vitamina D é muito importante para manter níveis adequados de cálcio no sangue e regular o metabolismo ósseo, e é obtida tanto pela alimentação quanto pela síntese na pele após exposição ao sol.

    Principais sintomas do excesso de vitamina D

    Os sintomas do excesso de vitamina D estão diretamente relacionados ao aumento dos níveis de cálcio no sangue, condição conhecida como hipercalcemia.

    Sintomas mais comuns

    Entre os sintomas mais frequentes estão:

    • Confusão mental;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Sede excessiva;
    • Perda de apetite;
    • Enjoo e vômitos;
    • Fraqueza muscular.

    Complicações associadas

    O excesso de cálcio pode levar a complicações importantes, como:

    • Formação de pedras nos rins;
    • Osteoporose;
    • Dor nos membros;
    • Alterações na função renal.

    Em casos mais graves, níveis elevados de cálcio podem provocar arritmias cardíacas, representando risco à vida.

    Causas do excesso de vitamina D

    As principais causas da hipervitaminose D estão relacionadas ao uso inadequado de suplementos.

    Suplementação excessiva

    A condição ocorre, principalmente, quando há:

    • Uso de doses elevadas de vitamina D sem acompanhamento médico;
    • Prescrição inadequada ou manutenção prolongada de doses altas.

    Grupos mais suscetíveis incluem pessoas com deficiência prévia de vitamina D que iniciam reposição, além de indivíduos com doenças que afetam a absorção da vitamina, como má absorção intestinal, osteoporose e psoríase.

    É importante destacar que a exposição excessiva ao sol não causa excesso de vitamina D em níveis tóxicos, pois o organismo possui mecanismos de autorregulação da produção cutânea da vitamina.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do excesso de vitamina D deve ser considerado em pacientes que apresentam sintomas de hipercalcemia, especialmente naqueles com histórico recente de reposição de vitamina D.

    Exames laboratoriais

    Os exames de sangue costumam mostrar:

    • Níveis de vitamina D superiores a 100 ng/dL, considerados indicativos de toxicidade;
    • Elevação do cálcio sérico;
    • Avaliação de outros eletrólitos;
    • Análise da função renal.

    Em situações de hipercalcemia mais grave, um eletrocardiograma pode ser solicitado para monitorar possíveis alterações no ritmo cardíaco.

    Tratamento

    O primeiro passo no tratamento do excesso de vitamina D é interromper imediatamente a suplementação, caso o paciente esteja em uso.

    A abordagem terapêutica inclui:

    • Estabilização clínica do paciente;
    • Correção dos níveis elevados de cálcio;
    • Monitoramento laboratorial frequente.

    Em casos mais graves, podem ser utilizados medicamentos que ajudam a reduzir o cálcio no sangue, como os bifosfonatos, conforme a avaliação médica.

    Prevenção

    A prevenção do excesso de vitamina D depende principalmente de acompanhamento médico regular durante a reposição da vitamina.

    Medidas importantes incluem:

    • Realização de exames periódicos de sangue;
    • Ajuste individualizado das doses;
    • Evitar o uso de vitamina D sem prescrição ou orientação profissional.

    Pacientes que fazem uso contínuo de suplementos sem supervisão adequada apresentam maior risco de desenvolver a condição.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes sobre excesso de vitamina D

    Tomar vitamina D em excesso faz mal?

    Sim. O excesso de vitamina D pode levar à hipervitaminose D, uma condição que aumenta os níveis de cálcio no sangue e pode causar sintomas como enjoo, confusão mental, fraqueza muscular, pedras nos rins e alterações cardíacas.

    A hipervitaminose D acontece por tomar sol demais?

    Não. A exposição ao sol não causa excesso de vitamina D em níveis tóxicos. O excesso ocorre principalmente pelo uso inadequado de suplementos de vitamina D, especialmente em doses altas e sem acompanhamento médico.

    Quais são os primeiros sintomas do excesso de vitamina D?

    Os sintomas iniciais costumam estar relacionados à hipercalcemia e incluem sede excessiva, aumento da urina, enjoo, perda de apetite, fraqueza e confusão mental.

    Qual nível de vitamina D é considerado tóxico?

    Em geral, níveis de vitamina D acima de 100 ng/dL no sangue são considerados indicativos de toxicidade e devem ser avaliados por um médico.

    Quem tem mais risco de desenvolver hipervitaminose D?

    Pessoas que usam suplementos sem orientação médica, indivíduos com deficiência prévia que iniciam reposição em doses elevadas e pacientes com doenças que alteram a absorção da vitamina D apresentam maior risco.

    Como é feito o tratamento da hipervitaminose D?

    O tratamento começa com a suspensão imediata da suplementação de vitamina D. Em seguida, é feita a correção dos níveis de cálcio e o monitoramento clínico e laboratorial. Casos graves podem exigir medicamentos específicos para reduzir o cálcio no sangue.

    É possível prevenir a hipervitaminose D?

    Sim. A prevenção envolve o uso de vitamina D apenas com prescrição ou orientação médica, além de exames periódicos para ajuste da dose conforme a necessidade individual.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

  • Síndrome de Cushing: entenda quando o excesso de cortisol vira um problema sério

    Síndrome de Cushing: entenda quando o excesso de cortisol vira um problema sério

    Ganho de peso concentrado no abdômen, rosto mais arredondado, fraqueza muscular e manchas roxas que surgem sem motivo aparente. Esses sinais, quando aparecem juntos, podem indicar algo além de mudanças no estilo de vida. Em alguns casos, eles fazem parte de uma condição hormonal chamada síndrome de Cushing.

    Embora seja considerada rara, a síndrome de Cushing é potencialmente grave e pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, infecções e complicações metabólicas. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar diagnóstico precoce faz toda a diferença.

    O que é a síndrome de Cushing?

    A síndrome de Cushing é um conjunto de sinais e sintomas causado pelo excesso de hormônios corticóides, especialmente o cortisol, no organismo. Esse excesso pode ocorrer de duas formas:

    • Produção aumentada pelo próprio corpo (endógena);
    • Uso excessivo de corticóides como medicamentos (exógena).

    Um dos cenários mais conhecidos é a doença de Cushing, que é uma causa específica da síndrome. Nela, ocorre produção excessiva do hormônio ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) pela hipófise, estimulando as glândulas adrenais a produzirem cortisol em excesso.

    Na maioria dos casos, isso acontece por causa de um adenoma hipofisário, um tumor benigno da hipófise.

    Principais sintomas da síndrome de Cushing

    Os sintomas costumam se desenvolver de forma progressiva, acompanhando o aumento dos níveis de corticoides no sangue.

    Alterações físicas mais comuns

    • Fraqueza muscular, principalmente em braços e pernas;
    • Vermelhidão facial (pletora);
    • Aumento de gordura abdominal, com acúmulo também na parte posterior do pescoço;
    • Estrias violáceas, mais largas e arroxeadas, especialmente no abdômen;
    • Hematomas frequentes, mesmo sem trauma aparente.

    Outros sintomas associados

    Com a progressão da doença, podem surgir:

    • Irregularidades menstruais;
    • Acne e pele mais oleosa;
    • Queda de cabelo e sinais de virilização em mulheres;
    • Glicemia alta e maior risco de diabetes;
    • Apneia do sono;
    • Aumento do risco cardiovascular, com pressão alta e eventos trombóticos.

    Quais são as causas da síndrome de Cushing?

    As causas variam conforme o mecanismo que leva ao excesso de cortisol.

    Excesso de ACTH (dependente de ACTH)

    • Doença de Cushing (65–70% dos casos), causada por adenoma da hipófise;
    • Produção de ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) por tumores fora da hipófise (produção ectópica).

    Excesso de corticóides independente de ACTH

    • Uso excessivo de corticoides como medicamentos (causa mais comum no dia a dia);
    • Doenças das glândulas adrenais que levam à produção excessiva de cortisol.

    Nessas situações, o ACTH costuma estar baixo, pois o organismo reduz sua produção em resposta ao excesso de corticoides circulantes.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da síndrome de Cushing começa pela suspeita clínica, a partir dos sintomas e do exame físico.

    Etapa inicial: excluir uso de corticoides

    Antes de qualquer investigação, é fundamental confirmar se o paciente faz uso de medicamentos corticoides, pois essa é uma causa frequente.

    Exames utilizados

    Para confirmar o excesso de cortisol, podem ser solicitados:

    • Dosagem de cortisol urinário;
    • Cortisol salivar;
    • Teste de supressão com dexametasona.

    Após confirmar o hipercortisolismo, exames adicionais ajudam a identificar a causa:

    • Dosagem de ACTH;
    • Exames de imagem da hipófise;
    • Avaliação das glândulas adrenais.

    Tratamento da síndrome de Cushing

    O tratamento depende diretamente da causa identificada.

    Retirada gradual de corticoides

    Indicada quando a síndrome é causada pelo uso excessivo de medicamentos corticoides. A retirada deve ser lenta e supervisionada, para evitar insuficiência adrenal.

    Cirurgia

    • Remoção do adenoma hipofisário, nos casos de doença de Cushing;

    Em geral, resulta em resolução ou grande melhora do quadro.

    Medicamentos

    Usados quando a cirurgia não é possível ou não foi eficaz, com o objetivo de reduzir os níveis de cortisol no sangue.

    Remoção das glândulas adrenais

    Indicada em casos refratários, quando outras abordagens não controlam a doença.

    O que esperar

    Sem tratamento, a síndrome de Cushing pode ser fatal, principalmente por complicações cardiovasculares, trombóticas e infecciosas.

    Quando tratada, a doença pode ser curável, mas o prognóstico é mais grave em pacientes com tumores associados devido à natureza desses tumores. Em casos mais graves, a redução importante da imunidade pode levar a infecções oportunistas.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre síndrome de Cushing

    1. Síndrome de Cushing é a mesma coisa que doença de Cushing?

    Não. A doença de Cushing é uma causa específica da síndrome.

    2. Corticoide pode causar síndrome de Cushing?

    Sim. É a causa mais comum da síndrome no dia a dia.

    3. A síndrome de Cushing tem cura?

    Em muitos casos, sim, especialmente quando a causa é tratável.

    4. Ganho de peso sempre significa Cushing?

    Não. O padrão de distribuição da gordura e outros sintomas ajudam na suspeita.

    5. É uma doença rara?

    Sim, mas o uso de corticoides torna a forma exógena relativamente frequente.

    6. Pode causar diabetes e pressão alta?

    Sim. Essas são complicações comuns.

    7. O diagnóstico é rápido?

    Nem sempre. Os sintomas podem ser confundidos com outras condições.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Pouca dor, muito risco: o perigo da hepatite C

    Pouca dor, muito risco: o perigo da hepatite C

    A hepatite C é uma doença silenciosa. Em muitos casos, a pessoa convive com o vírus por anos sem apresentar sintomas e descobre a infecção apenas quando já existem danos no fígado. Apesar disso, trata-se hoje de uma doença com tratamento eficaz e altas taxas de cura, desde que diagnosticada a tempo.

    Entender como ocorre a transmissão, quais sinais merecem atenção e quando procurar avaliação médica é muito importante para evitar complicações como cirrose e câncer de fígado.

    O que é a hepatite C?

    A hepatite C é uma infecção do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV). A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado, como:

    • Transfusões de sangue ou hemoderivados (principalmente antes de 1993, quando não havia ainda testes para hepatite C);
    • Uso de drogas injetáveis com compartilhamento de seringas;
    • Transplantes de órgãos;
    • Hemodiálise;
    • Acidentes com material biológico entre profissionais de saúde.

    Também pode ocorrer:

    • Transmissão perinatal (próximo ao parto);
    • Transmissão sexual, embora menos frequente.

    Entre os principais fatores de risco estão: uso de drogas injetáveis, pessoas privadas de liberdade, coinfecção pelo HIV, pacientes em hemodiálise, exposição ocupacional e consumo excessivo de álcool.

    Como a hepatite C afeta o fígado?

    Após a infecção, o vírus da hepatite C se instala nas células do fígado. Embora não destrua diretamente essas células, ele provoca uma resposta inflamatória crônica, que ao longo do tempo leva à fibrose hepática, um processo de cicatrização progressiva.

    Com a evolução da doença, essa fibrose pode se tornar extensa, resultando em:

    • Cirrose hepática;
    • Redução importante da função do fígado;
    • Falência hepática;
    • Maior risco de câncer de fígado.

    Principais sintomas da hepatite C

    Fase aguda

    A fase aguda dura, em média, de 2 a 12 semanas após a infecção. A maioria dos pacientes é assintomática.

    Quando presentes, os sintomas podem incluir:

    • Icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Náuseas e vômitos;
    • Urina escura;
    • Dor no lado direito do abdômen.

    Apesar de existir a possibilidade de cura espontânea, a maioria dos casos evolui para infecção crônica.

    Infecção crônica

    Cerca de 80 a 85% dos pacientes desenvolvem hepatite C crônica. Os sintomas costumam ser inespecíficos, como:

    • Náuseas;
    • Dor abdominal;
    • Diarreia;
    • Perda de apetite e de peso;
    • Dor muscular e nas articulações;
    • Coceira na pele;
    • Icterícia.

    Em fases avançadas, surgem sinais de cirrose:

    • Varizes esofágicas (com risco de sangramento);
    • Ascite (barriga inchada por líquido);
    • Encefalopatia hepática (confusão mental);
    • Maior risco de câncer de fígado.

    Como é feito o diagnóstico?

    Como muitos pacientes não apresentam sintomas, recomenda-se que todos os adultos a partir de 18 anos façam rastreio pelo menos uma vez na vida.

    Exames utilizados

    • Teste de anticorpos contra o vírus da hepatite C (rastreamento inicial);
    • Detecção do RNA do vírus para confirmar infecção ativa;
    • Exames de sangue para avaliar função hepática.

    Na fase aguda, o diagnóstico deve ser suspeitado em pessoas com exposição recente de risco.

    Tratamento e acompanhamento

    Após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado com antivirais específicos para hepatite C. O esquema terapêutico e o tempo de uso variam conforme características do paciente e do vírus.

    Acompanhamento

    • Monitorar resposta ao tratamento;
    • Avaliar possíveis efeitos colaterais;
    • Ajustar doses, se necessário.

    Pacientes não vacinados devem receber vacinas contra hepatite A e B, pois a coinfecção pode agravar a evolução da doença.

    Quando já existe fibrose avançada ou cirrose, o acompanhamento médico contínuo é essencial para:

    • Prevenir descompensações;
    • Monitorar risco de câncer de fígado;
    • Avaliar função hepática periodicamente.

    Prevenção da hepatite C

    Atualmente, não existe vacina contra hepatite C. A prevenção baseia-se em:

    • Uso de preservativos;
    • Não compartilhar seringas ou objetos perfurocortantes;
    • Cuidados rigorosos em procedimentos de saúde.

    A transmissão por transfusões e transplantes caiu drasticamente com os testes de triagem atuais.

    Prognóstico

    Cerca de 10 a 15% dos casos agudos podem se resolver espontaneamente. A progressão para cirrose é mais comum em pessoas que:

    • Consomem álcool em excesso;
    • Têm coinfecção por hepatite B ou HIV.

    Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes alcança cura virológica, com grande melhora da expectativa e qualidade de vida.

    Leia mais: Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir

    Perguntas frequentes sobre hepatite C

    1. Hepatite C tem cura?

    Sim. Os tratamentos atuais apresentam altas taxas de cura.

    2. Hepatite C sempre causa sintomas?

    Não. Muitas pessoas permanecem assintomáticas por anos.

    3. Existe vacina contra hepatite C?

    Não. A prevenção depende de medidas de proteção.

    4. Álcool piora a hepatite C?

    Sim. O álcool acelera a progressão da doença hepática.

    5. Hepatite C pode virar câncer?

    Pode, especialmente quando evolui para cirrose.

    6. Quem deve fazer o teste?

    Todos os adultos ao menos uma vez e pessoas com fatores de risco.

    Confira: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • Pneumotórax: entenda a condição que causa falta de ar repentina

    Pneumotórax: entenda a condição que causa falta de ar repentina

    Uma dor súbita no peito, acompanhada de falta de ar inesperada, pode ser assustadora, especialmente quando surge em pessoas jovens e aparentemente saudáveis. Em alguns casos, esses sintomas estão ligados ao pneumotórax espontâneo, uma condição em que o pulmão perde parte de sua capacidade de expansão de forma abrupta.

    Embora muitas vezes tenha boa evolução, o pneumotórax é considerado uma situação potencialmente grave e que exige avaliação médica rápida, já que o colapso pulmonar pode se agravar se não for tratado adequadamente.

    O que é o pneumotórax espontâneo?

    O pneumotórax é uma condição caracterizada pelo acúmulo de ar no espaço pleural, que é o espaço existente entre o pulmão e a pleura — a membrana que reveste o pulmão e a parte interna da caixa torácica.

    Quando esse ar se acumula nesse espaço, ele impede que o pulmão se expanda corretamente durante a respiração, podendo levar a um colapso parcial ou total do pulmão.

    O pneumotórax é chamado de espontâneo quando ocorre sem trauma direto no tórax, como acidentes ou perfurações. Trata-se geralmente de um quadro agudo, que pode variar desde formas leves até situações que exigem intervenção imediata.

    Principais sintomas do pneumotórax espontâneo

    Os sintomas costumam surgir de forma repentina e variam conforme a quantidade de ar acumulado e a condição pulmonar do paciente.

    Falta de ar súbita

    É um dos sintomas mais comuns e pode variar de leve a intensa.

    Dor no peito

    • Geralmente em pontada;
    • Piora ao respirar fundo, tossir ou espirrar;
    • Costuma ocorrer do lado do pulmão afetado.

    Outros possíveis sinais

    • Respiração acelerada;
    • Sensação de aperto no tórax;
    • Cansaço súbito.

    Em pneumotórax pequenos, o paciente pode não apresentar sintomas importantes, e o diagnóstico pode ocorrer apenas em exames de imagem feitos por outro motivo. Em quadros mais arrastados ou crônicos, os sinais podem ser menos evidentes.

    Quais são as causas do pneumotórax espontâneo?

    O pneumotórax espontâneo é classificado em primário ou secundário, de acordo com a presença ou não de doença pulmonar prévia.

    Pneumotórax espontâneo primário

    Ocorre sem doença pulmonar conhecida, sendo mais comum em:

    • Pessoas jovens;
    • Indivíduos altos e magros;
    • Tabagistas.

    Está frequentemente associado à presença de blebs, que são pequenas bolhas de ar na superfície do pulmão. Essas bolhas podem se romper espontaneamente, permitindo a saída de ar para o espaço pleural.

    Fatores que aumentam o risco:

    • Tabagismo;
    • Predisposição genética;
    • Mudanças bruscas de pressão atmosférica.

    Pneumotórax espontâneo secundário

    Ocorre como complicação de doenças pulmonares já existentes, como:

    • Enfisema pulmonar;
    • Fibrose cística;
    • Câncer de pulmão;
    • Infecções pulmonares.

    Nesses casos, o pulmão apresenta áreas fragilizadas que podem se romper com mais facilidade.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é suspeitado diante de falta de ar e dor torácica de início súbito.

    Radiografia de tórax

    É o exame inicial mais utilizado e costuma evidenciar a presença de ar no espaço pleural.

    Tomografia de tórax

    Mais sensível, permite:

    • Avaliar melhor o tecido pulmonar;
    • Identificar blebs;
    • Estimular o tamanho do pneumotórax.

    Ultrassonografia à beira do leito

    Em situações de emergência, pode confirmar rapidamente o diagnóstico.

    Exames de sangue geralmente não são úteis para confirmar o pneumotórax, pois apresentam alterações inespecíficas.

    Tratamento do pneumotórax espontâneo

    O tratamento depende de:

    • Intensidade dos sintomas;
    • Tamanho do pneumotórax;
    • Presença de doença pulmonar associada.

    Tratamento conservador

    Indicado em pneumotórax pequenos e pacientes estáveis:

    • Observação clínica;
    • Oxigenoterapia;
    • Acompanhamento com exames de imagem.

    Dreno torácico

    Se houver:

    • Aumento do pneumotórax;
    • Piora da falta de ar;
    • Instabilidade clínica.

    É necessário inserir um dreno no tórax para remover o ar acumulado e permitir a reexpansão do pulmão.

    O foco do tratamento é sempre garantir a estabilidade do paciente e corrigir a causa do colapso pulmonar.

    O que esperar

    O prognóstico do pneumotórax espontâneo é, em geral, bom, especialmente nos casos primários, com baixa mortalidade e alta taxa de recuperação completa.

    Já o pneumotórax secundário costuma ter evolução mais complexa, pois ocorre em pacientes com doenças pulmonares prévias, o que pode dificultar a recuperação e aumentar o risco de recorrência.

    Leia mais: Câncer de pulmão: sintomas, tipos e como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre pneumotórax espontâneo

    1. Pneumotórax espontâneo é grave?

    Pode ser. Muitos casos são leves, mas alguns exigem tratamento imediato.

    2. Pneumotórax pode acontecer mais de uma vez?

    Sim. Há risco de recorrência, especialmente em fumantes.

    3. Quem já teve pneumotórax pode praticar exercícios?

    Depende do caso. A liberação deve ser feita pelo médico.

    4. Voar de avião aumenta o risco?

    Mudanças de pressão podem ser um fator de risco, principalmente logo após um episódio.

    5. Pneumotórax é a mesma coisa que embolia pulmonar?

    Não. São condições diferentes, com causas e tratamentos distintos.

    6. Tabagismo influencia?

    Sim. Fumar aumenta o risco de pneumotórax e de recorrência.

    7. Quando procurar emergência?

    Sempre que houver dor no peito súbita e falta de ar inesperada.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Enfisema pulmonar: quando respirar se torna um esforço 

    Enfisema pulmonar: quando respirar se torna um esforço 

    A falta de ar que começa aos poucos, primeiro durante esforços e depois até em tarefas simples do dia a dia, é um dos sinais mais comuns do enfisema pulmonar. Muitas vezes, esses sintomas são atribuídos ao cansaço por conta da idade ou ao sedentarismo, o que pode atrasar o diagnóstico.

    O enfisema é uma doença crônica, progressiva e sem cura, mas que pode ser controlada. Quanto mais cedo for identificada, maiores são as chances de preservar a função pulmonar, reduzir crises e melhorar a qualidade de vida.

    O que é enfisema pulmonar?

    O enfisema pulmonar é uma forma progressiva de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Ele se caracteriza pela destruição dos alvéolos, que são pequenas estruturas do pulmão responsáveis pela troca de oxigênio e gás carbônico.

    Com a destruição desses alvéolos:

    • O ar entra, mas tem dificuldade para sair dos pulmões;
    • O fluxo de ar fica reduzido;
    • A oxigenação do sangue é prejudicada.

    O enfisema costuma se desenvolver em pessoas expostas por longos períodos a gases tóxicos, especialmente:

    • Fumaça do cigarro;
    • Exposição ocupacional (como mineração);
    • Histórico de infecções pulmonares repetidas.

    O uso de cigarro eletrônico também tem sido associado ao desenvolvimento da doença. Além disso, existe uma causa genética rara: a deficiência de alfa-1 antitripsina, que pode provocar enfisema em pessoas jovens, mesmo que nunca tenham fumado.

    Principais sintomas do enfisema pulmonar

    Os sintomas não são exclusivos da doença, mas seguem um padrão bastante característico.

    Falta de ar

    • É o principal sintoma;
    • Inicialmente aparece apenas durante exercícios;
    • Com o tempo, passa a ocorrer em atividades simples;
    • Em fases avançadas, pode surgir até em repouso.

    Tosse crônica

    • Pode ser seca no início;
    • Com a progressão da doença, torna-se mais frequente;
    • Pode vir acompanhada de secreção espessa.

    Exacerbações

    São pioras súbitas do quadro respiratório, geralmente causadas por:

    • Infecções respiratórias;
    • Mudanças ambientais.

    Durante as exacerbações, a falta de ar e a tosse se intensificam e podem exigir atendimento de urgência.

    Perda de peso

    Em estágios mais avançados, é comum ocorrer emagrecimento progressivo, devido ao aumento do gasto energético do organismo para respirar.

    Baqueteamento digital

    Caracteriza-se pelo arredondamento das pontas dos dedos, deixando-os com aspecto de “baqueta”. Esse sinal está relacionado à redução crônica da oxigenação do sangue.

    Quais são as causas do enfisema pulmonar?

    O enfisema ocorre pela destruição progressiva dos alvéolos, causada por um desequilíbrio entre:

    • Enzimas que protegem o tecido pulmonar;
    • Enzimas que degradam esse tecido.

    A exposição prolongada à fumaça do cigarro e a poluentes ambientais provoca inflamação contínua nos pulmões, levando à destruição dos alvéolos e à redução da área disponível para troca gasosa.

    Outras causas importantes

    • Exposição ocupacional a substâncias químicas;
    • Poluição do ar;
    • Deficiência de alfa-1 antitripsina (causa genética rara).

    Como é feito o diagnóstico do enfisema pulmonar?

    O diagnóstico é baseado na história clínica, nos sintomas e na exposição a fatores de risco, especialmente o tabagismo.

    Exame físico

    O médico pode identificar sinais como:

    • Respiração dificultada;
    • Uso de musculatura acessória;
    • Baqueteamento digital.

    Gasometria arterial

    Avalia os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue, podendo mostrar baixa oxigenação.

    Espirometria

    É o exame mais importante para o diagnóstico, pois ele avalia:

    • Fluxo de ar;
    • Função pulmonar;
    • Resposta aos broncodilatadores.

    O exame também ajuda a definir a gravidade da doença.

    Radiografia de tórax

    Não confirma o diagnóstico isoladamente, mas ajuda a excluir outras doenças e identificar infecções associadas.

    Em casos selecionados, pode ser solicitada a dosagem da alfa-1 antitripsina, especialmente em pacientes jovens ou com histórico familiar.

    Tratamento do enfisema pulmonar

    O tratamento tem como objetivos:

    • Aliviar sintomas;
    • Melhorar a qualidade de vida;
    • Retardar a progressão da doença.

    Mudanças no estilo de vida

    • Parar de fumar é a medida mais importante;
    • Reduz a progressão da doença e as exacerbações.

    Terapia medicamentosa

    • Broncodilatadores;
    • Corticosteroides inalados, quando indicados.

    Oxigenoterapia

    Indicada em fases avançadas, quando os níveis de oxigênio no sangue estão persistentemente baixos.

    Fisioterapia respiratória

    A reabilitação pulmonar inclui exercícios e técnicas respiratórias que ajudam a melhorar a tolerância ao esforço.

    Cirurgia ou transplante pulmonar

    Em casos graves e selecionados, há a possibilidade de cirurgia de redução de volume pulmonar ou transplante pulmonar.

    Prevenção do enfisema pulmonar

    • Cessar o tabagismo;
    • Evitar exposição a poluentes;
    • Manter vacinação em dia, especialmente contra pneumococos e Haemophilus influenzae.

    Essas medidas reduzem o risco de infecções e exacerbações.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre enfisema pulmonar

    1. Enfisema tem cura?

    Não. É uma doença crônica, mas pode ser controlada.

    2. Enfisema e DPOC são a mesma coisa?

    O enfisema é uma das formas de DPOC.

    3. Quem nunca fumou pode ter enfisema?

    Sim, especialmente em casos genéticos ou exposição ocupacional.

    4. O cigarro eletrônico causa enfisema?

    Há associação crescente entre seu uso e doenças pulmonares.

    5. Oxigênio vicia?

    Não. Ele é um tratamento necessário quando indicado.

    6. Exercício físico faz mal?

    Não. Quando orientado, faz parte do tratamento.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao perceber falta de ar progressiva, tosse crônica ou piora respiratória.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

  • Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

    Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

    Não é apenas a obesidade e a resistência à insulina que estão associadas ao uso das canetas emagrecedoras (agonistas do GLP-1), como Ozempic e Mounjaro. Com o emagrecimento, ocorrem mudanças importantes no funcionamento do sistema respiratório, especialmente durante o sono, período em que a musculatura relaxa naturalmente.

    No caso de pessoas que convivem com apneia do sono, a perda de peso pode ajudar a melhorar a respiração durante a noite, já que a redução do acúmulo de gordura na região do pescoço, da língua e da garganta aumenta o espaço disponível para a passagem do ar.

    Isso reduz a chance de a via aérea se fechar durante o sono, fase em que os músculos ficam naturalmente mais relaxados. Vamos entender mais essa relação, a seguir.

    Afinal, o que é apneia do sono?

    A apneia do sono é um distúrbio em que a respiração para ou fica muito fraca várias vezes enquanto a pessoa dorme. Isso acontece porque a garganta se fecha parcial ou totalmente, dificultando a entrada de ar nos pulmões.

    Quando a oxigenação cai, o cérebro entra em alerta e provoca pequenos despertares para que a respiração volte ao normal, mesmo que a pessoa não acorde de forma consciente. Ao longo da noite, esse ciclo se repete muitas vezes, o que quebra o sono e impede um descanso profundo e reparador.

    Entre alguns dos principais sinais da condição, é possível destacar o ronco alto e frequente, sensação de cansaço ao acordar, sono excessivo durante o dia, dor de cabeça pela manhã e dificuldade de concentração costumam fazer parte do quadro.

    Qual a relação entre obesidade e apneia do sono?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o excesso de peso aumenta a quantidade de tecido e de gordura em regiões estratégicas do corpo, como a garganta e a base da língua, o que interfere diretamente na passagem do ar durante o sono.

    Com o relaxamento natural da musculatura enquanto a pessoa dorme, o acúmulo de gordura na faringe facilita o fechamento da via aérea, bloqueando parcial ou totalmente a entrada de ar e provocando as pausas respiratórias típicas da apneia do sono.

    Para complementar, o excesso de gordura abdominal faz pressão sobre o diafragma, empurrando-o para cima e reduzindo a capacidade dos pulmões de se expandirem adequadamente.

    A limitação da respiração favorece ainda mais o colapso da via aérea durante a noite, contribuindo para o aparecimento e a piora da apneia do sono.

    O emagrecimento pode melhorar a respiração durante o sono?

    Quando ocorre a perda de peso e a redução da gordura na região do pescoço, o espaço da via aérea por onde o ar passa aumenta, facilitando a respiração. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, é como um encanamento que estava entupido e volta a permitir o fluxo normal de ar.

    Além disso, com menos gordura na região do pescoço, a faringe, que faz parte da via aérea, fica menos propensa a se fechar durante o relaxamento dos músculos ao longo do sono.

    Dessa forma, ocorre não apenas o aumento do diâmetro da via aérea e a redução do risco de colapso durante o relaxamento muscular, como também a diminuição da gordura abdominal contribui para uma melhor expansão pulmonar. Isso favorece a oxigenação do organismo e melhora a respiração durante o sono.

    O uso de canetas emagrecedoras pode reduzir o quadro de apneia do sono?

    O principal fator associado à melhora da apneia com o uso dos agonistas de GLP-1 é a perda de peso. Como as canetas emagrecedoras podem levar a uma perda de peso de até 20%, segundo Juliana, ocorre uma redução importante do índice de apneia e hipopneia em pessoas com sobrepeso.

    A cardiologista explica que, conforme estudos, a obesidade está associada a um estado inflamatório crônico nos tecidos do organismo, incluindo a região da garganta e a musculatura respiratória, o que contribui para a piora da apneia do sono.

    Como as medicações agonistas de GLP-1 também ajudam a reduzir esse processo inflamatório sistêmico, pode haver melhora da inflamação das vias aéreas e da apneia, mesmo quando a perda de peso não é tão expressiva.

    Contudo, são necessários mais estudos para esclarecer se existem efeitos diretos dos medicamentos sobre a apneia do sono que vão além do emagrecimento.

    Dormir bem protege o coração

    O sono de qualidade é fundamental para a saúde do coração, enquanto a apneia do sono atua como um fator de sobrecarga para o sistema cardiovascular.

    Durante os episódios de apneia, a respiração é interrompida, a oxigenação do organismo cai e o cérebro entra em estado de alerta, liberando grandes quantidades de adrenalina e cortisol.

    Juliana explica que o mecanismo leva ao aumento da frequência dos batimentos cardíacos, favorece a ocorrência de taquicardia e eleva a pressão arterial durante o sono. Com o passar do tempo, o processo pode causar problemas ao sistema cardiovascular.

    Quando o sono é contínuo e reparador, ocorrem menos picos de adrenalina, o que ajuda a reduzir a frequência cardíaca, a pressão arterial e o risco de infarto e AVC.

    Sinais de alerta durante o tratamento de apneia do sono

    À medida que a medicação com GLP-1 é usada e ocorre a perda de peso, alguns sinais precisam ser observados em pessoas com apneia do sono.

    Com o emagrecimento, a máscara do CPAP pode deixar de se ajustar bem ao rosto, causando vazamento de ar e redução da eficácia do tratamento. O CPAP, usado no tratamento da condição, funciona enviando uma pressão positiva para manter a via aérea aberta durante a noite.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, outro ponto de atenção é a sensação de que o ar do CPAP está vindo muito forte. Isso pode causar desconforto e até inchaço na barriga, como se o ar estivesse sendo engolido.

    O retorno do ronco ou da sonolência durante o dia também é um sinal importante. Muitas vezes, o tratamento é interrompido por impressão de melhora, mas a volta dos sintomas indica que a apneia do sono ainda precisa de acompanhamento médico.

    Veja também: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Quais são os principais sintomas da apneia do sono?

    Os principais sintomas incluem ronco alto e frequente, pausas na respiração durante o sono, sono não reparador, cansaço ao acordar, sonolência durante o dia e dificuldade de concentração.

    Quem tem mais risco de desenvolver apneia do sono?

    Pessoas com excesso de peso, circunferência do pescoço aumentada, histórico familiar, uso de álcool à noite e alterações anatômicas da garganta.

    A apneia do sono é uma doença grave?

    Sim, pois quando não tratada, a apneia do sono aumenta o risco de pressão alta, infarto, AVC, arritmias cardíacas e diabetes.

    A apneia do sono pode desaparecer com a perda de peso?

    Em alguns casos, ocorre melhora importante. Mesmo assim, o acompanhamento médico continua sendo necessário para avaliar a evolução do quadro.

    O que é o CPAP?

    O CPAP é um aparelho que envia ar sob pressão para manter a via aérea aberta durante o sono, evitando as pausas respiratórias.

    Como a apneia do sono é diagnosticada?

    O diagnóstico é feito por meio da polissonografia, exame que avalia a respiração, a oxigenação e o sono durante a noite.

    Quando procurar ajuda médica para a apneia do sono?

    Sempre que houver ronco intenso, pausas respiratórias observadas por outra pessoa, cansaço excessivo ao acordar ou sonolência durante o dia. O diagnóstico precoce evita complicações.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência 

    Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência 

    Enjoo persistente, dor abdominal, respiração ofegante e um hálito com cheiro de acetona podem parecer sintomas desconectados à primeira vista. No entanto, quando surgem em pessoas com diabetes, esses sinais podem indicar uma emergência médica grave: a cetoacidose diabética.

    Essa condição exige diagnóstico rápido e tratamento imediato. Quando não reconhecida a tempo, pode evoluir para coma e até levar à morte. Por isso, entender como ela surge, quais são os sintomas e quando procurar ajuda faz toda a diferença para salvar vidas.

    O que é a cetoacidose diabética?

    A cetoacidose diabética é uma complicação grave que afeta pessoas com diabetes mellitus, sendo mais comum em indivíduos com diabetes tipo 1, embora também possa ocorrer no diabetes tipo 2.

    Ela é caracterizada por três alterações principais:

    • Níveis muito elevados de glicose no sangue;
    • Aumento de corpos cetônicos;
    • Redução do pH sanguíneo, deixando o sangue ácido.

    A condição acontece quando há deficiência de insulina. Sem insulina suficiente, a glicose não consegue entrar nas células para ser usada como energia. O corpo, então, passa a quebrar gordura como alternativa, produzindo cetonas, substâncias ácidas que se acumulam no sangue e levam ao desequilíbrio metabólico.

    Principais sintomas da cetoacidose diabética

    Os sintomas costumam surgir de forma rápida e progridem em poucas horas ou dias.

    Sintomas iniciais (típicos do diabetes)

    • Sede excessiva;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Perda de peso.

    Sintomas associados à cetoacidose

    • Enjoo e vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Fadiga intensa;
    • Confusão mental;
    • Hálito cetônico, com odor semelhante ao de acetona.

    Em quadros mais graves, podem ocorrer:

    • Sonolência excessiva;
    • Lentificação;
    • Coma;
    • Necessidade de suporte ventilatório.

    Alterações nos níveis de potássio também são comuns e podem levar a arritmias cardíacas, aumentando a gravidade do quadro.

    Quais são as causas da cetoacidose diabética?

    A cetoacidose diabética pode ocorrer tanto em pessoas já diagnosticadas com diabetes quanto ser a primeira manifestação da doença.

    Principais fatores desencadeantes

    • Infecções, especialmente urinárias e pulmonares;
    • Uso inadequado ou interrupção da insulina;
    • Falha no tratamento medicamentoso.

    A base do problema é sempre a deficiência de insulina, que pode ser:

    • Completa, no diabetes tipo 1;
    • Parcial, no diabetes tipo 2.

    Sem insulina suficiente, o organismo entra em um estado de descompensação metabólica grave.

    Como é feito o diagnóstico da cetoacidose diabética?

    O diagnóstico é baseado em critérios laboratoriais bem definidos.

    Critérios diagnósticos

    • Glicose no sangue maior que 250 mg/dL;
    • pH sanguíneo reduzido (acidose);
    • Presença de cetonas no sangue ou na urina.

    Exames laboratoriais também costumam mostrar:

    • Alterações nos níveis de sódio e potássio;
    • Sinais de desidratação;
    • Redução da função renal em casos mais graves.

    Tratamento da cetoacidose diabética

    A cetoacidose diabética é uma emergência médica e deve ser tratada em ambiente hospitalar.

    Primeira etapa: hidratação

    A hidratação endovenosa vigorosa (soro na veia) é sempre a primeira medida após o diagnóstico, independentemente da gravidade inicial.

    Uso de insulina

    A insulina intravenosa só deve ser iniciada se os níveis de potássio estiverem adequados.

    Se o potássio estiver abaixo de 3,5 mEq/L, ele deve ser corrigido antes da insulina.

    Outras medidas importantes

    • Reposição de bicarbonato e fosfato, quando indicado;
    • Monitorização rigorosa dos sinais vitais;
    • Exames laboratoriais frequentes;
    • Gasometria a cada 2 horas, para acompanhar o equilíbrio metabólico.

    Após a resolução da crise:

    • Reintrodução da dieta;
    • Retorno ao esquema de insulina subcutânea.

    Como prevenir a cetoacidose diabética?

    A prevenção está diretamente ligada ao controle adequado do diabetes.

    Medidas essenciais

    • Uso regular das medicações prescritas;
    • Acompanhamento médico periódico;
    • Ajuste adequado das doses de insulina;
    • Vacinação em dia, para reduzir o risco de infecções;
    • Evitar consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

    Reconhecer precocemente os sintomas e buscar atendimento rápido é fundamental para evitar complicações.

    Prognóstico da cetoacidose diabética

    A taxa de mortalidade varia entre 0,2% e 2,5%.

    O prognóstico é pior em:

    • Idosos;
    • Pacientes com comorbidades importantes;
    • Pessoas com alterações neurológicas graves.

    Por outro lado, pacientes que recebem tratamento precoce costumam apresentar boa recuperação, sem sequelas permanentes.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes sobre cetoacidose diabética

    1. Cetoacidose diabética é a mesma coisa que glicemia alta?

    Não. A glicemia alta é um dos critérios, mas a cetoacidose envolve acidose e produção de cetonas.

    2. Só quem tem diabetes tipo 1 pode ter cetoacidose?

    Não. É mais comum no tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2.

    3. Hálito com cheiro de acetona é sempre sinal de cetoacidose?

    Não sempre, mas é um sinal de alerta importante em pessoas com diabetes.

    4. A cetoacidose pode ser a primeira manifestação do diabetes?

    Sim. Em alguns casos, o diagnóstico do diabetes acontece durante a crise.

    5. Cetoacidose tem cura?

    Sim. Com tratamento adequado e rápido, a crise é revertida.

    6. Dá para prevenir completamente?

    Nem sempre, mas o bom controle do diabetes reduz muito o risco.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Ao surgirem enjoo, vômitos, dor abdominal, confusão mental ou hálito cetônico.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Canetas emagrecedoras: o que acontece com o metabolismo ao usar Mounjaro e Ozempic?

    Canetas emagrecedoras: o que acontece com o metabolismo ao usar Mounjaro e Ozempic?

    Os agonistas do GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras, são medicamentos que imitam a ação de um hormônio natural do corpo chamado GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), produzido pelo intestino após as refeições.

    Além de revolucionar o tratamento do diabetes, eles passaram a ser usados também no controle do peso, por ajudarem a regular a fome e a saciedade.

    No organismo, os agonistas GLP-1 estimulam a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduzem a liberação de um hormônio que aumenta a glicose e fazem com que o estômago esvazie mais devagar. A seguir, entenda melhor como esse processo acontece.

    O que acontece com o metabolismo durante o uso dos agonistas GLP-1?

    Com o uso dos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, ocorre uma mudança na forma como o corpo regula a fome, a saciedade e o controle do açúcar no sangue.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os medicamentos atuam aumentando a secreção de insulina quando a glicose está elevada, diminuindo a secreção do glucagon, hormônio responsável por estimular o fígado a liberar açúcar na corrente sanguínea, e retardando o esvaziamento do estômago.

    O processo envia ao cérebro uma sensação de saciedade após a ingestão dos alimentos e, como consequência, a pessoa sente menos fome ao longo do dia, fica satisfeita com porções menores e tem menos variações nos níveis de glicose.

    O equilíbrio metabólico favorece a redução do consumo calórico de forma natural e contribui para a perda de peso de maneira mais gradual, especialmente quando associado a hábitos saudáveis e acompanhamento de um médico.

    Como os agonistas GLP-1 ajudam a controlar a glicose?

    As canetas emagrecedoras auxiliam no controle dos níveis de glicose e da resistência insulínica de duas formas: direta e indireta.

    De forma direta, atuam no pâncreas, estimulando as células beta, responsáveis pela produção de insulina, e inibindo as células alfa, que produzem o glucagon, hormônio que estimula a liberação de açúcar na corrente sanguínea.

    Com isso, a medicação ajuda a ajustar e equilibrar os mecanismos metabólicos relacionados ao açúcar, contribuindo para melhor controle glicêmico e redução da resistência insulínica.

    Já de forma indireta, Juliana explica que eles favorecem a perda de peso. Como a resistência à insulina está muito ligada ao excesso de gordura, especialmente a gordura abdominal, a redução do peso melhora a sensibilidade do corpo à insulina. Com isso, a insulina passa a funcionar melhor e o controle do açúcar no sangue se torna mais eficiente.

    As canetas emagrecedoras também influenciam o gasto energético?

    As canetas emagrecedoras não aumentam o gasto energético de forma direta. Elas não fazem o corpo queimar mais calorias nem aceleram o metabolismo como alguns estimulantes. Segundo Juliana, o principal mecanismo de ação envolvido no GLP-1 é em relação à inibição do apetite e à diminuição da ingestão alimentar.

    Ao reduzir a fome, aumentar a saciedade e diminuir o impulso por comida, a pessoa passa a consumir menos calorias ao longo do dia. Esse consumo menor gera um déficit calórico, o que leva à perda de peso.

    Em alguns casos, pode ocorrer uma leve redução do gasto energético total, já que o corpo se adapta à perda de peso, o que é um mecanismo natural de defesa. Por isso, manter uma alimentação equilibrada e a prática de atividade física é importante para preservar a massa muscular e sustentar os resultados ao longo do tempo.

    Com o uso prolongado, o metabolismo se adapta às canetas emagrecedoras?

    Com o uso prolongado das canetas emagrecedoras, o metabolismo passa por algumas adaptações, o que é uma resposta natural do organismo à perda de peso. Juliana explica que o corpo sempre busca um estado de equilíbrio, chamado homeostase.

    Com o tempo, o organismo se adapta ao novo padrão de ingestão calórica e ao esvaziamento gástrico mais lento, que tende a melhorar parcialmente. Nesse momento, a perda de peso costuma se estabilizar.

    Quando chega o momento de suspender a medicação, a interrupção precisa ser gradual. Se a retirada for feita de forma brusca, os hormônios da fome aumentam rapidamente, o que pode levar ao reganho de peso. Por isso, o desmame correto, junto com mudanças de hábitos alimentares e de comportamento, é essencial para manter os resultados a longo prazo.

    Os efeitos metabólicos trazem benefícios ao coração?

    A perda de peso obtida com o uso adequado das medicações, por si só, já está associada à melhora da saúde cardiovascular.

    Estudos também mostram que os agonistas de GLP-1 estão ligados à redução do risco de eventos cardiovasculares, como infarto, AVC e morte cardiovascular.

    Entre os mecanismos envolvidos está a ação anti-inflamatória do GLP-1 na parede dos vasos sanguíneos, que ajuda a diminuir a inflamação responsável pela formação de placas que podem obstruir as artérias.

    As canetas emagrecedoras também contribuem para a melhora do perfil lipídico, com redução dos níveis de triglicerídeos e melhora do colesterol LDL. Em conjunto, os efeitos favorecem a proteção do coração e a saúde cardiovascular.

    Cuidados com o uso de agonistas de GLP-1

    Assim como todas os medicamentos, as canetas emagrecedoras devem ser usadas apenas com supervisão médica, que é capaz de auxiliar em processos como:

    • Avaliação se o medicamento é realmente indicado para cada pessoa;
    • Definição da dose inicial e dos ajustes ao longo do tratamento;
    • Orientação sobre o tempo adequado de uso;
    • Planejamento do desmame gradual da medicação, quando necessário;
    • Monitoramento de exames, como glicemia, perfil lipídico e outros marcadores metabólicos;
    • Apoio na mudança de hábitos alimentares e de estilo de vida, essenciais para manter os resultados.

    Para completar, Juliana aponta que é importante avaliar se o paciente tem alguma contraindicação ao uso da medicação, observar como os efeitos colaterais estão acontecendo, verificar se existe alguma alteração metabólica relevante ou perigosa e, principalmente, acompanhar os resultados.

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    Perguntas frequentes

    As canetas emagrecedoras causam perda de massa muscular?

    Sem acompanhamento adequado, pode ocorrer perda de massa muscular associada ao emagrecimento. Uma alimentação equilibrada e prática de exercícios, principalmente treino de força, ajudam a preservar músculos.

    Quais efeitos colaterais podem surgir?

    Os efeitos mais comuns das canetas emagrecedoras incluem náuseas, sensação de estufamento, azia e diminuição do apetite. Os sintomas costumam ser mais intensos no início e tendem a melhorar com o tempo.

    Qualquer pessoa pode usar canetas emagrecedoras?

    O uso depende de avaliação médica. A indicação considera histórico de saúde, presença de diabetes, obesidade, sobrepeso associado a comorbidades e possíveis contraindicações.

    Quanto tempo leva para perceber os primeiros resultados?

    Os primeiros efeitos costumam aparecer nas primeiras semanas, principalmente redução do apetite e maior saciedade. A perda de peso varia de pessoa para pessoa e depende da dose, da adesão ao tratamento e dos hábitos de vida.

    O uso das canetas emagrecedoras influencia o colesterol?

    O tratamento pode melhorar o perfil lipídico, com redução dos triglicerídeos e melhora do colesterol LDL, o que contribui para a saúde cardiovascular.

    As canetas emagrecedoras afetam o sistema digestivo?

    Sim, pois o esvaziamento do estômago ocorre de forma mais lenta, o que pode causar sensação de estufamento ou náuseas no início. Os efeitos tendem a diminuir com a adaptação do organismo.

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