Autor: Dra. Juliana Soares

  • Gota: quando o ácido úrico causa inflamação nas articulações

    Gota: quando o ácido úrico causa inflamação nas articulações

    A gota é uma das doenças reumatológicas mais antigas descritas pela medicina, e ainda assim continua muito comum. Ela aparece quando o ácido úrico se acumula no sangue e forma cristais dentro das articulações, provocando crises de dor intensa, inchaço e vermelhidão. Em muitos casos, a dor surge de forma súbita e chega a ser tão forte que encostar um lençol sobre a articulação se torna difícil.

    Apesar de ser uma doença conhecida e ter tratamento eficaz, a gota ainda é subdiagnosticada. Muitas pessoas convivem por anos com crises que vão e voltam sem entender a causa. Com acompanhamento adequado, porém, é possível controlar a dor, prevenir novas crises e evitar complicações articulares e renais.

    O que é a gota?

    A gota é uma artropatia inflamatória, causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico (urato monossódico) dentro das articulações. Esses cristais aparecem quando há hiperuricemia, ou seja, excesso de ácido úrico no sangue.

    O ácido úrico é produzido naturalmente pelo organismo ao metabolizar purinas, presentes em alimentos como:

    • Carnes vermelhas;
    • Vísceras;
    • Frutos do mar;
    • Bebidas alcoólicas.

    Em condições normais, ele é eliminado pelos rins. Mas, se o corpo produz mais do que consegue eliminar, ou se o rim passa a excretar menos, o excesso começa a se acumular e se cristalizar.

    Quem tem mais risco de desenvolver gota?

    A gota é mais comum em:

    • Homens entre 40 e 60 anos;
    • Mulheres após a menopausa.

    O risco aumenta em pessoas que têm:

    • Obesidade ou síndrome metabólica;
    • Pressão alta, colesterol ou triglicerídeos elevados;
    • Diabetes tipo 2;
    • Consumo elevado de álcool;
    • Uso de diuréticos;
    • Doença renal crônica.

    A prevalência global da doença vem aumentando, especialmente por conta de mudanças alimentares e do crescimento das doenças metabólicas.

    Como a gota se manifesta?

    A doença geralmente evolui em etapas:

    1. Estágio pré-clínico (sem sintomas)

    O ácido úrico está alto, mas ainda não há dor. Cristais podem estar se formando sem causar inflamação evidente.

    2. Crises agudas de gota

    São episódios súbitos de:

    • Dor intensa;
    • Vermelhidão;
    • Inchaço;
    • Calor na articulação afetada.

    O local mais clássico é o dedão do pé (podagra), mas também podem afetar joelhos, tornozelos, punhos e cotovelos.

    A crise:

    • Piora rapidamente;
    • Dura de 5 a 10 dias;
    • Responde bem a anti-inflamatórios;
    • Pode voltar se o ácido úrico não for controlado.

    3. Gota crônica

    Após anos sem tratamento adequado, podem surgir:

    • Tofos, que são nódulos duros sob a pele;
    • Deformidades articulares;
    • Lesão renal por ácido úrico.

    Diagnóstico

    O diagnóstico combina avaliação clínica e exames.

    O médico pode solicitar:

    • Análise do líquido articular (padrão-ouro): identifica os cristais no microscópio;
    • Exame de sangue para medir ácido úrico;
    • Ultrassonografia para detectar depósitos de urato.

    Importante: o ácido úrico alto não confirma gota sozinho, e crises podem ocorrer mesmo com valores normais.

    Tratamento

    O tratamento envolve duas frentes:

    1. Tratar a crise aguda

    Objetivo: reduzir a dor e a inflamação. Isso inclui:

    • Medicamentos anti-inflamatórios;
    • Repouso da articulação;
    • Compressas frias.

    2. Prevenir novas crises

    O objetivo é manter o ácido úrico sob controle. Envolve:

    • Mudanças no estilo de vida;
    • Controle de doenças associadas;
    • Medicamentos que reduzem o ácido úrico (quando indicados).

    Sem essa etapa, as crises se tornam mais frequentes e o risco de dano articular aumenta.

    Cuidados e prevenção

    Medidas que ajudam no controle da gota:

    • Beber 2 a 3 litros de água por dia;
    • Reduzir ou evitar álcool;
    • Diminuir o consumo de carnes vermelhas, vísceras e frutos do mar;
    • Manter peso saudável;
    • Fazer atividade física regularmente;
    • Tratar doenças associadas;
    • Usar medicamentos apenas com orientação médica.

    Confira: Artrite ou artrose? Conheça as diferenças entre as doenças

    Perguntas frequentes sobre gota

    1. Gota tem cura?

    A doença pode ser controlada com tratamento, mas tende a voltar sem acompanhamento adequado.

    2. Toda pessoa com ácido úrico alto tem gota?

    Não. Nem todo hiperuricêmico terá crises, e crises podem ocorrer com níveis normais.

    3. Beber álcool realmente piora a gota?

    Sim. Bebidas alcoólicas aumentam a produção e reduzem a eliminação de ácido úrico.

    4. A crise de gota sempre acontece no dedão do pé?

    Não. É o local mais comum, mas outras articulações podem ser afetadas.

    5. Comer carne causa gota?

    O consumo excessivo de alimentos ricos em purinas aumenta o risco, mas não é o único fator.

    6. Gota pode causar problemas nos rins?

    Sim. Depósitos de urato podem causar cálculos renais e lesões renais crônicas.

    Veja também: Dor e rigidez nas articulações? Pode ser artrite reumatoide

  • Por que a pressão arterial aumenta no frio? Cardiologista explica

    Por que a pressão arterial aumenta no frio? Cardiologista explica

    Não é apenas o aumento das infecções respiratórias que acontece nos dias frios. Quando as temperaturas caem, o corpo precisa trabalhar mais para manter o calor interno, o que faz os vasos sanguíneos se contraírem e o coração trabalhar com mais força para bombear o sangue. Isso pode sobrecarregar o sistema cardiovascular — especialmente em quem já tem hipertensão ou outros problemas cardíacos.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender o que acontece com o coração nos dias frios e quais cuidados é importante adotar nesse período. Confira!

    Por que o frio faz a pressão arterial subir?

    Com a queda nas temperaturas, o corpo ativa um mecanismo natural para manter a temperatura constante, desencadeando um processo chamado vasoconstrição, que consiste no estreitamento dos vasos sanguíneos para reduzir a perda de calor.

    De acordo com Juliana, o processo faz com que o coração precise trabalhar com mais intensidade para bombear o sangue de forma adequada por todo o corpo, o que acaba elevando a pressão arterial.

    Além disso, o frio também estimula a liberação de hormônios como adrenalina e noradrenalina, substâncias associadas à resposta de alerta do organismo. Eles aumentam a frequência dos batimentos cardíacos e intensificam o esforço do coração — contribuindo ainda mais para a elevação da pressão e para uma sobrecarga cardiovascular.

    E para quem tem hipertensão?

    As pessoas que já convivem com hipertensão arterial costumam apresentar uma pressão de base naturalmente mais elevada, o que as torna mais vulneráveis às variações provocadas pelo clima.

    É importante lembrar que elevações súbitas da pressão arterial aumentam significativamente o risco de complicações graves. Por isso, o efeito da vasoconstrição tende a ser potencialmente mais perigoso para quem tem hipertensão — o que aumenta a necessidade de acompanhamento médico e controle da pressão nas épocas mais frias do ano.

    O frio aumenta o risco de infarto?

    Segundo dados do Instituto Nacional de Cardiologia, as baixas temperaturas do inverno (abaixo de 14°C) fazem aumentar em 30% o risco de infarto — além de outras complicações cardiovasculares, como acidente vascular cerebral (AVC).

    O Ministério da Saúde ainda aponta um aumento de até 5% nos casos de dissecção de aorta, uma emergência médica gravíssima que acontece quando a camada interna da principal artéria, que se ramifica a partir do coração e leva sangue para todo o corpo, acaba se rompendo ou sofrendo um descolamento.

    Além de o frio provocar o processo de constrição das artérias (vasoconstrição), Juliana explica que ocorre um aumento da viscosidade do sangue, que se torna um pouco mais espesso e coagulável. A mudança favorece a formação de coágulos, que podem contribuir para quadros de obstrução arterial e levar a complicações graves, como infarto ou AVC.

    “Além disso, como no frio temos um aumento de alguns hormônios do estresse, como a adrenalina, pode ocorrer aumento da frequência cardíaca e um episódio de taquicardia e arritmia, especialmente em quem já tem problemas cardíacos de base”, complementa a especialista.

    Além das pessoas com hipertensão, os grupos de maior risco incluem idosos, tabagistas e indivíduos com diabetes ou colesterol alto. Pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, como infarto, insuficiência cardíaca ou arritmias, também apresentam maior vulnerabilidade durante o frio.

    Quais horários do dia são mais perigosos?

    De modo geral, Juliana aponta que o período da manhã apresenta maior incidência de eventos cardiovasculares, por diversos motivos. Nesse horário, independentemente de qualquer condição, o organismo já tende a elevar naturalmente a pressão arterial para se preparar para as atividades do dia — porém, durante o frio, o aumento se torna mais intenso devido à vasoconstrição.

    Para complementar, nas primeiras horas do dia, a temperatura ambiente costuma ser mais baixa, e muitas pessoas passam bruscamente de ambientes aquecidos para o ar frio da rua a caminho do trabalho, o que pode provocar um choque térmico e aumentar ainda mais a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.

    Quando procurar um médico?

    É recomendado procurar um médico sempre que houver alterações persistentes na pressão arterial, mesmo com o uso regular de remédios. Também é importante buscar atendimento imediato em caso de sintomas como:

    • Dor ou pressão no peito;
    • Falta de ar;
    • Palpitações ou batimentos acelerados;
    • Tontura ou desmaios;
    • Visão embaçada;
    • Dor de cabeça intensa e repentina;
    • Inchaço nas pernas, tornozelos ou pés.

    Vale complementar que pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou histórico de doenças cardíacas devem manter o acompanhamento médico regular durante o inverno. O frio pode alterar a resposta do organismo e, em alguns casos, exigir os ajustes na medicação, conforme a orientação do médico.

    Cuidados para proteger o coração no inverno

    É fundamental que as pessoas com doenças cardiovasculares, como hipertensão, insuficiência cardíaca, histórico de infarto ou arritmias, redobrem os cuidados durante os períodos de frio. Juliana dá algumas orientações:

    • Evitar choques térmicos e mudanças bruscas de temperatura;
    • Manter-se bem agasalhado, principalmente nas extremidades (pés e mãos), para reduzir a vasoconstrição;
    • Continuar praticando atividade física, adaptando os exercícios para ambientes fechados e seguros;
    • Monitorar regularmente a pressão arterial, especialmente em dias de frio intenso;
    • Seguir corretamente o tratamento médico e não interromper o uso dos medicamentos sem orientação.

    Por fim, Juliana reforça a importância de manter o calendário vacinal em dia, já que, nas épocas frias, há uma maior incidência de infecções respiratórias, que podem agravar o quadro de pacientes com doenças cardiovasculares.

    Para se ter uma ideia, estudos mostram que, nas semanas seguintes a uma infecção viral (como gripe), a chance de um ataque cardíaco pode ser até seis vezes maior — principalmente em adultos mais velhos. A vacinação é segura e recomendada para praticamente todas as pessoas com doenças cardiovasculares.

    Veja também: Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    Perguntas frequentes

    O que acontece com o corpo no frio?

    Quando o frio chega, o corpo humano precisa se adaptar para manter a temperatura interna constante, então ele ativa um mecanismo chamado vasoconstrição, que consiste no estreitamento dos vasos sanguíneos. O processo ajuda a evitar a perda de calor, mas, ao mesmo tempo, faz com que o coração precise trabalhar com mais força para bombear o sangue.

    O resultado é um aumento natural da pressão arterial, mesmo em pessoas saudáveis, o que é normal de acontecer, mas pode se tornar perigoso para quem já tem doenças cardiovasculares.

    Por que o sangue fica mais espesso no frio?

    Durante o inverno, o corpo perde mais água e tende a ficar levemente desidratado, já que sentimos menos sede. Isso aumenta a concentração de células e proteínas no sangue, deixando-o mais viscoso. A densidade maior favorece a formação de coágulos, que podem obstruir as artérias e causar infarto ou AVC. Assim, mesmo que o frio desestimule o consumo de água, é fundamental manter uma boa hidratação.

    O que a vacinação tem a ver com a saúde do coração?

    As infecções respiratórias, como a gripe e a pneumonia, colocam o corpo sob forte estresse inflamatório, o que pode desestabilizar as placas de gordura nas artérias e causar eventos graves, como o infarto e o AVC. A vacinação reduz a chance de o organismo enfrentar inflamações intensas e evita a sobrecarga sobre o coração.

    As pessoas com hipertensão, diabetes ou histórico de doenças cardíacas devem manter o calendário vacinal atualizado, incluindo as vacinas contra a gripe (Influenza), a pneumonia e a Covid-19. A prevenção de infecções é uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de complicações cardiovasculares durante o frio.

    Como medir a pressão arterial em casa?

    Para medir a pressão arterial em casa, é importante o uso de aparelhos digitais automáticos de braço, que são mais confiáveis e oferecem resultados precisos. A pessoa deve estar sentada, com as costas apoiadas e os pés no chão, em ambiente calmo e silencioso. O braço deve estar na altura do coração, e o manguito precisa envolver corretamente o braço, sem apertar demais.

    A medição deve ser feita sempre no mesmo horário, de preferência pela manhã e à noite, evitando conversar durante o processo. A anotação dos resultados e a observação de variações pode ajudar o médico a avaliar a necessidade de ajustes no tratamento e a entender como o organismo reage às mudanças de temperatura.

    O consumo de café e bebidas estimulantes interfere na pressão no frio?

    O consumo excessivo de café, energéticos e bebidas estimulantes pode interferir na pressão arterial, aumentando a liberação de adrenalina, acelerando os batimentos cardíacos e elevando temporariamente a pressão. O efeito é mais perceptível em pessoas sensíveis ou que já têm hipertensão.

    A recomendação médica é limitar o consumo diário a quantidades moderadas e evitar o uso combinado de bebidas estimulantes, principalmente em dias de baixa temperatura, quando o coração já está sob maior esforço.

    Veja mais: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger 

    Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger 

    A hepatite B é uma das infecções virais mais importantes para a saúde pública mundial porque atinge diretamente o fígado, um órgão essencial para a digestão, o metabolismo e a filtragem de toxinas. Apesar da gravidade, ela costuma ser silenciosa.

    Muitas pessoas convivem com o vírus por anos sem perceber e descobrem a infecção apenas quando já há danos avançados, como cirrose, insuficiência hepática ou até câncer de fígado.

    Hoje, porém, existe vacina eficaz, tratamento disponível no SUS e exames simples que permitem diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a hepatite B é detectada, maiores as chances de evitar complicações e proteger o fígado.

    O que é a hepatite B?

    A hepatite B é uma infecção causada pelo vírus VHB, que provoca inflamação no fígado e, dependendo da evolução, pode causar danos graves ao órgão. A doença pode ser:

    • Aguda: infecção recente e de curta duração;
    • Crônica: quando o vírus permanece no organismo por mais de 6 meses.

    A hepatite B crônica é a forma que mais preocupa, pois está associada a cirrose, falência hepática e câncer de fígado.

    Como a hepatite B é transmitida

    O vírus é transmitido principalmente pelo contato com sangue e fluidos corporais, como sêmen e secreções vaginais.

    Principais formas de transmissão

    • Relações sexuais desprotegidas;
    • Compartilhamento de agulhas, seringas, alicates, lâminas e escovas de dente;
    • Tatuagens e piercings sem esterilização adequada;
    • Procedimentos de saúde sem material devidamente esterilizado;
    • Da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto (transmissão vertical).

    A transmissão vertical merece atenção especial. Bebês infectados ao nascer têm grande risco de desenvolver hepatite B crônica. Por isso:

    • Toda gestante deve fazer o teste no início do pré-natal;
    • Se o teste for positivo, recebe acompanhamento específico;
    • Após o nascimento, o bebê deve receber vacina + imunoglobulina nas primeiras 24h.

    Sintomas da hepatite B

    A maioria das pessoas não apresenta sintomas no início, por isso a doença é considerada silenciosa.

    Quando aparecem, podem ser:

    • Cansaço e mal-estar;
    • Enjoo, vômitos e tontura;
    • Dor abdominal;
    • Urina escura e fezes claras;
    • Pele e olhos amarelados (icterícia).

    Sintomas tardios geralmente indicam maior comprometimento do fígado.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito por exame de sangue, que identifica antígenos e anticorpos do vírus.

    Marcador principal

    HBsAg: indica infecção ativa pelo vírus

    Se o teste for positivo, exames adicionais avaliam:

    • Carga viral;
    • Função hepática;
    • Grau de inflamação;
    • Riscos de complicações.

    Nas unidades básicas de saúde (UBS), é possível fazer testes rápidos, especialmente recomendados após situações de risco.

    Também podem ser solicitados:

    • Ultrassom do abdome;
    • Tomografia ou outros exames para avaliar possíveis danos ao fígado.

    Tratamento

    O tratamento da hepatite B está disponível no SUS. Ele tem como objetivo:

    • Controlar a replicação do vírus;
    • Evitar a progressão para cirrose ou câncer;
    • Preservar a função do fígado.

    Ainda não existe cura, mas muitas pessoas levam vida normal com acompanhamento e medicamentos adequados.

    A ciência avança rapidamente: pesquisas investigam formas de modular o sistema imunológico, bloquear a replicação viral e até eliminar o vírus do organismo no futuro.

    Prevenção

    A vacina é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente no SUS.

    Esquema vacinal

    • Crianças: quatro doses (ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses — com a pentavalente);
    • Adultos não vacinados: três doses;
    • Imunodeprimidos: podem precisar de esquema especial.

    Outras formas de prevenção

    • Usar preservativo em todas as relações sexuais;
    • Não compartilhar objetos pessoais que possam ter contato com sangue;
    • Garantir esterilização adequada em tatuagens, piercings e procedimentos estéticos ou médicos.

    A vacinação é indicada para todas as idades, inclusive adultos.

    Leia também: Quando o fígado dá sinais: entenda a cirrose e seus riscos

    Perguntas frequentes sobre hepatite B

    1. Hepatite B tem cura?

    Ainda não existe cura, mas o tratamento controla o vírus e evita danos graves.

    2. Como saber se tenho hepatite B se não tenho sintomas?

    A única forma é fazer exames de sangue, disponíveis gratuitamente no SUS.

    3. A vacina realmente protege?

    Sim. A vacina é altamente eficaz e segura.

    4. Quem teve hepatite B pode ter complicações no futuro?

    Sim, especialmente quem desenvolve a forma crônica. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.

    5. Posso pegar hepatite B em beijos ou abraços?

    Não. O vírus não é transmitido por contato casual.

    6. Grávidas podem ter hepatite B?

    Sim. E precisam de acompanhamento específico para evitar transmissão ao bebê.

    7. Quem deve se vacinar?

    Todas as pessoas não vacinadas: crianças, adolescentes e adultos.

    Veja mais: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

  • Acordar com o coração acelerado é normal? Veja o que pode ser

    Acordar com o coração acelerado é normal? Veja o que pode ser

    Você já acordou repentinamente com a sensação de que o coração está batendo com força, como se tivesse acabado de correr? O fenômeno de coração acelerado é relativamente comum e, na maioria dos casos, é uma resposta fisiológica normal do organismo.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, a frequência cardíaca é naturalmente mais baixa durante o sono e, quando acordamos, o corpo passa da fase de repouso para um estado de alerta. Nesse processo, a frequência cardíaca aumenta como parte da ativação do sistema nervoso simpático — que prepara o organismo para as atividades do dia.

    Porém, quando a aceleração é muito intensa, ocorre com frequência ou vem acompanhada de sintomas como tontura, falta de ar ou dor no peito, pode ser um sinal de sobrecarga do sistema cardiovascular ou de influência de outros fatores, como os que explicamos a seguir. Confira!

    O que pode causar coração acelerado ao acordar?

    Ansiedade e estresse

    Segundo Juliana, o simples ato de acordar pode ser um gatilho para episódios de ansiedade matinal, levando à aceleração dos batimentos cardíacos. Além disso, o estresse estimula a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que intensificam a atividade do sistema nervoso simpático e, como resultado, aumentam a frequência cardíaca.

    Uma pessoa ansiosa também pode acordar com outros sintomas, como suor nas mãos, respiração curta, preocupação constante, insônia, enjoo e sensação de aperto no peito. Na maioria dos casos, a taquicardia costuma se normalizar em poucos minutos, conforme o corpo recupera o equilíbrio.

    Consumo de álcool ou cafeína

    O café, o chá preto, o chá mate, os refrigerantes com cafeína e os energéticos são bebidas que contêm substâncias estimulantes capazes de aumentar os batimentos cardíacos.

    A cafeína atua bloqueando a ação da adenosina, um neurotransmissor que promove relaxamento, e estimula a liberação de adrenalina. Isso deixa o corpo em estado de alerta e pode provocar taquicardia, tremores e nervosismo, especialmente em pessoas sensíveis.

    Quando ingerida à noite, a cafeína pode dificultar o sono e, na manhã seguinte, o corpo ainda pode estar sob efeito do estímulo, resultando na aceleração dos batimentos ao acordar.

    Apneia do sono

    A apneia do sono é um distúrbio em que a respiração para e recomeça repetidamente durante o sono, impedindo o corpo de receber oxigênio suficiente. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais para compensar — levando a pequenos despertares e aumento da frequência cardíaca, de acordo com Juliana.

    Além do coração acelerado, pessoas com apneia podem apresentar sensação de sufocamento, boca seca, ronco alto, sonolência diurna e dores de cabeça ao acordar. Quando não tratada, a condição pode elevar o risco de hipertensão arterial e arritmias.

    Desidratação

    Durante o sono, o corpo continua perdendo água pela respiração e pelo suor. Se ao longo do dia a pessoa não bebe líquido suficiente, a perda vai se acumulando, aumentando o grau de desidratação durante a noite.

    Com menos líquido circulando, o volume de sangue diminui e o coração precisa trabalhar com mais intensidade para manter o transporte de oxigênio e nutrientes, o que eleva a frequência cardíaca.

    Uso de remédios estimulantes

    Assim como a cafeína, outras substâncias estimulantes podem acelerar os batimentos cardíacos — e diversas estão presentes em medicamentos vendidos com ou sem prescrição, como:

    • Corticoides inalados;
    • Anfetaminas;
    • Remédios para tireoide (como levotiroxina);
    • Xaropes e antigripais com pseudoefedrina;
    • Medicações para TDAH.

    Quando combinados com café ou álcool, o efeito estimulante se intensifica. Se a palpitação começar após o início de um tratamento, é importante conversar com o médico.

    Anemia

    A anemia ocorre quando há diminuição dos glóbulos vermelhos ou da hemoglobina, reduzindo o transporte de oxigênio. Para compensar, o coração bate mais rápido, e isso é percebido com mais intensidade ao acordar.

    Os sintomas incluem fadiga, fraqueza, tontura, dor de cabeça e falta de ar. A causa mais comum é a deficiência de ferro, mas também pode ocorrer por perda sanguínea ou doenças crônicas.

    Pesadelos ou terror noturno

    Pesadelos ativam o sistema nervoso simpático, liberando adrenalina e acelerando o coração. Nos terrores noturnos — mais comuns em crianças, mas possíveis em adultos — a pessoa desperta assustada, com suor, respiração rápida e batimentos fortes.

    Problemas cardíacos

    Arritmias como fibrilação atrial e taquicardia supraventricular podem provocar taquicardia ao acordar. Doenças estruturais do coração também aumentam a chance de alterações no ritmo.

    Nesses casos, a palpitação pode vir acompanhada de falta de ar, dor no peito ou sensação de aperto. Assim, é importante buscar avaliação médica.

    Consumo excessivo de açúcar

    Ingerir açúcar em excesso à noite gera picos de glicose. Quando os níveis caem durante a madrugada, o corpo libera adrenalina, acelerando o coração. O excesso de açúcar também aumenta a inflamação e pode sobrecarregar o sistema cardiovascular ao longo do tempo.

    Como é feita a investigação do coração acelerado pela manhã??

    O diagnóstico do coração acelerado começa com uma consulta médica envolvendo histórico, hábitos, sintomas e uso de substâncias estimulantes. Juliana destaca alguns exames úteis:

    • Eletrocardiograma;
    • Holter de 24h;
    • Exames de sangue (anemia, tireoide);
    • Ecocardiograma;
    • Teste ergométrico.

    Para suspeita de apneia do sono, o médico pode solicitar polissonografia.

    Como evitar que o coração acelere ao acordar?

    Como grande parte das palpitações matinais tem relação com o estilo de vida e a saúde mental, algumas medidas ajudam a reduzir o sintoma:

    • Manter horários regulares de sono;
    • Evitar telas por pelo menos 1 hora antes de deitar;
    • Deixar o quarto escuro e confortável;
    • Evitar álcool, cafeína e nicotina à noite;
    • Beber água ao longo do dia;
    • Praticar atividade física regularmente.

    Quando procurar atendimento médico por conta do coração acelerado?

    Procure um médico quando:

    • Aceleração vier com dor no peito, desmaio, falta de ar ou tontura;
    • As palpitações forem frequentes;
    • Houver histórico familiar de doenças cardíacas;
    • Os sintomas aparecerem após uso de novo medicamento;
    • Surgirem perda de peso, suor excessivo ou tremores.

    Leia mais: Arritmia cardíaca: quando os batimentos fora de ritmo merecem atenção

    Perguntas frequentes sobre acordar com coração acelerado

    Como saber se a palpitação tem origem no coração ou na ansiedade?

    A palpitação por ansiedade surge em momentos de tensão e melhora com o relaxamento. A de origem cardíaca pode ocorrer a qualquer hora e vir com falta de ar ou tontura. Só a avaliação médica confirma.

    O álcool pode causar coração acelerado pela manhã?

    Sim. Ele desidrata, interfere no sistema nervoso e altera eletrólitos importantes para o ritmo cardíaco.

    O que fazer quando o coração acorda acelerado todos os dias?

    Observe hábitos de sono, consumo de cafeína e níveis de estresse. Se o sintoma for frequente, procure um clínico ou cardiologista para avaliação e exames.

    Como saber se tenho algum problema no coração?

    Somente exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico confirmam. Procure um médico se tiver palpitações constantes, falta de ar ou dor no peito.

    O que fazer durante uma crise de palpitação ao acordar?

    Sente-se, respire fundo, mantenha a calma e beba água. Evite movimentos bruscos. Se não melhorar ou houver dor no peito, busque ajuda.

    Quando a palpitação matinal pode ser perigosa?

    É perigosa quando vem com dor no peito, tontura, desmaio, falta de ar ou suor frio — sintomas que podem indicar arritmia ou outro problema cardíaco.

    Confira: Por que o café acelera o coração? Veja quantas xícaras você pode tomar

  • Síndrome dos Ovários Policísticos: o que é e sintomas que você não deve ignorar

    Síndrome dos Ovários Policísticos: o que é e sintomas que você não deve ignorar

    A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das condições hormonais mais frequentes no consultório ginecológico e uma das principais causas de irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar. Embora seja comum, ainda é cercada por dúvidas, afinal, muitas mulheres convivem com sintomas por anos até obter o diagnóstico correto.

    A Síndrome dos Ovários Policísticos envolve um desequilíbrio hormonal que altera o funcionamento dos ovários. Isso favorece a produção aumentada de hormônios masculinos (andrógenos), interferindo na ovulação. Por isso, pode afetar o ciclo menstrual, a pele, o peso e até a saúde metabólica da mulher.

    Principais causas e fatores de risco

    A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma condição complexa e multifatorial. Não existe uma única causa, mas sim uma interação entre genética, hormônios e fatores ambientais.

    Herança genética

    É comum encontrar várias mulheres na mesma família com Síndrome dos Ovários Policísticos. A síndrome resulta da ação de múltiplos genes, que se expressam de maneiras diferentes em cada pessoa.

    Desequilíbrio hormonal

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos, há aumento de LH e redução de FSH, alteração que estimula os ovários a produzirem mais andrógenos, como a testosterona. Isso explica sintomas como acne, aumento de pelos e dificuldade para ovular.

    Resistência à insulina

    Bastante frequente na SOP, a resistência à insulina faz o corpo produzir níveis maiores desse hormônio — que, por sua vez, também estimulam a produção de andrógenos.

    Fatores ambientais e estilo de vida

    Sedentarismo, obesidade e exposição a substâncias químicas podem aumentar o risco ou agravar os sintomas.

    Sintomas mais comuns

    A SOP pode se manifestar de formas bastante diferentes entre as mulheres. Entre os sintomas mais frequentes estão:

    • Irregularidade menstrual (ciclos longos ou ausência de menstruação);
    • Dificuldade para engravidar, devido à falta de ovulação regular;
    • Hirsutismo (pelos aumentados no rosto, seios e abdômen);
    • Acne persistente e pele oleosa;
    • Queda de cabelo e afinamento dos fios;
    • Ganho de peso, especialmente na região abdominal.

    Não é necessário ter todos os sintomas para ser diagnosticada, e muitas mulheres com peso normal também podem ter Síndrome dos Ovários Policísticos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito pelo ginecologista ou endocrinologista, combinando dados clínicos, exames laboratoriais e ultrassom.

    Segundo os critérios de Roterdã, o diagnóstico é confirmado quando a mulher apresenta dois dos três:

    • Irregularidade menstrual ou ausência de ovulação;
    • Excesso de andrógenos (clínico ou laboratorial);
    • Ovário com aspecto policístico no ultrassom.

    Antes disso, é essencial descartar outras doenças que podem causar sintomas parecidos, como:

    • Alterações da tireoide;
    • Hiperprolactinemia;
    • Hiperplasia adrenal congênita.

    Complicações e comorbidades associadas

    A Síndrome dos Ovários Policísticos vai muito além de alterações menstruais. É uma condição crônica e metabólica, associada a:

    • Síndrome metabólica;
    • Obesidade;
    • Diabetes tipo 2;
    • Resistência à insulina;
    • Alterações do colesterol;
    • Risco cardiovascular aumentado;
    • Ansiedade e depressão.

    Isso reforça a importância do acompanhamento regular.

    Tratamento e controle

    O tratamento é individualizado, levando em conta os sintomas e objetivos da paciente (regular ciclo, tratar acne, perder peso ou engravidar).

    Mudanças no estilo de vida

    São fundamentais. A perda de apenas 5% do peso corporal já melhora ciclos, ovulação e sintomas metabólicos.

    Tratamento medicamentoso (quando indicado)

    • Metformina: ajuda na resistência à insulina e pode auxiliar na ovulação;
    • Anticoncepcionais hormonais combinados: regulam o ciclo e reduzem o excesso de andrógenos;
    • Indutores de ovulação: indicados para quem deseja engravidar;
    • Tratamentos dermatológicos: para acne, hirsutismo e queda de cabelo.

    Abordagem multidisciplinar

    Pode incluir ginecologista, endocrinologista, nutricionista e dermatologista, dependendo dos sintomas.

    Importância do acompanhamento

    A Síndrome dos Ovários Policísticos não tem cura, mas tem controle. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível recuperar a regularidade menstrual, melhorar a fertilidade e reduzir riscos metabólicos a longo prazo.

    O cuidado contínuo faz diferença significativa para a saúde e a qualidade de vida da mulher.

    Veja mais: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Perguntas frequentes sobre Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

    1. É possível ter SOP mesmo com peso normal?

    Sim. O peso influencia, mas não determina o diagnóstico.

    2. A SOP causa infertilidade?

    Ela pode dificultar a ovulação, mas muitas mulheres conseguem engravidar com tratamento.

    3. Toda mulher com ovário policístico tem Síndrome dos Ovários Policísticos?

    Não. O aspecto policístico pode aparecer mesmo sem a síndrome.

    4. Síndrome dos Ovários Policísticos engorda?

    O ganho de peso é comum, especialmente na região abdominal, mas não ocorre em todas as mulheres.

    5. Quem tem SOP deve evitar anticoncepcionais?

    Pelo contrário: em muitos casos, eles fazem parte do tratamento.

    6. A SOP aumenta o risco de diabetes?

    Sim. A resistência à insulina é uma das características da síndrome.

    7. A Síndrome dos Ovários Policísticos tem cura?

    Não, mas pode ser controlada com acompanhamento e mudanças no estilo de vida.

    Leia mais: Insuficiência istmocervical: o que é e por que merece atenção na gravidez

  • Corrimento com cheiro forte? Pode ser vaginose bacteriana 

    Corrimento com cheiro forte? Pode ser vaginose bacteriana 

    O corrimento vaginal com odor forte é uma das queixas mais frequentes nos consultórios ginecológicos. Embora muitas mulheres associem imediatamente esse sintoma a infecção sexualmente transmissível, na maioria dos casos, trata-se de vaginose bacteriana, uma condição comum causada por um desequilíbrio da flora vaginal.

    Mesmo sendo um problema simples de tratar, a vaginose pode causar desconforto, afetar a vida sexual e, quando não tratada, trazer complicações importantes, especialmente durante a gravidez. Por isso, entender o que é, como surge e como se prevenir é essencial para manter a saúde íntima em dia.

    O que é a vaginose bacteriana?

    A vaginose bacteriana ocorre quando há um desequilíbrio na flora vaginal.

    Em condições normais, a vagina é protegida por Lactobacillus, bactérias que:

    • Mantêm o pH vaginal ácido;
    • Produzem substâncias que impedem o crescimento de micro-organismos nocivos.

    Quando esses lactobacilos diminuem, bactérias como Gardnerella vaginalis e outras anaeróbias passam a se multiplicar. O resultado é um corrimento alterado com odor característico.

    É importante dizer que a vaginose não é uma IST, embora a atividade sexual possa favorecer o desequilíbrio do pH vaginal.

    Causas e fatores de risco

    A vaginose acontece quando o pH vaginal aumenta e os lactobacilos diminuem.

    Os principais fatores de risco são:

    • Duchas vaginais;
    • Fumo;
    • Uso recente de antibióticos;
    • Uso de produtos de higiene íntima sem orientação;
    • Alterações hormonais;
    • Contato com sêmen (que aumenta o pH).

    Essas situações tornam a flora vaginal mais vulnerável ao crescimento das bactérias que causam a vaginose.

    Sintomas

    O sintoma mais característico é o corrimento com odor forte, descrito como “cheiro de peixe”.

    Outros sinais são:

    • Corrimento branco, acinzentado ou amarelado;
    • Odor mais intenso após a relação sexual;
    • Aumento da secreção vaginal.

    A vaginose não costuma causar coceira, ardor ou dor, o que ajuda a diferenciá-la de candidíase e tricomoníase.

    Cerca de 50% das mulheres são assintomáticas, o que reforça a importância da avaliação ginecológica.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel, que são:

    • Corrimento branco-acinzentado e homogêneo;
    • pH vaginal > 4,5;
    • Odor de peixe ao misturar o corrimento com substâncias alcalinas (teste das aminas);
    • Presença de “células-guia” ao microscópio.

    Quando necessário, o ginecologista pode solicitar o teste de Nugent, exame laboratorial que analisa a flora vaginal pela coloração de Gram.

    Possíveis complicações

    Quando não tratada, a vaginose pode aumentar o risco de outras infecções, incluindo:

    • HIV e HPV;
    • Clamídia e gonorreia;
    • Doença inflamatória pélvica;
    • Infertilidade tubária.

    Complicações na gravidez

    Em gestantes, a vaginose pode estar associada a:

    • Parto prematuro;
    • Ruptura precoce da bolsa;
    • Infecção uterina após o parto;
    • Baixo peso ao nascer.

    Tratamento

    O objetivo é restaurar o equilíbrio da flora vaginal.

    Medicamentos

    Os antibióticos mais usados são:

    • Metronidazol (oral ou gel vaginal);
    • Clindamicina (oral ou creme vaginal).

    Durante o tratamento:

    • Evite álcool (especialmente com Metronidazol, pelo risco de reação adversa);
    • Evite relações sexuais desprotegidas;
    • Siga a orientação médica até o fim.

    Efeitos colaterais comuns

    • Náuseas;
    • Gosto metálico;
    • Dor de cabeça;
    • Tontura.

    O tratamento é seguro na gestação, desde que prescrito pelo ginecologista.

    E quando a vaginose volta?

    A recorrência é comum: até 80% das mulheres podem ter novos episódios em um ano.

    Nesses casos, pode ser necessário:

    • Tratamento prolongado com gel vaginal;
    • Restauração gradual da flora vaginal;
    • Acompanhamento mais regular com o ginecologista.

    Veja também: Candidíase vaginal: o que é, causas, sintomas e como tratar

    Como prevenir a vaginose bacteriana

    Alguns hábitos reduzem o risco de novos episódios:

    • Evite duchas vaginais;
    • Não use produtos íntimos perfumados;
    • Use camisinha;
    • Evite fumar;
    • Prefira roupas íntimas de algodão;
    • Faça higiene íntima suave, sem exageros;
    • Visite o ginecologista regularmente.

    Perguntas frequentes sobre vaginose bacteriana

    1. Vaginose é a mesma coisa que candidíase?

    Não. A vaginose tem odor forte e pH elevado; a candidíase causa coceira, vermelhidão e corrimento esbranquiçado.

    2. Vaginose pega do parceiro?

    Não é considerada uma IST, mas a atividade sexual pode modificar o pH vaginal.

    3. Homens precisam tratar?

    Não. O parceiro não precisa de tratamento, pois não há transmissão direta.

    4. Posso ter vaginose mesmo sem ter vida sexual ativa?

    Sim. Duchas vaginais, antibióticos e alterações hormonais também podem causar desequilíbrio.

    5. Probióticos ajudam?

    Podem ser úteis em alguns casos, mas devem ser usados sob orientação do ginecologista.

    6. A vaginose interfere na fertilidade?

    Pode interferir, pois aumenta o risco de doença inflamatória pélvica.

    7. Posso prevenir apenas com higiene?

    Higiene excessiva pode piorar. O ideal é limpar sem agredir a flora natural.

    Veja mais: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • Síndrome metabólica: o que é, sintomas e como controlar 

    Síndrome metabólica: o que é, sintomas e como controlar 

    A síndrome metabólica é cada vez mais comum e silenciosa. Muitas pessoas só descobrem a condição após anos convivendo com pressão alta, açúcar elevado no sangue ou aumento da circunferência abdominal. O problema é que, quando esses fatores se somam, o impacto sobre o coração, vasos sanguíneos e metabolismo é muito maior do que cada um isoladamente.

    Hoje sabe-se que o estilo de vida é determinante para o surgimento e a evolução da síndrome metabólica, mas, mesmo sendo uma condição séria, ela é totalmente controlável e, em alguns casos, reversível, desde que feito um acompanhamento adequado.

    O que é a síndrome metabólica?

    A síndrome metabólica é a combinação de pelo menos três dos seguintes fatores:

    • Aumento da circunferência abdominal;
    • Pressão arterial elevada;
    • Glicose alta no sangue;
    • HDL baixo (colesterol “bom”);
    • Triglicerídeos elevados.

    Esses sinais mostram que o corpo está com dificuldade de controlar açúcar, gorduras e pressão arterial, e isso aumenta de forma significativa o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Por que ela é perigosa?

    A síndrome metabólica atua de forma silenciosa. Na maior parte do tempo, a pessoa não sente nada, mas o corpo já está sofrendo:

    • Excesso de açúcar circulando;
    • Inflamação crônica;
    • Sobrecarga dos vasos sanguíneos;
    • Aumento do estresse oxidativo.

    Com o tempo, essas alterações podem levar a:

    • Doenças cardíacas;
    • AVC;
    • Doença renal;
    • Esteatose hepática;
    • Diabetes tipo 2.

    O que causa a síndrome metabólica?

    O principal fator é o estilo de vida, mas a genética também tem peso.

    Entre as causas mais comuns estão:

    • Alimentação rica em gorduras ruins, açúcar e ultraprocessados;
    • Sedentarismo;
    • Sobrepeso e obesidade (especialmente gordura abdominal);
    • Histórico familiar;
    • Idade avançada.

    Como é feito o diagnóstico

    Avaliação clínica

    • História detalhada;
    • Exame físico;
    • Medida da pressão arterial;
    • Circunferência abdominal (alerta acima de 88 cm em mulheres e 102 cm em homens).

    Exames laboratoriais

    • Glicemia;
    • Colesterol;
    • Triglicerídeos.

    O médico reúne os resultados e confirma o diagnóstico quando há três ou mais fatores alterados.

    Tem cura? Como é o tratamento

    Sim, a síndrome metabólica pode ser revertida com mudanças consistentes no estilo de vida.

    As principais medidas incluem:

    • Alimentação equilibrada, rica em fibras e pobre em ultraprocessados;
    • Prática regular de exercícios físicos;
    • Perda de peso saudável;
    • Redução do consumo de álcool;
    • Abandono do tabagismo;
    • Acompanhamento médico periódico.

    Em alguns casos, o médico pode prescrever medicamentos para controlar:

    • Pressão arterial;
    • Colesterol;
    • Triglicerídeos;
    • Glicemia.

    Manifestações associadas

    Por estar relacionada à resistência à insulina e à hiperinsulinemia, outras condições podem aparecer junto com a síndrome metabólica:

    Acantose nigricans

    Manchas escurecidas, aveludadas e endurecidas, especialmente em axilas, virilhas e pescoço.

    Esteatose hepática

    Acúmulo de gordura nas células do fígado, que pode evoluir para inflamação e fibrose hepática.

    Hiperandrogenismo

    Em algumas pessoas, especialmente mulheres, pode causar hirsutismo (excesso de pelos), acne e irregularidade menstrual.

    Veja mais: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes sobre síndrome metabólica

    1. A síndrome metabólica é o mesmo que diabetes?

    Não. Mas ela aumenta muito o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

    2. É possível reverter totalmente a síndrome metabólica?

    Sim, especialmente quando o diagnóstico é precoce e o estilo de vida é corrigido.

    3. Só pessoas acima do peso têm síndrome metabólica?

    Não. Pessoas magras com acúmulo de gordura abdominal também podem desenvolver.

    4. Quais exercícios ajudam mais?

    O ideal é combinar aeróbico (como caminhada) com musculação para aumentar a sensibilidade à insulina.

    5. Preciso tomar remédios?

    Nem sempre. Mas quando os valores estão muito altos, o uso de medicamentos pode ser necessário.

    6. A circunferência abdominal é mesmo tão importante?

    Sim. A gordura abdominal é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias.

    7. A síndrome metabólica dá sintomas?

    Quase nunca no início, por isso é tão perigosa.

    Veja também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono 

    7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono 

    É normal se sentir cansado após uma semana intensa, mas quando o corpo parece exausto o tempo todo, mesmo dormindo uma quantidade boa de horas, o cansaço pode ter outras origens além da falta de sono.

    Muitas pessoas chegam ao consultório médico achando que precisam apenas descansar mais, quando na verdade há uma condição médica por trás da fadiga persistente, como carência de vitaminas, distúrbios hormonais, anemia ou até doenças cardíacas e metabólicas.

    Por isso, identificar quando o cansaço é diferente do habitual é muito importante para buscar ajuda médica e evitar complicações.

    Quando o cansaço deixa de ser normal

    O cansaço físico comum melhora com o repouso, alimentação adequada e boas noites de sono. Mas se ele persiste por mais de duas semanas, vem acompanhado de falta de energia, dificuldade de concentração ou palpitações, é importante investigar.

    Alguns sinais de que algo pode estar errado:

    • Sonolência constante, mesmo após dormir 7 a 9 horas;
    • Queda de desempenho físico e mental;
    • Falta de ar ao realizar pequenas atividades;
    • Tonturas e fraqueza;
    • Alterações de humor ou desânimo;
    • Dores musculares sem motivo aparente.

    Esses sintomas indicam que o corpo pode estar pedindo ajuda, e não apenas descanso.

    Causas médicas mais comuns de cansaço excessivo

    1. Deficiência de ferro (anemia)

    A anemia ferropriva é uma das causas mais frequentes de cansaço constante. Quando há falta de ferro, o corpo produz menos hemoglobina, proteína responsável por transportar oxigênio no sangue. Com menos oxigênio chegando aos tecidos, o corpo entra em ritmo mais lento, com fadiga, palidez e falta de ar.

    Os principais sintomas são fraqueza, tontura, unhas quebradiças e dor de cabeça frequente.

    2. Falta de vitaminas do complexo B e vitamina D

    Vitaminas como B12, B6 e D são importantes para o funcionamento do sistema nervoso, muscular e imunológico. Quando estão em baixa, o corpo tem dificuldade em gerar energia e manter o equilíbrio do metabolismo.

    A carência de vitamina B12, por exemplo, pode causar formigamento, lapsos de memória e fadiga mental. Já a vitamina D muito baixa está ligada à fraqueza, dor muscular e ao humor deprimido.

    Os principais sintomas de carência de vitaminas são cansaço persistente, desânimo e dores musculares.

    3. Distúrbios da tireoide

    A tireoide é a glândula que regula o metabolismo. Quando ela funciona de forma lenta (hipotireoidismo), o corpo queima menos energia e tudo desacelera.

    Os principais sintomas são sonolência, ganho de peso, queda de cabelo, pele seca e intolerância ao frio.

    4. Apneia do sono

    A apneia do sono é um distúrbio em que a pessoa para de respirar várias vezes durante a noite, mesmo sem perceber. Isso fragmenta o sono e impede o descanso profundo, causando cansaço diurno, falta de concentração e irritabilidade.

    Os principais sintomas são ronco alto, pausas na respiração e dor de cabeça matinal.

    5. Doenças cardíacas e pressão alta

    O cansaço fácil ao subir escadas ou caminhar pequenas distâncias pode ser sinal de sobrecarga no coração. Doenças cardíacas e pressão alta podem reduzir a eficiência da circulação e limitar o transporte de oxigênio aos músculos.

    Os principais sinais são falta de ar, palpitações e inchaço nas pernas.

    6. Distúrbios hormonais e metabólicos

    Doenças como diabetes e síndrome metabólica também estão entre as causas de cansaço persistente. O excesso de açúcar no sangue, associado à resistência à insulina, provoca desequilíbrios que afetam o metabolismo.

    Alguns dos sinais são sede e fome exageradas, perda de peso involuntária e sonolência depois das refeições.

    7. Estresse e saúde mental

    O cansaço emocional é tão real quanto o físico. O estresse constante, a ansiedade e o esgotamento mental drenam a energia do corpo e prejudicam o sono, a imunidade e o humor.

    Preste atenção em sintomas como irritabilidade, insônia, dores de cabeça e sensação de estar sempre no limite.

    Quando procurar um médico

    Procure ajuda médica se o cansaço:

    • Dura mais de 15 dias mesmo com descanso;
    • Vem acompanhado de tontura, falta de ar, palpitação ou perda de peso;
    • Interfere nas atividades diárias e no trabalho;
    • Surge junto de sintomas como febre, alterações de humor ou dor persistente.

    Um clínico geral, um cardiologista ou um endocrinologista pode solicitar exames de sangue e avaliação metabólica para investigar causas como deficiência de ferro, alterações hormonais, inflamação ou doenças crônicas.

    Quanto mais cedo a causa for identificada, mais chances de sucesso tem o tratamento.

    Como recuperar a energia no dia a dia

    Além do tratamento médico, algumas medidas ajudam a manter a energia em ordem:

    • Alimentação equilibrada, com frutas, verduras e fontes de ferro e vitaminas;
    • Dormir de 7 a 9 horas por noite, com horários regulares;
    • Praticar atividade física leve ou moderada, como caminhada ou alongamento;
    • Evitar álcool e cigarro, que sobrecarregam o organismo;
    • Reservar momentos de descanso mental, longe de telas e estímulos.

    Pequenas mudanças no estilo de vida fazem diferença, mas quando o cansaço não passa, é sinal de que o corpo precisa ser ouvido.

    Confira: Como começar a correr? Veja 8 dicas práticas para iniciantes

    Perguntas frequentes sobre cansaço excessivo

    1. Cansaço constante é sempre sinal de doença?

    Nem sempre. Pode ser consequência de sono ruim, má alimentação ou estresse. Mas se persistir por mais de duas semanas, deve ser investigado.

    2. Quais vitaminas causam cansaço quando estão baixas?

    As principais são vitamina B12, B6 e D, além do ferro, que quando em falta provoca anemia.

    3. O que a falta de vitamina D causa?

    Fraqueza muscular, dores no corpo, desânimo e maior risco de infecções.

    4. Como saber se o cansaço é por causa da tireoide?

    Se vier acompanhado de ganho de peso, sonolência, pele seca e queda de cabelo, o médico pode solicitar exames hormonais para confirmar.

    5. A ansiedade pode causar cansaço físico?

    Sim. O corpo em estado constante de alerta provoca exaustão.

    6. O que é bom para recuperar energia?

    Alimentação equilibrada, sono adequado, hidratação, atividade física regular e avaliação médica para corrigir eventuais deficiências ou condições.

    7. Qual médico procurar para investigar cansaço?

    Um clínico geral ou cardiologista é o ponto de partida. Ele pode encaminhar para outros especialistas conforme a causa identificada.

    Veja mais: 5 dicas simples para se movimentar mais no dia a dia — e os benefícios disso

  • Diferença entre dengue, zika e chikungunya 

    Diferença entre dengue, zika e chikungunya 

    Febre, dor no corpo e manchas vermelhas na pele são sintomas que podem confundir até os médicos nos primeiros dias. Dengue, zika e chikungunya são doenças virais transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e têm muitas semelhanças, o que faz com que muitas pessoas só descubram qual delas tiveram depois de exames específicos.

    Apesar das semelhanças, cada vírus provoca um tipo de reação no corpo e exige cuidados diferentes. Algumas formas são mais perigosas, outras podem deixar sequelas ou complicações a longo prazo.

    O que elas têm em comum

    As três doenças são causadas por vírus e transmitidas pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Esse mosquito se desenvolve em água parada e limpa, por isso, eliminar criadouros é a principal forma de prevenção.

    Além da transmissão vetorial, o vírus da zika também pode ser transmitido por via sexual, de mãe para filho durante a gestação e, mais raramente, por transfusão de sangue.

    De modo geral, todas podem causar:

    • Febre;
    • Dor de cabeça e no corpo;
    • Cansaço;
    • Manchas avermelhadas na pele;
    • Dores nas articulações.

    Mas é a intensidade e a duração desses sintomas que ajudam a diferenciar cada doença.

    Dengue: febre alta e dor intensa no corpo

    A dengue costuma começar de forma repentina, com febre alta (acima de 38,5 °C), forte dor muscular e nas articulações, dor atrás dos olhos, cansaço extremo e, em alguns casos, manchas vermelhas que lembram uma alergia.

    Outros sintomas incluem náusea, dor abdominal, falta de apetite e tontura. A febre dura entre 2 e 7 dias e pode ser seguida por uma fase crítica, em que a febre desaparece, mas aumenta o risco de complicações, como sangramentos.

    Os sinais de alerta para dengue grave, também chamada de dengue hemorrágica, são dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos nas gengivas ou nariz e tontura.

    Zika: sintomas leves, mas risco maior para gestantes

    A zika geralmente tem sintomas mais leves que a dengue e a chikungunya. A febre costuma ser baixa ou até ausente, e o que mais se destaca são as manchas avermelhadas pelo corpo, coceira intensa e vermelhidão nos olhos.

    Outros sintomas possíveis são dor de cabeça leve, dor nas articulações e cansaço. A doença costuma durar poucos dias e raramente causa complicações graves.

    O maior risco está em gestantes, pois o vírus pode atravessar a placenta e afetar o desenvolvimento do feto, provocar microcefalia e outras alterações neurológicas.

    Gestantes com suspeita de zika devem procurar atendimento médico imediatamente para acompanhamento especializado.

    Chikungunya: dor articular intensa e prolongada

    A chikungunya costuma causar febre alta e dor articular muito intensa, que pode afetar mãos, punhos, tornozelos e joelhos. Essa dor é tão forte que muitas pessoas têm dificuldade para andar ou realizar atividades simples.

    As dores podem durar semanas ou até meses e, em alguns casos, evoluir para uma forma crônica, semelhante à artrite. Também podem surgir inchaço nas articulações, manchas na pele, náusea e mal-estar.

    A febre costuma durar de 2 a 3 dias, mas a rigidez nas articulações é o sintoma mais marcante da doença.

    Dores persistentes por mais de 2 semanas ou sinais de inflamação articular devem ser avaliados pelo médico.

    Tabela de sintomas

    Sintoma principal Dengue Zika Chikungunya
    Febre Alta e súbita Leve ou ausente Alta e repentina
    Dor no corpo Intensa Leve a moderada Muito forte, sobretudo nas articulações
    Manchas na pele Comuns, surgem após a febre Muito comuns e coçam bastante Podem aparecer junto da febre
    Coceira Rara Intensa Leve
    Dor nos olhos Comum Rara Possível
    Inchaço nas articulações Raro Raro Muito comum
    Duração média 7 a 10 dias 3 a 7 dias Pode durar semanas a meses
    Complicações Hemorragia, choque Microcefalia (gestantes) Dor articular crônica

    Diagnóstico

    Os sintomas ajudam a suspeitar da doença, mas a confirmação é feita com exames laboratoriais específicos, como:

    • Sorologia (IgM/IgG);
    • PCR, que detecta o material genético do vírus.

    Em regiões onde os três vírus circulam ao mesmo tempo, o exame é muito importante para diferenciar as doenças corretamente.

    Tratamento

    Não existe tratamento específico para dengue, zika ou chikungunya. O foco é aliviar os sintomas e evitar complicações. As orientações gerais são:

    • Repouso e boa hidratação;
    • Uso de paracetamol ou dipirona para controlar dor e febre;
    • Evitar AAS e anti-inflamatórios, que aumentam o risco de sangramentos;
    • Acompanhamento médico, especialmente em gestantes e idosos.

    Prevenção

    Como todas são transmitidas pelo Aedes aegypti, a prevenção é a mesma:

    • Eliminar água parada (vasos, caixas d’água, pneus, garrafas);
    • Manter lixeiras tampadas;
    • Usar repelentes e roupas que cubram braços e pernas;
    • Instalar telas em janelas e portas.

    No caso da dengue, atualmente há vacina contra os quatro sorotipos do vírus.

    Confira: Dengue no Brasil: por que a doença volta todo ano

    Perguntas frequentes sobre dengue, zika e chikungunya

    1. As três doenças são transmitidas pelo mesmo mosquito?

    Sim. O Aedes aegypti é o principal transmissor da dengue, zika e chikungunya.

    2. Posso ter mais de uma dessas doenças ao mesmo tempo?

    Sim. É possível ser infectado por mais de um vírus simultaneamente, o que pode tornar o quadro mais grave.

    3. Qual é a mais perigosa?

    Depende. A dengue pode causar hemorragia, a zika é mais preocupante na gravidez e a chikungunya pode deixar dores crônicas.

    4. Existe vacina para todas?

    Atualmente, há vacinas apenas contra a dengue. Para zika e chikungunya, ainda estão em fase de pesquisa.

    5. O que devo fazer se tiver febre e dor nas articulações?

    Evite tomar AAS ou anti-inflamatórios e procure atendimento médico para diagnóstico correto.

    6. Quanto tempo leva para se recuperar completamente?

    Na dengue e na zika, em torno de uma semana. Na chikungunya, a dor articular pode persistir por semanas ou meses.

    7. É possível se proteger com repelente?

    Sim. O uso regular de repelentes é uma das formas mais eficazes de evitar a picada do mosquito.

    Veja mais: Como diferenciar dengue de gripe e covid-19?

  • Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo: a doença autoimune que aumenta o risco de trombose

    Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo: a doença autoimune que aumenta o risco de trombose

    A formação de coágulos dentro das veias ou artérias geralmente é vista como um evento agudo e imprevisível, mas, para algumas pessoas, esse risco está ligado a uma condição autoimune chamada Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF).

    Também conhecida como Síndrome de Hughes, ela faz com que o próprio sistema imunológico produza anticorpos que atrapalham a coagulação sanguínea, facilitando o surgimento de tromboses.

    A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo pode afetar homens e mulheres de qualquer idade, é uma das causas mais importantes de trombofilia adquirida e está associada a perdas gestacionais e complicações na gravidez.

    O que é a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo?

    A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo é uma doença autoimune crônica em que o corpo produz anticorpos antifosfolipídeos, capazes de interferir no sistema de coagulação. Isso aumenta o risco de formação de trombos que podem:

    • Dificultar a passagem do sangue;
    • Bloquear veias ou artérias;
    • Causar complicações graves, como AVC, embolia pulmonar ou trombose venosa profunda.

    A doença é uma das causas mais comuns de trombofilia adquirida e também está associada a abortos repetidos e complicações obstétricas.

    Por que isso acontece?

    A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas sabe-se que alguns fatores desencadeantes podem funcionar como gatilho em pessoas que já têm anticorpos circulantes.

    Entre os principais gatilhos estão:

    • Cirurgias ou procedimentos invasivos;
    • Infecções graves;
    • Gravidez;
    • Interrupção de anticoagulantes em quem já faz tratamento.

    Nem todos que têm os anticorpos desenvolvem tromboses; é a combinação entre predisposição e gatilho que costuma precipitar as manifestações.

    Sintomas da síndrome do anticorpo antifosfolipídeo

    Os sintomas dependem da região em que o trombo se forma. Algumas pessoas têm sinais leves; outras apresentam manifestações graves.

    Quando a trombose ocorre em veias (Trombose Venosa Profunda)

    • Dor;
    • Inchaço;
    • Vermelhidão;
    • Calor no local.

    Quando ocorre em artérias

    • AVC (pode surgir em pessoas jovens sem fatores de risco);
    • Dor súbita e intensa em membros.

    Outras manifestações

    • Manchas arroxeadas na pele que pioram com frio (livedo);
    • Trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas);
    • Problemas cardíacos;
    • Microtromboses difusas.

    Relação com gravidez

    • Abortos repetidos;
    • Pré-eclâmpsia;
    • Restrição de crescimento fetal.

    Forma rara e grave

    A Síndrome Antifosfolipídica Catastrófica afeta vários órgãos ao mesmo tempo e é uma emergência médica.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico depende de critérios clínicos e laboratoriais.

    É necessário ter:

    1. Critérios clínicos

    • Histórico de trombose ou
    • Complicações obstétricas, como:
      • três ou mais abortos consecutivos;
      • parto prematuro por pré-eclâmpsia grave ou restrição de crescimento;
      • outras complicações típicas da doença.

    2. Critérios laboratoriais

    Exames positivos para anticorpos antifosfolipídeos, confirmados em duas coletas com intervalo mínimo de 12 semanas:

    • Anticardiolipina (IgG ou IgM);
    • Anti-beta-2 glicoproteína I (IgG ou IgM);
    • Anticoagulante lúpico.

    Ter esses anticorpos não significa lúpus, mas algumas pessoas têm síndrome do anticorpo antifosfolipídeo associada ao lúpus eritematoso sistêmico.

    A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo pode ser evitada?

    Não é possível evitar a doença em si, mas é possível prevenir complicações, especialmente tromboses.

    Principais recomendações:

    • Não fumar;
    • Manter peso saudável;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Controlar colesterol e triglicerídeos;
    • Evitar uso de estrogênio (pílulas combinadas), salvo orientação médica;
    • Evitar medicamentos que alteram a coagulação por conta própria.

    Esses cuidados são ainda mais importantes em quem já tem anticorpos circulantes.

    Tratamento

    A SAF não tem cura, mas é totalmente controlável com tratamento adequado. O objetivo é evitar a formação de novos trombos.

    Tratamento principal: anticoagulantes

    Medicamentos anticoagulantes reduzem a tendência de formação de coágulos. Geralmente, o uso é contínuo e monitorado com exames como o INR, que verifica se o sangue está na faixa terapêutica ideal.

    Durante a gravidez

    O tratamento é diferenciado, para garantir segurança para mãe e bebê. Com acompanhamento adequado, o risco de aborto e complicações é significativamente reduzido.

    Cuidados com medicamentos

    Vários remédios interferem nos anticoagulantes, entre eles anti-inflamatórios e analgésicos comuns.

    Por isso, é essencial:

    • Avisar o médico sobre qualquer novo medicamento;
    • Evitar automedicação;
    • Monitorar regularmente o exame de INR.

    Alimentação: atenção à vitamina K

    A vitamina K (presente em folhas verdes escuras como couve, brócolis e espinafre) interfere na ação dos anticoagulantes.

    Não é necessário cortar esses alimentos. O ideal é manter um consumo regular e estável, sem grandes variações.

    Por que o tratamento é tão importante?

    Sem controle, a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo pode levar a complicações graves, como:

    • Trombose venosa profunda;
    • AVC;
    • Embolia pulmonar;
    • Perda gestacional recorrente.

    Com acompanhamento regular, a maioria das pessoas leva uma vida saudável e normal.

    Veja também: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

    Perguntas frequentes sobre síndrome do anticorpo antifosfolipídeo

    1. A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo é a mesma coisa que trombofilia?

    A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo é um tipo de trombofilia adquirida, ou seja, provoca maior risco de trombose ao longo da vida.

    2. SAF está ligada ao lúpus?

    Pode estar, mas não necessariamente. Muitas pessoas têm síndrome do anticorpo antifosfolipídeo isolada.

    3. A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo tem cura?

    Não, mas é totalmente controlável com acompanhamento médico.

    4. Vou precisar tomar anticoagulante para sempre?

    Na maioria dos casos, sim. A decisão depende da história de trombose e do risco individual.

    5. Posso engravidar com síndrome do anticorpo antifosfolipídeo?

    Sim. Com tratamento adequado durante a gestação, muitas mulheres têm gravidez saudável.

    6. A alimentação interfere no tratamento?

    Sim. Alimentos ricos em vitamina K devem ser consumidos de forma estável.

    7. A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo aumenta risco de AVC?

    Sim, especialmente quando há trombose arterial. O tratamento reduz muito esse risco.

    Veja também: Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar