Autor: Dra. Juliana Soares

  • Úlcera no estômago: quando é grave e como é tratada 

    Úlcera no estômago: quando é grave e como é tratada 

    As úlceras pépticas (no estômago ou no duodeno) são mais comuns do que muita gente imagina e, apesar de parecerem algo distante do dia a dia, podem surgir silenciosamente e só dar sinais quando já estão causando desconforto.

    A úlcera péptica ocorre quando o ácido do estômago agride a parede interna do órgão ou do duodeno, formando pequenas feridas que nem sempre doem, e é justamente isso que torna importante entender como elas acontecem e quais sinais devem chamar atenção.

    Com o avanço dos estudos sobre a bactéria Helicobacter pylori e o impacto dos anti-inflamatórios no sistema digestivo, ficou mais fácil identificar as causas das úlceras e tratá-las de forma eficaz.

    Hoje, a maior parte dos casos tem bom prognóstico quando o tratamento é iniciado rapidamente, mas reconhecer sintomas, fatores de risco e possíveis complicações ainda é essencial para evitar problemas mais sérios.

    O que são úlceras pépticas?

    As úlceras pépticas são feridas que se formam na parede do estômago ou do duodeno devido à ação do ácido gástrico sobre uma mucosa fragilizada. Elas podem cicatrizar sozinhas, mas quando não tratadas, aumentam o risco de complicações como sangramentos e perfuração intestinal.

    Principais sintomas

    Cerca de 70% dos casos não apresentam sintomas. Quando os sintomas surgem, o mais comum é a dor abdominal na região do epigástrio (boca do estômago).

    O padrão da dor ajuda a diferenciar os tipos de úlcera:

    • Úlcera gástrica: piora com a alimentação e melhora em jejum.
    • Úlcera duodenal: dor costuma surgir 2 a 5 horas após comer.

    Outros sintomas são:

    • Inchaço abdominal
    • Empachamento
    • Enjoos
    • Sensação de saciedade precoce

    Complicações possíveis

    Sangramento (mais comum)

    Pode aparecer como:

    • Enjoo
    • Vômito com sangue (hematêmese)
    • Fezes escuras com odor forte (melena)

    Obstrução da saída gástrica

    Úlceras próximas ao piloro podem bloquear a passagem dos alimentos. Os sintomas são saciedade precoce, náuseas, vômitos, dor após comer e perda de peso.

    Penetração ou fistulização

    A úlcera pode atingir outros órgãos, formando fístulas ou abscessos. O sinal mais marcante é mudança brusca no padrão de sintomas.

    Perfuração

    Complicação grave marcada por:

    • Dor abdominal súbita e intensa
    • Aumento da frequência cardíaca
    • Abdome rígido (“abdome em tábua”)

    Requer atendimento emergencial.

    Causas

    As principais causas são:

    Infecção por H. pylori

    A bactéria Helicobacter pylori altera a produção de ácido e diminui a defesa natural da mucosa, favorecendo o aparecimento da úlcera.

    Uso de anti-inflamatórios (AINEs)

    Medicamentos como aspirina e ibuprofeno aumentam em até quatro vezes o risco de úlceras e complicações.

    Outros fatores de risco

    • Tabagismo
    • Consumo de álcool
    • Estresse crônico
    • Dieta inadequada
    • Fatores genéticos
    • Apneia do sono

    Diagnóstico

    O diagnóstico é suspeitado em pacientes com indigestão e dor abdominal superior, especialmente quando há histórico de:

    • H. pylori
    • Uso de AINEs

    Endoscopia digestiva alta

    É o exame mais eficaz, pois permite:

    • Visualizar a úlcera
    • Realizar biópsia

    O diagnóstico também pode ser confirmado quando os sintomas desaparecem após tratamento empírico (início do tratamento sem endoscopia prévia).

    Tratamento

    O tratamento depende da causa e da gravidade.

    Mudanças de hábitos

    • Parar de fumar
    • Reduzir ou evitar álcool
    • Ajustar dieta

    Tratamento para H. pylori

    Quando a infecção é confirmada, utiliza-se combinação de antibióticos, geralmente:

    • Amoxicilina
    • Claritromicina

    A erradicação cura mais de 90% das úlceras relacionadas à bactéria.

    Suspensão de AINEs

    Se possível, o paciente deve interromper o uso desses medicamentos.

    Redução da acidez

    Todos os pacientes precisam de terapia com inibidores da bomba de prótons (IBP), como omeprazol. A duração varia conforme a causa e a presença de complicações.

    Antiácidos

    Podem aliviar sintomas, mas não tratam a úlcera.

    Tratamento cirúrgico

    Reservado para complicações graves, como perfuração e obstrução.

    Prevenção

    Para prevenir úlceras pépticas:

    • Evite uso abusivo de anti-inflamatórios
    • Trate H. pylori quando detectado
    • Siga corretamente o uso de medicamentos inibidores da bomba de prótons (como omeprazol) quando indicados pelo médico
    • Mantenha hábitos saudáveis de alimentação e rotina

    O que esperar

    O prognóstico é geralmente positivo:

    • Cerca de 60% das úlceras cicatrizam espontaneamente
    • Com tratamento para H. pylori, a taxa de cura ultrapassa 90%

    Entre 5% e 10% das úlceras não respondem ao tratamento, geralmente associadas a:

    • Uso contínuo de anti-inflamatórios
    • Falha no tratamento para H. pylori
    • Outras causas mais raras

    Confira: Azia constante: o que pode ser e como melhorar

    Perguntas frequentes sobre úlcera péptica

    1. Úlcera e gastrite são a mesma coisa?

    Não. Gastrite é inflamação da mucosa; úlcera é uma ferida mais profunda.

    2. Estresse causa úlcera?

    O estresse crônico pode contribuir, mas geralmente há outros fatores associados, como H. pylori ou uso de AINEs.

    3. Posso continuar tomando anti-inflamatório se tiver úlcera?

    Não é recomendado. Eles aumentam o risco de sangramento e piora da lesão.

    4. H. pylori sempre causa úlcera?

    Não. Muitas pessoas têm a bactéria sem desenvolver lesões.

    5. Alimentação influencia nas úlceras?

    Sim. Dietas irritativas e consumo excessivo de álcool podem agravar os sintomas.

    6. Antiácidos resolvem a úlcera?

    Não. Eles aliviam desconforto, mas não tratam a causa.

    7. Preciso de cirurgia se tiver úlcera?

    Raramente. A cirurgia é indicada apenas para complicações graves.

    Leia também: Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro

  • Vomitou sangue? Pode ser hemorragia digestiva alta 

    Vomitou sangue? Pode ser hemorragia digestiva alta 

    A hemorragia digestiva alta é uma das principais emergências gastrointestinais e pode se manifestar de maneiras muito diferentes, desde um sangramento discreto até quadros mais intensos, que exigem atendimento médico imediato. Ela acontece quando há sangramento na parte superior do sistema digestivo, região que inclui o esôfago, o estômago e o duodeno.

    Embora assuste, especialmente quando o sangue aparece no vômito ou nas fezes, a hemorragia digestiva alta tem causas bem estabelecidas e formas eficazes de diagnóstico e tratamento. Reconhecer os sintomas e procurar ajuda rápida é essencial para evitar complicações.

    O que é hemorragia digestiva alta?

    A hemorragia digestiva alta é qualquer sangramento que ocorre acima do ângulo de Treitz, que abrange:

    • Esôfago
    • Estômago
    • Primeira parte do intestino delgado (duodeno)

    É considerada uma condição potencialmente grave, pois pode evoluir rapidamente dependendo da causa e da intensidade do sangramento, e exige avaliação médica imediata.

    Principais sintomas

    Hematêmese

    Vômito com sangue, que pode ser vermelho vivo ou ter aparência de borra de café. O sangue irrita o estômago, provocando náuseas e vômitos.

    Melena

    Fezes escuras, quase pretas e com odor mais forte, resultado da digestão do sangue ao longo do trato gastrointestinal.

    Hematoquezia

    Saída de sangue vermelho vivo nas fezes. Embora mais comum em sangramentos do intestino grosso, pode ocorrer na hemorragia digestiva alta quando o sangramento é muito intenso e rápido.

    Sinais de anemia

    • Fraqueza
    • Tonturas
    • Palidez
    • Cansaço extremo

    Em sangramentos pequenos, porém contínuos, a anemia se instala de forma lenta e silenciosa.

    Principais causas

    Úlcera péptica

    Lesão no estômago ou duodeno, geralmente associada ao H. pylori ou ao uso de anti-inflamatórios. Quando atinge vasos mais profundos, pode causar sangramento.

    Esofagite

    Inflamação do esôfago, que deixa a mucosa mais frágil e suscetível a sangramentos. É uma das causas mais comuns de hematêmese.

    Gastrite e duodenite

    Inflamações do estômago e do duodeno. Costumam causar sangramento discreto, mas podem ser graves em pessoas com distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes.

    Varizes esofágicas ou gástricas

    Dilatações dos vasos do esôfago ou estômago, geralmente associadas à cirrose. Têm alto risco de ruptura e sangramento volumoso.

    Tumores

    Lesões benignas ou malignas podem causar sangramentos pequenos e repetitivos.

    Como é feito o diagnóstico

    A avaliação inicial inclui:

    • Histórico de sintomas
    • Características do sangramento
    • Uso de medicamentos
    • Presença de doenças associadas

    Exames laboratoriais

    Geralmente mostram anemia e alterações compatíveis com inflamação ou perda sanguínea.

    Endoscopia digestiva alta

    É o exame mais importante. Permite:

    • Identificar a fonte do sangramento
    • Classificar a gravidade
    • Realizar tratamento durante o mesmo procedimento

    A endoscopia costuma ser feita nas primeiras 24 horas, após estabilização clínica.

    Colonoscopia

    Indicada quando a endoscopia não encontra a origem do sangramento.

    Tratamento

    Inibidores de bomba de prótons (IBPs)

    Como omeprazol, utilizados em doses altas para reduzir a acidez e proteger áreas com sangramento.

    Estabilização hemodinâmica

    Em casos de pressão baixa ou alta frequência cardíaca, é necessária hidratação intravenosa.

    Transfusão de sangue

    Indicada quando há anemia severa ou queda importante da hemoglobina.

    Tratamento endoscópico

    Realizado durante a endoscopia, com técnicas que podem:

    • Coagular o vaso sangrante
    • Aplicar medicamentos locais
    • Colocar dispositivos para controle do sangramento

    Colonoscopia

    Usada quando a endoscopia não identifica a causa.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre hemorragia digestiva alta

    1. Vomitar sangue significa sempre hemorragia digestiva alta?

    Não sempre, mas é um dos sinais mais típicos e requer avaliação imediata.

    2. Fezes escuras sempre indicam sangramento?

    Nem sempre. Alguns alimentos e remédios escurecem as fezes, mas a melena deve ser investigada.

    3. Hemorragia digestiva alta pode ser fatal?

    Sim, especialmente quando há sangramento volumoso ou quando o tratamento é tardio.

    4. Anti-inflamatórios aumentam o risco?

    Sim. Eles podem causar gastrite, úlceras e sangramentos.

    5. A endoscopia dói?

    Não. O exame é feito com sedação.

    6. O sangramento pode voltar?

    Pode, especialmente se a causa não for tratada adequadamente.

    7. Hematoquezia sempre indica sangramento do intestino grosso?

    Não. Sangramentos muito intensos no trato superior também podem se manifestar assim.

    Veja mais: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

  • Quem tem mais chance de desenvolver varizes? Descubra 

    Quem tem mais chance de desenvolver varizes? Descubra 

    As varizes fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas e, embora sejam comuns, ainda geram muitas dúvidas, especialmente sobre por que aparecem e quando realmente precisam de tratamento. Em geral, surgem como veias dilatadas e tortuosas, visíveis sob a pele das pernas, e podem causar desde desconforto leve até alterações importantes na circulação.

    Com o tempo, a ciência avançou na compreensão do que provoca as varizes: uma combinação de fatores genéticos, hábitos de vida e alterações no funcionamento das veias. Hoje, sabe-se que elas são uma manifestação de insuficiência venosa crônica, uma condição em que o sangue tem dificuldade de retornar ao coração. Identificar os sintomas e buscar avaliação especializada faz toda a diferença para aliviar incômodos e evitar complicações.

    O que são varizes e por que aparecem

    As varizes são veias dilatadas, tortuosas e mais visíveis, geralmente de coloração azulada ou arroxeada. Elas aparecem principalmente nas pernas e pés, regiões em que o sangue precisa vencer a gravidade para retornar ao coração.

    As veias varicosas fazem parte do quadro de insuficiência venosa crônica. Normalmente, o sangue circula em um único sentido graças às válvulas dentro das veias. Quando essas válvulas enfraquecem ou são danificadas, ocorre refluxo e acúmulo de sangue. Isso faz com que as veias fiquem maiores e aparentes — o que conhecemos como varizes.

    Quem tem mais chance de desenvolver varizes

    As varizes são mais frequentes em pessoas que apresentam:

    • Histórico familiar de varizes
    • Mulheres, devido a fatores hormonais
    • Longos períodos em pé ou sentado
    • Excesso de peso
    • Tabagismo
    • Idade avançada, pois as veias perdem elasticidade com o tempo

    Sintomas mais comuns

    Nem todas as varizes causam dor, mas podem gerar:

    • Sensação de peso, dor ou cansaço nas pernas
    • Inchaço nos tornozelos
    • Coceira ou queimação
    • Manchas escuras na pele
    • Feridas (úlceras venosas) em casos avançados

    Os sintomas tendem a piorar ao final do dia ou após longos períodos em pé.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito por um cirurgião vascular após avaliação clínica das pernas e pés, principalmente com o paciente em pé.

    O médico pode utilizar:

    • Venoscópio, aparelho com luz que facilita visualizar as veias
    • Ultrassom Doppler, exame que complementa o diagnóstico e ajuda a definir o tratamento

    Tratamentos disponíveis

    O tratamento varia conforme o grau das varizes e os sintomas. As opções incluem:

    Medidas conservadoras

    • Mudanças de hábitos
    • Meias elásticas para melhorar o retorno venoso

    Medicamentos

    Fármacos que ajudam a reduzir sintomas e melhorar a circulação.

    Procedimentos

    • Escleroterapia ou aplicação de espuma, que fecha as veias afetadas
    • Cirurgias ou laser, indicados para varizes maiores ou mais profundas

    A avaliação por um angiologista ou cirurgião vascular é essencial para definir a melhor abordagem.

    Quando procurar ajuda médica

    É importante buscar atendimento quando:

    • As varizes estiverem doloridas ou inchadas
    • Houver mudança na cor da pele
    • Forem notadas feridas nas pernas
    • Houver sinais de trombose (dor súbita, vermelhidão e endurecimento da veia)

    Como prevenir e aliviar os sintomas

    Embora não seja possível evitar completamente as varizes, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco:

    • Evitar ficar muito tempo em pé ou sentado
    • Alternar movimentos ao longo do dia
    • Elevar as pernas sempre que possível
    • Praticar atividades físicas
    • Manter o peso adequado
    • Não fumar
    • Usar meias de compressão, quando indicado por um profissional

    Veja também: Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    Perguntas frequentes sobre varizes

    1. Varizes sempre precisam de tratamento?

    Não. Casos leves podem ser controlados com hábitos saudáveis e meias de compressão.

    2. Varizes podem desaparecer sozinhas?

    Não. Sem tratamento, elas tendem a se manter ou piorar ao longo do tempo.

    3. Homens também têm varizes?

    Sim, embora sejam mais comuns em mulheres.

    4. Varizes indicam problemas graves no coração?

    Não. Elas são um problema circulatório local das veias das pernas, não do coração.

    5. Usar salto alto causa varizes?

    Não diretamente, mas pode dificultar o retorno venoso e piorar sintomas.

    6. É possível prevenir completamente?

    Não totalmente, mas medidas de estilo de vida reduzem bastante o risco.

    7. A cirurgia elimina as varizes para sempre?

    Ela remove aquelas veias específicas, mas não impede que novas varizes apareçam em pessoas predispostas.

    Veja mais: Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição

  • Cortisol: o que é, como diminuir e sinais de que está alto

    Cortisol: o que é, como diminuir e sinais de que está alto

    Presente na maioria dos processos fisiológicos do corpo humano, o cortisol funciona como um dos principais hormônios de adaptação do organismo, porque ajuda o corpo a reagir a estímulos externos, equilibrar a produção de energia ao longo do dia e modular a forma como cada pessoa responde a situações de estresse físico ou emocional.

    Mas você sabe por que ele é conhecido como hormônio do estresse? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender o impacto do cortisol alto na saúde, como identificar alterações nos níveis do hormônio e medidas que podem ajudar a diminuir seus efeitos.

    Afinal, o que é cortisol?

    O cortisol é um hormônio da classe dos glicocorticóides, produzido pelas glândulas adrenais (ou suprarrenais), que ficam localizadas acima dos rins. Ele participa de vários processos do organismo, contribuindo para regular a produção de energia, controlar a resposta inflamatória, manter a pressão arterial estável e ajustar a forma como o corpo reage a situações de alerta.

    De acordo com Juliana, ele é chamado de hormônio do estresse porque sua liberação aumenta principalmente diante de situações de estresse físico ou emocional. Ele ajuda o corpo a produzir mais energia, estimulando o fígado a liberar glicose e ajustando a pressão arterial para que a pessoa consiga enfrentar momentos de tensão com mais preparo.

    A cardiologista também explica que o cortisol favorece a vasoconstrição das artérias, ajudando a manter a pressão arterial — além de seguir um ritmo natural conhecido como ciclo circadiano: níveis mais altos pela manhã para estimular o despertar e níveis mais baixos à noite para facilitar o descanso.

    Cortisol alto faz mal?

    Apesar do efeito rápido do cortisol ser adequado ao organismo, ele pode trazer problemas para a saúde quando se mantém alto de forma crônica e prolongada, segundo Juliana.

    A produção aumentada mantém o corpo em estado constante de alerta, algo que deveria acontecer apenas em situações pontuais, e não diariamente.

    Entre os efeitos no coração e no sistema cardiovascular, a especialista destaca:

    • Aumento da pressão arterial, por causa da constrição dos vasos sanguíneos;
    • Maior retenção de sódio e água, o que contribui para elevar ainda mais a pressão;
    • Desequilíbrio no perfil de colesterol, com aumento do colesterol ruim e dos triglicerídeos;
    • Elevação da glicose no sangue, já que o fígado libera mais açúcar, favorecendo a resistência à insulina;
    • Maior risco de diabetes, devido ao excesso prolongado de glicose circulante;
    • Acúmulo de gordura abdominal (obesidade central), associado a maior risco cardiovascular;
    • Aumento do risco de infarto e AVC, pela soma de alterações na pressão, glicemia e colesterol;
    • Perda de massa muscular, causada pelo aumento do catabolismo e maior quebra de proteínas.

    O que pode causar o cortisol alto?

    O cortisol alto pode surgir quando o organismo permanece em estado de alerta por mais tempo do que deveria, devido a fatores do dia a dia que mantêm a liberação acelerada e desregulam o equilíbrio natural. Alguns dos principais fatores incluem:

    • Estresse crônico, ligado ao acúmulo de responsabilidades, pressão no trabalho, conflitos emocionais ou rotina sem pausas;
    • Privação de sono, já que noites curtas ou mal dormidas desorganizam o ciclo circadiano, que controla a liberação do hormônio;
    • Ansiedade persistente, que mantém o sistema nervoso em alerta e estimula a produção contínua de cortisol;
    • Treinos físicos muito intensos sem descanso adequado, que funcionam como estresse para o organismo;
    • Alimentação desregulada, com excesso de açúcar, cafeína e ultraprocessados, que favorecem maior liberação do hormônio;
    • Doenças como depressão, síndrome de Cushing ou resistência à insulina, que podem alterar o funcionamento das glândulas adrenais;
    • Uso prolongado de corticoides, já que medicamentos dessa classe interferem diretamente no eixo que regula o cortisol.

    Quais os sintomas do cortisol alto?

    A identificação dos sintomas de cortisol alto pode ser difícil no começo, porque muitos sinais aparecem de forma discreta e se confundem com cansaço comum. Entre os mais frequentes, é possível destacar:

    • Ganho de peso, especialmente na região abdominal e no rosto, conhecido como “face de lua cheia”;
    • Aumento da pressão arterial, causado pela constrição dos vasos sanguíneos;
    • Elevação da glicose no sangue (hiperglicemia), devido ao estímulo constante do fígado para liberar mais açúcar;
    • Perda de massa muscular, mesmo com aumento de peso, por causa da maior quebra de proteínas;
    • Alterações emocionais, como ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração;
    • Mudanças no humor, com maior risco de depressão;
    • Distúrbios de sono, incluindo insônia e noites de sono de má qualidade.

    Ter cortisol baixo também pode ser um problema?

    Quando a produção do cortisol diminui além do esperado, o corpo perde a capacidade de responder bem ao estresse e de manter o equilíbrio de energia ao longo do dia.

    Segundo Juliana, isso pode estar relacionado a uma condição conhecida como insuficiência adrenal (ou doença de Addison), na qual as glândulas suprarrenais não conseguem produzir cortisol em quantidade suficiente.

    Os principais sinais de cortisol baixo incluem:

    • Cansaço extremo que não melhora com descanso;
    • Fraqueza muscular;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Tontura e queda de pressão;
    • Episódios de hipoglicemia;
    • Náuseas e mal-estar;
    • Irritabilidade e dificuldade de manter o foco.

    A condição exige avaliação médica, porque o organismo depende do cortisol para manter a pressão arterial, regular a glicose e responder a situações de estresse.

    Como é feita a avaliação dos níveis de cortisol?

    A avaliação dos níveis de cortisol é feita por meio de exames que medem a quantidade do hormônio no organismo ao longo do dia, já que a produção varia naturalmente entre manhã e noite. Juliana aponta os principais exames:

    • Cortisol sérico (sangue): coletado normalmente pela manhã, quando o hormônio está no pico natural. Ele ajuda a identificar aumentos ou quedas importantes na produção;
    • Cortisol urinário de 24 horas: a urina é coletada durante um dia inteiro para medir a quantidade total de cortisol livre produzida no período. É útil para investigar aumento persistente do hormônio;
    • Cortisol salivar noturno: avalia a concentração do hormônio à noite, horário em que o nível deveria estar baixo. Valores elevados ajudam no diagnóstico de produção excessiva de cortisol.

    Vale destacar que o resultado sempre deve ser interpretado junto com a avaliação do ritmo diário do hormônio, do histórico da pessoa e de outros exames complementares.

    Como diminuir o cortisol alto e mantê-lo em equilíbrio?

    Como o cortisol é o hormônio do estresse, a melhor maneira de diminuir os níveis é ajustar hábitos diários para ajudar o organismo a sair do estado constante de alerta. Algumas mudanças na rotina já fazem diferença, como:

    • Prática regular de atividade física, que ajuda no metabolismo e na regulação hormonal;
    • Alimentação balanceada, evitando estimulantes em excesso, como cafeína e açúcar;
    • Higiene do sono, mantendo sono adequado e regular, evitando telas à noite e buscando um ambiente escuro e confortável;
    • Técnicas de relaxamento, como respiração profunda;
    • Manter vida social e momentos de lazer, que reduzem o estresse e ajudam a equilibrar os níveis de cortisol.

    Se mesmo com ajustes na rotina, técnicas de relaxamento, alimentação equilibrada e melhora do sono, os sintomas de desequilíbrio persistirem, é fundamental procurar ajuda de um médico.

    A longo prazo, o cortisol alto pode favorecer o ganho de peso, prejudicar o metabolismo, aumentar o risco cardiovascular e alterar o funcionamento de vários sistemas do organismo.

    Leia também: Tirzepatida é aprovada para apneia do sono: o que isso significa

    Perguntas frequentes

    Dormir mal aumenta o cortisol?

    O ato de dormir pouco ou dormir com interrupções altera o ciclo circadiano, que controla a liberação natural do hormônio. O corpo interpreta a privação de sono como um estressor e mantém a liberação alta mesmo quando deveria reduzir.

    Além disso, uma noite mal dormida faz o organismo despertar cansado, menos focado e ainda mais vulnerável ao estresse do dia seguinte, criando um ciclo prejudicial. Com o tempo, o padrão interfere no humor, na memória, na regulação da glicose e na disposição física.

    O uso de café e energéticos aumenta o cortisol?

    O consumo frequente de cafeína estimula o sistema nervoso central e aumenta a liberação do hormônio, especialmente quando ingerido em grande quantidade ou próximo da hora de dormir.

    A substância prolonga o estado de alerta e prejudica o descanso, favorecendo um padrão de liberação irregular do hormônio. O uso de energéticos também interfere no ritmo natural do organismo, aumentando a sensação de tensão e contribuindo para noites mal dormidas.

    Qual vitamina regula o cortisol?

    A vitamina mais associada ao controle natural do cortisol é a vitamina C, que atua diretamente no funcionamento das glândulas adrenais, responsáveis pela produção do hormônio.

    Quando o organismo enfrenta períodos longos de estresse, a demanda por vitamina C aumenta, e o corpo passa a utilizá-la mais rapidamente. Por isso, o consumo regular de alimentos ricos no nutriente ajuda a evitar uma liberação exagerada de cortisol e favorece uma recuperação mais rápida após momentos de tensão.

    Algumas boas fontes de vitamina C incluem laranja, kiwi, acerola, morango, pimentão e brócolis são boas fontes. Além da vitamina C, a vitamina D e algumas vitaminas do complexo B também contribuem para o equilíbrio emocional e para o bom funcionamento do sistema nervoso.

    Qual o melhor remédio para baixar o cortisol?

    A escolha do remédio para baixar o cortisol depende totalmente da causa do desequilíbrio, então existe um medicamento único indicado para todas as pessoas.

    O tratamento pode incluir reposição hormonal, ajuste de doses de corticoides já usados ou medicamentos específicos para condições como síndrome de Cushing.

    Quando o aumento está relacionado ao estresse, ansiedade ou depressão, o médico pode recomendar outras abordagens, como terapia, mudanças de estilo de vida ou, em alguns casos, medicamentos para estabilizar o humor e diminuir a resposta ao estresse. É fundamental não se automedicar!

    O cortisol alto afeta a imunidade?

    Quando o hormônio fica elevado por muito tempo, a resposta imunológica fica prejudicada, fazendo com que o organismo tenha mais dificuldade para combater vírus e bactérias. Como consequência, infecções simples podem surgir com mais frequência e em intervalos menores.

    A inflamação também aumenta, deixando o corpo em constante desgaste. A pessoa começa a sentir mais cansaço, demora mais para se recuperar de doenças e nota maior sensibilidade a alergias e irritações na pele.

    O cortisol muda ao longo do ciclo menstrual?

    O hormônio pode sofrer alterações durante o ciclo menstrual, especialmente em períodos de maior sensibilidade emocional ou dor. A fase pré-menstrual costuma deixar o organismo mais reativo, o que facilita o aumento temporário da resposta ao estresse.

    No entanto, quando a oscilação se torna intensa e interfere na rotina, vale conversar com um ginecologista para investigar possíveis desequilíbrios hormonais associados.

    Veja mais: Colesterol HDL: o que é, valores e como aumentar

  • Dor abdominal do lado esquerdo? Veja se pode ser diverticulite 

    Dor abdominal do lado esquerdo? Veja se pode ser diverticulite 

    A diverticulite aguda é uma condição relativamente comum e que costuma gerar muita preocupação quando aparece. Ela envolve a inflamação de pequenos “sacos” que se formam nas paredes do intestino grosso, os divertículos.

    Embora muitas vezes seja leve, pode se tornar séria quando surgem complicações. Por isso, reconhecer os sintomas e procurar atendimento médico rápido é essencial.

    Nos últimos anos, estudos mostraram que alimentação pobre em fibras, constipação crônica e hábitos de vida pouco saudáveis aumentam o risco da doença. A boa notícia é que muitas dessas causas podem ser prevenidas com mudanças simples no dia a dia, especialmente na dieta e nos hábitos de vida.

    O que é a diverticulite aguda?

    A diverticulite aguda é a inflamação de um ou mais divertículos, estruturas em forma de pequenos sacos que se formam em áreas mais frágeis da parede do intestino grosso.

    É importante diferenciar:

    • Diverticulose: presença dos divertículos, sem inflamação.
    • Diverticulite: quando esses divertículos inflamam.

    Os divertículos surgem principalmente pelo aumento da pressão dentro do intestino, muito associado a dietas pobres em fibras e à constipação crônica.

    Principais sintomas

    • Dor abdominal aguda, mais frequente no lado inferior esquerdo
    • Febre
    • Massa palpável no abdômen, percebida no exame físico
    • Constipação ou diarreia, que podem variar conforme a área inflamada

    Complicações possíveis

    A diverticulite pode evoluir para complicações, principalmente quando não tratada.

    Obstrução intestinal

    Acontece pela inflamação ou compressão causada por um abscesso, dificultando a passagem das fezes. Sintomas: dor intensa, náuseas, vômitos, distensão abdominal e constipação.

    Abscesso

    É uma coleção de pus ao redor do divertículo inflamado. A suspeita aumenta quando não há melhora da dor após 3 dias de antibióticos.

    Perfuração

    Acontece quando o divertículo se rompe, permitindo vazamento de conteúdo intestinal para o abdômen. É uma complicação grave, com risco de morte. Sinais importantes: abdômen rígido, distendido e sem ruídos intestinais.

    Fístula

    Comunicação anormal entre o intestino e outros órgãos — mais comum com a bexiga. Pode causar saída de ar ou fezes pela urina e dor ao urinar.

    Causas e fatores de risco

    A diverticulite não tem uma causa única, mas vários fatores contribuem:

    • Dieta rica em carne vermelha e pobre em fibras
    • Sedentarismo
    • Obesidade
    • Tabagismo
    • Consumo excessivo de álcool
    • Uso de medicamentos como corticoides, anti-inflamatórios e opioides
    • Histórico familiar de diverticulite
    • Doenças associadas, como diabetes e doenças cardiovasculares

    Esses fatores favorecem um ambiente inflamatório crônico e mudanças na microbiota intestinal, que aumentam o risco de inflamação dos divertículos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico envolve:

    • Avaliação clínica dos sintomas e exame físico
    • Exames laboratoriais, que podem mostrar infecção ou inflamação
    • Exames de imagem, como ultrassom, tomografia ou ressonância, que confirmam a inflamação e identificam complicações

    Outros exames podem ser realizados para descartar outras causas de dor abdominal.

    Tratamento

    O tratamento depende da gravidade:

    Casos leves

    Podem ser tratados em casa com:

    • Dieta líquida ou pastosa temporariamente
    • Analgésicos
    • Antibióticos (decisão individualizada pelo médico)

    Casos moderados a graves

    Requerem internação com:

    • Antibióticos endovenosos
    • Hidratação venosa
    • Jejum inicial, com retorno gradual da dieta
    • Reavaliação por exames caso não haja melhora após 2 a 3 dias

    Complicações

    Na maioria dos casos complicados, o tratamento cirúrgico é indicado.

    Prevenção

    A prevenção passa principalmente por mudanças no estilo de vida:

    • Dieta rica em fibras (frutas, verduras, legumes, grãos)
    • Beber água regularmente
    • Praticar atividade física
    • Perder peso, se necessário
    • Cessar tabagismo
    • Evitar uso frequente de anti-inflamatórios

    Essas medidas ajudam a reduzir a pressão no intestino e a manter o trânsito intestinal regular.

    Confira: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

    Perguntas frequentes sobre diverticulite aguda

    1. Diverticulite sempre precisa de antibiótico?

    Não. O uso é individualizado e depende da avaliação médica.

    2. É preciso fazer cirurgia sempre que tenho diverticulite?

    Não. A maioria dos casos melhora com tratamento clínico. A cirurgia é reservada para complicações.

    3. A dor da diverticulite é sempre no lado esquerdo?

    Geralmente sim, mas pode variar conforme a área do intestino afetada.

    4. Quem já teve diverticulite pode ter de novo?

    Sim, especialmente se não fizer mudanças no estilo de vida.

    5. A diverticulose vira diverticulite?

    Pode virar, mas nem sempre. Muitas pessoas têm divertículos sem inflamação ao longo da vida.

    6. Como saber se meu caso é grave?

    Febre alta, dor intensa e piora progressiva são sinais de alerta — procure atendimento imediatamente.

    Veja mais: Apendicite aguda: como reconhecer os sintomas e quando correr para o hospital

  • Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação 

    Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação 

    A toxoplasmose é uma infecção muito comum no mundo todo, geralmente silenciosa e sem grandes impactos para a maioria das pessoas. Durante a gestação, porém, ela ganha uma relevância completamente diferente. Isso porque, quando a mulher é infectada pela primeira vez enquanto está grávida, o parasita pode atravessar a placenta e atingir o bebê, o que gera uma série de complicações que variam de leves a graves.

    Graças ao pré-natal e a exames específicos, hoje é possível identificar precocemente quem já está imune, quem nunca teve contato com o parasita e quem pode ter adquirido a infecção recentemente. Essa diferenciação é essencial para decidir o tratamento adequado e reduzir o risco de transmissão para o feto.

    O que é toxoplasmose?

    A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii. Ele está presente no mundo inteiro, mas é mais comum em países tropicais. Em adultos saudáveis, costuma ser assintomática, porém na gestação pode trazer riscos ao bebê, principalmente quando a infecção ocorre pela primeira vez.

    Como ocorre a infecção

    O parasita tem dois tipos de hospedeiros:

    • Gatos: são os hospedeiros definitivos, pois é neles que o T. gondii se reproduz;
    • Humanos e outros animais: atuam como hospedeiros intermediários, onde o parasita vive, mas não completa seu ciclo.

    A infecção pode ocorrer por:

    • Consumir carne crua ou mal passada contaminada
    • Contato com fezes de gato infectado (como ao limpar a caixa de areia)
    • Ingestão de água ou alimentos contaminados
    • Transmissão vertical, quando a mãe adquire a infecção pela primeira vez na gestação e o parasita passa para o bebê

    Como é feito o diagnóstico

    Durante o pré-natal, o exame de sangue para toxoplasmose é essencial. Ele identifica dois tipos de anticorpos:

    • IgM – indica infecção recente
    • IgG – indica infecção antiga, mostrando que a pessoa já teve contato e está imune

    Com esses resultados, o médico classifica a gestante como:

    • Suscetível (nunca teve a infecção)
    • Imune
    • Com suspeita de infecção recente

    Quando há dúvida sobre o tempo da infecção, são feitos exames complementares, como:

    • Teste de avidez de IgG, que mostra há quanto tempo o organismo foi infectado
    • Amniocentese, que avalia se o bebê foi contaminado, buscando o DNA do parasita no líquido amniótico

    Tratamento e prevenção na gravidez

    O tratamento pode reduzir pela metade o risco de transmissão para o bebê quando a infecção é recente. Caso o feto já esteja infectado, são usados outros medicamentos específicos, sempre com acompanhamento rigoroso.

    Durante o tratamento, recomenda-se:

    • Exames de sangue frequentes
    • Ultrassonografias quinzenais para monitorar o bem-estar do bebê

    Como prevenir a toxoplasmose

    As medidas mais importantes são:

    • Evitar carne crua ou mal passada
    • Congelar carnes antes do preparo
    • Lavar bem frutas, verduras e legumes
    • Beber apenas água filtrada ou fervida
    • Usar luvas ao manipular carne crua, terra ou jardins
    • Evitar contato com fezes de gato
    • Alimentar gatos apenas com ração, nunca com carne crua
    • Limpar a caixa de areia diariamente, usando luvas

    Orientações importantes para gestantes

    • Fazer o teste de toxoplasmose na primeira consulta do pré-natal
    • Se for suscetível, repetir o exame mensalmente
    • Manter rigor nas medidas de higiene e alimentação
    • Gestantes imunes não precisam repetir os exames, mas devem manter cuidados básicos
    • A amamentação é segura, mesmo em casos de toxoplasmose

    Toxoplasmose congênita

    Acontece quando a mãe adquire toxoplasmose durante a gestação e o parasita atravessa a placenta. Pode causar:

    • Icterícia
    • Coriorretinite (inflamação nos olhos)
    • Convulsões
    • Atraso no desenvolvimento
    • Microcefalia ou calcificações cerebrais
    • Aumento do fígado e do baço

    Alguns bebês nascem sem sintomas, mas podem desenvolver problemas meses ou anos depois.

    Risco conforme o período da gestação

    • Início da gestação: menor chance de transmissão, mas maior gravidade (risco de aborto e sequelas)
    • 10 a 24 semanas: período de maior risco de complicações
    • Final da gestação: maior chance de transmissão, mas com menor gravidade

    Critérios para diagnóstico da toxoplasmose congênita

    O diagnóstico é confirmado quando há pelo menos uma das seguintes evidências:

    • DNA do parasita no líquido amniótico
    • Anticorpos IgM ou IgA reagentes até o 6º mês de vida e IgG reagente
    • IgG anti–T. gondii crescente em amostras seriadas nos primeiros 12 meses
    • IgG persistente após 12 meses
    • Mãe com toxoplasmose confirmada e bebê com sintomas compatíveis

    Confira: Teste do Pezinho: tudo o que os pais precisam saber

    Perguntas frequentes sobre toxoplasmose na gravidez

    1. Toda gestante com toxoplasmose passa a infecção para o bebê?

    Não. O risco depende do momento da infecção, mas o tratamento reduz significativamente a chance de transmissão.

    2. Quem já teve toxoplasmose pode engravidar sem riscos?

    Sim. Gestantes imunes (IgG positivo e IgM negativo) praticamente não têm risco de transmissão.

    4. Limpar a caixa de areia do gato é proibido na gravidez?

    Não é proibido, mas deve ser feita com luvas e diariamente, e preferencialmente por outra pessoa.

    5. Congelar a carne elimina o parasita?

    Sim. O congelamento adequado ajuda a eliminar os cistos.

    6. A toxoplasmose passa pelo leite materno?

    Não. A amamentação é segura.

    7. É possível ter toxoplasmose mais de uma vez?

    Reinfecções são raras, mas podem ocorrer em pessoas com imunidade muito comprometida.

    Veja mais: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

  • Colesterol HDL: o que é, valores e como aumentar

    Colesterol HDL: o que é, valores e como aumentar

    Presente na proteção das artérias e no equilíbrio do metabolismo das gorduras, o colesterol HDL é uma lipoproteína que participa ativamente da remoção do colesterol em excesso da circulação — processo fundamental para manter os vasos saudáveis ao longo dos anos.

    Não é à toa que ele é conhecido como colesterol bom, já que contribui diretamente para reduzir o acúmulo de gordura nas paredes arteriais e ajuda a preservar a fluidez do sangue.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como o HDL protege o coração e a importância para a saúde cardiovascular. Confira!

    O que é colesterol HDL?

    O colesterol HDL, sigla para High Density Lipoprotein, é uma lipoproteína de alta densidade responsável por transportar colesterol pelo sangue de uma maneira que favorece a proteção cardiovascular.

    É uma partícula pequena, densa e altamente funcional, que atua recolhendo o colesterol acumulado nas paredes vasculares e levando-o de volta ao fígado para metabolização — evitando o acúmulo que daria origem a placas de gordura.

    Segundo Juliana, o HDL é chamado de colesterol bom justamente porque cumpre um papel de limpeza arterial: ele remove o colesterol em excesso presente nos tecidos e vasos, evitando a formação de placas, e leva esse material de volta ao fígado, onde será processado e eliminado pelo organismo.

    Como o colesterol bom atua no corpo?

    O mecanismo de proteção é conhecido como transporte reverso do colesterol, como explica Juliana.

    O fígado produz colesterol e o distribui pelo organismo — e quando há aumento de colesterol LDL (ou colesterol ruim), ocorre a deposição de gordura nos vasos, favorecendo a formação de placas que levam ao processo chamado aterosclerose, condição que aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

    O HDL realiza o transporte reverso ao recolher o colesterol acumulado nas células, nas placas e nas paredes arteriais, conduzindo tudo de volta ao fígado. No fígado, o material é metabolizado e posteriormente eliminado pelo organismo.

    Dessa maneira, o HDL impede o acúmulo de colesterol que desencadeia aterosclerose e reduz o risco de complicações cardiovasculares. Além disso, Juliana aponta que ele possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que auxiliam na proteção das paredes arteriais.

    Quais os sintomas de HDL baixo?

    Os valores baixos de colesterol HDL não causam sintomas diretos, pois é uma alteração silenciosa que só aparece em exames de sangue.

    No entanto, níveis reduzidos podem sinalizar maior tendência a doenças cardiovasculares no futuro, especialmente quando combinados com LDL elevado, triglicerídeos altos, obesidade, sedentarismo ou resistência à insulina.

    Por não causar sintomas imediatos, o diagnóstico depende exclusivamente de check-ups regulares, pois as pessoas costumam descobrir HDL baixo durante consultas de rotina. Em situações de risco acentuado, o HDL reduzido pode fazer parte de um quadro maior chamado dislipidemia aterogênica, comum em pessoas com síndrome metabólica.

    Como é feito o diagnóstico de colesterol HDL baixo?

    O diagnóstico de colesterol HDL baixo é realizado por meio do perfil lipídico, exame de sangue que mede HDL, LDL, triglicerídeos e colesterol total. A coleta é simples e, na maioria dos casos, pode ser feita sem jejum, embora alguns laboratórios ainda solicitem jejum curto para maior precisão dos triglicerídeos.

    Os valores de referência, segundo as diretrizes e consenso médico, geralmente diferem entre homens e mulheres adultos, e são expressos em miligramas por decilitro (mg/dL)

    Categoria Homens (em mg/dL) Mulheres (em mg/dL)
    Desejável/protetor Maior que 40 Maior que 50
    Excelente/ótimo Maior que 60 Maior que 60
    Baixo risco Menor que 40 Menor que 50

    Níveis que ajudam a reduzir o risco cardiovascular.

    Excelente/ótimo: níveis que conferem proteção significativa contra doenças cardíacas.

    Baixo risco: considerado um fator de risco cardiovascular. Requer atenção.

    Vale lembrar que a interpretação do perfil lipídico sempre deve ser feita por um profissional de saúde, que avaliará o conjunto de fatores de risco da pessoa.

    O que causa colesterol HDL baixo?

    Diversos fatores podem reduzir o HDL, e muitos deles estão ligados ao estilo de vida. Alguns dos principais incluem:

    • Dietas ricas em carboidratos refinados, como pães brancos, bolos e bebidas açucaradas;
    • Sedentarismo;
    • Tabagismo;
    • Obesidade, principalmente quando há acúmulo de gordura abdominal;
    • Resistência à insulina e diabetes tipo 2;
    • Hipotireoidismo;
    • Doenças hepáticas;
    • Uso de determinados medicamentos;
    • Predisposição genética.

    Leia também: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Como aumentar o colesterol HDL?

    De acordo com Juliana, o colesterol HDL pode aumentar principalmente por meio de mudanças no estilo de vida, já que responde pouco a remédios e muito a hábitos saudáveis. Segundo estudos, o aumento do HDL decorrente de medicamentos não oferece a mesma proteção cardiovascular que o aumento obtido por hábitos saudáveis.

    Entre os hábitos que ajudam a aumentar o colesterol HDL naturalmente, é possível destacar:

    • Prática regular de atividade física: os exercícios elevam o HDL de forma consistente, especialmente os aeróbicos, como corrida, natação e ciclismo. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada;
    • Alimentação equilibrada: reduzir gordura trans e excesso de açúcares, além de priorizar gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas. A perda de peso, principalmente quando há gordura abdominal, contribui para elevar o HDL;
    • Consumo de gorduras saudáveis: incluir azeite de oliva, abacate, amendoim, nozes, castanhas e peixes gordurosos, como salmão, sardinha e atum;
    • Aumento no consumo de fibras: optar por aveia, feijão, frutas com casca ou bagaço e vegetais variados para favorecer o equilíbrio do metabolismo lipídico;
    • Parar de fumar: o cigarro reduz o HDL, principalmente em mulheres. Abandonar o tabagismo ajuda a melhorar os níveis do colesterol bom;
    • Regularidade do exercício físico: além de elevar o HDL, atividades aeróbicas frequentes também reduzem o LDL e fortalecem o sistema cardiovascular. O recomendado é manter uma rotina semanal constante para consolidar ganhos.

    Colesterol HDL alto demais faz mal?

    Apesar do efeito protetor no sistema cardiovascular, níveis extremamente altos de colesterol HDL podem sinalizar alterações genéticas que tornam o HDL disfuncional.

    Quando isso acontece, a partícula até circula em grande quantidade, mas não cumpre adequadamente o transporte reverso do colesterol, deixando de remover o colesterol LDL acumulado nas artérias. Em vez de exercer proteção, ele se torna uma lipoproteína com funcionamento inadequado, incapaz de cumprir o papel esperado na prevenção da aterosclerose.

    Por isso, Juliana finaliza apontando que níveis extremamente altos também precisam de avaliação médica com cardiologista.

    Confira: Colesterol alto tem solução! Veja como é o tratamento

    Perguntas frequentes

    O HDL protege contra infarto?

    A proteção acontece por meio do transporte reverso de colesterol, pois o HDL recolhe gordura acumulada nos vasos e leva ao fígado para metabolização. Com isso, reduz a formação de placas de gordura que provocam obstruções. Quando a remoção funciona corretamente, há menor chance de desenvolver aterosclerose, processo que aumenta o risco de infarto e AVC.

    O HDL pode piorar com dietas muito restritivas?

    Sim, dietas muito pobres em gorduras boas prejudicam a formação de partículas de HDL e podem reduzir a eficiência do transporte reverso de colesterol. O organismo precisa de gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas para manter equilíbrio metabólico — e reduções drásticas podem impactar negativamente o HDL.

    Quem tem HDL baixo precisa tomar remédio?

    A indicação de remédios raramente tem como objetivo aumentar o HDL, porque estudos mostram que fármacos voltados para isso não geram o mesmo efeito protetor que mudanças no estilo de vida. Quando o HDL está baixo, o tratamento costuma focar nos fatores que causaram o desequilíbrio, como triglicerídeos altos, resistência à insulina, obesidade abdominal, hipertensão ou aumento do LDL.

    Em muitos casos, o cardiologista orienta o uso de estatinas ou outros medicamentos para controlar o LDL, já que o colesterol ruim é o principal fator ligado ao risco cardiovascular. O aumento do HDL costuma aparecer como resultado de uma melhora geral do metabolismo e não como efeito direto de remédios.

    Por que o HDL costuma ser mais baixo em quem fuma?

    O tabagismo aumenta a inflamação sistêmica, reduz atividade de enzimas protetoras e provoca dano direto ao endotélio. Além disso, as substâncias presentes no cigarro interferem na capacidade do organismo de produzir partículas funcionais de HDL. Segundo estudos, fumantes apresentam queda significativa no HDL, e mulheres sofrem impacto ainda maior.

    Quando há abandono definitivo do cigarro, ocorre recuperação progressiva do metabolismo lipídico, e o HDL tende a subir ao longo dos meses.

    Quais alimentos ajudam a elevar o HDL?

    A combinação de fibras com gorduras saudáveis favorece a remoção de gordura dos vasos e potencializa a ação do HDL:

    • Azeite de oliva;
    • Abacate;
    • Amêndoas;
    • Nozes;
    • Castanha-do-pará;
    • Sardinha;
    • Salmão;
    • Atum;
    • Sementes;
    • Feijão;
    • Aveia;
    • Frutas com casca ou bagaço;
    • Vegetais variados.

    Leia mais: Novas metas de colesterol em 2025: valores mais rígidos para proteger seu coração

  • Como a doença de Chagas é transmitida e por que ainda preocupa

    Como a doença de Chagas é transmitida e por que ainda preocupa

    A doença de Chagas é uma daquelas condições que muita gente já ouviu falar, mas poucas pessoas realmente entendem como ela funciona. Descoberta há mais de um século, ela continua sendo um desafio de saúde pública em várias regiões das Américas, especialmente onde o inseto transmissor, o famoso barbeiro, ainda encontra condições favoráveis para viver.

    Apesar da imagem tradicional ligada ao inseto, hoje sabemos que a transmissão pode ocorrer de outras formas, como durante a gravidez, por alimentos contaminados (como caldo de cana ou açaí não pasteurizados) ou por transfusões de sangue não testadas.

    Com os avanços na medicina, ficou mais claro como o parasita Trypanosoma cruzi age no corpo e por que ele pode causar problemas tanto logo após a infecção quanto anos depois.

    O que é a doença de Chagas?

    A doença de Chagas, também chamada de tripanossomíase americana, é uma infecção causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. A transmissão ocorre principalmente por meio do inseto barbeiro, mas pode acontecer também por alimentos contaminados, transfusão de sangue, transplante de órgãos ou da mãe para o bebê durante a gestação.

    Como a doença é transmitida

    Via tradicional: o barbeiro

    O barbeiro vive em frestas de casas de barro ou madeira, comuns em áreas rurais. Ele se alimenta de sangue, geralmente à noite. Após picar, costuma defecar perto da ferida; as fezes podem conter o parasita. Quando a pessoa coça o local, o T. cruzi entra no corpo pela pele, olhos ou boca.

    Outras formas de transmissão

    • Alimentos contaminados com fezes do barbeiro infectado
    • Transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados
    • Transmissão vertical, da mãe para o bebê durante a gravidez ou parto

    Como o parasita age no corpo

    Depois de entrar no organismo, o Trypanosoma cruzi invade células, multiplica-se e se espalha pelo sangue. Ele pode atingir vários órgãos, principalmente:

    • Coração, causando inflamações e alterações no ritmo cardíaco
    • Sistema digestivo, afetando esôfago e intestino

    Essas alterações explicam as complicações cardíacas e digestivas vistas na fase crônica.

    Fases da doença e sintomas

    A doença de Chagas tem duas fases principais: aguda e crônica.

    Fase aguda

    Dura semanas a alguns meses após a infecção. Em muitos casos passa despercebida, mas pode apresentar:

    • Febre prolongada (mais de 7 dias)
    • Cansaço e fraqueza
    • Dor de cabeça
    • Inchaço no rosto ou pernas
    • Mancha avermelhada no local da picada (chagoma)
    • Sinal de Romaña: inchaço de um dos olhos quando o parasita entra pela mucosa ocular

    Em alguns casos, há miocardite, inflamação no músculo cardíaco, que exige atenção médica imediata.

    Fase crônica

    Após a fase aguda, muitas pessoas entram na fase indeterminada, sem sintomas, que pode durar anos ou a vida toda. Entre 10% e 30% desenvolvem formas graves.

    Forma cardíaca

    • Palpitações
    • Tonturas e desmaios
    • Falta de ar
    • Aumento do coração e insuficiência cardíaca
    • Risco de arritmias e morte súbita

    Forma digestiva

    • Dificuldade para engolir (megaesôfago)
    • Prisão de ventre grave e aumento do intestino grosso (megacólon)
    • Dor abdominal e perda de peso

    Diagnóstico

    O diagnóstico varia conforme a fase:

    • Fase aguda: o parasita pode ser visto no exame de sangue.
    • Fase crônica: exames sorológicos detectam anticorpos anti–T. cruzi.

    Em situações específicas, exames de biologia molecular (PCR) podem ser utilizados para confirmar a infecção.

    Tratamento

    Existem dois medicamentos principais usados para tratar a doença de Chagas. Eles reduzem a duração e a gravidade da doença e aumentam a expectativa de vida.

    Na fase aguda, o tratamento é recomendado para todas as idades.

    Na fase crônica, o benefício varia e deve ser discutido entre médico e paciente, avaliando riscos e efeitos adversos.

    Além disso, complicações cardíacas e digestivas podem exigir:

    • Remédios específicos
    • Cirurgias
    • Transplante cardíaco, em casos graves

    Prevenção

    As principais recomendações incluem:

    • Melhorar condições de moradia, fechando rachaduras
    • Usar inseticidas residuais em áreas de risco
    • Evitar alimentos e bebidas de procedência duvidosa em regiões endêmicas
    • Testar sangue e órgãos doados
    • Fazer acompanhamento pré-natal em mulheres infectadas

    Prognóstico

    A maioria das pessoas se recupera bem na fase aguda, especialmente com tratamento precoce. Na fase crônica, a evolução é lenta e varia caso a caso. Mesmo quem não apresenta sintomas deve manter acompanhamento médico regular para identificar possíveis complicações.

    Veja também: Taquicardia sinusal: o que é, causas e se é perigoso

    Perguntas frequentes sobre Doença de Chagas

    1. Ainda existe doença de Chagas no Brasil?

    Sim. Embora o controle do barbeiro tenha avançado, ainda há transmissão, especialmente por alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana.

    2. Posso pegar doença de Chagas ao conviver com alguém infectado?

    Não. A doença não é transmitida por contato pessoal, saliva ou relações cotidianas.

    3. Toda infecção evolui para problemas cardíacos?

    Não. A maioria das pessoas permanece assintomática, mas uma parte desenvolve complicações ao longo dos anos.

    4. Gestantes infectadas sempre passam a doença para o bebê?

    Não. A transmissão vertical pode acontecer, mas o acompanhamento pré-natal reduz o risco.

    5. A doença de Chagas tem cura?

    Os medicamentos podem eliminar o parasita, especialmente quando usados no início da infecção. Nos casos crônicos, o benefício depende de cada situação clínica.

    6. Existe vacina contra a doença de Chagas?

    Ainda não, mas há pesquisas em andamento.

    7. O barbeiro sempre transmite a doença?

    Não. Só os barbeiros infectados pelo T. cruzi transmitem a doença.

    Veja mais: Cardiopatia chagásica: saiba mais sobre a complicação provocada pela doença de chagas

  • Eritroblastose Fetal: entenda o que é e o que ela pode causar no bebê

    Eritroblastose Fetal: entenda o que é e o que ela pode causar no bebê

    A Eritroblastose Fetal, também chamada de Doença Hemolítica Perinatal, é uma condição que tem a atenção dos médicos justamente por envolver algo que parece simples, mas não é: a compatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. Ela começou a ser melhor compreendida quando se descobriu que algumas gestantes desenvolviam anticorpos capazes de atacar as células sanguíneas do feto, o que levava a complicações que vão de icterícia a anemia grave.

    Com o aprofundamento dos estudos sobre o sistema Rh, ficou claro por que isso acontece e, principalmente, como evitar. Hoje, sabemos que a prevenção depende de identificar gestantes com esse risco e agir no momento certo. Conhecer esse mecanismo não só ajuda a garantir uma gravidez mais segura, como também evita problemas em futuras gestações.

    O que é a Eritroblastose Fetal

    A Eritroblastose Fetal, também chamada de Doença Hemolítica do Recém-nascido, acontece quando o sangue da mãe e do bebê não são compatíveis e o organismo materno passa a produzir anticorpos que destroem os glóbulos vermelhos do feto. O tipo mais comum dessa incompatibilidade é o sistema Rh.

    Durante a gestação ou no momento do parto, pode ocorrer uma pequena mistura de sangue entre mãe e bebê. Se o organismo materno reconhecer esse sangue como estranho, ele produz anticorpos em um processo chamado aloimunização.

    Esses anticorpos atravessam a placenta e atacam as células vermelhas do bebê, causando anemia, icterícia e, nos casos mais graves, inchaço generalizado e complicações que podem colocar a vida em risco.

    Como funciona a incompatibilidade Rh

    O fator Rh é definido pela presença ou ausência do antígeno D na superfície das hemácias:

    • Rh positivo (Rh+): possui o antígeno D
    • Rh negativo (Rh−): não possui o antígeno D

    A forma mais comum da doença ocorre quando a mãe é Rh negativo e o bebê é Rh positivo.

    Por que isso acontece?

    Na primeira gestação, normalmente não há risco para o bebê. Nessa fase, o organismo da mãe produz anticorpos do tipo IgM, que não atravessam a placenta.

    O problema aparece nas gestações seguintes. Isso porque o corpo da mãe aprende a reconhecer o sangue Rh positivo e passa a produzir anticorpos IgG, que conseguem atravessar a placenta e destruir as hemácias do feto, desencadeando a eritroblastose fetal.

    Quais são os sintomas no bebê?

    A intensidade dos sintomas depende do grau de destruição das hemácias. Os sinais mais comuns são:

    • Palidez, por causa da anemia
    • Icterícia (pele e olhos amarelados) nas primeiras 24 horas de vida
    • Aumento da frequência cardíaca e respiratória (taquicardia e taquipneia)
    • Inchaço generalizado (hidropisia fetal) nos casos graves
    • Aumento do fígado e do baço

    Quando o quadro é severo, o bebê pode precisar de tratamento imediato após o nascimento.

    Como é feito o diagnóstico?

    Durante o pré-natal, a gestante faz exames de sangue para identificar seu tipo sanguíneo e verificar se existe risco de incompatibilidade Rh.

    Se a mãe for Rh negativo e o pai Rh positivo, é necessário um acompanhamento mais detalhado para avaliar se houve produção de anticorpos. Em alguns casos, pode ser possível identificar o fator Rh do bebê ainda na gestação.

    O feto também pode ser monitorado por ultrassonografia com Doppler, exame que avalia o fluxo sanguíneo no cérebro e ajuda a detectar anemia.

    Após o nascimento, o bebê passa por exames que verificam:

    • Tipo sanguíneo
    • Presença de anticorpos
    • Níveis de bilirrubina (substância que causa icterícia)

    Qual é o tratamento?

    Casos leves

    Geralmente são tratados com fototerapia, um banho de luz especial que ajuda o corpo do bebê a eliminar o excesso de bilirrubina.

    Casos graves

    Podem exigir:

    • Transfusão de sangue após o nascimento
    • Transfusão intrauterina, realizada ainda durante a gestação para corrigir a anemia do feto

    Como prevenir a eritroblastose fetal

    A prevenção passa por um pré-natal regular, com realização dos exames indicados para identificar gestantes com risco de aloimunização.

    A principal medida preventiva é a aplicação da imunoglobulina anti-D (anti-Rh), que impede que o corpo da mãe desenvolva anticorpos contra o sangue do bebê.

    Ela deve ser aplicada:

    • Por volta da 28ª semana de gestação
    • Até 72 horas após o parto, caso o bebê seja Rh positivo

    Essa é a forma mais eficaz de garantir segurança para a gestação atual e para as próximas.

    Confira: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes sobre eritroblastose fetal

    1. A eritroblastose fetal pode aparecer na primeira gestação?

    Geralmente não. O risco é maior nas gestações seguintes, quando o corpo da mãe já produziu anticorpos capazes de atravessar a placenta.

    2. Toda mãe Rh negativo tem risco?

    O risco só existe se o bebê for Rh positivo. Por isso os exames de pré-natal são tão importantes.

    3. A imunoglobulina anti-D é segura?

    Sim. É um medicamento amplamente utilizado e considerado seguro para prevenir a doença.

    4. O bebê sempre desenvolve sintomas graves?

    Não. Há quadros leves que melhoram com fototerapia, mas casos graves exigem tratamento imediato.

    5. Como saber se o bebê está anêmico durante a gravidez?

    O médico pode avaliar o fluxo sanguíneo no cérebro do feto por meio de Doppler, que ajuda a identificar sinais de anemia.

    6. Se a mãe já recebeu imunoglobulina em uma gestação anterior, precisa repetir?

    Sim. A imunoglobulina deve ser aplicada em todas as gestações de risco.

    7. A doença pode ser totalmente evitada?

    Na maioria dos casos, sim, desde que a gestante faça pré-natal adequado e receba a imunoglobulina anti-D nos momentos indicados.

    Veja mais: Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários

  • Dor de cabeça tensional: como aliviar o tipo mais comum de dor de cabeça

    Dor de cabeça tensional: como aliviar o tipo mais comum de dor de cabeça

    A dor de cabeça tensional, ou cefaleia tensional, é uma das dores mais comuns na população e uma das principais causas de desconforto no dia a dia. Ela costuma surgir em períodos de estresse, tensão muscular ou cansaço prolongado, e afeta até o humor e a produtividade. Apesar de não estar ligada a doenças graves, quem convive com esse tipo de dor sabe o quanto ela pode ser persistente e incômoda.

    Ao contrário da enxaqueca, a cefaleia tensional tem características próprias e não costuma vir acompanhada de náuseas, vômitos ou grande sensibilidade à luz e ao som.

    O que é a cefaleia tensional?

    A dor de cabeça tensional é uma cefaleia primária, ou seja, não é causada por outra condição médica. Ela surge quando há tensão muscular, estresse emocional ou fadiga, e pode ser episódica ou crônica. Há três subtipos:

    • Episódica infrequente: até 1 dia no mês
    • Episódica frequente: de 1 a 14 dias por mês
    • Crônica: 15 dias ou mais ao mês, por no mínimo 3 meses

    A dor costuma ter as mesmas características, mas a frequência define o impacto no cotidiano e o tipo de manejo indicado pelo médico.

    Como é a dor da cefaleia tensional

    A dor típica é descrita como pressão ou aperto, semelhante à sensação de um “capacete apertado” ao redor da cabeça. Geralmente acontece dos dois lados (bilateral), pode se espalhar ao longo da cabeça e tem intensidade leve a moderada.

    A duração varia de 30 minutos a vários dias. Diferente da enxaqueca, a cefaleia tensional não apresenta aura, que são aqueles sintomas visuais, de formigamento, entre outros.

    Além da dor em pressão, podem surgir sensibilidade no couro cabeludo, dor no pescoço e nos ombros, irritabilidade e dificuldade de concentração.

    Por que ela acontece?

    Os mecanismos exatos da dor de cabeça tensional ainda não são totalmente compreendidos, mas sabe-se que vários fatores contribuem para desencadear a cefaleia tensional.

    Alguns deles são:

    • Estresse emocional;
    • Ansiedade
    • Postura inadequada ao usar computador ou celular;
    • Noites mal dormidas;
    • Tensão nos músculos da mandíbula (como apertar os dentes);
    • Fadiga física ou mental.

    Na maior parte das vezes, há uma combinação de fatores atuando ao mesmo tempo.

    Sintomas mais comuns

    Os sintomas envolvem a dor em pressão, geralmente bilateral, acompanhada ou não de desconforto no pescoço e ombros.

    Ao contrário da enxaqueca, não há náuseas, vômitos ou sensibilidade intensa à luz ou ao som. Muitos pacientes relatam irritabilidade e sensação de peso na cabeça.

    A dor de cabeça tensional é perigosa?

    Na maioria dos casos, não. Trata-se de uma condição benigna, ainda que incômoda.

    Porém, dores de cabeça que mudam de padrão, se tornam muito intensas ou vêm acompanhadas de sinais neurológicos, como dificuldade para falar, fraqueza, febre alta, desmaio ou alteração de comportamento, devem ser avaliadas imediatamente por um médico.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado na história da dor e no exame físico. Em geral, não são necessários exames complementares, a não ser que haja sinais de alerta ou suspeita de outra condição associada.

    Tratamento da cefaleia tensional

    O tratamento inclui medidas simples de autocuidado: descanso adequado, relaxamento dos músculos do pescoço e ombros, massagem, compressas mornas, correção da postura, hidratação e sono regular. A prática de atividade física também ajuda no controle das crises.

    Quando necessário, podem ser usados analgésicos simples, como dipirona ou paracetamol, sempre com orientação médica. O uso excessivo deve ser evitado para prevenir a cefaleia por abuso de medicação.

    Nos casos frequentes ou crônicos, o médico pode indicar tratamento preventivo com medicamentos, fisioterapia, técnicas de relaxamento ou manejo do estresse.

    Como prevenir novas crises

    Algumas medidas ajudam bastante a reduzir a frequência das dores: fazer pausas durante o trabalho, ajustar a postura, alongar pescoço e ombros, manter boa hidratação, praticar exercícios físicos e preservar uma rotina de sono estável. Reduzir o estresse cotidiano também é fundamental.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

    Perguntas frequentes sobre dor de cabeça tensional

    1. Dor de cabeça tensional é o mesmo que enxaqueca?

    Não. Elas têm mecanismos diferentes. A cefaleia tensional causa dor em pressão, enquanto a enxaqueca envolve dor pulsátil e sintomas como náuseas e sensibilidade intensa à luz.

    2. Estresse causa dor de cabeça tensional?

    Sim. É um dos principais gatilhos, ao lado de postura inadequada e fadiga.

    3. Preciso fazer exames para confirmar o diagnóstico?

    Na maioria dos casos, não. O diagnóstico é clínico.

    4. A dor de cabeça tensional tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas é possível controlar e prevenir as crises com hábitos saudáveis e orientações médicas.

    5. Analgésicos podem piorar a dor?

    Sim. O uso excessivo pode causar cefaleia por abuso de medicação.

    6. Dormir mal piora os episódios?

    Sim. Noites mal dormidas aumentam a tensão muscular e favorecem novas crises.

    7. É uma dor perigosa?

    Não costuma ser. Mas sinais de alerta devem ser avaliados por um médico.

    Leia mais: Dor de cabeça: quando é normal e quando é sinal de alerta