Autor: Dra. Juliana Soares

  • Bradicardia: o que é, sintomas, causas e o que fazer

    Bradicardia: o que é, sintomas, causas e o que fazer

    Você já sentiu o coração bater mais devagar? Durante o sono, após um treino intenso ou em momentos de relaxamento profundo, é normal que a frequência cardíaca diminua, uma condição conhecida como bradicardia. O corpo humano tem formas naturais de se adaptar, e o ritmo do coração muda conforme a quantidade de oxigênio e energia que o organismo precisa.

    No entanto, quando a lentidão acontece em situações inadequadas ou vem acompanhada de cansaço, tontura e desmaios, pode indicar alterações no sistema elétrico do coração, desequilíbrios hormonais (como o hipotireoidismo) ou efeitos colaterais de remédios. Nesses casos, ela é conhecida como bradicardia patológica e requer a avaliação de um médico.

    Mas como saber quando ela representa um risco? A seguir, explicamos por que a bradicardia acontece, quais são seus sintomas mais comuns e como é feito o diagnóstico.

    O que é bradicardia?

    O termo bradicardia é usado para descrever uma frequência cardíaca abaixo de 50-60 batimentos por minuto (bpm) em adultos. Em condições normais, o coração mantém um ritmo regular para bombear sangue adequadamente, mas quando o ritmo diminui demais, o fluxo sanguíneo pode ser insuficiente para atender às necessidades do corpo.

    Existem situações em que a bradicardia é considerada fisiológica e não indica qualquer problema de saúde. Ela pode ser comum, por exemplo, durante o sono ou em atletas bem condicionados, cujos corações são mais eficientes e conseguem bombear sangue com menos batimentos.

    Porém, em outras circunstâncias, a desaceleração pode ser patológica, indicando algum distúrbio no sistema elétrico do coração ou o efeito de doenças e medicamentos que interferem na condução dos impulsos elétricos responsáveis por coordenar as batidas cardíacas.

    Nesse caso, o coração pode não ser capaz de manter o fluxo sanguíneo adequado, comprometendo o fornecimento de oxigênio para órgãos vitais, como cérebro, rins e músculos.

    Por que atletas podem ter batimentos lentos sem risco?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, o treinamento físico intenso e regular aumenta a eficiência do músculo cardíaco, permitindo que ele bombeie uma quantidade maior de sangue a cada batimento. Por conta disso, o coração consegue suprir as necessidades do organismo com um número menor de batimentos por minuto, o que demonstra uma importante adaptação cardiovascular.

    Assim, é comum que atletas, especialmente os de resistência (como maratonistas) e pessoas com excelente condicionamento físico apresentem bradicardia fisiológica, sem apresentar sintomas ou qualquer repercussão no organismo.

    O que causa bradicardia?

    A bradicardia pode ocorrer como uma resposta natural do organismo a determinadas situações, sem representar um problema de saúde. Isso acontece, por exemplo, durante o sono, quando o metabolismo fica mais lento e o corpo entra em estado de repouso, reduzindo naturalmente os batimentos cardíacos.

    Além disso, situações de relaxamento profundo ou exposição ao frio podem diminuir temporariamente a frequência cardíaca, como um mecanismo fisiológico de economia de energia.

    No entanto, em algumas circunstâncias, a bradicardia pode ser causada por doenças ou pelo uso de certos remédios. Entre as causas cardíacas, Juliana destaca:

    • Doenças do nó sinusal, estrutura responsável por gerar e comandar os impulsos elétricos que controlam os batimentos do coração;
    • Bloqueios cardíacos, que são interrupções ou atrasos na condução dos impulsos elétricos entre os átrios e os ventrículos;
    • Infarto prévio e doenças cardíacas congênitas, que podem causar danos ao tecido cardíaco e comprometer o sistema elétrico do coração.

    Entre as condições não cardíacas, também podem provocar bradicardia:

    • Hipotireoidismo, devido à baixa produção dos hormônios da tireoide, que desacelera o metabolismo;
    • Hipoglicemia, quando o nível de açúcar no sangue cai, afetando o funcionamento do sistema nervoso autônomo;
    • Desequilíbrio de eletrólitos, como alterações nos níveis de potássio e magnésio, que interferem na condução elétrica cardíaca;
    • Envelhecimento, que pode degenerar o sistema de condução elétrica natural do coração;
    • Hipotermia, quando a temperatura corporal cai excessivamente, reduzindo o ritmo cardíaco;
    • Miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco que compromete a capacidade do coração de gerar impulsos elétricos adequados.

    Entre os medicamentos que podem reduzir o ritmo cardíaco, estão os betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio, antiarrítmicos e antidepressivos tricíclicos.

    Quais são os sintomas da bradicardia?

    Os sintomas de bradicardia variam conforme o grau de comprometimento da circulação sanguínea. Algumas pessoas permanecem assintomáticas (sem sintomas), enquanto outras apresentam sinais mais evidentes, como:

    • Cansaço excessivo, mesmo em atividades leves;
    • Tontura ou sensação de cabeça leve;
    • Falta de ar;
    • Dor ou pressão no peito;
    • Desmaios (síncope);
    • Confusão mental ou dificuldade de concentração;
    • Pele fria e pálida.

    Em casos mais graves, a bradicardia pode causar parada cardíaca, especialmente quando há falha total na condução elétrica.

    Como é feito o diagnóstico da bradicardia?

    O diagnóstico da bradicardia é realizado por meio de uma avaliação clínica e exames específicos. Segundo Juliana, o principal é o eletrocardiograma (ECG), que registra a atividade elétrica do coração e permite identificar a frequência e o ritmo dos batimentos.

    O médico também pode solicitar o Holter de 24 horas, que monitora o ritmo cardíaco continuamente ao longo de um dia inteiro, possibilitando detectar episódios de bradicardia que ocorrem durante o sono, o repouso ou as atividades cotidianas.

    Podem ser pedidos ainda o ecocardiograma (ultrassom do coração), que avalia a estrutura e a função cardíaca, e exames de sangue para investigar causas reversíveis, como alterações nos níveis de potássio, magnésio ou hormônios da tireoide.

    Como é feito o tratamento da bradicardia?

    O tratamento da bradicardia depende da causa e da presença de sintomas, pois nem toda frequência cardíaca lenta requer intervenção médica.

    Quando o ritmo reduzido é provocado por medicamentos, o médico pode ajustar a dose, trocar ou suspender o uso, caso seja seguro. Em situações em que a bradicardia está associada a doenças como hipotireodismo, desequilíbrios de eletrólitos ou apneia do sono, o foco é corrigir essas condições — o que normalmente leva à normalização do ritmo cardíaco.

    Além do tratamento médico, para manter o coração saudável e reduzir o risco de complicações relacionadas à bradicardia, alguns cuidados são recomendados:

    • Parar de fumar;
    • Evitar o consumo excessivo de álcool e cafeína;
    • Manter uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes;
    • Controlar o peso corporal;
    • Praticar atividade física regular, sempre com orientação profissional;
    • Realizar consultas periódicas com o cardiologista;
    • Monitorar a frequência cardíaca, especialmente em quem usa remédios que afetam o ritmo do coração;
    • Controlar doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide.

    Quando o marcapasso é necessário?

    Quando há falhas significativas no sistema de condução elétrica do coração, o tratamento pode exigir o implante de um marcapasso definitivo.

    O dispositivo, de tamanho reduzido, é colocado sob a pele e tem a função de emitir impulsos elétricos regulares que estimulam o coração a bater em uma frequência adequada e estável, prevenindo sintomas como tonturas, desmaios e fraqueza decorrentes da bradicardia.

    De acordo com Juliana, entre as principais indicações estão os bloqueios atrioventriculares avançados, como:

    • Bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo Mobitz II, caracterizado por interrupções súbitas e imprevisíveis dos batimentos cardíacos;
    • Bloqueio atrioventricular de terceiro grau (bloqueio total), no qual há interrupção completa da comunicação elétrica entre átrios e ventrículos, fazendo com que o coração dependa de um ritmo de escape, muito lento e instável.

    Os bloqueios podem surgir em decorrência da degeneração natural pelo envelhecimento, doença arterial coronariana, infarto prévio, miocardites, doença de Chagas ou uso prolongado de determinados medicamentos.

    Quando o remédio responsável pela bradicardia é indispensável e não existe outra alternativa segura, o implante de marcapasso também pode ser necessário para garantir a frequência cardíaca adequada.

    Como prevenir a bradicardia patológica?

    O principal meio de reduzir os riscos é controlar os fatores de risco cardiovascular e manter hábitos saudáveis, como aponta Juliana:

    • Manter uma alimentação equilibrada e controlar o peso;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
    • Controlar doenças crônicas como hipertensão, diabetes e hipotireoidismo;
    • Seguir sempre as orientações médicas e não usar medicamentos sem prescrição.

    Com os cuidados e acompanhamento médico periódico, é possível detectar alterações precocemente e prevenir complicações associadas à bradicardia.

    Confira: Saiba quando os batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca

    Perguntas frequentes

    A bradicardia é perigosa?

    A bradicardia nem sempre é sinal de problema, e existem casos em que o coração lento é apenas uma adaptação do organismo — como em atletas, pessoas com excelente condicionamento físico ou durante o sono. Nesses casos, o coração é mais eficiente e consegue bombear sangue suficiente com menos batimentos, sem causar sintomas.

    O problema ocorre quando a lentidão impede o corpo de receber oxigênio adequadamente, levando a tontura, fraqueza, falta de ar ou desmaios. É nessa situação que a bradicardia precisa ser investigada, pois pode indicar doenças cardíacas, distúrbios hormonais ou efeitos colaterais de medicamentos.

    A bradicardia pode causar morte súbita?

    Em situações extremas, sim. Quando o coração bate muito lentamente e o fluxo sanguíneo cai de forma acentuada, pode haver colapso circulatório e parada cardíaca. Isso é mais comum em bloqueios cardíacos graves ou em pacientes com doenças estruturais do coração.

    Porém, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, o risco de morte súbita é bem baixo. O acompanhamento médico regular é muito importante para prevenir complicações!

    Meus batimentos cardíacos estão lentos, quando devo procurar um médico?

    Procure um médico se notar os batimentos muito lentos, tontura, cansaço, falta de ar ou episódios de desmaio deve procurar um cardiologista. Mesmo que os sintomas sejam leves, é importante investigar a causa — e o diagnóstico precoce evita complicações e permite o tratamento adequado.

    Em casos de dor no peito, desmaio súbito ou falta de ar intensa, procure atendimento de emergência imediatamente, pois podem ser sinais de uma bradicardia grave ou de outro problema cardíaco.

    A bradicardia pode causar desmaios?

    A bradicardia pode diminuir o fluxo de sangue e oxigênio para o cérebro, provocando tontura, visão turva e desmaios súbitos (síncopes). Em casos leves, a pessoa apenas sente fraqueza, mas em situações mais graves, pode perder a consciência por alguns segundos. A repetição dos episódios é um sinal de alerta e requer investigação médica imediata, pois pode indicar bloqueio elétrico no coração.

    Quem tem bradicardia pode fazer atividade física?

    Depende! Se a bradicardia for fisiológica e a pessoa estiver sem sintomas, a prática de atividade física regular traz muitos benefícios e é recomendada. Já em casos patológicos, o médico deve avaliar o tipo e a intensidade do exercício mais seguros.

    Em pacientes com marcapasso, por exemplo, o treino deve ser monitorado e adaptado para evitar esforço excessivo. O importante é não se exercitar sem liberação médica quando há diagnóstico de bradicardia.

    Veja também: Arritmia cardíaca: quando os batimentos fora de ritmo merecem atenção

  • Sistema Rh: entenda o que significa ter sangue positivo ou negativo 

    Sistema Rh: entenda o que significa ter sangue positivo ou negativo 

    O sistema Rh é um dos mais importantes grupos sanguíneos é um dos mais importantes na medicina, logo depois do sistema ABO. Ele foi descoberto há cerca de 60 anos, quando médicos perceberam que algumas pessoas tinham reações graves ao receber sangue incompatível.

    Embora pareça simples, o sistema Rh é altamente complexo, formado por dezenas de antígenos diferentes e variações genéticas que explicam por que algumas pessoas têm tipos sanguíneos raros.

    Entender o fator Rh também ajuda a prevenir reações transfusionais graves e complicações na gravidez, como a doença hemolítica do recém-nascido.

    O que é o sistema sanguíneo Rh?

    Descoberto há cerca de 60 anos, o sistema Rh é composto por mais de 50 antígenos localizados na superfície dos glóbulos vermelhos. Os mais importantes são:

    • D (o mais relevante, define Rh+ ou Rh−)
    • C
    • c
    • E
    • e

    Dentre todos, o antígeno D é o mais importante, pois determina se uma pessoa é Rh positivo ou Rh negativo.

    O que significa ser Rh positivo ou Rh negativo?

    A diferença depende da presença de uma única proteína:

    Rh positivo (Rh+): tem o antígeno D nas hemácias.

    Rh negativo (Rh−): não tem o antígeno D.

    Essa distinção importa porque uma pessoa Rh− pode reagir de forma grave ao receber sangue Rh+, produzindo anticorpos contra esse antígeno.

    Como o sistema Rh funciona?

    Os antígenos Rh são produzidos a partir de genes específicos e dependem de proteínas de suporte para se manterem estáveis na superfície das hemácias. Juntos, formam o chamado complexo Rh, que ajuda a manter:

    • A estabilidade das hemácias;
    • Sua forma;
    • A troca de substâncias essenciais.

    A função exata dessas proteínas ainda é estudada, mas sabe-se que sua ausência ou alteração pode comprometer o funcionamento das células sanguíneas.

    Diversidade genética dentro do sistema Rh

    O sistema Rh é altamente variável. Existem mais de 45 antígenos conhecidos, e muitas diferenças vêm de:

    • Mutações genéticas;
    • Rearranjos entre genes;
    • Variantes raras, como D fraco ou D parcial.

    Essa diversidade explica por que algumas pessoas reagem de forma inesperada em transfusões e por que certos fenótipos são considerados raros.

    Como é feito o teste do fator Rh?

    O teste é simples e rápido, feito com uma amostra de sangue coletada em tubo com EDTA.

    Métodos mais utilizados

    • Aglutinação direta (anti-D): principal método.
    • Lâmina: simples, porém menos preciso.
    • Tubo de ensaio: mais confiável; usado em laboratórios.
    • Gel: tecnologia moderna, leitura automatizada.
    • Microplaca: muito usada em sistemas automatizados.

    Se houver aglutinação, o resultado é Rh positivo; se não houver, Rh negativo.

    Importância do fator Rh nas transfusões

    O antígeno D é altamente imunogênico. Por isso:

    Quem é Rh+: pode receber Rh+ ou Rh−.

    Quem é Rh−: deve receber apenas Rh−.

    Se uma pessoa Rh− receber sangue Rh+, o corpo pode atacar as hemácias transfundidas, o que provoca:

    • Febre;
    • Anemia;
    • Icterícia;
    • Insuficiência renal;
    • Risco de morte.

    Por isso, o exame de Rh é obrigatório antes de qualquer transfusão.

    O fator Rh na gravidez

    A incompatibilidade Rh é um tema clássico da obstetrícia.

    O problema ocorre quando:

    • Mãe Rh−
    • Bebê Rh+

    Durante a gestação ou no parto, pequenas quantidades de sangue fetal podem entrar na circulação materna, levando o corpo da mãe a produzir anticorpos contra o antígeno D.

    Em uma próxima gestação com bebê Rh+, esses anticorpos podem destruir as hemácias do feto, causando:

    • Anemia grave;
    • Icterícia;
    • Hidropisia;
    • Risco de morte.

    Prevenção

    Hoje, tudo isso é prevenido com imunoglobulina anti-D, aplicada:

    • Durante a gestação;
    • Após o parto;
    • Após sangramentos ou procedimentos (como amniocentese).

    A junção ABO + Rh: os 8 tipos sanguíneos

    Combinando os sistemas ABO e Rh, temos:

    • A+
    • A−
    • B+
    • B−
    • AB+
    • AB−
    • O+
    • O−

    Compatibilidade sanguínea: quem pode doar para quem?

    • O−: doador universal, recebe apenas O−.
    • O+: doa para O+, A+, B+, AB+; recebe O− e O+.
    • A+: doa para A+ e AB+; recebe A+, A−, O+, O−.
    • A−: doa para A+, A−, AB+, AB−; recebe A− e O−.
    • B+: doa para B+ e AB+; recebe B+, B−, O+, O−.
    • B−: doa para B+, B−, AB+, AB−; recebe B− e O−.
    • AB+: receptor universal; doa apenas para AB+.
    • AB−: doa para AB+ e AB−; recebe A−, B−, AB− e O−.

    Veja também: Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Perguntas frequentes sobre o sistema sanguíneo Rh

    1. Rh positivo é mais comum?

    Sim. Aproximadamente 85% da população é Rh+.

    2. Uma pessoa Rh− pode engravidar sem riscos?

    Sim, desde que receba o acompanhamento adequado e a imunoglobulina anti-D quando indicada.

    3. Ser Rh− significa ter sangue raro?

    Não necessariamente, mas é menos frequente do que Rh+.

    4. Rh e ABO são a mesma coisa?

    Não. São dois sistemas diferentes que juntos definem o tipo sanguíneo completo.

    5. Existe tratamento para incompatibilidade Rh na gravidez?

    Sim. A prevenção com imunoglobulina anti-D é altamente eficaz.

    6. Pessoas Rh− podem doar para Rh+?

    Sim. O problema é o contrário: Rh+ não deve ser dado a Rh−.

    7. Variantes como D fraco mudam o resultado?

    Podem alterar a classificação e exigem testes específicos para evitar erros de transfusão.

    Veja mais: O que você precisa saber sobre o seu tipo de sangue

  • Taquicardia sinusal: o que é, causas e se é perigoso 

    Taquicardia sinusal: o que é, causas e se é perigoso 

    Em situações do cotidiano, como durante a prática de atividade física ou em momentos de ansiedade, é normal que a frequência cardíaca aumente como resposta fisiológica do organismo. Esse tipo de aceleração é controlado pelo nó sinusal, o marca-passo natural do coração — sendo conhecido como taquicardia sinusal.

    No entanto, quando os batimentos permanecem acelerados por tempo prolongado, de forma desproporcional ao estímulo ou sem uma causa evidente, o quadro pode indicar uma taquicardia sinusal inapropriada (IST), que requer avaliação médica para investigação e acompanhamento.

    Ela nem sempre está associada a uma doença, mas pode indicar que o organismo está reagindo a algum estímulo interno ou externo, e compreender as causas é o primeiro passo para um diagnóstico adequado. Entenda mais, a seguir!

    O que é taquicardia sinusal?

    A taquicardia sinusal consiste no aumento do número de batimentos cardíacos por minuto, normalmente acima dos 100 batimentos por minuto (bpm), mas mantendo o ritmo normal do coração. O termo sinusal indica que os impulsos elétricos que controlam o batimento continuam partindo do nó sinusal, estrutura responsável por ditar o ritmo cardíaco.

    Em pessoas saudáveis, ela ocorre como uma resposta fisiológica do organismo, um mecanismo de adaptação para aumentar a quantidade de sangue bombeado e atender a uma maior demanda de oxigênio em situações como exercícios físicos, febre, ansiedade, estresse ou consumo de cafeína.

    No entanto, pode ser anormal quando ocorre de forma persistente e frequente, mesmo em repouso, ou quando é causada por outra doença, como anemia ou hipertireoidismo, conforme explica a cardiologista Juliana Soares.

    O que causa a taquicardia sinusal?

    A aceleração dos batimentos cardíacos é controlada pelo sistema nervoso autônomo, responsável por ajustar as funções involuntárias do corpo, como respiração e pressão arterial. Uma série de fatores pode ativar o mecanismo, como:

    • Atividade física;
    • Emoções fortes (medo, raiva, ansiedade);
    • Febre;
    • Uso de cafeína, nicotina ou álcool;
    • Uso de medicamentos como descongestionantes e broncodilatadores;
    • Gravidez;
    • Situações de dor intensa.

    Já a taquicardia sinusal inapropriada pode ter causas mais complexas, incluindo:

    • Alterações hormonais (hipertireoidismo, por exemplo);
    • Desidratação;
    • Anemia;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Doenças pulmonares;
    • Distúrbios do sistema nervoso autônomo.

    Juliana Soares ainda aponta que o uso de medicamentos como descongestionantes nasais e substâncias estimulantes como drogas ilícitas (cocaína, por exemplo), também podem provocar taquicardia.

    Taquicardia sinusal pode vir acompanhada de sintomas?

    Além dos batimentos cardíacos acelerados, quadros de taquicardia sinusal inapropriada podem causar:

    • Palpitações;
    • Falta de ar (dispneia);
    • Fadiga e cansaço;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Intolerância ao exercício;
    • Desconforto no peito.

    Quando há dor no peito, desmaio ou sensação de descontrole dos batimentos, é importante procurar atendimento médico, pois os sinais podem indicar uma arritmia mais grave.

    Taquicardia sinusal é perigoso?

    Na maioria dos casos, não é uma condição perigosa, especialmente quando está relacionada a estímulos fisiológicos como exercícios ou emoções. O coração acelera para atender à demanda de oxigênio e, depois, retorna ao normal.

    Contudo, o aumento da frequência cardíaca torna-se preocupante quando ocorre de forma persistente e em repouso, com frequência acima de 100 batimentos por minuto. Também é motivo de alerta quando surgem sintomas como falta de ar, dor no peito, tontura ou desmaio, de acordo com Juliana.

    Em pessoas com doenças cardíacas pré-existentes, como insuficiência cardíaca, o aumento da frequência pode sobrecarregar o coração e aumentar o risco de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

    Como é feito o diagnóstico da taquicardia sinusal?

    O diagnóstico de taquicardia sinusal é feito a partir de uma avaliação clínica feita pelo cardiologista, e depende da história do paciente e de exames complementares, como:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração e confirma se o ritmo acelerado tem origem no nó sinusal;
    • Holter 24 horas: monitora o ritmo cardíaco ao longo do dia, permitindo identificar variações e episódios de taquicardia;
    • Ecocardiograma: avalia a estrutura e a função do coração, identificando possíveis alterações anatômicas;
    • Exames laboratoriais: verificam a presença de anemia, hipertireoidismo e alterações nos níveis de potássio e magnésio.

    Em alguns casos, é necessário um teste ergométrico (teste de esforço), para observar como o coração reage durante a atividade física.

    Qual a diferença entre taquicardia sinusal e outros tipos de taquicardia?

    O termo “taquicardia” significa apenas que o coração está batendo rápido, mas existem vários tipos.

    A taquicardia sinusal é regular e com origem no nó sinusal, sendo considerada a forma mais comum e, na maioria das vezes, benigna. Já as taquicardias supraventriculares e ventriculares são mais perigosas, pois se originam em outras partes do coração e podem causar arritmias graves, levando até à parada cardíaca.

    No eletrocardiograma, o médico consegue diferenciar facilmente o tipo de taquicardia e indicar o tratamento adequado.

    É necessário tratar a taquicardia sinusal?

    De acordo com Juliana, o tratamento não é necessário quando a taquicardia sinusal é fisiológica, isto é, uma resposta normal do organismo ao esforço físico ou a emoções intensas. Quando há uma causa secundária, o tratamento deve ser direcionado a ela — tratar infecções em casos de febre, corrigir anemia ou disfunções da tireoide e manejar a ansiedade por meio de terapia ou medicação, por exemplo.

    Em situações raras, como na síndrome da taquicardia sinusal inapropriada, em que ocorre uma resposta exagerada e persistente, pode ser necessário o uso de medicamentos para reduzir a frequência cardíaca e prevenir sobrecarga ou danos ao coração a longo prazo.

    Como controlar a taquicardia sinusal sem remédios?

    Quando o aumento dos batimentos é fisiológico, pequenas mudanças de estilo de vida podem ajudar a controlar a taquicardia sinusal, como:

    • Controlar o estresse e a ansiedade com técnicas de respiração, meditação ou yoga;
    • Evitar o consumo de café, energéticos, nicotina e álcool;
    • Dormir bem todos os dias;
    • Beber bastante água para evitar desidratação;
    • Praticar atividade física leve e regular;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras e alimentos ricos em magnésio e potássio;
    • Fazer pausas durante o dia para respirar fundo e relaxar;
    • Realizar acompanhamento periódico com o cardiologista.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure um cardiologista quando a aceleração dos batimentos ocorrer em repouso, for frequente ou vier acompanhada de:

    • Dor ou aperto no peito;
    • Falta de ar;
    • Tontura ou desmaio;
    • Fadiga extrema;
    • Sensação de descompasso no ritmo cardíaco.

    Em emergências, como dor torácica intensa, falta de ar súbita ou desmaio, procure imediatamente um pronto-socorro.

    Confira: Por que o café acelera o coração? Veja quantas xícaras você pode tomar

    Perguntas frequentes

    Como diferenciar taquicardia sinusal de outras arritmias?

    Isso pode ser feito através de exames solicitados pelo médico, como o eletrocardiograma (ECG). Na taquicardia sinusal, o ritmo é regular e o impulso elétrico parte do nó sinusal, o que a torna mais previsível e geralmente benigna.

    Já em arritmias como a taquicardia supraventricular ou ventricular, o ritmo é desorganizado, podendo gerar palpitações súbitas e perigosas, com risco de desmaios e parada cardíaca. Por isso, o ECG é fundamental para identificar o tipo e a origem da aceleração.

    Taquicardia sinusal pode causar desmaios?

    Sim, embora seja pouco comum. Quando o coração bate rápido demais, pode haver redução do volume de sangue bombeado por batimento, diminuindo a oxigenação cerebral — o que provoca tontura e, em casos extremos, desmaio. Ah, e também pode ocorrer queda de pressão durante crises de taquicardia intensa.

    Qualquer episódio de desmaio associado a palpitações deve ser avaliado com urgência por um cardiologista, pois pode indicar risco de arritmia mais grave.

    Quando o tratamento de taquicardia sinusal com remédios é indicado?

    O uso de medicamentos é indicado em casos de sintomas intensos, taquicardia persistente ou taquicardia sinusal inapropriada (aceleração sem causa aparente). A escolha do tratamento deve ser feita pelo médico cardiologista, conforme o quadro clínico e a tolerância do paciente.

    Como diferenciar taquicardia sinusal inadequada de ansiedade?

    Na ansiedade, a aceleração dos batimentos resulta da descarga de adrenalina e ocorre em situações emocionais específicas, desaparecendo quando a pessoa se acalma. Na síndrome da taquicardia sinusal inadequada, porém, o aumento da frequência cardíaca pode ser contínuo ou ocorrer em repouso, sem necessariamente estar ligado a emoções.

    O diagnóstico é confirmado por avaliação clínica e eletrocardiograma, que mostram se o ritmo é de origem sinusal ou não.

    Quem tem taquicardia sinusal pode praticar esportes?

    Sim, desde que o quadro seja benigno e avaliado por um cardiologista. A prática regular de atividades físicas melhora a capacidade cardiovascular e ajuda a manter o ritmo cardíaco estável.

    O ideal é iniciar com exercícios leves, como caminhadas ou natação, e aumentar a intensidade de forma gradual. Pessoas com taquicardia sinusal inapropriada devem evitar esportes de alta exigência até liberação médica.

    Confira: Acordar com o coração acelerado é normal? Veja o que pode ser

  • Dor no ombro esquerdo pode ser infarto? Saiba como identificar

    Dor no ombro esquerdo pode ser infarto? Saiba como identificar

    A dor intensa no peito, descrita como um aperto, peso ou queimação, é um dos principais sintomas para identificar um infarto. Como as vias nervosas do coração se conectam à medula espinhal nos mesmos pontos que outras áreas do corpo, a dor pode ser percebida em regiões diferentes da sua origem, como o ombro esquerdo.

    Afinal, por que isso acontece? O fenômeno, conhecido como dor referida, acontece porque o cérebro, ao receber os sinais nervosos, pode confundir a origem da dor. Por isso, um problema cardíaco pode se manifestar com sintomas que lembram lesões musculares ou articulares — e ficar de olho nas diferenças ajuda a identificar o quadro.

    O que pode causar dor no ombro esquerdo?

    A dor no ombro esquerdo pode ter diversas causas e nem sempre está relacionada ao coração. Na verdade, o incômodo costuma ser consequência de condições musculoesqueléticas, neurológicas ou posturais, como:

    • Lesões musculares, como estiramentos, contraturas ou distensões;
    • Tendinites (inflamação nos tendões do ombro);
    • Bursites (inflamação na bursa, estrutura que reduz o atrito entre os tecidos);
    • Problemas articulares, como luxações, artrose ou instabilidade do ombro;
    • Hérnias cervicais (compressão dos nervos da coluna cervical que irradiam dor para o ombro);
    • Inflamações nos nervos periféricos, como neurites ou síndrome do desfiladeiro torácico;
    • Má postura prolongada, especialmente em ambientes de trabalho;
    • Esforço físico excessivo ou repetitivo, como levantar pesos ou movimentos repetidos;
    • Traumas diretos, como quedas, batidas ou pancadas na região;
    • Tensão emocional ou estresse, que pode gerar contraturas musculares reflexas.

    Em alguns casos, a dor pode ser reflexo de uma alteração no tórax, irradiando para o ombro esquerdo — o que inclui a possibilidade de um problema cardiovascular.

    Dor no ombro esquerdo é sintoma de infarto?

    A dor no ombro esquerdo pode ser sintoma de infarto, especialmente quando surge de forma súbita, sem causa muscular aparente, e vem acompanhada de outros sinais como desconforto no peito, falta de ar, suor frio, mal-estar, náusea, tontura ou sensação de desmaio.

    O coração e as fibras nervosas que o inervam atingem a medula espinhal na mesma região em que chegam as fibras nervosas do braço, do ombro esquerdo e da mandíbula.

    Juliana explica que quando o cérebro recebe essas informações, vindas de raízes nervosas que convergem em um mesmo ponto da medula, pode ocorrer uma interpretação errada da localização da dor — levando à sensação de que uma dor originada no coração vem, na verdade, de outra estrutura corporal.

    Por isso, a cardiologista aponta que é comum que o infarto se manifeste com dor no ombro, no braço esquerdo ou na mandíbula, devido à confusão das vias nervosas. O fenômeno é conhecido como dor referida, ou seja, ela é percebida em uma parte do corpo diferente de onde ela realmente se origina.

    Como diferenciar dor muscular de dor cardíaca?

    Existem algumas características que podem ajudar a diferenciar um desconforto muscular com o início de um infarto. Normalmente, a dor muscular está relacionada a esforço físico, má postura, traumas ou movimentos repetitivos, e costuma piorar com o movimento do corpo ou ao pressionar a região.

    A dor cardíaca, por outro lado, tem características diferentes: surge de forma súbita, não melhora com repouso e pode irradiar para outras áreas, como ombro, braço esquerdo, mandíbula ou costas.

    Confira as principais diferenças entre elas:

    Características Dor muscular Dor cardíaca
    Origem Musculatura, tendões ou articulações Coração (miocárdio)
    Tipo de dor Pontual, localizada, sensação de fisgada ou tensão Pressão, aperto, queimação ou peso no peito
    Localização Limitada ao músculo ou articulação Peito (normalmente no centro), com possível irradiação
    Irradiação É raro acontecer Pode irradiar para o ombro, braço esquerdo ou mandíbula
    Início Após esforço físico, má postura ou lesão Súbito, em repouso ou durante esforço físico
    Duração Pode durar algumas horas ou dias, dependendo da causa Pode durar mais de 20 minutos e aumentar com o tempo
    Sintomas associados Normalmente é uma dor isolada Falta de ar, suor frio, náusea, tontura e mal-estar
    Como melhorar Costuma melhorar com analgésicos, repouso, calor ou gelo Não melhora com repouso nem analgésicos, e precisa de atendimento médico imediato

    Quais outros sintomas acompanham um possível infarto?

    Além da dor torácica em forma de aperto, pressão ou queimação, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço, costas ou estômago, o infarto costuma vir acompanhado de outros sintomas sistêmicos, como:

    • Falta de ar (dispneia), mesmo em repouso ou durante esforço leve;
    • Suor frio e abundante, sem causa aparente;
    • Náusea e vômito, que podem ser confundidos com mal-estar gastrointestinal;
    • Tontura, sensação de desmaio ou desfalecimento;
    • Palidez súbita e pele úmida;
    • Ansiedade intensa, sensação de morte iminente ou angústia;
    • Fraqueza geral, especialmente em membros superiores.

    Algumas pessoas apresentam sinais atípicos, o que pode atrasar o diagnóstico — e isso é mais comum em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, que podem relatar apenas cansaço extremo, dor nas costas, mal-estar difuso ou desconforto abdominal. Nesses casos, a ausência de dor torácica não exclui a possibilidade de um evento cardíaco.

    Em todos os casos, Juliana orienta que se a dor no ombro vier acompanhada de sintomas como aperto no peito, sudorese, falta de ar ou tontura, é preciso chamar ajuda imediatamente, ligando para o SAMU (192) ou para os bombeiros (193). Não é recomendado dirigir ou tentar chegar sozinho ao hospital. A pessoa deve permanecer em repouso até a chegada do socorro.

    Se o paciente já tiver diagnóstico de problema cardíaco e uso prescrito de ácido acetilsalicílico (AAS), ele pode tomá-lo enquanto aguarda o atendimento — desde que tenha orientação médica prévia.

    Quais exames ajudam a identificar um infarto?

    O diagnóstico do infarto agudo do miocárdio depende da análise clínica associada a exames que avaliam o funcionamento do coração e a presença de lesões no músculo cardíaco, como eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma e exames de sangue (marcadores de lesão cardíaca).

    Em alguns casos, podem ser solicitados outros exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética.

    A escolha dos exames depende do que a pessoa está sentindo, há quanto tempo os sintomas começaram e dos recursos do local onde ela está sendo atendida. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de tratar o problema com sucesso e evitar danos ao coração.

    Veja também: Infarto ou angina? Saiba quais são os principais sinais e fique atento

    Perguntas frequentes sobre dor no ombro esquerdo

    A dor no ombro esquerdo pode ser o único sintoma do infarto?

    É mais raro, mas o infarto pode se manifestar de forma silenciosa ou com sintomas atípicos, principalmente em mulheres, pessoas com diabetes e idosos. Em alguns casos, a dor no ombro esquerdo pode ser o único sinal perceptível, especialmente se vier acompanhada de mal-estar leve ou cansaço inexplicável.

    Por isso, mesmo na ausência de dor torácica clássica, é importante ficar atento a qualquer desconforto incomum, especialmente em quem apresenta fatores de risco. A avaliação médica precoce pode evitar complicações graves.

    O que fazer diante de uma dor suspeita no ombro?

    O ideal é observar o contexto em que a dor apareceu, sua intensidade e os sintomas associados. Se a dor for leve, surgir após esforço físico ou movimento repetitivo e melhorar com repouso, gelo ou analgésicos comuns, provavelmente tem origem muscular.

    Por outro lado, se a dor surgir de forma repentina, for intensa, não melhorar com repouso e vier acompanhada de pressão no peito, suor frio, falta de ar ou tontura, é recomendável procurar atendimento de urgência. Em qualquer caso de dúvida, a melhor conduta é buscar avaliação médica.

    Quem tem mais risco de infarto?

    O risco é maior em pessoas com histórico familiar de doença cardíaca, hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, sedentarismo ou tabagismo. Além disso, pode ocorrer em homens a partir dos 45 anos e mulheres após a menopausa, e em pessoas com estresse crônico ou que possuem uma má alimentação.

    Em pessoas com os fatores de risco, uma dor no ombro de início súbito, especialmente quando acompanhada de outros sintomas cardiovasculares, deve ser investigada com atenção.

    Quanto tempo dura a dor de um infarto?

    A dor do infarto geralmente dura mais de 15–20 minutos e não melhora com repouso ou uso de analgésicos. Ela pode começar de forma leve e piorar progressivamente, e também pode ser intermitente, com períodos de melhora e piora, o que confunde o paciente. Assim, qualquer dor torácica persistente deve ser avaliada com urgência.

    Como saber se a dor é do coração ou da ansiedade?

    A dor causada pela ansiedade costuma ser pontual, em forma de fisgada, e tende a aparecer em momentos de estresse emocional. Muitas vezes, ela vem acompanhada de hiperventilação, sensação de aperto na garganta e formigamento nas mãos.

    Já a dor cardíaca costuma ser mais difusa, contínua e vem com sinais físicos como suor frio, palidez e cansaço. Em caso de dúvida, é melhor procurar atendimento médico.

    Veja também: Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

  • Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição 

    Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição 

    A trombose venosa profunda (TVP) é uma condição séria, mas muitas vezes silenciosa, em que um coágulo de sangue se forma dentro de uma veia profunda, principalmente nas pernas. Ela preocupa porque pode evoluir para uma embolia pulmonar, complicação grave que acontece quando parte do coágulo se solta e migra para os pulmões.

    Apesar de ser mais frequente em pessoas com fatores de risco específicos, a trombose venosa profunda pode acontecer em qualquer idade e costuma aparecer após períodos prolongados de imobilidade, cirurgias, viagens longas, uso de hormônios ou condições que favorecem a coagulação. Reconhecer os sinais e buscar ajuda rápida reduz o risco de complicações.

    O que é trombose venosa profunda (TVP)?

    A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo (trombo) dentro de uma veia profunda. Geralmente afeta:

    • Panturrilha;
    • Coxa;
    • Pelve.

    O trombo dificulta a circulação do sangue e, nos casos mais graves, pode se desprender e causar embolia pulmonar, situação potencialmente fatal.

    Por que a trombose venosa profunda acontece?

    Três mecanismos explicam a formação dos coágulos, conhecidos como Tríade de Virchow:

    1. Estase sanguínea

    Quando o sangue circula muito devagar, como em:

    • Longas viagens sentado;
    • Pós-operatório;
    • Longos períodos acamado.

    2. Lesão na parede do vaso

    Pode acontecer por traumas, cirurgias ou inflamação da veia.

    3. Hipercoagulabilidade

    Quando o sangue coagula com mais facilidade, por motivos como:

    • Trombofilias herdadas;
    • Câncer;
    • Gravidez;
    • Uso de hormônios;
    • Doenças que alteram a coagulação.

    Geralmente, mais de um fator atua ao mesmo tempo.

    Quem tem mais risco de trombose venosa profunda?

    Algumas situações aumentam significativamente o risco:

    • Idade acima dos 40 anos (risco aumenta ainda mais após os 60);
    • Imobilidade prolongada;
    • Cirurgias extensas;
    • Histórico pessoal ou familiar de trombose;
    • Varizes;
    • Obesidade;
    • Câncer e quimioterapia;
    • Gravidez e pós-parto;
    • Uso de anticoncepcionais ou reposição hormonal;
    • Trombofilias;
    • Tabagismo.

    Quais são os sintomas?

    A trombose venosa profunda pode passar despercebida, mas alguns sinais são clássicos:

    • Inchaço em apenas uma perna (edema unilateral);
    • Dor na panturrilha ou coxa;
    • Sensação de endurecimento no músculo;
    • Aumento da temperatura local;
    • Pele arroxeada;
    • Diferença perceptível de tamanho entre as pernas.

    Ao notar esses sinais, procure atendimento imediatamente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O médico avalia a história clínica, o exame físico e solicita exames para confirmação. Veja quais.

    Ultrassom com Doppler venoso

    É o exame principal, seguro e não invasivo.

    Exames de sangue

    Podem ajudar a descartar a trombose em casos de baixo risco, mas não confirmam sozinhos.

    Outros exames podem ser feitos em situações específicas.

    Principais complicações da trombose venosa profunda

    1. Embolia pulmonar

    Ocorre quando parte do coágulo se solta e chega aos pulmões. Pode causar:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Palpitações;
    • Tosse com sangue;
    • Risco de morte.

    2. Síndrome pós-trombótica

    A longo prazo, a circulação fica prejudicada, levando a:

    • Inchaço crônico;
    • Escurecimento da pele;
    • Dor persistente;
    • Feridas de difícil cicatrização.

    Como é o tratamento da trombose venosa profunda?

    O objetivo é evitar que o coágulo cresça ou se desprenda e aliviar os sintomas.

    Anticoagulantes

    São o tratamento principal e mais utilizado. Duram, em média, 3 a 6 meses, podendo ser prolongados ou até contínuos em alguns casos.

    A escolha depende de fatores como:

    • Outras doenças do paciente;
    • Possibilidade de reversão do efeito;
    • Familiaridade com a medicação;
    • Disponibilidade e custo.

    Meias elásticas de compressão

    Ajudam a melhorar a circulação e prevenir complicações.

    Fibrinolíticos

    Usados raramente, apenas em casos graves, pois dissolvem o coágulo.

    Cirurgia ou cateterismo

    Indicados em situações específicas, como trombos muito extensos.

    Como prevenir a trombose venosa profunda?

    • Evite ficar parado muito tempo — movimente-se sempre que possível;
    • Em viagens longas, levante-se e caminhe a cada 1–2 horas;
    • Mantenha as pernas elevadas quando puder;
    • Hidrate-se bem;
    • Use meias elásticas se houver indicação médica;
    • Trate condições associadas (obesidade, varizes, trombofilias);
    • Não fume.

    Leia também: Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo: a doença autoimune que aumenta o risco de trombose

    Perguntas frequentes sobre trombose venosa profunda

    1. A trombose venosa profunda só acontece em pessoas idosas?

    Não. Pode ocorrer em qualquer idade, mas o risco aumenta com o envelhecimento.

    2. Posso ter trombose venosa profunda mesmo sem sintomas?

    Sim. Alguns casos são silenciosos, mas o risco ainda existe.

    3. Anticoncepcional aumenta o risco?

    Sim. Hormônios com estrogênio elevam o risco de trombose em algumas mulheres.

    4. Trombose venosa profunda e varizes são a mesma coisa?

    Não. Varizes aumentam o risco de TVP, mas são condições diferentes.

    5. A trombose volta?

    Pode voltar, especialmente em pessoas com fatores de risco persistentes. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.

    6. Quanto tempo dura o tratamento?

    Em média 3 a 6 meses, podendo ser mais longo dependendo do caso.

    7. Caminhar ajuda a prevenir?

    Sim. Movimentar as pernas melhora a circulação e reduz muito o risco.

    Confira: Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

  • Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir 

    Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir 

    A hepatite A é uma infecção causada pelo vírus HAV, também chamado de hepatite infecciosa. A doença afeta principalmente o fígado e, na maioria dos casos, tem curso leve e com recuperação completa, especialmente em crianças.

    Em adultos e idosos, porém, os sintomas podem ser mais intensos e, raramente, causar complicações graves, especialmente em pessoas que já têm doenças hepáticas.

    Por ser altamente transmissível e bastante presente em regiões com saneamento inadequado, entender como a infecção acontece e como preveni-la é importante para proteger a saúde individual e coletiva.

    Como acontece a transmissão

    A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral, ou seja, quando o vírus presente nas fezes de uma pessoa infectada entra em contato com a boca de outra. Isso pode ocorrer por:

    • Água ou alimentos contaminados;
    • Má higiene das mãos;
    • Falta de saneamento básico;
    • Contato direto entre pessoas (casas, creches, escolas, instituições);
    • Práticas sexuais com contato oral-anal ou uso de acessórios contaminados.

    A transmissão por sangue é rara, pois o vírus prefere o trato digestivo. O vírus HAV é muito resistente no ambiente e pode sobreviver por longos períodos fora do corpo.

    Outro ponto importante: crianças podem eliminar o vírus nas fezes por até 5 meses, mesmo após estarem recuperadas.

    Sinais e sintomas

    Muitas pessoas, sobretudo crianças, não apresentam sintomas. Quando surgem, geralmente entre 15 e 50 dias após o contágio, eles incluem:

    • Cansaço e mal-estar;
    • Febre baixa;
    • Dores musculares;
    • Enjoo, vômitos e dor abdominal;
    • Prisão de ventre ou diarreia.

    Sinais característicos

    • Urina escura, muitas vezes o primeiro sinal visível;
    • Icterícia, quando pele e olhos ficam amarelados.

    Gravidade por faixa etária

    • Crianças menores de 6 anos: quadros leves e assintomáticos.
    • Adultos e idosos: maior chance de sintomas intensos.
    • Casos raros: hepatite fulminante (falência do fígado).

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito por exame de sangue, que identifica anticorpos específicos:

    Exames de sangue (marcadores sorológicos)

    • Anti-HAV IgM: indica infecção recente ou atual.
    • Anti-HAV IgG: indica proteção; aparece após a infecção ou após vacina.

    Quem já teve hepatite A ou já foi vacinado não pega a doença novamente, pois adquire imunidade duradoura.

    Tratamento

    Não existe tratamento antiviral específico para hepatite A. A recuperação ocorre naturalmente, e o manejo é baseado em cuidados gerais:

    • Repouso adequado;
    • Alimentação equilibrada;
    • Hidratação abundante;
    • Evitar automedicação, especialmente analgésicos e remédios que sobrecarregam o fígado.

    Casos graves com sinais de insuficiência hepática podem exigir internação.

    Como prevenir

    A prevenção da hepatite A está diretamente ligada à higiene e ao saneamento.

    Cuidados diários essenciais

    • Lavar as mãos após usar o banheiro e antes de preparar ou consumir alimentos;
    • Higienizar frutas, verduras e legumes com água corrente e solução de água sanitária (10 ml por litro);
    • Cozinhar bem carnes, peixes, frutos do mar e mariscos;
    • Lavar mamadeiras, utensílios e louças com atenção;
    • Evitar contato com água de enchentes, valas e locais próximos a esgoto;
    • Evitar fossas próximas a poços ou nascentes;
    • Usar preservativo e higienizar mãos, genitália e região anal antes e depois do sexo.

    Vacina: a principal forma de proteção

    A vacina contra hepatite A é segura, eficaz e altamente recomendada. Ela faz parte do calendário nacional de vacinação.

    Esquema vacinal

    • Crianças: 1 dose aos 15 meses (pode ser aplicada dos 12 meses a 4 anos e 11 meses).
    • Grupos especiais: pessoas com doenças hepáticas, HIV, imunossupressão, uso de PrEP, fibrose cística, trissomias, coagulopatias e outras condições podem receber 2 doses com intervalo mínimo de 6 meses, nos CRIE.

    Prognóstico

    A hepatite A costuma ter evolução benigna e não se torna crônica. A maioria das pessoas se recupera totalmente.

    Complicações graves, embora raras, são mais frequentes em:

    • Adultos;
    • Idosos;
    • Pessoas com doenças no fígado.

    Leia também: Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer

    Perguntas frequentes sobre Hepatite A

    1. A hepatite A pode virar hepatite crônica?

    Não. Diferente das hepatites B e C, ela não se torna crônica.

    2. Quem já teve hepatite A pode pegar de novo?

    Não. A pessoa adquire imunidade permanente.

    3. Hepatite A pega pelo ar?

    Não. A transmissão é fecal-oral.

    4. Posso pegar hepatite A em um restaurante?

    Sim, se alimentos forem manipulados sem higiene adequada.

    5. Crianças podem ter hepatite A grave?

    É raro. Normalmente, apresentam sintomas leves ou nenhum.

    6. A vacina é realmente eficaz?

    Sim. É a forma mais segura e efetiva de prevenção.

    7. Quanto tempo o vírus fica no corpo?

    A eliminação total costuma ocorrer em semanas, mas a recuperação clínica pode levar meses.

    Veja mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • Doença de Crohn: entenda de forma simples 

    Doença de Crohn: entenda de forma simples 

    A Doença de Crohn faz parte do grupo das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), condições crônicas que provocam inflamação contínua no sistema digestivo. Embora seja frequentemente confundida com a retocolite ulcerativa, essas doenças têm comportamentos diferentes: enquanto a retocolite afeta apenas o intestino grosso, a Doença de Crohn pode comprometer qualquer trecho do tubo digestivo, da boca ao ânus.

    Por ser crônica, ter sintomas variáveis e, muitas vezes, silenciosos nos estágios iniciais, a Doença de Crohn ainda gera muitas dúvidas e pode demorar a ser diagnosticada. Hoje você vai entender o que é a doença, por que acontece, os sinais de alerta e como é feito o tratamento.

    O que é a Doença de Crohn?

    A Doença de Crohn é uma inflamação profunda e persistente nas paredes intestinais. Ela pode causar:

    • Feridas (úlceras);
    • Estreitamentos (estenoses);
    • Fístulas (comunicações anormais entre partes do intestino ou entre intestino e outros órgãos).

    A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas a ciência aponta para uma combinação de fatores:

    Fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença

    • Genética: polimorfismos específicos e associação com síndromes como Turner e Hermansky-Pudlak;
    • História familiar: parentes com DII aumentam o risco;
    • Disfunção imunológica: resposta inflamatória exagerada ou desregulada;
    • Ambiente: tabagismo, dieta industrializada e estresse agravam o quadro;
    • Microbiota desequilibrada: alterações na flora intestinal favorecem inflamação.

    Sintomas mais comuns

    Os sintomas variam conforme a área inflamada. Entre os mais frequentes:

    • Dor abdominal tipo cólica, principalmente no lado direito;
    • Diarreia persistente (às vezes com muco ou sangue);
    • Perda de peso;
    • Falta de apetite;
    • Cansaço intenso;
    • Febre baixa e mal-estar.

    Complicações possíveis

    Em crises mais intensas, podem surgir:

    • Abscessos;
    • Fístulas;
    • Estenoses (estreitamento do intestino).

    Esses quadros exigem acompanhamento médico intensivo.

    Outros sintomas além do intestino

    A Doença de Crohn é sistêmica e pode afetar outras partes do corpo:

    • Articulações: artrite;
    • Pele: eritema nodoso;
    • Olhos: uveíte;
    • Fígado e vias biliares: inflamações diversas.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico combina sinais clínicos, exames laboratoriais e exames de imagem. O médico pode solicitar:

    Exames laboratoriais

    • Hemograma e marcadores de inflamação;
    • Exames de fezes para descartar infecções;
    • Sorologia: cerca de 60 a 70% dos pacientes têm positividade para ASCA.

    Exames endoscópicos

    Colonoscopia e endoscopia: observam lesões e coletam biópsias.

    Avaliação do intestino delgado

    Enteroscopia ou cápsula endoscópica.

    Exames de imagem

    Tomografia ou ressonância de abdome, úteis para detectar inflamações e complicações.

    O diagnóstico pode levar tempo porque os sintomas se assemelham aos de outras doenças gastrointestinais.

    Tratamento

    A Doença de Crohn não tem cura, mas é possível controlá-la e reduzir crises.

    Opções de tratamento incluem

    • Anti-inflamatórios e imunossupressores: reduzem a inflamação.
    • Medicamentos biológicos: indicados nos casos moderados a graves.
    • Antibióticos: quando há infecções ou fístulas.
    • Cirurgia: necessária em casos de obstrução, estenose severa ou partes muito danificadas.

    Cuidados complementares

    • Alimentação equilibrada;
    • Controle do estresse;
    • Parar de fumar;
    • Acompanhamento regular com gastroenterologista.

    Vivendo com a doença

    Embora seja crônica, muitas pessoas com Doença de Crohn vivem normalmente com o tratamento certo. Apoio psicológico, grupos de pacientes e acompanhamento contínuo ajudam a lidar com o impacto físico e emocional da condição.

    Leia mais: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

    Perguntas frequentes sobre Doença de Crohn

    1. A Doença de Crohn tem cura?

    Não, mas pode ser controlada com tratamento contínuo.

    2. Crohn e retocolite são a mesma coisa?

    Não. São doenças diferentes dentro das DII.

    3. A alimentação causa a doença?

    Não causa, mas pode piorar crises se não for equilibrada.

    4. Estresse desencadeia Crohn?

    Não é causa direta, mas pode agravar os sintomas.

    5. Qual médico trata a Doença de Crohn?

    O gastroenterologista.

    6. É possível ter longos períodos sem sintomas?

    Sim. Com tratamento, muitas pessoas ficam em remissão.

    7. Fumantes têm mais risco?

    Sim. O tabagismo é um dos fatores mais fortemente associados à piora da doença.

    Confira: Colonoscopia: o exame que avalia o intestino

  • Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários 

    Perda gestacional: causas, tipos e cuidados necessários 

    A perda gestacional, também chamada de abortamento, é um tema sensível, mas essencial de ser discutido com informação e acolhimento. Ela ocorre quando a gestação é interrompida antes de o bebê ter condições de sobreviver fora do útero.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), considera-se aborto quando a perda ocorre antes de 22 semanas, e o feto pesa menos de 500 g ou mede menos de 16,5 cm.

    Embora seja relativamente comum, muitos casos ainda são rodeados de silêncio, dúvida e culpa. No Brasil, o abortamento inseguro permanece como uma das principais causas de morte materna, reforçando a importância do acesso ao pré-natal adequado e à assistência médica segura.

    Quando o abortamento pode acontecer

    A perda gestacional pode ocorrer em diferentes momentos:

    • Abortamento precoce: até a 12ª semana (mais comum).
    • Abortamento tardio: entre a 13ª e 20ª semana, geralmente associado a causas específicas, como infecções ou alterações uterinas.

    Principais causas

    O abortamento pode ser classificado conforme sua causa:

    Abortamento provocado

    Quando a interrupção da gestação é intencional, com uso de medicamentos ou métodos externos.

    Abortamento espontâneo

    Acontece naturalmente. As causas mais frequentes incluem:

    • Alterações genéticas do embrião (responsáveis por cerca de 60% dos casos precoces);
    • Infecções maternas;
    • Alterações anatômicas do útero (miomas, malformações);
    • Doenças maternas não controladas (diabetes, hipertensão, doenças autoimunes);
    • Trombofilias e fatores imunológicos.

    Em muitos casos, a causa não é identificada e não é culpa da mulher.

    Tipos de abortamento

    1. Ameaça de abortamento

    Pequeno sangramento e cólicas leves, sem dilatação do colo. A gestação pode seguir normalmente. Conduta: repouso relativo, evitar relações sexuais, acompanhamento.

    2. Abortamento inevitável

    Sangramento intenso, dor forte e colo uterino dilatado. O ultrassom mostra o saco gestacional em expulsão.

    3. Abortamento incompleto

    Parte do conteúdo gestacional é expulsa; restos permanecem no útero. Pode haver sangramento persistente e risco de infecção. O tratamento, neste caso, é com um medicamento específico ou AMIU (aspiração manual intrauterina), método recomendado pela OMS.

    4. Abortamento completo

    Todo o conteúdo gestacional é eliminado naturalmente. Sangramento diminui e o útero volta ao tamanho normal. É necessário ultrassom para confirmar.

    5. Abortamento retido

    O embrião falece, mas não é expulso espontaneamente. Diagnóstico por ultrassom, sem batimentos cardíacos. O tratamento é feito com medicamentos ou procedimentos de esvaziamento uterino.

    6. Abortamento infectado

    Complicação grave. Pode surgir após qualquer tipo, especialmente em casos inseguros. Sintomas: febre, dor intensa, corrimento com mau cheiro, mal-estar. É uma emergência médica — requer internação, antibióticos e, às vezes, cirurgia.

    Tratamento

    O tratamento depende do tipo de abortamento e das condições clínicas da mulher. Pode envolver:

    • Uso de medicamentos;
    • AMIU, curetagem uterina ou aspiração a vácuo;
    • Internação em casos de infecção, hemorragia ou complicações;
    • Acompanhamento emocional após a perda.

    A conduta deve sempre ser definida por um profissional médico.

    Sinais de alerta: quando procurar o hospital

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Sangramento vaginal intenso (um absorvente cheio por hora);
    • Dor abdominal forte e contínua;
    • Febre, corrimento fétido ou calafrios;
    • Fraqueza, tontura ou desmaio.

    Esses sinais indicam risco de complicações.

    Cuidado e acolhimento

    A perda gestacional é uma experiência dolorosa física e emocionalmente. O acompanhamento médico e psicológico é fundamental. Também é importante conversar sobre planejamento reprodutivo, prevenção de novas perdas e cuidados futuros.

    Leia também: Gravidez ectópica: saiba o que é e os sinais da gestação fora do útero

    Perguntas frequentes sobre perda gestacional

    1. Exercício físico pode causar abortamento?

    Não. Atividades comuns e seguras não provocam aborto espontâneo.

    2. Estresse pode causar perda gestacional?

    O estresse isoladamente não causa abortamento espontâneo.

    3. Após um abortamento, quando posso tentar engravidar novamente?

    Depois da recuperação física e emocional, com orientação médica. Muitas vezes, é possível tentar após um ou dois ciclos menstruais.

    4. Perda gestacional é hereditária?

    Na maioria dos casos, não. Mas algumas trombofilias podem ter componente familiar.

    5. Há como evitar um aborto espontâneo?

    Nem sempre. Mas manter doenças controladas, acompanhar no pré-natal e evitar infecções reduz riscos.

    6. Ter um aborto aumenta o risco de outros?

    Depende da causa. Muitas mulheres têm apenas um episódio e depois engravidam normalmente.

    7. Hemorragia sempre indica aborto?

    Não. Sangramentos leves no início da gestação são relativamente comuns — mas sempre devem ser avaliados.

    Veja também: Insuficiência istmocervical: o que é e por que merece atenção na gravidez

  • Trabalho noturno: conheça os riscos para a saúde do coração

    Trabalho noturno: conheça os riscos para a saúde do coração

    No Brasil, dados do IBGE apontam que aproximadamente 7 milhões de pessoas atuam em jornada noturna — principalmente em áreas como saúde, segurança pública, transporte e logística.

    Com um ritmo de trabalho que atropela o relógio biológico, eles estão mais expostos ao desbalanço hormonal, alterações metabólicas, piora da qualidade do sono e a um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo dos anos.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender por que o trabalho noturno impacta tanto a saúde do coração e quais estratégias podem ajudar a reduzir os riscos. Confira!

    Como o relógio biológico funciona?

    O relógio biológico é o sistema interno que organiza os horários do corpo humano. Ele sincroniza as funções fisiológicas com o ciclo de luz e escuro do ambiente, o que é chamado de ciclo circadiano.

    Durante o dia, a luz solar estimula o cérebro a produzir hormônios ligados ao estado de alerta, como cortisol. A temperatura corporal sobe, o metabolismo acelera e o cérebro entra em modo de vigília. Já durante a noite, quando escurece, o corpo entende que é hora de descansar: a melatonina aumenta, o metabolismo desacelera e a pressão tende a cair.

    Basicamente, dormir à noite e estar acordado de dia não é apenas um hábito social, mas é um padrão fisiológico do ser humano.

    De acordo com Juliana, quando a sincronia entre o relógio biológico e o relógio cronológico é perdida, o organismo passa por uma série de alterações metabólicas. O cortisol e a adrenalina deixam de seguir o ciclo natural e o corpo permanece em estado de alerta constante, enquanto a melatonina se desregula — comprometendo a qualidade do sono, os processos de regeneração celular e a imunidade.

    Com o horário invertido, a liberação de enzimas digestivas, da insulina e dos hormônios ligados à saciedade também se altera, aumentando o risco de resistência à insulina e ganho de peso. Como o sono é o momento de reparo celular, a privação e a má qualidade do sono reduzem esse reparo e promovem inflamação crônica no organismo.

    Impacto do trabalho noturno na saúde do coração

    A inversão do padrão de sono e de vigília, assim como a alteração dos horários habituais, desregula o corpo e provoca uma série de mudanças metabólicas que aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

    Uma revisão mais recente, publicada na revista Environmental Research em 2025, encontrou associação entre trabalho em turnos noturnos e maior risco de mortalidade cardiovascular ao longo do tempo. Os pesquisadores apontaram aumento de inflamação, pior perfil de colesterol e alterações autonômicas em quem trabalha à noite — todos marcadores claros de risco cardiovascular.

    E os riscos crescem conforme se acumulam anos de trabalho noturno. Um estudo publicado no European Heart Journal mostrou que longos períodos de trabalho em turnos noturnos se associam a maior risco de fibrilação atrial e doença arterial coronariana, com tendência proporcional ao número de anos e intensidade da exposição.

    Juliana explica que quando há privação de sono e desbalanço do ciclo circadiano, o sistema nervoso simpático permanece ativado de forma contínua, aumentando a contratilidade e o tônus das artérias, o que eleva a pressão arterial. O sono irregular também prejudica o metabolismo e favorece a piora do perfil lipídico, com aumento do colesterol ruim (LDL) e redução do colesterol bom (HDL), contribuindo para o acúmulo de gordura abdominal.

    Para completar, trabalhar em horários invertidos muitas vezes reduz a regularidade da prática de atividade física, que é uma das principais medidas para manter o sistema cardiovascular saudável, controlar o peso, melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir a inflamação.

    A alimentação na madrugada interfere na saúde cardiovascular?

    No período noturno, o metabolismo funciona de forma mais lenta, pois o organismo está fisiologicamente programado para descansar. Por esse motivo, Juliana aponta que consumir alimentos muito calóricos e pesados no horário pode ser prejudicial, já que o corpo passa a ter maior dificuldade para metabolizar gordura e carboidrato de forma eficiente.

    Consequentemente, há maior tendência de acúmulo de gordura corporal e pior metabolização dos nutrientes, o que impacta diretamente os níveis de colesterol e glicemia, favorecendo o ganho de peso e o desenvolvimento de alterações metabólicas, como diabetes tipo 2.

    Por isso, durante a noite ou na madrugada, uma medida necessária é evitar refeições muito pesadas e priorizar opções mais leves e equilibradas, que causem menor sobrecarga ao sistema digestivo e ao sistema cardiovascular.

    Quem trabalha à noite pode compensar o sono durante o dia?

    A compensação completa do sono perdido durante a noite é mais difícil, porque o ciclo circadiano regula o funcionamento dos hormônios, da temperatura corporal e do metabolismo — e as funções se organizam em torno do repouso noturno.

    Logo, mesmo que a pessoa durma a mesma quantidade de horas durante o dia, a qualidade tende a ser menor, com sono mais fragmentado e menos profundo.

    Para ter algum grau de compensação, é importante garantir a melhor qualidade possível do sono, a partir de medidas como:

    • Higiene do sono: manter hábitos regulares de descanso, evitando telas antes de dormir e criando uma rotina fixa de horários;
    • Dormir em um quarto escuro e silencioso durante o dia: cortinas blackout, tampões auriculares, máscara para os olhos e redução máxima de ruídos externos ajudam a melhorar a profundidade do sono;
    • Evitar exposição solar logo após acordar: a luz natural sinaliza para o organismo que o dia começou, o que pode dificultar o ajuste do ciclo circadiano e piorar a sonolência;
    • Tentar dormir um pouco antes de iniciar o trabalho noturno: um cochilo de preparação aumenta a reserva de energia e reduz o prejuízo metabólico durante as horas em que o corpo deveria estar naturalmente dormindo;
    • Tirar cochilos curtos durante o turno: curtos períodos de descanso (20 a 30 minutos) já são capazes de melhorar o alerta, reduzir lapsos de atenção e diminuir a pressão fisiológica do turno invertido.

    Quando for dormir, o ideal é que o sono seja ininterrupto, mesmo que dure menos tempo. Mesmo que a recuperação não seja plena, os cuidados já contribuem para preservar o funcionamento do organismo e reduzir o impacto do trabalho noturno sobre a saúde.

    Sinais da falta de sono para a saúde

    A privação de sono ou sono irregular pode manifestar uma série de sintomas, que Juliana aponta:

    • Cansaço constante;
    • Sonolência excessiva durante o dia;
    • Irritabilidade e piora do humor;
    • Ansiedade e sintomas depressivos;
    • Dificuldade de concentração e perda de memória;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Queda da imunidade.

    Os sinais podem aparecer de maneira lenta e progressiva, mas devem ser levados em consideração, porque indicam que o organismo está entrando em desequilíbrio.

    Não posso mudar o horário de trabalho, o que fazer?

    Quando não é possível trocar o turno de trabalho, o ideal é reduzir danos, adotando uma rotina de cuidados que ajude a proteger o organismo dos efeitos do sono irregular e da vigília prolongada. Entre eles, é possível destacar:

    • Priorizar a melhor qualidade de sono possível, mesmo durante o dia;
    • Manter alimentação equilibrada e evitar refeições muito pesadas na madrugada;
    • Fazer atividade física regularmente (em qualquer horário que seja possível);
    • Controlar o estresse, evitando café em excesso e estimulantes no fim do turno;
    • Limitar o consumo de álcool e ultraprocessados;
    • Manter acompanhamento médico regular, com controle de pressão, colesterol e glicemia.

    As medidas ajudam a proteger o sistema cardiovascular e reduzem parte do impacto que o trabalho noturno provoca no organismo.

    Confira: Dormir mal prejudica a saúde do coração? Conheça os riscos

    Perguntas frequentes

    O que é um sono irregular?

    O sono irregular consiste em dormir em horários que variam muito ao longo da semana, mudar bruscamente o momento em que se dorme e se acorda, alternar noite e dia sem padrão, ou quebrar o sono em vários períodos curtos.

    Quando isso acontece, o corpo não consegue programar os processos fisiológicos de forma estável. O relógio biológico não tem previsibilidade e começa a falhar em funções básicas como regular hormônios, temperatura corporal, apetite, humor e pressão arterial. Com o tempo, a falta de constância desequilibra o metabolismo e pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

    Por que dormir mal interfere no humor e na saúde mental?

    O sono profundo regula neurotransmissores importantes, como serotonina, dopamina e noradrenalina, todos envolvidos no humor e bem-estar emocional. Quando o sono é fragmentado ou insuficiente, acontece um desequilíbrio químico que pode levar a irritabilidade, ansiedade, impulsividade e sintomas depressivos.

    Ah, e o cérebro tem mais dificuldade para processar emoções, filtrar estímulos e interpretar situações sociais com clareza. Assim, quem dorme mal tem maior chance de reagir de forma exagerada a situações simples ou de sentir piora de sintomas psicológicos já existentes.

    Por que telas atrapalham o sono?

    A luz azul emitida por celulares, tablets e computadores inibe a produção de melatonina, o hormônio que sinaliza ao corpo que está na hora de dormir. O conteúdo consumido nas telas também costuma ser estimulante, deixando o cérebro em alerta e prolongando o estado de vigília. Por isso, o recomendado é evitar telas pelo menos uma hora antes de deitar.

    É normal acordar várias vezes durante a noite?

    Acordar várias vezes durante a noite pode acontecer de vez em quando, mas quando isso vira rotina, pode indicar um problema chamado insônia de manutenção.

    Isso pode acontecer devido a fatores emocionais, como estresse e ansiedade, a hábitos inadequados de sono e a condições físicas, como refluxo ou apneia do sono, além de ambientes pouco favoráveis ao descanso. Como os despertares fragmentam os ciclos de sono e prejudicam o descanso profundo, podem afetar diretamente a disposição, o humor e a saúde ao longo do dia.

    Por isso, se o problema é constante e está impactando a qualidade de vida, procure atendimento médico para identificar a causa e definir o tratamento mais adequado.

    Tomar melatonina é seguro?

    A melatonina pode ser útil em situações específicas, como jet lag, adaptação temporária de horários ou alguns distúrbios de ritmo circadiano. Porém, ela não deve ser usada sem orientação médica, já que as doses encontradas em suplementos variam muito e, em alguns casos, são mais altas do que o necessário. Isso pode causar sonolência residual no dia seguinte, alterações de humor e piora do ciclo sono–vigília a longo prazo.

    Veja mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

  • Desidratação aumenta o risco de infarto? Conheça os riscos e como evitar 

    Desidratação aumenta o risco de infarto? Conheça os riscos e como evitar 

    Durante períodos de calor intenso ou prática de atividades físicas prolongadas, como treinos de resistência e corridas, é bastante comum o corpo perder água e sais minerais por meio do suor — sendo importante repor adequadamente os líquidos para evitar a desidratação. Desequilíbrios podem comprometer o funcionamento de órgãos vitais, especialmente o coração.

    Quando o organismo perde líquidos em excesso, o sangue se torna mais espesso e o volume circulante diminui. Como consequência, o coração precisa bater com mais força e rapidez para manter a pressão arterial e garantir que o oxigênio chegue aos tecidos.

    O esforço extra aumenta a sobrecarga cardíaca, o que pode ser perigoso sobretudo para pessoas com doenças cardiovasculares, hipertensão ou histórico de infarto. Vamos entender mais, a seguir.

    Mas como ocorre a hidratação?

    A desidratação acontece quando o corpo perde mais líquidos do que consome, provocando um desequilíbrio entre água e sais minerais, especialmente sódio e potássio, que são fundamentais para o bom funcionamento das células. A perda pode acontecer de forma gradual ou rápida, dependendo da causa e da intensidade.

    Normalmente, o organismo elimina líquidos por meio do suor, urina, fezes e respiração. Mas, em situações como exposição prolongada ao calor, prática intensa de exercícios, febre, vômitos ou diarreia, a perda de água e eletrólitos tende a ser muito maior. Quando você não faz a reposição adequada de líquidos, o volume de sangue circulante diminui e os tecidos passam a receber menos oxigênio e nutrientes.

    Como há menos líquido disponível, o corpo tenta se adaptar: os rins reduzem a produção de urina, a pele fica seca e a temperatura corporal tende a aumentar. O sangue, mais espesso, circula com dificuldade, exigindo maior esforço do coração para manter o fluxo.

    Se a desidratação ficar mais grave, podem surgir sintomas como tontura, fraqueza, queda de pressão, batimentos acelerados e confusão mental, caracterizando um quadro de risco que precisa de reposição imediata de líquidos e, em casos graves, atendimento médico urgente.

    Desidratação afeta a pressão arterial?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a desidratação pode causar um quadro de hipotensão, que é a queda na pressão arterial. Ela ocorre porque a redução do volume sanguíneo leva à diminuição da pressão exercida pelo sangue nas paredes dos vasos, comprometendo o fluxo adequado para os órgãos vitais — o que pode causar sintomas como tonturas, náuseas e desmaios.

    Em alguns casos, pode acontecer um aumento transitório e discreto da pressão, pois o organismo tenta compensar a perda de líquido liberando hormônios que causam o estreitamento dos vasos sanguíneos.

    Embora seja uma forma de defesa do corpo, ele pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, ainda mais em quem convive com hipertensão ou doenças cardíacas pré-existentes.

    Desidratação é perigosa para o coração?

    Em quadros de desidratação, há risco de queda acentuada da pressão arterial, aceleração dos batimentos, arritmias, tontura, fraqueza e desmaios. A sobrecarga cardíaca também pode desencadear crises hipertensivas, infarto e AVC, sobretudo em pessoas com histórico de doenças cardiovasculares, insuficiência cardíaca ou hipertensão.

    Além dos distúrbios de ritmo, a perda de líquidos e sais minerais intensifica o esforço do coração e reduz a oxigenação dos tecidos, o que pode causar sensação de cansaço extremo e mal-estar generalizado. O desequilíbrio de eletrólitos, principalmente de sódio e potássio, agrava o risco de irregularidades na condução elétrica cardíaca, elevando as chances de complicações graves.

    De acordo com Juliana, os idosos são mais vulneráveis à desidratação porque apresentam alterações naturais do envelhecimento, como a diminuição da sensação de sede e, muitas vezes, a função renal menos eficiente. Isso dificulta a reposição adequada de líquidos e aumenta o risco de desidratação.

    Em pessoas com doenças cardíacas, a cardiologista explica que o coração já tem dificuldade em manter um fluxo sanguíneo adequado. A desidratação exige esforço adicional para bombear um sangue mais espesso e em menor quantidade, o que pode provocar complicações graves. Pacientes com insuficiência cardíaca, por exemplo, podem ter maior risco de infarto e AVC.

    Sinais de desidratação para ficar atento

    Os primeiros sintomas de desidratação incluem:

    • Sede intensa e boca seca;
    • Urina escura e em pequena quantidade;
    • Cansaço e fraqueza generalizada;
    • Dor de cabeça e tontura;
    • Pele e lábios ressecados;
    • Confusão mental ou dificuldade de concentração;
    • Ausência de urina por várias horas.

    Em casos moderados a graves, podem surgir palpitações, aceleração dos batimentos cardíacos, queda de pressão, náusea, confusão mental e desmaios. Os sintomas indicam que o corpo já perdeu quantidade significativa de líquidos e sais minerais, o que compromete a circulação e o funcionamento do coração.

    Entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, a desidratação pode evoluir rapidamente. A ausência de suor em dias quentes, a falta de urina por muitas horas ou a sonolência excessiva são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata.

    Como prevenir a desidratação e proteger o coração?

    Manter o corpo hidratado é uma das principais medidas para prevenir a desidratação e garantir o bom funcionamento do coração, especialmente durante períodos de calor intenso ou em situações que aumentam a perda de líquidos, como atividade física ou febre.

    Outras medidas importantes para adotar no dia a dia incluem:

    • Prefira água, água de coco ou bebidas isotônicas em casos de suor excessivo;
    • Evite o consumo exagerado de café, álcool e refrigerantes, que favorecem a perda de líquidos;
    • Use roupas leves, claras e de tecidos que permitam ventilação;
    • Evite exposição solar entre 10h e 16h;
    • Mantenha ambientes ventilados e frescos, com uso de ventilador ou ar-condicionado quando possível;
    • Faça pausas durante atividades físicas em dias quentes;
    • Observe sinais como urina escura, tontura, fraqueza ou palpitações e procure atendimento se persistirem;
    • Pessoas com doenças cardíacas devem seguir orientação médica sobre a quantidade ideal de líquidos e possíveis ajustes de medicamentos.

    Beber água em excesso também é perigoso?

    Tudo em excesso pode prejudicar a saúde, inclusive o consumo de água. Segundo Juliana, o consumo exagerado de líquidos em um curto período pode causar hiponatremia, condição em que o sangue se torna muito diluído e o nível de sódio cai. O sódio, inclusive, é fundamental para o funcionamento adequado do organismo e para a manutenção dos batimentos cardíacos.

    O excesso de água também pode provocar inchaço das células, inclusive das cerebrais, causando alterações neurológicas e cardíacas graves. Em situações extremas, a diluição excessiva compromete o funcionamento do sistema nervoso e pode levar a uma parada cardíaca.

    Existe uma quantidade ideal de líquidos por dia?

    A quantidade ideal de líquidos deve ser individualizada e determinada pelo médico, segundo Juliana. Para a maioria das pessoas, o recomendado é a ingestão de 2 a 2,5 litros de líquidos por dia.

    Entretanto, pacientes com insuficiência cardíaca podem apresentar dificuldade em eliminar o excesso de líquidos, o que favorece a retenção e o acúmulo, especialmente nos pulmões, agravando o quadro clínico.

    Nessas situações, a cardiologista explica que pode ser orientado uma restrição hídrica, limitando a ingestão diária (em alguns casos, a aproximadamente 1 litro) conforme a gravidade e as necessidades específicas de cada paciente, como finaliza a cardiologista.

    Veja também: Por que beber água é tão importante para os rins e a bexiga?

    Perguntas frequentes

    A falta de água pode causar arritmia cardíaca?

    Pode, sim. A desidratação causa desequilíbrio de eletrólitos, como sódio e potássio, fundamentais para a condução elétrica que regula os batimentos cardíacos. Quando há carência de minerais, o coração pode apresentar ritmo irregular, palpitações e arritmias. Em quadros mais severos, essa instabilidade elétrica pode gerar complicações graves e até risco de parada cardíaca.

    O que fazer para se hidratar corretamente?

    A melhor forma é beber água em pequenas quantidades ao longo do dia, sem esperar sentir sede. Os alimentos ricos em água, como frutas, verduras e sopas, também ajudam. Em situações de calor ou transpiração intensa, é indicado repor sais minerais com água de coco ou bebidas isotônicas. A hidratação deve ser constante, e não concentrada em grandes volumes de uma só vez.

    Quando procurar atendimento médico por desidratação?

    O atendimento deve ser buscado sempre que houver sinais de desidratação moderada ou grave, como sede intensa, urina escura ou ausente, tontura, fraqueza extrema, confusão mental, dor no peito ou palpitações.

    Crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas devem ser avaliadas mais rapidamente, pois o risco de complicações é maior. O tratamento pode incluir reposição de líquidos por via oral ou intravenosa, dependendo da gravidade do quadro.

    O café e o álcool favorecem a desidratação?

    Sim, tanto o café quanto o álcool têm efeito diurético, estimulando o corpo a eliminar mais líquidos pela urina. Quando consumidos em excesso, aumentam o risco de desidratação, especialmente em dias de calor ou durante atividades físicas intensas.

    Como identificar a desidratação leve antes que piore?

    Os primeiros sinais leves de desidratação são sede, boca seca, urina mais escura e sensação de cansaço. Se não houver reposição de líquidos, surgem tontura, dor de cabeça e palpitações. Observar a cor da urina é uma boa forma de monitorar o nível de hidratação: quanto mais clara, melhor.

    Qual é o melhor tipo de bebida para hidratação?

    A água é sempre a melhor opção para se hidratar, no entanto, em situações de grande perda de líquidos, bebidas isotônicas ou água de coco ajudam a repor eletrólitos. Sucos naturais também contribuem para melhorar o quadro, desde que sem excesso de açúcar.

    Confira: Descubra quanto de água você deve tomar por dia