Autor: Dra. Juliana Soares

  • Mamografia: o exame que ajuda a detectar câncer de mama antes dos sintomas 

    Mamografia: o exame que ajuda a detectar câncer de mama antes dos sintomas 

    A mamografia é um dos exames mais importantes para a saúde da mulher. Realizada com um aparelho de raio X, permite identificar alterações sutis nas mamas — como nódulos e microcalcificações — antes mesmo de serem perceptíveis ao toque. Esse diagnóstico precoce é essencial para detectar o câncer de mama em estágios iniciais, quando as chances de cura são muito maiores.

    Com o avanço da tecnologia, o exame tornou-se mais rápido, preciso e confortável. Hoje, existem versões digitais e tridimensionais (3D), que oferecem imagens mais nítidas e detalhadas, tornando a mamografia um dos pilares da prevenção e do autocuidado feminino.

    Como o exame surgiu e evoluiu

    Os primeiros aparelhos de mamografia produziam imagens simples, em preto e branco. Com o tempo, surgiram os equipamentos digitais, que oferecem melhor qualidade e armazenamento eletrônico, e a mamografia 3D (tomossíntese), que cria imagens em camadas e facilita a detecção de pequenas alterações.

    Esses avanços aumentaram a precisão e o conforto do exame, reduzindo diagnósticos equivocados e ampliando a eficácia na detecção precoce do câncer de mama.

    Tipos de mamografia

    • Mamografia convencional: utiliza filme radiográfico para registrar as imagens;
    • Mamografia digital: usa sensores eletrônicos, com melhor qualidade e armazenamento digital;
    • Mamografia 3D (tomossíntese): cria imagens em camadas e permite visualizar detalhes milimétricos, aumentando a precisão diagnóstica.

    Quando a mamografia é indicada

    O exame é indicado tanto para rastreamento preventivo quanto para investigação de sintomas.

    Prevenção (rastreamento)

    Em geral, deve ser feita a partir dos 40 anos e repetida anualmente ou a cada dois anos até os 74 anos. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou outros fatores de risco podem iniciar o rastreamento mais cedo, conforme orientação médica.

    Investigação de sintomas

    A mamografia também é indicada em casos de:

    • Presença de nódulo, dor ou secreção mamilar;
    • Alterações percebidas no autoexame;
    • Assimetria entre as mamas.

    Preparação para o exame

    • Agende o exame na primeira quinzena após o ciclo menstrual, quando as mamas estão menos sensíveis;
    • Evite desodorantes, cremes, talcos e perfumes nas axilas e mamas no dia do exame;
    • Leve exames anteriores para comparação;
    • Use roupas de duas peças (como calça e blusa) para facilitar o procedimento.

    Como o exame é feito

    Durante o exame, a mulher permanece de pé, de frente para o aparelho. O técnico posiciona a mama sobre uma placa de acrílico e a comprime por alguns segundos, etapa necessária para espalhar o tecido mamário e obter imagens nítidas com menor dose de radiação.

    São feitas duas incidências por mama, registrando ângulos diferentes. O procedimento dura poucos minutos e pode causar leve desconforto, mas não deve provocar dor intensa. Após o exame, as imagens são analisadas por um radiologista, que emite o laudo com o resultado.

    Possíveis achados no exame

    A mamografia pode identificar:

    • Nódulos;
    • Cistos mamários;
    • Microcalcificações (pequenos depósitos de cálcio);
    • Alterações suspeitas que podem exigir biópsia.

    Nem toda alteração é sinal de câncer. Muitas são benignas e apenas precisam de acompanhamento médico regular.

    Contraindicações e limitações

    • Não deve ser realizada durante a gravidez, exceto em situações de extrema necessidade e com proteção adequada;
    • Em mulheres abaixo dos 35 anos, o tecido mamário mais denso pode dificultar a leitura — nesses casos, o médico pode indicar ultrassonografia como alternativa.

    Possíveis desconfortos e riscos

    A mamografia é segura, com baixa exposição à radiação. Os principais incômodos possíveis são:

    • Leve dor ou sensibilidade durante a compressão;
    • Pequenos hematomas (raros);
    • Ansiedade antes do exame, que pode ser reduzida com explicações da equipe médica.

    Após o exame

    A paciente pode retomar suas atividades imediatamente. Os resultados ficam prontos em poucos dias. Se houver alterações, o médico pode solicitar exames complementares, como ultrassonografia ou biópsia.

    A importância da mamografia

    Realizar a mamografia regularmente é uma das formas mais eficazes de detectar o câncer de mama precocemente, muitas vezes antes de qualquer sintoma. O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e permite tratamentos menos agressivos.

    Veja mais: Autoexame: como detectar precocemente diferentes tipos de câncer

    Perguntas frequentes sobre mamografia

    1. A mamografia dói?

    Pode causar leve desconforto durante a compressão, mas a dor é passageira e depende da sensibilidade individual.

    2. Com que frequência devo fazer o exame?

    Em geral, a partir dos 40 anos, anualmente ou a cada dois anos. Mulheres com risco aumentado devem seguir orientação médica.

    3. A mamografia pode causar câncer por causa da radiação?

    Não. A dose de radiação é muito baixa e considerada segura.

    4. É preciso fazer mamografia antes dos 40 anos?

    Apenas se houver histórico familiar de câncer de mama ou recomendação médica específica.

    5. Posso fazer mamografia durante a amamentação?

    Não é o ideal, pois as mamas estão mais sensíveis e o exame pode ser menos preciso.

    6. A mamografia substitui o autoexame?

    Não. O autoexame ajuda a conhecer o próprio corpo, mas não substitui os exames de imagem recomendados.

    7. O que fazer se o resultado der alterado?

    Não se assuste. Muitas alterações são benignas. O médico indicará os exames complementares adequados para confirmar o diagnóstico.

    Leia também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

  • Gravidez ectópica: saiba o que é e os sinais da gestação fora do útero 

    Gravidez ectópica: saiba o que é e os sinais da gestação fora do útero 

    Nem toda gravidez se desenvolve onde deveria. Em alguns casos, o embrião se implanta fora do útero — nas trompas, no colo uterino, nos ovários ou até no abdômen — dando origem à gravidez ectópica. Embora rara, essa condição é uma emergência médica que pode causar hemorragia interna e colocar a vida da mulher em risco se não for identificada e tratada rapidamente.

    A gravidez ectópica ocorre em cerca de 1% a 2% das gestações. Quando diagnosticada precocemente e tratada corretamente, a maioria das mulheres se recupera bem e pode engravidar novamente no futuro.

    O que é a gravidez ectópica

    A gravidez ectópica acontece quando o embrião se desenvolve fora do útero — o local natural preparado para a gestação. A forma mais comum é a gestação tubária, quando o embrião se implanta nas trompas de Falópio. Porém, também pode ocorrer no colo do útero, nos ovários, no abdômen ou, mais raramente, em uma cicatriz de cesariana anterior.

    Apesar de rara, é perigosa porque o crescimento do embrião em um local inadequado pode romper vasos sanguíneos e causar hemorragias graves.

    Por que a gravidez ectópica acontece

    Em uma gravidez normal, o óvulo fertilizado percorre as trompas até o útero, onde se fixa. Na gravidez ectópica, algo interrompe esse trajeto, fazendo o embrião se implantar antes de chegar ao útero.

    Principais fatores de risco:

    • Infecções nas trompas (como gonorreia ou clamídia), que causam cicatrizes;
    • Cirurgias prévias nas trompas ou no útero (laqueadura, cesariana);
    • Endometriose, que provoca inflamações e aderências;
    • Tabagismo, que altera o funcionamento das trompas;
    • Tratamentos de fertilização (como FIV);
    • Idade acima dos 35 anos;
    • Uso de DIU — raro, mas aumenta o risco de ser ectópica caso ocorra gravidez;
    • Histórico anterior de gravidez ectópica.

    Mesmo assim, metade dos casos ocorre sem fatores de risco conhecidos.

    Sintomas de gravidez ectópica

    Mulheres em idade fértil com atraso menstrual e dor pélvica devem ser avaliadas para descartar essa condição. Os sintomas mais comuns são:

    • Dor abdominal ou pélvica (geralmente de um lado só);
    • Sangramento vaginal leve ou irregular;
    • Útero menor do que o esperado para a idade gestacional;
    • Mal-estar, tontura ou fraqueza.

    Se houver ruptura da trompa, a dor torna-se intensa e súbita, podendo vir acompanhada de dor no ombro, queda de pressão e desmaio — um quadro de emergência médica que exige atendimento imediato.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de sangue e ultrassonografia transvaginal.

    • Exame de β-hCG: confirma a gestação e avalia se o hormônio está subindo de forma adequada. Em gestações normais, o β-hCG dobra a cada dois dias. Se não ocorre esse aumento, há suspeita de anormalidade.
    • Ultrassonografia: se o hormônio estiver alto (acima de 2.000 mUI/mL) e não houver saco gestacional no útero, a suspeita de gravidez ectópica é forte.
    • O exame também pode identificar massas nas trompas ou em outros locais, mostrando onde o embrião está implantado.

    Quando o diagnóstico ainda não é conclusivo, a mulher é acompanhada com exames seriados até a confirmação.

    Tratamento

    A escolha do tratamento depende do estado clínico da paciente, do tamanho do saco gestacional e dos níveis de β-hCG.

    1. Tratamento com medicamentos

    Indicado quando o diagnóstico é precoce e a mulher está estável. Utiliza remédios que interrompem o crescimento do tecido gestacional, permitindo que o corpo o reabsorva naturalmente. É seguro e preserva a fertilidade.

    Durante o tratamento, deve-se evitar álcool, anti-inflamatórios e relações sexuais até a recuperação completa.

    2. Tratamento cirúrgico

    Necessário quando há risco de ruptura ou o tratamento medicamentoso não é viável. Pode ser feito por laparoscopia (minimamente invasiva) ou por cirurgia aberta em emergências.

    Opções cirúrgicas:

    • Salpingostomia: retirada apenas do tecido gestacional, preservando a trompa;
    • Salpingectomia: remoção total da trompa, se estiver muito danificada.

    3. Observação

    Em casos muito iniciais e estáveis, o médico pode apenas monitorar com exames, permitindo que o corpo elimine o tecido gestacional naturalmente.

    Prognóstico e prevenção

    Com o tratamento adequado, a maioria das mulheres se recupera completamente e pode engravidar novamente.

    Para reduzir o risco de recorrência:

    • Trate infecções ginecológicas precocemente;
    • Evite o cigarro;
    • Mantenha acompanhamento regular com o ginecologista;
    • Aguarde o período recomendado pelo médico antes de tentar nova gestação.

    Veja também: Ecocardiograma na gestação: por que é essencial para cuidar do coração da mãe e do bebê

    Perguntas frequentes sobre gravidez ectópica

    1. O que é uma gravidez ectópica?

    É uma gestação em que o embrião se desenvolve fora do útero, geralmente nas trompas de Falópio.

    2. Quais são os sintomas?

    Dor abdominal, sangramento leve, tontura e fraqueza. Se houver ruptura da trompa, a dor é intensa e pode causar desmaio.

    3. Como é feito o diagnóstico?

    Com o exame de β-hCG e o ultrassom transvaginal, que mostram a ausência de saco gestacional no útero e possíveis massas nas trompas.

    4. É possível tratar sem cirurgia?

    Sim, se o diagnóstico for precoce e a mulher estiver estável, o tratamento pode ser feito com medicamentos.

    5. A gravidez ectópica pode acontecer mais de uma vez?

    Sim, especialmente em mulheres com histórico anterior ou alterações nas trompas.

    6. Dá para engravidar novamente após uma gravidez ectópica?

    Na maioria dos casos, sim — principalmente quando o tratamento é feito cedo e há preservação das trompas.

    7. Como prevenir?

    Tratando infecções ginecológicas, evitando o cigarro e fazendo acompanhamento médico antes de tentar engravidar.

    Leia também: Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

  • Quando a alergia vira emergência: entenda a anafilaxia 

    Quando a alergia vira emergência: entenda a anafilaxia 

    Coceira, inchaço, falta de ar e tontura podem parecer sintomas isolados, mas juntos podem indicar uma das emergências médicas mais graves: a anafilaxia. Essa reação alérgica intensa se manifesta rapidamente, pode comprometer vários órgãos ao mesmo tempo e exige atendimento imediato.

    A anafilaxia ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias normalmente inofensivas — como alimentos, medicamentos ou picadas de insetos. Reconhecer os sinais e agir rápido pode salvar vidas.

    O que acontece no corpo durante uma anafilaxia

    Durante a crise, o corpo libera substâncias químicas (como a histamina) que dilatam os vasos e aumentam sua permeabilidade. Isso causa inchaço, vermelhidão, queda de pressão, falta de ar e urticária.

    A anafilaxia pode surgir em minutos após o contato com o agente causador — e quanto mais rápida a reação, maior o risco. Mesmo após o tratamento, os sintomas podem voltar horas depois (reação bifásica).

    Causas mais comuns de anafilaxia

    Diversas substâncias podem causar crises. As mais frequentes incluem:

    Alimentos

    Amendoim, castanhas, nozes, peixes, camarão, frutos do mar, leite, ovos, soja, trigo e gergelim. Em casos graves, até o cheiro ou pequenas partículas podem provocar reação.

    Picadas de insetos

    Abelhas, vespas e formigas são as principais causas.

    Medicamentos

    Antibióticos (penicilina, cefalosporinas), anti-inflamatórios (aspirina, ibuprofeno), anestésicos e relaxantes musculares usados em cirurgias.

    Látex

    Presente em luvas, balões, preservativos e materiais hospitalares.

    Contrastes usados em exames

    Produtos com iodo podem causar reação em pessoas sensíveis.

    Pólen

    Mais raro, mas pode causar anafilaxia em indivíduos com alergia severa.

    Sintomas: como reconhecer

    Os sintomas aparecem rapidamente — geralmente em minutos — e afetam várias partes do corpo simultaneamente.

    Pele e mucosas

    • Coceira e vermelhidão;
    • Urticária (vergões avermelhados);
    • Inchaço em lábios, olhos, língua ou garganta (angioedema).

    Sistema respiratório

    • Nariz entupido, espirros, tosse;
    • Rouquidão e sensação de nó na garganta;
    • Falta de ar, chiado, aperto no peito e dificuldade para respirar.

    Coração e circulação

    • Queda de pressão;
    • Tontura e fraqueza;
    • Batimentos acelerados ou irregulares;
    • Desmaio.

    Trato digestivo

    • Dor abdominal e cólicas;
    • Náuseas, vômitos ou diarreia.

    Outros sinais

    • Visão turva;
    • Confusão mental;
    • Sensação de desmaio iminente.

    Nos casos mais graves, ocorre o choque anafilático, com queda brusca da pressão e falha na oxigenação dos órgãos — situação potencialmente fatal em minutos.

    Diagnóstico da anafilaxia

    O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no histórico de exposição a um alérgeno. Exames como dosagem de triptase podem confirmar o quadro posteriormente, mas o tratamento deve começar imediatamente, sem esperar resultados laboratoriais.

    Tratamento

    A epinefrina (adrenalina) é o tratamento de primeira escolha e deve ser aplicada o quanto antes, preferencialmente na coxa, por injeção intramuscular.

    A adrenalina:

    • Relaxará os músculos das vias aéreas;
    • Aumentará a pressão arterial;
    • Reduzirá o inchaço e os sintomas da reação.

    Após a aplicação, outros medicamentos podem ser usados para controlar coceira, urticária e prevenir recaídas. O paciente deve permanecer em observação por pelo menos 4 horas, pois os sintomas podem retornar. Casos graves exigem internação em UTI.

    Em alguns países, há o autoaplicador de adrenalina (EpiPen®) para uso emergencial. No Brasil, ele ainda não está disponível.

    Confira: Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

    Complicações

    Quando tratada rapidamente, a recuperação é completa. Porém, o atraso na aplicação da adrenalina pode causar:

    • Choque anafilático;
    • Falta de oxigenação cerebral;
    • Parada cardíaca;
    • Morte súbita.

    Prevenção e cuidados

    • Identificar e evitar totalmente o agente causador;
    • Informar familiares e amigos sobre a alergia e os procedimentos de emergência;
    • Carregar identificação médica (pulseira/cartão);
    • Consultar um alergologista para investigação e possível imunoterapia (dessensibilização).

    Veja mais: Janela imunológica: como prevenir alergia alimentar em bebês

    Perguntas frequentes sobre anafilaxia

    1. O que é anafilaxia?

    É uma reação alérgica grave e rápida, que pode afetar vários órgãos e colocar a vida em risco.

    2. Quais são os primeiros sinais?

    Coceira, inchaço no rosto ou garganta, falta de ar, tontura e queda de pressão.

    3. Qual o tratamento imediato?

    A aplicação de adrenalina intramuscular (na coxa). É uma emergência médica e deve ser feita o quanto antes.

    4. A anafilaxia pode acontecer novamente?

    Sim. Mesmo após o tratamento, os sintomas podem reaparecer horas depois (reação bifásica).

    5. Quem tem alergia grave deve fazer o quê?

    Consultar um alergologista, identificar o agente causador e evitar totalmente o contato.

    6. A anafilaxia pode matar?

    Sim. Sem tratamento imediato, pode evoluir para choque anafilático e parada cardíaca.

    Leia mais: Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

  • Dengue hemorrágica: quando os sintomas indicam alerta máximo 

    Dengue hemorrágica: quando os sintomas indicam alerta máximo 

    Com a chegada de mais um período de aumento dos casos de dengue, cresce também a preocupação com a forma mais perigosa da doença: a dengue hemorrágica, também chamada de dengue grave. Embora a maioria das pessoas infectadas apresente sintomas leves e se recupere em poucos dias, uma parte dos pacientes pode evoluir para esse quadro, que traz complicações sérias e exige atendimento médico imediato.

    Segundo o Ministério da Saúde, quase todas as mortes por dengue poderiam ser evitadas com diagnóstico e tratamento rápidos. O problema é que a dengue hemorrágica pode apresentar sintomas enganosos — muitas vezes o paciente acredita que melhorou, mas a doença retorna com força logo depois. Reconhecer os sinais de alerta e buscar ajuda o quanto antes é fundamental para evitar o agravamento.

    Quando acontece a dengue hemorrágica

    A fase crítica da dengue costuma ocorrer entre o terceiro e o sétimo dia após o início dos primeiros sintomas. É justamente nesse momento — quando a febre começa a ceder — que podem aparecer os sinais de alerta, indicando que o organismo está reagindo de forma mais intensa ao vírus.

    Esses sinais acontecem quando o sangue começa a extravasar dos vasos para os tecidos (extravasamento de plasma) ou quando surgem pequenos sangramentos internos. É nessa etapa que a doença se torna perigosa e pode evoluir para choque, falência de órgãos ou hemorragias graves, exigindo atendimento médico de urgência.

    Importante: o desaparecimento da febre não significa melhora. O paciente deve continuar em observação até a recuperação completa.

    O que caracteriza a dengue hemorrágica

    A dengue hemorrágica ocorre quando o corpo perde o equilíbrio na resposta inflamatória. O Ministério da Saúde descreve três principais características:

    • Perda de plasma — o sangue perde líquido para os tecidos, o que causa inchaço ou acúmulo de fluido na barriga e nos pulmões;
    • Sangramentos importantes — o corpo não consegue conter hemorragias internas ou externas;
    • Comprometimento de órgãos — o vírus pode afetar fígado, rins, coração e outros sistemas vitais.

    Quem tem mais risco de complicações

    Qualquer pessoa pode desenvolver a forma grave da dengue, mas alguns grupos exigem atenção redobrada:

    • Gestantes;
    • Crianças pequenas e idosos;
    • Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, asma ou anemia;
    • Quem já teve dengue anteriormente, causada por outro sorotipo do vírus, também tem mais risco de complicações.

    Principais sinais de alerta da dengue hemorrágica

    Os seguintes sintomas exigem atenção e devem motivar procura imediata por atendimento médico:

    • Dor abdominal forte e contínua ou dor ao tocar o abdômen;
    • Vômitos persistentes ou com sangue;
    • Inchaço abdominal ou acúmulo de líquido no tórax;
    • Sangramentos no nariz, gengivas ou fezes;
    • Irritabilidade, sonolência excessiva ou confusão mental;
    • Tontura, desmaio ou queda de pressão;
    • Exames laboratoriais com plaquetas muito baixas ou hematócrito elevado, indicando risco de choque.

    O que fazer se esses sintomas aparecerem

    Ao perceber qualquer um desses sinais, procure imediatamente uma unidade de saúde ou pronto-socorro. Não espere para ver se melhora — a evolução pode ser rápida e grave.

    Na fase hemorrágica, o tratamento é feito com internação hospitalar, hidratação venosa e monitoramento contínuo dos sinais vitais. Em casos mais sérios, o paciente pode precisar de suporte para os órgãos e cuidados intensivos.

    Veja mais: Dengue no Brasil: por que a doença volta todo ano?

    A importância da prevenção e do diagnóstico precoce

    Evitar a dengue hemorrágica começa antes do agravamento: é preciso impedir a transmissão do vírus. O combate ao mosquito Aedes aegypti continua sendo a principal forma de prevenção, mas há outras estratégias importantes.

    • Vacinação: já disponível em parte da rede pública, reduz as formas graves da doença;
    • Manter boa hidratação e repouso durante o quadro febril;
    • Evitar automedicação, especialmente com anti-inflamatórios e aspirina, que aumentam o risco de sangramento;
    • Buscar atendimento médico ao primeiro sinal de febre, dor intensa ou mal-estar persistente.

    O diagnóstico precoce é essencial para um tratamento eficaz e para evitar complicações graves.

    Confira: Dengue: o que você precisa saber para se proteger

    Perguntas frequentes sobre dengue hemorrágica

    1. Toda dengue pode virar dengue hemorrágica?

    Não. A maioria das pessoas tem a forma leve e se recupera com repouso e hidratação. No entanto, alguns casos evoluem para formas mais graves, principalmente quando há sinais de alerta. Por isso, é fundamental observar os sintomas e procurar atendimento se houver piora.

    2. Em que momento a dengue pode se agravar?

    Entre o terceiro e o sétimo dia da doença, quando a febre começa a desaparecer. É nessa fase que o corpo pode reagir de forma mais intensa, com dor abdominal, vômitos, tontura ou sangramentos.

    3. O que eu não devo fazer se desconfiar de dengue hemorrágica?

    Evite tomar medicamentos por conta própria, especialmente anti-inflamatórios e aspirina, pois aumentam o risco de sangramento. O ideal é procurar atendimento médico o quanto antes.

    4. Como diferenciar dengue hemorrágica de outras viroses fortes?

    A presença de sinais de alerta é o principal diferencial: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura e fraqueza. Em caso de dúvida, busque avaliação médica e realize exames laboratoriais.

    5. Existe um remédio específico para dengue hemorrágica?

    Ainda não. O tratamento é de suporte, baseado em hidratação e acompanhamento clínico para evitar complicações. O que realmente salva vidas é o atendimento rápido e o reconhecimento precoce dos sintomas graves.

    Leia também: Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer

  • Dengue no Brasil: por que a doença volta todo ano

    Dengue no Brasil: por que a doença volta todo ano

    Com o avanço das altas temperaturas e o retorno das chuvas, o Brasil revive uma velha conhecida: a dengue. Todos os anos, a doença reaparece com força em praticamente todas as regiões do país, colocando vidas em risco e sobrecarregando o sistema de saúde.

    A reincidência anual da dengue ainda levanta dúvidas: afinal, por que, mesmo com campanhas e ações de prevenção, o país não consegue romper esse ciclo?

    A resposta está na combinação de fatores ambientais, urbanos e biológicos. O mosquito Aedes aegypti encontra nas cidades brasileiras o cenário ideal para se reproduzir — calor, água parada e falhas no saneamento. A presença contínua do vetor, somada à circulação de diferentes sorotipos do vírus e às mudanças climáticas, faz com que a dengue volte a cada ano, em um padrão previsível e difícil de conter.

    Um padrão sazonal claro

    De acordo com o Ministério da Saúde, a dengue segue um padrão sazonal, com aumento de casos e risco de epidemias principalmente entre outubro e maio. Estudos confirmam que variáveis como temperatura e volume de chuvas exercem influência direta na transmissão da doença.

    Na prática, durante o verão e nos meses que o antecedem, há mais água parada, mais calor e maior umidade — condições perfeitas para a reprodução do mosquito transmissor.

    O vetor sempre presente

    O Aedes aegypti é um mosquito altamente adaptado ao ambiente urbano. Ele coloca ovos em pequenos recipientes com água e se desenvolve em casas, quintais e bairros densamente povoados.

    No Brasil, essas condições permanecem durante todo o ano, o que significa que o risco de surto nunca desaparece por completo. Embora a dengue tenha sazonalidade, os cuidados de prevenção devem ser mantidos de forma contínua.

    Além disso, problemas como urbanização acelerada, saneamento insuficiente e crescimento desordenado das cidades tornam o ambiente ainda mais favorável à presença do mosquito.

    Sorotipos, imunidade e ciclos de epidemias

    A dengue é causada por quatro sorotipos do vírus — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Uma pessoa que teve dengue por um desses tipos pode se infectar novamente por outro, o que gera novos ciclos de transmissão e aumenta o risco de casos graves.

    Mesmo cidades que já enfrentaram epidemias anteriores podem ter novos surtos quando um novo sorotipo volta a circular ou quando as condições ambientais favorecem o mosquito. Esse é um dos principais motivos para que a dengue retorne todos os anos.

    Por que não paramos os surtos?

    Mesmo conhecendo bem o comportamento da dengue, há vários fatores que dificultam o controle dos surtos:

    • As ações preventivas muitas vezes são reativas, intensificadas apenas após o aumento de casos;
    • A eliminação completa do mosquito é muito difícil em áreas urbanas complexas;
    • As mudanças climáticas, com aumento da temperatura e eventos extremos, ampliam as zonas de risco da Aedes aegypti;
    • A mobilidade urbana e as falhas no saneamento facilitam a dispersão do vírus;
    • A população tende a negligenciar a prevenção e não eliminar focos de água parada.

    O que isso significa para a população

    Para o cidadão, o fato de a dengue voltar todo ano mostra que não dá para baixar a guarda. A prevenção precisa ser constante, não apenas em períodos de alerta.

    Medidas individuais importantes:

    • Eliminar criadouros de água parada dentro e fora de casa;
    • Usar repelente e roupas que cubram o corpo, especialmente em horários de maior atividade do mosquito (manhã e fim da tarde);
    • Verificar semanalmente o ambiente e conversar com vizinhos sobre o controle da dengue.

    Também é fundamental que os programas públicos de saúde ajam de forma antecipada — com campanhas educativas, mutirões de limpeza e monitoramento constante antes do aumento dos casos.

    Veja mais: Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer

    Perguntas frequentes sobre dengue no Brasil

    1. Por que a dengue aparece todo ano no Brasil?

    Porque os fatores que favorecem a transmissão — clima quente, chuvas, água parada e presença do Aedes aegypti — se repetem anualmente. Além disso, há vários sorotipos do vírus em circulação e condições urbanas que favorecem criadouros.

    2. Existe um “período seguro” sem risco de dengue?

    Não completamente. Embora os casos sejam mais frequentes entre outubro e maio, o risco de transmissão nunca é zero. O combate ao mosquito deve ocorrer durante o ano todo.

    3. Se limparmos bem os quintais, a epidemia não vem?

    Eliminar criadouros é essencial, mas não basta. O mosquito se reproduz em diversos locais e o vírus pode circular entre municípios, o que mantém o risco mesmo em áreas que adotam boas práticas.

    4. As mudanças climáticas aumentam o risco de dengue?

    Sim. O aquecimento global e a alteração dos padrões de chuva favorecem a proliferação do mosquito. Fenômenos como o El Niño também elevam as temperaturas e a umidade, criando condições ideais para o aumento de casos.

    5. O que posso fazer para me proteger durante o período crítico?

    • Reserve 10 minutos por semana para eliminar água parada (vasos, calhas, caixas d’água);
    • Use repelente e roupas compridas ao amanhecer e entardecer;
    • Fique atento a sintomas como febre alta, dor atrás dos olhos e manchas no corpo;
    • Procure atendimento médico ao menor sinal de suspeita;
    • Continue usando repelente mesmo após o diagnóstico, para evitar que o mosquito transmita o vírus a outras pessoas;
    • Participe das campanhas de prevenção na sua comunidade.

    Leia mais: Dengue: o que você precisa saber para se proteger

  • Demência: como reconhecer os sinais e entender os tipos mais comuns 

    Demência: como reconhecer os sinais e entender os tipos mais comuns 

    Esquecer compromissos, repetir perguntas, perder objetos e se desorientar em lugares familiares podem parecer distrações do dia a dia. No entanto, esses sinais podem indicar demência, um conjunto de síndromes que comprometem funções cerebrais como memória, linguagem, raciocínio e comportamento.

    A demência não é uma doença única, mas um grupo de condições neurológicas que afetam o funcionamento do cérebro. As mais conhecidas são Alzheimer, demência vascular, demência com corpos de Lewy e demência frontotemporal. Embora o avanço seja gradual, o diagnóstico precoce e o suporte adequado fazem grande diferença na qualidade de vida do paciente e da família.

    O que é a demência

    A demência é caracterizada pela perda progressiva das funções cognitivas — como memória, atenção, raciocínio, linguagem e habilidades motoras. Essas alterações interferem no desempenho profissional, social e nas tarefas simples do cotidiano, comprometendo a autonomia e a convivência social.

    Com o tempo, a perda cognitiva se agrava, e o paciente passa a depender de cuidados contínuos e apoio constante de familiares e cuidadores.

    Sintomas da demência

    Os sintomas variam de acordo com o tipo e a região do cérebro afetada, mas os sinais mais comuns incluem:

    • Perda de memória e esquecimentos frequentes;
    • Dificuldade em realizar tarefas conhecidas;
    • Problemas de raciocínio e orientação espacial;
    • Alterações de comportamento e humor;
    • Confusão mental e desorientação;
    • Agressividade ou apatia;
    • Dificuldade de linguagem e atenção.

    Esses sintomas pioram progressivamente, passando de pequenas falhas de memória a comprometimentos severos das funções básicas.

    Tipos mais comuns de demência

    Existem várias formas de demência, mas quatro tipos se destacam pela frequência e impacto clínico.

    Doença de Alzheimer

    É a forma mais comum, responsável por mais da metade dos casos. Ocorre devido ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, que formam placas e causam atrofia cerebral, prejudicando a comunicação entre os neurônios.

    Principais sintomas:

    • Perda de memória recente;
    • Dificuldade de orientação em tempo e espaço;
    • Alterações de linguagem;
    • Mudanças de comportamento e equilíbrio;
    • Evolução lenta e progressiva.

    Demência Vascular

    É a segunda mais frequente e ocorre devido a problemas nos vasos sanguíneos cerebrais, como AVC, que reduzem o fluxo de oxigênio no cérebro.

    Sintomas principais:

    • Início súbito após um evento vascular;
    • Alterações de memória;
    • Dificuldades de movimento, fala ou visão;
    • Alterações de humor e raciocínio.

    Fatores de risco: hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo.

    Demência com Corpos de Lewy

    Provocada pelo acúmulo de proteínas anormais (corpos de Lewy) nas células nervosas. Combina sintomas cognitivos e motores.

    Sintomas característicos:

    • Rigidez e lentidão dos movimentos (semelhante ao Parkinson);
    • Alucinações visuais vívidas (ver pessoas ou animais que não existem);
    • Oscilações no estado de atenção e alerta.

    Demência Frontotemporal

    Decorre da degeneração dos lobos frontal e temporal do cérebro, responsáveis por comportamento, linguagem e tomada de decisões.

    Sinais iniciais:

    • Mudanças de personalidade e comportamento (impulsividade, perda de crítica, isolamento);
    • Dificuldade de linguagem (repetição de palavras, fala reduzida, dificuldade para nomear objetos);
    • A memória tende a se manter preservada nas fases iniciais.

    É o tipo de demência que pode surgir mais cedo, muitas vezes antes dos 65 anos.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico exige avaliação clínica detalhada e exames complementares.

    Avaliação médica

    • Histórico dos sintomas e sua evolução;
    • Testes cognitivos (memória, atenção, nomeação e desenho de relógio);
    • Análise da capacidade de realizar atividades diárias.

    Exames complementares

    • Exames de sangue para descartar outras doenças;
    • Tomografia ou ressonância magnética para avaliar alterações cerebrais;
    • Testes neuropsicológicos para medir funções cognitivas.

    O diagnóstico precoce é essencial para definir o tratamento e planejar os cuidados de longo prazo.

    Tratamento

    Embora não exista cura, o tratamento ajuda a controlar os sintomas, retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.

    Tratamento medicamentoso

    • Medicamentos específicos para cada tipo de demência, que estabilizam as funções cognitivas;
    • Controle de doenças associadas como hipertensão, diabetes e colesterol alto.

    Terapias complementares

    • Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional para estimular corpo e mente;
    • Atividades cognitivas: leitura, jogos de memória, música e artes;
    • Apoio psicológico ao paciente e à família;
    • Alimentação saudável e atividade física regular.

    O cuidado com o ambiente e o suporte emocional são fundamentais para garantir segurança e bem-estar.

    Impactos da demência

    A demência afeta não apenas o paciente, mas toda a rede de apoio familiar e social.

    • Perda progressiva da independência;
    • Sobrecarga física e emocional dos cuidadores;
    • Impactos financeiros e sociais, com necessidade de cuidados contínuos.

    O acompanhamento por uma equipe multiprofissional é essencial para oferecer suporte integral ao paciente e à família.

    Confira: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

    Perguntas frequentes sobre demência

    1. Demência e Alzheimer são a mesma coisa?

    Não. O Alzheimer é apenas um dos tipos de demência, embora seja o mais comum.

    2. A demência tem cura?

    Não, mas o tratamento pode retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.

    3. Como diferenciar esquecimento comum de demência?

    Esquecimentos ocasionais são normais. Na demência, há comprometimento das atividades diárias e confusão frequente.

    4. A demência é hereditária?

    Alguns tipos, como a demência frontotemporal, podem ter influência genética, mas a maioria dos casos não é hereditária.

    5. É possível prevenir a demência?

    Sim. Manter o cérebro ativo, controlar pressão, diabetes e colesterol, praticar exercícios e ter uma alimentação equilibrada ajudam na prevenção.

    6. Como é o tratamento da demência?

    Combina medicamentos, terapias de estimulação cognitiva, fisioterapia, acompanhamento psicológico e suporte familiar.

    7. Quando procurar ajuda médica?

    Procure avaliação médica sempre que houver esquecimentos frequentes, confusão, dificuldade em realizar tarefas simples ou mudanças de comportamento.

    Leia também: Demência por corpos de Lewy (DCL): o que é, como reconhecer e tratar

  • Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro 

    Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro 

    A endoscopia digestiva alta é um exame simples, mas essencial para diagnosticar e tratar doenças do aparelho digestivo. Por meio de uma microcâmera acoplada a um tubo fino e flexível, o médico visualiza em tempo real o interior do esôfago, estômago e duodeno com alta definição.

    Além de identificar condições como refluxo, gastrite, úlceras e sangramentos, o exame também pode ser terapêutico, permitindo o tratamento imediato de algumas lesões — como estancar um sangramento, remover pólipos ou dilatar áreas estreitadas.

    O que é a endoscopia digestiva alta

    É um dos principais exames da gastroenterologia. Utiliza um equipamento com sistema óptico e microcâmera para iluminar e registrar o interior do trato digestivo superior, possibilitando uma avaliação direta e detalhada do esôfago, estômago e início do intestino.

    Com os avanços tecnológicos, os aparelhos tornaram-se mais finos, precisos e confortáveis, tornando o exame mais rápido e seguro.

    Como o exame surgiu e evoluiu

    • Os primeiros endoscópios eram rígidos e desconfortáveis;
    • Atualmente, existem modelos flexíveis e finos que reduzem o desconforto;
    • As câmeras de vídeo e monitores exibem imagens em tempo real com gravação digital;
    • Equipamentos de alta resolução detectam pequenas lesões e permitem intervenções precisas.

    Essas inovações tornaram a endoscopia um exame seguro, rápido e essencial para diagnósticos precoces e tratamentos menos invasivos.

    Como se preparar para a endoscopia

    Para garantir segurança e resultados confiáveis, é importante seguir corretamente as orientações médicas de preparo.

    Jejum

    • Jejum de aproximadamente 8 horas é obrigatório;
    • Em casos de esvaziamento gástrico lento, pode ser recomendada uma dieta líquida nos dias anteriores;
    • Se o jejum total não for possível, o médico avaliará e adaptará as instruções.

    Uso de remédios

    • Confirme com o médico ou laboratório se deve interromper algum medicamento;
    • Ozempic®, Rybelsus® e Mounjaro® devem ser suspensos 21 dias antes do exame;
    • Diabéticos devem aplicar insulina após o exame;
    • Antiácidos: suspender 24 horas antes;
    • Anticoagulantes: pausar conforme orientação médica.

    Como a endoscopia digestiva alta é feita

    Realizada em hospital ou clínica especializada, com anestesia local na garganta e sedação leve na veia para conforto do paciente.

    • O paciente fica deitado de lado e monitorado com oxigênio por cateter nasal;
    • O endoscópio é introduzido pela boca até o duodeno;
    • O médico observa o trato digestivo em tempo real, podendo fazer biópsias e intervenções.

    A duração média é de 10 a 20 minutos.

    Quando a endoscopia digestiva alta é indicada

    Indicada para investigar sintomas persistentes e monitorar doenças do trato digestivo. Entre as principais indicações:

    • Queimação ou dor no estômago (dispepsia);
    • Dificuldade ou dor ao engolir;
    • Refluxo persistente que não melhora com tratamento;
    • Perda de peso sem causa aparente;
    • Anemia ou falta de apetite inexplicável;
    • Vômitos persistentes;
    • Suspeita de doença celíaca;
    • Sangramento digestivo;
    • Acompanhamento de doenças como esôfago de Barrett ou pós-cirurgia gástrica.

    Endoscopia terapêutica: quando o exame também trata

    Em muitos casos, a endoscopia é também terapêutica, permitindo tratar o problema durante o procedimento:

    • Controle de sangramentos;
    • Ligadura de varizes esofágicas;
    • Retirada de pólipos;
    • Dilatação de estenoses (áreas estreitadas);
    • Retirada de corpos estranhos;
    • Colocação de sondas ou balões intragástricos para obesidade.

    Contraindicações

    Apesar de segura, a endoscopia pode ser adiada ou contraindicada em casos como:

    • Suspeita ou confirmação de perfuração no esôfago ou estômago;
    • Recusa do paciente;
    • Doenças cardíacas ou pulmonares graves (avaliar risco);
    • Gestantes no primeiro trimestre, apenas se indispensável.

    Possíveis complicações

    As complicações são raras (menos de 1%), e as mais comuns incluem:

    • Dor leve na garganta;
    • Desconforto no peito por poucas horas;
    • Reações leves à sedação;
    • Pequeno sangramento após biópsia;
    • Perfuração do tubo digestivo (muito rara);
    • Infecção (extremamente rara).

    Recuperação após o exame

    • O paciente fica em observação até despertar totalmente;
    • Deve ir acompanhado para casa;
    • Evitar dirigir ou operar máquinas por 24 horas;
    • Não consumir bebidas alcoólicas;
    • Retomar alimentação leve conforme orientação médica.

    Normalmente é possível retornar às atividades no dia seguinte.

    Veja mais: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Perguntas frequentes sobre endoscopia digestiva alta

    1. A endoscopia dói?

    Não. O exame é feito com sedação leve e anestesia local, garantindo conforto e ausência de dor.

    2. Quanto tempo dura a endoscopia?

    De 10 a 20 minutos, variando conforme a necessidade de biópsias ou tratamentos.

    3. É preciso fazer jejum?

    Sim. Normalmente o jejum é de 8 horas, mas pode mudar conforme orientação médica.

    4. Posso tomar meus remédios antes do exame?

    Depende do medicamento. Consulte o médico sobre o uso de insulina, anticoagulantes e antiácidos.

    5. Posso dirigir depois da endoscopia?

    Não. Devido à sedação, é obrigatório ter acompanhante e evitar dirigir por 24 horas.

    6. Quando devo repetir a endoscopia?

    Somente sob orientação médica, especialmente em casos de doenças crônicas ou novos sintomas digestivos.

    7. Quais doenças a endoscopia ajuda a diagnosticar?

    Refluxo gastroesofágico, gastrite, úlceras, doença celíaca, esôfago de Barrett e outras alterações do trato digestivo.

    Leia também: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

  • Quando o corpo produz muco demais: entenda a fibrose cística 

    Quando o corpo produz muco demais: entenda a fibrose cística 

    A fibrose cística (FC) é uma doença genética rara que afeta principalmente pulmões e sistema digestivo. Ela aparece quando a criança herda do pai e da mãe mutações no gene CFTR, responsável por regular a passagem de sal e água nas células.

    Quando esse gene não funciona corretamente, o organismo produz um muco espesso e pegajoso que obstrui brônquios, pâncreas e outros órgãos. Isso leva a tosse persistente, infecções pulmonares, dificuldade para ganhar peso e problemas de digestão. Embora não tenha cura, os avanços terapêuticos vêm melhorando a qualidade e a expectativa de vida das pessoas com a doença.

    O que é a fibrose cística

    A FC é uma doença genética, crônica e hereditária. Resulta de mutações no gene CFTR (cromossomo 7) que prejudicam a proteína reguladora do transporte de sal e água nas células.

    Como consequência, forma-se muco espesso que bloqueia vias respiratórias e digestivas, afetando pulmões, pâncreas, fígado e outros órgãos.

    Quem pode ter fibrose cística

    • Condição rara, possível em qualquer grupo étnico (inclui populações miscigenadas como a brasileira);
    • Afeta homens e mulheres na mesma proporção;
    • Costuma ser detectada na infância, pela triagem neonatal (teste do pezinho).

    Sintomas e manifestações clínicas

    • Pele e suor salgados;
    • Tosse persistente com catarro;
    • Chiado e falta de ar;
    • Sinusites e pólipos nasais;
    • Infecções pulmonares frequentes;
    • Distúrbios digestivos (dor abdominal, diarreia, obstrução intestinal);
    • Crescimento abaixo do esperado;
    • Dedos em “baqueta de tambor” (hipocratismo digital).

    Problemas respiratórios

    O muco espesso dificulta a ventilação e favorece bactérias como Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Com o tempo, podem ocorrer bronquiectasias, deformidades torácicas e queda progressiva da função pulmonar.

    Problemas digestivos e nutricionais

    • Recém-nascidos: atraso na eliminação do mecônio e icterícia prolongada;
    • Crianças/adultos: obstruções intestinais, refluxo, diarreia crônica, prolapso retal;
    • Fígado: doença hepática crônica, esteatose e obstruções biliares;
    • Insuficiência pancreática em maioria dos pacientes (má digestão/absorção);
    • Deficiências nutricionais e baixo ganho de peso;
    • Maior risco de diabetes relacionado à FC, especialmente após a adolescência.

    Outros sintomas importantes

    • Osteopenia/osteoporose e risco de fraturas;
    • Infertilidade masculina (azoospermia por ausência dos deferentes);
    • Dificuldade para engravidar em mulheres (alteração do muco cervical).

    Diagnóstico da fibrose cística

    O diagnóstico precoce é essencial para iniciar o tratamento rapidamente.

    Teste do pezinho

    Triagem neonatal que identifica a maioria dos casos. Resultados positivos requerem confirmação com novo teste ou teste do suor.

    Teste do suor

    Padrão-ouro. Mede o cloro no suor> 60 mmol/L confirma FC.

    Teste genético

    Identifica mutações no CFTR e confirma a forma hereditária.

    Tratamento e cuidados

    Não há cura, mas terapias reduzem sintomas, previnem infecções e prolongam a vida. O cuidado é multidisciplinar (medicina, fisioterapia, nutrição, enfermagem, psicologia).

    Limpeza das vias respiratórias

    • Fisioterapia respiratória diária (técnicas de desobstrução);
    • Máscaras de pressão expiratória e coletes vibratórios;
    • Atividade física regular (natação, caminhada, ciclismo).

    Remédios

    • Nebulizações com soro hipertônico e fluidificantes de muco;
    • Antibióticos para infecções pulmonares;
    • Anti-inflamatórios/corticoides quando indicados;
    • Moduladores de CFTR (disponíveis em alguns países) para melhorar a função da proteína.

    Suporte nutricional

    • Dieta hipercalórica e hiperproteica;
    • Suplementação de vitaminas A, D, E e K;
    • Enzimas pancreáticas em cápsulas para digestão;
    • Tratamento do diabetes, quando necessário.

    Transplante pulmonar

    Indicado em casos avançados, com comprometimento respiratório grave.

    Prognóstico e qualidade de vida

    Com diagnóstico precoce e tratamento contínuo, pessoas com FC podem ter vida ativa, estudar, trabalhar e praticar esportes. Suporte emocional e acompanhamento regular ajudam a lidar com os desafios de uma doença crônica.

    Leia mais: Pneumonia em crianças: o que causa, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre fibrose cística

    1. O que causa a fibrose cística?

    Mutações no gene CFTR que alteram o transporte de sal/água e tornam o muco mais espesso.

    2. A fibrose cística tem cura?

    Não. Porém, o tratamento contínuo melhora sintomas, reduz infecções e aumenta a expectativa de vida.

    3. Como é feito o diagnóstico?

    Pelo teste do pezinho, teste do suor e, quando necessário, teste genético.

    4. Quais são os primeiros sinais?

    Tosse persistente, infecções respiratórias de repetição, baixo ganho de peso e suor salgado.

    5. Pessoas com FC podem ter filhos?

    Homens geralmente são inférteis; mulheres podem engravidar com acompanhamento especializado.

    6. A doença é contagiosa?

    Não. É uma condição genética e hereditária, não transmitida por contato.

    7. Como melhorar a qualidade de vida?

    Seguir o tratamento, praticar exercícios, manter alimentação adequada e prevenir infecções respiratórias.

    Leia também: 5 testes obrigatórios que devem ser feitos no recém-nascido

  • Rubéola: sintomas, prevenção e por que a vacina é tão importante 

    Rubéola: sintomas, prevenção e por que a vacina é tão importante 

    Embora hoje seja considerada rara graças à vacinação, a rubéola ainda merece atenção — sobretudo entre mulheres em idade fértil e gestantes. Causada por um vírus de fácil transmissão, costuma se manifestar com febre baixa e manchas vermelhas na pele, lembrando um resfriado leve. Na maioria das vezes, a recuperação é rápida e sem complicações.

    O alerta maior é para a infecção durante a gravidez: o vírus pode atravessar a placenta e causar malformações graves no feto (Síndrome da Rubéola Congênita — SRC). Por isso, a vacinação segue sendo a principal forma de prevenção, protegendo gestantes e bebês.

    O que é rubéola

    A rubéola (também chamada de “sarampo alemão”) é uma doença viral aguda e contagiosa, do grupo das doenças exantemáticas (com manchas avermelhadas na pele). Em crianças, tende a ser leve e autolimitada; já na gestação pode provocar complicações graves ao feto, como malformações, abortamento ou natimorto — motivo pelo qual a prevenção por vacina é essencial.

    Período de incubação e contágio

    • Incubação: geralmente 17 dias (variando de 12 a 23 dias).
    • Transmissibilidade: de 5 a 7 dias antes e depois do surgimento das manchas.

    Isso significa que a pessoa pode transmitir o vírus antes de ter sintomas, facilitando a disseminação.

    Como ocorre a transmissão

    Causada pelo Rubivirus, a rubéola é transmitida por secreções respiratórias (saliva, gotículas ao tossir, falar ou respirar). O contágio ocorre de cerca de 5 dias antes até 7 dias depois do aparecimento das manchas — com pico entre 2 dias antes e 2 dias depois do exantema.

    Principais sintomas da rubéola

    Os sintomas costumam ser leves e ocorrem em duas fases:

    1. Fase prodrômica (antes das manchas)

    • Febre baixa e mal-estar;
    • Linfonodos aumentados (atrás da orelha, nuca e pescoço);
    • Dor de cabeça, coriza e dor de garganta.

    2. Fase exantemática (com manchas)

    • Exantema maculopapular rubeoliforme: manchas avermelhadas que surgem na face e pescoço e se espalham para tronco e membros; duram 3 a 5 dias, desaparecendo sem descamação;
    • Manchas rosadas puntiformes no céu da boca.

    Diagnóstico da rubéola

    É clínico e laboratorial, para diferenciar de outras doenças exantemáticas:

    • Sorologia (IgM e IgG): indica infecção recente ou imunidade prévia;
    • PCR para rubéola: em secreções de orofaringe/nasal ou urina.

    Tratamento da rubéola

    Não há antiviral específico. O manejo é sintomático:

    • Repouso e hidratação adequada;
    • Antitérmicos/analgésicos leves (ex.: paracetamol);
    • Anti-inflamatórios (apenas com prescrição) para dores articulares.

    Prevenção: a importância da vacina

    A tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é segura e disponível no SUS.

    • 12 meses: 1ª dose;
    • 15 meses: 2ª dose;
    • Adolescentes e adultos até 29 anos: duas doses;
    • 30 a 59 anos: uma dose;
    • Profissionais de saúde: duas doses, independentemente da idade.

    Gestantes não devem ser vacinadas durante a gravidez; a imunização deve ocorrer antes da gestação ou logo após o parto.

    Cuidados e prevenção da transmissão

    • Lavar as mãos com frequência e evitar contato próximo com doentes;
    • Cobrir boca e nariz ao tossir/espirrar;
    • Manter ambientes ventilados;
    • Em suspeita de rubéola, evitar locais públicos até liberação médica.

    Por que a rubéola é perigosa na gravidez

    Na gestação — especialmente no 1º trimestre — o vírus pode atravessar a placenta e causar a Síndrome da Rubéola Congênita (SRC), com possíveis:

    • Surdez (mais comum);
    • Defeitos cardíacos (PCA, estenose pulmonar, defeitos do septo);
    • Lesões oculares (catarata, retinopatia, microftalmia, coriorretinite);
    • Alterações neurológicas (microcefalia, atraso do desenvolvimento, distúrbios de comportamento);
    • Problemas hematológicos (anemia, petéquias);
    • Baixo peso ao nascer, hepatoesplenomegalia;
    • Alterações endócrinas (diabetes tipo 1, doenças da tireoide).

    No pré-natal, a triagem sorológica é obrigatória e pode ser repetida. Se houver suspeita de infecção fetal, exames complementares (sangue/líquido amniótico) podem ser indicados. O acompanhamento é individualizado.

    Confira: Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer

    Cuidados depois do nascimento

    Recém-nascidos com rubéola congênita devem permanecer em isolamento e seguimento regular: podem eliminar o vírus por até 1 ano e são contagiosos nesse período.

    Perguntas frequentes sobre rubéola

    1. O que é a rubéola?

    É uma doença viral contagiosa com manchas avermelhadas na pele e evolução geralmente leve — exceto em gestantes.

    2. Como a rubéola é transmitida?

    Por gotículas respiratórias (saliva, espirros, tosse), principalmente nos dias próximos ao aparecimento das manchas.

    3. Quais são os primeiros sintomas?

    Febre baixa, mal-estar, ínguas atrás da orelha/nuca/pescoço e, depois, manchas vermelhas no corpo.

    4. A rubéola tem tratamento?

    Não há antiviral específico. O tratamento é de suporte (repouso, hidratação e medicamentos leves para febre/dor).

    5. Como prevenir?

    Com a vacina tríplice viral, disponível gratuitamente no SUS.

    6. Por que é perigosa na gravidez?

    Pelo risco de Síndrome da Rubéola Congênita, com malformações, surdez, defeitos cardíacos e outras complicações graves.

    7. Gestantes podem tomar a vacina?

    Não durante a gestação. A imunização deve ocorrer antes de engravidar ou após o parto, conforme orientação médica.

    Leia mais: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

  • Forame Oval Patente: a pequena abertura no coração que pode causar AVC

    Forame Oval Patente: a pequena abertura no coração que pode causar AVC

    Durante a gestação, o bebê recebe oxigênio através do sangue da mãe, via placenta — e não pelos pulmões. Para que essa circulação funcione bem, existe uma pequena abertura natural no coração fetal chamada forame oval, que liga as duas câmaras superiores do coração (os átrios).

    Depois do nascimento, essa abertura normalmente se fecha sozinha. No entanto, em até 25% das pessoas, ela permanece aberta ao longo da vida — condição conhecida como forame oval patente. Na maioria dos casos, isso não traz problemas e a pessoa vive sem sintomas.

    Em algumas situações específicas, no entanto, o forame oval patente pode estar relacionado a um tipo de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico.

    O que é o forame oval patente

    O forame oval patente é uma pequena comunicação entre os átrios direito e esquerdo do coração que, em algumas pessoas, não se fecha completamente após o nascimento. Geralmente, quem tem essa condição não apresenta sintomas e não precisa de tratamento.

    Em casos específicos — especialmente quando há histórico de AVC sem causa aparente — o forame oval patente pode ter papel importante e precisa ser investigado.

    Qual é a relação entre o forame oval patente e o AVC?

    Em algumas pessoas, o forame oval patente pode funcionar como uma “porta” para a passagem de pequenos coágulos no sangue.

    Normalmente, esses coágulos seriam filtrados pelos pulmões antes de chegar ao cérebro. Porém, quando o forame oval permanece aberto, o coágulo pode passar diretamente do lado direito para o esquerdo do coração e seguir até o cérebro, provocando um AVC isquêmico.

    Quando ocorre um AVC sem causa aparente, mesmo após exames detalhados, ele é chamado de AVC criptogênico — e o forame oval patente pode estar entre os fatores envolvidos.

    Quem tem mais risco

    O forame oval patente costuma ser identificado com mais frequência em pessoas jovens (entre 25 e 45 anos) que tiveram um AVC sem causa definida. O risco aumenta quando:

    • O forame oval patente é grande ou tem alta condutância (a passagem de sangue entre os átrios é significativa);
    • Há alterações no septo, a parede que separa os átrios;
    • Existem outros fatores de coagulação associados.

    Mesmo assim, é importante lembrar que nem todo AVC em quem tem forame oval patente é causado por ele. Muitas vezes, o achado é apenas uma coincidência.

    Como o forame oval patente é diagnosticado

    O principal exame é o ecocardiograma com microbolhas — um tipo de ultrassom do coração em que se injetam microbolhas na veia para observar se elas passam de um lado para o outro do órgão.

    O exame pode ser feito de duas formas:

    • Ecocardiograma transtorácico: realizado pelo tórax;
    • Ecocardiograma transesofágico: feito com uma sonda pelo esôfago, oferecendo imagens mais detalhadas.

    Outro exame útil é o ultrassom transcraniano com microbolhas, que permite observar o fluxo sanguíneo no cérebro e confirmar a passagem anormal das microbolhas — sinal de forame oval patente.

    Outros exames complementares podem ser necessários, como:

    • Ressonância magnética ou tomografia do cérebro;
    • Monitoramento cardíaco para descartar arritmias;
    • Exames de sangue para avaliar coagulação e identificar possíveis trombofilias (condições que favorecem a formação de coágulos).

    Tratamento do forame oval patente

    As opções variam conforme o caso e a avaliação médica. Veja as principais abordagens:

    1. Tratamento com remédios

    • Antiplaquetários: ajudam a reduzir a chance de novos coágulos;
    • Anticoagulantes: indicados em casos específicos, sempre sob acompanhamento médico.

    2. Fechamento do forame oval patente com dispositivo

    É um procedimento feito por cateterismo cardíaco, sem necessidade de cirurgia aberta. Um pequeno dispositivo semelhante a um tampão é colocado no forame para fechá-lo e impedir a passagem de coágulos.

    Esse tipo de tratamento é geralmente indicado para:

    • Pessoas com menos de 60 anos;
    • Casos de AVC criptogênico;
    • Forame oval patente considerado de alto risco;
    • Pacientes em bom estado de saúde geral.

    3. Acompanhamento médico

    Nem todo forame oval patente precisa ser fechado. Em muitos casos, o médico opta apenas por tratamento medicamentoso e acompanhamento periódico. Mesmo após o fechamento, é importante manter o seguimento com cardiologista e neurologista, especialmente nos primeiros meses.

    Pontos importantes

    • O fechamento pode reduzir o risco de novos AVCs em pessoas selecionadas, mas também traz riscos, como arritmias e complicações do cateterismo;
    • A decisão sobre o tratamento deve ser individualizada e tomada por uma equipe multidisciplinar (cardiologista, neurologista e hematologista);
    • O acompanhamento médico regular é essencial para avaliar riscos e benefícios de cada abordagem.

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    Perguntas frequentes sobre forame oval patente

    1. O que é o forame oval patente?

    É uma pequena abertura entre os átrios do coração que, em algumas pessoas, não se fecha completamente após o nascimento.

    2. Ter forame oval patente é perigoso?

    Na maioria das pessoas, não. A condição costuma ser benigna e não requer tratamento.

    3. Qual a relação entre forame oval patente e AVC?

    Em casos raros, o forame oval patente pode permitir que pequenos coágulos passem do coração para o cérebro, provocando um AVC isquêmico.

    4. Todo mundo com forame oval patente precisa fechar essa abertura?

    Não. O fechamento é indicado apenas em casos específicos, após avaliação de uma equipe médica.

    5. Como saber se eu tenho forame oval patente?

    O diagnóstico é feito por meio do ecocardiograma com microbolhas, um exame simples e seguro.

    6. O fechamento do forame oval patente elimina totalmente o risco de AVC?

    Não, mas reduz o risco em pessoas selecionadas. O acompanhamento médico continua sendo indispensável.

    7. O forame oval patente tem cura?

    Sim. Quando o fechamento é indicado e realizado, o forame é corrigido permanentemente, impedindo a passagem anormal de coágulos.

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