Autor: Dra. Juliana Soares

  • Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite? 

    Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite? 

    Dor de garganta intensa, febre e dificuldade para engolir estão entre as queixas mais comuns em consultórios e prontos-socorros, especialmente em crianças e adolescentes. Em muitos desses casos, o diagnóstico é amigdalite, uma inflamação das amígdalas que pode ter causas diferentes e evoluções variadas.

    Embora na maioria das vezes seja uma condição simples e autolimitada, algumas amigdalites exigem atenção especial, principalmente quando têm origem bacteriana. Reconhecer os sinais, entender quando o antibiótico é necessário e saber identificar possíveis complicações é fundamental para evitar problemas futuros.

    O que é amigdalite

    A amigdalite é uma infecção das amígdalas, estruturas localizadas nas laterais da orofaringe (fundo da garganta). Elas fazem parte do sistema imunológico e atuam como uma linha de defesa contra microrganismos inalados ou ingeridos.

    A maior parte dos casos é causada por vírus, mas infecções bacterianas também podem ocorrer e merecem atenção especial, principalmente pelo risco de complicações quando não tratadas adequadamente.

    Causas: viral ou bacteriana?

    A amigdalite pode ser causada por vírus ou bactérias, sendo essa distinção importante para definir o tratamento.

    Amigdalite viral (mais comum)

    Cerca de 70% das amigdalites são causadas por vírus. Entre os mais frequentes estão:

    • Vírus sincicial respiratório (VSR);
    • Adenovírus;
    • Vírus Epstein-Barr (EBV).

    Esses quadros costumam ser autolimitados e melhoram com medidas de suporte, sem necessidade de antibióticos.

    Amigdalite bacteriana

    É menos comum, mas clinicamente relevante, especialmente quando causada por estreptococos. As principais bactérias envolvidas são:

    • Estreptococos (principal agente);
    • Haemophilus influenzae;
    • Staphylococcus aureus.

    Nesses casos, o uso de antibiótico pode ser necessário para reduzir o risco de complicações e acelerar a recuperação.

    Sintomas mais comuns

    Os sintomas mais frequentes da amigdalite incluem:

    • Dor de garganta;
    • Dificuldade para engolir líquidos e sólidos, devido à dor;
    • Febre;
    • Tosse (mais comum em causas virais);
    • Dor de cabeça;
    • Mal-estar e cansaço;
    • Aumento dos linfonodos (ínguas), especialmente no pescoço.

    Ao exame da garganta, é comum observar:

    • Amígdalas aumentadas;
    • Vermelhidão local;
    • Aspecto inflamado e mais frágil.

    Placas esbranquiçadas nas amígdalas: o que significam?

    A presença de placas esbranquiçadas é frequentemente associada à amigdalite bacteriana, mas é importante destacar que:

    • Alguns vírus, como o Epstein-Barr, também podem causar placas;
    • A ausência de placas não exclui infecção bacteriana.

    Por isso, diferenciar amigdalite viral e bacteriana apenas pelos sintomas e exame físico pode ser difícil.

    Complicações possíveis

    Embora muitos casos evoluam bem, a amigdalite pode levar a complicações, principalmente quando há infecção bacteriana não tratada ou tratada de forma inadequada.

    1. Febre reumática

    Pode surgir entre 2 e 4 semanas após uma amigdalite bacteriana, especialmente por estreptococos. Pode causar:

    • Febre;
    • Dores no corpo;
    • Artrite (dor e inflamação nas articulações).

    Além disso, pode provocar comprometimento cardíaco, com lesões nas válvulas, especialmente na valva mitral.

    2. Glomerulonefrite pós-estreptocócica

    Complicação relacionada à infecção por estreptococos, caracterizada por inflamação dos rins após a infecção.

    3. Complicações locais

    Infecções mal controladas podem evoluir com:

    • Abscessos;
    • Otite;
    • Mastoidite;
    • Sinusite.

    Essas situações podem exigir exames de imagem e tratamentos mais intensivos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da amigdalite é geralmente clínico, baseado em:

    • Sintomas relatados
    • Exame físico da garganta e do pescoço

    Quando pedir exames?

    Exames laboratoriais são mais úteis quando há suspeita de infecção bacteriana, especialmente por estreptococo, como:

    • Teste rápido para estreptococo;
    • Cultura de secreção da garganta (padrão ouro).

    Se houver suspeita de complicações locais, podem ser necessários exames de imagem, como tomografia.

    Tratamento

    O tratamento depende da causa da amigdalite.

    Amigdalite viral

    O tratamento é de suporte, focado no alívio dos sintomas, incluindo:

    • Controle da dor e da febre;
    • Hidratação adequada;
    • Repouso.

    Amigdalite bacteriana

    Quando há confirmação ou forte suspeita de causa bacteriana, é indicado o uso de antibióticos, como:

    • Amoxicilina;
    • Penicilina.

    Em caso de alergia, podem ser utilizadas alternativas como:

    • Azitromicina;
    • Claritromicina.

    O objetivo do antibiótico é reduzir a duração dos sintomas e, principalmente, prevenir complicações como a febre reumática.

    Cirurgia: quando tirar as amígdalas?

    Em pacientes selecionados, especialmente com episódios recorrentes e frequentes, pode ser considerada a amigdalectomia. A decisão deve ser individualizada e feita com avaliação médica.

    Confira: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes sobre amigdalite

    1. Amigdalite é sempre causada por bactéria?

    Não. Cerca de 70% dos casos são causados por vírus.

    2. Placas brancas na garganta sempre indicam antibiótico?

    Não. Placas podem ocorrer tanto em amigdalites bacterianas quanto virais, como nas infecções pelo vírus Epstein-Barr.

    3. Como saber se a amigdalite é viral ou bacteriana?

    Nem sempre é possível diferenciar apenas pelos sintomas. Testes rápidos ou cultura de secreção ajudam na confirmação.

    4. Quais são os sinais de alerta para complicações?

    Febre persistente, piora da dor, dificuldade para engolir ou abrir a boca, dor de ouvido intensa, inchaço no pescoço e sinais de abscesso devem ser avaliados.

    5. Amigdalite pode causar problemas no coração?

    Sim. Em alguns casos de amigdalite bacteriana por estreptococo, pode ocorrer febre reumática, com comprometimento das válvulas cardíacas.

    6. Amigdalite pode voltar com frequência?

    Sim. Algumas pessoas apresentam episódios repetidos, e em casos selecionados pode-se indicar cirurgia.

    7. Antibiótico ajuda na amigdalite viral?

    Não. Antibióticos não tratam vírus e só devem ser usados quando há indicação médica.

    Veja também: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Brucelose: saiba mais sobre a infecção ligada ao leite cru 

    Brucelose: saiba mais sobre a infecção ligada ao leite cru 

    A brucelose, também conhecida como febre do Mediterrâneo, é uma doença infecciosa transmitida de animais para humanos e ainda pouco lembrada fora dos ambientes rurais. No entanto, ela pode causar sintomas persistentes e comprometer diversos órgãos, especialmente quando o diagnóstico é tardio ou o tratamento não é realizado de forma adequada.

    A infecção costuma estar associada ao consumo de leite e derivados não pasteurizados ou ao contato direto com animais infectados. Por isso, a brucelose deve sempre ser considerada diante de quadros de febre prolongada, sudorese noturna e dores articulares, principalmente em pessoas com histórico ocupacional ou alimentar compatível.

    O que é brucelose?

    A brucelose é uma infecção bacteriana causada por espécies do gênero Brucella, transmitida de animais para humanos. Pode se manifestar de forma aguda ou evoluir para quadros crônicos, com sintomas duradouros e risco de complicações.

    Trata-se de uma zoonose relevante do ponto de vista de saúde pública, especialmente em regiões onde há consumo de produtos de origem animal sem pasteurização adequada.

    Onde a brucelose é mais comum

    Existem áreas consideradas endêmicas para a doença, incluindo:

    • Países da região do Mediterrâneo;
    • Oriente Médio;
    • Ásia e Índia;
    • África;
    • Algumas regiões da América Central e da América do Sul.

    Como acontece a transmissão

    A transmissão da brucelose ocorre principalmente de duas formas.

    1. Ingestão de leite e derivados não pasteurizados (forma mais comum)

    A principal via de contaminação é o consumo de produtos feitos com leite cru, como:

    • Leite;
    • Queijos;
    • Manteiga;
    • Sorvetes artesanais produzidos com leite não pasteurizado.

    Os principais animais envolvidos na transmissão são:

    • Vacas;
    • Ovelhas;
    • Cabras;
    • Camelos;
    • Porcos.

    2. Contaminação ocupacional por contato com secreções de animais

    Outra forma importante de transmissão ocorre por contato direto com secreções de animais infectados, como:

    • Sangue;
    • Urina;
    • Leite.

    Esse tipo de exposição é mais comum em pessoas que trabalham com criação ou manejo de animais, como:

    • Fazendeiros;
    • Pastores;
    • Veterinários.

    Sintomas da brucelose

    A brucelose pode se manifestar de forma aguda ou crônica, com sintomas que variam conforme o tempo de evolução da doença e os órgãos acometidos.

    Brucelose aguda

    Na fase aguda, a bactéria pode atingir a circulação e se espalhar pelo organismo, alcançando órgãos como o fígado e o baço.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Febre;
    • Mal-estar;
    • Sudorese noturna;
    • Dores articulares.

    No exame físico feito pelo médico, pode ser observado:

    • Aumento do fígado e do baço (hepatomegalia e esplenomegalia).

    Possíveis complicações na fase aguda

    A brucelose pode comprometer diversos órgãos e sistemas.

    1. Forma osteoarticular (mais comum)

    • Artrite;
    • Dores articulares;
    • Acometimento frequente das articulações sacroilíacas (região lombar baixa).

    2. Forma geniturinária (segunda mais comum)

    • Em homens: epididimite e/ou orquite;
    • Em mulheres: abscessos tubo-ovarianos.

    3. Complicações neurológicas

    • Meningite;
    • Encefalite;
    • Abscesso cerebral.

    4. Outras manifestações menos comuns

    • Lesões de pele;
    • Acometimento cardíaco;
    • Alterações oculares;
    • Envolvimento pulmonar;
    • Doenças intra-abdominais.

    Brucelose crônica

    A forma crônica é definida quando os sintomas persistem por mais de 1 ano.

    Mesmo com tratamento adequado, cerca de 5 a 15% dos casos podem apresentar recaídas, especialmente nos primeiros 6 meses após o término da terapia.

    Diagnóstico

    A suspeita de brucelose deve ser considerada em pacientes com:

    • Febre;
    • Mal-estar;
    • Sudorese noturna;
    • Dores articulares.

    Isso deve ser observado principalmente quando há histórico de consumo de leite ou derivados não pasteurizados ou exposição ocupacional a animais ou secreções.

    Como confirmar o diagnóstico

    O diagnóstico definitivo pode ser feito por meio de:

    • Culturas de bactérias, com a observação crescimento do microrganismo;
    • Dosagem de anticorpos no sangue.

    Exames laboratoriais também ajudam a:

    • Avaliar complicações;
    • Monitorar função hepática e outros parâmetros.

    Exames de imagem

    São úteis especialmente na avaliação de comprometimento osteoarticular, podendo incluir:

    • Radiografia;
    • Tomografia da articulação suspeita.

    Tratamento da brucelose

    O tratamento é feito com antibióticos e deve ser seguido corretamente, pois a interrupção precoce aumenta o risco de recaída.

    O esquema clássico envolve:

    • Doxiciclina por 6 semanas, associada a estreptomicina ou gentamicina nos primeiros 14 a 21 dias.

    Outros esquemas podem ser utilizados, porém apresentam menor eficácia. A duração e a combinação dos antibióticos variam conforme:

    • Gravidade do quadro;
    • Presença de complicações;
    • Órgãos acometidos.

    Prevenção: como evitar a brucelose

    Para a população geral

    • Ferver ou pasteurizar o leite cru antes do consumo;
    • Evitar leite e derivados não pasteurizados.

    Para quem trabalha com animais

    • Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs);
    • Evitar contato direto com sangue, urina e outros fluidos.

    Existe vacina para humanos?

    Não. Atualmente não existe vacina disponível para humanos. No entanto, a vacinação de animais de criação ajuda a reduzir a circulação da bactéria e contribui para a prevenção coletiva.

    Confira: 8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras

    Perguntas frequentes sobre brucelose

    1. Brucelose é uma doença grave?

    Pode ser. Embora muitos casos respondam bem ao tratamento, a brucelose pode causar complicações articulares, neurológicas e em outros órgãos.

    2. Qual é a principal forma de transmissão?

    O consumo de leite e derivados não pasteurizados é a forma mais comum.

    3. Quais sintomas mais sugerem brucelose?

    Febre persistente, mal-estar, sudorese noturna e dores articulares, especialmente com histórico de leite cru ou contato com animais.

    4. A brucelose pode virar doença crônica?

    Sim. Quando os sintomas duram mais de 1 ano, a infecção é considerada crônica.

    5. O tratamento dura quanto tempo?

    O esquema mais comum envolve doxiciclina por 6 semanas, podendo haver associação com outros antibióticos no início.

    6. A brucelose pode voltar após o tratamento?

    Sim. Cerca de 5 a 15% dos pacientes podem apresentar recaída, especialmente nos primeiros 6 meses.

    7. Como prevenir brucelose em casa?

    Evite consumir leite cru e derivados sem pasteurização. Prefira sempre produtos regularizados.

    Veja mais: Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

  • Treinar sem dormir faz mal? Saiba como o corpo reage

    Treinar sem dormir faz mal? Saiba como o corpo reage

    Nos dias em que o sono não é dos melhores, é comum sentir o corpo mais lento, a mente menos focada e o cansaço logo cedo. Ainda assim, muitas pessoas tentam manter a rotina de treinos — mesmo quando o organismo dá sinais de que ainda não se recuperou totalmente.

    O sono sustenta boa parte do que acontece durante o exercício físico: ele reorganiza energia, regula os hormônios, estabiliza os batimentos e permite que os músculos se reparem após pequenos danos do dia anterior. Quando o descanso não acontece como deveria, o corpo inicia o treino sem a reserva necessária para lidar com o esforço, fica mais vulnerável a oscilações de pressão e perde parte da capacidade de manter o ritmo.

    Mas então, como saber se é melhor ajustar a intensidade ou simplesmente esperar até recuperar energia? Vamos entender mais, a seguir.

    Como o sono afeta o desempenho no treino?

    O sono mantém grande parte da capacidade física necessária para um bom treino, porque é responsável por regular as funções neurológicas e hormonais que determinam força, coordenação, concentração e resistência. Quando o descanso é pouco, o sistema nervoso central perde eficiência, o que reduz a capacidade de gerar força, prejudica o tempo de reação e altera a coordenação motora. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, isso impacta diretamente o desempenho da atividade muscular.

    Durante o sono, especialmente na fase de ondas lentas, o corpo libera substâncias como o hormônio do crescimento (GH), que ajuda na regeneração e no aumento da massa muscular. Quando dormimos pouco, essa liberação diminui e, por causa disso, a recuperação fica mais lenta e incompleta.

    Para completar, a falta de sono aumenta hormônios como cortisol e adrenalina, que dificultam a construção muscular e favorecem a perda de proteínas. Como o reparo das fibras e a síntese de proteínas acontecem principalmente durante o sono, as noites curtas e irregulares acabam prejudicando tanto a recuperação quanto o ganho de força.

    Dormir pouco pode sobrecarregar o coração?

    De acordo com Juliana, uma noite mal dormida não causará um grande impacto imediato na sobrecarga cardiovascular durante a atividade física. No entanto, quando a privação de sono é frequente, ela passa a afetar de forma significativa o sistema cardiovascular e pode levar a uma sobrecarga do coração durante o treino.

    A falta de sono desregula o sistema nervoso e compromete a atuação do sistema nervoso autônomo, responsável pelo controle da frequência cardíaca em repouso. A liberação crônica de hormônios como cortisol e adrenalina aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial mesmo em repouso, o que já representa uma sobrecarga para o coração.

    O sono irregular também mantém o organismo em estado contínuo de estresse. Então, quando o esforço do treino é somado ao quadro, o corpo exige ainda mais do sistema cardiovascular, que já está funcionando acima do ideal por causa da falta de descanso.

    Riscos de dormir mal para o coração

    Com a insônia, o corpo perde a capacidade de regular pressão, frequência cardíaca e resposta ao estresse, criando um ambiente que favorece o surgimento de problemas cardíacos a longo prazo. Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Aumento constante da frequência cardíaca, mesmo em repouso;
    • Elevação da pressão arterial ao longo do dia;
    • Maior liberação de hormônios ligados ao estresse, como cortisol e adrenalina;
    • Redução da regulação natural da pressão durante a madrugada;
    • Alterações no sistema nervoso autônomo, que controla batimentos cardíacos;
    • Maior risco de arritmias em pessoas predispostas;
    • Estado inflamatório crônico que favorece formação de placas nas artérias (aterosclerose);
    • Aumento do risco de infarto e AVC ao longo dos anos;
    • Piora do metabolismo de açúcares e gorduras, aumentando o risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2, obesidade e síndrome metabólica.

    É melhor adiar o treino após dormir mal?

    Depois de uma noite ruim, o corpo funciona abaixo do ideal e a performance no treino diminui significativamente. Enquanto a capacidade de gerar força é reduzida, aumenta o tempo de reação piora e o risco de lesões — já que o sistema nervoso e a musculatura não respondem tão bem quanto deveriam.

    Por isso, em dias de pouco descanso, Juliana aponta que são necessárias algumas adaptações:

    • Nos treinos de força e resistência, o mais seguro é reduzir a intensidade, fazer séries mais leves e diminuir o número de repetições, evitando chegar à fadiga muscular;
    • Atividades de alta intensidade, como HIIT, não são recomendadas nessas condições, pois exigem explosão, foco e recuperação rápida, algo difícil quando o corpo está cansado;
    • O treino aeróbico pode ser mantido, desde que realizado em ritmo leve e com pausas maiores entre os intervalos.

    Vale ressaltar que, se a sensação de exaustão for intensa, o melhor é não treinar e priorizar o descanso para que o corpo se recupere.

    Quantas horas de sono são recomendadas para quem treina?

    De modo geral, adultos precisam dormir entre 7 e 9 horas por noite para manter o corpo em equilíbrio e garantir que músculos, hormônios e sistema nervoso funcionem de forma adequada durante o treino do dia seguinte.

    Para quem pratica exercícios de alta intensidade ou segue rotina mais pesada, Juliana esclarece que o ideal é ampliar o período de descanso para 8 a 10 horas, já que o organismo precisa de mais tempo para reparar as microlesões musculares, regular hormônios anabólicos e restabelecer a energia.

    Quando procurar ajuda médica?

    Se a dificuldade para dormir se torna parte da rotina e começa a afetar a saúde, o humor, o rendimento físico ou a rotina, é necessário procurar atendimento médico para entender o que está causando o quadro. A insônia é um distúrbio que, a longo prazo, pode comprometer o equilíbrio hormonal, elevar o estresse, desregular a pressão arterial e aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

    Por isso, fique atento aos seguintes sinais de alerta para ir ao médico:

    • A dificuldade para dormir dura mais de três semanas;
    • Há dificuldade contínua para pegar no sono ou permanecer dormindo;
    • O sono é leve, fragmentado e você acorda várias vezes durante a noite;
    • Surge cansaço intenso ao acordar, mesmo após várias horas na cama;
    • Aparecem palpitações, dor no peito ou pressão instável pela manhã;
    • Há sonolência excessiva durante o dia, com risco de cochilar em situações inadequadas;
    • Surgem roncos fortes, engasgos ou pausas na respiração durante a noite;
    • O problema começa a interferir no trabalho, nos estudos ou na concentração;
    • O humor muda com frequência, com irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem motivo claro;
    • Há dependência crescente de café, energéticos ou remédios para “funcionar”;
    • Existe histórico de doenças cardíacas, pressão alta, arritmias ou diabetes.

    Leia mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

    Perguntas frequentes

    Por que dormir pouco aumenta a pressão arterial?

    A pressão arterial precisa de horas de descanso para reduzir de maneira natural durante a madrugada. Quando o sono é curto, essa queda fisiológica não acontece por completo, fazendo com que os níveis permaneçam mais altos ao longo do dia seguinte.

    Os hormônios que deveriam diminuir durante o descanso permanecem altos, mantendo o corpo em alerta e provocando a constrição dos vasos sanguíneos. Com o passar do tempo, tudo isso causa sobrecarga nas artérias e favorece um quadro de pressão alta.

    Por que o coração fica mais sensível ao estresse quando dormimos mal?

    O sono funciona como uma barreira natural contra estímulos estressores e, sem descanso, o corpo perde parte dessa proteção e reage de maneira exagerada a situações simples. O sistema nervoso fica mais ativado e libera mais adrenalina do que o necessário.

    O coração, que deveria descansar durante a noite, continua ativo e sensível ao menor estímulo, como trânsito, prazos ou esforços comuns do dia a dia.

    Quais os sinais de que estou dormindo mal?

    Os sinais de sono insuficiente aparecem no corpo antes mesmo de você perceber que está acumulando noites ruins, como:

    • Acordar cansado, com sensação de descanso incompleto;
    • Dificuldade de concentração logo pela manhã;
    • Lapsos de atenção e esquecimentos frequentes;
    • Irritabilidade e maior sensibilidade ao estresse;
    • Necessidade constante de café ou estimulantes para manter o ritmo;
    • Sonolência ao longo do dia, especialmente após as refeições;
    • Dor de cabeça no fim do dia ou sensação de peso mental;
    • Queda de desempenho nos treinos e menor tolerância ao esforço;
    • Sensação de ansiedade e tensão muscular ao acordar.

    A dificuldade para dormir pode ocorrer em momentos pontuais, mas quando o problema se prolonga, é importante procurar atendimento médico.

    Por que dormir pouco piora a retenção de líquidos?

    Quando o corpo não descansa o suficiente, os hormônios que controlam o equilíbrio de água no organismo ficam desregulados, de modo que o corpo acaba retendo mais água. O cortisol também aumenta após noites ruins, o que dificulta a circulação e favorece acúmulo de líquido nos tecidos. O resultado é o inchaço, peso nas pernas e maior esforço para o coração.

    A privação de sono prejudica o crescimento muscular?

    A privação de sono prejudica o crescimento muscular porque reduz a síntese de proteínas e impede que o corpo entre plenamente no estado anabólico, que é necessário para reconstruir as fibras lesionadas durante o treino. Sem o descanso ideal, o organismo passa a funcionar de forma mais catabólica, favorecendo a quebra de tecido muscular.

    As noites curtas também desregulam hormônios importantes, como GH e testosterona, ao mesmo tempo em que elevam o cortisol, que acelera a degradação das proteínas. Assim, dormir mal limita a recuperação e diminui a capacidade de ganhar massa muscular, mesmo se você treina e tem uma boa alimentação.

    Como é feito o tratamento de insônia?

    O tratamento da insônia começa identificando o que está causando a dificuldade de dormir, porque o problema pode estar ligado a hábitos, estresse, ansiedade, dor ou outras condições médicas. Normalmente, ele envolve mudanças de hábitos, terapia cognitivo-comportamental e, quando necessário, o médico pode indicar o uso de remédios por curto período para ajudar a regular o padrão de sono.

    Veja também: Dormir pouco aumenta o apetite? Saiba como o sono afeta os hormônios do apetite

  • Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave 

    Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave 

    Mesmo com vacina disponível gratuitamente no Brasil, o tétano ainda é uma doença que existe, é grave e associada a ferimentos aparentemente simples, como cortes, perfurações e lesões contaminadas. A infecção não é transmitida de pessoa para pessoa, mas pode evoluir rapidamente para quadros graves quando a imunização não está em dia.

    A redução dos casos observada nas últimas décadas está diretamente ligada à ampliação da cobertura vacinal e à aplicação de doses de reforço ao longo da vida. Ainda assim, pessoas com esquema vacinal incompleto continuam sob risco, especialmente após ferimentos contaminados, reforçando a importância da prevenção e do atendimento médico precoce.

    O que é o tétano?

    O tétano é uma infecção grave do sistema nervoso causada pela toxina produzida pela bactéria Clostridium tetani. Trata-se de uma doença não contagiosa, que pode acometer pessoas de qualquer idade e apresenta alta letalidade quando não tratada adequadamente.

    Agente e fisiopatologia

    A bactéria Clostridium tetani é formadora de esporos e está presente no solo, em poeira, material orgânico, entulhos e superfícies metálicas. Após entrar no organismo por uma ferida, a bactéria pode produzir a toxina tetânica (tetanospasmina).

    Essa toxina atua no sistema nervoso ao bloquear neurotransmissores responsáveis pelo relaxamento muscular. Como consequência, surgem rigidez intensa e espasmos musculares dolorosos, que caracterizam o quadro clínico do tétano.

    Como se adquire o tétano?

    A infecção ocorre quando os esporos da bactéria entram no organismo por meio de feridas na pele, como:

    • Cortes e lacerações;
    • Perfurações por pregos, arames ou farpas;
    • Queimaduras;
    • Feridas com tecido desvitalizado;
    • Picadas ou lesões contaminadas.

    É importante esclarecer que a ferrugem, por si só, não causa tétano — ela apenas pode estar associada a ambientes onde os esporos estão presentes.

    Fatores que aumentam o risco

    • Vacinação incompleta ou falta de reforços vacinais;
    • Extremos de idade, ou seja, crianças e idosos;
    • Imunossupressão;
    • Diabetes;
    • Uso de drogas injetáveis.

    Sintomas do tétano

    O período de incubação costuma variar de 5 a 15 dias. Quanto menor esse intervalo, maior tende a ser a gravidade da doença.

    Formas clínicas

    Tétano localizado

    Contratura muscular próxima ao local da ferida. Pode evoluir para formas mais graves.

    Tétano cefálico

    Relacionado a ferimentos na cabeça ou pescoço, com comprometimento de nervos cranianos, causando dificuldade para engolir, trismo e paralisia facial.

    Tétano generalizado (forma mais comum e grave)

    Caracteriza-se por:

    • Trismo (mandíbula travada);
    • Rigidez do pescoço;
    • Espasmos faciais (“risus sardonicus”);
    • Rigidez abdominal e torácica;
    • Espasmos intensos e dolorosos, que podem causar fraturas;
    • Insuficiência respiratória.

    Sem tratamento adequado, essa forma pode evoluir rapidamente para óbito.

    O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais e sintomas, sem necessidade de exames laboratoriais específicos para confirmação.

    Rastreio e diagnóstico

    A avaliação inclui:

    • Verificação do histórico vacinal;
    • Análise do tipo e do tempo do ferimento;
    • Exame físico focado em rigidez muscular e espasmos;
    • Monitoramento respiratório e hemodinâmico.

    Exames complementares podem ser solicitados conforme a gravidade do quadro, com foco no suporte clínico.

    Tratamento do tétano

    Medidas iniciais e cuidados locais

    • Limpeza rigorosa da ferida com água e sabão;
    • Retirada de tecido desvitalizado (desbridamento), quando indicado;
    • Busca imediata por atendimento médico diante de suspeita.

    Tratamento hospitalar

    • Neutralização da toxina: administração de soro antitetânico (imunoglobulina específica);
    • Controle da infecção: antibioticoterapia, como metronidazol, e cirurgia quando necessária;
    • Suporte clínico: controle da dor e dos espasmos, proteção das vias aéreas e monitoramento em UTI nos casos graves;
    • Vacinação: iniciar ou completar o esquema vacinal mesmo durante o tratamento, para garantir imunidade futura.

    Prevenção do tétano

    A principal forma de prevenção é a vacinação antitetânica.

    • Na infância: esquema com vacina pentavalente (2, 4 e 6 meses) e reforços aos 15 meses e 4 anos;
    • Em adultos: reforço com vacina dT a cada 10 anos;
    • Em ferimentos contaminados: reforço se a última dose tiver sido há mais de 5 anos;
    • Em feridas sujas com esquema incompleto: considerar soro antitetânico conforme protocolo.

    A vacina é disponibilizada gratuitamente pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde.

    O tétano é uma doença grave, potencialmente fatal, mas totalmente prevenível. A manutenção da vacinação ao longo da vida, a realização dos reforços e o cuidado adequado com feridas são muito importantes para evitar novos casos. Diante de qualquer lesão com risco de contaminação, a orientação é limpar a ferida e procurar um serviço de saúde para avaliação imediata.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Perguntas frequentes sobre tétano

    1. O tétano é uma doença contagiosa?

    Não. O tétano não é transmitido de pessoa para pessoa; a infecção ocorre apenas por meio de ferimentos contaminados.

    2. Ferrugem causa tétano?

    Não. A ferrugem não causa a doença; o risco depende da presença da bactéria no ambiente e da falta de vacinação adequada.

    3. Quem já teve tétano fica imune?

    Não. A infecção não garante imunidade. A vacinação continua sendo necessária mesmo após a doença.

    4. A vacina antitetânica precisa de reforço?

    Sim. Em adultos, o reforço é recomendado a cada 10 anos.

    5. Todo ferimento precisa de soro antitetânico?

    Não. O uso do soro depende do tipo de ferimento e do histórico vacinal da pessoa.

    Veja também: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • O que fazer para manter o peso estável após os 60 anos e evitar riscos cardiovasculares

    O que fazer para manter o peso estável após os 60 anos e evitar riscos cardiovasculares

    Com o passar dos anos, o corpo passa por uma série de mudanças naturais, desde a desaceleração do metabolismo até alterações hormonais, que influenciam o peso corporal, a distribuição de gordura e a perda de massa muscular.

    Isso torna o corpo mais sensível a oscilações de peso e aumentam o risco de problemas de saúde quando não há acompanhamento adequado, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

    Por isso, para manter o peso estável partir dos 60 anos de idade, alguns cuidados devem ser tomados. Vamos entender melhor, a seguir.

    Por que o peso corporal tende a oscilar com o envelhecimento?

    Com o envelhecimento, a cardiologista Juliana Soares explica que ocorre uma alteração no metabolismo basal. O corpo passa a gastar menos calorias em repouso, o que facilita mudanças no peso.

    A queda do metabolismo está relacionada a diferentes fatores, principalmente às alterações hormonais. Nas mulheres, ocorre diminuição do estrogênio, e nos homens, da testosterona, o que favorece o acúmulo de gordura e a perda de massa muscular.

    A médica também destaca que a perda de massa muscular, chamada de sarcopenia, acontece naturalmente com a idade e interfere diretamente no metabolismo. Os músculos ajudam o corpo a queimar calorias, mesmo em repouso. Quando há menos músculo, o metabolismo fica mais lento.

    Além disso, com o passar dos anos, é comum reduzir a prática de atividade física, muitas vezes por dores nas articulações, o que contribui ainda mais para a diminuição do gasto energético.

    Ganhar peso após os 60 aumenta o risco de doenças cardíacas?

    O ganho de peso após os 60 anos pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, principalmente por causa da forma como a gordura se distribui no corpo. Não é apenas a quantidade de quilos que importa, mas onde a gordura fica acumulada, conforme explica Juliana.

    Após os 60 anos, ocorre maior tendência de concentração de gordura na região abdominal, com aumento da gordura visceral. Ela envolve os órgãos internos e libera substâncias inflamatórias no organismo, favorecendo o envelhecimento das artérias, processo conhecido como aterosclerose.

    Também ocorre aumento da pressão arterial e resistência à insulina, o que pode levar ao desenvolvimento de diabetes. Tudo isso sobrecarrega o coração e aumenta o risco de diversas doenças.

    Como a perda de massa muscular afeta a saúde do coração?

    O músculo funciona como um órgão endócrino e possui um metabolismo ativo muito importante para o organismo. Quando ocorre redução da massa muscular, o corpo passa a gastar menos energia em repouso e surgem diversas consequências para a saúde, como:

    • Diminuição do metabolismo, o que facilita o ganho de peso;
    • Aumento do acúmulo de gordura corporal, especialmente na região abdominal;
    • Redução da força física e maior tendência ao sedentarismo;
    • Dificuldade no retorno do sangue das pernas para o coração, podendo sobrecarregar a função cardíaca;
    • Pior controle dos níveis de açúcar no sangue, elevando o risco de diabetes;
    • Maior fragilidade física, com aumento do risco de quedas e perda de autonomia.

    Perda de peso excessiva também não é recomendada

    Os dois extremos no peso podem ser prejudiciais para a saúde. Uma perda rápida de peso pode causar redução de músculo e de osso, e não apenas de gordura, levando a um quadro de fragilidade.

    Segundo Juliana, a fragilidade aumenta o risco de quedas e de fraturas, como a fratura de quadril, que costuma estar associada a maior risco de complicações cardíacas e a taxas elevadas de mortalidade, especialmente após procedimentos cirúrgicos.

    Uma perda de peso importante sem mudança alimentar planejada também pode indicar a presença de problemas de saúde ocultos, como depressão, dificuldade na absorção de nutrientes ou até mesmo câncer.

    Como manter o peso estável após os 60?

    Nessa fase da vida, Juliana explica que manter uma alimentação com boa densidade nutricional é fundamental para cuidar da saúde e manter o peso equilibrado.

    Uma boa densidade nutricional envolve oferecer ao corpo os nutrientes necessários, mesmo quando o gasto de energia é menor. Algumas medidas ajudam nesse cuidado, como:

    • Aumentar a ingestão de proteínas, ajudando a reduzir a perda de massa muscular;
    • Distribuir a proteína ao longo do dia, favorecendo a síntese muscular;
    • Realizar treino de força, como musculação, para manter o metabolismo ativo e a força muscular;
    • Manter hidratação regular, mesmo sem sensação de sede, já que a percepção de sede tende a diminuir com a idade;
    • Priorizar sono de qualidade, pois o sono adequado participa da regulação do metabolismo e da saúde geral.

    Como deve ser o acompanhamento nutricional após os 60 anos de idade?

    Com o passar do tempo, a absorção de nutrientes tende a diminuir, o que torna necessário avaliar a alimentação com mais atenção, segundo Juliana.

    As consultas mais frequentes permitem ajustes na dieta e indicam, quando necessário, o uso correto de suplementos nutricionais. Para completar, mudanças de peso podem exigir ajustes nas medicações, especialmente no controle da pressão arterial e do diabetes.

    Perguntas frequentes

    Qual a importância da ingestão de proteínas na terceira idade?

    A proteína ajuda a preservar a massa muscular, reduz o risco de fraqueza física e melhora a recuperação do corpo. A ingestão adequada também contribui para a autonomia nas atividades diárias.

    Qual tipo de exercício é mais indicado para idosos?

    Quando indicados pelo médico, exercícios de força, como musculação ou exercícios com o próprio peso do corpo, aliados a caminhadas, alongamentos e atividades de equilíbrio, trazem bons resultados para a saúde geral.

    Manter horários regulares para refeições faz diferença?

    Os horários organizados ajudam a regular o metabolismo, evitam longos períodos de jejum e contribuem para melhor controle do apetite ao longo do dia.

    O que é sarcopenia?

    A sarcopenia é a perda de massa muscular relacionada ao envelhecimento. O processo ocorre de forma gradual e pode afetar força, equilíbrio, metabolismo e autonomia.

    Oscilações de peso podem indicar problemas de saúde?

    Podem indicar, principalmente quando ocorrem sem mudanças na alimentação ou na rotina. A perda ou ganho de peso sem explicação merece avaliação de um médica.

    A perda de apetite é comum nessa fase da vida?

    A perda de apetite pode acontecer devido a alterações hormonais, uso de medicamentos ou mudanças no paladar, mas não deve ser ignorada, pois pode levar à perda de peso e de massa muscular.

    É normal sentir mais cansaço com o passar dos anos?

    Algum cansaço pode ocorrer, mas fadiga excessiva não deve ser considerada normal e pode indicar problemas como perda muscular, má alimentação ou alterações de saúde.

  • O que acontece com o coração ao envelhecer? Cardiologista explica as mudanças naturais

    O que acontece com o coração ao envelhecer? Cardiologista explica as mudanças naturais

    O envelhecimento é um processo biológico natural que, mesmo em pessoas saudáveis, provoca mudanças graduais no funcionamento do organismo — incluindo no coração.

    Com o passar dos anos, o músculo cardíaco pode perder parte da elasticidade, as paredes do coração tendem a ficar mais espessas e o relaxamento entre os batimentos pode se tornar menos eficiente, o que influencia o enchimento adequado do coração.

    Apesar de fazerem parte da vida, as mudanças ajudam a entender por que o coração ao envelhecer precisa de mais cuidados na terceira idade.

    O que acontece com o coração no envelhecimento?

    Mesmo em indivíduos saudáveis, o coração passa por alterações estruturais e elétricas naturais com o passar dos anos. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, uma das principais mudanças ocorre no músculo cardíaco, que vai perdendo parte da elasticidade.

    Com isso, as paredes do coração tendem a ficar mais espessas, o que pode dificultar o enchimento e o relaxamento adequados entre os batimentos.

    O coração também possui válvulas, estruturas responsáveis por controlar o fluxo de sangue dentro do órgão e em direção aos vasos sanguíneos. Com o envelhecimento, elas podem sofrer espessamento e calcificação, o que pode interferir no seu processo de abertura e fechamento.

    Para completar, Juliana aponta que os batimentos cardíacos dependem de um sistema elétrico próprio do coração. As células chamadas de nó sinusal são responsáveis pela geração dos impulsos elétricos que comandam o ritmo cardíaco.

    Em pessoas mais velhas, tanto essas células quanto as vias da condução elétrica também envelhecem, o que pode tornar o ritmo dos batimentos mais lento ou aumentar a chance de falhas no ritmo.

    A pressão arterial e o ritmo cardíaco tendem a mudar com a idade?

    Ao longo do tempo, os vasos sanguíneos tendem a ficar mais rígidos, um processo chamado arteriosclerose. Isso pode levar ao aumento da pressão arterial sistólica, enquanto a pressão diastólica pode permanecer estável, aumentando a diferença entre as duas.

    Além disso, o ritmo cardíaco também pode sofrer mudanças. O ritmo dos batimentos cardíacos é controlado por estruturas presentes no coração, especialmente por uma estrutura chamada nó sinusal.

    Com o envelhecimento, ele pode perder parte da capacidade de controle dos batimentos, o que aumenta o risco de arritmias. Por isso, a incidência de arritmias tende a aumentar com o avanço da idade.

    Os efeitos do sedentarismo no envelhecimento

    O coração é um músculo e, como qualquer outro, precisa de estímulos para funcionar bem. Em pessoas sedentárias, Juliana explica que o músculo cardíaco tende a sofrer atrofia e endurecimento mais rapidamente, já que não recebe estímulos regulares, o que compromete a sua capacidade de adaptação ao longo do tempo.

    Por isso, a capacidade de bombear o sangue durante esforços físicos tende a diminuir de forma mais acentuada em indivíduos sedentários, se reduzindo progressivamente ao longo dos anos. Os vasos sanguíneos também tendem a ficar mais enrijecidos em quem não pratica atividades físicas.

    Já no caso de pessoas ativas, o coração tende a preservar melhor a elasticidade, tanto do próprio músculo cardíaco quanto dos vasos sanguíneos. Como consequência, ele consegue bombear uma maior quantidade de sangue a cada batimento em comparação com um coração sedentário.

    O que é natural do envelhecimento e o que é sinal de doença?

    Existem algumas mudanças que são esperadas com o passar dos anos e, sozinhas, não costumam ser motivo de preocupação.

    Por exemplo, Juliana conta que é comum haver uma redução da frequência cardíaca máxima, precisar de mais tempo de aquecimento antes de iniciar uma atividade física e perceber que a recuperação após o exercício fica um pouco mais lenta.

    Por outro lado, alguns sinais de alerta devem ser avaliados por um profissional da saúde, como:

    • Falta de ar muito intensa para um esforço leve;
    • Tontura;
    • Desmaios;
    • Dor no peito;
    • Palpitações frequentes;
    • Inchaço excessivo no corpo.

    Quais os exames cardíacos devem ser feitos a partir dos 60 anos de idade?

    À medida que envelhecemos, alguns exames se tornam importantes para acompanhar como o coração e os vasos sanguíneos estão funcionando, como:

    • Ecocardiograma;
    • Ultrassom Doppler de carótidas;
    • Holter;
    • Testes de esforço, como o teste ergométrico ou a cintilografia

    A indicação e a frequência dos exames devem ser definidas de acordo com a avaliação médica.

    Hábitos que ajudam o coração a envelhecer de forma saudável

    De acordo com Juliana, alguns hábitos podem ajudar a manter o coração saudável ao longo da vida, como:

    • Prática regular de atividade física: incluindo exercícios aeróbicos, como caminhadas, corrida, bicicleta ou natação, e também treinos resistidos, como musculação, que ajudam a fortalecer os músculos, preservar a força e prevenir a perda muscular conhecida como sarcopenia;
    • Alimentação equilibrada e nutritiva: com consumo adequado de vitaminas, proteínas e gorduras boas, priorizando alimentos naturais e evitando excessos, o que contribui para o bom funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos;
    • Sono de qualidade: respeitando as horas necessárias de descanso, já que dormir bem ajuda a regular a pressão arterial, o metabolismo e os processos de recuperação do organismo;
    • Vida social ativa e saudável: mantendo vínculos sociais, momentos de lazer e redução do estresse, fatores que também impactam positivamente a saúde cardiovascular.

    Também vale ficar atento aos sinais de alerta que podem indicar algum problema no coração e manter as consultas médicas em dia, já que o acompanhamento regular ajuda a prevenir doenças, identificar alterações mais cedo e cuidar melhor da saúde do coração.

    Leia mais: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

    Perguntas frequentes

    É normal o coração bater mais devagar com a idade?

    Sim, o sistema elétrico do coração pode ficar mais lento, o que reduz a frequência cardíaca máxima.

    O exercício físico consegue reverter mudanças no coração?

    O exercício não reverte completamente as mudanças naturais, mas ajuda a reduzir a velocidade das alterações. A prática regular melhora a circulação, preserva a força do músculo cardíaco e ajuda a manter os vasos mais flexíveis, o que contribui para um coração mais eficiente ao longo da vida.

    Qual tipo de exercício é melhor para o coração?

    A combinação de exercícios aeróbicos, como caminhada e bicicleta, com exercícios de força, como musculação, é a mais indicada.

    Quem tem histórico familiar de doença cardíaca precisa de mais atenção?

    Sim, o histórico familiar aumenta o risco e exige acompanhamento mais cuidadoso.

    O estresse prolongado acelera problemas cardíacos?

    Sim, o estresse crônico mantém o organismo em estado de alerta constante, elevando a pressão arterial e favorecendo inflamações, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

    Ficar muito tempo sentado faz mal para o coração?

    Sim, permanecer longos períodos sentado reduz a circulação, favorece o ganho de peso e aumenta o risco de pressão alta e problemas cardíacos, mesmo em quem se exercita algumas vezes por semana.

    É normal sentir o coração bater mais forte em algumas situações?

    Em momentos de estresse, ansiedade ou esforço físico, isso pode acontecer. Porém, se for frequente ou acompanhado de outros sintomas, precisa de avaliação médica.

    Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

  • Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

    Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

    As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, e uma parte delas está diretamente associada a problemas bucais.

    Quando existe infecções dentárias ou na gengiva, as bactérias podem entrar na corrente sanguínea e alcançar outros órgãos, inclusive o coração — facilitando o surgimento de inflamações no organismo.

    Para entender essa relação e quais sinais de alerta para ficar atento, conversamos com a cardiologista Juliana Soares e esclarecemos tudo, a seguir.

    Qual a relação entre os problemas bucais e doenças cardíacas?

    Existem dois principais mecanismos pelos quais a saúde bucal pode impactar a saúde cardiovascular. O primeiro acontece pela via das bactérias.

    De acordo com Juliana, a boca é uma região altamente vascularizada e abriga uma grande quantidade de microrganismos. Quando existe uma infecção ou inflamação, essas bactérias podem entrar na corrente sanguínea e chegar ao coração. Lá, elas podem se fixar, principalmente nas válvulas cardíacas, causando uma infecção chamada endocardite.

    O segundo caminho é através da inflamação. As doenças gengivais crônicas mantêm o organismo em estado inflamatório contínuo, com liberação de substâncias que circulam pelo sangue e não ficam restritas à boca.

    Com o tempo, essa inflamação generalizada favorece a formação e a instabilidade de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC.

    Quais os tipos de problemas bucais que estão ligados a doenças cardíacas?

    Uma vez que alguns problemas bucais favorecem a entrada de bactérias na corrente sanguínea e mantêm o organismo em estado inflamatório, elas estão mais associadas a doenças do coração.

    A principal é a periodontite, segundo Juliana, uma infecção que acomete as gengivas e, com a progressão, destrei o tecido mole e o osso responsáveis pela sustentação dos dentes.

    Nesse quadro, formam-se bolsas entre dentes e gengivas, com grande acúmulo de bactérias e inflamação crônica, facilitando a passagem de microrganismos para o sangue.

    Outra condição que pode ser destacada são as infecções na raiz do dente, como abscessos dentários não tratados, que funcionam como focos ativos de infecção.

    As bactérias presentes nas lesões podem alcançar a corrente sanguínea e atingir o coração, aumentando o risco de complicações cardíacas.

    Pessoas com doenças cardíacas precisam de cuidados especiais?

    Devido ao maior risco de complicações infecciosas, pessoas com próteses cardíacas ou doenças do coração, especialmente cardiopatias congênitas, precisam de atenção redobrada com a higiene bucal.

    Segundo a cardiologista, as bactérias presentes na boca podem entrar na corrente sanguínea e se fixar com mais facilidade em válvulas artificiais e próteses cardíacas, favorecendo o desenvolvimento de endocardite.

    Em casos de cardiopatias congênitas, alterações na estrutura do coração também podem facilitar essa fixação bacteriana.

    Entre alguns dos principais cuidados, é possível destacar:

    • Escovação adequada dos dentes, realizada pelo menos duas vezes ao dia, com atenção especial à linha da gengiva, para reduzir o acúmulo de bactérias e prevenir inflamações;
    • Uso diário de fio dental, fundamental para remover resíduos e placa bacteriana entre os dentes, regiões onde a escova não alcança;
    • Consultas regulares ao dentista, permitindo a identificação precoce de infecções, gengivite ou periodontite, antes que se tornem focos de inflamação sistêmica;
    • Tratamento imediato de infecções bucais, como abscessos, cáries profundas ou inflamações gengivais, evitando que bactérias atinjam a corrente sanguínea;
    • Uso preventivo de antibióticos antes de procedimentos dentários invasivos, quando indicado pelo médico ou dentista, principalmente em casos de manipulação gengival ou cirurgias odontológicas.

    Também é importante ir ao dentista com regularidade para fazer limpezas, tratar problemas na gengiva e identificar sinais que podem estar ligados a outras doenças do organismo.

    Quais os sinais de alerta para ficar de olho?

    Alguns sinais podem indicar uma inflamação na boca e higiene bucal inadequada, como:

    • Sangramento gengival frequente, principalmente durante a escovação ou o uso do fio dental;
    • Gengivas inchadas, muito avermelhadas ou retraídas;
    • Dentes amolecidos ou com sensação de mobilidade;
    • Mau hálito persistente, mesmo após a higiene bucal.

    Além dos sinais bucais, também é importante atenção a sintomas gerais, como dor na região da mandíbula e/ou que irradia para o peito, ombro ou braço.

    Em alguns casos, esse tipo de dor pode estar ligado a um problema no coração, como o infarto, sendo necessário procurar ajuda médica o quanto antes.

    Perguntas frequentes

    Sangramento na gengiva pode indicar infecção?

    Sim, um sangramento frequente costuma ser sinal de inflamação gengival e pode indicar gengivite ou periodontite.

    Infecção na boca pode se espalhar pelo corpo?

    Sim, bactérias da boca podem entrar na corrente sanguínea e atingir outros órgãos, como coração, pulmões e articulações.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Como prevenir infecções bucais?

    Algumas medidas ajudam na prevenção, como escovação correta, uso diário de fio dental, consultas regulares ao dentista e tratamento precoce de cáries.

    Fumar aumenta o risco de infecções bucais?

    Sim, o tabagismo reduz a defesa natural da gengiva, dificulta a cicatrização e favorece o acúmulo de bactérias na boca. Com isso, aumenta o risco de infecções, inflamações gengivais e problemas mais graves, como periodontite e perda dentária.

    Quantas vezes por dia é preciso escovar os dentes?

    O ideal é escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia, principalmente após as refeições e antes de dormir.

    Trocar a escova de dentes com que frequência?

    A troca deve ser feita a cada três meses ou antes, caso as cerdas estejam desgastadas.

    Quando procurar ajuda médica?

    Sempre que houver dor persistente, inchaço, sangramento frequente, pus, mau hálito constante ou febre associada a problemas na boca.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Queimadura por água-viva: o que fazer na hora

    Queimadura por água-viva: o que fazer na hora

    Durante o verão, é comum ouvir relatos de banhistas que sentiram uma dor intensa e repentina ao entrar no mar, muitas vezes causada pelo contato com águas-vivas ou caravelas. Esses animais, apesar da aparência frágil e translúcida, possuem estruturas capazes de liberar toxinas ao menor toque.

    Popularmente chamadas de queimaduras, essas lesões não são causadas por calor, mas por uma reação tóxica da pele ao contato com os tentáculos. Na maioria dos casos no Brasil, o quadro é limitado à pele e melhora com medidas simples, mas saber como agir corretamente faz toda a diferença para evitar complicações.

    O que é a queimadura por água-viva?

    A chamada queimadura por água-viva ocorre quando a pele entra em contato com os tentáculos desses animais marinhos. Neles existem células especiais, chamadas cnidócitos, que liberam toxinas ao serem estimuladas, como mecanismo de defesa.

    Apesar do nome, não se trata de uma queimadura térmica, mas de uma reação tóxica e inflamatória da pele, que pode causar dor intensa e lesões características no local do contato.

    Como a lesão acontece

    Ao tocar nos tentáculos, os nematocistos — estruturas presentes nos cnidócitos — injetam toxinas na em duas camadas da pele (epiderme e derme). Isso provoca inflamação local, dor e alterações visíveis na pele.

    Um sinal típico é que o desenho da lesão costuma reproduzir o formato dos tentáculos, aparecendo em linhas ou faixas avermelhadas sobre a pele.

    Causas mais comuns

    • Contato direto com águas-vivas vivas durante o banho de mar;
    • Pisões em tentáculos encalhados na areia;
    • Contato com tentáculos desprendidos, mesmo sem o animal visível.

    O risco aumenta em praias com maior presença desses organismos e quando não se utiliza proteção nos pés ao caminhar pela orla.

    Principais sintomas

    Os sintomas variam conforme a quantidade de toxina e a sensibilidade da pessoa:

    • Dor local intensa ou sensação de queimação imediata;
    • Vermelhidão em placas, pápulas, vesículas ou bolhas;
    • Lesões lineares ou em faixas, acompanhando o tentáculo;
    • Duração inicial dos sintomas: de 30 minutos até 24 horas.

    Na maioria dos casos leves, a pele melhora em dias ou semanas, embora possam permanecer manchas escuras ou cicatrizes temporárias.

    Sintomas sistêmicos (raros no Brasil)

    Em situações incomuns, pode haver:

    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Náuseas e vômitos;
    • Espasmos musculares ou alterações do ritmo cardíaco.

    Esses quadros costumam estar associados a maior carga de toxina.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado:

    • No relato de contato recente com água do mar;
    • No padrão típico das lesões na pele.

    Não há exames laboratoriais específicos na maioria dos casos. Sinais de gravidade, como dor intensa, dificuldade respiratória ou alterações nos sinais vitais, indicam necessidade de avaliação médica imediata.

    Tratamento

    Primeiros socorros imediatos

    • Retirar a pessoa da água e evitar novo contato;
    • Aplicar compressas frias ou gelo envolto em pano;
    • Água do mar fria pode ser usada; evite água doce, pois pode ativar toxinas remanescentes;
    • Remover cuidadosamente tentáculos visíveis com pinça ou luvas;
    • Aplicar vinagre (ácido acético 4–6%) para inativar cnidócitos de muitas espécies, conforme protocolos locais.

    Evite práticas populares prejudiciais, como:

    • Urina;
    • Álcool;
    • Água doce;
    • Esfregar areia ou toalha sobre a lesão.

    Quando procurar atendimento médico

    Busque avaliação se houver:

    • Dor intensa que não melhora;
    • Lesões extensas;
    • Sintomas sistêmicos;
    • Suspeita de reação alérgica.

    O tratamento médico pode incluir analgésicos, anti-histamínicos, corticoides tópicos ou sistêmicos em casos selecionados. Antivenenos são raramente necessários e dependem da espécie envolvida.

    Como prevenir acidentes com água-viva

    • Evitar áreas sinalizadas com presença de águas-vivas;
    • Respeitar avisos de salva-vidas e bandeiras lilás;
    • Não tocar em animais vivos ou tentáculos na areia;
    • Usar calçados de praia ao caminhar pela orla;
    • Redobrar a atenção no verão e em períodos reprodutivos;
    • Orientar crianças a não tocar nesses organismos.

    Confira: Viroses de verão: como evitar que elas estraguem suas férias

    Perguntas frequentes sobre queimadura por água-viva

    1. Queimadura por água-viva é realmente uma queimadura?

    Não. Trata-se de uma reação tóxica da pele, e não de uma queimadura por calor.

    2. Vinagre sempre deve ser usado?

    O vinagre ajuda a inativar cnidócitos de muitas espécies e é recomendado em protocolos locais. Quando houver dúvida, a orientação médica é indicada.

    3. Água doce pode aliviar a dor?

    Não. A água doce pode ativar toxinas remanescentes e piorar a lesão.

    4. Urina ajuda no tratamento?

    Não. Essa prática não é eficaz e pode agravar o quadro.

    5. É perigoso tocar em tentáculos na areia?

    Sim. Mesmo desprendidos, os tentáculos podem liberar toxinas ao contato.

    Veja mais: Vai para a praia? Cuidado com a intoxicação alimentar

  • Foi picado por cobra, escorpião ou aranha? Saiba o que fazer agora

    Foi picado por cobra, escorpião ou aranha? Saiba o que fazer agora

    Os acidentes causados por animais peçonhentos seguem sendo um importante problema de saúde pública no Brasil. A combinação entre grande biodiversidade, clima favorável e expansão urbana para áreas naturais aumenta o risco de contato entre humanos e espécies capazes de inocular veneno. Todos os anos, milhares de pessoas procuram atendimento médico após picadas, especialmente por cobras, escorpiões e aranhas.

    Esses acidentes podem provocar desde reações locais leves até quadros graves e potencialmente fatais, exigindo atendimento rápido e conduta adequada. Saber identificar os principais tipos de acidentes, reconhecer sinais de gravidade e entender o que fazer — e o que não fazer — pode reduzir complicações e salvar vidas.

    Quais animais peçonhentos causam mais acidentes no Brasil?

    No Brasil, os acidentes mais relevantes do ponto de vista clínico e epidemiológico envolvem:

    • Cobras;
    • Escorpiões;
    • Aranhas.

    Outros animais também podem causar acidentes, como abelhas, lagartas, vespas, marimbondos, lacraias, arraias, bagres, águas-vivas e caravelas, mas os quadros mais graves estão associados principalmente aos três primeiros grupos.

    Acidentes ofídicos (picadas por cobras)

    Os acidentes ofídicos ocorrem após a mordedura de serpentes peçonhentas e são classificados conforme o gênero da cobra envolvida.

    Acidente botrópico

    É o tipo mais comum no Brasil, causado por serpentes do gênero Bothrops, como as jararacas.

    O veneno tem ação inflamatória e anticoagulante, provocando:

    • Dor e inchaço local;
    • Manchas arroxeadas na pele;
    • Sangramentos em gengivas, feridas e urina;
    • Risco de necrose no local da picada.

    Acidente crotálico

    Causado por serpentes do gênero Crotalus, como a cascavel. Geralmente há pouca dor no local. Os sintomas são:

    • Sonolência;
    • Visão turva;
    • Dificuldade para manter os olhos abertos;
    • Dor de cabeça;
    • Dores musculares;
    • Enjoo.

    Nos casos graves, pode ocorrer insuficiência respiratória.

    Acidente laquético

    Provocado por serpentes do gênero Lachesis, como a surucucu-pico-de-jaca. Apresenta manifestações semelhantes ao acidente botrópico e pode cursar com:

    • Dor abdominal intensa;
    • Vômitos;
    • Queda da pressão arterial;
    • Diminuição da frequência cardíaca.

    Acidente elapídico

    Relacionado às corais-verdadeiras (Micrurus). Pode causar:

    • Dor local;
    • Sonolência;
    • Visão borrada;
    • Pálpebras caídas.

    Nos casos graves, ocorre paralisia dos músculos respiratórios, com risco de morte se não houver tratamento rápido.

    Acidentes por aranhas

    Os acidentes por aranhas acontecem pela inoculação do veneno através das presas.

    Acidente loxoscélico

    Causado pela aranha-marrom, que não é agressiva e costuma picar de forma acidental. Os sintomas incluem:

    • Dor local;
    • Lesão de pele arroxeada com áreas pálidas;
    • Formação de bolhas com conteúdo sanguinolento.

    Em casos mais graves, podem surgir febre, mal-estar, dores no corpo, pele amarelada, anemia e presença de sangue na urina.

    Acidente fonêurico

    Provocado pela aranha-armadeira. Caracteriza-se por:

    • Dor intensa imediata;
    • Inchaço;
    • Vermelhidão;
    • Formigamento no local da picada.

    Acidente latrodéctico

    Causado pela viúva-negra, que também não costuma ser agressiva. Pode provocar:

    • Dor local;
    • Sudorese intensa;
    • Alterações da pressão arterial e da frequência cardíaca;
    • Tremores;
    • Espasmos e contraturas musculares.

    Acidentes escorpiônicos

    Os acidentes escorpiônicos ocorrem pela inoculação do veneno através do ferrão do escorpião. As principais espécies envolvidas no Brasil são:

    • Escorpião-amarelo;
    • Escorpião-marrom;
    • Escorpião-preto-da-amazônia.

    Inicialmente, há dor intensa no local, que pode irradiar pelo membro acometido, associada a formigamento, vermelhidão e sudorese.

    Com a progressão do quadro, podem surgir sintomas sistêmicos, como:

    • Sudorese intensa;
    • Agitação;
    • Tremores;
    • Náuseas e vômitos;
    • Salivação excessiva.

    Em casos mais graves, pode haver comprometimento cardíaco, com variações da pressão arterial e arritmias.

    Primeiros socorros após picada por animal peçonhento

    Após um acidente, a principal medida é procurar atendimento médico imediatamente. Enquanto isso, algumas orientações iniciais incluem:

    • Lavar o local da picada com água e sabão, se possível;
    • Manter o paciente em repouso;
    • Elevar o membro acometido;
    • Retirar anéis, pulseiras, relógios, calçados ou roupas apertadas;
    • Em acidentes com cobras, incentivar hidratação oral se o paciente estiver consciente;
    • Em acidentes com escorpiões e aranhas, compressas mornas podem ajudar a aliviar a dor.

    No serviço de saúde, o paciente será avaliado e, se indicado, receberá o soro específico (antiofídico, antiescorpiônico ou antiaracnídico).

    O que não fazer em caso de picada

    Algumas práticas populares devem ser evitadas, pois podem agravar o quadro:

    • Não fazer torniquete;
    • Não cortar, queimar ou espremer o local;
    • Não aplicar substâncias caseiras;
    • Não realizar curativos antes da avaliação médica;
    • Não “chupar o veneno”, pois isso não remove a toxina e aumenta o risco de infecção.

    Veja mais: Como a doença de Chagas é transmitida e por que ainda preocupa

    Perguntas frequentes sobre picadas por animais peçonhentos

    1. O que fazer primeiro após uma picada por animal peçonhento?

    A principal medida é procurar atendimento médico imediatamente. Como orientação inicial, pode-se lavar o local com água e sabão, manter o paciente em repouso e elevar o membro acometido, além de retirar anéis, pulseiras, relógios, calçados ou roupas apertadas da região afetada.

    2. Posso fazer torniquete para impedir o veneno de “subir”?

    Não. O torniquete não deve ser feito, pois pode interromper o fluxo sanguíneo e causar necrose do membro.

    3. É recomendado cortar, queimar, espremer ou “chupar” o local da picada?

    Não. Essas práticas não removem a toxina, podem piorar a lesão e ainda aumentam o risco de infecção. Também não se deve aplicar substâncias no local.

    4. Compressa fria ou quente: qual é indicada?

    No texto, a orientação é que, em acidentes com escorpiões e aranhas, compressas mornas podem ajudar a aliviar a dor.

    5. Quando o soro é necessário?

    No serviço de saúde, o paciente será avaliado e, se indicado, receberá o soro específico conforme o tipo de acidente, como soro antiofídico, antiescorpiônico ou antiaracnídico.

    6. Quais animais peçonhentos são citados como mais relevantes no Brasil?

    O texto cita como principais animais envolvidos em acidentes no país: cobras, escorpiões, aranhas, abelhas, lagartas, vespas, marimbondos, lacraias, arraias, bagres, águas-vivas e caravelas.

    7. O que devo evitar fazer antes de ser avaliado no serviço de saúde?

    O texto orienta evitar torniquete; não cortar, queimar, espremer ou aplicar substâncias no local; não realizar curativos antes da avaliação médica; e não “chupar o veneno”.

    Veja mais: Nariz sangrando: o que fazer na hora e quando procurar ajuda