Autor: Dra. Juliana Soares

  • Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Dor no peito, palpitação e falta de ar são apenas alguns dos sinais que podem surgir durante uma crise intensa de ansiedade, condição que afeta cerca de 9,3% a 26,8% da população no Brasil. O problema é que eles também são sintomas comuns do infarto do miocárdio, uma emergência médica que precisa de atendimento imediato.

    Por causa da semelhança entre os sintomas, muitas pessoas entram em pânico sem saber se estão diante de uma crise emocional intensa ou de um problema cardíaco real. Na dúvida, a principal recomendação é procurar atendimento médico para avaliação — mas existem algumas diferenças que podem te ajudar a diferenciar os quadros. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que a crise de ansiedade parece um infarto?

    Durante uma crise de ansiedade ou de pânico, o corpo ativa o sistema nervoso autônomo, especialmente o chamado mecanismo de luta ou fuga. É um sistema de defesa natural, responsável por preparar o organismo diante de situações como ameaça ou perigo, mesmo quando a ameaça não é física e sim emocional ou imaginada.

    Quando o cérebro interpreta uma situação como perigosa, ele causa a liberação de hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, que provocam diversas reações físicas, como:

    • Aceleração do coração;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Respiração mais rápida;
    • Tensão muscular;
    • Maior fluxo sanguíneo para músculos.

    Como o coração, a respiração e a circulação são diretamente afetados, surgem sensações físicas intensas que podem lembrar problemas cardíacos, incluindo as palpitações, o aperto ou a dor no peito, a falta de ar, a tontura, o suor frio e a sensação de fraqueza.

    Quais os sintomas mais típicos do infarto?

    O infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco, acontece quando há uma redução ou interrupção do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. Normalmente, placas de gordura ou coágulos bloqueiam as artérias coronárias, impedindo que o oxigênio chegue ao coração.

    Isso provoca físicos importantes que costumam surgir de forma gradual ou repentina, como:

    • Dor no peito forte e persistente, descrita muitas vezes como pressão, aperto, peso ou queimação;
    • Dor que pode irradiar para o braço esquerdo, ambos os braços, costas, mandíbula, pescoço ou até a região do estômago;
    • Falta de ar progressiva, mesmo em repouso ou com esforço mínimo;
    • Náusea, vômito ou sensação de indigestão, principalmente em mulheres;
    • Suor frio intenso, pele pálida e sensação de fraqueza;
    • Mal-estar geral que não melhora com repouso ou mudança de posição.

    A dor costuma durar vários minutos, podendo surgir em ondas ou permanecer contínua, e frequentemente piora com o tempo. Em alguns casos, pode haver tontura, sensação de desmaio ou ansiedade súbita associada ao quadro.

    Diferenças que ajudam a perceber cada situação

    Na dúvida, a melhor coisa a fazer é buscar atendimento médico para descartar um problema cardíaco. No entanto, alguns detalhes podem ajudar a diferenciar cada quadro.

    Em uma crise de ansiedade, ela costuma:

    • Surgir após estresse emocional, preocupação intensa ou situação de tensão;
    • Apresentar início relativamente rápido, muitas vezes acompanhado de sensação de medo ou alerta exagerado;
    • Melhorar com respiração lenta, técnicas de relaxamento ou mudança do foco mental;
    • Ter duração variável, frequentemente de minutos até cerca de uma hora;
    • Vir acompanhada de sensação de perda de controle, medo intenso ou pensamento catastrófico.

    Já um quadro de infarto apresenta:

    • Dor persistente no peito que não melhora com descanso ou relaxamento;
    • Sintomas físicos progressivos ou cada vez mais intensos;
    • Sinais associados como falta de ar, suor frio, náusea ou fraqueza marcante;
    • Presença de fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardíaca.

    Também vale apontar que nem sempre os sintomas seguem um padrão. Mulheres, idosos, pessoas jovens ou com diabetes podem apresentar sinais menos típicos de infarto, como cansaço incomum, desconforto leve no peito, dor nas costas, enjoo persistente ou apenas falta de ar.

    Em algumas situações, a dor intensa no peito sequer aparece, o que pode atrasar a procura por atendimento.

    O que pode causar ansiedade?

    As causas da ansiedade não são totalmente explicadas, mas entende-se que ela ocorre por uma combinação de fatores psicológicos, biológicos e ambientais, como:

    • Estresse prolongado, preocupações constantes ou sobrecarga emocional;
    • Fatores genéticos ou histórico familiar de ansiedade;
    • Eventos traumáticos ou experiências difíceis;
    • Privação de sono, excesso de trabalho ou rotina desgastante;
    • Consumo elevado de cafeína, álcool ou outras substâncias estimulantes;
    • Algumas condições médicas e alterações hormonais.

    O que causa infarto?

    O infarto ocorre principalmente quando uma artéria coronária fica obstruída, reduzindo ou interrompendo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

    A causa mais frequente é a aterosclerose, processo no qual placas de gordura se acumulam nas artérias ao longo do tempo, mas alguns fatores também aumentam o risco, como:

    • Pressão alta;
    • Colesterol elevado;
    • Diabetes;
    • Tabagismo;
    • Obesidade e sedentarismo;
    • Alimentação rica em gordura, açúcar e ultraprocessados;
    • Histórico familiar de doença cardíaca;
    • Estresse crônico e má qualidade do sono.

    Ansiedade pode causar um infarto?

    A ansiedade, por si só, normalmente não causa um infarto. No entanto, crises frequentes e estresse crônico podem contribuir indiretamente para problemas cardiovasculares.

    O aumento constante de adrenalina e cortisol pode elevar a pressão arterial, alterar o ritmo cardíaco e favorecer hábitos pouco saudáveis, como má alimentação, sedentarismo, consumo de álcool ou tabaco. A longo prazo, os fatores podem aumentar o risco para para o desenvolvimento de hipertensão, arritmias, inflamação vascular ou maior propensão à formação de placas nas artérias.

    Além disso, durante uma crise intensa, a liberação abrupta de adrenalina pode provocar aceleração importante dos batimentos, elevação transitória da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Em pessoas que já convivem com uma doença cardíaca ou fatores de risco relevantes, a sobrecarga pode desencadear sintomas ou agravar um quadro já existente.

    Como confirmar o diagnóstico?

    O diagnóstico do quadro é feito a partir de uma avaliação médica, principalmente quando existe dor no peito, falta de ar ou sintomas que podem lembrar um problema cardíaco. Na prática, a prioridade costuma ser descartar um infarto primeiro, já que se trata de uma situação potencialmente grave.

    Quando há suspeita de infarto, os médicos costumam pedir alguns exames:

    • Eletrocardiograma, que mostra como está o funcionamento elétrico do coração;
    • Exames de sangue, que ajudam a identificar sinais de lesão no músculo cardíaco;
    • Avaliação clínica, com perguntas sobre sintomas, histórico de saúde e fatores de risco;
    • Outros exames, como ecocardiograma ou cateterismo, quando existe necessidade de investigação mais detalhada.

    Se a suspeita maior for ansiedade, o diagnóstico costuma ser feito com base na conversa com o médico, na análise dos sintomas e na exclusão de problemas físicos. Muitas vezes ocorre encaminhamento para psicólogo ou psiquiatra, para avaliar melhor a saúde emocional e indicar o tratamento mais adequado.

    Quando procurar atendimento médico?

    A presença de dor no peito ou de sintomas que lembram problema cardíaco, como falta de ar, suor frio e palpitações intensa, precisa de atenção médica. Mesmo quando existe histórico de ansiedade, o ideal é não ignorar sinais físicos novos, intensos ou diferentes do habitual, pois ansiedade e problema cardíaco podem coexistir.

    Uma pessoa com histórico de ansiedade pode, sim, desenvolver uma condição cardíaca real, assim como um evento cardíaco pode desencadear ansiedade ou crise de pânico devido ao susto e ao estresse envolvidos. Por isso, não é recomendável assumir automaticamente que os sintomas são apenas emocionais sem uma avaliação adequada.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. O formigamento nas mãos é sinal de quê?

    Na ansiedade, o formigamento (nas mãos, pés e ao redor da boca) ocorre pela hiperventilação (respirar rápido demais). No infarto, é mais comum que o formigamento ocorra no braço esquerdo (embora também possa ser no direito), podendo ser acompanhado de sensação de fraqueza e peso também

    2. Ter uma crise de pânico pode causar um infarto na hora?

    Para uma pessoa com o coração saudável, é extremamente raro. O coração é um músculo forte feito para aguentar batimentos acelerados (como em um exercício físico). O risco existe apenas se a pessoa já tiver uma doença coronária grave preexistente.

    3. A dor de ansiedade dura quanto tempo?

    A duração varia. Muitas crises duram de alguns minutos até cerca de uma hora, embora a sensação residual possa permanecer por mais tempo.

    4. Exercício físico ajuda na ansiedade e no coração?

    Sim, a atividade física regular ajuda a controlar o estresse, melhora o humor, reduz fatores de risco cardiovascular e fortalece o coração.

    5. A ansiedade crônica entope as artérias?

    Não diretamente, mas o estresse constante libera cortisol e adrenalina, que aumentam a inflamação no corpo e a pressão arterial, o que, ao longo de anos, facilita o acúmulo de placas de gordura.

    6. Como é feito o tratamento de ansiedade?

    O tratamento de ansiedade costuma envolver psicoterapia, principalmente abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a entender e controlar pensamentos e reações emocionais. Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de remédios para reduzir os sintomas, além de orientar mudanças no estilo de vida, como atividade física, sono adequado e redução do estresse.

    7. Como aliviar a ansiedade no dia a dia?

    Algumas medidas simples ajudam bastante, como respirar de forma lenta e profunda, praticar atividade física regularmente, manter rotina de sono, reduzir cafeína, fazer pausas durante o dia e investir em momentos de lazer. Técnicas de relaxamento, meditação e psicoterapia também contribuem para aliviar os sintomas.

    8. Como é feito o tratamento de infarto?

    O infarto é uma emergência médica, em que é preciso restabelecer o fluxo de sangue para o coração o mais rápido possível. Podem ser usados medicamentos, procedimentos como angioplastia com stent ou, em alguns casos, cirurgia.

    Após a fase aguda, o tratamento continua com acompanhamento médico, uso regular de remédios, reabilitação cardíaca e mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física orientada, controle do estresse e abandono do tabagismo.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Doenças mais comuns em crianças em idade escolar e como agir 

    Doenças mais comuns em crianças em idade escolar e como agir 

    A volta às aulas é um momento importante para o desenvolvimento das crianças, mas, depois de algumas semanas, também costuma marcar um aumento expressivo de viroses e infecções. Salas fechadas, contato próximo, compartilhamento de objetos e hábitos de higiene ainda em formação criam o cenário ideal para a circulação de vírus e bactérias.

    Febre, tosse, dor de garganta, diarreia ou manchas na pele passam a fazer parte da rotina de muitas famílias nesse período. Embora a maioria dessas doenças seja leve, reconhecer os quadros mais comuns ajuda os pais a agir corretamente, proteger a criança e evitar surtos dentro das escolas.

    Por que as doenças aumentam na volta às aulas?

    O aumento de infecções nesse período acontece por vários fatores combinados:

    • Aglomeração de crianças em ambientes fechados;
    • Contato físico frequente (brincadeiras, abraços, troca de objetos);
    • Sistema imunológico ainda em desenvolvimento;
    • Higiene das mãos nem sempre feita da melhor maneira;
    • Circulação simultânea de diferentes vírus sazonais.

    Esse conjunto facilita a transmissão de doenças respiratórias, gastrointestinais e de pele.

    Principais doenças para ficar atento na volta às aulas

    Adenovírus

    O adenovírus é um dos vírus mais comuns nesse período. Ele pode causar diferentes quadros, como:

    • Resfriado e dor de garganta;
    • Febre;
    • Conjuntivite viral (olhos vermelhos e secreção);
    • Diarreia e vômitos.

    É altamente contagioso, resistente no ambiente e se espalha facilmente em escolas e creches.

    Doença mão-pé-boca

    Muito comum em crianças pequenas, especialmente em creches e educação infantil.

    Principais sinais:

    • Febre;
    • Feridas dolorosas na boca;
    • Bolhas ou manchas nas mãos, pés e região das fraldas.

    É causada por vírus (principalmente Coxsackie) e se transmite facilmente pelo contato direto e pelas mãos.

    Gripe (Influenza)

    O vírus influenza, causador da gripe, costuma circular mais em determinados períodos do ano, mas surtos podem ocorrer com a retomada das aulas.

    Sintomas comuns:

    • Febre alta de início súbito;
    • Dores no corpo;
    • Tosse;
    • Cansaço intenso.

    A vacinação anual é a principal forma de prevenção e é recomendada para crianças.

    Covid-19

    Embora hoje apresente, na maioria das crianças, quadros leves, a covid-19 ainda circula e pode causar surtos em ambientes escolares.

    Sintomas mais frequentes:

    • Febre;
    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Dor de cabeça;
    • Diarreia (em alguns casos).

    Crianças com sintomas devem ser avaliadas e afastadas temporariamente da escola, conforme orientação médica.

    Resfriados comuns (rinovírus)

    Os resfriados são extremamente frequentes na volta às aulas.

    • Coriza;
    • Espirros;
    • Tosse leve;
    • Congestão nasal.

    Apesar de benignos, são muito contagiosos e se espalham rapidamente entre as crianças.

    Gastroenterites virais

    Viroses intestinais também são comuns, especialmente em crianças menores.

    • Diarreia;
    • Vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Febre.

    O maior risco é a desidratação, principalmente em bebês e crianças pequenas.

    Infecções de garganta (amigdalites)

    Podem ser virais ou bacterianas. As bacterianas, especialmente por estreptococo, merecem atenção pelo risco de complicações.

    • Dor intensa ao engolir;
    • Febre;
    • Placas esbranquiçadas nas amígdalas;
    • Ínguas no pescoço.

    O que os pais devem fazer ao identificar sintomas?

    Levar ou não a criança para a escola?

    De forma geral, a criança não deve ir à escola se apresentar:

    • Febre;
    • Vômitos ou diarreia;
    • Dor intensa;
    • Mal-estar importante;
    • Conjuntivite com secreção;
    • Lesões ativas de mão-pé-boca.

    Mesmo sintomas leves podem evoluir, além de facilitar o contágio de outras crianças.

    Quando procurar avaliação médica?

    Os pais devem buscar orientação médica se houver:

    • Febre persistente por mais de 2–3 dias;
    • Dificuldade para respirar;
    • Sinais de desidratação;
    • Prostração;
    • Dor intensa ou piora progressiva dos sintomas.

    Crianças pequenas e aquelas com doenças crônicas exigem atenção redobrada.

    Quando a criança pode voltar às aulas?

    Em geral, a criança pode retornar quando:

    • Estiver sem febre há pelo menos 24 horas;
    • Não apresentar vômitos ou diarreia;
    • Estiver com bom estado geral;
    • Não houver risco elevado de transmissão ativa.

    A liberação pode variar conforme a doença, por isso a orientação médica é tão importante.

    Como prevenir doenças na volta às aulas

    • Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
    • Ensinar as crianças a não levar as mãos ao rosto;
    • Manter vacinação em dia (especialmente gripe e covid-19);
    • Enviar a criança doente para casa, evitando forçar a ida à escola;
    • Higienizar lancheiras, garrafas e materiais escolares;
    • Estimular boa hidratação e alimentação equilibrada.

    Essas ações protegem a criança e toda a comunidade escolar.

    Confira: Rotavírus: o que é, como se manifesta e por que a vacina é tão importante

    Perguntas frequentes sobre doenças na volta às aulas

    1. É normal a criança ficar doente logo no início das aulas?

    Sim. O aumento do contato com outras crianças facilita a exposição a novos vírus.

    2. Criança com conjuntivite precisa se afastar da escola?

    Sim, principalmente quando há secreção, pois é altamente contagiosa.

    3. Antibiótico ajuda a evitar transmissão?

    Não. Antibióticos só são indicados em infecções bacterianas específicas.

    4. A vacinação ajuda mesmo?

    Sim. Vacinas reduzem formas graves, complicações e surtos escolares.

    5. Quanto tempo essas viroses costumam durar?

    A maioria melhora em 5 a 7 dias, dependendo do vírus.

    6. Manter a criança em casa ajuda a evitar surtos?

    Sim. O afastamento temporário é uma das medidas mais eficazes para reduzir transmissão.

    Leia mais: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Adenovírus: conheça o vírus comum que preocupa na volta às aulas 

    Adenovírus: conheça o vírus comum que preocupa na volta às aulas 

    Febre, dor de garganta, olhos vermelhos ou diarreia. Em épocas de volta às aulas, esses sintomas costumam preocupar pais e responsáveis e, muitas vezes, o motivo é uma infecção por adenovírus. Trata-se de um vírus comum, especialmente em crianças, e que se espalha com facilidade em ambientes coletivos, como escolas e creches.

    Na maioria dos casos, a infecção é leve e autolimitada. Ainda assim, por ser um vírus capaz de causar sintomas respiratórios, gastrointestinais e até oculares, o adenovírus merece atenção.

    O que é o adenovírus

    O adenovírus é um grupo de vírus da família Adenoviridae, com dezenas de sorotipos diferentes. Eles têm a capacidade de infectar vários tecidos do corpo humano, principalmente:

    • Vias respiratórias;
    • Olhos (conjuntiva);
    • Trato gastrointestinal;
    • Trato urinário (mais raramente).

    A infecção por adenovírus é uma das causas mais frequentes de virose infantil, especialmente em crianças menores de 5 anos, embora adolescentes e adultos também possam ser infectados.

    Por que o adenovírus aumenta com a volta às aulas?

    A circulação do adenovírus tende a aumentar em períodos de maior convivência entre crianças. A volta às aulas cria um cenário ideal para transmissão porque envolve:

    • Contato próximo e prolongado;
    • Compartilhamento de brinquedos, materiais escolares e objetos;
    • Higiene das mãos nem sempre adequada;
    • Crianças pequenas levando as mãos à boca, nariz e olhos com frequência.

    Além disso, o adenovírus é resistente no ambiente e consegue sobreviver por horas em superfícies, o que facilita a disseminação em salas de aula.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão do adenovírus acontece de várias formas:

    • Contato direto com secreções respiratórias (tosse, espirro, saliva);
    • Contato com superfícies contaminadas, seguido de mãos nos olhos, nariz ou boca;
    • Via fecal-oral, especialmente nos quadros gastrointestinais;
    • Água contaminada, como piscinas sem cloração adequada.

    Por isso, surtos podem acontecer em escolas, creches, academias e até ambientes hospitalares.

    Principais sintomas do adenovírus

    Os sintomas variam conforme o sorotipo do vírus e o órgão mais afetado. Uma mesma criança pode apresentar mais de um tipo de manifestação.

    Sintomas respiratórios (os mais comuns)

    • Febre;
    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Congestão nasal;
    • Rouquidão.

    Em alguns casos, pode causar quadros como faringite, amigdalite, bronquiolite ou pneumonia, especialmente em crianças pequenas.

    Sintomas oculares

    • Olhos vermelhos;
    • Ardor ou sensação de areia nos olhos;
    • Lacrimejamento;
    • Secreção ocular.

    O adenovírus é uma das principais causas de conjuntivite viral, que costuma ser altamente contagiosa.

    Sintomas gastrointestinais

    • Diarreia;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos;
    • Febre associada.

    Esses quadros são mais comuns em crianças menores e podem levar à desidratação se não houver atenção à hidratação.

    Outros sintomas possíveis

    • Mal-estar;
    • Dor no corpo;
    • Aumento de gânglios no pescoço;
    • Cansaço.

    Quando os pais devem ficar mais atentos

    Na maioria das vezes, a infecção por adenovírus evolui bem e melhora sozinha em alguns dias. No entanto, é importante procurar avaliação médica se a criança apresentar:

    • Febre alta persistente por mais de 3 dias;
    • Dificuldade para respirar ou respiração acelerada;
    • Recusa persistente de líquidos;
    • Sinais de desidratação (pouca urina, boca seca, sonolência excessiva);
    • Dor intensa nos olhos ou piora importante da conjuntivite;
    • Prostração ou piora do estado geral.

    Crianças pequenas, imunossuprimidas ou com doenças crônicas precisam de acompanhamento médico mais próximo.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do adenovírus é, na maioria das vezes, clínico, baseado nos sintomas e no contexto epidemiológico (por exemplo, outros casos na escola).

    Em situações específicas, podem ser solicitados exames, como:

    • Testes virais em secreção respiratória;
    • Exames de fezes, nos quadros gastrointestinais;
    • Exames laboratoriais em casos mais graves ou hospitalizados.

    Na prática, a identificação exata do vírus nem sempre é necessária, pois não muda o tratamento na maioria dos casos.

    Tratamento: o que fazer em casa

    Não existe tratamento antiviral específico para adenovírus em pessoas saudáveis. O cuidado é sintomático, focado em aliviar os sintomas e evitar complicações.

    • Repouso;
    • Boa hidratação;
    • Controle de febre e dor, conforme orientação médica;
    • Lavagem nasal com soro fisiológico nos sintomas respiratórios;
    • Higiene ocular adequada nos casos de conjuntivite.

    Antibióticos não são indicados, pois o adenovírus é um vírus, e não uma bactéria.

    Prevenção: como reduzir o risco de transmissão

    • Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
    • Ensinar as crianças a não levar as mãos aos olhos, boca e nariz;
    • Não compartilhar objetos pessoais;
    • Manter crianças sintomáticas em casa, quando possível;
    • Higienizar brinquedos e superfícies;
    • Evitar piscinas sem controle adequado de cloro.

    Essas medidas ajudam não só contra o adenovírus, mas contra várias viroses comuns da infância.

    Leia mais: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre adenovírus

    1. Adenovírus é perigoso?

    Na maioria das crianças saudáveis, não. Geralmente causa infecção leve e autolimitada, mas pode ser mais grave em bebês, imunossuprimidos ou em casos raros de acometimento pulmonar.

    2. Adenovírus é o mesmo que gripe?

    Não. A gripe é causada pelo vírus Influenza. O adenovírus pode causar sintomas parecidos, mas é um vírus diferente.

    3. Adenovírus dá conjuntivite?

    Sim. Ele é uma das causas mais comuns de conjuntivite viral, geralmente muito contagiosa.

    4. Criança com adenovírus pode ir à escola?

    Em caso de febre, mal-estar importante, diarreia ou conjuntivite ativa, o ideal é manter a criança em casa para recuperação e para evitar transmissão.

    5. Existe vacina contra adenovírus?

    Não há vacina disponível para uso rotineiro na população geral. A prevenção depende principalmente de medidas de higiene.

    6. Quanto tempo duram os sintomas?

    Em geral, de 5 a 7 dias, podendo se estender um pouco mais em alguns casos.

    7. Adultos também pegam adenovírus?

    Sim. Adultos podem se infectar, geralmente com quadros mais leves, mas ainda assim podem transmitir o vírus.

    Confira: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • 10 problemas de saúde causados pela poluição do ar

    10 problemas de saúde causados pela poluição do ar

    A poluição do ar não é só cheiro de fumaça ou aquela névoa cinza no horizonte. Por ser uma mistura de partículas e gases que entra pelo nariz, alcança os pulmões e, dependendo do tipo de poluente, consegue até chegar à corrente sanguínea, pode causar vários problemas à saúde.

    O resultado da exposição à poluição atmosférica aparece em vários lugares do corpo: mais crises respiratórias, maior risco cardiovascular e uma relação bem estabelecida com câncer de pulmão.

    Há também impactos menos óbvios, como piora de alergias e sinais de envelhecimento da pele. E o detalhe importante: nem sempre a exposição precisa ser gigante para fazer diferença; a repetição diária conta.

    10 problemas que a poluição pode causar na sua saúde

    1. Aumento do risco cardiovascular (infarto e AVC)

    Partículas finas podem inflamar vasos e aumentar o risco de alterações no funcionamento do sistema cardiovascular. Na prática, isso envolve maior risco de eventos como infarto e AVC, especialmente em pessoas com fatores de risco já presentes, como pressão alta, diabetes, tabagismo e idade avançada.

    2. Piora de arritmias e sobrecarga do coração

    Além de eventos agudos, a poluição pode contribuir para instabilidade do ritmo cardíaco e piora de condições cardiovasculares crônicas, aumentando a chance de descompensações em pessoas mais vulneráveis.

    3. Crises de asma e chiado no peito

    Em quem tem asma, dias de pior qualidade do ar costumam significar mais irritação das vias aéreas, mais sintomas e maior chance de precisar de medicamentos de resgate.

    4. Piora de DPOC

    A inflamação e irritação das vias respiratórias também pesam para quem tem DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), podendo aumentar falta de ar, tosse e risco de exacerbações.

    5. Mais infecções respiratórias e piora de sintomas em gripes

    A poluição do ar pode prejudicar as defesas locais do trato respiratório, facilitando piora de quadros infecciosos e aumentando a chance de complicações em grupos de risco.

    6. Câncer de pulmão

    A poluição do ar externa foi classificada como carcinogênica para humanos, com destaque para a relação com câncer de pulmão.

    7. Irritação nos olhos, nariz e garganta

    É o pacote clássico: ardor nos olhos, nariz escorrendo ou entupido, dor de garganta e tosse irritativa. Esses sintomas costumam piorar em dias secos, com fumaça, trânsito intenso ou queimadas.

    8. Piora de alergias

    A exposição a poluentes pode aumentar a irritação e tornar crises alérgicas mais frequentes ou intensas, principalmente em quem já tem histórico de rinite ou outros problemas respiratórios.

    9. Envelhecimento da pele e piora do aspecto de cansaço

    Há evidências de que a poluição pode contribuir para sinais de envelhecimento cutâneo, como manchas e perda de viço, por mecanismos ligados ao estresse oxidativo e à inflamação na pele.

    10. Maior carga de doença na população

    Quando se olha o impacto global, a poluição do ar está associada a milhares de mortes prematuras e a um peso importante de doenças não transmissíveis, especialmente cardiovasculares e câncer de pulmão.

    Como reduzir a exposição no dia a dia

    Medidas simples que ajudam

    • Evitar exercício ao ar livre em horários ou locais de tráfego intenso;
    • Preferir rotas com menos carros quando for caminhar;
    • Manter ambientes ventilados, mas considerar fechar janelas em episódios de fumaça intensa;
    • Redobrar a atenção com crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias.

    Confira: Câncer de pulmão: sintomas, tipos e como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre poluição e saúde

    1. Poluição do ar afeta só quem tem problema respiratório?

    Não. Há impacto também no sistema cardiovascular e em outros desfechos de saúde.

    2. Existe relação entre poluição e câncer de pulmão?

    Sim. A poluição do ar externa foi classificada como carcinogênica para humanos e está associada ao câncer de pulmão.

    3. Por que o coração entra nessa história?

    Porque partículas finas podem gerar inflamação sistêmica e aumentar o risco cardiovascular, especialmente em pessoas vulneráveis.

    4. A poluição pode piorar asma e bronquite?

    Pode. Ela irrita as vias aéreas e aumenta a chance de crises e exacerbações.

    5. Quais são os sintomas mais comuns em dias ruins de qualidade do ar?

    Ardor nos olhos, tosse, garganta irritada, nariz entupido ou escorrendo e piora da falta de ar em quem já tem doença respiratória.

    6. Poluição pode envelhecer a pele?

    Há evidências que associam poluentes ao envelhecimento cutâneo e a alterações como manchas e perda de viço.

    7. Crianças e idosos sofrem mais?

    Em geral, sim. São grupos mais sensíveis a descompensações respiratórias e cardiovasculares quando a exposição aumenta.

    Veja também: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

  • Sedentarismo na infância: quais os principais riscos para o coração? 

    Sedentarismo na infância: quais os principais riscos para o coração? 

    Sabia que os cuidados com a saúde do coração devem começar ainda na infância? Movimento, brincadeiras, alimentação equilibrada e sono adequado ajudam o organismo da criança a se desenvolver de maneira mais saudável. Quando a rotina infantil se torna sedentária, algumas mudanças silenciosas podem surgir no metabolismo, nos vasos sanguíneos e no próprio coração.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o sedentarismo na infância é definido principalmente pelo equilíbrio entre o nível de atividade física, ou seja, o quanto a criança se movimenta, e o comportamento sedentário, que corresponde ao tempo em repouso ou diante de telas, como celular, televisão, tablet e videogame.

    Diferentemente dos adultos, a avaliação na infância varia conforme a idade, porque acompanha o desenvolvimento físico, motor e neurológico da criança. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é considerado sedentarismo na infância?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria consideram sedentária a criança que não atinge a quantidade mínima de atividade física indicada para a própria faixa etária. As recomendações incluem:

    • Bebês: devem se movimentar várias vezes ao longo do dia, com brincadeiras, tempo no chão e estímulo à exploração corporal;
    • Crianças entre 1 e 2 anos: precisam acumular pelo menos 180 minutos diários de movimentação, de qualquer intensidade;
    • Crianças entre 3 e 5 anos: também devem atingir cerca de 180 minutos por dia, incluindo pelo menos 60 minutos de atividade moderada a vigorosa;
    • Crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos: devem realizar no mínimo 60 minutos diários de atividade física com intensidade pelo menos moderada.

    O sedentarismo, nessa fase, não envolve apenas a falta de exercício, mas também o excesso de atividades de baixo gasto energético, como permanecer sentado, deitado ou muito tempo diante de telas.

    Sedentarismo na infância já pode afetar a saúde do coração?

    Mesmo durante os primeiros anos de vida, a falta de movimento pode provocar alterações no organismo que aumentam o risco cardiovascular no futuro. Segundo estudos, o processo de formação de placas de gordura nas artérias, conhecido como aterosclerose, pode começar ainda na infância.

    Quando a criança se movimenta pouco, o coração tende a ficar menos eficiente, os vasos sanguíneos podem perder parte da elasticidade e surgem condições como aumento de peso, colesterol alterado e pressão mais elevada.

    Além disso, hábitos criados na infância costumam continuar na vida adulta, o que pode favorecer obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças cardiovasculares ao longo dos anos.

    Alterações metabólicas começam ainda na infância?

    As principais alterações metabólicas que podem surgir ainda na infância incluem, segundo Juliana:

    • Resistência insulínica: o corpo passa a produzir mais insulina para manter o nível de açúcar estável no sangue, o que pode sobrecarregar o pâncreas e aumentar o risco de diabetes;
    • Dislipidemia: alterações nos níveis de colesterol, com aumento dos triglicerídeos, redução do colesterol HDL (considerado protetor) e aumento do LDL (associado a maior risco cardiovascular);
    • Inflamação sistêmica: quando o sedentarismo se associa ao excesso de peso, o tecido adiposo libera substâncias inflamatórias que podem agredir o revestimento das artérias e favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Riscos do sedentarismo infantil para o coração

    O sedentarismo na infância pode trazer problemas importantes para a saúde do coração mesmo quando a criança ainda parece saudável. A falta de movimento reduz a capacidade do coração, favorece alterações metabólicas e pode aumentar o risco de doenças cardíacas ao longo da vida.

    Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Maior probabilidade de sobrepeso e obesidade desde cedo;
    • Alterações no colesterol e nos triglicerídeos;
    • Tendência ao aumento da pressão arterial;
    • Maior risco de resistência à insulina e diabetes;
    • Início precoce do acúmulo de gordura nas artérias;
    • Inflamação do organismo que prejudica os vasos sanguíneos;
    • Redução do condicionamento físico e da eficiência cardíaca;
    • Aumento do risco de doenças cardiovasculares na vida adulta.

    Segundo Juliana, o tempo excessivo diante de telas, como televisão, videogames e celulares, é atualmente um dos maiores preditores de sedentarismo.

    Além da redução do movimento, o excesso de telas costuma estar associado ao consumo de alimentos ultraprocessados, lanches calóricos e hábitos alimentares menos adequados. Também pode provocar privação de sono, o que desregula hormônios relacionados à fome, ao estresse e ao crescimento infantil.

    Alimentação na infância também influencia o risco cardiovascular futuro?

    O paladar e os hábitos alimentares começam a se formar na infância, e muitas preferências adquiridas na fase costumam acompanhar a pessoa ao longo da vida. Por isso, Juliana aponta que a qualidade da alimentação infantil tem impacto direto na saúde cardiovascular futura.

    O consumo frequente de sódio, presente em salgadinhos, embutidos e alimentos ultraprocessados, assim como o excesso de açúcar, comum em refrigerantes, doces e bebidas artificiais, pode favorecer o aumento da pressão arterial, o acúmulo de gordura visceral, a resistência à insulina e outras alterações metabólicas. Com o tempo, as condições aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

    Como fazer a criança se movimentar mais na infância?

    Segundo o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, incentivar movimento desde cedo ajuda no desenvolvimento físico, emocional e cardiovascular. Algumas dicas podem ajudar, como:

    • Priorizar brincadeiras ativas, como correr, pular, dançar, andar de bicicleta ou jogar bola;
    • Estimular tempo ao ar livre sempre que possível, em parques, praças ou quintal;
    • Reduzir tempo de telas e criar limites claros para celular, TV, videogame e tablet;
    • Participar das atividades junto com a criança, já que o exemplo familiar influencia muito;
    • Incentivar esportes ou atividades físicas que despertem interesse e prazer;
    • Variar atividades para evitar monotonia e manter motivação;
    • Organizar rotina com horários para movimento, sono e lazer ativo;
    • Valorizar deslocamentos ativos, como caminhar até locais próximos quando possível;
    • Evitar longos períodos sentados, incentivando pausas para se mexer;
    • Criar ambiente seguro e estimulante para brincadeiras dentro ou fora de casa.

    Também é importante manter acompanhamento pediátrico regular, com avaliação do peso, da altura, do crescimento e do desenvolvimento global da criança. Ele ajuda a identificar precocemente possíveis alterações relacionadas à saúde cardiovascular, ao metabolismo e ao estilo de vida.

    Confira: Importância de controlar o açúcar na infância e quais doenças previne

    Perguntas frequentes

    1. Crianças podem ter pressão alta?

    Sim, pois o sedentarismo, aliado à má alimentação, é uma das principais causas de hipertensão infantil. O excesso de peso força o coração a trabalhar muito mais do que o necessário.

    2. Como saber se meu filho é considerado sedentário?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como sedentária a criança que não pratica ao menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa.

    3. Existe algum sinal visível de que o coração da criança está sobrecarregado?

    Cansaço excessivo em brincadeiras leves, falta de ar desproporcional ao esforço e palpitações são sinais de alerta que exigem consulta médica.

    4. Crianças podem fazer musculação?

    Sim, desde que supervisionada e adaptada à idade. O foco não é hipertrofia (músculos grandes), mas o fortalecimento muscular que auxilia no metabolismo e protege as articulações.

    5. Quando devo levar meu filho ao cardiologista pediátrico?

    Se houver histórico familiar de doenças cardíacas precoces, se a criança apresentar obesidade, pressão alta ou se você pretende matriculá-la em esportes competitivos.

    6. A partir de qual idade deve-se medir a pressão arterial de uma criança?

    A recomendação atual é que a pressão seja aferida anualmente em todas as consultas de rotina a partir dos 3 anos de idade, ou antes, se houver fatores de risco (como prematuridade ou doenças renais).

    Leia mais: Puberdade precoce: o que é, por que acontece e os sintomas (em meninos e meninas)

  • Transtorno bipolar: quando o humor vai além das oscilações normais

    Transtorno bipolar: quando o humor vai além das oscilações normais

    Mudanças de humor fazem parte da vida. Mas quando essas oscilações são intensas, duram semanas e interferem no trabalho, nos relacionamentos e na segurança da pessoa, pode haver algo além de fase ruim. O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica séria, mas tratável, que exige diagnóstico correto e acompanhamento contínuo.

    Também chamado de transtorno afetivo bipolar (TAB), ele é caracterizado por episódios de elevação anormal do humor (mania ou hipomania) alternados com episódios de depressão. Entre essas fases, a pessoa pode passar por períodos de estabilidade.

    Um dos grandes desafios é que muitas vezes o primeiro episódio é depressivo, o que pode levar ao diagnóstico errado de depressão comum e atrasar o tratamento adequado.

    Quais são os tipos de transtorno bipolar?

    Segundo o manual diagnóstico utilizado em psiquiatria (DSM-5), existem diferentes formas da doença.

    Transtorno bipolar tipo I (TAB I)

    • Presença de pelo menos um episódio de mania (fase de euforia intensa ou irritabilidade com perda de controle);
    • Pode haver episódios depressivos;
    • Pode haver episódios de hipomania, que é uma fase de euforia de menor intensidade.

    Transtorno bipolar tipo II (TAB II)

    • Presença de pelo menos um episódio de hipomania (forma mais leve de euforia);
    • Presença de pelo menos um episódio de depressão maior;
    • Não há histórico de mania completa.

    Transtorno ciclotímico (ciclotimia)

    • Oscilações crônicas de humor mais leves;
    • Sintomas depressivos e de elevação do humor que não chegam a preencher todos os critérios formais;
    • Duração de pelo menos dois anos.

    Quem pode desenvolver?

    O transtorno bipolar pode afetar homens e mulheres de forma semelhante.

    • Início mais comum entre 15 e 24 anos;
    • A maioria apresenta sintomas antes dos 25 anos;
    • Pode haver novo pico de diagnóstico entre 45 e 54 anos.

    Estima-se que cerca de 2,4% da população mundial apresente algum grau do espectro bipolar.

    O que causa o transtorno bipolar?

    Não existe uma única causa. A condição resulta da combinação de vários fatores.

    Entre eles:

    • Predisposição genética (história familiar aumenta o risco);
    • Alterações em substâncias químicas do cérebro, como dopamina e serotonina (neurotransmissores);
    • Eventos estressantes importantes;
    • Alterações estruturais e funcionais no cérebro.

    Situações como perdas, separações, desemprego ou parto podem anteceder crises em pessoas predispostas.

    Como são os episódios?

    Episódio de mania (mais comum no tipo I)

    Dura pelo menos uma semana (ou menos, se houver necessidade de internação).

    Pode envolver:

    • Humor muito elevado ou irritabilidade intensa;
    • Energia exagerada;
    • Redução da necessidade de sono (dormir pouco e não sentir cansaço);
    • Fala acelerada;
    • Pensamentos rápidos;
    • Sensação de grandiosidade (acreditar que tem habilidades ou poderes especiais);
    • Impulsividade (gastos excessivos, decisões arriscadas);
    • Comportamentos de risco.

    Pode causar grande prejuízo social ou profissional. Em alguns casos, há perda de contato com a realidade (sintomas psicóticos).

    Episódio de hipomania (mais comum no tipo II)

    É semelhante à mania, mas:

    • Dura pelo menos 4 dias;
    • Não causa prejuízo grave;
    • Não há sintomas psicóticos;
    • Geralmente não exige internação.

    A pessoa pode parecer apenas “mais animada que o normal”, o que dificulta o diagnóstico.

    Episódio depressivo

    Dura pelo menos duas semanas.

    Pode incluir:

    • Tristeza persistente;
    • Perda de interesse;
    • Alteração do sono;
    • Alteração de apetite;
    • Cansaço excessivo;
    • Culpa exagerada;
    • Dificuldade de concentração;
    • Pensamentos de morte ou suicídio.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico, feito por psiquiatra com base em:

    • Entrevista detalhada;
    • Histórico de episódios anteriores;
    • Histórico familiar;
    • Exclusão de outras causas, como uso de drogas ou doenças clínicas.

    Não existe exame de sangue específico para confirmar transtorno bipolar.

    É importante diferenciar de:

    • Depressão comum;
    • Transtornos de ansiedade;
    • Transtorno de personalidade borderline;
    • TDAH;
    • Transtornos induzidos por substâncias.

    Como é o tratamento?

    O tratamento combina medicação e psicoterapia, geralmente por longo prazo.

    Tratamento da mania

    • Estabilizadores do humor (como lítio e valproato);
    • Antipsicóticos modernos (como quetiapina e risperidona);
    • Medicamentos para agitação, quando necessário;
    • Eletroconvulsoterapia (ECT) em casos graves.

    Vale lembrar que a eletroconvulsoterapia (ECT) é um procedimento médico seguro realizado sob anestesia e usado em situações específicas.

    Tratamento da depressão bipolar

    • Lítio;
    • Lamotrigina;
    • Antipsicóticos específicos;
    • Antidepressivos não devem ser usados sozinhos, pois podem desencadear mania.

    Tratamento de manutenção

    • Uso contínuo de estabilizadores do humor;
    • Psicoterapia (como terapia cognitivo-comportamental);
    • Monitoramento de efeitos metabólicos;
    • Acompanhamento regular com psiquiatra.

    O lítio é um dos medicamentos mais eficazes na prevenção de recaídas e na redução do risco de suicídio.

    Complicações e riscos

    Sem tratamento adequado, o transtorno bipolar pode estar associado a:

    • Aumento do risco de suicídio;
    • Problemas financeiros e legais;
    • Doenças cardiovasculares e metabólicas;
    • Uso abusivo de álcool e drogas.

    Com tratamento correto, muitos pacientes conseguem estabilização e boa qualidade de vida.

    Quando procurar ajuda?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Oscilações intensas de humor;
    • Períodos de energia excessiva com impulsividade;
    • Episódios depressivos repetidos;
    • Ideias de suicídio;
    • Mudança significativa no padrão de sono ou comportamento.

    Veja mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes sobre transtorno bipolar

    1. Transtorno bipolar é o mesmo que mudança de humor?

    Não. As mudanças são intensas, duram dias ou semanas e causam prejuízo real.

    2. O transtorno bipolar tem cura?

    Não há cura definitiva, mas há controle eficaz com tratamento contínuo.

    3. Quem tem transtorno bipolar pode trabalhar normalmente?

    Sim. Com tratamento adequado, muitas pessoas levam vida produtiva.

    4. Antidepressivo pode piorar o transtorno bipolar?

    Sim, se usado sozinho pode desencadear mania.

    5. O transtorno bipolar é hereditário?

    Há forte componente genético, mas não é 100% determinístico.

    6. É possível prevenir recaídas?

    Sim. Com uso regular da medicação e acompanhamento.

    7. O transtorno bipolar pode aparecer só na fase adulta?

    Sim. Embora geralmente comece antes dos 25 anos, pode surgir mais tarde.

    Veja mais: Por que o domingo à noite mexe tanto com a ansiedade?

  • Cardiopatia congênita: conheça os tipos e as consequências para a saúde

    Cardiopatia congênita: conheça os tipos e as consequências para a saúde

    A cardiopatia congênita, também conhecida como doença cardíaca congênita, consiste em um ou mais problemas na estrutura do coração presentes desde a gravidez.

    As alterações podem afetar o funcionamento do órgão de maneiras diferentes, variando desde quadros leves, que muitas vezes não causam sintomas imediatos, até situações mais complexas, que exigem acompanhamento médico desde os primeiros dias de vida.

    No Brasil, aproximadamente 28,7 mil crianças nascem com uma cardiopatia congênita todos os anos. Na prática, isso significa que, a cada 100 bebês que nascem, cerca de um apresenta uma cardiopatia congênita — o que indica a importância do acompanhamento pré-natal e da atenção logo nos primeiros dias de vida.

    O que são doenças cardíacas congênitas?

    As doenças cardíacas congênitas são malformações que afetam a estrutura ou a função do coração, surgindo devido a alguma alteração no desenvolvimento do órgão durante as primeiras semanas da gestação, de acordo com a cardiologista Juliana Soares.

    Nesse período, o coração do bebê ainda está em formação, de modo que qualquer interferência no processo pode resultar em mudanças anatômicas ou funcionais que variam desde alterações leves até quadros mais complexos, com necessidade de acompanhamento médico desde os primeiros meses de vida.

    O momento em que os sintomas aparecem pode variar. Nos casos de cardiopatias congênitas leves, a criança pode passar toda a infância sem apresentar sintomas, e a condição tende a ser identificada apenas no final da infância ou até na vida adulta. Já nos casos mais graves, o diagnóstico pode ser feito ainda no período intrauterino ou imediatamente após o nascimento.

    Importante: para que uma condição seja considerada uma doença cardíaca congênita, a alteração precisa obrigatoriamente ocorrer durante a gestação. Se uma doença cardíaca aparece depois devido ao envelhecimento ou infecções, ela é considerada “adquirida”.

    Como o coração do bebê se forma na gestação?

    A formação do coração do bebê começa normalmente por volta da terceira semana após a fecundação. No início, surge uma estrutura simples que vai se desenvolvendo aos poucos até formar as cavidades, as válvulas e os vasos sanguíneos responsáveis pela circulação do sangue. Já no primeiro trimestre, o coração costuma estar formado e em funcionamento.

    Durante as semanas seguintes, o órgão continua amadurecendo para acompanhar o crescimento do bebê. Como se trata de um processo muito delicado, qualquer alteração pode interferir no desenvolvimento normal. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames recomendados são importantes para avaliar se o coração está se formando de maneira adequada.

    Quais os tipos de cardiopatia congênita?

    As doenças cardíacas congênitas costumam ser classificadas em dois grupos principais: as cardiopatias congênitas cianóticas e as cardiopatias congênitas acianóticas.

    Segundo Juliana, as cardiopatias cianóticas são aquelas que causam deficiência na oxigenação do sangue, levando a uma coloração azulada da pele. Já as cardiopatias acianóticas apresentam alterações menos evidentes na oxigenação e são as mais comuns.

    Entre as cardiopatias congênitas acianóticas mais frequente, é possível destacar:

    • Comunicação interventricular: presença de um orifício na parede que separa os ventrículos;
    • Comunicação interatrial: abertura na parede que separa os átrios;
    • Persistência do canal arterial: canal que deveria se fechar após o parto, mas permanece aberto.

    Entre as cardiopatias cianóticas, a mais conhecida é a tetralogia de Fallot, caracterizada por quatro alterações estruturais no coração que comprometem a função cardiovascular. Elas dificultam a oxigenação adequada do sangue, levando ao quadro de cianose. São elas:

    • Comunicação interventricular (CIV);
    • Estenose da artéria pulmonar;
    • Dextroposição da aorta (deslocamento da aorta para a direita);
    • Hipertrofia do ventrículo direito.

    Juliana complementa que outra cardiopatia congênita relativamente comum é a coartação da aorta, caracterizada por um estreitamento da aorta após a sua emergência, o que dificulta o fluxo adequado do sangue.

    O que pode causar uma cardiopatia congênita?

    Na maioria dos casos, Juliana explica que a cardiopatia congênita ocorre sem causa definida. No entanto, alguns fatores aumentam o risco:

    • Histórico familiar de cardiopatia congênita;
    • Alterações genéticas específicas, como a síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21);
    • Exposição materna a fatores de risco durante a gestação, como diabetes mal controlado, consumo de álcool, uso de algumas medicações e infecções como rubéola.

    Os fatores não determinam obrigatoriamente a doença, mas aumentam a probabilidade de ocorrência.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico pode ocorrer em diferentes momentos, desde a gestação até depois do nascimento do bebê. A identificação precoce permite o acompanhamento adequado e, quando necessário, o início do tratamento o quanto antes.

    Durante o pré-natal, é realizado o ecocardiograma fetal, um exame capaz de identificar diversas cardiopatias a partir de aproximadamente a 20ª semana de gestação. Ele avalia a estrutura e o funcionamento do coração do bebê ainda no útero.

    Após o nascimento, é feita a oximetria de pulso, conhecida como teste do coraçãozinho, exame obrigatório antes da alta da maternidade para detectar cardiopatias congênitas críticas.

    Segundo Juliana, se houver suspeita clínica posteriormente, pode ser feito um ecocardiograma transtorácico no bebê. Sinais como um sopro cardíaco, o cansaço durante a mamada ou a coloração arroxeada dos lábios podem indicar a necessidade de investigação mais detalhada.

    Tratamento das doenças cardíacas congênitas

    O tratamento das cardiopatias congênitas é individualizado e depende do tipo da alteração, da gravidade do quadro e da idade do paciente.

    Em algumas situações, principalmente nos casos mais leves, pode ocorrer um fechamento espontâneo de pequenas comunicações no coração, sem necessidade de intervenção imediata, sendo indicado apenas o acompanhamento regular com o cardiologista.

    Em outros casos, o tratamento pode envolver o uso de medicamentos para controlar sintomas e melhorar o funcionamento do coração ou procedimentos minimamente invasivos, como o cateterismo cardíaco, no qual dispositivos são inseridos geralmente pela região da virilha para corrigir comunicações entre as cavidades do coração sem a necessidade de cirurgia aberta.

    De acordo com Juliana, a cirurgia costuma ser indicada nos casos mais complexos, quando existe necessidade de correção estrutural mais ampla para evitar complicações graves, preservar a função cardíaca e reduzir o risco de morte.

    Acompanhamento cardiológico ao longo da vida

    Mesmo após uma cirurgia bem-sucedida e na ausência de sintomas, Juliana explica que o acompanhamento médico regular é fundamental, pois podem surgir sequelas tardias ou alterações nas estruturas cardíacas ao longo do tempo.

    De forma geral, crianças com defeitos leves ou que passaram por uma correção adequada costumam ter uma vida próxima do normal, incluindo uma alimentação saudável e a prática de atividade física. Uma alimentação equilibrada ajuda a evitar a obesidade e os problemas metabólicos, que podem sobrecarregar um coração mais sensível.

    A atividade física costuma ser incentivada na maioria dos casos. Porém, algumas condições mais graves ou associadas a arritmias podem exigir restrições a esportes competitivos ou de alto impacto. O cardiologista pediátrico é o profissional responsável por orientar, de forma individualizada, qual nível de esforço é mais seguro para cada criança.

    É possível prevenir as doenças cardíacas congênitas?

    A prevenção das doenças cardíacas congênitas nem sempre é possível, já que muitas delas surgem durante a formação do coração do bebê sem uma causa definida. Mesmo assim, alguns cuidados durante a gestação podem ajudar a reduzir riscos e favorecer um desenvolvimento mais saudável do coração fetal, como:

    • Acompanhamento pré-natal regular para monitorar a saúde da mãe e do bebê;
    • Controle adequado do diabetes materno, quando presente;
    • Vacinação recomendada antes ou durante a gestação, conforme orientação médica;
    • Orientação médica sobre o uso de medicamentos durante a gravidez;
    • Evitar o consumo de álcool, cigarro e outras substâncias nocivas;
    • Manutenção de uma alimentação equilibrada durante a gestação;
    • Uso correto do ácido fólico, conforme indicação profissional;
    • Realização dos exames pré-natais recomendados.

    Quando suspeitar de um problema cardíaco congênito no bebê?

    A suspeita de um problema cardíaco congênito pode surgir ainda durante a gestação ou após o nascimento, principalmente quando alguns sinais chamam a atenção da família ou do pediatra.

    Nem sempre os sintomas aparecem logo, mas observar mudanças no comportamento, na respiração ou na coloração da pele do bebê ajuda na identificação precoce. Os principais sinais incluem:

    • Dificuldade para mamar ou cansaço excessivo durante a mamada;
    • Respiração rápida ou esforço para respirar;
    • Coloração arroxeada nos lábios, na língua ou nas extremidades;
    • Baixo ganho de peso ou dificuldade para crescer;
    • Suor excessivo, principalmente durante a alimentação;
    • Presença de sopro cardíaco identificado pelo pediatra.

    Na presença de qualquer um dos sinais, a avaliação com um pediatra ou um cardiologista pediátrico é necessário para esclarecer a causa e garantir o acompanhamento adequado.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Toda cardiopatia congênita precisa de cirurgia?

    Não. Algumas condições, como pequenos furos no coração (comunicação interventricular ou interatrial), podem fechar sozinhos conforme a criança cresce. Outras são monitoradas apenas com medicamentos.

    2. É possível corrigir o defeito sem abrir o peito?

    Sim, através do cateterismo intervencionista. Um tubo fino é inserido por um vaso sanguíneo (geralmente na virilha) até o coração para fechar buracos ou abrir válvulas entupidas, evitando uma cirurgia de grande porte.

    3. O que é o “Teste do Coraçãozinho”?

    É um exame de triagem obrigatório realizado nas primeiras 24 a 48 horas de vida. Um sensor mede a oxigenação no braço e na perna do bebê para detectar precocemente cardiopatias graves que podem não apresentar sintomas imediatos.

    4. A doença pode voltar depois de operada?

    A malformação anatômica é corrigida, mas o paciente pode desenvolver sequelas ou precisar de novos procedimentos ao longo da vida (como a troca de uma válvula). Por isso, o acompanhamento deve ser constante.

    5. Pacientes com cardiopatia congênita podem ser vacinados normalmente?

    Sim, e é altamente recomendado. O calendário vacinal deve estar em dia, incluindo a vacina contra a gripe e o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), pois infecções pulmonares podem ser muito graves para essas pessoas.

    6. Quem tem cardiopatia congênita pode fazer tatuagem ou piercing?

    É preciso ter muita cautela, pois o risco de infecção na pele que pode migrar para o coração é real. O cardiologista deve ser consultado antes, e o local escolhido para o procedimento deve seguir normas rigorosas de esterilização.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Rosácea: por que o rosto fica vermelho e sensível? 

    Rosácea: por que o rosto fica vermelho e sensível? 

    A vermelhidão persistente no rosto nem sempre é apenas pele sensível ou reação ao calor. Quando o rubor aparece com frequência, vem acompanhado de sensação de ardor, pequenos vasos aparentes ou até lesões parecidas com acne, pode se tratar de rosácea, uma condição inflamatória crônica da pele.

    A rosácea atinge principalmente a região central da face e pode afetar não apenas a pele, mas também os olhos. Embora não tenha cura definitiva, há diversas formas de controlar os sintomas e reduzir o impacto estético e emocional da doença.

    O que é rosácea?

    A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que acomete principalmente:

    • Bochechas;
    • Nariz;
    • Testa;
    • Queixo.

    Pode se manifestar com:

    • Vermelhidão persistente (eritema centrofacial);
    • Pápulas e pústulas;
    • Episódios de rubor (flushing);
    • Telangiectasias (vasos aparentes);
    • Espessamento da pele.

    Em alguns casos, também há comprometimento ocular.

    Quem é mais afetado?

    A rosácea é considerada comum, mas frequentemente subdiagnosticada. Estudos estimam prevalência de cerca de 5% dos adultos.

    Perfil mais afetado:

    • Adultos acima de 30 anos;
    • Mulheres (mais comum);
    • Homens com maior risco de formas fimatosas, como rinofima, que afeta o nariz.

    Embora seja mais associada à pele clara, pode ocorrer em todos os fototipos.

    O que causa a rosácea?

    A causa exata ainda não é totalmente compreendida. Diversos mecanismos parecem estar envolvidos.

    1. Alterações do sistema imune

    • Produção aumentada de peptídeos inflamatórios (como catelicidina);
    • Ativação exagerada da imunidade inata;
    • Participação de mastócitos e células T.

    2. Micro-organismos

    O ácaro Demodex folliculorum é encontrado em maior densidade na pele de pacientes com rosácea.

    3. Hiper-reatividade vascular

    Pessoas com rosácea apresentam maior tendência ao rubor (flushing). Alguns estímulos podem provocar vasodilatação exagerada, como:

    • Calor;
    • Alimentos picantes;
    • Estresse;
    • Álcool.

    4. Radiação ultravioleta

    A exposição solar pode contribuir para:

    • Inflamação cutânea;
    • Formação de vasos;
    • Estresse oxidativo.

    Por isso, usar protetor solar é muito importante.

    5. Fatores genéticos

    História familiar aumenta o risco, sugerindo predisposição genética.

    Principais sinais e sintomas da rosácea

    A rosácea pode se manifestar de diferentes formas. Os médicos costumam classificar a doença de acordo com os padrões de manifestação (fenótipos clínicos).

    Sinais que confirmam o diagnóstico

    • Vermelhidão persistente na região central do rosto (eritema centrofacial fixo);
    • Espessamento irregular da pele, especialmente no nariz, que pode ficar aumentado e com aspecto endurecido (alterações fimatosas, como a rinofima).

    Sinais mais comuns

    • Bolinhas vermelhas ou com pus, parecidas com acne (pápulas e pústulas);
    • Episódios de ondas de calor no rosto, com vermelhidão súbita e intensa (flushing);
    • Vasos sanguíneos aparentes na pele (telangiectasias);
    • Sintomas nos olhos, como vermelhidão, ardor e sensação de areia (rosácea ocular).

    Outros sintomas que podem aparecer

    • Sensação de ardor ou queimação na pele;
    • Inchaço no rosto (edema facial);
    • Pele seca, sensível e que irrita com facilidade.

    Rosácea ocular

    Pode ocorrer antes ou junto com as manifestações cutâneas.

    Sintomas são:

    • Olhos vermelhos;
    • Ardor;
    • Sensação de areia nos olhos;
    • Sensibilidade à luz (fotofobia);
    • Visão borrada.

    Em casos mais graves, pode haver comprometimento da córnea. Avaliação com oftalmologista é indicada quando há sintomas oculares.

    Fatores que pioram a rosácea

    Gatilhos comuns incluem:

    • Sol e calor;
    • Frio intenso;
    • Bebidas quentes;
    • Alimentos picantes;
    • Álcool;
    • Exercício físico intenso;
    • Estresse emocional;
    • Cosméticos irritantes.

    Identificar gatilhos individuais ajuda no controle da doença.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da rosácea é feito principalmente pela avaliação clínica, ou seja, pela observação dos sinais e sintomas durante a consulta médica.

    Para confirmar o diagnóstico, geralmente é necessário que a pessoa apresente:

    • Pelo menos um sinal considerado típico da doença, como vermelhidão persistente na parte central do rosto (eritema centrofacial fixo), ou;
    • Dois ou mais sinais frequentes da rosácea, como bolinhas inflamadas (pápulas e pústulas), vasos aparentes (telangiectasias), episódios de vermelhidão súbita (flushing) ou sintomas nos olhos (rosácea ocular).

    Na maioria dos casos, não é preciso realizar biópsia (retirada de um pequeno fragmento de pele para análise), pois o diagnóstico costuma ser feito apenas pela avaliação clínica.

    Tratamento

    O objetivo é controlar sintomas e reduzir crises.

    Medidas gerais

    • Evitar gatilhos;
    • Higienização suave;
    • Hidratação diária;
    • Protetor solar FPS ≥ 30.

    Eritema persistente

    • Medicamentos específicos indicados pelo dermatologista;
    • Laser vascular;
    • Luz intensa pulsada.

    Pápulas e pústulas

    • Medicamentos específicos prescritos pelo médico, como ácido azelaico;
    • Antibióticos orais (como doxiciclina) em casos moderados, sempre prescritos por um médico especialista.

    Rosácea ocular

    • Compressas mornas;
    • Higiene palpebral;
    • Antibióticos tópicos ou sistêmicos;
    • Colírios sob orientação oftalmológica.

    Espessamento irregular da pele do nariz (rinofima)

    • Medicamentos específicos prescritos pelo dermatologista;
    • Laser ou cirurgia em casos avançados.

    O que esperar

    A rosácea é crônica e pode apresentar períodos de melhora e piora. Com acompanhamento adequado, é possível manter bom controle e reduzir o impacto psicológico e estético.

    Leia também: Acne: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre rosácea

    1. Rosácea é acne?

    Não. Embora possa causar pápulas e pústulas, trata-se de doença inflamatória diferente da acne.

    2. Tem cura?

    Não há cura definitiva, mas há controle eficaz.

    3. Sol piora?

    Sim, em muitos casos. A fotoproteção é fundamental.

    4. Álcool causa rosácea?

    Não causa, mas pode desencadear crises.

    5. Pode afetar os olhos?

    Sim. A rosácea ocular pode causar irritação e deve ser avaliada.

    6. Laser resolve?

    Pode melhorar vasos aparentes e vermelhidão persistente.

    7. É contagiosa?

    Não. Rosácea não é uma doença infecciosa.

    Confira: Acne na adolescência: 10 mitos e verdades sobre a condição

  • Síndrome de Down: informação, cuidado e inclusão 

    Síndrome de Down: informação, cuidado e inclusão 

    O nascimento de uma criança com síndrome de Down costuma vir acompanhado de muitas dúvidas. O que exatamente significa esse diagnóstico? Quais serão os desafios? Como será o desenvolvimento ao longo da vida? Informações claras e baseadas em evidências são muito importantes para acolher famílias e combater preconceitos.

    A síndrome de Down é uma condição genética causada pela presença de uma cópia extra — total ou parcial — do cromossomo 21. Essa alteração, chamada trissomia 21, influencia o desenvolvimento físico e intelectual e pode estar associada a algumas condições de saúde específicas.

    No entanto, cada pessoa com síndrome de Down é única, com habilidades, características e potencial próprios.

    O que é a síndrome de Down?

    A síndrome de Down ocorre principalmente devido à trissomia do cromossomo 21, ou seja, a presença de três cromossomos 21 em vez de dois.

    Essa alteração geralmente acontece por um erro na divisão celular durante a formação do óvulo ou do espermatozoide. Na maioria dos casos:

    • Não é herdada diretamente dos pais;
    • Ocorre de forma espontânea;
    • Está associada ao aumento da idade materna, mas pode ocorrer em qualquer gestação.

    O cromossomo extra interfere no desenvolvimento do organismo desde o início da formação embrionária, afetando crescimento, sistema nervoso e diversos órgãos.

    Principais características clínicas

    As manifestações variam amplamente entre as pessoas.

    1. Características físicas

    Algumas características podem estar presentes ao nascimento:

    • Olhos amendoados com prega epicântica;
    • Ponte nasal mais achatada;
    • Baixo tônus muscular (hipotonia);
    • Estatura mais baixa;
    • Dedos curtos;
    • Prega palmar única em algumas crianças.

    Nem todas as pessoas apresentam todos esses sinais.

    2. Desenvolvimento neurológico e cognitivo

    A maioria das pessoas com síndrome de Down apresenta deficiência intelectual de grau leve a moderado.

    Pode haver:

    • Atraso no desenvolvimento motor;
    • Atraso na fala;
    • Dificuldades específicas de aprendizagem;
    • Maior tempo para aquisição de algumas habilidades.

    Com estimulação precoce, muitas crianças desenvolvem boa autonomia.

    3. Condições de saúde associadas

    Há maior risco de algumas condições médicas, como:

    • Defeitos congênitos do coração;
    • Alterações gastrointestinais;
    • Doença celíaca;
    • Hipotireoidismo;
    • Apneia obstrutiva do sono;
    • Infecções respiratórias mais frequentes;
    • Risco aumentado de leucemia na infância.

    Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial.

    Como é feito o diagnóstico?

    Diagnóstico pré-natal

    Durante a gestação, a suspeita pode surgir por:

    • Ultrassonografia com marcadores sugestivos;
    • Testes de triagem bioquímicos maternos;
    • Teste pré-natal não invasivo (NIPT).

    A confirmação é feita por exames diagnósticos como:

    • Amniocentese;
    • Biópsia de vilosidades coriônicas;
    • Análise cromossômica fetal.

    Diagnóstico após o nascimento

    Após o parto, o diagnóstico é frequentemente suspeitado pelas características físicas e confirmado por exame de cariótipo, que demonstra a trissomia 21.

    Acompanhamento e cuidados ao longo da vida

    Não existe cura para a síndrome de Down, pois não se trata de uma doença, mas de uma condição genética.

    O acompanhamento envolve equipe multidisciplinar e pode incluir:

    • Estimulação precoce;
    • Fonoaudiologia;
    • Fisioterapia;
    • Acompanhamento cardiológico;
    • Monitoramento da tireoide;
    • Avaliação auditiva e oftalmológica regular;
    • Apoio pedagógico e inclusão escolar.

    O objetivo é promover desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.

    Expectativa de vida e prognóstico

    Com os avanços no diagnóstico precoce e no tratamento das condições associadas, a expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down aumentou significativamente nas últimas décadas.

    Hoje, muitos indivíduos alcançam a vida adulta com boa qualidade de vida, inserção social e participação ativa na comunidade.

    Confira: Remédios na gravidez: o que pode e o que não pode tomar?

    Perguntas frequentes sobre síndrome de Down

    1. A síndrome de Down é uma doença?

    Não. É uma condição genética causada por alteração cromossômica.

    2. Todas as pessoas com síndrome de Down são iguais?

    Não. Existe grande variabilidade nas habilidades, personalidade e saúde.

    3. Pode ser diagnosticada antes do nascimento?

    Sim, por meio de exames de triagem e testes genéticos confirmatórios.

    4. É hereditária?

    Na maioria dos casos, não. Apenas formas raras, como translocações, podem ter componente familiar.

    5. Pessoas com síndrome de Down podem trabalhar?

    Sim. Muitas trabalham, estudam e vivem de forma independente, dependendo do nível de suporte necessário.

    6. Existe tratamento para melhorar o desenvolvimento?

    Sim. Estimulação precoce e acompanhamento multidisciplinar fazem grande diferença.

    7. A idade materna influencia o risco?

    Sim, o risco aumenta com a idade materna, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária.

    Veja mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Rash no rosto e dor nas articulações: pode ser lúpus? Entenda mais

    Rash no rosto e dor nas articulações: pode ser lúpus? Entenda mais

    Cansaço persistente, dores nas articulações, manchas avermelhadas no rosto que pioram após exposição ao sol. Esses sintomas podem parecer isolados ou até confundidos com outras condições comuns. Mas, quando aparecem de forma recorrente e associada, podem ser sinais de uma doença autoimune chamada lúpus.

    A doença é conhecida por seu comportamento imprevisível, alternando períodos de crise e remissão, e afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva. Entender seus sinais e buscar diagnóstico precoce é fundamental para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.

    O que é lúpus

    O lúpus eritematoso sistêmico (LES), conhecido simplesmente como lúpus, é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio corpo. Essa reação provoca inflamação e pode comprometer diferentes órgãos, como pele, articulações, rins, pulmões, coração e sistema nervoso.

    O quadro é bastante variável: algumas pessoas apresentam sintomas leves e controláveis, enquanto outras podem desenvolver complicações mais graves. A doença costuma evoluir em ciclos, com períodos de crise intercalados com fases de remissão. Embora possa afetar qualquer pessoa, é mais comum em mulheres em idade reprodutiva.

    O que causa o lúpus?

    A causa exata do lúpus ainda não é completamente conhecida. Sabe-se que a doença resulta da combinação de fatores genéticos, ambientais e hormonais que levam à perda da tolerância imunológica.

    Fatores genéticos

    Certos genes relacionados à regulação do sistema imunológico aumentam o risco de desenvolver lúpus. Pessoas com familiares que têm doenças autoimunes apresentam maior predisposição.

    Fatores ambientais

    Podem atuar como gatilhos em indivíduos predispostos:

    • Exposição excessiva à luz solar;
    • Infecções;
    • Tabagismo;
    • Uso de alguns medicamentos.

    Fatores hormonais

    O fato de o lúpus ser muito mais frequente em mulheres sugere influência de hormônios como o estrogênio no desenvolvimento da doença.

    Como o lúpus afeta o corpo?

    O lúpus pode comprometer diferentes sistemas do organismo.

    Pele e mucosas

    • Rash malar (vermelhidão em “asa de borboleta” no rosto);
    • Lesões em áreas expostas ao sol;
    • Úlceras orais e nasais;
    • Queda de cabelo.

    Articulações e músculos

    • Dor e inchaço nas articulações;
    • Rigidez matinal;
    • Dor muscular.

    Rins (Nefrite lúpica)

    É uma das manifestações mais graves e pode causar:

    • Proteinúria;
    • Alterações na urina;
    • Insuficiência renal.

    Sistema nervoso

    • Cefaleia;
    • Alterações cognitivas;
    • Convulsões;
    • Alterações de humor.

    Sistema cardiovascular e pulmonar

    • Pericardite;
    • Pleurite;
    • Aumento do risco de doença cardiovascular precoce.

    Sintomas mais comuns

    Os sinais podem variar bastante, mas incluem:

    • Fadiga intensa;
    • Dor articular;
    • Febre baixa persistente;
    • Erupções cutâneas desencadeadas pelo sol;
    • Perda de peso involuntária;
    • Fenômeno de Raynaud (mudança de cor dos dedos ao frio).

    Os sintomas tendem a piorar durante crises e melhorar nos períodos de remissão.

    Como é feito o diagnóstico?

    Não existe um exame único que confirme o lúpus. O diagnóstico é feito com base na combinação de sinais clínicos e exames laboratoriais.

    Exames laboratoriais

    • Anticorpos antinucleares (ANA);
    • Anti-DNA de dupla hélice;
    • Anti-Sm;
    • Avaliação da função renal;
    • Exame de urina.

    O ANA é positivo na maioria dos casos, mas não é exclusivo do lúpus. Por isso, o diagnóstico depende da análise conjunta de sintomas e exames.

    Tratamento e acompanhamento

    O lúpus não tem cura, mas pode ser controlado.

    Medicamentos mais utilizados

    • Antimaláricos (como hidroxicloroquina);
    • Anti-inflamatórios;
    • Corticosteroides;
    • Imunossupressores;
    • Medicamentos biológicos em casos selecionados.

    Cuidados gerais

    • Uso diário de protetor solar;
    • Controle da pressão arterial e colesterol;
    • Acompanhamento regular da função renal;
    • Manutenção de hábitos saudáveis.

    O tratamento é individualizado e pode variar conforme os órgãos acometidos.

    Prognóstico

    O prognóstico depende da gravidade e do comprometimento de órgãos vitais, como rins e sistema nervoso. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes conseguem manter boa qualidade de vida.

    Leia também: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Perguntas frequentes sobre lúpus

    1. O lúpus é contagioso?

    Não. É uma doença autoimune e não é transmitida de pessoa para pessoa.

    2. Por que afeta mais mulheres?

    Acredita-se que hormônios femininos influenciem a resposta imunológica.

    3. É possível viver normalmente com lúpus?

    Sim. Com acompanhamento adequado, muitos pacientes mantêm rotina ativa.

    4. O lúpus causa infertilidade?

    Não diretamente. No entanto, a doença e alguns medicamentos podem exigir planejamento prévio para gravidez.

    5. Quem tem lúpus pode tomar sol?

    A exposição sem proteção não é recomendada, pois pode desencadear crises cutâneas.

    6. Toda dor nas articulações é lúpus?

    Não. Existem diversas causas para dor articular.

    7. O lúpus sempre é grave?

    Não. A gravidade varia muito entre os pacientes.

    Leia mais: Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo