Autor: Dra. Juliana Soares

  • Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    A raiva é uma das emoções mais comuns do dia a dia, presente em momentos de conflito, frustração e acúmulo de estresse. Na maioria das vezes, ela costuma ser pontual e não causa problemas maiores — mas quando é frequente e intenso, as crises podem desencadear reações físicas importantes no corpo.

    O cérebro e o sistema cardiovascular estão diretamente conectados pelo sistema nervoso autônomo.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, emoções intensas ativam um eixo neuro-hormonal chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de diversos hormônios na corrente sanguínea, como a adrenalina e a noradrenalina.

    Como resultado, elas provocam alterações que podem predispor ao surgimento de uma série de problemas, como arritmias, espasmos das artérias, ruptura de placas de gordura e formação de coágulos.

    Como a raiva afeta o coração?

    As crises de raiva provocam reações no organismo que aumentam a demanda de oxigênio pelo coração e alteram o funcionamento do sistema cardiovascular.

    Para o corpo, a raiva funciona como uma situação de luta ou fuga, na qual o sistema nervoso libera hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina, preparando o corpo para reagir rapidamente a uma ameaça percebida.

    Por consequência, os batimentos cardíacos se aceleram, aumenta a pressão arterial e os vasos sanguíneos se contraem. Segundo Juliana, o processo dificulta a passagem do sangue, prejudica a capacidade de relaxamento das artérias e pode causar disfunção da parede dos vasos sanguíneos.

    A adrenalina, em especial, é um hormônio que altera a condução dos impulsos elétricos cardíacos, favorecendo o surgimento de arritmias e podendo provocar espasmo das artérias coronárias.

    Em alguns casos, o excesso de adrenalina pode desencadear a síndrome de Takotsubo, também conhecida como cardiomiopatia induzida pelo estresse.

    Raiva pode causar um infarto?

    A resposta é sim. Quando os episódios de raiva são frequentes e intensos, o organismo é submetido repetidamente a picos de estresse, que sobrecarregam o sistema cardiovascular e aumentam o risco de infarto e AVC.

    Em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou outros fatores de risco cardiovascular, o aumento da pressão arterial e dos batimentos do coração pode favorecer o rompimento de placas, a formação de coágulos e a interrupção do fluxo de sangue para o coração.

    Quem corre mais risco?

    O impacto da raiva sobre o coração é maior em pessoas que apresentam:

    • Hipertensão;
    • Placas de gordura nas artérias;
    • Tabagismo;
    • Sedentarismo;
    • Histórico familiar de doenças cardíacas;
    • Transtornos de ansiedade ou estresse crônico.

    Segundo Juliana, o aumento da demanda de oxigênio, a elevação da pressão arterial e a maior propensão ao espasmo das artérias durante episódios de raiva podem ter consequências mais graves nessas pessoas.

    Estresse emocional frequente aumenta o risco a longo prazo?

    O estresse emocional crônico funciona como um estado inflamatório persistente no organismo, segundo Juliana. Esse processo inflamatório de baixo grau favorece a formação de placas de gordura nas artérias, conhecida como aterosclerose.

    Além disso, o estresse crônico eleva os níveis basais de cortisol, o que provoca alterações metabólicas importantes, como:

    • Resistência à insulina;
    • Manutenção da pressão arterial em níveis elevados;
    • Aumento do acúmulo de gordura visceral.

    Os fatores, em conjunto, aumentam o risco cardiovascular e promovem um desgaste contínuo do sistema cardiovascular.

    Como proteger o coração?

    A proteção do coração envolve tanto o controle dos fatores de risco quanto o cuidado com a saúde emocional. Juliana aponta algumas estratégias ajudam a reduzir o impacto do estresse e da raiva sobre o coração:

    • Manter a pressão arterial, o colesterol e a glicemia bem controlados;
    • Praticar atividade física regularmente, o que torna o coração mais preparado para lidar com picos de adrenalina;
    • Adotar técnicas de manejo do estresse, como meditação, exercícios de respiração e relaxamento;
    • Buscar acompanhamento psicológico quando há dificuldade em lidar com emoções intensas.

    Em situações específicas, o uso de medicamentos, como betabloqueadores, pode ser indicado para reduzir os efeitos do excesso de adrenalina sobre o coração, sempre com orientação médica.

    Veja também: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o período de maior risco após um acesso de fúria?

    De acordo com estudos, o risco de um ataque cardíaco é quase oito vezes maior nas horas seguintes a um episódio de raiva severa.

    2. Por que algumas pessoas sentem dor no peito quando se irritam?

    Isso geralmente ocorre porque a raiva aumenta a demanda de oxigênio do coração. Se as artérias não conseguem suprir essa demanda rapidamente, surge a angina (dor no peito por falta de oxigenação).

    3. Quais são os sinais de que a raiva está afetando meu coração agora?

    Numa crise de raiva, você pode sentir:

    • Palpitações ou batimentos irregulares.
    • Suor frio excessivo.
    • Falta de ar.
    • Pressão ou aperto no peito que irradia para o braço ou mandíbula.

    4. Quando devo procurar um médico?

    Se toda vez que você se irrita, sente tontura, dor de cabeça forte ou desconforto no peito, é hora de fazer um check-up. O cardiologista pode avaliar se sua resposta emocional está sobrecarregando seu sistema.

    5. Como diferenciar uma crise de ansiedade de um infarto causado por raiva?

    A dor do infarto costuma ser uma pressão opressiva (como um peso) que não muda com a respiração, enquanto na ansiedade a dor costuma ser em pontadas e acompanhada de formigamento nas mãos e rosto. Na dúvida, procure atendimento médico.

    6. Qual é o exame que detecta se o estresse está prejudicando o coração?

    O MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) por 24 horas e o Holter são exames normalmente indicados nesses casos. Eles registram como o coração e pressão reagem aos eventos reais do seu dia, incluindo momentos de irritação.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

  • 9 benefícios do abacaxi para a saúde (e como incluir na rotina)

    9 benefícios do abacaxi para a saúde (e como incluir na rotina)

    Conhecida pelo sabor doce com um toque ácido, o abacaxi é uma fruta tropical muito consumida no Brasil, rica em água e nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

    Além de refrescante e saborosa, a fruta é fonte de vitaminas, minerais e fibras que contribuem para a digestão, a hidratação e o fortalecimento do sistema imunológico. E não é só isso: sendo tão versátil, o abacaxi pode ser consumido de diferentes formas ao longo do dia, entrando em lanches, sobremesas, sucos e até em pratos salgados.

    A seguir, listamos alguns dos principais benefícios da fruta para a saúde e como você pode incluí-la na rotina alimentar. Confira!

    1. Auxilia na digestão

    A bromelina, presente no abacaxi, consiste em uma mistura de enzimas que decompõem as proteínas dos alimentos. Isso facilita muito a digestão, reduzindo aquela sensação de inchaço e peso no estômago após as refeições.

    2. Ajuda no controle do apetite

    O abacaxi é composto por cerca de 86% de água, sendo um ótimo diurético natural, combatendo a retenção de líquidos. Além disso, suas fibras ajudam a manter a saciedade por mais tempo.

    3. Fortalece o sistema imunológico

    A combinação de nutrientes presentes no abacaxi, como vitaminas, minerais e compostos bioativos, contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico.

    De acordo com um estudo publicado no Journal of Nutrition and Metabolism, o consumo regular do alimento pode estimular a produção de células responsáveis pela defesa do corpo, auxiliando na proteção contra infecções causadas por vírus e bactérias.

    4. Melhore o fluxo de sangue

    O abacaxi possui substâncias com efeito anti-inflamatório que ajudam o sangue a circular melhor pelo corpo. Com isso, diminui o risco de formação de coágulos, o que pode contribuir para a prevenção de problemas como a trombose.

    Por favorecer a circulação, a fruta pode ser uma ótima dica para comer antes de viagens longas, como voos de avião, especialmente quando associada ao uso de meias de compressão e, quando indicado pelo médico, medicamentos anticoagulantes.

    5. Combate os sinais do envelhecimento precoce

    O abacaxi possui uma alta concentração de vitamina C, um nutriente fundamental para a síntese natural de colágeno, que garante firmeza e elasticidade à pele.

    Além disso, a fruta contém bromelina e antioxidantes que ajudam a proteger as células contra os danos do dia a dia. As substâncias combatem os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento da pele, contribuindo para uma aparência mais saudável, com menos manchas e menor risco de rugas precoces.

    6. Ajuda a prevenir doenças cardiovasculares

    O abacaxi contém nutrientes como fibras, potássio e vitamina C, que ajudam a controlar o colesterol ruim no sangue e contribuem para a saúde do coração.

    Ao melhorar a circulação e reduzir o acúmulo de gordura nas artérias, o consumo regular da fruta pode diminuir o risco de doenças cardiovasculares, principalmente quando faz parte de uma alimentação equilibrada e hábitos saudáveis.

    7. Fortalece os ossos

    Diferente de muitas frutas, o abacaxi é rico em manganês, um mineral que contribui para manter a densidade óssea e fortalecer o tecido conjuntivo, auxiliando na saúde dos ossos e das articulações.

    Para completar, o manganês também participa da formação de enzimas importantes para o metabolismo ósseo, ajudando o corpo a absorver e utilizar melhor outros nutrientes essenciais.

    8. Facilita o ganho de massa muscular

    A bromelina presente no abacaxi ajuda o corpo a digerir melhor as proteínas dos alimentos, como carnes e ovos, facilitando a absorção dos aminoácidos pelos músculos. A fruta também possui efeito anti-inflamatório, que auxilia na recuperação após o treino, diminuindo o cansaço muscular.

    A fruta também fornece carboidratos de rápida absorção, que ajudam a repor a energia gasta durante a atividade física.

    9. Contribui para a saúde bucal

    Apesar de não clarear os dentes, o abacaxi pode ajudar a reduzir a formação de placas bacterianas. A vitamina C presente na fruta fortalece dentes e gengivas, diminuindo o risco de gengivite e outras doenças bucais.

    No entanto, vale ressaltar que comer o abacaxi não substitui a escovação e o uso de fio dental, que continuam sendo os métodos mais eficazes.

    Abacaxi ajuda a emagrecer?

    O abacaxi pode ajudar no processo de emagrecimento, desde que incluído numa rotina de atividades físicas e alimentação saudável. Ele contém poucas calorias, é rica em água e contém fibras, o que aumenta a sensação de saciedade e ajuda a controlar a fome ao longo do dia.

    Além disso, a bromelina presente no abacaxi auxilia a digestão, o que pode reduzir o inchaço abdominal e a sensação de peso após as refeições.

    Quando consumido com moderação e dentro de uma alimentação equilibrada, o abacaxi pode ser um aliado na perda de peso.

    Como incluir o abacaxi na alimentação diária?

    A melhor forma de consumir o abacaxi é in natura, já que assim a fruta mantém melhor suas fibras, vitaminas e enzimas naturais. No entanto, a fruta é bastante versátil e pode ser incluída em outras preparações, como:

    • Em sucos ou vitaminas, batido com água, água de coco ou outras frutas;
    • Em saladas de frutas, trazendo um sabor mais refrescante;
    • Grelhado ou assado, como acompanhamento de carnes e frango;
    • Picado em saladas verdes, combinando com folhas, queijo e sementes;
    • Em cubinhos congelados, para usar em sucos ou consumir nos dias mais quentes.

    Vale apontar que o consumo do abacaxi deve ser moderado, especialmente por pessoas com estômago sensível, refluxo ou gastrite, já que a acidez da fruta pode causar desconforto quando ingerida em excesso.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Grávidas podem comer abacaxi?

    Sim, o consumo é seguro e saudável durante a gestação, sendo uma excelente fonte de vitamina C e fibras que auxiliam na imunidade e na digestão.

    Apesar de conter bromelina, uma enzima que em altas concentrações (como em suplementos) pode amolecer o colo do útero, a quantidade encontrada na polpa do abacaxi é muito pequena para causar riscos.

    2. Como saber se o abacaxi está maduro?

    A forma mais prática é puxar uma das folhas centrais da coroa: se ela sair com facilidade, a fruta está pronta para o consumo. Além disso, observe se a casca apresenta tons amarelados, se a fruta exala um aroma doce e se ela cede levemente ao ser pressionada com os dedos.

    3. Quem tem gastrite pode comer abacaxi?

    Depende da tolerância individual e da fase da inflamação. Por ser uma fruta ácida, ela pode causar desconforto e queimação em algumas pessoas durante crises agudas, mas, para outras, a enzima bromelina ajuda tanto na digestão que acaba prevenindo o mal-estar após as refeições.

    4. Qual o melhor horário para comer abacaxi?

    O horário ideal é logo após o almoço ou jantar, pois a bromelina facilita a quebra das proteínas da refeição, otimizando a digestão e evitando a sensação de peso no estômago. Também é uma excelente opção para o pós-treino, ajudando na reposição de glicogênio e na recuperação muscular.

    5. Pode comer o abacaxi com leite?

    Não há problema algum em misturar os dois, e a ideia de que a combinação faz mal é apenas um mito popular. O único detalhe é que a bromelina do abacaxi pode começar a digerir as proteínas do leite se a mistura ficar descansando por muito tempo, o que pode dar um sabor levemente amargo ao preparo.

    6. O talo do abacaxi pode ser comido?

    Sim, o talo é perfeitamente comestível e é, na verdade, a parte da fruta que contém a maior concentração de fibras e da enzima bromelina. Apesar de ser mais fibroso e duro que a polpa, ele pode ser aproveitado picado em pedaços pequenos, batido em sucos ou cozido em receitas.

    7. Qual a diferença entre o abacaxi pérola e o saia-azul (smooth cayenne)?

    O abacaxi pérola é o favorito para consumo in natura no Brasil por ser mais doce, ter polpa branca e baixa acidez, enquanto o saia-azul (ou Smooth Cayenne) possui polpa amarela, é mais ácido, suculento e de tamanho maior, sendo mais utilizado pela indústria para a produção de sucos e conservas.

    8. Como conservar o abacaxi depois de cortado?

    Depois de descascado e fatiado, o abacaxi deve ser armazenado em um recipiente hermeticamente fechado e mantido na geladeira por, no máximo, 3 a 5 dias para preservar o sabor e os nutrientes.

    Se você não for consumir nesse período, a melhor opção é congelar os pedaços, o que mantém suas propriedades por até seis meses.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

  • Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

    Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

    A infestação por piolhos, chamada de pediculose capitis, é causada pelo parasita Pediculus humanus capitis, que vive no couro cabeludo e se alimenta de sangue humano. Trata-se de uma condição bastante comum, especialmente entre crianças em idade escolar, mas que pode afetar pessoas de qualquer idade.

    Os piolhos não voam nem pulam. A principal forma de transmissão ocorre pelo contato direto cabeça a cabeça com uma pessoa infestada. O compartilhamento de objetos pessoais, como pentes, bonés e travesseiros, pode contribuir de forma menos frequente para a disseminação.

    O que é pediculose

    A pediculose capitis é a infestação dos cabelos e do couro cabeludo por piolhos. Esses parasitas passam todo o seu ciclo de vida no hospedeiro humano e depositam ovos, chamados de lêndeas, que ficam firmemente aderidos aos fios de cabelo.

    O ciclo de vida do piolho inclui:

    • Ovo (lêndea): firmemente grudado ao fio de cabelo;
    • Ninfa: forma jovem do piolho;
    • Adulto: capaz de se reproduzir e iniciar novas infestações.

    Uma fêmea pode depositar vários ovos por dia, o que explica por que a pediculose tende a persistir quando não tratada corretamente.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão dos piolhos acontece quase sempre por contato direto cabeça a cabeça, especialmente entre crianças que brincam próximas umas das outras ou compartilham espaços com contato físico frequente.

    A transmissão por objetos é menos comum, pois:

    • Os piolhos sobrevivem fora do couro cabeludo por pouco tempo (geralmente menos de dois dias);
    • As lêndeas não eclodem longe do hospedeiro humano.

    Sintomas da pediculose

    Os sinais mais comuns da infestação incluem:

    • Coceira intensa no couro cabeludo, causada pela reação à saliva do piolho;
    • Sensação de algo se movimentando nos cabelos;
    • Irritação, feridas ou crostas devido ao ato de coçar;
    • Presença visível de piolhos vivos ou lêndeas, especialmente na nuca e atrás das orelhas.

    Em algumas pessoas, principalmente na primeira infestação, a coceira pode demorar semanas para surgir, pois o organismo precisa se sensibilizar ao parasita.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da pediculose é feito por observação direta do couro cabeludo e dos fios de cabelo.

    O método mais eficaz é o uso de pente fino, passado cuidadosamente mecha a mecha, com boa iluminação, para identificar piolhos vivos ou lêndeas.

    Tratamento eficaz

    O tratamento deve combinar medidas medicamentosas e mecânicas, com o objetivo de eliminar piolhos e lêndeas.

    Produtos pediculicidas

    Os medicamentos mais utilizados são loções ou shampoos à base de:

    • Permetrina;
    • Piretrinas.

    Esses produtos atuam paralisando e eliminando os piolhos adultos. Em casos de falha terapêutica ou resistência, outras opções podem ser consideradas, como a ivermectina, conforme orientação médica.

    Uso do pente fino

    O pente fino deve ser utilizado diariamente após a lavagem dos cabelos, pois ajuda a remover:

    • Lêndeas aderidas aos fios;
    • Piolhos que não foram eliminados pelos produtos químicos.

    Repetição do tratamento

    Pode ser necessária uma nova aplicação do pediculicida entre 7 e 14 dias após a primeira, para eliminar piolhos que tenham surgido a partir de lêndeas remanescentes.

    Prevenção

    Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de infestação ou reinfestação:

    • Evitar contato direto cabeça a cabeça, especialmente em ambientes escolares;
    • Não compartilhar objetos pessoais, como pentes, escovas, bonés e travesseiros;
    • Inspecionar regularmente o couro cabeludo de crianças em idade escolar com pente fino.

    A lavagem de itens de uso recente, como lençóis e chapéus, também contribui para reduzir o risco de reinfestação.

    O que não fazer em caso de piolhos

    Algumas práticas devem ser evitadas, pois não são eficazes e podem causar danos à saúde:

    • Não usar produtos caseiros sem comprovação, como vinagre, maionese, azeite ou querosene;
    • Não aplicar calor excessivo diretamente na cabeça (secador quente, ferro), pois pode causar queimaduras;
    • Não esmagar piolhos com as unhas, já que isso não elimina as lêndeas;
    • Evitar afastar a criança da escola sem tratamento, pois isso não impede a transmissão;
    • Não confiar apenas em shampoos comuns ou lavagem frequente, pois piolhos sobrevivem mesmo em cabelos limpos.

    O que esperar

    Com tratamento adequado e persistente, a maioria dos casos de pediculose é resolvida em poucas semanas. A associação entre pediculicida tópico e remoção mecânica com pente fino aumenta significativamente as chances de sucesso.

    Reinfestações podem ocorrer, por isso é fundamental monitorar contatos próximos e repetir o tratamento quando indicado.

    Veja também: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre piolhos

    1. Piolhos são sinal de falta de higiene?

    Não. A infestação não está relacionada à higiene e pode ocorrer em qualquer pessoa.

    2. Piolhos pulam ou voam?

    Não. Eles apenas rastejam durante o contato direto.

    3. Todos da casa precisam de tratamento?

    Somente quem estiver infestado, mas contatos próximos devem ser examinados.

    4. Lavar o cabelo todos os dias elimina piolhos?

    Não. A lavagem comum não elimina piolhos nem lêndeas.

    5. Tratamento com óleo ou maionese funciona?

    Não há evidências científicas consistentes de eficácia.

    6. Piolhos podem voltar após o tratamento?

    Sim, se houver novo contato com pessoas infestadas ou permanência de lêndeas.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Quando houver sinais de infecção no couro cabeludo, coceira intensa ou falha do tratamento mesmo após repetição correta.

    Confira: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

    Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

    Depois de uma noite mal dormida, a vontade de comer doces e carboidratos costuma parecer incontrolável. Se você já passou pela experiência, já deve saber que é uma resposta natural do corpo ao cansaço.

    Quando o organismo é privado de sono, ocorre uma alteração drástica na comunicação entre o cérebro e o sistema metabólico, elevando os níveis de grelina, o hormônio que sinaliza a fome, e reduzindo drasticamente a leptina, responsável pela sensação de saciedade.

    Como resultado, a sensação de fome se intensifica ao longo do dia e o controle do apetite fica ainda mais difícil. Com o tempo, isso pode contribuir para o ganho de peso e a dificuldade em manter uma alimentação mais equilibrada. Sim, dormir pouco engorda.

    O que acontece com o corpo quando dormimos pouco?

    Quando dormimos pouco, o corpo entra em um estado de alerta constante, como se estivesse sempre tentando compensar o cansaço acumulado.

    Durante o sono, o organismo é responsável por regular os hormônios, reparar os tecidos, organizar o metabolismo e equilibrar funções importantes do cérebro — de modo que a privação pode interferir diretamente em todo o processo.

    Como consequência, ocorre um aumento do estresse no organismo, maior produção de cortisol, dificuldade de concentração, queda da energia ao longo do dia e alterações no funcionamento do metabolismo, fazendo com que o corpo passe a gastar menos energia e a buscar fontes rápidas de combustível, como alimentos mais calóricos.

    Como a falta de sono altera os hormônios da fome?

    A falta de sono interfere diretamente no equilíbrio dos hormônios que regulam a fome e a saciedade.

    Quando você dorme menos do que o necessário, o organismo passa a produzir mais grelina, hormônio responsável por estimular o apetite, e reduz a liberação de leptina, que é o hormônio que sinaliza ao cérebro que o corpo já está satisfeito.

    O resultado é que você sente mais fome do que o normal, mesmo após comer uma refeição completa, pois o cérebro demora a receber o sinal de que já está satisfeito.

    O aumento do cortisol, comum em quem dorme mal, também aumenta a vontade de comer, especialmente alimentos mais calóricos, como fast-food, refrigerantes, doces e salgadinhos. Isso cria um ciclo em que o cansaço favorece o excesso de fome e dificulta o controle da alimentação ao longo do dia.

    Por que o desejo por doces e carboidratos aumenta?

    Você pode até se perguntar por que, quando dorme mal, a fome costuma bater com mais força por alimentos calóricos. A explicação é simples: o cérebro passa a buscar fontes rápidas de energia para compensar o cansaço.

    Quando o descanso não é suficiente, a quantidade de glicose disponível para o funcionamento cerebral diminui, e o corpo passa a mandar sinais de urgência pedindo comida que forneça energia de forma imediata. Nessa hora, doces, pães, massas e outros carboidratos simples acabam parecendo muito mais atraentes.

    Com o passar do tempo, o hábito pode desencadear uma série de problemas no dia a dia e na saúde, como:

    • Aumento do peso corporal e do acúmulo de gordura;
    • Maior risco de obesidade ao longo do tempo;
    • Aumento do risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2;
    • Maior chance de alterações no colesterol e nos triglicerídeos;
    • Dificuldade no controle do apetite e da glicemia;
    • Oscilações de energia, com picos seguidos de cansaço intenso;
    • Maior risco de doenças cardiovasculares.

    Quantas horas de sono são importantes para controlar a fome?

    A quantidade de horas de sono pode variar de pessoa para pessoa, levando em conta fatores como idade, rotina, nível de atividade física e até o estado de saúde. Mas, de maneira geral, adultos costumam precisar de cerca de 7 a 9 horas de sono por noite para que o corpo consiga funcionar de maneira equilibrada.

    De acordo com estudos, dormir menos de 6 horas por noite com frequência está ligado ao aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) e a um risco maior de obesidade, podendo aumentar essa chance em até 55%, principalmente quando o pouco sono se torna um hábito.

    Sinais de que o sono está prejudicando sua alimentação

    No início, pode ser difícil notar que alguns hábitos alimentares estão sendo influenciados pelo sono, então é importante ficar atento a alguns sinais, como:

    • Fome frequente ao longo do dia, mesmo após refeições completas;
    • Desejo intenso por doces, pães, massas e outros carboidratos;
    • Dificuldade em sentir saciedade, com sensação de que nunca está satisfeito;
    • Beliscos constantes, muitas vezes de forma automática;
    • Preferência por alimentos mais calóricos e ultraprocessados;
    • Cansaço que leva a escolhas alimentares mais rápidas e menos equilibradas;
    • Ganho de peso gradual sem mudanças claras na alimentação.

    Quando ir ao médico?

    Se você tem dificuldade para dormir ou sente uma fome difícil de controlar mais de três vezes por semana, por três meses ou mais, isso pode indicar insônia crônica ou alterações no metabolismo.

    Nessa situação, procurar um médico é importante para entender a causa do problema, avaliar a saúde e receber orientações que ajudem a melhorar o sono e o controle da fome.

    Também é necessário procurar ajuda se você notar:

    • Ganho de peso rápido ou contínuo, mesmo sem grandes mudanças na alimentação;
    • Ronco excessivo e pausas na respiração, o que pode indicar uma apneia obstrutiva do sono;
    • Cansaço constante, mesmo após tentar dormir mais horas;
    • Sonolência intensa durante o dia;
    • Sinais de ansiedade ou depressão.

    Uma dica prática é, antes da consulta, fazer um “diário do sono” por uma semana, anotando o horário em que deita, o horário em que acorda, quantas vezes desperta durante a noite e o que comeu ao longo do dia. Isso ajuda o médico a entender melhor o quadro.

    Hábitos simples para melhorar o sono e reduzir a fome excessiva

    No dia a dia, alguns hábitos podem te ajudar a melhorar a qualidade do sono e, como consequência, reduzir a fome excessiva:

    • Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;
    • Evitar o uso de celular, computador e televisão pelo menos uma hora antes de dormir;
    • Reduzir o consumo de café, chás estimulantes e bebidas energéticas no fim do dia;
    • Fazer refeições mais leves à noite, evitando exageros antes de dormir;
    • Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
    • Praticar atividade física regularmente, mas não muito próximo do horário de dormir;
    • Criar uma rotina relaxante antes de deitar, como leitura ou banho morno.

    Com pequenas mudanças, o corpo tende a dormir melhor, o que ajuda a regular os hormônios da fome e a melhorar o controle do apetite ao longo do dia.

    Veja mais: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto “fome emocional” quando estou cansado?

    O cansaço reduz a atividade no córtex pré-frontal, a área do cérebro que controla impulsos, tornando mais difícil dizer “não” a confortos emocionais como comida.

    2. Posso tomar café para compensar uma noite mal dormida?

    Até certo ponto sim, mas o excesso de cafeína após as 15h bloqueará a adenosina (substância que causa sono), prejudicando também a sua próxima noite.

    3. Existem alimentos que ajudam a dormir melhor?

    Sim. Alimentos ricos em triptofano (como banana, aveia e sementes de abóbora) auxiliam na produção de serotonina e melatonina.

    4. Cochilos à tarde ajudam a reduzir a fome?

    Um cochilo de 20 a 30 minutos pode restaurar o foco e reduzir o estresse, ajudando a controlar o apetite à noite. Mais do que isso pode atrapalhar o sono noturno.

    5. Exercício físico à noite atrapalha o sono?

    Para algumas pessoas, o aumento da temperatura e da adrenalina pode dificultar o relaxamento. O ideal é treinar até 4 horas antes de deitar.

    6. Trabalhar em turnos (noturno) facilita o ganho de peso?

    Sim, devido ao chamado “desalinhamento circadiano”. Pessoas que trabalham à noite frequentemente têm níveis de leptina mais baixos e resistência à insulina mais alta do que quem trabalha em horário comercial.

    7. O que comer quando tive uma noite péssima?

    Você pode apostar em proteínas e fibras, como ovos, iogurte natural, castanhas e outros. Eles promovem saciedade prolongada e evitam as montanhas-russas de açúcar no sangue que o cansaço provoca

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/sindrome-de-guillain-barre
  • Síndrome de Guillain-Barré: quando a fraqueza surge de forma rápida 

    Síndrome de Guillain-Barré: quando a fraqueza surge de forma rápida 

    A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica considerada atualmente a principal causa de paralisia neuromuscular adquirida no mundo. Trata-se de uma condição potencialmente grave, que costuma surgir após uma infecção e envolve um mecanismo autoimune, no qual o próprio organismo passa a atacar estruturas do sistema nervoso.

    Nessa síndrome, os nervos periféricos são afetados, o que compromete a transmissão dos impulsos nervosos e leva à fraqueza muscular progressiva. Embora muitos pacientes apresentem boa recuperação com tratamento adequado, alguns casos evoluem de forma grave e exigem internação em unidade de terapia intensiva, especialmente quando há risco de insuficiência respiratória.

    O que é a Síndrome de Guillain-Barré

    A Síndrome de Guillain-Barré é caracterizada por um processo inflamatório que acomete os nervos periféricos. Na maioria das vezes, ocorre lesão da bainha de mielina, estrutura que reveste os nervos, e, em algumas variantes, também dos próprios axônios.

    A mielina funciona como uma espécie de “capa protetora” que permite a condução rápida e eficiente dos estímulos nervosos. Quando essa estrutura é danificada, a transmissão dos impulsos fica prejudicada, resultando nos sintomas típicos da doença, como fraqueza muscular e perda de reflexos.

    Causas e mecanismos da doença

    A Síndrome de Guillain-Barré tem origem autoimune e costuma ser desencadeada por um evento prévio, geralmente uma infecção.

    Reação autoimune cruzada

    Após uma infecção, o sistema imunológico produz anticorpos para combater o agente infeccioso. Em algumas pessoas, ocorre uma reação cruzada, porque determinadas moléculas dos microrganismos se assemelham a componentes dos nervos periféricos.

    Como consequência, o organismo passa a atacar:

    • A bainha de mielina;
    • Os axônios dos nervos periféricos.

    Esse processo inflamatório provoca lesões nessas estruturas e compromete a condução nervosa, dando origem aos sintomas da Síndrome de Guillain-Barré.

    Infecções associadas

    A infecção mais frequentemente associada à Síndrome de Guillain-Barré é causada pela bactéria Campylobacter jejuni, responsável por quadros de diarreia.

    Outras infecções que podem anteceder a síndrome incluem:

    • Dengue;
    • Zika;
    • Chikungunya;
    • Citomegalovírus (CMV);
    • Vírus Epstein-Barr (EBV);
    • Sarampo;
    • Outras infecções virais e bacterianas.

    Sintomas da Síndrome de Guillain-Barré

    Os sintomas clássicos da Síndrome de Guillain-Barré envolvem uma paralisia flácida de início rápido, que geralmente começa nos membros inferiores e progride para os membros superiores.

    Essa progressão costuma ocorrer de forma:

    • Ascendente (das pernas em direção ao tronco);
    • Simétrica;
    • Ao longo de aproximadamente duas semanas.

    Achados mais comuns no exame clínico

    • Fraqueza muscular em pernas e braços;
    • Reflexos diminuídos ou ausentes;
    • Sintomas oculares, como visão dupla, causados por paralisia dos músculos dos olhos;
    • Dificuldade para engolir, devido à fraqueza da musculatura da deglutição.

    Complicações graves

    Nos casos mais graves, ocorre comprometimento dos músculos responsáveis pela respiração, levando à insuficiência respiratória.

    Nessas situações, pode ser necessária:

    • Internação em UTI;
    • Intubação orotraqueal;
    • Ventilação mecânica.

    Por isso, reconhecer precocemente sinais de piora é fundamental para evitar complicações potencialmente fatais.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré é inicialmente clínico, baseado na história do paciente e no padrão dos sintomas apresentados.

    Análise do líquor

    Um exame importante para apoiar o diagnóstico é a análise do líquor (líquido cefalorraquidiano), obtido por punção lombar.

    Os achados típicos incluem:

    • Aumento significativo das proteínas;
    • Número normal ou discretamente elevado de células.

    Esse padrão é chamado de dissociação albumino-citológica e reflete o processo inflamatório da doença.

    Eletroneuromiografia

    A eletroneuromiografia pode ser solicitada para:

    • Avaliar a condução dos nervos;
    • Identificar se há desmielinização ou acometimento axonal;
    • Auxiliar na confirmação e classificação da síndrome.

    Tratamento da Síndrome de Guillain-Barré

    O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, especialmente nos pacientes com fraqueza progressiva.

    As duas principais formas de tratamento são:

    Plasmaférese

    A plasmaférese consiste na retirada do plasma do sangue, onde estão os autoanticorpos, com substituição por soluções adequadas. O objetivo é remover os anticorpos responsáveis pelo ataque ao sistema nervoso.

    Imunoglobulina intravenosa

    A imunoglobulina intravenosa atua modulando a resposta imunológica e neutralizando os autoanticorpos, reduzindo a inflamação e a progressão da doença.

    As duas abordagens apresentam eficácia semelhante, e a escolha depende do quadro clínico, da disponibilidade e da avaliação médica.

    Prognóstico e recuperação

    A maioria dos pacientes apresenta recuperação parcial ou completa, especialmente quando o tratamento é iniciado precocemente. Após a fase aguda, a fisioterapia é essencial para recuperar força muscular e função motora.

    No entanto, alguns pacientes podem evoluir com:

    • Recuperação mais lenta;
    • Fraqueza residual;
    • Fadiga crônica.

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    Perguntas frequentes sobre a Síndrome de Guillain-Barré

    1. A Síndrome de Guillain-Barré é contagiosa?

    Não. Ela não é transmitida de pessoa para pessoa.

    2. Sempre ocorre após uma infecção?

    Na maioria dos casos, sim, embora nem sempre o paciente se recorde do quadro infeccioso.

    3. A doença pode ser fatal?

    Pode ser grave, mas com tratamento adequado a maioria dos pacientes evolui bem.

    4. Quanto tempo dura a progressão da doença?

    Geralmente até cerca de duas semanas.

    5. Todo paciente precisa de UTI?

    Não. Apenas os casos com risco de insuficiência respiratória.

    6. A síndrome tem cura?

    Não existe uma “cura” específica, mas há tratamento eficaz e possibilidade de recuperação.

    7. Pode deixar sequelas?

    Em alguns casos, sim, especialmente quando o tratamento é iniciado tardiamente.

    Veja mais: Diferença entre dengue, zika e chikungunya

  • Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental 

    Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental 

    O delirium é um quadro neurológico caracterizado por confusão mental aguda, que surge de forma rápida e costuma variar ao longo do dia. Ele afeta a atenção, a consciência e o pensamento, sendo muito comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e pessoas com doenças graves. Por isso, é considerado uma emergência clínica.

    Apesar da alta frequência, o delirium ainda passa despercebido em muitos casos. A identificação precoce é fundamental, pois o quadro está associado a maior mortalidade, internações mais longas e risco de perda funcional e cognitiva, principalmente quando não tratado adequadamente.

    O que é delirium

    O delirium é uma disfunção cerebral aguda e geralmente reversível, que ocorre quando o cérebro não consegue lidar adequadamente com um estressor clínico, como uma infecção, cirurgia ou alteração metabólica.

    Diferentemente da demência, que é progressiva e crônica, o delirium:

    • Surge de forma abrupta (em horas ou dias);
    • Apresenta curso flutuante ao longo do dia;
    • Pode melhorar quando a causa é tratada.

    As principais características são:

    • Alteração do nível de consciência;
    • Dificuldade de manter a atenção;
    • Pensamento desorganizado;
    • Desorientação no tempo e no espaço.

    O delirium pode ocorrer isoladamente ou em pessoas que já têm demência, situação conhecida como delirium sobreposto à demência.

    Epidemiologia e importância clínica

    O delirium é extremamente comum no ambiente hospitalar. Estudos mostram alta incidência em:

    • Idosos hospitalizados;
    • Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI);
    • Pessoas no pós-operatório;
    • Pacientes com infecções ou doenças graves.

    Além do impacto imediato, o delirium está associado a:

    • Aumento da mortalidade;
    • Prolongamento do tempo de internação;
    • Maior risco de declínio funcional;
    • Piora cognitiva persistente;
    • Maior chance de institucionalização após a alta.

    Por esses motivos, o delirium é considerado um importante marcador de gravidade clínica.

    Causas e mecanismos do delirium

    O delirium resulta da combinação de fatores predisponentes e fatores precipitantes.

    Mecanismos fisiopatológicos

    Embora não exista um único mecanismo responsável, acredita-se que o delirium envolva:

    • Desequilíbrio de neurotransmissores, especialmente acetilcolina e dopamina;
    • Inflamação sistêmica e inflamação do sistema nervoso;
    • Alterações metabólicas;
    • Redução da perfusão cerebral.

    Essas alterações levam a uma disfunção temporária do funcionamento cerebral.

    Principais causas precipitantes

    • Infecções (urinárias, respiratórias, sepse);
    • Distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos;
    • Hipóxia;
    • Dor mal controlada;
    • Privação de sono;
    • Uso ou retirada abrupta de medicamentos (sedativos, opioides, anticolinérgicos);
    • Procedimentos cirúrgicos.

    Fatores de risco

    Alguns pacientes são mais vulneráveis ao delirium. Os principais fatores de risco são:

    • Idade avançada;
    • Demência prévia;
    • Déficit visual ou auditivo;
    • Imobilidade;
    • Desnutrição;
    • Múltiplas comorbidades;
    • Uso de muitos medicamentos ao mesmo tempo (polifarmácia).

    Quanto maior a fragilidade do paciente, menor é o estímulo necessário para desencadear o quadro.

    Tipos clínicos de delirium

    Delirium hiperativo

    • Agitação psicomotora;
    • Inquietação;
    • Alucinações;
    • Comportamento agressivo.

    Delirium hipoativo

    • Sonolência excessiva;
    • Apatia;
    • Lentificação psicomotora;
    • Pouca interação com o ambiente.

    Esse subtipo é frequentemente subdiagnosticado e está associado a pior prognóstico.

    Delirium misto

    Alterna períodos de agitação com fases de hipoatividade ao longo do dia.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do delirium é clínico e depende da observação cuidadosa do paciente.

    Os critérios incluem:

    • Início agudo;
    • Curso flutuante;
    • Alteração da atenção;
    • Alteração cognitiva adicional (memória, linguagem ou percepção).

    Ferramentas de triagem clínica auxiliam na detecção, principalmente em ambientes hospitalares.

    Exames complementares

    Exames laboratoriais e de imagem não confirmam delirium, mas são essenciais para identificar a causa subjacente, como:

    • Infecção;
    • Distúrbios metabólicos;
    • Hipóxia;
    • Sangramentos ou AVC.

    Tratamento do delirium

    O manejo do delirium se baseia em dois pilares principais: tratar a causa e controlar os sintomas.

    Tratamento da causa de base

    • Tratar infecções;
    • Corrigir distúrbios metabólicos;
    • Revisar e suspender medicamentos desnecessários;
    • Controlar dor e desconforto.

    Essa é a medida mais importante para a reversão do quadro.

    Manejo não farmacológico

    • Reorientação frequente do paciente;
    • Presença de familiares;
    • Estímulo ao ciclo sono–vigília;
    • Correção de déficits sensoriais (óculos, aparelhos auditivos);
    • Mobilização precoce.

    Tratamento medicamentoso

    Medicamentos são reservados para situações específicas, como:

    • Agitação intensa;
    • Risco para o paciente ou para a equipe;
    • Sofrimento importante.

    Nesses casos, antipsicóticos podem ser utilizados com cautela e avaliação individualizada.

    Prevenção do delirium

    A prevenção é uma das estratégias mais eficazes, especialmente em pacientes de risco.

    • Evitar polifarmácia;
    • Garantir hidratação e nutrição adequadas;
    • Estimular mobilidade;
    • Promover sono adequado;
    • Identificar precocemente sinais de confusão mental.

    Programas estruturados de prevenção reduzem significativamente a incidência de delirium hospitalar.

    Prognóstico

    O delirium é potencialmente reversível, mas o prognóstico depende de:

    • Rapidez no diagnóstico;
    • Controle da causa desencadeante;
    • Condição clínica prévia do paciente.

    Mesmo após a resolução do quadro, alguns pacientes, especialmente idosos, podem apresentar déficit cognitivo persistente.

    Perguntas frequentes sobre delirium

    1. Delirium é o mesmo que demência?

    Não. O delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva.

    2. Delirium pode ser prevenido?

    Sim. Medidas simples reduzem significativamente o risco, sobretudo em pacientes hospitalizados.

    3. Delirium é grave?

    Pode ser. Está associado a maior mortalidade e a diversas complicações.

    4. Todo paciente confuso tem delirium?

    Não, mas o delirium deve sempre ser considerado diante de confusão mental de início súbito.

    5. Idosos têm mais risco?

    Sim. A idade avançada é um dos principais fatores de risco.

    6. O delirium sempre melhora?

    Na maioria dos casos, sim, mas alguns pacientes mantêm sequelas cognitivas.

    7. Antipsicóticos curam o delirium?

    Não. Eles apenas controlam sintomas; a reversão depende do tratamento da causa.

  • Doença de Graves: quando a tireoide funciona em excesso 

    Doença de Graves: quando a tireoide funciona em excesso 

    A doença de Graves é uma condição autoimune que afeta a glândula tireoide e provoca a produção excessiva de hormônios tireoidianos — situação conhecida como hipertireoidismo. Esse excesso hormonal acelera diversas funções do organismo e pode causar sintomas como perda de peso, palpitações, tremores, ansiedade e intolerância ao calor.

    Trata-se de uma das causas mais comuns de hipertireoidismo em adultos e, embora seja menos frequente em crianças, é a principal causa de hipertireoidismo nessa faixa etária quando ocorre. O reconhecimento precoce da doença e o acompanhamento adequado são fundamentais para controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo.

    O que é a doença de Graves

    Na doença de Graves, o próprio sistema imunológico passa a produzir anticorpos estimulantes do receptor do hormônio estimulador da tireoide (TSH), conhecidos como TRAb. Esses anticorpos se ligam ao receptor e mantêm a glândula tireoide continuamente ativada.

    Como resultado, ocorre produção excessiva dos hormônios T3 e T4, além do crescimento difuso da glândula, o que se manifesta clinicamente como bócio. Por ser uma doença autoimune sistêmica, a doença de Graves também pode afetar outros tecidos, especialmente olhos e pele.

    Por que a doença acontece? (causas e fatores de risco)

    A doença de Graves tem origem autoimune e resulta da interação entre fatores genéticos e ambientais. Pessoas com histórico familiar de doenças autoimunes apresentam maior risco de desenvolver a condição.

    Alguns fatores estão associados ao surgimento da doença, como:

    • Predisposição genética;
    • Tabagismo;
    • Estresse físico ou emocional;
    • Sexo feminino, que apresenta maior incidência da doença.

    Em crianças e adolescentes, a doença pode surgir em qualquer idade, mas torna-se mais frequente com o avanço da idade e ocorre mais em meninas do que em meninos.

    Sintomas da doença de Graves

    Os sintomas decorrem do excesso de hormônios tireoidianos circulantes e podem variar de intensidade conforme a gravidade e a duração do hipertireoidismo.

    Sintomas gerais

    • Perda de peso, mesmo com apetite normal ou aumentado;
    • Palpitações e aumento da frequência cardíaca;
    • Tremores finos nas mãos;
    • Intolerância ao calor e sudorese excessiva;
    • Ansiedade, irritabilidade e insônia;
    • Fraqueza muscular e fadiga;
    • Alterações do ciclo menstrual em mulheres.

    Esses sintomas refletem o metabolismo acelerado causado pelos altos níveis de T3 e T4.

    Bócio

    Muitos pacientes apresentam bócio difuso, percebido como aumento da tireoide na base do pescoço. Esse aumento pode causar sensação de pressão local ou desconforto ao engolir.

    Oftalmopatia de Graves

    Uma manifestação característica da doença é a oftalmopatia de Graves, que resulta da inflamação dos tecidos ao redor dos olhos. Os sinais mais frequentes são:

    • Proptose (olhos mais projetados);
    • Retração das pálpebras;
    • Inchaço e vermelhidão ao redor dos olhos;
    • Sensação de areia ou irritação ocular.

    Essa manifestação pode ocorrer independentemente do controle hormonal e tende a ser mais comum em pessoas fumantes.

    Outras manifestações

    • Dermopatia de Graves, com espessamento da pele, geralmente nas pernas;
    • Alterações ósseas e acropatia (raras);
    • Complicações cardiovasculares, como arritmias.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da doença de Graves baseia-se na combinação de avaliação clínica com exames laboratoriais e, quando necessário, exames de imagem.

    Exames laboratoriais

    • TSH suprimido (baixo);
    • Níveis elevados de T3 e T4 livres;
    • Presença de anticorpos anti-receptor de TSH (TRAb), que confirmam a origem autoimune do hipertireoidismo.

    A identificação do TRAb aumenta a precisão diagnóstica e ajuda a diferenciar a doença de Graves de outras causas de hipertireoidismo.

    Exames de imagem

    • Ultrassonografia da tireoide, mostrando aumento difuso e maior vascularização;
    • Cintilografia da tireoide, com captação difusa de radioiodo, característica da doença de Graves.

    Tratamento da doença de Graves

    O tratamento possui três abordagens principais, e a escolha depende da idade do paciente, da gravidade da doença e de fatores individuais.

    Medicamentos antitireoidianos

    Fármacos como o metimazol reduzem a produção de hormônios tireoidianos e costumam ser a primeira opção, especialmente em crianças e adultos jovens. O tratamento pode ser necessário por períodos prolongados.

    Iodo radioativo

    O iodo radioativo destrói parte do tecido tireoidiano e reduz a produção hormonal. É um método eficaz, mas pode levar ao hipotireoidismo definitivo, exigindo reposição hormonal ao longo da vida.

    Cirurgia

    A tireoidectomia é indicada em situações específicas, como bócio volumoso, intolerância aos medicamentos ou quando outras opções não são adequadas.

    Prevenção e cuidados contínuos

    Não há uma forma específica de prevenir a doença de Graves, já que se trata de uma condição autoimune. Ainda assim, o acompanhamento regular é essencial para:

    • Monitorar os níveis hormonais;
    • Ajustar doses de medicamentos;
    • Identificar precocemente hipotireoidismo após tratamentos definitivos.

    O controle adequado reduz o risco de complicações cardíacas, ósseas e oculares associadas ao hipertireoidismo.

    Veja também: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

    Perguntas frequentes sobre doença de Graves

    1. A doença de Graves tem cura?

    Não há cura definitiva, mas o tratamento permite controlar o hipertireoidismo e suas complicações.

    2. Toda pessoa com hipertireoidismo tem doença de Graves?

    Não. Existem outras causas de hipertireoidismo, embora a doença de Graves seja a mais comum de origem autoimune.

    3. A oftalmopatia sempre ocorre?

    Não. Ela acomete apenas parte dos pacientes e é mais frequente em fumantes.

    4. O tratamento pode causar hipotireoidismo?

    Sim. Isso pode ocorrer principalmente após iodo radioativo ou cirurgia.

    5. Existe predomínio por sexo?

    Sim. A doença de Graves é mais frequente em mulheres.

    6. Gravidez interfere na doença?

    Sim. O controle rigoroso da função tireoidiana é fundamental antes e durante a gestação.

    7. O diagnóstico precoce faz diferença?

    Sim. Quanto mais cedo a doença é identificada e tratada, menor o risco de complicações a longo prazo.

    Leia mais: Quando o corpo ataca a própria tireoide: entenda a síndrome de Hashimoto

  • Imunodeficiências primárias: conheça a doença que deixa a pessoa mais suscetível a infecções

    Imunodeficiências primárias: conheça a doença que deixa a pessoa mais suscetível a infecções

    Os erros inatos da imunidade, também chamados de imunodeficiências primárias, são doenças genéticas que afetam o funcionamento do sistema imunológico. Essas alterações fazem com que o organismo tenha mais dificuldade para combater infecções, o que leva a quadros repetidos, mais graves ou causados por microrganismos pouco comuns.

    Embora cada uma dessas condições seja rara isoladamente, em conjunto elas formam um grupo relevante de doenças, muitas vezes diagnosticadas ainda na infância, mas que também podem ser identificadas apenas na vida adulta.

    Reconhecer os sinais precocemente é fundamental para reduzir infecções graves, internações frequentes e possíveis sequelas.

    O que são erros inatos da imunidade

    Os erros inatos da imunidade são defeitos congênitos do sistema imunológico, ou seja, alterações presentes desde o nascimento. Eles podem comprometer a imunidade inata, que funciona como a primeira linha de defesa, ou a imunidade adaptativa, responsável por respostas mais específicas contra vírus, bactérias e outros microrganismos.

    Esses defeitos são causados por mutações genéticas que afetam moléculas, células ou vias essenciais para a defesa do organismo. Dependendo do componente afetado, podem estar comprometidos:

    • Células fagocitárias, como neutrófilos e macrófagos;
    • O sistema complemento;
    • Linfócitos T e/ou B;
    • A produção ou função de anticorpos (imunoglobulinas);
    • Mecanismos de sinalização imunológica.

    Por que os erros inatos da imunidade acontecem

    A principal causa dos erros inatos da imunidade é genética. Essas alterações podem ser herdadas de forma:

    • Autossômica dominante;
    • Autossômica recessiva;
    • Ligada ao cromossomo X.

    As mutações levam à ausência, redução ou mau funcionamento de proteínas fundamentais para a resposta imunológica. Nem sempre há histórico familiar evidente, já que algumas pessoas podem ser portadoras sem sintomas, ou a mutação pode surgir de forma espontânea.

    Principais tipos de erros inatos da imunidade

    Essas condições são classificadas de acordo com a parte do sistema imunológico afetada.

    Defeitos da imunidade humoral

    Afetam a produção ou a função dos anticorpos. São as imunodeficiências mais comuns e estão associadas principalmente a infecções bacterianas repetidas, especialmente das vias respiratórias.

    Defeitos da imunidade celular

    Envolvem alterações nos linfócitos T e predispõem a infecções virais, fúngicas e oportunistas, muitas vezes mais graves, sobretudo em crianças pequenas.

    Defeitos combinados

    Comprometem simultaneamente a imunidade humoral e celular. Costumam ser mais graves e se manifestam precocemente, geralmente nos primeiros meses de vida.

    Defeitos do sistema complemento

    Aumentam o risco de infecções bacterianas específicas e podem estar associados a doenças autoimunes.

    Defeitos de fagócitos

    Causam dificuldade na ingestão ou destruição de microrganismos, levando a infecções bacterianas e fúngicas recorrentes.

    Sintomas: quando suspeitar de erro inato da imunidade

    Os sinais variam conforme o tipo de imunodeficiência, mas alguns padrões são considerados alertas importantes:

    • Infecções respiratórias recorrentes, como sinusites, otites e pneumonias;
    • Infecções graves ou de difícil resolução;
    • Necessidade frequente de antibióticos, com resposta insatisfatória;
    • Internações repetidas por infecção;
    • Infecções causadas por microrganismos incomuns ou oportunistas;
    • Crescimento e ganho de peso inadequados em crianças;
    • Abscessos recorrentes e infecções de pele;
    • Histórico familiar de imunodeficiência.

    Em alguns casos, também podem estar presentes manifestações autoimunes, inflamatórias ou atópicas associadas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico dos erros inatos da imunidade combina avaliação clínica detalhada com exames laboratoriais específicos.

    Avaliação inicial

    A investigação começa com a análise de:

    • Número, tipo e gravidade das infecções;
    • Resposta a tratamentos prévios;
    • Presença de complicações infecciosas recorrentes.

    Exames laboratoriais de base

    Os exames iniciais costumam incluir:

    • Hemograma completo;
    • Dosagem de imunoglobulinas (IgG, IgA e IgM);
    • Avaliação da resposta a vacinas;
    • Quantificação de linfócitos T, B e células natural killer.

    Testes especializados

    Quando necessário, são realizados exames mais específicos, como:

    • Testes funcionais de fagócitos;
    • Avaliação do sistema complemento;
    • Painéis genéticos.

    O diagnóstico precoce é essencial para orientar o tratamento adequado e reduzir complicações.

    Tratamento

    O tratamento depende do tipo e da gravidade da imunodeficiência, mas algumas estratégias são comuns.

    Reposição de imunoglobulina

    Indicada em defeitos de anticorpos, ajuda a reduzir a frequência e a gravidade das infecções.

    Antibióticos profiláticos

    Em alguns casos, antibióticos são usados de forma preventiva para evitar infecções recorrentes.

    Transplante de células hematopoiéticas

    Nas formas mais graves, especialmente nas imunodeficiências combinadas, o transplante de medula óssea pode ser curativo quando realizado precocemente.

    Manejo de complicações

    Inclui tratamento imediato das infecções, suporte nutricional e monitoramento de doenças autoimunes ou inflamatórias associadas.

    Confira: Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato

    Prognóstico e acompanhamento

    O prognóstico varia conforme o tipo específico de erro inato da imunidade e a rapidez do diagnóstico. Em muitos casos, o tratamento adequado reduz significativamente infecções graves e melhora a qualidade de vida.

    Mesmo assim, o acompanhamento costuma ser contínuo, com avaliações periódicas da função imunológica e vigilância de possíveis efeitos a longo prazo.

    Perguntas frequentes sobre erros inatos da imunidade

    1. Os erros inatos da imunidade são contagiosos?

    Não. São condições genéticas e não são transmitidas entre pessoas.

    2. Imunodeficiências podem surgir na vida adulta?

    Sim. Algumas formas mais leves só se manifestam ou são diagnosticadas na idade adulta.

    3. Quais infecções sugerem imunodeficiência?

    Infecções recorrentes do trato respiratório, infecções graves ou causadas por microrganismos incomuns devem levantar suspeita.

    4. Tomar mais vacinas corrige a imunodeficiência?

    Não. A vacinação protege contra doenças específicas, mas não corrige o defeito imunológico.

    5. Toda pessoa com infecção frequente tem erro inato da imunidade?

    Não. Infecções são comuns, mas padrões repetitivos, graves ou atípicos merecem investigação.

    6. O transplante é sempre necessário?

    Não. Ele é reservado para formas graves, especialmente as imunodeficiências combinadas.

    7. O diagnóstico precoce faz diferença?

    Sim. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são as estratégias de prevenção e manejo.

    Veja mais: Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite?

  • Bursite: o que é, por que dói e como tratar 

    Bursite: o que é, por que dói e como tratar 

    A bursite é uma condição comum que causa dor e desconforto nas articulações, especialmente em regiões como ombro, quadril, joelho e cotovelo. Ela acontece quando uma bursa, uma pequena bolsa cheia de líquido que funciona como um amortecedor entre ossos, tendões e músculos, fica inflamada.

    Esse processo inflamatório pode surgir após movimentos repetitivos, traumas ou sobrecarga da articulação, sendo mais frequente em adultos ativos, idosos e pessoas que realizam esforços físicos repetitivos. Quando identificada precocemente, a bursite costuma responder bem a tratamentos simples, evitando dor persistente e limitação funcional.

    O que é bursite

    A bursite é a inflamação de uma bursa sinovial, estrutura responsável por reduzir o atrito entre tecidos durante o movimento articular.

    Ela geralmente surge quando há:

    • Uso excessivo ou repetitivo da articulação;
    • Trauma direto sobre a região;
    • Pressão prolongada local;
    • Doenças inflamatórias ou metabólicas associadas.

    Quando a bursa inflama, ela aumenta de volume, torna-se sensível e dolorosa, o que pode dificultar movimentos simples do dia a dia.

    Principais causas de bursite

    A bursite pode ser desencadeada por diversos fatores, entre os mais comuns estão:

    • Movimentos repetitivos por longos períodos, comuns em atividades profissionais ou esportivas;
    • Traumas diretos, como quedas ou pancadas;
    • Pressão constante sobre a articulação, como ajoelhar sem proteção;
    • Envelhecimento, que favorece alterações degenerativas;
    • Doenças inflamatórias sistêmicas, como artrite reumatoide e gota;
    • Infecção bacteriana da bursa (bursite séptica), condição menos comum, porém mais grave.

    Atividades físicas intensas, posturas inadequadas e fatores ocupacionais aumentam significativamente o risco de desenvolver bursite.

    Onde a bursite é mais comum

    Algumas articulações são mais frequentemente afetadas pela bursite:

    • Ombro (bursite subacromial): dor ao elevar o braço;
    • Quadril (bursite trocantérica): dor lateral ao caminhar ou deitar sobre o lado afetado;
    • Joelho (bursite pré-patelar ou infrapatelar): dor ao ajoelhar ou subir escadas;
    • Cotovelo (bursite olecraniana): inchaço na parte posterior do cotovelo;
    • Calcanhar (bursite retrocalcânea): comum em corredores ou após uso inadequado de calçados.

    Sintomas da bursite

    Os sintomas variam de acordo com a articulação acometida e a intensidade da inflamação. Os sinais mais comuns são:

    • Dor localizada, que piora com o movimento;
    • Sensibilidade e aumento de calor na região;
    • Inchaço visível, principalmente em bursas superficiais;
    • Limitação dos movimentos por dor.

    Quando a bursite é causada por infecção, podem surgir sintomas gerais como febre, calafrios e mal-estar.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da bursite é, na maioria das vezes, clínico e baseado em:

    • Relato detalhado dos sintomas;
    • Identificação de fatores de risco;
    • Exame físico da articulação afetada.

    Exames complementares

    Alguns exames podem ser solicitados quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações:

    • Ultrassonografia, para visualizar líquido e inflamação da bursa;
    • Radiografia, para excluir outras causas de dor articular;
    • Ressonância magnética, em casos persistentes ou mais complexos;
    • Análise do líquido da bursa, quando há suspeita de bursite infecciosa.

    Tratamento da bursite

    O tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas e tem como objetivo reduzir a inflamação, aliviar a dor e recuperar a função articular.

    Medidas iniciais

    • Repouso da articulação afetada;
    • Aplicação de gelo, especialmente nas fases iniciais;
    • Uso de analgésicos e anti-inflamatórios, conforme orientação médica.

    Fisioterapia

    A fisioterapia tem papel essencial no tratamento, ajudando a:

    • Fortalecer a musculatura ao redor da articulação;
    • Melhorar a amplitude de movimento;
    • Corrigir padrões de movimento que sobrecarregam a bursa.

    Infiltração

    Em casos selecionados, quando a dor persiste apesar do tratamento conservador, podem ser realizadas infiltrações com corticosteroides para reduzir a inflamação local.

    Bursite infecciosa

    Quando há infecção confirmada, o tratamento envolve:

    • Antibióticos adequados;
    • Drenagem cirúrgica, em situações mais graves.

    Prevenção

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de bursite e evitar recidivas:

    • Evitar sobrecarga repetitiva das articulações;
    • Fazer pausas regulares em atividades prolongadas;
    • Manter boa postura e fortalecimento muscular;
    • Usar equipamentos de proteção, como joelheiras e cotoveleiras, quando indicado.

    O que esperar

    A maioria dos casos de bursite apresenta melhora significativa com tratamento conservador. Quando não tratada adequadamente ou em quadros crônicos, pode evoluir com dor persistente e limitação funcional, exigindo reavaliação médica e ajustes na abordagem terapêutica.

    Leia mais: Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    Perguntas frequentes sobre bursite

    1. Bursite é a mesma coisa que artrite?

    Não. A bursite é a inflamação de uma bursa, enquanto a artrite envolve a inflamação da articulação propriamente dita.

    2. Bursite pode se tornar crônica?

    Sim. Isso pode acontecer quando a causa mecânica ou postural não é corrigida.

    3. Compressa quente ajuda no início?

    No início, o gelo costuma ser mais eficaz para reduzir a inflamação. O calor pode ser útil em fases posteriores para relaxamento muscular.

    4. Toda bursite precisa de infiltração com corticoide?

    Não. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador; infiltrações são reservadas para situações persistentes.

    5. Bursite infecciosa é comum?

    Não. É menos frequente, mas exige tratamento rápido e adequado.

    6. A bursite sempre causa inchaço visível?

    Nem sempre. Em bursas profundas, pode haver dor sem edema evidente.

    7. Bursite tem cura?

    Sim. Quando tratada corretamente, a maioria dos casos se resolve completamente.

    Veja também: Dor no joelho: o que pode ser, como saber se é grave e o que fazer

  • Vírus Nipah: saiba mais e entenda por que ele está no radar da OMS

    Vírus Nipah: saiba mais e entenda por que ele está no radar da OMS

    O vírus Nipah é um vírus zoonótico emergente que vem chamando a atenção da comunidade científica e das autoridades de saúde ao redor do mundo. Identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto na Malásia, ele é capaz de causar doença grave em humanos, com altas taxas de mortalidade e impacto significativo no sistema nervoso central.

    Embora os surtos tenham ocorrido principalmente no sul e sudeste da Ásia, o Nipah é considerado um vírus prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso se deve à combinação de fatores preocupantes: alta letalidade, possibilidade de transmissão entre pessoas e ausência de vacina ou tratamento antiviral específico aprovado até o momento.

    O que é o vírus Nipah

    O vírus Nipah pertence ao gênero Henipavirus e à família Paramyxoviridae. Trata-se de um vírus de RNA capaz de infectar humanos e diversos animais.

    Seu reservatório natural são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-das-frutas. Esses animais podem carregar o vírus sem apresentar sinais de doença, eliminando-o por meio de saliva, urina e fezes.

    Em determinadas situações, outros animais, como porcos, podem atuar como hospedeiros intermediários, facilitando a transmissão do vírus para humanos. Essa capacidade de atravessar barreiras entre espécies contribui para o potencial de emergência do Nipah.

    Transmissão

    A infecção humana pelo vírus Nipah pode ocorrer por diferentes vias:

    • Contato direto com morcegos infectados ou com seus fluidos corporais (saliva, urina ou fezes);
    • Consumo de alimentos contaminados, especialmente frutas ou sucos expostos a secreções de morcegos;
    • Contato com animais infectados, como porcos;
    • Transmissão de pessoa para pessoa, descrita principalmente em ambientes domiciliares e hospitalares, por meio do contato próximo com secreções respiratórias ou outros fluidos corporais.

    O período de incubação costuma variar entre 4 e 14 dias, embora haja relatos de intervalos mais longos.

    Sintomas

    A apresentação clínica do vírus Nipah é bastante variável, podendo ir de quadros leves até doença extremamente grave.

    Fase inicial

    Os sintomas iniciais são inespecíficos e podem se confundir com outras infecções virais comuns, incluindo:

    • Febre;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Dores musculares;
    • Náuseas e vômitos;
    • Dor de garganta;
    • Tosse;
    • Mal-estar geral.

    Evolução para formas graves

    Em parte dos pacientes, a doença evolui rapidamente para formas graves, com comprometimento respiratório e neurológico, como:

    • Dificuldade respiratória ou pneumonia;
    • Encefalite, com confusão mental, sonolência e alteração do nível de consciência;
    • Convulsões;
    • Coma.

    A taxa de letalidade observada nos surtos é elevada, variando aproximadamente entre 40% e 75%, dependendo do local, do acesso ao cuidado médico e da capacidade do sistema de saúde.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do vírus Nipah depende da combinação entre quadro clínico e histórico epidemiológico compatível, como permanência em áreas endêmicas ou contato com animais ou pessoas infectadas.

    A confirmação laboratorial é realizada por:

    • PCR, para detecção do RNA viral;
    • Testes sorológicos, como ELISA, para identificação de anticorpos em fases mais tardias da infecção.

    Por se tratar de um agente de alto risco biológico, a investigação deve ocorrer em laboratórios com nível adequado de biossegurança, e os casos suspeitos precisam ser notificados imediatamente às autoridades de saúde.

    Tratamento

    Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico aprovado para o vírus Nipah.

    O manejo clínico é exclusivamente de suporte e pode incluir:

    • Suporte respiratório, com oxigenoterapia ou ventilação mecânica;
    • Monitoramento neurológico rigoroso;
    • Cuidados intensivos em ambiente hospitalar.

    Mesmo com suporte adequado, muitos pacientes evoluem com complicações graves ou podem apresentar sequelas neurológicas após a fase aguda.

    Prevenção

    Na ausência de vacina, a prevenção baseia-se na redução do risco de exposição ao vírus, incluindo:

    • Evitar contato com morcegos frugívoros e seus habitats;
    • Não consumir frutas ou sucos potencialmente contaminados;
    • Evitar contato direto com animais doentes;
    • Adotar medidas rigorosas de controle de infecção em ambientes hospitalares;
    • Isolamento de casos suspeitos durante surtos e rastreamento de contatos.

    Potencial de pandemia do vírus Nipah

    Apesar das preocupações frequentes na mídia, o vírus Nipah apresenta baixo risco pandêmico quando comparado a vírus respiratórios como o SARS-CoV-2.

    Isso ocorre porque o Nipah não é transmitido por aerossóis de forma ampla, exigindo contato direto com animais infectados, pessoas doentes ou alimentos contaminados por saliva ou urina de morcegos.

    Além disso, o Brasil não possui a espécie de morcego que atua como principal reservatório do vírus, presente sobretudo no sul e sudeste da Ásia, Austrália e leste da África. Nesses locais, o Nipah provoca surtos ocasionais, e o maior risco está relacionado a viagens ou contatos nessas regiões.

    Leia também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Perguntas frequentes sobre o vírus Nipah

    O vírus Nipah é contagioso?

    Sim. A transmissão entre pessoas pode ocorrer, especialmente por contato próximo com secreções respiratórias ou outros fluidos corporais.

    Existe vacina contra o vírus Nipah?

    Não. Até o momento, não há vacina humana aprovada.

    A infecção sempre é fatal?

    Não, mas a taxa de mortalidade é elevada e varia conforme o surto e o acesso ao cuidado médico.

    O vírus Nipah pode causar epidemias?

    Sim. Já causou surtos regionais e é monitorado por seu potencial epidêmico.

    Como reduzir o risco de infecção?

    Evitar contato com animais silvestres, alimentos contaminados e seguir medidas de biossegurança em áreas de risco.

    Veja mais: Hantavirose: a virose rara e grave transmitida por roedores