Autor: Dra. Juliana Soares

  • Farmácia de viagem: o que levar para evitar imprevistos de saúde 

    Farmácia de viagem: o que levar para evitar imprevistos de saúde 

    Ao viajar para locais longe de casa, seja para praias, áreas rurais, trilhas ou até para outros países, é muito importante levar uma farmácia de viagem com itens básicos para lidar com imprevistos de saúde.

    Pequenos problemas como dor, febre, enjoo ou ferimentos leves são comuns durante viagens e, quando bem manejados, evitam desconforto maior e a necessidade de buscar atendimento médico imediato.

    A farmácia de viagem deve ser adaptada ao tipo de destino, à duração da viagem e às condições de saúde dos viajantes. O ideal é incluir medicamentos sintomáticos, itens de higiene e materiais para primeiros socorros.

    Medicamentos para tratar sintomas

    É recomendável levar medicamentos para tratar sintomas comuns que podem surgir durante a viagem. Porém, é importante conversar com o médico antes para entender quais medicamentos você pode, individualmente, usar nesses casos.

    Antitérmicos e analgésicos

    Medicamentos como dipirona ou paracetamol são úteis tanto para controle de febre quanto para dores em geral. São especialmente importantes em casos de resfriados, infecções virais leves, intoxicações alimentares e gastroenterites, situações relativamente frequentes em viagens.

    Medicamentos para enjoo e náuseas

    Enjoos são comuns em viagens longas, cruzeiros, trajetos de ônibus ou avião. Medicamentos como ondansetrona, metoclopramida e dimenidrinato ajudam no controle das náuseas e vômitos.

    Anti-inflamatórios e analgésicos musculares

    Em viagens que envolvem caminhadas, trilhas, esportes ou longos períodos andando, é útil levar anti-inflamatórios prescritos pelo médico.

    Além disso, géis ou pomadas anti-inflamatórias podem ser aplicados localmente em casos de dores musculares ou articulares.

    Sintomas respiratórios leves e dor de garganta

    Para gripes e resfriados, além dos antitérmicos, antialérgicos como loratadina ajudam a aliviar coriza e congestão nasal. Pastilhas para dor de garganta também auxiliam no alívio do desconforto.

    Alterações intestinais

    Para constipação intestinal, medicamentos como lactulose e bisacodil podem ser úteis, especialmente em viagens com mudança de rotina alimentar. Converse com seu médico.

    Dores abdominais e gases

    Dores abdominais leves podem ser controladas com analgésicos simples e antiespasmódicos, como a escopolamina. Quando associadas a gases, a simeticona costuma trazer bom alívio.

    Produtos de higiene e proteção

    Alguns itens são indispensáveis para prevenir problemas de saúde durante a viagem:

    • Protetor solar, especialmente em ambientes com exposição solar intensa, como praias, piscinas e áreas abertas;
    • Repelente de insetos, dependendo do destino, para prevenção de picadas.

    Esses produtos ajudam a evitar queimaduras solares e doenças transmitidas por insetos.

    Materiais para primeiros socorros

    Para pequenos cortes, arranhões e machucados, é importante incluir na farmácia de viagem:

    • Algodão;
    • Álcool 70%;
    • Gazes;
    • Curativos adesivos.

    Esses itens permitem realizar a limpeza local e fazer um curativo provisório, reduzindo o risco de infecção até avaliação médica, se necessário.

    Medicamentos de uso contínuo

    Pessoas com doenças crônicas que fazem uso regular de medicamentos devem levar quantidade suficiente para todo o período da viagem, preferencialmente com uma margem extra, caso algum comprimido seja perdido ou danificado.

    Em viagens para outros estados ou para o exterior, é altamente recomendável portar:

    • Receita médica dos medicamentos em uso;
    • Lista com os nomes dos medicamentos e doses.

    Isso facilita a comprovação do uso, a reposição em farmácias e evita problemas em aeroportos ou alfândegas.

    Tranquilidade para a viagem

    Uma farmácia de viagem bem planejada traz segurança, conforto e tranquilidade. Ela permite lidar com situações comuns sem comprometer o aproveitamento do passeio.

    Sempre que possível, a escolha dos itens deve ser individualizada, considerando idade, condições de saúde e destino da viagem.

    Veja mais: Vai tirar férias? Veja dicas para descansar a mente de verdade

    Perguntas frequentes sobre farmácia de viagem

    1. Preciso levar antibiótico na farmácia de viagem?

    Antibióticos não devem ser usados sem prescrição médica. Só devem ser incluídos se houver orientação específica.

    2. Posso levar medicamentos na bagagem de mão?

    Sim, especialmente medicamentos de uso contínuo. Em viagens internacionais, é recomendável levar receita médica.

    3. Crianças precisam de uma farmácia diferente?

    Sim. As doses e formulações devem ser adequadas para a idade e o peso da criança.

    4. Repelente é obrigatório?

    Depende do destino. Em áreas com alta incidência de insetos ou doenças transmitidas por mosquitos, é altamente recomendado.

    5. Quanto de medicamento devo levar?

    O suficiente para todo o período da viagem, com pequena margem de segurança.

    6. Posso montar uma farmácia padrão para todas as viagens?

    Não é o ideal. O conteúdo deve variar conforme o destino, clima e atividades planejadas.

    7. Quando procurar atendimento médico durante a viagem?

    Se houver febre persistente, dor intensa, sinais de desidratação, piora rápida dos sintomas ou qualquer situação que gere preocupação.

    Confira: Vai para a praia? Cuidado com a intoxicação alimentar

  • Falta de sono pode te deixar mais doente 

    Falta de sono pode te deixar mais doente 

    Dormir bem não é apenas importante para manter a disposição e a concentração ao longo do dia. O sono é um dos pilares da saúde do sistema imunológico. Quando dormimos pouco, mal ou de forma irregular, o corpo perde parte da sua capacidade natural de defesa contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.

    Diversos estudos mostram que pessoas com privação de sono têm maior probabilidade de adoecer após exposição a vírus respiratórios, como os da gripe ou do resfriado comum.

    Isso acontece porque o sono participa da regulação das respostas imunes, da inflamação e da produção de células de defesa. Ou seja, dormir mal não é apenas um problema de cansaço — é também um fator de risco para infecções.

    Como o sono se relaciona com o sistema imunológico?

    Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, o organismo realiza processos fundamentais para manter a imunidade equilibrada e eficiente.

    • Produção e liberação de citocinas, proteínas que coordenam a resposta contra infecções;
    • Ativação e fortalecimento de células de defesa, como linfócitos T e B;
    • Regulação do equilíbrio entre resposta inflamatória e anti-inflamatória;
    • Recuperação dos tecidos e redução do estresse fisiológico.

    Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, esses mecanismos ficam comprometidos, enfraquecendo as defesas do organismo.

    O que acontece no corpo quando dormimos mal?

    A privação de sono desencadeia uma série de alterações que podem favorecer infecções.

    1. Redução das células de defesa

    Dormir pouco reduz a eficácia dos linfócitos, responsáveis por identificar e combater microrganismos invasores. Com isso, o corpo fica menos preparado para reagir a vírus e bactérias.

    2. Aumento da inflamação

    A falta de sono eleva os níveis de marcadores inflamatórios no sangue, como a proteína C-reativa (PCR). Esse estado inflamatório persistente pode enfraquecer o sistema imune e piorar doenças já existentes.

    3. Maior liberação de cortisol (hormônio do estresse)

    Dormir mal aumenta a produção de cortisol. Em excesso, esse hormônio pode suprimir a resposta imunológica e reduzir a capacidade do corpo de combater infecções.

    Quem está mais vulnerável?

    Embora qualquer pessoa possa ser impactada pela falta de sono, alguns grupos são mais suscetíveis:

    • Pessoas com insônia crônica ou distúrbios do sono;
    • Trabalhadores em turnos noturnos;
    • Estudantes em períodos de provas;
    • Indivíduos com alto nível de estresse;
    • Idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Nessas populações, o impacto da privação de sono pode ser ainda mais significativo para a imunidade.

    Quanto sono é considerado adequado?

    As recomendações gerais variam de acordo com a idade:

    • Adultos: 7 a 9 horas por noite;
    • Adolescentes: 8 a 10 horas;
    • Crianças: 9 a 12 horas, dependendo da idade.

    Dormir menos do que o recomendado de forma recorrente já pode comprometer o funcionamento do sistema imunológico.

    O que fazer para melhorar o sono e proteger a imunidade?

    Adotar hábitos simples pode fazer grande diferença tanto na qualidade do sono quanto na proteção contra infecções.

    1. Criar uma rotina de sono

    • Deitar e acordar no mesmo horário todos os dias;
    • Evitar telas (celular, TV, computador) pelo menos 1 hora antes de dormir.

    2. Melhorar o ambiente de sono

    • Quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
    • Colchão e travesseiros confortáveis.

    3. Cuidar da alimentação e do estilo de vida

    • Evitar cafeína, álcool e refeições pesadas à noite;
    • Praticar atividade física regularmente (mas não muito perto da hora de dormir).

    4. Gerenciar o estresse

    • Técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação;
    • Psicoterapia, se houver ansiedade ou insônia persistente.

    Melhorar a qualidade do sono é uma das estratégias mais simples — e eficazes — para fortalecer o sistema imunológico no dia a dia.

    Veja mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

    Perguntas frequentes sobre dormir mal e imunidade

    1. Dormir mal realmente aumenta o risco de gripe?

    Sim. Estudos mostram que a privação de sono reduz a capacidade do organismo de reagir a vírus respiratórios.

    2. Uma noite mal dormida já prejudica a imunidade?

    Uma noite isolada pode causar impacto leve, mas o risco maior ocorre quando a privação se torna frequente.

    3. Dormir demais faz mal?

    O texto aborda principalmente a privação de sono. O excesso de sono também deve ser avaliado caso esteja associado a outros sintomas.

    4. O estresse influencia a imunidade?

    Sim. O aumento do cortisol relacionado ao estresse pode suprimir a resposta imunológica.

    5. Crianças que dormem pouco ficam mais doentes?

    Podem ficar, já que o sono adequado é fundamental para o desenvolvimento e a maturação do sistema imune.

    6. Insônia precisa de tratamento médico?

    Se for persistente e afetar a qualidade de vida, deve ser avaliada por um profissional de saúde.

    7. Melhorar o sono reduz o risco de infecções?

    Sim. Sono adequado ajuda a manter a resposta imune equilibrada e eficiente.

    Confira também: Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

  • Excesso de exercícios físicos faz mal ao coração? Conheça os riscos

    Excesso de exercícios físicos faz mal ao coração? Conheça os riscos

    Não é um segredo que a prática regular de atividades físicas é uma das principais medidas para ter uma vida mais saudável. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana para adultos, o que contribui para reduzir o risco de doenças crônicas e melhorar a saúde cardiovascular.

    Mas se você é uma daquelas pessoas que acaba exagerando nas horas na academia, pensando que vai alcançar resultados de forma mais rápida, vale explicar que existe um limite fisiológico para qualquer corpo. O excesso de exercícios não é bom.

    Quando a rotina de exercícios ultrapassa a capacidade de recuperação, surge um quadro conhecido como overtraining, capaz de provocar fadiga persistente, queda de desempenho e alterações cardiovasculares preocupantes.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para esclarecer como o excesso de exercícios físicos impacta o coração, quais sinais merecem atenção e como montar uma rotina segura.

    Como o treino em excesso afeta o coração?

    Quando a estimulação do treino acontece de forma repetida e diária, o organismo passa a operar em estado de estresse contínuo. O coração, que é um músculo altamente responsivo a variações de intensidade, é submetido a uma sobrecarga progressiva.

    Isso altera o padrão de funcionamento e pode provocar impactos que vão muito além da simples fadiga, sobretudo em pessoas predispostas, como:

    • Aumento contínuo da frequência cardíaca: treinos intensos repetidos sem descanso mantêm o coração em estado de alerta. A frequência cardíaca permanece elevada mesmo em repouso, indicando esforço excessivo do músculo cardíaco para lidar com a sobrecarga diária;
    • Elevação sustentada de hormônios do estresse: cortisol e adrenalina aumentam de forma contínua quando não há recuperação adequada. Esses hormônios aceleram batimentos, favorecem arritmias transitórias e estimulam um estado de hiperativação que prejudica o sistema cardiovascular;
    • Risco maior de arritmias: o estresse fisiológico prolongado, somado à fadiga muscular e à inflamação, pode desencadear batimentos irregulares, palpitações e alterações na condução elétrica do coração, principalmente em pessoas predispostas;
    • Inflamação acumulada no músculo cardíaco: o exercício intenso provoca microlesões naturais. Sem descanso, o organismo não consegue reparar danos, e a inflamação se mantém elevada;
    • Oscilações de pressão arterial: picos repetidos de esforço vigoroso podem elevar a pressão sistólica de maneira exagerada. Com semanas de sobrecarga, podem surgir tonturas ou sensação de descompasso;
    • Queda da capacidade de adaptação cardiovascular: o corpo perde eficiência para lidar com novos estímulos. O coração demora mais para normalizar frequência e pressão após exercícios, indicando estresse cumulativo.

    “O treino exagerado (lembrando que o coração é um músculo) pode promover uma hipertrofia, um crescimento desse coração. E a partir do momento que essa hipertrofia ultrapassa a capacidade de adaptação fisiológica do organismo, ela passa do ponto benéfico e pode se tornar patológico, podendo prejudicar o funcionamento cardiovascular”, explica Juliana.

    Treino em excesso é perigoso para quem tem problemas cardiovasculares?

    O treino em excesso aumenta a demanda cardíaca em um ritmo que nem sempre o organismo consegue acompanhar, o que se torna especialmente perigoso para indivíduos com doenças cardiovasculares.

    Quem convive com hipertensão, arritmias, histórico de infarto, insuficiência cardíaca ou lesões nas artérias coronárias tende a apresentar respostas exageradas ao esforço quando ultrapassa o próprio limite.

    Por isso, cardiologistas orientam que indivíduos com doenças cardíacas pratiquem exercícios de maneira estruturada, com progressão gradual, monitorização constante e intervalos adequados de descanso.

    E quando se torna overtraining?

    O overtraining é um estado de exaustão física e fisiológica que surge quando a carga de treino ultrapassa a capacidade de recuperação do organismo por um período prolongado. Ele não aparece de um dia para o outro: o processo se instala após semanas ou meses de carga elevada associada a descanso insuficiente, sono irregular, alimentação inadequada ou estresse emocional.

    Com o tempo, o corpo passa a operar em modo de alerta permanente, com liberação contínua de hormônios ligados ao estresse e queda progressiva da eficiência metabólica.

    Sintomas do overtraining para ficar atento

    • Aumento anormal da frequência cardíaca em repouso;
    • Batimentos irregulares ou sensação de coração acelerado;
    • Cansaço intenso que não melhora mesmo após descanso;
    • Diminuição do desempenho;
    • Recuperação muito demorada entre treinos;
    • Dor, pressão ou aperto no peito durante o exercício.

    Quando os sinais aparecem, é recomendado reduzir a intensidade e reorganizar a rotina de descanso. Ignorar esses alertas pode transformar o treinamento em fonte de risco.

    Qual a quantidade recomendada de atividades físicas?

    De forma geral, as recomendações da Organização Mundial da Saúde para adultos são:

    • 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada, como caminhada acelerada, bicicleta leve ou natação confortável;
    • ou 75 a 150 minutos por semana de atividade vigorosa, como corrida, ciclismo rápido ou esportes de alta intensidade;
    • exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.

    A combinação entre atividades aeróbicas e treinos de força ajuda a preservar massa magra e melhorar a capacidade cardiorrespiratória.

    Se você convive com doenças crônicas ou histórico cardiovascular, o ideal é buscar orientação médica antes de definir intensidade e volume de treino.

    Como evitar o excesso de treino?

    • Progredir devagar, evitando aumentos bruscos de carga;
    • Alternar dias intensos com treinos leves;
    • Incluir dias de descanso real na rotina;
    • Dormir bem e manter alimentação compatível com o gasto energético;
    • Observar sinais do próprio corpo;
    • Acompanhar frequência cardíaca e desempenho;
    • Incluir técnicas de recuperação, como alongamentos e mobilidade.

    Consultar um educador físico antes de iniciar uma rotina também é uma forma segura de estruturar treinos e prevenir sobrecarga cardiovascular.

    Veja mais: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

    Perguntas frequentes

    Overtraining acontece apenas com atletas profissionais?

    Não. Pessoas comuns que treinam sem descanso adequado também podem desenvolver o quadro.

    Como distinguir cansaço normal de fadiga do overtraining?

    O cansaço comum melhora com descanso. Já o overtraining provoca fadiga persistente, queda de desempenho e alterações no humor mesmo após repouso.

    Treinar todos os dias faz mal ao coração?

    Treinos regulares fortalecem o coração, mas atividades intensas diárias sem recuperação podem gerar sobrecarga cardiovascular.

    Treino excessivo pode causar dor no peito?

    Sim. O esforço exagerado aumenta a demanda de oxigênio do coração e pode provocar desconforto torácico, principalmente em pessoas predispostas.

    O coração pode “crescer demais” com treino?

    O exercício pode causar hipertrofia fisiológica benéfica, mas quando ultrapassa o limite de adaptação, pode se tornar prejudicial.

    Quem tem problema cardíaco pode treinar?

    Sim, mas com orientação médica, progressão gradual e monitoramento adequado.

    Qual é o principal sinal de alerta?

    Frequência cardíaca elevada em repouso associada a fadiga persistente e queda de desempenho.

    Confira: 13 benefícios do exercício físico para a saúde (e como começar a treinar)

  • Desmaio por emoção ou susto: por que isso acontece? 

    Desmaio por emoção ou susto: por que isso acontece? 

    É comum ver pessoas que desmaiam ao receberem uma notícia chocante, levarem um susto repentino ou passarem por uma emoção muito forte. Apesar de assustador, esse tipo de episódio, na maioria das vezes, tem uma explicação fisiológica clara e está relacionado à chamada síncope vasovagal.

    A síncope vasovagal é a causa mais frequente de desmaio em pessoas saudáveis. Ela acontece quando o sistema nervoso reage de forma exagerada a um estímulo emocional ou físico, provocando uma queda súbita da pressão arterial e, às vezes, da frequência cardíaca. Com menos sangue chegando ao cérebro por alguns segundos, ocorre a perda temporária da consciência.

    O que é a síncope vasovagal

    A síncope vasovagal é um tipo de desmaio provocado por um reflexo do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções automáticas como batimentos cardíacos, pressão arterial e respiração.

    Nesse tipo de desmaio, dois mecanismos principais acontecem ao mesmo tempo:

    • Vasodilatação (vasodepressão): os vasos sanguíneos se dilatam de forma abrupta, fazendo a pressão arterial cair;
    • Bradicardia (cardioinibição): o coração pode bater mais devagar do que o esperado naquele momento.

    Essa combinação reduz temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro, levando ao desmaio.

    Por que o susto ou a emoção desencadeiam o desmaio?

    Situações de medo, ansiedade, susto ou emoção intensa ativam fortemente o sistema nervoso. Em pessoas predispostas, essa ativação pode, paradoxalmente, desencadear o reflexo vasovagal.

    Entre os gatilhos mais comuns estão:

    • Receber uma notícia chocante ou traumática;
    • Ver sangue ou passar por procedimentos médicos;
    • Ter medo intenso ou pânico repentino;
    • Ficar muito ansioso ou estressado;
    • Permanecer muito tempo em pé em ambiente quente.

    Nessas circunstâncias, o corpo reage de forma exagerada, causando queda súbita da pressão arterial e possível desmaio.

    O que a pessoa sente antes de desmaiar?

    Na maioria dos casos, o desmaio não acontece de forma totalmente inesperada. Antes de perder a consciência, muitas pessoas apresentam sinais de alerta, chamados pródromos.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Tontura ou sensação de cabeça leve;
    • Suor frio;
    • Palidez;
    • Náuseas;
    • Visão embaçada ou escurecimento visual;
    • Zumbido no ouvido;
    • Sensação de fraqueza nas pernas.

    Esses sinais indicam que o desmaio pode estar prestes a acontecer. Ao percebê-los, a pessoa deve tentar sentar ou deitar imediatamente para evitar quedas e traumas.

    O que acontece durante e depois do desmaio?

    A síncope vasovagal geralmente dura poucos segundos e raramente ultrapassa 1 a 2 minutos. Quando a pessoa cai ou se deita, o fluxo sanguíneo para o cérebro melhora rapidamente, permitindo a recuperação espontânea da consciência.

    Após o episódio, é comum sentir:

    • Cansaço ou sonolência;
    • Confusão leve e passageira;
    • Mal-estar geral.

    Esses sintomas costumam melhorar gradualmente em pouco tempo.

    Quando devo me preocupar?

    Na maior parte das vezes, a síncope vasovagal é benigna. Ainda assim, é importante procurar avaliação médica se:

    • Os desmaios forem frequentes;
    • Ocorrerem sem sintomas prévios;
    • Acontecerem durante exercício físico;
    • Houver histórico de doença cardíaca;
    • A pessoa se machucar durante a queda.

    Nessas situações, é fundamental investigar outras possíveis causas de desmaio, como alterações cardíacas ou neurológicas.

    Como prevenir novos episódios

    Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de novos episódios de síncope vasovagal:

    • Evitar ficar muito tempo em pé sem se movimentar;
    • Manter boa hidratação;
    • Evitar ambientes muito quentes;
    • Ao perceber os primeiros sintomas, sentar ou deitar imediatamente;
    • Seguir orientações médicas específicas em casos recorrentes.

    Em pessoas com episódios frequentes, o médico pode indicar estratégias adicionais para controle.

    Confira: Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Perguntas frequentes sobre síncope vasovagal

    1. Síncope vasovagal é perigosa?

    Na maioria dos casos, não. Ela é considerada benigna, mas deve ser avaliada se ocorrer repetidamente ou em situações atípicas.

    2. Desmaio por susto é sempre síncope vasovagal?

    Nem sempre, mas é a causa mais comum quando ocorre após emoção intensa.

    3. É possível evitar o desmaio?

    Sim. Ao perceber os sintomas iniciais, deitar-se ou sentar-se pode evitar a perda de consciência.

    4. Quem tem síncope vasovagal tem problema no coração?

    Geralmente não. A síncope vasovagal ocorre por reflexo do sistema nervoso, não por doença cardíaca estrutural.

    5. Pode acontecer mais de uma vez?

    Sim. Algumas pessoas são mais predispostas e podem ter episódios recorrentes.

    6. Crianças e adolescentes podem ter?

    Sim. A síncope vasovagal é comum em jovens e adultos jovens.

    7. Precisa fazer exames?

    Depende do contexto. Quando há fatores de risco ou sinais de alerta, exames podem ser solicitados para descartar outras causas.

    Veja mais: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

  • Enteroviroses: o que são e por que infectam tantas crianças 

    Enteroviroses: o que são e por que infectam tantas crianças 

    As enteroviroses são um conjunto de infecções causadas por vírus do gênero Enterovirus, da família Picornaviridae. Esses vírus têm grande capacidade de circulação na população e podem infectar o trato gastrointestinal e respiratório, com possibilidade de disseminação para outros órgãos.

    Muito comuns em todo o mundo, as enteroviroses afetam principalmente crianças, mas também podem acometer adultos. A maioria dos casos evolui de forma leve ou até assintomática, porém algumas infecções podem causar quadros mais graves, como meningite viral, inflamação do músculo cardíaco e manifestações neurológicas.

    O que são enteroviroses

    As enteroviroses incluem doenças causadas por diferentes tipos de enterovírus, como:

    • Coxsackievírus;
    • Echovírus;
    • Enterovírus humanos não-poliomielíticos;
    • Vírus da poliomielite, em regiões onde ainda há circulação.

    Esses vírus têm em comum a capacidade de se replicar inicialmente no trato gastrointestinal após infecção, principalmente pela via fecal-oral, e causar manifestações clínicas variadas.

    A infecção pode começar pelo contato com fezes contaminadas, água ou alimentos infectados. Em algumas situações, também ocorre disseminação por secreções respiratórias.

    Como as enteroviroses são transmitidas

    A principal forma de transmissão das enteroviroses é a via fecal-oral, ou seja, pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes que contêm o vírus. Pequenas quantidades virais já são suficientes para causar infecção.

    Outras formas de transmissão incluem:

    • Gotículas respiratórias ou contato com secreções de pessoas infectadas;
    • Superfícies contaminadas e mãos não higienizadas adequadamente.

    Essa combinação explica por que as enteroviroses se espalham com facilidade em creches, escolas e ambientes com grande circulação de crianças.

    Sintomas das enteroviroses

    Os sintomas variam conforme o tipo de enterovírus e a resposta do organismo da pessoa infectada.

    Sintomas inespecíficos

    Muitos casos cursam com manifestações leves ou até ausência de sintomas, especialmente em adultos. Os sinais mais comuns são:

    • Febre;
    • Mal-estar geral;
    • Dor de cabeça;
    • Náuseas;
    • Dor corporal.

    Esses sintomas podem se confundir facilmente com outras infecções virais comuns.

    Quadros respiratórios

    Alguns enterovírus causam infecções do trato respiratório superior, principalmente em crianças, com sintomas como:

    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta.

    Doenças específicas associadas

    Em uma parcela menor dos casos, podem ocorrer manifestações mais graves, como:

    • Meningite viral: cefaleia intensa, febre e rigidez de nuca;
    • Encefalite: inflamação do cérebro, com confusão mental e alterações neurológicas;
    • Miocardite e pericardite: inflamação do músculo cardíaco ou das membranas que envolvem o coração;
    • Doenças cutâneas e exantemas, incluindo a síndrome mão-pé-boca, mais comum na infância.

    Diagnóstico

    O diagnóstico das enteroviroses é baseado na avaliação clínica e no contexto epidemiológico, sendo complementado por exames laboratoriais quando necessário.

    Exames laboratoriais

    Os exames mais utilizados são:

    • PCR (reação em cadeia da polimerase) para detecção do RNA viral em fezes, líquor, sangue ou secreções respiratórias;
    • Cultura viral e sorologia, que podem ser úteis em investigações epidemiológicas ou para identificação do tipo viral, mas não são necessárias na maioria dos casos.

    A indicação dos exames depende da gravidade do quadro e da suspeita de complicações.

    Tratamento e cuidados

    Não existe tratamento antiviral específico para a maioria das enteroviroses. Por isso, o manejo é basicamente de suporte, com foco no alívio dos sintomas e na prevenção de complicações.

    As principais medidas incluem:

    • Hidratação adequada;
    • Controle da febre e da dor com analgésicos ou antipiréticos;
    • Repouso;
    • Monitoramento clínico, especialmente de sinais neurológicos ou cardíacos.

    Em casos de meningite viral ou outras complicações, pode ser necessária internação e suporte clínico avançado.

    Prevenção

    Como não há vacinas disponíveis para todos os enterovírus, com exceção da poliomielite, incluída no calendário vacinal, a prevenção baseia-se principalmente em medidas de higiene:

    • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão;
    • Garantir saneamento básico adequado;
    • Consumir água tratada;
    • Evitar contato próximo com pessoas infectadas durante surtos.

    Essas medidas reduzem de forma significativa a transmissão fecal-oral e respiratória.

    Confira: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre enteroviroses

    1. Enteroviroses são contagiosas?

    Sim. A transmissão fecal-oral e respiratória facilita a disseminação, principalmente entre crianças.

    2. Todas as enteroviroses são graves?

    Não. A maioria causa sintomas leves ou nenhum sintoma, embora possam ocorrer formas graves.

    3. Existe vacina para enteroviroses?

    A única vacina amplamente disponível é contra a poliomielite. Para os demais enterovírus, ainda não há imunização específica.

    4. Crianças adoecem mais?

    Sim. Crianças em idade pré-escolar e escolar são mais afetadas devido ao contato próximo e à imunidade ainda em desenvolvimento.

    5. Como prevenir a infecção?

    Com higiene adequada das mãos, saneamento básico e consumo de água tratada.

    6. Enteroviroses podem ser fatais?

    Casos graves são raros, mas podem ocorrer quando há acometimento do sistema nervoso central ou do coração.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Se houver sinais de meningite, dificuldade respiratória, dor no peito, confusão mental ou piora rápida do quadro.

    Veja também: Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

  • 9 dicas para trazer mais nutrientes para o seu prato

    9 dicas para trazer mais nutrientes para o seu prato

    Vegetais, fontes de proteína e gorduras boas são apenas alguns dos itens que fazem parte de um prato nutritivo, que contribui para o corpo funcionar melhor no dia a dia. E não é muito difícil montar esse tipo de refeição, sabia?

    Com escolhas simples e acessíveis, é possível deixar o prato mais completo, colorido e nutritivo, contribuindo para mais energia, saciedade e saúde a longo prazo.

    Para te ajudar, listamos 9 dicas para trazer mais nutrientes para o seu prato de forma simples! Confira!

    1. Enriqueça o feijão e as leguminosas

    Ao cozinhar feijão, lentilha ou grão-de-bico, adicione vegetais de consistência firme, como cenoura, beterraba ou abóbora. Isso eleva o teor de fibras e betacaroteno sem comprometer o paladar da preparação.

    2. Adicione frutas na salada

    Se a salada parece sem graça, você pode adicionar frutas como manga, morango, maçã ou gomos de laranja, que trazem um contraste doce e ácido. Além disso, a vitamina C das frutas cítricas ajuda o corpo a absorver melhor o ferro dos vegetais verdes-escuros.

    3. Aposte em sementes no dia a dia

    Durante as refeições, mantenha um pote com um mix de linhaça, chia, gergelim ou semente de girassol na mesa. Polvilhe uma colher de sopa sobre o arroz, a salada ou até no iogurte.

    É uma forma simples de incluir gorduras boas, como o ômega-3, além de minerais importantes para o funcionamento do corpo.

    4. Varie os refogados

    Para deixar a refeição mais nutritiva desde o começo, tente variar os temperos naturais do refogado. Além da cebola e do alho, use alho-poró, pimentão, talos de salsa ou outros legumes que tiver em casa.

    Quanto mais cores entram na panela no início do preparo, maior é a quantidade de compostos benéficos no prato final.

    5. Aproveite o alimento por inteiro

    Antes de jogar fora talos e folhas, pense em como aproveitá-los. Talos de couve, brócolis e até folhas de cenoura, por exemplo, são ricos em nutrientes e podem ser picados para refogados, arroz, recheios ou sopas, reduzindo o desperdício e aumentando o valor nutricional da refeição.

    6. Prefira molhos caseiros

    Sempre que possível, troque os molhos prontos por versões feitas em casa, como azeite de oliva, vinagre, limão ou iogurte natural. Assim, você evita o excesso de sal, conservantes e aditivos presentes nos produtos prontos.

    7. Use ervas para temperar

    Manjericão, alecrim, orégano, salsinha e outras ervas frescas ou secas deixam a comida mais saborosa. Além disso, ajudam a diminuir a quantidade de sal necessária e ainda fornecem compostos antioxidantes.

    8. Use ovos batidos em massas e recheios

    Ao preparar tortas, panquecas ou legumes assados, você pode usar ovos batidos para dar liga. Além de melhorar a textura, os ovos acrescentam proteínas de alta qualidade e colina, nutriente importante para a saúde do cérebro

    9. Monte o prato com equilíbrio

    Uma forma fácil para se orientar é preencher metade do prato com vegetais, crus ou cozidos. A outra metade você divide entre proteína e carboidrato, sempre tentando variar as cores.

    Lembre-se: evite os ultraprocessados!

    Os alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, refrigerantes, embutidos e comidas prontas congeladas costumam ter excesso de sal, açúcar, gorduras ruins e aditivos químicos. Eles passam por muitos processos industriais e acabam oferecendo poucos nutrientes de verdade para o corpo.

    Quando o consumo é frequente, aumenta o risco de ganho de peso, diabetes, hipertensão e outros problemas de saúde.

    Por isso, sempre que possível, dê preferência a alimentos naturais ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos, ovos e carnes frescas.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

    Perguntas frequentes

    1. Colocar vegetais no feijão retira os nutrientes do grão?

    Não, pelo contrário, os nutrientes dos vegetais são incorporados ao caldo, enriquecendo a preparação. O cozimento conjunto é uma estratégia eficiente para aumentar o consumo de vitaminas e minerais.

    2. Comer a casca dos alimentos é seguro?

    Sim, desde que os alimentos sejam bem higienizados. A casca concentra a maior parte das fibras e muitos nutrientes que seriam descartados. Priorize consumir com casca batatas, cenouras, maçãs e pepinos.

    3. Fruta na salada não aumenta muito o açúcar da refeição?

    A quantidade de açúcar (frutose) em uma porção pequena de fruta na salada é baixa. Além disso, as fibras dos vegetais folhosos ajudam a controlar a absorção desse açúcar, tornando a combinação saudável.

    4. As sementes (chia, linhaça) precisam ser trituradas?

    A linhaça e o gergelim aproveitam-se melhor se forem levemente triturados, facilitando a absorção dos nutrientes pelo organismo. Já a chia pode ser consumida inteira ou hidratada.

    5. Congelar os alimentos faz perder nutrientes?

    O congelamento doméstico preserva a maioria dos nutrientes. Se os vegetais forem branqueados (passados rapidamente por água fervente e depois gelada) antes de congelar, eles mantêm ainda mais as suas propriedades.

    6. O consumo de ovos aumenta o colesterol?

    Para a maioria das pessoas, o consumo moderado de ovos não eleva significativamente o colesterol sanguíneo. O ovo é uma fonte acessível de proteínas e vitaminas, como a colina. O cuidado deve estar na forma de preparo, preferindo versões cozidas, mexidas ou pochê em vez de fritas em imersão.

    7. Como manter os nutrientes dos alimentos por mais tempo na geladeira?

    Primeiro de tudo, armazene os vegetais em recipientes fechados ou em sacos próprios para alimentos, retirando o excesso de ar sempre que possível.

    Também é importante evitar lavar os vegetais antes de guardá-los, pois a umidade favorece a proliferação de fungos e acelera a deterioração. A lavagem deve ser feita apenas no momento do consumo.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

  • 13 benefícios do exercício físico para a saúde (e como começar a treinar)

    13 benefícios do exercício físico para a saúde (e como começar a treinar)

    Você já deve saber que a prática de atividades físicas é necessária em todas as fases da vida, desde a infância até a terceira idade. Mas, quando é feita de forma estruturada, como por meio de exercícios físicos, ela vai além do simples movimento do dia a dia.

    Por serem atividades planejadas e repetidas com frequência, elas promovem adaptações positivas no corpo, como aumento da força muscular, melhora do condicionamento físico e maior resistência.

    A seguir, listamos 13 benefícios do exercício físico para a saúde e dicas para você começar a treinar com segurança.

    1. Controle do peso corporal

    O exercício físico aumenta o gasto energético e ajuda a acelerar o metabolismo. Quando combinada a uma alimentação equilibrada, ela facilita a queima de gordura e a manutenção da massa magra, prevenindo a obesidade e as diversas complicações metabólicas associadas ao excesso de tecido adiposo.

    2. Melhora da saúde mental e humor

    Durante o esforço físico, o cérebro libera endorfina e dopamina, neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar e relaxamento. Ele também ajuda a diminuir o cortisol, conhecido como hormônio do estresse, que se acumula em situações de tensão.

    3. Fortalecimento do sistema imunológico

    O exercício moderado auxilia na renovação das células de defesa e melhora a circulação dos glóbulos brancos. Isso permite que o sistema imune detecte e combata patógenos mais rapidamente, tornando o organismo mais resiliente contra infecções comuns, como gripes e resfriados.

    4. Prevenção de doenças cardiovasculares

    Assim como os outros músculos do corpo, o coração se fortalece com a prática de exercício físico. A atividade regular melhora a circulação sanguínea, ajuda a controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol, além de reduzir o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo.

    5. Controle da glicemia

    A prática regular aumenta a sensibilidade à insulina, permitindo que as células utilizem melhor a glicose disponível no sangue. Para quem tem diabetes tipo 2 ou pré-diabetes, isso ajuda a manter os níveis de açúcar estáveis, reduzindo a dependência de medicamentos e prevenindo danos aos órgãos.

    6. Melhora da qualidade do sono

    Pessoas que treinam regularmente tendem a pegar no sono mais rápido e a atingir estágios mais profundos de descanso. O gasto de energia e a regulação do ritmo circadiano promovidos pela atividade ajudam a combater a insônia e garantem que o corpo realize os processos de reparação necessários durante a noite.

    7. Prevenção da osteoporose

    O exercício, especialmente os de impacto e resistência (como musculação ou caminhada), estimula a regeneração óssea.

    O estresse mecânico aplicado aos ossos durante a atividade sinaliza ao corpo para depositar mais cálcio e minerais, aumentando a densidade mineral óssea e reduzindo drasticamente o risco de fraturas e o desenvolvimento da osteoporose.

    8. Alívio de dores crônicas

    O movimento regular pode ajudar a reduzir dores crônicas, como na lombar ou articulações. Ao fortalecer a musculatura de suporte e aumentar a flexibilidade, o exercício retira a sobrecarga das articulações e melhora a lubrificação (líquido sinovial) nas juntas.

    9. Melhora da saúde digestiva

    A atividade física ajuda a estimular o peristaltismo, que são os movimentos naturais do intestino. Isso facilita a passagem dos alimentos pelo trato digestivo, combatendo a constipação (prisão de ventre) e auxiliando na manutenção de um bioma intestinal mais saudável.

    10. Aumento da capacidade cognitiva e memória

    O fluxo sanguíneo aumentado para o cérebro estimula a neuroplasticidade e a produção de proteínas que protegem os neurônios.

    De acordo com estudos, pessoas fisicamente ativas têm menor risco de declínio cognitivo e doenças degenerativas, como o Alzheimer, além de apresentarem melhor foco e clareza mental.

    11. Melhora da capacidade pulmonar

    Durante o esforço, os pulmões trabalham mais para oxigenar o sangue, o que fortalece os músculos envolvidos na respiração (como o diafragma). Com o tempo, o sistema respiratório se torna mais eficiente, permitindo que você respire com menos esforço durante atividades intensas e até em repouso.

    12. Melhora da autonomia e independência

    O exercício fortalece os músculos e melhora a coordenação motora, o que permite que indivíduos realizem tarefas do cotidiano — como subir escadas, carregar compras ou levantar-se de uma cadeira, sem ajuda externa, preservando a dignidade e a liberdade por muito mais tempo.

    13. Aumento da longevidade

    Ser uma pessoa ativa reduz o risco de mortalidade por todas as causas, garantindo não apenas que você viva por mais tempo, mas que esses anos sejam vividos com qualidade, energia e vitalidade.

    Como começar a treinar?

    Se você é iniciante e está pensando em começar uma rotina de treinos, o ideal é dar os primeiros passos com calma. Veja algumas dicas:

    • Comece devagar, respeitando os limites do corpo e aumentando a intensidade aos poucos;
    • Defina dias e horários fixos para criar uma rotina mais fácil de manter;
    • Use roupas e calçados adequados para evitar desconfortos e lesões;
    • Mantenha o corpo hidratado antes, durante e após o treino;
    • Respeite os intervalos de descanso entre os exercícios;
    • Faça alongamentos leves, principalmente após a atividade;
    • Mantenha atenção à postura para evitar sobrecarga e lesões;
    • Se possível, busque orientação de um profissional de educação física;
    • Em caso de problemas de saúde, converse com um médico antes de iniciar os exercícios.

    O mais importante no início é executar os movimentos corretamente e manter regularidade, sem ter pressa para ver resultados.

    Veja também: Micro-hábitos diários: por que eles têm tanto impacto na saúde a longo prazo?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo de atividade física devo fazer por semana?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, para adultos, pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada (como caminhada rápida) ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa por semana. Também é importante incluir dois dias de fortalecimento muscular.

    2. Qual o melhor horário para treinar: manhã, tarde ou noite?

    O melhor horário é aquele em que você consegue ser consistente. Treinar de manhã pode acelerar o metabolismo e garantir que a tarefa seja cumprida logo cedo; treinar à noite pode ajudar a desestressar, mas para algumas pessoas, pode interferir no sono se for muito intenso e próximo à hora de dormir.

    3. Posso treinar todos os dias?

    Sim, desde que você alterne a intensidade e os grupos musculares. O corpo precisa de descanso para recuperar as fibras musculares e evitar o overtraining. Se treinou as pernas intensamente hoje, amanhã foque em braços ou faça uma caminhada leve (descanso ativo).

    4. É necessário tomar suplementos para ter resultado?

    Não, a maioria das pessoas consegue todos os nutrientes necessários através de uma alimentação equilibrada. Suplementos como Whey Protein ou Creatina são apenas para facilitar e devem ser usados preferencialmente sob orientação de um nutricionista.

    5. Posso treinar em jejum?

    Isso depende da sua adaptação e da intensidade do treino. Os treinos leves podem ser feitos em jejum por algumas pessoas, mas atividades intensas podem causar tontura e queda de rendimento. O ideal é testar como o corpo reage ou consultar um especialista.

    6. Estou acima do peso, posso começar correndo?

    O ideal para quem está muito acima do peso é começar com atividades de baixo impacto, como caminhada, natação ou bicicleta, para proteger as articulações (joelhos e tornozelos) até que o corpo esteja mais fortalecido.

    7. Alongar antes ou depois do treino?

    O alongamento estático (parado) é mais indicado após o treino para relaxar a musculatura. Antes do treino, prefira o aquecimento dinâmico (movimentos circulares, polichinelos leves), que prepara as articulações e aumenta a temperatura corporal.

    Leia mais: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

  • PrEP e PEP: o que são e como ajudam a prevenir o HIV 

    PrEP e PEP: o que são e como ajudam a prevenir o HIV 

    A prevenção do HIV evoluiu muito nas últimas décadas. Além do uso de preservativos e da testagem regular, hoje existem estratégias eficazes baseadas em medicamentos que ajudam a reduzir significativamente o risco de infecção em situações específicas. É nesse contexto que entram a PrEP e a PEP.

    Apesar de serem termos cada vez mais citados em campanhas de saúde, ainda existe confusão sobre o que cada um significa, quando usar e para quem são indicados. Entender essas diferenças é essencial para fazer escolhas informadas e buscar ajuda no momento certo.

    O que são PrEP e PEP

    PrEP e PEP são estratégias de profilaxia, ou seja, de prevenção do HIV por meio do uso de medicamentos antirretrovirais. Elas não substituem outras medidas preventivas, mas ampliam a proteção quando usadas corretamente.

    • PrEP é usada antes de uma possível exposição ao HIV;
    • PEP é usada depois de uma situação de risco.

    Cada uma tem indicações, prazos e formas de uso diferentes.

    O que é PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)

    A PrEP consiste no uso regular de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm HIV, mas que apresentam risco aumentado de exposição ao vírus.

    Como a PrEP funciona

    Quando tomada corretamente, a PrEP mantém níveis do medicamento no organismo capazes de impedir que o HIV se estabeleça, mesmo que haja contato com o vírus.

    Ela não age como uma vacina, mas como uma proteção contínua enquanto o medicamento está sendo usado de forma adequada.

    Para quem a PrEP é indicada

    A PrEP é indicada para pessoas que não vivem com HIV e que podem se expor ao vírus de forma recorrente, como:

    • Pessoas com parceiros(as) vivendo com HIV;
    • Histórico de episódios de infecções sexualmente transmissíveis;
    • Pessoas que não usam preservativo de forma consistente;
    • Homens que fazem sexo com homens;
    • Pessoas trans;
    • Contexto de relações sexuais em troca de valores financeiros, objetos, drogas, moradia ou outros benefícios;
    • Pessoas que usam drogas injetáveis.

    A indicação é sempre feita após avaliação em serviço de saúde.

    Como é o uso da PrEP

    • Uso contínuo, geralmente diário;
    • Acompanhamento regular com testes de HIV e outras ISTs;
    • Monitoramento clínico e laboratorial periódico.

    É importante lembrar que a PrEP não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, nem contra gravidez.

    O que é PEP (Profilaxia Pós-Exposição)

    A PEP é uma medida de emergência, usada após uma situação de risco para infecção pelo HIV.

    Quando a PEP é indicada

    A PEP pode ser indicada após situações como:

    • Relação sexual sem preservativo;
    • Rompimento do preservativo;
    • Violência sexual;
    • Acidente com material biológico (agulhas, perfurocortantes);
    • Compartilhamento de seringas.

    Prazo é fundamental

    A PEP só funciona se iniciada rapidamente:

    • Idealmente nas primeiras horas;
    • No máximo até 72 horas após a exposição.

    Quanto mais cedo, maior a eficácia.

    Como funciona o tratamento com PEP

    • Uso de antirretrovirais por 28 dias consecutivos;
    • Acompanhamento médico durante e após o uso;
    • Realização de testes para HIV e outras ISTs.

    A PEP não garante 100% de proteção, mas reduz significativamente o risco quando usada corretamente.

    Diferença entre PrEP e PEP

    Característica PrEP PEP
    Quando usar Antes da exposição Depois da exposição
    Objetivo Prevenção contínua Prevenção de emergência
    Duração Uso regular enquanto houver risco 28 dias
    Prazo para iniciar Planejado Até 72 horas após o risco
    Acompanhamento Contínuo Temporário

    PrEP e PEP substituem o preservativo?

    Não. Embora sejam estratégias altamente eficazes contra o HIV, preservativos continuam sendo fundamentais, pois:

    • Protegem contra outras ISTs;
    • Evitam gravidez;
    • Reduzem a exposição a múltiplos agentes infecciosos.

    A combinação de métodos é o que oferece maior proteção.

    Onde buscar PrEP e PEP

    No Brasil, PrEP e PEP são oferecidas gratuitamente pelo SUS, em serviços de saúde habilitados, como:

    • Unidades básicas de saúde;
    • Serviços especializados em IST/HIV;
    • Hospitais de referência.

    A orientação é sempre procurar atendimento médico para avaliação individual.

    Leia mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre PrEP e PEP

    1. PrEP é a mesma coisa que tratamento do HIV?

    Não. A PrEP é usada por pessoas sem HIV para prevenir a infecção.

    2. Posso usar PEP mais de uma vez?

    Pode, mas o uso repetido indica necessidade de avaliação para PrEP ou outras estratégias preventivas.

    3. PrEP protege contra todas as ISTs?

    Não. Ela protege apenas contra o HIV.

    4. Se eu esquecer doses da PrEP, ela perde o efeito?

    A eficácia depende da adesão. Esquecimentos frequentes reduzem a proteção.

    5. A PEP causa muitos efeitos colaterais?

    A maioria das pessoas tolera bem, mas podem ocorrer náuseas, mal-estar ou fadiga, geralmente leves e transitórios.

    6. Preciso fazer teste de HIV para usar PrEP ou PEP?

    Sim. A testagem faz parte do protocolo antes, durante e após o uso.

    7. Quem usa PrEP precisa continuar fazendo exames?

    Sim. O acompanhamento regular é essencial para segurança e eficácia.

    Veja mais: HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje

  • HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje 

    HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje 

    Já faz um tempo que o HIV deixou de ser uma sentença inevitável para se tornar uma condição tratável, desde que seja identificada a tempo e acompanhada com regularidade. Ainda assim, o vírus continua circulando, e muita gente só descobre a infecção depois de meses (ou anos), quando o sistema imunológico já está mais vulnerável.

    A boa notícia é que hoje existem estratégias bem definidas para diagnóstico, início rápido do tratamento e prevenção. Em outras palavras: quanto mais cedo a pessoa sabe, mais cedo ela se protege e protege os outros.

    O que é HIV

    HIV é a sigla para vírus da imunodeficiência humana. Ele ataca principalmente células de defesa (como os linfócitos CD4), enfraquecendo o sistema imunológico ao longo do tempo se não houver tratamento.

    HIV e Aids são a mesma coisa?

    Não. HIV é o vírus. Aids é uma fase mais avançada da infecção, em que a imunidade fica muito comprometida e aumentam as chances de infecções oportunistas e algumas doenças associadas. Nem toda pessoa com HIV desenvolve Aids, especialmente quando trata a doença corretamente.

    Como o HIV é transmitido

    A transmissão acontece quando há contato com fluidos corporais capazes de carregar o vírus, principalmente:

    • Relação sexual sem proteção (vaginal e anal; o risco varia conforme práticas e presença de outras ISTs).
    • Sangue (compartilhamento de agulhas/seringas ou materiais perfurocortantes; exposição ocupacional).
    • Da gestação, parto ou amamentação para o bebê, quando a gestante não sabe que é portadora do vírus e/ou não está em tratamento.

    O que NÃO transmite HIV

    No dia a dia, o HIV não é transmitido por:

    • Beijo, abraço ou aperto de mão;
    • Uso de copos, talheres ou banheiro;
    • Suor, lágrima ou picada de mosquito.

    Sintomas do HIV

    Os sintomas podem variar muito. Há pessoas que passam um longo período sem notar nada, e isso é um dos motivos pelos quais testar periodicamente é tão importante.

    HIV na fase aguda (primeiras semanas após a infecção)

    Nas primeiras semanas após a infecção, algumas pessoas apresentam uma “síndrome gripal” mais intensa, com sintomas como:

    • Febre, dor no corpo e dor de garganta;
    • Ínguas (linfonodos aumentados);
    • Manchas na pele;
    • Mal-estar importante.

    Esses sinais não confirmam HIV sozinhos, mas, se houve comportamento de risco nas semanas anteriores, são um alerta para buscar testagem e avaliação.

    Fase crônica sem tratamento

    Sem tratamento, a pessoa pode ficar assintomática por um período prolongado, mas o vírus segue ativo, reduzindo gradualmente a imunidade.

    Aids (fase avançada)

    Quando a imunidade cai muito, podem surgir infecções e condições mais graves. Essa fase exige avaliação médica imediata e tratamento estruturado.

    Diagnóstico: como confirmar HIV

    O diagnóstico é feito por testes específicos, disponíveis gratuitamente na rede de saúde. Em geral, a confirmação segue fluxos definidos, com teste inicial e confirmação conforme o protocolo local.

    Por que o diagnóstico precoce muda tudo?

    Porque permite:

    • Iniciar o tratamento cedo;
    • Reduzir o risco de complicações;
    • Diminuir a transmissão, ao controlar a carga viral.

    Tratamento do HIV atualmente

    O tratamento é feito com terapia antirretroviral (TARV), que controla a replicação do vírus. A orientação atual é iniciar o tratamento o quanto antes, pois isso traz benefício individual e coletivo.

    Como funciona na prática

    De forma geral, o cuidado envolve:

    • Escolha de um esquema de antirretrovirais adequado;
    • Acompanhamento da carga viral e, quando indicado, de marcadores como CD4;
    • Manejo de efeitos adversos e comorbidades;
    • Manutenção da adesão ao tratamento.

    No Brasil, os protocolos reforçam o início rápido da TARV, inclusive com estratégias de início no mesmo dia quando indicado, e o monitoramento até alcançar supressão viral.

    Carga viral indetectável: o que significa

    Quando o tratamento funciona bem e a pessoa mantém boa adesão, é possível atingir carga viral indetectável. Isso está associado a:

    • Melhor proteção do sistema imunológico;
    • Menor risco de evolução para Aids;
    • Redução muito importante do risco de transmissão sexual quando a carga viral permanece suprimida, conforme evidências consolidadas.

    E se a pessoa parar o tratamento?

    Interromper ou usar a medicação de forma irregular pode levar a:

    • Retorno da multiplicação do vírus;
    • Queda da imunidade;
    • Maior risco de adoecimento;
    • Seleção de vírus resistentes aos medicamentos.

    Prevenção: como reduzir o risco

    Mesmo com tratamento eficaz, a prevenção continua sendo parte essencial do cuidado em saúde pública e individual.

    PrEP (profilaxia pré-exposição)

    A PrEP é uma estratégia preventiva para pessoas com maior risco de exposição ao HIV, com protocolo próprio de acompanhamento e testagem.

    PEP (profilaxia pós-exposição)

    A PEP é uma medida de urgência após uma situação de risco, como relação sexual desprotegida, violência sexual ou acidente com material biológico. É fundamental procurar atendimento imediatamente, pois existe uma janela de tempo para início conforme os protocolos.

    Confira: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre HIV

    1. HIV e Aids são a mesma coisa?

    Não. HIV é o vírus; Aids é uma fase mais avançada da infecção, quando a imunidade fica muito comprometida.

    2. Dá para ter HIV e não sentir nada?

    Sim. Muitas pessoas ficam assintomáticas por um período, por isso a testagem é tão importante.

    3. Quais são os sintomas do HIV no começo?

    Pode parecer uma virose forte, com febre, mal-estar, dor no corpo, dor de garganta, ínguas e manchas na pele em algumas pessoas.

    4. HIV pega por beijo, abraço ou talheres?

    Não. O HIV não é transmitido por contato social do dia a dia.

    5. O tratamento do HIV é para a vida toda?

    Em geral, sim. A TARV controla o vírus e protege a imunidade, mas exige uso regular e acompanhamento.

    6. O que é “carga viral indetectável”?

    É quando o tratamento reduz o HIV no sangue a níveis tão baixos que os exames não detectam; isso está associado a melhor prognóstico e redução importante do risco de transmissão com carga viral suprimida.

    7. O que fazer após uma situação de risco para HIV?

    Procurar atendimento imediatamente para avaliação e, quando indicado, iniciar PEP dentro da janela recomendada pelos protocolos.

    Veja também: Pouca dor, muito risco: o perigo da hepatite C

  • Roséola: entenda doença que causa febre e manchas no corpo do bebê 

    Roséola: entenda doença que causa febre e manchas no corpo do bebê 

    A roséola, também chamada de exantema súbito, é uma infecção viral comum na infância, causada principalmente pelos vírus Herpesvírus humano tipo 6 (HHV-6) e Herpesvírus humano tipo 7 (HHV-7). Ela acomete sobretudo bebês entre 6 meses e 1 ano de idade, sendo que cerca de 90% dos casos ocorrem antes dos 2 anos.

    Na maioria das vezes, trata-se de uma doença benigna e autolimitada, com um padrão clínico bastante característico: primeiro surge febre alta por alguns dias e, após a queda abrupta da febre, aparecem manchas avermelhadas na pele. Esse comportamento ajuda a diferenciar a roséola de outras doenças exantemáticas da infância.

    O que é roséola

    A roséola é uma infecção viral típica da primeira infância. Após a exposição ao vírus, ocorre multiplicação inicial nas glândulas salivares, seguida da disseminação pelo organismo.

    O período de incubação costuma ser de aproximadamente 9 a 10 dias até o início dos sintomas. A maioria das crianças desenvolve imunidade duradoura após a infecção.

    Como acontece a transmissão

    A transmissão ocorre de forma simples e cotidiana, principalmente em ambientes com contato próximo entre crianças e adultos.

    As principais formas de transmissão são:

    • Contato com saliva;
    • Aerossóis respiratórios;
    • Compartilhamento de objetos levados à boca.

    Mesmo em famílias com bons hábitos de higiene, a roséola pode ocorrer, pois é uma infecção extremamente comum na infância.

    Sintomas da roséola

    A roséola apresenta um curso clínico clássico, dividido em duas fases bem definidas.

    Fase febril (primeira fase)

    A doença geralmente começa com febre alta, que dura de 3 a 5 dias e pode ultrapassar 40 °C em alguns casos.

    Durante essa fase, a criança pode apresentar:

    • Irritabilidade;
    • Mal-estar;
    • Conjuntivite;
    • Otite;
    • Corrimento nasal;
    • Tosse;
    • Diarreia e vômitos;
    • Aumento de linfonodos, principalmente no pescoço.

    Em muitos bebês, a febre alta é o principal — e às vezes o único — sinal inicial da doença.

    Defervescência e aparecimento do rash (segunda fase)

    Após alguns dias, ocorre a defervescência, ou seja, a febre desaparece de forma súbita. Logo em seguida, surge o rash cutâneo, característico da roséola.

    Esse rash é composto por:

    • Manchas avermelhadas;
    • Início no tronco e no pescoço;
    • Progressão para face e extremidades.

    As manchas costumam durar 1 a 2 dias, podendo desaparecer em poucas horas. Geralmente não causam coceira e não deixam marcas na pele.

    A roséola é perigosa?

    Na grande maioria dos casos, a roséola evolui de forma benigna e se resolve espontaneamente, sem deixar sequelas.

    No entanto, algumas complicações podem ocorrer, principalmente associadas à febre alta ou ao envolvimento neurológico, como:

    • Convulsões febris (a complicação mais comum);
    • Meningite;
    • Encefalite;
    • Púrpura trombocitopênica (rara).

    Essas situações são incomuns, mas exigem avaliação médica imediata.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da roséola é clínico, baseado na combinação de:

    • Idade da criança;
    • História de febre alta prolongada;
    • Desaparecimento súbito da febre;
    • Aparecimento do rash típico.

    Quando pedir exames?

    Na maioria dos casos, não são necessários exames laboratoriais ou de imagem. Eles são reservados para:

    • Quadros atípicos;
    • Suspeita de complicações;
    • Dúvidas no diagnóstico diferencial com outras doenças exantemáticas.

    Tratamento

    Não existe tratamento específico para a roséola, pois a doença é autolimitada.

    As medidas recomendadas são de suporte, como:

    • Controle da febre com antitérmicos;
    • Hidratação adequada;
    • Repouso.

    Antibióticos não têm indicação, já que se trata de uma infecção viral.

    Prevenção

    Não há vacina específica contra a roséola. A prevenção baseia-se em medidas gerais de higiene, como:

    • Lavar as mãos com água e sabão;
    • Evitar compartilhar objetos pessoais;
    • Manter brinquedos e utensílios limpos.

    Mesmo com essas medidas, a infecção é muito comum na infância e, na maioria das vezes, faz parte do amadurecimento do sistema imunológico.

    Confira: Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato

    Perguntas frequentes sobre roséola

    1. Roséola é a mesma coisa que sarampo ou rubéola?

    Não. Apesar das manchas na pele, são doenças diferentes, com causas e evolução distintas.

    2. Toda febre alta em bebê é roséola?

    Não. A roséola é comum, mas outras infecções também podem causar febre alta.

    3. O rash da roséola causa coceira?

    Geralmente não provoca coceira nem desconforto.

    4. A criança pode ter convulsão?

    Pode, principalmente convulsão febril associada à febre alta.

    5. É necessário afastar a criança da creche?

    Durante a fase febril, sim. Após melhora clínica, a criança pode retornar.

    6. A roséola deixa sequelas?

    Não. Na maioria dos casos, a recuperação é completa.

    7. Adultos podem ter roséola?

    É raro, pois a maioria das pessoas já teve contato com o vírus na infância.

    Veja mais: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância