Autor: Dra. Juliana Soares

  • 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    No Brasil, a incidência de infarto entre pessoas mais jovens tem aumentado. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos quase vinte anos, as internações por infarto em pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram — o que acende um alerta para a saúde cardiovascular nessa faixa etária.

    Para se ter uma ideia, entre pessoas de 35 a 39 anos, as internações subiram 93,5%, passando de 9,3 casos por 100 mil habitantes para cerca de 18. Já entre jovens de 25 a 29 anos, os registros mais que triplicaram, saindo de 1,43 caso por 100 mil habitantes para quase 5 casos por 100 mil.

    O aumento é consequência de uma combinação de fatores que envolvem mudanças no estilo de vida, maior exposição ao estresse e crescimento de condições metabólicas em idades cada vez mais precoces.

    O que pode causar infarto em jovens?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, existem causas bem estabelecidas ligadas ao estilo de vida e a fatores genéticos que ajudam a explicar o aumento dos casos de infarto em jovens.

    1. Obesidade infantil e excesso de peso precoce

    O excesso de peso desde a infância favorece a inflamação crônica, resistência à insulina, alterações do colesterol e aumento da pressão arterial. Isso acelera a formação de placas de gordura nas artérias, processo chamado aterosclerose, que hoje já aparece em adultos jovens.

    2. Sedentarismo e baixa atividade física

    Uma rotina marcada por muitas horas sentado, pouco exercício físico e ausência de movimento regular prejudica o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos. A prática de atividade física ajuda a controlar peso, glicemia, colesterol e pressão arterial — além de reduzir a inflamação no organismo, melhorar a circulação sanguínea e favorecer o equilíbrio hormonal.

    Mesmo exercícios moderados, como caminhadas, bicicleta ou atividades funcionais algumas vezes na semana, já trazem diversos benefícios para a saúde.

    3. Diabetes tipo 2 em idade precoce

    O diagnóstico de diabetes tipo 2 em idades precoces é um fator determinante para o comprometimento da saúde do coração. A glicose elevada provoca danos progressivos nos vasos sanguíneos, favorece a inflamação e acelera a aterosclerose. Sem diagnóstico e controle adequados, o risco de eventos cardíacos pode surgir décadas antes do esperado.

    4. Estresse crônico e rotina intensa

    O estresse constante influencia a pressão arterial, o sono, a alimentação e o equilíbrio do organismo. A liberação contínua de hormônios ligados ao estresse pode aumentar a inflamação e afetar a saúde cardiovascular. Com o tempo, o coração também sente os efeitos da sobrecarga.

    5. Consumo frequente de alimentos ultraprocessados

    Os alimentos ultraprocessados, como fast food, salgadinhos, refrigerantes e produtos industrializados, costumam conter altos níveis de açúcar, gordura e sódio. O consumo frequente pode favorecer o ganho de peso, o aumento do colesterol e o desenvolvimento da diabetes — além de contribuir para inflamação vascular e formação precoce de placas de gordura nas artérias, segundo Juliana.

    6. Predisposição genética

    De acordo com Juliana, a genética é um fator determinante para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares na juventude.

    O colesterol alto, ou hipercolesterolemia familiar, impede a remoção adequada do LDL (colesterol ruim), mantendo níveis elevados desde a infância. Jovens com a condição podem desenvolver aterosclerose acelerada e apresentar infarto antes dos 30 anos quando não há diagnóstico precoce. O histórico familiar de infarto precoce também exige maior atenção preventiva.

    7. Tabagismo e o cigarro eletrônico

    O cigarro tradicional e o eletrônico podem causar inflamação nos vasos sanguíneos e favorecer a formação de placas de gordura e coágulos. Mesmo em pessoas jovens, o tabagismo aumenta o risco de infarto e outras doenças do coração.

    8. Uso de drogas ilícitas

    De acordo com Juliana, algumas drogas, como a cocaína, podem provocar a contração das artérias do coração, elevar a pressão e causar infarto até em pessoas sem histórico cardíaco. O risco pode surgir de forma inesperada e grave.

    9. Uso de anabolizantes sem orientação médica

    Os anabolizantes podem causar o aumento do músculo cardíaco, alterar o colesterol e favorecer a formação de coágulos. Isso aumenta o risco de problemas cardíacos, inclusive o infarto em pessoas jovens.

    10. Consumo excessivo de bebidas energéticas

    As bebidas energéticas contêm grandes quantidades de cafeína e outras substâncias estimulantes, como taurina e guaraná. O consumo em excesso pode aumentar a pressão arterial, provocar arritmias e funcionar como gatilho para problemas cardíacos, principalmente quando já existe predisposição.

    11. Doenças inflamatórias e autoimunes

    As doenças inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, mantêm o organismo em um estado constante de inflamação. Além de afetar as articulações ou outros órgãos, ela também pode atingir as artérias, favorecendo o desgaste da parede dos vasos e o acúmulo de gordura.

    Com o tempo, isso acelera a formação de placas e aumenta o risco de eventos cardiovasculares, como infarto ou AVC, principalmente quando não há controle adequado da doença.

    Vacinas não tem relação com aumento de casos de infarto

    Não existe uma relação de causa e efeito entre as vacinas e o aumento nos casos de infartos. Na verdade, é possível observar o oposto: o próprio vírus da COVID-19, por exemplo, é conhecido por causar inflamações severas no sistema cardiovascular, aumentando significativamente o risco de trombose e problemas cardíacos em pessoas com o vírus.

    A imunização protege contra complicações graves da doença, reduz a intensidade da resposta inflamatória causada pelo vírus e, consequentemente, diminui o risco de eventos cardiovasculares associados à infecção.

    Quando a infecção ocorre sem proteção, a inflamação sistêmica pode favorecer a formação de coágulos, elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração. Assim, a vacina continua sendo uma das principais medidas para a proteção da saúde, inclusive do coração.

    Sinais de infarto para ficar atento

    Os sinais de infarto em jovens podem ser sutis ou até confundidos com ansiedade, dores musculares ou problemas digestivos. Mesmo assim, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando surgem de forma inesperada ou persistem:

    • Sensação de aperto, peso ou queimação que pode aparecer em repouso ou durante esforço;
    • Dificuldade para respirar sem motivo claro ou após atividades leves;
    • Desconforto que pode atingir braço, costas, pescoço, mandíbula ou região do estômago;
    • Sensação de coração acelerado, irregular ou batendo mais forte que o habitual;
    • Episódios de fraqueza, sensação de desmaio ou perda momentânea da consciência;
    • Mal-estar geral acompanhado de sudorese, enjoo ou sensação estranha no corpo;
    • Cansaço intenso e frequente, em explicação aparente, especialmente quando associada a outros sintomas.

    Na presença de qualquer sinal suspeito, procure atendimento médico imediatamente.

    Quando procurar avaliação cardiológica?

    É recomendável buscar avaliação se existe histórico familiar de infarto precoce, colesterol alto, pressão elevada, diabetes ou doenças cardíacas. Pessoas que fumam, utilizam anabolizantes, consomem energéticos com frequência ou levam uma rotina muito estressante podem se beneficiar do acompanhamento preventivo.

    Pessoas que pretendem iniciar uma rotina de atividades físicas ou desejam fazer um check-up cardiovascular também podem procurar o cardiologista.

    Vale ressaltar que a avaliação cardiológica não deve acontecer apenas quando surgem sintomas intensos. O acompanhamento preventivo ajuda a identificar fatores de risco precocemente e evita complicações no futuro — ainda mais em jovens com condições que aumentam o risco cardiovascular.

    Como reduzir o risco de infarto ainda jovem?

    A prevenção de infarto e outros problemas do coração envolve uma série de mudanças na rotina, que podem melhorar a qualidade de vida ao longo do tempo:

    • Manter uma alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras, reduzindo alimentos ultraprocessados, excesso de sal, açúcar e gordura;
    • Praticar atividade física regularmente: caminhar, pedalar, nadar ou fazer exercícios de força ajuda a controlar peso, pressão, colesterol e glicose;
    • Evitar o tabagismo: cigarro tradicional ou eletrônico aumenta o risco cardiovascular mesmo em pessoas jovens;
    • Controlar o estresse: descanso adequado, lazer, sono de qualidade e técnicas de relaxamento ajudam a reduzir o impacto do estresse no coração;
    • Acompanhar o peso corporal: manter o peso saudável diminui o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto;
    • Monitorar pressão, colesterol e glicemia: exames periódicos ajudam a identificar alterações precocemente;
    • Evitar o uso de anabolizantes e drogas: essas substâncias podem provocar alterações cardíacas importantes;
    • Consumir álcool com moderação: o excesso pode elevar pressão arterial e prejudicar o coração;
    • Dormir bem: noites mal dormidas aumentam inflamação, estresse e risco cardiovascular;
    • Realizar acompanhamento médico regular: check-ups ajudam a prevenir, diagnosticar e tratar fatores de risco antes que evoluam.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Por que o infarto em jovens é considerado mais perigoso?

    Muitas vezes é mais fatal porque o jovem ainda não desenvolveu a chamada circulação colateral — pequenos vasos que o corpo cria ao longo de décadas para compensar artérias parcialmente obstruídas. Quando ocorre o entupimento súbito, o dano ao músculo cardíaco é imediato e extenso.

    2. O estresse do trabalho pode causar infarto em quem é saudável?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina, o que aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Em pessoas com predisposição ou pequenas placas de gordura ignoradas, o estresse pode ser o gatilho para a ruptura das placas.

    3. Como diferenciar um ataque de ansiedade de um infarto?

    No infarto, a dor costuma ser uma pressão que não muda com a respiração. Na ansiedade, é comum a sensação de formigamento nas mãos e lábios. Na dúvida, é importante procurar um pronto-socorro. O eletrocardiograma é o único exame que dá a certeza.

    4. O uso de anticoncepcionais aumenta o risco cardíaco?

    Em mulheres jovens que fumam, a combinação de anticoncepcional e tabagismo aumenta significativamente o risco de trombose e infarto, devido à alteração na coagulação sanguínea.

    5. É possível ter um “infarto silencioso”?

    Sim. No infarto silencioso, o paciente não sente a dor clássica, apenas um mal-estar vago ou cansaço súbito. Muitas vezes o jovem só descobre que enfartou semanas depois, ao fazer um eletrocardiograma de rotina que mostra a cicatriz no músculo.

    6. O que é a “síndrome do coração partido”? Ela atinge jovens?

    Chamada de Cardiomiopatia de Takotsubo, a condição é um enfraquecimento súbito do músculo cardíaco causado por um estresse emocional extremo (término de namoro, luto, perda de emprego). Os sintomas imitam um infarto e podem ocorrer em jovens, especialmente mulheres.

    7. O uso crônico de anti-inflamatórios aumenta o risco?

    O uso frequente e sem controle médico de alguns anti-inflamatórios não esteroides (como ibuprofeno ou diclofenaco) pode elevar a pressão arterial e aumentar levemente o risco de eventos trombóticos em pessoas predispostas.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    Conhecido como colesterol bom, o HDL é uma lipoproteína de alta densidade que atua diretamente na proteção do coração e dos vasos sanguíneos.

    Diferente do colesterol ruim, que tende a se acumular nas artérias, o HDL atua na remoção do excesso de gordura da circulação, ajudando a manter o equilíbrio do colesterol no organismo.

    Quando os níveis de HDL estão baixos ou sua função está comprometida, o risco cardiovascular aumenta, mesmo que outros exames pareçam controlados. Mas como é possível aumentá-los? Vamos entender mais, a seguir.

    Qual o papel do colesterol HDL no coração?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, a principal função do HDL é realizar a limpeza do sistema circulatório.

    O HDL remove o excesso de colesterol ruim (LDL) das artérias e transporta a gordura de volta para o fígado. No fígado, o colesterol pode ser eliminado ou reaproveitado pelo organismo, o que é chamado de transporte reverso de colesterol.

    Além disso, o HDL apresenta propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antitrombóticas, que contribuem para a preservação da saúde da camada interna dos vasos sanguíneos, reduzindo o risco de inflamação e da formação de placas de gordura nas artérias.

    Quais hábitos podem ajudar a aumentar o colesterol bom?

    Mesmo mudanças simples na rotina ajudam o colesterol HDL a desempenhar melhor o papel de proteção cardiovascular, como:

    Alimentação saudável

    Uma alimentação balanceada, com redução de carboidratos refinados, açúcares e gorduras hidrogenadas, como as gorduras trans, contribui para um perfil lipídico mais saudável e favorece o funcionamento adequado do HDL.

    O ideal é priorizar alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras.

    Consumo de gorduras boas

    O aumento da ingestão de gorduras de boa qualidade auxilia na composição da lipoproteína e reforça a capacidade de remoção do colesterol ruim da circulação.

    O recomendado é incluir na rotina fontes de ômega 3, como peixes de águas frias, sementes de linhaça e chia, além do uso regular de azeite de oliva extra-virgem.

    As oleaginosas, como castanhas e nozes, também contribuem para a elevação do HDL e para a melhora da função cardiovascular, desde que consumidas com moderação, devido ao alto valor calórico.

    Prática regular de atividade física

    A atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos, é uma das melhores medidas para elevar o HDL. Além de aumentar os níveis, o exercício melhora a eficiência funcional do colesterol bom, potencializando a proteção das artérias.

    A Organização Mundial da Saúde recomenda a prática de, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade mais elevada.

    Perda de peso e redução da gordura abdominal

    Em situações de sobrepeso ou obesidade, a perda de peso contribui de maneira significativa para a melhora do perfil lipídico.

    A redução da gordura abdominal está associada ao aumento do HDL e à diminuição do colesterol ruim, reforçando a importância do controle do peso por meio de alimentação adequada e atividade física regular.

    Parar de fumar

    O tabagismo reduz os níveis de HDL e compromete a função da lipoproteína. Além de diminuir o colesterol bom, fumar favorece processos inflamatórios e altera a formação de placas de gordura nas artérias.

    Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para a melhora do HDL e para a proteção da saúde cardiovascular.

    O uso de remédios consegue aumentar o colesterol HDL?

    Alguns medicamentos, como a niacina e os fibratos, conseguem aumentar um pouco os níveis de colesterol bom. No entanto, pesquisas mostram que o aumento nem sempre significa mais proteção para o coração.

    Segundo Juliana, o HDL elevado por medicação não reduz o risco de infarto na mesma proporção que o HDL aumentado naturalmente por mudanças no estilo de vida, especialmente com exercício físico regular.

    O foco do tratamento medicamentoso do colesterol continua sendo a redução do LDL, principalmente com o uso de estatinas, sempre com orientação médica.

    Consumo de álcool ainda é indicado para elevar o HDL?

    Não existe recomendação médica para o consumo de álcool com o objetivo de aumentar o HDL, de acordo com Juliana. Na verdade, os riscos associados ao uso de álcool, como doenças hepáticas, câncer e dependência, superam qualquer possível benefício para o coração.

    Hoje, a melhor forma de proteger o coração é através de uma alimentação saudável, atividades físicas regulares e hábitos saudáveis de vida.

    HDL alto nem sempre significa proteção cardiovascular

    Níveis muito altos de colesterol bom nem sempre garantem proteção cardiovascular e, em situações extremas, podem até ser prejudiciais.

    Em algumas pessoas, especialmente na presença de fatores genéticos ou de doenças inflamatórias crônicas, o HDL pode estar alto no exame, mas não funcionar de forma adequada. Nesses casos, ocorre o chamado HDL disfuncional, que perde a capacidade de remover o colesterol ruim das artérias.

    Com isso, mesmo com números altos no exame, a proteção cardiovascular pode ser menor do que o esperado.

    Quais os valores de referência para o colesterol bom?

    Os valores de referência para o colesterol bom são:

    • HDL acima de 40 mg/dL para homens;
    • HDL acima de 50 mg/dL para mulheres.

    Vale lembrar que o resultado do HDL deve ser analisado por um médico junto com outros exames, como LDL, triglicerídeos e colesterol total, além de fatores como alimentação, atividade física, peso corporal e hábito de fumar.

    Quando analisado sozinho, ele não é capaz de indicar o risco cardiovascular.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. O que significa a sigla HDL?

    A sigla HDL significa High-Density Lipoprotein (Lipoproteína de Alta Densidade). Ela é chamada de “colesterol bom” porque sua principal função é o transporte reverso: recolher o excesso de gordura das artérias e levá-lo ao fígado para ser eliminado.

    2. O que causa o HDL baixo?

    Os principais fatores responsáveis pelo HDL baixo são o sedentarismo, o tabagismo, o excesso de peso, o consumo excessivo de carboidratos refinados e fatores genéticos.

    3. O HDL baixo em mulheres após a menopausa é comum?

    Sim, pois o estrogênio ajuda a manter os níveis de HDL. Com a queda da hormônio na menopausa, o HDL tende a diminuir e o LDL a subir, o que explica o aumento do risco cardíaco feminino nessa fase da vida.

    4. Qual o exame que mede o HDL?

    É o lipidograma completo, feito através de um exame de sangue comum. Atualmente, o jejum prolongado nem sempre é obrigatório, mas deve-se seguir a recomendação do laboratório e do médico.

    5. O consumo de fibras solúveis ajuda o HDL?

    De forma indireta, sim. As fibras solúveis (como as da aveia e do psyllium) ajudam a reduzir o LDL e os triglicérides. Ao baixar os triglicérides, o ambiente metabólico favorece que as partículas de HDL durem mais tempo na corrente sanguínea.

    6. O uso de esteroides anabolizantes afeta o HDL?

    Sim, e muito! O uso de testosterona em doses suprafisiológicas ou outros anabolizantes é uma das causas mais comuns de queda drástica do HDL (muitas vezes chegando a níveis abaixo de 10 mg/dL). Isso aumenta o risco de aterosclerose, infarto e AVC, inclusive em jovens.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Vinho faz bem ao coração? O que a ciência diz hoje em dia

    Vinho faz bem ao coração? O que a ciência diz hoje em dia

    Você já ouviu falar no mito da taça protetora? Ele consiste na ideia de que o consumo moderado e diário de álcool traria benefícios cardiovasculares significativos, ajudando a proteger contra doenças cardíacas.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, ela ganhou força a partir de uma situação histórica chamada paradoxo francês, em que se observou uma menor incidência de doenças cardiovasculares na população francesa, apesar de uma alimentação rica em gorduras, como queijos, e do consumo frequente de vinho.

    Na época, levantou-se a hipótese de que o vinho tinto teria um efeito protetor sobre o coração, quando, na realidade, os fatores de vida tiveram uma influência muito maior no resultado. Vamos entender mais, a seguir.

    O que a ciência diz sobre o consumo de álcool para a saúde cardiovascular?

    Mesmo em pequenas quantidades, pesquisas apontam que o consumo de álcool está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e cardiomiopatia alcoólica.

    De acordo com um estudo publicado na JAMA Network Open, com dados de mais de 370 mil pessoas do Reino Unido, os aparentes benefícios observados em alguns grupos estavam mais ligados a hábitos saudáveis, como melhor alimentação e prática de exercícios, e não ao álcool em si.

    Já um relatório da Associação Americana do Coração (AHA) aponta que o consumo elevado e contínuo de álcool por vários anos pode provocar alterações na estrutura do coração, comprometendo seu funcionamento e aumentando o risco de problemas cardiovasculares.

    O documento também aponta que algumas pessoas podem apresentar sinais iniciais de prejuízo cardíaco mesmo com consumo considerado baixo, como poucas doses por semana.

    Isso sugere que a resposta ao álcool varia bastante entre os indivíduos, e que nem sempre quantidades menores significam ausência de risco.

    Como o álcool afeta o coração?

    Quando o álcool é ingerido, ele é rapidamente absorvido pelo sangue e chega ao coração em poucos minutos.

    Nesse momento, pode causar mudanças temporárias, como aumento dos batimentos e variações na pressão arterial. Algumas pessoas percebem palpitações ou sensação de coração acelerado, principalmente após beber mais do que o habitual.

    Com o consumo frequente, o álcool pode aumentar a pressão arterial de forma persistente, um dos principais fatores de risco para doenças do coração. Ele também pode alterar o ritmo cardíaco, favorecendo arritmias, que são batimentos irregulares e podem trazer sintomas como cansaço, tontura ou falta de ar.

    Para completar, o consumo excessivo ao longo do tempo pode enfraquecer o músculo do coração, dificultando o bombeamento adequado do sangue, situação que pode evoluir para insuficiência cardíaca.

    Riscos do álcool para a saúde do coração a longo prazo

    O metabolismo do álcool no organismo pode aumentar o risco de diversas alterações cardiovasculares, como Juliana aponta:

    • Arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, especialmente após consumo elevado ocasional, situação conhecida como síndrome do coração de feriado;
    • Elevação da pressão arterial no consumo crônico, apesar de possível queda momentânea após ingestão aguda;
    • Toxicidade direta sobre o músculo cardíaco, podendo levar à cardiomiopatia alcoólica e à insuficiência cardíaca.

    Por que os possíveis benefícios do vinho não superam os riscos?

    Segundo Juliana, o vinho tinto realmente contém resveratrol, uma substância com propriedades antioxidantes. No entanto, a quantidade presente em uma taça é muito pequena. Para atingir uma dose considerada potencialmente protetora, seria necessário consumir grandes quantidades de álcool.

    Nesse cenário, os efeitos nocivos do álcool superariam amplamente qualquer possível benefício do resveratrol.

    Existe alguma quantidade considerada segura?

    Atualmente, não existe uma quantidade de álcool considerada totalmente segura para a saúde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Mesmo pequenas doses podem trazer algum risco ao longo do tempo, principalmente para o coração e para a saúde geral.

    Por isso, a orientação atual é simples: quem não bebe não precisa começar achando que vai proteger o coração.

    Para quem já consome, Juliana explica que são orientados limites considerados de menor risco: até uma dose por dia para mulheres e até duas para homens, com dias sem consumo ao longo da semana.

    Ainda assim, pessoas com doenças cardiovasculares, como arritmias, insuficiência cardíaca ou pressão alta, devem preferencialmente suspender o consumo.

    Veja também: Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

    Perguntas frequentes

    1. O álcool não ajuda a aumentar o “colesterol bom” (HDL)?

    Antes, acreditava-se que sim. No entanto, estudos recentes mostram que o aumento do HDL provocado pelo álcool não se traduz em uma redução real no risco de infarto ou doenças cardiovasculares.

    2. Se eu quero os benefícios do resveratrol sem o álcool, o que devo fazer?

    O melhor caminho é consumir uvas escuras in natura, suco de uva integral (sem açúcar) ou suplementação específica, onde você obtém o fitonutriente sem os efeitos tóxicos do etanol.

    3. O álcool causa gordura no coração?

    O consumo excessivo contribui para a gordura no fígado (esteatose), mas também pode enfraquecer o músculo cardíaco, levando a uma condição chamada cardiomiopatia alcoólica, onde o coração fica dilatado e sem força.

    4. Mulheres e homens têm os mesmos riscos?

    Mulheres costumam ser mais sensíveis ao álcool devido à menor quantidade de água no corpo e enzimas de metabolização. Por isso, os riscos cardíacos e de outras doenças podem aparecer mais cedo ou com doses menores em mulheres.

    5. O álcool interfere nos medicamentos para o coração?

    Sim, ele pode potencializar o efeito de remédios para pressão ou interagir negativamente com anticoagulantes, aumentando o risco de hemorragias ou reduzindo a eficácia do tratamento.

    6. O “vinho artesanal” ou “orgânico” é menos prejudicial ao coração?

    Não. Embora possam ter menos agrotóxicos ou conservantes, o componente que causa dano ao coração e aos vasos sanguíneos é o etanol, que é exatamente o mesmo em vinhos caros, baratos, orgânicos ou industriais.

    7. Beber muita água enquanto bebe álcool protege o coração?

    A água ajuda a evitar a desidratação e a ressaca (dor de cabeça), mas não protege o coração ou o fígado dos efeitos tóxicos do etanol. O dano celular ocorre independentemente do nível de hidratação.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • O que a falta de proteína pode causar? Conheça os sintomas e o que fazer

    O que a falta de proteína pode causar? Conheça os sintomas e o que fazer

    A fraqueza muscular não é o único problema que pode surgir com a perda de proteínas, sabia? Responsáveis por funções estruturais, metabólicas e imunológicas, elas ajudam o corpo a se manter em equilíbrio e garantem que tecidos, órgãos e sistemas funcionem como deveriam.

    Quando a ingestão diária de proteínas fica muito abaixo do ideal, o organismo precisa priorizar tarefas vitais e deixa outras em segundo plano — o que reduz a produção de hormônios, atrapalha o metabolismo e enfraquece a imunidade.

    Com o tempo, o corpo manifesta a deficiência através de alterações no cabelo, pior cicatrização, cansaço frequente e, em quadros prolongados, a perda de massa muscular. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é proteína e o que ela faz no corpo?

    A proteína é um nutriente formado por aminoácidos, que funcionam como blocos que o organismo usa para construir, manter e reparar seus próprios tecidos. Cada aminoácido tem um papel próprio, e o conjunto deles permite que o corpo execute algumas tarefas fundamentais.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, as proteínas participam da formação dos músculos, pele, cabelos, unhas e ossos, garantindo sustentação e renovação dos tecidos. Além da função estrutural, elas participam de processos celulares fundamentais, como a produção de hormônios, a realização de reações metabólicas e a regulação do metabolismo.

    Elas também dão origem aos anticorpos, que funcionam como defesa direta contra vírus, bactérias e outros agentes que podem causar doenças. Eles reconhecem e neutralizam ameaças, fortalecendo a imunidade e ajudando o organismo a responder de forma rápida a infecções.

    Riscos da falta de proteínas para o corpo

    A falta de proteína afeta várias funções do organismo, porque o corpo depende do nutriente para manter os músculos, produzir hormônios, se defender de infecções e realizar processos metabólicos. Quando a ingestão fica muito baixa, surgem sinais em diferentes sistemas, como:

    • Perda de massa muscular e redução de força, já que o organismo passa a usar o músculo como reserva;
    • Cansaço constante, com sensação de baixa energia mesmo após descanso;
    • Queda da imunidade, aumentando a frequência de infecções virais e bacterianas;
    • Cicatrização lenta, porque o corpo produz menos colágeno e enzimas reparadoras;
    • Queda e enfraquecimento dos cabelos;
    • Unhas frágeis e quebradiças;
    • Pele mais fina, ressecada ou sem firmeza;
    • Metabolismo mais lento, com maior risco de resistência à insulina e alterações glicêmicas;
    • Dificuldade para perder peso ou manter o peso perdido;
    • Maior risco de anemia;
    • Sarcopenia, provocando fraqueza e dificuldade para tarefas diárias;
    • Maior predisposição a quedas e fraturas.

    Em casos mais graves, pode acontecer um quadro de desnutrição proteico-calórica, no qual o organismo já não consegue manter funções básicas por falta de energia e proteína.

    Nesses casos, aparecem sinais como perda extrema de peso, inchaço nas pernas e no abdômen, fraqueza intensa, alterações na pele e no cabelo, maior risco de infecções e comprometimento de órgãos. É uma condição séria, que precisa de acompanhamento médico e reposição nutricional cuidadosa.

    Perda de massa magra pode afetar o coração?

    De acordo com Juliana, não é incomum que pessoas com sarcopenia apresentem sedentarismo e uma alimentação inadequada, fatores que já aumentam o risco cardiovascular.

    A deficiência de proteínas apenas intensifica o risco, uma vez que aumenta a resistência à insulina, favorece o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e eleva a probabilidade de doenças do coração.

    A perda muscular também está associada a maior inflamação crônica no organismo, condição que facilita a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose) e aumenta o risco de infarto.

    Nos quadros mais graves de desnutrição, a perda de massa magra pode comprometer a própria musculatura cardíaca, prejudicando a força e o funcionamento do coração.

    Atenção a idosos e pessoas em processo de emagrecimento rápido

    Tanto os idosos quanto pessoas que passam por emagrecimento rápido são grupos de risco para déficit proteico.

    Na terceira idade, a capacidade de produzir e utilizar proteínas diminui com o passar dos anos, reduzindo a síntese muscular mesmo quando a alimentação está adequada. Além disso, é comum menor apetite ou dificuldade de deglutição, aumentando o risco de desnutrição proteico-calórica.

    Já quem perde peso de forma acelerada tende a seguir dietas muito restritivas. Como o corpo precisa manter funções vitais, ele passa a usar o próprio músculo como fonte de energia, resultando em perda de massa muscular, fraqueza e maior risco de deficiências nutricionais.

    Quais os sintomas de perda de proteína?

    • Perda de massa muscular e redução de força;
    • Cansaço constante e falta de energia;
    • Queda e enfraquecimento dos cabelos;
    • Unhas frágeis e quebradiças;
    • Pele mais fina, ressecada ou com aparência envelhecida;
    • Cicatrização lenta;
    • Maior frequência de infecções;
    • Inchaço nas pernas ou no abdômen em casos mais graves;
    • Dificuldade para perder peso ou manter o peso perdido;
    • Perda de apetite e sensação de fraqueza geral.

    Qual a quantidade diária recomendada de proteínas?

    A quantidade diária recomendada varia conforme idade, nível de atividade e estado de saúde. Para adultos sedentários, a base geral é de 0,8 gramas por quilo de peso corporal. Para idosos ou pessoas fisicamente ativas, a recomendação aumenta para 1 a 1,6 gramas por quilo ao dia.

    Alimentos ricos em proteína

    • Carnes magras, como frango e cortes bovinos com menos gordura;
    • Peixes como salmão, atum, sardinha e tilápia;
    • Ovos;
    • Laticínios, como leite, iogurte natural e queijo branco;
    • Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha;
    • Soja e derivados, como tofu e tempeh;
    • Castanhas e oleaginosas;
    • Sementes como chia e linhaça;
    • Quinoa.

    A distribuição da proteína ao longo do dia é importante. Em vez de concentrar tudo em uma única refeição, o ideal é incluí-la em todas as refeições.

    Importante: o consumo exagerado de proteína pode sobrecarregar os rins, especialmente em quem já tem doença renal.

    Veja mais: Não é só whey: veja outras proteínas boas para colocar na dieta

    Perguntas frequentes

    A perda de proteína pode causar queda de cabelo?

    Sim. A falta de proteína reduz a produção de queratina, deixando o cabelo mais fino e quebradiço.

    O metabolismo fica mais lento quando falta proteína?

    Sim. A perda de massa magra reduz o gasto energético e dificulta o controle da glicose.

    Como garantir proteína suficiente em uma dieta vegetariana?

    Combinando feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, tofu, quinoa, castanhas e sementes ao longo do dia.

    Proteína em pó substitui alimento?

    Pode complementar, mas não deve substituir refeições completas sem orientação profissional.

    Como saber se estou comendo proteína demais?

    Sede intensa, desconforto gastrointestinal e inchaço podem ser sinais. O ideal é ajustar com orientação nutricional.

    Confira: Proteína para ganhar massa muscular: veja quanto você precisa por dia

  • Quando treinar demais vira problema: entenda o problema do overtraining 

    Quando treinar demais vira problema: entenda o problema do overtraining 

    Treinar faz bem para o corpo e para a mente. Mas existe um ponto em que o excesso de exercício deixa de trazer benefícios e passa a causar prejuízos. Quando a carga de treino ultrapassa a capacidade de recuperação do organismo por tempo prolongado, pode surgir o chamado excesso de treino, também conhecido como overtraining.

    Diferente do cansaço normal após uma sessão intensa, o overtraining envolve uma fadiga persistente, queda de desempenho e sintomas físicos e emocionais que não melhoram apenas com alguns dias de descanso. Se não for identificado e corrigido, pode levar a lesões, alterações hormonais, baixa imunidade e até complicações graves, como a rabdomiólise.

    O que é o excesso de treino (overtraining)

    O excesso de treino é uma condição caracterizada por fadiga crônica, dificuldade de recuperação e piora do desempenho, resultante de um volume ou intensidade de exercício superior à capacidade de adaptação do organismo.

    Ele faz parte de um espectro que inclui:

    • Overreaching funcional: fadiga temporária que melhora com descanso adequado;
    • Overreaching não funcional: queda de desempenho que pode levar semanas para melhorar;
    • Síndrome do overtraining: forma mais grave e prolongada, podendo levar meses para recuperação completa.

    Como o excesso de treino acontece

    O overtraining geralmente surge da combinação de fatores como:

    • Treinos muito intensos e frequentes sem recuperação suficiente;
    • Sono insuficiente ou de má qualidade;
    • Nutrição inadequada, especialmente baixa ingestão de calorias e proteínas;
    • Estresse psicológico elevado;
    • Falta de periodização adequada do treino.

    Nessas condições, o corpo entra em estado de estresse crônico, com aumento do cortisol, inflamação persistente e prejuízo na regeneração muscular e neural.

    Principais sinais e sintomas

    Os sintomas podem envolver o corpo, o desempenho esportivo e a saúde emocional.

    1. Sintomas físicos

    • Cansaço persistente, mesmo após descanso;
    • Dores musculares prolongadas;
    • Maior incidência de lesões;
    • Distúrbios do sono;
    • Queda de apetite ou alterações no peso;
    • Infecções mais frequentes.

    2. Sintomas de desempenho

    • Redução de força, resistência e velocidade;
    • Estagnação ou piora nos resultados;
    • Maior tempo de recuperação entre sessões;
    • Sensação de “corpo pesado”.

    3. Sintomas psicológicos

    • Irritabilidade;
    • Falta de motivação;
    • Ansiedade ou sintomas depressivos;
    • Dificuldade de concentração.

    Riscos à saúde do excesso de treino

    Quando prolongado, o excesso de treino pode levar a:

    • Lesões musculoesqueléticas, incluindo fraturas por estresse;
    • Alterações hormonais, afetando metabolismo e ciclo menstrual;
    • Comprometimento do sistema imunológico;
    • Alterações cardiovasculares;
    • Burnout esportivo.

    Overtraining e rabdomiólise: uma complicação grave

    A rabdomiólise é uma condição potencialmente grave associada a exercício extremo ou esforço desproporcional à capacidade do indivíduo.

    Ela ocorre quando há lesão intensa das fibras musculares, levando à liberação de substâncias como mioglobina, potássio e creatinoquinase (CK) na corrente sanguínea. Em grandes quantidades, essas substâncias podem comprometer os rins e causar complicações sistêmicas.

    Como o overtraining pode levar à rabdomiólise

    • Sessões excessivamente intensas;
    • Exercícios excêntricos em grande volume;
    • Treinos em ambiente muito quente;
    • Desidratação;
    • Falta de recuperação adequada;
    • Uso de estimulantes ou álcool;
    • Exercício intenso após infecção recente.

    Principais sinais e sintomas da rabdomiólise

    • Dor muscular intensa e desproporcional;
    • Rigidez e fraqueza muscular;
    • Inchaço;
    • Urina escura;
    • Fadiga extrema e náuseas.

    Em casos graves:

    • Alterações no ritmo cardíaco;
    • Queda da pressão arterial;
    • Insuficiência renal aguda.

    Diagnóstico

    • Dosagem de CK;
    • Avaliação da função renal;
    • Dosagem de eletrólitos;
    • Exame de urina.

    Tratamento

    • Suspensão imediata do exercício;
    • Hidratação intravenosa;
    • Monitorização cardíaca e renal;
    • Diálise em casos graves.

    Como prevenir a rabdomiólise

    • Evitar aumentos bruscos de carga;
    • Respeitar períodos de recuperação;
    • Manter boa hidratação;
    • Adaptar o treino ao nível individual;
    • Evitar treinar doente ou febril;
    • Buscar orientação profissional.

    Tratamento e recuperação do excesso de treino

    A recuperação pode exigir semanas ou meses e inclui:

    • Redução do volume e intensidade do treino;
    • Sono adequado (7 a 9 horas por noite);
    • Ajuste nutricional;
    • Recuperação ativa;
    • Acompanhamento médico quando necessário.

    Confira: Excesso de exercícios físicos faz mal ao coração? Conheça os riscos

    Perguntas frequentes sobre excesso de treino

    1. Excesso de treino acontece só com atletas profissionais?

    Não. Pode ocorrer em iniciantes ou praticantes recreativos.

    2. Descansar um fim de semana resolve?

    Em casos leves, sim. Na síndrome do overtraining, pode levar meses.

    3. Overtraining diminui a imunidade?

    Sim. Pode aumentar a frequência de infecções.

    4. Rabdomiólise é comum?

    É rara, mas pode ocorrer em exercícios extremos ou mal planejados.

    5. Treinar doente aumenta o risco?

    Sim. O organismo já está sob estresse.

    6. Dormir pouco piora o quadro?

    Sim. O sono é essencial para recuperação.

    7. Como saber se é apenas cansaço ou overtraining?

    Se a fadiga persistir por semanas e houver queda de desempenho, é importante avaliar.

    Veja mais: 13 benefícios do exercício físico para a saúde (e como começar a treinar)

  • Exagerou no Carnaval? Veja o que fazer para se recuperar 

    Exagerou no Carnaval? Veja o que fazer para se recuperar 

    Dias intensos de festa, pouco sono, calor, alimentação ruim e consumo de álcool cobram seu preço. Depois do Carnaval, muitas pessoas tentam retomar a rotina como se nada tivesse acontecido, ignorando sinais de que o corpo precisa de uma pausa.

    O problema é que a exaustão não afeta apenas a disposição. Ela interfere na imunidade, na saúde cardiovascular, na concentração e até no humor. Reconhecer esses sinais e respeitar o tempo de recuperação é bem importante para evitar adoecimentos nas semanas seguintes.

    Por que o corpo sente tanto depois do Carnaval?

    Durante períodos de festa prolongada, o organismo é submetido a:

    • Privação de sono;
    • Calor excessivo;
    • Esforço físico prolongado;
    • Desidratação;
    • Consumo de álcool;
    • Alimentação desorganizada.

    Esses fatores ativam mecanismos de estresse no corpo, elevam hormônios como o cortisol e reduzem a capacidade de recuperação física e mental.

    Principais sinais de que o corpo precisa de descanso

    Cansaço que não passa

    Sentir fadiga intensa mesmo após uma noite de sono é um dos sinais mais comuns de sobrecarga física e que você ainda precisa de um pouco mais de tempo para se recuperar.

    Dores musculares e sensação de corpo pesado

    Horas em pé, caminhadas longas e dança favorecem microlesões musculares que precisam de tempo para cicatrizar.

    Dor de cabeça frequente

    Pode estar relacionada à desidratação, à privação de sono e às alterações vasculares provocadas pelo álcool.

    Dificuldade de concentração e memória

    O cérebro também sofre com noites mal dormidas, e tudo isso impacta foco, raciocínio e produtividade.

    Alterações no humor

    Irritabilidade, ansiedade e sensação de desânimo são comuns após períodos de estresse físico e social intenso.

    O impacto do pós-Carnaval na imunidade

    A privação de sono e o estresse reduzem a eficiência do sistema imunológico. Poucas noites mal dormidas já são suficientes para diminuir a resposta imunológica, aumentando a chance de contrair:

    • Gripes e resfriados;
    • Viroses respiratórias;
    • Infecções gastrointestinais.

    É por isso que não é coincidência ficar doente dias depois da folia.

    Sinais que merecem atenção

    Alguns sintomas não devem ser ignorados depois do Carnaval:

    • Febre persistente;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Tonturas frequentes;
    • Palpitações;
    • Fraqueza que não passa.

    Nesses casos, é importante procurar avaliação médica. É também muito importante procurar um serviço de saúde com urgência no caso de comportamento de risco durante o Carnaval, como possível exposição ao HIV.

    Como ajudar o corpo a se recuperar depois do Carnaval?

    1. Priorize o sono

    Dormir bem é a principal ferramenta de recuperação física e mental. Sempre que possível, ajuste gradualmente os horários.

    2. Reforce a hidratação

    A reposição de líquidos ajuda na recuperação muscular, na função renal e na circulação.

    3. Aposte em alimentação leve e nutritiva

    Frutas, legumes, proteínas magras e alimentos ricos em vitaminas e minerais trazem nutrientes que ajudam na recuperação do organismo.

    4. Retome a atividade física com moderação

    Movimentos leves ajudam na circulação, mas exercícios intensos devem esperar a recuperação completa.

    5. Dê uma pausa no álcool

    Reduzir ou suspender o consumo facilita a recuperação do fígado, do sono e da pressão arterial.

    Quanto tempo o corpo leva para se recuperar?

    O tempo varia conforme a intensidade da folia, o estado do organismo antes disso tudo, a qualidade do sono e o nível de hidratação.

    Para muitas pessoas, de 3 a 7 dias são necessários para recuperar totalmente energia, foco e bem-estar.

    Leia mais: 10 alimentos para aumentar a imunidade (e como incluir na dieta)

    Perguntas frequentes sobre recuperação depois do Carnaval

    1. É normal se sentir exausto após o Carnaval?

    Sim. O corpo foi submetido a estresse físico e metabólico intenso.

    2. Dormir mais resolve tudo?

    Ajuda muito, mas hidratação e alimentação saudável também são fundamentais.

    3. Dor de cabeça persistente é normal?

    Pode acontecer, mas se durar muitos dias, merece avaliação.

    4. Por que fico mais irritado depois da folia?

    A privação de sono afeta neurotransmissores ligados ao humor.

    5. Posso voltar direto à rotina intensa de treinos?

    O ideal é uma retomada gradual.

    6. Ficar doente depois do Carnaval é comum?

    Sim, devido à queda temporária da imunidade.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Se houver sintomas intensos, persistentes ou fora do padrão.

    Confira: O que o estresse faz com sua imunidade

  • Caminhar depois do almoço: um hábito que ajuda o coração 

    Caminhar depois do almoço: um hábito que ajuda o coração 

    Levantar-se da mesa e andar por alguns minutos logo após comer é um dos hábitos mais fáceis e mais eficazes para melhorar o metabolismo e proteger o coração. Estudos mostram que caminhar depois do almoço reduz os picos de glicose no sangue, favorece a digestão e estimula o funcionamento do sistema cardiovascular.

    Mesmo uma caminhada leve e curta já ativa mecanismos capazes de controlar o açúcar no sangue e evitar o cansaço típico que vem depois de comer!

    Por que o corpo reage melhor quando se move após comer

    Durante a digestão, o corpo transforma os carboidratos em glicose, que entra rapidamente na corrente sanguínea. Se essa glicose não for usada, o pâncreas precisa liberar insulina para mantê-la sob controle, um processo que, repetido ao longo dos anos, pode sobrecarregar o metabolismo.

    Ao caminhar depois do almoço, os músculos passam a consumir parte dessa glicose como energia. Isso ajuda o sangue a manter níveis mais estáveis e evita o acúmulo de açúcar. Pesquisas mostram que uma caminhada de apenas 10 minutos feita logo após comer é suficiente para reduzir o pico de glicose significativamente.

    Além disso, esse pequeno movimento não provoca desconforto gástrico e é percebido como leve pelo corpo. Em outras palavras, o simples ato de andar devagar após uma refeição já é suficiente para equilibrar o metabolismo sem exigir esforço ou tempo excessivo.

    Caminhar depois do almoço ajuda o coração e o metabolismo

    O controle da glicose está diretamente ligado à saúde cardiovascular. Quando o açúcar no sangue sobe de forma brusca, aumenta a produção de radicais livres e inflamações nas paredes dos vasos. Com o tempo, isso favorece a hipertensão, o entupimento das artérias e o risco de infarto ou AVC.

    Caminhar depois do almoço ajuda a impedir esse processo. O movimento suave melhora o fluxo sanguíneo, estimula o coração e reduz a pressão arterial de maneira natural. Mesmo em pessoas sem diabetes, o hábito contribui para uma menor variação da glicemia ao longo do dia e melhora o desempenho das células que regulam o açúcar no sangue.

    Os resultados são semelhantes aos de caminhadas longas feitas em outro horário, mas com uma vantagem: o esforço é menor e os efeitos aparecem rapidamente. Por isso, o hábito se tornou uma das recomendações mais acessíveis para quem busca cuidar da saúde cardiovascular e prevenir o diabetes tipo 2.

    Um impulso também para a digestão e o bem-estar

    Além dos efeitos metabólicos, caminhar depois do almoço também melhora a digestão. O movimento leve pode auxiliar na sensação de conforto após as refeições. Isso reduz a sensação de inchaço, gases e desconforto, comuns após refeições grandes.

    A caminhada leve ainda melhora o humor e a disposição. O aumento da circulação e da oxigenação cerebral ajuda a combater a sonolência pós-refeição e melhora o foco mental. Assim, o simples hábito de se mover depois de comer traz benefícios físicos e mentais, favorecendo o bem-estar geral.

    Quanto tempo e qual intensidade são ideais

    Não é preciso transformar o pós-almoço em um treino. O efeito positivo já aparece com poucos minutos de caminhada leve, feita logo após terminar de comer. Esse pequeno período já faz com que o açúcar no sangue suba e caia de forma mais gradual, o que reduz a sobrecarga do coração e do pâncreas.

    A caminhada deve ser feita em ritmo confortável o suficiente para acelerar levemente a respiração, mas ainda permitir conversa. Quanto mais regular o hábito, mais duradouros os benefícios. Entre as formas simples de incluir o gesto no dia a dia estão:

    • Caminhar no quarteirão, corredor ou pátio logo após comer
    • Fazer pequenas tarefas domésticas ou de trabalho em pé
    • Substituir o café pós-refeição por uma volta leve ao ar livre

    Esses minutos de atividade física leve já bastam para ativar o metabolismo, ajudar na digestão e manter os níveis de glicose sob controle. Com o tempo, a prática se torna um reflexo natural e pode substituir momentos de sedentarismo por um movimento agradável e produtivo.

    Um hábito pequeno com grandes resultados

    O impacto de caminhar depois do almoço é maior do que parece. Estudos mostram que essa atividade física leve reduz os níveis médios de glicose nas duas horas seguintes à refeição e melhora a eficiência do metabolismo sem causar cansaço.

    Por ser uma medida de baixo esforço, ela é acessível a pessoas de todas as idades e pode ser feita em praticamente qualquer lugar. Pequenos gestos como esse acumulam benefícios quando repetidos diariamente, formando um poderoso aliado da saúde cardiovascular e do controle metabólico.

    Em uma rotina marcada por pressa e longos períodos sentados, levantar-se por alguns minutos após comer é um dos cuidados mais simples e eficazes para o corpo e a mente.

    Veja mais: 13 benefícios do exercício físico para a saúde (e como começar a treinar)

    Perguntas e respostas

    1. Por que caminhar depois do almoço faz bem ao corpo?

    Porque o movimento leve logo após comer ajuda os músculos a usar a glicose como energia, evitando o acúmulo de açúcar no sangue e equilibrando o metabolismo.

    2. Esse hábito também protege o coração?

    Sim. Controlar a glicose reduz inflamações nos vasos e ajuda a prevenir hipertensão, entupimento das artérias, infarto e AVC, fortalecendo o sistema cardiovascular.

    3. Uma caminhada curta já faz diferença?

    Sim. Mesmo dez minutos de caminhada leve, feitos logo após comer, já reduzem o pico de glicose e trazem benefícios perceptíveis ao metabolismo.

    4. É preciso caminhar rápido ou em ritmo intenso?

    Não. O ideal é caminhar em ritmo confortável, suficiente para acelerar levemente a respiração, mas ainda permitindo conversar sem esforço.

    5. Como incluir esse hábito no dia a dia?

    Foque em atitudes simples, como dar uma volta no quarteirão ou corredor, caminhar no pátio após comer, fazer pequenas tarefas em pé ou trocar o café pós-refeição por uma caminhada leve.

    Confira: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

  • Como a solidão pode aumentar o risco de doenças cardíacas (e a importância das relações sociais)

    Como a solidão pode aumentar o risco de doenças cardíacas (e a importância das relações sociais)

    A solidão, aquela impressão de não ter com quem contar, dividir sentimentos ou viver momentos importantes, não é mais só uma questão emocional ou mental. Na verdade, nos últimos anos, pesquisas começaram a observar como o corpo responde a experiência de ficar sozinho.

    Hoje já se sabe que a sensação prolongada de desconexão pode desencadear respostas biológicas relacionadas ao estresse, influenciando sono, pressão arterial, inflamação e até hábitos do dia a dia.

    Para entender como tudo isso pode impactar a saúde do coração, conversamos com a cardiologista Juliana Soares e esclarecemos as principais dúvidas. Confira!

    Solidão é considerada um fator de risco cardiovascular?

    A solidão e o isolamento social são considerados fatores de risco para doenças cardiovasculares. Não são causas diretas como pressão alta, diabetes ou tabagismo, mas podem influenciar a saúde do coração ao longo do tempo.

    Segundo Juliana, mesmo pessoas que apresentam a pressão arterial controlada e níveis de glicose adequados, por exemplo, podem apresentar aumento da chance de desenvolver problemas cardíacos caso estejam cronicamente isolados ou vivenciem solidão prolongada.

    O que explica essa relação?

    Existem duas vias que ajudam a explicar essa relação: mecanismos comportamentais e mecanismos biológicos ou fisiológicos.

    No aspecto comportamental, quando o indivíduo está mais solitário e isolado, Juliana explica que ele tende a adotar hábitos menos saudáveis, como:

    • Alimentação menos equilibrada, com maior consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em carboidratos;
    • Redução da prática de atividade física ou sedentarismo mais frequente;
    • Maior probabilidade de fumar ou aumentar o consumo de cigarro;
    • Dieta mais desorganizada, com excesso de açúcar e gorduras;
    • Menor adesão a tratamentos médicos, consultas e uso correto de medicamentos.

    Já na via biológica, a solidão ativa o sistema nervoso e o eixo hormonal, elevando níveis de cortisol e catecolaminas, como a adrenalina. Isso gera um estado inflamatório crônico de baixo grau no organismo.

    Como consequência, há aumento da atividade inflamatória geral, aceleração do processo de formação de placas nas artérias, elevação da pressão arterial, promoção de resistência à insulina e aumento da obesidade visceral, ou seja, acúmulo de gordura entre os órgãos.

    Todos os fatores contribuem para maior risco cardiovascular, podendo favorecer, ao longo do tempo, a probabilidade de problemas como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

    Solidão pode influenciar pressão arterial, sono e controle do colesterol

    A solidão costuma gerar uma situação de estresse crônico no organismo, elevando os níveis basais de cortisol e adrenalina, segundo Juliana.

    A alteração pode impactar o metabolismo das gorduras, aumentando o colesterol LDL (o chamado colesterol ruim), os níveis de açúcar no sangue e a pressão arterial. A solidão também está associada a maior incidência de um sono de má qualidade.

    Muitas vezes, a pessoa apresenta sensação de insegurança ou estado constante de alerta, o que dificulta alcançar fases mais profundas do sono, importantes para a saúde cardiovascular.

    Quem apresenta mais risco?

    O risco de eventos cardiovasculares, como AVC, infarto e insuficiência cardíaca, é maior entre pessoas com atividade social mais restrita ou em situação de isolamento social.

    Além disso, Juliana esclarece que pessoas socialmente isoladas que já convivem com a doença costumam apresentar pior prognóstico. Isso inclui maiores taxas de reinternação e mortalidade quando comparadas a pacientes com boa rede de apoio social.

    A cardiologista ainda ressalta que tanto adultos jovens quanto idosos podem ser afetados pelos efeitos da solidão no sistema cardiovascular.

    O isolamento social tende a ser mais frequente em idades mais avançadas, muitas vezes por perda de amigos ou cônjuges e mudanças na dinâmica familiar, como filhos que passam a ter rotinas próprias.

    Já entre adultos mais jovens, a solidão prolongada pode ser ainda mais prejudicial a longo prazo, pois a exposição aos efeitos do isolamento costuma durar mais tempo. Isso pode contribuir para o envelhecimento precoce do sistema cardiovascular.

    A importância das relações sociais para a saúde do coração

    A convivência social com pessoas com quem existe troca afetiva, apoio e confiança também causa efeitos físicos positivos no organismo.

    A interação social estimula a liberação de ocitocina, um hormônio ligado ao bem-estar, que possui propriedades anti-inflamatórias naturais e contribui para a dilatação dos vasos sanguíneos, ajudando na proteção do coração.

    Além disso, ter uma rede de apoio formada por amigos, familiares ou pessoas de confiança costuma facilitar bastante os cuidados com a saúde: fica mais fácil manter consultas em dia, seguir tratamentos corretamente, encontrar motivação para praticar atividades físicas e até cuidar melhor da alimentação.

    Por fim, saber que existe alguém para conversar, dividir preocupações ou simplesmente compartilhar momentos ajuda a reduzir o estresse do dia a dia, que também influencia a saúde do coração.

    Veja também: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Existe diferença entre “estar sozinho” e “sentir-se sozinho”?

    Sim, o isolamento social é a falta física de contatos, enquanto a solidão é o sentimento subjetivo de desconexão. Ambos aumentam o risco cardíaco, mas o sentimento de solidão é um gatilho de estresse mais forte.

    2. Ter um animal de estimação ajuda?

    Sim! A ciência comprova que donos de cachorros, por exemplo, têm menor risco de morte por doenças cardiovasculares, pois o pet estimula a atividade física e oferece suporte emocional.

    3. Melhorar a vida social pode reverter danos?

    Sim, fortalecer laços sociais reduz os níveis de inflamação no corpo e ajuda a regular a frequência cardíaca.

    4. O que é a “Síndrome do Coração Partido” e a solidão?

    Embora seja causada por um estresse agudo (como um luto), pessoas cronicamente solitárias têm o músculo cardíaco mais vulnerável a esse tipo de falência súbita causada por emoções fortes.

    5. O que é “fome social”?

    É um termo científico usado para descrever como o cérebro reage à falta de interação social. Assim como a fome por comida nos leva a buscar energia e nutrientes, ela tende a estimular a busca por conexão com outras pessoas. Mas, quando a necessidade não é atendida, a saúde pode ser prejudicada.

    6. Como o médico pode abordar esse fator no cuidado cardiovascular?

    Durante a avaliação clínica, é importante considerar o contexto social do paciente, compreendendo a rotina, a rede de suporte, o estado emocional e o grau de satisfação com a própria vida.

    Uma abordagem multiprofissional também é fundamental, integrando suporte psicológico, assistência social e outras áreas da saúde quando necessário.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Dor de estômago ou dor de barriga por estresse: por que acontece?

    Dor de estômago ou dor de barriga por estresse: por que acontece?

    Você já sentiu dor no estômago antes de uma prova importante? Ou precisou correr para o banheiro momentos antes de uma apresentação? Isso acontece com muita gente, e não é coincidência.

    Existe uma ligação direta entre o cérebro e o sistema digestivo, chamada eixo cérebro-intestino. Quando estamos sob forte emoção, o corpo ativa mecanismos de alerta, conhecidos como resposta de luta ou fuga. Essa reação envolve o sistema nervoso e hormônios do estresse e pode alterar o funcionamento do estômago e do intestino, provocando dor, queimação, enjoo ou até diarreia.

    Como o estresse afeta o estômago e o intestino

    O sistema digestivo é extremamente sensível ao estado emocional. Em situações de nervoso, medo ou ansiedade intensa, ocorrem alterações importantes:

    • Aumento do ácido gástrico: pode causar queimação, dor na boca do estômago e piora de gastrite ou refluxo;
    • Alteração dos movimentos intestinais: algumas pessoas têm aceleração do trânsito intestinal, levando à diarreia, enquanto outras podem apresentar prisão de ventre;
    • Maior sensibilidade visceral: o intestino passa a sentir mais os estímulos normais, tornando desconfortos leves mais intensos;
    • Redução do fluxo sanguíneo digestivo: o corpo prioriza músculos e coração, podendo gerar sensação de desconforto abdominal.

    Esse conjunto de mudanças explica por que o estresse pode provocar tanto dor no estômago quanto dor de barriga.

    Quais sintomas podem aparecer?

    Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns são:

    • Dor ou queimação no estômago;
    • Enjoo ou sensação de “bolo na garganta”;
    • Sensação de estufamento ou gases;
    • Diarreia ou vontade urgente de ir ao banheiro;
    • Cólicas abdominais;
    • Perda de apetite em alguns casos.

    Esses sintomas tendem a surgir em momentos de maior tensão emocional e podem melhorar quando a situação estressante passa.

    Por que algumas pessoas sentem mais do que outras?

    A intensidade dos sintomas depende de vários fatores, como:

    • Nível de ansiedade da pessoa;
    • Histórico de gastrite, refluxo ou síndrome do intestino irritável;
    • Qualidade do sono;
    • Alimentação;
    • Estresse crônico.

    Pessoas que já têm maior sensibilidade gastrointestinal costumam perceber os efeitos emocionais de forma mais intensa.

    O que pode ser feito para reduzir os sintomas?

    Embora não seja possível eliminar totalmente o impacto das emoções no corpo, é possível diminuir bastante o desconforto com algumas estratégias.

    1. Controle do estresse e da ansiedade

    • Técnicas de respiração profunda;
    • Meditação ou mindfulness;
    • Atividade física regular;
    • Psicoterapia, especialmente terapia cognitivo-comportamental.

    2. Hábitos alimentares adequados

    • Evitar refeições muito pesadas em momentos de estresse;
    • Reduzir café, álcool e alimentos muito gordurosos ou picantes;
    • Comer devagar e em ambiente tranquilo;
    • Manter hidratação adequada.

    3. Rotina e sono

    • Dormir bem ajuda a regular o eixo cérebro-intestino;
    • Evitar excesso de trabalho e sobrecarga emocional contínua.

    4. Tratamento médico quando necessário

    Se os sintomas forem frequentes ou intensos, um médico pode avaliar e, se indicado, prescrever:

    • Protetores gástricos ou antiácidos;
    • Medicamentos para ansiedade;
    • Probióticos ou medicamentos para regular o intestino;
    • Investigação para gastrite, refluxo ou síndrome do intestino irritável.

    Quando procurar ajuda médica?

    É importante buscar avaliação médica quando:

    • A dor é intensa ou persistente;
    • Há perda de peso sem explicação;
    • Surgem vômitos frequentes;
    • Há sangue nas fezes ou no vômito;
    • Os sintomas não melhoram mesmo após controle do estresse.

    Nesses casos, é necessário descartar doenças gastrointestinais que podem não estar relacionadas apenas ao fator emocional.

    Confira: Maracujá acalma? Veja mais dicas para controlar a ansiedade

    Perguntas frequentes sobre estresse e dor de estômago

    1. Estresse pode causar gastrite?

    Pode piorar ou desencadear sintomas de gastrite, principalmente em pessoas predispostas.

    2. Ansiedade pode dar diarreia?

    Sim. A aceleração do trânsito intestinal é uma resposta comum ao nervosismo.

    3. Dor de estômago por nervoso é perigosa?

    Na maioria das vezes, não. Mas sintomas persistentes devem ser avaliados.

    4. O intestino realmente sente emoções?

    Sim. O eixo cérebro-intestino explica essa comunicação constante entre emoções e sistema digestivo.

    5. Medicamentos são sempre necessários?

    Não. Muitas vezes, controle do estresse e mudanças no estilo de vida já ajudam bastante.

    6. Crianças também podem ter dor de barriga por ansiedade?

    Sim. É comum antes de provas, apresentações ou mudanças importantes.

    7. Respiração profunda realmente ajuda?

    Sim. Técnicas de respiração ativam o sistema nervoso parassimpático, que ajuda a acalmar o corpo.

    Veja mais: Por que a ansiedade faz o coração ficar acelerado? Cardiologista explica

  • Sol, calor e multidão: por que a insolação é um risco no Carnaval 

    Sol, calor e multidão: por que a insolação é um risco no Carnaval 

    Blocos lotados, horas sob o sol, pouca sombra e hidratação irregular formam o cenário perfeito para um problema sério, e muitas vezes subestimado, do verão: a insolação. Durante o Carnaval, o risco aumenta porque o corpo é exigido além do habitual, em ambientes quentes e com pouca pausa para descanso.

    O mais preocupante é que a insolação não começa, necessariamente, de forma dramática. Ela costuma dar sinais progressivos, que podem ser confundidos com cansaço ou ressaca do calor. Reconhecer esses sinais cedo e saber como agir faz toda a diferença para evitar complicações.

    O que é insolação?

    A insolação, também chamada de golpe de calor, acontece quando o corpo perde a capacidade de regular sua própria temperatura. Em vez de manter o equilíbrio térmico, a temperatura corporal sobe rapidamente, podendo ultrapassar 40 °C.

    Isso ocorre, principalmente, por:

    • Exposição prolongada ao sol ou ao calor intenso;
    • Esforço físico excessivo em ambientes quentes;
    • Desidratação;
    • Uso de álcool.

    Quando o organismo não consegue dissipar o calor adequadamente, órgãos vitais como cérebro, coração e rins passam a sofrer.

    A insolação é considerada uma emergência médica.

    Insolação é a mesma coisa que desidratação?

    Não, elas são coisas diferentes, mas a falta de água também contribui para a insolação.

    • Desidratação é a perda excessiva de líquidos;
    • Insolação é a falha do sistema de regulação térmica do corpo.

    A desidratação aumenta muito o risco de insolação, mas uma pessoa pode evoluir para insolação mesmo antes de perceber sede intensa.

    Quais são os principais sintomas de insolação?

    Sintomas iniciais

    • Dor de cabeça;
    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Náusea;
    • Pulso rápido;
    • Sensação de calor intenso.

    Sintomas graves (sinais de alerta)

    • Temperatura corporal alta;
    • Pele quente, vermelha e seca;
    • Confusão mental ou desorientação;
    • Fala arrastada;
    • Desmaio;
    • Convulsões.

    Na presença de sintomas graves, é extremamente importante buscar atendimento médico imediato.

    Quem tem maior risco de insolação no Carnaval?

    • Pessoas que passam muitas horas sob o sol;
    • Quem consome álcool em excesso;
    • Pessoas desidratadas;
    • Idosos;
    • Crianças;
    • Pessoas com doenças cardiovasculares;
    • Quem usa diuréticos ou medicamentos que interferem na regulação da temperatura do organismo.

    Primeiros cuidados em caso de insolação

    O que fazer imediatamente

    • Levar a pessoa para um local fresco e sombreado;
    • Retirar excesso de roupas;
    • Oferecer água, se a pessoa estiver consciente;
    • Aplicar compressas frias em axilas, pescoço e virilha;
    • Ventilar o ambiente.

    O que não fazer

    • Não oferecer álcool;
    • Não forçar ingestão de líquidos se a pessoa estiver com confusão mental;
    • Não ignorar os sintomas.

    O objetivo inicial é reduzir a temperatura corporal com segurança.

    Quando procurar ajuda médica?

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Alteração do nível de consciência;
    • Confusão ou desorientação;
    • Temperatura corporal muito alta;
    • Convulsões;
    • Falta de melhora após os primeiros cuidados.

    Em casos graves, a insolação pode levar a complicações neurológicas, cardiovasculares e renais.

    Como prevenir a insolação durante blocos e festas?

    • Hidrate-se antes, durante e depois;
    • Evite longos períodos sob sol direto;
    • Use roupas leves e claras;
    • Faça pausas regulares;
    • Modere o consumo de álcool;
    • Use chapéu ou boné;
    • Respeite os sinais do seu corpo; pare quando precisar.

    Prevenção é a melhor forma de curtir a festa com segurança.

    Veja mais: Beber água ajuda a controlar a pressão arterial? Entenda a relação entre hidratação e saúde do coração

    Perguntas frequentes sobre insolação no Carnaval

    1. Insolação pode acontecer mesmo em dias nublados?

    Sim. O calor e o esforço físico continuam sobrecarregando o corpo.

    2. Crianças têm mais risco de insolação?

    Sim, pois regulam pior a temperatura corporal.

    3. Insolação pode acontecer sem sol direto?

    Sim, especialmente em ambientes abafados e cheios.

    4. Água de coco ajuda?

    Pode ajudar na hidratação, mas não substitui água nem atendimento médico.

    5. Insolação pode causar desmaio?

    Sim, é um dos sinais de gravidade.

    6. Dá para confundir insolação com ressaca?

    Sim. Dor de cabeça, náusea e mal-estar podem enganar.

    7. Insolação pode deixar sequelas?

    Em casos graves e sem tratamento rápido, sim.

    Confira: Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente