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  • Gripe A e B: entenda a diferença o que você precisa fazer para se proteger 

    Gripe A e B: entenda a diferença o que você precisa fazer para se proteger 

    A gripe é uma das infecções respiratórias mais comuns no mundo e, apesar de muitas vezes ser encarada como algo simples, pode trazer riscos importantes à saúde. Em períodos de maior circulação do vírus, especialmente em estações mais frias ou chuvosas, os casos aumentam e sobrecarregam os serviços de saúde.

    Embora a maioria das pessoas se recupere sem complicações, alguns grupos são mais vulneráveis à evolução grave da doença. Reconhecer os sintomas, entender as formas de transmissão e saber quando buscar atendimento médico é fundamental para reduzir riscos e evitar desfechos mais graves.

    O que é a gripe?

    A infecção provocada pelos vírus do gênero Influenza, comumente conhecida como gripe, é uma infecção altamente contagiosa das vias aéreas. Embora a infecção ocorra principalmente em humanos, algumas cepas também podem infectar animais.

    A transmissão do vírus acontece por meio de gotículas expelidas de indivíduos infectados ao espirrar, tossir ou conversar. Os portadores do vírus podem transmiti-lo de 5 a 7 dias antes de apresentarem sintomas.

    Na maioria dos casos, os pacientes se recuperam completamente dentro de alguns dias, sem necessidade de intervenções específicas.

    No entanto, em grupos de risco, como idosos, imunossuprimidos, crianças pequenas e gestantes, a gripe pode levar a complicações sérias, como pneumonia e outras infecções pulmonares, podendo resultar em morte.

    Epidemias de gripe tendem a ocorrer em períodos de clima mais frio e chuvoso em países tropicais e durante o inverno em regiões de clima temperado.

    Principais sintomas

    A gripe normalmente se inicia com:

    • Febre;
    • Nariz escorrendo;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Calafrios;
    • Mal-estar;
    • Dores no corpo;
    • Dor de cabeça.

    Os sintomas costumam durar de 1 a 2 semanas, e a maioria das pessoas se recupera dentro desse período.

    Sinais de gravidade

    Os sinais que indicam gravidade incluem:

    • Falta de ar;
    • Aumento da frequência respiratória;
    • Esforço para respirar;
    • Febre persistente;
    • Alterações no estado mental;
    • Pressão arterial baixa;
    • Redução do volume de urina;
    • Desidratação;
    • Diminuição da função renal.

    Causas

    A infecção gripal é causada principalmente pelos vírus Influenza A e B.

    O vírus Influenza A é classificado em subtipos com base em duas proteínas presentes em sua superfície: hemaglutinina (H) e neuraminidase (N). Existem 18 tipos diferentes de H e 11 tipos de N. Entre os subtipos mais comuns em humanos estão o H1N1, responsável pela pandemia de 2009, e o H3N2.

    O Influenza B é dividido em duas linhagens e apresenta menor capacidade de mutação em comparação ao Influenza A.

    Animais também desempenham papel importante na transmissão de determinados tipos de influenza. Os porcos atuam como reservatórios do H3N2, enquanto aves podem ser infectadas por subtipos como H5N1 e H7N9.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da gripe é baseado nos sintomas apresentados e no exame físico do paciente. Para confirmação, podem ser solicitadas sorologias ou testes rápidos para influenza.

    Exames de sangue e radiografias de tórax são importantes para avaliar a presença de complicações ou sinais de gravidade, especialmente em pacientes de risco.

    Tratamento

    A maioria das infecções por gripe varia de leve a moderada e se resolve espontaneamente, com tratamento sintomático.

    O antiviral oseltamivir (Tamiflu) é eficaz quando iniciado nas primeiras 48 horas de sintomas, especialmente em pacientes com fatores de risco para complicações, como:

    • Gestantes;
    • Idosos;
    • Crianças menores de 5 anos;
    • Imunossuprimidos;
    • Pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares;
    • Pacientes com doenças hepáticas, diabetes ou obesidade.

    Casos mais graves, com comprometimento pulmonar significativo, podem necessitar de intubação e uso de ventilador mecânico.

    Prevenção

    As medidas básicas de prevenção da gripe incluem:

    • Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
    • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
    • Usar máscara quando estiver com sintomas;
    • Evitar tocar olhos, boca e nariz.

    A vacinação é a principal estratégia para prevenir casos graves da doença e é especialmente recomendada para os grupos de risco.

    Leia mais: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre gripe

    1. A gripe é altamente contagiosa?

    Sim. A gripe é transmitida por gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar, e pode ser transmitida mesmo antes do início dos sintomas.

    2. Quanto tempo uma pessoa com gripe pode transmitir o vírus?

    Os portadores do vírus podem transmiti-lo de 5 a 7 dias antes do aparecimento dos sintomas.

    3. Toda gripe precisa de antiviral?

    Não. A maioria dos casos melhora apenas com tratamento sintomático. O antiviral é indicado principalmente para grupos de risco ou quando iniciado nas primeiras 48 horas.

    4. Quais pessoas têm maior risco de complicações?

    Idosos, gestantes, crianças pequenas, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas têm maior risco de evolução grave.

    5. A vacina evita totalmente a gripe?

    Não necessariamente, mas é a principal medida para prevenir formas graves, complicações e mortes associadas à gripe.

    Veja também: Como diferenciar dengue de gripe e covid-19?

  • Urticária coça? Entenda mais e tire suas dúvidas sobre essa condição

    Urticária coça? Entenda mais e tire suas dúvidas sobre essa condição

    Quem já teve urticária sabe como é incômodo: de repente, a pele começa a coçar, aparecem vergões avermelhados e o desconforto pode durar horas. Essa reação, que parece simples, é na verdade uma resposta do corpo a diferentes estímulos, que podem ter várias causas, desde alergias a alimentos e medicamentos até o estresse.

    Comum em adultos jovens, a urticária atinge cerca de uma em cada cinco pessoas ao longo da vida. Na maioria dos casos, desaparece sozinha, mas quando se torna recorrente ou intensa, precisa de acompanhamento médico. Entender o que a provoca é o primeiro passo para controlar as crises e evitar que voltem.

    O que é a urticária

    A urticária é uma irritação de pele que provoca lesões avermelhadas, inchadas e que coçam muito. Essas manchas, chamadas de urtigas, aparecem em surtos e costumam desaparecer em poucas horas, sem deixar cicatrizes.

    Elas podem surgir em qualquer parte do corpo, isoladas ou agrupadas em placas maiores, e o principal desconforto é a coceira intensa, que pode atrapalhar o sono e as atividades diárias.

    Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum em adultos jovens entre 20 e 40 anos.

    Tipos de urticária

    A urticária pode ser classificada de duas formas.

    1. De acordo com o tempo de duração

    Aguda: desaparece em menos de seis semanas; geralmente causada por alergias, alimentos ou infecções.

    Crônica: dura seis semanas ou mais; pode estar associada a doenças autoimunes ou causas desconhecidas.

    2. De acordo com a causa

    Induzida: quando há um gatilho identificado, como alimentos, medicamentos, infecções ou estímulos físicos (frio, calor, pressão, sol, água).

    Espontânea (idiopática): quando não há causa aparente.

    Sintomas

    O sintoma mais característico é a coceira intensa, acompanhada de manchas avermelhadas e elevadas.

    Outros sinais são:

    • Inchaço rápido em olhos, lábios, língua ou garganta (angioedema);
    • Sensação de calor ou queimação na pele;
    • Vergões que aparecem e desaparecem em diferentes partes do corpo.

    Quando o inchaço atinge a garganta ou há dificuldade para respirar, trata-se de uma emergência médica, podendo evoluir para anafilaxia, uma reação alérgica grave com risco de vida.

    Causas e fatores de risco

    A urticária acontece quando o corpo libera histamina, uma substância envolvida nas reações alérgicas, causando vermelhidão e coceira na pele.

    Entre os fatores que podem desencadear as crises estão:

    • Alimentos e bebidas (frutos do mar, ovo, leite, amendoim, chocolate);
    • Medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos);
    • Infecções virais ou bacterianas;
    • Estímulos físicos (calor, frio, pressão, suor, exposição solar);
    • Estresse emocional.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito pelo médico dermatologista ou alergista, com base na história clínica e exame físico.

    Durante a consulta, são observados:

    • Forma, cor e duração das lesões;
    • Frequência e localização;
    • Presença de angioedema (inchaço).

    Exames de sangue, urina ou fezes podem ser solicitados para investigar infecções, doenças autoimunes ou alergias alimentares. Em casos crônicos ou duvidosos, pode ser feita biópsia de pele para excluir outras doenças.

    Tratamento da urticária

    O tratamento da urticária tem como objetivo aliviar os sintomas e prevenir novos episódios.

    Antialérgicos (anti-histamínicos): são o tratamento de primeira escolha, e devem ser usados regularmente conforme prescrição.

    Corticosteroides orais: usados por tempo limitado e apenas em crises intensas.

    Outros medicamentos: em casos resistentes, podem ser indicados imunomoduladores ou terapias específicas, sempre sob acompanhamento médico.

    É importante não se automedicar. O uso incorreto de remédios pode mascarar os sintomas e dificultar o diagnóstico.

    Prevenção

    Alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de novas crises:

    • Evite alimentos, medicamentos e substâncias que já causaram reações;
    • Reduza o estresse e priorize boas noites de sono;
    • Evite calor excessivo e bebidas alcoólicas;
    • Prefira roupas leves e tecidos naturais;
    • Mantenha uma alimentação equilibrada e evite corantes, conservantes, embutidos e enlatados.

    Cuidados diários

    Durante as crises de urticária:

    • Evite coçar para não ferir a pele;
    • Use roupas confortáveis e mantenha a pele hidratada;
    • Aplique compressas frias para aliviar a coceira;
    • Anote gatilhos e situações de estresse, para ajudar o médico na investigação;
    • Procure atendimento imediato se houver inchaço na garganta, falta de ar ou queda de pressão.

    Confira: Alergia à tatuagem existe? Saiba mais sobre sintomas e tratamentos

    Perguntas frequentes sobre urticária

    1. Urticária é contagiosa?

    Não. A urticária não se transmite de pessoa para pessoa.

    2. A urticária pode durar meses?

    Sim. Quando persiste por mais de seis semanas, é considerada crônica e precisa de acompanhamento médico.

    3. Estresse causa urticária?

    Sim. O estresse pode atuar como fator desencadeante ou agravante das crises.

    4. Posso usar pomadas antialérgicas?

    Algumas ajudam a aliviar a coceira, mas o tratamento principal deve ser feito com antialérgicos orais, conforme orientação médica.

    5. Crianças também podem ter urticária?

    Sim, embora seja mais comum em adultos jovens. As causas nas crianças costumam estar ligadas a infecções ou alimentos.

    6. Urticária pode causar falta de ar?

    Sim, em casos com angioedema ou anafilaxia. Nessa situação, procure atendimento de emergência imediatamente.

    7. É possível prevenir totalmente?

    Nem sempre, mas identificar e evitar os gatilhos ajuda muito a controlar a doença.

    Leia mais: Quando a alergia vira emergência: entenda a anafilaxia

  • Força muscular: por que ela é importante para um envelhecimento saudável?

    Força muscular: por que ela é importante para um envelhecimento saudável?

    Os músculos participam ativamente do funcionamento do organismo e permitem atividades simples do dia a dia, como levantar da cadeira, subir escadas, caminhar e carregar sacolas.

    Quando eles estão fortes, os músculos ajudam a proteger os ossos e articulações, reduzem o risco de quedas e fraturas e contribuem para manter a autonomia ao longo dos anos. Eles também consomem energia, auxiliam no controle do açúcar no sangue e colaboram para uma circulação mais eficiente.

    Com o envelhecimento, é natural a perda de força muscular, uma vez que o organismo passa por mudanças no metabolismo, nos hormônios e na capacidade de regeneração dos tecidos.

    No entanto, a perda não acontece de forma igual para todas as pessoas e pode ser desacelerada com hábitos adequados ao longo da vida. Vamos entender mais esse processo, a seguir.

    Por que a massa muscular é tão importante para envelhecer com saúde?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a massa muscular atua como um importante fator de proteção contra a fragilidade física, um processo muito comum que acompanha o envelhecimento. A partir dos 30 anos, é natural perder a massa muscular, condição conhecida como sarcopenia, que tende a se intensificar após os 60 anos.

    Quando não existem cuidados para diminuir essa perda, a força e a vitalidade diminuem, deixando a pessoa mais frágil e diminuindo a autonomia. Além disso, os músculos ajudam a proteger os ossos e melhoram o equilíbrio, reduzindo o risco de quedas e fraturas.

    Juliana ainda aponta que o músculo funciona como uma reserva do corpo e, em situações de saúde mais delicadas, como infecções ou recuperação de cirurgias, o organismo usa essa reserva para manter o sistema de defesa funcionando.

    Por isso, quem tem mais massa muscular costuma lidar melhor com problemas de saúde e manter uma melhor qualidade de vida com o passar dos anos.

    Perda de massa magra aumenta o risco de doenças cardiovasculares?

    Existe uma correlação importante entre baixo índice de massa muscular e aumento do risco de doenças cardiovasculares. De acordo com estudos, a sarcopenia está associada a um aumento da rigidez e do endurecimento das artérias, o que contribui para o aumento da pressão arterial.

    Além disso, a perda de músculo, em geral, vem acompanhada do aumento do tecido adiposo, conhecido como substituição lipogordurosa.

    Segundo Juliana, isso cria um ambiente inflamatório crônico: as células de gordura têm ação inflamatória e acabam promovendo agressão aos vasos sanguíneos, favorecendo a formação de placas de gordura que podem obstruir as artérias e levar a situações como infarto e AVC.

    Quais os melhores exercícios para preservar os músculos?

    Toda atividade física é importante para manter a saúde, mas quando o assunto é preservar e ganhar massa muscular, Juliana aponta que o tipo de exercício mais eficaz é o treinamento de resistência e força, como a musculação.

    Para que o músculo permaneça forte e possa crescer, ele precisa ser estimulado contra uma resistência. Isso pode ser feito por meio de diferentes tipos de exercícios, como:

    • Pesos livres;
    • Máquinas de musculação;
    • Elásticos de resistência;
    • Exercícios com o peso do próprio corpo;

    Além disso, exercícios funcionais que reproduzem movimentos do dia a dia são bastante eficazes, pois trabalham vários músculos ao mesmo tempo, como:

    • Agachamento;
    • Sentar e levantar;
    • Movimentos de flexão.

    Como equilibrar força, flexibilidade e resistência na rotina do idoso?

    O ideal é seguir uma rotina simples e variada, respeitando os limites do corpo. Algumas dicas podem ajudar:

    • Praticar exercícios de força, como musculação ou exercícios funcionais com carga, de duas a três vezes por semana;
    • Realizar atividades aeróbicas, como caminhada, bicicleta ou natação, totalizando cerca de 150 minutos por semana;
    • Incluir exercícios de flexibilidade e equilíbrio, que podem ser feitos até diariamente;
    • Utilizar o alongamento como parte do aquecimento ou do final do treino para manter os músculos mais soltos;
    • Fazer exercícios de equilíbrio para ajudar a prevenir quedas;
    • Considerar atividades como ioga e pilates, que trabalham vários aspectos ao mesmo tempo.

    O mais importante é não fazer tudo no mesmo dia nem exagerar na intensidade. Alternar os tipos de exercício e manter regularidade torna a rotina mais segura para o idoso.

    É possível começar a treinar com segurança mesmo após os 60?

    Nunca é tarde para começar a treinar, independentemente da idade.

    Na verdade, mesmo com o avanço da idade, é possível ganhar força e massa muscular, desde que o treino seja adequado. Juliana explica que o corpo humano possui capacidade de adaptação ao longo da vida, que pode diminuir com o tempo, mas nunca deixa de existir — processo é conhecido como neuroplasticidade muscular.

    No entanto, é necessário que a pessoa passe por uma avaliação médica para descartar possíveis contraindicações à prática de atividades físicas. O treino também deve ser supervisionado por um profissional para evitar movimentos errados.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes

    Por que a força muscular diminui com a idade?

    Com o passar dos anos, o corpo perde massa muscular de forma natural, devido a mudanças hormonais, redução do metabolismo e menor estímulo físico.

    Existe relação entre força muscular e diabetes?

    Sim, uma menor massa muscular pode dificultar o controle da glicose e aumentar o risco de diabetes tipo 2.

    Idosos podem fazer musculação?

    Sim, desde que haja orientação profissional e respeito aos limites individuais.

    Caminhar ajuda a manter a força muscular?

    Caminhar é excelente para a saúde cardiovascular, mas, sozinho, não é suficiente para preservar a força muscular. O ideal é associar a caminhada a exercícios de força.

    Quantas vezes por semana o idoso deve treinar força?

    Em geral, duas a três vezes por semana são suficientes para estimular os músculos, desde que o treino seja bem orientado.

    Dor muscular após o treino é normal em idosos?

    Pode acontecer, especialmente no início. Um leve desconforto é esperado, mas dor intensa ou persistente deve ser avaliada por um profissional.

    Pessoas com artrose podem fazer exercícios de força?

    Sim, desde que com orientação adequada. O fortalecimento muscular ajuda a aliviar a sobrecarga sobre as articulações.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Hemoglobina glicada: por que é tão importante no controle do diabetes?

    Hemoglobina glicada: por que é tão importante no controle do diabetes?

    Você sabia que mais de 10% da população adulta do Brasil convive com diabetes? A condição ocorre quando o organismo não produz insulina suficiente ou não consegue usar o hormônio de forma adequada, levando ao aumento do açúcar no sangue.

    Com o tempo, o excesso pode causar danos ao organismo, o que torna fundamental manter um acompanhamento regular para avaliar se a glicose está dentro dos valores ideais.

    Além do tratamento, exames como a hemoglobina glicada ajudam a avaliar como a glicose se comportou nos últimos meses. Vamos entender mais, a seguir.

    Para que serve o exame de hemoglobina glicada?

    A hemoglobina glicada, também chamada de HbA1c, é um exame de sangue que serve para avaliar como a glicose no sangue tem se comportado ao longo do tempo, principalmente nos últimos dois a três meses.

    De forma geral, o resultado revela uma média, mostrando se a pessoa costuma ficar com a glicose alta, normal ou baixa na maior parte do tempo.

    Isso acontece porque a glicose se liga à hemoglobina, que é a proteína do sangue responsável por transportar oxigênio, e essa ligação permanece durante toda a vida da célula do sangue, que dura cerca de 120 dias.

    “Ele é usado para diagnosticar o diabetes e também para acompanhar o controle da doença ao longo do tempo. O exame é feito a partir de uma amostra de sangue colhida como em qualquer exame de rotina”, explica a endocrinologista Denise Orlando.

    Qual a diferença entre a hemoglobina glicada e a glicemia de jejum?

    A principal diferença entre a hemoglobina glicada e a glicemia de jejum é o tipo de informação que cada exame oferece sobre o açúcar no sangue.

    A glicemia de jejum mostra quanto de glicose está circulando no sangue naquele momento específico em que o exame é feito, após um período sem comer, geralmente de oito a doze horas. Por isso, o resultado pode variar bastante de um dia para o outro, dependendo do que a pessoa comeu, do estresse, do sono, de infecções ou do uso de medicamentos.

    Já a hemoglobina glicada, por outro lado, avalia a média dos níveis de glicose nos últimos dois a três meses, mostrando como o açúcar no sangue se manteve ao longo do tempo, e não apenas em um único dia.

    “A hemoglobina glicada não sofre influência direta da alimentação nos dias anteriores, porque ela mostra a média da glicose ao longo de várias semanas. Por isso, é um exame que não exige jejum e é mais estável do que a glicemia em jejum”, explica Denise.

    Por que a hemoglobina glicada é tão importante no diabetes?

    A hemoglobina glicada é capaz de mostrar como o açúcar no sangue tem se comportado no dia a dia, e não só em um único momento, como acontece na glicemia de jejum.

    Como o exame mostra a média dos níveis de açúcar nos últimos dois a três meses, é possível saber se a pessoa tem ficado com a glicose elevada com frequência, mesmo quando as medições do dia a dia podem parecer normais.

    Isso faz toda a diferença porque os problemas do diabetes aparecem quando o açúcar fica alto por muito tempo. Quanto mais alta a hemoglobina glicada, maior o risco de complicações nos olhos, nos rins, nos nervos, no coração e nos vasos.

    “Um resultado dentro da meta significa que a glicose tem estado estável, o que reduz o risco de complicações. Ela ajuda médicos e pacientes a ajustarem o tratamento de forma mais eficaz, com base em um panorama mais completo”, aponta Denise.

    Quais os sintomas da hemoglobina glicada alta?

    A hemoglobina glicada alta, por si só, não causa sintomas diretos, mas indica que a glicose no sangue tem permanecido elevada por um período prolongado. Isso significa que o diabetes está mal controlado, mesmo que a pessoa não esteja sentindo nada de diferente no dia a dia.

    Quando a glicose fica alta por muito tempo, podem surgir sinais como:

    • Sede excessiva;
    • Vontade frequente de urinar;
    • Cansaço;
    • Visão embaçada;
    • Fome constante;
    • Perda de peso sem explicação.

    No entanto, muitas pessoas podem passar meses ou até anos com a hemoglobina glicada elevada sem apresentar sintomas evidentes, o que torna o exame ainda mais importante.

    Valores de referência da hemoglobina glicada

    Segundo Denise, os valores de hemoglobina glicada são interpretados da seguinte forma:

    • Abaixo de 5,7% — considerado normal;
    • Entre 5,7% e 6,4% — pré-diabetes;
    • Igual ou acima de 6,5% — diagnóstico de diabetes (confirmado com mais de um exame ou associado a outros critérios);

    Com que frequência fazer o exame de hemoglobina glicada?

    O recomendado é realizar o exame a cada três meses, principalmente quando houve mudança no tratamento, ajuste de medicamentos ou quando o diabetes não está bem controlado

    Quando o diabetes está estável e bem controlado, o exame pode ser solicitado a cada seis meses, de acordo com a orientação médica.

    Veja também: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

    Perguntas frequentes

    1. Quem deve fazer a hemoglobina glicada?

    Pessoas com diabetes, pré-diabetes, histórico familiar de diabetes, sobrepeso, hipertensão ou outras condições que aumentam o risco da doença.

    2. É preciso estar em jejum para fazer o exame?

    Não, a hemoglobina glicada pode ser feita em qualquer horário do dia, independentemente de ter se alimentado.

    3. A hemoglobina glicada pode variar de um dia para o outro?

    Não. Como ela mostra uma média de meses, pequenas variações diárias não alteram o resultado de forma significativa.

    4. A hemoglobina glicada substitui a glicemia de jejum?

    Não, os dois exames se complementam. A glicemia mostra o valor do momento, e a hemoglobina glicada mostra o histórico dos últimos meses.

    5. O que fazer se a hemoglobina glicada estiver alta?

    É preciso rever alimentação, atividade física e medicamentos com orientação médica para melhorar o controle da glicose.

    6. O exame pode indicar riscos de complicações do diabetes a longo prazo?

    Sim, quanto mais alta a hemoglobina glicada, maior o risco de complicações do diabetes, como problemas nos olhos, rins, nervos e coração. Manter a HbA1c dentro da meta ajuda a reduzir esse risco ao longo do tempo.

    7. A perda de peso pode reduzir a hemoglobina glicada?

    Sim, em muitas pessoas, emagrecer melhora a sensibilidade à insulina e ajuda a diminuir os níveis de glicose, refletindo na redução da hemoglobina glicada.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Beber água ajuda a controlar a pressão arterial? Entenda a relação entre hidratação e saúde do coração

    Beber água ajuda a controlar a pressão arterial? Entenda a relação entre hidratação e saúde do coração

    A água participa de praticamente todos os processos vitais do corpo humano, desde o transporte de nutrientes e oxigênio até a regulação da temperatura corporal, mas você sabia que ela também pode ajudar a controlar a pressão arterial?

    Isso acontece porque o volume de líquidos no organismo influencia diretamente a quantidade de sangue que circula pelos vasos e o esforço que o coração precisa fazer para bombear o sangue.

    Por isso, quando a hidratação no dia a dia é adequada, a pressão arterial tende a se manter mais estável.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para esclarecer como a hidratação influencia a pressão arterial, qual a quantidade de água indicada no dia a dia e quais sinais podem indicar desidratação. Confira!

    Por que beber água ajuda a controlar a pressão arterial?

    A água participa da composição do sangue e contribui para manter o volume circulante equilibrado no organismo. Por isso, beber água suficiente ajuda no controle da pressão arterial.

    De acordo com Juliana, quando estamos bem hidratados, os vasos sanguíneos permanecem mais relaxados, o sangue flui de forma adequada e o coração trabalha com menos esforço, o que favorece a estabilidade da pressão.

    Já em situações de desidratação, a redução do volume sanguíneo ativa mecanismos de compensação do corpo, como a liberação de substâncias, entre elas a vasopressina, que promove a contração dos vasos sanguíneos e a retenção de sódio.

    Isso pode levar à elevação da pressão arterial e fazer com que o coração bata de forma mais acelerada para garantir a circulação adequada do sangue. Como consequência, o organismo passa a trabalhar em um estado de maior sobrecarga.

    Beber pouca água pode causar tontura e queda de pressão?

    Quando o organismo não recebe líquidos suficientes, em casos de desidratação, o volume de sangue diminui, dificultando a adaptação da circulação ao mudar de posição, como ao levantar da cama ou da cadeira.

    Isso pode causar uma condição chamada hipotensão ortostática, segundo Juliana, que provoca sintomas como queda da pressão, sensação de tontura, escurecimento da visão e até desmaio.

    Quantos litros de água beber por dia?

    Na prática, a quantidade ideal de água varia de acordo com o peso corporal, segundo Juliana, Para um adulto saudável, o recomendado é consumir cerca de 30 a 35 ml de água por quilo de peso por dia.

    Assim, uma pessoa com 70 quilos, por exemplo, precisa de aproximadamente dois a dois litros e meio de líquido diariamente.

    De forma geral, o ideal seria, no mínimo, oito copos de água por dia. Vale lembrar que, em situações de prática de atividade física ou em dias muito quentes, a quantidade deve ser aumentada.

    Recomendações para pessoas com problemas cardíacos ou renais

    Em casos de insuficiência renal, quando os rins não conseguem filtrar adequadamente, o excesso de água pode ficar retido no organismo, aumentando a pressão arterial e provocando sintomas como inchaço e mal-estar.

    Nesses casos, o nefrologista é quem deve definir a quantidade máxima de líquido permitida ao longo do dia.

    Já em quadros de insuficiência cardíaca, Juliana explica que o coração tem dificuldade para bombear grandes volumes de sangue, de modo que o consumo excessivo de líquidos pode levar ao acúmulo de água nos pulmões e nos membros, causando falta de ar e inchaço.

    Por isso, muitas vezes é indicada a restrição hídrica, sempre baseada em avaliação médica, considerando o estágio da doença e as condições clínicas de cada pessoa.

    Além da água, quais outras bebidas podem ajudar a hidratar o corpo?

    A água é sempre a melhor opção para manter a hidratação no dia a dia, mas o consumo periódico de outras bebidas também pode ajudar no processo, como:

    • Água de coco, que contribui para a reposição de eletrólitos, como o potássio;
    • Chás naturais claros, como camomila e erva-cidreira, que auxiliam na hidratação sem efeito estimulante;
    • Água aromatizada com frutas ou ervas, desde que sem adição de açúcar.

    Por outro lado, é importante ter cuidado com algumas bebidas. Refrigerantes, bebidas alcoólicas e aquelas ricas em açúcar ou cafeína, por exemplo, não são consideradas boas fontes de hidratação e podem, inclusive, contribuir para a perda de líquidos ou para oscilações da pressão arterial.

    Sinais de desidratação para ficar atento

    Quando bebemos pouca água no dia a dia, alguns sinais simples podem indicar desidratação, como:

    • Boca seca ou sensação constante de sede;
    • Pele mais seca que o normal;
    • Dor de cabeça, principalmente no fim do dia;
    • Tontura ou sensação de fraqueza;
    • Coração batendo mais rápido, como forma de compensar a falta de líquido;
    • Urina escura ou muito concentrada.

    Em geral, Juliana aponta que a urina deve ter coloração clara. Quando fica escura, costuma ser um sinal de que o organismo precisa de mais água.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes

    Existe um melhor horário do dia para beber água?

    O ideal é distribuir a ingestão de água ao longo do dia. Beber pequenas quantidades regularmente é mais eficiente do que consumir grandes volumes de uma só vez.

    Bebidas alcoólicas desidratam?

    Sim, pois o álcool tem efeito diurético, aumentando a perda de líquidos e favorecendo a desidratação, além de poder interferir no controle da pressão arterial.

    É melhor beber água aos poucos ou em grande quantidade de uma vez?

    O ideal é beber água aos poucos, distribuindo a ingestão ao longo do dia. Consumir grandes volumes de uma só vez não hidrata melhor e pode até causar desconforto gastrointestinal.

    Beber muita água pode fazer mal?

    Sim. O excesso de líquido, conhecido como hipervolemia, pode elevar a pressão arterial, pois pode ultrapassar a capacidade dos rins de filtrar adequadamente o volume sanguíneo.

    Além disso, uma grande quantidade de água pode levar à diluição do sangue, reduzindo os níveis de sódio no organismo.

    A alimentação pode influenciar na pressão arterial?

    Sim, o consumo excessivo de sal, alimentos ultraprocessados e ricos em sódio favorece a elevação da pressão arterial, enquanto uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes contribui para o controle da pressão.

    Pressão alta pode causar sintomas?

    Na maioria das vezes, não. A hipertensão costuma ser silenciosa, mas em alguns casos pode causar dor de cabeça, tontura, palpitações ou visão turva.

    Quando procurar um médico por causa da pressão arterial?

    Sempre que houver valores persistentemente elevados ou muito baixos, sintomas frequentes ou dificuldade para controlar a pressão com as medidas habituais, a avaliação médica é fundamental.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Os agonistas de GLP-1, como a tirzepatida, atuam imitando e potencializando a ação de hormônios intestinais liberados após as refeições. Eles atuam na comunicação entre o intestino e o cérebro, aumentando a sensação de saciedade e diminuindo o impulso por certos alimentos — incluindo doces e preparações ricas em açúcar e gordura.

    Com isso, a pessoa passa a sentir menos necessidade de comer por prazer ou por impulso, consegue parar de comer mais cedo e tem mais facilidade para reconhecer o momento em que já está satisfeita.

    No caso de pessoas com compulsão alimentar, ao reduzir a intensidade dos pensamentos constantes sobre comida e a busca por recompensa imediata, os agonistas de GLP-1 ajudam a diminuir episódios de perda de controle.

    Como o GLP-1 atua no cérebro para reduzir a compulsão alimentar?

    Os agonistas de GLP-1 atuam nos sinais químicos do cérebro que controlam a fome e a saciedade. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, eles avisam ao cérebro que o corpo já recebeu energia suficiente, ajudando a reduzir a fome.

    Os injetáveis também diminuem a vontade e o prazer de comer certos alimentos, especialmente os mais calóricos e ricos em gordura. Isso acontece porque eles reduzem a ação da dopamina, um neurotransmissor ligado ao sistema de recompensa, fazendo com que comer deixe de gerar aquela sensação intensa de satisfação.

    A cardiologista explica que, entre as áreas cerebrais envolvidas está o hipotálamo, que funciona como o centro de controle da fome e da saciedade, ajudando a sinalizar o momento de parar de comer. Outra região importante é o sistema mesolímbico, responsável pela sensação de recompensa.

    Ao modular a liberação de dopamina nessa área, o GLP-1 reduz o prazer associado à comida e, consequentemente, diminui os episódios de compulsão alimentar.

    Fenômeno do food noise

    O food noise, ou ruído alimentar, são pensamentos constantes e compulsivos sobre comida, mesmo quando a pessoa não está com fome. Elas tornam ainda mais difícil manter o controle alimentar, levando à vontade de comer por impulso e à sensação de perda de controle diante da comida.

    Um estudo publicado na Nature Medicine mostrou como o fenômeno aparece no cérebro e como pode ser reduzido por medicamentos de nova geração, como a tirzepatida, comercializado como Mounjaro.

    Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia observaram a atividade cerebral de pessoas com compulsão alimentar e identificaram um padrão específico ligado ao desejo intenso por comida. Em uma paciente que usava tirzepatida, esse padrão e os pensamentos compulsivos praticamente desapareceram.

    Com o tempo, a atividade cerebral ligada ao food noise voltou a aumentar, sugerindo possível redução do efeito do medicamento no cérebro. Ainda assim, o estudo reforça que os agonistas de GLP-1 atuam diretamente nos mecanismos da compulsão alimentar e abrem caminho para tratamentos mais focados no controle desses impulsos.

    Há risco de o paciente substituir a compulsão por outros comportamentos?

    De acordo com Juliana, resultados preliminares indicam que não há uma relação direta de substituição de uma compulsão por outro comportamento.

    Alguns estudos observacionais mostram que pacientes em uso de GLP-1 também tendem a reduzir a vontade de consumir álcool e de fumar, já que o medicamento atua no sistema geral de recompensa do cérebro, e não apenas na alimentação.

    Porém, quando a comida é usada como principal válvula de escape emocional, a redução do comportamento pode causar ansiedade, o que reforça a importância de acompanhamento adequado.

    O que acontece com a compulsão alimentar após a suspensão do GLP-1

    Depois da suspensão do GLP-1, o efeito do medicamento no cérebro vai diminuindo aos poucos. Com isso, a fome, o food noise e a compulsão alimentar podem voltar, principalmente se não houver acompanhamento.

    Por isso, o GLP-1 ajuda no controle dos sintomas enquanto está em uso, mas não substitui mudanças de hábitos nem o acompanhamento médico, psicológico e nutricional, que são fundamentais para manter os resultados a longo prazo.

    O controle da compulsão ajuda a proteger o coração?

    A resposta é sim. A compulsão alimentar costuma envolver ingestão rápida e excessiva de calorias, o que favorece picos de glicemia, inflamação sistêmica e acúmulo de gordura visceral.

    Quando a compulsão é controlada, Juliana explica que há maior estabilidade dos níveis de açúcar no sangue, redução da inflamação e melhora da resistência à insulina.

    Os fatores, em conjunto, contribuem para a manutenção da perda de peso e para a redução do risco cardiovascular a longo prazo.

    Veja mais: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre compulsão alimentar e bulimia?

    Na compulsão alimentar não há comportamentos compensatórios, como vômitos ou uso de laxantes, o que ocorre na bulimia.

    Quais são os principais sintomas da compulsão alimentar?

    Os principais sintomas da compulsão alimentar envolvem comer rapidamente, ingerir grandes quantidades mesmo sem fome, comer até sentir desconforto físico e sentir culpa ou vergonha após os episódios.

    Como é feito o diagnóstico da compulsão alimentar?

    O diagnóstico é clínico, feito por profissional de saúde, com base na frequência dos episódios e nos comportamentos associados.

    Com que frequência os episódios precisam ocorrer para caracterizar o transtorno?

    Normalmente, ao menos uma vez por semana, por três meses ou mais, segundo critérios clínicos.

    A compulsão alimentar tem cura?

    Não se fala em cura, mas em controle. Com tratamento adequado, é possível reduzir episódios e melhorar a relação com a comida.

    Quem pode usar medicamentos à base de GLP-1?

    Pessoas com obesidade, sobrepeso associado a comorbidades ou diabetes tipo 2, sempre com indicação médica.

    O GLP-1 pode ser usado por tempo prolongado?

    Em muitos casos, sim, desde que haja acompanhamento médico e avaliação regular dos benefícios e riscos.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Como manter o corpo funcional e forte com o passar dos anos 

    Como manter o corpo funcional e forte com o passar dos anos 

    Envelhecer faz parte da vida, mas a forma como envelhecemos depende de escolhas diárias. O corpo muda com o tempo, pois os músculos perdem força, o metabolismo desacelera, a imunidade oscila e o sistema cardiovascular exige mais cuidado.

    Essas mudanças, porém, não significam perda de vitalidade. É, sim, possível manter o corpo forte, funcional e protegido ao longo das décadas. Pequenos hábitos têm impacto na saúde do corpo e da mente e reduzem o risco de doenças crônicas, o que preserva energia e o que tanto se quer conforme os anos passam: a autonomia.

    Por que o corpo muda com a idade?

    Com o passar dos anos, acontecem transformações naturais no organismo:

    • Queda da massa muscular;
    • Redução da produção de hormônios;
    • Maior tendência à inflamação;
    • Alterações do sistema imunológico (imunossenescência);
    • Mudanças no ritmo circadiano e no metabolismo;
    • Maior risco de doenças cardiovasculares.

    Essas mudanças, porém, não são sinônimo de doença, e podem ser moduladas com hábitos saudáveis.

    Dicas para manter o corpo forte e funcional com o avançar da idade

    1. Mantenha os músculos ativos: força é longevidade

    A partir dos 30 anos, perdemos cerca de 3% a 8% de massa muscular por década. O exercício mais importante para retardar essa perda é o treinamento de força, como musculação, exercícios com elástico, pilates ou calistenia.

    Benefícios comprovados:

    • Aumenta massa e força muscular;
    • Melhora equilíbrio e previne quedas;
    • Protege articulações;
    • Melhora a sensibilidade à insulina;
    • Reduz risco de doenças cardiovasculares.

    Recomendações médicas:

    • Fazer exercício de força pelo menos 2 a 3 vezes por semana;
    • Incluir movimentos para membros superiores, inferiores e core;
    • Progredir lentamente, respeitando o corpo e com acompanhamento de um educador físico.

    2. Exercícios aeróbicos: bom para o coração e o cérebro

    O recomendado é fazer pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada.

    Benefícios:

    • Melhora circulação;
    • Reduz pressão arterial;
    • Regula colesterol;
    • Contribui para memória e raciocínio;
    • Aumenta níveis de energia;
    • Reduz risco de depressão.

    Caminhadas rápidas, pedalar, nadar ou dançar fazem uma grande diferença.

    3. A importância da boa alimentação

    Comer bem não é sobre dietas restritivas, e sim sobre equilíbrio. Um padrão alimentar baseado em:

    • Frutas e vegetais variados;
    • Proteínas de boa qualidade (peixes, ovos, carnes magras, leguminosas);
    • Gorduras boas (azeite, castanhas, abacate);
    • Fibras (verduras, feijões, aveia);
    • Carboidratos integrais na medida certa.

    A literatura científica mostra que padrões como a dieta mediterrânea reduzem risco de:

    • Doenças cardiovasculares;
    • Declínio cognitivo;
    • Inflamações;
    • Diabetes tipo 2.

    Pequenos hábitos que ajudam:

    • Montar pratos coloridos;
    • Evitar ultraprocessados;
    • Priorizar comida feita em casa;
    • Hidratar-se ao longo do dia.

    4. Imunidade: como proteger seu sistema de defesa

    O envelhecimento afeta a resposta imunológica, aumentando risco de infecções. Mas é possível fortalecer essa defesa do corpo.

    Fatores que ajudam:

    • Vitamina D adequada (exposição solar segura e avaliação médica para analisar necessidade de suplementação);
    • Ingestão suficiente de proteínas por meio da alimentação;
    • Incluir vegetais ricos em antioxidantes;
    • Sono regular;
    • Prática de atividade física;
    • Vacinação atualizada.

    5. Cuidados cardiovasculares: o coração também envelhece

    Doenças do coração continuam sendo uma das principais causas de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os pilares da prevenção são:

    • Controlar pressão arterial;
    • Controlar glicemia e colesterol;
    • Manter peso saudável;
    • Não fumar e não beber álcool em excesso;
    • Manter rotina de exames.

    Pequenas coisas, como caminhar diariamente e reduzir sal na alimentação, já fazem diferença.

    6. Sono: a base da recuperação do corpo

    A falta de sono desequilibra hormônios, aumenta inflamação e prejudica o coração.

    O que funciona:

    • Dormir de 7 a 9 horas;
    • Evitar telas perto do horário de dormir;
    • Ter rotina regular;
    • Buscar luz natural pela manhã.

    7. Gerenciar o estresse é tão importante quanto comer bem

    Estresse crônico está ligado a:

    • Pressão alta;
    • Ansiedade;
    • Piora da imunidade;
    • Dores crônicas;
    • Ganho de peso.

    Ferramentas eficazes para diminuir o estresse:

    • Yoga e pilates;
    • Respiração profunda;
    • Terapia;
    • Caminhadas na natureza;
    • Hobbies que relaxem.

    8. Cuidar da saúde mental é fundamental

    O cérebro também muda com o tempo. Proteger a saúde emocional ajuda a reduzir risco de depressão e declínio cognitivo.

    Estratégias:

    • Manter conexões sociais;
    • Terapia;
    • Atividade física;
    • Leitura, jogos de lógica e aprendizado contínuo.

    Leia também: Dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho

    Perguntas frequentes sobre como manter o corpo forte e funcional

    1. Qual a melhor idade para começar a se cuidar?

    Agora. O corpo responde positivamente a hábitos saudáveis em qualquer fase da vida.

    2. Posso começar musculação após os 50 anos?

    Sim. Em qualquer idade há melhora de força, equilíbrio e diminuição de risco cardiovascular mesmo em iniciantes mais velhos.

    3. Preciso tomar suplementação para manter imunidade?

    Só quando há deficiência comprovada. O ideal é avaliar com seu médico.

    4. Caminhada substitui academia?

    A caminhada traz muitos benefícios, mas não substitui exercícios de força. Os dois são importantes.

    5. O envelhecimento sempre traz doenças?

    Não. Doenças não são consequência inevitável do envelhecimento; bons hábitos reduzem substancialmente o risco.

    6. Qual é o primeiro passo para quem quer começar?

    Organizar rotina de exercícios (força + aeróbico) e melhorar o sono. Esses dois pilares sustentam os demais.

    Leia mais: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

  • 8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras 

    8 doenças que você pode pegar por não lavar bem frutas e verduras 

    Lavar frutas, verduras e legumes pode parecer um detalhe simples da rotina, mas pular essa etapa, ou fazê-la de forma inadequada, pode trazer consequências sérias para a saúde. Todos os anos, milhões de pessoas no mundo desenvolvem doenças causadas por alimentos contaminados, muitas delas evitáveis com cuidados básicos de higiene.

    Bactérias, parasitas e vírus invisíveis a olho nu podem estar presentes em alimentos crus ou mal manipulados. Quando ingeridos, eles podem causar desde quadros leves de diarreia até infecções graves, especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa.

    Por que a higienização correta dos alimentos é tão importante?

    Alimentos crus, especialmente frutas, verduras e legumes, podem entrar em contato com:

    • Fezes de animais;
    • Água contaminada;
    • Solo com parasitas;
    • Superfícies e mãos contaminadas durante o manuseio.

    Sem a higienização adequada, esses microrganismos permanecem nos alimentos e podem causar doenças transmitidas por alimentos (DTAs), também conhecidas como infecções ou intoxicações alimentares.

    8 doenças que você pode pegar por não higienizar alimentos corretamente

    1. Salmonelose

    Causada pela bactéria Salmonella, é uma das infecções alimentares mais comuns no mundo.

    Principais sintomas:

    • Diarreia;
    • Febre;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos.

    A contaminação ocorre principalmente por alimentos crus ou mal lavados, como verduras, além de ovos e carnes malcozidos.

    2. Hepatite A

    A hepatite A é uma infecção viral transmitida pela via fecal-oral, frequentemente associada à ingestão de água ou alimentos contaminados.

    Principais sintomas:

    • Cansaço;
    • Náuseas;
    • Dor abdominal;
    • Pele e olhos amarelados (icterícia).

    Verduras, frutas e alimentos crus mal higienizados são fontes frequentes de transmissão.

    3. Giardíase

    A giardíase é causada pelo parasita Giardia lamblia, muito comum em regiões com saneamento básico inadequado.

    Principais sintomas:

    • Diarreia persistente;
    • Gases e distensão abdominal;
    • Dor abdominal;
    • Perda de peso.

    A contaminação ocorre principalmente por água e alimentos crus mal lavados.

    4. Amebíase

    Causada pelo parasita Entamoeba histolytica, a amebíase pode variar de quadros leves a formas graves.

    Principais sintomas:

    • Diarreia com muco ou sangue;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Em casos graves, acometimento do fígado.

    Frutas e verduras contaminadas são uma importante via de transmissão.

    5. Toxoplasmose

    A toxoplasmose é causada pelo parasita Toxoplasma gondii e merece atenção especial em gestantes.

    Principais sintomas:

    • Muitas vezes assintomática;
    • Febre;
    • Dor muscular;
    • Aumento de gânglios.

    A ingestão de alimentos crus ou mal higienizados contaminados com o parasita é uma das formas de transmissão.

    6. Listeriose

    A listeriose é causada pela bactéria Listeria monocytogenes e pode ser grave em grupos de risco.

    Principais sintomas:

    • Febre;
    • Dor muscular;
    • Náuseas;
    • Em gestantes, risco para o feto.

    Pode estar presente em alimentos crus, mal lavados ou mal armazenados.

    7. Infecção por Escherichia coli (E. coli)

    Algumas cepas da bactéria E. coli causam infecções intestinais graves.

    Principais sintomas:

    • Diarreia intensa (às vezes com sangue);
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos.

    A contaminação ocorre por alimentos crus, especialmente verduras e frutas mal higienizadas.

    8. Ascaridíase e outras verminoses

    Vermes intestinais, como Ascaris lumbricoides, podem ser adquiridos pela ingestão de ovos presentes em alimentos contaminados.

    Principais sintomas:

    • Dor abdominal;
    • Náuseas;
    • Perda de apetite;
    • Em casos graves, obstrução intestinal.

    Como higienizar os alimentos corretamente?

    A higienização correta de frutas, verduras e legumes é uma das medidas mais importantes para prevenir doenças transmitidas por alimentos. Esse processo envolve duas etapas diferentes, que muitas pessoas confundem: lavar e desinfetar. As duas são necessárias.

    1. Lave bem os alimentos em água corrente

    O primeiro passo é sempre a lavagem:

    • Retire folhas externas muito sujas ou danificadas
    • Lave um alimento por vez, em água corrente potável
    • Esfregue suavemente a superfície com as mãos
    • Use escova em legumes mais firmes

    Essa etapa remove sujeiras visíveis, terra, ovos de parasitas e parte dos microrganismos. Não elimina vírus e bactérias sozinha.

    2. Faça a desinfecção com solução clorada

    Após lavar, é necessário desinfetar os alimentos que serão consumidos crus.

    Como preparar a solução correta:

    • Use água sanitária própria para alimentos ou hipoclorito de sódio;
    • Siga as proporções indicadas no rótulo;
    • Deixe imerso por 10 a 15 minutos;
    • Mantenha totalmente submerso.

    Esse tempo elimina:

    • Bactérias (como Salmonella e E. coli);
    • Parasitas (como Giardia e ovos de vermes);
    • Vírus (como hepatite A).

    3. Enxágue novamente em água potável

    Após a desinfecção:

    • Retire da solução;
    • Enxágue bem;
    • Escorra e armazene em recipiente limpo.

    Atenção: vinagre ou sal não higienizam

    Vinagre e água com sal não eliminam microrganismos que causam doenças. Não substituem o processo de desinfecção.

    Cuidados extras importantes

    • Lave sempre as mãos;
    • Higienize utensílios e superfícies;
    • Separe alimentos crus de prontos;
    • Gestantes, idosos e imunossuprimidos precisam de cuidado redobrado;
    • Evite alimentos crus fora de casa quando não há garantia de higiene.

    Leia também: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

    Perguntas frequentes sobre doenças relacionadas à falta de higienização

    1. Só lavar com água é suficiente?

    Não. A lavagem remove sujeiras, mas a desinfecção é necessária para eliminar microrganismos.

    2. Vinagre substitui o cloro?

    Não. Não há evidência de eficácia contra parasitas e bactérias.

    3. Crianças correm mais risco?

    Sim. Crianças, idosos, gestantes e imunossuprimidos são mais vulneráveis.

    4. Alimentos orgânicos também precisam ser lavados?

    Sim. A origem não elimina risco de contaminação.

    5. Posso pegar essas doenças em casa?

    Sim. Tanto em casa quanto fora.

    6. Congelar os alimentos mata microrganismos?

    Não necessariamente. A higienização continua essencial.

    7. Quando procurar um médico?

    Em casos de diarreia persistente, sangue nas fezes, febre alta ou sinais de desidratação.

    Leia mais: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

  • Hantavirose: a virose rara e grave transmitida por roedores 

    Hantavirose: a virose rara e grave transmitida por roedores 

    Febre alta, dores no corpo e mal-estar podem parecer sintomas comuns de viroses conhecidas, como dengue ou gripe. No entanto, em regiões específicas do Brasil, esses sinais podem indicar uma doença muito mais grave e ainda pouco conhecida: a hantavirose.

    Transmitida exclusivamente por roedores, essa zoonose pode evoluir rapidamente para quadros severos, com comprometimento dos rins, dos pulmões e do coração, exigindo diagnóstico rápido e atendimento hospitalar especializado.

    O que é a hantavirose?

    A hantavirose é uma zoonose causada por vírus do gênero Ortohantavirus, tendo os roedores como única fonte de infecção. A doença pode provocar infecções nas meninges e no sistema nervoso, além de comprometer outros órgãos vitais.

    Existem duas principais formas clínicas da doença:

    • Febre hemorrágica com síndrome renal;
    • Síndrome cardiopulmonar do hantavírus.

    Desde sua identificação no Brasil, em 1993, a incidência da hantavirose vem aumentando, com maior concentração de casos na região Sul do país. A população mais acometida está entre 20 e 49 anos, sem distinção entre homens e mulheres.

    Principais sintomas

    A apresentação clínica da hantavirose varia conforme a forma da doença.

    Febre hemorrágica com síndrome renal

    Essa forma da doença é dividida em cinco fases clínicas:

    Fase febril

    Início súbito de febre alta, calafrios, enjoo, vômitos, dor de cabeça (frequentemente atrás dos olhos), dores no corpo e manchas avermelhadas na pele. Os sintomas são semelhantes aos da dengue e duram, em média, 7 dias.

    Fase hipotensiva

    Parte dos pacientes evolui para queda da pressão arterial, que pode variar de leve a grave, exigindo uso de medicamentos para estabilização. Também podem ocorrer sangramentos pela pele ou mucosas.

    Fase oligúrica

    Há piora da função renal, com redução do volume urinário e perda de proteínas pela urina. Em casos graves, pode ser necessária diálise.

    Fase diurética

    Com a recuperação dos rins, ocorre aumento do volume urinário e episódios de elevação da pressão arterial.

    Fase de convalescência

    Fase de recuperação gradual, com melhora progressiva dos sintomas.

    Síndrome cardiopulmonar do hantavírus

    Essa forma é a mais grave da doença.

    Inicialmente, surgem sintomas prodrômicos como:

    • Febre;
    • Dores no corpo;
    • Enjoo;
    • Diarreia.

    Após 3 a 6 dias, o quadro evolui para a fase cardiopulmonar, caracterizada por:

    • Infiltração de líquidos e proteínas nos pulmãos;
    • Falta de ar;
    • Tosse;
    • Aumento da frequência cardíaca;
    • Queda da pressão arterial devido ao comprometimento do coração.

    Nos casos mais graves, há necessidade de intubação, evolução para choque e internação em UTI. O prognóstico desses casos é ruim, com alta taxa de mortalidade.

    Diagnóstico e tratamento

    O diagnóstico da hantavirose é feito por meio de testes sorológicos, que identificam o vírus ou os anticorpos produzidos pelo organismo.

    A suspeita clínica deve ser levantada em pacientes com:

    • Exposição a roedores;
    • Histórico ambiental de risco;
    • Sintomas compatíveis.

    Exames de sangue e urina são solicitados para avaliar a gravidade da doença e possíveis complicações, de acordo com a forma clínica apresentada.

    Atualmente, não existe tratamento específico para a hantavirose. O manejo é baseado em tratamento de suporte, que inclui:

    • Hidratação;
    • Medicamentos sintomáticos;
    • Antibióticos, quando há suspeita de pneumonia secundária;
    • Internação em UTI nos casos graves.

    Leia também:

    Diferença entre dengue, zika e chikungunya

    Perguntas frequentes sobre hantavirose

    1. A hantavirose é transmitida de pessoa para pessoa?

    Não. A única fonte de infecção são os roedores.

    2. Os sintomas iniciais podem confundir com dengue?

    Sim. Na fase inicial, os sintomas são muito semelhantes.

    3. Toda pessoa infectada deve desenvolver a forma grave?

    Não. A evolução varia conforme a forma clínica e o organismo do paciente.

    4. Existe tratamento específico contra o vírus?

    Não. O tratamento é de suporte.

    5. A hantavirose pode levar à morte?

    Sim. Especialmente na forma cardiopulmonar, a mortalidade é elevada.

    Veja mais:

    Dengue hemorrágica: quando os sintomas indicam alerta máximo

  • Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Resfriados, gripes, viroses intestinais, COVID-19 e dengue são apenas algumas das infecções causadas por vírus, que entram no organismo, se multiplicam e ativam uma resposta do sistema imunológico — que é importante para combater os microorganismos.

    No entanto, o processo também pode trazer efeitos colaterais importantes para o coração. Você sabia que uma infecção viral pode aumentar o risco de infarto?

    Isso ocorre porque, durante a infecção, o corpo entra em um estado inflamatório intenso. O sistema imune libera substâncias chamadas citocinas, que ajudam a combater o vírus, mas ao mesmo tempo causam um estresse significativo para o organismo, especialmente em pessoas com doenças crônicas, idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares.

    Como a infecção viral afeta o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, durante um processo infeccioso, o organismo ativa uma resposta de defesa que, por diferentes mecanismos, pode afetar o funcionamento do coração.

    Um dos primeiros efeitos é o aumento da demanda metabólica: a febre e a própria infecção aceleram o metabolismo, fazendo com que o coração precisem bater mais rápido e com mais força para atender ao maior consumo de oxigênio do corpo.

    Quando a pessoa já apresenta algum grau de entupimento nas artérias, o esforço adicional pode reduzir o fluxo de sangue para o músculo cardíaco, levando à isquemia. Ao mesmo tempo, o sistema imunológico as citocinas, responsáveis por combater o vírus, mas que também provocam inflamação nos vasos sanguíneos.

    A inflamação pode danificar o revestimento interno das artérias e tornar instáveis placas de gordura que já existiam, aumentando a chance de ruptura. Além disso, durante a infecção, o sangue tende a ficar mais espesso, o que favorece a coagulação.

    Todo o processo é um mecanismo natural de defesa do organismo para evitar sangramentos, mas Juliana ressalta que ele eleva o risco de formação de coágulos, que podem obstruir uma artéria do coração, causando infarto, ou atingir o cérebro, provocando um AVC.

    Quais vírus estão mais associados a inflamações cardíacas?

    Diversos vírus podem afetar o coração, especialmente o músculo cardíaco e as estruturas que o envolvem. Entre os principais, se destacam:

    • Coxsackie B: causa clássica de miocardite, um processo inflamatório do músculo cardíaco, que acomete com frequência crianças e adultos jovens;
    • SARS-CoV-2 (COVID-19): apresenta grande capacidade de provocar inflamação do músculo cardíaco e formação de trombos, tanto na fase aguda da infecção quanto no período de recuperação;
    • Influenza (gripe): pode causar miocardite e descompensar doenças cardíacas pré-existentes, especialmente a insuficiência cardíaca;
    • Adenovírus: vírus comuns em infecções respiratórias, que também podem atingir o coração;
    • Parvovírus B19: frequentemente associado a resfriados e capaz de afetar o coração, sobretudo o pericárdio, a membrana que o reveste, causando pericardite.

    O risco de infarto é maior em pessoas com doenças cardíacas?

    Um coração saudável consegue lidar melhor com os efeitos da infecção, como o aumento da frequência cardíaca causado pela febre, segundo Juliana. No caso de pessoas com doenças cardíacas pré-existentes, o quadro é mais delicado porque o coração já trabalha sob maior esforço.

    Nesses casos, qualquer aumento adicional da demanda, provocado pela inflamação, pela febre e pelo maior consumo de oxigênio, pode levar à descompensação do quadro, piora da função cardíaca e até a eventos graves, como insuficiência cardíaca aguda ou infarto.

    Além disso, a cardiologista explica que quem já apresenta placas de gordura nas artérias têm maior risco de ruptura dessas placas durante a infecção, o que eleva significativamente a chance de complicações cardiovasculares.

    Sintomas que podem indicar complicações após uma infecção

    Alguns sinais podem indicar que uma infecção está evoluindo com complicações cardiovasculares, como:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar desproporcional, inclusive em repouso ou com pequenos esforços;
    • Palpitações;
    • Inchaço súbito nas pernas;
    • Episódios de desmaio ou perda de consciência.

    Como cuidar do coração após uma virose intensa?

    Durante uma infecção viral, o coração passa a trabalhar sob maior estresse. Por isso, alguns cuidados são importantes para reduzir o risco de complicações cardíacas:

    • Manter repouso enquanto houver sintomas, como febre, dor no corpo, cansaço ou falta de ar;
    • Evitar exercícios físicos por alguns dias após a melhora, especialmente se a infecção foi intensa, pois o coração ainda pode estar sensível ao processo inflamatório;
    • Manter boa hidratação, ingerindo água ao longo do dia, já que a infecção tende a tornar o sangue mais espesso, favorecendo a formação de coágulos;
    • Controlar a febre, pois temperaturas elevadas aumentam a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio pelo coração, sobrecarregando o músculo cardíaco;
    • Usar medicamentos apenas com orientação médica, evitando automedicação, especialmente anti-inflamatórios, que podem interferir na função cardiovascular;
    • Observar sintomas de alerta, como dor no peito, falta de ar, palpitações, inchaço nas pernas ou desmaio, que exigem avaliação médica imediata;
    • Manter acompanhamento médico, sobretudo em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou doença cardíaca prévia, que apresentam risco maior de complicações.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. Por que a febre sobrecarrega o coração?

    A febre acelera o metabolismo e eleva a frequência cardíaca. Com isso, o coração precisa bater mais rápido e com mais força, aumentando o consumo de oxigênio.

    Em pessoas com artérias já parcialmente obstruídas, esse esforço pode provocar isquemia e precipitar um infarto.

    2. O que são citocinas e por que elas são perigosas para o coração?

    As citocinas são substâncias liberadas pelo sistema imune para combater infecções. Em excesso, elas causam inflamação nos vasos sanguíneos, tornando placas de gordura mais frágeis e favorecendo sua ruptura, o que pode levar à formação de coágulos.

    3. Exercício durante uma virose é perigoso?

    Sim, a prática de atividade física durante infecções aumenta o risco de o vírus atingir o coração, causando miocardite e arritmias.

    4. Quanto tempo após uma infecção é seguro voltar a se exercitar?

    Depende da gravidade da infecção. Em geral, o recomendado é retomar atividades apenas após o total desaparecimento dos sintomas e, em casos mais intensos, com liberação médica.

    5. Arritmias podem surgir após uma infecção viral?

    Sim, a inflamação e a febre alteram o funcionamento elétrico do coração, favorecendo palpitações e batimentos irregulares.

    6. Quem fuma tem maior risco de infarto durante infecções?

    Sim, o cigarro já agride os vasos sanguíneos e, combinado com a inflamação da infecção, eleva ainda mais o risco de trombose e entupimento das artérias.

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