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  • Micropênis existe mesmo? Saiba por que acontece e como é feita a avaliação 

    Micropênis existe mesmo? Saiba por que acontece e como é feita a avaliação 

    Mesmo quando o desenvolvimento da criança está dentro da normalidade, a preocupação com o tamanho do pênis infantil costuma ser frequente entre pais e responsáveis. Ela é alimentada, em especial, pela disseminação de conteúdos falsos nas redes sociais que sugerem a existência de uma “epidemia” de micropênis no Brasil, o que não é verdade.

    Muitos conteúdos incentivam as famílias a realizarem medições caseiras e a buscarem tratamentos hormonais sem qualquer indicação médica, o que pode trazer riscos importantes para a saúde da criança, como alterações no crescimento, início precoce da puberdade, desequilíbrios hormonais e até impactos na fertilidade no futuro.

    Afinal, o que é considerado micropênis?

    Segundo a urologista pediátrica Veridiana Andrioli, o micropênis é uma condição rara definida por um órgão que possui todas as estruturas normais (corpos cavernosos, esponjoso e glande), mas com tamanho significativamente inferior à média (mais de 2,5 desvios-padrão abaixo) para a idade e o desenvolvimento sexual.

    Na prática, isso significa que existe um valor de referência específico para cada faixa etária, e o diagnóstico só ocorre quando a medida está significativamente abaixo desse padrão. Normalmente, em recém-nascidos, é considerado quando o comprimento esticado é menor que 1,9 cm a 2,7cm.

    Como é feita a avaliação em crianças?

    A avaliação de micropênis em crianças é um procedimento clínico que precisa ser feito por profissionais capacitados, como pediatras ou urologistas, utilizando uma técnica padronizada:

    • A criança deve estar relaxada, e o profissional pressiona suavemente a gordura da região pubiana até alcançar o osso.
    • Em seguida, o pênis é esticado de forma delicada, sem causar dor;
    • A medida é feita da base, no osso púbico, até a ponta da glande, desconsiderando a pele.

    Após a medição, o valor é comparado com tabelas de referência específicas para a idade da criança. O diagnóstico de micropênis só é estabelecido quando o comprimento está 2,5 desvios-padrão abaixo da média esperada para aquela faixa etária, então não existe um valor único que sirva para todos os casos.

    Segundo Veridiana, que também é membro do Departamento de Uropediatria da Sociedade Brasileira de Urologia, a suspeita pode surgir já na maternidade, quando o recém-nascido apresenta um pênis muito pequeno, desproporcional, ou até uma genitália ambígua, na qual não é possível definir claramente se se trata de um pênis ou de uma vagina com clitóris aumentado.

    Por que não pode medir em casa?

    A medição do pênis da criança em casa não é aconselhável pois muitas pessoas não conhecem a técnica correta. Para se ter uma ideia, um estudo do Departamento de Urologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Urologia mostrou que medições realizadas por pessoas sem formação na área da saúde apresentam alta taxa de erro.

    Mesmo com orientações básicas, costuma ser difícil aplicar a tração adequada e identificar com precisão a base do osso púbico, que é o ponto correto para iniciar a medida.

    Assim, erros são bastante comuns e podem acontecer por desconhecimento da anatomia, dificuldade técnica ou até por uma percepção errada de que o pênis é pequeno. Como consequência, muitas crianças acabam sendo rotuladas com alterações que, na verdade, não existem.

    O que pode causar o micropênis?

    O micropênis pode ter diferentes causas, frequentemente relacionadas aos hormônios ou ao desenvolvimento ainda durante a gestação, como:

    • Hipogonadismo, condição em que há baixa produção de hormônios sexuais;
    • Síndromes genéticas, como a síndrome de Klinefelter;
    • Alterações cromossômicas;
    • Problemas hormonais que afetam o desenvolvimento genital ainda no útero;
    • Alterações no eixo hormonal (hipotálamo e hipófise), que regula o crescimento.

    Vale destacar que o micropênis é uma condição clínica rara, com prevalência estimada entre 0,6% a 0,8% dos nascidos vivos, segundo Veridiana. Por isso, sempre deve ser investigado para identificar a causa.

    Existe diferença entre micropênis verdadeiro e outras condições?

    O micropênis verdadeiro é uma condição médica definida por medida: o tamanho do pênis está abaixo do esperado para a idade, especificamente cerca de 2,5 desvios-padrão abaixo da média.

    Porém, existem situações bastante comuns que apenas dão a impressão de um pênis pequeno, mas não são micropênis, como aponta Veridiana:

    • Pênis embutido: comum em crianças com maior acúmulo de gordura na região suprapúbica, onde o pênis fica parcialmente oculto na gordura, mas tem tamanho normal;
    • Banda ventral: presença de pele que liga o corpo do pênis ao escroto, o que dificulta a projeção e faz com que apenas a parte visível seja avaliada erroneamente;
    • Cicatriz retraída: pode ocorrer após cirurgias de fimose mal cicatrizadas, deixando o pênis parcialmente preso.

    Os casos de micropênis estão crescendo?

    Não existem evidências científicas que comprovem um aumento real nos casos de micropênis em crianças ou adultos. Na realidade, o que acontece é a propagação de informações falsas e estratégias de marketing enganosas nas redes sociais, que criam a falsa percepção de uma epidemia que não existe.

    De acordo com Veridiana, a ideia de uma suposta epidemia costuma vir acompanhada da divulgação de terapias hormonais vendidas diretamente ao público, o que caracteriza um fenômeno comercial baseado em “criar um problema para vender uma solução”.

    Como consequência da desinformação, a urologista aponta que houve um aumento na procura por consultórios médicos desde janeiro de 2025. Muitos pais, baseados em orientações de influenciadores, tentam medir os filhos em casa de forma inadequada, o que leva a interpretações erradas e a uma preocupação desnecessária.

    Em alguns casos, a falta de informação pode fazer com que exames sejam interpretados de forma errada ou até mesmo que a criança receba hormônios sem necessidade, o que pode trazer riscos importantes para a saúde.

    Riscos de rotular uma criança com um diagnóstico incorreto

    O micropênis verdadeiro costuma estar ligado a questões de saúde que precisam de investigação, e rotular uma criança sem necessidade pode trazer riscos tanto para a saúde mental quanto física:

    • Ansiedade e insegurança na criança, que passa a acreditar que há algo errado com o próprio corpo;
    • Impacto na autoestima e na forma como a criança se percebe ao longo da vida;
    • Vergonha e comparação com outras crianças;
    • Estresse e preocupação excessiva por parte da família;
    • Exposição a consultas, exames e avaliações desnecessárias;
    • Risco de diagnósticos equivocados;
    • Uso de hormônios sem indicação médica;
    • Possíveis efeitos colaterais, como puberdade precoce e alterações no crescimento;
    • Risco de infertilidade no futuro;

    A orientação das sociedades médicas é sempre buscar uma avaliação com pediatras, urologistas ou endocrinologistas pediátricos, evitando tirar conclusões precipitadas baseadas em conteúdos da internet.

    Existem tratamentos disponíveis para micropênis?

    Existem tratamentos para micropênis, mas, como explica Veridiana, tudo depende da causa da condição. Quando a origem é hormonal, pode ser indicado o uso de hormônios, mas isso só deve acontecer após uma investigação completa, com avaliação de pediatra e endocrinologista pediátrico.

    Em alguns casos, podem ser solicitados exames de imagem e testes específicos para entender melhor o funcionamento hormonal e prever a resposta ao tratamento. Também existem opções cirúrgicas, mas elas são reservadas para situações bem específicas.

    Quando é indicado investigar e encaminhar para um especialista?

    É importante levar o filho ao pediatra ou urologista sempre que houver dúvida, segundo Veridiana. Qualquer alteração na genitália, dificuldade de palpar os testículos ou percepção de desenvolvimento diferente deve ser avaliada.

    Lembre-se: entre os 4 e 11 anos, é normal o pênis crescer bem pouco. O crescimento maior só acontece depois que a puberdade começa. Mantenha a calma e, em caso de dúvida, consulte um profissional de saúde.

    Veja também: Criptorquidia: o que é, causas, fatores de risco e cirurgia

    Perguntas frequentes

    1. A obesidade infantil causa micropênis?

    Não, o excesso de gordura pode dar a aparência de pênis embutido, mas não altera o tamanho real do órgão.

    2. Quais os perigos de usar hormônios sem necessidade?

    O uso indevido pode causar danos graves como infertilidade, parada de crescimento e puberdade precoce

    3. O que é a “mini puberdade”?

    É um período curto, por volta dos três meses de idade, em que ocorre um pico hormonal natural. Fora isso, os níveis permanecem baixos até a adolescência.

    4. Existem exames de imagem para diagnosticar o micropênis?

    Sim, em casos de suspeita real, o médico pode solicitar exames de imagem e testes genéticos para investigar a causa da condição.

    5. A cirurgia de fimose pode afetar o tamanho do pênis?

    A cirurgia não muda o tamanho real, mas se houver uma cicatrização com retração, o pênis pode parecer “preso” ou menor visualmente

    6. Como devo falar sobre isso com meu filho?

    A orientação é evitar rotular a criança ou comentar sobre o assunto na frente dela para não gerar ansiedade ou traumas desnecessários.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Menopausa: o que muda no acompanhamento ginecológico? 

    Menopausa: o que muda no acompanhamento ginecológico? 

    Com o fim da fase reprodutiva da mulher, que acontece após doze meses consecutivos sem menstruação, as consultas com o ginecologista precisam acompanhar as novas necessidades do organismo.

    A menopausa é causada diretamente pela diminuição drástica e permanente dos hormônios sexuais femininos, principalmente o estrogênio e a progesterona, o que aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e condições crônicas, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, mesmo quando a mulher não apresenta sintomas ou doenças diagnosticadas, os exames de rotina contribuem para identificar fatores de risco ou diagnósticos muito precoces, o que permite uma intervenção capaz de fazer diferença no prognóstico e na evolução da doença.

    Por que o acompanhamento ginecológico muda após a menopausa?

    Com o fim da menstruação, o corpo da mulher passa por mudanças devido a queda na produção dos hormônios estrogênio e progesterona. Além do sistema reprodutor, as mudanças hormonais também afetam a saúde dos ossos, do coração, do metabolismo e da região íntima.

    Nesta fase da vida, Andreia aponta que o ginecologista assume frequentemente o papel de clínico geral da mulher, acompanhando riscos que se tornam mais comuns com o passar dos anos:

    • Risco cardiovascular aumenta: sem o efeito protetor do estrogênio, as artérias ficam mais expostas ao acúmulo de gordura e ao aumento do colesterol, o que eleva o risco de doenças do coração;
    • Saúde dos ossos fica mais frágil: a queda dos hormônios acelera a perda de cálcio, por isso o acompanhamento da saúde óssea se torna essencial para prevenir osteoporose e fraturas;
    • Rastreamento de câncer precisa de mais atenção: com o avanço da idade, aumenta o risco de câncer de mama e de intestino, o que torna importante manter os exames em dia e com a frequência indicada pelo médico;
    • Surgem mudanças na região íntima: a diminuição hormonal pode causar ressecamento vaginal, desconforto e até perda de urina, mas esses sintomas têm tratamento e não precisam ser encarados como algo normal da idade;
    • Ocorrem mudanças no metabolismo: com a queda dos hormônios, o corpo tende a gastar menos energia, o que facilita o ganho de peso e pode aumentar o risco de diabetes e alterações no colesterol.

    A recomendação é que a consulta ginecológica seja feita anualmente, independentemente da idade ou da fase da vida, porque o acompanhamento e os exames são ajustados de acordo com cada etapa que a mulher está vivendo.

    Quais exames mudam ou são incluídos nesta fase?

    A escolha e a frequência de cada exame são individualizadas, mas alguns se tornam mais frequentes na menopausa:

    1. Mamografia e ultrassom de mama

    A mamografia é um dos principais exames de rotina, com recomendação anual a partir dos 40 anos de idade. Para mulheres com histórico familiar de câncer de mama, Andreia explica que a orientação é iniciar o rastreamento cerca de dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado.

    O ultrassom de mama pode ser solicitado como complemento, principalmente em casos de mamas densas ou quando há alguma alteração que precisa de uma avaliação mais detalhada.

    2. Teste de HPV e papanicolau

    O rastreio do câncer de colo do útero evoluiu nos últimos anos, e o teste de HPV passou a ser considerado o padrão-ouro desde julho de 2025. Ele permite identificar o vírus antes mesmo de alterações celulares aparecerem, o que possibilita um acompanhamento mais precoce.

    Diferente do Papanicolau, que detecta alterações já instaladas nas células do colo do útero, o teste de HPV atua identificando os tipos de vírus com maior risco de desenvolver câncer. Com isso, quando o resultado é negativo, o intervalo entre os exames pode ser maior, conforme a orientação médica.

    Já quando o teste é positivo, Andreia aponta que o acompanhamento se torna mais próximo, podendo incluir exames complementares, como a colposcopia e a vulvoscopia, para avaliar melhor o colo do útero, a vagina e a vulva e definir a necessidade de tratamento.

    Mesmo após os 65 anos, o acompanhamento pode continuar no consultório particular, especialmente se houver histórico de alterações ou se o rastreamento anterior não foi feito de forma adequada.

    3. Ultrassonografia transvaginal

    A ultrassonografia transvaginal continua sendo um exame importante no acompanhamento ginecológico, mas na menopausa, ele é focado na avaliação do endométrio e dos ovários. Como os ovários deixam de funcionar de forma ativa, o exame ajuda a identificar alterações estruturais, como cistos ou massas que precisam de investigação.

    No caso do endométrio, qualquer espessamento fora do padrão ou episódios de sangramento devem ser investigados com cuidado, já que podem estar relacionados a alterações benignas, como pólipos, ou a condições mais sérias, como o câncer de endométrio.

    4. Densitometria óssea

    A densitometria óssea costuma ser indicada a partir dos 50 anos, ou até antes, dependendo dos fatores de risco, como histórico familiar, menopausa precoce, baixo peso ou uso prolongado de alguns medicamentos.

    Com a queda do estrogênio na menopausa, ocorre uma perda mais acelerada de massa óssea, o que aumenta o risco de osteopenia e osteoporose. A identificação precoce dessas condições permite iniciar medidas de tratamento e prevenção, como ajustes na alimentação, prática de atividade física e, quando necessário, uso de medicamentos.

    5. Colonoscopia

    A colonoscopia passou a ser recomendada a partir dos 45 anos para o rastreio de pólipos e do câncer de intestino, segundo Andreia. O exame é importante porque muitas alterações começam de forma silenciosa, e a retirada de pólipos durante o procedimento pode evitar a progressão para câncer.

    6. Check-up cardiovascular e exames de sangue

    A menopausa aumenta significativamente o risco cardiovascular devido à queda dos níveis de estrogênio, hormônio que protege o coração e os vasos sanguíneos. Para isso, o médico pode solicitar alguns exames importantes, como:

    • Teste de esforço para avaliar o funcionamento do coração durante a atividade física;
    • Ecocardiograma para analisar a estrutura e o desempenho do coração;
    • Perfil lipídico para verificar os níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos;
    • Glicemia e hemoglobina glicada para investigar risco de diabetes ou resistência à insulina;
    • Dosagem de função renal e hepática para avaliar o funcionamento dos órgãos;
    • Marcadores inflamatórios, quando necessário, para complementar a avaliação de risco.

    Com base nos exames, o médico consegue identificar precocemente possíveis alterações, mesmo antes do aparecimento de sintomas. A partir disso, podem ser indicadas mudanças no estilo de vida, como ajustes na alimentação, prática regular de atividade física, controle do peso e redução do estresse.

    7. Avaliação urodinâmica

    De acordo com Andreia, a avaliação urodinâmica pode ser indicada quando há queixas de perda de urina, urgência ou dificuldade para segurar a urina.

    O exame ajuda a entender como a bexiga e a uretra estão funcionando e orienta o melhor tratamento para cada caso, já que a incontinência urinária é comum na menopausa, mas não deve ser considerada normal.

    Saúde sexual no climatério

    O climatério é a fase de transição natural em que a mulher passa do período reprodutivo para o não reprodutivo. Nesse período, Andreia explica que é comum a queixa de diminuição da libido e de dificuldades durante a relação sexual, devido a fatores como:

    • Queda dos hormônios femininos, que afeta diretamente o desejo sexual;
    • Ressecamento vaginal, causado pela síndrome geniturinária da menopausa;
    • Afinamento do tecido vaginal, que deixa a região mais sensível e propensa à dor;
    • Dor e desconforto na relação, o que pode levar à evitação do contato íntimo;
    • Fatores emocionais, como estresse, ansiedade e questões no relacionamento;
    • Cansaço e sobrecarga na rotina, que reduzem o interesse e a disponibilidade para a vida sexual.

    Durante o exame físico, o ginecologista observa a região íntima para identificar sinais de ressecamento, alterações na mucosa vaginal, perda de elasticidade e possíveis lesões ou infecções.

    Além da avaliação externa, pode ser realizado o exame com espéculo, que permite visualizar o canal vaginal e o colo do útero com mais detalhes. Em alguns casos, o médico também avalia o assoalho pélvico, verificando a força da musculatura, especialmente em mulheres que apresentam sintomas como dor na relação ou incontinência urinária.

    Sinais de alerta para procurar o ginecologista

    A mulher deve procurar um médico com urgência nas seguintes situações:

    • Sangramento vaginal após um ano sem menstruar, mesmo que seja um pequeno escape ou uma secreção rosada;
    • Nódulos ou alterações nas mamas, como presença de caroços, retração da pele, saída de secreção pelo mamilo ou mudança na textura;
    • Dor pélvica persistente ou sensação de pressão no baixo ventre que não melhora;
    • Perda urinária, como escapes ao tossir, espirrar, carregar peso ou uma urgência súbita de urinar;
    • Dor ou sangramento durante ou após a relação sexual;
    • Corrimento com odor forte, alteração na cor ou associado a coceira e irritação;
    • Aumento do volume abdominal, com sensação de estufamento ou inchaço persistente.

    Como é feito o tratamento das alterações hormonais?

    O tratamento das alterações hormonais no climatério deve ser individualizado, considerando os sintomas, as emoções e a qualidade de vida da mulher, segundo Andreia.

    Para tratar a atrofia e o ressecamento vaginal, o ginecologista pode prescrever o uso de estrogênio local (em cremes ou óvulos) e o uso de tecnologias regenerativas que melhoram a qualidade do tecido e o conforto na relação sexual.

    Quando há sintomas como ondas de calor, queda da libido ou alterações de humor, pode ser indicada a reposição hormonal, que repõe o estrogênio e ajuda a aliviar os sintomas. Em alguns casos, a progesterona também é associada, principalmente quando a mulher ainda possui útero, para garantir a segurança do tratamento.

    Além do tratamento com remédios, as mudanças no estilo de vida fazem diferença no controle dos sintomas, como a prática de atividade física, uma alimentação equilibrada, o cuidado com o sono e a redução do estresse.

    Em todos os casos, o mais importante é que o tratamento seja visto de forma completa, incluindo o corpo, a mente e a rotina da mulher, já que as mudanças hormonais afetam diferentes aspectos da saúde

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre climatério e menopausa?

    O climatério é todo o período de transição do estágio reprodutivo para o não reprodutivo. Já a menopausa é um marco específico: o momento após 12 meses consecutivos sem menstruação.

    2. Por que o risco de infarto aumenta após a menopausa?

    Porque a queda do estrogênio retira uma proteção natural das artérias. Sem o hormônio, o risco cardiovascular da mulher se iguala ao do homem, aumentando as chances de pressão alta e colesterol elevado.

    3. É normal ter escapes de urina na menopausa?

    É comum, mas não é normal. Qualquer perda urinária ao tossir, espirrar ou fazer esforço deve ser investigada. Existem tratamentos eficazes, como fisioterapia pélvica e intervenções médicas.

    4. O uso de estrogênio vaginal causa efeitos no corpo todo?

    O estrogênio tópico (cremes ou óvulos) tem ação majoritariamente local, focada em recuperar a mucosa vaginal, sendo uma opção segura para tratar a atrofia em muitas mulheres.

    5. Por que a mamografia não costuma ser feita antes dos 40 anos?

    Porque, em mulheres mais jovens, a mama costuma ser muito densa (com muito tecido glandular). Nesses casos, a mamografia traz pouca informação visual, sendo o ultrassom de mama o exame que oferece mais detalhes para o diagnóstico.

    6. O que são os “sorotipos de alto risco” no exame de HPV?

    Existem diversos tipos de vírus HPV. O protocolo do Ministério da Saúde foca nos tipos de alto risco oncogênico (mais propensos a causar câncer). No consultório particular, o médico avalia esses e outros sorotipos para um acompanhamento mais próximo.

    7. Quais exames o ginecologista pede para o coração?

    Além do perfil lipídico no sangue, podem ser solicitados o teste de esforço, o ecocardiograma transtorácico e o ultrassom de carótidas para avaliar a presença de placas ou alterações na função cardíaca.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Disidrose: por que surgem bolhas nas mãos e pés?

    Disidrose: por que surgem bolhas nas mãos e pés?

    Pequenas bolhas nas mãos ou nos pés, acompanhadas de coceira intensa, podem surgir de forma inesperada e causar bastante incômodo no dia a dia. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com alergias simples, mas podem indicar uma condição específica da pele: a disidrose.

    Embora não seja uma doença grave, a disidrose pode ser recorrente e impactar a qualidade de vida, especialmente quando as crises são frequentes ou mais intensas.

    Também chamada de eczema disidrótico, a disidrose é uma condição de pele caracterizada pelo surgimento de pequenas bolhas, principalmente nas mãos e nos pés.

    Essas lesões costumam causar coceira intensa e podem surgir de forma recorrente, com períodos de melhora e piora ao longo do tempo.

    O que é a disidrose

    Para entender melhor, a disidrose é um tipo de dermatite que afeta principalmente as palmas das mãos, os dedos e as plantas dos pés.

    Ela se manifesta por meio de pequenas bolhas (vesículas), que podem conter líquido claro e causar coceira intensa.

    Com o tempo, essas bolhas podem romper, o que causa descamação da pele e, em alguns casos, formação de fissuras.

    Principais sintomas

    Os sintomas da disidrose costumam aparecer em crises e podem variar de intensidade.

    Os mais comuns são:

    • Pequenas bolhas nas mãos e/ou pés;
    • Coceira intensa (prurido);
    • Sensação de ardor ou queimação;
    • Descamação da pele após as bolhas;
    • Fissuras ou rachaduras em casos mais intensos.

    As lesões podem afetar um ou ambos os lados do corpo.

    Por que a disidrose acontece

    A causa exata da disidrose ainda não é completamente conhecida, mas alguns fatores estão associados ao seu aparecimento.

    Entre eles:

    • Estresse emocional;
    • Contato com substâncias irritantes, como produtos de limpeza;
    • Alergias de contato, como a metais (níquel);
    • Exposição prolongada à umidade;
    • Calor e sudorese excessiva.

    Em muitos casos, a disidrose ocorre de forma recorrente, com períodos de crise e remissão.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    A disidrose pode ocorrer em qualquer pessoa, mas é mais comum em:

    • Adultos jovens;
    • Pessoas com histórico de dermatite ou alergias;
    • Indivíduos expostos frequentemente à água ou produtos químicos;
    • Pessoas com níveis elevados de estresse.

    Apesar disso, nem sempre é possível identificar um fator desencadeante específico.

    A disidrose é contagiosa?

    Não. A disidrose não é causada por infecção e não pode ser transmitida de uma pessoa para outra.

    Ela é uma condição inflamatória da pele, relacionada a fatores internos e externos.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento da disidrose tem como objetivo controlar os sintomas e reduzir a frequência das crises.

    As principais medidas são:

    • Cremes ou pomadas com corticoides, para reduzir a inflamação;
    • Uso de hidratantes, para restaurar a barreira da pele;
    • Evitar contato com substâncias irritantes;
    • Uso de luvas em atividades que envolvam água ou produtos químicos.

    Em casos mais intensos, o médico pode indicar outros tratamentos específicos.

    Como prevenir novas crises

    Algumas medidas podem ajudar a reduzir a recorrência da disidrose:

    • Evitar exposição prolongada à água;
    • Usar produtos de limpeza com proteção (luvas);
    • Manter a pele bem hidratada;
    • Reduzir o estresse;
    • Evitar contato com substâncias que já desencadearam crises.

    Esses cuidados ajudam a proteger a pele e diminuir a frequência dos sintomas.

    Confira:

    Urticária coça? Entenda mais e tire suas dúvidas sobre essa condição

    Perguntas frequentes sobre disidrose

    1. Disidrose é uma alergia?

    Nem sempre. Pode estar associada a alergias, mas não é exclusivamente uma reação alérgica.

    2. As bolhas da disidrose coçam?

    Sim. A coceira é um dos principais sintomas.

    3. Pode aparecer nos pés também?

    Sim. A disidrose pode afetar tanto mãos quanto pés.

    4. A disidrose tem cura?

    Ela pode melhorar com o tempo, mas tende a ser recorrente em algumas pessoas.

    5. Estresse pode piorar a disidrose?

    Sim. O estresse é um fator frequentemente associado às crises.

    6. A disidrose é contagiosa?

    Não. Não há risco de transmissão.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando as lesões são frequentes, intensas ou causam dor, fissuras ou impacto na rotina.

    Veja mais:

    Dermografismo: por que sua pele fica marcada ao coçar?

  • 10 sintomas de embolia pulmonar para ficar atento

    10 sintomas de embolia pulmonar para ficar atento

    A embolia pulmonar é uma condição médica grave que acontece quando um coágulo de sangue, também conhecido como trombo, bloqueia uma ou mais artérias dos pulmões. Na maioria dos casos, o coágulo se forma nas veias profundas das pernas (trombose venosa profunda) e depois se desloca pela corrente sanguínea até os pulmões. :contentReference[oaicite:0]{index=0}

    Quando acontece o bloqueio, o sangue não consegue chegar a partes do pulmão, de modo que a troca de oxigênio fica prejudicada e o coração precisa fazer mais esforço para manter tudo funcionando. Vale destacar que a embolia pulmonar é uma emergência médica e precisa de atendimento rápido para evitar complicações.

    Os sintomas da embolia pulmonar podem variar dependendo da gravidade do bloqueio, mas os sinais mais comuns surgem de forma repentina. Para te ajudar a identificar o quadro, listamos os principais a seguir.

    1. Falta de ar repentina

    A falta de ar é um dos sinais mais comuns da embolia pulmonar e costuma aparecer de forma súbita, mesmo quando em repouso. Pode dar a sensação de respiração curta, dificuldade para encher os pulmões ou até uma leve sensação de sufoco.

    2. Dor no peito ao respirar

    A dor no peito normalmente piora ao respirar fundo, tossir ou se movimentar. Ela costuma ser descrita como uma dor aguda, semelhante a uma pontada ou fisgada.

    3. Tosse (com ou sem sangue)

    No quadro de embolia, a tosse pode ser seca ou com catarro. Em alguns casos, pode haver presença de sangue.

    4. Coração acelerado (taquicardia)

    Os batimentos cardíacos ficam mais rápidos porque o coração precisa compensar a dificuldade de circulação e a menor oxigenação do sangue.

    5. Tontura, fraqueza ou desmaio

    A redução da oxigenação no corpo pode afetar o cérebro, causando tontura, sensação de fraqueza ou até desmaio em casos mais graves.

    6. Cansaço intenso

    Como o corpo não está recebendo oxigênio suficiente, é comum sentir fraqueza muscular intensa e exaustão mesmo em repouso.

    7. Suor frio e sensação de mal-estar

    O mal-estar geral costuma vir acompanhado de suor frio, palidez e até sensação de ansiedade.

    8. Inchaço, dor ou vermelhidão nas pernas

    Esses sinais podem indicar trombose venosa profunda, que muitas vezes é a origem da embolia pulmonar.

    9. Respiração rápida (taquipneia)

    A respiração pode ficar mais rápida e superficial como tentativa do corpo de compensar a falta de oxigênio.

    10. Lábios ou unhas arroxeados (cianose)

    Em casos mais graves, pode surgir coloração azulada nos lábios ou nas unhas, indicando baixa oxigenação do sangue.

    Como identificar a trombose venosa profunda?

    A trombose venosa profunda (TVP) é uma das principais causas de embolia pulmonar e ocorre quando há formação de coágulo nas veias profundas, geralmente nas pernas.

    Os sinais mais comuns incluem:

    • Inchaço repentino em uma das pernas;
    • Dor semelhante a cãibra;
    • Pele avermelhada ou arroxeada;
    • Aumento da temperatura local;
    • Veias mais visíveis ou endurecidas.

    Vale destacar que a TVP pode não causar sintomas claros, por isso qualquer alteração em apenas uma perna deve ser avaliada.

    Perguntas frequentes

    1. A embolia pulmonar é perigosa?

    Sim. É uma condição grave que pode comprometer a oxigenação do sangue e sobrecarregar o coração.

    2. Quais são os principais fatores de risco?

    Cirurgias recentes, imobilidade prolongada, uso de anticoncepcionais, tabagismo, câncer, obesidade e predisposição genética.

    3. Qual a diferença entre trombose e embolia?

    A trombose é a formação do coágulo. A embolia ocorre quando ele se desloca até os pulmões.

    4. Como o médico confirma o diagnóstico?

    Com exames como angiotomografia, D-dímero, ultrassom Doppler e cintilografia pulmonar.

    5. Anticoncepcional aumenta o risco?

    Sim, especialmente quando associado a outros fatores de risco.

    6. Qual é o tratamento?

    O tratamento é feito principalmente com anticoagulantes. Em casos graves, podem ser usados trombolíticos ou cirurgia.

    7. Posso praticar exercícios depois?

    Sim, após liberação médica e de forma gradual.

  • 7 sinais de burnout que você não deve ignorar

    7 sinais de burnout que você não deve ignorar

    Sentir cansaço após um dia de trabalho é normal. Porém, quando o esgotamento se torna constante, acompanhado de desmotivação e dificuldade de concentração, pode ser um sinal de algo mais sério: o burnout.

    Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, o burnout está relacionado ao estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi gerenciado de forma adequada. Identificar os sinais logo no início é muito importante para buscar ajuda e evitar que o quadro se agrave. Entenda melhor a seguir.

    O que é burnout?

    O burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é caracterizado por um estado de exaustão física e emocional associado ao trabalho.

    Ele envolve três dimensões principais:

    • Exaustão extrema;
    • Distanciamento mental do trabalho;
    • Redução da eficácia profissional.

    7 sintomas de burnout no trabalho

    Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns sinais são mais comuns.

    1. Cansaço extremo e constante

    A pessoa sente esgotamento mesmo após descanso.

    Pode apresentar sensação de energia sempre baixa, dificuldade para começar o dia e fadiga persistente.

    2. Falta de motivação

    Atividades que antes eram comuns passam a parecer difíceis ou sem sentido.

    Pode acontecer:

    • Desinteresse pelo trabalho;
    • Sensação de inutilidade;
    • Falta de propósito.

    3. Irritabilidade e alterações de humor

    O estresse acumulado pode afetar o comportamento.

    É comum observar:

    • Impaciência frequente;
    • Reações desproporcionais;
    • Maior sensibilidade emocional.

    4. Dificuldade de concentração

    O desempenho cognitivo pode ser afetado.

    Entre os sinais estão dificuldade para focar, esquecimentos frequentes e queda na produtividade.

    5. Sensação de distanciamento do trabalho

    A pessoa pode se sentir desconectada do que faz. Isso pode se manifestar como:

    • Indiferença em relação às tarefas;
    • Falta de envolvimento emocional;
    • Sensação de estar “no automático”.

    6. Sintomas físicos

    O burnout também pode se manifestar no corpo.

    Alguns sinais são dor de cabeça frequente, tensão muscular e alterações no sono.

    7. Queda no desempenho profissional

    O conjunto dos sintomas tem capacidade de impactar o trabalho e pode levar a:

    • Redução da produtividade;
    • Erros frequentes;
    • Dificuldade em cumprir prazos.

    Burnout é o mesmo que estresse?

    Não. O estresse pode ser temporário e relacionado a situações específicas. O burnout, por sua vez, é um estado crônico de esgotamento, geralmente ligado ao ambiente de trabalho.

    Quem tem mais risco de desenvolver burnout?

    Alguns fatores podem aumentar o risco:

    • Carga de trabalho excessiva;
    • Falta de reconhecimento;
    • Pressão constante;
    • Falta de controle sobre as tarefas;
    • Desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.

    Quando procurar ajuda?

    É importante buscar apoio quando os sintomas persistem por semanas ou meses, afetam o desempenho no trabalho, impactam a qualidade de vida ou se associam a sintomas físicos ou emocionais intensos.

    Profissionais como psicólogos e psiquiatras podem ajudar no diagnóstico e tratamento.

    Como prevenir o burnout?

    Algumas estratégias podem ajudar:

    • Estabelecer limites no trabalho;
    • Fazer pausas ao longo do dia;
    • Priorizar momentos de descanso;
    • Praticar atividade física;
    • Buscar apoio quando necessário.

    Confira:
    Como manter a calma em situações de pressão?

    Perguntas frequentes sobre burnout

    1. Burnout é considerado uma doença?

    É reconhecido como um fenômeno ocupacional pela OMS.

    2. Burnout pode causar sintomas físicos?

    Sim, como dores e alterações no sono.

    3. É possível se recuperar do burnout?

    Sim, com acompanhamento adequado.

    4. Burnout é o mesmo que depressão?

    Não, mas podem coexistir.

    5. Apenas quem trabalha muito pode ter burnout?

    Não. Outros fatores, como pressão e ambiente, também influenciam.

    6. O trabalho remoto reduz o risco?

    Nem sempre. Pode haver sobrecarga mesmo em casa.

    7. Preciso parar de trabalhar para tratar burnout?

    Depende do caso e da orientação profissional.

    Veja mais:
    Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

  • Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Em casos de emergências médicas, como condições que colocam a vida do paciente em risco, costuma ser necessária uma cirurgia imediata para evitar complicações graves, independentemente da fase da vida da pessoa. Mas o que acontece quando essas situações ocorrem durante a gravidez?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, quando se trata de uma emergência, a decisão sempre envolve avaliar os riscos e os benefícios, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Quando não há como esperar, a equipe médica avalia o momento da gestação, o tipo de cirurgia e as condições clínicas da gestante para reduzir ao máximo os riscos. Sempre que possível, o procedimento é planejado, mas, em situações urgentes, ele pode ser feito em qualquer fase da gravidez.

    É seguro realizar uma cirurgia durante a gravidez?

    A cirurgia pode ser realizada durante a gravidez quando há indicação, especialmente em situações de urgência ou emergência. Nesses casos, não operar pode trazer mais riscos do que o próprio procedimento.

    Em casos de emergência, a prioridade é a saúde da mãe, porque o bem-estar materno está diretamente ligado à segurança do bebê. Quando a gestante está estável, as chances da gestação evoluir bem são maiores.

    Quando a cirurgia na gravidez pode ser necessária?

    A cirurgia durante a gravidez costuma ser indicada em situações que não podem esperar, como aponta Andreia:

    • Trauma com sangramento interno (abdômen agudo hemorrágico): são situações graves, com risco de vida, que exigem intervenção rápida para controlar o sangramento;
    • Apendicite aguda: é a inflamação do apêndice que pode evoluir com complicações se não for tratada rapidamente;
    • Colecistite aguda: consiste em uma inflamação da vesícula biliar causada por cálculos. A presença de cálculos isoladamente não indica cirurgia, mas a inflamação sim;
    • Obstrução intestinal: é o bloqueio no intestino que impede a passagem do conteúdo intestinal;
    • Torções (como torção de ovário ou intestinal): comprometem a circulação local e podem levar à perda do órgão se não tratadas;
    • Problemas vasculares: são alterações que afetam o fluxo sanguíneo e podem causar isquemia;
    • Hérnia encarcerada: quando parte do intestino fica presa e não retorna para a posição normal, com risco de comprometimento da circulação e morte do tecido.

    A cirurgia também pode ser necessária em casos de infecções graves ou quando há comprometimento de algum órgão. Nesses cenários, agir rapidamente evita complicações maiores.

    Como o tempo de gestação influencia a cirurgia?

    A equipe médica avalia com cuidado o estágio da gestação e adapta o procedimento para cada fase, sempre pensando na segurança da mãe e do bebê.

    1. Primeiro trimestre

    A realização de cirurgias é evitada no primeiro trimestre da gravidez, pois o bebê ainda está formando os órgãos, então há mais cautela com os medicamentos e com o estresse da cirurgia, que podem interferir no desenvolvimento.

    Ainda assim, quando há urgência, o procedimento é realizado com monitoramento rigoroso por ultrassom, segundo Andreia.

    2. Segundo trimestre

    O segundo trimestre costuma ser a fase mais segura para realizar cirurgias, quando há possibilidade de planejamento. O bebê já passou pela fase inicial de formação, e Andreia explica que o risco de aborto ou de parto prematuro é menor em comparação com os outros períodos.

    3. Terceiro trimestre

    No terceiro trimestre, o principal cuidado é com o risco de parto prematuro. O útero também está maior, o que pode dificultar alguns tipos de cirurgia, principalmente na região abdominal. Por isso, o procedimento exige ainda mais planejamento e experiência da equipe.

    Tipos de anestesia usados com gestantes

    Sempre que possível, Andreia esclarece que a preferência é pela anestesia regional, pois ela reduz a exposição do bebê aos medicamentos.

    Ainda assim, a anestesia geral pode ser necessária em casos de emergências complexas, o que exige um monitoramento rigoroso para garantir que a oxigenação e a circulação da mãe estejam perfeitas, já que isso influencia diretamente o aporte de oxigênio para o bebê.

    Como o bebê é monitorado durante o procedimento?

    O monitoramento do bebé durante uma cirurgia de emergência depende da idade gestacional, pois a forma como o feto responde ao estímulo e a sua viabilidade mudam ao longo da gravidez.

    De acordo com Andreia, antes das 24 semanas, o acompanhamento é feito via ultrassom antes e depois do procedimento. Depois disso, ​​ já é possível realizar a cardiotocografia, que avalia os batimentos cardíacos e o bem-estar fetal.

    A partir de aproximadamente 24 semanas, o bebê já tem alguma chance de sobreviver fora do útero com suporte de UTI neonatal. Em casos de sofrimento fetal, pode ser necessário antecipar o parto.

    Segundo a ginecologista, durante toda a cirurgia, é fundamental garantir uma boa oxigenação e uma boa circulação materna, pois isso influencia diretamente o fornecimento de oxigênio e nutrientes para o bebê.

    Cuidados para reduzir riscos no pós-operatório

    Para garantir que a gestação continue com segurança após a cirurgia, são necessários alguns cuidados, como:

    • Estabilidade da mãe: manter uma boa oxigenação e circulação é o mais importante, porque o bebê depende disso;
    • Controle de contrações: em alguns casos, podem ser usados medicamentos para evitar contrações e reduzir o risco de parto prematuro;
    • Maturação pulmonar do bebê: se houver risco de parto antecipado, a mãe pode receber medicação para ajudar no desenvolvimento dos pulmões do bebê;
    • Prevenção de trombose: como a cirurgia e a gravidez aumentam o risco, são adotadas medidas para evitar a formação de coágulos.

    No geral, tudo é pensado para proteger a mãe e o bebê ao mesmo tempo, com uma equipe preparada e um acompanhamento próximo em todas as etapas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A anestesia geral pode prejudicar a formação do bebê?

    No primeiro trimestre, há maior cautela, mas as anestesias modernas são seguras. Sempre que possível, prefere-se a anestesia regional para reduzir a exposição fetal.

    2. O bebê sente dor durante a cirurgia da mãe?

    Não. Os medicamentos anestésicos que a mãe recebe também garantem que o bebê não sinta desconforto durante o procedimento.

    3. Pode-se fazer cirurgia por vídeo (laparoscopia) em gestantes?

    Sim, a laparoscopia é frequentemente preferida por ser menos invasiva, permitindo uma recuperação mais rápida e menos manipulação do útero.

    4. Uma cirurgia pode causar aborto ou parto prematuro?

    Existe um risco aumentado, especialmente se houver infecção ou inflamação grave no abdômen, mas a equipe utiliza medicamentos para inibir contrações e proteger a gestação.

    5. Grávidas podem operar hérnias?

    Apenas se a hérnia estiver “encarcerada” (presa), o que pode interromper a circulação do intestino. Caso contrário, a recomendação é aguardar o nascimento.

    6. Posso amamentar logo após uma cirurgia de emergência?

    Se o bebê nascer nesse período, a amamentação depende da estabilidade da mãe e dos medicamentos usados, mas geralmente é estimulada assim que a mãe desperta.

    7. Grávidas podem usar dreno após a cirurgia?

    Sim, grávidas podem usar dreno após uma cirurgia, caso o procedimento seja estritamente necessário. Isso não prejudica o bebê e ajuda na recuperação mais rápida da gestante.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Por que tratamentos médicos mudam ao longo do tempo

    Por que tratamentos médicos mudam ao longo do tempo

    Muitas pessoas já passaram por essa situação: um tratamento considerado padrão há alguns anos deixa de ser recomendado, ou uma orientação médica muda com o tempo. Isso pode gerar dúvidas e até desconfiança. Afinal, se algo era indicado antes, por que agora não é mais?

    A resposta está na própria natureza da ciência. A medicina é uma área em constante evolução, baseada em pesquisas e evidências que se acumulam ao longo dos anos.

    À medida que novos estudos são realizados e mais dados se tornam disponíveis, as recomendações médicas podem ser atualizadas para refletir o que há de mais seguro e eficaz. E isso é muito bom.

    A medicina é uma ciência em evolução

    A prática médica atual se baseia no conceito de medicina baseada em evidências.

    Isso significa que decisões clínicas levam em conta três pilares principais:

    • Resultados de estudos científicos;
    • Experiência clínica dos profissionais;
    • Características individuais da pessoa.

    À medida que novos dados científicos surgem, o entendimento sobre doenças e tratamentos pode mudar.

    Como surgem novas recomendações médicas?

    As recomendações médicas geralmente se baseiam em um processo gradual de produção de conhecimento científico.

    Esse processo envolve:

    • Estudos laboratoriais;
    • Pesquisas com voluntários;
    • Ensaios clínicos;
    • Análises de grandes populações.

    Com o tempo, diferentes estudos são analisados em conjunto, e permitem que especialistas avaliem a eficácia e a segurança de tratamentos.

    Por que algumas recomendações mudam?

    Novos estudos científicos

    A principal razão é o surgimento de novas pesquisas.

    Com o avanço da tecnologia e métodos científicos mais precisos, novos estudos podem mostrar tratamentos mais eficazes, efeitos colaterais antes desconhecidos e benefícios ou riscos adicionais.

    Estudos maiores e mais robustos

    Muitas vezes, recomendações iniciais se baseiam em estudos menores.

    Quando pesquisas maiores são realizadas, envolvendo milhares de pessoas, os resultados podem confirmar ou revisar conclusões anteriores.

    Melhor compreensão das doenças

    Com o avanço da ciência, os mecanismos de muitas doenças passam a ser melhor compreendidos. Isso pode levar ao desenvolvimento de tratamentos mais específicos e eficazes.

    Avaliação de riscos e benefícios

    Às vezes, um tratamento funciona, mas estudos posteriores mostram que seus riscos podem ser maiores do que se imaginava.

    Nesse caso, especialistas podem recomendar alternativas mais seguras.

    Exemplos de como a medicina evolui

    Ao longo da história da medicina, muitas práticas foram revisadas ou aprimoradas conforme novas evidências surgiram.

    Alguns exemplos são:

    • Mudanças em recomendações alimentares;
    • Novos medicamentos mais eficazes;
    • Atualização de protocolos de vacinação;
    • Novas técnicas cirúrgicas.

    Essas mudanças refletem o progresso do conhecimento científico.

    Mudanças significam que a ciência estava errada?

    Não. Na ciência, o conhecimento é construído de forma progressiva. Cada estudo acrescenta novas informações. Isso significa que recomendações são atualizadas conforme a melhor evidência disponível no momento.

    Em outras palavras, mudanças não indicam falha da ciência, mas sim um aprimoramento.

    Por que diretrizes médicas são atualizadas?

    Organizações de saúde revisam periodicamente suas diretrizes.

    Essas atualizações consideram:

    • Novos estudos publicados;
    • Análises de especialistas;
    • Dados de segurança;
    • Impacto em grandes populações.

    Instituições como a Organização Mundial da Saúde e sociedades médicas internacionais fazem revisões regulares para garantir que as recomendações reflitam o conhecimento mais atual.

    Como isso beneficia os pacientes?

    A atualização constante das recomendações médicas ajuda a melhorar a eficácia dos tratamentos, diminuir riscos de efeitos adversos, incorporar novas tecnologias e oferecer cuidados mais seguros.

    Ou seja, mudanças nas recomendações geralmente representam avanço no cuidado com a saúde.

    Confira:
    Por que algumas pessoas têm alergia e outras não? Alergista explica

    Perguntas frequentes sobre mudanças em recomendações médicas

    1. Por que um tratamento que era recomendado antes deixa de ser indicado?

    Porque novas pesquisas podem mostrar opções mais seguras ou eficazes.

    2. Isso significa que médicos estavam errados no passado?

    Não. As recomendações eram baseadas no melhor conhecimento disponível naquele momento.

    3. A ciência muda de opinião com frequência?

    Na verdade, ela evolui conforme novas evidências surgem.

    4. Como os médicos acompanham essas mudanças?

    Por meio de diretrizes atualizadas, congressos científicos e publicações médicas.

    5. Diretrizes médicas são revisadas regularmente?

    Sim, muitas sociedades científicas atualizam recomendações periodicamente.

    6. Novos tratamentos são sempre melhores?

    Nem sempre, mas muitas vezes trazem melhorias em eficácia ou segurança.

    7. O paciente deve questionar mudanças nas recomendações?

    Sim. Conversar com o médico ajuda a entender as razões das atualizações.

    Veja mais:
    Polilaminina: o que se sabe sobre a substância que está sendo estudada para lesão medular?

  • Beber água não tratada pode causar o quê? Veja os riscos

    Beber água não tratada pode causar o quê? Veja os riscos

    Beber água, preparar alimentos ou até tomar banho são atividades tão comuns que raramente pensamos nos riscos envolvidos. No entanto, quando a água não está adequadamente tratada, ela pode se tornar um importante veículo de transmissão de doenças.

    Embora muitas dessas infecções sejam evitáveis, elas ainda representam um problema relevante em diversas regiões, especialmente onde o acesso a saneamento básico é limitado.

    As doenças transmitidas pela água são causadas pela ingestão ou contato com água contaminada por microrganismos, como bactérias, vírus e parasitas.

    Essas doenças ainda representam um importante problema de saúde pública em diversas regiões do mundo, especialmente em locais com acesso limitado a saneamento básico e água tratada.

    Embora muitas dessas infecções sejam evitáveis, elas podem causar desde quadros leves até doenças graves, principalmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade reduzida.

    O que são doenças transmitidas pela água

    As doenças transmitidas pela água são infecções que ocorrem quando a água consumida ou utilizada está contaminada.

    Essa contaminação pode ocorrer por:

    • Fezes humanas ou de animais;
    • Falta de tratamento adequado da água;
    • Armazenamento inadequado;
    • Contato com ambientes contaminados.

    A ingestão ou contato com essa água pode levar à infecção por diversos agentes.

    Principais doenças transmitidas pela água

    1. Diarreias infecciosas

    São as mais comuns e podem ser causadas por bactérias como Escherichia coli, vírus ou parasitas.

    Sintomas costumam ser:

    • Diarreia;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos.

    2. Hepatite A

    Infecção viral transmitida por água ou alimentos contaminados.

    Pode causar:

    • Febre;
    • Mal-estar;
    • Icterícia (pele amarelada).

    3. Cólera

    Doença bacteriana causada por Vibrio cholerae, associada a surtos em áreas com saneamento precário.

    Caracteriza-se por:

    • Diarreia intensa e aquosa;
    • Rápida desidratação.

    4. Giardíase

    Infecção parasitária causada por Giardia lamblia.

    Os sintomas são:

    • Diarreia persistente;
    • Distensão abdominal;
    • Má absorção de nutrientes.

    5. Esquistossomose

    Doença causada por parasitas presentes em água doce contaminada. A infecção ocorre pelo contato da pele com a água.

    Como acontece a transmissão

    A transmissão ocorre principalmente por:

    • Consumo de água não tratada;
    • Uso de água contaminada para preparo de alimentos;
    • Contato com água contaminada em rios ou lagoas;
    • Higiene inadequada das mãos.

    A falta de saneamento básico é um dos principais fatores envolvidos.

    Quem tem maior risco

    Alguns grupos são mais vulneráveis às doenças transmitidas pela água:

    • Crianças;
    • Idosos;
    • Pessoas com imunidade baixa;
    • Populações sem acesso a água tratada;
    • Pessoas em áreas com saneamento precário.

    Quais são os sintomas mais comuns

    Os sintomas variam de acordo com a doença, mas frequentemente incluem:

    • Diarreia;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos;
    • Febre;
    • Desidratação.

    Em casos mais graves, pode haver complicações importantes.

    Como prevenir doenças transmitidas pela água

    A prevenção é fundamental e envolve medidas simples, mas eficazes:

    • Consumir água tratada ou filtrada;
    • Ferver a água quando não houver garantia de qualidade;
    • Lavar bem as mãos;
    • Higienizar alimentos adequadamente;
    • Evitar contato com água de origem desconhecida;
    • Investir em saneamento básico.

    Essas ações reduzem significativamente o risco de infecção.

    Quando procurar atendimento médico

    É importante procurar ajuda médica quando houver:

    • Diarreia persistente;
    • Sinais de desidratação;
    • Febre alta;
    • Presença de sangue nas fezes;
    • Sintomas em crianças ou idosos.

    O tratamento adequado ajuda a evitar complicações.

    Confira:
    Verme do sushi: entenda o que é anisaquíase e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre doenças transmitidas pela água

    1. Toda água contaminada causa doença?

    Não necessariamente, mas o risco aumenta dependendo do tipo de contaminação.

    2. Filtrar a água é suficiente?

    Depende do método. Filtros ajudam, mas em alguns casos é necessário ferver ou usar tratamento adequado.

    3. Água de rio pode transmitir doenças?

    Sim. Pode conter parasitas e bactérias.

    4. Crianças têm mais risco?

    Sim. São mais vulneráveis à desidratação e complicações.

    5. Como evitar?

    Com consumo de água tratada e boas práticas de higiene.

    6. Pode ser grave?

    Sim. Algumas doenças podem causar complicações sérias.

    7. Quando devo me preocupar?

    Quando há sintomas persistentes, sinais de desidratação ou agravamento do quadro.

    Veja também:
    Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

  • 7 sintomas que mostram que a gripe evoluiu para pneumonia (e quando ir ao médico)

    7 sintomas que mostram que a gripe evoluiu para pneumonia (e quando ir ao médico)

    Febre alta, dores no corpo e dor de garganta são alguns dos sintomas que podem surgir durante um quadro de gripe, doença causada pelo vírus Influenza, mas eles tendem a melhorar gradualmente após alguns dias, com repouso e hidratação adequada.

    Quando os sintomas não aliviam ou pioram subitamente após uma leve melhora, é necessário investigar se o quadro evoluiu para uma pneumonia. A gripe pode deixar o sistema imunológico fragilizado e as vias respiratórias inflamadas, o que favorece a entrada de bactérias nos pulmões e facilita o desenvolvimento de uma infecção mais grave.

    Se não for identificada e tratada precocemente, a condição pode se tornar grave, especialmente em crianças, idosos ou pessoas com doenças crônicas. A seguir, vamos entender como identificar os principais sinais de que uma gripe pode ter evoluído para pneumonia e como prevenir.

    Como saber se a gripe virou pneumonia?

    Para identificar se a gripe evoluiu para uma pneumonia, o primeiro passo é observar a duração e a piora dos sintomas. Em um quadro gripal comum, os sintomas tendem a diminuir gradualmente entre o terceiro e o sétimo dia, com redução da febre e alívio do mal-estar geral.

    Quando isso não acontece, ou quando há uma piora após uma aparente melhora, é sinal de que uma infecção secundária pode estar ocorrendo nos pulmões. A pneumonia pode surgir como uma complicação da própria gripe viral ou como uma infecção bacteriana secundária, que aparece após alguns dias de melhora aparente.

    Sintomas de que a gripe pode ter virado uma pneumonia

    Diferente da gripe, que causa sintomas como dor no corpo e coriza, a pneumonia afeta diretamente os pulmões e costuma provocar sinais mais intensos e persistentes, principalmente relacionados à respiração, como:

    1. Febre alta e persistente

    A febre é comum em um quadro de gripe, mas costuma diminuir com o passar dos dias e responder bem ao uso de antitérmicos. Quando a temperatura permanece alta por vários dias, não melhora com medicação ou volta a subir após um período sem febre, é um sinal de alerta para procurar um médico.

    2. Mudança no catarro

    No início da gripe, a tosse costuma ser seca ou com polca secreção. Quando o quadro evolui, a tosse pode ficar mais frequente e passar a produzir catarro mais espesso, com coloração amarelada ou esverdeada.

    Em alguns casos, podem surgir pequenos fios de sangue, o que indica inflamação mais intensa nas vias respiratórias e possível infecção pulmonar.

    3. Dor no peito ao respirar

    A dor no peito, normalmente descrita como uma pontada, pode aparecer ao respirar fundo, tossir ou até durante movimentos simples. O sintoma acontece porque a inflamação atinge as regiões próximas aos pulmões, causando um desconforto mais localizado.

    4. Falta de ar e respiração acelerada

    A dificuldade para respirar pode surgir como sensação de falta de ar, respiração curta ou necessidade de fazer mais esforço para puxar o ar. Até mesmo em atividades leves, como andar pela casa ou subir escadas, a respiração pode ficar mais rápida do que o normal, mostrando que o corpo está com dificuldade para oxigenar adequadamente.

    5. Calafrios e tremores

    Diferente dos calafrios leves que podem surgir no início de uma gripe comum, os tremores na pneumonia costumam ser intensos e involuntários. Eles acontecem como uma resposta ao aumento da febre, pois o corpo realiza contrações musculares rápidas para tentar elevar a temperatura interna e combater a infecção bacteriana que se instalou nos pulmões.

    6. Prostração extrema

    No caso da pneumonia, a fraqueza é muito maior do que a sentida nos primeiros dias de gripe, deixando a pessoa sem forças para as atividades simples do dia a dia, como levantar da cama, tomar banho ou se alimentar.

    7. Confusão mental

    Mais comum em idosos, a confusão mental pode aparecer como desorientação, dificuldade para manter uma conversa, sonolência excessiva ou mudanças de comportamento. Mesmo sem febre alta, o sintoma é um sinal de alerta para uma infecção e precisa de avaliação médica o quanto antes.

    Quem tem mais risco de complicações?

    A pneumonia pode surgir em qualquer pessoa, mas alguns grupos têm mais chance de evoluir com quadros mais graves, como:

    • Idosos (acima de 65 anos), pois o sistema imunológico responde de forma mais lenta, o que dificulta o combate às infecções;
    • Crianças pequenas (menores de 2 anos), uma vez que as vias respiratórias ainda estão em desenvolvimento, o que facilita a progressão da infecção;
    • Pessoas com doenças crônicas, como asma, bronquite e diabetes, podem reduzir a capacidade do organismo de reagir bem a uma infecção;
    • Pessoas que fumam, pois o cigarro prejudica os mecanismos de defesa dos pulmões, facilitando a entrada e a multiplicação de micro-organismos;
    • Pessoas com imunidade baixa, como quem está em tratamento contra câncer ou tem doenças que afetam o sistema imunológico.

    Nesses grupos, a atenção deve ser redobrada desde os primeiros sintomas de gripe. Qualquer sinal de piora, persistência da febre ou dificuldade para respirar deve ser avaliado com mais cuidado, já que a evolução pode ser mais rápida.

    Como prevenir que a gripe piore?

    Durante um quadro de gripe, é importante adotar medidas para fortalecer a imunidade e garantir que o corpo tenha energia para combater o vírus rapidamente, como:

    • Beber bastante líquido ajuda a deixar o catarro mais fluido e fácil de eliminar, evitando acúmulo nos pulmões;
    • Descansar permite que o corpo concentre energia no sistema imunológico e combata melhor o vírus;
    • Lavar o nariz com soro fisiológico ajuda a remover secreções e microrganismos das vias respiratórias;
    • Manter uma alimentação leve e nutritiva fortalece as defesas do organismo e auxilia na recuperação;
    • Evitar cigarro e poluição protege os pulmões e reduz a inflamação durante o período da gripe.

    Importância da vacinação

    A vacinação anual contra a gripe é a forma mais eficaz de prevenir a doença e suas complicações. Ela ajuda a diminuir internações, mortes e a circulação do vírus, além de proteger não só quem toma a vacina, mas também as pessoas ao redor, como os mais vulneráveis.

    Além da vacina da gripe, a vacina pneumocócica também é importante para proteger contra infecções bacterianas causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, meningite, otite e sinusite.

    A vacina da gripe é gratuita e está disponível nas unidades de saúde do SUS em todo o país, para os grupos definidos pelo Ministério da Saúde. Para se vacinar, basta levar um documento com foto e, se possível, o cartão de vacinação.

    As vacinas pneumocócicas também fazem parte do SUS para crianças, nas Unidades Básicas de Saúde. Para outras idades, podem ser encontradas em clínicas privadas, hospitais e laboratórios.

    Quando procurar ir ao médico com urgência?

    Se você apresenta sintomas de gripe que não melhoram após 3 a 5 dias, ou se notar qualquer um dos sinais de alerta já citados, procure atendimento em uma unidade de saúde ou consulte um clínico geral ou pneumologista.

    Importante: jamais se automedique, principalmente com remédios antibióticos, já que eles não tratam a gripe e podem mascarar sintomas importantes ou dificultar o diagnóstico correto.

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo demora para a gripe virar pneumonia?

    No geral, os sinais de complicação surgem entre o 3º e o 7º dia após o início da gripe. Se após uma leve melhora os sintomas voltarem com mais força, pode ser sinal de pneumonia.

    2. Qual a principal diferença entre os sintomas de gripe e pneumonia?

    A gripe causa dor no corpo e coriza. A pneumonia foca no pulmão, causando dor aguda ao respirar fundo, tosse com catarro amarelado/verde e falta de ar.

    3. A pneumonia é contagiosa?

    A pneumonia em si não é transmitida como a gripe, mas os micro-organismos que a causam (vírus e bactérias) podem ser passados de pessoa para pessoa através de gotículas de saliva.

    4. A pneumonia precisa de internação hospitalar?

    Não, a maioria das pneumonias leves e moderadas pode ser tratada em casa com antibióticos via oral, repouso e muita hidratação. A internação é reservada para casos de baixa oxigenação ou grupos de risco.

    5. Pode fazer nebulização em casa para ajudar?

    A nebulização apenas com soro fisiológico pode ajudar a umidificar as vias aéreas e facilitar a saída do catarro. No entanto, o uso de medicamentos (como broncodilatadores) na nebulização só deve ser feito com prescrição médica.

    6. É normal sentir cansaço mesmo após terminar o tratamento?

    Sim, a recuperação total da capacidade pulmonar pode levar de 15 a 30 dias. Mesmo que a infecção tenha sido eliminada, o corpo ainda precisa de tempo para regenerar os tecidos inflamados.

  • Picada de escorpião: 12 sintomas e o que fazer imediatamente após a picada

    Picada de escorpião: 12 sintomas e o que fazer imediatamente após a picada

    A picada de escorpião é um tipo de acidente relativamente comum no Brasil e, em 2025, o país registrou mais de 173 mil ocorrências envolvendo o animal. O risco tente a ser maior em áreas urbanas, onde o acúmulo de lixo, entulho e a presença de esgoto criam um ambiente favorável para a proliferação.

    Como eles se adaptam com facilidade ao ambiente doméstico, os escorpiões costumam invadir residências em busca de locais escuros, úmidos e pouco movimentados. Eles podem se esconder em sapatos, roupas, toalhas, ralos, frestas e até em móveis, fazendo com que acidentes ocorram durante atividades simples do dia a dia.

    A gravidade do acidente varia de acordo com a reação do organismo ao veneno, que age no sistema nervoso e pode causar desde quadros mais leves até situações que precisam de atendimento médico imediato. As crianças e os idosos são os mais suscetíveis a quadros graves.

    Como identificar a picada de escorpião?

    Diferente de uma picada de abelha, que normalmente deixa um ferrão, ou de uma aranha, que pode deixar dois pontos de entrada, a picada de escorpião costuma ser difícil de visualizar.

    O sinal físico pode ser apenas um pequeno ponto avermelhado na pele, muitas vezes sem inchaço evidente ou marcas profundas. Por isso, a identificação costuma ser feita pelo tipo de dor e pelos sintomas sistêmicos que surgem rapidamente.

    Quais os sintomas de picada de escorpião?

    Os sintomas variam conforme a espécie do escorpião, a quantidade de veneno injetada e a sensibilidade da vítima. Eles são divididos em:

    Locais

    Os sintomas locais da picada de escorpião aparecem imediatamente no local onde houve a ferroada:

    • Dor intensa, descrita como uma queimação ou choque na pele;
    • Sensação de formigamento ou dormência na região;
    • Leve vermelhidão e inchaço localizado.

    Em geral, o quadro mais intenso de dor ocorre nas primeiras horas após o acidente.

    Sistêmicos

    Após um intervalo de alguns minutos até poucas horas (duas ou três) podem surgir, principalmente em crianças, os seguintes sintomas:

    • Suor excessivo;
    • Agitação ou inquietação;
    • Tremores;
    • Náuseas e vômitos;
    • Salivação aumentada;
    • Alteração da pressão arterial (alta ou baixa);
    • Batimentos cardíacos irregulares;
    • Falta de ar por acúmulo de líquido nos pulmões;
    • Queda do estado geral (choque).

    O que fazer imediatamente após a picada?

    Em caso de picada por escorpião, a recomendação é procurar o hospital de referência mais próximo imediatamente ou ligar para o SAMU (192). Se for seguro, tire uma foto ou leve o escorpião para facilitar a identificação da espécie pelos médicos.

    Vale lembrar que o soro antiescorpiônico é gratuito e oferecido exclusivamente pelo SUS, mas não está disponível em todas as unidades de saúde. Por isso, é importante saber com antecedência quais hospitais da sua região são referências no tratamento de animais peçonhentos.

    Cuidados com o local da picada

    O primeiro cuidado após a picada é lavar bem o local com água e sabão, de forma suave, para reduzir o risco de infecção. Em seguida, é importante manter a calma e evitar ao máximo a movimentação, já que o esforço pode favorecer a circulação do veneno pelo organismo.

    Sempre que possível, o membro afetado deve permanecer em repouso e levemente elevado, o que ajuda a diminuir o desconforto.

    Diferente de outras picadas, no caso do escorpião, o uso de compressas mornas ajuda na vasodilatação local, o que pode aliviar a sensação de queimação.

    O que não fazer em caso de picada de escorpião?

    É necessário evitar medidas que possam agravar o quadro ou causar infecções, como:

    • Fazer torniquete, pois isso pode interromper a circulação sanguínea e pode causar necrose na região;
    • Cortar, furar ou espremer o local da picada;
    • Aplicar substâncias caseiras, como álcool, pó de café, ervas ou pomadas sem orientação;
    • Usar gelo diretamente sobre a picada;
    • Se automedicar sem orientação médica;
    • Ignorar a picada, mesmo quando a dor parecer leve.

    O que fazer se encontrar um escorpião (sem ser picado)?

    Se o encontro for apenas um susto, algumas medidas simples ajudam a evitar que a situação vire um acidente:

    • Não tente matar o escorpião com um chinelo, pois o corpo do animal é resistente e, ao errar o golpe, há risco de ataque;
    • Só tente capturar o animal se tiver experiência, usando uma pinça longa e um recipiente com tampa, sempre mantendo distância. Caso contrário, acione o Centro de Controle de Zoonoses da sua cidade;
    • Verifique e vede possíveis entradas, como os ralos, as frestas de portas e as janelas, já que o escorpião costuma entrar em busca de alimento, principalmente baratas;
    • Mantenha o ambiente limpo, evitando o acúmulo de madeira, tijolos, entulho ou lixo orgânico próximo à residência.

    Como prevenir os escorpiões?

    O Ministério da Saúde aponta as seguintes recomendações para evitar o surgimento de escorpiões em casa:

    • Manter o lixo bem fechado, em sacos ou recipientes adequados, para evitar insetos;
    • Combater a presença de baratas dentro de casa, com ajuda de profissionais quando necessário;
    • Manter o quintal e o jardim limpos, sem acúmulo de entulho, folhas secas ou lixo;
    • Evitar plantas muito densas encostadas em muros e paredes;
    • Manter a grama sempre aparada;
    • Garantir a limpeza de terrenos baldios próximos à residência;
    • Sacudir roupas, toalhas e sapatos antes de usar;
    • Evitar colocar as mãos em buracos, sob pedras ou em entulhos sem proteção;
    • Usar luvas e calçados fechados ao fazer limpeza em áreas externas;
    • Instalar telas em ralos, pias e tanques;
    • Colocar soleiras em portas e janelas;
    • Vedar frestas, buracos e espaços em paredes, pisos e forros;
    • Consertar rodapés soltos;
    • Afastar camas e berços das paredes;
    • Evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão;
    • Não pendurar roupas nas paredes.

    A lista dos hospitais de referência para soroterapia de acidentes por animais peçonhentos pode ser encontrada no site do Ministério da Saúde.

    Confira: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes

    1. A picada de escorpião pode matar?

    Sim, especialmente em crianças e idosos, se não houver atendimento médico rápido. O veneno pode causar falência cardíaca e respiratória.

    2. Pode colocar gelo na picada?

    Não, pois o gelo pode acentuar a dor causada pelo veneno do escorpião. O calor (morno) é o recomendado para alívio.

    3. Quanto tempo tenho para tomar o soro?

    O ideal é que o atendimento ocorra nas primeiras 3 horas após o acidente, especialmente em casos graves com crianças.

    4. Como saber se o escorpião é venenoso?

    No Brasil, todos os escorpiões possuem veneno, mas o amarelo (Tityus serrulatus) é o mais perigoso e comum em áreas urbanas.

    5. O que acontece se eu não for ao hospital?

    Se for um caso leve, a dor passará em algumas horas. Porém, se o envenenamento for moderado ou grave, a falta de socorro pode levar a complicações fatais.

    6. Dedetização comum mata escorpião?

    Nem sempre. Os inseticidas comuns podem apenas desalojar o escorpião e deixá-lo mais irritado. O ideal é usar produtos específicos e eliminar as baratas (alimento deles).

    7. O veneno do escorpião fica quanto tempo no corpo?

    Os sintomas locais podem durar de 24 a 48 horas. Em casos graves, o veneno atinge a corrente sanguínea rapidamente, exigindo o soro o quanto antes.

    8. Como identificar um escorpião-amarelo?

    Ele possui as pernas e a cauda amareladas, mas o tronco é mais escuro. O detalhe principal é uma “serrilha” (pequenos dentes) no dorso do terceiro e quarto anéis da cauda.

    Leia mais: Foi picado por cobra, escorpião ou aranha? Saiba o que fazer agora