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  • Como manter a calma em situações de pressão?

    Como manter a calma em situações de pressão?

    Todos passam por momentos de pressão: uma entrevista importante, uma apresentação decisiva, um conflito no trabalho ou uma emergência familiar. Nessas horas, o corpo reage automaticamente como se estivesse diante de uma ameaça real, liberando hormônios do estresse e acelerando batimentos, respiração e pensamentos.

    Manter a calma nesse cenário não significa ignorar o que está acontecendo, mas aprender a responder de forma mais equilibrada: é possível treinar o corpo e a mente para reagirem com clareza e autocontrole mesmo sob alta tensão!

    O que acontece no corpo quando estamos sob pressão

    Quando o cérebro interpreta uma situação como ameaça, ele ativa o chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de adrenalina e cortisol. Essa resposta rápida prepara o organismo para agir, o conhecido modo “lutar ou fugir”.

    Em curto prazo, é útil: aumenta o foco e a energia. Mas, se a pressão é intensa ou constante, o sistema fica sobrecarregado. O excesso de cortisol eleva a frequência cardíaca, tensiona os músculos e prejudica a tomada de decisão. É o que explica por que, em momentos críticos, muitas pessoas sentem a mente “bloquear” ou reagem de forma impulsiva.

    Aprender a manter a calma sob pressão significa regular essa resposta fisiológica, fazendo o corpo sair do estado de alerta e voltar ao equilíbrio. Técnicas simples, como a respiração profunda, reduzem o ritmo cardíaco e sinalizam ao cérebro que não há perigo iminente.

    Treinar o cérebro para responder com calma

    Pesquisas em neurociência mostram que manter a calma é uma habilidade treinável. O cérebro humano é plástico: ele se adapta a novos padrões conforme as experiências se repetem. Isso significa que praticar o controle emocional em pequenas situações ajuda o corpo a reagir melhor quando a pressão aumenta.

    O treino começa com autopercepção. Reconhecer os primeiros sinais físicos do estresse, como tensão muscular, respiração curta ou coração acelerado, é o passo inicial. Assim que percebe esses sintomas, a pessoa pode aplicar técnicas de regulação, evitando que o corpo avance para um estado de descontrole.

    Métodos simples que funcionam:

    • Respiração profunda: inspirar pelo nariz, segurar brevemente e soltar o ar devagar é uma das formas mais eficazes de manter a calma;
    • Pausa consciente: interrompa o que está fazendo por alguns segundos, olhe ao redor e note o ambiente: isso ajuda o cérebro a sair do modo automático;
    • Reenquadramento mental: substitua pensamentos como “vai dar errado” por “posso lidar com isso agora”.

    Essas estratégias, usadas de forma consistente, reduzem a intensidade da resposta ao estresse e fortalecem o córtex pré-frontal, região responsável pelo raciocínio e autocontrole.

    A importância do corpo: respiração, sono e movimento

    Manter a calma não depende apenas da mente. O corpo precisa estar preparado para responder com equilíbrio e controle emocional. Sono, alimentação e atividade física são fatores que influenciam diretamente o sistema nervoso e determinam a forma como lidamos com situações de pressão.

    Dormir bem regula os hormônios do estresse e melhora a clareza mental. Já o exercício físico reduz o cortisol e melhora o equilíbrio dos neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como as endorfinas e a serotonina, substâncias que promovem sensação de bem-estar. Mesmo pequenas pausas ativas durante o dia já ajudam o corpo a descarregar a tensão acumulada.

    A respiração é outro ponto central. Em momentos de pressão, ela se torna curta e acelerada, o que aumenta a ansiedade. Respirar lenta e profundamente é uma das formas mais eficazes de ativar o sistema nervoso parassimpático, responsável por acalmar o corpo. Esse tipo de respiração também melhora a oxigenação cerebral e favorece a tomada de decisão.

    Enfrentar a pressão com foco e clareza

    Manter a calma não é suprimir emoções, mas canalizá-las de forma produtiva. Em situações de pressão, o foco deve estar em ter controle emocional sobre o que está ao alcance e aceitar o que não pode ser mudado naquele instante.

    Estudos mostram que pessoas que lidam bem com o estresse têm maior capacidade de reavaliar o contexto em vez de reagirem por impulso. Esse processo cognitivo, conhecido como “reavaliação emocional”, ajuda o cérebro a interpretar o evento de forma menos ameaçadora.

    Algumas estratégias práticas incluem:

    • Dividir tarefas grandes em etapas menores, o que reduz a sensação de sobrecarga;
    • Usar linguagem positiva (“vou resolver isso”) em vez de negativa (“não consigo”);
    • Evitar decisões imediatas quando há raiva, medo ou frustração;
    • Fazer breves pausas mentais entre uma atividade e outra para reorganizar o raciocínio.

    Em equipes e ambientes profissionais, líderes que sabem manter a calma sob pressão criam um clima emocional estável e inspiram segurança. O autocontrole é contagioso: ao reduzir o próprio nível de estresse, também ajuda os outros a se regularem emocionalmente.

    Cultivar hábitos que fortalecem a calma

    Manter a calma não é apenas uma reação pontual, mas o resultado de uma rotina equilibrada. Hábitos diários de cuidado mental constroem resiliência emocional e reduzem a sensibilidade à pressão.

    Práticas como meditação, ioga e escrita reflexiva mostram efeitos consistentes na regulação do sistema nervoso. Elas reduzem a atividade da amígdala, região do cérebro associada ao medo, e fortalecem as conexões neurais ligadas à concentração e empatia.

    Também é importante manter vínculos sociais positivos. Conversar com amigos, colegas ou familiares reduz o isolamento emocional e ajuda a reinterpretar os desafios de maneira mais realista. A simples troca de perspectivas diminui a intensidade da resposta ao estresse.

    Por fim, uma alimentação equilibrada, com variedade de frutas, vegetais e alimentos integrais, apoia o equilíbrio do sistema nervoso e pode contribuir para o equilíbrio emocional e para manter a calma em situações difíceis.

    Manter a calma é inteligência emocional em ação

    Em momentos de pressão, o corpo quer reagir rápido, mas a mente pode aprender a reagir certo. A calma é a pausa entre o estímulo e a resposta, ou seja, o intervalo em que decidimos como agir.

    Treinar essa pausa é o que diferencia quem se deixa dominar pelo estresse de quem consegue agir com clareza e assertividade. Manter a calma não elimina os desafios, mas permite enfrentá-los com lucidez, preservando a saúde física e emocional.

    Com o tempo, o autocontrole se torna automático, e situações que antes provocavam ansiedade passam a ser enfrentadas com segurança. A verdadeira força, afinal, está em permanecer tranquilo quando tudo ao redor parece exigir pressa.

    Veja mais: Trabalhar demais faz mal ao coração?

    Perguntas e respostas

    1. O que acontece com o corpo em situações de pressão?

    O cérebro ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, liberando adrenalina e cortisol. Isso acelera o coração e prepara o corpo para agir.

    2. Por que manter a calma é importante nesses momentos?

    Porque reduz os efeitos do estresse, melhora a clareza mental e evita decisões impulsivas.

    3. É possível treinar o cérebro para ser mais calmo?

    Sim. Com prática regular de respiração, pausas conscientes e reavaliação mental, o cérebro aprende a reagir com mais equilíbrio.

    4. O que ajuda a manter a calma no dia a dia?

    Dormir bem, praticar exercícios, manter uma alimentação equilibrada e reservar tempo para relaxar e se conectar com outras pessoas.

    5. O que fazer imediatamente quando sentir que perdeu o controle?

    Focar na respiração profunda e lenta, fazer uma breve pausa e observar o ambiente antes de agir.

    Não deixe de conferir: Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

  • Nariz sangrando: o que fazer na hora e quando procurar ajuda 

    Nariz sangrando: o que fazer na hora e quando procurar ajuda 

    Ver sangue escorrendo pelo nariz costuma causar susto, principalmente quando o episódio acontece de forma repentina ou em grande quantidade. Apesar da aparência alarmante, o sangramento nasal, chamado de epistaxe, é bastante comum e, na maioria das vezes, não representa um problema grave de saúde.

    A condição ocorre porque o nariz é uma região muito vascularizada e sensível. Pequenas agressões à mucosa nasal, alterações do clima ou inflamações já são suficientes para romper vasos superficiais e provocar o sangramento. Saber por que isso acontece, como agir corretamente e quando procurar ajuda médica faz toda a diferença para lidar com a situação com mais tranquilidade.

    O que é sangramento nasal?

    A epistaxe, conhecida popularmente como sangramento nasal, acontece quando há o rompimento de pequenos vasos sanguíneos dentro do nariz, fazendo com que o sangue escorra por uma ou pelas duas narinas.

    O nariz possui muitos vasos sanguíneos localizados logo abaixo da mucosa, principalmente em uma área chamada plexo de Kiesselbach, situada na parte anterior do septo nasal — a parede que separa as duas narinas.

    Por estarem muito próximos da superfície, esses vasos se rompem com facilidade, mesmo diante de pequenas irritações ou traumas.

    Por que o nariz sangra?

    A epistaxe pode surgir de forma espontânea ou estar associada a diferentes fatores. Entre os mais comuns estão:

    • Ar seco e clima frio: o ressecamento da mucosa nasal a deixa mais frágil, especialmente no inverno ou em ambientes com ar-condicionado.
    • Manipulação nasal: o hábito de colocar o dedo ou objetos no nariz é uma causa frequente, sobretudo em crianças.
    • Rinites e sinusites: inflamações da mucosa aumentam a fragilidade dos vasos sanguíneos.
    • Uso excessivo de sprays nasais: descongestionantes usados por tempo prolongado irritam e ressecam o nariz.
    • Traumas: pancadas, cirurgias nasais ou acidentes podem provocar sangramento.
    • Doenças do sangue: distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes e algumas doenças genéticas elevam o risco de epistaxe.

    A pressão alta não é uma causa direta do sangramento nasal. Em situações mais raras, ela pode contribuir para agravar ou facilitar a ocorrência do sangramento, mas não costuma ser o fator principal.

    Quem pode ter sangramento nasal?

    Qualquer pessoa pode apresentar um episódio de sangramento nasal ao longo da vida. No entanto, ele é mais comum em duas faixas etárias:

    • Crianças e adolescentes, principalmente por traumas e inflamações nasais;
    • Adultos mais velhos, nos quais o sangramento costuma estar relacionado à fragilidade da mucosa ou a doenças sistêmicas.

    Estima-se que cerca de 60% das pessoas terão ao menos um episódio de sangramento nasal ao longo da vida, mas apenas 10% necessitarão de atendimento médico.

    Tipos de sangramento nasal

    O sangramento nasal pode ser classificado de acordo com o local onde se inicia:

    Epistaxe anterior

    É a forma mais comum, correspondendo a cerca de 90% dos casos. O sangramento se origina na parte da frente do nariz e geralmente é fácil de controlar com medidas simples.

    Epistaxe posterior

    Mais rara e mais comum em pessoas idosas. O sangramento vem de vasos maiores e mais profundos, tende a ser mais intenso e frequentemente exige atendimento médico imediato.

    O que fazer em caso de sangramento nasal?

    Na maioria das situações, o sangramento pode ser controlado em casa com medidas simples:

    • Sente-se e incline o corpo levemente para frente, evitando engolir o sangue.
    • Comprima firmemente as narinas, com o polegar e o indicador, por 10 a 15 minutos, sem interromper.
    • Após o controle, aplique soro fisiológico ou spray nasal hidratante para ajudar na recuperação da mucosa.
    • Não incline a cabeça para trás, pois isso faz o sangue escorrer para a garganta e pode causar náuseas e vômitos.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante buscar um pronto atendimento se ocorrer:

    • Sangramento que não cessa após 15 minutos de compressão;
    • Episódios frequentes ou sangramentos intensos;
    • Tontura, fraqueza, sensação de desmaio ou vômitos com sangue;
    • Uso de anticoagulantes ou presença de doenças que alteram a coagulação;
    • Sangramento após trauma ou cirurgia nasal.

    Em casos mais graves, o médico pode realizar cauterização do vaso ou tamponamento nasal. A necessidade de cirurgia é rara.

    Como prevenir novos episódios de sangramento nasal?

    Alguns cuidados simples ajudam a reduzir o risco de recorrência:

    • Manter o nariz hidratado com soro fisiológico ou pomadas nasais;
    • Evitar mexer no nariz ou usar cotonetes internamente;
    • Utilizar umidificadores de ar em ambientes secos;
    • Evitar calor excessivo e ar muito seco;
    • Evitar esforço físico intenso nas 48 horas após um episódio.

    Confira: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

    Perguntas frequentes sobre sangramento nasal

    1. Sangramento nasal é sempre sinal de algo grave?

    Não. A maioria dos casos é benigna e se resolve com medidas simples.

    2. Crianças podem ter sangramento nasal com frequência?

    Sim. Em crianças, o sangramento costuma estar ligado a traumas e inflamações locais.

    3. Pressão alta causa sangramento nasal?

    Não diretamente. Em alguns casos raros, pode contribuir para agravar o sangramento.

    4. Inclinar a cabeça para trás ajuda a parar o sangramento?

    Não. Essa prática é incorreta e pode causar engasgos e náuseas.

    5. Quando o sangramento nasal exige cauterização?

    Quando os sangramentos são frequentes, intensos ou não cessam com compressão simples.

    Veja mais: Rinite alérgica ou resfriado: conheça as diferenças entre eles e como identificar

  • Biópsia de tumor: o que é e como é feita? 

    Biópsia de tumor: o que é e como é feita? 

    Especialistas consultados:

    Marilda da Costa Brandão, anatomopatologista. CRM-SP 54.670.

    Carlos Zelandi Filho, anatomopatologista. CRM-SP 52.702

    Quando surge a suspeita de um tumor, seja por alterações nos exames de imagem, sintomas que não passam ou avaliação clínica, a biópsia é o principal exame para confirmar ou descartar a presença de câncer.

    A partir dela, é possível analisar diretamente as células do tecido suspeito e identificar se existe crescimento anormal, se o processo é benigno ou maligno e quais características definem o comportamento da lesão.

    Existem diferentes tipos de biópsia, dependendo da localização e do tipo de tumor. Vamos entender, a seguir, como o exame é feito, o que o laudo mostra e quais cuidados devem ser tomados antes e depois do procedimento.

    O que é a biópsia e por que ela é importante?

    A biópsia consiste na retirada de uma pequena amostra de tecido ou células do corpo para análise em laboratório, a fim de identificar se há alterações nas células — como inflamação, infecção, crescimento anormal ou presença de células cancerígenas.

    Ela pode ser feita em praticamente qualquer parte do corpo, como pele, mama, pulmão, fígado, rim, ossos, útero, próstata, entre outros. O tipo de técnica utilizada depende da localização do tecido e da suspeita clínica.

    De maneira geral, a biópsia de tumor é o exame mais importante para confirmar ou descartar a presença de câncer. Quando um médico identifica uma lesão suspeita, a biópsia é o único método capaz de mostrar com precisão se há células malignas no tecido analisado.

    Para se ter uma ideia, o procedimento permite não apenas diagnosticar o câncer, mas também entender o tipo de tumor, o grau de agressividade e as características moleculares das células, informações fundamentais para definir o tratamento mais adequado.

    Como é feita a biópsia de um tumor?

    A biópsia de tumor é feita a partir da retirada de uma pequena amostra do tecido suspeito para análise laboratorial — e a forma como o material é coletado varia conforme o local do tumor, seu tamanho e a facilidade de acesso. Por isso, existem diferentes formas de biópsia, como:

    • Biópsia por agulha fina: utiliza uma agulha fina para retirar pequenas amostras de células. É indicada para nódulos superficiais, como os de mama, tireoide ou linfonodos;
    • Biópsia por agulha grossa (core biopsy): retira fragmentos maiores de tecido, permitindo uma análise mais detalhada. É feita com anestesia local e, em alguns casos, guiada por ultrassom, tomografia ou ressonância magnética;
    • Biópsia cirúrgica (incisional ou excisional): realizada quando o tumor é de difícil acesso ou quando é preciso retirar toda a lesão. A incisional remove apenas uma parte do tumor, enquanto a excisional retira o nódulo completo. Ela costuma ser feita em centro cirúrgico;
    • Biópsias endoscópicas: utilizadas em órgãos internos, como estômago, intestino, pulmões ou bexiga. O médico insere um endoscópio (tubo com câmera e pinça) para coletar o tecido.

    Após a retirada, o material é enviado ao laboratório para análise.

    A biópsia de tumor dói?

    A dor durante uma biópsia de tumor costuma ser mínima, pois a maioria dos procedimentos é realizada com anestesia local, que bloqueia a sensibilidade da região. O paciente pode sentir pressão, leve incômodo ou uma picada inicial, mas não sofre dor intensa durante a coleta do material.

    Depois do procedimento, é comum surgir um desconforto moderado ou sensação de cólica na área examinada, que costuma melhorar com analgésicos simples e repouso leve no mesmo dia. Na maior parte dos casos, a recuperação é rápida e o paciente retoma as atividades habituais em pouco tempo.

    Como o material da biópsia é analisado no laboratório?

    A análise do material de uma biópsia no laboratório envolve uma sequência precisa de etapas que garantem a preservação, preparo e interpretação correta do tecido coletado. A Sociedade Brasileira de Patologia explica o passo a passo:

    • A amostra retirada do nódulo é imediatamente colocada em um fixador adequado, composto por formol tamponado em concentração padronizada, preservando a estrutura celular até o material chegar ao laboratório;
    • A etapa de fixação determina a qualidade dos testes posteriores, já que a preservação correta do tecido é fundamental para identificar o tipo tumoral e orientar o tratamento;
    • O fragmento permanece no fixador, em temperatura ambiente, por um período controlado entre 12 e 24 horas, sem ultrapassar 48 horas;
    • Após esse intervalo, inicia-se a macroscopia, fase em que o material é examinado a olho nu para descrição de formato, textura, coloração e possíveis áreas que indiquem crescimento anormal;
    • Em seguida, o tecido passa pelo processamento histológico, com exposição a soluções químicas que promovem desidratação, clarificação e inclusão do material em um bloco de parafina;
    • O bloco é encaminhado ao micrótomo, aparelho que realiza cortes extremamente finos, entre três e cinco micrômetros, cerca de duzentas vezes menos que 1 milímetro. Cada fragmento é colocado em uma lâmina de vidro, corado e protegido com lamínula;
    • Concluído o preparo, ocorre a análise microscópica, na qual o patologista observa detalhes celulares, padrões de crescimento, organização do tecido e alterações que indicam benignidade ou malignidade.

    O laudo final é resultado da interpretação cuidadosa das imagens, integrando técnica, conhecimento científico e experiência do especialista.

    O que o laudo da biópsia de tumor mostra?

    O laudo da biópsia de um tumor reúne todas as informações microscópicas necessárias para entender a natureza da lesão e orientar o tratamento oncológico. É um documento detalhado, produzido após análise minuciosa do tecido coletado, que descreve características estruturais, biológicas e comportamentais das células examinadas.

    O laudo costuma incluir:

    • Confirmação diagnóstica: indica se há tumor benigno ou maligno, com nome do tipo histológico identificado;
    • Subtipo tumoral: descreve a classificação específica dentro da categoria principal;
    • Grau histológico: informa o quanto as células se assemelham às células normais do tecido;
    • Margens cirúrgicas: informa se o tumor foi removido com segurança ou se há restos microscópicos;
    • Invasão vascular/linfática: indica risco maior de disseminação;
    • Status de biomarcadores: auxilia na escolha de terapias direcionadas ou imunoterapia.

    Em alguns casos, o laudo pode incluir uma recomendação de biópsia complementar, quando o material analisado é insuficiente para confirmar o diagnóstico.

    Quais cuidados são necessários antes e depois da biópsia?

    Antes do exame de biópsia, o médico orienta sobre jejum, suspensão de remédios anticoagulantes e uso de anestésicos. Também podem ser solicitados exames de sangue para avaliar a coagulação e o estado geral de saúde.

    Após a biópsia, os cuidados variam conforme o tipo de procedimento:

    • Evitar esforços físicos nas primeiras 24 a 48 horas;
    • Manter o curativo limpo e seco;
    • Usar analgésicos prescritos, se houver dor;
    • Observar sinais de infecção.

    Quanto tempo leva o resultado da biópsia?

    O prazo varia conforme o tipo de exame e o laboratório, mas em geral, os resultados simples ficam prontos entre 5 e 10 dias úteis. Quando há necessidade de exames complementares, o tempo pode chegar a três semanas.

    Em situações urgentes, como durante uma cirurgia, é possível realizar uma biópsia intraoperatória, cujo resultado sai em minutos.

    Quando a biópsia de tumor é indicada?

    O exame é solicitado sempre que há uma lesão suspeita de câncer identificada em exames de imagem, alterações laboratoriais ou sintomas persistentes.

    • Presença de nódulos em diferentes órgãos;
    • Lesões de pele que mudam de aspecto;
    • Feridas que não cicatrizam;
    • Aumento de órgãos sem causa aparente.

    A decisão de realizar a biópsia é sempre individualizada.

    Há riscos na realização de uma biópsia de tumor?

    Apesar de ser um procedimento seguro, toda biópsia envolve pequenos riscos, como sangramento, infecção local e dor leve. Em casos raros, pode ocorrer necessidade de nova coleta.

    Vale destacar que a biópsia não espalha o câncer, sendo um mito comum entre pacientes.

    Perguntas frequentes

    1. Por que alguns médicos solicitam uma nova biópsia?

    Uma nova biópsia pode ser necessária quando o material inicial é inconclusivo ou quando há mudança no comportamento da lesão.

    2. O resultado da biópsia pode mudar o plano de tratamento?

    Sim. O laudo define o tipo de tumor e orienta a escolha do tratamento mais adequado.

    3. O que significa “margens livres” no laudo?

    Significa que não há células tumorais nas bordas do tecido retirado, indicando remoção completa da lesão.

    4. Como lidar com a ansiedade enquanto espera o resultado?

    Buscar apoio médico, evitar informações não confiáveis e contar com suporte emocional ajudam a enfrentar esse período.

    5. O que acontece se a biópsia for inconclusiva?

    O médico pode solicitar nova coleta ou exames complementares.

    6. A biópsia substitui outros exames?

    Não. Ela faz parte de um conjunto de exames clínicos, laboratoriais e de imagem para um diagnóstico completo.

    Especialistas consultados:

    Marilda da Costa Brandão, anatomopatologista. CRM-SP 54.670.

    Carlos Zelandi Filho, anatomopatologista. CRM-SP 52.702

  • Talassemia e traço talassêmico: entenda mais e saiba o que muda na prática 

    Talassemia e traço talassêmico: entenda mais e saiba o que muda na prática 

    As talassemias são doenças genéticas raras que afetam a produção da hemoglobina, a proteína responsável por transportar oxigênio no sangue. Apesar de muitas vezes serem diagnosticadas ainda na infância, algumas formas mais leves podem passar despercebidas por anos, sendo descobertas apenas em exames de rotina.

    Entender como essas doenças se manifestam, quais são seus diferentes tipos e quando há risco de formas mais graves é essencial, especialmente para o aconselhamento genético. Isso porque, mesmo indivíduos sem sintomas importantes podem carregar alterações capazes de impactar futuras gerações.

    O que são talassemias?

    As talassemias são doenças genéticas raras caracterizadas por mutações na estrutura da hemoglobina, a proteína presente nas hemácias responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Essas alterações resultam em produção inadequada das hemácias e aumento de sua destruição na circulação sanguínea.

    Devido à formação incorreta das células do sangue e às alterações estruturais da hemoglobina, o oxigênio não é transportado de forma eficiente, comprometendo a oxigenação dos tecidos do corpo.

    A hemoglobina é composta por duas cadeias principais de proteínas: cadeias alfa e cadeias beta. As talassemias surgem quando há defeitos na produção de uma dessas cadeias. A cadeia alfa depende de quatro genes, enquanto a cadeia beta depende de dois genes, o que explica a grande variação de gravidade da doença.

    As talassemias possuem herança autossômica recessiva, o que significa que ambos os pais precisam carregar pelo menos o traço da doença para que os filhos possam manifestar a forma clínica.

    Tipos de talassemia

    Alfa talassemia

    A alfa talassemia ocorre quando há produção reduzida ou ausência das cadeias alfa da hemoglobina. A gravidade da doença depende do número de genes afetados:

    • Perda de 1 gene: forma leve, geralmente assintomática;
    • Perda de 2 ou 3 genes: quadros variáveis, podendo causar anemia leve a moderada;
    • Perda de 4 genes: forma mais grave, incompatível com a vida, levando à hidropsia fetal e morte intrauterina.

    Em muitos casos leves, os pacientes não apresentam sintomas e o diagnóstico ocorre de forma incidental.

    Beta talassemia

    A beta talassemia é causada pela redução ou ausência da produção das cadeias beta da hemoglobina. A gravidade varia conforme o tipo de mutação presente nos dois genes responsáveis por sua produção.

    Existem mutações que causam apenas diminuição da produção e outras que levam à ausência completa. Quanto maior o comprometimento genético, mais grave será o quadro clínico, podendo evoluir para anemia severa e necessidade frequente de transfusões sanguíneas.

    Traço talassêmico

    O traço talassêmico representa a forma mais leve das talassemias e, na maioria das vezes, é assintomático.

    Na alfa talassemia: ocorre quando o indivíduo possui 3 genes normais e 1 alterado;

    Na beta talassemia: ocorre quando há 1 gene normal e 1 gene alterado.

    Esses pacientes geralmente não apresentam anemia ou apresentam apenas anemia leve.

    A principal importância do diagnóstico do traço talassêmico está no aconselhamento genético. Apesar de não apresentarem sintomas relevantes, esses indivíduos têm maior chance de ter filhos com formas mais graves da talassemia, dependendo da genética do parceiro ou parceira.

    Esse cuidado é especialmente importante na alfa talassemia, pois a forma mais grave é incompatível com a vida e o diagnóstico pode ser tardio durante a gestação.

    Principais sintomas

    Anemia

    A anemia é o achado mais frequente e pode variar de leve até severa, sendo mais intensa nas formas graves, como a talassemia major. No traço talassêmico, a anemia costuma ser ausente ou discreta.

    Sintomas de hemólise

    Nas formas moderadas a graves, ocorre destruição aumentada das hemácias (hemólise), levando a:

    • Pele amarelada (icterícia);
    • Aumento do fígado e do baço;
    • Elevação da bilirrubina no sangue, com aumento do risco de pedras na vesícula.

    Eritropoese extramedular

    Devido à produção ineficaz de hemácias na medula óssea, outros locais do corpo passam a produzir essas células, causando:

    • Deformidades ósseas;
    • Osteoporose;
    • Dores ósseas;
    • Sobrecarga de ferro;
    • Prejuízo do crescimento em crianças.

    Diagnóstico

    A suspeita diagnóstica ocorre diante de:

    • Histórico familiar de talassemia ou traço talassêmico;
    • Anemia sem causa aparente;
    • Idade de início dos sintomas sugestiva da gravidade.

    Nos exames de sangue, o achado mais comum é a anemia, com intensidade variável. Marcadores de hemólise, como aumento da bilirrubina, também podem estar presentes.

    A confirmação diagnóstica é feita por meio de:

    • Análise da hemoglobina;
    • Testes genéticos, quando disponíveis e indicados.

    Tratamento

    O tratamento da talassemia é individualizado e visa:

    • Corrigir ou controlar a anemia;
    • Reduzir os efeitos da eritropoese ineficaz;
    • Tratar complicações, como sobrecarga de ferro.

    As opções incluem:

    • Suplementação de vitaminas e ácido fólico;
    • Transfusões sanguíneas, nos casos moderados a graves.

    A suplementação de ferro não é recomendada, mesmo na presença de anemia, a menos que haja deficiência comprovada, devido ao risco de sobrecarga de ferro.

    Em casos mais graves, pode ser indicada a esplenectomia, que consiste na retirada cirúrgica do baço, como parte do manejo da doença.

    Leia também: Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar

    Perguntas frequentes sobre talassemias

    1. Talassemia é uma doença adquirida?

    Não. As talassemias são doenças genéticas, transmitidas de forma hereditária.

    2. Quem tem traço talassêmico precisa de tratamento?

    Na maioria dos casos, não. O principal cuidado é o aconselhamento genético.

    3. Talassemia sempre causa anemia grave?

    Não. A gravidade varia conforme o tipo e o número de genes afetados.

    4. Pessoas com talassemia podem tomar ferro?

    Não é recomendado, a menos que haja deficiência comprovada, devido ao risco de sobrecarga de ferro.

    5. A talassemia pode ser diagnosticada na gravidez?

    Sim. O diagnóstico pode ocorrer durante a gestação, especialmente em casos mais graves ou quando há investigação genética.

    Veja mais: Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

  • O que comer (e o que evitar) para dormir melhor 

    O que comer (e o que evitar) para dormir melhor 

    Dormir bem parece simples, mas o corpo funciona como um sistema integrado e aquilo que você coloca no prato pode determinar se a noite será tranquila ou marcada por insônia, agitação e despertares frequentes.

    A relação entre alimentação, digestão e qualidade do sono é estudada há anos, e hoje sabemos que o que comemos (e quando comemos) interfere diretamente nos hormônios, na digestão, na saúde do estômago e no funcionamento do relógio biológico.

    Desde refeições muito pesadas até o consumo de cafeína à noite, tudo influencia na forma como o corpo descansa. Também é bem comum que problemas digestivos, como refluxo gastroesofágico, interrompam o sono ou causem sensação de sufocamento durante a madrugada.

    A seguir, entenda como isso acontece e como ajustar sua alimentação para noites realmente reparadoras.

    Por que alimentação e sono estão tão conectados?

    A relação acontece por três caminhos principais:

    • Digestão;
    • Hormônios ligados à fome e saciedade;
    • Saúde digestiva, incluindo refluxo.

    Cada um deles influencia diretamente a qualidade do sono.

    1. Digestão: quando o estômago trabalha demais, o cérebro trabalha junto

    Durante a noite, o corpo entra em um estado de descanso metabólico. Mas quando fazemos refeições grandes, gordurosas ou muito tarde, isso muda completamente.

    O impacto da digestão pesada

    Refeições grandes exigem mais fluxo de sangue para o sistema digestivo, o que mantém o organismo em alerta.

    Isso pode causar:

    • Dificuldade para adormecer;
    • Sensação de estômago cheio;
    • Aumento da temperatura corporal (que prejudica o início do sono);
    • Sono leve e fragmentado.

    O ideal é fazer a última refeição 2 a 3 horas antes de deitar, com opções leves, moderadas em gordura e ricas em fibras.

    2. Refluxo gastroesofágico: um vilão noturno muito comum

    O refluxo ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago, causando queimação, tosse, desconforto no peito e, em alguns casos, sensação de sufocamento.

    À noite, o problema costuma piorar porque estamos deitados, pois a gravidade deixa de ajudar.

    Como a alimentação contribui para o refluxo noturno

    Alguns alimentos relaxam o esfíncter esofágico (uma “válvula” que impede o retorno do ácido), aumentando o risco de refluxo:

    • Frituras;
    • Alimentos muito gordurosos;
    • Café;
    • Chocolate;
    • Bebidas alcoólicas;
    • Refrigerantes;
    • Menta;
    • Alimentos apimentados;
    • Excesso de molho de tomate.

    Para quem sofre de refluxo, ajustes na refeição da noite fazem enorme diferença. Elevar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 cm também ajuda a reduzir sintomas noturnos.

    3. Nutrientes que ajudam (ou atrapalham) o sono

    Alimentos que favorecem o adormecer

    Alguns nutrientes estimulam a produção de serotonina e melatonina, hormônios essenciais para o sono:

    • Triptofano: está presente em leite, ovos, queijo, frango, banana;
    • Magnésio: presente no abacate, nas amêndoas e espinafre;
    • Carboidratos leves: ajudam o triptofano a chegar ao cérebro;
    • Fibras: estabilizam o açúcar no sangue durante a noite.

    Estudos mostram que refeições equilibradas evitam quedas e picos de glicemia, um fator que reduz despertares noturnos.

    O papel das proteínas

    Uma pequena porção de proteína magra na noite ajuda a manter saciedade sem sobrecarregar o estômago.

    Boas escolhas:

    • Iogurte natural;
    • Ovo;
    • Peito de frango;
    • Tofu.

    4. Alimentos e hábitos que prejudicam o sono

    Cafeína

    Café, chás pretos, chá verde, chimarrão, refrigerantes e chocolate.

    A cafeína pode permanecer ativa no corpo por 6 a 8 horas, dificultando o início do sono.

    Álcool

    Apesar de dar sensação de relaxamento, o álcool reduz drasticamente a fase REM do sono, que é essencial para memória, regulação emocional e restauração do cérebro.

    Açúcar e ultraprocessados

    Estimulam picos glicêmicos, que podem gerar despertares e maior fragmentação do sono.

    5. Horários importam tanto quanto escolhas alimentares

    O corpo funciona como um relógio, e a alimentação é um dos principais “marcadores” do ritmo circadiano.

    Diretrizes de sono recomendam:

    • Jantar cedo;
    • Evitar beliscar tarde da noite;
    • Manter regularidade nos horários das refeições.

    Quando o corpo recebe sinais claros de rotina, dorme melhor.

    6. Quanto a hidratação interfere no sono?

    Beber água é essencial, mas excesso próximo da hora de dormir aumenta as idas ao banheiro.

    O ideal é:

    • Hidratar-se ao longo do dia;
    • Reduzir o volume de líquidos 1 a 2 horas antes de deitar;

    7. Quem tem insônia ou refluxo deve procurar ajuda médica

    Insônia crônica, despertares frequentes ou refluxo que atrapalha o sono devem ser avaliados por um profissional. O tratamento precoce evita complicações, melhora o bem-estar e restaura a energia diária.

    Veja também: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

    Perguntas frequentes sobre sono e alimentação

    1. É normal sentir sono pesado depois de comer mal?

    Sim. Refeições muito gordurosas ou grandes sobrecarregam a digestão e atrapalham o sono.

    2. Leite realmente ajuda a dormir?

    Para algumas pessoas sim, porque contém triptofano. Mas não funciona sozinho se o resto dos hábitos estiver desregulado.

    3. Comer fruta à noite engorda ou atrapalha o sono?

    Não. Frutas leves podem até ajudar, principalmente as ricas em triptofano.

    4. Posso tomar café à tarde sem prejudicar meu sono?

    Depende da sensibilidade individual, mas a orientação é evitar cafeína após as 14h ou 15h.

    5. Quem tem refluxo precisa cortar tudo?

    Não necessariamente. Ajustar horários, quantidades e alimentos gatilho já faz grande diferença.

    6. Chá ajuda a relaxar?

    Sim, desde que sem cafeína (camomila, erva-doce, melissa).

    7. Jejum noturno melhora o sono?

    Não é indicado como estratégia primária. Comer leve e cedo é mais seguro e eficaz.

    Leia mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

  • Endocardite é grave? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

    Endocardite é grave? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

    Você já ouviu falar em endocardite? A infecção, normalmente causada por bactérias, atinge o revestimento interno do coração e, principalmente, as válvulas cardíacas, estruturas responsáveis por controlar o fluxo de sangue dentro do órgão.

    Apesar de não ser tão comum, ela pode ter consequências sérias quando não diagnosticada e tratada rapidamente. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que é endocardite?

    A endocardite é uma infecção grave que atinge o revestimento interno do coração e, principalmente, as válvulas cardíacas. Na maioria dos casos, ela ocorre quando microrganismos (como bactérias ou fungos) entram na corrente sanguínea e se fixam em áreas do coração que já possuem alguma fragilidade ou lesão.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, quando isso acontece, eles formam pequenos aglomerados chamados vegetações, compostos por germes, células de defesa do organismo e coágulos de sangue. As vegetações costumam se fixar nas válvulas do coração, onde passam a crescer.

    Com o tempo, as vegetações podem danificar as válvulas, fazendo com que o coração precise trabalhar mais para bombear o sangue. Isso pode levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca, que é quando o coração não consegue mais bombear o sangue de forma eficiente.

    Para complementar, pedaços das vegetações podem se soltar e viajar pela corrente sanguínea — o que pode causar entupimentos em vasos do cérebro, levando a um AVC, ou atingir os pulmões, causando embolia pulmonar.

    Causas da endocardite

    A endocardite é causada quando microrganismos, principalmente bactérias, entram na corrente sanguínea e conseguem se fixar no coração, especialmente nas válvulas cardíacas.

    Isso costuma acontecer em duas etapas. Primeiro, as bactérias entram no sangue, o que pode ocorrer em situações comuns do dia a dia, como:

    • Infecções na boca e na gengiva;
    • Procedimentos dentários que causam sangramento;
    • Feridas na pele;
    • Infecções urinárias, respiratórias ou na pele;
    • Uso de agulhas, como em drogas injetáveis, piercings ou tatuagens mal higienizados;
    • Cirurgias ou procedimentos invasivos.

    Depois, as bactérias que estão circulando no sangue encontram um local no coração onde conseguem se fixar, formando as vegetações.

    Quem tem mais risco de desenvolver a endocardite?

    Existem algumas condições que aumentam o risco de desenvolver endocardite, segundo Juliana. É importante destacar que é incomum a endocardite ocorrer em pessoas que não apresentem pelo menos um desses fatores de risco.

    As principais pessoas em maior risco são:

    • Pessoas com doença nas válvulas cardíacas, como aquelas que tiveram sequelas da febre reumática ou que apresentam degeneração das válvulas;
    • Pessoas que possuem válvula cardíaca artificial, seja prótese mecânica ou biológica;
    • Pessoas com doença cardíaca congênita, ou seja, que nasceram com alguma alteração na estrutura do coração;
    • Usuários de drogas injetáveis, já que o uso de agulhas facilita a entrada de bactérias na corrente sanguínea;
    • Pessoas que já tiveram endocardite no passado, pois o risco de ter novamente é maior.

    As condições tornam o coração mais vulnerável à fixação das bactérias, facilitando o desenvolvimento da infecção.

    Quais os sintomas mais comuns da endocardite?

    A endocardite é uma doença complexa e pode causar diversos sinais e sintomas. Os mais comuns incluem:

    • Febre persistente;
    • Calafrios;
    • Cansaço intenso (fadiga);
    • Dores nas articulações;
    • Dor no peito, principalmente ao respirar;
    • Nódulos dolorosos nas pontas dos dedos, chamados nódulos de Osler;
    • Manchas arroxeadas, indolores, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, conhecidas como lesões de Janeway.

    Juliana explica que o sinal mais clássico da endocardite é o sopro cardíaco. Ele pode aparecer como um novo sopro ou como uma mudança em um sopro que a pessoa já tinha antes.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da endocardite é feito a partir da avaliação clínica, os sintomas e o exame físico. Durante o exame clínico, Juliana explica que o médico pode identificar sinais importantes, como a presença de sopros no coração ou outras alterações que levantam a suspeita de endocardite.

    Além da avaliação clínica, dois exames são fundamentais para confirmar o diagnóstico, como:

    • Hemocultura: exame de sangue no qual a amostra é colocada em cultura para identificar qual bactéria está presente na corrente sanguínea e causando a infecção;
    • Ecocardiograma: é uma ultrassom do coração que permite visualizar as válvulas e identificar as vegetações, e pode ser feito de duas formas: transtorácica, com o aparelho sobre o tórax, e transesofágica, com uma sonda pelo esôfago, que oferece imagens mais detalhadas e é a melhor para visualizar as vegetações.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar atendimento médico o quanto antes se apresentar sinais ou situações que possam indicar endocardite, como:

    • Febre persistente, que dura vários dias ou não melhora com remédios comuns;
    • Cansaço intenso, fraqueza ou mal-estar sem explicação;
    • Calafrios, suores noturnos ou perda de peso sem motivo aparente;
    • Dor no peito, falta de ar ou palpitações;
    • Manchas, nódulos ou alterações na pele, principalmente nas mãos, pés ou dedos;
    • Surgimento de um novo sopro no coração ou mudança em um sopro já existente.

    A atenção deve ser ainda maior em pessoas que têm válvulas cardíacas doentes ou próteses valvares, possuem doença cardíaca congênita, já tiveram endocardite ou usam drogas injetáveis.

    Tratamento de endocardite

    O tratamento de endocardite é feito com o uso de antibióticos aplicados diretamente na veia. Segundo Juliana, na maioria dos casos, o paciente precisa ficar internado recebendo antibióticos por um período prolongado, que normalmente varia de quatro a seis semanas.

    Em cerca de metade dos casos, também é necessário realizar uma cirurgia para substituir a válvula do coração que foi danificada pela infecção.

    A cirurgia é indicada quando a infecção não melhora com os antibióticos, quando a válvula está muito destruída e passa a causar insuficiência cardíaca, ou quando existem vegetações ou coágulos grandes, que aumentam o risco de que pedaços se soltem e provoquem embolias em outros órgãos.

    Como prevenir a endocardite?

    A principal forma de prevenir a endocardite é evitar que bactérias entrem na corrente sanguínea. As principais medidas são:

    • Manter uma boa higiene bucal, com escovação adequada, uso de fio dental e visitas regulares ao dentista, pelo menos duas vezes ao ano;
    • Cuidar bem da pele, mantendo cortes e feridas sempre limpos e protegidos para evitar infecções;
    • Evitar piercings e tatuagens, especialmente em pessoas com maior risco, pois são portas de entrada para bactérias;
    • Evitar piercings na língua ou em mucosas, que aumentam ainda mais o risco de infecção;
    • Usar antibiótico preventivo (profilaxia antibiótica) antes de procedimentos dentários invasivos, quando indicado pelo médico.

    A profilaxia antibiótica é recomendada para pessoas com alto risco de endocardite, como quem já teve a doença, quem possui válvulas cardíacas artificiais ou quem tem doença cardíaca congênita.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    A endocardite é uma doença contagiosa?

    Não, a endocardite não é uma doença contagiosa e não passa de uma pessoa para outra pelo contato direto, como acontece com gripes ou infecções respiratórias.

    A endocardite pode causar AVC?

    Pode, e isso é uma das complicações mais graves. As bactérias formam pequenas massas nas válvulas do coração, e pedaços delas podem se soltar e viajar pelo sangue. Se chegarem ao cérebro, podem causar um AVC. Por isso, a endocardite é considerada uma emergência médica.

    Quanto tempo leva para a endocardite se desenvolver após uma infecção?

    A endocardite pode se desenvolver dias ou semanas depois de uma bactéria entrar na corrente sanguínea. Às vezes, a infecção inicial já passou, como uma inflamação na garganta ou um problema dentário, mas as bactérias já se fixaram no coração e continuam causando danos.

    Quanto tempo dura o tratamento?

    O tratamento dura, em média, de quatro a seis semanas com antibióticos na veia. Durante o período, o paciente geralmente fica internado para garantir que a infecção seja totalmente eliminada.

    A endocardite pode afetar outros órgãos além do coração?

    Sim, as bactérias ou coágulos podem atingir pulmões, rins, cérebro e outros órgãos, causando embolias e infecções secundárias.

    Crianças podem ter endocardite?

    Sim, especialmente crianças com cardiopatia congênita, ou seja, que nasceram com problemas no coração. Embora seja menos comum que em adultos, a endocardite em crianças pode ser grave e exige tratamento rápido.

    Como saber se uma febre pode ser endocardite?

    Uma febre que dura vários dias, que não melhora com remédios comuns, acompanhada de cansaço, dor no peito, falta de ar ou sopro no coração deve levantar suspeita, especialmente em quem tem problema cardíaco. Nesses casos, é fundamental procurar um médico.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Viroses de verão: como evitar que elas estraguem suas férias 

    Viroses de verão: como evitar que elas estraguem suas férias 

    Todo verão é a mesma história: praias cheias, piscinas lotadas, viagens, comidas fora de casa e, pouco depois, uma onda de pessoas com febre, diarreia, vômitos e mal-estar. As chamadas viroses de verão são extremamente comuns nessa época do ano e podem atrapalhar férias, viagens e causar desidratação, especialmente em crianças e idosos.

    Embora muitas dessas infecções sejam leves e autolimitadas, elas se espalham com facilidade. Na maioria das vezes, porém, a prevenção depende de cuidados simples, que podem ser feitos sem grandes dificuldades.

    O que são as viroses de verão?

    As viroses de verão são infecções causadas por vírus, mais frequentes nos meses quentes do ano. Elas costumam atingir principalmente o sistema gastrointestinal, mas também podem causar sintomas respiratórios e gerais.

    Os vírus mais comuns nessa época incluem:

    • Norovírus;
    • Rotavírus;
    • Adenovírus;
    • Enterovírus.

    Eles se espalham com facilidade por:

    • Água contaminada;
    • Alimentos mal higienizados;
    • Mãos e superfícies contaminadas;
    • Contato próximo entre pessoas.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente são:

    • Diarreia;
    • Náuseas e vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Cansaço e mal-estar.

    Em crianças pequenas e idosos, a desidratação é uma das principais preocupações e exige atendimento médico para reposição dos fluidos.

    Por que as viroses são mais comuns no verão?

    O verão reúne vários fatores que facilitam a transmissão dos vírus:

    • Calor favorece a proliferação de microrganismos;
    • Maior consumo de alimentos crus e mal conservados;
    • Uso coletivo de piscinas, praias e banheiros públicos;
    • Aglomerações em viagens e eventos;
    • Maior exposição a água de procedência duvidosa.

    Como se proteger das viroses de verão?

    1. Cuide da higiene das mãos

    Lavar as mãos é uma das medidas mais eficazes para evitar viroses.

    • Lave as mãos com água e sabão antes de comer;
    • Após usar o banheiro;
    • Depois de trocar fraldas;
    • Ao chegar da rua.

    Quando não houver água e sabão, use álcool gel, mas ele não substitui totalmente a lavagem.

    2. Atenção redobrada com alimentos e bebidas

    • Lave bem frutas, verduras e legumes;
    • Faça a desinfecção correta dos alimentos crus;
    • Evite alimentos expostos ao calor por muito tempo;
    • Desconfie de comida de procedência desconhecida;
    • Beba apenas água filtrada, fervida ou mineral.

    Gelo feito com água contaminada também pode transmitir viroses.

    3. Cuidado com água de piscinas, rios e praias

    • Evite engolir água de piscinas e do mar;
    • Não entre em piscinas com sinais de má manutenção;
    • Crianças com diarreia não devem usar piscinas.

    Água contaminada é uma das principais fontes de transmissão de viroses.

    4. Mantenha-se bem hidratado

    A hidratação ajuda o organismo a se recuperar mais rápido e previne complicações.

    • Beba água ao longo do dia;
    • Em casos de diarreia ou vômitos, use soluções de reidratação oral;
    • Evite bebidas alcoólicas.

    5. Atenção especial com crianças e idosos

    Esses grupos têm maior risco de complicações.

    • Observe sinais de desidratação;
    • Ofereça líquidos com frequência;
    • Procure atendimento médico se os sintomas persistirem.

    Quando procurar um médico?

    É importante buscar avaliação médica se houver:

    • Febre alta persistente;
    • Sangue nas fezes;
    • Dor abdominal intensa;
    • Vômitos frequentes;
    • Sinais de desidratação (boca seca, pouca urina, sonolência);
    • Sintomas em bebês, idosos ou pessoas com doenças crônicas.

    Viroses de verão geralmente precisam de antibiótico?

    Não. Antibióticos não tratam viroses. O tratamento é baseado em:

    • Repouso;
    • Hidratação;
    • Controle dos sintomas.

    O uso inadequado de antibióticos pode causar efeitos colaterais e resistência bacteriana, além de não solucionar o problema.

    Apenas o médico saberá dizer se o quadro é apenas viral ou há suspeita de envolvimento de alguma bactéria.

    Confira: Dicas para dormir melhor em dias de calor intenso

    Perguntas frequentes sobre viroses de verão

    1. Viroses de verão são contagiosas?

    Sim, muito. A transmissão é fácil, principalmente por contato com mãos, alimentos e água contaminados.

    2. Posso ir à praia ou piscina com virose?

    Não é recomendado, pois você pode piorar a desidratação e transmitir o vírus a outras pessoas.

    3. Crianças pegam virose mais fácil?

    Sim. O sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

    4. Quanto tempo dura uma virose de verão?

    Geralmente de 2 a 7 dias.

    5. Existe vacina contra virose de verão?

    Algumas viroses, como o rotavírus, têm vacina, principalmente para crianças.

    6. Posso tomar remédios por conta própria?

    Evite automedicação. Alguns remédios podem piorar o quadro.

    7. Dá para evitar totalmente?

    Não totalmente, mas os cuidados reduzem muito o risco.

    Veja mais: Aproveite as frutas do verão: 5 benefícios da manga para a saúde

  • O que é ‘gripe K’? Entenda se ela é mais perigosa ou não 

    O que é ‘gripe K’? Entenda se ela é mais perigosa ou não 

    A chamada “gripe K” entrou no radar por ter sido identificada recentemente na Europa e por ter tido o primeiro caso registrado no Brasil em 2025, em uma mulher estrangeira proveniente das ilhas Fiji. Com a chegada do inverno no hemisfério Norte, o aumento de casos segue um padrão já conhecido: a sazonalidade típica das infecções por influenza.

    Apesar do nome diferente, a explicação aponta para algo familiar. A Gripe K é causada pelo subtipo K do vírus influenza A H3N2, e os sintomas, em geral, acompanham os quadros de gripe já vistos. Ainda assim, reconhecer sinais de gravidade, entender como funciona o diagnóstico e saber quando o antiviral pode ser indicado faz diferença no cuidado.

    O que é a gripe K?

    A gripe K é uma infecção viral que foi identificada recentemente na Europa e teve seu primeiro caso registrado no Brasil em 2025, em uma mulher estrangeira proveniente das ilhas Fiji. Essa doença é causada pelo subtipo K do vírus influenza A H3N2. Com a chegada do inverno no hemisfério Norte, houve um aumento na incidência de casos, típico da sazonalidade das infecções por influenza.

    Principais sintomas

    Os sintomas da gripe K são semelhantes aos de outras infecções por influenza, começando geralmente com febre, coriza, tosse, dor de garganta, calafrios, mal-estar, dores no corpo e dor de cabeça. A duração dos sintomas costuma variar de 1 a 2 semanas, com a maioria dos pacientes se recuperando completamente.

    Sinais de gravidade

    Sinais de gravidade são:

    • Falta de ar com aumento da frequência respiratória;
    • Esforço para respirar;
    • Febre persistente;
    • Alterações no estado mental;
    • Pressão arterial baixa;
    • Diminuição do volume do xixi;
    • Desidratação;
    • Comprometimento da função dos rins.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da Gripe K é feito com base no histórico clínico e nos sintomas apresentados, seguindo o raciocínio para outras infecções por influenza.

    Exames laboratoriais podem ser feitos para identificar o vírus, enquanto exames de sangue e imagem ajudam a avaliar a presença de complicações e a gravidade da infecção.

    Tratamento

    O tratamento para a gripe K é, em geral, o mesmo que para outras infecções por influenza. A maioria dos casos varia de leves a moderados e se resolve espontaneamente com cuidados sintomáticos.

    O antiviral Oseltamivir (Tamiflu) pode ser utilizado, especialmente se administrado dentro das primeiras 48 horas de sintomas, principalmente em pacientes com fatores de risco para complicações, como gestantes, idosos, crianças menores de 5 anos, menores de 19 anos com uso prolongado de AAS/aspirina, imunossuprimidos, portadores de doenças cardíacas ou pulmonares, problemas hepáticos, diabetes e obesos. Em casos graves, com comprometimento pulmonar, pode ser necessária a intubação e o uso de ventilador mecânico.

    Não há razão para pânico

    Em resumo, o subtipo K da influenza A H3N2 não apresenta variações significativas em relação a outros vírus já circulantes e, até o momento, não foi identificado como uma variante mais grave ou com maior taxa de mortalidade.

    O vírus influenza A sofre mutações sazonais, o que justifica a atualização anual da vacina contra a gripe, que é essencial para manter a proteção contra os subtipos mais frequentes.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda medidas preventivas, como a vacinação contra influenza já disponível, uma vez que a influenza A H3N2 é um dos tipos mais frequentes, e medidas comportamentais como cobrir a boca e nariz ao espirrar, usar máscara quando apresentar sintomas e higiene adequada das mãos após tossir ou espirrar com sabão ou álcool em gel.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre gripe K

    1. O que é a gripe K?

    A gripe K é uma infecção viral causada pelo subtipo K do vírus influenza A H3N2, identificada recentemente na Europa e com primeiro caso registrado no Brasil em 2025.

    2. Quais são os sintomas mais comuns?

    Febre, coriza, tosse, dor de garganta, calafrios, mal-estar, dores no corpo e dor de cabeça.

    3. Quanto tempo os sintomas costumam durar?

    A duração costuma variar de 1 a 2 semanas, com a maioria dos pacientes se recuperando completamente.

    4. Quais sinais indicam gravidade?

    Falta de ar com aumento da frequência respiratória, esforço para respirar, febre persistente, alterações no estado mental, pressão arterial baixa, redução da produção urinária, desidratação e comprometimento da função dos rins.

    5. O Tamiflu pode ser usado?

    O oseltamivir (Tamiflu) pode ser utilizado, especialmente se administrado dentro das primeiras 48 horas de sintomas, principalmente em pacientes com fatores de risco para complicações.

    Veja mais: Como diferenciar dengue de gripe e covid-19?

  • 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    Desde a saúde hormonal até o estilo de vida do casal, a gravidez é um processo que depende de uma série de fatores para acontecer de forma natural e segura — incluindo idade, equilíbrio hormonal, qualidade dos óvulos e espermatozoides e hábitos do dia a dia, como alimentação, sono e consumo de álcool.

    Quando algo não vai bem em algum desses pontos, as chances de engravidar podem diminuir, o que torna importante entender quais fatores podem atrapalhar a fertilidade. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas. Confira!

    O que pode prejudicar a fertilidade da mulher?

    1. Idade

    Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que diminui progressivamente as chances de engravidar e aumenta o risco de complicações durante a gestação, como abortamentos e dificuldades no desenvolvimento fetal, segundo Andreia.

    2. Infecções sexualmente transmissíveis

    As infecções sexualmente transmissíveis podem causar inflamações e lesões nas tubas uterinas ou no útero, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide e reduzindo as chances de gravidez.

    3. Hábitos de vida prejudiciais

    O consumo frequente de bebidas alcoólicas, o tabagismo, a privação de sono, o estresse intenso e outros hábitos prejudiciais aumentam a produção de radicais livres no organismo. Isso favorece inflamações e o desgaste das células.

    Com o tempo, esse processo pode comprometer a qualidade dos óvulos, alterar o equilíbrio hormonal e reduzir as chances de engravidar, afetando diretamente a fertilidade feminina.

    4. Doenças crônicas

    A presença de condições como pressão alta e diabetes nem sempre dificultam o engravidar, mas podem interferir no andamento da gestação.

    Elas aumentam o risco de abortos, perdas fetais e outras complicações durante a gravidez, o que acaba impactando a fertilidade de forma mais ampla e a chance de levar a gestação até o final de maneira saudável.

    5. Doenças autoimunes

    As doenças autoimunes são condições em que o sistema imunológico, responsável por defender o corpo contra vírus, bactérias e outros agentes externos, passa a atacar por engano células e tecidos saudáveis do próprio organismo.

    Elas podem interferir na fertilidade feminina, principalmente por aumentar o risco de abortamento. Em alguns casos, também podem reduzir o potencial de engravidar.

    6. Peso corporal em excesso

    O excesso de peso pode interferir diretamente na fertilidade feminina, especialmente quando está associado à síndrome dos ovários policísticos.

    O aumento da gordura corporal favorece alterações hormonais, como maior resistência à insulina e elevação de hormônios androgênicos, o que pode desregular o ciclo menstrual e dificultar ou até impedir a ovulação.

    Com isso, as chances de engravidar diminuem e aumentam os riscos de ciclos menstruais irregulares e dificuldade para engravidar, o que faz do controle do peso um ponto importante para quem deseja planejar uma gestação.

    7. Baixo peso extremo

    O baixo peso extremo também pode prejudicar a fertilidade feminina, pois a falta de gordura corporal compromete a produção adequada de hormônios essenciais para o ciclo menstrual e a ovulação.

    Quando o organismo não dispõe de energia suficiente, ele pode “desligar” funções consideradas não prioritárias, como a reprodução, levando à ausência ou irregularidade da menstruação.

    Anticoncepcionais prejudicam a fertilidade?

    De acordo com Andreia, o uso de anticoncepcionais não prejudica a fertilidade. Após parar o método, a mulher volta ao nível de fertilidade esperado para a idade e para o momento hormonal em que se encontra.

    A principal exceção pode ocorrer com o anticoncepcional injetável trimestral, que, por ser um método de depósito, pode levar mais tempo para ser totalmente metabolizado pelo organismo.

    Nesses casos, o retorno da ovulação e da fertilidade pode demorar alguns meses, mas de forma temporária, sem impacto permanente na capacidade de engravidar.

    Quando é importante investigar a fertilidade?

    A investigação da fertilidade é indicada quando a gravidez não acontece após um período de tentativas regulares. Para mulheres com menos de 35 anos, Andreia recomenda procurar avaliação após um ano tentando engravidar sem sucesso. Já para mulheres com 35 anos ou mais, esse período diminui para seis meses.

    A investigação também pode ser indicada antes do prazo em casos de ciclos menstruais irregulares, histórico de doenças ginecológicas, infecções, abortos repetidos ou quando o casal apresenta fatores de risco conhecidos.

    Como é feita a investigação da fertilidade?

    A investigação da fertilidade é feita de forma gradual e sempre considerando o casal. Cerca de 40% dos casos envolvem fatores femininos e masculinos ao mesmo tempo, segundo Andreia, por isso a avaliação de ambos é importante.

    No homem, a investigação costuma ser mais simples e começa, na maioria das vezes, com o espermograma, exame que analisa a quantidade, a mobilidade e a qualidade dos espermatozoides.

    Na mulher, a avaliação acontece passo a passo, observando o canal cervical, a cavidade uterina, as tubas e a ovulação. Entre os exames mais utilizados, estão:

    • Dosagem do hormônio anti-mülleriano, para avaliar a reserva folicular;
    • Ultrassonografia, para acompanhar a ovulação e o funcionamento dos ovários;
    • Histerossalpingografia, para analisar a forma da cavidade uterina e a permeabilidade das tubas.

    Como parte da avaliação envolve procedimentos mais invasivos, o processo não começa de imediato. Primeiro, é orientado um período de tentativas de gravidez e, apenas quando a infertilidade é confirmada, a investigação completa é iniciada.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O ciclo menstrual irregular pode dificultar engravidar?

    Sim, os ciclos irregulares costumam indicar alterações hormonais ou falhas na ovulação, o que reduz as chances de concepção natural.

    2. Infecções ginecológicas podem afetar a fertilidade?

    Sim, algumas infecções, especialmente infecções sexualmente transmissíveis, podem causar inflamações e cicatrizes nas tubas uterinas ou no útero, dificultando a gravidez.

    3. É possível melhorar a fertilidade com mudanças no estilo de vida?

    Sim, a alimentação equilibrada, o sono adequado, o controle do peso, a redução do álcool e do estresse contribuem para melhorar a saúde reprodutiva e aumentar as chances de gravidez.

    4. É possível engravidar mesmo com ovulação irregular?

    Sim, é possível, mas as chances costumam ser menores. Com acompanhamento médico e ajuste do tratamento, muitas mulheres conseguem regular a ovulação e engravidar.

    5. Quanto tempo leva para engravidar após parar o anticoncepcional?

    Na maioria dos casos, a ovulação retorna nos primeiros meses após a suspensão, permitindo tentativa de gravidez logo em seguida.

    6. Quando procurar ajuda especializada?

    É indicado procurar um especialista quando a gravidez não ocorre dentro do período esperado de tentativas ou quando há histórico de ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou abortos repetidos.

    7. O uso de medicamentos contínuos pode afetar a fertilidade?

    Alguns medicamentos podem interferir no ciclo menstrual ou na ovulação, por isso é importante informar o médico sobre o uso contínuo de qualquer medicação.

    8. É possível engravidar após os 40 anos?

    Sim, é possível, mas as chances são menores e os riscos aumentam, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • ‘Segundo cérebro’: entenda melhor o funcionamento do seu intestino 

    ‘Segundo cérebro’: entenda melhor o funcionamento do seu intestino 

    Nos últimos anos, a medicina tem olhado para o intestino com outros olhos. Aquilo que antes era visto apenas como um órgão digestivo, hoje é reconhecido como um sistema complexo, cheio de neurônios, neurotransmissores e uma comunicação intensa com o cérebro. Não por acaso, passou a ser chamado de “segundo cérebro”.

    A saúde intestinal não afeta apenas a digestão, mas também a imunidade, o humor, o sono, a inflamação do corpo e até o risco cardiovascular. Quanto mais entendemos essa conexão, mais percebemos que cuidar do intestino é cuidar do corpo como um todo.

    Por que o intestino tem esse apelido de segundo cérebro?

    O intestino ganhou o nome de “segundo cérebro” porque possui um sistema nervoso próprio, chamado sistema nervoso entérico, formado por mais de 100 milhões de neurônios, mais até do que a medula espinhal.

    Ele consegue:

    • Enviar informações para o cérebro;
    • Produzir neurotransmissores;
    • Regular emoções;
    • Influenciar o estresse;
    • Até interferir no sistema cardiovascular.

    Isso mostra que o intestino não apenas “responde” ao cérebro, mas também inicia conversas.

    O eixo intestino-cérebro: uma via de mão dupla

    O intestino e o cérebro se comunicam o tempo todo através de alguns mecanismos.

    Nervos (especialmente o nervo vago)

    É a principal rodovia entre os dois sistemas. Quando a microbiota está equilibrada, os sinais enviados ao cérebro tendem a ser positivos. Quando há inflamação ou desequilíbrio, o cérebro recebe sinais de estresse.

    Hormônios e neurotransmissores

    O intestino produz:

    • 90% da serotonina, o neurotransmissor ligado ao bem-estar;
    • Dopamina;
    • GABA;
    • Substâncias que influenciam humor, ansiedade e sono.

    Sistema imunológico

    Cerca de 70% das células de defesa estão no intestino. Quando o intestino sofre, a inflamação aumenta, e isso reflete no corpo inteiro. Manter uma boa saúde intestinal também faz você ficar mais forte contra infecções.

    A microbiota intestinal: uma comunidade que comanda muita coisa

    A microbiota é o conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no intestino. Ela ajuda a:

    • Regular o açúcar no sangue;
    • Controlar a inflamação;
    • Modular o colesterol;
    • Fortalecer a imunidade;
    • Influenciar humor e energia.

    Quando essa comunidade está desequilibrada, podem surgir:

    • Inchaço, gases, constipação ou diarreia;
    • Baixa imunidade;
    • Cansaço persistente;
    • Piora da ansiedade;
    • Alterações do sono;
    • Aumento do risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.

    Como o intestino influencia o humor e o estresse

    O intestino responde diretamente às emoções. Situações de medo, ansiedade ou estresse ativam o eixo intestino-cérebro, acelerando ou travando o funcionamento intestinal.

    Da mesma forma, alterações no intestino podem desregular o humor, porque:

    • Diminuem neurotransmissores positivos;
    • Aumentam a inflamação;
    • Ativam respostas de estresse,
    • Prejudicam o sono.

    Não é coincidência que pessoas com intestino desequilibrado frequentemente relatam irritabilidade, ansiedade ou sensação maior de cansaço mental.

    O impacto do intestino na saúde cardiovascular

    Manter um intestino saudável também faz parte dos cuidados da saúde cardiovascular, porque o desequilíbrio intestinal aumenta inflamação sistêmica, pode ter impacto na resistência à insulina, no metabolismo de gorduras e substâncias produzidas por bactérias (como TMAO) podem aumentar risco cardiovascular. Ou seja, um intestino saudável protege o coração.

    Como cuidar bem do seu segundo cérebro

    Não é preciso fazer nada mirabolante para cuidar do intestino. Pequenas mudanças fazem uma grande diferença.

    1. Alimentação rica em fibras

    Frutas, legumes, verduras, sementes e grãos integrais alimentam as boas bactérias.

    2. Probióticos e prebióticos naturais

    Iogurte, kefir, kombucha, banana, aveia e alho ajudam a equilibrar a microbiota.

    3. Evite ultraprocessados

    Eles aumentam inflamação e prejudicam a flora intestinal.

    4. Hidrate-se bem

    A água melhora o trânsito intestinal.

    5. Movimento diário

    Atividade física estimula a microbiota e melhora o humor.

    6. Sono adequado

    Sono ruim altera hormônios que afetam tanto o cérebro quanto a digestão.

    7. Controle do estresse

    Técnicas como respiração, meditação e pausas ao longo do dia ajudam a regular a comunicação intestino-cérebro.

    Leia mais: Por que o intestino é chamado de ‘segundo cérebro’?

    Perguntas frequentes sobre intestino como segundo cérebro

    1. Todo mundo sente alterações no intestino quando está ansioso?

    Sim. O intestino é muito sensível às emoções e responde rapidamente ao estresse.

    2. O intestino realmente produz serotonina?

    A maior parte, cerca de 90%, é produzida ali, não no cérebro.

    3. A microbiota influencia o sistema imunológico?

    Sim, a maior parte das células de defesa está no intestino.

    4. Quem tem constipação pode ter alterações de humor?

    Pode. O intestino preso afeta neurotransmissores e aumenta o estresse do corpo.

    5. Probióticos ajudam sempre?

    Eles podem ajudar, mas devem ser usados com orientação médica.

    Veja também: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir