Blog

  • Micropausas: o segredo para trabalhar sentado sem prejudicar o coração 

    Micropausas: o segredo para trabalhar sentado sem prejudicar o coração 

    Quem trabalha sentado sabe que as horas parecem passar sem que se perceba. Reuniões, prazos, concentração total: quando você percebe, já está há duas ou três horas na mesma posição. O problema é que esse hábito, comum no escritório e no home office, tem um impacto na circulação e no coração, e isso independe da idade ou do peso.

    A boa notícia é que mudar esse cenário não requer equipamentos sofisticados, longas sessões de ginástica ou interrupções demoradas. Micropausas de apenas 1 a 3 minutos, feitas ao longo do expediente, são suficientes para ativar o corpo, melhorar a energia e reduzir riscos cardíacos.

    O que são micropausas e por que elas protegem o coração

    Micropausas são pequenas interrupções de movimento ao longo do dia, geralmente entre 1 e 3 minutos, feitas a cada 30 a 60 minutos sentado. Elas não substituem a prática de exercícios, mas funcionam como uma forma de “reset” circulatório.

    Permanecer sentado por longos períodos:

    • Reduz o retorno venoso e favorece o inchaço nas pernas;
    • Diminui o gasto energético e desacelera o metabolismo;
    • Piora o controle da glicose;
    • Facilita o acúmulo de gordura abdominal;
    • Aumenta o risco de pressão alta e alterações no colesterol.

    Esses fatores, somados, aumentam a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, mesmo em pessoas que fazem atividade física fora do expediente.

    As micropausas, por sua vez, reativam a circulação, estimulam a musculatura e diminuem a sobrecarga do coração.

    Por que ficar muito tempo sentado faz tanto mal?

    Estudos mostram que o corpo humano não foi feito para longos períodos de inatividade. Mais de seis horas sentado por dia já está associado a maior risco de:

    • Pressão alta;
    • Obesidade;
    • Diabetes tipo 2;
    • Doença arterial coronariana;
    • Arritmias;
    • Complicações cardiovasculares graves.

    O que piora esse quadro é a imobilidade contínua. Não é apenas ficar sentado: é ficar sentado sem se mexer.

    As micropausas quebram esse ciclo de maneira simples e eficiente.

    Como fazer micropausas no seu dia de trabalho

    Aqui estão formas rápidas e práticas de colocar o corpo em movimento:

    1. Levante-se e caminhe por 1 minuto: pode ser até no próprio cômodo. O objetivo é ativar a circulação.
    2. Ative as panturrilhas: fique na ponta dos pés 10 a 15 vezes. Isso estimula o retorno venoso.
    3. Alongue o pescoço, ombros e peito: são movimentos fáceis que reduzem tensão acumulada.
    4. Sente e levante da cadeira 10 vezes: esse movimento ativa glúteos e coxas, que são músculos grandes e potentes.
    5. Suba 1 ou 2 lances de escada: é um dos exercícios mais completos e intensifica a circulação rapidamente.
    6. Caminhe até o filtro de água ou banheiro: mudanças de ambiente estimulam o corpo e o cérebro.

    Com que frequência devo fazer as micropausas?

    As recomendações são:

    • A cada 30 a 60 minutos sentado, faça uma pausa rápida;
    • 1 a 3 minutos já são suficientes para melhorar circulação e energia;
    • Use alertas do celular ou smartwatch para lembrar.

    Essas pequenas interrupções, somadas, têm impacto direto no controle da pressão, no metabolismo e na saúde cardíaca.

    Micropausas substituem o exercício físico?

    Não. Elas complementam, mas não substituem a atividade física recomendada:

    • 150 a 300 minutos semanais de exercícios moderados;
    • Ou 75 a 150 minutos de atividades intensas;
    • Mais fortalecimento muscular 2 vezes por semana.

    Quem trabalha sentado deve manter esse plano e, além disso, adicionar micropausas para evitar longos períodos de imobilidade. Como o exercício físico costuma ser feito em apenas um momento do dia, é importante ter essas micropausas para manter o corpo em movimento ao longo do dia.

    Benefícios comprovados das micropausas

    As pausas curtas ajudam a:

    • Melhorar a circulação sanguínea;
    • Reduzir a glicemia;
    • Controlar a pressão arterial;
    • Diminuir a fadiga;
    • Melhorar o humor e a produtividade;
    • Prevenir inchaço nas pernas;
    • Reduzir dores lombares e cervicais;
    • Prevenir ganho de peso.

    São benefícios rápidos, acumulativos e de baixo esforço.

    Sinais de que você está ficando tempo demais sentado

    Mesmo sem perceber, o corpo dá sinais de alerta:

    • Pés e pernas inchados;
    • Muito cansaço;
    • Dor nas costas, ombros ou pescoço;
    • Formigamento nas pernas;
    • Dificuldade para dormir;
    • Irritabilidade e ansiedade;
    • Ganho de peso rápido.

    Se houver sintomas como falta de ar, dor no peito, palpitações ou inchaço persistente, é importante buscar avaliação médica imediata.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes sobre micropausas e sedentarismo

    1. Micropausas realmente fazem diferença?

    Sim. Estudos mostram que pausas de 1 a 3 minutos já ajudam a controlar pressão, glicemia e circulação.

    2. Preciso levantar de hora em hora?

    Idealmente, a cada 30 a 60 minutos. Mas qualquer pausa já é melhor do que nenhuma.

    3. Trabalhar em pé resolve?

    Trabalhar em pé ajuda, mas não substitui a movimentação. O ideal é alternar posições e se movimentar regularmente.

    4. Micropausas substituem academia?

    Não. Elas evitam os danos da imobilidade, mas não substituem atividade física planejada.

    5. Quem trabalha em home office precisa ainda mais de micropausas?

    Sim. Em casa, é comum permanecer mais tempo sentado sem perceber.

    6. Existe uma pausa ideal?

    A recomendação é de 1 a 3 minutos de movimento a cada 30–60 minutos sentado.

    7. Micropausas ajudam no humor e na produtividade?

    Sim. Elas aumentam a oxigenação do cérebro e reduzem o cansaço mental.

    Veja também: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

  • Fevereiro laranja: saiba mais sobre a leucemia

    Fevereiro laranja: saiba mais sobre a leucemia

    No Brasil, aproximadamente 10 mil novos casos de leucemia surgem todos os anos, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer.

    A doença pode se manifestar em qualquer idade, mas é o tipo de câncer mais frequente entre crianças e adolescentes, representando cerca de 30% de todos os casos de câncer infantil.

    Conversamos com o oncologista Thiago Chadid para esclarecer como a leucemia se desenvolve, quais são os principais sinais de alerta, os fatores de risco envolvidos e como funcionam os tratamentos disponíveis atualmente.

    O que é leucemia?

    A leucemia é um tipo de câncer que se origina nas células do sangue, mais especificamente na medula óssea, local onde são produzidas as células sanguíneas.

    Ela ocorre quando uma célula precursora sofre uma mutação genética e passa a se multiplicar de forma desordenada, originando células anormais que não cumprem adequadamente suas funções.

    As células defeituosas, normalmente da série branca, se acumulam na medula óssea e na corrente sanguínea, prejudicando a produção das células normais, como os glóbulos vermelhos, as plaquetas e os leucócitos saudáveis. Como resultado, o organismo passa a apresentar alterações na imunidade, maior risco de infecções, anemia e sangramentos.

    Vale apontar que, diferente de outros tipos de câncer, a leucemia não forma uma massa ou tumor sólido, pois se desenvolve nas células do sangue e da medula óssea, espalhando-se pela corrente sanguínea.

    Como surgem as leucemias na medula óssea

    Na medula óssea existem células precursoras, também chamadas de células-tronco hematopoéticas. Elas são responsáveis por produzir todas as células do sangue e dão origem a três grandes grupos, conforme aponta Thiago Chadid:

    • Série branca, que atua na defesa do organismo;
    • Série vermelha, que forma os glóbulos vermelhos, responsáveis por levar oxigênio para todo o corpo;
    • Série plaquetária, que produz as plaquetas, importantes para a coagulação do sangue.

    A série branca está diretamente ligada ao sistema imunológico. A partir dessas células precursoras surgem vários tipos de células de defesa, entre elas os linfócitos, que se dividem principalmente em linfócitos T e linfócitos B.

    Os linfócitos T atuam de forma direta no combate a tumores, bactérias e outros agentes estranhos ao organismo. Já os linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos, que ajudam a neutralizar infecções.

    Além dos linfócitos, existem outras células da série branca que participam de processos inflamlórios e reações alérgicas, formando um sistema de defesa bastante complexo.

    A leucemia surge quando ocorre uma mutação nas células precursoras da série branca. A partir dessa alteração, as células passam a se multiplicar de forma descontrolada e deixam de exercer corretamente a função de defesa.

    Quais os tipos de leucemia?

    As leucemias são classificadas em dois grandes grupos, de acordo com a linhagem acometida:

    • Leucemias mieloides, que afetam a linhagem mieloide, responsável pela formação de diferentes células do sangue, como neutrófilos, monócitos, eosinófilos, basófilos e plaquetas;
    • Leucemias linfoides, que atingem a linhagem linfóide, responsável pela produção dos linfócitos, células fundamentais para o funcionamento do sistema imunológico.

    Além dessa divisão, as leucemias também são classificadas conforme a velocidade de evolução da doença, segundo Thiago:

    • Leucemias agudas, nas quais as células doentes se multiplicam rapidamente e os sintomas costumam surgir em pouco tempo;
    • Leucemias crônicas, que apresentam crescimento mais lento e podem permanecer assintomáticas por longos períodos.

    De acordo com o oncologista, as leucemias crônicas têm prognóstico mais favorável do que as agudas, pois evoluem de forma lenta. Já as leucemias agudas são mais graves, com multiplicação rápida e descontrolada das células, podendo causar complicações circulatórias e maior risco de trombose.

    Independentemente do tipo, todas as leucemias compartilham uma característica central: as células leucêmicas são disfuncionais.

    Mesmo quando o exame de sangue mostra um número elevado de leucócitos, essas células não são capazes de exercer adequadamente sua função de defesa, o que compromete o sistema imunológico.

    Além disso, as células anormais passam a ocupar espaço na medula óssea, prejudicando a produção das células saudáveis. Com o tempo, ocorre redução dos glóbulos vermelhos e das plaquetas, o que pode levar à anemia, sangramentos frequentes e aumento do risco de infecções.

    Fatores de risco para a leucemia

    Os fatores de risco para a leucemia ainda não explicam totalmente a origem da doença, mas diversos estudos indicam que determinadas condições e exposições aumentam a chance de desenvolvimento de alguns tipos específicos.

    Entre os principais fatores de risco conhecidos, o Ministério da Saúde destaca:

    • Exposição ao benzeno, substância presente na gasolina e amplamente utilizada na indústria química, associada à leucemia mieloide aguda e crônica e à leucemia linfoide aguda;
    • Radiação ionizante, como raios X e raios gama, especialmente quando relacionada a procedimentos médicos como a radioterapia. O risco varia conforme a idade, a dose e o tempo de exposição;
    • Quimioterapia, sobretudo algumas classes de medicamentos utilizadas no tratamento do câncer e de doenças autoimunes, relacionada principalmente à leucemia mieloide aguda e à leucemia linfoide aguda;
    • Exposição ao formaldeído, comum em ambientes industriais (química, têxtil, entre outras) e na área da saúde, como hospitais e laboratórios;
    • Trabalho na produção de borracha, associado ao aumento do risco de diferentes tipos de leucemia;
    • Exposição a agrotóxicos e solventes, além de infecção pelos vírus das hepatites B e C, fatores relacionados ao aumento do risco de leucemia;
    • Síndrome mielodisplásica e outras doenças do sangue, que podem evoluir para leucemia mieloide aguda;
    • Idade avançada, fator de risco importante para a maioria dos tipos de leucemia. A exceção é a leucemia linfoide aguda, mais frequente em crianças;
    • Tabagismo, associado principalmente ao aumento do risco de leucemia mieloide aguda.

    Segundo Thiago, a predisposição genética é relativamente rara, estimada em cerca de 4 a 5% dos casos de leucemia.

    Quais os sintomas de leucemia?

    A leucemia pode ser assintomática no início e ser descoberta em exames de rotina. À medida que evolui, podem surgir sintomas como:

    • Cansaço e fraqueza;
    • Febre persistente;
    • Perda de peso e sudorese noturna;
    • Infecções frequentes e de difícil controle;
    • Sangramentos fáceis, hematomas e manchas na pele;
    • Anemia e queda das plaquetas.

    Nas leucemias agudas, a evolução pode ser muito rápida, ocorrendo em dias ou semanas. Em alguns casos, sem tratamento imediato, o quadro pode levar ao óbito em pouco tempo, segundo Thiago.

    Já nas crônicas, a doença costuma ser descoberta por acaso em check-ups e acompanhada por muitos anos, às vezes sem necessidade de tratamento imediato.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da leucemia começa, normalmente, com um hemograma, que pode mostrar alterações como aumento ou redução dos leucócitos, anemia e queda das plaquetas. Em alguns casos, também aparecem células imaturas no sangue.

    Para confirmar o diagnóstico, é necessário o exame da medula óssea, por meio do mielograma e, quando indicado, da biópsia de medula óssea. Eles permitem avaliar a quantidade, o tipo e o grau de maturação das células sanguíneas.

    Após a confirmação, podem ser realizados exames complementares, como imunofenotipagem, citogenética e testes moleculares, que identificam o subtipo da leucemia, alterações genéticas específicas e ajudam a definir o melhor tratamento.

    Tratamento de leucemia

    Nas leucemias agudas, o tratamento costuma ser mais agressivo e precisa ser iniciado rapidamente, segundo Thiago. Os principais métodos incluem:

    • Quimioterapia intensiva, com o objetivo de eliminar as células leucêmicas e permitir a recuperação da medula óssea;
    • Transplante de medula óssea, indicado em alguns casos para reduzir o risco de recaída e aumentar as chances de cura.

    Nas leucemias crônicas, o tratamento normalmente é mais brando e individualizado, podendo incluir:

    • Medicamentos orais, que ajudam a controlar a doença ao longo do tempo;
    • Terapias-alvo, como inibidores de tirosina-quinase e anticorpos monoclonais, que atuam diretamente nas células alteradas.

    Em alguns pacientes crônicos, principalmente nos estágios iniciais e sem sintomas, pode ser adotada apenas a estratégia de acompanhamento regular, sem necessidade de tratamento imediato.

    Acompanhamento pós-tratamento

    Após o tratamento da leucemia, o acompanhamento médico contínuo é fundamental para identificar sinais precoces de retorno e lidar com possíveis efeitos tardios do tratamento, contribuindo para preservar a saúde e a qualidade de vida do paciente ao longo do tempo.

    De forma geral, o acompanhamento inclui:

    • Consultas médicas periódicas, voltadas à avaliação clínica e ao esclarecimento de dúvidas;
    • Exames de sangue regulares, utilizados para acompanhar o funcionamento da medula óssea e identificar alterações iniciais;
    • Exames complementares, solicitados quando há necessidade de investigação adicional;
    • Monitoramento de sintomas, como cansaço, febre ou sangramentos, que devem ser relatados ao médico;
    • Apoio psicológico e emocional, importante para lidar com os impactos físicos e emocionais da doença;
    • Atualização vacinal e cuidados gerais de saúde, com foco na prevenção de infecções e outras complicações.

    A rotina de acompanhamento pode variar conforme o tipo de leucemia, o tratamento realizado e as condições individuais de cada paciente, sempre seguindo orientação médica.

    É possível prevenir a leucemia?

    Na maioria dos casos, a leucemia não pode ser prevenida, pois muitas pessoas que desenvolvem a doença não apresentam fatores de risco conhecidos ou modificáveis, segundo o Ministério da Saúde.

    Mesmo assim, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco, como:

    • Não fumar, já que o tabagismo aumenta o risco de leucemia mieloide aguda e de vários outros tipos de câncer;
    • Reduzir a exposição ocupacional a substâncias químicas, como solventes e agentes comprovadamente cancerígenos, sempre que possível;
    • Utilizar equipamentos de proteção individual no trabalho, para diminuir o contato com substâncias nocivas;
    • Buscar orientação em serviços de saúde, especialmente em casos de tratamento prévio com quimioterapia ou radioterapia.

    Leucemia tem cura?

    Nas leucemias crônicas, o foco do tratamento costuma ser o controle da doença, e não a cura definitiva. Muitos pacientes convivem com a leucemia por vários anos, mantendo boa qualidade de vida, de forma semelhante ao acompanhamento de doenças crônicas como diabetes ou hipertensão.

    Nas leucemias agudas, de acordo com o tipo da doença, o diagnóstico precoce e a resposta ao tratamento, pode haver possibilidade de cura, principalmente quando o transplante de medula óssea é indicado. Após um período prolongado sem sinais da doença, o paciente pode ser considerado curado.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    A leucemia é hereditária?

    Na maioria dos casos, não. Apenas uma pequena parcela das leucemias tem relação direta com fatores genéticos herdados. Ter um familiar com leucemia não significa, necessariamente, que a doença irá se desenvolver.

    A leucemia pode voltar após o tratamento?

    Em alguns casos, a leucemia pode reaparecer, situação conhecida como recaída. O risco varia conforme o tipo da doença, as alterações genéticas envolvidas e a resposta inicial ao tratamento. Por esse motivo, o acompanhamento médico após o término da terapia é fundamental.

    Leucemia é contagiosa?

    Não, a leucemia não é uma doença contagiosa e, portanto, não ocorre transmissão por contato físico, saliva, sangue ou convivência diária. É uma doença relacionada a alterações celulares internas.

    Leucemia pode afetar outros órgãos?

    As células leucêmicas circulam pelo sangue e podem se acumular em órgãos como baço, fígado e linfonodos, causando aumento de volume e desconforto. As complicações também podem ocorrer em razão de infecções ou sangramentos.

    Atividade física é permitida durante o tratamento de leucemia?

    A atividade física leve a moderada pode ser benéfica, desde que liberada pelo médico. Exercícios ajudam na recuperação, no controle do cansaço e no bem-estar emocional, respeitando sempre as limitações individuais.

    Quando procurar um médico por suspeita de leucemia?

    A procura por avaliação médica é indicada diante de sintomas persistentes como cansaço intenso, febre sem causa aparente, sangramentos frequentes, manchas roxas, infecções recorrentes ou alterações em exames de sangue de rotina.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Escaras: por que surgem e o que fazer para prevenir 

    Escaras: por que surgem e o que fazer para prevenir 

    As escaras, também chamadas de úlceras por pressão ou lesões por pressão, são feridas na pele que surgem quando uma área do corpo permanece sob pressão contínua por tempo prolongado, geralmente sobre uma proeminência óssea.

    Essas lesões podem variar desde uma vermelhidão localizada até feridas profundas, com exposição de tecidos e, nos casos mais graves, até do osso.

    Esse tipo de lesão é frequente tanto em ambientes hospitalares quanto em cuidados domiciliares, especialmente entre pessoas com mobilidade reduzida, como pacientes acamados, cadeirantes ou idosos em instituições de longa permanência.

    O que são as úlceras por pressão (escaras)

    As úlceras por pressão são lesões que acometem a pele e os tecidos subjacentes, causadas pela compressão prolongada entre uma superfície externa (como colchão ou cadeira) e uma estrutura óssea do corpo.

    Essa pressão contínua reduz a circulação sanguínea local, provoca dano celular progressivo e pode levar à morte do tecido, resultando em feridas de difícil cicatrização se não tratadas adequadamente.

    Como as escaras são formadas

    O surgimento da úlcera por pressão envolve a combinação de diferentes fatores:

    • Pressão contínua exercida sobre a pele;
    • Atrito entre a pele e superfícies como lençóis, cadeiras ou fraldas;
    • Condições clínicas do próprio paciente.

    Na maioria dos casos, a pressão ocorre pela permanência prolongada na mesma posição, seja deitado ou sentado. Esse contato constante prejudica a circulação, levando inicialmente a vermelhidão e inchaço. Se a pressão não for aliviada, a lesão pode evoluir para estágios mais graves.

    Principais fatores de risco

    • Imobilidade ou mobilidade reduzida (principal fator);
    • Desnutrição, que dificulta a cicatrização;
    • Redução da sensibilidade, impedindo a percepção de dor ou desconforto;
    • Umidade excessiva por urina, fezes ou suor, que fragiliza a pele.

    Na avaliação de uma lesão por pressão, é fundamental observar:

    • Integridade da pele;
    • Localização em áreas de maior risco;
    • Presença de dor;
    • Sinais de infecção;
    • Profundidade e gravidade da ferida.

    Classificação da úlcera por pressão (graus 1 a 4)

    As lesões por pressão são classificadas em quatro graus, conforme a profundidade e o comprometimento dos tecidos.

    Grau 1 (mais leve)

    • Vermelhidão persistente na pele;
    • Pode haver dor, inchaço e calor local;
    • A pele permanece íntegra.

    Grau 2

    • Perda da camada mais superficial da pele;
    • Lesão rosada ou avermelhada, podendo apresentar bolhas;
    • Aspecto semelhante a “carne viva”.

    Grau 3

    • Perda quase total das camadas da pele;
    • Exposição de tecido gorduroso;
    • Ainda não há exposição de músculos ou ossos.

    Grau 4 (mais grave)

    • Lesão profunda;
    • Exposição de músculos e/ou ossos;
    • Alto risco de infecção e complicações graves.

    Quando a lesão não é classificável

    Quando há necrose, com tecido escurecido ou enegrecido, não é possível determinar a profundidade real da lesão. Nesses casos, a remoção desse tecido é necessária para avaliação adequada.

    Tratamento: o que fazer e como cuidar

    O tratamento das úlceras por pressão envolve medidas combinadas, com o objetivo de evitar progressão da lesão e favorecer a cicatrização:

    • Redução dos fatores de risco;
    • Cuidados locais com a ferida;
    • Tratamento de infecções, quando presentes;
    • Otimização do estado nutricional;
    • Controle adequado da dor.

    Controle da dor

    A dor pode ser manejada com:

    • Analgésicos simples em casos leves a moderados;
    • Opioides em dores mais intensas, quando indicados e com orientação médica.

    Tratamento de infecção (quando indicado)

    Nem toda úlcera por pressão exige antibiótico. A maioria das feridas apresenta colonização bacteriana sem infecção ativa.

    O uso de antibióticos é indicado quando há sinais como:

    • Aumento de secreção ou mau cheiro;
    • Intensificação da dor;
    • Vermelhidão importante ao redor da ferida;
    • Febre ou sinais sistêmicos;
    • Suspeita de osteomielite (infecção do osso).

    Nutrição é parte do tratamento

    A desnutrição aumenta o risco de lesões e dificulta a cicatrização. Por isso, é essencial garantir:

    • Aporte adequado de proteínas;
    • Consumo suficiente de calorias;
    • Hidratação adequada.

    Medidas de prevenção (o que realmente ajuda)

    A prevenção é o aspecto mais importante no cuidado de pessoas com mobilidade reduzida.

    As principais estratégias incluem:

    • Uso de colchões e acessórios que reduzem a pressão;
    • Estímulo à mobilidade sempre que possível;
    • Mudança periódica de posição no leito ou na cadeira;
    • Controle da umidade, com higiene e trocas frequentes;
    • Avaliação diária das áreas de maior risco.

    Essas medidas simples são comprovadamente eficazes para reduzir a incidência e evitar a progressão das lesões.

    Confira: Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave

    Perguntas frequentes sobre escaras (úlcera por pressão)

    1. Úlcera por pressão é a mesma coisa que escara?

    Sim. “Escara” é um termo popular utilizado para se referir às lesões por pressão.

    2. Quem tem maior risco de desenvolver escaras?

    Pessoas com mobilidade reduzida, como pacientes acamados, cadeirantes, idosos frágeis e pacientes hospitalizados por longos períodos.

    3. Vermelhidão na pele já é úlcera por pressão?

    Pode ser o estágio inicial (grau 1). Vermelhidão persistente sobre áreas ósseas é um sinal de alerta e deve ser tratada precocemente.

    4. Toda escara precisa de antibiótico?

    Não. Antibióticos são indicados apenas quando há infecção ativa ou suspeita de complicações, como osteomielite.

    5. A úlcera por pressão pode atingir o osso?

    Sim. No grau 4, pode haver exposição de músculo e osso, com risco elevado de infecção grave.

    6. O que mais ajuda a prevenir úlcera por pressão?

    Mudança frequente de posição, redução da pressão com colchões adequados e estímulo à mobilidade.

    7. A nutrição interfere na cicatrização?

    Sim. A desnutrição é um fator importante de risco e pode atrasar significativamente a cicatrização.

    Veja mais: Queimaduras: causas, tipos e o que fazer em cada situação

  • Por que as dietas restritivas não funcionam (e os riscos para a saúde)

    Por que as dietas restritivas não funcionam (e os riscos para a saúde)

    Jejum intermitente, cetogênica, low carb e Dukan são tipos de dieta que têm algo em comum: a restrição de determinados alimentos. Para causar um emagrecimento rápido, elas costumam impor regras como cortar ou reduzir de forma acentuada os carboidratos, limitar horários para comer ou priorizar apenas alguns grupos alimentares.

    No início, as dietas restritivas até podem levar a perda de peso, mas, com o passar do tempo, tendem a se tornar difíceis de manter, aumentam a sensação de privação e podem prejudicar a relação com a comida — inclusive favorecendo episódios de compulsão alimentar e o efeito sanfona.

    Mas afinal, como isso acontece? Vamos entender mais, a seguir.

    O que são dietas restritivas?

    As dietas restritivas são planos alimentares que limitam de forma intensa a quantidade ou o tipo de alimentos consumidos. Normalmente, elas envolvem cortes de grupos alimentares, redução exagerada de calorias ou regras rígidas sobre horários e combinações de comidas, com foco principal na perda de peso rápida.

    De maneira geral, esse tipo de dieta costuma ter como foco a perda de peso rápida, por meio da redução intensa de calorias ou da exclusão de determinados alimentos, sem levar em conta as necessidades de cada pessoa, a rotina ou a relação com a comida.

    Por que as dietas restritivas não funcionam?

    Em uma alimentação muito restritiva, com cortes fortes de calorias ou exclusão de vários alimentos, o organismo entra em estado de alerta.

    O corpo entende a restrição como uma ameaça e ativa mecanismos de defesa para economizar energia, aumentar a fome e reduzir o gasto calórico. No início, até pode haver perda de peso, mas grande parte acontece pela perda de líquidos e massa muscular.

    Com o passar do tempo, a pessoa pode apresentar:

    • Aumento progressivo da fome, já que o corpo tenta compensar a falta de energia causada pela restrição alimentar;
    • Desejo intenso por alimentos mais calóricos, principalmente aqueles que foram cortados da dieta, o que aumenta a sensação de perda de controle;
    • Dificuldade em reconhecer sinais de saciedade, fazendo com que a pessoa coma mais rápido ou em maior quantidade quando tem acesso à comida;
    • Cansaço frequente e queda de energia, resultado da ingestão insuficiente de calorias e nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo;
    • Irritabilidade e alterações de humor, causadas pela falta de energia, pela fome constante e pela pressão de seguir regras rígidas;
    • Dificuldade de concentração e raciocínio mais lento, afetando o desempenho no trabalho, nos estudos e nas atividades do dia a dia;
    • Episódios de compulsão alimentar, que podem surgir como resposta natural do corpo e da mente após períodos de forte restrição;
    • Dificuldade em manter a dieta a médio e longo prazo, já que regras muito rígidas não se encaixam na rotina real das pessoas.

    Para completar, quando a dieta é interrompida, o corpo tende a recuperar o peso perdido com facilidade, muitas vezes até mais do que antes, situação conhecida como efeito sanfona.

    Por que o corpo reage tão rápido no início?

    No início de uma dieta restritiva, a pessoa até pode ter uma perda de peso, mas isso acontece porque a mudança brusca na alimentação provoca uma redução imediata da ingestão de calorias e de carboidratos.

    Com isso, o organismo perde parte do glicogênio, que é a reserva de energia armazenada nos músculos e no fígado, e junto com ele há uma grande perda de líquidos.

    Vale ressaltar que a perda rápida de peso não significa, necessariamente, que houve redução de gordura corporal. Na maioria dos casos, o que ocorre no começo é principalmente a eliminação de água e, em alguns casos, de massa muscular, o que explica por que os resultados iniciais costumam ser rápidos, mas muito difíceis de manter.

    Riscos das dietas muito restritivas para a saúde

    Quando o corpo recebe pouca comida ou muitos alimentos são cortados, ele começa a sentir os efeitos no dia a dia, tanto no físico quanto no emocional. Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Falta de energia e sensação constante de cansaço;
    • Perda de massa muscular, além de gordura;
    • Metabolismo mais lento, dificultando o emagrecimento;
    • Alterações hormonais;
    • Desconfortos digestivos, como prisão de ventre ou inchaço;
    • Aumento de ansiedade, culpa e preocupação excessiva com comida;
    • Dificuldade para manter uma alimentação equilibrada a longo prazo;
    • Maior chance de efeito sanfona, com impacto na autoestima e na saúde do coração.

    Em situações mais graves, a restrição pode levar à falta de vitaminas e minerais importantes e estimular comportamentos alimentares prejudiciais, principalmente em pessoas que já têm uma relação delicada com a comida.

    Quem corre mais risco ao seguir dietas muito restritivas?

    Em algumas pessoas, o corpo e a mente ficam mais vulneráveis aos efeitos da falta de comida e de nutrientes. Por isso, alguns grupos merecem mais atenção, como:

    • Pessoas que já tiveram ou têm relação difícil com a comida;
    • Quem convive com ansiedade, culpa frequente ao comer ou episódios de compulsão alimentar;
    • Adolescentes, que ainda estão em fase de crescimento;
    • Gestantes e mulheres que estão amamentando;
    • Idosos, que precisam de mais nutrientes para manter a saúde;
    • Pessoas com doenças crônicas ou que fazem uso contínuo de medicamentos.

    Nesses casos, dietas muito restritivas podem agravar problemas de saúde, afetar o equilíbrio emocional e trazer consequências mais sérias.

    Existe alguma situação em que a restrição alimentar é indicada?

    A restrição alimentar pode ser indicada em algumas situações, principalmente quando há diagnóstico médico de alergias, intolerâncias ou doenças crônicas que exigem a retirada de alimentos específicos para evitar riscos à saúde.

    No entanto, nesses casos, a restrição é planejada e acompanhada por um profissional da saúde, com foco em manter uma alimentação equilibrada, segura e adequada às necessidades do corpo.

    Quais sinais indicam que a dieta está fazendo mal à saúde?

    Mesmo com a perda de peso, é fundamental ficar atento a alguns sinais de que a dieta está prejudicando a saúde, como:

    • Cansaço frequente e falta de energia no dia a dia;
    • Irritabilidade, mau humor ou ansiedade aumentada;
    • Dificuldade de concentração e queda de rendimento;
    • Tontura, fraqueza ou dor de cabeça recorrente;
    • Obsessão por comida, calorias ou regras alimentares;
    • Culpa ou medo ao comer determinados alimentos;
    • Episódios de exagero ou perda de controle ao comer;
    • Dificuldade de manter a dieta sem sofrimento.

    Como identificar se uma dieta é perigosa?

    Qualquer dieta que promete resultados rápidos demais, impõe proibições severas ou faz a pessoa sentir fome constante deve ser vista com cuidado.

    Também é importante desconfiar de dietas que provocam culpa ao comer, medo de sair das regras ou obsessão por calorias e alimentos “permitidos”. Se a dieta causa sofrimento físico ou emocional e dificulta a vida social, há grandes chances de ela ser perigosa para a saúde.

    Em todo o caso, o mais indicado é buscar orientação de um profissional de saúde antes de iniciar qualquer plano alimentar. O acompanhamento médico ou nutricional ajuda a avaliar as necessidades de cada um, identificar possíveis riscos e garantir que a alimentação seja segura e adequada à rotina.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    Por que manter uma dieta restritiva costuma ser tão difícil?

    A dieta restritiva costuma ser difícil de manter porque envolve regras rígidas que não acompanham as necessidades do corpo nem a rotina do dia a dia.

    Com o passar do tempo, a fome fica mais intensa, o desejo por alimentos calóricos aumenta e a restrição constante causa um desgaste físico e emocional, tornando ainda mais complicada a adesão ao plano alimentar.

    Perder peso muito rápido faz mal?

    Sim, a perda rápida costuma envolver perda de líquidos e massa muscular, além de sobrecarregar o organismo e aumentar o risco de reganho de peso.

    Dietas restritivas podem alterar a percepção de fome?

    Sim. Com o tempo, a pessoa pode deixar de reconhecer sinais naturais do corpo, como fome e saciedade.

    A restrição constante faz com que os sinais sejam ignorados ou confundidos, dificultando perceber quando realmente é hora de comer ou quando o corpo já está satisfeito.

    Cortar carboidratos faz mal?

    Os carboidratos são uma das principais fontes de energia do corpo, de modo que cortá-los da rotina sem necessidade médica pode causar cansaço, irritabilidade, dor de cabeça e dificuldade de concentração.

    Em vez de eliminar, o mais indicado costuma ser ajustar a quantidade e a qualidade, respeitando as necessidades individuais.

    Por que a vontade de comer doce aumenta durante as dietas?

    Durante a restrição, o corpo busca fontes rápidas de energia. O doce aparece como uma resposta natural, já que fornece energia de forma rápida. Quanto maior a proibição, maior tende a ser essa vontade, o que não significa falta de controle.

    Como emagrecer de forma saudável?

    Para emagrecer de forma saudável, é importante adotar hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo, sem regras extremas. Isso inclui ter uma alimentação variada, com refeições regulares, respeitar os sinais de fome e saciedade, cuidar do sono, do estresse e manter alguma atividade física que faça sentido para a rotina.

    O acompanhamento de um nutricionista ajuda a adaptar a alimentação às necessidades individuais, tornando o processo mais seguro.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Micro-hábitos diários: por que eles têm tanto impacto na saúde a longo prazo?

    Micro-hábitos diários: por que eles têm tanto impacto na saúde a longo prazo?

    Você já deve ter ouvido dizer que mudanças reais começam com passos pequenos, e isso também vale para a saúde.

    Segundo um estudo publicado na revista JAMA Internal Medicine, pequenas mudanças no estilo de vida, quando mantidas ao longo do tempo, podem render até 10 anos a mais de vida saudável — ou seja, sem doenças crônicas que comprometem a qualidade de vida.

    Isso envolve uma série de micro-hábitos, como caminhar alguns minutos por dia, reduzir o tempo sentado e priorizar escolhas alimentares mais naturais. Quando praticados de forma constante, é possível observar os benefícios na saúde ao longos dos anos.

    Afinal, o que são micro-hábitos?

    Os micro-hábitos são pequenas atitudes do dia a dia, simples de fazer e fáceis de manter, que contribuem para a saúde quando praticadas de forma consistente.

    Diferentemente de mudanças radicais, que exigem muito esforço e costumam ser difíceis de sustentar, os micro-hábitos se encaixam naturalmente na rotina e trazem benefícios acumulativos ao longo do tempo.

    Entre alguns exemplos, é possível destacar:

    • Caminhar alguns minutos todos os dias;
    • Reduzir o tempo sentado, levantando-se ao longo do dia;
    • Priorizar alimentos mais naturais nas refeições;
    • Aumentar a ingestão de água ao longo do dia;
    • Priorizar um sono de qualidade;
    • Fazer pequenas pausas para alongamento;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Subir escadas em vez de usar elevador, quando possível;
    • Prestar atenção aos sinais de fome e saciedade;
    • Reservar alguns minutos diários para relaxamento ou respiração.

    Com o passar do tempo, a construção de bons hábitos passa a acontecer de forma mais natural, sem a sensação de esforço constante ou de cobrança excessiva.

    Por que eles funcionam a longo prazo?

    Os micro-hábitos são fáceis de colocar em prática e se encaixam na rotina sem exigir mudanças radicais. Por isso, eles cansam menos e não sobrecarregam tanto o corpo e a mente, o que facilita manter o hábito ao longo do tempo e reduz as chances de desistir, algo comum em estratégias muito restritivas ou intensas.

    Além disso, quando repetidos diariamente, os hábitos produzem um efeito cumulativo no organismo. Ou seja, pequenas melhorias na alimentação, no nível de atividade física e no controle do peso ajudam a reduzir inflamações, melhorar o metabolismo, regular hormônios e proteger o sistema cardiovascular.

    Com o passar dos anos, os ajustes contínuos resultam em menor risco de doenças crônicas e maior tempo de vida com qualidade.

    Como começar com micro-hábitos sem se sentir sobrecarregado?

    Para começar, é importante ter em mente que não é preciso mudar tudo de uma vez. Você pode escolher uma única mudança pequena, simples e possível de ser mantida no dia a dia. Quanto menor o esforço inicial, maior a chance de o hábito realmente se consolidar.

    Veja algumas dicas que podem te ajudar:

    • Comece com apenas um hábito de cada vez;
    • Escolha mudanças pequenas e possíveis de manter no dia a dia;
    • Adapte o hábito à rotina que você já tem;
    • Evite metas rígidas ou muito ambiciosas no início;
    • Foque mais na constância do que na perfeição;
    • Aceite que alguns dias não vão sair como planejado;
    • Associe o novo hábito a algo que já faz diariamente;
    • Observe os benefícios aos poucos, e não tenha pressa;
    • Evite se comparar com outras pessoas;
    • Ajuste o hábito conforme a rotina muda.

    Quando ajustar ou evoluir os micro-hábitos?

    Os micro-hábitos podem ser ajustados ou evoluídos quando já estão bem encaixados na rotina e não exigem mais esforço. Quando aquela atitude passa a acontecer no automático, sem preguiça ou resistência, é um sinal de que dá para avançar um pouco mais.

    Um exemplo é a atividade física. Quem começa caminhando 10 minutos por dia pode, com o tempo, aumentar o tempo da caminhada, caminhar em ritmo mais rápido ou incluir novos estímulos, como musculação duas vezes por semana.

    A musculação ajuda a manter a força, proteger as articulações e preservar a massa muscular, algo especialmente importante com o passar dos anos.

    Por que a atividade física é tão necessária para envelhecer com saúde?

    A prática de atividades físicas ajuda a preservar funções do corpo que tendem a diminuir com o passar dos anos. Com o envelhecimento, é comum perder massa muscular, força, equilíbrio e mobilidade, e o movimento regular atua diretamente para desacelerar esse processo.

    O hábito de movimentar o corpo também melhora a saúde do coração, ajuda no controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia, e reduz o risco de doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e osteoporose.

    A musculação, em especial, é muito importante para envelhecer bem porque ajuda a manter a massa muscular e a força, que fazem toda a diferença no dia a dia. Com o tempo, é normal perder músculo, e isso pode dificultar coisas simples, como subir escadas, carregar sacolas ou manter o equilíbrio.

    Vale apontar que a prática de musculação, assim como toda atividade física, deve ser feita com orientação de um profissional, de preferência um educador físico, que possa adaptar os exercícios às necessidades, limitações e objetivos de cada pessoa. Isso ajuda a evitar lesões e torna o treino mais seguro, especialmente com o avanço da idade.

    Leia mais: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

    Perguntas frequentes

    1. O estresse pode reduzir a expectativa de vida?

    O estresse crônico pode aumentar inflamações no organismo, afetar o coração, o sono e a saúde mental. Aprender a lidar melhor com o estresse ajuda a proteger o corpo e contribui para uma vida mais longa e saudável.

    2. O consumo de álcool interfere na longevidade?

    O consumo excessivo de álcool está associado a diversos problemas de saúde. A moderação ou a redução do consumo contribui para menor risco de doenças hepáticas, cardiovasculares e metabólicas.

    3. Existe idade certa para começar a cuidar da saúde?

    Não, quanto antes os cuidados começam, melhor, mas nunca é tarde para mudar hábitos. O corpo responde positivamente em qualquer fase da vida.

    4. Quais os riscos do sedentarismo?

    O sedentarismo aumenta o risco de diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e obesidade. Além disso, ele favorece a perda de massa muscular, reduz a mobilidade, piora o equilíbrio e aumenta o risco de quedas com o passar dos anos.

    5. Ficar muito tempo sentado faz mal mesmo quem se exercita?

    Sim, mesmo pessoas que praticam atividade física podem sofrer efeitos negativos ao passar muitas horas sentadas. Longos períodos de inatividade prejudicam a circulação, o metabolismo e a saúde muscular, reforçando a importância de se movimentar ao longo do dia.

    6. Quantos minutos de atividade física por semana são recomendados?

    Em geral, o recomendado é fazer pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, distribuídos ao longo dos dias. Isso pode ser adaptado à rotina e à condição física de cada pessoa.

    Confira: 8 dicas para ter uma boa rotina (e com saúde!) no dia a dia

  • Paralisia cerebral: o que é, por que acontece e como é tratada 

    Paralisia cerebral: o que é, por que acontece e como é tratada 

    A paralisia cerebral é um termo que engloba um grupo de condições neurológicas que afetam o tônus muscular, a postura e os movimentos. Essas alterações ocorrem devido a problemas no desenvolvimento do sistema nervoso central durante a vida fetal, no período perinatal ou nos primeiros anos da infância.

    Apesar do nome, a paralisia cerebral não é uma doença neurodegenerativa. A lesão cerebral é fixa e não piora ao longo do tempo. A forma como a condição se manifesta, no entanto, pode mudar conforme a criança cresce, o que exige acompanhamento contínuo até a vida adulta.

    Além das alterações motoras, algumas pessoas podem apresentar outras manifestações neurológicas, como alterações sensoriais, dificuldades de percepção, alterações comportamentais ou intelectuais e convulsões, dependendo das áreas cerebrais afetadas.

    A prevalência varia conforme a região, mas estima-se que a paralisia cerebral ocorra em cerca de 2 a 4 casos a cada 1.000 nascidos vivos, sendo considerada a deficiência mais comum na infância, segundo o Ministério da Saúde.

    O que é paralisia cerebral

    A paralisia cerebral resulta de uma lesão ou alteração no cérebro em desenvolvimento, especialmente nas áreas responsáveis pelo controle motor. Essa lesão interfere na capacidade do cérebro de coordenar os movimentos e manter a postura de forma adequada.

    É importante destacar que:

    • A lesão cerebral é não progressiva;
    • A gravidade varia amplamente entre os indivíduos;
    • Cada pessoa apresenta um quadro único, com diferentes níveis de funcionalidade.

    Principais causas da paralisia cerebral

    As causas são múltiplas e costumam ser classificadas conforme o momento em que ocorrem: pré-natais, perinatais e pós-natais.

    Causas pré-natais

    Ocorrem ainda durante a gestação e são responsáveis por grande parte dos casos. Incluem:

    • Infecções intrauterinas, como citomegalovírus, sífilis, Zika, varicela, toxoplasmose e infecções bacterianas;
    • Traumas maternos durante a gestação;
    • Anomalias congênitas do sistema nervoso, como microcefalia e hidrocefalia;
    • Fatores genéticos e alterações cromossômicas;
    • AVC intrauterino.

    Causas perinatais

    Relacionam-se ao final da gestação e aos primeiros dias de vida, período de grande vulnerabilidade do sistema nervoso. As principais são:

    • Infecções do sistema nervoso central, como meningites e encefalites;
    • AVC neonatal;
    • Falta de oxigênio após o parto;
    • Kernicterus, encefalopatia causada pelo acúmulo de bilirrubina no sistema nervoso central.

    Causas pós-natais

    Ocorrem após o nascimento e envolvem:

    • Traumas cranianos;
    • Infecções do sistema nervoso central;
    • AVC;
    • Insultos anóxicos, caracterizados por falta de oxigenação adequada.

    Prematuridade como fator de risco

    A prematuridade é um dos principais fatores de risco para a paralisia cerebral. Bebês prematuros têm maior chance de desenvolver complicações neurológicas, como:

    • Leucomalácia periventricular;
    • Hemorragia intraventricular;
    • Infartos periventriculares.

    Essas condições afetam diretamente o sistema nervoso central e podem resultar em sequelas motoras permanentes.

    Tratamento e reabilitação

    Embora a paralisia cerebral não tenha cura, o tratamento tem como objetivo maximizar a funcionalidade, reduzir limitações, prevenir deformidades e melhorar a qualidade de vida. O cuidado deve ser individualizado e realizado por uma equipe multiprofissional.

    Fisioterapia

    É um dos pilares do tratamento e deve ser iniciada precocemente. Busca melhorar controle postural, força, equilíbrio, mobilidade e prevenir contraturas e deformidades.

    Terapia ocupacional

    Atua na promoção da autonomia nas atividades diárias, como alimentação, higiene, vestir-se e escrita, além de adaptar o ambiente e utilizar tecnologias assistivas.

    Fonoaudiologia

    Essencial para pacientes com dificuldades de fala, comunicação, mastigação ou deglutição, contribuindo para segurança alimentar e interação social.

    Tratamento medicamentoso

    Pode ser indicado para controle de espasticidade, distonia, dor muscular e convulsões. Em casos selecionados, pode-se utilizar toxina botulínica para reduzir espasticidade localizada.

    Intervenções ortopédicas e cirúrgicas

    Alguns pacientes se beneficiam do uso de órteses ou de cirurgias corretivas para melhorar alinhamento, postura e função, sempre após avaliação criteriosa.

    Apoio psicológico e educacional

    O acompanhamento psicológico auxilia o paciente e a família no enfrentamento emocional. No ambiente escolar, adaptações pedagógicas favorecem inclusão e aprendizado.

    Acompanhamento ao longo da vida

    Embora a lesão cerebral não progrida, as demandas mudam com o crescimento. O acompanhamento contínuo permite ajustes terapêuticos, prevenção de complicações musculoesqueléticas e promoção de independência e participação social.

    Confira: Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    Perguntas frequentes sobre paralisia cerebral

    1. Paralisia cerebral é progressiva?

    Não. A lesão é fixa, mas os sintomas podem mudar ao longo do crescimento.

    2. Toda pessoa com paralisia cerebral tem deficiência intelectual?

    Não. O comprometimento intelectual varia e pode estar ausente em muitos casos.

    3. Convulsões são comuns?

    Podem ocorrer em parte dos pacientes, dependendo da área cerebral afetada.

    4. A reabilitação deve começar quando?

    O mais cedo possível, aproveitando a plasticidade do cérebro infantil.

    5. Existe cura para paralisia cerebral?

    Não há cura, mas o tratamento melhora significativamente a funcionalidade.

    6. A fisioterapia é contínua?

    Na maioria dos casos, sim, com intensidade ajustada ao longo da vida.

    7. O tratamento melhora a qualidade de vida?

    Sim. A reabilitação adequada promove maior autonomia, conforto e inclusão social.

    Veja mais: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Malária: como reconhecer os sintomas e evitar complicações 

    Malária: como reconhecer os sintomas e evitar complicações 

    A malária é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Plasmodium. No Brasil, o Plasmodium vivax é o agente mais frequente, e a transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito Anopheles (conhecido como mosquito-palha).

    No país, cerca de 99% dos casos concentram-se na Amazônia Legal. No cenário global, a maior carga da doença está na África subsaariana. Apesar de potencialmente grave, a malária tem tratamento eficaz quando o diagnóstico é feito precocemente.

    O que é malária

    A malária é uma infecção sistêmica que envolve duas fases no organismo humano: uma fase inicial no fígado e outra no sangue.

    Após a picada do mosquito infectado, o parasita entra na corrente sanguínea e se aloja no fígado, onde se multiplica. Em seguida, ele passa para as hemácias (glóbulos vermelhos), causando destruição dessas células e desencadeando os episódios de febre.

    Existem diferentes espécies de PlasmodiumP. vivax, P. falciparum, P. malariae, P. ovale e P. knowlesi — que podem determinar diferenças nos sintomas e no risco de complicações.

    Transmissão

    A transmissão da malária ocorre exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada.

    Durante a picada, o mosquito inocula formas do parasita chamadas esporozoítos, que entram na corrente sanguínea e seguem para o fígado. Após a multiplicação no fígado, novas formas do parasita invadem as hemácias, iniciando o ciclo que provoca os sintomas.

    Alguns parasitas se transformam em gametócitos. Quando outro mosquito pica a pessoa infectada, ele ingere esses gametócitos e passa a transmitir a doença a outras pessoas, mantendo o ciclo.

    O intervalo entre os episódios febris costuma variar entre 48 e 72 horas, dependendo da espécie do Plasmodium.

    Sintomas

    Malária não complicada

    Na forma não complicada, os sintomas são gerais e podem se confundir com outras infecções:

    • Febre alta intermitente (podendo chegar a 40 °C);
    • Calafrios intensos e sudorese;
    • Dor de cabeça;
    • Dores musculares e articulares;
    • Cansaço intenso;
    • Náuseas, vômitos, perda de apetite e dor abdominal;
    • Falta de ar leve ou desconforto respiratório.

    O reconhecimento precoce desses sinais é essencial para evitar a progressão da doença.

    Malária complicada

    A malária complicada apresenta manifestações graves e risco de morte, especialmente associadas ao P. falciparum. Podem ocorrer:

    • Anemia intensa e icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Redução do volume urinário ou insuficiência renal aguda;
    • Vômitos persistentes e sangramentos;
    • Choque circulatório;
    • Insuficiência respiratória e cianose;
    • Convulsões e coma.

    Esses quadros exigem tratamento hospitalar imediato e suporte intensivo.

    Rastreamento e suspeita clínica

    A malária deve ser suspeitada em qualquer pessoa com febre que more ou tenha viajado recentemente para áreas endêmicas, especialmente a Amazônia Legal.

    Em regiões de risco, o rastreamento envolve a investigação ativa de casos febris, uso de testes rápidos e coleta de amostras de sangue. A suspeita clínica rápida é fundamental para reduzir complicações, mortalidade e transmissão da doença.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da malária é confirmado por exames laboratoriais, principalmente:

    • Gota espessa e esfregaço sanguíneo: método padrão, permite visualizar o parasita e estimar a quantidade de parasitas no sangue.
    • Testes rápidos (RDTs): detectam antígenos do Plasmodium e são úteis em locais sem microscopia, embora não quantifiquem a parasitemia.
    • Testes moleculares (PCR): mais sensíveis, usados em centros de referência para identificar espécies e cargas baixas.

    Exames como hemograma e avaliação da função dos rins e do fígado ajudam a identificar gravidade e complicações.

    Tratamento

    O tratamento da malária depende da espécie do parasita e da gravidade do quadro.

    • Malária não complicada por P. vivax: cloroquina para eliminar as formas no sangue e primaquina para eliminar formas hepáticas e prevenir recaídas, após excluir deficiência de G6PD.
    • Infecção por P. falciparum ou mista: uso de terapias combinadas à base de artemisinina (ACT), conforme protocolos.
    • Malária complicada: tratamento hospitalar com antimaláricos intravenosos e medidas de suporte, como hidratação, manejo de falência de órgãos e transfusão quando necessário.

    O acompanhamento clínico e laboratorial é importante até a negativação do parasita no sangue.

    A malária é uma doença potencialmente grave, mas curável quando diagnosticada e tratada precocemente. No Brasil, a maior parte dos casos ocorre na Amazônia Legal, o que reforça a importância da vigilância em pessoas que vivem ou viajam para essas áreas.

    Suspeita clínica rápida, diagnóstico laboratorial adequado, tratamento específico conforme a espécie e ações de controle do mosquito são fundamentais para reduzir complicações, recaídas e transmissão.

    Veja mais: Febre amarela: o que é, como se transmite e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre malária

    1. Malária passa de uma pessoa para outra?

    Não diretamente. A transmissão ocorre pela picada do mosquito Anopheles infectado.

    2. Toda febre em área endêmica é malária?

    Não, mas toda febre em quem vive ou esteve em área endêmica deve ser investigada para malária.

    3. Quais espécies de Plasmodium existem no Brasil?

    Principalmente P. vivax e P. falciparum, sendo o P. vivax o mais comum.

    4. Malária pode ser grave?

    Sim. A forma complicada pode causar insuficiência de órgãos, convulsões e até morte.

    5. O teste rápido substitui o exame de sangue?

    Ajuda no diagnóstico inicial, mas a gota espessa continua sendo o padrão para confirmação e acompanhamento.

    6. A malária tem cura?

    Sim. Com tratamento adequado e completo, a maioria dos pacientes evolui bem.

    7. Como prevenir a malária?

    Evitar picadas de mosquito, usar repelente, mosquiteiros, roupas protetoras e seguir orientações de saúde ao viajar para áreas endêmicas.

    Leia também: Dengue hemorrágica: quando os sintomas indicam alerta máximo

  • 10 fatores que podem afetar a sua memória (e quando procurar um médico)

    10 fatores que podem afetar a sua memória (e quando procurar um médico)

    Você costuma ter lapsos de memória? Não lembrar onde guardou um item, abrir a geladeira e não lembrar o que foi buscar, ou até ficar em silêncio por não recordar uma palavra são situações que fazem parte da rotina de qualquer pessoa.

    Na maioria das vezes, os episódios não indicam nenhum problema grave de saúde, mas é preciso ter atenção quando se tornam frequentes, começam a atrapalhar atividades simples ou vêm acompanhadas de outros sintomas, como confusão mental, dificuldade de concentração ou alterações de humor.

    Afinal, o que pode afetar a memória?

    Diversos fatores podem afetar a memória, desde hábitos do dia a dia até questões emocionais e condições de saúde. Listamos os principais a seguir:

    1. Privação de sono

    As noites mal dormidas atrapalham o processo de consolidação das memórias, reduzindo atenção, foco e capacidade de retenção de informações.

    De acordo com um estudo publicado na revista Nature, durante o descanso noturno, o cérebro revive e reorganiza experiências vividas ao longo do dia, um processo importante para transformar informações recentes em lembranças mais duradouras.

    Quando ocorre a privação de sono, o cérebro até continua ativo, mas passa a funcionar de forma desorganizada. Mesmo com intensa atividade cerebral durante a falta de sono, o mecanismo responsável por “repassar” e fixar memórias fica prejudicado. Na prática, isso significa que o cérebro trabalha, mas não registra corretamente as informações.

    2. Estresse e ansiedade

    Os níveis elevados de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, dificultam tanto a formação de novas memórias quanto o acesso a informações que já foram armazenadas.

    Quando o estresse se mantém de forma constante no dia a dia, o cérebro permanece em estado de alerta contínuo, desviando energia de áreas responsáveis pela memória, pela atenção e pela capacidade de concentração.

    Com o tempo, isso pode resultar em lapsos de memória mais frequentes, sensação de mente confusa, dificuldade para organizar pensamentos e maior esforço para manter o foco em atividades rotineiras.

    3. Sedentarismo

    A falta de atividade física está associada à redução do volume cerebral e ao pior desempenho da memória e da concentração. O exercício regular melhora a circulação sanguínea no cérebro, estimula a formação de novas conexões neurais e ajuda a proteger funções cognitivas importantes, como atenção, aprendizado e memória.

    4. Depressão

    A depressão pode causar dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação constante de confusão mental. Em muitos casos, a pessoa até tenta se concentrar, mas sente a mente mais lenta, com dificuldade para organizar pensamentos e lembrar informações simples do dia a dia.

    Isso ocorre porque alterações químicas no cérebro interferem diretamente nas áreas responsáveis pela atenção, pelo aprendizado e pela memória.

    5. Síndrome de Burnout

    A síndrome de burnout é um estado de esgotamento físico, mental e emocional que surge quando a pressão constante, a sobrecarga e a falta de recuperação fazem com que a pessoa se sinta exausta, desmotivada e incapaz de lidar com as demandas profissionais.

    Com o passar do tempo, o cansaço intenso e prolongado compromete a capacidade de foco, prejudica a memória recente e favorece esquecimentos frequentes, fazendo com que tarefas simples passem a exigir muito mais esforço mental.

    6. Deficiências nutricionais

    Os níveis baixos de vitaminas, especialmente B9 e B12, interferem diretamente na saúde do sistema nervoso. Las vitaminas exercem papel importante na formação, na proteção e na manutenção dos neurônios — além de participarem da produção de neurotransmissores responsáveis pela comunicação entre as células do cérebro.

    Quando ocorre deficiência dessas vitaminas, o funcionamento cerebral pode ficar comprometido, causando sintomas como lapsos de memória, dificuldade de concentração, sensação de mente lenta, esquecimento frequente e cansaço mental persistente.

    Em alguns casos, também podem surgir alterações de humor, irritabilidade e queda no rendimento intelectual.

    A falta prolongada de vitamina B12, em especial, pode provocar danos neurológicos mais importantes, afetando não apenas a memória, mas também a atenção e o raciocínio.

    7. Condições médicas

    Condições como hipotireoidismo, alterações no fígado ou nos rins, infecções, distúrbios do sono como apneia e traumatismos cranianos podem impactar a memória.

    Nessas situações, o funcionamento cerebral fica comprometido, seja pela redução de oxigenação, por alterações hormonais ou por inflamações no organismo.

    Como resultado, surgem dificuldades de concentração, lentidão mental e esquecimentos mais frequentes, que podem ser temporários ou persistentes, dependendo da causa.

    8. Uso de medicamentos

    Alguns remédios, como anestésicos, calmantes, antidepressivos e medicamentos para dormir, podem apresentar efeitos colaterais relacionados à memória. Os efeitos variam conforme a dose, o tempo de uso e a sensibilidade de cada pessoa.

    Em alguns casos, o esquecimento ocorre principalmente no início do tratamento ou após ajustes na medicação, tendendo a melhorar com o tempo ou com a orientação médica adequada.

    9. Doenças neurodegenerativas

    Alzheimer e outras formas de demência comprometem progressivamente a memória e outras funções cognitivas. No início, os sinais costumam ser discretos, como esquecimento de fatos recentes, repetição de perguntas ou dificuldade para encontrar palavras.

    Mas, conforme a doença avança, surgem prejuízos maiores, envolvendo linguagem, raciocínio, orientação no tempo e no espaço, além da perda gradual da autonomia para atividades do dia a dia.

    10. Envelhecimento

    As mudanças naturais do envelhecimento podem reduzir a velocidade de processamento das informações. Com o passar dos anos, o cérebro pode levar mais tempo para acessar lembranças ou aprender conteúdos novos.

    Isso não significa, necessariamente, uma doença, mas sim uma adaptação natural do funcionamento cognitivo

    Quando procurar um médico?

    É fundamental procurar um médico nas seguintes situações:

    • Esquecimentos frequentes que começam a interferir nas atividades do dia a dia;
    • Dificuldade para lembrar compromissos, nomes, tarefas simples ou informações recentes de forma recorrente;
    • Falhas de memória que surgem de maneira repentina ou apresentam piora progressiva;
    • Sensação constante de confusão mental ou desorientação;
    • Dificuldade para encontrar palavras ou se expressar com clareza;
    • Alterações de humor, comportamento ou atenção associadas aos esquecimentos.

    Nessas situações, a avaliação médica ajuda a identificar a causa, descartar condições mais graves e orientar o cuidado adequado com a saúde do cérebro.

    Confira: Vitamina B1 (tiamina): energia para o corpo e alerta para a memória

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre lapsos de memória e perda de memória?

    Os lapsos de memória são esquecimentos pontuais, como não lembrar onde colocou um objeto ou esquecer uma palavra momentaneamente. Já a perda de memória envolve dificuldade persistente para recordar informações importantes, fatos recentes ou eventos pessoais, podendo indicar alterações cognitivas mais relevantes.

    2. O álcool afeta a memória?

    O consumo excessivo de álcool interfere na comunicação entre os neurônios e prejudica áreas do cérebro responsáveis pela memória. Episódios frequentes de consumo elevado podem causar lapsos de memória temporários e, em longo prazo, prejuízos cognitivos mais duradouros.

    3. A memória pode ser treinada?

    A memória pode ser estimulada e fortalecida ao longo da vida, através de atividades que desafiam o cérebro, como leitura, jogos de raciocínio, aprendizado de novas habilidades e exercícios de atenção. Quanto mais o cérebro é estimulado, maior tende a ser a reserva cognitiva, o que protege a memória a longo prazo.

    4. O café melhora ou piora a memória?

    O café pode melhorar temporariamente a atenção e o estado de alerta, o que favorece a memória no curto prazo. No entanto, o consumo excessivo pode aumentar a ansiedade, prejudicar o sono e, indiretamente, afetar a memória. O importante é ter equilíbrio no consumo.

    5. Ler com frequência ajuda a melhorar a memória?

    A leitura estimula várias áreas do cérebro ao mesmo tempo, envolvendo atenção, compreensão e retenção de informações. O hábito de ler regularmente fortalece as conexões neurais, amplia o vocabulário e exercita a memória, além de ser uma alternativa ao uso de telas como passatempo.

    6. A memória pode ser afetada após cirurgias?

    Após procedimentos cirúrgicos, especialmente aqueles que envolvem anestesia geral, algumas pessoas relatam dificuldade de concentração e lapsos de memória temporários. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram com o tempo.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

  • Vacinas salvam vidas: entenda por que a imunização é uma das maiores conquistas da medicina

    Vacinas salvam vidas: entenda por que a imunização é uma das maiores conquistas da medicina

    Responsável pela erradicação ou controle significativo de diversas doenças infecciosas em todo o mundo, como poliomielite, sarampo e tétano, a vacinação é uma das maiores conquistas da saúde pública.

    Por meio dela, milhões de vidas são protegidas todos os anos — reduzindo hospitalizações, complicações graves e mortes que antes faziam parte da rotina de muitas famílias.

    Para se ter uma ideia, além de proteger quem recebe a vacina, a imunização também ajuda a proteger toda a comunidade. Quando muitas pessoas estão vacinadas, a circulação dos vírus e bactérias diminui, criando uma barreira coletiva que protege idosos, bebês e pessoas com o sistema imunológico mais fragilizado.

    Atualmente, no Brasil, a política de vacinação é responsabilidade do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.

    O que são vacinas?

    As vacinas são preparações biológicas desenvolvidas para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater vírus e bactérias antes que provoquem doenças. Elas contêm partes dos microrganismos ou versões enfraquecidas e inativadas, suficientes para estimular a defesa do organismo sem causar a infecção.

    Na prática, elas funcionam como uma espécie de treinamento para o organismo: ao serem aplicadas, as vacinas induzem a produção de anticorpos e células de memória sem causar a doença — garantindo que, em um eventual contato real com o microrganismo, o corpo consiga reagir de maneira eficaz.

    Impacto das vacinas na saúde pública

    Antes da vacinação em larga escala, doenças como varíola, poliomielite, sarampo e difteria causavam epidemias frequentes, altas taxas de mortalidade e sequelas permanentes. Muitas famílias conviviam com perdas evitáveis e com limitações de saúde que comprometiam a qualidade de vida por toda a vida.

    Com a chegada das campanhas de imunização, milhões de vidas passaram a ser protegidas, o número de internações caiu e as pessoas começaram a viver mais e viver bem.

    Além de proteger quem recebe a vacina, a vacinação também contribui para a proteção de toda a população. Ao reduzir a circulação de vírus e bactérias na população, elas criam uma proteção indireta que beneficia pessoas mais vulneráveis, como bebês, idosos e indivíduos com o sistema imunológico comprometido.

    Como as vacinas funcionam no organismo?

    As vacinas funcionam estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater agentes causadores de doenças antes que eles provoquem infecções graves.

    Os imunizantes aproveitam um mecanismo natural de defesa do próprio organismo, preparando o corpo para reagir de forma rápida e eficiente em contatos futuros com vírus ou bactérias.

    De forma simples, o processo acontece assim:

    • O corpo está constantemente exposto a germes presentes no ambiente, como vírus e bactérias;
    • A pele, as mucosas e as vias respiratórias atuam como barreiras iniciais, tentando impedir a entrada desses microrganismos;
    • Quando um agente causador de doença consegue ultrapassar essas barreiras, o sistema imunológico entra em ação.

    Cada microrganismo possui partes específicas, chamadas de antígenos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, quando o organismo entra em contato com um antígeno pela primeira vez, o sistema imunológico precisa de tempo para reconhecê-lo e produzir anticorpos. Durante esse período, a pessoa pode ficar doente.

    As vacinas contêm versões enfraquecidas ou inativadas desses microrganismos, ou informações para que o próprio corpo produza o antígeno. A exposição não causa a doença, mas estimula o sistema imunológico a responder, produzindo anticorpos e células de memória.

    Com isso, o organismo aprende a reconhecer o agente causador da doença, passa a produzir anticorpos específicos e mantém células de memória ativas, prontas para agir quando necessário.

    Em um contato posterior com o microrganismo verdadeiro, a resposta do sistema imunológico ocorre de forma muito mais rápida e eficaz, evitando a doença ou reduzindo sua gravidade. Algumas vacinas exigem mais de uma dose para reforçar essa memória e garantir proteção duradoura.

    Imunidade coletiva (ou de rebanho)

    A imunidade coletiva acontece quando uma grande parte da população está vacinada contra uma determinada doença. Com isso, a circulação de vírus e bactérias diminui de forma significativa, dificultando a transmissão entre as pessoas.

    Isso é especialmente importante para quem não pode ser vacinado, como bebês muito pequenos, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que apresentam alergias graves a componentes de algumas vacinas.

    Quando a maioria está imunizada, o risco de exposição a agentes causadores de doenças se torna muito menor. E, apesar de nenhuma vacina oferecer proteção total, a imunidade coletiva reduz de maneira importante a ocorrência de surtos e epidemias.

    Vacinas são seguras e eficazes!

    Antes de serem oferecidas à população, todas as vacinas passam por testes rigorosos para garantir que sejam seguras e eficazes. Os testes incluem estudos clínicos realizados em várias etapas, e apenas as vacinas que cumprem padrões elevados de qualidade e segurança recebem autorização para uso.

    As vacinas podem causar alguns efeitos leves e passageiros, como dor no local da aplicação, febre ou mal-estar. No entanto, eles costumam ser temporários e bem menos graves do que as doenças que elas ajudam a prevenir, que podem provocar complicações sérias, deixar sequelas e até levar à morte.

    Como funciona o calendário vacinal no Brasil?

    O calendário vacinal no Brasil é organizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e faz parte das ações do Sistema Único de Saúde, o SUS. Ele reúne as vacinas recomendadas para proteger a população ao longo de todas as fases da vida, desde o nascimento até a terceira idade.

    Atualmente, o Calendário Nacional de Vacinação contempla 19 vacinas oferecidas gratuitamente na rede pública, que protegem contra diversas doenças graves e potencialmente fatais, como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites, meningites e outras infecções importantes.

    As vacinas incluem:

    • BCG;
    • Hepatite B;
    • Pentavalente (Penta);
    • Poliomielite inativada;
    • Rotavírus;
    • Pneumocócica 10-valente (Pneumo 10);
    • Meningocócica C;
    • Febre amarela;
    • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
    • Tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela);
    • DTP (difteria, tétano e coqueluche);
    • Hepatite A;
    • Varicela;
    • Difteria e tétano adulto (dT);
    • Meningocócica ACWY;
    • HPV quadrivalente;
    • dTpa;
    • Covid-19;
    • Pneumocócica 23-valente (Pneumo 23).

    Além da vacinação de rotina, o Ministério da Saúde coordena campanhas nacionais ao longo do ano, em parceria com estados, municípios e o Distrito Federal.

    Atualmente, são realizadas três principais campanhas de vacinação:

    • Vacinação contra a Influenza, voltada especialmente para grupos prioritários;
    • Campanha de multivacinação, que busca atualizar a caderneta de vacinação digital de crianças e adolescentes menores de 15 anos;
    • Vacinação contra a COVID-19, que ocorre de forma contínua ao longo do ano.

    O calendário é estruturado para atender diferentes grupos da população, incluindo recém-nascidos e crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos.

    Existem contraindicações para a vacinação?

    Existem algumas contraindicações para a vacinação, mas elas são pouco frequentes. Na maioria dos casos, as vacinas podem ser aplicadas com segurança, desde que sejam seguidas as orientações do calendário vacinal e as recomendações dos profissionais de saúde.

    As principais contraindicações ocorrem em casos específicos, como:

    • Alergia grave (anafilaxia): pessoas que já tiveram uma reação alérgica grave após uma dose anterior da vacina ou a algum componente da fórmula, como gelatina, neomicina ou proteína do ovo, dependendo do tipo de vacina;
    • Imunossupressão severa: pessoas com o sistema imunológico muito enfraquecido, como pacientes em quimioterapia pesada, não devem receber vacinas feitas com vírus vivos ou bactérias atenuadas, como febre amarela, tríplice viral e BCG, pois existe o risco de a própria vacina causar a doença.

    Além disso, existem algumas contraindicações temporárias. Nesses casos, a vacinação não é cancelada, apenas adiada até que a situação esteja controlada:

    • Doenças agudas com febre: quando há febre moderada ou alta, o recomendado é aguardar a recuperação antes da vacinação;
    • Gestação: vacinas com vírus vivos costumam ser evitadas durante a gravidez, enquanto vacinas inativadas, como Influenza, Hepatite B e dTpa, são indicadas para proteger a gestante e o bebê.

    O que NÃO é contraindicação

    Muitas vezes, as pessoas deixam de se vacinar por motivos que não impedem a imunização, tais como:

    • Uso de antibióticos ou pomadas tópicas;
    • Resfriados leves ou coriza sem febre;
    • Histórico familiar de eventos adversos;
    • Alergias leves (que não causem anafilaxia);
    • Fase de amamentação (com raríssimas exceções, como a vacina da febre amarela em bebês muito pequenos).

    Antes de qualquer aplicação, os profissionais de saúde realizam uma triagem. É importante informar sobre o histórico de alergias e o uso de medicamentos contínuos.

    Como está a cobertura vacinal no Brasil?

    Após um período crítico entre 2016 e 2022, o Brasil voltou a registrar avanços na cobertura vacinal. De acordo com dados do Ministério da Saúde referentes ao primeiro semestre de 2025, houve aumento na cobertura de 15 das 16 principais vacinas do calendário nacional de imunização infantil.

    Isso é resultado especialmente da estratégia de vacinação nas escolas (implementada em cerca de 74% dos municípios brasileiros), que ajudou a aplicar mais de 1 milhão de doses em crianças e adolescentes ao longo de 2025.

    Mas, apesar dos números estarem subindo, muitas vacinas que precisam de múltiplas doses (como a da poliomielite) ainda estão abaixo da meta de 95%. Na prática, isso significa que a proteção coletiva ainda não está completa, o que aumenta o risco de doenças que já estavam controladas voltarem a circular, como o sarampo.

    Como se vacinar?

    Você pode se vacinar gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde em todo o país, basta procurar uma unidade de saúde e levar o cartão de vacinação.

    As UBS oferecem vacinas para todas as idades, acompanhando o calendário vacinal desde a infância até a vida adulta e a fase idosa, garantindo proteção ao longo de toda a vida.

    Importante: a ausência do cartão de vacinação não impede que você seja vacinado. No entanto, é importante informar ao profissional de saúde quais vacinas você lembra de ter tomado e, sempre que possível, procurar atualizar o cartão para facilitar o acompanhamento das doses futuras e manter o controle adequado da vacinação.

    Leia mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

    Perguntas frequentes

    Vacinas podem causar efeitos colaterais?

    Sim, algumas vacinas podem causar reações leves e temporárias, como dor no local da aplicação, febre baixa ou mal-estar. Os efeitos costumam passar em poucos dias, e reações graves são muito raras. O risco das doenças é muito maior do que o das vacinas.

    O mercúrio contido nas vacinas faz mal à saúde?

    Não. Em algumas vacinas, um derivado do mercúrio foi utilizado como conservante em frascos com várias doses, com a função de impedir a contaminação por bactérias e fungos após a abertura do frasco. As quantidades usadas sempre foram muito pequenas e controladas.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, esse tipo de mercúrio não se acumula no organismo e é eliminado rapidamente pelo corpo. Por isso, o uso foi considerado seguro, sem evidências de danos à saúde nas doses presentes nas vacinas.

    Uma vacina pode fazer o bebê ficar doente?

    Não, as vacinas não causam a doença que previnem. O que pode acontecer é o bebê ter reações leves, como febre ou irritação, que tendem a desaparecer em poucos dias.

    Tomar a mesma vacina duas vezes faz mal?

    Não! Se você não tem certeza sobre quais vacinas já foram tomadas ou quando a caderneta de vacinação foi perdida, o mais indicado é procurar uma unidade de saúde. No local, a equipe de vacinação avalia a situação e orienta sobre quais doses são necessárias.

    Quais são as doenças que as vacinas previnem?

    As vacinas ajudam a prevenir diversas doenças, como sarampo, poliomielite, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites, meningites, febre amarela, varicela, gripe, covid-19, entre outras infecções graves.

    Vacinas enfraquecem o sistema imunológico?

    Não, as vacinas fortalecem o sistema imunológico, pois ensinam o corpo a se defender melhor contra vírus e bactérias.

    Vacinas causam autismo?

    Não, isso é um mito! Não existe comprovação científica que relacione vacinas ao autismo.

    É seguro tomar mais de uma vacina no mesmo dia?

    Sim, é seguro e recomendado tomar mais de uma vacina no mesmo dia, pois isso ajuda a manter a carteira de vacinação em dia.

    Leia mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • Laringite (crupe): como reconhecer e como tratar 

    Laringite (crupe): como reconhecer e como tratar 

    A laringite é uma inflamação da laringe, região da garganta localizada após as amígdalas e essencial para a passagem do ar e para a voz. Na maioria das vezes, ela ocorre por infecção, principalmente viral, e é uma das doenças respiratórias mais comuns na infância.

    Em crianças pequenas, a laringite pode causar sintomas bem característicos, como a tosse “ladrante” e o estridor (um som agudo ao puxar o ar). Já em adultos, costuma aparecer com mais frequência entre os 18 e 40 anos, geralmente associada a infecções respiratórias ou irritações locais.

    Apesar de ser frequentemente autolimitada, a laringite pode gerar desconforto respiratório em alguns casos e exigir avaliação médica.

    O que é laringite

    A laringite é a inflamação da laringe, estrutura que faz parte das vias aéreas superiores e fica na garganta, após a região das amígdalas.

    Quando a laringe inflama, ocorre um inchaço local que pode:

    • Alterar a voz;
    • Causar tosse característica;
    • Dificultar a passagem do ar, especialmente em crianças (que têm vias aéreas mais estreitas).

    Na maioria dos casos, a causa é infecciosa.

    Causas da laringite

    A laringite pode ser classificada em infecciosa e não infecciosa.

    Laringite infecciosa (mais comum)

    É a forma mais frequente e ocorre principalmente por vírus, como:

    • Vírus sincicial respiratório;
    • Rinovírus;
    • Influenza.

    A infecção bacteriana é menos comum e geralmente acontece após uma infecção viral, sendo causada principalmente por:

    • Streptococcus pneumoniae;
    • Haemophilus influenzae;
    • Moraxella catarrhalis.

    Como a infecção viral se instala

    Na maioria das vezes, o vírus entra inicialmente pela mucosa do nariz e da boca. Com a progressão do quadro, ele se espalha para a laringe, provocando inflamação local e estreitamento da passagem de ar.

    Laringite não infecciosa

    Pode acontecer mesmo sem infecção e está relacionada a fatores como:

    • Trauma local;
    • Abuso vocal;
    • Alergias;
    • Refluxo;
    • Asma;
    • Fatores ambientais (tabagismo passivo e poluição).

    Sintomas de laringite: como se manifesta

    Os sintomas geralmente começam como um quadro respiratório comum e evoluem conforme a inflamação atinge a laringe.

    Os sinais iniciais costumam ser:

    • Corrimento nasal;
    • Congestão nasal.

    Com o avanço, podem surgir:

    • Tosse;
    • Febre;
    • Estridor (som agudo ao inspirar).

    Tosse “ladrante” e estridor: sinais típicos do crupe

    A tosse da laringite pode ser descrita como ladrante, por lembrar o som de um latido. Isso ocorre devido à inflamação da laringe e ao estreitamento local.

    Quando surge o estridor, ele pode vir acompanhado de sinais de dificuldade de passagem de ar, como:

    • Aumento da frequência respiratória;
    • Desconforto respiratório;
    • Inspiração prolongada (o paciente “puxa o ar” por mais tempo).

    Quanto tempo dura a laringite?

    A maioria dos casos é autolimitada, com melhora em 1 a 3 dias após o início dos sintomas. Em alguns pacientes, pode durar até cerca de 1 semana.

    Porém, se houver sinais de piora respiratória, pode ser necessária intervenção e até internação, dependendo da gravidade.

    Diagnóstico

    Na maior parte das vezes, o diagnóstico é clínico, baseado na história e nos sintomas típicos (especialmente tosse ladrante e estridor).

    • A maioria dos casos não precisa de exames de imagem;
    • Testes virológicos podem confirmar o agente, mas geralmente não são necessários.

    Exames costumam ser reservados para situações em que há dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações.

    Tratamento da laringite (crupe)

    O tratamento varia de acordo com a gravidade do quadro.

    Casos leves (tratamento em casa)

    Em casos leves, o tratamento pode ser feito em domicílio com foco no alívio dos sintomas, como:

    • Medicações para controle de sintomas;
    • Uso de corticóides, conforme orientação médica;

    Medidas para umidificar as vias aéreas incluem:

    • Inalação de vapor de água;
    • Uso de umidificadores;
    • Evitar exposição ao ar frio.

    Além disso, é fundamental orientar a família ou o paciente sobre sinais de alarme.

    Sinais de alerta: quando procurar atendimento urgente

    É importante buscar avaliação médica se houver:

    • Estresse ou agitação importante;
    • Dificuldade para respirar;
    • Cianose (lábios ou pele azulados);
    • Palidez;
    • Tosse intensa e muito frequente;
    • Febre alta persistente;
    • Ausência de melhora nas primeiras 72 horas.

    Casos moderados a graves

    Quadros moderados a graves podem exigir tratamento em ambiente hospitalar, com:

    • Corticoides;
    • Nebulização com epinefrina;
    • Observação após o tratamento inicial, para avaliar resposta e risco de piora.

    Confira: Conjuntivite: o que é, sintomas, tipos e tratamentos

    Perguntas frequentes sobre laringite

    1. Laringite é sempre causada por vírus?

    Não. A maioria é viral, mas pode haver causa bacteriana, geralmente após infecção viral, além de causas não infecciosas.

    2. O que é estridor?

    É um som agudo ao puxar o ar (inspiração), indicando que a passagem de ar está mais estreita por inflamação na laringe.

    3. Tosse “ladrante” significa crupe?

    É um sinal muito típico de laringite/crupe, especialmente em crianças, mas sempre deve ser avaliado junto com outros sintomas.

    4. Laringite melhora sozinha?

    Na maioria dos casos, sim. Costuma melhorar em 1 a 3 dias, podendo durar até 1 semana.

    5. Quando a laringite é perigosa?

    Quando há dificuldade respiratória, aumento da frequência respiratória, estridor importante, cianose, palidez ou piora progressiva.

    6. Precisa fazer raio-x ou tomografia?

    Geralmente não. A maioria dos casos é diagnosticada clinicamente e não precisa de exames de imagem.

    7. Qual o tratamento para casos graves?

    Casos moderados a graves podem precisar de corticoides, nebulização com epinefrina e observação hospitalar.

    Leia mais: Dor de garganta, febre e placas: pode ser amigdalite?