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  • 7 dicas de um médico para ser mais produtivo e ter menos estresse 

    7 dicas de um médico para ser mais produtivo e ter menos estresse 

    Produtividade não significa fazer mais tarefas em menos tempo. Do ponto de vista da medicina comportamental, o segredo é fazer o que importa com equilíbrio físico e mental — e isso já leva a um desempenho muito maior, sem pagar o preço do burnout.

    A seguir, o médico especializado na área, Marcelo Dratcu, explica o que a ciência já sabe sobre foco, energia e desempenho, e como pequenas mudanças na rotina podem render muito mais do que café e força de vontade.

    O que é a medicina comportamental e como ela ajuda na produtividade

    A medicina comportamental é uma área que aplica os princípios da ciência do comportamento à saúde. Diferente da medicina tradicional, que apenas orienta o que fazer, essa abordagem ensina estratégias práticas para colocar em ação hábitos que melhoram o bem-estar físico e mental — como sono, alimentação, movimento, controle do estresse e adesão aos tratamentos médicos.

    Segundo o médico Marcelo Dratcu, especialista em medicina comportamental e fundador do Instituto CALM, o foco está nas decisões compartilhadas entre médico e paciente. Assim, a mudança de hábito não depende apenas de força de vontade, mas de técnicas que tornam o processo prazeroso e constante.

    Confira as principais dicas do especialista:

    1. Priorize o sono: ele é o maior “hack” de produtividade

    Durante o sono, corpo e mente se reorganizam. Os hormônios se equilibram, os músculos relaxam e a memória se consolida. Dormir pouco para “ganhar tempo” compromete a atenção, o raciocínio e o controle emocional.

    Como dormir melhor:

    • Mantenha horários regulares de sono;
    • Evite cafeína após o meio da tarde;
    • Diminua a luminosidade e o brilho das telas;
    • Desligue dispositivos eletrônicos antes de dormir;
    • Prefira um quarto escuro, ventilado e silencioso.

    “O sono é super subestimado, mas é ele que prepara o corpo e o cérebro para funcionar bem durante o dia”, explica Dratcu.

    2. Mexa o corpo — mesmo que não vá à academia

    Antes de pensar em treinar, pense em se movimentar. O corpo humano foi feito para se mexer, e longos períodos sentado favorecem o cansaço e a perda de energia.

    Exemplos simples de movimento:

    • Levantar-se a cada hora;
    • Subir escadas em vez de usar o elevador;
    • Caminhar após o almoço;
    • Dançar, tocar instrumentos ou brincar com as crianças.

    De acordo com o médico, 150 a 300 minutos semanais de atividade leve já transformam a saúde e a disposição, quando distribuídos ao longo da semana.

    3. Faça pausas curtas ao longo do dia

    Pausas estratégicas aumentam o foco e reduzem o cansaço mental. “É como reiniciar um computador que travou”, compara Dratcu.

    Alguns minutos longe da tela ajudam a:

    • Evitar dores de cabeça e problemas de postura;
    • Reduzir tensão muscular e fadiga ocular;
    • Recuperar energia e concentração.

    Vale levantar, respirar fundo, olhar pela janela ou se alongar. O importante é interromper o modo automático e dar um reset na mente.

    4. Tenha momentos de prazer todos os dias

    Produtividade não combina com esgotamento. Reservar alguns minutos diários para o prazer é essencial. Ouvir música, conversar com alguém querido, sentar ao ar livre ou assistir a uma série ajudam a reduzir o estresse e a recuperar o equilíbrio emocional.

    Segundo o especialista, “um dos hábitos mais importantes é o de sentir satisfação no dia a dia, mesmo que o tempo seja curto”.

    5. Cuide da saúde emocional e dos relacionamentos

    Relacionamentos saudáveis e boa comunicação têm impacto direto na produtividade. Técnicas usadas nas terapias cognitivo-comportamental, dialética e racional-emotiva ajudam a lidar melhor com conflitos e emoções difíceis.

    Menos estresse significa mais clareza, foco e produtividade — tanto na vida pessoal quanto no trabalho.

    6. Combata a procrastinação com recompensas pequenas

    Procrastinar é comum, mas tem solução. O segredo está em entender o próprio perfil e usar a neurociência a favor.

    Dicas para vencer a procrastinação:

    • Divida grandes tarefas em partes menores;
    • Intercale atividades difíceis com pequenas recompensas (como uma pausa ou um café);
    • Crie um plano de ação simples e visualize seu progresso;
    • Comece pelo mínimo viável: poucos minutos já mudam o ritmo mental.

    Se o padrão de adiamento for constante, procure ajuda profissional. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem bons resultados nesse tipo de caso.

    7. Planeje antes de agir e evite o impulso de “fazer logo”

    Um erro comum é agir no impulso, sem planejar. Fazer pausas curtas para definir o que, como e por que fazer algo ajuda a evitar retrabalho e melhora a qualidade do resultado.

    Outros erros apontados pelo médico:

    • Confundir rapidez com produtividade — mais horas não significam melhores resultados;
    • Ignorar corpo e mente — saúde física e mental caminham juntas;
    • Automedicar-se com estimulantes para TDAH sem diagnóstico — pode causar irritabilidade, insônia e queda de desempenho.

    Equilíbrio é o novo conceito de ser produtivo

    A verdadeira produtividade vem de consistência e autocuidado, não de exaustão. Com sono adequado, movimento diário, pausas regulares e atenção à saúde emocional, é possível render mais e viver melhor — sem depender de cafeína ou remédios milagrosos.

    Leia também: Deficiências nutricionais em adultos: aprenda a identificar sinais no dia a dia e prevenir riscos

    Perguntas frequentes sobre produtividade

    1. O que é medicina comportamental?

    É uma área que aplica a ciência do comportamento à saúde e ajuda a transformar orientações médicas em hábitos reais e sustentáveis.

    2. Dormir bem realmente aumenta a produtividade?

    Sim. O sono regula hormônios, melhora a memória, o humor e a capacidade de foco durante o dia.

    3. Preciso ir à academia para me movimentar?

    Não. Atividades simples como caminhar, subir escadas ou dançar já trazem benefícios à disposição e à saúde.

    4. Pausas atrapalham o trabalho?

    Pelo contrário. Pausas curtas melhoram a concentração, previnem dores físicas e mantêm o desempenho constante.

    5. Como vencer a procrastinação?

    Divida as tarefas, celebre pequenas conquistas e, se o padrão persistir, procure ajuda profissional para aprender técnicas eficazes de mudança de comportamento.

    6. Estresse pode diminuir o rendimento?

    Sim. O estresse prejudica foco, memória, atenção e humor. Aprender a gerenciá-lo é essencial para manter o desempenho e o equilíbrio.

    7. Tomar remédios para TDAH sem diagnóstico ajuda na produtividade?

    Não. Pode piorar o desempenho, causar insônia e aumentar a ansiedade. A produtividade saudável depende de equilíbrio, descanso e hábitos sustentáveis.

    Leia mais: Higiene do sono: guia prático para dormir melhor e cuidar da saúde

  • Vitamina B3: o que essa vitamina faz pelo seu corpo 

    Vitamina B3: o que essa vitamina faz pelo seu corpo 

    A vitamina B3, também conhecida como niacina, é bem importante para o organismo. Ela participa da produção de energia, ajuda a manter o sistema nervoso funcionando bem, colabora na regeneração da pele e ainda pode contribuir para equilibrar os níveis de colesterol.

    Presente em alimentos do dia a dia, quando falta vitamina B3, o organismo sente: surgem cansaço, feridas na pele, alterações de humor e até sintomas neurológicos. Por outro lado, manter um bom aporte dessa vitamina é uma forma simples de cuidar da energia, da mente e até da aparência. Venha entender mais.

    O que é a vitamina B3

    A vitamina B3, também chamada de niacina, faz parte do grupo das vitaminas do complexo B e é solúvel em água. No corpo, ela participa da produção de energia, ajuda em reações que regulam o metabolismo de gorduras e colesterol, na reparação das células e ainda é importante para ajudar na proteção contra os radicais livres, que aceleram o envelhecimento celular.

    Por ser solúvel em água, o excesso de niacina é eliminado pela urina, o que torna importante obtê-la regularmente por meio da alimentação.

    Para que serve a vitamina B3

    A niacina realiza várias funções no organismo:

    • Produção de energia: participa do metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas;
    • Saúde da pele e mucosas: auxilia na regeneração celular e protege a pele;
    • Função cerebral e nervosa: contribui para o funcionamento do sistema nervoso;
    • Lipídeos sanguíneos: em doses terapêuticas, pode elevar o HDL (“bom”) e reduzir triglicérides;
    • Ação antioxidante: ajuda no combate ao estresse oxidativo;
    • Suporte hormonal: participa de reações ligadas ao metabolismo energético necessário à síntese de hormônios esteroides.

    Sintomas de deficiência

    Quando não há ingestão suficiente de niacina, pode surgir a pelagra, caracterizada por:

    • Dermatite: lesões cutâneas nas áreas expostas ao sol;
    • Diarreia;
    • Demência (comprometimento cognitivo);
    • Morte, em casos extremos não tratados.

    Outros sinais possíveis incluem:

    • Cansaço e fraqueza;
    • Perda de apetite;
    • Lesões na boca ou na língua;
    • Transtornos digestivos.

    Onde encontrar vitamina B3 (niacina)

    A niacina está presente em muitos alimentos. Boas fontes incluem:

    • Origem animal: carnes magras, frango, fígado, peixes;
    • Cereais integrais;
    • Leguminosas: feijão, lentilha;
    • Sementes e oleaginosas;
    • Levedo de cerveja;
    • Produtos enriquecidos/fortificados.

    Quanto consumir por dia

    As recomendações variam conforme idade, sexo e condição (gestantes, lactantes). Em adultos saudáveis, uma referência comum é 14 a 16 mg NE (Niacina Equivalente) por dia. Como a vitamina não é armazenada de forma significativa, o consumo regular é importante.

    Suplementação: quando é indicada

    A suplementação pode ser considerada em situações como:

    • Dietas restritas ou com baixa ingestão de proteína;
    • Condições que prejudicam a absorção intestinal;
    • Tratamento de dislipidemias, sob orientação médica e em doses específicas;
    • Deficiências documentadas.

    Lembre-se: doses altas de niacina podem causar rubor, coceira e até impacto hepático — por isso, sempre use sob supervisão profissional.

    Cuidados e curiosidades

    • Em doses terapêuticas (para colesterol), a niacina pode provocar rubor e calor facial como efeito colateral;
    • Nas doses alimentares, é considerada segura e o excesso é eliminado pela urina;
    • É relativamente resistente ao calor e às preparações culinárias comuns.

    Leia também: Vitamina E: importante para proteger células e muito mais

    Perguntas frequentes sobre vitamina B3

    1. Niacina e vitamina B3 são a mesma coisa?

    Sim. Niacina é o nome técnico mais usado; vitamina B3 é o termo comum.

    2. Tomar niacina ajuda no colesterol “bom”?

    Em doses terapêuticas, pode elevar o HDL e reduzir triglicérides, mas deve ser feita apenas com orientação médica.

    3. A deficiência de niacina é frequente?

    É rara em países com boa disponibilidade de alimentos, mas pode ocorrer em dietas restritas ou em casos de má absorção.

    4. Niacina pode causar efeito indesejado?

    Sim. Doses elevadas podem causar rubor, coceira e desconforto gástrico, além de possíveis efeitos hepáticos.

    5. Vegetarianos conseguem niacina suficiente?

    Sim, desde que incluam boas fontes vegetais (leguminosas, grãos integrais), sementes/oleaginosas e alimentos fortificados.

    6. Niacina ajuda em fadiga ou cansaço?

    Contribui para o metabolismo de energia, mas fadiga persistente deve ser investigada por outras causas médicas.

    7. Posso tomar suplemento de vitamina B3 junto com outras vitaminas do complexo B?

    Sim. Muitos suplementos combinam vitaminas do complexo B. Contudo, doses altas de niacina isolada devem ser acompanhadas por profissional de saúde.

    Leia mais: O que acontece no corpo quando falta vitamina A

  • Osteoporose: conheça a doença silenciosa que enfraquece os ossos 

    Osteoporose: conheça a doença silenciosa que enfraquece os ossos 

    A osteoporose é uma das doenças mais comuns entre adultos acima dos 50 anos e uma das principais causas de fraturas em idosos. Embora seja silenciosa, pode trazer consequências sérias — especialmente fraturas em ossos frágeis. O diagnóstico precoce e os hábitos saudáveis são as principais formas de proteger a saúde óssea.

    De acordo com o Ministério da Saúde, a osteoporose é uma das principais causas de morbidade e mortalidade entre idosos no Brasil. Estima-se que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos terão uma fratura relacionada à perda óssea ao longo da vida.

    O que é a osteoporose

    A osteoporose é uma doença sistêmica do esqueleto, caracterizada pela diminuição da massa óssea e pela alteração da estrutura interna dos ossos. Com o tempo, eles se tornam mais frágeis e suscetíveis a fraturas — mesmo em quedas leves ou pequenos impactos.

    As fraturas mais comuns ocorrem na coluna, quadril, punho e úmero (osso do braço).

    Como o osso perde resistência

    A força do osso depende de dois fatores principais:

    • Quantidade de osso: medida pela densitometria óssea, que avalia a densidade mineral óssea (DMO);
    • Qualidade do osso: relacionada à arquitetura interna, capacidade de renovação, equilíbrio entre minerais e colágeno e presença de microlesões.

    A densidade mineral óssea representa cerca de 50% a 70% da força total do osso, mas a qualidade também é determinante para a resistência e a prevenção de fraturas.

    Quando a perda óssea começa

    O esqueleto atinge o pico de massa óssea entre a adolescência e o início da vida adulta. Depois disso, ocorre uma perda natural de densidade. Entre os fatores que aceleram essa perda estão:

    • Genética;
    • Alimentação pobre em cálcio e vitamina D;
    • Sedentarismo;
    • Tabagismo e consumo de álcool;
    • Deficiências hormonais, especialmente após a menopausa.

    Nas mulheres, a perda óssea acelera após a menopausa devido à queda do estrogênio. Já nos idosos, a deficiência de vitamina D e a redução da atividade das células formadoras de osso (osteoblastos) agravam o processo.

    Fatores de risco para osteoporose e fraturas

    • Histórico pessoal de fratura na vida adulta;
    • Fratura em familiar de primeiro grau;
    • Baixo peso (menos de 57 kg) ou IMC abaixo de 19;
    • Uso prolongado de corticoides (mais de três meses);
    • Tabagismo;
    • Idade avançada;
    • Menopausa precoce (antes dos 45 anos);
    • Baixa ingestão de cálcio;
    • Sedentarismo;
    • Consumo excessivo de álcool;
    • Quedas recentes;
    • Doenças que afetam memória, equilíbrio ou visão.

    Tipos de osteoporose

    Osteoporose primária

    • Juvenil: rara, afeta crianças e adolescentes em fase de crescimento;
    • Idiopática: ocorre em adultos jovens sem causa identificável;
    • Senil: associada ao envelhecimento e à menopausa.

    Osteoporose secundária

    Surge em consequência de outras doenças (endócrinas, inflamatórias, reumatológicas) ou do uso prolongado de medicamentos como os corticoides.

    Sintomas e manifestações clínicas

    A osteoporose é chamada de “doença silenciosa” porque raramente causa sintomas antes da primeira fratura. Quando surgem, podem incluir:

    • Dores nas costas;
    • Diminuição da altura;
    • Deformidades na coluna;
    • Dificuldade de locomoção ou perda de equilíbrio.

    Diagnóstico da osteoporose

    O diagnóstico é baseado no histórico clínico, presença de fraturas e resultado da densitometria óssea (DXA), exame padrão que mede a densidade mineral dos ossos.

    Quando fazer a densitometria óssea

    • Mulheres a partir dos 65 anos;
    • Homens a partir dos 70 anos;
    • Adultos com fatores de risco, independentemente da idade;
    • Pessoas que já tiveram fraturas por fragilidade;
    • Pacientes que usam medicamentos que afetam o metabolismo ósseo.

    Além disso, exames laboratoriais podem avaliar níveis de cálcio, vitamina D e hormônios, ajudando a descartar causas secundárias da doença.

    Como prevenir e tratar a osteoporose

    Hábitos de vida

    • Alimentação equilibrada: inclua cálcio (leite, queijos, vegetais verde-escuros) e vitamina D (peixes gordos, alimentos fortificados, exposição solar);
    • Exposição solar segura: sob orientação médica, para manter bons níveis de vitamina D;
    • Atividade física regular: especialmente exercícios com impacto leve e fortalecimento muscular, que aumentam a densidade óssea e reduzem quedas;
    • Evite tabaco e álcool: ambos prejudicam a absorção de cálcio e aceleram a perda óssea;
    • Prevenção de quedas: adapte o ambiente doméstico, use calçados firmes e mantenha a boa iluminação.

    Tratamento médico

    O tratamento varia conforme a gravidade e a presença de fraturas. O médico pode indicar:

    • Suplementação de cálcio e vitamina D;
    • Medicamentos que reduzem a perda óssea ou estimulam a formação de osso novo;
    • Fisioterapia e exercícios supervisionados para fortalecer músculos e melhorar o equilíbrio.

    O objetivo é reduzir o risco de novas fraturas, já que o osso perdido não pode ser totalmente recuperado.

    Leia também: Artrite ou artrose? Conheça as diferenças entre as doenças

    Perguntas frequentes sobre osteoporose

    1. A osteoporose tem cura?

    Não. Mas é possível controlar a doença e reduzir o risco de fraturas com tratamento médico e hábitos saudáveis.

    2. Quando devo começar a me preocupar com a saúde dos ossos?

    Desde cedo. A prevenção deve começar na infância e juventude, com alimentação rica em cálcio e prática de atividades físicas.

    3. Só mulheres têm osteoporose?

    Não. Apesar de mais comum em mulheres, especialmente após a menopausa, os homens também podem desenvolver a doença.

    4. O que a densitometria óssea avalia?

    Ela mede a densidade mineral dos ossos e indica se há perda óssea significativa, auxiliando no diagnóstico precoce da osteoporose.

    5. Tomar sol ajuda na prevenção?

    Sim. A luz solar estimula a produção de vitamina D, essencial para a absorção de cálcio pelos ossos.

    6. Quais alimentos fortalecem os ossos?

    Leite, queijos, iogurte, brócolis, couve, sardinha e castanhas são ricos em cálcio e ajudam a manter a massa óssea.

    7. Exercícios ajudam quem já tem osteoporose?

    Sim. A prática regular fortalece músculos e melhora o equilíbrio, diminuindo o risco de quedas e fraturas.

    Confira: Médico de família e clínico geral: conheça as diferenças

  • Alergia a níquel de bijuterias: por que acontece, como tratar e se tem cura

    Alergia a níquel de bijuterias: por que acontece, como tratar e se tem cura

    Vermelhidão, coceira e pequenas bolhas após usar um brinco novo? Esses sintomas podem parecer estranhos para quem já está acostumado a usar bijuterias, mas são sinais clássicos de alergia a níquel — uma das causas mais comuns de dermatite de contato no mundo.

    O níquel está presente em muitos objetos do dia a dia — de bijuterias a botões, zíperes e até cosméticos. Em pessoas predispostas, o contato repetido com o metal provoca uma reação inflamatória que tende a se tornar crônica, mesmo com pequenas quantidades de exposição.

    Mas afinal, o que fazer? A seguir, a alergista e imunologista Brianna Nicoletti explica como é feito o tratamento, quais alternativas são seguras e como diferenciar a alergia de uma simples irritação.

    O que é o níquel?

    Segundo Brianna, o níquel (ou sulfato de níquel) é um metal resistente, versátil e brilhante, amplamente utilizado em ligas metálicas. É popular por ser barato, durável e aumentar a vida útil de produtos metálicos.

    Ele está presente em uma série de objetos cotidianos:

    • Brincos e piercings metálicos;
    • Correntes, pulseiras e anéis prateados;
    • Fechos de colares e zíperes de roupas;
    • Botões de calça e fivelas de cinto;
    • Relógios e armações de óculos;
    • Cosméticos (sombras, batons, tinturas de cabelo).

    Nos cosméticos, o níquel não é adicionado de propósito: ele surge como impureza de pigmentos metálicos, especialmente em maquiagens com tons dourados, acinzentados ou cintilantes. Mesmo em quantidades mínimas, pode sensibilizar peles predispostas.

    Por que algumas pessoas têm alergia a níquel nas bijuterias?

    A alergia ocorre quando o sistema imunológico reconhece o níquel como uma substância estranha. Os íons do metal penetram nas camadas da pele e se ligam a proteínas locais, desencadeando uma inflamação com vermelhidão, coceira e bolhas.

    Curiosamente, a sensibilidade pode surgir após anos de uso de bijuterias com níquel. Isso acontece porque o corpo cria uma “memória imunológica” — e, a partir daí, mesmo uma exposição mínima é suficiente para causar reação. É por isso que a alergia tende a ser crônica.

    Quais são os sintomas da alergia a níquel?

    Os sintomas da alergia a níquel aparecem geralmente entre 12 e 48 horas após o contato. As áreas mais afetadas são as que têm contato direto com o metal — lóbulo das orelhas, pescoço, dedos e pulsos. Os principais sinais incluem:

    • Coceira intensa e persistente;
    • Vermelhidão e sensação de calor;
    • Descamação e ressecamento da pele;
    • Pequenas bolhas que podem liberar líquido;
    • Crostas ou fissuras em casos crônicos.

    Nos casos prolongados, a pele pode engrossar, escurecer e ficar sensível. Já nas alergias causadas por cosméticos, as lesões podem surgir em locais como pálpebras, rosto, couro cabeludo e mãos.

    Importante: mesmo após remover o acessório, a reação pode persistir por alguns dias até a recuperação completa da pele.

    Como diferenciar alergia a níquel de outras irritações?

    Nem toda vermelhidão causada por bijuteria é uma alergia verdadeira. Às vezes, trata-se apenas de uma irritação mecânica (pelo atrito) ou química (por suor ou produtos de limpeza). Veja as diferenças:

    Tipo de reação Causa Características Duração
    Irritação simples Atrito, suor, produtos químicos Ardência e vermelhidão local Melhora após remover o acessório
    Alergia (dermatite de contato) Reação imunológica ao níquel Coceira, bolhas e inflamação persistente Dura dias ou semanas, mesmo sem o acessório

    Diagnóstico da alergia a níquel

    O diagnóstico é clínico, baseado na história e nas lesões observadas. Para confirmar, o dermatologista pode solicitar o teste de contato (patch test), no qual pequenas quantidades de substâncias alérgicas — incluindo o níquel — são aplicadas nas costas do paciente.

    Após 48 e 72 horas, o médico verifica se houve inflamação na área. O resultado confirma a alergia e orienta medidas de prevenção.

    Como tratar a alergia a níquel

    Ao notar coceira intensa e vermelhidão, o primeiro passo é retirar o acessório e lavar a região com água e sabão neutro. Depois, aplique um hidratante para restaurar a barreira cutânea.

    De acordo com Brianna, o tratamento geralmente inclui pomadas com corticoide por curto período. Em casos mais graves, o dermatologista pode indicar inibidores de calcineurina, curativos de barreira ou antibióticos, se houver infecção.

    Tenho alergia a níquel. O que posso usar?

    O níquel está em muitos acessórios, mas existem alternativas seguras. Prefira peças de aço cirúrgico, titânio, ouro 18k (não folheado) ou prata 925 de boa procedência, certificando-se de que a liga não contenha traços de níquel.

    Nos cosméticos, escolha produtos com selo “nickel-tested” ou “low-nickel”. Prefira fórmulas sem fragrância e com poucos ingredientes, que reduzem o risco de irritação.

    Mantenha a pele hidratada com cremes ricos em ceramidas e evite usar acessórios por longos períodos, especialmente em dias quentes, pois o suor aumenta a liberação do metal.

    Quando procurar ajuda médica urgente

    Procure um médico se houver:

    • Inchaço intenso, dor ou calor no local;
    • Presença de pus ou secreção amarelada;
    • Lesões que não cicatrizam;
    • Coceira que se espalha pelo corpo.

    Esses sinais podem indicar infecção secundária ou outras doenças de pele, como eczema atópico.

    Confira: Será que é urticária? Conheça as características dessa doença

    Alergia a níquel tem cura?

    A alergia ao níquel tende a ser crônica. O tratamento se baseia em evitar a exposição e controlar os sintomas. Em casos específicos, o dermatologista pode considerar estratégias complementares, mas a dessensibilização não é rotina, pois o manejo é preventivo e evitativo.

    “Um alerta prático: se a dermatite aparece em pálpebras ou rosto e você não usa bijuterias, pense em maquiagens, esmaltes e tinturas como fontes ocultas. Leve seus produtos à consulta — isso ajuda no diagnóstico e na escolha de alternativas seguras”, orienta Brianna.

    Perguntas frequentes sobre alergia a níquel

    1. Posso usar bijuterias se aplicar esmalte transparente por cima?

    Passar esmalte sobre brincos, anéis ou pulseiras cria apenas uma barreira temporária. Com o tempo, o atrito e o suor removem a camada, permitindo o contato com o metal novamente. É uma solução paliativa; o ideal é usar metais hipoalergênicos.

    2. É verdade que o suor aumenta a liberação de níquel?

    Sim. O suor contém sais e ácidos que facilitam a liberação de íons de níquel das ligas metálicas, aumentando a chance de reação alérgica. Por isso, evite usar bijuterias durante o calor, ao dormir ou durante atividades físicas.

    3. Como saber se uma bijuteria contém níquel?

    Não é possível identificar visualmente. Algumas lojas informam na embalagem ou site. Outra opção é usar kits de teste para níquel, vendidos em farmácias, que mudam de cor ao entrar em contato com o metal.

    4. O uso de celular ou notebook metálico pode causar alergia?

    Sim, especialmente em pessoas muito sensíveis. O contato prolongado com aparelhos metálicos pode causar dermatite nas mãos ou bochechas. Use capas protetoras e películas para evitar o contato direto.

    5. Quais alimentos contêm níquel e podem piorar a alergia?

    Alguns alimentos possuem altos teores naturais de níquel e, em pessoas sensíveis, podem agravar os sintomas. Entre eles:

    • Chocolate e cacau;
    • Nozes, amêndoas e castanhas;
    • Feijão, lentilha e ervilha;
    • Aveia e trigo integral;
    • Espinafre e couve;
    • Chá preto e café instantâneo.

    Esses alimentos não causam alergia em todas as pessoas, mas quem tem dermatite sistêmica por níquel pode precisar restringi-los sob orientação médica.

    Leia também: Alergia à poeira doméstica: por que acontece e como aliviar os sintomas?

  • Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Aliado ao acompanhamento médico, o controle da pressão alta envolve diversas mudanças consistentes no estilo de vida. A alimentação é uma das principais, já que os alimentos têm impacto direto sobre a circulação, o funcionamento do coração e o equilíbrio dos minerais no corpo — em especial, o potássio.

    O mineral, que está presente em grande concentração dentro das células, atua na regulação da pressão arterial ao equilibrar os efeitos do sódio, sendo especialmente importante na dieta de quem convive com a hipertensão. Mas afinal, onde podemos encontrá-lo? Entenda mais, a seguir.

    O que é pressão alta e por que ela é perigosa?

    A pressão alta é uma condição crônica em que os níveis de pressão do sangue nas artérias ficam acima do normal — iguais ou maiores que 140/90 mmHg (14 por 9). Isso significa que o sangue está circulando com mais força do que deveria, o que faz o coração trabalhar mais para bombear o sangue.

    Com o tempo, o esforço constante pode causar danos ao coração, rins, cérebro e olhos, aumentando o risco de AVC, infarto do miocárdio, insuficiência renal e aneurisma arterial.

    O problema é que, na maioria dos casos, a hipertensão não apresenta sintomas e, quando eles surgem, costumam ser inespecíficos — como dor de cabeça, tontura e falta de ar —, o que atrasa o diagnóstico.

    Qual a relação entre potássio e pressão alta?

    O potássio é um mineral essencial encontrado em praticamente todas as células do corpo. Ele participa de funções vitais como o equilíbrio de líquidos, o funcionamento dos músculos e a condução dos impulsos elétricos que fazem o coração bater.

    No caso da pressão alta, a cardiologista Juliana Soares explica que, em uma interação conjunta com o sódio, o potássio atua no equilíbrio da quantidade de líquidos no corpo, influenciando o volume de sangue e, consequentemente, o controle da pressão arterial.

    Além disso, o potássio atua diretamente no relaxamento das paredes dos vasos sanguíneos — processo chamado de vasodilatação —, que melhora o fluxo do sangue e contribui para a redução da pressão arterial.

    Assim, uma dieta rica em alimentos com potássio pode ajudar a manter a pressão sob controle e proteger a saúde do coração. O consumo frequente de frutas, verduras, legumes e leguminosas contribui para níveis adequados do mineral no organismo, promovendo o relaxamento dos vasos e auxiliando na eliminação do excesso de sódio.

    Potássio e sódio precisam estar em equilíbrio

    O bom funcionamento do organismo e a manutenção da pressão arterial dependem, em grande parte, do equilíbrio entre o sódio e o potássio — dois minerais que atuam de forma complementar.

    O sódio é importante para a regulação dos líquidos dentro e fora das células, a transmissão dos impulsos nervosos e a contração muscular, além de manter o volume sanguíneo. No entanto, quando consumido em excesso, ele provoca acúmulo de líquidos, aumentando o volume circulante e a pressão dentro das artérias.

    O potássio, por outro lado, atua de forma inversa, ajudando o corpo a eliminar o excesso de sódio pela urina e reduzindo a retenção de líquidos. Quando os dois estão em quantidades adequadas, o corpo mantém o equilíbrio ideal entre os líquidos, garantindo que o sangue circule com fluidez e sem sobrecarregar o coração.

    Esse equilíbrio também é essencial para o funcionamento dos músculos e dos nervos, já que a comunicação entre as células depende da troca controlada de sódio e potássio.

    Alimentos ricos em potássio que ajudam a controlar a pressão alta

    Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada é suficiente para atender às necessidades diárias de potássio, de acordo com Juliana. Entre as principais fontes do mineral estão:

    • Frutas: banana (principal fonte popular, com cerca de 450 mg por unidade média), abacate, goiaba, laranja e suco natural de laranja, melão, melancia, damasco, kiwi, manga e suco de ameixa;
    • Verduras e legumes: batata e batata-doce cozidas, espinafre, acelga, beterraba e folhas de beterraba, abóbora, feijão, ervilha, lentilha, inhame, cará e quiabo;
    • Laticínios e proteínas: leite, iogurte natural, kefir, peixes (truta, atum, salmão), frango, carne magra, feijão, grão-de-bico e tempeh (soja fermentada).

    Quanto de potássio é necessário por dia?

    A quantidade ideal de potássio varia conforme a idade, o peso e o estado de saúde de cada pessoa, mas o recomendado é ingerir cerca de 4,7 g por dia, especialmente para quem tem hipertensão arterial.

    Em geral, uma dieta variada, rica em frutas, verduras e leguminosas, é suficiente para alcançar esse valor. Não é necessário o uso de suplementos, a menos que haja indicação médica específica — por exemplo, em casos de perda excessiva de potássio por diarreia, vômitos ou uso de certos medicamentos diuréticos.

    O que acontece no corpo quando há falta de potássio?

    Como o potássio é essencial para o funcionamento dos tecidos do corpo, a deficiência do mineral — chamada de hipocalemia — pode afetar diversas funções. O coração, os músculos e o sistema nervoso são os mais prejudicados, pois dependem diretamente do equilíbrio desse mineral.

    De acordo com Juliana, quando o potássio está em níveis baixos, podem surgir sintomas como:

    • Batimentos cardíacos irregulares (arritmia);
    • Palpitações;
    • Fraqueza muscular;
    • Câimbras;
    • Espasmos musculares.

    Em casos mais graves, a hipocalemia pode causar paralisia muscular, dor abdominal, constipação intestinal e sensação de cansaço constante.

    E em excesso, potássio faz mal?

    Em excesso, o potássio também pode representar riscos à saúde. A hipercalemia, como é conhecido o aumento exagerado do mineral no sangue, pode causar irregularidade nos batimentos cardíacos, fraqueza e, em casos graves, parada cardíaca.

    O quadro geralmente ocorre em pessoas que fazem uso de medicamentos que interferem na excreção do potássio, como alguns diuréticos, ou que têm doenças renais, já que os rins são responsáveis por eliminar o excesso do mineral.

    Pode usar sal sem sódio tomando poupador de potássio?

    Os poupadores de potássio são diuréticos usados para eliminar o excesso de líquido e sódio do corpo sem reduzir os níveis de potássio. Eles são indicados para tratar hipertensão e insuficiência cardíaca, entre outras condições.

    Segundo Juliana, quem faz uso desse tipo de medicamento não deve consumir sal sem sódio (como o sal light), pois ele contém alta concentração de potássio — e a combinação pode causar hipercalemia.

    Além disso, os sais sem sódio podem ser perigosos para quem tem doença renal, já que o organismo tem dificuldade em eliminar o excesso do mineral, o que pode levar ao acúmulo no sangue e complicações cardíacas.

    Confira: Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    Perguntas frequentes sobre potássio e pressão arterial

    1. É melhor consumir potássio por meio de suplementos ou alimentos?

    Na maioria dos casos, o ideal é obter potássio por meio da alimentação. Os alimentos naturais contêm quantidades equilibradas do mineral, além de fibras, vitaminas e antioxidantes que auxiliam na absorção e aproveitamento pelo corpo. A suplementação deve ser feita apenas com orientação médica, pois o excesso pode causar hipercalemia — condição perigosa que afeta o coração.

    2. Quem tem problema nos rins pode consumir potássio normalmente?

    Pessoas com doença renal crônica precisam ter muito cuidado com o consumo de potássio, pois seus rins não conseguem eliminar o excesso adequadamente. Isso pode levar à hipercalemia, condição grave que afeta o coração. Nesses casos, é essencial seguir uma dieta controlada por um médico ou nutricionista, ajustando o consumo conforme os exames laboratoriais.

    3. Existe relação entre potássio e frequência cardíaca?

    Sim. O potássio é fundamental para a transmissão dos impulsos elétricos que coordenam os batimentos do coração. Quando há desequilíbrio — por falta ou excesso —, o coração pode bater de forma irregular, causando arritmias, palpitações e, em casos graves, parada cardíaca.

    4. Como saber se meu consumo de potássio está adequado?

    A melhor forma de avaliar o consumo de potássio é por meio de consulta médica e exames laboratoriais. O exame de sangue que mede o nível de potássio sérico é o principal indicador, e os resultados devem ser interpretados pelo profissional de saúde.

    5. O que causa pressão alta?

    De acordo com o Ministério da Saúde, a pressão alta é herdada dos pais em cerca de 90% dos casos. No entanto, fatores como excesso de sal, sobrepeso, sedentarismo, estresse, tabagismo e consumo exagerado de álcool são determinantes. Algumas doenças, como o diabetes e os distúrbios renais, também podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão.

    6. Como faço para medir a pressão em casa?

    Para medir a pressão em casa, use um aparelho digital validado (de braço, preferencialmente) e siga estas orientações:

    • Sente-se em ambiente calmo e repouse por pelo menos cinco minutos;
    • Mantenha os pés apoiados no chão e o braço na altura do coração;
    • Evite conversar, cruzar as pernas ou medir logo após comer, beber café ou fazer esforço físico;
    • Realize duas ou três medições com um minuto de intervalo entre elas e anote os valores para mostrar ao médico.

    O ideal é medir a pressão sempre nos mesmos horários, como pela manhã (antes do café e da medicação) e à noite (antes de dormir, após alguns minutos de repouso e em ambiente tranquilo).

    Confira: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

  • Vitamina B2: o que é, para que serve e onde encontrar 

    Vitamina B2: o que é, para que serve e onde encontrar 

    Pouco lembrada fora dos livros de biologia, a vitamina B2, também conhecida como riboflavina, é uma daquelas vitaminas muito importantes para o funcionamento do corpo. Ela age em processos fundamentais, como a produção de energia, o metabolismo das gorduras e proteínas e na proteção das células contra o estresse oxidativo.

    A deficiência de vitamina B2 é rara, mas quando acontece pode causar incômodos que vão de lábios rachados a sensação de cansaço constante. Já o consumo adequado favorece pele, olhos e sistema nervoso mais saudáveis. Entender onde encontrá-la e por que ela é tão importante é o primeiro passo para manter o equilíbrio do organismo.

    O que é a vitamina B2

    A vitamina B2, também chamada de riboflavina, faz parte do complexo B e tem papel essencial na produção de energia. Ela ajuda o corpo a transformar carboidratos, proteínas e gorduras em combustível — tudo aquilo que mantém você acordado, ativo e com o metabolismo funcionando bem.

    Por ser hidrossolúvel (dissolve-se em água), a B2 não fica estocada no organismo. O corpo usa o que precisa e elimina o excesso pela urina. Por isso, é importante garantir a quantidade correta da vitamina diariamente pela alimentação.

    Para que serve a vitamina B2

    A riboflavina participa de diversas funções importantes, muitas ligadas à energia e à proteção das células:

    • Produz energia: participa da quebra dos alimentos e da conversão em combustível para as células;
    • Protege as células: tem ação antioxidante, combatendo radicais livres e o envelhecimento precoce;
    • Cuida da pele, olhos e boca: contribui para a saúde da pele, das mucosas (lábios e língua) e da visão;
    • Dá suporte a outras vitaminas: auxilia na ativação de outras vitaminas do complexo B e do ferro;
    • Auxilia no crescimento e regeneração: é importante na formação de tecidos novos.

    Sem vitamina B2, o corpo até tenta funcionar, mas é como um carro com o tanque na reserva.

    Sintomas de deficiência

    Quando a vitamina B2 está em falta, o corpo costuma dar sinais específicos:

    • Rachaduras nos cantos da boca;
    • Língua vermelha e dolorida;
    • Pele seca e descamando;
    • Irritação nos olhos e sensibilidade à luz;
    • Fadiga e cansaço fácil;
    • Em casos mais graves, anemia e problemas de visão.

    Essa deficiência tem até nome: ariboflavinose, que em geral vem acompanhada de falta de outras vitaminas do complexo B.

    Fontes de vitamina B2 (riboflavina)

    A vitamina B2 está presente em diversos alimentos, muitos deles fáceis de incluir no dia a dia.

    Fontes de origem animal

    • Fígado e outras vísceras;
    • Leite, queijos e iogurte;
    • Ovos;
    • Peixes como salmão e truta;
    • Carnes em geral.

    Fontes de origem vegetal

    • Verduras verde-escuras (espinafre, couve, agrião);
    • Leguminosas (soja, ervilha, lentilha);
    • Cogumelos;
    • Amêndoas e sementes de girassol;
    • Cereais integrais e levedo de cerveja.

    Quanto consumir por dia

    A necessidade diária de vitamina B2 depende da idade e da fase da vida. Em geral, adultos precisam de 1,1 a 1,3 mg/dia, podendo aumentar em gestantes e lactantes.

    Como o corpo não armazena riboflavina, o ideal é consumir um pouco todos os dias — pela comida ou, em casos especiais, por suplementos. Em geral, uma alimentação equilibrada já supre a necessidade diária.

    Quando a suplementação é indicada

    Nem todo mundo precisa de suplemento de B2, mas ele pode ser indicado quando há:

    • Dietas muito restritas;
    • Doenças intestinais que dificultam a absorção;
    • Gravidez, lactação ou crescimento acelerado;
    • Uso de medicamentos que aumentam a eliminação da vitamina.

    Mesmo sendo uma vitamina segura, não se automedique. Converse com um médico ou nutricionista para avaliar a real necessidade.

    Leia mais: Vitamina B12: o que é, para que serve e como identificar carência ou excesso

    Perguntas frequentes sobre vitamina B2

    1. O que é vitamina B2 e para que serve?

    É uma vitamina do complexo B que ajuda o corpo a produzir energia, proteger as células e manter pele, olhos e boca saudáveis.

    2. Onde encontrar vitamina B2?

    Principalmente em carnes, leite, ovos, verduras verde-escuras, amêndoas, cogumelos e cereais integrais.

    3. O que acontece se eu tiver deficiência de B2?

    Podem surgir rachaduras nos lábios, inflamação na língua, irritação nos olhos e cansaço.

    4. Vegetarianos precisam se preocupar?

    Sim, mas é possível atingir as necessidades com boas fontes vegetais (leguminosas e vegetais verde-escuros) e alimentos fortificados.

    5. Posso tomar suplementos de B2 por conta própria?

    O ideal é não. Suplementar sem necessidade não traz benefício. Sempre consulte um profissional de saúde.

    6. Por que o xixi fica amarelo quando tomo vitamina B?

    Porque a B2 tem essa coloração e pigmenta a urina. É normal.

    Confira: O que acontece no corpo quando falta vitamina A

  • Amenorreia: quando a menstruação não vem 

    Amenorreia: quando a menstruação não vem 

    Quando a menstruação atrasa ou deixa de vir por meses, o corpo está enviando um sinal de que algo não está funcionando como deveria. A amenorreia, nome dado à ausência de menstruação, pode ser um fenômeno natural — como na gravidez, amamentação ou menopausa —, mas também pode indicar alterações hormonais ou anatômicas que precisam ser investigadas.

    Embora afete uma parcela pequena das mulheres em idade fértil, a amenorreia merece atenção. Ela não é uma doença em si, mas um sintoma de que há algo interferindo no eixo hormonal que liga o cérebro, os ovários e o útero. Entender as causas e buscar avaliação médica são medidas importantes para proteger a saúde reprodutiva.

    Como o ciclo menstrual funciona

    A menstruação depende de um delicado sistema de comunicação entre o cérebro, os ovários e o útero:

    • O hipotálamo e a hipófise, no cérebro, produzem hormônios que estimulam os ovários;
    • Os ovários liberam estrogênio e progesterona, que preparam o útero para uma possível gravidez;
    • Quando não há fecundação, o endométrio se descama e ocorre a menstruação.

    Se uma dessas etapas é interrompida — por questões hormonais, anatômicas, metabólicas ou emocionais —, a menstruação pode cessar, caracterizando a amenorreia.

    Tipos de amenorreia

    Amenorreia primária

    É considerada quando a menina nunca menstruou e deve ser investigada se a menstruação não ocorrer até os 15 anos, mesmo com outros sinais da puberdade, ou até os 13 anos, se não houver nenhum sinal de desenvolvimento.

    Amenorreia secundária

    Ocorre quando a mulher já menstruou, mas o ciclo parou por três meses ou mais. Também pode ser considerada quando há menos de nove menstruações por ano.

    Em ambos os casos, é essencial procurar um ginecologista para identificar a causa e definir o tratamento adequado.

    Principais causas

    A amenorreia pode ter múltiplas origens — hormonais, genéticas, anatômicas ou até emocionais. Entre as principais causas estão:

    1. Distúrbios do hipotálamo

    • Transtornos alimentares (como anorexia ou restrições severas);
    • Disfunção hipotalâmica funcional;
    • Deficiência de gonadotrofinas (ex.: síndrome de Kallmann);
    • Presença de tumores na região.

    2. Alterações da hipófise

    • Excesso de prolactina (hiperprolactinemia), causado por tumores, uso de medicamentos ou doenças autoimunes.

    3. Problemas nos ovários

    • Insuficiência ovariana prematura (falência dos ovários antes dos 40 anos);
    • Causas genéticas, autoimunes, cirúrgicas ou decorrentes de quimio/radioterapia.

    4. Alterações genéticas e anatômicas

    • Ausência de útero, estenose cervical, hímen imperfurado ou obstruções vaginais;
    • Síndrome de Turner e outras condições genéticas que afetam os ovários.

    5. Distúrbios endocrinológicos

    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Doenças da tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo);
    • Doença de Cushing (excesso de cortisol).

    6. Outros fatores comuns

    • Estresse físico ou emocional intenso;
    • Prática excessiva de exercícios (comum em atletas e bailarinas);
    • Uso de medicamentos que interferem na produção hormonal.

    Diagnóstico de amenorreia

    O primeiro passo é descartar causas naturais, como gravidez. Depois, o ginecologista investiga outras possíveis origens por meio de exames e histórico clínico.

    1. Avaliação clínica

    • Histórico menstrual e idade de início da puberdade;
    • Desenvolvimento de mamas e pelos;
    • Peso, altura e hábitos alimentares;
    • Sinais de menopausa precoce (calorões, secura vaginal);
    • Frequência de exercícios físicos;
    • Uso de medicamentos e histórico de doenças.

    2. Exames complementares

    • Ultrassom pélvico: avalia útero e ovários;
    • Exames de sangue: dosagem de FSH, LH, prolactina, TSH e estradiol;
    • Cariótipo genético: em casos suspeitos de alterações cromossômicas.

    Com base nos resultados, o médico identifica em qual parte do sistema reprodutivo está a falha — se é no cérebro, nos ovários, no útero ou na hipófise — e define o tratamento.

    Tratamento

    O tratamento da amenorreia depende totalmente da causa identificada:

    • Alterações de estilo de vida: reequilíbrio alimentar, redução do estresse e ajuste na rotina de exercícios;
    • Distúrbios hormonais: uso de medicamentos que regulam a produção de hormônios (como para hiperprolactinemia ou disfunções da tireoide);
    • Síndrome dos ovários policísticos: controle hormonal e acompanhamento clínico;
    • Malformações anatômicas: tratamento cirúrgico quando necessário;
    • Deficiência de estrogênio: reposição hormonal para proteger ossos e coração.

    Em todos os casos, o acompanhamento ginecológico é essencial. Ignorar a ausência de menstruação pode trazer riscos à fertilidade, à densidade óssea e à saúde cardiovascular.

    Veja mais: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre amenorreia

    1. Amenorreia é uma doença?

    Não. É um sintoma que indica que algo está alterando o equilíbrio hormonal ou anatômico do sistema reprodutivo.

    2. Toda ausência de menstruação é preocupante?

    Nem sempre. Pode ser natural (como na gravidez, amamentação ou menopausa), mas deve ser avaliada se durar mais de três meses sem causa aparente.

    3. Amenorreia causa infertilidade?

    Pode estar associada à dificuldade para engravidar, dependendo da causa. Mas, com tratamento adequado, muitos casos são reversíveis.

    4. O estresse pode parar a menstruação?

    Sim. O estresse afeta o hipotálamo, parte do cérebro que regula os hormônios do ciclo menstrual.

    5. Amenorreia tem tratamento?

    Sim. O tratamento é direcionado à causa — desde mudanças de hábitos até medicamentos ou reposição hormonal.

    6. Quem faz muito exercício pode parar de menstruar?

    Sim. Exercícios intensos, especialmente combinados com baixo peso corporal, podem interromper o ciclo.

    7. Quando devo procurar o ginecologista?

    Se a menstruação não vem há três meses (em quem já menstruava) ou se nunca ocorreu até os 15 anos, é hora de investigar.

    Leia também: Adenomiose: o que é, sintomas, causas e tratamento

  • Esclerose múltipla: entenda a doença em que o corpo ataca o sistema nervoso

    Esclerose múltipla: entenda a doença em que o corpo ataca o sistema nervoso

    Por afetar diretamente o sistema nervoso central, responsável por funções como equilíbrio, movimento e visão, a esclerose múltipla pode se manifestar de muitas formas e, por isso, o diagnóstico nem sempre é imediato. Hoje, com os avanços na medicina, é possível viver bem com a doença, desde que o tratamento seja iniciado precocemente e mantido de forma contínua.

    Estima-se que mais de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo convivam com esclerose múltipla. A maioria dos diagnósticos ocorre entre os 20 e 50 anos, fase em que as pessoas estão ativas profissionalmente e socialmente.

    Por isso, o acompanhamento médico especializado é fundamental para reduzir o impacto da doença e preservar a qualidade de vida. Entenda mais a seguir.

    O que é esclerose múltipla

    A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, ou seja, o cérebro e a medula espinhal. Nessa condição, o próprio sistema imunológico, que deveria proteger o corpo, ataca por engano as estruturas nervosas.

    O principal alvo da doença é a mielina, uma substância que funciona como uma capa protetora dos nervos. Ela ajuda a transmitir os sinais elétricos de forma rápida e precisa. Quando ocorre inflamação e destruição dessa capa (processo chamado desmielinização), os sinais nervosos ficam lentos ou não chegam corretamente, o que causa sintomas neurológicos variados.

    Com o tempo, podem surgir cicatrizes no tecido nervoso (gliose) e perda de neurônios, o que contribui para a progressão da doença e para possíveis limitações motoras e cognitivas.

    Quem pode ter esclerose múltipla

    A esclerose múltipla geralmente é diagnosticada entre os 20 e 50 anos de idade e é duas a três vezes mais comum em mulheres. É considerada a segunda principal causa de incapacidade neurológica em adultos jovens, ficando atrás apenas de traumas cerebrais ou de medula.

    Por que a esclerose múltipla acontece

    A causa exata da esclerose múltipla ainda não é totalmente conhecida, mas a ciência acredita que a doença surja da combinação entre fatores genéticos e ambientais.

    Os principais fatores de risco são:

    • Histórico familiar de esclerose múltipla;
    • Infecção anterior pelo vírus Epstein-Barr;
    • Baixos níveis de vitamina D e pouca exposição ao sol;
    • Tabagismo;
    • Obesidade durante a adolescência ou juventude.

    O que acontece no corpo

    Na esclerose múltipla, as células de defesa, especialmente linfócitos T e B, passam a reconhecer a mielina como um inimigo. Esse ataque causa:

    • Inflamação no sistema nervoso;
    • Destruição da mielina e das células que a produzem;
    • Formação de placas de lesão no cérebro e na medula espinhal;
    • Danos aos “fios” dos nervos (axônios), que podem levar à incapacidade progressiva.

    Sintomas da esclerose múltipla

    Os sintomas variam muito entre as pessoas. Eles podem aparecer de forma súbita, em surtos, ou se desenvolver lentamente ao longo do tempo.

    Os sinais mais comuns incluem:

    • Fraqueza muscular;
    • Alterações na visão, como visão dupla ou perda de visão em um olho;
    • Tremores, desequilíbrio e falta de coordenação;
    • Formigamento ou perda de sensibilidade;
    • Fadiga intensa;
    • Problemas urinários e intestinais;
    • Alterações cognitivas, como de atenção, memória e raciocínio;
    • Depressão e ansiedade;
    • Rigidez muscular;
    • Neurite óptica (inflamação do nervo do olho).

    Tipos de esclerose múltipla

    A doença pode se manifestar de diferentes formas clínicas:

    • Esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR): é a forma mais comum, presente em cerca de 85% dos casos. Os sintomas aparecem em crises (surtos), seguidas de períodos de melhora parcial ou total;
    • Esclerose múltipla progressiva secundária (EMSP): começa como EMRR, mas evolui para uma piora contínua, mesmo sem crises definidas;
    • Esclerose múltipla progressiva primária (EMPP): desde o início apresenta progressão lenta e constante, sem períodos de melhora. É menos comum;
    • Esclerose múltipla progressiva-recorrente: forma rara em que há progressão contínua, mas também surgem surtos ocasionais.

    Diagnóstico da esclerose múltipla

    Não há um único exame que confirme o diagnóstico. O médico faz a avaliação com base em histórico clínico, sintomas e exames complementares, como:

    • Ressonância magnética: exame mais sensível para detectar a EM, identifica lesões típicas no cérebro e na medula. O uso de contraste ajuda a diferenciar lesões novas e antigas;
    • Análise do líquor (líquido da coluna): coleta de uma pequena amostra do líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal para verificar proteínas e células que indiquem inflamação típica da EM;
    • Testes de potenciais evocados: avaliam se a transmissão dos sinais nervosos está mais lenta do que o normal.

    Tratamento da esclerose múltipla

    Ainda não existe cura para a esclerose múltipla, mas os tratamentos atuais conseguem controlar os surtos e retardar a progressão da doença, o que traz mais qualidade de vida.

    As abordagens incluem:

    • Controle das crises agudas (surtos): uso de corticoides para reduzir a inflamação;
    • Tratamentos modificadores da doença: medicamentos (injeções, comprimidos ou infusões) que reduzem a atividade inflamatória e retardam o avanço da EM;
    • Tratamento dos sintomas: fisioterapia, fonoaudiologia e uso de medicamentos específicos para fadiga, dor, rigidez muscular e alterações urinárias ou intestinais.

    O acompanhamento deve ser feito com uma equipe multidisciplinar, incluindo neurologista, fisioterapeuta e psicólogo, entre outros profissionais.

    Confira: Vitamina B1 (tiamina): energia para o corpo e alerta para a memória

    Perguntas frequentes sobre esclerose múltipla

    1. A esclerose múltipla tem cura?

    Ainda não. No entanto, há tratamentos eficazes que controlam os surtos, reduzem inflamações e retardam o avanço da doença.

    2. A esclerose múltipla é hereditária?

    Não é diretamente hereditária, mas pessoas com histórico familiar têm risco maior de desenvolver a doença.

    3. A esclerose múltipla causa morte?

    Não costuma ser fatal, mas pode causar limitações físicas e cognitivas ao longo dos anos se não for tratada adequadamente.

    4. A vitamina D ajuda no tratamento?

    Níveis adequados de vitamina D parecem ter efeito protetor e podem ser recomendados como parte do acompanhamento médico.

    5. Quem tem esclerose múltipla pode engravidar?

    Sim. Mulheres com esclerose múltipla podem engravidar, mas o tratamento deve ser ajustado sob orientação médica antes da concepção.

    6. Esclerose múltipla tem relação com o estresse?

    O estresse não causa a doença, mas pode desencadear ou agravar surtos em quem já tem diagnóstico.

    7. Quais são os primeiros sinais da esclerose múltipla?

    Alterações na visão, formigamento, fraqueza muscular e fadiga intensa são sintomas iniciais comuns que merecem investigação médica.

    Leia também: Tontura: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum

  • Pneumonia silenciosa em crianças: conheça as características da doença

    Pneumonia silenciosa em crianças: conheça as características da doença

    A pneumonia é uma infecção nos pulmões que causa inflamação nos alvéolos, que podem se encher de líquido ou pus e dificultar a respiração. Ela costuma causar sintomas clássicos, como tosse intensa, febre alta, calafrios e dor no peito — sendo a maior causa infecciosa de morte em crianças em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

    No entanto, existem algumas situações em que a doença evolui de forma mais discreta, sem febre ou tosse evidente. Conhecida como pneumonia silenciosa, ela pode passar despercebida, principalmente em crianças, que aparentam apenas um resfriado leve, ficam mais cansadas, sonolentas e com pouco apetite.

    Apesar dos sintomas iniciais leves, a evolução clínica da doença pode ser rápida, levando à piora do quadro em pouco tempo. Por isso, é fundamental que os pais fiquem atentos a qualquer mudança na respiração, no sono ou no comportamento da criança, buscando avaliação médica diante de qualquer sinal de alerta.

    O que é pneumonia silenciosa e por que acontece

    De acordo com a pneumologista pediátrica Juliana Sencini, o termo costuma se referir a casos de pneumonia atípica, normalmente causados por agentes como Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydia pneumoniae, que provocam sintomas mais brandos e de início gradual. Por isso, é comum que a doença passe despercebida, atrasando o diagnóstico e o tratamento.

    Ela ocorre quando bactérias, vírus ou fungos atingem os pulmões e causam inflamação nos alvéolos — pequenas bolsas de ar responsáveis pela troca de oxigênio. Quando isso acontece, o ar tem dificuldade de circular, prejudicando a respiração e a oxigenação do sangue.

    Crianças pequenas, especialmente as menores de 5 anos, são mais vulneráveis porque o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Além disso, nessa faixa etária, elas nem sempre conseguem expressar o que estão sentindo, o que torna o quadro ainda mais difícil de ser notado pelos pais.

    Causas de pneumonia em crianças

    A pneumonia infantil pode ser causada por diferentes agentes infecciosos, como:

    • Bactérias: como Streptococcus pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae e Haemophilus influenzae;
    • Vírus: como o vírus sincicial respiratório (VSR), influenza (gripe) e adenovírus;
    • Fungos: em casos mais raros, especialmente em crianças com imunidade comprometida.

    Outros fatores também aumentam o risco da doença, como baixa imunidade, falta de vacinação, ambientes pouco ventilados e doenças respiratórias prévias — como bronquite e asma.

    Sintomas de pneumonia silenciosa infantil

    Diferente da pneumonia comum, a versão silenciosa não costuma apresentar febre alta nem tosse persistente. Em muitos casos, os pais acreditam que a criança está apenas gripada ou cansada e não procuram um médico.

    Nesse contexto, Juliana aponta alguns sinais para os pais ficarem atentos. Em crianças pequenas, podem surgir sintomas inespecíficos, como:

    • Prostração;
    • Irritabilidade;
    • Choro constante;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Lesões de pele, em alguns casos.

    Em crianças mais velhas, pode surgir febre baixa, tosse esporádica, dor de cabeça e mal-estar. Inclusive, a criança ainda pode estar ativa e sem grande comprometimento no estado geral.

    Pneumonia silenciosa é contagiosa?

    Sim. A pneumonia pode ser contagiosa, principalmente quando causada por vírus ou bactérias que se espalham pelo ar. A transmissão ocorre por meio de gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar.

    Mesmo que a criança apresente sintomas leves, ela pode transmitir a infecção a outros pequenos, familiares e colegas de escola. A melhor forma de reduzir o contágio é manter a vacinação em dia, incentivar a lavagem frequente das mãos e evitar aglomerações em períodos de surtos respiratórios.

    Quando os pais devem suspeitar de pneumonia silenciosa?

    Segundo Juliana, é necessário observar a evolução da criança. Quando os sintomas mencionados anteriormente não melhoram ou demoram muito para regredir, o ideal é procurar avaliação com um pediatra ou pneumologista pediátrico.

    Se houver qualquer sinal de gravidade, procure atendimento de emergência o mais rápido possível. Entre os sintomas, destacam-se:

    • Respiração acelerada ou difícil;
    • Sonolência excessiva;
    • Queda na saturação de oxigênio;
    • Recusa alimentar;
    • Lábios ou unhas arroxeados;
    • Vômitos frequentes;
    • Irritação e choro constante sem motivo aparente.

    Em muitos casos, os sintomas iniciais são leves, mas a evolução pode ser rápida, resultando em piora significativa em pouco tempo.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da pneumonia atípica envolve avaliação clínica e exames complementares. O pediatra escuta o pulmão da criança com o estetoscópio, em busca de ruídos típicos da infecção, como chiados e crepitações.

    Entre os exames mais utilizados, Juliana Sencini destaca a radiografia de tórax, o hemograma e a proteína C reativa, que ajudam a identificar sinais de inflamação e alterações pulmonares. Para uma avaliação mais detalhada, podem ser usados a ultrassonografia ou a tomografia computadorizada, que oferecem imagens mais precisas das estruturas pulmonares.

    Quando há necessidade de identificar o agente causador da infecção, podem ser solicitados exames como cultura de microrganismos, painel de PCR respiratório e sorologias.

    Nem todos os exames precisam ser realizados em todos os casos; a escolha depende da avaliação médica, da gravidade e dos recursos disponíveis.

    Como tratar a pneumonia em crianças?

    O tratamento da pneumonia infantil varia conforme a causa e a gravidade do quadro. Quando a infecção é provocada por bactérias, o médico indica antibióticos específicos, escolhidos de acordo com o agente e a idade da criança.

    Já as pneumonias virais costumam ser tratadas com medidas de suporte, como hidratação adequada, repouso e alimentação leve. Em alguns casos, o médico pode prescrever analgésicos ou antitérmicos para aliviar os sintomas.

    Outros cuidados importantes incluem:

    • Garantir descanso completo para recuperação do corpo;
    • Oferecer bastante líquido para manter a hidratação e eliminar secreções;
    • Priorizar refeições leves e nutritivas;
    • Seguir corretamente as doses e horários dos medicamentos;
    • Manter o ambiente limpo, ventilado e livre de fumaça ou mofo.

    Nos casos mais graves, pode ser necessária internação hospitalar para oxigenoterapia e administração de medicamentos intravenosos.

    Vale ressaltar que mesmo com melhora dos sintomas, o tratamento deve ser seguido até o fim. Interromper o uso de antibióticos antes do prazo indicado pode favorecer a resistência bacteriana e a recorrência da infecção.

    Confira: Pneumonia em crianças: o que causa, sintomas e como tratar

    Existe uma forma de prevenir a pneumonia silenciosa?

    Nas pneumonias atípicas, a transmissão entre pessoas próximas pode acontecer com facilidade. Por isso, observar se alguém do convívio apresentou sintomas respiratórios semelhantes ajuda o pediatra a identificar a origem da infecção e orientar medidas de prevenção.

    A vacinação é o método mais eficaz para prevenir doenças infecciosas, especialmente em crianças. As principais vacinas são a pneumocócica conjugada (VPC) e a Haemophilus influenzae tipo b (Hib), aplicada na vacina Pentavalente, indicadas para menores de 5 anos. No Brasil, o calendário do PNI prevê a aplicação da VPC10 a partir dos 2 meses de idade.

    Além da vacinação, alguns hábitos ajudam a proteger as vias respiratórias e fortalecer o sistema imunológico:

    • Lavar as mãos com frequência;
    • Usar máscara em locais de maior risco, como hospitais;
    • Evitar o tabagismo e a exposição à fumaça;
    • Manter alimentação equilibrada e rica em frutas e vegetais;
    • Garantir ambientes bem ventilados e sem mofo.

    Durante o outono e o inverno, os cuidados devem ser redobrados, pois a circulação de vírus respiratórios aumenta. O acompanhamento pediátrico regular é essencial para detectar precocemente qualquer alteração respiratória.

    Perguntas frequentes sobre pneumonia silenciosa

    1. O que diferencia a pneumonia silenciosa da pneumonia comum?

    A pneumonia silenciosa, ou atípica, tem evolução mais discreta e pode não apresentar febre alta ou tosse intensa. Já a pneumonia comum causa sintomas mais evidentes, como febre, dor no peito, falta de ar e tosse produtiva. Por ser mais sutil, a forma silenciosa tende a ser diagnosticada mais tardiamente, o que pode atrasar o tratamento.

    2. Quando é hora de levar a criança ao hospital?

    Se houver respiração acelerada, dificuldade para respirar, sonolência excessiva, recusa alimentar ou coloração arroxeada nos lábios e unhas, é preciso buscar atendimento imediatamente. Crianças pequenas desidratam rápido e podem piorar em poucas horas.

    3. Quanto tempo dura o tratamento?

    Depende do agente causador e da resposta da criança, mas em geral o uso de antibióticos dura de 7 a 14 dias, enquanto a recuperação completa pode levar até 3 semanas. Nunca interrompa o tratamento antes do tempo indicado.

    4. Como identificar pneumonia silenciosa em bebês?

    Em bebês, a pneumonia silenciosa é difícil de perceber. Os principais sinais são respiração rápida, curta, com o peito afundando entre as costelas ou as narinas abrindo a cada inspiração. Outros sinais incluem recusa alimentar, choro fraco, sonolência e coloração arroxeada nos lábios ou dedos.

    5. O que fazer se a criança piorar durante o tratamento?

    Se houver piora dos sintomas — como respiração mais acelerada, sonolência, febre persistente ou recusa alimentar — procure o hospital imediatamente. Isso pode indicar resistência ao antibiótico, infecção secundária ou acúmulo de secreção. Nunca altere o tratamento sem orientação médica.

    Leia também: 5 testes obrigatórios que devem ser feitos no recém-nascido

  • Deficiência de G6PD: a condição genética que exige cuidado com certos remédios e alimentos

    Deficiência de G6PD: a condição genética que exige cuidado com certos remédios e alimentos

    Pouca gente sabe, mas milhões de brasileiros convivem com uma condição genética que quase nunca dá sinais, até que algo a desperte. A deficiência de G6PD, uma das deficiências enzimáticas mais comuns do mundo, geralmente passa despercebida, mas pode causar reações graves quando a pessoa entra em contato com substâncias específicas.

    Essa alteração hereditária afeta a forma como o organismo protege os glóbulos vermelhos contra o desgaste natural. Quando expostos a certos medicamentos, infecções ou alimentos (como a fava, por exemplo), esses glóbulos podem se romper, causando uma anemia súbita e intensa. Por isso, conhecer a condição e adotar medidas preventivas é fundamental para viver bem e evitar complicações.

    O que é a deficiência de G6PD

    A G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase) é uma enzima presente nos glóbulos vermelhos e tem uma função essencial, que é de proteger as células contra o estresse oxidativo, ou seja, contra danos provocados por radicais livres.

    Quando há deficiência dessa enzima, as hemácias (glóbulos vermelhos) ficam mais frágeis e podem se romper com facilidade — um processo chamado hemólise, que leva à anemia hemolítica.

    Causa tem origem genética e hereditária

    A deficiência de G6PD é uma condição genética hereditária, causada por mutações no gene localizado no cromossomo X. Por esse motivo, ela é mais comum em homens, que possuem apenas um cromossomo X, enquanto as mulheres, por terem dois, costumam apresentar sintomas mais leves ou serem apenas portadoras.

    Embora não tenha cura, é uma condição controlável, desde que a pessoa saiba o que evitar.

    Quando aparecem os sintomas

    Na maioria das vezes, a pessoa com deficiência de G6PD leva uma vida normal e sem sintomas. Os sinais aparecem apenas quando há contato com fatores desencadeantes, como:

    • Uso de certos medicamentos, como antibióticos, alguns analgésicos, antimaláricos;
    • Infecções bacterianas ou virais;
    • Ingestão de favas (leguminosa que pode causar crises);
    • Contato com produtos químicos e corantes específicos.

    Principais manifestações clínicas

    A deficiência pode se manifestar em diferentes formas, dependendo da idade e da exposição ao agente causador.

    1. Icterícia neonatal:

    • Surge nas primeiras 24 horas de vida;
    • Provoca pele e olhos amarelados;
    • Pode exigir fototerapia ou, em casos graves, transfusão de sangue.

    2. Anemia hemolítica aguda:

    • Acontece após contato com um agente desencadeante;
    • Sintomas: palidez, icterícia, urina escura (cor de “coca-cola”), fraqueza e dor abdominal;
    • O baço pode aumentar de tamanho.

    3. Anemia hemolítica crônica não esferocítica (rara):

    • Causa anemia persistente e risco de cálculos biliares;
    • Pode exigir transfusões repetidas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico costuma ser feito ainda no recém-nascido, por meio do teste do pezinho, incluído na triagem neonatal ampliada.

    Quando há suspeita ou resultado alterado, realizam-se exames confirmatórios como:

    • Dosagem enzimática da G6PD (quantitativa);
    • Testes genéticos, que identificam a mutação responsável.

    Esses exames ajudam a definir o grau de deficiência e orientar os cuidados para toda a vida.

    Tratamento e cuidados

    Não há cura para a deficiência de G6PD, mas a condição é facilmente controlável com medidas simples:

    • Evitar medicamentos e substâncias proibidas (a lista deve ser fornecida pelo médico ou geneticista);
    • Tratar infecções rapidamente para prevenir crises;
    • Acompanhamento médico regular para avaliar anemia e icterícia;
    • Transfusão de sangue em casos graves de hemólise.

    Com atenção e informação, é possível levar uma vida saudável e sem limitações.

    Confira: Criptorquidia: o que é, causas, fatores de risco e cirurgia

    Perguntas frequentes sobre deficiência de G6PD

    1. A deficiência de G6PD tem cura?

    Não. É uma condição genética, mas pode ser controlada com medidas preventivas.

    2. Quem tem G6PD pode tomar qualquer remédio?

    Não. Alguns medicamentos são proibidos, pois podem causar hemólise. O ideal é sempre avisar o médico antes de usar qualquer medicação.

    3. O que acontece se uma pessoa com G6PD comer fava?

    O consumo de fava pode provocar uma crise de anemia hemolítica, com icterícia, cansaço intenso e urina escura.

    4. A deficiência de G6PD é rara?

    Não. É uma das deficiências enzimáticas mais comuns do mundo e afeta cerca de 6 milhões de brasileiros.

    5. Como é feito o diagnóstico?

    Por meio do teste do pezinho, seguido de exames laboratoriais específicos para confirmar a deficiência.

    6. Crianças com G6PD precisam de cuidados especiais?

    Sim. Os pais devem ser orientados sobre alimentos e medicamentos proibidos e manter acompanhamento pediátrico regular.

    7. Mulheres também podem ter deficiência de G6PD?

    Sim, embora seja mais comum em homens. Mulheres portadoras podem ter sintomas leves ou nenhum.

    Leia também: 5 testes obrigatórios que devem ser feitos no recém-nascido