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  • Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Sabia que quase 40% da população mundial convive com algum tipo de dor de cabeça? O sintoma costuma surgir em diferentes momentos da rotina, principalmente em fases de estresse ou cansaço físico e mental. Nesses casos, o corpo reage mudando o fluxo de sangue no cérebro, aumentando a tensão muscular e liberando substâncias que intensificam a dor.

    Normalmente, o incômodo não indica nenhum problema de saúde, mas quando ele dura mais de três dias durante o mês e muda de padrão, pode ser necessário investigar alguma condição mais séria. Conversamos com a médica de família e comunidade Gabriela Barreto para entender quando é necessário procurar ajuda médica. Confira!

    O que pode causar dor de cabeça constante?

    A dor de cabeça constante pode ser causada por diferentes fatores, desde alterações benignas até condições de saúde que merecem atenção médica. Em geral, o quadro pode ser causado por:

    Cefaleia primária

    A dor de cabeça primária é aquela que não é causada por outra doença, e não há nenhuma alteração estrutural metabólica, estrutural ou outro fator que a explique. Em episódios frequentes, existem dois tipos principais, sendo eles:

    • Enxaqueca: surge por alterações no funcionamento das vias nervosas e dos vasos sanguíneos do cérebro. Segundo Gabriela, ela causa uma dor pulsátil, moderada a forte, geralmente em um lado da cabeça — e pode vir acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz e ao som, e piorar com esforço físico. Em algumas pessoas, há sinais prévios chamados “aura”, como visão embaçada ou pontos luminosos;
    • Cefaleia de tensão (dor de cabeça tensional): é o tipo mais comum de dor e costuma ser leve a moderada, com sensação de aperto ou pressão ao redor do crânio, como se algo comprimisse a cabeça de maneira contínua. O quadro costuma estar associado a tensão muscular, estresse, noites mal dormidas e má postura, fatores que aumentam a rigidez na musculatura do pescoço.

    “Fatores como estresse emocional, noites mal dormidas, jejum prolongado, excesso de cafeína ou certos alimentos (como chocolates, queijos curados e bebidas alcoólicas) podem desencadear ou piorar crises de dor de cabeça, especialmente em indivíduos predispostos”, complementa Gabriela.

    Cefaleias secundárias

    As dores de cabeça secundárias são aquelas que aparecem por causa de algum fator identificável, isto é, uma condição clínica que provocou o sintoma. Diferentemente das cefaleias primárias, que surgem sem ligação com alguma doença, as secundárias aparecem como consequência de um problema específico do organismo.

    Entre as causas secundárias que podem causar dor de cabeça mais frequente na rotina, é possível destacar:

    • Problemas de visão, como astigmatismo e miopia, ainda mais quando a pessoa realiza atividades que exigem esforço visual prolongado, como leitura, uso de telas ou direção;
    • Sinusites e outras infecções respiratórias, que geram sensação de pressão na testa, nas maçãs do rosto e atrás dos olhos, piorando ao abaixar a cabeça ou ao acordar;
    • Crises de pressão alta, principalmente quando os níveis sobem de maneira abrupta, causando dor intensa na região da nuca ou sensação de peso na cabeça;
    • Desidratação, jejum prolongado e noites de sono ruins, que reduzem o aporte de energia para o cérebro e aumentam a sensibilidade à dor;
    • Traumas na cabeça, mesmo leves, que podem desencadear dor persistente por dias ou semanas e requerem avaliação médica;
    • Doenças neurológicas ou infecções mais graves, como meningite, hemorragias e tumores, que são menos comuns mas precisam ser identificadas rapidamente quando há outros sintomas associados.

    A dor costuma melhorar quando a causa de origem é tratada, fato o que torna o diagnóstico correto importante para a escolha do melhor tratamento.

    Excesso de analgésicos pode piorar a dor de cabeça?

    O uso excessivo de analgésicos comuns, como dipirona, paracetamol ou ibuprofeno, pode levar ao quadro conhecido como cefaleia por uso excessivo de medicação, de acordo com Gabriela, no qual a dor se torna cada vez mais frequente, intensa e difícil de controlar.

    Quando o organismo passa a depender do alívio rápido proporcionado pelo remédio, instala-se um ciclo de melhora momentânea seguida de retorno rápido do incômodo, o que estimula novas doses e aumenta ainda mais a sensibilidade à dor. O ideal, em qualquer situação, é que o analgésico seja usado com moderação.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Gabriela Barreto, alguns sinais podem indicar que a dor está ligada a causas secundárias mais graves, exigindo avaliação rápida. Quando um desses sinais aparece, a orientação é buscar um pronto-atendimento sem demora:

    • Dor de cabeça que surge de forma súbita e muito intensa geralmente descrita como “a pior dor da vida”;
    • Dor que acorda a pessoa durante a noite ou piora progressivamente;
    • Dor após traumatismo craniano;
    • Dor associada a alterações na visão, fala, força ou sensibilidade;
    • Dor acompanhada de vômitos persistentes, febre alta, rigidez no pescoço ou confusão mental;
    • Início após os 50 anos de idade

    “Quando a dor muda de padrão, surge de forma súbita e intensa, ou vem acompanhada de outros sintomas neurológicos, é importante buscar avaliação médica para exclusão de alguma condição mais séria”, aponta Gabriela.

    Como é feita a investigação de dor de cabeça constante?

    A investigação de dor de cabeça constante começa com uma conversa detalhada entre o paciente e o médico. O profissional pergunta quando a dor surgiu, com que frequência aparece, quanto dura, onde dói e se há sintomas associados, como náuseas, tontura ou sensibilidade à luz e ao som. Ele também pode perguntar sobre o uso frequente de analgésicos, que pode agravar o quadro.

    Depois disso, o exame físico ajuda a identificar sinais de tensão muscular, problemas na coluna cervical, alterações neurológicas ou indícios de sinusite. Em muitos casos, a avaliação inicial já é suficiente para definir o tipo de dor e orientar o tratamento.

    De acordo com Gabriela, o uso de exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, é indicado apenas quando há sinais de alerta, mudança no padrão habitual da dor, ou quando há suspeita de causas secundárias.

    Como aliviar a dor de cabeça?

    A melhor forma de aliviar a dor de cabeça depende da causa, mas algumas medidas simples costumam ajudar a reduzir o desconforto no dia a dia, como:

    • Aplicar compressas frias na testa ou na nuca para reduzir a inflamação e aliviar a tensão;
    • Descansar em um ambiente silencioso, arejado e com pouca luz, o que diminui a sensibilidade a estímulos;
    • Beber água ao longo do dia para manter a hidratação e evitar crises relacionadas à desidratação;
    • Fazer refeições regulares, sem longos períodos de jejum, para estabilizar os níveis de energia;
    • Alongar pescoço, ombros e parte superior das costas após muitas horas sentado ou diante de telas;
    • Ajustar a iluminação do ambiente e diminuir o brilho de celulares, computadores e televisões;
    • Realizar pausas frequentes durante atividades que exigem foco visual ou postura fixa;
    • Manter uma rotina de sono regular, com horários definidos para dormir e acordar;
    • Praticar técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação, para reduzir o estresse.

    Em alguns momentos, o uso de analgésicos simples pode ajudar, mas ele deve ser pontual e sempre orientado por um médico, evitando que o quadro piore. Não se automedique!

    Veja mais: Dor de cabeça é sintoma de aneurisma cerebral? Saiba como identificar

    Perguntas frequentes

    O que diferencia a enxaqueca da dor de cabeça comum?

    A enxaqueca é uma condição neurológica, normalmente mais forte e incapacitante, com dor pulsátil que pode durar horas ou dias. Ela costuma vir acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade intensa à luz, aos sons e a cheiros.

    Já a dor de cabeça comum, como a cefaleia de tensão, tende a ser mais leve ou moderada, com sensação de pressão ao redor da cabeça. Enquanto a enxaqueca tem gatilhos específicos e crises recorrentes, a dor de tensão costuma surgir por estresse, postura inadequada e tensão muscular.

    O uso de telas pode causar dor de cabeça?

    O uso prolongado de computadores, celulares e tablets exige esforço visual contínuo e aumenta a tensão nos músculos ao redor dos olhos. Quando a pessoa passa horas sem pausas, com brilho excessivo ou má iluminação, a fadiga ocular aparece, causando dor na testa e nas têmporas.

    Algumas dicas podem ajudar nesses casos, como ajustar a iluminação, reduzir o brilho e fazer pausas a cada 30 a 40 minutos.

    Dor de cabeça pode ter relação com o período menstrual?

    Sim, pois a queda de estrogênio que acontece antes da menstruação pode sensibilizar os vasos sanguíneos e aumentar as chances de enxaqueca. Inclusive, muitas mulheres relatam crises mensais mais fortes e duradouras. Em alguns casos, ajustes hormonais ou estratégias preventivas podem ajudar.

    Dor de cabeça ao acordar é comum?

    Sim, muitas pessoas sentem dor logo ao acordar, e isso pode ocorrer por diferentes motivos, como noites mal dormidas, bruxismo, apneia do sono, postura inadequada ao dormir, desidratação e estresse.

    Quando a dor aparece quase todos os dias ao acordar, é importante investigar problemas respiratórios noturnos ou distúrbios do sono, que têm impacto direto no padrão da dor.

    Beber café pode provocar dor de cabeça?

    A cafeína presente no café é estimulante e, quando consumida em excesso, pode levar à vasoconstrição seguida de vasodilatação, mecanismo que desencadeia a dor de cabeça. Em pessoas que já têm sensibilidade, várias xícaras de café, energéticos ou chás escuros podem piorar o quadro.

    O que pode desencadear uma crise de enxaqueca?

    A enxaqueca pode ser engatilhada por diversos fatores, que variam de pessoa para pessoa. Os mais comuns incluem:

    • Estresse emocional;
    • Noites mal dormidas;
    • Jejum prolongado;
    • Álcool;
    • Certos alimentos;
    • Variações hormonais;
    • Cheiros fortes;
    • Luz intensa;
    • Mudanças climáticas;
    • Uso excessivo de analgésicos.

    Quanto tempo dura uma crise de enxaqueca?

    Uma crise de enxaqueca pode durar horas ou até três dias, dependendo da intensidade, dos gatilhos e do tratamento. Algumas pessoas conseguem interromper a crise no início com medidas simples no dia a dia, mas outras necessitam de medicação específica, indicada por um médico.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

  • Radioterapia: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Radioterapia: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Um dos métodos mais utilizados (e mais antigos) no tratamento do câncer, a radioterapia utiliza radiações ionizantes para destruir células tumorais ou impedir que elas continuem se multiplicando.

    Ela pode ser aplicada em diferentes fases do tratamento, antes ou depois da cirurgia — e também pode ser usada com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da pessoa. Entenda os principais detalhes sobre a terapia, a seguir.

    O que é radioterapia e como funciona?

    A radioterapia é um tipo de tratamento contra o câncer que utiliza radiação em doses controladas para destruir ou impedir o crescimento das células tumorais, atuando diretamente no DNA delas. Ela pode ser indicada sozinha ou em combinação com outras terapias, como cirurgia e quimioterapia, dependendo do tipo e do estágio do tumor.

    A aplicação da radioterapia é feita de forma direcionada, para atingir o tumor com máxima precisão e preservar ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.

    De acordo com o oncologista Thiago Chadid, são aplicados vários feixes mais fracos, de diversos ângulos, apontando para o tumor. Esse é o princípio da radioterapia: criar um alvo 3D, onde os feixes se cruzam e concentram a radiação exatamente no tumor. Com o tempo, o próprio organismo elimina as células alteradas e o tumor reduz ou deixa de crescer.

    As sessões são programadas conforme a necessidade de cada caso e podem acontecer diariamente, ao longo de algumas semanas, seguindo a orientação do médico.

    Para que serve a radioterapia?

    A radioterapia pode ter objetivos diferentes no tratamento, conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e o plano definido pelo médico. Ela pode ser usada de várias formas:

    • Curativa: quando a intenção é eliminar completamente as células cancerígenas e buscar a cura;
    • Adjuvante: aplicada depois da cirurgia, para destruir possíveis células que tenham ficado no local e diminuir a chance de recidiva;
    • Neoadjuvante: utilizada antes da cirurgia, para reduzir o tamanho do tumor e facilitar a remoção cirúrgica;
    • Paliativa: indicada quando o foco é aliviar sintomas causados pelo tumor, como dor, sangramento ou compressão de órgãos, melhorando a qualidade de vida da pessoa.

    Benefícios da radioterapia

    • Destrói as células tumorais diretamente na região afetada;
    • Ajuda a controlar o crescimento do tumor ao longo do tratamento;
    • Pode eliminar completamente o tumor em alguns casos específicos;
    • Reduz o risco de o câncer voltar após a cirurgia;
    • Pode diminuir o tamanho do tumor antes da cirurgia, facilitando a remoção;
    • Pode ser aplicada junto com outros tratamentos, como quimioterapia;
    • Alivia sintomas como dor, sangramento e compressão de órgãos em casos avançados.

    Como é feita a radiação?

    De acordo com a localização do tumor, a radioterapia pode ser feita de duas formas:

    Radioterapia externa

    A radioterapia externa é feita com um aparelho que fica fora do corpo, direcionando o feixe de radiação ao local do tumor. O paciente fica deitado na maca enquanto o equipamento é posicionado exatamente na área a ser tratada.

    Quando a radioterapia é na cabeça e no pescoço, uma máscara rígida é usada para manter a cabeça na mesma posição todos os dias. Em outras regiões, são feitas pequenas marcações na pele com tinta especial para garantir o posicionamento correto ao longo do tratamento.

    As etapas costumam incluir:

    • Consulta médica para definição do plano terapêutico;
    • Simulação e planejamento com exames de imagem;
    • Cálculos de física médica para ajuste da dose;
    • Aplicações diárias conforme o planejamento.

    Durante a aplicação, o paciente permanece sozinho na sala, mas é monitorado pela equipe por meio de câmeras e sistemas de comunicação.

    Braquiterapia

    A braquiterapia é uma forma de radioterapia em que a fonte de radiação é colocada dentro do corpo, próxima ao tumor, por meio de cateteres ou aplicadores. Em alguns casos, é necessária sedação.

    A radiação é aplicada por alguns minutos e, ao final, a fonte retorna ao aparelho. O paciente não permanece radioativo após a sessão e não há risco para outras pessoas.

    As etapas incluem avaliação médica, orientação de enfermagem, possível consulta com anestesista e planejamento no dia do procedimento.

    Quantas sessões de radioterapia são feitas?

    A quantidade de sessões varia conforme o tipo de câncer e a região tratada. O tratamento é fracionado em várias aplicações para reduzir a toxicidade e proteger os tecidos saudáveis.

    Radioterapia pode ser usada junto com quimioterapia?

    Sim. Em muitos casos, a combinação aumenta a eficácia do tratamento, pois a quimioterapia age de forma sistêmica e a radioterapia atua diretamente no tumor.

    Todos os pacientes com câncer fazem radioterapia?

    Não. A indicação depende do tipo de tumor, da localização e da estratégia terapêutica. Alguns tecidos respondem melhor à radiação do que outros, e há regiões do corpo em que a aplicação não é viável.

    Quais os efeitos colaterais da radioterapia?

    • Cansaço;
    • Vermelhidão e irritação da pele;
    • Ressecamento e descamação;
    • Alterações no paladar;
    • Boca seca e dor ao engolir;
    • Náuseas;
    • Alterações intestinais;
    • Desconforto urinário.

    Radioterapia causa queda de cabelo?

    A queda de cabelo depende da área irradiada. Ela ocorre apenas quando o couro cabeludo recebe radiação.

    Como cuidar da pele durante a radioterapia?

    • Aparar pelos com tesoura ou barbeador elétrico;
    • Chegar às sessões com a pele limpa e seca;
    • Usar hidratantes indicados pela equipe;
    • Manter boa hidratação;
    • Evitar fitas adesivas na pele tratada;
    • Tomar banho com água morna e sabonete neutro;
    • Evitar sol, mar e piscina durante o tratamento;
    • Usar roupas confortáveis e folgadas.

    O que acontece depois que o tratamento termina?

    Após o término, o corpo passa por um período de recuperação. Alguns efeitos colaterais podem persistir por semanas, e o acompanhamento médico é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e identificar possíveis efeitos tardios.

    Leia mais: Câncer de pulmão: sintomas, tipos e como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes

    A radioterapia substitui a cirurgia?

    Em alguns casos, sim, mas o planejamento depende do tipo, localização e estágio do tumor.

    A radioterapia enfraquece o corpo?

    Pode causar cansaço, mas a intensidade varia entre os pacientes.

    A radioterapia deixa a pele queimada?

    A pele pode ficar avermelhada e sensível, mas isso costuma melhorar após o tratamento.

    A radioterapia começa a fazer efeito depois de quantos dias?

    Os efeitos começam nas primeiras sessões, mas o resultado completo é progressivo.

    A radioterapia funciona em metástase?

    Sim. Pode ser usada para controle do tumor, alívio de sintomas e melhora da qualidade de vida.

    Confira: Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

  • Vitaminas: por que você não deve suplementar sem acompanhamento médico?

    Vitaminas: por que você não deve suplementar sem acompanhamento médico?

    Mesmo sendo vendidos como naturais, os suplementos vitamínicos são produtos concentrados, formulados para interferir diretamente no funcionamento do organismo — e não estão livres de efeitos colaterais!

    Diferente dos nutrientes obtidos por meio de uma alimentação equilibrada, em que o corpo absorve vitaminas de forma gradual e controlada, os suplementos entregam doses isoladas e, muitas vezes, em quantidades muito acima da ingestão diária recomendada.

    Isso pode causar desequilíbrios no organismo, sobrecarregar fígado e rins e provocar sintomas que nem sempre são associados à suplementação, como náuseas, desconforto intestinal e cansaço frequente.

    Por que vitaminas não são inofensivas?

    As vitaminas são essenciais para o funcionamento do corpo, mas quando usadas em forma de suplemento, elas deixam de agir apenas como nutrientes da alimentação e passam a atuar como substâncias concentradas, capazes de alterar o equilíbrio do organismo.

    Para se ter uma ideia, o corpo foi feito para receber vitaminas aos poucos, por meio dos alimentos. Na suplementação, a dose chega de uma vez e, muitas vezes, em quantidade maior do que o necessário.

    Quando não há deficiência, o excesso pode causar efeitos indesejados, sobrecarregar fígado e rins e causar sintomas como enjoo, dor de cabeça, alterações intestinais, cansaço e até problemas mais sérios, dependendo da vitamina e do tempo de uso.

    Quais vitaminas podem causar problemas quando usadas em excesso?

    De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, as vitaminas que mais oferecem risco são as lipossolúveis, pois ficam armazenadas no organismo e não são eliminadas com facilidade. Nesse grupo entram vitaminas A, D, E e K. O uso contínuo, principalmente em doses altas, aumenta o risco de toxicidade.

    Algumas vitaminas hidrossolúveis, apesar de serem eliminadas pela urina, também causam danos quando consumidas em excesso por longos períodos. Um exemplo comum é a vitamina B6, que pode levar a formigamento, dormência e alterações neurológicas.

    O problema costuma surgir quando a suplementação acontece sem exames, sem indicação clara ou associada a vários produtos ao mesmo tempo, o que facilita o consumo acima do necessário.

    Quais os riscos da hipervitaminose?

    A hipervitaminose consiste no excesso de vitaminas no organismo, normalmente causado pelo uso indiscriminado de suplementos. Os riscos variam conforme a vitamina envolvida, a quantidade ingerida e o tempo de uso, mas podem afetar diferentes sistemas do corpo:

    Intoxicação silenciosa e progressiva

    Em muitos casos, a hipervitaminose se desenvolve aos poucos. Os sintomas iniciais costumam ser leves e inespecíficos, como dor de cabeça, enjoo, fadiga, tontura e alterações intestinais.

    Com o tempo, o excesso se acumula e o quadro se agrava, dificultando a identificação da causa.

    Sobrecarrega dos rins e fígado

    O uso inadequado de suplementos vitamínicos pode sobrecarregar órgãos responsáveis pela metabolização e eliminação dessas substâncias, como fígado e rins.

    Segundo Giovanni, o excesso de vitamina D pode elevar o nível de cálcio no sangue, condição conhecida como hipercalcemia. O desequilíbrio favorece a formação de cálculos renais e pode prejudicar a função dos rins, especialmente em pessoas que já convivem com doenças renais.

    Já a vitamina A, quando consumida em doses altas, está associada à toxicidade sistêmica, com impacto direto no fígado, além de alterações na pele e no sistema nervoso. Durante a gestação, o uso excessivo representa risco elevado para o desenvolvimento do bebê.

    Afeta o coração e a circulação

    A vitamina E, em doses altas, pode aumentar o risco de sangramentos, o que exige atenção em pessoas que utilizam anticoagulantes, antiagregantes plaquetários ou que apresentam doenças cardíacas.

    As interações muitas vezes passam despercebidas, pois o suplemento não é visto como algo que possa interferir em tratamentos em andamento.

    Impacto no sistema nervoso

    Determinadas vitaminas, quando usadas em altas doses por longos períodos, afetam o sistema nervoso. O consumo exagerado de vitamina B6 pode causar formigamento, dormência e perda de sensibilidade, sintomas que podem se tornar persistentes.

    Alterações hormonais e metabólicas

    O excesso de vitamina D, por exemplo, pode aumentar o cálcio no sangue, favorecendo cálculos renais, fraqueza muscular e alterações cardíacas. Já o excesso de vitamina A pode provocar alterações na pele, queda de cabelo e problemas no fígado

    Risco aumentado em gestantes e idosos

    Gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas apresentam maior sensibilidade ao excesso de vitaminas. Durante a gravidez, a hipervitaminose A está associada a risco de malformações fetais, tornando a suplementação sem orientação ainda mais perigosa.

    Minerais em polivitamínicos também merecem cuidado

    Além das vitaminas, muitos suplementos combinam minerais, como ferro, zinco e magnésio. O uso sem critério pode causar efeitos importantes, como desconforto gastrointestinal, sobrecarga renal e desequilíbrios metabólicos.

    O consumo de ferro sem indicação, por exemplo, pode ser prejudicial para pessoas que não apresentam deficiência comprovada.

    A suplementação só deve fazer parte da rotina quando existe necessidade real, avaliada por exames e acompanhamento profissional.

    Quem realmente precisa de suplementação?

    Na maioria das vezes, a suplementação só é indicada quando existe falta comprovada ou alguma condição que dificulte a absorção dos nutrientes, como aponta Giovanni:

    • Pessoas com deficiência comprovada em exames;
    • Quem segue dietas restritivas, como veganos;
    • Gestantes, que normalmente necessitam de ácido fólico e, em alguns casos, ferro;
    • Idosos, devido à menor ingestão alimentar ou dificuldade de absorção de nutrientes;
    • Pessoas que passaram por cirurgia bariátrica;
    • Quem apresenta doenças intestinais que prejudicam a absorção de vitaminas;
    • Pessoas com osteoporose ou baixa vitamina D já documentada.

    Exames de sangue são necessários antes de indicar vitaminas?

    Os exames ajudam a confirmar se existe deficiência de verdade e evitam o uso desnecessário ou em excesso. Eles são ainda mais importantes quando se pensa em doses altas ou quando a pessoa tem outros problemas de saúde, como doenças nos rins ou no fígado ou histórico de pedra nos rins.

    Sinais de que você está tomando vitaminas de forma inadequada

    Se você está fazendo suplementação de vitaminas, é importante ficar atento aos seguintes sinais:

    • Náuseas, vômitos, dor abdominal e perda de apetite, que indicam que o corpo está tendo dificuldade para lidar com o excesso;
    • Fraqueza, confusão mental e sede intensa, sinais que podem estar ligados ao aumento do cálcio no sangue, situação associada ao excesso de vitamina D;
    • Sangramentos ou hematomas fáceis, que podem acontecer com doses altas de vitamina E ou pela interação com medicamentos;
    • Formigamento, dormência e outros sintomas neurológicos, possíveis sinais de excesso de vitamina B6.

    Ao perceber qualquer um dos sintomas, é importante interromper o uso do suplemento e procurar orientação médica.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes

    1. Vitaminas “naturais” podem causar efeitos colaterais?

    Sim, o termo “natural” refere-se à origem, mas no suplemento a substância está em alta concentração. Isso pode causar desde desconforto gástrico e alergias até sobrecarga hepática.

    2. Suplementos de academia (como pré-treinos com vitaminas) são seguros?

    Muitos contêm doses cavalares de vitaminas do complexo B e estimulantes que podem causar taquicardia, ansiedade e sobrecarga metabólica se não forem indicados para seu nível de treino.

    3. Vitaminas podem interagir com anticoncepcionais?

    Algumas substâncias e ervas presentes em suplementos complexos podem reduzir a eficácia de hormônios, incluindo anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal.

    4. Qual a diferença entre suplemento e remédio?

    Legalmente, a regulação é diferente. Muitos suplementos não passam pelos testes rigorosos de segurança que os remédios passam, o que torna o acompanhamento profissional ainda mais vital.

    5. Qual a diferença entre suplemento manipulado e industrializado?

    O manipulado permite doses exatas para sua necessidade (personalização), enquanto o industrializado tem doses fixas. Ambos exigem prescrição, mas o médico decidirá qual o melhor veículo de absorção para o seu caso.

    6. Suplementos de colágeno contam como vitaminas?

    O colágeno é uma proteína, não uma vitamina. Ele não substitui vitaminas nem corrige carências nutricionais.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

  • PrEP e PEP: o que são e como ajudam a prevenir o HIV 

    PrEP e PEP: o que são e como ajudam a prevenir o HIV 

    A prevenção do HIV evoluiu muito nas últimas décadas. Além do uso de preservativos e da testagem regular, hoje existem estratégias eficazes baseadas em medicamentos que ajudam a reduzir significativamente o risco de infecção em situações específicas. É nesse contexto que entram a PrEP e a PEP.

    Apesar de serem termos cada vez mais citados em campanhas de saúde, ainda existe confusão sobre o que cada um significa, quando usar e para quem são indicados. Entender essas diferenças é essencial para fazer escolhas informadas e buscar ajuda no momento certo.

    O que são PrEP e PEP

    PrEP e PEP são estratégias de profilaxia, ou seja, de prevenção do HIV por meio do uso de medicamentos antirretrovirais. Elas não substituem outras medidas preventivas, mas ampliam a proteção quando usadas corretamente.

    • PrEP é usada antes de uma possível exposição ao HIV;
    • PEP é usada depois de uma situação de risco.

    Cada uma tem indicações, prazos e formas de uso diferentes.

    O que é PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)

    A PrEP consiste no uso regular de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm HIV, mas que apresentam risco aumentado de exposição ao vírus.

    Como a PrEP funciona

    Quando tomada corretamente, a PrEP mantém níveis do medicamento no organismo capazes de impedir que o HIV se estabeleça, mesmo que haja contato com o vírus.

    Ela não age como uma vacina, mas como uma proteção contínua enquanto o medicamento está sendo usado de forma adequada.

    Para quem a PrEP é indicada

    A PrEP é indicada para pessoas que não vivem com HIV e que podem se expor ao vírus de forma recorrente, como:

    • Pessoas com parceiros(as) vivendo com HIV;
    • Histórico de episódios de infecções sexualmente transmissíveis;
    • Pessoas que não usam preservativo de forma consistente;
    • Homens que fazem sexo com homens;
    • Pessoas trans;
    • Contexto de relações sexuais em troca de valores financeiros, objetos, drogas, moradia ou outros benefícios;
    • Pessoas que usam drogas injetáveis.

    A indicação é sempre feita após avaliação em serviço de saúde.

    Como é o uso da PrEP

    • Uso contínuo, geralmente diário;
    • Acompanhamento regular com testes de HIV e outras ISTs;
    • Monitoramento clínico e laboratorial periódico.

    É importante lembrar que a PrEP não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, nem contra gravidez.

    O que é PEP (Profilaxia Pós-Exposição)

    A PEP é uma medida de emergência, usada após uma situação de risco para infecção pelo HIV.

    Quando a PEP é indicada

    A PEP pode ser indicada após situações como:

    • Relação sexual sem preservativo;
    • Rompimento do preservativo;
    • Violência sexual;
    • Acidente com material biológico (agulhas, perfurocortantes);
    • Compartilhamento de seringas.

    Prazo é fundamental

    A PEP só funciona se iniciada rapidamente:

    • Idealmente nas primeiras horas;
    • No máximo até 72 horas após a exposição.

    Quanto mais cedo, maior a eficácia.

    Como funciona o tratamento com PEP

    • Uso de antirretrovirais por 28 dias consecutivos;
    • Acompanhamento médico durante e após o uso;
    • Realização de testes para HIV e outras ISTs.

    A PEP não garante 100% de proteção, mas reduz significativamente o risco quando usada corretamente.

    Diferença entre PrEP e PEP

    Característica PrEP PEP
    Quando usar Antes da exposição Depois da exposição
    Objetivo Prevenção contínua Prevenção de emergência
    Duração Uso regular enquanto houver risco 28 dias
    Prazo para iniciar Planejado Até 72 horas após o risco
    Acompanhamento Contínuo Temporário

    PrEP e PEP substituem o preservativo?

    Não. Embora sejam estratégias altamente eficazes contra o HIV, preservativos continuam sendo fundamentais, pois:

    • Protegem contra outras ISTs;
    • Evitam gravidez;
    • Reduzem a exposição a múltiplos agentes infecciosos.

    A combinação de métodos é o que oferece maior proteção.

    Onde buscar PrEP e PEP

    No Brasil, PrEP e PEP são oferecidas gratuitamente pelo SUS, em serviços de saúde habilitados, como:

    • Unidades básicas de saúde;
    • Serviços especializados em IST/HIV;
    • Hospitais de referência.

    A orientação é sempre procurar atendimento médico para avaliação individual.

    Leia mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre PrEP e PEP

    1. PrEP é a mesma coisa que tratamento do HIV?

    Não. A PrEP é usada por pessoas sem HIV para prevenir a infecção.

    2. Posso usar PEP mais de uma vez?

    Pode, mas o uso repetido indica necessidade de avaliação para PrEP ou outras estratégias preventivas.

    3. PrEP protege contra todas as ISTs?

    Não. Ela protege apenas contra o HIV.

    4. Se eu esquecer doses da PrEP, ela perde o efeito?

    A eficácia depende da adesão. Esquecimentos frequentes reduzem a proteção.

    5. A PEP causa muitos efeitos colaterais?

    A maioria das pessoas tolera bem, mas podem ocorrer náuseas, mal-estar ou fadiga, geralmente leves e transitórios.

    6. Preciso fazer teste de HIV para usar PrEP ou PEP?

    Sim. A testagem faz parte do protocolo antes, durante e após o uso.

    7. Quem usa PrEP precisa continuar fazendo exames?

    Sim. O acompanhamento regular é essencial para segurança e eficácia.

    Veja mais: HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje

  • HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje 

    HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje 

    Já faz um tempo que o HIV deixou de ser uma sentença inevitável para se tornar uma condição tratável, desde que seja identificada a tempo e acompanhada com regularidade. Ainda assim, o vírus continua circulando, e muita gente só descobre a infecção depois de meses (ou anos), quando o sistema imunológico já está mais vulnerável.

    A boa notícia é que hoje existem estratégias bem definidas para diagnóstico, início rápido do tratamento e prevenção. Em outras palavras: quanto mais cedo a pessoa sabe, mais cedo ela se protege e protege os outros.

    O que é HIV

    HIV é a sigla para vírus da imunodeficiência humana. Ele ataca principalmente células de defesa (como os linfócitos CD4), enfraquecendo o sistema imunológico ao longo do tempo se não houver tratamento.

    HIV e Aids são a mesma coisa?

    Não. HIV é o vírus. Aids é uma fase mais avançada da infecção, em que a imunidade fica muito comprometida e aumentam as chances de infecções oportunistas e algumas doenças associadas. Nem toda pessoa com HIV desenvolve Aids, especialmente quando trata a doença corretamente.

    Como o HIV é transmitido

    A transmissão acontece quando há contato com fluidos corporais capazes de carregar o vírus, principalmente:

    • Relação sexual sem proteção (vaginal e anal; o risco varia conforme práticas e presença de outras ISTs).
    • Sangue (compartilhamento de agulhas/seringas ou materiais perfurocortantes; exposição ocupacional).
    • Da gestação, parto ou amamentação para o bebê, quando a gestante não sabe que é portadora do vírus e/ou não está em tratamento.

    O que NÃO transmite HIV

    No dia a dia, o HIV não é transmitido por:

    • Beijo, abraço ou aperto de mão;
    • Uso de copos, talheres ou banheiro;
    • Suor, lágrima ou picada de mosquito.

    Sintomas do HIV

    Os sintomas podem variar muito. Há pessoas que passam um longo período sem notar nada, e isso é um dos motivos pelos quais testar periodicamente é tão importante.

    HIV na fase aguda (primeiras semanas após a infecção)

    Nas primeiras semanas após a infecção, algumas pessoas apresentam uma “síndrome gripal” mais intensa, com sintomas como:

    • Febre, dor no corpo e dor de garganta;
    • Ínguas (linfonodos aumentados);
    • Manchas na pele;
    • Mal-estar importante.

    Esses sinais não confirmam HIV sozinhos, mas, se houve comportamento de risco nas semanas anteriores, são um alerta para buscar testagem e avaliação.

    Fase crônica sem tratamento

    Sem tratamento, a pessoa pode ficar assintomática por um período prolongado, mas o vírus segue ativo, reduzindo gradualmente a imunidade.

    Aids (fase avançada)

    Quando a imunidade cai muito, podem surgir infecções e condições mais graves. Essa fase exige avaliação médica imediata e tratamento estruturado.

    Diagnóstico: como confirmar HIV

    O diagnóstico é feito por testes específicos, disponíveis gratuitamente na rede de saúde. Em geral, a confirmação segue fluxos definidos, com teste inicial e confirmação conforme o protocolo local.

    Por que o diagnóstico precoce muda tudo?

    Porque permite:

    • Iniciar o tratamento cedo;
    • Reduzir o risco de complicações;
    • Diminuir a transmissão, ao controlar a carga viral.

    Tratamento do HIV atualmente

    O tratamento é feito com terapia antirretroviral (TARV), que controla a replicação do vírus. A orientação atual é iniciar o tratamento o quanto antes, pois isso traz benefício individual e coletivo.

    Como funciona na prática

    De forma geral, o cuidado envolve:

    • Escolha de um esquema de antirretrovirais adequado;
    • Acompanhamento da carga viral e, quando indicado, de marcadores como CD4;
    • Manejo de efeitos adversos e comorbidades;
    • Manutenção da adesão ao tratamento.

    No Brasil, os protocolos reforçam o início rápido da TARV, inclusive com estratégias de início no mesmo dia quando indicado, e o monitoramento até alcançar supressão viral.

    Carga viral indetectável: o que significa

    Quando o tratamento funciona bem e a pessoa mantém boa adesão, é possível atingir carga viral indetectável. Isso está associado a:

    • Melhor proteção do sistema imunológico;
    • Menor risco de evolução para Aids;
    • Redução muito importante do risco de transmissão sexual quando a carga viral permanece suprimida, conforme evidências consolidadas.

    E se a pessoa parar o tratamento?

    Interromper ou usar a medicação de forma irregular pode levar a:

    • Retorno da multiplicação do vírus;
    • Queda da imunidade;
    • Maior risco de adoecimento;
    • Seleção de vírus resistentes aos medicamentos.

    Prevenção: como reduzir o risco

    Mesmo com tratamento eficaz, a prevenção continua sendo parte essencial do cuidado em saúde pública e individual.

    PrEP (profilaxia pré-exposição)

    A PrEP é uma estratégia preventiva para pessoas com maior risco de exposição ao HIV, com protocolo próprio de acompanhamento e testagem.

    PEP (profilaxia pós-exposição)

    A PEP é uma medida de urgência após uma situação de risco, como relação sexual desprotegida, violência sexual ou acidente com material biológico. É fundamental procurar atendimento imediatamente, pois existe uma janela de tempo para início conforme os protocolos.

    Confira: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre HIV

    1. HIV e Aids são a mesma coisa?

    Não. HIV é o vírus; Aids é uma fase mais avançada da infecção, quando a imunidade fica muito comprometida.

    2. Dá para ter HIV e não sentir nada?

    Sim. Muitas pessoas ficam assintomáticas por um período, por isso a testagem é tão importante.

    3. Quais são os sintomas do HIV no começo?

    Pode parecer uma virose forte, com febre, mal-estar, dor no corpo, dor de garganta, ínguas e manchas na pele em algumas pessoas.

    4. HIV pega por beijo, abraço ou talheres?

    Não. O HIV não é transmitido por contato social do dia a dia.

    5. O tratamento do HIV é para a vida toda?

    Em geral, sim. A TARV controla o vírus e protege a imunidade, mas exige uso regular e acompanhamento.

    6. O que é “carga viral indetectável”?

    É quando o tratamento reduz o HIV no sangue a níveis tão baixos que os exames não detectam; isso está associado a melhor prognóstico e redução importante do risco de transmissão com carga viral suprimida.

    7. O que fazer após uma situação de risco para HIV?

    Procurar atendimento imediatamente para avaliação e, quando indicado, iniciar PEP dentro da janela recomendada pelos protocolos.

    Veja também: Pouca dor, muito risco: o perigo da hepatite C

  • Roséola: entenda doença que causa febre e manchas no corpo do bebê 

    Roséola: entenda doença que causa febre e manchas no corpo do bebê 

    A roséola, também chamada de exantema súbito, é uma infecção viral comum na infância, causada principalmente pelos vírus Herpesvírus humano tipo 6 (HHV-6) e Herpesvírus humano tipo 7 (HHV-7). Ela acomete sobretudo bebês entre 6 meses e 1 ano de idade, sendo que cerca de 90% dos casos ocorrem antes dos 2 anos.

    Na maioria das vezes, trata-se de uma doença benigna e autolimitada, com um padrão clínico bastante característico: primeiro surge febre alta por alguns dias e, após a queda abrupta da febre, aparecem manchas avermelhadas na pele. Esse comportamento ajuda a diferenciar a roséola de outras doenças exantemáticas da infância.

    O que é roséola

    A roséola é uma infecção viral típica da primeira infância. Após a exposição ao vírus, ocorre multiplicação inicial nas glândulas salivares, seguida da disseminação pelo organismo.

    O período de incubação costuma ser de aproximadamente 9 a 10 dias até o início dos sintomas. A maioria das crianças desenvolve imunidade duradoura após a infecção.

    Como acontece a transmissão

    A transmissão ocorre de forma simples e cotidiana, principalmente em ambientes com contato próximo entre crianças e adultos.

    As principais formas de transmissão são:

    • Contato com saliva;
    • Aerossóis respiratórios;
    • Compartilhamento de objetos levados à boca.

    Mesmo em famílias com bons hábitos de higiene, a roséola pode ocorrer, pois é uma infecção extremamente comum na infância.

    Sintomas da roséola

    A roséola apresenta um curso clínico clássico, dividido em duas fases bem definidas.

    Fase febril (primeira fase)

    A doença geralmente começa com febre alta, que dura de 3 a 5 dias e pode ultrapassar 40 °C em alguns casos.

    Durante essa fase, a criança pode apresentar:

    • Irritabilidade;
    • Mal-estar;
    • Conjuntivite;
    • Otite;
    • Corrimento nasal;
    • Tosse;
    • Diarreia e vômitos;
    • Aumento de linfonodos, principalmente no pescoço.

    Em muitos bebês, a febre alta é o principal — e às vezes o único — sinal inicial da doença.

    Defervescência e aparecimento do rash (segunda fase)

    Após alguns dias, ocorre a defervescência, ou seja, a febre desaparece de forma súbita. Logo em seguida, surge o rash cutâneo, característico da roséola.

    Esse rash é composto por:

    • Manchas avermelhadas;
    • Início no tronco e no pescoço;
    • Progressão para face e extremidades.

    As manchas costumam durar 1 a 2 dias, podendo desaparecer em poucas horas. Geralmente não causam coceira e não deixam marcas na pele.

    A roséola é perigosa?

    Na grande maioria dos casos, a roséola evolui de forma benigna e se resolve espontaneamente, sem deixar sequelas.

    No entanto, algumas complicações podem ocorrer, principalmente associadas à febre alta ou ao envolvimento neurológico, como:

    • Convulsões febris (a complicação mais comum);
    • Meningite;
    • Encefalite;
    • Púrpura trombocitopênica (rara).

    Essas situações são incomuns, mas exigem avaliação médica imediata.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da roséola é clínico, baseado na combinação de:

    • Idade da criança;
    • História de febre alta prolongada;
    • Desaparecimento súbito da febre;
    • Aparecimento do rash típico.

    Quando pedir exames?

    Na maioria dos casos, não são necessários exames laboratoriais ou de imagem. Eles são reservados para:

    • Quadros atípicos;
    • Suspeita de complicações;
    • Dúvidas no diagnóstico diferencial com outras doenças exantemáticas.

    Tratamento

    Não existe tratamento específico para a roséola, pois a doença é autolimitada.

    As medidas recomendadas são de suporte, como:

    • Controle da febre com antitérmicos;
    • Hidratação adequada;
    • Repouso.

    Antibióticos não têm indicação, já que se trata de uma infecção viral.

    Prevenção

    Não há vacina específica contra a roséola. A prevenção baseia-se em medidas gerais de higiene, como:

    • Lavar as mãos com água e sabão;
    • Evitar compartilhar objetos pessoais;
    • Manter brinquedos e utensílios limpos.

    Mesmo com essas medidas, a infecção é muito comum na infância e, na maioria das vezes, faz parte do amadurecimento do sistema imunológico.

    Confira: Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato

    Perguntas frequentes sobre roséola

    1. Roséola é a mesma coisa que sarampo ou rubéola?

    Não. Apesar das manchas na pele, são doenças diferentes, com causas e evolução distintas.

    2. Toda febre alta em bebê é roséola?

    Não. A roséola é comum, mas outras infecções também podem causar febre alta.

    3. O rash da roséola causa coceira?

    Geralmente não provoca coceira nem desconforto.

    4. A criança pode ter convulsão?

    Pode, principalmente convulsão febril associada à febre alta.

    5. É necessário afastar a criança da creche?

    Durante a fase febril, sim. Após melhora clínica, a criança pode retornar.

    6. A roséola deixa sequelas?

    Não. Na maioria dos casos, a recuperação é completa.

    7. Adultos podem ter roséola?

    É raro, pois a maioria das pessoas já teve contato com o vírus na infância.

    Veja mais: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    A raiva é uma das emoções mais comuns do dia a dia, presente em momentos de conflito, frustração e acúmulo de estresse. Na maioria das vezes, ela costuma ser pontual e não causa problemas maiores — mas quando é frequente e intenso, as crises podem desencadear reações físicas importantes no corpo.

    O cérebro e o sistema cardiovascular estão diretamente conectados pelo sistema nervoso autônomo.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, emoções intensas ativam um eixo neuro-hormonal chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de diversos hormônios na corrente sanguínea, como a adrenalina e a noradrenalina.

    Como resultado, elas provocam alterações que podem predispor ao surgimento de uma série de problemas, como arritmias, espasmos das artérias, ruptura de placas de gordura e formação de coágulos.

    Como a raiva afeta o coração?

    As crises de raiva provocam reações no organismo que aumentam a demanda de oxigênio pelo coração e alteram o funcionamento do sistema cardiovascular.

    Para o corpo, a raiva funciona como uma situação de luta ou fuga, na qual o sistema nervoso libera hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina, preparando o corpo para reagir rapidamente a uma ameaça percebida.

    Por consequência, os batimentos cardíacos se aceleram, aumenta a pressão arterial e os vasos sanguíneos se contraem. Segundo Juliana, o processo dificulta a passagem do sangue, prejudica a capacidade de relaxamento das artérias e pode causar disfunção da parede dos vasos sanguíneos.

    A adrenalina, em especial, é um hormônio que altera a condução dos impulsos elétricos cardíacos, favorecendo o surgimento de arritmias e podendo provocar espasmo das artérias coronárias.

    Em alguns casos, o excesso de adrenalina pode desencadear a síndrome de Takotsubo, também conhecida como cardiomiopatia induzida pelo estresse.

    Raiva pode causar um infarto?

    A resposta é sim. Quando os episódios de raiva são frequentes e intensos, o organismo é submetido repetidamente a picos de estresse, que sobrecarregam o sistema cardiovascular e aumentam o risco de infarto e AVC.

    Em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou outros fatores de risco cardiovascular, o aumento da pressão arterial e dos batimentos do coração pode favorecer o rompimento de placas, a formação de coágulos e a interrupção do fluxo de sangue para o coração.

    Quem corre mais risco?

    O impacto da raiva sobre o coração é maior em pessoas que apresentam:

    • Hipertensão;
    • Placas de gordura nas artérias;
    • Tabagismo;
    • Sedentarismo;
    • Histórico familiar de doenças cardíacas;
    • Transtornos de ansiedade ou estresse crônico.

    Segundo Juliana, o aumento da demanda de oxigênio, a elevação da pressão arterial e a maior propensão ao espasmo das artérias durante episódios de raiva podem ter consequências mais graves nessas pessoas.

    Estresse emocional frequente aumenta o risco a longo prazo?

    O estresse emocional crônico funciona como um estado inflamatório persistente no organismo, segundo Juliana. Esse processo inflamatório de baixo grau favorece a formação de placas de gordura nas artérias, conhecida como aterosclerose.

    Além disso, o estresse crônico eleva os níveis basais de cortisol, o que provoca alterações metabólicas importantes, como:

    • Resistência à insulina;
    • Manutenção da pressão arterial em níveis elevados;
    • Aumento do acúmulo de gordura visceral.

    Os fatores, em conjunto, aumentam o risco cardiovascular e promovem um desgaste contínuo do sistema cardiovascular.

    Como proteger o coração?

    A proteção do coração envolve tanto o controle dos fatores de risco quanto o cuidado com a saúde emocional. Juliana aponta algumas estratégias ajudam a reduzir o impacto do estresse e da raiva sobre o coração:

    • Manter a pressão arterial, o colesterol e a glicemia bem controlados;
    • Praticar atividade física regularmente, o que torna o coração mais preparado para lidar com picos de adrenalina;
    • Adotar técnicas de manejo do estresse, como meditação, exercícios de respiração e relaxamento;
    • Buscar acompanhamento psicológico quando há dificuldade em lidar com emoções intensas.

    Em situações específicas, o uso de medicamentos, como betabloqueadores, pode ser indicado para reduzir os efeitos do excesso de adrenalina sobre o coração, sempre com orientação médica.

    Veja também: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o período de maior risco após um acesso de fúria?

    De acordo com estudos, o risco de um ataque cardíaco é quase oito vezes maior nas horas seguintes a um episódio de raiva severa.

    2. Por que algumas pessoas sentem dor no peito quando se irritam?

    Isso geralmente ocorre porque a raiva aumenta a demanda de oxigênio do coração. Se as artérias não conseguem suprir essa demanda rapidamente, surge a angina (dor no peito por falta de oxigenação).

    3. Quais são os sinais de que a raiva está afetando meu coração agora?

    Numa crise de raiva, você pode sentir:

    • Palpitações ou batimentos irregulares.
    • Suor frio excessivo.
    • Falta de ar.
    • Pressão ou aperto no peito que irradia para o braço ou mandíbula.

    4. Quando devo procurar um médico?

    Se toda vez que você se irrita, sente tontura, dor de cabeça forte ou desconforto no peito, é hora de fazer um check-up. O cardiologista pode avaliar se sua resposta emocional está sobrecarregando seu sistema.

    5. Como diferenciar uma crise de ansiedade de um infarto causado por raiva?

    A dor do infarto costuma ser uma pressão opressiva (como um peso) que não muda com a respiração, enquanto na ansiedade a dor costuma ser em pontadas e acompanhada de formigamento nas mãos e rosto. Na dúvida, procure atendimento médico.

    6. Qual é o exame que detecta se o estresse está prejudicando o coração?

    O MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) por 24 horas e o Holter são exames normalmente indicados nesses casos. Eles registram como o coração e pressão reagem aos eventos reais do seu dia, incluindo momentos de irritação.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

  • 9 benefícios do abacaxi para a saúde (e como incluir na rotina)

    9 benefícios do abacaxi para a saúde (e como incluir na rotina)

    Conhecida pelo sabor doce com um toque ácido, o abacaxi é uma fruta tropical muito consumida no Brasil, rica em água e nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

    Além de refrescante e saborosa, a fruta é fonte de vitaminas, minerais e fibras que contribuem para a digestão, a hidratação e o fortalecimento do sistema imunológico. E não é só isso: sendo tão versátil, o abacaxi pode ser consumido de diferentes formas ao longo do dia, entrando em lanches, sobremesas, sucos e até em pratos salgados.

    A seguir, listamos alguns dos principais benefícios da fruta para a saúde e como você pode incluí-la na rotina alimentar. Confira!

    1. Auxilia na digestão

    A bromelina, presente no abacaxi, consiste em uma mistura de enzimas que decompõem as proteínas dos alimentos. Isso facilita muito a digestão, reduzindo aquela sensação de inchaço e peso no estômago após as refeições.

    2. Ajuda no controle do apetite

    O abacaxi é composto por cerca de 86% de água, sendo um ótimo diurético natural, combatendo a retenção de líquidos. Além disso, suas fibras ajudam a manter a saciedade por mais tempo.

    3. Fortalece o sistema imunológico

    A combinação de nutrientes presentes no abacaxi, como vitaminas, minerais e compostos bioativos, contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico.

    De acordo com um estudo publicado no Journal of Nutrition and Metabolism, o consumo regular do alimento pode estimular a produção de células responsáveis pela defesa do corpo, auxiliando na proteção contra infecções causadas por vírus e bactérias.

    4. Melhore o fluxo de sangue

    O abacaxi possui substâncias com efeito anti-inflamatório que ajudam o sangue a circular melhor pelo corpo. Com isso, diminui o risco de formação de coágulos, o que pode contribuir para a prevenção de problemas como a trombose.

    Por favorecer a circulação, a fruta pode ser uma ótima dica para comer antes de viagens longas, como voos de avião, especialmente quando associada ao uso de meias de compressão e, quando indicado pelo médico, medicamentos anticoagulantes.

    5. Combate os sinais do envelhecimento precoce

    O abacaxi possui uma alta concentração de vitamina C, um nutriente fundamental para a síntese natural de colágeno, que garante firmeza e elasticidade à pele.

    Além disso, a fruta contém bromelina e antioxidantes que ajudam a proteger as células contra os danos do dia a dia. As substâncias combatem os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento da pele, contribuindo para uma aparência mais saudável, com menos manchas e menor risco de rugas precoces.

    6. Ajuda a prevenir doenças cardiovasculares

    O abacaxi contém nutrientes como fibras, potássio e vitamina C, que ajudam a controlar o colesterol ruim no sangue e contribuem para a saúde do coração.

    Ao melhorar a circulação e reduzir o acúmulo de gordura nas artérias, o consumo regular da fruta pode diminuir o risco de doenças cardiovasculares, principalmente quando faz parte de uma alimentação equilibrada e hábitos saudáveis.

    7. Fortalece os ossos

    Diferente de muitas frutas, o abacaxi é rico em manganês, um mineral que contribui para manter a densidade óssea e fortalecer o tecido conjuntivo, auxiliando na saúde dos ossos e das articulações.

    Para completar, o manganês também participa da formação de enzimas importantes para o metabolismo ósseo, ajudando o corpo a absorver e utilizar melhor outros nutrientes essenciais.

    8. Facilita o ganho de massa muscular

    A bromelina presente no abacaxi ajuda o corpo a digerir melhor as proteínas dos alimentos, como carnes e ovos, facilitando a absorção dos aminoácidos pelos músculos. A fruta também possui efeito anti-inflamatório, que auxilia na recuperação após o treino, diminuindo o cansaço muscular.

    A fruta também fornece carboidratos de rápida absorção, que ajudam a repor a energia gasta durante a atividade física.

    9. Contribui para a saúde bucal

    Apesar de não clarear os dentes, o abacaxi pode ajudar a reduzir a formação de placas bacterianas. A vitamina C presente na fruta fortalece dentes e gengivas, diminuindo o risco de gengivite e outras doenças bucais.

    No entanto, vale ressaltar que comer o abacaxi não substitui a escovação e o uso de fio dental, que continuam sendo os métodos mais eficazes.

    Abacaxi ajuda a emagrecer?

    O abacaxi pode ajudar no processo de emagrecimento, desde que incluído numa rotina de atividades físicas e alimentação saudável. Ele contém poucas calorias, é rica em água e contém fibras, o que aumenta a sensação de saciedade e ajuda a controlar a fome ao longo do dia.

    Além disso, a bromelina presente no abacaxi auxilia a digestão, o que pode reduzir o inchaço abdominal e a sensação de peso após as refeições.

    Quando consumido com moderação e dentro de uma alimentação equilibrada, o abacaxi pode ser um aliado na perda de peso.

    Como incluir o abacaxi na alimentação diária?

    A melhor forma de consumir o abacaxi é in natura, já que assim a fruta mantém melhor suas fibras, vitaminas e enzimas naturais. No entanto, a fruta é bastante versátil e pode ser incluída em outras preparações, como:

    • Em sucos ou vitaminas, batido com água, água de coco ou outras frutas;
    • Em saladas de frutas, trazendo um sabor mais refrescante;
    • Grelhado ou assado, como acompanhamento de carnes e frango;
    • Picado em saladas verdes, combinando com folhas, queijo e sementes;
    • Em cubinhos congelados, para usar em sucos ou consumir nos dias mais quentes.

    Vale apontar que o consumo do abacaxi deve ser moderado, especialmente por pessoas com estômago sensível, refluxo ou gastrite, já que a acidez da fruta pode causar desconforto quando ingerida em excesso.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Grávidas podem comer abacaxi?

    Sim, o consumo é seguro e saudável durante a gestação, sendo uma excelente fonte de vitamina C e fibras que auxiliam na imunidade e na digestão.

    Apesar de conter bromelina, uma enzima que em altas concentrações (como em suplementos) pode amolecer o colo do útero, a quantidade encontrada na polpa do abacaxi é muito pequena para causar riscos.

    2. Como saber se o abacaxi está maduro?

    A forma mais prática é puxar uma das folhas centrais da coroa: se ela sair com facilidade, a fruta está pronta para o consumo. Além disso, observe se a casca apresenta tons amarelados, se a fruta exala um aroma doce e se ela cede levemente ao ser pressionada com os dedos.

    3. Quem tem gastrite pode comer abacaxi?

    Depende da tolerância individual e da fase da inflamação. Por ser uma fruta ácida, ela pode causar desconforto e queimação em algumas pessoas durante crises agudas, mas, para outras, a enzima bromelina ajuda tanto na digestão que acaba prevenindo o mal-estar após as refeições.

    4. Qual o melhor horário para comer abacaxi?

    O horário ideal é logo após o almoço ou jantar, pois a bromelina facilita a quebra das proteínas da refeição, otimizando a digestão e evitando a sensação de peso no estômago. Também é uma excelente opção para o pós-treino, ajudando na reposição de glicogênio e na recuperação muscular.

    5. Pode comer o abacaxi com leite?

    Não há problema algum em misturar os dois, e a ideia de que a combinação faz mal é apenas um mito popular. O único detalhe é que a bromelina do abacaxi pode começar a digerir as proteínas do leite se a mistura ficar descansando por muito tempo, o que pode dar um sabor levemente amargo ao preparo.

    6. O talo do abacaxi pode ser comido?

    Sim, o talo é perfeitamente comestível e é, na verdade, a parte da fruta que contém a maior concentração de fibras e da enzima bromelina. Apesar de ser mais fibroso e duro que a polpa, ele pode ser aproveitado picado em pedaços pequenos, batido em sucos ou cozido em receitas.

    7. Qual a diferença entre o abacaxi pérola e o saia-azul (smooth cayenne)?

    O abacaxi pérola é o favorito para consumo in natura no Brasil por ser mais doce, ter polpa branca e baixa acidez, enquanto o saia-azul (ou Smooth Cayenne) possui polpa amarela, é mais ácido, suculento e de tamanho maior, sendo mais utilizado pela indústria para a produção de sucos e conservas.

    8. Como conservar o abacaxi depois de cortado?

    Depois de descascado e fatiado, o abacaxi deve ser armazenado em um recipiente hermeticamente fechado e mantido na geladeira por, no máximo, 3 a 5 dias para preservar o sabor e os nutrientes.

    Se você não for consumir nesse período, a melhor opção é congelar os pedaços, o que mantém suas propriedades por até seis meses.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

  • Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

    Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

    A infestação por piolhos, chamada de pediculose capitis, é causada pelo parasita Pediculus humanus capitis, que vive no couro cabeludo e se alimenta de sangue humano. Trata-se de uma condição bastante comum, especialmente entre crianças em idade escolar, mas que pode afetar pessoas de qualquer idade.

    Os piolhos não voam nem pulam. A principal forma de transmissão ocorre pelo contato direto cabeça a cabeça com uma pessoa infestada. O compartilhamento de objetos pessoais, como pentes, bonés e travesseiros, pode contribuir de forma menos frequente para a disseminação.

    O que é pediculose

    A pediculose capitis é a infestação dos cabelos e do couro cabeludo por piolhos. Esses parasitas passam todo o seu ciclo de vida no hospedeiro humano e depositam ovos, chamados de lêndeas, que ficam firmemente aderidos aos fios de cabelo.

    O ciclo de vida do piolho inclui:

    • Ovo (lêndea): firmemente grudado ao fio de cabelo;
    • Ninfa: forma jovem do piolho;
    • Adulto: capaz de se reproduzir e iniciar novas infestações.

    Uma fêmea pode depositar vários ovos por dia, o que explica por que a pediculose tende a persistir quando não tratada corretamente.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão dos piolhos acontece quase sempre por contato direto cabeça a cabeça, especialmente entre crianças que brincam próximas umas das outras ou compartilham espaços com contato físico frequente.

    A transmissão por objetos é menos comum, pois:

    • Os piolhos sobrevivem fora do couro cabeludo por pouco tempo (geralmente menos de dois dias);
    • As lêndeas não eclodem longe do hospedeiro humano.

    Sintomas da pediculose

    Os sinais mais comuns da infestação incluem:

    • Coceira intensa no couro cabeludo, causada pela reação à saliva do piolho;
    • Sensação de algo se movimentando nos cabelos;
    • Irritação, feridas ou crostas devido ao ato de coçar;
    • Presença visível de piolhos vivos ou lêndeas, especialmente na nuca e atrás das orelhas.

    Em algumas pessoas, principalmente na primeira infestação, a coceira pode demorar semanas para surgir, pois o organismo precisa se sensibilizar ao parasita.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da pediculose é feito por observação direta do couro cabeludo e dos fios de cabelo.

    O método mais eficaz é o uso de pente fino, passado cuidadosamente mecha a mecha, com boa iluminação, para identificar piolhos vivos ou lêndeas.

    Tratamento eficaz

    O tratamento deve combinar medidas medicamentosas e mecânicas, com o objetivo de eliminar piolhos e lêndeas.

    Produtos pediculicidas

    Os medicamentos mais utilizados são loções ou shampoos à base de:

    • Permetrina;
    • Piretrinas.

    Esses produtos atuam paralisando e eliminando os piolhos adultos. Em casos de falha terapêutica ou resistência, outras opções podem ser consideradas, como a ivermectina, conforme orientação médica.

    Uso do pente fino

    O pente fino deve ser utilizado diariamente após a lavagem dos cabelos, pois ajuda a remover:

    • Lêndeas aderidas aos fios;
    • Piolhos que não foram eliminados pelos produtos químicos.

    Repetição do tratamento

    Pode ser necessária uma nova aplicação do pediculicida entre 7 e 14 dias após a primeira, para eliminar piolhos que tenham surgido a partir de lêndeas remanescentes.

    Prevenção

    Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de infestação ou reinfestação:

    • Evitar contato direto cabeça a cabeça, especialmente em ambientes escolares;
    • Não compartilhar objetos pessoais, como pentes, escovas, bonés e travesseiros;
    • Inspecionar regularmente o couro cabeludo de crianças em idade escolar com pente fino.

    A lavagem de itens de uso recente, como lençóis e chapéus, também contribui para reduzir o risco de reinfestação.

    O que não fazer em caso de piolhos

    Algumas práticas devem ser evitadas, pois não são eficazes e podem causar danos à saúde:

    • Não usar produtos caseiros sem comprovação, como vinagre, maionese, azeite ou querosene;
    • Não aplicar calor excessivo diretamente na cabeça (secador quente, ferro), pois pode causar queimaduras;
    • Não esmagar piolhos com as unhas, já que isso não elimina as lêndeas;
    • Evitar afastar a criança da escola sem tratamento, pois isso não impede a transmissão;
    • Não confiar apenas em shampoos comuns ou lavagem frequente, pois piolhos sobrevivem mesmo em cabelos limpos.

    O que esperar

    Com tratamento adequado e persistente, a maioria dos casos de pediculose é resolvida em poucas semanas. A associação entre pediculicida tópico e remoção mecânica com pente fino aumenta significativamente as chances de sucesso.

    Reinfestações podem ocorrer, por isso é fundamental monitorar contatos próximos e repetir o tratamento quando indicado.

    Veja também: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre piolhos

    1. Piolhos são sinal de falta de higiene?

    Não. A infestação não está relacionada à higiene e pode ocorrer em qualquer pessoa.

    2. Piolhos pulam ou voam?

    Não. Eles apenas rastejam durante o contato direto.

    3. Todos da casa precisam de tratamento?

    Somente quem estiver infestado, mas contatos próximos devem ser examinados.

    4. Lavar o cabelo todos os dias elimina piolhos?

    Não. A lavagem comum não elimina piolhos nem lêndeas.

    5. Tratamento com óleo ou maionese funciona?

    Não há evidências científicas consistentes de eficácia.

    6. Piolhos podem voltar após o tratamento?

    Sim, se houver novo contato com pessoas infestadas ou permanência de lêndeas.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Quando houver sinais de infecção no couro cabeludo, coceira intensa ou falha do tratamento mesmo após repetição correta.

    Confira: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

    Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

    Depois de uma noite mal dormida, a vontade de comer doces e carboidratos costuma parecer incontrolável. Se você já passou pela experiência, já deve saber que é uma resposta natural do corpo ao cansaço.

    Quando o organismo é privado de sono, ocorre uma alteração drástica na comunicação entre o cérebro e o sistema metabólico, elevando os níveis de grelina, o hormônio que sinaliza a fome, e reduzindo drasticamente a leptina, responsável pela sensação de saciedade.

    Como resultado, a sensação de fome se intensifica ao longo do dia e o controle do apetite fica ainda mais difícil. Com o tempo, isso pode contribuir para o ganho de peso e a dificuldade em manter uma alimentação mais equilibrada. Sim, dormir pouco engorda.

    O que acontece com o corpo quando dormimos pouco?

    Quando dormimos pouco, o corpo entra em um estado de alerta constante, como se estivesse sempre tentando compensar o cansaço acumulado.

    Durante o sono, o organismo é responsável por regular os hormônios, reparar os tecidos, organizar o metabolismo e equilibrar funções importantes do cérebro — de modo que a privação pode interferir diretamente em todo o processo.

    Como consequência, ocorre um aumento do estresse no organismo, maior produção de cortisol, dificuldade de concentração, queda da energia ao longo do dia e alterações no funcionamento do metabolismo, fazendo com que o corpo passe a gastar menos energia e a buscar fontes rápidas de combustível, como alimentos mais calóricos.

    Como a falta de sono altera os hormônios da fome?

    A falta de sono interfere diretamente no equilíbrio dos hormônios que regulam a fome e a saciedade.

    Quando você dorme menos do que o necessário, o organismo passa a produzir mais grelina, hormônio responsável por estimular o apetite, e reduz a liberação de leptina, que é o hormônio que sinaliza ao cérebro que o corpo já está satisfeito.

    O resultado é que você sente mais fome do que o normal, mesmo após comer uma refeição completa, pois o cérebro demora a receber o sinal de que já está satisfeito.

    O aumento do cortisol, comum em quem dorme mal, também aumenta a vontade de comer, especialmente alimentos mais calóricos, como fast-food, refrigerantes, doces e salgadinhos. Isso cria um ciclo em que o cansaço favorece o excesso de fome e dificulta o controle da alimentação ao longo do dia.

    Por que o desejo por doces e carboidratos aumenta?

    Você pode até se perguntar por que, quando dorme mal, a fome costuma bater com mais força por alimentos calóricos. A explicação é simples: o cérebro passa a buscar fontes rápidas de energia para compensar o cansaço.

    Quando o descanso não é suficiente, a quantidade de glicose disponível para o funcionamento cerebral diminui, e o corpo passa a mandar sinais de urgência pedindo comida que forneça energia de forma imediata. Nessa hora, doces, pães, massas e outros carboidratos simples acabam parecendo muito mais atraentes.

    Com o passar do tempo, o hábito pode desencadear uma série de problemas no dia a dia e na saúde, como:

    • Aumento do peso corporal e do acúmulo de gordura;
    • Maior risco de obesidade ao longo do tempo;
    • Aumento do risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2;
    • Maior chance de alterações no colesterol e nos triglicerídeos;
    • Dificuldade no controle do apetite e da glicemia;
    • Oscilações de energia, com picos seguidos de cansaço intenso;
    • Maior risco de doenças cardiovasculares.

    Quantas horas de sono são importantes para controlar a fome?

    A quantidade de horas de sono pode variar de pessoa para pessoa, levando em conta fatores como idade, rotina, nível de atividade física e até o estado de saúde. Mas, de maneira geral, adultos costumam precisar de cerca de 7 a 9 horas de sono por noite para que o corpo consiga funcionar de maneira equilibrada.

    De acordo com estudos, dormir menos de 6 horas por noite com frequência está ligado ao aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) e a um risco maior de obesidade, podendo aumentar essa chance em até 55%, principalmente quando o pouco sono se torna um hábito.

    Sinais de que o sono está prejudicando sua alimentação

    No início, pode ser difícil notar que alguns hábitos alimentares estão sendo influenciados pelo sono, então é importante ficar atento a alguns sinais, como:

    • Fome frequente ao longo do dia, mesmo após refeições completas;
    • Desejo intenso por doces, pães, massas e outros carboidratos;
    • Dificuldade em sentir saciedade, com sensação de que nunca está satisfeito;
    • Beliscos constantes, muitas vezes de forma automática;
    • Preferência por alimentos mais calóricos e ultraprocessados;
    • Cansaço que leva a escolhas alimentares mais rápidas e menos equilibradas;
    • Ganho de peso gradual sem mudanças claras na alimentação.

    Quando ir ao médico?

    Se você tem dificuldade para dormir ou sente uma fome difícil de controlar mais de três vezes por semana, por três meses ou mais, isso pode indicar insônia crônica ou alterações no metabolismo.

    Nessa situação, procurar um médico é importante para entender a causa do problema, avaliar a saúde e receber orientações que ajudem a melhorar o sono e o controle da fome.

    Também é necessário procurar ajuda se você notar:

    • Ganho de peso rápido ou contínuo, mesmo sem grandes mudanças na alimentação;
    • Ronco excessivo e pausas na respiração, o que pode indicar uma apneia obstrutiva do sono;
    • Cansaço constante, mesmo após tentar dormir mais horas;
    • Sonolência intensa durante o dia;
    • Sinais de ansiedade ou depressão.

    Uma dica prática é, antes da consulta, fazer um “diário do sono” por uma semana, anotando o horário em que deita, o horário em que acorda, quantas vezes desperta durante a noite e o que comeu ao longo do dia. Isso ajuda o médico a entender melhor o quadro.

    Hábitos simples para melhorar o sono e reduzir a fome excessiva

    No dia a dia, alguns hábitos podem te ajudar a melhorar a qualidade do sono e, como consequência, reduzir a fome excessiva:

    • Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;
    • Evitar o uso de celular, computador e televisão pelo menos uma hora antes de dormir;
    • Reduzir o consumo de café, chás estimulantes e bebidas energéticas no fim do dia;
    • Fazer refeições mais leves à noite, evitando exageros antes de dormir;
    • Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
    • Praticar atividade física regularmente, mas não muito próximo do horário de dormir;
    • Criar uma rotina relaxante antes de deitar, como leitura ou banho morno.

    Com pequenas mudanças, o corpo tende a dormir melhor, o que ajuda a regular os hormônios da fome e a melhorar o controle do apetite ao longo do dia.

    Veja mais: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto “fome emocional” quando estou cansado?

    O cansaço reduz a atividade no córtex pré-frontal, a área do cérebro que controla impulsos, tornando mais difícil dizer “não” a confortos emocionais como comida.

    2. Posso tomar café para compensar uma noite mal dormida?

    Até certo ponto sim, mas o excesso de cafeína após as 15h bloqueará a adenosina (substância que causa sono), prejudicando também a sua próxima noite.

    3. Existem alimentos que ajudam a dormir melhor?

    Sim. Alimentos ricos em triptofano (como banana, aveia e sementes de abóbora) auxiliam na produção de serotonina e melatonina.

    4. Cochilos à tarde ajudam a reduzir a fome?

    Um cochilo de 20 a 30 minutos pode restaurar o foco e reduzir o estresse, ajudando a controlar o apetite à noite. Mais do que isso pode atrapalhar o sono noturno.

    5. Exercício físico à noite atrapalha o sono?

    Para algumas pessoas, o aumento da temperatura e da adrenalina pode dificultar o relaxamento. O ideal é treinar até 4 horas antes de deitar.

    6. Trabalhar em turnos (noturno) facilita o ganho de peso?

    Sim, devido ao chamado “desalinhamento circadiano”. Pessoas que trabalham à noite frequentemente têm níveis de leptina mais baixos e resistência à insulina mais alta do que quem trabalha em horário comercial.

    7. O que comer quando tive uma noite péssima?

    Você pode apostar em proteínas e fibras, como ovos, iogurte natural, castanhas e outros. Eles promovem saciedade prolongada e evitam as montanhas-russas de açúcar no sangue que o cansaço provoca

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/sindrome-de-guillain-barre