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  • Beber água demais é perigoso para a saúde? Veja qual a quantidade ideal 

    Beber água demais é perigoso para a saúde? Veja qual a quantidade ideal 

    Você é uma pessoa que bebe bastante água? Ela está presente em praticamente todas as funções do organismo, desde a regulação da temperatura corporal até o transporte de nutrientes, e precisa ser consumida todos os dias para que o corpo funcione corretamente.

    Mas, apesar de essencial para a vida, isso não significa que ela deve ser consumida sem critério! Na verdade, a quantidade ideal pode variar conforme o peso, a idade, o nível de atividade física, a temperatura ambiente e também algumas condições de saúde.

    Quando você consome mais água do que o necessário em um curto espaço de tempo, os rins não são capazes de filtrá-la em tempo hábil, o que pode causar alguns prejuízos para o organismo. É o que vamos destrinchar melhor, a seguir.

    Quais os riscos de beber água em excesso?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, os rins possuem um limite de filtragem de água, entre 800 ml e 1 L de água por hora. Quando a ingestão ultrapassa a capacidade em um curto intervalo de tempo, o organismo pode não conseguir eliminar o excesso adequadamente.

    Nessa situação, ocorre uma diluição do sangue, quadro conhecido como hiper-hidratação ou intoxicação por água. O principal risco é a hiponatremia, caracterizada pela queda dos níveis de sódio no sangue. Como o sódio é importante para o equilíbrio dos fluidos dentro e fora das células, a redução pode levar ao inchaço celular.

    Quando o inchaço atinge os músculos, podem surgir câimbras e fraqueza. Já quando envolve o cérebro, a situação se torna mais grave, pois o crânio é uma estrutura rígida, sem espaço para expansão. Isso pode provocar alguns sinais como:

    • Dor de cabeça;
    • Náuseas e vômitos;
    • Confusão mental ou dificuldade de concentração;
    • Sensação de inchaço;
    • Fraqueza muscular ou câimbras;
    • Urina muito clara e em grande volume;
    • Convulsões, nos casos mais graves, e até óbito.

    Como saber se a hidratação está adequada?

    A coloração da urina é um ótimo parâmetro para avaliar o nível de hidratação. De acordo com Juliana, muitas pessoas podem pensar que a sede é um indicador adequado, mas, quando sentimos sede, o organismo já pode estar em um estado inicial de desidratação.

    No nível ideal de hidratação, a urina deve apresentar uma cor amarelo bem clara. Quando há desidratação, a urina costuma ficar amarelo-escura, com coloração âmbar.

    Já quando existe excesso de água, a urina tende a ficar totalmente transparente, parecendo água, e o número de micções costuma aumentar, com idas frequentes ao banheiro ao longo do dia.

    Qual a quantidade ideal de água por dia?

    Existe uma recomendação geral para adultos de cerca de 35 ml de água por quilo de peso corporal por dia. Por exemplo, uma pessoa com 70 kg teria uma necessidade média aproximada de 2,4 a 2,5 litros de água diariamente.

    No entanto, Juliana explica que o valor serve apenas como referência, já que a necessidade de hidratação pode variar de acordo com características individuais e fatores do ambiente.

    Crianças, por exemplo, possuem maior proporção de água corporal e tendem a desidratar com mais facilidade. Já os idosos costumam apresentar redução da percepção de sede, o que torna importante a ingestão regular de líquidos ao longo do dia, mesmo sem vontade de beber água, sempre com atenção para evitar sobrecarga dos rins.

    Em relação à temperatura e à atividade física, nos dias mais quentes ou durante exercícios intensos, a perda de água pelo suor aumenta. Nesses casos, é fundamental repor água e, eventualmente, soluções isotônicas para repor os sais minerais perdidos.

    Quem precisa ter atenção ao consumo de água?

    Algumas condições de saúde, idade ou rotina podem alterar a necessidade de líquidos do organismo, o que exige mais atenção tanto para evitar a desidratação quanto para não exagerar no consumo de água.

    Entre os grupos que costumam precisar de maior cuidado estão as pessoas com:

    • Doenças renais: pois os rins podem ter dificuldade para eliminar o excesso de líquidos, favorecendo inchaço e aumento da pressão arterial;
    • Insuficiência cardíaca: já que o excesso de líquido pode sobrecarregar o coração e provocar acúmidos nos pulmões, causando falta de ar.

    Nessas condições, Juliana aponta que o limite diário de líquidos costuma ser estabelecido pelo médico, geralmente entre 1L e 1,5L por dia, considerando o total de líquidos ingeridos.

    Sinais que você está bebendo água demais

    O corpo pode apresentar vários sinais de excesso de hidratação, como:

    • Urina muito clara, quase transparente;
    • Número elevado de micções, geralmente mais de 10 vezes ao dia;
    • Náuseas e vômitos, como tentativa do organismo de eliminar o excesso de água;
    • Dor de cabeça;
    • Cansaço e fraqueza muscular, provocados pelo desequilíbrio de eletrólitos, como o sódio;
    • Inchaço nas mãos e nos pés, indicando retenção de líquido.

    É importante procurar um médico quando surgirem sintomas persistentes ou mais intensos, como dor de cabeça forte, náuseas, inchaço, confusão mental ou falta de ar. Pessoas com doenças renais ou cardíacas também devem ter orientação médica para ajustar o consumo de água com segurança.

    Perguntas frequentes

    1. Água com gás hidrata tanto quanto a água sem gás?

    Sim, a hidratação é a mesma. A única diferença é o gás carbônico, que em algumas pessoas pode causar um leve desconforto gástrico ou distensão abdominal.

    2. Beber água durante as refeições faz mal?

    Não faz necessariamente mal, mas pode atrapalhar quem tem problemas digestivos ou quer controlar o peso. O líquido em excesso dilui o suco gástrico e pode retardar a digestão. O recomendado é não passar de um copo pequeno (200ml).

    3. Chás e sucos substituem a água pura?

    Eles ajudam na hidratação, mas não devem ser a única fonte. Os sucos são fontes de calorias e chás podem ter efeito diurético (como o chá preto ou verde), o que faz você urinar mais. A água pura é a única que limpa o organismo sem sobrecarga.

    4. Posso substituir a água por água de coco todos os dias?

    A água de coco é excelente para repor eletrólitos, mas contém açúcar natural (frutose) e potássio. Para o dia a dia, a água comum deve ser a base, deixando a água de coco para momentos de atividade física ou calor intenso.

    5. Qual é o melhor tipo de garrafa para usar no dia a dia?

    Prefira garrafas de vidro ou aço inoxidável. Se usar plástico, certifique-se de que é livre de BPA (Bisfenol A), uma substância que pode migrar para a água e interferir nos hormônios.

    6. Qual o papel da água no controle da pressão arterial?

    A água ajuda a manter o volume sanguíneo adequado. Quando estamos desidratados, o sangue fica mais “espesso” e o corpo libera hormônios que contraem os vasos, o que pode elevar a pressão.

  • 5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

    5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 650 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com a obesidade, uma doença crônica e inflamatória caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal — capaz de comprometer a saúde e a qualidade de vida.

    Por ser uma condição multifatorial, a obesidade é influenciada por diversos fatores que interagem entre si. Para entender como ela se desenvolve, conversamos com a endocrinologista Denise Orlandi. Confira!

    Como o IMC classifica a obesidade?

    O Índice de Massa Corporal (IMC) classifica a obesidade em adultos a partir do cálculo do peso dividido pela altura ao quadrado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é definida por um IMC igual ou maior que 30 kg/m², sendo subdividida em graus conforme a gravidade:

    • Sobrepeso: entre 25 e 29,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau I: entre 30 e 34,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau II (moderada): entre 35 e 39,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau III (grave ou mórbida): igual ou maior que 40 kg/m².

    Apesar de ser um método simples e bastante usado, o IMC não avalia a distribuição da gordura corporal nem diferencia a massa muscular de gordura. Uma avaliação clínica completa costuma incluir outras medidas, histórico de saúde e análise individual.

    Quais os fatores de risco da obesidade?

    Na maioria das vezes, diversos fatores de risco se combinam e influenciam o acúmulo de gordura corporal ao longo do tempo, sendo eles:

    1. Genética

    A herança familiar pode influenciar o metabolismo, o controle da fome, a sensação de saciedade e a forma como o corpo armazena a gordura. Quando existe um histórico familiar de obesidade, a probabilidade de desenvolver a condição pode ser maior.

    Ainda assim, mesmo com a influência genética, os hábitos de vida continuam tendo impacto importante na saúde.

    2. Ambiente

    O ambiente em que a pessoa vive favorece o ganho de peso em muitas situações, principalmente devido ao estilo de vida moderno. Segundo Denise, é o fator mais impactante hoje para o desenvolvimento de obesidade.

    • O consumo frequente de alimentos ultraprocessados ricos em gorduras, açúcares e calorias;
    • A rotina sedentária com pouca atividade física;
    • O tempo prolongado diante de telas, como celular, computador ou televisão;
    • A falta de tempo ou estrutura para preparar refeições equilibradas.

    As pequenas escolhas do dia a dia podem influenciar o peso ao longo do tempo, muitas vezes sem a pessoa perceber. A praticidade dos alimentos prontos, a correria da rotina e a diminuição da atividade física acabam favorecendo o consumo maior de calorias e um gasto menor de energia pelo corpo.

    3. Fatores emocionais

    As emoções, preocupações e situações difíceis no dia a dia podem mudar o apetite, a relação com a comida e até a forma como o corpo responde ao estresse. Muitas vezes, a alimentação deixa de atender apenas à fome física e passa a ter um papel emocional.

    Entre os principais fatores envolvidos, é possível destacar:

    • Ansiedade: que pode aumentar a vontade de comer mesmo sem fome, principalmente alimentos mais calóricos e açucarados;
    • Depressão: que pode alterar o apetite, a disposição e a motivação para cuidar da alimentação e da saúde;
    • Estresse crônico: que favorece o chamado comer emocional, situação em que a comida funciona como alívio ou conforto;
    • Busca por conforto na comida: comum em momentos difíceis, tristeza, frustração ou cansaço emocional.

    O acompanhamento com um profissional ajuda a entender melhor as emoções, a relação com a comida e a forma como cada pessoa enxerga o próprio corpo, tornando o processo de cuidado com a saúde mais consciente.

    4. Sono de má qualidade

    Além de manter o organismo em equilíbrio, o sono também pode impactar no controle do peso corporal. A privação ou a má qualidade do descanso interferem nos hormônios que regulam a fome, o metabolismo e os níveis de energia. O desequilíbrio ocorre, principalmente, devido aos seguintes fatores:

    • Privação de horas de descanso, quando a pessoa dorme menos do que o necessário de forma frequente;
    • Má qualidade do sono, com despertares noturnos ou sono leve e pouco reparador;
    • Alteração da grelina, hormônio que estimula a fome e pode aumentar quando o sono é insuficiente;
    • Redução da leptina, hormônio responsável pela sensação de saciedade.

    No geral, priorizar o descanso é uma parte importante do cuidado com a saúde e do equilíbrio do peso corporal. Se você é uma pessoa com dificuldade frequente para dormir ou apresenta sinais de insônia, vale procurar um profissional da saúde para iniciar o tratamento adequado.

    5. Fatores sociais e econômicos

    Os fatores sociais e econômicos interferem diretamente nos hábitos alimentares, na rotina e na qualidade de vida. A forma como cada pessoa vive, trabalha, se desloca e se alimenta pode influenciar bastante o peso corporal e a saúde ao longo do tempo.

    • Acesso limitado a alimentos frescos e nutritivos, situação que pode ocorrer quando frutas, verduras e alimentos naturais têm custo elevado ou pouca disponibilidade na região;
    • Ausência de espaços seguros para caminhar ou praticar exercícios, o que dificulta a prática regular de atividade física no dia a dia;
    • Rotina marcada por estresse constante ou excesso de trabalho, que reduz o tempo e a energia para cozinhar, se exercitar ou cuidar melhor da saúde;
    • Dificuldades financeiras, que muitas vezes levam à escolha de alimentos mais baratos, normalmente ultraprocessados e menos nutritivos.

    A realidade social pode facilitar ou dificultar a adoção de hábitos mais saudáveis, e nem sempre isso depende só da vontade da pessoa.

    Por isso, cuidar da saúde também significa olhar com compreensão para a rotina, as dificuldades e o contexto em que cada pessoa vive.

    Fases da vida em que o corpo fica mais suscetível ao ganho de peso

    Ao longo da vida, Denise explica que existem momentos em que o corpo fica mais suscetível ao ganho de peso, principalmente por causa de mudanças hormonais, emocionais e de estilo de vida. São eles:

    • Infância e adolescência: são fases em que os hábitos alimentares e o estilo de vida começam a se formar. Uma alimentação pouco equilibrada nesse período pode facilitar o aumento da gordura corporal e tornar o controle do peso mais difícil na vida adulta;
    • Gravidez: o ganho de peso faz parte de uma gestação saudável e é esperado. Porém, quando acontece acima do recomendado, pode ser mais difícil perder o peso depois do parto, aumentando o risco de obesidade para a mãe;
    • Menopausa: nessa fase ocorrem mudanças hormonais importantes, como a queda do estrogênio. Isso, junto com a perda natural de massa muscular com a idade, pode deixar o metabolismo mais lento e favorecer o acúmulo de gordura, principalmente na região da barriga.

    Quando o ganho de peso precisa de intervenção médica?

    De acordo com Denise, o ganho de peso passa a ser uma preocupação para a saúde quando começa a afetar o bem-estar e aumenta o risco de outras doenças.

    Além do IMC, a circunferência abdominal também é necessária para avaliar a quantidade de gordura na região da barriga, conhecida como gordura visceral, que está relacionada ao risco de problemas cardiovasculares e metabólicos.

    • Níveis de alerta para aumento do risco cardiovascular e diabetes: circunferência abdominal a partir de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres;
    • Risco muito elevado (obesidade abdominal): circunferência acima de 102 cm em homens e 88 cm em mulheres.

    A presença de doenças associadas, como pré-diabetes, hipertensão, colesterol alto ou dores articulares, também são sinais claros de que uma intervenção médica é necessária.

    “O ideal é não esperar ‘passar do ponto’. Uma pessoa que sempre teve um peso estável e percebe um ganho de peso progressivo e não intencional — por exemplo, ganhar mais de 5% do seu peso em um período de 6 meses — já deve procurar orientação”, complementa Denise.

    Quais os benefícios de uma intervenção mais cedo?

    Ao intervir mais cedo, fica muito mais fácil ajustar pequenos hábitos agora do que tratar a obesidade e suas complicações mais adiante. Entre os principais benefícios, Denise aponta:

    • Prevenção de doenças: ajuda a reduzir o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer;
    • Mais facilidade no tratamento: pequenas mudanças de hábitos tendem a ser mais simples de manter ao longo do tempo;
    • Melhora da qualidade de vida: contribui para mais disposição, melhor mobilidade e bem-estar emocional;
    • Evita a adaptação do corpo ao peso mais alto: com o tempo, o organismo pode se adaptar ao peso elevado, tornando o emagrecimento mais difícil. A intervenção precoce pode evitar esse processo.

    Como é feito o tratamento de obesidade?

    O tratamento da obesidade costuma ser individualizado, adaptado à realidade, à saúde e às necessidades de cada pessoa. Normalmente, ele envolve mudanças no estilo de vida, acompanhamento profissional e, em alguns casos, medicamentos ou cirurgia:

    • Alimentação equilibrada: ajustes na rotina alimentar, com preferência por alimentos mais naturais e orientação nutricional quando possível;
    • Prática de atividade física: exercícios regulares, adaptados ao condicionamento físico e à rotina de cada pessoa;
    • Qualidade do sono: dormir bem ajuda a regular hormônios ligados à fome, energia e metabolismo;
    • Saúde emocional: acompanhamento psicológico pode ajudar na relação com a comida, no controle do estresse e no bem-estar geral;
    • Acompanhamento médico: avaliação periódica para monitorar a saúde e orientar o tratamento;
    • Uso de remédios: podem ser indicados para pessoas com IMC acima de 30 (ou 27 com comorbidades) que não respondem apenas às mudanças de estilo de vida, sempre com prescrição médica.

    De acordo com Denise, a cirurgia bariátrica costuma ser indicada em casos de obesidade mais grave, geralmente quando o IMC está acima de 40 kg/m², ou acima de 35 kg/m² na presença de comorbidades importantes, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono ou outras condições associadas.

    Antes da cirurgia, a pessoa passa por uma avaliação completa com uma equipe de saúde, que pode incluir médico, nutricionista, psicólogo e outros profissionais. Isso é importante para garantir que o procedimento seja seguro e que a pessoa esteja preparada para as mudanças que virão depois da cirurgia.

    Após o procedimento, o acompanhamento contínuo, a adaptação alimentar, a prática de atividade física e o cuidado com a saúde emocional ajudam a manter os resultados e a preservar a saúde ao longo do tempo.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Quais são as principais doenças associadas à obesidade?

    Diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, esteatose hepática (gordura no fígado) e problemas articulares.

    2. A obesidade aumenta o risco de câncer?

    Sim, a obesidade está associada a um risco aumentado de pelo menos 13 tipos de câncer, devido ao estado de inflamação crônica que o excesso de gordura causa no organismo.

    3. O que é o efeito sanfona e por que ele ocorre?

    É a recuperação rápida do peso após uma perda severa. Ocorre frequentemente em dietas muito restritivas, pois o corpo entende a restrição como uma “ameaça” e reduz o metabolismo para poupar energia.

    4. É possível prevenir a obesidade?

    Sim, a partir de medidas como alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e cuidado com a saúde emocional.

    5. Como funciona a cirurgia bariátrica?

    É um procedimento que altera o sistema digestivo para limitar a quantidade de comida ingerida ou a absorção de nutrientes. É indicada para obesidade grau III ou grau II com doenças graves associadas, após falha do tratamento clínico.

    6. O que é comer emocional?

    É o hábito de usar a comida para aliviar sentimentos negativos (estresse, tristeza, tédio). Identificar os gatilhos é importante porque, nesses casos, a fome não é física, mas sim uma tentativa do cérebro de obter conforto imediato através da dopamina.

    7. Por que é tão difícil manter o peso após emagrecer?

    O corpo possui mecanismos de sobrevivência que tentam recuperar o peso perdido, aumentando a fome e reduzindo o gasto de energia. Por isso, o acompanhamento médico a longo prazo é essencial para “reprogramar” esses sinais.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Índice glicêmico: o que é, como funciona e quais alimentos influenciam a glicose

    Índice glicêmico: o que é, como funciona e quais alimentos influenciam a glicose

    Se você é uma pessoa que convive com diabetes ou outra condição que precisa do controle da glicose, já deve saber que alguns alimentos podem elevar o nível glicêmico mais rápido do que outros depois de uma refeição.

    Mas, para entender esse efeito, vale observar a posição dos alimentos na escala do índice glicêmico — que é capaz de mostrar a rapidez com que eles aumentam o açúcar no sangue após o consumo.

    Os alimentos com índice glicêmico alto elevam a glicose rapidamente, enquanto alimentos com índice glicêmico baixo liberam o açúcar de forma gradual. A diferença influencia a saciedade, o controle do peso, o risco de diabetes e também a saúde do coração. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é índice glicêmico?

    O índice glicêmico (IG) é uma classificação usada para medir a velocidade com que um alimento rico em carboidratos aumenta a glicose no sangue após o consumo. Isso significa que quanto maior o índice glicêmico, mais rápida costuma ser a elevação da glicemia.

    Vale apontar que o índice não avalia a quantidade de carboidrato presente na porção consumida, apenas a velocidade com que a glicose chega à corrente sanguínea.

    Por isso, um alimento pode apresentar índice glicêmico alto e, ainda assim, não provocar grande impacto glicêmico quando ingerido em pequenas quantidades.

    Como o índice glicêmico funciona?

    Nem todo carboidrato se comporta da mesma maneira no corpo. Enquanto alguns alimentos são absorvidos rapidamente e elevam a glicose em pouco tempo, outros passam por uma digestão mais lenta, liberando energia de forma gradual.

    O índice glicêmico é usado justamente para entender a diferença, ajudando a entender quais alimentos elevam a glicose mais rápido e quais mantêm níveis mais estáveis. Ele é dividido em três faixas:

    • Alto índice glicêmico (≥ 70): alimentos com índice glicêmico alto são digeridos rapidamente. A glicose sobe rápido no sangue e, depois, costuma cair também com mais rapidez. Isso pode causar cansaço, fome precoce ou vontade de comer doce pouco tempo depois;
    • Médio índice glicêmico (56 – 69): alimentos desse grupo têm absorção moderada. Eles podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, principalmente quando consumidos com fibras, proteínas ou gorduras, que ajudam a reduzir o impacto na glicose;
    • Baixo índice glicêmico (≤ 55): alimentos com baixo índice glicêmico são absorvidos mais lentamente. A glicose sobe de forma gradual, o que ajuda a manter energia por mais tempo e maior sensação de saciedade.

    É importante ressaltar que o efeito de um alimento pode mudar conforme a forma de preparo e a combinação no prato. Por exemplo, refeições com fibras, proteínas e gorduras tendem a reduzir a velocidade de absorção da glicose, o que contribui para um equilíbrio maior ao longo do dia.

    Qual a diferença entre índice glicêmico e carga glicêmica de um alimento?

    O índice glicêmico e a carga glicêmica são formas de avaliar como os alimentos influenciam a glicose no sangue, mas cada um analisa um aspecto diferente.

    O índice glicêmico indica a velocidade com que os carboidratos de um alimento são digeridos e absorvidos, elevando a glicose após o consumo. Quanto maior o índice glicêmico, mais rápido costuma ocorrer esse aumento.

    A carga glicêmica, por sua vez, avalia dois pontos ao mesmo tempo: a velocidade de absorção e a quantidade de carboidrato presente na porção consumida. Logo, o cálculo dá uma visão mais próxima do impacto real do alimento na glicemia.

    Exemplo: um alimento pode ter índice glicêmico alto, mas carga glicêmica baixa se a quantidade de carboidrato for pequena. Por outro lado, um alimento pode apresentar índice glicêmico moderado ou até baixo, mas ter carga glicêmica elevada quando consumido em grandes quantidades.

    O que influencia o índice glicêmico de um alimento?

    O índice glicêmico do alimento pode mudar completamente dependendo de como ele é preparado, colhido ou acompanhado. É possível apontar os seguintes fatores:

    • Quantidade de fibras: alimentos ricos em fibras costumam ter digestão mais lenta, reduzindo a velocidade de absorção da glicose;
    • Grau de processamento: produtos refinados e ultraprocessados tendem a elevar a glicose mais rapidamente do que alimentos integrais ou naturais;
    • Forma de preparo: cozinhar demais, triturar ou amassar alimentos pode facilitar a absorção dos carboidratos;
    • Presença de proteínas e gorduras: os nutrientes retardam a digestão e ajudam a diminuir picos glicêmicos;
    • Tipo de carboidrato: carboidratos simples são absorvidos mais rápido do que carboidratos complexos;
    • Combinação dos alimentos: consumir carboidratos junto com fibras, proteínas e gorduras reduz o impacto glicêmico da refeição;
    • Quantidade consumida: porções maiores aumentam o efeito na glicose, mesmo quando o índice glicêmico não é elevado.

    Alimentos com baixo, médio e alto índice glicêmico

    Para te ajudar, listamos alguns exemplos de alimentos divididos por suas categorias de índice glicêmico (IG):

    Alimentos de baixo índice glicêmico

    • Feijão, lentilha e grão-de-bico;
    • Maçã, pera, morango e pêssego;
    • Aveia em flocos e quinoa;
    • Iogurte natural sem açúcar e leite;
    • Amendoim, castanhas e nozes;
    • Vegetais verdes (brócolis, espinafre, abobrinha);
    • Cereja e ameixa fresca.

    Alimentos de médio índice glicêmico

    • Arroz integral e arroz parboilizado;
    • Milho e cuscuz;
    • Uva, manga, mamão e abacaxi;
    • Batata cozida com casca;
    • Farinha de trigo integral;
    • Pipoca (sem adição de açúcar ou excesso de gordura);
    • Uva-passa e figo.

    Alimentos de alto índice glicêmico

    • Pão francês e pão de forma branco;
    • Arroz branco e tapioca;
    • Batata inglesa (especialmente purê ou assada);
    • Melancia e tâmara;
    • Açúcar de mesa, mel e refrigerantes;
    • Biscoitos de arroz e cereais matinais refinados;
    • Macarrão instantâneo e bolos feitos com farinha branca.

    Vale lembrar que índice glicêmico sozinho não define se um alimento é saudável ou não. Outros fatores também contam, como qualidade nutricional, quantidade consumida, forma de preparo e combinação com outros alimentos no prato.

    O mais importante é ser o equilíbrio na alimentação, priorizando alimentos naturais ou minimamente processados, ricos em fibras, vitaminas e minerais.

    Quem deve prestar mais atenção ao índice glicêmico?

    O monitoramento do índice glicêmico é importante para qualquer pessoa prevenir doenças metabólicas no futuro, mas ele é indispensável para grupos específicos cujo corpo tem dificuldade em lidar com oscilações bruscas de açúcar, como:

    • Pessoas com diabetes ou pré-diabetes;
    • Quem tem resistência à insulina ou síndrome metabólica;
    • Quem busca emagrecimento ou controle do peso;
    • Pessoas que querem evitar picos de glicose e manter energia mais estável ao longo do dia.

    Como montar refeições equilibradas?

    Primeiro de tudo, a ideia é combinar diferentes grupos de alimentos para garantir energia, saciedade e nutrientes importantes ao longo do dia, além de ajudar a evitar picos de glicose. Isso pode ser feito com pequenas escolhas no dia a dia, com:

    • Inclua uma fonte de carboidrato de preferência integral, como arroz integral, aveia, batata-doce ou pão integral;
    • Acrescente proteínas, como ovos, carnes, peixe, frango, tofu, feijão ou lentilha;
    • Não esqueça das fibras, presentes em verduras, legumes, frutas e grãos integrais;
    • Inclua gorduras boas, como azeite, castanhas, abacate ou sementes;
    • Evite excesso de alimentos ultraprocessados, açúcar e farinhas refinadas.

    Outra dica é misturar carboidratos com fibras, proteínas e gorduras ajuda a reduzir a velocidade de absorção da glicose, favorecendo maior saciedade e níveis de energia mais estáveis.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Comer alimentos de baixo índice glicêmico ajuda a emagrecer?

    Pode ajudar, porque costuma aumentar a saciedade e evitar picos de fome ao longo do dia. Ainda assim, o emagrecimento depende de uma alimentação equilibrada e do estilo de vida.

    2. Alimento doce sempre tem alto índice glicêmico?

    Nem sempre. Algumas frutas doces, por exemplo, têm fibras que reduzem a velocidade de absorção do açúcar. O impacto depende da composição e da quantidade consumida.

    3. Qual a diferença entre carboidratos simples e complexos?

    Os simples possuem cadeias moleculares curtas e são absorvidos rapidamente (energia imediata). Os complexos possuem cadeias longas e fibras,

    4. Como baixar o índice glicêmico de um pão francês?

    Uma dica é combiná-lo com fibras (alface), proteínas (ovo, frango) ou gorduras boas (azeite), o que atrasa a digestão total da refeição.

    5. O que acontece no corpo após comer um alimento de alto índice glicêmico?

    Ocorre um pico de glicose, seguido de um pico de insulina. Logo depois, a glicose cai bruscamente, o que pode causar tontura, sono e fome.

    6. Qual chocolate tem o menor índice glicêmico?

    O chocolate com alto teor de cacau (acima de 70%) tem IG baixo, pois possui mais gordura do cacau e menos açúcar. Já o chocolate ao leite ou branco tem IG alto.

    7. O índice glicêmico é igual para todo mundo?

    Não exatamente. Embora o valor do alimento seja padronizado, a resposta glicêmica é individual e depende da sua genética, flora intestinal, nível de atividade física e saúde do pâncreas.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Dor no peito, palpitação e falta de ar são apenas alguns dos sinais que podem surgir durante uma crise intensa de ansiedade, condição que afeta cerca de 9,3% a 26,8% da população no Brasil. O problema é que eles também são sintomas comuns do infarto do miocárdio, uma emergência médica que precisa de atendimento imediato.

    Por causa da semelhança entre os sintomas, muitas pessoas entram em pânico sem saber se estão diante de uma crise emocional intensa ou de um problema cardíaco real. Na dúvida, a principal recomendação é procurar atendimento médico para avaliação — mas existem algumas diferenças que podem te ajudar a diferenciar os quadros. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que a crise de ansiedade parece um infarto?

    Durante uma crise de ansiedade ou de pânico, o corpo ativa o sistema nervoso autônomo, especialmente o chamado mecanismo de luta ou fuga. É um sistema de defesa natural, responsável por preparar o organismo diante de situações como ameaça ou perigo, mesmo quando a ameaça não é física e sim emocional ou imaginada.

    Quando o cérebro interpreta uma situação como perigosa, ele causa a liberação de hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, que provocam diversas reações físicas, como:

    • Aceleração do coração;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Respiração mais rápida;
    • Tensão muscular;
    • Maior fluxo sanguíneo para músculos.

    Como o coração, a respiração e a circulação são diretamente afetados, surgem sensações físicas intensas que podem lembrar problemas cardíacos, incluindo as palpitações, o aperto ou a dor no peito, a falta de ar, a tontura, o suor frio e a sensação de fraqueza.

    Quais os sintomas mais típicos do infarto?

    O infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco, acontece quando há uma redução ou interrupção do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. Normalmente, placas de gordura ou coágulos bloqueiam as artérias coronárias, impedindo que o oxigênio chegue ao coração.

    Isso provoca físicos importantes que costumam surgir de forma gradual ou repentina, como:

    • Dor no peito forte e persistente, descrita muitas vezes como pressão, aperto, peso ou queimação;
    • Dor que pode irradiar para o braço esquerdo, ambos os braços, costas, mandíbula, pescoço ou até a região do estômago;
    • Falta de ar progressiva, mesmo em repouso ou com esforço mínimo;
    • Náusea, vômito ou sensação de indigestão, principalmente em mulheres;
    • Suor frio intenso, pele pálida e sensação de fraqueza;
    • Mal-estar geral que não melhora com repouso ou mudança de posição.

    A dor costuma durar vários minutos, podendo surgir em ondas ou permanecer contínua, e frequentemente piora com o tempo. Em alguns casos, pode haver tontura, sensação de desmaio ou ansiedade súbita associada ao quadro.

    Diferenças que ajudam a perceber cada situação

    Na dúvida, a melhor coisa a fazer é buscar atendimento médico para descartar um problema cardíaco. No entanto, alguns detalhes podem ajudar a diferenciar cada quadro.

    Em uma crise de ansiedade, ela costuma:

    • Surgir após estresse emocional, preocupação intensa ou situação de tensão;
    • Apresentar início relativamente rápido, muitas vezes acompanhado de sensação de medo ou alerta exagerado;
    • Melhorar com respiração lenta, técnicas de relaxamento ou mudança do foco mental;
    • Ter duração variável, frequentemente de minutos até cerca de uma hora;
    • Vir acompanhada de sensação de perda de controle, medo intenso ou pensamento catastrófico.

    Já um quadro de infarto apresenta:

    • Dor persistente no peito que não melhora com descanso ou relaxamento;
    • Sintomas físicos progressivos ou cada vez mais intensos;
    • Sinais associados como falta de ar, suor frio, náusea ou fraqueza marcante;
    • Presença de fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardíaca.

    Também vale apontar que nem sempre os sintomas seguem um padrão. Mulheres, idosos, pessoas jovens ou com diabetes podem apresentar sinais menos típicos de infarto, como cansaço incomum, desconforto leve no peito, dor nas costas, enjoo persistente ou apenas falta de ar.

    Em algumas situações, a dor intensa no peito sequer aparece, o que pode atrasar a procura por atendimento.

    O que pode causar ansiedade?

    As causas da ansiedade não são totalmente explicadas, mas entende-se que ela ocorre por uma combinação de fatores psicológicos, biológicos e ambientais, como:

    • Estresse prolongado, preocupações constantes ou sobrecarga emocional;
    • Fatores genéticos ou histórico familiar de ansiedade;
    • Eventos traumáticos ou experiências difíceis;
    • Privação de sono, excesso de trabalho ou rotina desgastante;
    • Consumo elevado de cafeína, álcool ou outras substâncias estimulantes;
    • Algumas condições médicas e alterações hormonais.

    O que causa infarto?

    O infarto ocorre principalmente quando uma artéria coronária fica obstruída, reduzindo ou interrompendo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

    A causa mais frequente é a aterosclerose, processo no qual placas de gordura se acumulam nas artérias ao longo do tempo, mas alguns fatores também aumentam o risco, como:

    • Pressão alta;
    • Colesterol elevado;
    • Diabetes;
    • Tabagismo;
    • Obesidade e sedentarismo;
    • Alimentação rica em gordura, açúcar e ultraprocessados;
    • Histórico familiar de doença cardíaca;
    • Estresse crônico e má qualidade do sono.

    Ansiedade pode causar um infarto?

    A ansiedade, por si só, normalmente não causa um infarto. No entanto, crises frequentes e estresse crônico podem contribuir indiretamente para problemas cardiovasculares.

    O aumento constante de adrenalina e cortisol pode elevar a pressão arterial, alterar o ritmo cardíaco e favorecer hábitos pouco saudáveis, como má alimentação, sedentarismo, consumo de álcool ou tabaco. A longo prazo, os fatores podem aumentar o risco para para o desenvolvimento de hipertensão, arritmias, inflamação vascular ou maior propensão à formação de placas nas artérias.

    Além disso, durante uma crise intensa, a liberação abrupta de adrenalina pode provocar aceleração importante dos batimentos, elevação transitória da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Em pessoas que já convivem com uma doença cardíaca ou fatores de risco relevantes, a sobrecarga pode desencadear sintomas ou agravar um quadro já existente.

    Como confirmar o diagnóstico?

    O diagnóstico do quadro é feito a partir de uma avaliação médica, principalmente quando existe dor no peito, falta de ar ou sintomas que podem lembrar um problema cardíaco. Na prática, a prioridade costuma ser descartar um infarto primeiro, já que se trata de uma situação potencialmente grave.

    Quando há suspeita de infarto, os médicos costumam pedir alguns exames:

    • Eletrocardiograma, que mostra como está o funcionamento elétrico do coração;
    • Exames de sangue, que ajudam a identificar sinais de lesão no músculo cardíaco;
    • Avaliação clínica, com perguntas sobre sintomas, histórico de saúde e fatores de risco;
    • Outros exames, como ecocardiograma ou cateterismo, quando existe necessidade de investigação mais detalhada.

    Se a suspeita maior for ansiedade, o diagnóstico costuma ser feito com base na conversa com o médico, na análise dos sintomas e na exclusão de problemas físicos. Muitas vezes ocorre encaminhamento para psicólogo ou psiquiatra, para avaliar melhor a saúde emocional e indicar o tratamento mais adequado.

    Quando procurar atendimento médico?

    A presença de dor no peito ou de sintomas que lembram problema cardíaco, como falta de ar, suor frio e palpitações intensa, precisa de atenção médica. Mesmo quando existe histórico de ansiedade, o ideal é não ignorar sinais físicos novos, intensos ou diferentes do habitual, pois ansiedade e problema cardíaco podem coexistir.

    Uma pessoa com histórico de ansiedade pode, sim, desenvolver uma condição cardíaca real, assim como um evento cardíaco pode desencadear ansiedade ou crise de pânico devido ao susto e ao estresse envolvidos. Por isso, não é recomendável assumir automaticamente que os sintomas são apenas emocionais sem uma avaliação adequada.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. O formigamento nas mãos é sinal de quê?

    Na ansiedade, o formigamento (nas mãos, pés e ao redor da boca) ocorre pela hiperventilação (respirar rápido demais). No infarto, é mais comum que o formigamento ocorra no braço esquerdo (embora também possa ser no direito), podendo ser acompanhado de sensação de fraqueza e peso também

    2. Ter uma crise de pânico pode causar um infarto na hora?

    Para uma pessoa com o coração saudável, é extremamente raro. O coração é um músculo forte feito para aguentar batimentos acelerados (como em um exercício físico). O risco existe apenas se a pessoa já tiver uma doença coronária grave preexistente.

    3. A dor de ansiedade dura quanto tempo?

    A duração varia. Muitas crises duram de alguns minutos até cerca de uma hora, embora a sensação residual possa permanecer por mais tempo.

    4. Exercício físico ajuda na ansiedade e no coração?

    Sim, a atividade física regular ajuda a controlar o estresse, melhora o humor, reduz fatores de risco cardiovascular e fortalece o coração.

    5. A ansiedade crônica entope as artérias?

    Não diretamente, mas o estresse constante libera cortisol e adrenalina, que aumentam a inflamação no corpo e a pressão arterial, o que, ao longo de anos, facilita o acúmulo de placas de gordura.

    6. Como é feito o tratamento de ansiedade?

    O tratamento de ansiedade costuma envolver psicoterapia, principalmente abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a entender e controlar pensamentos e reações emocionais. Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de remédios para reduzir os sintomas, além de orientar mudanças no estilo de vida, como atividade física, sono adequado e redução do estresse.

    7. Como aliviar a ansiedade no dia a dia?

    Algumas medidas simples ajudam bastante, como respirar de forma lenta e profunda, praticar atividade física regularmente, manter rotina de sono, reduzir cafeína, fazer pausas durante o dia e investir em momentos de lazer. Técnicas de relaxamento, meditação e psicoterapia também contribuem para aliviar os sintomas.

    8. Como é feito o tratamento de infarto?

    O infarto é uma emergência médica, em que é preciso restabelecer o fluxo de sangue para o coração o mais rápido possível. Podem ser usados medicamentos, procedimentos como angioplastia com stent ou, em alguns casos, cirurgia.

    Após a fase aguda, o tratamento continua com acompanhamento médico, uso regular de remédios, reabilitação cardíaca e mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física orientada, controle do estresse e abandono do tabagismo.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Resguardo pós-parto: o que é, quanto tempo dura e principais cuidados

    Resguardo pós-parto: o que é, quanto tempo dura e principais cuidados

    Depois de uma longa gravidez, não é apenas o bebê que precisa de cuidados no dia a dia. O resguardo pós-parto, conhecido como puerpério, é justamente a fase em que o corpo da mãe entra em processo de recuperação: o útero precisa voltar ao tamanho original, os hormônios passam por uma reorganização significativa e a cicatrização interna ocorre de forma gradual.

    As recomendações vão desde o descanso até receber orientações sobre quando retomar as relações sexuais, manter o acompanhamento médico e cuidar também da saúde emocional. É um período que exige paciência, atenção aos sinais do próprio corpo e, principalmente, uma rede de apoio presente.

    O que é o resguardo pós-parto e quanto tempo dura?

    O resguardo pós-parto, também chamado de puerpério, é o período de recuperação do corpo da mulher depois do nascimento do bebê. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é a fase em que o organismo vai voltando, aos poucos, ao que era antes da gravidez (pré-gravídica).

    A maioria dos ginecologistas costuma recomendar um período de resguardo entre cerca de 42 e 60 dias após o nascimento do bebê. O tempo é importante porque o útero ainda está se recuperando e precisa cicatrizar adequadamente antes da retomada completa das atividades.

    O que muda no corpo no pós-parto?

    A maioria das mudanças que aconteceram durante a gestação tende a regredir naturalmente no resguardo. Segundo Andreia, a principal exceção é a mama, que não volta exatamente ao que era antes, pois se desenvolve de forma mais completa durante a gravidez e, principalmente, com a amamentação.

    Durante a gestação, também ocorre aumento de até 40% do volume sanguíneo — além de maior retenção de líquidos, que o organismo elimina gradualmente o excesso. Algumas manchas na pele e linhas que surgiram nesse período tendem a clarear com o passar dos meses, embora nem sempre desapareçam totalmente.

    A região genital também passa por mudanças importantes, principalmente o útero:

    • Em condições normais, o útero tem tamanho parecido com o de uma pera, com volume entre 90 e 120 ml;
    • Durante a gravidez, ele pode chegar a três ou quatro litros;
    • No puerpério, ocorre a contração progressiva até o retorno ao tamanho habitual.

    Depois do parto e da saída da placenta, fica no útero uma área chamada ferida placentária, que corresponde ao local onde a placenta estava fixada. A região permanece aberta, precisa parar de sangrar e cicatrizar, e o fechamento ocorre naturalmente por meio das contrações do próprio útero.

    Quando o órgão se contrai, diminui de tamanho e comprime os vasos sanguíneos que estavam abertos, ajudando a interromper o sangramento.

    A amamentação também ajuda muito na fase, pois quando o bebê mama, o corpo libera um hormônio chamado ocitocina, que estimula a contração do útero e facilita a saída do leite. Por isso, a amamentação é importante tanto para a alimentação do bebê quanto para a recuperação da mãe.

    O que pode e o que não pode fazer no resguardo

    Uma vez que o corpo está em um processo intenso de cicatrização interna, são necessários cuidados no resguardo para evitar complicações.

    O que pode fazer

    • Descansar sempre que possível, principalmente nos primeiros dias;
    • Levantar e caminhar de forma leve, conforme orientação médica, para ajudar na circulação;
    • Retomar atividades do dia a dia aos poucos, como tomar banho sozinha, se alimentar normalmente e dar pequenas voltas;
    • Iniciar caminhadas leves após cerca de 15 dias, se houver liberação médica;
    • Amamentar livremente, pois a amamentação ajuda o útero a se contrair e favorece a recuperação;
    • Manter acompanhamento médico, comparecendo à consulta de revisão pós-parto.

    O que não é recomendado

    • Ter relações sexuais antes de cerca de 40 a 45 dias, pois o útero ainda está em cicatrização e há maior risco de infecção;
    • Fazer exercícios intensos ou levantar peso, principalmente após cesariana;
    • Ignorar sinais de alerta, como febre, dor intensa, sangramento em grande quantidade ou odor forte nas secreções;
    • Deixar de cuidar da saúde emocional, caso apareça tristeza intensa ou desânimo que não melhora.

    Durante o puerpério, principalmente quando existe amamentação exclusiva no peito, Andreia explica que pode acontecer a amenorreia da lactação. Isso significa que a menstruação pode parar por um tempo e, na maioria dos casos, a ovulação também não acontece.

    É uma forma natural de o corpo evitar uma nova gravidez logo após o parto. Mesmo assim, não é um método totalmente seguro. A ovulação pode acontecer antes mesmo da primeira menstruação voltar. Por isso, quando houver retomada das relações sexuais, o ideal é usar um método contraceptivo adequado, com orientação médica.

    Cuidados com a cicatriz de cesárea no resguardo

    A cicatrização correta da cesárea é importante para evitar infecções, dor prolongada, abertura dos pontos e outras complicações, e isso envolve alguns cuidados importantes, como:

    • Lavar a região diariamente durante o banho com água e sabonete neutro. Não usar produtos ou pomadas sem orientação médica;
    • Secar bem a cicatriz após o banho, com toalha limpa e sem esfregar;
    • Manter a região seca, evitando umidade, suor e roupas muito apertadas. Prefira roupas leves, como peças de algodão;
    • Evitar esforço físico intenso, exercícios abdominais, peso e movimentos bruscos nas primeiras semanas;
    • Proteger do sol, usando protetor solar ou mantendo a área coberta, para evitar escurecimento da cicatriz;
    • Fazer acompanhamento médico, especialmente nas primeiras semanas, para avaliar a cicatrização e possíveis alterações.

    Nas primeiras semanas, a cicatriz costuma ficar avermelhada, um pouco elevada, endurecida e sensível, o que é esperado. Com o passar do tempo, a tendência é clarear e ficar menos perceptível, mas a cicatrização completa pode levar mais de um ano.

    Aspectos emocionais no resguardo pós-parto

    Além da recuperação física, Andreia lembra que a parte emocional também passa por muitas mudanças após o nascimento do bebê. Fatores como alterações hormonais, cansaço, noites mal dormidas e adaptação à nova rotina podem mexer (e muito) com o humor.

    Nos primeiros dias, muitas mulheres sentem maior sensibilidade, vontade de chorar sem motivo claro, ansiedade ou insegurança. A condição, conhecida como blues puerperal, costuma ser temporária e, na maioria dos casos, melhora com o passar das semanas, principalmente quando existe apoio familiar e descanso adequado.

    Veja alguns cuidados para ter com a saúde mental no período:

    • Priorizar o sono: dormir sempre que o bebê dormir ajuda a reduzir o cansaço e a instabilidade emocional;
    • Dividir as tarefas da casa: limpeza, comida e organização podem ficar com o parceiro, familiares ou rede de apoio;
    • Aceitar ajuda sem culpa: alguém pode segurar o bebê, levar comida ou ajudar na rotina;
    • Tomar um pouco de sol diariamente: cerca de 15 minutos já ajudam no humor e no sono;
    • Conversar sobre sentimentos: falar com o parceiro, amigas ou familiares pode aliviar a ansiedade;
    • Evitar cobrança por perfeição: adaptação leva tempo, e nem todos os dias serão fáceis;
    • Manter alimentação regular: ficar muitas horas sem comer pode aumentar irritação e cansaço;
    • Observar a duração dos sintomas: o baby blues costuma melhorar em 2 a 3 semanas; caso a tristeza continue ou piore, é importante avisar o médico.

    Como diferenciar o baby blues de depressão pós-parto?

    A depressão pós-parto é um quadro de tristeza profunda e persistente que pode surgir nas semanas ou meses após o nascimento do bebê. Ao contrário do baby blues, que costuma ser leve e passageiro, a depressão costuma surgir mais tardiamente, entre três e quatro semanas após o parto, e apresenta sintomas mais intensos e profundos.

    A condição pode se manifestar a partir de sintomas como:

    • Tristeza profunda e persistente;
    • Desânimo ou falta de energia;
    • Irritabilidade ou ansiedade frequente;
    • Dificuldade para dormir, mesmo quando o bebê dorme;
    • Falta de interesse pelas atividades do dia a dia;
    • Sensação de culpa ou incapacidade;
    • Dificuldade de conexão com o bebê.

    Mulheres com histórico de depressão, durante ou antes da gestação, ou com doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto, apresentam maior risco e devem ser acompanhadas de perto por médico especialista, segundo Andreia. A depressão pós-parto pode ser tratada com acompanhamento psicológico, apoio familiar e, quando necessário, uso de remédios.

    Quando procurar o médico imediatamente no resguardo?

    No puerpério, se os seguintes sinais surgirem, o ideal é procurar atendimento médico o quanto antes:

    • Febre acima de 38 °C ou calafrios;
    • Sangramento muito intenso, com coágulos grandes ou aumento repentino do fluxo;
    • Dor forte e persistente no abdômen, na pelve ou na cicatriz;
    • Secreção com mau cheiro vaginal ou na cicatriz da cesárea;
    • Vermelhidão, inchaço, dor ou saída de pus na cicatriz;
    • Dor ou ardor ao urinar;
    • Inchaço intenso nas pernas, dor ou falta de ar;
    • Dor forte nas mamas, vermelhidão ou febre (pode indicar mastite);
    • Tristeza intensa, desespero, pensamentos negativos ou dificuldade de cuidar do bebê.

    As complicações podem surgir nas primeiras seis semanas, por isso qualquer alteração deve ser avaliada por um médico.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Por que não pode ter relação no resguardo?

    Porque o colo do útero ainda está dilatado e existe uma ferida interna onde a placenta estava grudada. O contato íntimo pode levar bactérias para dentro do útero, causando uma infecção grave chamada endometrite.

    2. Posso lavar o cabelo no dia que chegar em casa?

    Sim, pois não há qualquer restrição científica sobre lavar o cabelo ou tomar banho completo. O importante é secar bem o corpo e, em caso de cesárea, secar a cicatriz com uma toalha limpa ou gaze.

    3. É normal sentir cólica enquanto o bebê mama?

    Sim. A sucção do bebê libera ocitocina, hormônio que faz o útero contrair para voltar ao tamanho normal e evitar hemorragias. É um sinal de que o corpo está funcionando bem.

    4. O que são os “lóquios” e quanto tempo duram?

    Os lóquios são secreções vaginais normais do pós-parto, compostas por sangue, muco e tecido uterino, que indicam a cicatrização do local onde a placenta estava inserida.

    O sangramento dura, em média, de 3 a 6 semanas, evoluindo de um fluxo intenso e vermelho vivo (primeiros dias) para tonalidades rosadas, acastanhadas e, finalmente, amareladas ou brancas.

    5. Quando pode voltar a dirigir?

    Em partos normais, após 15 dias, se não houver dor. Na cesárea, recomenda-se esperar 20 a 30 dias, pois movimentos bruscos no pedal podem causar dor ou afetar os pontos da cirurgia.

    6. Pode pintar o cabelo no resguardo?

    A maioria dos médicos recomenda esperar pelo menos 15 a 30 dias e priorizar tinturas sem amônia, especialmente se estiver amamentando, para evitar a absorção de substâncias químicas pelo bebê.

    7. Por que sinto tanto suor à noite?

    É a sudorese puerperal. O corpo está eliminando o excesso de líquido retido durante a gravidez e lidando com a queda drástica de estrogênio. É normal e passageiro.

    Confira: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

  • Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta 

    Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta 

    No Brasil, cerca de 12 milhões de novos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são registrados todos os anos — e os jovens e adolescentes representam quase 50% de todos os quadros. As ISTs são causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas que podem ser transmitidas, principalmente, por meio da relação sexual sem preservativo.

    Diversas infecções podem permanecer silenciosas por longos períodos, sem causar sintomas perceptíveis, o que inclusive faz com que muitas pessoas não percebam que estão infectadas. Isso facilita a transmissão para outras pessoas e aumenta o risco de complicações mais sérias.

    Mas afinal, como reconhecer os sinais de alerta das ISTs? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender os tipos mais comuns de IST, os principais sintomas e quando procurar atendimento médico. Dá uma olhada!

    Quando desconfiar de uma infecção sexualmente transmissível?

    Nem sempre as infecções sexualmente transmissíveis provocam sintomas logo no início, o que torna comum a condição ser descoberta em exames de rotina ou quando surgem complicações. No entanto, o corpo pode dar sinais quando algo não está bem.

    A recomendação é ficar atento a qualquer mudança na região genital, anal ou bucal, especialmente após uma relação sexual sem preservativo, já que alterações como corrimento diferente do habitual, feridas, coceira, dor ou desconforto merecem avaliação.

    Quais os sinais de alerta para IST?

    Os sintomas de ISTs podem variar entre homens e mulheres, mas existem alguns sinais clássicos para ficar de olho, como:

    • Corrimento genital (uretral ou vaginal): diferente da secreção natural, o corrimento relacionado a IST costuma apresentar cor amarelada, esverdeada ou acinzentada, odor mais forte e pode vir acompanhado de coceira, ardência ou desconforto;
    • Feridas, bolhas ou úlceras: o aparecimento de feridas, com ou sem dor, representa um sinal importante de alerta, podendo surgir no pênis, na vulva, na vagina, no ânus e também na boca ou na garganta;
    • Verrugas genitais: pequenas elevações na pele que podem surgir isoladas ou agrupadas, normalmente indolores, embora possam causar coceira ou incômodo;
    • Dor ou ardor ao urinar: a sensação de queimação, ardência ou desconforto ao urinar é um sintoma frequente em infecções que atingem a uretra e deve ser investigado;
    • Dor durante a relação sexual ou no baixo ventre: nas mulheres, a dor profunda durante a relação íntima ou um desconforto persistente na região inferior do abdome pode indicar infecção que atingiu estruturas internas, como útero e trompas, quadro conhecido como doença inflamatória pélvica (DIP).

    Tipos mais comuns de IST (e os sintomas específicos)

    As ISTs consistem em um conjunto muito amplo de condições. De acordo com Andreia, elas vão desde infecções identificadas por exames de sangue, como HIV, hepatite B, hepatite C e sífilis, até aquelas diagnosticadas a partir da coleta de material dos órgãos genitais, como secreções, raspados de úlceras ou bolhas.

    Elas podem ser causadas por bactérias, vírus ou outros microrganismos, e cada uma age de maneira diferente no organismo. Veja algumas das mais comuns a seguir:

    Sífilis

    A sífilis é uma infecção causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. Ela costuma começar com uma ferida única e indolor na região íntima, na boca ou no ânus, que desaparece sozinha após alguns dias ou semanas.

    Mesmo quando a ferida some, a bactéria continua no corpo e pode evoluir para fases mais graves, causando manchas na pele, febre, queda de cabelo e, em estágios avançados, danos ao coração e ao sistema nervoso.

    A infecção tem cura, e o tratamento é feito com o uso de remédios antibióticos, geralmente à base de penicilina (benzetacil), administrada em uma ou três doses, dependendo do estágio da doença, de acordo com Andreia.

    Gonorreia

    A gonorreia é uma infecção causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que costuma atingir principalmente a uretra, o colo do útero, o reto e a garganta, sendo transmitida normalmente por meio da relação sexual sem preservativo.

    Ela pode provocar corrimento amarelado ou esverdeado, dor ou ardor ao urinar e, em alguns casos, desconforto durante a relação sexual. Nas mulheres, é comum a ausência de sintomas nas fases iniciais, o que pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações.

    O tratamento da gonorreia é feito com antibióticos, sendo o esquema mais comum a combinação de uma dose única injetável, normalmente ceftriaxona, associada a uma medicação por via oral, como a azitromicina.

    Clamídia

    A clamídia é uma infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e está entre as ISTs mais comuns, principalmente entre jovens e adultos com vida sexual ativa.

    Assim como ocorre na gonorreia, a transmissão costuma acontecer durante a relação sexual sem preservativo, e a infecção pode atingir a uretra, o colo do útero, o reto e a garganta.

    Ela pode provocar corrimento, ardor ao urinar, dor pélvica ou desconforto durante a relação sexual, mas é bastante comum não haver sintomas, especialmente nas mulheres, o que pode atrasar o diagnóstico. Quando não tratada, a infecção pode causar inflamações no útero e nas trompas, aumentando o risco de infertilidade e dor pélvica crônica.

    O tratamento da clamídia também é realizado com o uso de antibióticos, sendo a azitromicina, em dose única, ou a doxiciclina, administrada por cerca de sete dias, as opções mais frequentemente prescritas pelo médico.

    HPV (Papilomavírus Humano)

    O HPV é um vírus transmitido principalmente pelo contato sexual, inclusive pelo contato íntimo pele a pele, mesmo quando não há penetração. Existem muitos tipos diferentes do vírus: alguns causam verrugas genitais, enquanto outros estão associados ao risco de câncer, principalmente no colo do útero, mas também no ânus, pênis e garganta.

    Em muitos casos, a infecção não provoca sintomas visíveis e pode ser eliminada naturalmente pelo organismo ao longo do tempo. Quando surgem lesões, elas costumam aparecer como verrugas na região genital ou anal.

    Vale apontar que não existe um medicamento capaz de eliminar totalmente o vírus, mas há tratamentos eficazes para as lesões, além da vacina, que é uma importante forma de prevenção.

    Herpes genital

    O herpes genital é causado pelo vírus herpes simples, geralmente o tipo 2, e é transmitido principalmente pelo contato sexual sem preservativo. A infecção costuma provocar pequenas bolhas doloridas na região íntima, que se rompem, formam feridas e depois cicatrizam.

    Após o primeiro contato com o vírus, ele permanece no organismo e pode causar novas crises ao longo da vida, principalmente em períodos de estresse, cansaço, doença ou queda da imunidade.

    Embora não exista uma cura definitiva, o tratamento com medicamentos antivirais ajuda a controlar os sintomas, reduzir a duração das crises e diminuir o risco de transmissão.

    HIV

    O HIV é o vírus da imunodeficiência humana e ataca diretamente o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo contra infecções. A transmissão acontece principalmente por relação sexual sem preservativo, contato com sangue contaminado ou da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação.

    Nos primeiros dias ou semanas depois da infecção, a pessoa pode ter sintomas semelhantes aos de uma gripe, como febre, mal-estar, dor no corpo e ínguas, mas muitas pessoas não apresentam sinais.

    Sem tratamento, o vírus pode evoluir para a AIDS, fase mais avançada da infecção. Atualmente, o tratamento com medicamentos antirretrovirais permite que a pessoa tenha qualidade de vida, controle a infecção e, quando a carga viral está indetectável, não transmita o vírus por via sexual.

    Hepatite B e hepatite C

    As hepatites B e C são infecções virais que afetam principalmente o fígado e podem ser transmitidas por relação sexual sem preservativo, contato com sangue contaminado ou da mãe para o bebê. Muitas vezes não causam sintomas no início, o que pode dificultar a identificação precoce.

    Quando sinais aparecem, podem incluir cansaço excessivo, náusea, dor abdominal, urina escura e pele ou olhos amarelados, quadro conhecido como icterícia.

    A hepatite B pode ser prevenida por meio de vacina, que está disponível gratuitamente no calendário nacional de vacinação para todas as idades. A hepatite C, por outro lado, não possui uma vacina, mas tem tratamentos antivirais que conseguem eliminar o vírus do organismo na maioria dos casos.

    Quanto tempo após a relação os sintomas aparecem?

    O intervalo entre o contato com o agente infeccioso e o surgimento dos primeiros sintomas é chamado de período de incubação, e cada infecção tem um tempo diferente para começar a apresentar sinais no corpo.

    Em algumas ISTs, como a gonorreia, os sintomas podem surgir poucos dias após a relação sexual, geralmente entre dois e dez dias. Já em outras, como a clamídia, os sinais podem aparecer após uma ou duas semanas — embora seja comum a pessoa não sentir nada no início.

    A sífilis, por exemplo, pode provocar a primeira ferida entre dez e noventa dias após o contato. No caso do HIV, algumas pessoas apresentam sintomas semelhantes aos de uma gripe entre duas e quatro semanas depois da exposição, mas muitas não percebem nenhuma alteração por um período prolongado.

    Existe ainda a chamada janela imunológica, que corresponde ao período em que a infecção já ocorreu, mas os exames laboratoriais ainda podem não detectar o vírus ou a bactéria. Por isso, Andreia aponta que é recomendado repetir os exames cerca de seis meses após uma exposição de risco.

    Como é feito o diagnóstico das ISTs?

    O diagnóstico das infecções sexualmente transmissíveis costuma ser simples e rápido, já que o SUS disponibiliza testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, com resultados que podem sair em cerca de 30 minutos, o que facilita o início do tratamento quando necessário.

    Nos casos em que há sintomas como corrimento, feridas ou verrugas, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada e, se for preciso, pede exames complementares, como a coleta de secreção, exames de sangue ou, em algumas situações específicas, a realização de biópsia.

    De acordo com Andreia, atualmente, são utilizados testes biomoleculares, como o PCR, que permitem identificar o material genético dos microrganismos e confirmar o diagnóstico com maior precisão.

    O que fazer ao suspeitar de uma infecção?

    Antes de qualquer coisa, diante de uma suspeita, é fundamental manter a calma e buscar orientação médica. A maioria das infecções sexualmente transmissíveis tem tratamento, e quanto mais cedo for feita a avaliação, maiores são as chances de resolver a infecção sem complicações.

    Veja algumas orientações:

    • Não use medicamentos por conta própria, pois pomadas, antibióticos ou qualquer outro remédio podem até aliviar os sintomas por um tempo, mas não resolvem o problema e podem dificultar o diagnóstico correto;
    • Evite relações sexuais até ter um diagnóstico. Dar uma pausa no contato íntimo ajuda a proteger você e outras pessoas até que a situação esteja esclarecida;
    • Procure atendimento em um serviço de saúde, como uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que oferecem atendimento gratuito, sigiloso e orientação adequada;
    • Converse com parceiros recentes para informar sobre, pois mesmo sem sintomas a pessoa pode precisar de avaliação e tratamento.

    Andreia ainda lembra que, no caso do HIV, existe a profilaxia pós-exposição (PEP), que consiste no uso de medicamentos após uma situação de risco e deve ser iniciada, preferencialmente, até 72 horas após a exposição.

    Também existe a profilaxia pré-exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior risco de contato com o vírus e disponível no SUS. É uma medicação oral diária e, mais recentemente, de formulações injetáveis de longa duração, que ainda estão em processo de ampliação de acesso.

    Como prevenir uma IST?

    A principal forma de prevenção das ISTs continua sendo o uso de métodos de barreira, como a camisinha masculina ou feminina, durante todas as relações sexuais. Caso surjam sintomas ou ocorra uma relação sem proteção, o ideal é procurar atendimento médico o quanto antes.

    Em muitas situações, Andreia aponta que exames são indicados apenas pela exposição ao risco, mesmo quando não há sintomas aparentes.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. O preservativo protege 100% contra todas as ISTs?

    Não. Apesar de ser o método mais eficaz, o preservativo não protege totalmente contra infecções que podem ser transmitidas pelo contato com a pele ou mucosas não cobertas, como o HPV, a herpes genital e a sífilis.

    2. Posso pegar uma IST no banheiro público ou na piscina?

    É extremamente improvável. Os agentes causadores das ISTs geralmente não sobrevivem fora do corpo humano ou no ambiente (como água clorada). A transmissão ocorre quase exclusivamente pelo contato sexual (oral, vaginal ou anal).

    3. Se eu tratar uma IST uma vez, fico imune a ela?

    Não, as infecções bacterianas como sífilis e gonorreia não geram imunidade. Você pode ser infectado e precisar de tratamento novamente quantas vezes for exposto à bactéria.

    4. O que acontece se eu não tratar uma IST?

    As consequências podem ser graves, incluindo infertilidade (DIP), complicações na gravidez, danos ao sistema nervoso, doenças cardiovasculares e maior facilidade em contrair outras infecções, como o HIV.

    5. O que é corrimento “normal” e quando ele indica uma IST?

    O corrimento normal é transparente ou esbranquiçado e sem cheiro. Se ele mudar de cor (verde, amarelo, cinza), ficar espesso como leite coalhado ou tiver odor forte (semelhante a peixe podre), é sinal de infecção e deve ser avaliado.

    6. Existe vacina contra quais ISTs?

    Atualmente, as vacinas disponíveis e altamente eficazes são contra o HPV (previne verrugas e câncer) e a hepatite B. Para as demais, como HIV, sífilis e herpes, a prevenção depende do uso de barreiras (preservativos).

    Leia mais: HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje

  • Trombofilia na gravidez: o que é, sintomas e qual exame detecta

    Trombofilia na gravidez: o que é, sintomas e qual exame detecta

    A trombofilia é uma condição caracterizada por uma maior tendência do organismo à formação de coágulos sanguíneos, chamados de trombos. Em condições normais, após cumprir a função de conter um sangramento, os coágulos são gradualmente dissolvidos pelas proteínas do sistema fibrinolítico, permitindo o restabelecimento adequado do fluxo sanguíneo.

    Quando o quadro está presente na gravidez, que por si só já é considerada um estado pró-coagulante, ocorre a associação de dois fatores que favorecem a coagulação. A combinação pode elevar ainda mais o risco de formação de trombos e, consequentemente, exigir um acompanhamento médico mais cuidadoso.

    Afinal, o que é trombofilia na gravidez?

    A trombofilia na gravidez consiste em uma tendência aumentada à formação de coágulos, durante um período em que o próprio organismo já se encontra naturalmente mais propenso à coagulação.

    Mas afinal, como ocorre a formação de trombose? O sangue possui um sistema de coagulação que funciona como um mecanismo de proteção. Quando existe uma lesão em um vaso sanguíneo, as plaquetas se dirigem ao local e se agregam, formando um tampão inicial.

    Em seguida, entram em ação proteínas da coagulação que reforçam esse tampão, formando um coágulo capaz de estancar o sangramento. Após a cicatrização do vaso, outro sistema do organismo, chamado sistema fibrinolítico, atua dissolvendo gradualmente esse coágulo, permitindo a normalização do fluxo sanguíneo.

    Em casos de trombose, o processo não acontece de forma adequada. O coágulo se forma dentro de um vaso sem a presença de uma lesão que justifique essa coagulação. Isso pode levar à obstrução parcial ou total da circulação sanguínea, prejudicando a oxigenação e a nutrição dos tecidos.

    Por que a gestação aumenta o risco?

    Durante a gestação, o corpo naturalmente aumenta a capacidade de coagulação como um mecanismo de proteção contra sangramentos no parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Isso ocorre porque o organismo se prepara para o momento do nascimento, quando existe a possibilidade de perda sanguínea significativa.

    Além do aumento dos fatores de coagulação, acontece também uma redução relativa dos mecanismos naturais anticoagulantes e uma diminuição da atividade do sistema fibrinolítico, responsável por dissolver os coágulos. As mudanças tornam o sangue mais propenso à coagulação ao longo de toda a gravidez.

    Para completar, o crescimento do útero passa a comprimir as veias da pelve e dos membros inferiores, dificultando o retorno do sangue ao coração. A circulação mais lenta favorece a estase sanguínea, condição que pode contribuir para a formação de trombos, especialmente quando existe alguma predisposição, como na trombofilia.

    Quais os tipos de trombofilia na gravidez?

    A trombofilia pode ser hereditária ou adquirida, de acordo com Andreia.

    Na forma hereditária, existe uma alteração genética herdada dos pais que interfere no sistema de coagulação do sangue, deixando-o mais propenso à formação de coágulos. Normalmente, o organismo mantém um equilíbrio entre os mecanismos que estimulam e os que controlam a coagulação.

    Quando ocorre essa alteração genética, o equilíbrio pode ser prejudicado, favorecendo a coagulação excessiva.

    Na trombofilia adquirida, a pessoa não apresenta trombofilia inicialmente, mas pode desenvolvê-la ao longo da vida. Algumas infecções virais, por exemplo, podem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos que interferem na coagulação, provocando esse desequilíbrio.

    Por isso, um exame feito em um determinado momento pode apresentar resultado normal, mas alterações podem aparecer com o passar do tempo. É uma condição que pode mudar ao longo da vida, o que torna importante a avaliação médica e o acompanhamento conforme cada situação.

    Quais as causas de trombofilia na gravidez?

    As principais alterações genéticas associadas ao desenvolvimento da trombofilia hereditária incluem mutações e deficiências que interferem diretamente no sistema de coagulação, aumentando a predisposição à formação de trombos. De acordo com Andreia, as mais frequentes incluem:

    • Mutação do fator V de Leiden;
    • Mutação da protrombina;
    • Deficiência de antitrombina III;
    • Deficiência de proteína C;
    • Deficiência de proteína S;
    • Hiper-homocisteinemia.

    A forma adquirida mais conhecida é a síndrome antifosfolípide, caracterizada pela formação de anticorpos anticardiolipina e anticoagulante lúpico.

    Sintomas de trombofilia na gravidez

    A trombofilia na gravidez muitas vezes não provoca sintomas diretos, principalmente quando ainda não ocorreu a formação de trombos. Em muitos casos, a suspeita surge apenas após exames ou diante de complicações gestacionais.

    Quando investigar a trombofilia?

    O ideal é que a investigação ocorra antes da gestação, especialmente quando existe histórico familiar de trombose ou episódio prévio na própria paciente. Dessa forma, o tratamento pode ser iniciado de maneira precoce, segundo Andreia.

    Também vale procurar atendimento médico nas seguintes situações:

    • Abortos de repetição ou perdas gestacionais sem causa definida;
    • Óbito fetal tardio ou complicações placentárias, como insuficiência placentária;
    • Pré-eclâmpsia grave ou restrição de crescimento fetal sem explicação clara;
    • Planejamento de gestação em mulheres com fatores de risco conhecidos.

    Na prática, muitas pacientes não apresentam antecedentes, e os exames não são solicitados de rotina, já que possuem custo elevado e indicação mais direcionada a grupos de maior risco. Em muitos casos, a investigação acaba acontecendo somente após o surgimento de complicações obstétricas.

    Possíveis complicações na gravidez

    Nem toda gestante com trombofilia apresentará complicações. No entanto, Andreia aponta que o risco tende a ser maior do que na população geral devido à associação de fatores que favorecem a formação de trombos durante a gestação. Entre alguns dos principais riscos, é possível destacar:

    • Trombose na gestante, principalmente nos membros inferiores: a trombofilia aumenta a chance de formação de coágulos nas veias, sobretudo nas pernas. A condição pode causar dor, inchaço, sensação de peso e, se não tratada, pode evoluir para complicações mais graves;
    • Aborto de repetição: ocorre normalmente no primeiro trimestre, quando pequenos coágulos impedem que o embrião se fixe ou receba nutrientes;
    • Óbito fetal tardio: perda do bebê após a 20ª semana, muitas vezes causada por infartos placentários (áreas da placenta que morrem por falta de sangue);
    • Restrição de crescimento fetal (RCF): o bebê não recebe nutrientes e oxigênio suficientes, nascendo com peso muito abaixo do esperado para a idade gestacional;
    • Pré-eclâmpsia: a má formação dos vasos placentários devido à trombofilia pode causar um aumento severo da pressão arterial da mãe, colocando ambos em risco;
    • Descolamento prematuro de placenta (DPP): a formação de trombos nos vasos que ligam a placenta ao útero pode causar o seu descolamento antes da hora, gerando hemorragia e risco de vida imediato;
    • Insuficiência placentária: a placenta “envelhece” precocemente e deixa de cumprir sua função de troca de gases e nutrientes.

    Qual exame detecta a trombofilia na gravidez?

    O diagnóstico da trombofilia é realizado por meio de exames de sangue específicos que avaliam o funcionamento do sistema de coagulação e identificam alterações capazes de aumentar o risco de formação de trombos.

    No caso da trombofilia adquirida, o organismo produz anticorpos que interferem no processo normal de coagulação. Os exames mais comuns são:

    • Anticoagulante lúpico;
    • Anticardiolipina IgG e IgM.

    Já nas trombofilias hereditárias, em que alterações genéticas transmitidas pelos pais que podem favorecer a coagulação excessiva, a investigação pode incluir:

    • Mutação do fator V de Leiden;
    • Mutação da protrombina;
    • Dosagem de antitrombina III;
    • Dosagem de proteína C;
    • Dosagem de proteína S;
    • Avaliação dos níveis de homocisteína.

    Em algumas situações, principalmente nas formas adquiridas, os resultados podem variar ao longo do tempo. Um exame normal não exclui totalmente a possibilidade de alterações futuras, o que pode justificar acompanhamento médico conforme o histórico clínico.

    Tratamento da trombofilia durante a gravidez

    Durante a gravidez, os anticoagulantes orais não são indicados devido ao risco de malformações fetais. Mesmo anticoagulantes mais recentes ainda não possuem evidências suficientes de segurança para uso rotineiro nesse período.

    Por isso, o tratamento costuma ser feito com heparina, geralmente a enoxaparina aplicada por injeção sob a pele. O medicamento é considerado seguro na gestação e ajuda a evitar a formação de trombos, principalmente na placenta, o que contribui para um bom funcionamento placentário e para o desenvolvimento saudável do bebê.

    Em alguns casos, o médico também pode indicar o uso de ácido acetilsalicílico, principalmente quando existe síndrome antifosfolípide.

    Cuidados no parto

    O principal risco do uso de anticoagulantes é o sangramento, então os remédios podem ser suspensos antes do parto. De acordo com Andreia, o ácido acetilsalicílico costuma ser suspenso por volta de 36 semanas de gestação, porque seu efeito dura mais tempo no organismo. Já a heparina tem ação mais curta e normalmente é suspensa cerca de 24 horas antes do parto.

    Quando o parto é programado, fica mais fácil controlar a suspensão dos medicamentos. O parto vaginal não é contraindicado e, muitas vezes, pode até ter menor risco de sangramento que a cesariana. Ainda assim, pela necessidade de planejamento, a cesariana acaba sendo escolhida em alguns casos.

    Também é importante ter cuidado com a anestesia, principalmente a peridural ou a raquidiana, porque pode haver risco de sangramento se o anticoagulante não tiver sido suspenso corretamente. Em situações de urgência, podem ser utilizados fatores de coagulação ou plasma para reverter o efeito dos anticoagulantes e garantir mais segurança para a gestante.

    Quais são os cuidados no puerpério em casos de trombofilia?

    O puerpério, período que começa logo após o parto, é considerado uma fase de maior risco para trombose. Isso acontece porque o organismo ainda permanece em estado pró-coagulante, além da recuperação do parto, das alterações hormonais e da possível redução da mobilidade nos primeiros dias.

    Por isso, alguns cuidados são importantes, especialmente para quem tem trombofilia, como:

    • Manter o uso correto dos anticoagulantes (quando prescritos): muitas mulheres precisam continuar a anticoagulação após o parto por algumas semanas. O tempo e a dose dependem da avaliação médica individual;
    • Evitar ficar muito tempo parada: levantar, caminhar e movimentar as pernas ajudam a melhorar a circulação e reduzem o risco de trombose. Mesmo após cesárea, a mobilização precoce costuma ser recomendada, conforme orientação médica;
    • Hidratação adequada: beber água regularmente ajuda a manter o sangue menos viscoso e favorece a circulação;
    • Observar sinais de trombose: inchaço, dor ou vermelhidão nas pernas, falta de ar súbita ou dor no peito devem ser avaliados rapidamente;
    • Comparecer às consultas de acompanhamento: o seguimento médico no pós-parto é essencial para ajustar medicações, avaliar riscos e orientar a recuperação;
    • Planejamento contraceptivo adequado: Alguns anticoncepcionais hormonais podem aumentar o risco de trombose. Por isso, a escolha do método deve ser feita com orientação médica.

    Com acompanhamento adequado e atenção aos cuidados, o puerpério costuma ser seguro mesmo em mulheres com trombofilia.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Ter trombofilia significa que terei uma trombose?

    Não necessariamente. A trombofilia é um fator de risco, não uma sentença. Muitas mulheres descobrem a condição e, com o tratamento adequado, nunca chegam a ter um evento trombótico (como TVP).

    2. As injeções de heparina prejudicam o bebê?

    Não, a heparina não atravessa a barreira placentária. Ela age apenas no sangue da mãe para garantir que o fluxo para a placenta continue livre de coágulos.

    3. Pode tomar anticoncepcional se tiver trombofilia?

    Métodos que contêm estrogênio são estritamente contraindicados para quem tem trombofilia, pois aumentam drasticamente o risco de trombose. O ideal são métodos de progesterona isolada ou DIU de cobre/prata.

    4. O que fazer para diminuir os riscos naturalmente?

    Manter o peso controlado, não fumar (o cigarro é o pior inimigo da circulação), manter-se hidratada e praticar atividades físicas regulares para auxiliar o retorno venoso.

    5. Quais são os sinais de alerta de uma trombose venosa profunda (TVP)?

    Os sintomas frequentes ocorrem geralmente em apenas uma das pernas: inchaço repentino, dor que parece uma cãibra forte, vermelhidão e calor na região afetada (comumente na panturrilha).

    6. Como diferenciar um inchaço comum da gravidez de uma trombose?

    O inchaço gestacional normal costuma ser bilateral (nas duas pernas) e melhora ao elevar os pés. A trombose quase sempre é unilateral e a dor é persistente, não melhorando com o repouso.

    7. O que é a embolia pulmonar e como ela se relaciona com a trombose?

    A embolia ocorre quando um pedaço do coágulo da perna se solta e viaja até os pulmões. Os sintomas são falta de ar súbita, dor no peito ao respirar e tosse seca. É uma emergência médica.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Doenças mais comuns em crianças em idade escolar e como agir 

    Doenças mais comuns em crianças em idade escolar e como agir 

    A volta às aulas é um momento importante para o desenvolvimento das crianças, mas, depois de algumas semanas, também costuma marcar um aumento expressivo de viroses e infecções. Salas fechadas, contato próximo, compartilhamento de objetos e hábitos de higiene ainda em formação criam o cenário ideal para a circulação de vírus e bactérias.

    Febre, tosse, dor de garganta, diarreia ou manchas na pele passam a fazer parte da rotina de muitas famílias nesse período. Embora a maioria dessas doenças seja leve, reconhecer os quadros mais comuns ajuda os pais a agir corretamente, proteger a criança e evitar surtos dentro das escolas.

    Por que as doenças aumentam na volta às aulas?

    O aumento de infecções nesse período acontece por vários fatores combinados:

    • Aglomeração de crianças em ambientes fechados;
    • Contato físico frequente (brincadeiras, abraços, troca de objetos);
    • Sistema imunológico ainda em desenvolvimento;
    • Higiene das mãos nem sempre feita da melhor maneira;
    • Circulação simultânea de diferentes vírus sazonais.

    Esse conjunto facilita a transmissão de doenças respiratórias, gastrointestinais e de pele.

    Principais doenças para ficar atento na volta às aulas

    Adenovírus

    O adenovírus é um dos vírus mais comuns nesse período. Ele pode causar diferentes quadros, como:

    • Resfriado e dor de garganta;
    • Febre;
    • Conjuntivite viral (olhos vermelhos e secreção);
    • Diarreia e vômitos.

    É altamente contagioso, resistente no ambiente e se espalha facilmente em escolas e creches.

    Doença mão-pé-boca

    Muito comum em crianças pequenas, especialmente em creches e educação infantil.

    Principais sinais:

    • Febre;
    • Feridas dolorosas na boca;
    • Bolhas ou manchas nas mãos, pés e região das fraldas.

    É causada por vírus (principalmente Coxsackie) e se transmite facilmente pelo contato direto e pelas mãos.

    Gripe (Influenza)

    O vírus influenza, causador da gripe, costuma circular mais em determinados períodos do ano, mas surtos podem ocorrer com a retomada das aulas.

    Sintomas comuns:

    • Febre alta de início súbito;
    • Dores no corpo;
    • Tosse;
    • Cansaço intenso.

    A vacinação anual é a principal forma de prevenção e é recomendada para crianças.

    Covid-19

    Embora hoje apresente, na maioria das crianças, quadros leves, a covid-19 ainda circula e pode causar surtos em ambientes escolares.

    Sintomas mais frequentes:

    • Febre;
    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Dor de cabeça;
    • Diarreia (em alguns casos).

    Crianças com sintomas devem ser avaliadas e afastadas temporariamente da escola, conforme orientação médica.

    Resfriados comuns (rinovírus)

    Os resfriados são extremamente frequentes na volta às aulas.

    • Coriza;
    • Espirros;
    • Tosse leve;
    • Congestão nasal.

    Apesar de benignos, são muito contagiosos e se espalham rapidamente entre as crianças.

    Gastroenterites virais

    Viroses intestinais também são comuns, especialmente em crianças menores.

    • Diarreia;
    • Vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Febre.

    O maior risco é a desidratação, principalmente em bebês e crianças pequenas.

    Infecções de garganta (amigdalites)

    Podem ser virais ou bacterianas. As bacterianas, especialmente por estreptococo, merecem atenção pelo risco de complicações.

    • Dor intensa ao engolir;
    • Febre;
    • Placas esbranquiçadas nas amígdalas;
    • Ínguas no pescoço.

    O que os pais devem fazer ao identificar sintomas?

    Levar ou não a criança para a escola?

    De forma geral, a criança não deve ir à escola se apresentar:

    • Febre;
    • Vômitos ou diarreia;
    • Dor intensa;
    • Mal-estar importante;
    • Conjuntivite com secreção;
    • Lesões ativas de mão-pé-boca.

    Mesmo sintomas leves podem evoluir, além de facilitar o contágio de outras crianças.

    Quando procurar avaliação médica?

    Os pais devem buscar orientação médica se houver:

    • Febre persistente por mais de 2–3 dias;
    • Dificuldade para respirar;
    • Sinais de desidratação;
    • Prostração;
    • Dor intensa ou piora progressiva dos sintomas.

    Crianças pequenas e aquelas com doenças crônicas exigem atenção redobrada.

    Quando a criança pode voltar às aulas?

    Em geral, a criança pode retornar quando:

    • Estiver sem febre há pelo menos 24 horas;
    • Não apresentar vômitos ou diarreia;
    • Estiver com bom estado geral;
    • Não houver risco elevado de transmissão ativa.

    A liberação pode variar conforme a doença, por isso a orientação médica é tão importante.

    Como prevenir doenças na volta às aulas

    • Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
    • Ensinar as crianças a não levar as mãos ao rosto;
    • Manter vacinação em dia (especialmente gripe e covid-19);
    • Enviar a criança doente para casa, evitando forçar a ida à escola;
    • Higienizar lancheiras, garrafas e materiais escolares;
    • Estimular boa hidratação e alimentação equilibrada.

    Essas ações protegem a criança e toda a comunidade escolar.

    Confira: Rotavírus: o que é, como se manifesta e por que a vacina é tão importante

    Perguntas frequentes sobre doenças na volta às aulas

    1. É normal a criança ficar doente logo no início das aulas?

    Sim. O aumento do contato com outras crianças facilita a exposição a novos vírus.

    2. Criança com conjuntivite precisa se afastar da escola?

    Sim, principalmente quando há secreção, pois é altamente contagiosa.

    3. Antibiótico ajuda a evitar transmissão?

    Não. Antibióticos só são indicados em infecções bacterianas específicas.

    4. A vacinação ajuda mesmo?

    Sim. Vacinas reduzem formas graves, complicações e surtos escolares.

    5. Quanto tempo essas viroses costumam durar?

    A maioria melhora em 5 a 7 dias, dependendo do vírus.

    6. Manter a criança em casa ajuda a evitar surtos?

    Sim. O afastamento temporário é uma das medidas mais eficazes para reduzir transmissão.

    Leia mais: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Adenovírus: conheça o vírus comum que preocupa na volta às aulas 

    Adenovírus: conheça o vírus comum que preocupa na volta às aulas 

    Febre, dor de garganta, olhos vermelhos ou diarreia. Em épocas de volta às aulas, esses sintomas costumam preocupar pais e responsáveis e, muitas vezes, o motivo é uma infecção por adenovírus. Trata-se de um vírus comum, especialmente em crianças, e que se espalha com facilidade em ambientes coletivos, como escolas e creches.

    Na maioria dos casos, a infecção é leve e autolimitada. Ainda assim, por ser um vírus capaz de causar sintomas respiratórios, gastrointestinais e até oculares, o adenovírus merece atenção.

    O que é o adenovírus

    O adenovírus é um grupo de vírus da família Adenoviridae, com dezenas de sorotipos diferentes. Eles têm a capacidade de infectar vários tecidos do corpo humano, principalmente:

    • Vias respiratórias;
    • Olhos (conjuntiva);
    • Trato gastrointestinal;
    • Trato urinário (mais raramente).

    A infecção por adenovírus é uma das causas mais frequentes de virose infantil, especialmente em crianças menores de 5 anos, embora adolescentes e adultos também possam ser infectados.

    Por que o adenovírus aumenta com a volta às aulas?

    A circulação do adenovírus tende a aumentar em períodos de maior convivência entre crianças. A volta às aulas cria um cenário ideal para transmissão porque envolve:

    • Contato próximo e prolongado;
    • Compartilhamento de brinquedos, materiais escolares e objetos;
    • Higiene das mãos nem sempre adequada;
    • Crianças pequenas levando as mãos à boca, nariz e olhos com frequência.

    Além disso, o adenovírus é resistente no ambiente e consegue sobreviver por horas em superfícies, o que facilita a disseminação em salas de aula.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão do adenovírus acontece de várias formas:

    • Contato direto com secreções respiratórias (tosse, espirro, saliva);
    • Contato com superfícies contaminadas, seguido de mãos nos olhos, nariz ou boca;
    • Via fecal-oral, especialmente nos quadros gastrointestinais;
    • Água contaminada, como piscinas sem cloração adequada.

    Por isso, surtos podem acontecer em escolas, creches, academias e até ambientes hospitalares.

    Principais sintomas do adenovírus

    Os sintomas variam conforme o sorotipo do vírus e o órgão mais afetado. Uma mesma criança pode apresentar mais de um tipo de manifestação.

    Sintomas respiratórios (os mais comuns)

    • Febre;
    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta;
    • Congestão nasal;
    • Rouquidão.

    Em alguns casos, pode causar quadros como faringite, amigdalite, bronquiolite ou pneumonia, especialmente em crianças pequenas.

    Sintomas oculares

    • Olhos vermelhos;
    • Ardor ou sensação de areia nos olhos;
    • Lacrimejamento;
    • Secreção ocular.

    O adenovírus é uma das principais causas de conjuntivite viral, que costuma ser altamente contagiosa.

    Sintomas gastrointestinais

    • Diarreia;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas e vômitos;
    • Febre associada.

    Esses quadros são mais comuns em crianças menores e podem levar à desidratação se não houver atenção à hidratação.

    Outros sintomas possíveis

    • Mal-estar;
    • Dor no corpo;
    • Aumento de gânglios no pescoço;
    • Cansaço.

    Quando os pais devem ficar mais atentos

    Na maioria das vezes, a infecção por adenovírus evolui bem e melhora sozinha em alguns dias. No entanto, é importante procurar avaliação médica se a criança apresentar:

    • Febre alta persistente por mais de 3 dias;
    • Dificuldade para respirar ou respiração acelerada;
    • Recusa persistente de líquidos;
    • Sinais de desidratação (pouca urina, boca seca, sonolência excessiva);
    • Dor intensa nos olhos ou piora importante da conjuntivite;
    • Prostração ou piora do estado geral.

    Crianças pequenas, imunossuprimidas ou com doenças crônicas precisam de acompanhamento médico mais próximo.

    Diagnóstico

    O diagnóstico do adenovírus é, na maioria das vezes, clínico, baseado nos sintomas e no contexto epidemiológico (por exemplo, outros casos na escola).

    Em situações específicas, podem ser solicitados exames, como:

    • Testes virais em secreção respiratória;
    • Exames de fezes, nos quadros gastrointestinais;
    • Exames laboratoriais em casos mais graves ou hospitalizados.

    Na prática, a identificação exata do vírus nem sempre é necessária, pois não muda o tratamento na maioria dos casos.

    Tratamento: o que fazer em casa

    Não existe tratamento antiviral específico para adenovírus em pessoas saudáveis. O cuidado é sintomático, focado em aliviar os sintomas e evitar complicações.

    • Repouso;
    • Boa hidratação;
    • Controle de febre e dor, conforme orientação médica;
    • Lavagem nasal com soro fisiológico nos sintomas respiratórios;
    • Higiene ocular adequada nos casos de conjuntivite.

    Antibióticos não são indicados, pois o adenovírus é um vírus, e não uma bactéria.

    Prevenção: como reduzir o risco de transmissão

    • Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
    • Ensinar as crianças a não levar as mãos aos olhos, boca e nariz;
    • Não compartilhar objetos pessoais;
    • Manter crianças sintomáticas em casa, quando possível;
    • Higienizar brinquedos e superfícies;
    • Evitar piscinas sem controle adequado de cloro.

    Essas medidas ajudam não só contra o adenovírus, mas contra várias viroses comuns da infância.

    Leia mais: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre adenovírus

    1. Adenovírus é perigoso?

    Na maioria das crianças saudáveis, não. Geralmente causa infecção leve e autolimitada, mas pode ser mais grave em bebês, imunossuprimidos ou em casos raros de acometimento pulmonar.

    2. Adenovírus é o mesmo que gripe?

    Não. A gripe é causada pelo vírus Influenza. O adenovírus pode causar sintomas parecidos, mas é um vírus diferente.

    3. Adenovírus dá conjuntivite?

    Sim. Ele é uma das causas mais comuns de conjuntivite viral, geralmente muito contagiosa.

    4. Criança com adenovírus pode ir à escola?

    Em caso de febre, mal-estar importante, diarreia ou conjuntivite ativa, o ideal é manter a criança em casa para recuperação e para evitar transmissão.

    5. Existe vacina contra adenovírus?

    Não há vacina disponível para uso rotineiro na população geral. A prevenção depende principalmente de medidas de higiene.

    6. Quanto tempo duram os sintomas?

    Em geral, de 5 a 7 dias, podendo se estender um pouco mais em alguns casos.

    7. Adultos também pegam adenovírus?

    Sim. Adultos podem se infectar, geralmente com quadros mais leves, mas ainda assim podem transmitir o vírus.

    Confira: Mão-pé-boca: entenda mais sobre essa infecção comum na infância

  • Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    A fertilização in vitro, também chamada de FIV, é uma das principais técnicas de reprodução assistida e consiste na fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, seguida da transferência do embrião para o útero.

    Ela pode ser indicada em diferentes situações, como infertilidade masculina, alterações hormonais e até idade materna mais avançada.

    Para entender como a técnica funciona, as taxas de sucesso e quanto custa no Brasil, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é fertilização in vitro (FIV)?

    A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida em que a fecundação (ou seja, a união do espermatozoide com o óvulo) acontece em laboratório, de forma controlada.

    Segundo a ginecologista Andreia, o objetivo é formar embriões que depois são transferidos para o útero, o que pode aumentar as chances de gravidez quando existem questões que dificultam a gestação natural.

    A médica explica que a indicação da fertilização in vitro normalmente ocorre depois da investigação das causas da infertilidade, já que alguns problemas podem ser tratados e permitir a gravidez de forma natural.

    Quando o tratamento inicial não resolve a situação, costumam ser testadas técnicas mais simples, como a indução da ovulação ou a inseminação artificial. Se os métodos não funcionarem, a FIV passa a ser considerada uma alternativa mais avançada.

    Como a fertilização in vitro é feita?

    A fertilização in vitro (FIV) acontece em etapas bem organizadas, como um passo a passo. O processo envolve desde a preparação do corpo até a formação do embrião e a confirmação da gravidez. Entenda como funciona:

    1. Estimulação ovariana

    O tratamento de FIV começa com a estimulação dos ovários, segundo Andreia. A paciente utiliza hormônios, normalmente injetáveis e, às vezes, combinados com medicamentos orais, para estimular a produção de vários óvulos no mesmo ciclo — diferente do ciclo natural, em que normalmente apenas um óvulo é liberado.

    A fase costuma durar entre 8 e 14 dias, em que o crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias e exames hormonais. Quando atingem o tamanho ideal, aplica-se uma medicação para finalizar o amadurecimento dos óvulos e programar a coleta.

    2. Coleta dos óvulos

    Cerca de 34 a 36 horas após a medicação final, acontece a coleta dos óvulos, também chamada de punção folicular. O procedimento é feito por via vaginal, com uma agulha guiada por ultrassom.

    A paciente fica sedada para que seja mais confortável, não há cortes na pele e o processo costuma durar entre 15 e 20 minutos. Depois da coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório para avaliação.

    3. Coleta dos espermatozoides

    No mesmo dia, ocorre a coleta do sêmen do parceiro ou o uso de amostra de banco de sêmen, quando necessário. Na maioria das vezes, a coleta é feita por masturbação.

    Em situações específicas, pode ser necessária a retirada direta dos espermatozoides dos testículos ou do epidídimo. No laboratório, o material é preparado para selecionar os espermatozoides com melhor qualidade.

    4. Fertilização em laboratório

    Com óvulos e espermatozoides prontos, acontece a fecundação, que pode ser feita de duas formas, segundo Andreia:

    • FIV convencional: óvulos e espermatozoides ficam juntos em uma placa, permitindo a fecundação espontânea;
    • ICSI: um espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo, técnica usada principalmente quando há fator masculino importante ou uso de óvulos congelados.

    Depois disso, os especialistas acompanham quais óvulos foram fecundados e começaram a se desenvolver como embriões.

    5. Desenvolvimento dos embriões

    Os embriões ficam em incubadoras especiais, com temperatura e condições controladas. O desenvolvimento é monitorado todos os dias.

    Geralmente, os embriões são acompanhados até o estágio de blastocisto, entre o 5º e o 7º dia após a fecundação. Em alguns casos, podem ser feitos testes genéticos antes da transferência. Os embriões mais adequados são então escolhidos.

    6. Transferência embrionária e teste de gravidez

    Na transferência embrionária, um ou mais embriões são colocados no útero com um cateter fino. O procedimento é rápido, normalmente não precisa de anestesia e segue critérios médicos relacionados à idade, qualidade embrionária e histórico do casal.

    Se existirem embriões viáveis excedentes, eles podem ser congelados para uso futuro. Depois da transferência, Andreia explica que o recomendado é esperar cerca de 10 a 14 dias para fazer o exame de sangue beta-hCG, que confirma se houve implantação e início da gravidez.

    Os cuidados antes, durante e depois da FIV

    Antes do início do tratamento, costuma ser feita uma avaliação médica completa, com exames hormonais, investigação de infecções, análise da saúde reprodutiva e revisão do histórico clínico. Eles são importantes para entender se existem fatores que possam interferir na fertilidade ou no sucesso do procedimento.

    Segundo Andreia, são realizados os seguintes exames antes da FIV:

    • Exames hormonais para avaliar a função reprodutiva;
    • Investigação de infecções que possam interferir na fertilidade ou na gestação;
    • Ultrassom transvaginal para análise do útero e dos ovários;
    • Histerossalpingografia para avaliação das tubas uterinas;
    • Espermograma para análise da qualidade do sêmen no parceiro;
    • Avaliação clínica geral, incluindo histórico de saúde e doenças pré-existentes.

    Também é importante manter o peso adequado, suspender o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Normalmente, pode ser necessária a suplementação de ácido fólico.

    Após a transferência embrionária, a continuidade do acompanhamento médico continua sendo necessário para favorecer a implantação do embrião e o início adequado da gestação. O profissional pode recomendar evitar esforço físico nos primeiros dias, ficar em repouso e realizar o exame de beta-hCG no período indicado para confirmação da gravidez.

    Já após a transferência do embrião para o útero, a recomendação habitual envolve repouso relativo nas primeiras horas ou dias, sem necessidade de imobilização prolongada. A rotina leve costuma ser liberada conforme orientação médica.

    Se o teste de gravidez apresentar resultado positivo e a evolução inicial ocorrer de forma satisfatória, a gestação passa a ser acompanhada no pré-natal habitual.

    Qual é a taxa de sucesso da fertilização in vitro?

    A taxa de sucesso da fertilização in vitro (FIV) pode variar bastante, de acordo com a idade da mulher, a causa da infertilidade, a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, além do histórico clínico de cada pessoa.

    De acordo com Andreia, em mulheres com menos de 35 anos, as taxas de sucesso costumam variar entre 40% e 50% por ciclo, com redução progressiva após os 40 anos.

    Também é importante considerar que as chances podem aumentar após mais de uma tentativa. Em alguns casos, a taxa acumulada de sucesso após três ciclos pode ultrapassar 60%, especialmente em pacientes mais jovens.

    Todo o processo costuma durar entre um mês e um mês e meio por tentativa, e, em alguns casos, são necessários vários ciclos até que a gestação seja alcançada.

    Diferenças entre a fertilização in vitro e a inseminação artificial

    A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial são técnicas de reprodução assistida usadas quando há dificuldade para engravidar, mas elas funcionam de formas diferentes e têm indicações específicas. A principal diferença está no local onde ocorre a fecundação e na complexidade do procedimento.

    • Na inseminação artificial: o sêmen é preparado em laboratório e introduzido diretamente no útero para facilitar o encontro com o óvulo. Aqui, a fecundação ocorre naturalmente dentro do corpo da mulher, tornando o processo mais simples e menos invasivo;
    • Já na FIV: os óvulos são coletados e fertilizados em ambiente laboratorial, e somente após a formação do embrião é que ocorre a transferência para o útero. Por ser mais complexa, a FIV é geralmente indicada quando outros métodos falham ou em casos de infertilidade mais severos.

    A escolha entre os métodos depende da causa da infertilidade, da idade da paciente e da avaliação médica individual.

    Quando a fertilização in vitro pode ser indicada?

    A fertilização in vitro costuma ser indicada quando há fatores ligados à fertilidade feminina, masculina ou ao casal que tornam a gravidez natural mais difícil, além de outras situações específicas que podem interferir na concepção.

    Entre os fatores femininos que podem indicar a FIV, é possível destacar:

    • Alterações nas tubas uterinas, como obstrução, ausência ou sequelas de infecções pélvicas e hidrossalpinge;
    • Endometriose severa;
    • Baixa reserva ovariana ou idade materna mais avançada;
    • Distúrbios ovulatórios de difícil controle;
    • Falência ovariana prematura;
    • Histórico de abortos de repetição;
    • Necessidade de testes genéticos nos embriões.

    Já entre os fatores masculinos, estão:

    • Baixa concentração de espermatozoides;
    • Alterações importantes na motilidade ou na morfologia dos espermatozoides;
    • Azoospermia, com necessidade de retirada dos espermatozoides diretamente dos testículos;
    • Situações após vasectomia, quando existe desejo de paternidade;
    • Necessidade de técnicas complementares, como a ICSI, para melhorar a fecundação.

    A fertilização in vitro também pode ser recomendada para:

    • Casais formados por mulheres, com possibilidade de gestação compartilhada e uso de sêmen de doador;
    • Casais masculinos, com uso de óvulos doados e útero de substituição, conforme as normas médicas vigentes.

    Em todos os casos, a indicação deve ser feita após avaliação especializada, considerando a história clínica, os exames e os objetivos reprodutivos de cada pessoa ou casal.

    Existem riscos (ou efeitos colaterais) da FIV?

    A estimulação hormonal utilizada na fertilização in vitro pode causar algumas reações relacionadas ao aumento dos níveis hormonais e aos próprios procedimentos envolvidos, como aponta Andreia:

    • Distensão abdominal;
    • Cólicas;
    • Retenção de líquidos;
    • Sensibilidade mamária;
    • Alterações de humor;
    • Síndrome da hiperestimulação ovariana, condição rara, mas potencialmente grave, que exige acompanhamento médico próximo;
    • Pequenos sangramentos ou desconfortos após a punção ovariana, procedimento considerado seguro, mas que pode apresentar riscos pontuais.

    Quanto custa a fertilização in vitro no Brasil?

    Um ciclo completo de fertilização in vitro (FIV) no Brasil costuma ter custo médio entre R$ 20 mil e R$ 45 mil.

    O valor pode variar conforme o preço dos medicamentos, que geralmente representam parte significativa do tratamento, além do uso de técnicas adicionais, como ICSI, testes embrionários ou outros procedimentos laboratoriais, e também da clínica escolhida.

    Em situações mais complexas, que exigem recursos extras ou múltiplas etapas, o custo total pode ultrapassar R$ 80 mil.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade limite para fazer a FIV?

    No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a idade máxima de 50 anos para a mulher. Acima disso, o tratamento só é permitido com autorização médica específica e avaliação de riscos de saúde.

    2. Bebês de FIV são saudáveis como os de gestação natural?

    Sim, não há evidências científicas de que a técnica aumente o risco de malformações. Eles se desenvolvem exatamente da mesma forma.

    3. O tratamento de FIV dói?

    A etapa mais sensível é a punção folicular (coleta de óvulos), mas ela é realizada sob sedação leve, então a paciente dorme e não sente dor. As injeções hormonais diárias são subcutâneas, com agulhas bem finas, semelhantes às de insulina.

    4. Posso escolher o sexo do bebê na FIV?

    No Brasil, a seleção de sexo por motivos sociais é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ela só é permitida em casos raros para evitar a transmissão de doenças genéticas ligadas ao sexo (como a hemofilia).

    5. Posso trabalhar normalmente durante o processo?

    Na maioria dos dias, sim. O afastamento costuma ser necessário apenas no dia da punção folicular e, às vezes, um pequeno repouso no dia da transferência embrionária.

    6. Posso usar óvulos de uma doadora (Ovodoação)?

    Sim. No Brasil, a doação deve ser anônima (exceto em casos de parentesco de até 4º grau) e não pode ter caráter comercial. É a principal alternativa para mulheres com menopausa precoce ou baixa reserva ovariana.

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