Autor: Dra. Juliana Soares

  • Remédio para colesterol faz mal? Veja mitos e verdades

    Remédio para colesterol faz mal? Veja mitos e verdades

    Os medicamentos para reduzir o colesterol estão entre os tratamentos mais estudados e prescritos para cuidar da saúde cardiovascular. Ainda assim, muitas dúvidas e mitos cercam esse tipo de remédio, principalmente quando o assunto são possíveis efeitos colaterais ou a necessidade de tomar o medicamento por períodos mais longos.

    A verdade é que o colesterol alto geralmente não provoca sintomas, mas pode aumentar o risco de problemas graves, como infarto e AVC. Por isso, entender quando o tratamento é necessário e como esses medicamentos funcionam é muito importante para proteger a saúde do coração.

    Antes de continuar a leitura, veja neste vídeo uma explicação clara sobre alguns dos mitos mais comuns relacionados às medicações usadas para controlar o colesterol.

    Para que servem os medicamentos para colesterol

    Os medicamentos para colesterol têm como principal objetivo reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

    Eles ajudam a diminuir principalmente o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, que pode se acumular nas paredes das artérias e formar placas de gordura.

    Com o tempo, essas placas podem estreitar ou bloquear os vasos sanguíneos, aumentando o risco de:

    • Infarto;
    • Acidente vascular cerebral (AVC);
    • Doença arterial coronariana;
    • Outras complicações cardiovasculares.

    Entre os medicamentos mais utilizados estão as estatinas, consideradas atualmente um dos tratamentos mais eficazes na prevenção de eventos cardiovasculares.

    Mito: todo mundo que toma remédio para colesterol terá efeitos colaterais

    Esse é um dos mitos mais comuns.

    Embora algumas pessoas possam apresentar efeitos colaterais, a grande maioria utiliza essas medicações sem problemas.

    Os efeitos adversos mais relatados são:

    • Dor muscular;
    • Cansaço;
    • Sensação de fraqueza.

    Mesmo assim, esses sintomas ocorrem em uma pequena parcela dos pacientes — cerca de 3% a 5%, de acordo com estudos clínicos.

    Na maioria das situações, os benefícios da medicação em reduzir o risco de infarto e AVC são muito maiores do que os possíveis efeitos colaterais.

    Mito: se o colesterol melhorou, posso parar o remédio

    Outro equívoco bastante comum é acreditar que, após a melhora dos níveis de colesterol, o medicamento pode ser interrompido.

    Na maior parte dos casos, isso não é recomendado.

    Isso acontece porque essas medicações controlam o colesterol, mas não curam a tendência do organismo de produzi-lo em excesso.

    Quando o tratamento é interrompido sem orientação médica, os níveis de colesterol tendem a subir novamente.

    Por esse motivo, qualquer mudança na medicação deve sempre ser discutida com o médico.

    Confira: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Perguntas frequentes sobre remédios para colesterol

    1. Todo remédio para colesterol causa dor muscular?

    Não. Embora a dor muscular seja um efeito colateral possível, ela ocorre em apenas uma pequena parcela dos pacientes.

    2. Posso parar o remédio se o colesterol normalizar?

    Na maioria dos casos, não. O medicamento controla o colesterol, mas não elimina a tendência do corpo de produzi-lo em níveis elevados.

    3. Estatinas são seguras?

    Sim. As estatinas estão entre os medicamentos mais estudados da medicina e demonstraram grande segurança e eficácia na prevenção de infarto e AVC.

    4. Alimentação saudável pode substituir o medicamento?

    Em alguns casos de baixo risco cardiovascular, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes. Porém, muitas pessoas precisam da medicação associada a essas mudanças.

    5. Quem tem colesterol alto sempre precisa tomar remédio?

    Não necessariamente. A decisão depende do nível de colesterol, da idade e do risco cardiovascular de cada pessoa. O médico deve acompanhar cada caso e orientar da melhor maneira.

    6. O colesterol alto dá sintomas?

    Na maioria das vezes, não. Por isso, exames de sangue são essenciais para o diagnóstico.

    7. O tratamento do colesterol é para sempre?

    Em muitos casos, sim, especialmente quando a pessoa possui alto risco cardiovascular.

    Veja também: Novas metas de colesterol em 2025: valores mais rígidos para proteger seu coração

  • Canetas emagrecedoras: cuidados e efeitos colaterais que você precisa conhecer 

    Canetas emagrecedoras: cuidados e efeitos colaterais que você precisa conhecer 

    Nos últimos anos, medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras ganharam enorme destaque no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Fármacos dessa classe, como os análogos do GLP-1, demonstraram grande eficácia na perda de peso e no controle da glicose no sangue, o que ampliou o interesse tanto de médicos e pacientes.

    Apesar dos benefícios, esses medicamentos não são uma solução mágica para emagrecer. Eles agem em mecanismos específicos do organismo e podem causar efeitos colaterais em algumas pessoas. Por isso, especialistas reforçam que o uso deve ser sempre acompanhado por profissionais de saúde e combinado com mudanças no estilo de vida.

    Assista: quais cuidados devem ser tomados com as canetas emagrecedoras

    Veja neste vídeo uma explicação direta sobre os cuidados necessários ao utilizar medicamentos dessa classe.

    O que são as chamadas “canetas emagrecedoras”

    As chamadas canetas emagrecedoras são um nome popular para medicamentos injetáveis usados originalmente no tratamento do diabetes tipo 2, mas que também demonstraram grande eficácia na perda de peso.

    Elas pertencem a uma classe de medicamentos chamada análogos do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), um hormônio que participa da regulação do apetite e do metabolismo da glicose.

    Entre seus principais efeitos estão:

    • Redução do apetite;
    • Aumento da sensação de saciedade;
    • Melhor controle da glicose no sangue;
    • Retardo do esvaziamento do estômago;
    • Auxílio na perda de peso.

    Além disso, estudos clínicos mostraram que alguns medicamentos dessa classe também podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares em pessoas com diabetes e obesidade.

    Como esses medicamentos ajudam na perda de peso

    Um dos principais mecanismos dos análogos de GLP-1 é retardar o esvaziamento do estômago, fazendo com que a digestão seja mais lenta e a sensação de saciedade dure mais tempo.

    Isso leva a:

    • Menor ingestão de alimentos;
    • Redução da fome entre as refeições;
    • Maior facilidade para seguir uma dieta equilibrada.

    Esse conjunto de efeitos explica por que muitas pessoas conseguem perder peso com o tratamento.

    Quem deve ter cuidado ao usar esses medicamentos

    Nem todas as pessoas podem utilizar medicamentos dessa classe. Existem contraindicações e situações que exigem avaliação médica cuidadosa.

    Por esse motivo, especialistas reforçam que o uso dessas medicações nunca deve ser feito por conta própria.

    Veja também: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes sobre canetas emagrecedoras

    As canetas emagrecedoras funcionam mesmo?

    Sim. Diversos estudos clínicos demonstraram que medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 podem promover perda de peso significativa quando associados a mudanças no estilo de vida.

    Esses medicamentos servem apenas para emagrecer?

    Não. Eles foram inicialmente desenvolvidos para tratar o diabetes tipo 2, ajudando a controlar os níveis de glicose no sangue.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Os mais frequentes são náuseas, vômitos, sensação de estômago cheio e desconforto digestivo, especialmente no início do tratamento.

    É possível perder o apetite completamente?

    Em alguns casos, a redução do apetite pode ser muito intensa. Por isso, é importante ter orientação médica e nutricional para manter uma alimentação adequada.

    O peso pode voltar depois de parar o medicamento?

    Sim. Se não houver mudanças sustentáveis na alimentação e no estilo de vida, existe risco de recuperação do peso.

    Posso usar canetas emagrecedoras por conta própria?

    Não. Esses medicamentos precisam de prescrição e acompanhamento médico para garantir segurança.

    Atividade física é necessária durante o tratamento?

    Sim. A prática regular de exercícios ajuda a potencializar a perda de peso e contribui para manter os resultados a longo prazo.

    Veja mais: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

  • Você sabia que excesso de vitamina D pode ser perigoso? Entenda os riscos 

    Você sabia que excesso de vitamina D pode ser perigoso? Entenda os riscos 

    A vitamina D ganhou enorme popularidade nos últimos anos. Conhecida por ajudar na saúde dos ossos, na imunidade e em diversas funções do organismo, ela passou a ser consumida por muitas pessoas em forma de suplemento, muitas vezes sem avaliação médica.

    O problema é que, apesar de muito importante para a saúde, a vitamina D também pode trazer riscos quando utilizada em excesso. Diferentemente de algumas vitaminas que o corpo elimina facilmente, ela pode se acumular no organismo e provocar efeitos indesejados.

    Veja abaixo os riscos do excesso de vitamina D e como saber se você precisa ou não suplementar a vitamina.

    Quando a suplementação de vitamina D é necessária

    Nem todas as pessoas precisam tomar vitamina D em cápsulas ou gotas. A indicação depende de diversos fatores.

    Entre as situações em que a suplementação pode ser indicada estão:

    • Deficiência comprovada em exames de sangue;
    • Baixa exposição solar;
    • Idosos;
    • Pessoas com osteoporose;
    • Doenças que prejudicam a absorção de nutrientes;
    • Uso de alguns medicamentos específicos.

    A dose ideal varia bastante entre indivíduos e deve ser definida por um profissional de saúde.

    Como saber se seus níveis de vitamina D estão adequados

    A forma mais segura de avaliar os níveis de vitamina D é por meio de um exame de sangue chamado Vitamina D 25-hidroxi. Esse exame permite identificar se os níveis estão adequados, se existe deficiência e se há excesso da vitamina.

    Com base nesse resultado, o médico pode indicar ajustes na alimentação, exposição ao sol ou suplementação.

    Leia também: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes sobre vitamina D (FAQ)

    1. Tomar vitamina D todos os dias faz mal?

    Não necessariamente. Muitas pessoas precisam suplementar vitamina D diariamente. O problema ocorre quando a dose é muito alta ou quando o suplemento é usado sem acompanhamento médico.

    2. Quais são os sintomas de excesso de vitamina D?

    Os sintomas podem incluir náuseas, vômitos, fraqueza, perda de apetite, sede excessiva, aumento da urina e alterações nos rins.

    3. A vitamina D pode causar problemas nos rins?

    Sim. Quando o excesso de vitamina D provoca aumento do cálcio no sangue, pode haver formação de cálculos renais e sobrecarga do funcionamento dos rins.

    4. Posso tomar vitamina D por conta própria?

    Não é o ideal. O recomendado é fazer um exame de sangue antes e receber orientação médica sobre a dose adequada.

    5. Quanto tempo leva para normalizar o excesso de vitamina D?

    Depende do grau de excesso. Como a vitamina D é armazenada no organismo, pode levar semanas ou até meses para os níveis voltarem ao normal.

    6. Tomar sol já fornece vitamina D suficiente?

    A exposição solar ajuda na produção da vitamina D, mas a quantidade produzida depende de fatores como horário, duração da exposição, cor da pele e uso de protetor solar.

    7. Quem tem deficiência de vitamina D precisa suplementar sempre?

    Nem sempre. Em alguns casos, a suplementação é temporária até que os níveis se normalizem.

    Veja também: Vitaminas: por que você não deve suplementar sem acompanhamento médico?

  • 9 alimentos ricos em potássio (além da banana)

    9 alimentos ricos em potássio (além da banana)

    O potássio é um mineral que participa de vários processos importantes do funcionamento do corpo no dia a dia. Sendo um eletrólito, ele ajuda a manter o equilíbrio dos líquidos no organismo e permite a comunicação correta entre as células, principalmente as dos músculos e dos nervos.

    O potássio também é importante para o funcionamento dos músculos, inclusive do coração, ajudando a manter os batimentos cardíacos regulares. Para completar, ele trabalha junto com o sódio para ajudar no controle da pressão arterial, equilibrando os efeitos do excesso de sal no corpo.

    Mas afinal, onde encontrar o potássio? Ele é encontrado principalmente em alimentos de origem vegetal, a banana sendo uma das fontes mais conhecidas, mas vários outros alimentos também são ricos no mineral. Nós listamos alguns deles para você, a seguir!

    1. Batata-doce

    A batata-doce é uma das fontes vegetais mais completas de potássio presentes na alimentação. O mineral está ainda mais concentrado na casca, por isso, sempre que possível, o ideal é consumi-la bem higienizada e com a casca.

    Além disso, a batata-doce possui carboidratos de absorção mais lenta, que liberam energia aos poucos no organismo. Isso ajuda a evitar picos de açúcar no sangue e mantém a sensação de saciedade por mais tempo, sendo uma ótima opção para as refeições do dia a dia.

    2. Abóbora

    A abóbora, seja a cabotiá ou a moranga, é um alimento leve, nutritivo e rico em potássio. Ela tem poucas calorias e ajuda a aumentar a saciedade sem causar desconforto.

    Ela também é rica em betacaroteno, precursor da vitamina A, nutriente importante para a saúde dos olhos (especialmente a visão noturna), fortalecimento do sistema imunológico, renovação celular e manutenção da pele e mucosas.

    3. Espinafre

    O espinafre é um vegetal extremamente nutritivo, especialmente quando consumido cozido, já que o volume das folhas diminui e os nutrientes ficam mais concentrados.

    Ele é uma ótima fonte de potássio e também fornece ferro e magnésio, minerais importantes para a saúde muscular, para a produção de energia e para o transporte adequado de oxigênio pelo organismo.

    4. Beterraba

    Além do potássio, a beterraba também se destaca pela presença de nitratos naturais, compostos que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e melhorar a circulação. Quando combinados com o potássio, eles contribuem no dia a dia para o controle da pressão arterial.

    Para completar, a beterraba pode aumentar a disposição e melhorar a circulação do sangue, ajudando o corpo a funcionar melhor no dia a dia.

    5. Abacate

    Metade de um abacate pode fornecer uma quantidade significativa da necessidade diária de potássio, além de oferecer gorduras monoinsaturadas que ajudam a reduzir o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. O alimento também prolonga a sensação de saciedade, auxiliando no controle do apetite e na manutenção da energia ao longo do dia.

    6. Água de coco

    A água de coco é frequentemente chamada de “soro natural” devido à sua capacidade de repor eletrólitos, especialmente o potássio, de forma rápida e eficiente.

    Ela é uma ótima opção para a hidratação após atividades físicas ou em dias quentes, ajudando a recuperar os minerais perdidos pelo suor. Além de refrescante e saborosa, é uma alternativa natural às bebidas esportivas industrializadas.

    7. Mamão

    O mamão é uma fruta leve e excelente para o café da manhã ou para os lanches. Além do potássio, ele possui a enzima papaína, que ajuda na digestão dos alimentos. O consumo regular pode contribuir para o bom funcionamento do intestino e para uma digestão mais confortável, especialmente em pessoas com sensibilidade no estômago.

    8. Feijão

    O feijão, além de ser uma uma opção nutritiva e econômica, fornece potássio, fibras e proteínas vegetais importantes para a saúde do coração e para o equilíbrio da glicose no sangue. O feijão branco, em especial, apresenta uma alta concentração de potássio, mas todas as variedades oferecem benefícios quando consumidas regularmente.

    9. Lentilha

    A lentilha é uma excelente fonte de proteína vegetal e também oferece boas quantidades de potássio. Ela é rica em fibras solúveis, que ajudam no controle do açúcar no sangue e contribuem para a saúde intestinal.

    Além de nutritiva, a lentilha é muito versátil e pode ser usada em diversas preparações simples, tornando a alimentação mais variada.

    Qual a quantidade diária recomendada de potássio?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos consumam pelo menos 3.510 mg de potássio por dia (equivalente a 90 mmol/dia) para ajudar na redução da pressão arterial e do risco de doenças cardiovasculares.

    Para crianças, a quantidade deve ser menor e ajustada de acordo com a idade e as necessidades energéticas.

    Como saber se não estou consumindo potássio o suficiente?

    No início, os sintomas da falta de potássio podem ser leves, mas o corpo costuma dar alguns sinais de alerta, como:

    • Cansaço frequente ou falta de energia;
    • Fraqueza muscular;
    • Cãibras, principalmente nas pernas;
    • Sensação de formigamento ou dormência;
    • Prisão de ventre;
    • Batimentos cardíacos irregulares em alguns casos;
    • Pressão arterial mais elevada.

    Vale lembrar que apenas os sintomas não confirmam deficiência de potássio e a forma mais segura de saber se o consumo está adequado é por meio de avaliação médica e, quando necessário, exame de sangue que mede os níveis de potássio no organismo.

    Se você apresentar fraqueza intensa, palpitações ou cãibras frequentes, o ideal é procurar orientação médica, pois tanto a falta quanto o excesso de potássio podem afetar o funcionamento do coração.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual a dose diária recomendada de potássio?

    Para um adulto saudável, a recomendação geral gira em torno de 3.500 mg a 4.700 mg por dia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

    2. Qual a relação entre potássio e coração acelerado?

    O potássio regula os batimentos. Se os níveis estão baixos (hipocalemia) ou altos (hipercalemia), a condução elétrica do coração sofre interferência, causando palpitações ou arritmias.

    3. O que causa a falta de potássio (hipocalemia)?

    As causas mais comuns são o uso de diuréticos, vômitos ou diarreia persistentes, suor excessivo e consumo exagerado de sal ou açúcar (que aumentam a excreção renal).

    4. O excesso de potássio também é perigoso?

    Sim, pois níveis muito altos podem paralisar o músculo cardíaco. Por isso, nunca tome suplementos de potássio (como o cloreto de potássio) sem prescrição médica.

    5. O álcool interfere nos níveis de potássio?

    O álcool é um diurético potente e agride as células. O consumo em excesso é uma das causas comuns de queda brusca de potássio, o que explica as palpitações e o mal-estar da ressaca.

    6. Qual a diferença entre o potássio do alimento e o do suplemento?

    O potássio presente no alimento vem acompanhado de fibras e outros nutrientes, sendo absorvido lentamente. Já o potássio do suplemento entra rápido no sangue, o que pode ser perigoso se não houver monitoramento médico.

    Confira: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • 9 sintomas mais comuns de gastrite (e quando procurar um médico)

    9 sintomas mais comuns de gastrite (e quando procurar um médico)

    A gastrite é uma inflamação, infecção ou desgaste da mucosa interna que protege o estômago contra o próprio ácido digestivo, o que torna a parede do estômago mais sensível e vulnerável a lesões.

    Ela pode aparecer de forma repentina, sendo chamada de gastrite aguda, ou se desenvolver lentamente e permanecer por meses ou anos, caracterizando a gastrite crônica.

    A condição pode surgir por diferentes causas, desde a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, considerada uma das mais comuns, até o uso frequente de medicamentos anti-inflamatórios ou hábitos alimentares que irritam o estômago.

    Identificar a gastrite logo no início permite tratar a causa corretamente, aliviar os sintomas mais rapidamente e evitar complicações, como feridas no estômago (úlceras) e inflamações mais graves. Pensando nisso, listamos os sintomas mais comuns da condição e quando você deve procurar um médico. Confira!

    1. Dor ou queimação abdominal

    A dor ou a queimação acontece porque o ácido do estômago entra em contato direto com a parede inflamada, provocando uma sensação de ardor que pode piorar ou melhorar logo após a alimentação, dependendo da pessoa e do tipo de gastrite.

    É o sinal mais comum da gastrite e costuma aparecer na parte superior do abdôrem, conhecida como a “boca do estômago”. Em alguns casos, o desconforto aparece quando o estômago está vazio, enquanto em outros pode surgir após refeições mais pesadas, ácidas ou gordurosas.

    2. Náuseas e os vômitos

    A inflamação da mucosa altera o processo normal da digestão e o funcionamento do estômago, tornando a digestão mais lenta e desconfortável. Como consequência, pode surgir uma sensação frequente de enjoo, especialmente após as refeições ou em períodos prolongados de jejum.

    Em crises mais intensas, podem ocorrer episódios de vômito, já que o organismo tenta eliminar o conteúdo que está causando irritação.

    3. Sensação de estufamento

    Mesmo após uma refeição pequena, pode surgir a sensação de ter comido em excesso. Isso acontece porque a gastrite deixa a digestão mais lenta, fazendo com que os alimentos permaneçam por mais tempo no estômago, o que provoca pressão, desconforto e inchaço abdominal.

    4. Arrotos frequentes (eructação)

    Com a digestão prejudicada, pode ocorrer uma produção maior de gases ou a ingestão de ar devido ao desconforto abdominal. Isso leva a arrotos frequentes, muitas vezes acompanhados de um gosto ácido ou amargo na boca.

    5. Perda de apetite

    A associação entre a alimentação e o desconforto faz com que o cérebro reduza naturalmente a vontade de comer. Além disso, a sensação constante de estômago cheio diminui o interesse pelas refeições, podendo causar perda de peso sem intenção.

    6. Indigestão

    A indigestão, ou dispepsia, é a sensação de que a comida não foi bem digerida. Nessa situação, surge um desconforto persistente durante ou logo após as refeições, que pode incluir peso no estômago, queimação leve, estufamento e sensação de digestão lenta.

    Muitas pessoas descrevem a impressão de que o alimento “fica parado” no estômago por mais tempo do que o normal.

    7. Azia ou a sensação de queimação no peito

    A azia pode surgir quando o conteúdo ácido do estômago irrita a região superior do sistema digestivo. A sensação é de queimação que pode subir do estômago em direção ao peito ou à garganta, especialmente após refeições volumosas ou ao deitar logo depois de comer.

    8. Mau gosto na boca ou o gosto ácido frequente

    A acidez aumentada e a digestão prejudicada podem causar um gosto amargo ou ácido na boca, principalmente após arrotos ou ao acordar. O sintoma pode vir acompanhado de azia ou leve refluxo.

    9. Alterações nas fezes (em casos erosivos)

    Quando a gastrite provoca pequenos sangramentos na mucosa do estômago, o sangue digerido pode deixar as fezes muito escuras, pastosas e com odor forte, condição conhecida como melena. É um sintoma mais grave que precisa de atendimento médico.

    Quando procurar um médico?

    Se você apresentar desconforto abdominal, queimação ou náuseas por mais de uma semana, é importante marcar uma consulta médica. O uso de remédios para diminuir os sintomas pode mascarar uma infecção por H. pylori, por exemplo, que precisa de antibióticos para ser tratada.

    Também é necessário ficar atento a alguns sinais de alerta, que podem indicar que a gastrite está se tornando mais grave, como:

    • Perda de peso sem explicação;
    • Dificuldade para engolir;
    • Anemia sem causa conhecida;
    • Vômitos frequentes ou persistentes.

    Se surgirem sintomas como vômito com sangue, fezes muito escuras (pretas) ou desmaio, procure atendimento médico imediatamente.

    Como confirmar se é gastrite?

    O diagnóstico da gastrite é feito a partir de uma análise dos sintomas e do histórico de saúde, incluindo hábitos alimentares, uso de medicamentos, consumo de álcool e presença de estresse.

    Como a infecção pela bactéria Helicobacter pylori é uma das causas mais comuns da gastrite, podem ser solicitados exames para investigar a presença da bactéria, como:

    • Exame de sangue;
    • Exame de fezes;
    • Teste respiratório (teste do sopro).

    Quando é preciso uma confirmação mais precisa, o médico pode indicar uma endoscopia digestiva alta, exame que permite visualizar diretamente o interior do estômago por meio de uma pequena câmera introduzida pela boca.

    Durante o procedimento, também pode ser realizada uma biópsia, que consiste na coleta de uma pequena amostra do tecido para análise, ajudando a confirmar a inflamação e identificar a causa do problema.

    Em quadros leves, o diagnóstico pode ser feito inicialmente com base nos sintomas e na avaliação clínica. Mas, quando os sintomas persistem, pioram ou surgem sinais de alerta, os exames contribuem para confirmar a gastrite e orientar o tratamento adequado.

    Leia também: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a gastrite?

    As causas mais comuns são a infecção pela bactéria H. pylori, o uso frequente de anti-inflamatórios (como ibuprofeno), o consumo excessivo de álcool e o estresse severo (gastrite de estresse).

    2. O que é a bactéria H. pylori?

    É uma bactéria que sobrevive no ambiente ácido do estômago e causa inflamação crônica, sendo a principal responsável por úlceras e gastrites persistentes.

    3. Quem tem gastrite pode tomar café?

    O ideal é evitar, especialmente com o estômago vazio. A cafeína estimula a produção de ácido gástrico, o que irrita a parede do estômago.

    4. Gastrite tem cura?

    Sim, especialmente a aguda. A crônica pode ser controlada com dieta e medicação, e se a causa for a H. pylori, a erradicação da bactéria costuma resolver o problema.

    5. Qual a diferença entre gastrite e úlcera?

    A gastrite é uma inflamação na superfície da mucosa. A úlcera é uma ferida mais profunda, como um “buraco” na parede do estômago ou duodeno.

    6. Como saber se é gastrite ou refluxo?

    A gastrite costuma causar dor e desconforto na região do estômago, enquanto o refluxo provoca queimação que sobe para o peito ou garganta. Apenas a avaliação médica pode diferenciar com segurança.

    7. Ficar muito tempo em jejum piora a gastrite?

    Pode piorar. O estômago continua produzindo ácido mesmo sem alimento, o que pode aumentar a irritação da mucosa inflamada.

    8. A gastrite é contagiosa?

    A gastrite em si não é contagiosa, mas a bactéria H. pylori, uma das causas da doença, pode ser transmitida por contato com saliva ou alimentos contaminados.

    Confira: Gastrite nervosa: o que é, sintomas e como aliviar

  • Exame de cálcio coronariano é útil para prevenir infarto? Saiba para que serve e quem deve fazer

    Exame de cálcio coronariano é útil para prevenir infarto? Saiba para que serve e quem deve fazer

    Uma das principais formas de avaliar o risco de doenças cardiovasculares, o exame de cálcio coronariano, ou score de cálcio coronário, é um método não invasivo que permite identificar e quantificar a presença de depósitos de cálcio nas artérias coronárias, responsáveis por levar o sangue ao músculo do coração.

    Realizado por meio de uma tomografia computadorizada do tórax sem contraste, ele é capaz de detectar sinais precoces de aterosclerose, mesmo em pessoas que ainda não apresentam sintomas. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, o exame é indicado especialmente para pessoas com risco cardiovascular intermediário.

    Afinal, como funciona o exame de cálcio coronariano?

    O exame de cálcio coronariano funciona por meio de uma tomografia computadorizada, sem contraste, capaz de identificar e medir depósitos de cálcio presentes nas artérias coronárias, responsáveis por levar sangue ao músculo do coração.

    Durante o exame, o paciente permanece deitado em uma maca que se desloca lentamente para dentro do aparelho de tomografia. Os sensores são posicionados no tórax para registrar os batimentos cardíacos, permitindo que as imagens sejam captadas de forma sincronizada com o ritmo do coração.

    A sincronização é importante porque reduz movimentos e garante maior nitidez das imagens das artérias coronárias. Assim, o equipamento realiza múltiplas imagens do coração em poucos segundos, enquanto o paciente prende a respiração por um breve período.

    Como o cálcio apresenta alta densidade, ele aparece de forma bem definida nas imagens, possibilitando a identificação das áreas onde existem placas calcificadas nas paredes das artérias.

    Após a aquisição das imagens, um software específico analisa automaticamente os pontos de calcificação e calcula uma pontuação chamada score de cálcio coronário. Ele representa a quantidade total de cálcio encontrada nas artérias e permite estimar o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Como quantificar o score de cálcio coronariano?

    O score de cálcio coronariano é quantificado por meio de uma medida padronizada chamada escore de Agatston, que calcula a quantidade total de cálcio presente nas artérias coronárias a partir das imagens da tomografia.

    Após a realização do exame, um software específico analisa as imagens e identifica automaticamente as áreas onde há depósito de cálcio nas artérias coronárias. Como o cálcio é um material mais denso, ele aparece de forma mais evidente nas imagens, permitindo a medição com precisão.

    O sistema calcula tanto o tamanho quanto a densidade de cada área calcificada encontrada nas artérias. Cada depósito recebe uma pontuação individual, e, ao final, todos os valores são somados, gerando o número do score de cálcio coronário.

    O valor representa a quantidade total de cálcio presente nas artérias do coração e serve como um indicador indireto da presença e da extensão da aterosclerose.

    Classificação do score de cálcio

    O resultado costuma ser interpretado assim:

    • Zero: nenhuma placa calcificada detectável. Risco de eventos cardiovasculares muito baixo;
    • 1 à 10: quantidade mínima de cálcio. Risco baixo;
    • 11 à 100: doença aterosclerótica leve. Risco moderado;
    • 101 à 400: doença aterosclerótica moderada. Risco aumentado;
    • Acima de 400: doença aterosclerótica severa/extensa. Alto risco de eventos cardiovasculares (alto risco de infarto).

    É importante destacar que o score não mede diretamente o grau de entupimento das artérias, mas sim a carga de placas ateroscleróticas calcificadas.

    Por que o exame é tão útil para prevenir infarto?

    De acordo com Juliana Soares, idealmente, as artérias do coração não devem conter cálcio. Quando presente, ele funciona como um marcador da presença de aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura na parede dos vasos sanguíneos.

    A identificação do cálcio nas artérias coronárias indica que já existe um processo de doença arterial em andamento, mesmo que o paciente ainda não apresente sintomas. Dessa forma, o exame permite detectar precocemente alterações que poderiam passar despercebidas em avaliações clínicas de rotina.

    Para completar, a quantidade de cálcio encontrada está diretamente relacionada ao risco de eventos cardiovasculares futuros, como o infarto do miocárdio. Quanto maior o score de cálcio, maior tende a ser a probabilidade de complicações ao longo dos anos, o que possibilita uma estratificação mais precisa do risco individual.

    Quando o exame de cálcio coronariano é indicado?

    A realização do score de cálcio coronário é particularmente útil em pacientes classificados como de risco cardiovascular intermediário. São pessoas que apresentam algum fator de risco, mas não possuem sintomas nem diagnóstico prévio de doença cardiovascular, conforme explica Juliana.

    A cardiologista explica que, nesses casos, pode surgir a dúvida durante a consulta de iniciar ou não um tratamento preventivo, como o uso de medicamentos para controlar o colesterol, por exemplo.

    O exame contribui para esclarecer a decisão, pois se o resultado mostrar a presença elevada de cálcio nas artérias do coração, indica maior risco cardiovascular e pode justificar o início precoce do tratamento.

    O exame normalmente não é necessário para pessoas com risco muito baixo, como indivíduos jovens, sem sintomas e sem fatores de risco. Também não costuma ser indicado para quem já teve infarto ou já apresenta doença cardiovascular conhecida, pois, nesses casos, o tratamento preventivo já deve ser realizado independentemente do resultado.

    Como o resultado muda o plano de tratamento ou prevenção?

    Quando o score de cálcio é zero, o risco de infarto nos próximos dez anos é muito baixo. Nessa situação, Juliana aponta que muitas vezes o médico pode optar por adiar o início de medicamentos, priorizando inicialmente as mudanças no estilo de vida, que continuam sendo fundamentais para a saúde cardiovascular.

    Por outro lado, o tratamento preventivo é importante quando o score de cálcio é elevado, especialmente acima de 100. Nesses casos, recomenda-se iniciar medidas mais intensivas, incluindo o uso de medicações e metas mais rigorosas para o controle do colesterol, com o objetivo de reduzir o risco de eventos cardiovasculares futuros.

    Exame de cálcio coronariano substitui outros exames, como o teste ergométrico?

    Os exames avaliam aspectos diferentes do coração e, por isso, não se substituem, mas se complementam.

    O score de cálcio coronário avalia a presença de placas nas artérias do coração, identificando depósitos de cálcio que indicam aterosclerose. Já o teste ergométrico é considerado uma prova funcional, que avalia o funcionamento do coração durante o esforço físico.

    Segundo Juliana, durante o teste ergométrico, são analisados o comportamento da pressão arterial, a presença de arritmias induzidas pelo esforço e possíveis alterações que possam sugerir isquemia, que ocorre quando o músculo do coração recebe menos sangue do que o necessário durante a atividade física.

    Assim, um indivíduo pode apresentar um score de cálcio elevado, indicando a presença de placas nas artérias, e ainda ter um teste ergométrico normal. Isso acontece porque, apesar da existência das placas, o fluxo de sangue pode ainda estar adequado naquele momento.

    Com que frequência o exame de cálcio coronariano deve ser feito?

    O exame de cálcio coronariano não precisa ser repetido com frequência. Quando o resultado é zero e não há cálcio nas artérias, o tempo para repetir o exame varia conforme o perfil de cada pessoa, mas, de modo geral, ele pode ser refeito após três a cinco anos.

    Já quando o score de cálcio está alterado ou positivo, Juliana explica que normalmente não há necessidade de repetir o exame. Ao identificar a presença de cálcio nas artérias, o médico já inicia o tratamento preventivo, e acompanhar a quantidade de cálcio ao longo do tempo não serve para avaliar se o tratamento está funcionando.

    Além disso, com o passar dos anos e com o uso de estatinas, pode ocorrer até um pequeno aumento do escore de cálcio, o que faz parte do processo de estabilização das placas e não significa piora da doença.

    Veja também: Gordura saturada: quanto é seguro consumir?

    Perguntas frequentes

    1. O que é aterosclerose?

    A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica onde placas de gordura, cálcio e outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias, podendo causar estreitamento ou obstrução do fluxo sanguíneo.

    2. Existe algum sintoma que indique que meu escore de cálcio está alto?

    Não, pois o acúmulo de cálcio nas artérias é um processo silencioso. Você pode se sentir perfeitamente bem, correr maratonas e ter um escore acima de 400. Por isso, o exame é chamado de ferramenta de estratificação de risco para pessoas assintomáticas.

    3. O exame de score de cálcio usa contraste iodado?

    O exame não utiliza contraste, e isso o torna seguro para pacientes com alergia ao iodo ou com problemas renais leves a moderados, que teriam restrições a outros exames de imagem cardíaca.

    4. O score de cálcio pode ser feito durante a gravidez?

    Como qualquer exame que utilize radiação (raios-X), ele é contraindicado para gestantes, a menos que haja uma necessidade médica extrema e específica avaliada pelo cardiologista e obstetra.

    5. Por que o cálcio vai parar no coração?

    O cálcio é depositado pelo próprio organismo nas placas de gordura como uma tentativa de cicatrizar e estabilizar um processo inflamatório na parede do vaso sanguíneo. Portanto, onde há cálcio, houve ou ainda há a presença de uma placa de gordura.

    6. O exame utiliza muita radiação?

    A dose de radiação no exame de score de cálcio é considerada baixa, não sendo alto o suficiente para ser motivo de grande preocupação na maioria dos pacientes.

    7. O exame de cálcio coronariano é seguro?

    O exame de cálcio coronariano é considerado um procedimento muito seguro, rápido (menos de 30 segundos) e não invasivo. Ele não requer injeções, cateteres ou preparo especial (jejum raramente é necessário).

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Sarcopenia: o que é, sintomas, tratamento e se tem cura 

    Sarcopenia: o que é, sintomas, tratamento e se tem cura 

    A perda gradual de massa muscular, da força e da capacidade física é uma condição que atinge mais de 28 milhões de idosos no Brasil e pode impactar diretamente a autonomia, a mobilidade e a qualidade de vida ao longo do envelhecimento, tornando as tarefas simples do dia a dia cada vez mais difíceis.

    Conhecida como sarcopenia, ela está associada ao aumento do risco de quedas, fraturas, hospitalizações e perda da independência funcional. E, apesar de mais comum em idosos a partir dos 60 anos, vale apontar que pessoas jovens com doenças crônicas ou hábitos sedentários extremos também podem desenvolver o problema.

    Afinal, o que é sarcopenia?

    A sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda progressiva e generalizada da massa, força e qualidade dos músculos. Na prática, ela acontece quando o organismo passa a perder mais músculo do que consegue reconstruir.

    Com o avanço da idade, acontecem mudanças hormonais, diminuição da atividade física, menor ingestão de proteínas e alterações metabólicas que favorecem a redução da massa muscular.

    Como o músculo é fundamental para o equilíbrio, a locomoção e a realização das tarefas diárias, a condição pode comprometer a autonomia e aumentar o risco de quedas e lesões.

    Vale apontar que é normal o corpo humano perder massa muscular naturalmente por volta dos 30 ou 40 anos de idade, mas a sarcopenia não deve ser confundida com o envelhecimento comum.

    Ela é um processo acelerado que compromete a funcionalidade da pessoa e, em termos práticos, significa que o músculo perde a capacidade de gerar potência e resistência, e não apenas diminui de tamanho.

    Por que acontece?

    A sarcopenia acontece por uma combinação de fatores biológicos, estilo de vida e alterações hormonais que desequilibram o processo natural entre a formação e a degradação das fibras musculares. Os principais incluem:

    Envelhecimento natural e alterações hormonais

    Com o avanço da idade, o corpo reduz progressivamente a produção de hormônios anabólicos, como a testosterona, o estrogênio e o hormônio do crescimento (GH).

    Os hormônios funcionam como sinais biológicos que estimulam a manutenção e o aumento da massa muscular. Com a diminuição desses estímulos, o tecido muscular tende a sofrer atrofia gradual.

    Além disso, ocorre a perda de unidades motoras, neurônios responsáveis por transmitir os comandos do cérebro aos músculos — o que leva à morte de fibras musculares por falta de estímulo nervoso adequado.

    Sedentarismo

    O músculo é um tecido metabolicamente ativo e, por isso, precisa de energia para ser mantido. Quando ele não é utilizado com frequência, o organismo passa a economizar recursos e reduz sua estrutura muscular.

    O sedentarismo é considerado um dos principais fatores de risco para a sarcopenia, já que a ausência de exercícios resistidos, como a musculação, diminui o estímulo mecânico necessário para a síntese de novas proteínas musculares.

    Alimentação inadequada e baixa ingestão de proteínas

    As proteínas dos alimentos são quebradas em pequenas partes chamadas aminoácidos, que funcionam como “blocos de construção” do músculo.

    Com o avanço da idade ou na presença de algumas doenças, o corpo pode ter mais dificuldade para aproveitar a proteína consumida, situação conhecida como resistência anabólica.

    Quando a alimentação tem pouca proteína (como carnes, ovos, leite, leguminosas ou fontes equivalentes), o organismo passa a retirar nutrientes do próprio músculo para manter funções importantes, o que favorece a perda de massa muscular.

    Inflamação crônica e doenças associadas

    Algumas doenças crônicas, como diabetes, obesidade, insuficiência renal e câncer, podem manter o corpo em um estado constante de inflamação. Nessa situação, o organismo libera substâncias inflamatórias que aceleram a quebra das fibras musculares.

    No caso do diabetes, por exemplo, a resistência à insulina dificulta a entrada de nutrientes nas células do músculo, prejudicando a sua recuperação e manutenção ao longo do tempo.

    Estresse oxidativo

    No envelhecimento, as células acumulam danos causados pelos chamados radicais livres, processo conhecido como estresse oxidativo. Ele prejudica o funcionamento das mitocôndrias, que são responsáveis por produzir energia dentro das células musculares.

    Quando a produção de energia diminui, o músculo perde força, resistência e capacidade de funcionamento, o que contribui para a sua deterioração gradual.

    Uso de agonistas GLP-1 (Mounjaro) e risco de sarcopenia

    Os agonistas do receptor GLP-1, como o tirzepatida (Mounjaro), são medicamentos que atuam reduzindo o apetite, aumentando a saciedade e melhorando o controle da glicose, o que pode levar a uma perda de peso significativa em um período relativamente curto.

    No entanto, junto com a redução da gordura corporal, pode acontecer também perda de massa muscular, especialmente quando o emagrecimento acontece de forma rápida ou sem acompanhamento nutricional e físico adequado. Isso configura um risco real de sarcopenia induzida.

    De maneira geral, quando o organismo recebe menos energia e proteína do que precisa, ele também utiliza o tecido muscular como fonte energética. Como os agonistas GLP-1 diminuem bastante o apetite, algumas pessoas passam a ingerir quantidades insuficientes de proteínas e calorias, favorecendo a perda muscular.

    Como evitar?

    O uso de qualquer medicamento deve ser feito apenas com supervisão médica, que é capaz de orientar maneiras de prevenir a perda de massa muscular e tornar o processo de emagrecimento mais saudável. Isso envolve medidas como:

    • Garantir ingestão adequada de proteínas: mesmo com menor fome, é importante priorizar alimentos ricos em proteína, como ovos, carnes, peixes, laticínios, leguminosas e fontes vegetais proteicas, ajudando a preservar a massa magra;
    • Praticar exercícios de força regularmente: atividades como musculação, pilates resistido ou exercícios funcionais estimulam o músculo e sinalizam ao organismo que aquela estrutura precisa ser mantida;
    • Evitar restrições alimentares excessivas: reduções calóricas muito severas aumentam o risco de o corpo utilizar músculo como fonte de energia;
    • Acompanhar a composição corporal: avaliar apenas o peso na balança não é suficiente. O ideal é monitorar a proporção entre massa muscular e gordura corporal ao longo do tratamento;
    • Contar com acompanhamento multiprofissional: o suporte de médico, nutricionista e educador físico ajuda a ajustar alimentação, treino e evolução do tratamento de forma segura.

    Quais os sintomas de sarcopenia?

    O sintoma mais comum da sarcopenia é a fraqueza muscular, mas também podem surgir:

    • Perda de resistência física;
    • Dificuldade em realizar atividades diárias;
    • Caminhando devagar;
    • Dificuldade para subir escadas;
    • Falta de equilíbrio e quedas;
    • Diminuição do tamanho muscular.

    A sarcopenia também pode afetar pessoas com alto índice de massa corporal (IMC), em uma condição chamada obesidade sarcopênica. Pessoas com obesidade e sarcopenia têm um risco maior de complicações do que aquelas com obesidade ou sarcopenia isoladamente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da sarcopenia é feito por meio de uma avaliação simples que analisa três pontos principais: a força muscular, a quantidade de músculo no corpo e o desempenho físico da pessoa.

    A força costuma ser medida pelo aperto da mão, utilizando um aparelho chamado dinamômetro, que avalia o nível de força das mãos e dos braços. Já a massa muscular pode ser analisada por exames específicos, como DEXA (densitometria de corpo inteiro) e bioimpedância elétrica.

    O desempenho físico normalmente é avaliado pela velocidade da caminhada, o que contribui para determinar se a sarcopenia é grave.

    Quando a sarcopenia não é identificada a tempo, aumenta o risco de desequilíbrios, quedas, perda da independência, internações e outros problemas que podem comprometer seriamente a saúde e a qualidade de vida da pessoa idosa.

    Como é feito o tratamento de sarcopenia?

    O tratamento da sarcopenia tem como objetivo recuperar a força, melhorar a disposição física e ajudar a pessoa a manter a independência nas atividades do dia a dia. Na maioria das vezes, o cuidado envolve mudanças no estilo de vida, como:

    • Exercícios de força: atividades que trabalham a força muscular, como musculação, exercícios com elásticos ou treinos orientados, ajudam o músculo a ficar mais forte novamente. O ideal é praticar com orientação profissional, respeitando os limites de cada pessoa;
    • Alimentação com boa quantidade de proteína: é importante incluir alimentos como carnes, ovos, leite e derivados, feijão, lentilha e grão-de-bico na alimentação diária. Em alguns casos, o nutricionista pode indicar suplementos para ajudar a atingir a quantidade necessária;
    • Reposição de vitaminas quando necessário: algumas vitaminas e minerais, como a vitamina D e a vitamina B12, são importantes para a saúde muscular. Quando há deficiência, o médico pode recomendar reposição após avaliação por exames;
    • Controle de doenças associadas: problemas de saúde como diabetes, obesidade e doenças cardíacas podem acelerar a perda muscular. Manter as condições controladas também faz parte do tratamento.

    A pessoa com sarcopenia também deve manter um acompanhamento profissional regular, com profissionais como médico, nutricionista e fisioterapeuta. Ele permite avaliar a evolução da força muscular, ajustar a alimentação, adaptar os exercícios e identificar precocemente qualquer dificuldade que possa surgir ao longo do tratamento.

    Quando iniciado de forma precoce e mantido de maneira regular, o tratamento pode desacelerar a perda muscular e permitir um envelhecimento mais saudável e ativo, preservando a autonomia, a mobilidade e a qualidade de vida

    Riscos e complicações da sarcopenia

    A sarcopenia não afeta apenas a força muscular e, com o passar do tempo, a perda de músculo pode trazer consequências para a saúde e para a qualidade de vida, especialmente quando não é identificada e tratada precocemente.

    Se não for identificada e tratada adequadamente, ela pode causar:

    • Risco de quedas, que são uma das principais causas de fraturas e internações em pessoas idosas. Uma simples perda de estabilidade ao caminhar ou levantar pode resultar em lesões importantes;
    • Perda da independência, de modo que atividades comuns do dia a dia, como levantar da cadeira, subir escadas, carregar compras ou tomar banho sozinho, podem se tornar difíceis;
    • Redução na velocidade da caminhada e a resistência física, levando à diminuição da movimentação diária;
    • Maior dificuldade de recuperação após doenças, cirurgias ou períodos de repouso prolongado. A internação pode acelerar ainda mais a perda de massa muscular;
    • Piora das doenças crônicas, pois a redução da massa muscular interfere no metabolismo do organismo, podendo dificultar o controle do diabetes, favorecer o aumento da gordura corporal e elevar o risco cardiovascular.

    A sensação de fraqueza, o medo de cair e a limitação física também podem levar ao isolamento social, à redução das atividades de lazer e à piora do bem-estar emocional da pessoa idosa.

    É possível prevenir a sarcopenia?

    É possível prevenir a sarcopenia e, quanto mais cedo os cuidados começam, maiores são as chances de preservar a força muscular e a independência ao longo do envelhecimento.

    A perda muscular faz parte do processo natural da idade, mas ela pode ser desacelerada e, em muitos casos, evitada com hábitos saudáveis mantidos de forma regular, como:

    • Praticar exercícios de força regularmente, como musculação, pilates, exercícios com elásticos ou treino funcional;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com boa ingestão de proteínas ao longo do dia;
    • Evitar o sedentarismo, reduzindo o tempo sentado e mantendo o corpo em movimento diariamente;
    • Controlar doenças crônicas, como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares;
    • Manter um peso corporal adequado;
    • Priorizar um sono de boa qualidade;
    • Realizar consultas médicas periódicas para acompanhamento da saúde;
    • Avaliar e corrigir possíveis deficiências nutricionais, como vitamina D e vitamina B12, quando necessário.

    Sarcopenia tem cura?

    A sarcopenia pode ser tratada e, em muitos casos, revertida, principalmente quando é identificada precocemente. O músculo é um tecido adaptável, capaz de recuperar força e massa em qualquer fase da vida, inclusive na velhice.

    No entanto, a melhora não acontece com um único tratamento e depende da manutenção de hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios de força, uma alimentação adequada em proteínas e o controle de doenças associadas.

    Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são as chances de recuperar a funcionalidade e manter a autonomia no dia a dia.

    Confira: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Sarcopenia é o mesmo que osteoporose?

    Não. A sarcopenia é a perda de massa e força nos músculos, enquanto a osteoporose é a perda de densidade nos ossos. Ambas costumam acontecer juntas no envelhecimento, aumentando o risco de fraturas.

    2. Quais são os primeiros sinais de alerta?

    Os sinais mais comuns são sentir as pernas pesadas ao subir escadas, cansaço excessivo após caminhadas curtas, perda de equilíbrio e redução da força para abrir potes ou carregar sacolas.

    3. Whey protein ajuda no tratamento?

    Sim, o whey protein é uma proteína de rápida absorção que ajuda a bater a meta diária de proteínas, especialmente para idosos que têm pouco apetite ou dificuldade de mastigação.

    4. Creatina é segura para idosos com sarcopenia?

    Sim, desde que o uso seja feito com orientação médica. A creatina ajuda na hidratação da célula muscular e fornece energia rápida para os treinos de força.

    5. O uso de corticoides pode causar sarcopenia?

    Sim, o uso prolongado de medicamentos corticoides é um fator de risco, pois eles estimulam a quebra de proteínas musculares para gerar energia (catabolismo).

    6. Quanto tempo demora para recuperar o músculo perdido?

    Com treino e dieta corretos, os primeiros ganhos de força aparecem em 4 a 6 semanas, mas mudanças visíveis na massa muscular costumam levar de 3 a 4 meses.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Posso beber tomando remédio? Por que essa combinação pode ser perigosa 

    Posso beber tomando remédio? Por que essa combinação pode ser perigosa 

    Muitas pessoas subestimam os efeitos do álcool quando estão em tratamento com medicamentos. Em situações sociais, por exemplo, pode parecer inofensivo beber uma taça de vinho ou uma cerveja, mesmo usando algum remédio.

    No entanto, a combinação de bebida alcoólica com determinados medicamentos pode aumentar efeitos colaterais, reduzir a eficácia do tratamento e, em alguns casos, provocar complicações importantes. O risco varia conforme o tipo de medicamento, a dose e a quantidade de álcool ingerida.

    Como o álcool interfere nos medicamentos

    O álcool pode interferir no funcionamento de diversos medicamentos no organismo.

    Entre os principais efeitos estão:

    • Alterar o metabolismo hepático;
    • Potencializar efeitos sedativos;
    • Aumentar risco de sangramento;
    • Descompensar doenças crônicas;
    • Reduzir a eficácia do tratamento.

    Muitos medicamentos são metabolizados no fígado, o mesmo órgão responsável por metabolizar o álcool. Quando as duas substâncias são processadas ao mesmo tempo, pode haver alteração na concentração do medicamento no sangue.

    Medicamentos que oferecem maior risco quando combinados com álcool

    Algumas classes de medicamentos apresentam maior risco de interação com bebidas alcoólicas.

    1. Antidepressivos

    Misturar álcool com antidepressivos pode:

    • Reduzir o efeito do tratamento;
    • Aumentar a sedação;
    • Intensificar sintomas depressivos;
    • Prejudicar o julgamento.

    Além disso, pode aumentar o risco de efeitos adversos.

    2. Ansiolíticos e sedativos

    Benzodiazepínicos e outros sedativos, quando combinados com álcool, podem causar:

    • Sonolência intensa;
    • Confusão;
    • Queda de pressão;
    • Diminuição da respiração;
    • Maior risco de acidentes.

    Essa é considerada uma das combinações mais perigosas.

    3. Opioides

    O uso conjunto pode levar a:

    • Depressão respiratória (redução da respiração);
    • Sedação profunda;
    • Risco de morte.

    4. Antibióticos

    Nem todos os antibióticos apresentam interação grave com álcool. Ainda assim, a combinação pode:

    • Aumentar náuseas;
    • Piorar efeitos colaterais;
    • Reduzir a adesão ao tratamento.

    Alguns antibióticos específicos podem provocar uma reação semelhante ao chamado efeito antabuse, que inclui:

    • Vermelhidão;
    • Taquicardia;
    • Náusea intensa;
    • Queda de pressão.

    5. Anticoagulantes

    O álcool pode:

    • Aumentar risco de sangramento;
    • Alterar níveis do medicamento no sangue;
    • Aumentar risco de hematomas.

    6. Medicamentos para pressão

    Quando combinados com álcool, podem ocorrer:

    • Queda excessiva da pressão;
    • Tontura;
    • Maior risco de desmaio.

    7. Antidiabéticos

    O álcool pode provocar:

    • Hipoglicemia (queda da glicose no sangue);
    • Alteração no controle glicêmico;
    • Confusão.

    Esse risco é maior quando a pessoa está em jejum ou utiliza insulina.

    8. Anti-inflamatórios

    Combinar anti-inflamatórios com álcool aumenta o risco de:

    • Gastrite;
    • Sangramento gastrointestinal;
    • Dor abdominal.

    E pequenas quantidades?

    Mesmo pequenas quantidades de álcool podem ser relevantes dependendo do medicamento.

    O risco não depende apenas da quantidade ingerida, mas também de fatores como:

    • Tipo de medicamento;
    • Dose utilizada;
    • Condição clínica da pessoa.

    Por isso, em alguns tratamentos, a recomendação é evitar completamente a ingestão de álcool.

    Por que muitas pessoas não percebem o risco

    Alguns fatores contribuem para que essa combinação seja subestimada:

    • O medicamento é de uso contínuo;
    • Não há sintomas imediatos;
    • O álcool é socialmente aceito;
    • A interação não foi discutida durante a consulta.

    No entanto, a ausência de sintomas imediatos não significa ausência de risco.

    Quando evitar completamente o álcool

    Em alguns tratamentos, a recomendação é evitar totalmente a ingestão de bebidas alcoólicas, especialmente ao usar:

    • Sedativos;
    • Opioides;
    • Antidepressivos específicos;
    • Anticoagulantes;
    • Medicamentos com risco hepático;
    • Tratamentos para dependência química.

    Em caso de dúvida, a orientação deve sempre ser individualizada.

    O que fazer se ingeriu álcool junto com medicamento

    Se houver sintomas como:

    • Sonolência excessiva;
    • Confusão;
    • Dificuldade respiratória;
    • Queda importante de pressão;
    • Vômitos persistentes.

    É importante procurar atendimento médico.

    Se não houver sintomas, o mais indicado é observar e evitar repetir essa combinação.

    Confira: Álcool e tadalafila: por que o coração entra em risco

    Perguntas frequentes sobre medicamentos e álcool

    1. Posso beber socialmente tomando remédio?

    Depende do medicamento. Algumas interações são leves, enquanto outras podem ser perigosas. Sempre confirme com seu médico.

    2. Álcool corta o efeito do antibiótico?

    Nem sempre, mas pode aumentar efeitos colaterais e prejudicar a recuperação.

    3. Uma dose pequena já pode causar problema?

    Em alguns casos, sim. Isso depende do tipo de medicamento utilizado.

    4. Remédio natural pode misturar com álcool?

    Nem sempre é seguro. Fitoterápicos e suplementos também podem ter interação com álcool.

    5. Preciso avisar o médico que bebo socialmente?

    Sim. Essa informação ajuda o profissional a escolher tratamentos mais seguros.

    6. Misturar álcool com calmante é perigoso?

    Sim. A combinação pode causar sedação intensa, confusão e até depressão respiratória.

    7. Existe algum remédio que nunca pode ser combinado com álcool?

    Alguns medicamentos apresentam risco elevado quando combinados com álcool, como sedativos, opioides e certos antibióticos.

    Veja mais: Uso nocivo de álcool: 10 sinais de alerta e como a família pode ajudar

  • Gordura subcutânea e gordura visceral: quais as diferenças e porque a visceral é tão perigosa para a saúde

    Gordura subcutânea e gordura visceral: quais as diferenças e porque a visceral é tão perigosa para a saúde

    O excesso de gordura corporal é um fator de risco primário para o desenvolvimento de uma série de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão, mas você sabia que o local em que o corpo armazena a gordura pode ser tão importante quanto a quantidade total presente?

    No nosso organismo, o tecido adiposo se distribui principalmente em dois depósitos diferentes: a gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, e a gordura visceral, que se esconde nas profundezas da cavidade abdominal, envolvendo órgãos vitais como o fígado, o pâncreas e os intestinos.

    A gordura subcutânea pode incomodar mais do ponto de vista visual, já que é possível percebê-la com facilidade no espelho, mas é a gordura visceral que precisa de atenção. Por apresentar alta atividade metabólica, ela libera substâncias inflamatórias diretamente na corrente sanguínea, o que pode desencadear alterações associadas ao aumento do risco de doenças.

    Afinal, o que é gordura subcutânea e gordura visceral?

    O organismo armazena a gordura em diferentes regiões do corpo, e cada tipo pode ter funções e impactos diferentes para a saúde.

    Gordura subcutânea

    A gordura subcutânea é a gordura que fica logo abaixo da pele, sendo aquela camada mais superficial que pode ser vista no espelho ou sentida ao toque, quando você aperta a região do abdômen, das coxas, dos braços ou do quadril.

    Ela apresenta algumas funções no organismo, como:

    • Reserva de energia para o organismo;
    • Isolamento térmico, ajudando na manutenção da temperatura corporal;
    • Proteção mecânica contra impactos.

    Apesar de ser um incômodo estético, a gordura subcutânea costuma apresentar menor associação direta com riscos metabólicos graves quando comparada à gordura visceral.

    Gordura visceral

    A gordura visceral fica armazenada em regiões profundas da cavidade abdominal, envolvendo órgãos importantes como o fígado, o pâncreas e os intestinos. Diferentemente da gordura subcutânea, ela apresenta uma alta atividade metabólica e hormonal.

    Isso significa que ela não funciona apenas como reserva de energia, mas é responsável por liberar substâncias inflamatórias e hormônios que podem interferir no funcionamento do corpo.

    A liberação contínua dessas substâncias mantém o corpo em um estado de inflamação crônica, favorecendo alterações como aumento da pressão arterial, piora dos níveis de colesterol e aumento da glicose.

    Por que a gordura visceral é mais perigosa para a saúde?

    A gordura visceral costuma ser considerada mais preocupante porque ela não funciona apenas como reserva de energia, diferente da subcutânea. Por ficar localizada ao redor de órgãos importantes e apresentar alta atividade metabólica, ela libera substâncias inflamatórias e hormônios que podem interferir no equilíbrio do organismo.

    A liberação contínua mantém o corpo em um estado de inflamação crônica, o que pode favorecer alterações importantes, como:

    • Aumento da pressão arterial;
    • Elevação da glicose no sangue;
    • Piora dos níveis de colesterol;
    • Maior resistência à insulina;
    • Maior probabilidade de desenvolvimento de diabetes tipo 2.

    Como a gordura visceral fica bem próxima de órgãos importantes, tudo o que ela libera chega muito rápido ao fígado. É como se o organismo recebesse um estímulo constante para produzir mais açúcar no sangue e mais partículas de gordura, conhecidas como VLDL.

    Com o tempo, as partículas podem se acumular nas paredes das artérias, formando placas que dificultam a circulação do sangue, o que aumenta o risco de problemas cardíacos, incluindo infarto e AVC.

    Como saber se tenho gordura visceral acumulada?

    A medida da circunferência abdominal é o principal indicador da quantidade de gordura visceral presente no organismo. Quanto maior a medida da cintura, maior costuma ser o acúmulo de gordura visceral, o que pode aumentar o risco de problemas no coração, alterações no colesterol, pressão alta e outras questões metabólicas.

    Mesmo pessoas com aparência magra ou com peso dentro do considerado normal podem ter excesso de gordura interna na região abdominal.

    Além da medida da cintura abdominal, exames como a bioimpedância ajudam a estimar a composição corporal, enquanto exames de imagem (como ultrassom, tomografia ou ressonância) conseguem identificar com mais precisão a quantidade de gordura visceral. A indicação dos exames deve sempre partir de um profissional de saúde.

    Também vale atenção para fatores de risco associados, que podem aumentar a chance de acúmulo de gordura visceral, como sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, estresse frequente, sono irregular e histórico familiar de doenças metabólicas.

    Em caso de dúvida, a recomendação é procurar um profissional de saúde, que ajuda a identificar riscos precocemente e a orientar os exames necessários.

    O que causa o acúmulo de gordura na barriga?

    O acúmulo de gordura na região abdominal pode acontecer por vários motivos, normalmente sendo uma combinação de fatores como:

    • Excesso de açúcar e farinha branca, como doces, refrigerantes, pães e massas, que aumentam a insulina, que dá ordem ao corpo para estocar gordura na cintura;
    • Consumo de álcool, pois o corpo para de queimar gordura para processar o álcool, e esse excesso de calorias vai direto para a região abdominal;
    • Estresse alto, uma vez que o corpo libera cortisol, um hormônio que favorece o acúmulo de gordura especificamente entre os órgãos (visceral);
    • A falta de exercícios, que faz com que a energia que sobra seja estocada como gordura, em vez de ser usada pelos músculos;
    • Noites mal dormidas, que desregulam os hormônios da fome e aumentam a vontade de comer alimentos calóricos;
    • Mudanças hormonais, como a queda de estrogênio na menopausa (mulheres) e da testosterona (homens);
    • Alimentos ultraprocessados, pois as gorduras ruins e conservantes inflamam o organismo e incham a região abdominal.

    Quando os fatores permanecem presentes por muito tempo, o corpo acaba tendo mais tendência a acumular gordura na região da barriga.

    Quando procurar um médico ou nutricionista?

    É importante procurar um médico ou nutricionista principalmente se a medida da cintura estiver acima dos valores considerados seguros (acima de 94 cm para homens e 80 cm para mulheres) mesmo que o restante do corpo pareça magro.

    Além das medidas, outros sinais de alerta indicam que o acúmulo de gordura pode estar prejudicando a sua saúde interna:

    • Dificuldade para reduzir a gordura abdominal mesmo com boa alimentação e exercícios;
    • Cansaço frequente ou sono de má qualidade;
    • Alterações em exames, como glicose, colesterol ou pressão altos;
    • Manchas escuras em dobras da pele, que podem indicar resistência à insulina.

    O acompanhamento profissional ajuda a avaliar possíveis riscos, orientar exames quando necessário e indicar mudanças seguras na alimentação e no estilo de vida para proteger a saúde.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Como medir a circunferência abdominal corretamente?

    Use uma fita métrica e posicione-a na metade do caminho entre a última costela e a crista ilíaca (osso do quadril), geralmente na altura do umbigo. Meça com o corpo relaxado após soltar o ar.

    2. Qual o valor ideal da cintura para homens e mulheres?

    Para evitar riscos à saúde, o ideal é que as mulheres tenham menos de 80 cm e os homens menos de 94 cm. Valores acima de 88 cm (mulheres) e 102 cm (homens) indicam risco muito alto.

    3. Qual o melhor exercício para eliminar a gordura visceral?

    A combinação de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) com musculação. A gordura visceral é metabolicamente ativa e responde bem ao exercício físico regular.

    4. Por que as mulheres ganham mais barriga após a menopausa?

    A queda do estrogênio altera a distribuição de gordura no corpo feminino. A gordura que antes ia para coxas e glúteos passa a se concentrar na região abdominal.

    5. Fazer abdominais queima a gordura da barriga?

    Não. O exercício abdominal fortalece o músculo que está por baixo da gordura, mas não queima a gordura especificamente daquela região. A queima de gordura acontece no corpo como um todo através de déficit calórico.

    6. É possível remover a gordura visceral com lipoaspiração?

    Não. A lipoaspiração remove apenas a gordura subcutânea (aquela que fica logo abaixo da pele). A gordura visceral fica atrás da parede muscular, entre os órgãos, e só pode ser eliminada com dieta, exercícios e mudanças de hábitos.

    7. O jejum intermitente é bom para perder gordura visceral?

    Sim, o jejum intermitente pode ajudar a reduzir os níveis de insulina no sangue por períodos mais longos, o que facilita o acesso do corpo às reservas de gordura visceral para usar como combustível. Contudo, o ideal é que ele seja feito com acompanhamento médico.

    Confira: Vai começar uma dieta? Saiba por que não é uma boa ideia fazer sem acompanhamento

  • Por que você não deve parar um remédio por conta própria 

    Por que você não deve parar um remédio por conta própria 

    É relativamente comum que, ao se sentir melhor ou ao não perceber sintomas, a pessoa pense em interromper um medicamento por conta própria. A lógica parece simples: se não há sintomas, talvez o remédio não seja mais necessário.

    O problema é que muitos medicamentos tratam condições que não dão sintomas, e a interrupção pode trazer riscos importantes, às vezes sem sinais imediatos. Medicamentos para pressão alta, colesterol, diabetes, ansiedade e depressão, por exemplo, estão entre os mais interrompidos sem orientação médica.

    Muitas doenças são silenciosas

    Pressão alta, colesterol elevado e diabetes são exemplos clássicos de doenças que podem não causar sintomas no dia a dia.

    Isso não significa que estejam controladas sem o medicamento. Na maioria das vezes, é justamente o tratamento que mantém o risco reduzido.

    Ao interromper o remédio a doença pode voltar a se descontrolar, o risco cardiovascular pode aumentar e complicações podem surgir ao longo do tempo, mesmo que a pessoa continue se sentindo bem.

    O que pode acontecer ao parar medicamentos comuns?

    Os efeitos da interrupção variam de acordo com o tipo de medicamento.

    1. Remédios para pressão alta

    Ao suspender anti-hipertensivos:

    • A pressão pode subir novamente;
    • Pode ocorrer efeito rebote (elevação abrupta da pressão);
    • Aumenta o risco de AVC e infarto;
    • Podem surgir dor de cabeça, tontura ou mal-estar.

    Em alguns casos, o aumento da pressão ocorre sem sintomas.

    2. Remédios para colesterol (estatinas)

    Interromper estatinas pode:

    • Elevar novamente o LDL (colesterol “ruim”);
    • Aumentar o risco cardiovascular ao longo do tempo;
    • Reduzir a proteção contra infarto e AVC.

    O efeito protetor desses medicamentos depende do uso contínuo.

    3. Medicamentos para diabetes

    Suspender o tratamento pode levar a:

    • Elevação da glicemia;
    • Descontrole metabólico;
    • Aumento do risco de complicações;
    • Em casos graves, hiperglicemia sintomática.

    Nem sempre os sintomas aparecem imediatamente.

    4. Antidepressivos e ansiolíticos

    A interrupção abrupta pode causar:

    • Sintomas de descontinuação (reações do organismo à retirada do medicamento);
    • Ansiedade intensa;
    • Insônia;
    • Tontura;
    • Irritabilidade;
    • Retorno dos sintomas depressivos.

    Alguns medicamentos precisam ser reduzidos gradualmente, nunca suspensos de uma vez.

    5. Corticoides

    Parar corticoides de forma abrupta pode causar:

    • Queda de pressão;
    • Fraqueza;
    • Mal-estar;
    • Alterações hormonais.

    Dependendo do tempo de uso, é necessária retirada gradual para evitar efeitos no organismo.

    6. Anticoagulantes

    Suspender anticoagulantes pode aumentar o risco de:

    • Trombose;
    • AVC;
    • Embolia pulmonar.

    Mesmo poucos dias sem o medicamento podem ser relevantes em algumas situações.

    O perigo do efeito rebote

    Alguns medicamentos, quando interrompidos de forma abrupta, podem provocar piora temporária mais intensa do que o quadro original. Esse fenômeno é chamado de efeito rebote.

    Ele pode ocorrer com:

    • Anti-hipertensivos;
    • Medicamentos para ansiedade;
    • Remédios para refluxo;
    • Descongestionantes nasais.

    Por isso, a retirada deve ser planejada e orientada por um profissional de saúde.

    “Mas eu melhorei, então não preciso mais”

    Muitas vezes a melhora ocorreu justamente por causa do medicamento.

    Quando o tratamento é interrompido sem orientação, a doença pode voltar a se descontrolar. Em algumas situações, é possível reduzir a dose ou até suspender o remédio, mas essa decisão deve ser feita com acompanhamento médico.

    E quando há efeitos colaterais?

    Se o medicamento estiver causando desconforto ou efeitos adversos:

    • Não interrompa por conta própria;
    • Converse com o médico;
    • Pode ser possível ajustar a dose;
    • Trocar o medicamento;
    • Rever a indicação.

    Na maioria das vezes, existem alternativas terapêuticas.

    Quando é seguro suspender um medicamento?

    A suspensão pode ser considerada em algumas situações, como:

    • Melhora sustentada da condição de saúde;
    • Mudanças no estilo de vida que reduziram o risco;
    • Exames mostrando bom controle da doença;
    • Reavaliação do risco-benefício do tratamento.

    Mesmo nesses casos, a decisão deve ser individualizada e orientada por um médico.

    O que fazer se você já parou por conta própria?

    Se você interrompeu um medicamento sem orientação:

    • Não entre em pânico;
    • Informe seu médico;
    • Retome a orientação adequada;
    • Avalie a necessidade de exames.

    Quanto antes o tratamento for reavaliado, melhor.

    Veja mais: Quais remédios podem afetar o coração? Saiba quando buscar acompanhamento

    Perguntas frequentes sobre parar medicamentos por conta própria

    1. Posso parar um remédio se estou me sentindo bem?

    Não é recomendado. Muitas doenças tratadas com medicamentos são silenciosas e podem voltar a se descontrolar após a interrupção.

    2. Parar anti-hipertensivo pode causar problemas?

    Sim. A pressão pode subir novamente e, em alguns casos, ocorrer efeito rebote.

    3. Posso parar estatina quando meu colesterol melhora?

    A melhora geralmente ocorre por causa do tratamento. A decisão de suspender deve ser avaliada pelo médico.

    4. Antidepressivos podem ser interrompidos de uma vez?

    Não é o ideal. Muitos precisam de redução gradual para evitar sintomas de descontinuação.

    5. Corticoides podem ser suspensos abruptamente?

    Dependendo do tempo de uso, a retirada precisa ser gradual para evitar alterações hormonais.

    6. Se eu tiver efeitos colaterais, devo parar o remédio?

    O melhor é conversar com o médico. Muitas vezes é possível ajustar a dose ou trocar o medicamento.

    7. O que faço se já parei o remédio por conta própria?

    Informe seu médico o quanto antes para avaliar se é necessário retomar o tratamento ou fazer ajustes.

    Leia mais: Polifarmácia: por que o uso de muitos remédios merece atenção