Autor: Dra. Juliana Soares

  • Remédios que podem ser perigosos quando combinados 

    Remédios que podem ser perigosos quando combinados 

    Tomar remédios parece algo simples, mas combinar medicamentos sem orientação pode trazer riscos importantes. Algumas misturas diminuem o efeito do tratamento; outras aumentam efeitos colaterais ou podem até provocar situações graves, como sangramentos, alterações cardíacas, queda excessiva da pressão ou danos ao fígado e aos rins.

    As chamadas interações medicamentosas acontecem quando um medicamento altera o efeito de outro, e isso não envolve apenas remédios controlados. Analgésicos comuns, anti-inflamatórios, antibióticos, suplementos, álcool e até certos alimentos podem interferir na ação de medicamentos.

    Entenda mais sobre as interações mais frequentes para ajudar a reduzir riscos e usar remédios de forma mais segura.

    O que são interações medicamentosas?

    As interações medicamentosas acontecem quando uma substância interfere na ação de outra. Isso pode fazer com que o medicamento:

    • Fique mais fraco;
    • Fique mais forte do que deveria;
    • Aumente efeitos colaterais;
    • Gere reações inesperadas no organismo.

    O uso seguro de medicamentos depende também de atenção às combinações feitas no dia a dia.

    Essas interações podem ocorrer entre:

    • Dois ou mais medicamentos;
    • Medicamentos e álcool;
    • Medicamentos e alimentos;
    • Medicamentos e suplementos ou plantas medicinais.

    Nem toda interação é grave, mas algumas podem trazer riscos importantes, principalmente em idosos, pessoas com doenças crônicas ou pacientes que usam muitos medicamentos ao mesmo tempo.

    Por que interações medicamentosas acontecem?

    Os medicamentos passam por várias etapas dentro do organismo: absorção, metabolização, circulação e eliminação. Algumas substâncias podem alterar essas etapas, modificando a quantidade do remédio no sangue ou a forma como ele atua.

    Além disso, certos medicamentos têm efeitos parecidos no corpo. Quando usados juntos, esses efeitos podem se somar de maneira perigosa.

    É por isso que algumas combinações aumentam muito o risco de sonolência, sangramento, queda de pressão ou sobrecarga nos rins e no fígado.

    Interações medicamentosas mais comuns

    Anti-inflamatórios + álcool

    Essa é uma das combinações mais comuns, e uma das mais problemáticas. Anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno já podem irritar o estômago por si só. Quando combinados ao álcool, o risco de gastrite, sangramento e úlcera aumenta.

    Além disso, o álcool pode aumentar efeitos colaterais como tontura e mal-estar.

    Dipirona, paracetamol ou outros analgésicos + álcool

    O álcool também pode aumentar riscos hepáticos, especialmente com o paracetamol. O fígado participa da metabolização do medicamento e do álcool ao mesmo tempo, o que pode aumentar a toxicidade.

    Por isso, usar analgésicos repetidamente enquanto há consumo frequente de álcool merece atenção.

    Anticoagulantes + anti-inflamatórios

    Pessoas que usam anticoagulantes, como varfarina ou rivaroxabana, precisam ter muito cuidado com anti-inflamatórios. Essa combinação pode aumentar bastante o risco de sangramentos.

    Os sinais de alerta são:

    • Sangramento gengival;
    • Sangue na urina;
    • Fezes escuras;
    • Hematomas frequentes.

    Remédios para ansiedade + álcool

    Benzodiazepínicos, como alprazolam, clonazepam e diazepam, já reduzem a atividade do sistema nervoso central. Misturados ao álcool, o efeito sedativo pode aumentar muito.

    Isso pode causar:

    • Sonolência intensa;
    • Confusão;
    • Queda de pressão;
    • Dificuldade para respirar;
    • Risco aumentado de acidentes.

    Em casos graves, a combinação pode causar problemas para respirar (depressão respiratória).

    Antibióticos + álcool

    Nem todos os antibióticos têm interação grave com álcool, mas alguns merecem atenção especial. Metronidazol e tinidazol, por exemplo, podem causar reações importantes quando combinados com bebida alcoólica.

    Entre os sintomas possíveis estão:

    • Náusea;
    • Vômitos;
    • Rubor facial;
    • Taquicardia;
    • Queda de pressão.

    Além disso, mesmo quando não há interação direta grave, o álcool pode atrapalhar a recuperação do organismo durante infecções.

    Antidepressivos + outros medicamentos que envolvem serotonina

    Algumas combinações podem aumentar excessivamente a serotonina no corpo, elevando o risco de síndrome serotoninérgica, uma condição potencialmente grave.

    O risco pode aumentar quando antidepressivos são combinados com:

    • Outros antidepressivos;
    • Alguns opioides;
    • Certos remédios para enxaqueca;
    • Suplementos como erva-de-são-joão.

    Anti-hipertensivos + medicamentos para ereção

    Medicamentos como tadalafila e sildenafil podem reduzir a pressão arterial. Quando usados junto com nitratos cardíacos, como nitroglicerina e isossorbida, a queda de pressão pode ser perigosa.

    Essa combinação pode causar:

    • Bastante tontura;
    • Desmaio;
    • Queda de pressão arterial grave;
    • Risco cardiovascular aumentado.

    Alimentos também podem interferir?

    Sim. Algumas interações conhecidas envolvem alimentos e bebidas.

    Conheça as mais famosas:

    • Suco de grapefruit (toranja) com certos medicamentos cardiovasculares;
    • Vitamina K em excesso interferindo na varfarina;
    • Cafeína potencializando alguns estimulantes.

    Isso não significa que a pessoa precise cortar completamente esses alimentos em todos os casos, mas que vale seguir orientação médica quando usa medicamentos contínuos. E, principalmente, avisar o médico que está prescrevendo algum medicamento de todos os outros remédios ou vitaminas já em uso.

    Quem corre mais risco?

    Alguns grupos têm risco maior de sofrer interações medicamentosas:

    • Idosos;
    • Pessoas que usam muitos medicamentos;
    • Pacientes com doenças renais ou hepáticas;
    • Pessoas com doenças cardiovasculares;
    • Pacientes que fazem tratamento psiquiátrico.

    Isso acontece porque o organismo pode metabolizar medicamentos de forma diferente, além de existir maior chance de múltiplas combinações.

    O que fazer para evitar interações perigosas?

    Existem algumas coisas para evitar ou diminuir a chance de interações perigosas:

    • Informar todos os medicamentos em uso ao médico;
    • Avisar sobre suplementos e fitoterápicos;
    • Evitar automedicação;
    • Ler a bula;
    • Perguntar ao farmacêutico em caso de dúvida;
    • Evitar misturar remédios com álcool sem orientação.

    Também é importante evitar a ideia de que, se o medicamento é vendido sem receita, não oferece risco. Isso não é verdade. Muitos medicamentos comuns podem interagir entre si.

    Quando procurar ajuda imediatamente?

    Procure atendimento rápido se surgirem sinais como:

    • Falta de ar;
    • Sonolência excessiva;
    • Confusão mental;
    • Desmaio;
    • Sangramento importante;
    • Batimentos cardíacos muito alterados;
    • Reação alérgica intensa.

    Esses sintomas podem indicar uma interação medicamentosa relevante e precisam de avaliação médica imediata.

    Veja também: Dipirona: quando usar e por que é proibida em alguns países

    Perguntas frequentes sobre interações medicamentosas

    1. Misturar remédios pode ser perigoso?

    Sim. Algumas combinações aumentam muito o risco de efeitos adversos.

    2. Álcool interfere em medicamentos?

    Sim. O álcool pode aumentar sedação, irritação no estômago e ser tóxico para o fígado.

    3. Suplementos também interagem?

    Sim. Fitoterápicos e suplementos podem alterar o efeito de medicamentos.

    4. Posso tomar anti-inflamatório com anticoagulante?

    A combinação exige cuidado e orientação médica devido ao risco de sangramento.

    5. Todo antibiótico interage com álcool?

    Não, mas alguns podem causar reações importantes.

    6. Medicamentos para ansiedade podem ser misturados com bebida alcoólica?

    Não é recomendado devido ao risco de sedação intensa e depressão respiratória.

    7. O farmacêutico pode orientar sobre interações?

    Sim. Farmacêuticos são profissionais capacitados para orientar sobre uso seguro de medicamentos. O Centro de Assistência Toxicológica (CEATOX) também é capaz de trazer mais informações sobre interações medicamentosas.

    Confira: Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio

  • 8 plantas que ajudam a purificar o ar (e quais evitar se você tem alergia)

    8 plantas que ajudam a purificar o ar (e quais evitar se você tem alergia)

    Além de contribuir para a decoração da casa, as plantas também podem ajudar a melhorar a qualidade de vida, inclusive purificando o ar do ambiente.

    No dia a dia, o acúmulo de poeira, o uso de produtos químicos e a falta de circulação de ar podem favorecer o surgimento de substâncias tóxicas voláteis e mofo, agravando quadros de rinite, asma e outras sensibilidades respiratórias.

    Para se ter uma ideia, estudos apontam que diferentes espécies de plantas funcionam como filtros naturais, capazes de absorver poluentes comuns em ambientes fechados, como o formaldeído e o benzeno, presentes em móveis, tintas e produtos de limpeza.

    A seguir, esclarecemos como o processo de purificação funciona, quais as melhores espécies para ter em cada cômodo e quais deve evitar se você convive com alergias respiratórias, como rinite.

    Como as plantas purificam o ar?

    As plantas purificam o ar através de um processo biológico contínuo que combina a fotossíntese com a absorção radicular. Durante o dia, elas absorvem o gás carbônico do ambiente e liberam oxigênio, o que contribui para deixar o ar mais saudável.

    Além disso, as folhas têm pequenas aberturas chamadas estômatos, que são capazes de absorver substâncias químicas invisíveis, conhecidas como Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), como o benzeno, o xileno e o formaldeído, que estão presentes em produtos de limpeza, tintas e tecidos sintéticos.

    As plantas também liberam vapor de água no ar, em um processo chamado transpiração, o que ajuda a aumentar a umidade do ambiente. Com mais umidade, partículas de poeira e esporos de mofo ficam mais pesados e caem com mais facilidade, diminuindo a quantidade de alérgenos no ar.

    Melhores plantas para purificar a casa

    Se a ideia é melhorar o ar da casa com plantas, algumas espécies são conhecidas por ajudar mais, além de serem fáceis de cuidar.

    1. Espada de São Jorge

    A espada de São Jorge promove o bem-estar e purifica o ar de maneira eficiente, reduzindo o nível de gases tóxicos como o benzeno e o xileno. Ela se destaca por ser uma das poucas espécies que continua a liberar oxigênio durante a noite, sendo uma excelente opção para colocar no quarto.

    2. Jiboia

    A jiboia melhora a umidade do ar, contribuindo para a redução dos sintomas causados pelo tempo seco, como irritação na garganta e ressecamento das mucosas. Além disso, é muito útil na absorção de compostos químicos voláteis presentes em produtos de limpeza.

    3. Palmeira-areca

    Muito utilizada na decoração, a palmeira-areca absorve gases tóxicos do ambiente e auxilia no controle da umidade. Ela atua como um umidificador natural, o que ajuda a manter as vias respiratórias mais hidratadas em dias de baixa umidade.

    4. Lírio-da-paz

    O lírio-da-paz é conhecido pela alta capacidade de filtrar esporos de fungos e mofo no ar, além de absorver substâncias como a amônia. É ideal para locais mais úmidos da casa, ajudando a prevenir o agravamento das alergias respiratórias.

    5. Dracena

    A dracena é uma das plantas mais potentes para remover o formaldeído, substância encontrada em vernizes e carpetes. Ela ajuda a filtrar o ar em salas e escritórios, mantendo o ambiente livre de impurezas invisíveis que podem causar dores de cabeça e irritação.

    6. Zamioculcas

    A zamioculca é extremamente resistente na filtragem de poluentes orgânicos e, por se adaptar bem a locais com pouca luz, é uma ótima escolha para purificar o ar em corredores ou espaços internos onde outras plantas teriam dificuldade de sobreviver.

    7. Gérbera

    Diferente de muitas flores, a gérbera absorve o dióxido de carbono, elevando a taxa de oxigênio durante a noite, auxiliando no sono. As cores vibrantes também contribuem para o bem-estar visual, mas a principal função biológica da planta é renovar o ar enquanto você descansa.

    8. Palmeira-ráfia

    A palmeira-ráfia ajuda a filtrar o excesso de amônia no ar, um componente comum em produtos de higienização de banheiros e cozinhas. Por ter um crescimento lento e folhagem densa, ela mantém o ar limpo e livre de odores químicos fortes por longos períodos.

    Tenho alergia, quais plantas preciso evitar?

    Se você convive com rinite alérgica, asma ou outra sensibilidade respiratória, algumas plantas podem ser gatilhos para crises, seja pela liberação de partículas no ar ou pela facilidade em acumular alérgenos. São elas:

    • Plantas com muito pólen: margaridas, crisântemos, girassóis e camomila soltam bastante pólen, que se espalha fácil no ar e pode irritar o nariz e os olhos. Se você gosta de flores, prefira as orquídeas, que têm pólen mais pesado;
    • Samambaias: elas soltam esporos que podem causar alergia ao serem inalados, e como precisam de muita água, pode acontecer de surgir fungos no vaso;
    • Plantas que acumulam poeira: folhas aveludadas (como a violeta) ou muito cheias (como o ficus) juntam poeira com facilidade, o que piora alergias. Nesse caso, é importante limpar as folhas toda semana;
    • Plantas que precisam de solo sempre úmido: terra muito molhada favorece mofo e fungos. Muitas vezes, a alergia vem disso, e não da planta em si.

    Vale destacar também que plantas com perfumes muito intensos, como o jasmim ou a dama-da-noite, podem desencadear crises de espirros e dor de cabeça em pessoas com hiper-reatividade olfativa, mesmo que não haja pólen envolvido.

    Cuidados importantes para alérgicos que gostam de plantas

    Mesmo que você escolha as espécies ideais para purificar o ar, é importante ter alguns cuidados para impedir o acúmulo de poeira e a proliferação de fungos:

    • Limpe as folhas pelo menos 1 vez por semana com um pano úmido, pois isso tira a poeira, reduz ácaros e ajuda a planta a respirar melhor;
    • Cubra a terra do vaso com pedrinhas, argila expandida ou casca de pinus, pois a camada evita que fungos e mofo se espalhem pelo ar;
    • Evite regar em excesso, porque a terra muito molhada e água parada favorecem bolor, que piora alergias;
    • Tenha cuidado com borrifadores, pois a umidade demais em ambiente fechado pode causar mofo nas paredes e móveis;
    • Mantenha o ambiente ventilado, e abrir as janelas todos os dias ajuda a renovar o ar e reduzir alérgenos;
    • Evite deixar plantas muito perto da cama, o ideal é colocar em locais com circulação de ar, como sala ou escritório.

    Por fim, lembre-se que, apesar das plantas ajudarem a melhorar a qualidade do ar, elas não substituem a limpeza da casa. Manter o ambiente limpo, livre de poeira e bem ventilado continua sendo necessário para evitar alergias e garantir um ar realmente saudável.

    Leia mais: Alergia infantil: quando suspeitar e quais sinais você deve ficar atento

    Perguntas frequentes

    1. Como saber se a minha planta está causando alergia?

    Se você notar aumento de espirros, coriza ou coceira nos olhos logo após regar ou manusear a planta, ela ou o fungo no solo podem ser o gatilho.

    2. As plantas ajudam a umidificar o ar em dias secos?

    Sim. Através da transpiração, as plantas liberam vapor de água, o que ajuda a manter a umidade relativa do ar mais alta e confortável para a respiração.

    3. Posso usar aromatizadores perto das minhas plantas purificadoras?

    O ideal é evitar. Plantas captam partículas químicas e o uso excessivo de sprays pode sobrecarregar a planta ou anular o efeito de purificação do ar.

    4. Como limpar as folhas das plantas sem espalhar poeira?

    Use sempre um pano levemente umedecido com água. Nunca use espanadores, pois eles apenas jogam a poeira e os ácaros de volta para o ar.

    5. A jiboia é segura para casas com crianças e pets?

    Ela purifica muito bem o ar, mas é tóxica se ingerida. Deve ser mantida em locais altos, como prateleiras ou ganchos pendentes.

    6. O que é “síndrome do edifício doente” e como as plantas ajudam?

    É quando a falta de ventilação em locais fechados causa dores de cabeça e rinite. As plantas ajudam renovando o oxigênio e removendo poluentes químicos desses locais.

    7. Existe algum risco em usar adubos orgânicos dentro de casa?

    Para alérgicos, sim. Adubos orgânicos (como esterco ou restos de alimentos) podem exalar odores fortes e favorecer o crescimento de fungos. Prefira adubos minerais (como o NPK líquido) que são mais limpos e sem cheiro.

    Veja também: Ar-condicionado faz mal para quem tem rinite ou asma? Saiba como evitar as crises

  • Rinite alérgica: aromatizadores e velas perfumadas pioram os sintomas?

    Rinite alérgica: aromatizadores e velas perfumadas pioram os sintomas?

    Os aromatizadores de ambiente, os difusores e as velas perfumadas costumam ser usados para criar uma sensação de bem-estar, relaxamento e limpeza dentro de casa. Mas, se você convive com a rinite alérgica, o hábito pode ser o gatilho para crises intensas de espirros, coriza e congestão nasal.

    A maioria dos aromatizadores libera no ar substâncias químicas voláteis, fragrâncias artificiais e partículas irritantes que podem sensibilizar as vias respiratórias. Já as velas perfumadas liberam fumaça e resíduos durante a queima, o que pode aumentar a irritação do ambiente, principalmente em locais pouco ventilados.

    A seguir, vamos entender como eles afetam a mucosa nasal e o que você pode fazer para manter a casa perfumada sem comprometer a sua saúde respiratória. Confira!

    Por que aromatizadores e velas podem piorar a rinite alérgica?

    A mucosa nasal de pessoas com alergias já costuma viver em um estado de maior sensibilidade e, por isso, qualquer cheiro muito forte ou partícula irritante pode desencadear uma reação respiratória com mais facilidade.

    Quando você usa aromatizadores, difusores ou acende velas perfumadas, vários Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) e fragrâncias sintéticas são liberados no ar. Ao serem inaladas, elas atingem as terminações nervosas do nariz, provocando uma resposta inflamatória imediata que se manifesta através de espirros, coceira e produção excessiva de muco.

    No caso específico das velas, a queima da parafina libera fuligem e micropartículas que ficam suspensas no ambiente e, uma vez aspiradas, podem se depositar nas vias respiratórias e aumentar a irritação e a congestão nasal, principalmente em locais fechados e pouco ventilados.

    Mesmo os produtos que prometem deixar um cheiro de limpeza no ar podem conter substâncias como ftalatos, fixadores e outros compostos químicos que mascaram a falta de ventilação do ambiente. Com o uso frequente, os alérgenos ficam acumulados no ar, sobrecarregando o sistema respiratório e favorecendo as crises de rinite ao longo do dia.

    Principais sintomas de irritação nasal por fragrâncias

    A exposição frequente a perfumes de ambiente, velas perfumadas e aromatizadores pode causar os seguintes sintomas:

    • Espirros em sequência;
    • Coceira no nariz;
    • Nariz entupido;
    • Coriza;
    • Ardência nasal;
    • Sensação de irritação na garganta;
    • Tosse seca;
    • Irritação e lacrimejamento dos olhos;
    • Dor de cabeça após exposição aos aromas;
    • Sensação de pressão no rosto;
    • Piora da respiração em ambientes fechados;
    • Crises de rinite mais frequentes.

    Os sinais costumam surgir logo após o contato com o cheiro forte ou após permanecer muito tempo em ambientes fechados e perfumados. Em pessoas mais sensíveis, eles podem aparecer mesmo com pequenas quantidades de fragrância no ambiente.

    Qual a diferença entre alergia e irritação química?

    A principal diferença entre a alergia e a irritação química está na forma como o corpo reage às substâncias presentes no ambiente.

    Em casos de alergia, o sistema imunológico identifica uma substância específica (como o pólen ou o ácaro) como um invasor perigoso e produz anticorpos (IgE) para combatê-lo. Mesmo pequenas quantidades do alérgeno podem desencadear sintomas intensos, e as crises tendem a se repetir sempre que acontece uma nova exposição.

    Já a irritação química, também chamada de hiperreatividade nasal, é uma reação física e direta na mucosa, sem o envolvimento de anticorpos. Algumas substâncias agressivas, como o cloro, a fumaça de vela ou o álcool de aromatizadores, podem irritar as terminações nervosas do nariz e provocar sintomas como ardência, espirros, nariz entupido, coriza e sensação de desconforto respiratório.

    Qualquer pessoa pode sofrer irritação se a concentração do produto for alta, mas quem tem rinite sente isso muito mais rápido porque as vias respiratórias já estão inflamadas.

    Quais tipos de aromatizadores são mais prejudiciais?

    Qualquer fragrância forte pode incomodar as vias respiratórias, mas alguns formatos são mais agressivos pela forma como espalham as substâncias no ar, como:

    • Sprays aerossóis: são considerados os piores para quem tem rinite porque lançam partículas minúsculas que ficam suspensas no ar por muito tempo. Além das fragrâncias, eles contêm propelentes químicos que irritam instantaneamente a mucosa nasal e podem chegar aos pulmões;
    • Velas de parafina: a maioria das velas comuns é feita de parafina, um derivado do petróleo que, ao queimar, libera gases como benzeno e tolueno, além de fuligem (partículas de carbono). A combinação de fumaça e resíduos químicos é um gatilho para crises de espirros e obstrução nasal;
    • Incenso: funciona através de uma queima lenta que gera uma grande quantidade de fumaça e material particulado. Para a pessoa alérgica, inalar incenso é quase como respirar a poluição de um escapamento de carro em um ambiente fechado, causando inflamação imediata;
    • Difusores elétricos de tomada: por ficarem ligados por longos períodos, eles mantêm uma concentração constante e elevada de substâncias químicas no ambiente. O aquecimento continuado do líquido pode alterar a composição das fragrâncias, tornando-as ainda mais irritantes;
    • Aromatizadores com “fixadores” (ftalatos): produtos que prometem um perfume que dura dias normalmente contêm ftalatos, substâncias que servem para grudar o cheiro nas superfícies. Elas são altamente irritantes para o sistema respiratório e podem desregular o sistema endócrino a longo prazo.

    Em geral, quanto mais artificial for o aroma e quanto menor for a ventilação do local onde o produto é usado, maior será o risco de crise alérgica.

    Como deixar a casa cheirosa sem atacar a rinite?

    Para quem tem rinite, o ideal é priorizar a ventilação da casa, evitar o excesso de fragrâncias artificiais e escolher alternativas mais suaves, além de manter o ambiente sempre limpo e ventilado. Veja algumas dicas:

    • Mantenha as janelas abertas diariamente para garantir a ventilação natural que renova o ar e elimina naturalmente os odores e a poeira acumulada;
    • Utilize difusores ultrassônicos que criam uma névoa fria utilizando apenas poucas gotas de óleos essenciais cem por cento puros em vez de essências sintéticas;
    • Prepare aromas por fervura ao aquecer água com especiarias naturais como canela e cravo ou cascas de laranja e limão para perfumar o ambiente de forma suave;
    • Espalhe sachês de ervas em saquinhos de tecido preenchidos com plantas secas como lavanda ou alecrim para manter gavetas e armários com um frescor natural;
    • Opte por velas vegetais fabricadas com cera de soja ou coco e pavio de algodão para evitar a liberação de fuligem e resíduos de parafina no ar.

    Importante: independentemente do método escolhido, é importante ter moderação, pois até mesmo aromas naturais em excesso podem causar desconforto. Teste uma opção por vez e observe como o corpo reage.

    Quando procurar um médico?

    Procure a orientação de um médico otorrinolaringologista ou alergista ao notar os seguintes sinais:

    • As crises de rinite acontecem com frequência e prejudicam a qualidade do sono ou o rendimento no trabalho;
    • Os sintomas de espirros e coriza não desaparecem mesmo depois de remover os aromatizadores e velas da casa;
    • Existe a necessidade de usar sprays descongestionantes nasais por conta própria com regularidade;
    • Surgem dores ou pressão na região do rosto que podem indicar a evolução para uma sinusite;
    • Ocorre a perda ou a diminuição temporária do olfato e do paladar;
    • Aparece uma tosse persistente ou falta de ar que sugere que a inflamação atingiu os pulmões;
    • As reações alérgicas são acompanhadas de coceira intensa nos olhos ou garganta de forma constante.

    O acompanhamento médico é capaz de identificar a causa dos sintomas e indicar o tratamento mais adequado. Com o controle da rinite, a mucosa do nariz fica menos sensível, fazendo com que o organismo reaja de forma menos intensa aos cheiros e aos irritantes presentes no ambiente.

    Confira: Rinite alérgica ou resfriado: conheça as diferenças entre eles e como identificar

    Perguntas frequentes

    1. Velas de soja são totalmente seguras para alérgicos?

    Embora sejam muito melhores que as de parafina por não liberarem resíduos de petróleo, o perfume (mesmo natural) ainda pode ser um gatilho se a pessoa tiver sensibilidade olfativa.

    2. Óleos essenciais podem curar a rinite?

    Não, eles podem ajudar a aliviar sintomas (como o eucalipto para congestão), mas a rinite é uma condição crônica que exige controle médico e ambiental.

    3. Qual a diferença entre essência e óleo essencial?

    As essências são perfumes sintéticos feitos em laboratório com derivados de petróleo, enquanto os óleos essenciais são extratos naturais de plantas.

    4. Usar aromatizador no banheiro é menos pior?

    Não necessariamente. Se o banheiro for pequeno e pouco ventilado, a concentração de irritantes fica ainda maior, podendo afetar você durante o banho.

    5. Existe algum aromatizador hipoalergênico?

    Existem produtos com fórmulas mais limpas, mas para quem tem rinite severa, o termo “hipoalergênico” não garante que não haverá irritação química.

    6. Borrifar perfume nas roupas é melhor do que no ambiente?

    Para a rinite, não. O perfume na roupa fica muito próximo ao rosto, fazendo com que você inale as partículas irritantes durante todo o dia.

    7. O uso de amaciantes muito perfumados nas roupas de cama pode afetar a rinite?

    Sim, o contato direto do rosto com o travesseiro com fragrâncias intensas faz com que você inale irritantes químicos a noite toda, impedindo a recuperação da mucosa nasal durante o sono.

    Veja também: Ar-condicionado faz mal para quem tem rinite ou asma? Saiba como evitar as crises

  • Afinal, é melhor treinar de manhã ou durante a noite? 

    Afinal, é melhor treinar de manhã ou durante a noite? 

    Para algumas pessoas, o dia só começa depois do treino matinal antes do trabalho. Já para outros, a atividade física no fim da tarde ou à noite funciona como uma forma de aliviar o estresse acumulado, relaxar a mente e desacelerar depois de horas de trabalho e compromissos.

    Mas afinal, existe um horário considerado ideal para se exercitar? A resposta depende de vários fatores, como o funcionamento do organismo, os objetivos pessoais, a rotina diária e até o nível de energia em determinados períodos do dia. Vamos entender mais, a seguir.

    Como o corpo se comporta em cada período?

    O corpo humano passa por uma série de alterações ao longo do dia, influenciadas pelo ritmo circadiano, que é o relógio biológico interno responsável por regular funções como o sono, o estado de alerta, o metabolismo e a temperatura corporal ao longo de aproximadamente 24 horas.

    Pela manhã, o organismo ainda está despertando: como a temperatura corporal ainda está baixa, é comum sentir certa rigidez muscular ou lentidão no início do treino. Por outro lado, algumas pessoas sentem maior clareza e disposição mental no período, o que facilita a manutenção da rotina.

    Durante a tarde, o corpo normalmente atinge o pico de desempenho físico: com a temperatura corporal mais alta, os músculos ficam naturalmente mais aquecidos e a coordenação motora tende a funcionar melhor. Para muitas pessoas, é o momento ideal para treinos de alta intensidade.

    Já durante a noite, a atividade física costuma ajudar a aliviar o estresse acumulado ao longo do dia, e o corpo ainda pode apresentar boa força e resistência no horário. No entanto, é importante atenção, pois exercícios muito intensos perto da hora de dormir podem deixar algumas pessoas mais agitadas e dificultar o sono.

    O que é melhor, treinar de manhã ou durante a noite?

    O melhor horário para treinar é aquele em que você consegue manter a constância de forma confortável dentro da sua rotina.

    Apesar das vantagens fisiológicas específicas em cada período do dia, elas têm pouca importância quando o treino não consegue ser mantido no longo prazo. Afinal, a regularidade costuma ser muito mais relevante para os resultados do que o horário escolhido.

    Para descobrir qual horário funciona melhor para você, vale considerar três fatores principais:

    1. O seu cronotipo

    O organismo de cada pessoa funciona de uma forma diferente. Enquanto algumas pessoas acordam com mais disposição e energia logo pela manhã, outras rendem melhor no fim da tarde ou durante a noite. Também existem pessoas que apresentam um padrão mais equilibrado ao longo do dia.

    A tentativa de manter treinos muito cedo, quando o corpo funciona melhor em horários mais tardios, pode aumentar o cansaço, a desmotivação e a dificuldade para criar uma rotina consistente.

    2. O seu objetivo

    O horário do treino pode influenciar levemente alguns resultados:

    • Para emagrecimento, os treinos pela manhã podem ajudar algumas pessoas no controle do apetite e no aumento da disposição ao longo do dia;
    • Para ganho de força e massa muscular, o fim da tarde e o começo da noite costumam favorecer um melhor desempenho físico, já que o corpo está mais aquecido e os músculos tendem a responder melhor.

    Apesar disso, a diferença costuma ser pequena quando comparada à regularidade dos treinos, à alimentação e ao descanso.

    3. A sua rotina

    A escolha do melhor horário também depende da organização do dia a dia. O treino pela manhã pode ser ideal para quem prefere realizar a atividade antes dos compromissos e evitar que o cansaço atrapalhe a prática mais tarde. Já o treino à noite costuma funcionar bem para quem gosta de usar a atividade física como forma de aliviar o estresse acumulado ao longo do dia.

    Os exercícios muito intensos perto da hora de dormir, no entanto, podem atrapalhar o sono de algumas pessoas mais sensíveis.

    Benefícios de treinar de manhã

    No início do dia, o treino ajuda o corpo a despertar, melhora a disposição e pode influenciar positivamente o restante da rotina. Entre alguns dos benefícios, é possível destacar:

    • Maior facilidade para manter a rotina: o treino logo cedo reduz as chances de imprevistos atrapalharem a atividade física, como excesso de trabalho, compromissos inesperados ou o cansaço no fim do dia;
    • Sensação de mais disposição ao longo do dia: a atividade física estimula a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar e à energia, ajudando muitas pessoas a começarem o dia mais despertas e motivadas;
    • Melhora do foco e da produtividade: o exercício pode aumentar o estado de alerta e a concentração, favorecendo o desempenho nas atividades diárias;
    • Ajuda no controle do apetite: alguns estudos sugerem que o treino matinal pode contribuir para uma melhor regulação da fome ao longo do dia, facilitando escolhas alimentares mais equilibradas;
    • Estímulo ao metabolismo: a atividade física aumenta o gasto energético e mantém o corpo mais ativo por algumas horas após o treino;
    • Redução do estresse e melhora do humor: a sensação de missão cumprida logo pela manhã pode ajudar no humor e na forma de lidar com o estresse diário;
    • Possível melhora da qualidade do sono: a prática de exercícios cedo, especialmente com exposição à luz natural, pode ajudar na regulação do relógio biológico e favorecer o sono durante a noite.

    Benefícios de treinar durante a noite

    Depois de cumprir as tarefas do dia, o corpo já está mais desperto, aquecido e preparado para lidar com esforços físicos maiores:

    • Maior rendimento físico: ao longo do dia, a temperatura corporal aumenta naturalmente, favorecendo o desempenho muscular, a flexibilidade e a coordenação motora. Você pode perceber mais força, resistência e disposição nos treinos feitos no fim da tarde ou durante a noite;
    • Alívio do estresse e da ansiedade: a atividade física ajuda na liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, como endorfina e serotonina. Após um dia cansativo, o treino pode aliviar a tensão mental, reduzir a irritabilidade e melhorar o humor;
    • Melhor adaptação à rotina: para quem possui manhãs corridas, treinar à noite pode ser mais realista e sustentável. Quando o exercício se encaixa melhor na rotina, as chances de manter a consistência aumentam;
    • Pode favorecer o relaxamento: exercícios moderados ajudam o corpo a reduzir a tensão acumulada durante o dia. Você pode ter a sensação de relaxamento e melhora da qualidade do sono após a prática noturna;
    • Academia menos cheia em alguns horários: dependendo da cidade e do horário, o período noturno pode oferecer ambientes mais tranquilos, facilitando a concentração no treino e reduzindo o tempo de espera nos aparelhos;
    • Mais tempo para alimentação e hidratação: ao contrário dos treinos feitos logo ao acordar, durante a noite normalmente há mais tempo para realizar refeições adequadas ao longo do dia, o que pode melhorar os níveis de energia durante a atividade física.

    Vale lembrar que treinos muito intensos perto da hora de dormir podem atrapalhar o sono em algumas pessoas, especialmente quando feitos com alta carga de estímulo ou consumo de pré-treinos com cafeína.

    O ideal é observar como o próprio corpo reage e ajustar os horários conforme a rotina e o descanso.

    Dicas para adaptar o corpo a um novo horário

    O corpo leva, em média, de duas a três semanas para ajustar completamente suas funções metabólicas e hormonais a uma nova rotina. Veja algumas dicas:

    • Mude o horário em etapas para que o ajuste seja gradual e não gere um choque de fadiga no organismo;
    • Use a luz natural a seu favor abrindo as janelas logo ao acordar para sinalizar ao cérebro que o dia começou;
    • Sincronize suas refeições com o novo turno garantindo que o corpo tenha combustível suficiente nos momentos de maior esforço;
    • Capriche no aquecimento matinal para elevar a temperatura do corpo e lubrificar as articulações que ainda estão rígidas;
    • Crie um ritual de relaxamento após treinar à noite para baixar a adrenalina e não prejudicar o início do sono;
    • Mantenha a regularidade no descanso dormindo e acordando nos mesmos horários até que o novo padrão se torne automático;
    • Respeite o período de adaptação do desempenho aceitando que o corpo pode levar algumas semanas para atingir a força máxima no novo horário.

    Veja também: Frequência cardíaca durante o treino: por que é importante monitorar e como calcular

    Perguntas frequentes

    1. É verdade que treinar de manhã queima mais gordura?

    Sim, alguns estudos indicam que o exercício matinal pode potencializar a oxidação de gordura e melhorar a resposta à insulina ao longo do dia, especialmente se feito antes da primeira refeição.

    2. Treinar à noite pode causar insônia?

    Depende da intensidade. Exercícios muito vigorosos (como HIIT) perto da hora de dormir podem elevar a adrenalina e a temperatura corporal, dificultando o sono. O ideal é terminar o treino pelo menos duas horas antes de deitar.

    3. Qual o melhor horário para quem quer ganhar massa muscular?

    Normalmente o final da tarde ou início da noite, pois é quando a força muscular e a síntese proteica estão no pico, permitindo treinos mais intensos.

    4. Posso treinar em jejum pela manhã?

    Sim, desde que seja uma atividade de intensidade leve a moderada e você não sinta tonturas. Para treinos de força ou alta intensidade, o aporte de carboidratos é recomendado.

    5. Por que sinto mais preguiça de manhã?

    Isso se deve aos baixos níveis de temperatura corporal e ao fato de o corpo ainda estar em transição do estado de repouso (melatonina alta) para o de alerta (cortisol subindo).

    6. Existe algum risco de lesão maior em algum período?

    De manhã o risco é ligeiramente maior se o aquecimento for negligenciado, pois as articulações estão mais rígidas e os músculos mais frios após o sono.

    7. Como o café ajuda no treino matinal?

    A cafeína bloqueia os receptores de adenosina, reduzindo a percepção de esforço e ajudando a despertar o sistema nervoso central mais rapidamente.

    Confira: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

  • Rinite: como ter pets em casa sem sofrer com crises de alergia? 

    Rinite: como ter pets em casa sem sofrer com crises de alergia? 

    Espirros frequentes, nariz entupido, coceira e olhos irritados são alguns dos sintomas mais comuns de quem convive com alergias respiratórias. No caso de pessoas que têm pets em casa, os sintomas podem se tornar ainda mais intensos pelo contato frequente com proteínas presentes na saliva, na pele e nos pelos dos animais.

    Mas, com ajustes simples na rotina de limpeza, cuidados específicos com a higiene do pet e adaptações no ambiente, é perfeitamente possível manter o bem-estar e a saúde em dia sem abrir mão da companhia do gatinho ou cachorro. Vamos entender mais, a seguir.

    Como a alergia aos pets acontece?

    Ao contrário do que algumas pessoas imaginam, a alergia não acontece apenas por causa dos pelos dos animais. Na maioria dos casos, a reação é desencadeada pelas proteínas encontradas na saliva, na urina e nas glândulas sebáceas (óleo da pele) dos animais. Nos gatos, a proteína principal é a Fel d 1, enquanto nos cães são as proteínas Can f 1 e Can f 2.

    Quando o animal se lambe, por exemplo, a saliva fica espalhada nos pelos e no ambiente, facilitando o contato com as substâncias que desencadeiam a alergia.

    Ao entrar em contato com as partículas, o sistema imunológico de uma pessoa sensível as identifica erroneamente como uma ameaça invasora, como se fossem um vírus ou bactéria. Como resultado, o corpo libera a histamina, uma substância responsável por causar a inflamação nas vias aéreas, o que provoca:

    • Coriza e espirros;
    • Lacrimejamento e vermelhidão nos olhos;
    • Coceira na garganta ou na pele;
    • Congestão nasal;
    • Em alguns casos, crises de asma.

    Como essas partículas são muito leves, elas podem permanecer em sofás, cortinas e tapetes por meses, mesmo que o animal não esteja mais no ambiente.

    Como reduzir os alérgenos no ambiente?

    Para reduzir a presença de alérgenos em casa, o recomendado é adotar algumas medidas de limpeza para evitar que as partículas em suspensão voltem a circular no ar:

    1. Use os aspiradores com filtro HEPA

    Diferentemente dos modelos comuns, os aspiradores com filtro HEPA (High Efficiency Particulate Air) conseguem reter até 99,9% das micropartículas, incluindo a caspa dos pets e os ácaros. Os aspiradores tradicionais, em muitos casos, acabam liberando os alérgenos menores novamente no ar por meio da exaustão.

    2. Substitua a vassoura pelo pano úmido

    O uso das vassouras de cerdas secas levanta a poeira e os alérgenos, mantendo as partículas suspensas no ar por várias horas. O ideal é utilizar um mop ou um pano úmido com os produtos de limpeza neutros, que ajudam a prender a sujeira e permitem a remoção sem espalhar as partículas pelo ambiente.

    3. Utilize os purificadores de ar

    Os purificadores de ar equipados com os filtros de alta eficiência podem ajudar na filtragem das partículas que permanecem circulando no ambiente. Os aparelhos são especialmente úteis nos locais onde o pet passa mais tempo, como a sala de estar e os corredores.

    4. Higienize as cortinas e os estofados com frequência

    Os tecidos costumam acumular uma grande quantidade de proteínas alérgenas presentes no ambiente.

    • Cortinas: prefira os modelos de persianas ou os materiais mais fáceis de limpar. Caso utilize as cortinas de tecido, faça a lavagem pelo menos uma vez por mês;
    • Sofás: utilize as capas protetoras que possam ser lavadas semanalmente na máquina com água quente, acima de 60 °C. A alta temperatura ajuda na desnaturação das proteínas presentes na saliva dos animais.

    Além das cortinas e dos sofás, a atenção também deve incluir os tapetes, as almofadas, as mantas e as roupas de cama, já que os tecidos mais grossos tendem a reter uma quantidade maior de pelos, poeira e partículas alergênicas. Se possível, prefira materiais impermeáveis ou de fácil higienização e evite o excesso de itens de tecido espalhados pela casa.

    5. Mantenha os ambientes ventilados

    Ao longo do dia, deixar as janelas abertas para permitir a circulação de ar é importante para renovar o oxigênio e diminuir a concentração de alérgenos dentro de casa. Procure criar correntes de ar pelo menos durante alguns períodos do dia.

    6. Faça uma adaptação na mobília e decoração

    Para conviver bem com pets e minimizar as crises alérgicas, a organização da casa deve priorizar superfícies que não acumulem resíduos e que sejam fáceis de higienizar:

    • Prefira os pisos lisos, como os de cerâmica, porcelanato, madeira ou vinílico, já que os tapetes e os carpetes acumulam muitos pelos e partículas alergênicas;
    • Escolha os móveis com superfícies lisas e poucos detalhes, pois eles acumulam menos poeira e caspa animal;
    • Use as capas laváveis ou os revestimentos sintéticos nos sofás e nas poltronas para facilitar a limpeza dos pelos;
    • Evite os tecidos pesados, como as cortinas grossas, as mantas e as almofadas, porque eles acumulam mais alérgenos;
    • Mantenha os pets fora do quarto e utilize as capas antialérgicas nos colchões e travesseiros para reduzir os alérgenos durante o sono.

    Cuidados que você deve ter com o pet

    Além da limpeza da casa, alguns cuidados com o próprio animal também ajudam a reduzir a quantidade de alérgenos espalhados pelo ambiente e diminuem o risco de crises respiratórias:

    • Faça a escovação do pet todos os dias para remover os pelos soltos e a caspa animal. O ideal é que a escovação seja feita por uma pessoa não alérgica e, de preferência, em um ambiente aberto;
    • Mantenha os banhos regulares para diminuir o acúmulo de saliva, pele morta e sujeira na pelagem do animal. A frequência pode variar entre semanal ou quinzenal, dependendo da orientação do veterinário;
    • Utilize os shampoos hidratantes e converse com o veterinário sobre suplementos, como o Ômega 3, já que uma pele saudável costuma descamar menos;
    • Passe os lenços umedecidos próprios para pets nos pelos e nas patas após os passeios para ajudar na remoção da poeira, do pólen e de outras partículas alergênicas;
    • Mantenha a porta do quarto fechada para evitar a circulação dos pets no dormitório e reduzir o contato com os pelos durante o sono;
    • Lave com frequência as capas dos sofás, as cortinas, as mantinhas e as caminhas do pet, de preferência com água quente, para ajudar na redução das proteínas alergênicas.

    Existem raças de pets hipoalergênicas?

    A resposta é não, não existe nenhum cão ou gato 100% livre de alérgenos, já que todos os animais produzem as proteínas causadoras da alergia na saliva, na urina e na pele. No entanto, existem raças consideradas mais toleráveis para pessoas sensíveis porque possuem características que reduzem a dispersão das substâncias no ambiente.

    No caso dos cães, as raças que não passam por trocas sazonais de pelagem ou que possuem pelos que crescem continuamente, como o Poodle, Shih Tzu, Maltês e o Cão d’Água Português, são as mais indicadas, pois soltam menos pelos e, consequentemente, espalham menos caspa pela casa.

    Já entre os gatos, raças como o Siberiano são famosas por produzirem naturalmente níveis mais baixos da proteína Fel d 1, enquanto o Sphynx (gato pelado) facilita a higiene direta da pele, embora ainda produza a proteína na saliva.

    Quando procurar um médico alergologista?

    É importante procurar um médico alergologista nas seguintes situações:

    • Se você apresenta espirros, coriza ou tosse diariamente, mesmo mantendo o ambiente limpo e o pet bem cuidado;
    • Se a congestão nasal ou a coceira atrapalham o seu descanso, gerando cansaço e irritabilidade durante o dia;
    • O contato constante com alérgenos pode evoluir para quadros respiratórios mais graves, como a asma alérgica;
    • Se você precisa tomar antialérgicos por conta própria com frequência para conseguir conviver com o animal.

    O especialista poderá realizar testes cutâneos ou de sangue para confirmar se o pet é realmente o único gatilho da alergia ou se existem outros fatores, como ácaros e mofo.

    Veja mais: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

    Perguntas frequentes

    1. É possível deixar de ser alérgico a um pet com o tempo?

    Em alguns casos, ocorre a “dessensibilização natural”, onde o corpo se acostuma com aquele animal específico. No entanto, o mais comum é que a alergia persista ou piore sem o tratamento adequado.

    2. O pelo curto causa menos alergia que o pelo longo?

    Não necessariamente. A alergia é causada por proteínas na pele e saliva. Um animal de pelo curto pode ter uma descamação de pele tão intensa quanto um de pelo longo.

    3. Gatos causam mais alergia do que cachorros?

    Sim. A proteína dos gatos (Fel d 1) é menor, mais leve e mais “pegajosa” que a dos cães, permanecendo no ar por muito mais tempo e grudando com facilidade em tecidos.

    4. Existe algum produto que eu possa passar no pet para reduzir a alergia?

    Sim, existem loções antialérgicas de uso veterinário que, quando aplicadas no pelo do animal, ajudam a neutralizar as proteínas e remover a caspa solta.

    5. Posso usar vassoura de borracha para limpar os pelos?

    A vassoura de borracha é melhor que a comum porque gera estática e “puxa” o pelo sem levantá-lo tanto, mas o pano úmido ainda é a opção mais segura.

    6. Crianças que crescem com pets têm menos chance de ter alergia?

    Estudos indicam que a exposição precoce (nos primeiros anos de vida) a animais pode ajudar a fortalecer o sistema imunológico e reduzir as chances de desenvolver alergias no futuro.

    7. Posso ter um pet se eu tiver asma?

    Sim, desde que a asma esteja controlada e você siga rigorosamente os protocolos de higiene ambiental e manejo do animal recomendados pelo médico.

    8. Qual é o primeiro passo ao descobrir a alergia?

    Consultar um alergologista para confirmar se o pet é o único gatilho e iniciar um plano de controle ambiental antes de tomar qualquer decisão drástica.

    Leia mais: Alergia infantil: quando suspeitar e quais sinais você deve ficar atento

  • Pessoas otimistas vivem mais? Veja os benefícios para a vida e a saúde mental

    Pessoas otimistas vivem mais? Veja os benefícios para a vida e a saúde mental

    Você se considera uma pessoa otimista? No dia a dia, a forma de enxergar os desafios pode influenciar diretamente a sua saúde mental, os relacionamentos e até a maneira como o corpo responde ao estresse.

    O otimismo não significa ignorar problemas ou fingir que tudo está bem o tempo inteiro. Na verdade, ele envolve a capacidade de acreditar que situações difíceis podem ser enfrentadas e que momentos ruins não duram para sempre.

    De acordo com estudos científicos, cultivar essa mentalidade pode fortalecer o sistema imunológico, reduzir o risco de doenças cardiovasculares e até aumentar a resiliência diante de traumas. É claro que ele não é igual para todo mundo, mas o olhar mais positivo pode ser desenvolvido aos poucos com pequenas mudanças de comportamento e pensamento.

    O que é o otimismo (e por que não é apenas “pensar positivo”)?

    Na psicologia, o otimismo está relacionado à maneira como cada pessoa interpreta os acontecimentos da vida, especialmente os desafios e as frustrações. Em vez de apenas pensar positivo, o otimismo realista envolve uma maneira mais equilibrada de enxergar as situações.

    Entre algumas características comuns do pensamento otimista, é possível destacar:

    • Enxergar os momentos difíceis como fases passageiras, sem pensar que a vida inteira vai continuar ruim para sempre;
    • Entender que um problema em uma área da vida não significa que tudo está dando errado ao mesmo tempo;
    • Tentar procurar soluções e caminhos possíveis, em vez de acreditar que nada pode melhorar;
    • Reconhecer os próprios erros sem ficar se culpando o tempo inteiro;
    • Conseguir manter a esperança mesmo em períodos mais complicados;
    • Ter mais facilidade para se levantar depois de uma frustração, sem desistir logo no primeiro problema;
    • Valorizar pequenas conquistas do dia a dia, como perceber um progresso aos poucos;
    • Lidar melhor com mudanças, dificuldades e situações estressantes ao longo da vida.

    Vale destacar que o otimismo saudável não deve ser confundido com a positividade tóxica. Ignorar sentimentos como tristeza, luto ou frustração e forçar um sorriso diante de situações graves pode ser prejudicial à saúde mental, causando mais ansiedade e sentimento de culpa.

    Como o otimismo influencia o cérebro?

    O otimismo pode influenciar o cérebro de várias formas, desde o funcionamento das emoções até a maneira como o corpo reage ao estresse. Segundo estudos, pessoas mais otimistas tendem a lidar melhor com situações difíceis e apresentam respostas emocionais mais equilibradas no dia a dia.

    Um dos conceitos mais conhecidos é conhecido como “viés de otimismo”, o que significa que o cérebro humano costuma ter uma tendência natural a acreditar mais em resultados positivos do que negativos. Em pessoas otimistas, algumas áreas do cérebro ligadas às emoções e à motivação funcionam de forma diferente, ajudando a diminuir o impacto emocional do estresse.

    O otimismo também está relacionado à dopamina, neurotransmissor ligado à motivação, ao prazer e à sensação de recompensa. Quando uma pessoa acredita que algo pode dar certo ou imagina um futuro positivo, o cérebro já começa a liberar dopamina, aumentando a sensação de disposição e esperança.

    Por fim, o otimismo parece ajudar o córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelo planejamento, pelo raciocínio e pelo controle das emoções. Na prática, isso pode ajudar a pessoa a enfrentar problemas de forma mais equilibrada, sem agir apenas pelo impulso ou pelo medo.

    Importante: existe uma diferença entre otimismo saudável e otimismo exagerado. O otimismo saudável reconhece os problemas e entende os riscos, mas ainda mantém a esperança e a busca por soluções. Já o otimismo irrealista pode fazer a pessoa ignorar dificuldades importantes e tomar decisões sem avaliar as consequências.

    Principais benefícios do otimismo para a saúde mental

    Os principais benefícios do otimismo para a saúde mental incluem:

    • Menor sensação de estresse no cotidiano;
    • Maior capacidade de enfrentar frustrações e dificuldades;
    • Melhor controle emocional em situações desafiadoras;
    • Redução de pensamentos muito negativos e catastróficos;
    • Maior sensação de motivação e esperança;
    • Mais facilidade para se recuperar emocionalmente após momentos difíceis;
    • Melhor qualidade das relações sociais e afetivas;
    • Mais disposição para manter hábitos saudáveis;
    • Maior cuidado com a própria saúde física e mental;
    • Maior tendência a procurar ajuda e apoio quando necessário.

    Além disso, pessoas mais otimistas costumam desenvolver uma capacidade maior de se adaptar a mudanças, perdas e situações estressantes sem perder completamente o equilíbrio emocional.

    Impactos positivos na saúde física

    Além dos benefícios para a saúde mental, quando você cultiva uma mentalidade mais otimista, o organismo entende que não precisa estar em estado de alerta constante. Isso contribui para:

    • Fortalecimento do sistema imunológico;
    • Redução da pressão arterial;
    • Menor risco de doenças cardíacas;
    • Aumento da expectativa de vida;
    • Recuperação mais rápida de cirurgias;
    • Diminuição das inflamações no corpo;
    • Melhora na qualidade do sono;
    • Redução dos níveis de estresse crônico;
    • Mais disposição para atividades físicas;
    • Menor produção de cortisol no organismo.

    De forma geral, o otimismo atua como um protetor do sistema cardiovascular e imunológico. Enquanto o estresse crônico libera substâncias que agridem as células, a visão positiva favorece a liberação de mediadores químicos que promovem a reparação dos tecidos e o equilíbrio das funções vitais.

    É possível aprender a ser otimista?

    O otimismo pode ser aprendido no dia a dia, devido à capacidade do cérebro de reorganizar, formando novas conexões neurais e alterando sua estrutura funcional em resposta a aprendizados, o que é conhecido como neuroplasticidade.

    Na prática, isso significa que o pessimismo nem sempre faz parte da personalidade da pessoa. Muitas vezes, ele pode ser resultado de hábitos mentais que foram reforçados ao longo da vida e que podem ser modificados aos poucos.

    Para desenvolver a habilidade de forma direta, você pode praticar:

    • Questionar pensamentos negativos automáticos: antes de acreditar imediatamente em um pensamento ruim, tente analisar se existem provas reais daquilo ou se é apenas uma suposição criada pelo medo ou pela ansiedade;
    • Focar em soluções possíveis: diante de um erro ou problema, tente pensar no que pode ser feito para melhorar a situação, em vez de ficar preso apenas na culpa;
    • Evitar generalizações: um problema pontual não define toda a sua vida, sua capacidade ou o seu valor como pessoa;
    • Praticar a gratidão no cotidiano: direcionar a atenção para pequenas coisas positivas do dia ajuda o cérebro a sair do estado constante de preocupação e ameaça;
    • Reconhecer pequenos progressos: perceber evoluções, mesmo que simples, ajuda a fortalecer uma visão mais equilibrada sobre si mesmo e sobre o futuro.

    Com o tempo e a repetição das práticas, o cérebro pode começar a automatizar padrões de pensamento mais saudáveis. Aqui, não é sobre ignorar os problemas ou fingir que tudo está bem, mas desenvolver uma forma mais equilibrada e resiliente de enfrentar as dificuldades.

    Perguntas frequentes

    1. Ser otimista evita a depressão?

    O otimismo atua como um fator de proteção, ajudando a prevenir e a lidar melhor com episódios depressivos, embora não substitua o tratamento médico.

    2. Qual a diferença entre otimismo e positividade tóxica?

    O otimismo aceita emoções negativas e foca na solução, enquanto a positividade tóxica nega o sofrimento e obriga a pessoa a estar feliz o tempo todo.

    3. Pessoas otimistas vivem mais?

    Sim, pesquisas indicam que otimistas têm maior probabilidade de ultrapassar os 85 anos devido ao menor estresse e melhores hábitos de saúde.

    4. Escrever sobre coisas boas ajuda?

    Sim, manter um diário de gratidão treina o cérebro para notar o que funciona, combatendo o viés de negatividade natural do ser humano.

    5. Crianças podem aprender a ser otimistas?

    Sim, pais e educadores podem incentivar as crianças a verem erros como oportunidades de aprendizado em vez de fracassos definitivos.

    6. Quando devo procurar ajuda profissional?

    Se você sente que o pessimismo é paralisante e você não consegue enxergar saída para os problemas, é fundamental buscar um psicólogo ou psiquiatra.

    7. O excesso de otimismo pode ser perigoso?

    Sim, quando se torna “otimismo ingênuo”, a pessoa pode ignorar riscos reais. O ideal é o otimismo estratégico, que espera o melhor, mas se prepara para o pior.

  • Zumbido no ouvido é grave? 7 fatores que podem causar o sintoma e o que fazer

    Zumbido no ouvido é grave? 7 fatores que podem causar o sintoma e o que fazer

    O zumbido no ouvido, também conhecido como tinnitus, é a sensação de ouvir sons como um apito, chiado, estalo ou batida, mesmo quando não há nenhum barulho externo por perto. Ele não é uma doença em si, mas um sintoma que pode indicar algo errado com o sistema auditivo ou mesmo outras partes do corpo.

    Normalmente, ele está associado ao acúmulo de cera ou ao envelhecimento natural, podendo surgir após a exposição a sons muito altos, como shows, fones de ouvido em volume elevado ou ambientes barulhentos por longos períodos. No entanto, quando ele é persistente, é importante procurar um profissional de saúde para investigar com mais atenção.

    O que é o zumbido no ouvido?

    O zumbido no ouvido é quando a pessoa escuta um som, mesmo quando não tem nenhum barulho no ambiente. Ele pode se manifestar de diferentes formas, como:

    • Apito agudo;
    • Chiado de rádio;
    • Som de cachoeira;
    • Batidas rítmicas;
    • Barulho de um inseto voando.

    Mesmo quando o zumbido é constante, é muito comum que ele se torne mais perceptível em ambientes silenciosos, como na hora de dormir, já que há menos estímulos externos competindo com o som percebido.

    Ele pode afetar apenas um ouvido (unilateral) ou ambos (bilateral), e a intensidade costuma variar ao longo do tempo. Para algumas pessoas, é apenas um incômodo leve e passageiro, enquanto, para outras, pode se manifestar como um som mais alto e persistente, que afeta a audição, a concentração e o bem-estar.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 280 milhões de pessoas convivem com o zumbido, o que representa aproximadamente 20% da população mundial.

    Tipos de zumbido

    O zumbido pode ser classificado em dois tipos principais, dependendo da sua origem e de quem consegue ouvi-lo:

    Zumbido subjetivo

    O zumbido subjetivo é o tipo mais comum, no qual apenas a própria pessoa consegue ouvir o som, sem que exista uma fonte externa ou um ruído detectável em exames. Em alguns casos, ele está associado a problemas nas vias auditivas, nos nervos que levam o som ao cérebro ou no próprio processamento cerebral da audição.

    Zumbido objetivo

    No zumbido objetivo, o som é produzido por estruturas próximas ao ouvido e, em alguns casos, o médico também consegue ouvir o barulho ao usar um estetoscópio ou aparelhos específicos.

    Ele costuma estar relacionado a problemas vasculares (fluxo de sangue), contrações musculares involuntárias na região da face e pescoço ou defeitos estruturais no ouvido médio.

    Classificação quanto à percepção do som

    Além da classificação mais técnica, o zumbido também pode ser descrito pelo tipo de som que a pessoa escuta, o que ajuda o médico a entender melhor a possível causa:

    • Zumbido pulsátil: a sensação é parecida com a de um coração batendo dentro do ouvido, acompanhando o ritmo do pulso, e frequentemente está relacionada a alterações na circulação sanguínea ou à pressão alta;
    • Zumbido tonal: é um som contínuo e mais “limpo”, como um apito ou uma nota musical constante, sendo bastante comum em casos de perda auditiva;
    • Zumbido não tonal: envolve sons mais variados e irregulares, como cliques, estalos ou um ruído semelhante à estática de rádio, podendo estar ligado a problemas musculares ou na articulação da mandíbula, conhecida como DTM.

    Zumbido no ouvido é grave?

    Na maioria das vezes, o zumbido no ouvido não é grave e não indica uma doença séria, sendo normalmente causado por situações comuns como acúmulo de cera, exposição a ruídos ou perda auditiva leve.

    No entanto, ele deve ser investigado se surgir de forma súbita, ocorrer em apenas um ouvido ou vier acompanhado de tontura e perda de audição, pois pode indicar condições que precisam de tratamento específico.

    O que pode ser o zumbido no ouvido?

    Quando as células do ouvido sofrem algum tipo de dano ou estímulo irregular, as vias auditivas podem começar a disparar sinais elétricos espontâneos, que o cérebro interpreta como som.

    • Acúmulo de cera: o excesso de cerume pode obstruir parcialmente ou totalmente o canal auditivo, o que aumenta a sensação de pressão dentro do ouvido e pode favorecer o surgimento de chiados ou zumbidos, além de causar desconforto e leve redução da audição;
    • Exposição a ruídos altos: sons intensos, como os de shows, fones de ouvido em volume elevado ou máquinas barulhentas, podem lesionar as células sensíveis do ouvido interno, que são responsáveis pela captação do som, e a lesão pode desencadear o zumbido de forma temporária ou até permanente;
    • Perda auditiva relacionada à idade: com o passar dos anos, ocorre um desgaste natural das estruturas do sistema auditivo, e o zumbido costuma ser um dos primeiros sinais percebidos, muitas vezes aparecendo antes mesmo da pessoa notar dificuldade para ouvir;
    • Disfunção da ATM: alterações na articulação da mandíbula, conhecida como ATM, podem provocar estalos, tensão muscular e até zumbido, já que a região fica muito próxima ao ouvido e compartilha estruturas e conexões nervosas importantes;
    • Problemas circulatórios: condições como pressão alta, alterações no fluxo sanguíneo ou problemas vasculares podem gerar o chamado zumbido pulsátil, no qual o som acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos e pode ser mais perceptível em momentos de repouso;
    • Uso de medicamentos: alguns remédios, como certos antibióticos, anti-inflamatórios e doses elevadas de aspirina, podem ter efeito ototóxico, ou seja, podem afetar estruturas do ouvido e desencadear ou piorar o zumbido, principalmente quando usados por longos períodos ou sem acompanhamento;
    • Estresse e ansiedade: o cansaço mental, a tensão acumulada no corpo e a contração dos músculos da região do pescoço e da face podem aumentar a percepção do zumbido, fazendo com que ele pareça mais intenso ou mais presente no dia a dia.

    Como o zumbido é um sintoma multifatorial, a melhor forma de identificar a causa é através de uma consulta com um otorrinolaringologista, que poderá realizar exames como a audiometria.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do zumbido no ouvido é feito por um médico otorrinolaringologista a partir de uma avaliação detalhada, em que são analisadas as características do som, como frequência, intensidade e se ele ocorre em um ou nos dois ouvidos. Também é importante relatar outros sinais associados, como tontura, perda de audição, sensação de ouvido tampado ou dor.

    Em seguida, é feito um exame físico do ouvido, chamado otoscopia, que permite avaliar o canal auditivo e o tímpano, ajudando a identificar causas mais simples, como acúmulo de cera ou sinais de infecção.

    Dependendo da suspeita, o médico pode pedir exames complementares, como:

    • Audiometria: avalia a capacidade de ouvir diferentes sons e frequências, sendo necessário para identificar perda auditiva;
    • Imitanciometria: analisa o funcionamento do tímpano e das estruturas do ouvido médio;
    • Exames de imagem: como ressonância magnética ou tomografia, indicados em casos específicos para investigar alterações mais profundas;
    • Exames de sangue: podem ser pedidos para avaliar condições gerais de saúde, como alterações hormonais, metabólicas e circulatórias.

    Quando há suspeita de zumbido pulsátil, o médico pode investigar com mais atenção o sistema vascular, já que o tipo costuma estar relacionado ao fluxo sanguíneo.

    Como é feito o tratamento do zumbido no ouvido?

    O tratamento do zumbido depende especialmente da causa do sintoma. Se ele ocorre por um fator externo ou mecânico, pode ser necessária a remoção de cera, o controle da pressão arterial ou o ajuste de medicamentos que possam estar contribuindo para o sintoma.

    Quando o zumbido está associado à perda auditiva, o uso de aparelhos auditivos costuma ser indicado, pois, ao amplificar os sons externos, o cérebro tende a reduzir o foco no ruído interno.

    Em casos crônicos, podem ser utilizadas estratégias como o mascaramento sonoro, com o uso de ruído branco ou sons suaves, e a Terapia de Retreinamento do Zumbido (TRT), que tem como objetivo ajudar o cérebro a se acostumar com o som e diminuir a sua percepção ao longo do tempo.

    O que fazer para aliviar o zumbido?

    O alívio do zumbido depende muito da causa, mas algumas medidas simples no dia a dia já podem ajudar bastante a reduzir o incômodo, como:

    • Evitar o silêncio absoluto, mantendo um som de fundo leve, como um ventilador, uma música baixa ou um ruído branco, principalmente na hora de dormir;
    • Reduzir a exposição a ruídos altos e diminuir o volume de fones de ouvido para proteger as estruturas do ouvido;
    • Controlar o estresse e a ansiedade com técnicas de relaxamento, atividade física e momentos de descanso ao longo do dia;
    • Melhorar a qualidade do sono, criando uma rotina regular para dormir e acordar;
    • Moderar o consumo de cafeína, álcool e nicotina, já que as substâncias podem intensificar o zumbido;
    • Cuidar da saúde geral, com uma alimentação equilibrada e o controle de condições como pressão alta e diabetes;
    • Evitar o uso de medicamentos sem orientação, já que alguns podem piorar o sintoma.

    Vale destacar que, apesar das medidas ajudarem no controle do sintoma, elas não substituem a avaliação médica, principalmente quando o zumbido é frequente, intenso ou surge de forma repentina.

    Remédio caseiro para zumbido funciona?

    Não existe um remédio caseiro capaz de curar o zumbido de forma definitiva, pois ele é um sintoma de uma causa interna que precisa de diagnóstico. No entanto, algumas opções naturais podem ajudar a aliviar o desconforto e melhorar a circulação na região dos ouvidos, como o uso de compressas mornas no rosto e pescoço e a higiene do sono.

    Importante: evite colocar óleos, soluções caseiras ou qualquer substância dentro do canal auditivo, pois isso pode causar infecções graves ou perfuração do tímpano, piorando o problema.

    Zumbido no ouvido tem cura?

    o zumbido no ouvido tem cura na maioria das vezes, especialmente quando é causado por fatores reversíveis como acúmulo de cera, infecções, deficiências vitamínicas ou problemas na mandíbula. Nesses casos, o barulho desaparece assim que a causa base é tratada.

    Já em situações de perda auditiva definitiva ou lesões crônicas, pode não haver uma cura total, mas é possível alcançar o controle através da habituação. Com o uso de aparelhos auditivos e terapias sonoras, o cérebro aprende a ignorar o som, fazendo com que ele deixe de ser um incômodo no dia a dia.

    Veja também: Otite média: por que crianças têm tanta dor de ouvido?

    Perguntas frequentes

    1. Quando o zumbido no ouvido é preocupante?

    Quando surge de repente, vem acompanhado de perda de audição súbita, tontura intensa ou dor de cabeça forte.

    2. Por que o ouvido fica zumbindo ao deitar?

    No silêncio da noite, o cérebro não tem sons externos para focar, o que torna o zumbido interno muito mais perceptível.

    3. Qual médico trata o zumbido?

    O especialista indicado é o otorrinolaringologista. Em alguns casos, pode ser necessária a ajuda de um fonoaudiólogo ou dentista (se for DTM).

    4. O uso de fones de ouvido causa zumbido?

    Sim, se usados em volume muito alto por tempo prolongado, pois lesionam permanentemente as células que captam o som.

    5. O que é a Terapia de Retreinamento do Zumbido (TRT)?

    É um tratamento que combina aconselhamento e uso de sons suaves para “treinar” o cérebro a classificar o zumbido como um som sem importância, fazendo com que o paciente pare de percebê-lo.

    6. Zumbido no ouvido pode ser sinal de tumor?

    Em casos muito raros, o zumbido persistente em apenas um ouvido pode indicar um neurinoma do acústico (tumor benigno). Por isso, zumbidos unilaterais devem ser sempre avaliados por um médico.

    Leia mais: Chiado ou zumbido no ouvido: por que você ouve sons que ninguém mais ouve

  • Como o excesso de sal afeta o coração, os rins e a pressão arterial

    Como o excesso de sal afeta o coração, os rins e a pressão arterial

    Você já deve ter ouvido que o sal em excesso faz mal, mas você sabe o que realmente acontece dentro do corpo quando você exagera no consumo?

    O sódio, mineral presente no sal de cozinha, é especialmente necessário para regular o ritmo cardíaco e a transmissão de impulsos nervosos, só que quando ele aparece em excesso no organismo, o corpo retém mais água para tentar equilibrar a concentração do mineral no sangue.

    Como consequência, aumenta o volume de sangue circulando nas artérias, o que pode elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração ao longo do tempo. Para se ter uma ideia, o consumo excessivo de sal (cloreto de sódio) é um dos maiores fatores de risco para doenças crônicas e mortalidade precoce no Brasil e no mundo.

    O papel do sal no organismo

    O sal de cozinha, chamado de cloreto de sódio, é a principal fonte de sódio na alimentação, representando cerca de 74% do consumo, principalmente quando adicionado ao preparo de alimentos. Em pequenas quantidades, ele participa de várias funções essenciais para a manutenção da vida, como:

    • Regular o equilíbrio de líquidos no organismo, ajudando a manter a quantidade adequada de água dentro e fora das células;
    • Ajudar no controle da pressão arterial e na manutenção do volume de sangue circulando pelo corpo;
    • Participar da transmissão dos impulsos nervosos, permitindo a comunicação entre o cérebro, os nervos e os músculos;
    • Auxiliar na contração dos músculos, incluindo o músculo cardíaco, fundamental para os batimentos do coração;
    • Contribuir para o funcionamento adequado das células e para diversos processos metabólicos essenciais ao organismo.

    Vale apontar que o problema não é a presença do sal, mas a concentração. O corpo humano precisa de quantidades muito pequenas para realizar as funções, o equivalente a cerca de 1,5g a 2g de sódio por dia. Qualquer valor muito acima disso pode favorecer a retenção de líquidos e aumentar o risco de pressão alta ao longo do tempo.

    Quais os riscos do excesso de sal para a saúde?

    O excesso de sal afeta diretamente o revestimento interno das artérias, segundo a cardiologista Juliana Soares. O organismo produz uma substância chamada óxido nítrico, responsável por promover o relaxamento dos vasos sanguíneos e permitir que o sangue circule de forma adequada.

    Quando há sódio em excesso no organismo, a ação do óxido nítrico pode ser prejudicada e, consequentemente, os vasos sanguíneos ficam mais contraídos e o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue. Com o passar do tempo, a sobrecarga pode deixar o músculo cardíaco mais espesso e aumentar o risco de problemas, como:

    • Hipertensão arterial;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Infarto;
    • AVC (acidente vascular cerebral);
    • Doença renal crônica;
    • Retenção de líquidos e inchaço;
    • Maior rigidez das artérias e piora da circulação sanguínea.

    De acordo com estudos, dietas com altíssimo teor de sal (sódio) também danificam a mucosa do estômago, agindo como um irritante crônico que aumenta significativamente o risco de inflamações (gastrite), úlceras e o desenvolvimento de tumores, especialmente o adenocarcinoma gástrico.

    Sinais de que você está consumindo sódio demais

    O excesso de sódio nem sempre provoca sintomas claros no início, mas o corpo pode enviar pequenos alertas quando os níveis de sal estão altos demais na dieta. Alguns deles incluem:

    • Se você sente que não consegue saciar a sede, mesmo bebendo água regularmente;
    • Dores de cabeça frequentes e latejantes, devido a dilatação dos vasos sanguíneos no cérebro;
    • Alterações no paladar, em que você precisa de mais sal para conseguir sentir o sabor dos alimentos;
    • Alterações na urina, como ir ao banheiro frequentemente ou urina mais escura e concentrada;
    • Aumento da pressão arterial, que pode causar tonturas e palpitações em algumas pessoas.

    Algumas pessoas também podem perceber sensação de retenção de líquido, ganho rápido de peso relacionado ao inchaço e desconforto após refeições muito salgadas.

    Como reduzir o sal sem perder o sabor?

    1. Aposte nas ervas aromáticas e nas especiarias

    As ervas aromáticas são ótimas substitutas do sal, porque adicionam mais sabor e aroma aos pratos. Veja algumas dicas:

    • Para carnes vermelhas: alecrim, tomilho, alho e cominho;
    • Para aves e peixes: limão, coentro, sálvia e salsinha;
    • Para massas e molhos: manjericão fresco e orégano.

    Além de deixarem os preparos mais saborosos, os temperos naturais ajudam o paladar a se adaptar gradualmente a menos sal.

    2. Use ingredientes ácidos

    Os sabores ácidos ajudam a realçar o gosto dos alimentos de forma semelhante ao sal. O limão e os vinagres, como o de maçã e o balsâmico, podem ser usados na finalização das saladas, das carnes, das sopas e dos legumes.

    3. Use bastante alho e cebola

    O alho e a cebola deixam os preparos naturalmente mais saborosos. Quando são bem refogados, eles liberam aromas e sabores marcantes que diminuem a necessidade de exagerar no sal. Outros ingredientes naturais, como o alho-poró e a cebolinha, também podem ajudar a enriquecer os pratos.

    4. Prepare um sal de ervas caseiro

    O sal de ervas é uma alternativa prática para reduzir o consumo de sódio no dia a dia. A mistura pode ser feita com parte de sal e parte de ervas secas, como o orégano, o alecrim e o manjericão. Com mais aroma e volume, o tempero ajuda a usar menos sal sem comprometer o sabor das refeições.

    5. Tome cuidado com os molhos prontos

    Os molhos industrializados, como o shoyu, o ketchup, os temperos prontos e os molhos para salada, costumam concentrar grandes quantidades de sódio. Sempre que possível, prefira os molhos caseiros preparados com o azeite, o limão, as ervas naturais e as especiarias.

    6. Tire o saleiro da mesa

    Muitas pessoas têm o hábito de adicionar mais sal à comida antes mesmo de provar o prato. Retirar o saleiro da mesa ajuda a diminuir o comportamento e incentiva uma percepção mais natural do sabor dos alimentos.

    7. Leia os rótulos dos alimentos

    A maior parte do sódio consumido no dia a dia provém dos alimentos industrializados, inclusive aqueles considerados saudáveis, como sopas instantâneas, cereais matinais, pães de forma, bebidas esportivas e refrigerantes.

    A forma mais fácil de saber se um alimento tem muito sódio é olhar a tabela nutricional da embalagem. Pelas regras da Anvisa, alimentos com grande quantidade de sódio precisam exibir uma lupa de alerta na embalagem, indicando que aquele produto tem alto teor do mineral.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre sal e sódio?

    O sal de cozinha (cloreto de sódio) é composto por cerca de 40% de sódio e 60% de cloro. O sódio é o mineral que causa a retenção de líquidos e o aumento da pressão arterial quando em excesso.

    2. O sal rosa do Himalaia é mais saudável?

    Embora contenha mais minerais, a quantidade de sódio é quase a mesma do sal comum. Ele deve ser consumido com a mesma moderação que o sal branco.

    3. O sal marinho é melhor que o refinado?

    O sal marinho não passa pelo processo de refinamento e preserva alguns minerais, mas o seu teor de sódio é equivalente ao do sal refinado.

    4. Como saber se um alimento industrializado tem muito sal?

    Verifique o rótulo: se o alimento possuir mais de 400 mg de sódio por cada 100g de produto, ele é considerado rico em sal.

    5. O sal causa pedra nos rins?

    Sim. O excesso de sódio aumenta a excreção de cálcio na urina, o que favorece a formação de cristais e cálculos renais.

    6. Posso substituir o sal pelo sal de potássio (sal light)?

    Sim, mas com cautela. Ele ajuda a reduzir o sódio, mas pessoas com problemas renais devem evitar o sal de potássio sem orientação médica.

    7. Quais alimentos “escondem” mais sódio?

    Refrigerantes (inclusive os diet), pães de forma, temperos prontos (caldos em cubo), embutidos (presunto, salame) e conservas.

    8. Por que sentimos sede após comer algo salgado?

    É uma resposta do cérebro para tentar diluir a alta concentração de sódio no sangue, buscando restaurar o equilíbrio hídrico.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade? 

    Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade? 

    A sensação de estar sempre correndo atrás do tempo ou de ser pego de surpresa pelas responsabilidades do dia a dia é um dos principais gatilhos para o aumento do estresse e da ansiedade. Nesses casos, o cérebro permanece em estado de alerta constante, o que pode intensificar sintomas como palpitações, pensamentos acelerados e cansaço mental.

    Mas como criar uma rotina previsível pode ajudar? Ao estabelecer uma estrutura mínima para o dia, é possível reduzir a carga cognitiva (isto é, a quantidade de decisões que você precisa tomar), permitindo que a mente relaxe e foque no que realmente importa. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que a rotina ajuda a controlar a ansiedade?

    A ansiedade é, basicamente, uma resposta do organismo ao que é desconhecido ou interpretado como ameaça. Quando uma pessoa vive sem uma estrutura mínima, o cérebro precisa tomar decisões constantes e lidar com imprevistos o tempo todo, o que mantém o corpo em um estado de alerta máximo (a resposta de luta ou fuga).

    Com uma rotina mais equilibrada, é possível:

    • Reduzir a sobrecarga mental: a organização do dia diminui a quantidade de decisões repetitivas, o que poupa energia mental e evita a sensação de esgotamento ao longo do dia;
    • Regular o funcionamento do corpo: horários consistentes para dormir, acordar e se alimentar ajudam a estabilizar o ritmo circadiano, favorecendo o equilíbrio dos hormônios ligados ao estresse e ao sono;
    • Aumentar a sensação de previsibilidade: saber o que esperar ao longo do dia reduz a percepção de ameaça e ajuda o cérebro a sair do modo de alerta constante;
    • Fortalecer a sensação de controle: uma rotina estruturada traz a percepção de que a pessoa tem mais domínio sobre a própria vida, o que diminui o sentimento de desamparo;
    • Criar pontos de estabilidade ao longo do dia: pequenos hábitos fixos funcionam como âncoras, oferecendo segurança mesmo em dias mais difíceis ou imprevisíveis.

    Vale destacar que a rotina deve servir apenas como um guia, não uma regra rígida da vida. Ser excessivamente perfeccionista com horários pode gerar mais estresse do que alívio. O ideal é manter a constância nas atividades principais, mas ter flexibilidade para lidar com imprevistos sem culpa.

    Como criar uma rotina previsível para reduzir a ansiedade?

    Criar uma rotina não significa planejar cada minuto do dia, mas sim estabelecer uma estrutura que traga conforto visual e mental. Veja algumas dicas para começar:

    1. Liste as suas atividades fixas

    Primeiro, comece anotando os compromissos que costumam ter um horário fixo, como a jornada de trabalho, as aulas ou o momento de levar os filhos à escola, por exemplo. A partir disso, é possível entender como o restante do dia será organizado.

    2. Defina os blocos de tempo

    Em vez de uma lista de tarefas interminável, trabalhe com os blocos temáticos (por exemplo, um bloco da manhã para o foco total e um bloco da tarde para as reuniões e as pendências leves). Isso evita a sensação de urgência constante e ajuda a focar em uma coisa de cada vez.

    3. Priorize o ritual de início e fim

    A ansiedade costuma ser maior ao acordar e ao deitar, já que são momentos de transição em que a mente tende a antecipar preocupações ou a revisitar o que aconteceu ao longo do dia. Uma dica é estabelecer uma sequência simples para os momentos, como:

    • Pela manhã: evite checar o celular logo ao despertar, pois o excesso de informações pode ativar o estado de alerta logo no início do dia. Prefira começar de forma mais tranquila, bebendo um copo de água, alongando o corpo ou tomando um café com calma;
    • Durante a noite: desligue as telas cerca de 30 minutos antes de dormir, já que a luz dos dispositivos interfere na produção de melatonina. Aproveite o tempo para desacelerar, reduzir os estímulos e preparar o ambiente para o descanso, com uma iluminação mais suave e atividades relaxantes.

    4. Inclua as pausas obrigatórias

    O cérebro precisa de intervalos ao longo do dia para processar as informações e se recuperar do esforço mental contínuo. Sem as pausas, a tendência é que você apresente fadiga, irritação e dificuldade de concentração.

    Por isso, programe pausas de 5 a 10 minutos entre as tarefas maiores para respirar com mais calma, caminhar um pouco ou simplesmente se afastar do computador. Os pequenos intervalos ajudam a manter a produtividade e evitam a sobrecarga.

    5. Prepare o dia seguinte na noite anterior

    Antes de dormir, reserve alguns minutos para organizar o próximo dia de forma simples: separe a roupa que vai usar, revise a tarefa principal ou faça uma lista curta de prioridades. O hábito reduz a quantidade de decisões logo pela manhã, o que diminui a sensação de pressa e desorganização, além de contribuir para a sensação de que o dia seguinte já está encaminhado e sob controle.

    Como manter a constância no dia a dia e evitar frustrações?

    É comum ter dificuldades no início, mas algumas dicas podem te ajudar a manter a constância:

    • Comece com apenas uma ou duas mudanças pequenas por semana;
    • Adote a regra de nunca pular o novo hábito por dois dias seguidos;
    • Planeje margens de tempo no dia para lidar com imprevistos inevitáveis;
    • Utilize um calendário visual para marcar os dias em que cumpriu suas metas;
    • Foque no progresso realizado em vez de buscar a perfeição total;
    • Ajuste a programação conforme a sua realidade e nível de energia do dia;
    • Comemore cada vez que conseguir manter uma atividade da sua lista.

    O ideal é criar um sistema que funcione para a sua realidade e que você consiga manter sem se desgastar.

    Quando procurar ajuda profissional?

    Apesar de importante para a organização, a rotina sozinha pode não ser suficiente para tratar transtornos de ansiedade diagnosticados. Por isso, vale buscar a orientação de um psicólogo ou psiquiatra quando:

    • A ansiedade impede a realização de tarefas básicas, como trabalhar ou estudar;
    • O medo e a preocupação são persistentes e difíceis de controlar;
    • Surgem sintomas físicos frequentes, como taquicardia, falta de ar ou tonturas;
    • O sono é constantemente interrompido por pensamentos acelerados ou pesadelos;
    • Existe a sensação de “paralisia” diante de decisões simples;
    • O isolamento social se torna uma forma frequente de evitar o desconforto;
    • O uso da rotina se torna obsessivo ou gera sofrimento quando algo sai do plano.

    O acompanhamento ajuda a identificar as causas da ansiedade e oferece medidas mais personalizadas, que podem incluir psicoterapia e, em alguns casos, o uso de medicamentos para equilibrar as funções neurotransmissoras, como a serotonina e a noradrenalina, além da dopamina em algumas situações.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Quando a ansiedade deixa de ser normal?

    Ela se torna patológica quando é desproporcional ao evento, dura muito tempo e interfere na qualidade de vida ou na realização de tarefas simples.

    2. Quais são os principais sintomas físicos da ansiedade?

    Os sintomas comuns incluem batimentos cardíacos acelerados, sudorese, tremores, falta de ar, tensão muscular e sensação de nó na garganta.

    3. Qual a diferença entre ansiedade e estresse?

    O estresse é uma resposta a uma pressão externa imediata, enquanto a ansiedade é uma preocupação persistente que permanece mesmo após o fim do fator estressante

    4. Quanto tempo leva para uma rotina virar hábito?

    Em média 21 a 66 dias, dependendo da complexidade da atividade e da persistência individual.

    5. O que fazer quando um imprevisto quebra minha rotina?

    Aceite o imprevisto, resolva o que for urgente e retome a próxima atividade planejada assim que possível.

    6. A rotina deve ser igual nos finais de semana?

    Não precisa ser idêntica, mas manter horários próximos de acordar e comer ajuda a não desregular o organismo.

    7. Exercícios físicos devem ser feitos todos os dias?

    O ideal é manter a constância, mas três vezes por semana já trazem benefícios significativos para a saúde mental.

    8. Como a higiene do sono ajuda na rotina?

    Ao preparar o corpo para dormir, você garante um descanso de qualidade, o que melhora o humor no dia seguinte.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Como largar o vício em redes sociais? 7 medidas práticas para retomar o controle

    Como largar o vício em redes sociais? 7 medidas práticas para retomar o controle

    Você já sentiu aquela necessidade quase instintiva de checar o celular assim que acorda ou percebeu que passou horas rolando o feed sem sequer notar o tempo passar? O comportamento, que é comum especialmente entre jovens, é o principal sinal do vício em redes sociais.

    Ele afeta o cérebro de forma semelhante a outras dependências, estimulando a liberação constante de dopamina e criando um ciclo de busca por aprovação e entretenimento infinito. Além de comprometer a produtividade no dia a dia, a dependência digital aumenta o risco de ansiedade, depressão, alterações no sono e problemas de autoestima.

    Como identificar o vício em redes sociais?

    Para identificar se o uso das plataformas digitais se tornou uma dependência, vale observar tanto o comportamento físico quanto o estado emocional:

    • Perda da noção de tempo ao navegar de forma passiva e adiar tarefas essenciais como trabalho, estudos ou refeições;
    • Sintomas de ansiedade ou irritabilidade sempre que o acesso à internet é interrompido ou quando não há possibilidade de checar o celular;
    • Necessidade crescente de conexão para obter o mesmo nível de satisfação ou distração que antes era alcançado em poucos minutos;
    • Dificuldade para dormir e insônia causadas pelo uso excessivo de telas antes de deitar, o que prejudica a produção de melatonina;
    • Desinteresse por atividades sociais e hobbies que antes eram prazerosos, preferindo o isolamento para permanecer online;
    • Uso das plataformas como mecanismo de fuga para evitar lidar com sentimentos negativos, frustrações ou problemas da vida real;
    • Checagem compulsiva de notificações mesmo quando não há um motivo específico ou necessidade imediata de comunicação.

    Nem todas que passam muito tempo online são, necessariamente, viciadas. A dependência digital acontece quando a pessoa não consegue controlar o tempo que passa online, mesmo percebendo que aquilo já está atrapalhando o sono, a saúde mental, a rotina ou até os relacionamentos.

    Como se livrar do vício em redes sociais?

    1. Desative as notificações que não são essenciais

    Cada alerta sonoro ou vibração do celular é um gatilho que libera dopamina e força o cérebro a interromper o que está fazendo. Por isso, desative todas as notificações, especialmente de aplicativos como Instagram e TikTok, exceto chamadas telefônicas ou mensagens de trabalho urgentes. Sem o estímulo visual e sonoro, a vontade de checar o aparelho diminui bastante.

    2. Estabeleça janelas de uso

    Em vez de entrar nas redes a todo momento, tente separar períodos específicos do dia para isso. Pode ser, por exemplo:

    • 30 minutos após o almoço;
    • 20 minutos no fim da tarde;
    • Alguns minutos antes do jantar.

    Fora dos horários, o ideal é evitar abrir os aplicativos sem necessidade. Aos poucos, o hábito compulsivo diminui e a relação com o celular se torna menos automática.

    3. Retire o celular do quarto ao dormir

    A luz azul das telas prejudica a qualidade do sono e a proximidade do aparelho facilita a checagem compulsiva ao acordar. O ideal é deixar o celular carregando em outro cômodo e utilizar um despertador comum, o que ajuda a quebrar o ciclo de ansiedade matinal. Se não for possível, vale ao menos evitar mexer no aparelho cerca de uma hora antes de dormir.

    4. Remova aplicativos da tela inicial

    Quando os aplicativos ficam visíveis o tempo inteiro na tela inicial do celular, o acesso acontece de forma impulsiva. Muitas vezes, você abre a rede social por puro reflexo, sem nem perceber o motivo.

    Por isso, uma dica simples é mover os aplicativos para pastas menos acessíveis ou deixá-los longe da primeira página do aparelho. Outra medida é sair das contas após o uso, exigindo login sempre que quiser entrar novamente.

    Em casos mais intensos, também pode valer a pena desinstalar temporariamente os aplicativos e acessar as redes apenas pelo computador ou navegador.

    5. Faça um detox digital de forma gradual

    Você até pode tentar cortar completamente o uso das redes sociais de uma vez só, mas mudanças radicais costumam gerar frustração e dificuldade de manter a rotina.

    O detox digital funciona melhor quando acontece aos poucos: em vez de abandonar o celular totalmente, tente reservar pequenos períodos offline durante a semana. Pode ser uma manhã de domingo, algumas horas à noite ou até um período específico do dia sem redes sociais.

    6. Substitua o hábito por atividades que gerem bem-estar

    Em muitos casos, o celular também se torna uma forma de aliviar o tédio, fugir da ansiedade, ocupar silêncios ou escapar de emoções desconfortáveis. Então, quando surgir aquela vontade automática de abrir o Instagram ou o TikTok, tente substituir o impulso por outra atividade simples:

    • Tomar água;
    • Ouvir música;
    • Fazer uma caminhada;
    • Conversar com alguém;
    • Fazer exercícios físicos;
    • Respirar profundamente por alguns minutos.

    Com o tempo, o cérebro aprende que existem outras fontes de prazer além das telas.

    7. Use ferramentas de controle de tempo

    Hoje, a maioria dos smartphones possui funções nativas de monitoramento, como o ‘Tempo de Uso’ no iOS e o ‘Bem-estar Digital’ no Android, que auxiliam na criação de limites mais saudáveis.

    O primeiro passo é observar quanto tempo é gasto diariamente nas redes sociais para, então, estabelecer metas de uso. Quando o período definido termina, o dispositivo pode bloquear o acesso automaticamente ou enviar alertas avisando que o limite planejado foi atingido.

    Quando é necessário procurar ajuda profissional?

    Em alguns casos, a tentativa de reduzir o uso das redes sociais por conta própria pode não ser suficiente, especialmente quando a dependência já está muito presente na rotina.

    É importante procurar psicólogo ou psituatria quando o uso digital passa a gerar sofrimento ou prejuízos funcionais, como:

    • Quando o uso excessivo causa dores crônicas (como na coluna ou punhos), problemas de visão ou privação de sono severa que afeta o sistema imunológico;
    • Se você está perdendo prazos, rendendo menos no trabalho ou deixando de estudar para ficar conectado;
    • Quando a pessoa prefere interações digitais a encontros presenciais com amigos e familiares, ou sente-se incapaz de manter uma conversa sem checar o celular;
    • Se a ausência de internet ou a falta de curtidas causa sentimentos de profunda tristeza, baixa autoestima ou ataques de pânico;
    • Quando hábitos básicos, como higiene pessoal, alimentação adequada e prática de exercícios, são negligenciados em favor do tempo online;
    • Se você já tentou diversas vezes reduzir o uso, mas sentiu que não tem controle emocional sobre o impulso de acessar as redes.

    O tratamento normalmente envolve a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a identificar os gatilhos emocionais que levam ao uso compulsivo e a desenvolver medidas para enfrentar o tédio ou a ansiedade sem recorrer às telas.

    Em alguns casos, o médico pode avaliar a necessidade de remédios para tratar condições preexistentes, como transtornos de ansiedade ou TDAH.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

    Perguntas frequentes

    1. O vício em redes sociais é considerado uma doença?

    Embora não esteja em todos os manuais médicos como uma patologia isolada, é tratado clinicamente como uma “dependência tecnológica” ou transtorno de controle de impulsos, similar ao vício em jogos.

    2. Quantas horas de uso por dia indicam um vício?

    Não há um número exato de horas, mas sim o impacto funcional. Se o uso interfere no sono, trabalho ou relações, independentemente do tempo, pode ser considerado dependência.

    3. O que é a síndrome de FOMO?

    O termo vem do inglês Fear of Missing Out (medo de estar perdendo algo). É a ansiedade de sentir que todos estão vivendo experiências incríveis, menos você, o que gera a checagem compulsiva do feed.

    4. Por que as redes sociais viciam tanto?

    Elas são projetadas para liberar dopamina através de recompensas variáveis (curtidas, comentários e rolagem infinita), criando um ciclo de busca por prazer imediato.

    5. O que é “phubbing”?

    É o ato de ignorar a pessoa ao seu lado para mexer no celular. É um sinal claro de que a dependência digital está prejudicando as relações sociais.

    6. Como saber se meu filho está viciado?

    Observe se ele se torna agressivo ao ficar sem internet, se as notas caíram ou se ele perdeu o interesse por amigos e atividades presenciais.

    7. O que fazer se o meu trabalho depende das redes sociais?

    Nesse caso, a separação deve ser técnica. Use o computador em vez do celular para trabalhar, estabeleça horários de log-off rigorosos e utilize contas profissionais separadas das pessoais para evitar distrações.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo