Autor: Dra. Juliana Soares

  • Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer 

    Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer 

    Apesar de ser uma infecção conhecida há séculos e contar com diagnóstico simples e tratamento eficaz, a sífilis voltou a crescer de forma preocupante nos últimos anos. A doença, que é sexualmente transmissível e também pode ser passada da mãe para o bebê durante a gestação, continua representando um desafio importante para a saúde pública.

    Fatores como a percepção inadequada do risco, o estigma associado às infecções sexualmente transmissíveis e a desigualdade no acesso a testes e tratamento ajudam a explicar o aumento dos casos. Curiosamente, o período da pandemia de covid-19 marcou uma redução temporária nos registros, atribuída ao aumento da testagem e do diagnóstico.

    O que é a sífilis?

    A sífilis é uma doença bacteriana causada pela bactéria Treponema pallidum, tendo o ser humano como seu único hospedeiro. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível, que também pode ser transmitida de mãe para filho durante a gravidez.

    Atualmente, a sífilis é prevenível, tratável e rastreada rotineiramente no pré-natal, o que torna o diagnóstico precoce uma ferramenta fundamental para evitar complicações, especialmente na gestação.

    Principais sintomas

    A sífilis pode se manifestar de diferentes formas ao longo do tempo, sendo classificada em quatro fases principais.

    Sífilis primária

    Caracteriza-se pelo surgimento do cancro duro, uma úlcera indolor na região genital, geralmente acompanhada de linfonodos aumentados próximos ao local da lesão.

    Sífilis secundária

    Surge cerca de 6 a 8 semanas após a fase primária e pode causar:

    • Lesões cutâneas;
    • Alopecia;
    • Sintomas sistêmicos, como febre e fraqueza.

    Sífilis terciária

    Pode ocorrer anos após a infecção inicial e apresentar manifestações graves, incluindo:

    • Sintomas neurológicos;
    • Comprometimento ósseo;
    • Aneurismas.

    Sífilis latente e neurossífilis

    A fase latente é assintomática. A sífilis também pode evoluir para neurossífilis, que varia desde formas assintomáticas até quadros graves, como demência.

    Sífilis congênita

    Em gestantes não tratadas adequadamente, pode ocorrer sífilis congênita, resultando em anormalidades no recém-nascido.

    Causas

    A sífilis é causada pela infecção pelo Treponema pallidum, que se multiplica no organismo após a transmissão.

    Formas de transmissão

    • Relações sexuais desprotegidas;
    • Transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação).

    A infecção pode ocorrer mesmo em pessoas com histórico prévio de sífilis, especialmente quando associada a fatores de risco como múltiplos parceiros sexuais e condições que comprometem o sistema imunológico.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da sífilis é realizado por meio de exames de sangue que detectam a presença de anticorpos contra a bactéria.

    Exames laboratoriais

    • Testes sorológicos para detecção de anticorpos;
    • Recomenda-se a confirmação com mais de um teste positivo.

    Outros métodos diagnósticos

    A bacterioscopia de campo escuro pode identificar diretamente a bactéria. Em casos de suspeita de neurossífilis, é indicada a punção liquórica para análise do líquor.

    A história clínica e a avaliação de fatores de risco são fundamentais para interpretação adequada dos exames.

    Tratamento

    O tratamento da sífilis é realizado, na maioria dos casos, com penicilina, sendo a Benzetacil a medicação mais utilizada.

    Tratamento conforme a fase

    A quantidade de doses e a duração do tratamento variam conforme o estágio da infecção.

    Nos casos de comprometimento do sistema nervoso, pode ser necessária a penicilina cristalina, que apresenta melhor penetração no sistema nervoso central.

    Prevenção

    A prevenção da sífilis envolve:

    • Uso de preservativos nas relações sexuais;
    • Testagem regular em grupos de risco;
    • Acompanhamento pré-natal adequado para gestantes.

    Essas medidas são fundamentais para reduzir a transmissão e evitar complicações, especialmente a sífilis congênita.

    O que esperar

    Quando tratada adequadamente, a sífilis apresenta bom prognóstico, com altas taxas de cura e ausência de sequelas na maioria dos casos.

    Porém, a falta de tratamento pode levar a complicações graves e comprometer significativamente a qualidade de vida, podendo causar sequelas permanentes. O acompanhamento periódico após o tratamento é essencial para avaliar a resposta terapêutica e a necessidade de retratamento.

    Veja também: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes sobre sífilis

    1. A sífilis tem cura?

    Sim. Quando tratada corretamente, a sífilis apresenta alta taxa de cura.

    2. A sífilis pode voltar após o tratamento?

    A infecção pode ocorrer novamente se houver nova exposição ao Treponema pallidum.

    3. Toda sífilis apresenta sintomas?

    Não. A fase latente é assintomática e pode passar despercebida sem testagem.

    4. Gestantes devem fazer teste para sífilis?

    Sim. O rastreio é realizado rotineiramente no pré-natal.

    5. A sífilis não tratada pode causar sequelas?

    Sim. A evolução para formas terciárias ou neurossífilis pode causar danos permanentes.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • O que é febre reumática? Cardiologista explica os sintomas, tratamentos e se tem cura

    O que é febre reumática? Cardiologista explica os sintomas, tratamentos e se tem cura

    Comum em crianças e adolescentes, a amigdalite bacteriana é uma infecção de garganta causada pela bactéria Streptococcus do grupo A, sendo transmitida através de gotículas respiratórias, como tosse e espirro, compartilhamento de alimentos e bebidas, além do contato com superfícies contaminadas.

    Como os sintomas tendem a melhorar em poucos dias, é frequente que a infecção seja tratada apenas com remédios para dor e febre. Porém, sem o uso adequado de antibióticos, a bactéria não é completamente eliminada do organismo e pode causar complicações sérias, como a febre reumática.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender como a complicação se manifesta, as formas de tratamento e as principais medidas para prevenir. Confira!

    O que é febre reumática?

    A febre reumática aguda (FRA) é uma doença inflamatória autoimune que surge como complicação de uma infecção de garganta (como a amigdalite bacteriana) causada por uma bactéria chamada Streptococcus do grupo A, conhecida como estreptococo.

    De acordo com Juliana, quando a infecção não recebe tratamento correto com antibióticos, o organismo pode reagir de forma inadequada e passar a atacar partes do próprio corpo, principalmente o coração, as articulações, a pele e o sistema nervoso.

    Vale ressaltar que ela não é uma infecção que atinge diretamente o coração. Ela se desenvolve porque o sistema imunológico, ao tentar eliminar a bactéria da garganta, produz anticorpos que confundem estruturas do próprio organismo com o microrganismo — o que é conhecido como mimetismo molecular.

    Como consequência, ocorre a inflamação em tecidos saudáveis, principalmente nas válvulas do coração, podendo causar lesões permanentes.

    Qualquer criança que tem infecção de garganta pode ter febre reumática?

    A resposta é não. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, apenas algumas pessoas têm predisposição para desenvolver a doença.

    Muitas crianças apresentem infecções de garganta com frequência, especialmente nos primeiros anos de vida, mas isso, por si só, não significa que irão desenvolver febre reumática.

    Para que a doença apareça, é necessário existir uma predisposição, que é herdada dos pais e já está presente desde o nascimento da criança.

    Segundo Juliana, a doença acomete principalmente crianças e adolescentes na faixa etária dos 5 aos 15 anos de idade. Ela é mais rara em adultos e também em crianças muito pequenas, menores de 3 anos.

    Quais os sintomas da febre reumática?

    A febre reumática costuma aparecer semanas depois da dor de garganta, quando a infecção já até melhorou. Os principais sintomas incluem:

    • Febre;
    • Dores e inchaço nas articulações;
    • Cansaço;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Batimentos irregulares;
    • Movimentos involuntários do corpo;
    • Manchas ou caroços na pele.

    Vale destacar que nem todos os sintomas aparecem juntos. Algumas pessoas só percebem quando o coração já está comprometido.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da febre reumática é feito por uma combinação de avaliação clínica e exames, com base nos critérios diagnósticos conhecidos como critérios de Jones, conforme explica Juliana.

    A cardiologista explica que eles consideram sinais e sintomas da doença, como comprometimento do coração, presença de sopro cardíaco, artrite, coreia, nódulos subcutâneos e eritema marginado.

    Além da avaliação clínica, alguns exames ajudam a confirmar o diagnóstico e a avaliar a gravidade da doença, como:

    • VHS e PCR, que indicam a presença de inflamação no organismo;
    • ASLO (antiestreptolisina O), que mostra se houve infecção recente pelo estreptococo;
    • Ecocardiograma, usado para avaliar se existem lesões nas válvulas do coração.

    A presença da bactéria não é obrigatória para fechar o diagnóstico, mas os exames ajudam a confirmar a infecção prévia e a identificar possíveis complicações no coração.

    Tratamentos da febre reumática

    O tratamento da febre reumática envolve controlar a inflamação, aliviar os sintomas e, principalmente, evitar danos permanentes ao coração.

    Primeiro de tudo, é necessário eliminar a bactéria estreptococo do organismo, mesmo quando a dor de garganta já desapareceu.

    Para isso, são utilizados antibióticos, principalmente a penicilina benzatina (benzetacil), aplicada por injeção. Em pessoas alérgicas à penicilina, podem ser usados antibióticos por via oral.

    Para controlar a inflamação e a dor, são usados remédios anti-inflamatórios, como o ácido acetilsalicílico ou outros anti-inflamatórios. Em casos com comprometimento cardíaco mais importante, o médico pode indicar corticoides para reduzir a inflamação do coração.

    Juliana ainda ressalta que uma parte fundamental do tratamento é a prevenção secundária. Quem já teve febre reumática apresenta alto risco de desenvolver novas crises após outra infecção de garganta pelo estreptococo.

    Por isso, é indicado o uso regular de antibiótico por longo período, normalmente a penicilina benzatina aplicada a cada 21 ou 28 dias.

    Febre reumática tem cura?

    A febre reumática pode ser controlada e, em muitos casos, os sintomas desaparecem completamente com o tratamento correto. Portanto, a doença em si pode ser considerada curável quando o quadro inflamatório é tratado de forma adequada e não ocorrem novos surtos.

    Porém, quando há comprometimento do coração, especialmente das válvulas cardíacas, as lesões podem ser permanentes. A inflamação pode cicatrizar deixando as válvulas deformadas, o que pode causar problemas cardíacos ao longo da vida, como sopros, insuficiência cardíaca ou necessidade de cirurgia no futuro.

    Por que a febre reumática é tão perigosa?

    A febre reumática é perigosa porque pode causar danos que acompanham a pessoa por toda a vida, principalmente no coração. Entre os riscos, é possível destacar:

    • Lesões nas válvulas do coração, que podem ficar deformadas e não funcionar corretamente;
    • Dificuldade na circulação do sangue, levando a cansaço, falta de ar e inchaço;
    • Risco de insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear sangue de forma eficiente;
    • Possibilidade de novos surtos, já que cada nova infecção de garganta pelo estreptococo pode reativar a doença;
    • Agravamento progressivo das lesões cardíacas, pois cada crise pode danificar ainda mais as válvulas.

    Além do coração, a febre reumática também pode causar dor intensa nas articulações, alterações na pele e movimentos involuntários, o que prejudica a qualidade de vida. Sem tratamento e acompanhamento adequados, a doença pode evoluir para complicações graves.

    A febre reumática pode ser evitada?

    A prevenção da febre reumática depende principalmente do cuidado correto com as infecções de garganta, segundo Juliana. As principais medidas incluem:

    • Procurar atendimento médico sempre que houver dor de garganta acompanhada de febre, pus nas amígdalas ou ínguas no pescoço;
    • Realizar o tratamento com antibiótico quando houver indicação médica para infecção por estreptococo;
    • Usar o antibiótico pelo tempo completo, mesmo quando os sintomas melhorarem antes do fim do tratamento;
    • Não interromper o tratamento por conta própria;
    • Manter boa higiene, como lavar as mãos com frequência e evitar contato próximo com pessoas com infecção de garganta;
    • Evitar ambientes muito fechados e com aglomeração, que facilitam a transmissão da bactéria;
    • Manter acompanhamento médico em crianças e adolescentes com infecções de garganta frequentes.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes

    1. A febre reumática ainda é comum hoje em dia?

    Isso depende muito do acesso ao tratamento da infecção de garganta. Em países mais desenvolvidos, a febre reumática é rara, porque as pessoas conseguem atendimento médico e antibióticos com rapidez.

    No Brasil e em outros países em desenvolvimento, a doença ainda aparece com frequência. Muitas vezes, a pessoa não consegue atendimento a tempo, não inicia o antibiótico corretamente ou interrompe o tratamento antes do fim, o que aumenta o risco de desenvolver febre reumática.

    2. Quanto tempo depois da infecção aparecem os sintomas?

    Os sintomas da febre reumática costumam surgir de uma a três semanas depois da infecção de garganta. Nesse período, a dor na garganta já pode ter sumido, o que faz muita gente nem desconfiar da relação. Mesmo sem dor na garganta, a inflamação já está acontecendo dentro do corpo.

    3. Por que o coração é o órgão mais afetado?

    As válvulas cardíacas possuem proteínas muito parecidas com as do estreptococo. Por causa disso, os anticorpos produzidos contra a bactéria também atacam essas estruturas, provocando inflamação e cicatrização. O processo pode comprometer o funcionamento do coração de forma permanente.

    4. A febre reumática pode matar?

    Em casos graves, principalmente quando há comprometimento intenso do coração, a doença pode levar a insuficiência cardíaca, arritmias e outras complicações que colocam a vida em risco.

    5. A febre reumática passa de uma pessoa para outra?

    A febre reumática não é contagiosa, mas a bactéria da garganta é. Por isso, uma criança infectada pode transmitir o estreptococo para outra, que pode desenvolver a doença se não houver tratamento.

    6. A febre reumática pode causar necessidade de cirurgia no coração?

    Em casos graves, sim. Quando as válvulas ficam muito deformadas, pode ser necessário realizar cirurgia para corrigir ou trocar a válvula afetada.

    Leia mais: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

  • Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral 

    Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral 

    Febre, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço costumam acender um alerta imediato para uma condição grave: a meningite. Embora a forma bacteriana seja mais conhecida pela gravidade, existe um tipo mais frequente e, na maioria dos casos, menos agressivo, que é a meningite viral.

    Com o avanço dos programas de vacinação e a consequente redução da meningite bacteriana, a meningite viral passou a ser a principal causa de inflamação das meninges. Ainda assim, seus sintomas exigem atenção e avaliação médica, já que o quadro inicial pode se confundir com outras formas da doença.

    O que é a meningite viral?

    A meningite viral é a infecção da meninge, a membrana que envolve e protege o sistema nervoso central, causada por diferentes tipos de vírus, levando à inflamação dessas estruturas.

    As meninges desempenham um papel essencial na proteção do cérebro e da medula espinhal, formando um espaço preenchido por um líquido chamado líquor, que ajuda a amortecer impactos e proteger o sistema nervoso. A inflamação desse espaço é responsável pelos sintomas característicos da meningite.

    Principais sintomas

    Os sintomas da meningite viral são semelhantes aos da meningite bacteriana, embora, em geral, apresentem evolução mais lenta.

    Sintomas mais comuns

    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Enjoo;
    • Vômitos;
    • Rigidez no pescoço.

    Diferenças em relação à meningite bacteriana

    Ao contrário da forma bacteriana, alterações importantes do estado mental, como sonolência extrema e coma, são menos frequentes na meningite viral.

    Durante a avaliação clínica, é comum o paciente relatar contato com pessoas infectadas, viagens recentes ou outras situações associadas a infecções virais.

    Causas

    Os vírus mais frequentemente associados à meningite viral são os enterovírus, mas outros agentes também podem estar envolvidos.

    Vírus que podem causar meningite viral

    • Enterovírus;
    • Vírus do herpes;
    • Varicela zoster;
    • HIV;
    • Citomegalovírus.

    Formas de transmissão

    A infecção pode ocorrer por diferentes vias, dependendo do vírus envolvido, como:

    • Picadas de insetos;
    • Contato com gotículas respiratórias;
    • Relações sexuais.

    Após a infecção inicial, o vírus pode alcançar o sistema nervoso pela corrente sanguínea ou por nervos, atingindo o espaço subaracnóide, onde circula o líquor, desencadeando a inflamação das meninges.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da meningite viral é suspeitado a partir dos sintomas associados ao histórico de possíveis exposições virais.

    Avaliação inicial

    Exames de sangue, incluindo culturas, são realizados inicialmente para excluir meningite bacteriana, que precisa ser descartada com rapidez.

    Punção liquórica

    A punção liquórica é um exame fundamental, realizado com anestesia local, que permite a coleta do líquor para análise.

    • O líquor normal é transparente;
    • Na meningite bacteriana, o líquor costuma ter aspecto purulento;
    • Na meningite viral, o líquor geralmente permanece mais claro.

    A análise do líquor avalia a proporção de células, níveis de proteínas e sinais inflamatórios, além de testes complementares conforme a suspeita clínica.

    Tratamento

    O tratamento da meningite viral é, na maioria dos casos, sintomático e de suporte.

    Medidas de suporte

    • Medicamentos para dor e febre, como dipirona;
    • Antieméticos para controle de enjoo;
    • Hidratação endovenosa, quando necessário.

    A maior parte dos pacientes apresenta resolução espontânea dos sintomas em 1 a 2 semanas, sem necessidade de tratamento específico.

    Uso inicial de antibióticos

    No início do quadro, devido ao risco de meningite bacteriana, é comum iniciar antibioticoterapia empírica até que essa causa seja descartada.

    Antivirais

    Nos casos de meningite causada por herpes ou varicela zoster, pode ser indicado o uso do antiviral aciclovir.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes sobre meningite viral

    1. A meningite viral é menos grave que a bacteriana?

    Em geral, sim. A meningite viral costuma ter evolução mais lenta e menos complicações graves.

    2. Os sintomas são diferentes da meningite bacteriana?

    São semelhantes, mas alterações graves do estado mental são menos comuns na forma viral.

    3. A meningite viral precisa de antibiótico?

    Inicialmente, antibióticos podem ser usados até que a meningite bacteriana seja excluída.

    4. Quanto tempo dura a meningite viral?

    Na maioria dos casos, os sintomas melhoram em 1 a 2 semanas.

    5. Sempre é necessário usar antivirais?

    Não. Antivirais são indicados apenas em casos específicos, como infecção por herpes ou varicela zoster.

    Leia mais: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

  • Cotovelo de tenista (epicondilite lateral): a lesão afeta também quem não joga tênis 

    Cotovelo de tenista (epicondilite lateral): a lesão afeta também quem não joga tênis 

    Dor persistente no lado externo do cotovelo, dificuldade para segurar objetos simples e incômodo ao realizar movimentos repetitivos são queixas comuns no consultório médico. Embora muita gente associe esses sintomas apenas à prática esportiva, especialmente ao tênis, a epicondilite lateral pode afetar também pessoas que nunca pegaram em uma raquete.

    Conhecida popularmente como cotovelo de tenista, essa condição está relacionada ao uso excessivo e repetitivo do braço e do antebraço, seja no esporte, no trabalho ou em atividades do dia a dia. Apesar de não ser uma lesão grave, pode causar dor significativa e limitar a rotina se não for tratada da maneira certa.

    O que é a epicondilite lateral?

    A epicondilite lateral, comumente chamada de cotovelo de tenista, é uma lesão do tendão localizado próximo ao epicôndilo lateral do cotovelo.

    Essa condição surge devido ao esforço repetido e frequente, o que leva a um processo de inflamação crônica e fibrose local. O epicôndilo lateral é a região do cotovelo onde tendões e nervos se conectam.

    Embora seja mais conhecida entre praticantes de esportes que exigem movimentos repetitivos do cotovelo, como o tênis, outros fatores de risco também estão associados, como tabagismo, obesidade e a faixa etária entre 40 e 50 anos.

    Principais sintomas

    O quadro clínico da epicondilite lateral é caracterizado principalmente por dor localizada, que costuma ser progressiva.

    Como a dor se manifesta

    • Dor na parte lateral do cotovelo;
    • Início geralmente de 1 a 3 dias após atividades repetitivas;
    • Intensidade variável, de leve a intensa;
    • Piora com esforço físico;
    • Melhora com repouso.

    A dor pode interferir nas atividades diárias, como segurar objetos, escrever ou realizar tarefas manuais.

    O que geralmente não ocorre

    Na maioria dos casos, a dor não é acompanhada de sintomas neurológicos, como formigamento ou perda de força, o que ajuda a diferenciar a epicondilite de outras condições do cotovelo.

    Causas

    A principal causa da epicondilite lateral é a sobrecarga frequente do tendão, provocada por movimentos repetitivos.

    Esses movimentos geram microlesões no tendão, que, ao longo do tempo, comprometem sua função. Como consequência, podem ocorrer:

    • Alterações estruturais do tendão;
    • Endurecimento;
    • Perda de elasticidade;
    • Formação de calcificações.

    Esse processo explica por que a dor tende a ser persistente quando o estímulo repetitivo não é interrompido.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da epicondilite lateral é clínico, baseado na avaliação médica.

    Avaliação durante a consulta

    O médico realiza manobras específicas que reproduzem a dor e ajudam a identificar a tendinopatia, além de considerar o histórico de sobrecarga ou movimentos repetitivos.

    Exames de imagem

    • Ultrassonografia: avalia as condições anatômicas do tendão;
    • Radiografia: útil para excluir alterações ósseas, como artrite ou fraturas;
    • Ressonância magnética: indicada em casos de dor crônica, especialmente para avaliar necessidade de cirurgia.

    Tratamento

    O tratamento da epicondilite lateral começa, na maioria dos casos, de forma conservadora.

    Medidas iniciais

    • Redução ou interrupção temporária da atividade que causa dor;
    • Fisioterapia;
    • Compressas geladas após o exercício.

    Uso de medicamentos

    • Analgésicos;
    • Anti-inflamatórios, quando indicados.

    Se não houver melhora com essas medidas, pode-se considerar:

    • Otimização do uso de anti-inflamatórios;
    • Injeções locais de corticoides.

    Cirurgia

    A cirurgia é reservada para casos com perda significativa de função ou falha do tratamento conservador.

    Retorno ao esporte

    O principal objetivo do tratamento é permitir o retorno às atividades esportivas sem dor e sem limitações.

    O paciente deve receber orientação sobre:

    • Respeitar limites durante a recuperação;
    • Corrigir a técnica dos movimentos;
    • Adotar medidas preventivas durante a prática esportiva.

    Essas estratégias ajudam a reduzir o risco de novas lesões.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

    Perguntas frequentes sobre epicondilite lateral

    1. Epicondilite lateral só ocorre em quem joga tênis?

    Não. Apesar do nome “cotovelo de tenista”, a condição pode acontecer em qualquer pessoa que realize movimentos repetitivos com o braço.

    2. A dor aparece imediatamente após o esforço?

    Geralmente, a dor surge de 1 a 3 dias após atividades repetitivas.

    3. A epicondilite causa formigamento ou perda de força?

    Normalmente não. A ausência de sintomas neurológicos é uma característica comum.

    4. O diagnóstico precisa de exames de imagem?

    Nem sempre. O diagnóstico é clínico, mas exames podem ser usados para complementar a avaliação ou excluir outras causas.

    5. Sempre é necessário cirurgia?

    Não. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador. A cirurgia é indicada apenas em situações específicas.

    6. É possível voltar ao esporte após o tratamento?

    Sim. Com tratamento adequado e orientação correta, o retorno ao esporte costuma acontecer sem dor.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

  • Emagrecer rápido demais faz mal ao coração? Entenda o papel das canetas emagrecedoras

    Emagrecer rápido demais faz mal ao coração? Entenda o papel das canetas emagrecedoras

    Independentemente do método escolhido, o emagrecimento acelerado e sem orientação médica pode trazer uma série de riscos para a saúde.

    Quando a perda de peso ocorre de forma brusca, o coração precisa lidar com alterações no volume de sangue, na pressão arterial e na disponibilidade de energia — o que pode aumentar o risco de tonturas, queda de pressão e alterações no ritmo cardíaco.

    Com a popularização dos remédios agonistas de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, o quadro merece uma atenção ainda mais especial. Vamos entender mais a relação, a seguir.

    Emagrecer rápido demais faz mal para o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, apesar do emagrecimento a longo prazo trazer benefícios para o sistema cardiovascular, devido a redução da gordura corporal, uma perda de peso muito rápida pode promover uma situação de estresse agudo para o organismo.

    A perda acelerada de peso pode levar à falta de nutrientes importantes, como potássio e magnésio, que são essenciais para o funcionamento do coração. Também pode ocorrer a perda excessiva de massa muscular, e como o coração é um músculo, ele também pode ser afetado.

    Para completar, quedas súbitas de pressão arterial, tonturas e alterações no ritmo cardíaco podem surgir no processo, especialmente quando o organismo é submetido a um estresse metabólico intenso.

    O uso de canetas emagrecedoras aumenta o risco?

    Os agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, atuam no organismo reduzindo o apetite, aumentando a sensação de saciedade e retardando o esvaziamento gástrico. Com isso, a ingestão de alimentos tende a diminuir de forma significativa, o que favorece a perda de peso.

    Segundo Juliana, se a dose for aumentada de maneira muito rápida ou se o paciente simplesmente deixar de comer por não sentir fome, e a perda de peso ultrapassar o limite recomendado (como mais de 1 kg por semana), pode ocorrer uma perda desproporcional de massa magra em vez de gordura, o que não é saudável.

    Por isso, esse tipo de medicamento deve ser usado com orientação médica, com ajuste das doses e atenção ao ritmo da perda de peso. O acompanhamento profissional garante uma alimentação adequada, preserva nutrientes essenciais e permite o monitoramento do organismo ao longo do tratamento, como explica Juliana.

    Como saber se o corpo está emagrecendo rápido demais?

    O organismo costuma dar indícios quando a perda de peso acontece em uma velocidade inadequada para o metabolismo. Alguns sintomas podem indicar que o emagrecimento está ocorrendo de forma acelerada demais, como:

    • Fadiga excessiva e tontura, que podem indicar desidratação ou hipoglicemia;
    • Queda intensa de cabelo, relacionada ao choque metabólico;
    • Irritabilidade e falta de energia, causadas pela deficiência de nutrientes que afetam o funcionamento do cérebro;
    • Flacidez acentuada, associada à perda excessiva de massa muscular;
    • Formação de cálculos biliares, conhecidos como pedras na vesícula, que ocorre porque a bile se torna mais concentrada durante perdas de peso muito rápidas.

    Se os sinais surgirem, é importante procurar avaliação médica para reavaliar a estratégia de emagrecimento e ajustar o ritmo da perda de peso.

    Por que emagrecer com equilíbrio é fundamental?

    Quando o emagrecimento é feito de forma gradual, o corpo consegue se adaptar melhor às mudanças. Isso ajuda a preservar a massa muscular, manter vitaminas e minerais em níveis adequados e evitar sobrecarga para o coração.

    A perda de peso mais lenta também contribui para manter a pressão arterial estável, reduzir o risco de alterações no ritmo do coração e deixar o metabolismo funcionando de forma mais equilibrada.

    Com acompanhamento médico e nutricional, o processo se torna mais seguro, sustentável e benéfico para a saúde ao longo do tempo.

    Perguntas frequentes

    Por que o emagrecimento com GLP-1 costuma ser mais eficiente?

    Além de reduzir a quantidade de alimentos ingeridos, os medicamentos atuam em áreas do cérebro ligadas à fome e ao prazer alimentar. Isso ajuda a diminuir a vontade de comer em excesso, principalmente alimentos calóricos, facilitando a adesão ao tratamento.

    Qual é um ritmo considerado seguro de emagrecimento?

    De modo geral, a perda de até 0,5 a 1 kg por semana costuma ser considerada mais segura, pois permite que o organismo se adapte sem sobrecarga.

    Quem pode usar agonistas do GLP-1 para emagrecer?

    O uso costuma ser indicado para pessoas com sobrepeso ou obesidade, especialmente quando há doenças associadas, como diabetes ou resistência à insulina. A indicação deve ser sempre médica.

    Existem riscos cardiovasculares com o uso do GLP-1?

    Quando bem indicado e acompanhado, o tratamento tende a trazer benefícios cardiovasculares, principalmente em pessoas com excesso de peso e diabetes.

    O que acontece se o medicamento for suspenso?

    Sem mudanças sustentáveis nos hábitos, pode ocorrer retorno do apetite e recuperação do peso. Por isso, o tratamento deve fazer parte de uma estratégia mais ampla.

    A perda de massa muscular afeta a saúde do coração?

    Sim! Como o coração é um músculo, perdas excessivas de massa muscular refletem em menor reserva energética e podem comprometer o desempenho cardiovascular.

    Desidratação durante o emagrecimento pode afetar o coração?

    Pode. A desidratação altera o volume de sangue circulante, o que pode causar tonturas, queda de pressão e sobrecarga cardíaca.

  • Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    O açúcar está presente em muitos alimentos do dia a dia, inclusive produtos sem sabor doce, como molhos prontos, pães industrializados, iogurtes aromatizados e cereais matinais. Por isso, é comum consumir mais do que o necessário sem perceber — o que favorece picos de glicemia, maior liberação de insulina e acúmulo de gordura abdominal.

    O coração é um dos principais órgãos afetados pelo consumo exagerado de açúcar, porque alterações na glicemia elevam os triglicerídeos, aumentam a inflamação e dificultam o funcionamento das artérias, favorecendo o surgimento de pressão alta, infarto e outras doenças cardiovasculares.

    Açúcar é carboidrato, mas um carboidrato simples

    Antes de tudo, é importante lembrar que carboidratos são a principal fonte de energia do corpo, responsáveis por sustentar funções básicas, alimentar o cérebro, movimentar músculos e garantir que processos metabólicos ocorram de forma adequada ao longo do dia.

    No entanto, existem diferentes tipos de carboidratos, e cada um exerce impacto distinto sobre a glicemia e o metabolismo.

    O açúcar é um carboidrato simples, pobre em nutrientes e rapidamente absorvido pelo corpo, o que provoca oscilações bruscas de glicose. Por ser metabolizado de forma muito rápida, ele aumenta a demanda de insulina e, quando o consumo é frequente, aumenta o risco de desenvolver resistência insulínica.

    Os carboidratos complexos, por outro lado, estão presentes em alimentos como aveia, quinoa, feijões, batata, mandioca e arroz integral e chegam ao organismo acompanhados de fibras, vitaminas e minerais. Isso faz com que a digestão seja mais lenta, evitando picos de glicose no sangue e mantendo energia estável ao longo do dia. Eles são fundamentais numa rotina de alimentação saudável.

    Como o consumo elevado de açúcar afeta o sistema cardiovascular?

    O consumo elevado de açúcar provoca uma sobrecarga progressiva no sistema cardiovascular por diferentes caminhos metabólicos.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, a oferta elevada de glicose obriga o pâncreas a liberar grandes quantidades de insulina e, com o tempo, as células passam a responder menos ao hormônio, fenômeno conhecido como resistência insulínica. Quando isso ocorre, aumentam os riscos de:

    • Diabetes tipo 2;
    • Aumento do peso;
    • Aumento do triglicerídeos e colesterol LDL, e diminuição do HDL;
    • Problemas neurológicos.

    A cardiologista também aponta que o excesso de glicose no sangue é convertido em gordura e depositado na circulação, o que contribui para formação de placas de gordura (aterosclerose). Além disso, todas as mudanças aumentam a inflamação do corpo, deixando as artérias mais rígidas e fáceis de machucar.

    Os picos de açúcar também danificam o revestimento dos vasos, estimulam moléculas pró-inflamatórias e favorecem a ruptura de placas já existentes, processo ligado a muitos casos de infarto e AVC. A glicose em excesso ainda se liga a proteínas em um processo chamado glicação, aumentando a rigidez dos vasos e piorando a circulação.

    Qual a diferença entre açúcar natural e açúcar adicionado?

    A principal diferença entre o açúcar natural e o adicionado está na origem e no efeito no organismo, mesmo que ambos sejam carboidratos.

    Açúcar natural: é o açúcar que já está presente nos alimentos de forma intrínseca, como na estrutura das frutas, dos vegetais e do leite. Ele vem acompanhado de fibras, vitaminas e minerais, que modulam a absorção da glicose e diminuem o impacto na glicemia. O organismo também metaboliza esse tipo de açúcar de maneira mais lenta, o que ajuda a manter níveis energéticos estáveis.

    Açúcar adicionado: corresponde ao colocado durante o preparo industrial, culinário ou doméstico, presente em refrigerantes, doces, bolos, biscoitos, sucos prontos e inúmeros ultraprocessados. Ele entra no sangue de forma muito rápida, provocando picos de glicose e aumentando a produção de insulina — o que favorece as condições já apontadas.

    Quanto ao tipo de açúcar, Juliana aponta que tanto o refinado quanto o presente em ultraprocessados elevam o risco cardiovascular. Os ultraprocessados costumam ter uma grande quantidade de açúcar “escondido”, além de gordura e sódio em níveis elevados.

    Qual a quantidade recomendada de açúcar por dia?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que o açúcar adicionado não ultrapasse 10% das calorias do dia, o que corresponde a cerca de 50 gramas em uma dieta de 2.000 calorias. Uma meta ainda mais saudável é manter abaixo de 5%, perto de 25 gramas por dia.

    Uma lata de refrigerante de 350ml, por exemplo, fornece cerca de 35g de açúcar, o que já supera a quantidade máxima recomendada.

    Quais alimentos concentram mais açúcar?

    Os ultraprocessados e industrializados são os alimentos que mais frequentemente apresentam altas concentrações de açúcar escondido ou adicionado, como:

    • Refrigerantes e bebidas adoçadas;
    • Sucos prontos e néctares;
    • Iogurtes saborizados;
    • Cereais matinais industrializados;
    • Barras de cereal industrializadas;
    • Granolas adoçadas;
    • Biscoitos recheados e wafers;
    • Molhos prontos, como ketchup e barbecue;
    • Pães de forma e pães industrializados;
    • Sobremesas prontas, como pudins e gelatinas industrializadas;
    • Energéticos;
    • Chás prontos adoçados;
    • Temperos prontos e caldos em cubo.

    Adoçantes são mais seguros?

    Os adoçantes podem ajudar a reduzir calorias, apoiar o controle do peso e facilitar o controle do diabetes. Contudo, algumas pesquisas indicam uma possível relação entre uso frequente de adoçantes e maior risco de problemas cardiovasculares, alterações no intestino e aumento da resistência à insulina.

    Por isso, segundo Juliana, a orientação é reeducar o paladar para diminuir a preferência por sabores muito doces e evitar o uso contínuo de adoçantes sempre que for possível.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes

    Frutas têm muito açúcar? Elas fazem mal?

    As frutas têm frutose, um açúcar natural acompanhado de fibras, água e micronutrientes que reduzem o impacto na glicemia. Por isso, elas fazem parte de uma alimentação saudável e ajudam na saciedade, no trânsito intestinal e na prevenção de doenças.

    O ideal é que elas sejam consumidas inteiras, ao longo do dia, variando cores e tipos, para garantir maior diversidade de nutrientes e melhor controle do açúcar no sangue.

    Açúcar mascavo é mais saudável que açúcar refinado?

    Como o açúcar mascavo passa por menos etapas de refinamento, ele preserva parte dos minerais da cana, como cálcio, potássio e ferro. Apesar disso, a quantidade de nutrientes é pequena para fazer diferença na saúde, e o valor calórico é praticamente igual ao do açúcar branco.

    Do ponto de vista metabólico, ambos causam o aumento da glicemia da mesma forma, então não existe benefício significativo para controle de peso, prevenção de diabetes ou saúde cardiovascular. A recomendação segue sendo reduzir o consumo total de açúcar, independentemente do tipo.

    Refrigerante zero açúcar é uma boa alternativa?

    O refrigerante zero açúcar tem menos calorias e não provoca picos glicêmicos, por isso não causa ganho de peso.

    Contudo, ela não é uma bebida saudável e a fórmula concentra aditivos, edulcorantes e acidulantes que, quando consumidos frequentemente, podem alterar microbiota intestinal, aumentar a preferência por sabores muito doces e favorecer escolhas alimentares piores ao longo do dia.

    Ela funciona como uma alternativa pontual, mas não deve substituir o consumo de água e sucos naturais.

    É possível sentir sintomas físicos ao reduzir açúcar?

    Sim, pois quando uma pessoa para de comer açúcar repentinamente, o organismo pode manifestar sinais físicos enquanto se adapta a uma menor oferta de glicose rápida.

    Os sintomas mais comuns incluem dor de cabeça, irritabilidade, aumento da fome, sensação de cansaço, dificuldade de concentração e vontade intensa de comer doces.

    A tendência é que o corpo se ajuste em poucos dias, ainda mais quando há aumento do consumo de frutas inteiras, proteínas, fibras e carboidratos complexos, que mantêm a glicemia mais estável. Caso os sintomas persistam por muito tempo, vale conversar com um profissional de saúde para avaliar o padrão alimentar.

    Açúcar pode causar retenção de líquido?

    O consumo excessivo de açúcar pode favorecer a retenção de líquido por estimular picos de insulina, hormônio que facilita a entrada de glicose nas células e também influencia a forma como o corpo lida com o sódio.

    Quando há muita insulina no sangue, o corpo passa a reter mais sal, e isso faz com que mais água fique acumulada nos tecidos, causando inchaço.

    Por que os doces dão sensação de prazer imediato?

    Os doces ativam rapidamente o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e causando a sensação imediata de prazer. Além da dopamina, eles produzem a sensação momentânea de conforto emocional porque modulam serotonina, ligada ao humor e ao relaxamento.

    O efeito é curto e costuma vir seguido de queda de energia, o que leva muitas pessoas a repetir o consumo para recuperar bem-estar, criando um ciclo de desejo intenso por alimentos muito doces.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

  • Dermatomiosite: uma doença autoimune rara que exige atenção precoce

    Dermatomiosite: uma doença autoimune rara que exige atenção precoce

    Manchas avermelhadas na pele, dificuldade para subir escadas ou levantar objetos simples do dia a dia podem parecer sinais desconectados à primeira vista. No entanto, quando esses sintomas surgem juntos e evoluem de forma progressiva, podem indicar uma condição rara e que merece atenção médica: a dermatomiosite.

    Trata-se de uma doença autoimune que afeta músculos e pele, com impacto direto na força, na mobilidade e na qualidade de vida. Embora pouco frequente, a dermatomiosite exige diagnóstico cuidadoso e acompanhamento contínuo, inclusive pela sua associação com outras complicações no corpo.

    O que é a dermatomiosite?

    A dermatomiosite é uma doença autoimune rara caracterizada pela combinação de fraqueza muscular e lesões avermelhadas na pele, especialmente em áreas expostas ao sol.

    Essa condição é classificada como uma miopatia inflamatória, ou seja, uma doença muscular causada por inflamação. O processo ocorre devido à ação de autoanticorpos, que são anticorpos produzidos pelo próprio organismo e que, por um mau funcionamento do sistema imunológico, passam a atacar as células do próprio corpo.

    Além das manifestações musculares e cutâneas, a dermatomiosite pode cursar com comprometimento pulmonar, cardiovascular e gastrointestinal. Um ponto importante no manejo da doença é sua associação com neoplasias, já que parte dos pacientes pode apresentar câncer concomitante, inclusive ainda não diagnosticado no momento da identificação da dermatomiosite.

    Principais sintomas

    Os sintomas da dermatomiosite podem variar em intensidade e envolvem diferentes sistemas do corpo.

    Sintomas cutâneos

    Caracterizam-se por lesões avermelhadas na pele, que podem ser sensíveis à luz solar e causar coceira. Essas manchas aparecem com maior frequência em áreas expostas, como:

    • Face;
    • Pescoço;
    • Membros superiores e inferiores.

    Sintomas musculoesqueléticos

    A fraqueza muscular é o sintoma predominante da doença. Ela costuma afetar músculos proximais e pode dificultar atividades como:

    • Subir escadas;
    • Carregar objetos;
    • Levantar-se de uma cadeira.

    Sintomas respiratórios

    Alguns pacientes desenvolvem doença intersticial pulmonar, que compromete a função dos pulmões e pode causar:

    • Falta de ar, principalmente aos esforços;
    • Tosse.

    Sintomas gastrointestinais

    A fraqueza muscular também pode afetar o trato digestivo, levando a:

    • Dificuldade para engolir;
    • Refluxo gastroesofágico.

    Causas

    A dermatomiosite não possui uma causa única claramente definida, mas está associada a fatores genéticos que aumentam a predisposição ao seu desenvolvimento.

    A doença geralmente se inicia após a exposição a um gatilho ambiental, que pode incluir:

    • Infecções, como influenza ou HIV;
    • Uso de determinados medicamentos, como anti-inflamatórios, antibióticos e corticoides.

    Esses gatilhos levam a lesões nos vasos da musculatura, desencadeando uma resposta autoimune. Como consequência, ocorre uma reação inflamatória local que compromete músculos, pele e, em alguns casos, outros órgãos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da dermatomiosite é frequentemente suspeitado com base nos sintomas clínicos, mas requer confirmação por exames complementares, devido ao caráter inespecífico das manifestações iniciais.

    Exames laboratoriais

    Exames de sangue podem mostrar aumento das enzimas musculares, indicando inflamação e destruição das fibras musculares. Também é possível realizar a dosagem de anticorpos associados à dermatomiosite, que podem ou não estar presentes.

    Avaliação neuromuscular

    A eletroneuromiografia pode ser utilizada para avaliar a fraqueza muscular e auxiliar na confirmação diagnóstica.

    Avaliação pulmonar e rastreio de neoplasias

    Para investigar possíveis complicações pulmonares, são indicados exames de imagem, como radiografia de tórax ou tomografia, sendo esta última mais sensível para identificar pneumopatias intersticiais.

    Devido à associação entre dermatomiosite e câncer, é fundamental realizar exames de imagem regulares para rastreamento de neoplasias.

    Tratamento

    O tratamento da dermatomiosite envolve uma abordagem combinada.

    Fisioterapia é indicada para reabilitação e recuperação funcional, especialmente na fase aguda da doença.

    A terapia medicamentosa mais utilizada é baseada em corticoides, com doses ajustadas de acordo com a gravidade do quadro clínico.

    O tratamento deve ser monitorado de perto, considerando a natureza autoimune da doença e o risco de efeitos adversos relacionados às medicações.

    Leia mais: Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

    Perguntas frequentes sobre dermatomiosite

    1. Dermatomiosite é uma doença rara?

    Sim. Trata-se de uma doença autoimune rara.

    2. A dermatomiosite afeta apenas os músculos?

    Não. Além dos músculos, a doença pode causar lesões na pele e envolver pulmões, coração e trato gastrointestinal.

    3. Lesões de pele sempre aparecem na dermatomiosite?

    As manifestações cutâneas são comuns e fazem parte do quadro típico da doença.

    4. Dermatomiosite tem relação com câncer?

    Sim. Existe uma associação importante entre dermatomiosite e neoplasias, o que exige investigação cuidadosa.

    5. Como é feito o diagnóstico da dermatomiosite?

    O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de sangue, eletroneuromiografia e exames de imagem, além do rastreamento de câncer.

    6. A dermatomiosite tem tratamento?

    Sim. O tratamento inclui fisioterapia e uso de corticoides, com acompanhamento médico contínuo.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • Sarcopenia: a perda muscular que compromete a autonomia com a idade

    Sarcopenia: a perda muscular que compromete a autonomia com a idade

    Com o passar dos anos, é natural que o corpo sofra transformações, algumas visíveis, outras nem tanto. Entre essas mudanças, a perda de massa muscular costuma acontecer de forma discreta, e afeta força, equilíbrio e autonomia, muitas vezes sem que a pessoa perceba de imediato.

    A sarcopenia é uma condição cada vez mais reconhecida na medicina justamente por esse impacto gradual, mas profundo, na qualidade de vida, especialmente entre os idosos. Identificá-la precocemente é muito importante para tratar a tempo e reduzir riscos como quedas, dependência funcional e complicações de saúde.

    O que é a sarcopenia?

    A sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda de massa muscular, acompanhada da redução da força e do desempenho físico. Ela é mais comum em idosos e faz parte da chamada síndrome de fragilidade, que aumenta o risco de quedas e complicações, embora nem todas as pessoas com sarcopenia sejam consideradas frágeis.

    A condição pode ocorrer em indivíduos de qualquer peso, afetando tanto pessoas com peso adequado quanto aquelas com sobrepeso ou obesidade. Trata-se de um problema relevante, pois está associado ao aumento da mortalidade, à perda de independência e à dificuldade para realizar atividades cotidianas.

    Principais sintomas

    Os principais sintomas da sarcopenia incluem:

    • Perda progressiva de força muscular;
    • Redução do peso corporal associada à perda muscular.

    Com o avanço da condição, os pacientes costumam se tornar mais dependentes e passam a apresentar diminuição da funcionalidade, tendo dificuldade para realizar tarefas que antes eram feitas com facilidade no dia a dia.

    Causas

    O principal fator desencadeador da sarcopenia é o processo natural de envelhecimento, também chamado de senescência. Esse processo pode ser agravado por diversos fatores, entre eles:

    • Sedentarismo;
    • Obesidade;
    • Resistência à insulina;
    • Diabetes;
    • Dieta pobre em proteínas.

    Além disso, algumas doenças crônicas impactam negativamente a massa muscular, como enfisema pulmonar, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, diabetes, HIV e câncer.

    Existe ainda uma preocupação crescente com o uso de medicamentos para perda de peso, como os análogos do GLP-1 (Ozempic e Mounjaro), que podem levar à sarcopenia quando utilizados sem acompanhamento nutricional adequado.

    A redução calórica excessiva pode resultar em perda muscular. Apesar de relatos na literatura, não há recomendações formais contra esses medicamentos, e mais estudos são necessários para esclarecer melhor os riscos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da sarcopenia é realizado por meio da combinação de ferramentas de triagem e avaliações clínicas.

    Questionários de triagem

    Existe um questionário utilizado pelos médicos para identificar sinais de sarcopenia relatados pelo próprio paciente.

    Avaliação da força muscular

    Testes como a preensão palmar e o teste de levantar-se e sentar-se de uma cadeira repetidas vezes são amplamente utilizados para medir a força muscular.

    Avaliação da massa muscular

    Exames como ressonância magnética, tomografia e bioimpedância podem ser utilizados para avaliar a quantidade e a qualidade da massa muscular, embora não sejam métodos convencionais para o diagnóstico inicial.

    Tratamento

    O tratamento da sarcopenia é baseado principalmente em:

    • Dieta adequada, com aporte nutricional suficiente;
    • Exercícios de resistência, voltados para o ganho de massa muscular.

    O acompanhamento por uma equipe multidisciplinar é fundamental para abordar tanto o estímulo ao aumento muscular quanto a suplementação nutricional adequada, de acordo com as necessidades individuais.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

    Perguntas frequentes sobre sarcopenia

    1. A sarcopenia afeta apenas pessoas muito magras?

    Não. A sarcopenia pode ocorrer em pessoas com peso normal, sobrepeso ou obesidade.

    2. Toda pessoa idosa desenvolve sarcopenia?

    Não necessariamente, mas o risco aumenta com o envelhecimento.

    3. Sarcopenia é o mesmo que fragilidade?

    Não. A sarcopenia faz parte da síndrome de fragilidade, mas nem todos os pacientes com sarcopenia são considerados frágeis.

    4. Quais doenças podem piorar a perda muscular?

    Condições como enfisema pulmonar, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, diabetes, HIV e câncer podem contribuir para a sarcopenia.

    5. Medicamentos para emagrecer podem causar sarcopenia?

    Há relatos de associação quando usados sem acompanhamento nutricional adequado, mas ainda não existem recomendações formais contra seu uso.

    6. A sarcopenia tem tratamento?

    Sim. O tratamento envolve alimentação adequada e exercícios de resistência, com acompanhamento profissional.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

  • Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Se você começou o tratamento com os agonistas de GLP-1, como Mounjaro e Ozempic, já deve ter percebido que um dos principais efeitos do medicamento é a diminuição do apetite. Depois da refeição, o cérebro entende que o corpo está satisfeito e já comeu em quantidade adequada — o que contribui para o processo de emagrecimento.

    No entanto, mesmo comendo pouco, o corpo continua precisando de energia, proteínas, vitaminas e minerais para funcionar bem. Por isso, manter uma alimentação equilibrada é importante para evitar deficiências e garantir uma perda de peso mais saudável.

    Por que as canetas emagrecedoras diminuem a fome?

    Os agonistas de GLP-1 são capazes de imitar a ação de um hormônio chamado GLP-1, produzido naturalmente pelo intestino após as refeições, de acordo com a cardiologista Juliana Soares.

    O hormônio age no cérebro, enviando sinais de saciedade, fazendo com que a pessoa se sinta satisfeita mais rapidamente, mesmo comendo menos.

    A especialista também aponta que os medicamentos agem na via da recompensa, ligada à dopamina, reduzindo o estímulo associado a alimentos muito calóricos, como doces e gorduras. Com isso, a vontade de consumir esse tipo de alimento diminui, assim como pensamentos obsessivos e episódios de compulsão alimentar.

    Por que é importante comer bem mesmo sem sentir fome?

    Quando a ingestão de alimentos e calorias é reduzida de forma excessiva, o corpo interpreta isso como falta de energia.

    Segundo Juliana, do ponto de vista metabólico, ocorrem adaptações: se a ingestão cai de maneira abrupta e desequilibrada, o organismo entra em modo de economia, reduzindo a taxa metabólica basal e queimando menos calorias em repouso.

    Ao se alimentar regularmente, o organismo recebe o sinal de que há energia disponível, o que ajuda a manter a queima de gordura mais eficiente. Além disso, o corpo precisa manter estabilidade nos níveis de glicemia.

    Quando a pessoa fica muito tempo sem comer e depois ingere alimentos, principalmente ricos em açúcar, pode ocorrer hipoglicemia reativa, com sintomas como tontura e mal-estar.

    Para completar, os agonistas de GLP-1 podem deixar o intestino mais lento, e o intestino precisa de fibras e água para funcionar bem. Quando a alimentação não é adequada, o funcionamento intestinal fica prejudicado, aumentando efeitos colaterais como o intestino preso.

    Riscos de comer pouco para a saúde

    Uma alimentação inadequada pode trazer diversos riscos para a saúde, especialmente quando ocorre sem orientação profissional. Entre os principais, estão:

    • Redução da taxa metabólica basal, fazendo o corpo gastar menos energia em repouso;
    • Perda de massa muscular e aumento do risco de sarcopenia;
    • Deficiências de vitaminas e minerais, como ferro, cálcio e vitaminas do complexo B;
    • Queda de cabelo, unhas fracas e pele mais ressecada;
    • Desequilíbrios hormonais e alterações no ciclo menstrual;
    • Episódios de hipoglicemia, com tontura, fraqueza e mal-estar;
    • Aumento da fadiga e da sensação de cansaço no dia a dia;
    • Piora do funcionamento intestinal, com constipação;
    • Maior risco de efeito sanfona após a interrupção de dietas ou medicações;
    • Impacto negativo na saúde mental, com maior irritabilidade e dificuldade de concentração.

    Quais alimentos priorizar durante o tratamento com canetas emagrecedoras?

    Com a diminuição do apetite e a saciedade mais rápida, Juliana aponta que é importante escolher alimentos que concentrem muitos nutrientes em pequenas porções.

    Por isso, a alimentação deve priorizar proteínas magras, como frango, peixe, ovos, iogurtes proteicos ou whey protein, que ajudam a preservar a massa muscular e manter o corpo funcionando bem.

    Também é importante incluir fibras de fácil digestão. Como o estômago e o intestino ficam mais lentos, vegetais cozidos costumam ser melhor tolerados do que folhas cruas, ajudando o intestino a funcionar melhor.

    Para garantir energia ao longo do dia, vale incluir carboidratos complexos, como batata-doce e quinoa, que liberam energia de forma gradual e evitam picos de açúcar no sangue.

    Por fim, beber água regularmente, além de água de coco ou isotônicos quando necessário, ajuda a prevenir a desidratação, já que a sensação de sede pode diminuir durante o uso dessas medicações.

    Como ajustar as porções e os horários das refeições?

    Quando a fome diminui de forma intensa, alguns ajustes são necessários para manter a nutrição adequada e evitar desconfortos ao longo do dia:

    • Manter a regularidade das refeições, evitando pular horários, mesmo com porções menores;
    • Priorizar porções reduzidas, porém com alimentos de alta densidade nutricional;
    • Mastigar bem os alimentos, já que o esvaziamento gástrico fica mais lento;
    • Evitar refeições próximas ao horário de dormir;
    • Realizar a última refeição, preferencialmente, até três horas antes de deitar;
    • Respeitar os sinais de saciedade e parar de comer ao se sentir satisfeito;
    • Evitar insistir na alimentação após a saciedade, prevenindo náusea e azia.

    Lembre-se: o tratamento precisa de acompanhamento nutricional

    Durante e após o uso dos agonistas de GLP-1, o acompanhamento com nutricionista é importante para garantir uma perda de peso mais saudável. Ele ajuda a evitar perda de massa muscular, falta de nutrientes e episódios de hipoglicemia.

    Além disso, o nutricionista auxilia na manutenção dos resultados ao longo do tempo, reduzindo o risco de reganho de peso após a suspensão da medicação e ajudando a lidar com possíveis efeitos colaterais por meio de uma alimentação adequada e suplementação quando necessário.

    Confira: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

    Perguntas frequentes

    Para que servem os agonistas de GLP-1?

    Os medicamentos são usados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Eles auxiliam no controle do peso, na redução da glicemia e na melhora de fatores metabólicos associados, como resistência à insulina.

    É normal sentir menos sede durante o tratamento?

    Pode acontecer. Os agonistas de GLP-1 também podem reduzir a percepção da sede, aumentando o risco de desidratação se a ingestão de líquidos não for mantida de forma consciente.

    As canetas emagrecedoras afetam o intestino?

    Sim, eles retardam o esvaziamento gástrico e podem deixar o intestino mais lento, o que aumenta o risco de constipação, especialmente quando a ingestão de fibras e água é baixa.

    Exercício físico é recomendado durante o uso do medicamento?

    Com certeza, desde que orientado. A prática adequada de exercícios ajuda a preservar músculos, melhorar o metabolismo e potencializar os resultados do tratamento.

    Os agonistas de GLP-1 causam dependência?

    Não causam dependência química, mas o uso deve ser bem indicado e acompanhado, pois a interrupção sem estratégia pode dificultar a manutenção dos resultados.

    Quem não deve usar agonistas de GLP-1?

    Pessoas com algumas condições específicas, como histórico de certos tipos de câncer de tireoide ou pancreatite, devem ser avaliadas cuidadosamente pelo médico antes do uso.

    Quais os possíveis efeitos colaterais das canetas emagrecedoras?

    Os efeitos colaterais mais comuns dos agonistas de GLP-1 incluem náusea, sensação de estômago cheio, refluxo, constipação intestinal e diminuição do apetite, principalmente no início do tratamento.

    Em alguns casos, também podem ocorrer tontura, desidratação e hipoglicemia, especialmente quando a alimentação não está adequada.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Hipercalemia: potássio alto no sangue pode colocar o coração em risco 

    Hipercalemia: potássio alto no sangue pode colocar o coração em risco 

    O potássio é um mineral essencial para o funcionamento do organismo, especialmente para os músculos e o coração. No entanto, quando seus níveis no sangue ficam acima do normal, o equilíbrio do corpo pode ser seriamente comprometido.

    A hipercalemia é uma alteração que muitas vezes não causa sintomas no início, mas que pode evoluir rapidamente para arritmias graves e até risco de morte se não for identificada e tratada adequadamente.

    O que é a hipercalemia?

    A hipercalemia, também chamada de hiperpotassemia, é a condição caracterizada pelo aumento dos níveis de potássio no sangue, com valores superiores a 5,5 mEq/L.

    Uma preocupação inicial na avaliação desse achado é a possibilidade de pseudohipercalemia, um falso aumento do potássio que pode ocorrer por conta da destruição de células durante a coleta do sangue.

    A hipercalemia pode ter múltiplas causas e está frequentemente associada a fatores de risco como doença renal crônica, diabetes, idade avançada e insuficiência cardíaca. O aumento do potássio pode ocorrer por maior ingestão na dieta, redução da excreção pelos rins ou liberação excessiva devido à destruição celular.

    Causas

    A hipercalemia pode se manifestar por diferentes mecanismos:

    Acidose metabólica

    A acidose provoca desequilíbrio iônico, favorecendo a saída do potássio do interior das células para o sangue.

    Aumento da ingestão de potássio

    Mais comum em pacientes com doenças renais, que não conseguem excretar adequadamente o potássio. Alimentos como abacate, nozes e batatas devem ser consumidos com cautela nesses casos.

    Destruição celular

    Situações como rabdomiólise, hemólise e síndrome de lise tumoral levam à liberação excessiva de potássio para a corrente sanguínea.

    Redução da excreção renal

    É frequentemente observada em pacientes com comprometimento da função dos rins.

    Deficiência de insulina e hiperglicemia

    No diabetes descontrolado, a falta de insulina impede a entrada do potássio nas células, elevando sua concentração no sangue.

    Uso de medicamentos

    Alguns fármacos, como diuréticos poupadores de potássio, podem contribuir para o aumento dos níveis séricos.

    Principais sintomas

    Os sintomas da hipercalemia são bastante variáveis. Em alguns casos, o paciente pode não apresentar queixas.

    Os sinais iniciais incluem fraqueza muscular, que geralmente começa nas pernas e pode progredir para tronco e braços.

    Alterações no eletrocardiograma e o surgimento de arritmias cardíacas podem ocorrer conforme os níveis de potássio se elevam. Além disso, podem estar presentes sinais relacionados às doenças de base, como inchaço nas pernas em pacientes com doença renal ou icterícia em casos associados à hemólise.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da hipercalemia é feito por meio da dosagem de potássio no sangue.

    O eletrocardiograma (ECG) é um exame complementar fundamental para avaliar possíveis repercussões cardíacas do aumento do potássio.

    Exames adicionais, laboratoriais ou de imagem, podem ser solicitados conforme a suspeita da causa subjacente.

    Tratamento

    O tratamento da hipercalemia tem como objetivo principal corrigir a causa e reduzir rapidamente os níveis de potássio, prevenindo complicações cardíacas.

    Em casos leves, ajustes no tratamento e medidas conservadoras podem ser suficientes. Na maioria das situações, utilizam-se:

    • Medicamentos que aumentam a excreção de potássio, como a furosemida;
    • Insulina associada à glicose, para facilitar a entrada do potássio nas células.

    Em quadros graves ou de difícil controle, pode ser necessária a diálise para remoção do excesso de potássio.

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    Perguntas frequentes sobre hipercalemia

    1. Hipercalemia sempre causa sintomas?

    Não. Em alguns casos, o paciente pode não apresentar sintomas, especialmente em elevações leves.

    2. Potássio alto pode ser erro de exame?

    Sim. A pseudohipercalemia pode ocorrer devido à destruição celular durante a coleta de sangue.

    3. Quais doenças aumentam o risco de hipercalemia?

    Doença renal crônica, diabetes, insuficiência cardíaca e idade avançada são fatores de risco importantes.

    4. A hipercalemia pode afetar o coração?

    Sim. O aumento do potássio pode causar alterações no eletrocardiograma e arritmias graves.

    5. A alimentação pode causar hipercalemia?

    Pode contribuir, especialmente em pessoas com dificuldade de excretar potássio pelos rins.

    6. Quando a diálise é necessária?

    Em casos graves ou quando o excesso de potássio não responde às medidas clínicas.

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