Autor: Dra. Juliana Soares

  • Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Resfriados, gripes, viroses intestinais, COVID-19 e dengue são apenas algumas das infecções causadas por vírus, que entram no organismo, se multiplicam e ativam uma resposta do sistema imunológico — que é importante para combater os microorganismos.

    No entanto, o processo também pode trazer efeitos colaterais importantes para o coração. Você sabia que uma infecção viral pode aumentar o risco de infarto?

    Isso ocorre porque, durante a infecção, o corpo entra em um estado inflamatório intenso. O sistema imune libera substâncias chamadas citocinas, que ajudam a combater o vírus, mas ao mesmo tempo causam um estresse significativo para o organismo, especialmente em pessoas com doenças crônicas, idosos ou pessoas com problemas cardiovasculares.

    Como a infecção viral afeta o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, durante um processo infeccioso, o organismo ativa uma resposta de defesa que, por diferentes mecanismos, pode afetar o funcionamento do coração.

    Um dos primeiros efeitos é o aumento da demanda metabólica: a febre e a própria infecção aceleram o metabolismo, fazendo com que o coração precisem bater mais rápido e com mais força para atender ao maior consumo de oxigênio do corpo.

    Quando a pessoa já apresenta algum grau de entupimento nas artérias, o esforço adicional pode reduzir o fluxo de sangue para o músculo cardíaco, levando à isquemia. Ao mesmo tempo, o sistema imunológico as citocinas, responsáveis por combater o vírus, mas que também provocam inflamação nos vasos sanguíneos.

    A inflamação pode danificar o revestimento interno das artérias e tornar instáveis placas de gordura que já existiam, aumentando a chance de ruptura. Além disso, durante a infecção, o sangue tende a ficar mais espesso, o que favorece a coagulação.

    Todo o processo é um mecanismo natural de defesa do organismo para evitar sangramentos, mas Juliana ressalta que ele eleva o risco de formação de coágulos, que podem obstruir uma artéria do coração, causando infarto, ou atingir o cérebro, provocando um AVC.

    Quais vírus estão mais associados a inflamações cardíacas?

    Diversos vírus podem afetar o coração, especialmente o músculo cardíaco e as estruturas que o envolvem. Entre os principais, se destacam:

    • Coxsackie B: causa clássica de miocardite, um processo inflamatório do músculo cardíaco, que acomete com frequência crianças e adultos jovens;
    • SARS-CoV-2 (COVID-19): apresenta grande capacidade de provocar inflamação do músculo cardíaco e formação de trombos, tanto na fase aguda da infecção quanto no período de recuperação;
    • Influenza (gripe): pode causar miocardite e descompensar doenças cardíacas pré-existentes, especialmente a insuficiência cardíaca;
    • Adenovírus: vírus comuns em infecções respiratórias, que também podem atingir o coração;
    • Parvovírus B19: frequentemente associado a resfriados e capaz de afetar o coração, sobretudo o pericárdio, a membrana que o reveste, causando pericardite.

    O risco de infarto é maior em pessoas com doenças cardíacas?

    Um coração saudável consegue lidar melhor com os efeitos da infecção, como o aumento da frequência cardíaca causado pela febre, segundo Juliana. No caso de pessoas com doenças cardíacas pré-existentes, o quadro é mais delicado porque o coração já trabalha sob maior esforço.

    Nesses casos, qualquer aumento adicional da demanda, provocado pela inflamação, pela febre e pelo maior consumo de oxigênio, pode levar à descompensação do quadro, piora da função cardíaca e até a eventos graves, como insuficiência cardíaca aguda ou infarto.

    Além disso, a cardiologista explica que quem já apresenta placas de gordura nas artérias têm maior risco de ruptura dessas placas durante a infecção, o que eleva significativamente a chance de complicações cardiovasculares.

    Sintomas que podem indicar complicações após uma infecção

    Alguns sinais podem indicar que uma infecção está evoluindo com complicações cardiovasculares, como:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar desproporcional, inclusive em repouso ou com pequenos esforços;
    • Palpitações;
    • Inchaço súbito nas pernas;
    • Episódios de desmaio ou perda de consciência.

    Como cuidar do coração após uma virose intensa?

    Durante uma infecção viral, o coração passa a trabalhar sob maior estresse. Por isso, alguns cuidados são importantes para reduzir o risco de complicações cardíacas:

    • Manter repouso enquanto houver sintomas, como febre, dor no corpo, cansaço ou falta de ar;
    • Evitar exercícios físicos por alguns dias após a melhora, especialmente se a infecção foi intensa, pois o coração ainda pode estar sensível ao processo inflamatório;
    • Manter boa hidratação, ingerindo água ao longo do dia, já que a infecção tende a tornar o sangue mais espesso, favorecendo a formação de coágulos;
    • Controlar a febre, pois temperaturas elevadas aumentam a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio pelo coração, sobrecarregando o músculo cardíaco;
    • Usar medicamentos apenas com orientação médica, evitando automedicação, especialmente anti-inflamatórios, que podem interferir na função cardiovascular;
    • Observar sintomas de alerta, como dor no peito, falta de ar, palpitações, inchaço nas pernas ou desmaio, que exigem avaliação médica imediata;
    • Manter acompanhamento médico, sobretudo em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou doença cardíaca prévia, que apresentam risco maior de complicações.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. Por que a febre sobrecarrega o coração?

    A febre acelera o metabolismo e eleva a frequência cardíaca. Com isso, o coração precisa bater mais rápido e com mais força, aumentando o consumo de oxigênio.

    Em pessoas com artérias já parcialmente obstruídas, esse esforço pode provocar isquemia e precipitar um infarto.

    2. O que são citocinas e por que elas são perigosas para o coração?

    As citocinas são substâncias liberadas pelo sistema imune para combater infecções. Em excesso, elas causam inflamação nos vasos sanguíneos, tornando placas de gordura mais frágeis e favorecendo sua ruptura, o que pode levar à formação de coágulos.

    3. Exercício durante uma virose é perigoso?

    Sim, a prática de atividade física durante infecções aumenta o risco de o vírus atingir o coração, causando miocardite e arritmias.

    4. Quanto tempo após uma infecção é seguro voltar a se exercitar?

    Depende da gravidade da infecção. Em geral, o recomendado é retomar atividades apenas após o total desaparecimento dos sintomas e, em casos mais intensos, com liberação médica.

    5. Arritmias podem surgir após uma infecção viral?

    Sim, a inflamação e a febre alteram o funcionamento elétrico do coração, favorecendo palpitações e batimentos irregulares.

    6. Quem fuma tem maior risco de infarto durante infecções?

    Sim, o cigarro já agride os vasos sanguíneos e, combinado com a inflamação da infecção, eleva ainda mais o risco de trombose e entupimento das artérias.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

  • Nem toda convulsão é epilepsia: entenda quando o corpo responde ao estresse em forma de crise

    Nem toda convulsão é epilepsia: entenda quando o corpo responde ao estresse em forma de crise

    Crises convulsivas costumam ser associadas automaticamente à epilepsia. No entanto, nem toda crise com movimentos involuntários, quedas ou perda aparente de consciência tem origem neurológica elétrica. Em muitos casos, exames não mostram alterações, e os tratamentos tradicionais não funcionam, o que gera frustração para pacientes e profissionais de saúde.

    As crises não epilépticas psicogênicas são um exemplo disso. Elas imitam crises epilépticas, mas têm origem psicológica e emocional. Por serem difíceis de diferenciar à beira do leito, essas crises ainda levam muitos pacientes a diagnósticos equivocados, uso desnecessário de medicamentos anticonvulsivantes e atrasos no tratamento adequado.

    O que são as crises não epilépticas psicogênicas?

    As crises não epilépticas psicogênicas são respostas involuntárias do organismo a situações ou condições que atuam como gatilhos emocionais ou psicológicos. Embora se manifestem de forma semelhante às crises epilépticas, elas não estão associadas a descargas elétricas anormais no cérebro.

    A diferenciação clínica pode ser difícil, especialmente durante a crise, o que faz com que muitos pacientes sejam tratados como se tivessem epilepsia, passando por intervenções desnecessárias.

    As crises não epilépticas psicogênicas são mais frequentes em pessoas em torno dos 30 anos, mas podem ocorrer em qualquer idade. São observadas com maior frequência em mulheres e em indivíduos com comorbidades psiquiátricas ou distúrbios do desenvolvimento.

    Principais sintomas

    Um aspecto fundamental das crises não epilépticas psicogênicas é que elas costumam ser desencadeadas por gatilhos específicos, geralmente associados a situações sociais, emocionais ou estressantes.

    Características gerais das crises

    A descrição feita pelo próprio paciente costuma ser vaga. Por isso, o relato de pessoas que presenciam a crise é essencial para a avaliação.

    Entre as manifestações possíveis estão:

    • Convulsões dissociativas ou funcionais, com quedas (quando o paciente está em pé);
    • Movimentos amplos e irregulares do tronco, cabeça e membros.

    Perda de consciência aparente

    Em algumas crises, ocorre uma perda de consciência que pode se assemelhar a uma síncope. Um detalhe clínico importante é a posição dos olhos:

    • Em crises epilépticas, os olhos geralmente permanecem abertos;
    • Nas crises não epilépticas psicogênicas, os olhos costumam ficar fechados, e o paciente pode resistir à tentativa de abertura das pálpebras.

    Duração e comportamento durante a crise

    As crises não epilépticas psicogênicas tendem a ser mais prolongadas, podendo durar mais de 30 minutos, o que é incomum em crises epilépticas.

    Durante a crise, manifestações vocais como choro, gagueira ou vocalizações com forte carga emocional são mais sugestivas de origem psicogênica.

    Diferentemente das crises epilépticas, os pacientes:

    • Não perdem completamente a consciência;
    • Relatam crises muito frequentes, às vezes diárias;
    • Podem apresentar exame físico normal entre os episódios.

    Após a crise, o retorno ao estado basal costuma ser rápido, sem o período pós-ictal de sonolência e confusão típico da epilepsia.

    Causas

    As crises não epilépticas psicogênicas são entendidas como manifestações de transtornos psiquiátricos, geralmente relacionadas a situações estressoras.

    O transtorno mais frequentemente associado é o transtorno conversivo, no qual sintomas físicos surgem de forma involuntária após eventos emocionais significativos. Isso difere do transtorno factício, em que os sintomas são simulados conscientemente.

    O mecanismo exato ainda não é totalmente conhecido, mas acredita-se que resulte da interação entre fatores genéticos, desequilíbrios emocionais e respostas ao estresse.

    Diagnóstico

    O diagnóstico baseia-se principalmente:

    • Nas características das crises;
    • Nas situações em que ocorrem;
    • Nos relatos de testemunhas.

    A avaliação por um neurologista é essencial, assim como a realização de um eletroencefalograma (EEG). Nas crises não epilépticas psicogênicas, o EEG costuma ser normal, mesmo durante os episódios.

    O diagnóstico também exige a exclusão de causas neurológicas e cardíacas que possam justificar as crises, reforçando a importância de uma avaliação clínica completa.

    Tratamento

    O tratamento começa com um passo fundamental: explicar claramente o diagnóstico ao paciente. É importante esclarecer que:

    • As crises são reais;
    • Não há alterações estruturais ou elétricas no cérebro;
    • Trata-se de uma condição relativamente comum.

    A abordagem terapêutica é centrada em:

    • Psicoterapia;
    • Acompanhamento psicológico ou psiquiátrico para tratar outras questões que aparecem em conjunto com as crises.

    Medicamentos anticonvulsivantes que tenham sido prescritos anteriormente devem ser retirados de forma gradual, sob supervisão médica, quando o diagnóstico de crises não epilépticas psicogênicas é confirmado.

    Veja também: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes sobre crises não epilépticas psicogênicas

    1. As crises não epilépticas psicogênicas são fingimento?

    Não. As crises são involuntárias e não controladas conscientemente pelo paciente.

    2. Essas crises aparecem nos exames?

    Não costumam aparecer no eletroencefalograma, que geralmente é normal.

    3. Elas podem acontecer todos os dias?

    Sim. Diferente da epilepsia, podem ocorrer com alta frequência, inclusive diariamente.

    4. Medicamentos anticonvulsivantes ajudam?

    Não. Esses medicamentos não tratam crises não epilépticas psicogênicas.

    5. Psicoterapia realmente funciona?

    Sim. É a principal forma de tratamento e manejo da condição.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

  • Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Ter uma cirurgia marcada costuma gerar ansiedade, e não apenas pelo procedimento em si. Antes de entrar no centro cirúrgico, o corpo passa por uma série de adaptações, e o coração é um dos órgãos que mais sente esse impacto. A anestesia, a dor, a perda de sangue e o estresse do pós-operatório aumentam a demanda cardíaca, e por isso a avaliação prévia é fundamental.

    O que muita gente não sabe é que existe um verdadeiro checklist de segurança para garantir que o coração esteja preparado para enfrentar esse momento. Quando seguidos, esses cuidados reduzem o risco de complicações e tornam a recuperação mais tranquila.

    Por que o coração precisa de um checklist antes da cirurgia

    Toda cirurgia gera estresse fisiológico. Durante o procedimento, ocorrem alterações hormonais, variações da pressão arterial, aceleração dos batimentos e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Na maioria das pessoas saudáveis, isso é bem tolerado. Mas pacientes com pressão alta, diabetes, histórico de doenças cardíacas, colesterol alto ou idade mais avançada podem ter risco aumentado de complicações como:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca aguda
    • AVC

    Por isso, garantir que o coração está em ordem para operar é uma das etapas mais importantes do preparo cirúrgico.

    Checklist cardíaco pré-operatório: o que avaliar antes de operar

    É importante que essa avaliação seja feita assim que a cirurgia for marcada. Assim há tempo suficiente para pedir exames, ajustar medicações ou investigar sintomas.

    A seguir, um checklist objetivo do que deve ser avaliado pelo médico:

    1. Histórico de doenças cardíacas

    Se a pessoa já teve:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Doença coronariana
    • Stent ou angioplastia
    • AVC prévio

    A avaliação cardiológica é obrigatória.

    2. Fatores de risco

    Mesmo sem doença cardíaca conhecida, alguns fatores aumentam o risco cirúrgico:

    • Pressão alta
    • Diabetes
    • Colesterol alto
    • Obesidade
    • Tabagismo
    • Idade acima de 50–60 anos

    Essas condições precisam estar controladas antes da cirurgia.

    3. Sintomas recentes

    Sinais de alerta que exigem consulta imediata:

    • Dor no peito
    • Falta de ar
    • Cansaço sem explicação
    • Inchaço nas pernas
    • Palpitações
    • Tonturas ou desmaios

    4. Exames necessários

    Dependendo do caso, o cardiologista pode solicitar:

    • Eletrocardiograma
    • Ecocardiograma
    • Teste ergométrico
    • Monitorização de arritmias
    • Exames laboratoriais específicos

    O objetivo é detectar alterações que possam impactar a cirurgia.

    5. Ajustes de medicação

    Medicamentos como anticoagulantes e anti-hipertensivos podem precisar de ajustes. Mas é importante jamais suspender por conta própria.

    6. Tipo de cirurgia

    Cirurgias de maior porte (abdominais, ortopédicas extensas, vasculares) exigem preparo mais rigoroso. Mesmo em cirurgias pequenas, porém, o coração precisa ser avaliado se houver fatores de risco.

    Como o coração é protegido durante a cirurgia

    Durante a operação, o anestesista monitora:

    • Pressão arterial
    • Frequência cardíaca
    • Oxigenação
    • Ritmo elétrico cardíaco

    O manejo cuidadoso da dor, dos fluidos e da anestesia ajuda a evitar sobrecarga.

    Cuidados com o coração no pós-operatório

    Após a cirurgia, ainda existe risco de:

    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Infarto
    • Complicações respiratórias

    Por isso, o acompanhamento médico é indispensável. Reabilitação cardíaca, fisioterapia, boa hidratação e controle da dor ajudam na recuperação.

    Checklist final: estou pronto para a cirurgia?

    Você está mais preparado quando:

    • Exames estão atualizados
    • Sintomas foram avaliados
    • Fatores de risco estão controlados
    • Medicações foram ajustadas pelo médico
    • Cardiologista liberou o procedimento

    Isso não elimina totalmente o risco, mas reduz as chances de complicações.

    Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

    Perguntas frequentes sobre avaliação cardiológica antes de cirurgias

    1. Preciso de cardiologista mesmo para cirurgias pequenas?

    Sim. Quem tem fatores de risco ou sintomas deve ser avaliado mesmo em procedimentos simples.

    2. A cirurgia pode ser adiada por causa do coração?

    Sim, especialmente se houver sintomas, exames alterados ou risco cardíaco elevado.

    3. Já tive infarto. Posso fazer cirurgia?

    Pode, desde que o cardiologista avalie o tempo desde o evento e solicite exames necessários.

    4. Quais complicações cardíacas podem ocorrer na cirurgia?

    Infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e AVC estão entre as mais comuns.

    5. Preciso suspender meus remédios antes de operar?

    Somente com orientação médica, principalmente anticoagulantes.

    6. Idosos têm risco maior?

    Sim. Idade avançada aumenta a probabilidade de fatores de risco associados.

    7. Quando devo procurar o cardiologista?

    Assim que a cirurgia for marcada, mesmo que você se sinta bem.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar 

    Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar 

    Em hospitais de todo o país, todos os dias, pessoas dependem de transfusões de sangue para sobreviver. São vítimas de acidentes, pacientes em cirurgias, pessoas com câncer, doenças hematológicas, complicações no parto e tantas outras situações em que o sangue faz a diferença entre a vida e a morte.

    Apesar disso, os estoques de sangue costumam operar no limite, especialmente em feriados prolongados, períodos de frio ou férias. Doar sangue é um gesto simples, rápido e seguro, mas que ainda gera muitas dúvidas e receios. Entender por que a doação é tão importante e quem pode donar ajuda a transformar solidariedade em ação concreta.

    Por que doar sangue é tão importante?

    O sangue não pode ser fabricado em laboratório. Ele só pode ser obtido por meio da doação voluntária.

    Cada bolsa de sangue coletada pode beneficiar até quatro pessoas diferentes, já que o material é separado em componentes como:

    • Concentrado de hemácias;
    • Plaquetas;
    • Plasma;
    • Crioprecipitado.

    Esses componentes são usados em situações como:

    • Cirurgias de grande porte;
    • Tratamentos oncológicos;
    • Acidentes graves;
    • Anemias severas;
    • Transplantes;
    • Complicações obstétricas.

    Sem doadores regulares, hospitais simplesmente não conseguem atender a demanda.

    Quem pode doar sangue?

    De forma geral, muitas pessoas podem doar, desde que atendam a alguns critérios básicos de segurança, tanto para quem doa quanto para quem recebe.

    Requisitos básicos para doar sangue

    Você pode doar sangue se:

    • Tem entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis;
    • Pesa no mínimo 50 kg;
    • Está em boas condições de saúde;
    • Dormiu pelo menos 6 horas na noite anterior;
    • Está alimentado (evitar alimentos gordurosos antes da doação);
    • Não ingeriu bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
    • Apresenta documento oficial com foto.

    A triagem inclui uma entrevista confidencial e rápida, além da verificação de sinais vitais.

    Quem não pode doar sangue?

    Algumas condições impedem a doação de forma temporária ou definitiva, para proteger o receptor.

    Impedimentos temporários

    Você precisa aguardar um período se:

    • Está com febre, gripe ou infecção;
    • Teve diarreia recente;
    • Fez tatuagem ou piercing nos últimos 12 meses;
    • Fez endoscopia, colonoscopia ou cirurgia recente;
    • Está grávida ou até 90 dias após o parto;
    • Amamenta (em alguns casos, por período determinado);
    • Usou antibióticos recentemente;
    • Tomou algumas vacinas específicas (o tempo varia conforme a vacina).

    Após o período indicado pelo hemocentro, a doação pode ser liberada.

    Impedimentos definitivos

    Algumas doenças impedem a doação de forma permanente, pois podem ser transmitidas pelo sangue ou comprometer a segurança do receptor.

    Algumas delas são:

    • HIV/Aids;
    • Hepatite B ou C;
    • Doença de Chagas;
    • HTLV;
    • Uso de drogas injetáveis ilícitas.

    Essas restrições não são julgamento, mas medidas de proteção em saúde pública.

    Doar sangue faz mal para quem doa?

    Não. A doação é segura quando realizada em locais autorizados.

    O corpo repõe o volume de sangue em poucas horas e os glóbulos vermelhos em algumas semanas. A quantidade retirada é pequena e não causa prejuízo à saúde de pessoas saudáveis.

    Após a doação, recomenda-se:

    • Ingerir bastante líquido;
    • Evitar esforço físico intenso no mesmo dia;
    • Manter o curativo por algumas horas.

    Por que os estoques de sangue vivem baixos?

    Alguns fatores contribuem:

    • Medo ou desinformação;
    • Falta de tempo;
    • Campanhas concentradas apenas em datas específicas;
    • Redução de doadores em períodos frios ou feriados.

    Por isso, doadores regulares são essenciais para manter os bancos abastecidos o ano todo.

    Doar sangue é um ato de cidadania

    Mais do que solidariedade, doar sangue é um compromisso coletivo. Ninguém sabe quando vai precisar, mas todos podem ser a chance de alguém continuar vivendo.

    A doação regular garante que o sistema funcione mesmo em momentos de emergência.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre doação de sangue

    1. Doar sangue engorda ou emagrece?

    Não. A doação não altera peso gordura corporal.

    2. Posso doar se tiver pressão alta?

    Sim, desde que esteja controlada e for liberado na triagem.

    3. Quem tem diabetes pode doar?

    Depende do tipo e do controle. O hemocentro avalia caso a caso.

    4. Quantas vezes por ano posso doar?

    Homens: até 4 vezes ao ano;
    Mulheres: até 3 vezes ao ano.

    5. A doação dói?

    A picada é rápida e geralmente pouco dolorosa.

    6. Posso trabalhar depois de doar?

    Sim, desde que evite esforço físico intenso no mesmo dia.

    7. Preciso estar em jejum?

    Não. Apenas evite alimentos gordurosos antes da doação.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • ‘Comida de verdade’: veja o que mudou na nova pirâmide alimentar americana

    ‘Comida de verdade’: veja o que mudou na nova pirâmide alimentar americana

    O governo dos Estados Unidos divulgou novas diretrizes alimentares que propõem mudanças na forma como os norte-americanos devem se alimentar nos próximos anos. As orientações, apresentadas pelo secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr., reforçam a importância de consumir mais proteínas e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e de açúcar adicionado.

    Publicadas a cada cinco anos pelo Departamento de Agricultura e pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, as diretrizes servem como base para programas federais de nutrição, como a merenda escolar.

    Nesta nova versão, o foco está na chamada “comida de verdade”, com incentivo ao consumo de proteínas, gorduras consideradas saudáveis e laticínios integrais, além de regras mais flexíveis sobre o consumo de bebidas alcoólicas.

    Apesar de manter recomendações já conhecidas, as novas orientações defendem uma alimentação mais simples e menos industrializada. A seguir, vamos entender quais foram as principais mudanças e no que devemos prestar atenção.

    O que mudou na nova pirâmide alimentar americana?

    A nova Diretriz Alimentar Americana 2025–2030 tem como base o lema “comida de verdade” (eat real food). Em relação às versões anteriores, a pirâmide alimentar passou por mudanças importantes, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares:

    • Mudança na base da pirâmide: os alimentos prioritários passam a ser proteínas de alta qualidade, gorduras saudáveis e vegetais, substituindo o modelo anterior centrado em carboidratos;
    • Redução do topo da pirâmide: carboidratos processados e grãos refinados, que antes ocupavam a base, agora aparecem em menor quantidade;
    • Aumento da recomendação de proteína: o consumo diário recomendado subiu de 1,2 g para 1,6 g por quilo de peso corporal, com incentivo à ingestão de proteína em todas as refeições;
    • Revisão do papel das gorduras saturadas naturais: alimentos como ovos e carnes passam a ser aceitos dentro do padrão de comida real, mantendo-se o limite de até 10% de gordura saturada diária;
    • Liberação dos laticínios integrais: desde que sem açúcar, laticínios integrais podem ser consumidos, diferentemente das diretrizes anteriores, que priorizavam versões desnatadas ou light;
    • Posicionamento claro contra ultraprocessados: pela primeira vez, o documento recomenda explicitamente evitar alimentos ultraprocessados, ricos em conservantes, corantes e aditivos;
    • Tolerância zero ao açúcar adicionado: a diretriz afirma que nenhuma quantidade de açúcar adicionado é considerada saudável ou necessária;
    • Mudança na recomendação sobre álcool: foi retirado o limite diário de consumo. A orientação atual é beber menos ou não beber para uma melhor saúde, sem incentivo ao consumo de álcool.

    As recomendações nutricionais do governo dos Estados Unidos têm efeito direto sobre a alimentação de milhões de crianças atendidas por escolas públicas e programas de assistência alimentar.

    As atualizações nas diretrizes podem modificar os critérios de financiamento federal e influenciar os alimentos oferecidos nas refeições escolares.

    As novas diretrizes incentivam a dieta carnívora?

    As diretrizes não incentivam uma dieta carnívora, ao contrário do que muitas interpretações sugerem. Segundo Juliana, o que ocorreu foi o aumento da recomendação de consumo de proteína, que passou de 1,2 para 1,6 g por quilo de peso corporal, além de uma abordagem mais flexível em relação às gorduras de origem animal.

    Isso não significa que as pessoas devem excluir vegetais, frutas, fibras e outros nutrientes de origem vegetal, que continuam sendo fundamentais para a saúde. A confusão surge porque, ao reduzir o espaço ocupado por carboidratos refinados, as proteínas acabam ganhando mais destaque visual no prato.

    A diretriz recomenda proteínas de alta qualidade, mas reforça a necessidade de micronutrientes fornecidos pelos vegetais.

    Mudanças têm gerado opiniões diferentes

    As novas diretrizes representam uma quebra importante em relação às recomendações seguidas nas últimas décadas. Durante muito tempo, a principal orientação era reduzir o consumo de gorduras, especialmente as de origem animal, dando espaço às chamadas dietas com baixo teor de gordura.

    De acordo com Juliana, um dos pontos que mais gerou discussão foi a mudança na forma de olhar para as gorduras naturais. Alimentos como ovos e manteiga, que eram proscritos nas diretrizes anteriores, agora passam a ter espaço, desde que dentro de um contexto de alimentação baseada em alimentos in natura.

    Além disso, especialistas alertam que dar mais espaço às proteínas, principalmente as de origem animal, pode levar a um consumo maior de calorias e favorecer ganho de peso, além de sobrecarregar os rins em algumas pessoas.

    Ao mesmo tempo, a menor presença de grãos integrais pode reduzir a ingestão de fibras e de nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

    Para completar, a recomendação de eliminar o açúcar adicionado da alimentação também despertou debate. Apesar de diversos profissionais da saúde concordarem que reduzir o açúcar é importante para a saúde, a orientação ainda encontra resistência, especialmente da indústria de alimentos ultraprocessados.

    Diretrizes estão alinhadas com as evidências científicas atuais?

    As pesquisas mais recentes mostram que as gorduras presentes em alimentos naturais, como ovos e laticínios integrais, não são tão prejudiciais quanto se acreditava. Quando eles fazem parte de uma alimentação equilibrada, sem excesso de calorias e açúcar, o impacto negativo para a saúde tende a ser menor, conforme explica Juliana.

    Hoje, o risco cardiovascular está mais relacionado a processos inflamatórios e à resistência à insulina, que são estimulados principalmente pelo consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares refinados, como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, doces industrializados e embutidos.

    De acordo com a cardiologista, os ultraprocessados costumam conter grandes quantidades de gordura trans, sódio e aditivos químicos — o que provoca alterações importantes no metabolismo, prejudicando o funcionamento do organismo.

    Com o tempo, essas alterações podem danificar a parte interna das artérias, processo conhecido como disfunção endotelial. Isso contribui para o aumento da pressão arterial e para a formação de placas de gordura, que podem levar a problemas graves, como infarto e AVC.

    Além disso, os ultraprocessados favorecem o ganho de peso, pois têm muitas calorias e poucos nutrientes. O consumo frequente de calorias vazias aumenta o risco de obesidade, que é um fator associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Qual a diferença entre as diretrizes americanas e o Guia Alimentar para a População Brasileira?

    O Guia Alimentar para a População Brasileira tem forte base científica e é reconhecido internacionalmente por focar no grau de processamento dos alimentos. A principal recomendação sempre foi priorizar alimentos in natura e minimizar o consumo de ultraprocessados, o que segue alinhado com as evidências mais atuais em saúde.

    Enquanto o guia americano traz um olhar mais técnico, voltado para macronutrientes e aspectos bioquímicos da alimentação, o guia brasileiro valoriza o ato de comer, o preparo das refeições e o respeito à cultura alimentar do país, com destaque para combinações tradicionais como arroz e feijão.

    Nesse contexto, para a população brasileira, Juliana explica que o Guia Alimentar Nacional continua sendo uma referência mais segura e adequada, e se encaixa melhor na realidade cultural e social do Brasil.

    Quais recomendações práticas resumem uma alimentação cardioprotetora hoje?

    Uma alimentação cardioprotetora envolve escolhas simples no dia a dia, como aponta Juliana:

    • Priorizar alimentos de origem vegetal, com variedade de vegetais e frutas;
    • Reduzir ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Utilizar gorduras de boa qualidade, como azeite de oliva e oleaginosas;
    • Garantir ingestão adequada de fibras;
    • Diminuir o consumo de sódio;
    • Reduzir o consumo de açúcar;
    • Incluir uma fonte de proteína em todas as refeições para aumentar a saciedade e ajudar no controle da insulina.

    Além das orientações, vale destacar que manter regularidade nas refeições e atenção ao tamanho das porções também faz diferença para a saúde do coração. Comer com calma, respeitar os sinais de fome e saciedade e evitar longos períodos em jejum ajudam a manter o metabolismo mais equilibrado.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    Qual o papel das proteínas na saúde cardiovascular?

    As proteínas ajudam na saciedade, no controle do açúcar no sangue e na manutenção da massa muscular. Quando escolhidas de forma adequada, como carnes magras, ovos, peixes, leguminosas e laticínios sem açúcar, contribuem para uma alimentação mais equilibrada.

    Gordura faz mal para o coração?

    Depende do tipo de gordura. Gorduras trans e excesso de gordura presente em alimentos ultraprocessados são prejudiciais. Já gorduras naturais e de boa qualidade, como azeite de oliva, oleaginosas e gorduras presentes em alimentos naturais, podem fazer parte de uma alimentação saudável quando consumidas sem exageros.

    Qual a importância das fibras na alimentação cardioprotetora?

    As fibras ajudam a controlar o colesterol, melhoram o funcionamento do intestino e reduzem picos de açúcar no sangue. Uma alimentação rica em fibras contribui diretamente para a saúde do coração e do metabolismo.

    Comer tarde da noite prejudica o coração?

    Pode prejudicar, principalmente quando as refeições noturnas são grandes e ricas em gordura e açúcar. O hábito de comer muito tarde pode atrapalhar o metabolismo, o sono e o controle do peso, fatores importantes para a saúde cardiovascular.

    Farinha de mandioca e derivados podem ser consumidos?

    Podem ser consumidos em pequenas quantidades. A mandioca faz parte da cultura alimentar brasileira, mas o consumo excessivo pode aumentar a ingestão de carboidratos refinados.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro 

    Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro 

    Quando o assunto é produtividade, a maioria das pessoas pensa em aplicativos de organização, listas de tarefas e técnicas de foco. Mas do ponto de vista médico, existe uma ferramenta simples e gratuita que pode ajudar, que é justamente mexer o corpo.

    Atividade física e produtividade estão relacionadas porque movimentar o corpo não só beneficia o coração, mas altera para melhor o funcionamento do cérebro, e isso se reflete em uma melhor capacidade de atenção, criatividade e tomada de decisão.

    Para quem detesta o ambiente de academias, é importante dizer que não é só lá que acontece a atividade física do dia. Caminhar, subir escadas ou fazer pequenos intervalos de movimento ao longo do dia já contam como movimento.

    Isso explica por que, mesmo após poucos minutos de atividade, muitas pessoas relatam que pensam melhor, se concentram com mais facilidade e realizam tarefas com mais eficiência.

    Como a atividade física impacta o cérebro

    1. Aumenta o fluxo sanguíneo do cérebro

    Mexer o corpo faz o coração bombear mais sangue, o que leva mais oxigênio e nutrientes para áreas essenciais do cérebro, como:

    • Córtex pré-frontal, onde acontecem decisões e planejamento;
    • Hipocampo, região da memória;
    • Amígdala, ligada a respostas emocionais.

    Esse abastecimento extra deixa o cérebro mais alerta, mais estável e mais eficiente.

    2. Melhora a memória e o aprendizado

    A atividade física estimulada libera o BDNF, uma proteína conhecida como fertilizante cerebral. Ela fortalece conexões entre neurônios e facilita o aprendizado, algo essencial para quem estuda, trabalha sob pressão ou precisa memorizar novas informações.

    3. Reduz o estresse e melhora o humor

    Ao se movimentar, o corpo libera endorfinas e serotonina. Esses neurotransmissores:

    • Reduzem a ansiedade;
    • Equilibram o humor;
    • Aumentam a motivação;
    • Ajudam na tomada de decisões.

    E quando a mente está menos estressada, a produtividade naturalmente sobe.

    4. Aumenta a energia e combate o cansaço mental

    A atividade física melhora a eficiência dos músculos e do sistema cardiovascular, reduzindo a sensação de esgotamento ao longo do dia. Isso é especialmente útil para quem trabalha sentado por muitas horas.

    5. Melhora o sono e, consequentemente, o desempenho

    Dormir melhor significa:

    • Mais foco;
    • Memória mais afiada;
    • Mais capacidade de resolver problemas.

    Como a atividade física regula o ritmo circadiano, ela ajuda o corpo a dormir com mais facilidade e ter sono de qualidade.

    Como colocar movimento no dia a dia para aumentar a produtividade

    1. Caminhadas curtas ao longo do dia

    Caminhar 5 a 10 minutos entre reuniões ou depois do almoço aumenta o fluxo sanguíneo cerebral imediatamente.

    2. Subir escadas sempre que possível

    É uma forma simples e eficiente de elevar a frequência cardíaca sem equipamentos.

    3. Alongar-se a cada 60 ou 90 minutos

    Ideal para quem trabalha sentado. Reduz a tensão muscular e melhora a oxigenação.

    4. Fazer reuniões caminhando

    Reuniões telefônicas ou conversas informais podem ser transformadas em pequenas caminhadas.

    5. Inserir pequenas rotinas de treino

    Pode ser polichinelo, agachamento, yoga ou bicicleta ergométrica. Comece com 10 minutos por dia e aumente progressivamente.

    6. Evitar longos períodos sentado

    Mesmo quem faz exercícios não está protegido se passa horas sentado. Levantar e se mover protege o coração e melhora o desempenho mental.

    Quem mais se beneficia desse hábito?

    • Pessoas que trabalham em escritório;
    • Estudantes;
    • Quem enfrenta estresse crônico;
    • Quem sente cansaço mental frequente;
    • Idosos que querem preservar cognição;
    • Profissionais que trabalham com criatividade.

    O que dizem os estudos a respeito da produtividade?

    • Caminhadas leves aumentam criatividade em até 60%;
    • Atividade física regular reduz risco de depressão em até 30%;
    • Exercício leve melhora a memória operacional imediatamente;
    • Pessoas que se movimentam se concentram melhor e produzem mais.

    Perguntas frequentes sobre atividade física e produtividade

    1. Preciso fazer academia para melhorar minha produtividade?

    Não. Caminhadas, escadas e alongamentos já trazem benefícios. Para a saúde geral, recomenda-se 150 minutos semanais de atividade moderada.

    2. Quanto de movimento por dia faz diferença?

    De 10 a 20 minutos já ativam o cérebro. O ideal é somar 150 minutos semanais.

    3. Exercício melhora o foco imediatamente?

    Sim. O movimento pode melhorar o foco imediatamente.

    4. Qual o melhor horário para mexer o corpo?

    O melhor é o que cabe na rotina. Pequenas doses ao longo do dia funcionam muito bem.

    5. Quem trabalha sentado precisa se exercitar mais?

    Precisa se levantar e se mover regularmente. Ficar sentado por longos períodos reduz o fluxo sanguíneo cerebral.

    6. Mexer o corpo ajuda contra estresse e ansiedade?

    Muito. O exercício reduz cortisol e aumenta endorfinas.

    7. Quem tem problemas cardíacos pode se beneficiar?

    Sim, mas deve conversar com o médico para ajustar intensidade e frequência.

  • Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente 

    Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente 

    Em dias quentes, durante a rotina corrida ou até no trabalho em ambientes climatizados, muitas pessoas acreditam que estão bebendo água o suficiente, mas o corpo pode estar dizendo o contrário. O problema é que nem todo mundo ouve esse pedido do organismo, pois a desidratação nem sempre dá sinais óbvios.

    A desidratação leve pode passar despercebida, mas já é capaz de causar tonturas, dor de cabeça, cansaço e queda na concentração. Em níveis mais graves, pode levar à queda de pressão, confusão mental e risco aumentado de arritmias. Por isso, entender o que o corpo está sinalizando é bem importante para evitar problemas.

    Por que você pode estar desidratado mesmo bebendo água?

    Existem várias razões:

    • Você perde mais água do que imagina, e isso pode ser pelo suor, respiração ou urina;
    • O consumo de água não acompanha essas perdas;
    • Café, chá preto e bebidas alcoólicas aumentam a diurese, favorecendo a eliminação de líquidos;
    • Exercícios físicos, clima seco e ar-condicionado aceleram a desidratação, mesmo sem suor visível;
    • Pessoas idosas têm menor sensação de sede, o que dificulta perceber a necessidade de se hidratar.

    Ou seja, aquela sensação de que você bebeu bastante água hoje pode ser traiçoeira, pois nem sempre corresponde ao que o corpo realmente precisa.

    Sinais de desidratação que passam despercebidos

    1. Urina muito amarela ou com cheiro forte

    É um dos primeiros sinais. A urina saudável tende a ser amarelo-clara. Se estiver escura ou reduzida, é sinal de pouca ingestão de líquidos.

    2. Dor de cabeça e dificuldade de concentração

    A desidratação reduz o fluxo sanguíneo cerebral e afeta o funcionamento do cérebro. Isso pode causar:

    • Dor de cabeça;
    • Lentidão de raciocínio;
    • Sensação de mente cansada.

    3. Cansaço exagerado, mesmo sem esforço

    Quando falta água, o sangue fica mais concentrado, o coração trabalha mais e o corpo produz menos energia. Isso gera:

    • Fraqueza;
    • Indisposição;
    • Sonolência ao longo do dia.

    4. Tonturas ou sensação de “escurecimento” ao se levantar

    A desidratação pode reduzir o volume sanguíneo, o que aumenta o risco de quedas de pressão (hipotensão postural). É um dos sinais mais importantes para avaliação médica.

    5. Pele seca e com pouca elasticidade

    Um teste simples: belisque suavemente a pele no dorso da mão. Se ela demorar a voltar ao lugar, faltam líquidos.

    6. Boca seca, lábios rachados e saliva grossa

    São sinais clássicos de que a produção de saliva diminuiu. Em desidratações mais intensas, também aparece mau hálito.

    7. Aumento da frequência cardíaca

    Quando falta líquido no corpo, o coração pode bater mais rápido para manter o fluxo sanguíneo adequado. Isso pode aumentar o risco cardiovascular em pessoas vulneráveis.

    Quem tem mais risco de desidratação?

    • Idosos;
    • Crianças;
    • Pessoas com diarreia ou vômitos;
    • Quem faz exercícios intensos;
    • Quem trabalha em ambientes quentes;
    • Usuários frequentes de diuréticos, laxantes ou certos medicamentos;
    • Gestantes e lactantes.

    Como garantir hidratação adequada na prática

    Algumas recomendações são:

    • Observe a urina, que deve estar clara na maior parte do dia;
    • Distribua a ingestão ao longo do dia, não de uma vez só;
    • Aposte em alimentos ricos em água, como frutas, vegetais e sopas;
    • Aumente o consumo de água ao praticar atividades físicas;
    • Evite excesso de álcool e modere o café;
    • Use garrafinhas de fácil acesso para criar hábito.

    Lembre-se que a sede é um sinal tardio de desidratação. Não espere sentir sede para beber água.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre desidratação

    1. Quanto de água eu devo beber por dia?

    Não existe um número único. A recomendação geral é entre 30–35 ml/kg/dia, e isso é ajustado conforme o clima e o nível de atividade física.

    2. Água com gás hidrata?

    Sim, hidrata da mesma forma que água normal, desde que seja realmente água e não tenha açúcar.

    3. Beber muita água de uma vez só resolve?

    Não. O corpo absorve água melhor quando o consumo é distribuído ao longo do dia.

    4. Chá e café contam como hidratação?

    Contam, mas em excesso podem aumentar a urina e favorecer desidratação.

    5. Desidratação pode causar arritmia?

    Sim. A queda de eletrólitos e de volume sanguíneo pode afetar o ritmo cardíaco.

    6. Quando devo procurar um médico?

    Se houver tontura, confusão mental, pouca urina ou sinais de desidratação em crianças, idosos ou gestantes.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

  • Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Os benefícios dos agonistas do GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, podem ir muito além da perda de peso e do controle do açúcar no sangue.

    De acordo com estudos recentes, as canetas emagrecedoras apresentam impacto no perfil lipídico, reduzindo principalmente os níveis de triglicerídeos e do colesterol ruim (LDL), além de ajudarem na manutenção ou até em um leve aumento do colesterol bom (HDL).

    Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar como essas medicações influenciam o metabolismo das gorduras e qual é o papel da perda de peso nesse processo. Confira!

    Canetas emagrecedoras e colesterol: como elas melhoram o perfil lipídico?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os agonistas do GLP-1 atuam em diferentes frentes do metabolismo, envolvendo tanto o fígado quanto o intestino.

    No fígado, a medicação reduz a produção de VLDL, uma lipoproteína de muito baixa densidade responsável pelo transporte de triglicerídeos, o que diminui a quantidade de gordura liberada na circulação.

    No intestino, o retardo do esvaziamento gástrico e da absorção de gorduras após as refeições ajuda a evitar picos de gordura no sangue.

    Juliana explica que a melhora do perfil lipídico acontece, principalmente, como consequência da perda de peso. Com o emagrecimento, ocorre melhora da resistência à insulina, tornando o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    Contudo, também existem evidências de que os agonistas do GLP-1 exercem um efeito direto na redução do processo inflamatório do organismo e da inflamação do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, o que contribui de forma adicional para a melhora dos níveis de colesterol.

    As canetas emagrecedoras substituem os remédios para colesterol?

    Os agonistas do GLP-1 podem ajudar a melhorar os exames de colesterol, mas não substituem os medicamentos usados no tratamento.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, as estatinas, que são os remédios específicos para controlar o colesterol, têm um efeito muito mais efetivo. Em alguns casos, conseguem reduzir até 50% dos níveis de colesterol ruim, enquanto os agonistas do GLP-1 promovem uma redução em torno de 10%.

    No caso dos triglicerídeos, as canetas emagrecedoras costumam ter um efeito mais significativo. Mesmo assim, as estatinas continuam sendo a principal opção para o tratamento do colesterol.

    Por isso, é necessário manter o uso das estatinas sempre que houver indicação médica, mesmo durante o tratamento com agonistas do GLP-1.

    Quem tem colesterol normal também se beneficia?

    Mesmo em pacientes com colesterol normal e em uso de estatinas, a adição dos agonistas do GLP-1 demonstrou impacto na redução do risco de infarto e AVC.

    Segundo Juliana, isso acontece principalmente devido à ação anti-inflamatória, à melhora da função do endotélio, que corresponde à parede interna dos vasos sanguíneos, e à melhora da pressão arterial.

    Tudo isso contribui para um benefício cardiovascular positivo, mesmo quando os níveis de colesterol já estão controlados.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Por que emagrecer melhora o colesterol?

    A perda de peso melhora a resistência à insulina e torna o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    É seguro usar GLP-1 junto com estatina?

    Sim, quando indicado pelo médico. As medicações atuam por mecanismos diferentes e podem se complementar.

    Quanto tempo leva para notar melhora nos exames?

    As mudanças costumam aparecer de forma gradual, acompanhando a perda de peso ao longo dos meses.

    Qual a diferença entre colesterol LDL e HDL?

    O LDL é conhecido como colesterol ruim, pois pode se acumular nas artérias. O HDL é chamado de colesterol bom, pois ajuda a remover o excesso de gordura da circulação.

    A alimentação influencia muito nos níveis de colesterol?

    Sim, o consumo excessivo de gorduras saturadas, ultraprocessados e açúcar pode elevar os níveis de colesterol e triglicerídeos.

    Com que frequência o colesterol deve ser avaliado?

    A periodicidade depende do perfil de risco, mas geralmente a avaliação ocorre pelo menos uma vez por ano ou conforme orientação médica.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

  • Tiques motores e vocais: o que está por trás da síndrome de Tourette

    Tiques motores e vocais: o que está por trás da síndrome de Tourette

    Movimentos involuntários, sons repetitivos e comportamentos que surgem sem controle consciente ainda são, muitas vezes, cercados por estigma e desinformação. Em casos mais visíveis, essas manifestações podem gerar constrangimento social, isolamento e até interpretações equivocadas sobre o comportamento de crianças e adultos.

    A síndrome de Tourette é uma condição neurológica que costuma começar na infância e se manifesta principalmente por tiques motores e vocais. Apesar de relativamente conhecida, ainda é pouco compreendida fora do meio médico, o que reforça a importância da informação correta para reduzir preconceitos e ajudar no diagnóstico e o acompanhamento adequados.

    O que é a síndrome de Tourette?

    A síndrome de Tourette é uma condição neurológica caracterizada pela presença de tiques motores e vocais, que surgem de forma involuntária e geralmente se iniciam na infância. Esses tiques podem persistir até a vida adulta e, em alguns casos, causar prejuízos significativos à vida social, emocional e funcional dos indivíduos afetados.

    Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento, com evolução variável ao longo da vida. Embora muitas pessoas apresentem melhora dos sintomas com o passar dos anos, a condição pode gerar morbidade relevante, especialmente quando associada a outras alterações psiquiátricas.

    Principais sintomas

    Os sintomas centrais da síndrome de Tourette são os tiques, que se dividem em motores e vocais.

    Tiques motores

    Os tiques motores consistem em movimentos involuntários e repetitivos, como:

    • Piscar excessivamente os olhos;
    • Caretas ou sorrisos involuntários;
    • Movimentos do pescoço ou dos ombros.

    Em casos mais graves, podem surgir tiques motores complexos, como pulos, gestos abruptos ou movimentos que parecem agressivos.

    Tiques vocais

    Os tiques vocais incluem sons ou vocalizações involuntárias, como:

    • Gritos ou sons guturais;
    • Latidos ou pigarros repetidos;
    • Repetição de palavras ou frases;
    • Emissão de palavras socialmente inadequadas.

    Os tiques costumam ser precedidos por uma sensação de desconforto ou inquietação interna e são seguidos por alívio temporário após sua execução.

    Idade de início e evolução

    Os sintomas geralmente surgem antes dos 18 anos, com pico entre 2 e 15 anos. A idade média de início é em torno dos 6 anos, e cerca de 96% dos pacientes apresentam tiques até os 11 anos.

    Na maioria dos casos, os tiques tendem a diminuir em intensidade durante a adolescência e a vida adulta, embora possam persistir em parte dos pacientes.

    Causas

    A síndrome de Tourette apresenta um forte componente genético. Pessoas com familiares afetados têm maior risco de desenvolver a condição, embora ainda não tenha sido identificada uma mutação genética específica responsável.

    Do ponto de vista neurológico, os sintomas estão relacionados a uma redução da atividade de áreas cerebrais responsáveis por inibir estímulos repetitivos. Essa falha no controle inibitório leva à liberação inadequada de sinais para os músculos, resultando nos tiques motores e vocais característicos.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da síndrome de Tourette é clínico, baseado na história do paciente, na evolução dos sintomas e na presença de tiques motores e vocais, conforme os critérios estabelecidos pelo DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

    Exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, geralmente não mostram alterações estruturais e não são utilizados para confirmar o diagnóstico.

    É fundamental também realizar uma avaliação psiquiátrica, já que a síndrome de Tourette frequentemente está associada a comorbidades, como:

    • Ansiedade;
    • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
    • Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

    Tratamento

    O tratamento da síndrome de Tourette tem como objetivo controlar os tiques e tratar condições associadas, quando presentes.

    Quando não tratar

    Tiques leves, que não causam prejuízo funcional ou social, geralmente não exigem tratamento específico, sendo suficiente a orientação ao paciente e à família sobre a natureza da condição.

    Abordagens terapêuticas

    Nos casos em que os tiques são mais intensos ou interferem na qualidade de vida, a terapia comportamental é a primeira linha de tratamento. Essa abordagem ajuda o paciente a reconhecer e manejar os impulsos relacionados aos tiques.

    Quando não há controle adequado com terapia, pode ser necessário o uso de medicações para reduzir a intensidade e a frequência dos tiques, sempre com acompanhamento especializado.

    Prognóstico

    O prognóstico da síndrome de Tourette é, em geral, favorável.

    • Cerca de um terço dos pacientes apresenta resolução completa dos tiques na vida adulta;
    • Outro um terço apresenta melhora significativa, mas com sintomas residuais;
    • O terço restante mantém os tiques de forma persistente, geralmente associado a maior prevalência de comorbidades psiquiátricas.

    O acompanhamento adequado contribui para melhor adaptação social e qualidade de vida.

    Leia também: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes sobre a síndrome de Tourette

    1. A síndrome de Tourette é uma doença rara?

    Não é considerada rara, mas é subdiagnosticada, especialmente em casos leves.

    2. Toda pessoa com Tourette fala palavrões involuntariamente?

    Não. Esse tipo de tique vocal ocorre apenas em uma minoria dos pacientes.

    3. Os tiques são voluntários?

    Não. Eles são involuntários, embora possam ser temporariamente suprimidos com esforço.

    4. A síndrome de Tourette tem cura?

    Não há cura, mas muitos pacientes apresentam melhora significativa com o tempo.

    5. É comum haver outras condições associadas?

    Sim. Ansiedade, TOC e TDAH são comorbidades frequentes.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Osteomielite tem cura? Saiba mais sobre a infecção que atinge os ossos 

    Osteomielite tem cura? Saiba mais sobre a infecção que atinge os ossos 

    A osteomielite é uma infecção óssea que, apesar de menos comum do que outras infecções, pode causar complicações graves quando não diagnosticada e tratada corretamente. A condição pode afetar pessoas de diferentes idades e está frequentemente associada a doenças crônicas, cirurgias ortopédicas ou situações que comprometem a imunidade.

    Dependendo da forma como se manifesta, a osteomielite pode evoluir de maneira rápida, com sintomas intensos, ou de forma lenta e silenciosa, tornando o diagnóstico mais desafiador. Reconhecer os sinais precocemente é essencial para evitar a destruição do osso e a progressão da infecção.

    O que é a osteomielite?

    A osteomielite é uma infecção do osso causada por microrganismos, que podem incluir bactérias, fungos ou micobactérias. Entre os principais fatores de risco estão idade avançada, diabetes, doenças vasculares e condições de imunossupressão, como câncer ou HIV/AIDS.

    Pessoas submetidas a cirurgias ortopédicas, colocação de próteses ou que sofreram traumas importantes, como acidentes automobilísticos, também apresentam maior risco.

    A osteomielite pode ocorrer de forma aguda, com instalação rápida dos sintomas, ou crônica, com evolução lenta ao longo de meses ou anos. Sem tratamento adequado, a infecção pode levar à necrose do osso, o que agrava o problema.

    Principais sintomas

    Osteomielite aguda

    A forma aguda costuma evoluir ao longo de dias a semanas e apresenta:

    • Dor local;
    • Inchaço;
    • Calor e vermelhidão na região afetada;
    • Febre e mal-estar.

    Quando a infecção atinge uma articulação próxima, pode ocorrer artrite séptica.

    Osteomielite crônica

    A forma crônica evolui de maneira mais lenta, com sintomas persistindo por mais de duas semanas.

    • Dor, inchaço e vermelhidão podem estar presentes;
    • Sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, costumam ser leves ou ausentes.

    Causas

    A osteomielite pode surgir por diferentes mecanismos de infecção do osso.

    Principais vias de infecção

    • Disseminação do microrganismo pela corrente sanguínea;
    • Propagação de infecções da pele ou dos músculos para o osso;
    • Contato direto do microrganismo após cirurgias ou acidentes.

    Microrganismos envolvidos

    • Bactérias: estafilococos, estreptococos e enterococos;
    • Fungos: principalmente Candida;
    • Micobactérias: a mais comum é a causadora da tuberculose, que geralmente acomete a coluna vertebral, levando ao chamado mal de Pott.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da osteomielite é baseado na avaliação clínica, associada a exames laboratoriais e de imagem.

    Exames de sangue

    Podem indicar infecção e inflamação, além de culturas sanguíneas positivas nos casos de disseminação hematogênica.

    Exames de imagem

    São fundamentais para o diagnóstico e incluem radiografia e ressonância magnética.

    Esses exames permitem identificar edema dos tecidos ao redor do osso, perda de massa óssea e sinais de necrose em estágios mais avançados.

    Cultura do osso

    Quando há necessidade de cirurgia para remoção de tecido necrosado, a cultura dos fragmentos auxilia na identificação do microrganismo e na escolha do antibiótico mais adequado.

    Tratamento

    O tratamento da osteomielite baseia-se principalmente no uso de antibióticos.

    Abordagem inicial

    • Início com antibióticos de amplo espectro;
    • Ajuste do tratamento conforme o microrganismo identificado e sua sensibilidade.

    Cirurgia

    Em casos com grande quantidade de tecido necrosado, pode ser necessária intervenção cirúrgica para remover áreas infectadas e facilitar a ação dos antibióticos.

    O que esperar

    O prognóstico da osteomielite é geralmente favorável quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é instituído de forma adequada.

    No entanto, casos associados a próteses ortopédicas costumam ser mais complexos e podem exigir estratégias terapêuticas adicionais.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes sobre osteomielite

    1. O que é osteomielite?

    É uma infecção do osso causada por bactérias, fungos ou micobactérias.

    2. A osteomielite pode ser aguda ou crônica?

    Sim. A forma aguda tem início rápido, enquanto a crônica evolui lentamente ao longo de meses ou anos.

    3. Quais são os principais sintomas da osteomielite?

    Dor, inchaço, vermelhidão local, podendo haver febre e mal-estar, especialmente na forma aguda.

    4. A osteomielite sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos são tratados apenas com antibióticos, mas a cirurgia pode ser necessária quando há tecido ósseo necrosado.

    5. O tratamento precoce melhora o prognóstico?

    Sim. O diagnóstico e o tratamento precoces aumentam significativamente as chances de recuperação.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento