Autor: Dra. Juliana Soares

  • Leptospirose: por que a doença aumenta após enchentes 

    Leptospirose: por que a doença aumenta após enchentes 

    A leptospirose é uma doença que costuma ganhar destaque após períodos de chuva intensa e enchentes, quando o contato com água contaminada se torna mais frequente. Apesar de muitas vezes causar apenas sintomas leves, em alguns casos ela pode evoluir rapidamente para quadros graves, com comprometimento dos rins, fígado e pulmões.

    Por isso, reconhecer os sinais da doença, entender como ocorre a transmissão e saber quando procurar atendimento médico são medidas muito importantes para reduzir complicações e salvar vidas.

    O que é a leptospirose?

    A leptospirose é uma infecção zoonótica causada por bactérias do gênero Leptospira, que podem infectar tanto humanos quanto animais. É considerada a zoonose mais disseminada no mundo, com cerca de 1 milhão de casos estimados por ano.

    No Brasil, a doença ocorre com maior frequência nas regiões Sul e Sudeste, variando conforme condições climáticas, infraestrutura urbana e ocorrência de surtos. É mais comum em adultos entre 20 e 39 anos e em pessoas com maior exposição ocupacional, como trabalhadores da limpeza urbana, coleta de lixo e saneamento.

    Como acontece a transmissão?

    Os roedores, especialmente os ratos, são os principais reservatórios da leptospirose. A bactéria é eliminada na urina desses animais e pode contaminar:

    • Água parada;
    • Lama;
    • Solo úmido.

    A infecção ocorre quando a pessoa entra em contato com esses ambientes contaminados. A bactéria consegue penetrar no organismo pela pele, principalmente se houver pequenos ferimentos, ou pelas mucosas, como olhos, boca e nariz.

    A transmissão é mais comum durante períodos de chuvas intensas e enchentes, quando a urina dos roedores se espalha com facilidade.

    Principais sintomas

    A leptospirose pode se manifestar de formas leves ou evoluir para quadros graves. A maioria dos casos é leve ou até assintomática, mas a doença é dividida em duas apresentações principais:

    Leptospirose anictérica (forma mais comum)

    Essa forma costuma ter duas fases:

    Fase aguda

    Surge após um período de incubação de 5 a 14 dias e dura cerca de uma semana. Os sintomas mais comuns são:

    • Febre;
    • Dores no corpo;
    • Dor de cabeça;
    • Enjoo, vômitos e diarreia em alguns casos.

    Na maioria das pessoas, a doença se encerra nessa fase.

    Fase imune

    Alguns pacientes evoluem para essa fase após um curto período de melhora. Ela ocorre devido à ação dos anticorpos produzidos pelo organismo. Nesse momento, não há mais bactérias circulando no sangue.

    O principal quadro dessa fase é a meningite asséptica, que pode causar:

    • Dor de cabeça intensa;
    • Dor e rigidez no pescoço;
    • Enjoo e vômitos.

    Também podem ocorrer inflamação ocular (uveíte anterior), dor abdominal e retorno da febre.

    Leptospirose ictérica (forma grave)

    Ocorre em cerca de 5 a 10% dos casos sintomáticos e apresenta maior gravidade, com mortalidade estimada entre 5 e 15%.

    Os principais sinais são:

    • Febre;
    • Icterícia (pele e olhos amarelados);
    • Comprometimento da função renal.

    Em casos mais graves, pode haver:

    • Hemorragia pulmonar;
    • Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA);
    • Insuficiência renal com necessidade de hemodiálise.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é suspeitado em pacientes com sintomas compatíveis e histórico de exposição a ambientes com ratos ou outros roedores ou água contaminada.

    A confirmação pode ser feita por:

    • Testes sorológicos para detecção de anticorpos;
    • Cultura do sangue em fases iniciais.

    Exames laboratoriais ajudam a avaliar possíveis complicações, como alterações da função renal e hepática. Quando há suspeita de meningite, é indicada a coleta de líquor.

    Tratamento

    O tratamento da leptospirose depende da gravidade do quadro.

    Casos leves: costumam ser autolimitados e podem se resolver mesmo sem antibióticos.

    Casos moderados a graves: indicam uso de antibióticos, como penicilina, doxiciclina ou ceftriaxona, além de tratamento de suporte.

    Em situações mais graves, pode ser necessário:

    • Hemodiálise;
    • Ventilação mecânica (intubação);
    • Transfusões sanguíneas.

    A função renal, na maioria dos casos, tende a se recuperar após o tratamento adequado.

    Reação de Jarisch-Herxheimer

    Após o início do antibiótico, alguns pacientes podem apresentar uma reação inflamatória chamada reação de Jarisch-Herxheimer, caracterizada por:

    • Febre;
    • Enjoo e vômitos;
    • Pressão arterial baixa;
    • Aumento da frequência cardíaca.

    Na maioria das vezes, não exige tratamento específico, mas casos mais intensos podem necessitar de internação para monitorização.

    Prevenção da leptospirose

    As principais medidas de prevenção são:

    • Evitar contato com água e lama potencialmente contaminadas;
    • Controle da população de roedores;
    • Melhoria do saneamento básico;
    • Uso de equipamentos de proteção em atividades de risco.

    Veja mais: Viroses de verão: como evitar que elas estraguem suas férias

    Perguntas frequentes sobre leptospirose

    1. A leptospirose é transmitida de pessoa para pessoa?

    Não. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com água ou solo contaminado pela urina de roedores.

    2. Toda leptospirose evolui para forma grave?

    Não. A maioria dos casos é leve ou até assintomática.

    3. Enchentes aumentam o risco de leptospirose?

    Sim. Enchentes facilitam a disseminação da bactéria no ambiente.

    4. A leptospirose tem tratamento?

    Sim. Casos moderados e graves devem ser tratados com antibióticos e suporte clínico.

    5. A função renal sempre fica comprometida?

    Não. Embora possa haver insuficiência renal nos casos graves, a recuperação é comum após o tratamento.

    Leia também: Febre amarela: o que é, como se transmite e como se proteger

  • Bexiga hiperativa: quando a vontade de fazer xixi foge do controle 

    Bexiga hiperativa: quando a vontade de fazer xixi foge do controle 

    Sentir vontade urgente de urinar várias vezes ao dia (e até durante a noite) pode parecer algo simples, mas quando esse sintoma se torna frequente e difícil de controlar, ele pode afetar profundamente a rotina, o sono e o bem-estar emocional. Essa é a realidade de muitas pessoas que convivem com a síndrome da bexiga hiperativa.

    Trata-se de uma condição crônica bastante comum, especialmente entre mulheres e pessoas mais velhas, que muitas vezes é subdiagnosticada ou confundida com infecções urinárias.

    O que é a síndrome da bexiga hiperativa?

    A síndrome da bexiga hiperativa é uma condição caracterizada principalmente pela urgência miccional, ou seja, uma vontade súbita, intensa e difícil de adiar de fazer xixi. Essa urgência pode acontecer mesmo quando a bexiga não está cheia.

    Além disso, é comum que o paciente apresente:

    • Aumento da frequência urinária ao longo do dia;
    • Noctúria, que é a necessidade de urinar várias vezes durante a noite;

    Em alguns casos, a síndrome pode estar associada à incontinência urinária, que é a perda involuntária de urina, mas isso não acontece em todos as pessoas. A condição pode ocorrer em pessoas de qualquer peso, mas é mais frequente com o envelhecimento e em mulheres.

    Principais sintomas e por que ela surge?

    O sintoma obrigatório para o diagnóstico da síndrome da bexiga hiperativa é a urgência em fazer xixi. Geralmente, ela vem acompanhada de aumento do número de micções diárias e da necessidade de fazer xixi durante a noite.

    Em condições normais, o desejo de urinar surge quando a bexiga está cheia. Nesse momento, um músculo que envolve a bexiga, chamado músculo detrusor, se contrai, enquanto o esfíncter da bexiga relaxa, permitindo o esvaziamento.

    Na síndrome da bexiga hiperativa, esse mecanismo não funciona de forma adequada. A causa exata ainda não é completamente esclarecida, mas algumas teorias ajudam a explicar o problema:

    • Alterações no controle nervoso da bexiga: o sistema nervoso pode estimular o músculo detrusor de forma inadequada, provocando contrações involuntárias e vontade de urinar fora do momento correto;
    • Mudanças no próprio músculo detrusor: em algumas pessoas, as células desse músculo tornam-se mais sensíveis e se contraem com mais facilidade;
    • Alterações em neurotransmissores e receptores: desequilíbrios em substâncias químicas que regulam a contração da bexiga podem contribuir para os sintomas;
    • Teoria aferente: em pacientes que sofreram traumas ou doenças da medula espinhal, pode ocorrer aumento do reflexo urinário, levando à urgência miccional por alteração da sensibilidade local.

    Como é feito o diagnóstico?

    Para o diagnóstico da síndrome da bexiga hiperativa, é indispensável a presença da urgência miccional. O médico também avalia:

    • Histórico clínico do paciente;
    • Hábitos urinários;
    • Sintomas associados;
    • Uso de medicamentos.

    É essencial excluir outras condições que causam sintomas semelhantes, como infecção urinária.

    Exames de urina são fundamentais para descartar infecções. Em casos específicos, pode ser indicado o exame urodinâmico, que avalia se há contrações involuntárias do músculo detrusor.

    Exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, podem ser solicitados de forma individualizada, principalmente quando há suspeita de alterações neurológicas, como em casos de trauma medular e bexiga neurogênica.

    Qual é o tratamento da síndrome da bexiga hiperativa?

    Como se trata de uma condição crônica e, muitas vezes, sem cura definitiva, o tratamento tem como objetivo reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

    Tratamento comportamental

    É a base do tratamento e inclui orientações como:

    • Ingestão adequada de líquidos (em geral, 2 a 3 litros por dia);
    • Evitar beber grandes volumes de líquido próximo ao horário de dormir;
    • Reduzir o consumo de substâncias que irritam a bexiga, como:
    • Cafeína (café, chá preto, energéticos, refrigerantes tipo cola);
    • Bebidas gaseificadas;
    • Frutas cítricas;
    • Bebidas alcoólicas.

    Tratamento fisioterápico

    A fisioterapia vesical, com exercícios do assoalho pélvico orientados por fisioterapeuta, ajuda a pessoa a recuperar o controle do reflexo urinário e reduzir a urgência.

    Tratamento medicamentoso

    É considerado quando as medidas iniciais não são suficientes. Os medicamentos mais usados são os abaixo, sempre com orientação médica:

    • Anticolinérgicos (como oxibutinina);
    • Agonistas adrenérgicos (como mirabegrona).

    Em situações específicas, podem ser utilizados estrogênios tópicos ou aplicação de toxina botulínica na bexiga, se indicados pelo médico especialista que acompanha o caso.

    Cirurgia

    A cirurgia não é tratamento de primeira linha e é reservada apenas para casos graves que não respondem às demais abordagens.

    Leia mais: Infecção urinária: sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre síndrome da bexiga hiperativa

    1. A bexiga hiperativa é o mesmo que infecção urinária?

    Não. Apesar dos sintomas semelhantes, são condições diferentes. A infecção é causada por bactérias, enquanto a bexiga hiperativa está relacionada a alterações funcionais.

    2. Toda pessoa com bexiga hiperativa perde urina?

    Não. A incontinência pode ocorrer, mas não é obrigatória para o diagnóstico.

    3. A síndrome da bexiga hiperativa tem cura?

    Na maioria dos casos, não há cura definitiva, mas o tratamento costuma controlar bem os sintomas.

    4. A bexiga hiperativa piora com a idade?

    Ela é mais comum em pessoas mais velhas, mas pode ocorrer em qualquer idade.

    5. O tratamento medicamentoso é obrigatório?

    Não. Muitos pacientes melhoram apenas com mudanças de hábitos e fisioterapia.

    Confira: IST ou infecção urinária? Saiba como diferenciar os sintomas

  • Insuficiência renal aguda: quando os rins param de funcionar de repente 

    Insuficiência renal aguda: quando os rins param de funcionar de repente 

    A insuficiência renal aguda é uma condição relativamente comum, especialmente em pessoas hospitalizadas, e acontece quando os rins perdem sua capacidade de funcionar corretamente em um curto período de tempo. Essa perda pode surgir de forma rápida, às vezes em poucas horas ou dias, e nem sempre provoca sintomas logo no início.

    Apesar de ser uma situação potencialmente grave, a insuficiência renal aguda costuma ser reversível quando identificada precocemente. Por isso, entender suas causas, reconhecer os sinais de alerta e saber como é feito o tratamento é fundamental para evitar complicações mais sérias e danos permanentes aos rins.

    O que é a insuficiência renal aguda?

    A insuficiência renal aguda, também chamada de injúria renal aguda, ocorre quando há uma queda súbita da função dos rins. Isso significa que eles deixam de filtrar o sangue adequadamente, permitindo o acúmulo de substâncias tóxicas, líquidos e sais no organismo.

    Na prática, essa alteração é identificada por exames de sangue que mostram aumento da creatinina e redução da taxa de filtração dos rins. Além disso, podem surgir desequilíbrios importantes de eletrólitos, como potássio e sódio, e diminuição da produção de urina.

    A insuficiência renal aguda é diagnosticada quando ocorre pelo menos uma das situações abaixo:

    • Aumento da creatinina em 0,3 mg/dL ou mais em até 48 horas;
    • Aumento da creatinina para 1,5 vez ou mais do valor habitual da pessoa;
    • Redução da quantidade de urina para menos de 0,5 mL por quilo de peso por hora, por pelo menos 6 horas.

    Quais são as causas da insuficiência renal aguda?

    As causas da insuficiência renal aguda são variadas e costumam ser divididas em três grandes grupos, de acordo com o local do problema.

    Insuficiência renal aguda pré-renal

    Acontece quando chega menos sangue aos rins, o que prejudica sua capacidade de filtração. Isso pode ocorrer em situações como:

    • Desidratação;
    • Perda importante de sangue;
    • Queimaduras extensas;
    • Queda acentuada da pressão arterial, comum em quadros de infecção grave (sepse), insuficiência cardíaca ou reações alérgicas intensas.

    Insuficiência renal aguda renal ou intrínseca

    Nesse caso, o problema está diretamente nos rins, que sofrem algum tipo de lesão. As causas mais comuns incluem:

    • Necrose tubular aguda;
    • Inflamações do rim, como nefrite intersticial ou glomerulonefrite.

    Essas alterações podem ser provocadas por infecções, doenças autoimunes, uso de alguns medicamentos, contraste em exames, falta prolongada de oxigênio ou exposição a substâncias tóxicas.

    Insuficiência renal aguda pós-renal

    Ocorre quando há uma obstrução no caminho da urina, fazendo com que ela se acumule e sobrecarregue os rins. Entre as causas mais frequentes estão:

    • Pedras nos rins;
    • Tumores;
    • Coágulos;
    • Aumento da próstata.

    Como é feito o diagnóstico da insuficiência renal aguda?

    Os sinais e sintomas variam conforme a causa do problema. Algumas pessoas apresentam diminuição do volume de urina, inchaço, náuseas ou vômitos. Em outros casos, os sintomas estão mais relacionados à doença que provocou a insuficiência renal, como infecção ou sangramento.

    O diagnóstico envolve uma avaliação cuidadosa do histórico do paciente, incluindo uso de medicamentos, doenças prévias, infecções recentes e procedimentos realizados. Exames de sangue e urina ajudam a identificar alterações na função renal e nos eletrólitos.

    Quando existe suspeita de obstrução urinária, exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia, são fundamentais. Em situações específicas, pode ser necessária a biópsia do rim para esclarecer a causa.

    Qual é o tratamento da insuficiência renal aguda?

    O tratamento depende diretamente da causa da insuficiência renal aguda. Em casos de desidratação ou perda de sangue, a reposição de líquidos pela veia é essencial, e transfusões podem ser indicadas quando necessário.

    Quando a causa é uma obstrução urinária, o foco do tratamento é remover esse bloqueio. Já nos casos em que há lesão direta dos rins, pode ser preciso suspender medicamentos que prejudiquem a função renal e usar diuréticos em algumas situações.

    Durante todo o tratamento, é muito importante acompanhar de perto os níveis de eletrólitos e corrigir alterações perigosas. Se os rins não responderem às medidas iniciais e a função renal estiver muito comprometida, a hemodiálise pode ser necessária temporariamente.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre insuficiência renal aguda

    1. A insuficiência renal aguda tem cura?

    Na maioria dos casos, sim. Quando tratada rapidamente, a função dos rins pode se recuperar parcial ou totalmente.

    2. A insuficiência renal aguda pode virar uma doença crônica?

    Pode. Em alguns casos, especialmente quando o quadro é grave ou se repete, a insuficiência renal aguda pode evoluir para doença renal crônica.

    3. Toda pessoa com insuficiência renal aguda precisa fazer diálise?

    Não. A diálise é indicada apenas quando os rins não conseguem se recuperar com o tratamento clínico ou quando surgem complicações graves.

    4. Quais são os sinais de alerta para insuficiência renal aguda?

    Diminuição da urina, inchaço, náuseas, vômitos, alterações nos exames de sangue e sintomas relacionados à causa do problema.

    5. Medicamentos podem causar insuficiência renal aguda?

    Sim. Alguns medicamentos e substâncias podem prejudicar os rins, especialmente em pessoas mais vulneráveis.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

  • Sentir tontura ao levantar é normal? Saiba o que pode causar e quando ir ao médico

    Sentir tontura ao levantar é normal? Saiba o que pode causar e quando ir ao médico

    Se você é uma daquelas pessoas que sente o mundo girar ao levantar da cama, do sofá ou da cadeira, saiba que é uma situação comum no dia a dia de muitas pessoas e, na maioria dos casos, não indica um problema grave de saúde.

    A tontura pode acontecer por diversos fatores, desde desidratação até o uso de remédios específicos — e normalmente ocorre quando o corpo não consegue ajustar a pressão e a circulação de forma rápida o suficiente ao mudar de posição.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender o que pode causar o incômodo, quando procurar um médico e como prevenir o quadro.

    O que pode causar tontura ao levantar?

    A tontura ao levantar pode ter várias causas, principalmente ligadas à queda temporária do fluxo de sangue para o cérebro, como:

    • Hipotensão ortostática: é a causa mais frequente e acontece quando a pressão arterial cai ao passar da posição deitada ou sentada para em pé, porque o corpo demora a se adaptar à mudança de posição;
    • Desidratação: quando o organismo tem pouco líquido, o volume de sangue circulando diminui, facilitando a queda de pressão e a tontura;
    • Jejum prolongado ou alimentação irregular: pode provocar queda do açúcar no sangue, conhecida como hipoglicemia, que causa fraqueza, tremor e tontura;
    • Anemia: com menos hemoglobina no sangue, o transporte de oxigênio para o cérebro fica prejudicado, favorecendo a sensação de tontura ao se levantar;
    • Uso de medicamentos: remédios para pressão alta, diuréticos, antidepressivos, calmantes e medicamentos para o coração podem dificultar o ajuste da pressão ao mudar de posição;
    • Problemas cardíacos: arritmias, insuficiência cardíaca ou doenças nas válvulas reduzem a capacidade do coração de bombear sangue de forma eficiente;
    • Distúrbios hormonais: alterações da tireoide ou das glândulas suprarrenais interferem no controle da pressão arterial;
    • Problemas no ouvido interno: labirintite e vertigem posicional podem causar sensação de tontura ou desequilíbrio ao se levantar ou virar a cabeça.
    • Consumo de álcool: o álcool dilata os vasos sanguíneos e pode intensificar a queda da pressão;
    • Repouso prolongado: ficar muito tempo deitado ou parado enfraquece os mecanismos do corpo que regulam a pressão ao ficar em pé.

    De acordo com Juliana, o organismo compensa a redução da oxigenação e do fluxo sanguíneo cerebral quase instantaneamente. Os vasos sanguíneos se contraem e a frequência dos batimentos do coração aumenta, neutralizando a situação.

    Porém, quando o mecanismo compensatório é mais lento ou apresenta alguma falha, o cérebro recebe menos oxigênio, o que causa tontura e sensação de desmaio.

    Quando procurar um médico?

    Na maioria dos casos, Juliana explica que a tontura é benigna e não representa um problema grave. No entanto, quando ela ocorre com muita frequência ou de forma intensa, pode ser um sinal de alerta, já que aumenta o risco de quedas, fraturas e até batidas na cabeça.

    Por isso, a cardiologista orienta que é fundamental procurar avaliação médica nas seguintes situações:

    • Desmaio ou perda de consciência, mesmo que seja rápido;
    • Episódios muito frequentes;
    • Tontura intensa ou que piora com o tempo;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Palpitações;
    • Tontura que demora a passar depois de se levantar;
    • Início dos sintomas após começar algum medicamento.

    Exames para investigar a tontura ao levantar

    Para entender o que está causando a tontura ao levantar, o médico faz uma conversa detalhada sobre o quadro, avalia os sintomas e realiza um exame físico. Segundo Juliana, um dos passos mais importantes é medir a pressão arterial quando a pessoa está deitada e, depois, novamente em pé.

    A pessoa deve ficar deitada por cerca de cinco minutos e, ao se levantar, a pressão é medida logo em seguida. Quando ocorre uma queda da pressão sistólica maior que 20 mmHg ou da pressão diastólica maior que 10 mmHg, é confirmado o diagnóstico de hipotensão ortostática.

    Também podem ser solicitados alguns exames, como:

    • Exames de sangue, para verificar anemia, níveis de glicose e outras alterações;
    • Eletrocardiograma, que analisa o ritmo e a atividade elétrica do coração;
    • Holter, que monitora os batimentos cardíacos ao longo de 24 horas para identificar arritmias;
    • Tilt test (teste de inclinação), que avalia a pressão e a frequência cardíaca em diferentes posições para confirmar a hipotensão ortostática.

    É possível tratar a tontura ao levantar?

    O tratamento da tontura depende do que está causando o problema. Mas, em todos os casos, apenas um médico pode avaliar corretamente a origem do sintoma e indicar o tratamento mais adequado.

    Em algumas situações, pode ser preciso ajustar medicamentos, tratar doenças do coração, corrigir alterações hormonais ou orientar mudanças simples no dia a dia, como melhorar a hidratação e a forma de se levantar.

    Como prevenir a tontura ao levantar?

    Algumas medidas no dia a dia ajudam bastante a reduzir a tontura ao levantar, como:

    • Beber mais água ao longo do dia;
    • Evitar ficar muitas horas sem comer;
    • Levantar devagar, sem movimentos bruscos;
    • Sentar na beira da cama antes de ficar em pé;
    • Esperar alguns segundos antes de caminhar;
    • Movimentar os pés e as pernas antes de se levantar;
    • Contrair as panturrilhas para ativar a circulação;
    • Evitar levantar logo após ficar muito tempo deitado;
    • Evitar álcool em excesso;
    • Usar meias de compressão, quando indicado.

    Veja mais: Tontura: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo a tontura deve durar?

    Na maioria dos casos, apenas alguns segundos. Quando dura mais de um minuto ou ocorre com frequência, precisa ser investigada.

    2. O calor piora a tontura ao levantar?

    Sim, o calor provoca dilatação dos vasos sanguíneos, o que facilita a queda da pressão. Por isso, em dias quentes ou após banhos muito quentes, a tontura ao levantar tende a ser mais comum.

    3. Tontura ao levantar pode acontecer durante a gravidez?

    Sim, as alterações hormonais, queda da pressão e aumento da circulação sanguínea tornam o sintoma comum em gestantes.

    4. Tontura pode ser sinal de problema no cérebro?

    Em alguns casos, sim. Problemas como AVC, tumores, inflamações ou doenças neurológicas podem causar tontura, especialmente quando aparecem junto com fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, visão dupla ou confusão mental.

    Porém, a maioria dos casos de tontura está ligada a causas mais simples, como queda de pressão ou problemas no ouvido.

    5. Por que o corpo fica fraco durante a tontura?

    A redução temporária do fluxo de sangue para o cérebro afeta o controle dos músculos e do equilíbrio. O resultado é uma sensação de pernas moles, falta de firmeza para ficar em pé e dificuldade para manter o corpo ereto.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Como manter a calma em situações de pressão?

    Como manter a calma em situações de pressão?

    Todos passam por momentos de pressão: uma entrevista importante, uma apresentação decisiva, um conflito no trabalho ou uma emergência familiar. Nessas horas, o corpo reage automaticamente como se estivesse diante de uma ameaça real, liberando hormônios do estresse e acelerando batimentos, respiração e pensamentos.

    Manter a calma nesse cenário não significa ignorar o que está acontecendo, mas aprender a responder de forma mais equilibrada: é possível treinar o corpo e a mente para reagirem com clareza e autocontrole mesmo sob alta tensão!

    O que acontece no corpo quando estamos sob pressão

    Quando o cérebro interpreta uma situação como ameaça, ele ativa o chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de adrenalina e cortisol. Essa resposta rápida prepara o organismo para agir, o conhecido modo “lutar ou fugir”.

    Em curto prazo, é útil: aumenta o foco e a energia. Mas, se a pressão é intensa ou constante, o sistema fica sobrecarregado. O excesso de cortisol eleva a frequência cardíaca, tensiona os músculos e prejudica a tomada de decisão. É o que explica por que, em momentos críticos, muitas pessoas sentem a mente “bloquear” ou reagem de forma impulsiva.

    Aprender a manter a calma sob pressão significa regular essa resposta fisiológica, fazendo o corpo sair do estado de alerta e voltar ao equilíbrio. Técnicas simples, como a respiração profunda, reduzem o ritmo cardíaco e sinalizam ao cérebro que não há perigo iminente.

    Treinar o cérebro para responder com calma

    Pesquisas em neurociência mostram que manter a calma é uma habilidade treinável. O cérebro humano é plástico: ele se adapta a novos padrões conforme as experiências se repetem. Isso significa que praticar o controle emocional em pequenas situações ajuda o corpo a reagir melhor quando a pressão aumenta.

    O treino começa com autopercepção. Reconhecer os primeiros sinais físicos do estresse, como tensão muscular, respiração curta ou coração acelerado, é o passo inicial. Assim que percebe esses sintomas, a pessoa pode aplicar técnicas de regulação, evitando que o corpo avance para um estado de descontrole.

    Métodos simples que funcionam:

    • Respiração profunda: inspirar pelo nariz, segurar brevemente e soltar o ar devagar é uma das formas mais eficazes de manter a calma;
    • Pausa consciente: interrompa o que está fazendo por alguns segundos, olhe ao redor e note o ambiente: isso ajuda o cérebro a sair do modo automático;
    • Reenquadramento mental: substitua pensamentos como “vai dar errado” por “posso lidar com isso agora”.

    Essas estratégias, usadas de forma consistente, reduzem a intensidade da resposta ao estresse e fortalecem o córtex pré-frontal, região responsável pelo raciocínio e autocontrole.

    A importância do corpo: respiração, sono e movimento

    Manter a calma não depende apenas da mente. O corpo precisa estar preparado para responder com equilíbrio e controle emocional. Sono, alimentação e atividade física são fatores que influenciam diretamente o sistema nervoso e determinam a forma como lidamos com situações de pressão.

    Dormir bem regula os hormônios do estresse e melhora a clareza mental. Já o exercício físico reduz o cortisol e melhora o equilíbrio dos neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como as endorfinas e a serotonina, substâncias que promovem sensação de bem-estar. Mesmo pequenas pausas ativas durante o dia já ajudam o corpo a descarregar a tensão acumulada.

    A respiração é outro ponto central. Em momentos de pressão, ela se torna curta e acelerada, o que aumenta a ansiedade. Respirar lenta e profundamente é uma das formas mais eficazes de ativar o sistema nervoso parassimpático, responsável por acalmar o corpo. Esse tipo de respiração também melhora a oxigenação cerebral e favorece a tomada de decisão.

    Enfrentar a pressão com foco e clareza

    Manter a calma não é suprimir emoções, mas canalizá-las de forma produtiva. Em situações de pressão, o foco deve estar em ter controle emocional sobre o que está ao alcance e aceitar o que não pode ser mudado naquele instante.

    Estudos mostram que pessoas que lidam bem com o estresse têm maior capacidade de reavaliar o contexto em vez de reagirem por impulso. Esse processo cognitivo, conhecido como “reavaliação emocional”, ajuda o cérebro a interpretar o evento de forma menos ameaçadora.

    Algumas estratégias práticas incluem:

    • Dividir tarefas grandes em etapas menores, o que reduz a sensação de sobrecarga;
    • Usar linguagem positiva (“vou resolver isso”) em vez de negativa (“não consigo”);
    • Evitar decisões imediatas quando há raiva, medo ou frustração;
    • Fazer breves pausas mentais entre uma atividade e outra para reorganizar o raciocínio.

    Em equipes e ambientes profissionais, líderes que sabem manter a calma sob pressão criam um clima emocional estável e inspiram segurança. O autocontrole é contagioso: ao reduzir o próprio nível de estresse, também ajuda os outros a se regularem emocionalmente.

    Cultivar hábitos que fortalecem a calma

    Manter a calma não é apenas uma reação pontual, mas o resultado de uma rotina equilibrada. Hábitos diários de cuidado mental constroem resiliência emocional e reduzem a sensibilidade à pressão.

    Práticas como meditação, ioga e escrita reflexiva mostram efeitos consistentes na regulação do sistema nervoso. Elas reduzem a atividade da amígdala, região do cérebro associada ao medo, e fortalecem as conexões neurais ligadas à concentração e empatia.

    Também é importante manter vínculos sociais positivos. Conversar com amigos, colegas ou familiares reduz o isolamento emocional e ajuda a reinterpretar os desafios de maneira mais realista. A simples troca de perspectivas diminui a intensidade da resposta ao estresse.

    Por fim, uma alimentação equilibrada, com variedade de frutas, vegetais e alimentos integrais, apoia o equilíbrio do sistema nervoso e pode contribuir para o equilíbrio emocional e para manter a calma em situações difíceis.

    Manter a calma é inteligência emocional em ação

    Em momentos de pressão, o corpo quer reagir rápido, mas a mente pode aprender a reagir certo. A calma é a pausa entre o estímulo e a resposta, ou seja, o intervalo em que decidimos como agir.

    Treinar essa pausa é o que diferencia quem se deixa dominar pelo estresse de quem consegue agir com clareza e assertividade. Manter a calma não elimina os desafios, mas permite enfrentá-los com lucidez, preservando a saúde física e emocional.

    Com o tempo, o autocontrole se torna automático, e situações que antes provocavam ansiedade passam a ser enfrentadas com segurança. A verdadeira força, afinal, está em permanecer tranquilo quando tudo ao redor parece exigir pressa.

    Veja mais: Trabalhar demais faz mal ao coração?

    Perguntas e respostas

    1. O que acontece com o corpo em situações de pressão?

    O cérebro ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, liberando adrenalina e cortisol. Isso acelera o coração e prepara o corpo para agir.

    2. Por que manter a calma é importante nesses momentos?

    Porque reduz os efeitos do estresse, melhora a clareza mental e evita decisões impulsivas.

    3. É possível treinar o cérebro para ser mais calmo?

    Sim. Com prática regular de respiração, pausas conscientes e reavaliação mental, o cérebro aprende a reagir com mais equilíbrio.

    4. O que ajuda a manter a calma no dia a dia?

    Dormir bem, praticar exercícios, manter uma alimentação equilibrada e reservar tempo para relaxar e se conectar com outras pessoas.

    5. O que fazer imediatamente quando sentir que perdeu o controle?

    Focar na respiração profunda e lenta, fazer uma breve pausa e observar o ambiente antes de agir.

    Não deixe de conferir: Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

  • Nariz sangrando: o que fazer na hora e quando procurar ajuda 

    Nariz sangrando: o que fazer na hora e quando procurar ajuda 

    Ver sangue escorrendo pelo nariz costuma causar susto, principalmente quando o episódio acontece de forma repentina ou em grande quantidade. Apesar da aparência alarmante, o sangramento nasal, chamado de epistaxe, é bastante comum e, na maioria das vezes, não representa um problema grave de saúde.

    A condição ocorre porque o nariz é uma região muito vascularizada e sensível. Pequenas agressões à mucosa nasal, alterações do clima ou inflamações já são suficientes para romper vasos superficiais e provocar o sangramento. Saber por que isso acontece, como agir corretamente e quando procurar ajuda médica faz toda a diferença para lidar com a situação com mais tranquilidade.

    O que é sangramento nasal?

    A epistaxe, conhecida popularmente como sangramento nasal, acontece quando há o rompimento de pequenos vasos sanguíneos dentro do nariz, fazendo com que o sangue escorra por uma ou pelas duas narinas.

    O nariz possui muitos vasos sanguíneos localizados logo abaixo da mucosa, principalmente em uma área chamada plexo de Kiesselbach, situada na parte anterior do septo nasal — a parede que separa as duas narinas.

    Por estarem muito próximos da superfície, esses vasos se rompem com facilidade, mesmo diante de pequenas irritações ou traumas.

    Por que o nariz sangra?

    A epistaxe pode surgir de forma espontânea ou estar associada a diferentes fatores. Entre os mais comuns estão:

    • Ar seco e clima frio: o ressecamento da mucosa nasal a deixa mais frágil, especialmente no inverno ou em ambientes com ar-condicionado.
    • Manipulação nasal: o hábito de colocar o dedo ou objetos no nariz é uma causa frequente, sobretudo em crianças.
    • Rinites e sinusites: inflamações da mucosa aumentam a fragilidade dos vasos sanguíneos.
    • Uso excessivo de sprays nasais: descongestionantes usados por tempo prolongado irritam e ressecam o nariz.
    • Traumas: pancadas, cirurgias nasais ou acidentes podem provocar sangramento.
    • Doenças do sangue: distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes e algumas doenças genéticas elevam o risco de epistaxe.

    A pressão alta não é uma causa direta do sangramento nasal. Em situações mais raras, ela pode contribuir para agravar ou facilitar a ocorrência do sangramento, mas não costuma ser o fator principal.

    Quem pode ter sangramento nasal?

    Qualquer pessoa pode apresentar um episódio de sangramento nasal ao longo da vida. No entanto, ele é mais comum em duas faixas etárias:

    • Crianças e adolescentes, principalmente por traumas e inflamações nasais;
    • Adultos mais velhos, nos quais o sangramento costuma estar relacionado à fragilidade da mucosa ou a doenças sistêmicas.

    Estima-se que cerca de 60% das pessoas terão ao menos um episódio de sangramento nasal ao longo da vida, mas apenas 10% necessitarão de atendimento médico.

    Tipos de sangramento nasal

    O sangramento nasal pode ser classificado de acordo com o local onde se inicia:

    Epistaxe anterior

    É a forma mais comum, correspondendo a cerca de 90% dos casos. O sangramento se origina na parte da frente do nariz e geralmente é fácil de controlar com medidas simples.

    Epistaxe posterior

    Mais rara e mais comum em pessoas idosas. O sangramento vem de vasos maiores e mais profundos, tende a ser mais intenso e frequentemente exige atendimento médico imediato.

    O que fazer em caso de sangramento nasal?

    Na maioria das situações, o sangramento pode ser controlado em casa com medidas simples:

    • Sente-se e incline o corpo levemente para frente, evitando engolir o sangue.
    • Comprima firmemente as narinas, com o polegar e o indicador, por 10 a 15 minutos, sem interromper.
    • Após o controle, aplique soro fisiológico ou spray nasal hidratante para ajudar na recuperação da mucosa.
    • Não incline a cabeça para trás, pois isso faz o sangue escorrer para a garganta e pode causar náuseas e vômitos.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante buscar um pronto atendimento se ocorrer:

    • Sangramento que não cessa após 15 minutos de compressão;
    • Episódios frequentes ou sangramentos intensos;
    • Tontura, fraqueza, sensação de desmaio ou vômitos com sangue;
    • Uso de anticoagulantes ou presença de doenças que alteram a coagulação;
    • Sangramento após trauma ou cirurgia nasal.

    Em casos mais graves, o médico pode realizar cauterização do vaso ou tamponamento nasal. A necessidade de cirurgia é rara.

    Como prevenir novos episódios de sangramento nasal?

    Alguns cuidados simples ajudam a reduzir o risco de recorrência:

    • Manter o nariz hidratado com soro fisiológico ou pomadas nasais;
    • Evitar mexer no nariz ou usar cotonetes internamente;
    • Utilizar umidificadores de ar em ambientes secos;
    • Evitar calor excessivo e ar muito seco;
    • Evitar esforço físico intenso nas 48 horas após um episódio.

    Confira: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

    Perguntas frequentes sobre sangramento nasal

    1. Sangramento nasal é sempre sinal de algo grave?

    Não. A maioria dos casos é benigna e se resolve com medidas simples.

    2. Crianças podem ter sangramento nasal com frequência?

    Sim. Em crianças, o sangramento costuma estar ligado a traumas e inflamações locais.

    3. Pressão alta causa sangramento nasal?

    Não diretamente. Em alguns casos raros, pode contribuir para agravar o sangramento.

    4. Inclinar a cabeça para trás ajuda a parar o sangramento?

    Não. Essa prática é incorreta e pode causar engasgos e náuseas.

    5. Quando o sangramento nasal exige cauterização?

    Quando os sangramentos são frequentes, intensos ou não cessam com compressão simples.

    Veja mais: Rinite alérgica ou resfriado: conheça as diferenças entre eles e como identificar

  • Biópsia de tumor: o que é e como é feita? 

    Biópsia de tumor: o que é e como é feita? 

    Especialistas consultados:

    Marilda da Costa Brandão, anatomopatologista. CRM-SP 54.670.

    Carlos Zelandi Filho, anatomopatologista. CRM-SP 52.702

    Quando surge a suspeita de um tumor, seja por alterações nos exames de imagem, sintomas que não passam ou avaliação clínica, a biópsia é o principal exame para confirmar ou descartar a presença de câncer.

    A partir dela, é possível analisar diretamente as células do tecido suspeito e identificar se existe crescimento anormal, se o processo é benigno ou maligno e quais características definem o comportamento da lesão.

    Existem diferentes tipos de biópsia, dependendo da localização e do tipo de tumor. Vamos entender, a seguir, como o exame é feito, o que o laudo mostra e quais cuidados devem ser tomados antes e depois do procedimento.

    O que é a biópsia e por que ela é importante?

    A biópsia consiste na retirada de uma pequena amostra de tecido ou células do corpo para análise em laboratório, a fim de identificar se há alterações nas células — como inflamação, infecção, crescimento anormal ou presença de células cancerígenas.

    Ela pode ser feita em praticamente qualquer parte do corpo, como pele, mama, pulmão, fígado, rim, ossos, útero, próstata, entre outros. O tipo de técnica utilizada depende da localização do tecido e da suspeita clínica.

    De maneira geral, a biópsia de tumor é o exame mais importante para confirmar ou descartar a presença de câncer. Quando um médico identifica uma lesão suspeita, a biópsia é o único método capaz de mostrar com precisão se há células malignas no tecido analisado.

    Para se ter uma ideia, o procedimento permite não apenas diagnosticar o câncer, mas também entender o tipo de tumor, o grau de agressividade e as características moleculares das células, informações fundamentais para definir o tratamento mais adequado.

    Como é feita a biópsia de um tumor?

    A biópsia de tumor é feita a partir da retirada de uma pequena amostra do tecido suspeito para análise laboratorial — e a forma como o material é coletado varia conforme o local do tumor, seu tamanho e a facilidade de acesso. Por isso, existem diferentes formas de biópsia, como:

    • Biópsia por agulha fina: utiliza uma agulha fina para retirar pequenas amostras de células. É indicada para nódulos superficiais, como os de mama, tireoide ou linfonodos;
    • Biópsia por agulha grossa (core biopsy): retira fragmentos maiores de tecido, permitindo uma análise mais detalhada. É feita com anestesia local e, em alguns casos, guiada por ultrassom, tomografia ou ressonância magnética;
    • Biópsia cirúrgica (incisional ou excisional): realizada quando o tumor é de difícil acesso ou quando é preciso retirar toda a lesão. A incisional remove apenas uma parte do tumor, enquanto a excisional retira o nódulo completo. Ela costuma ser feita em centro cirúrgico;
    • Biópsias endoscópicas: utilizadas em órgãos internos, como estômago, intestino, pulmões ou bexiga. O médico insere um endoscópio (tubo com câmera e pinça) para coletar o tecido.

    Após a retirada, o material é enviado ao laboratório para análise.

    A biópsia de tumor dói?

    A dor durante uma biópsia de tumor costuma ser mínima, pois a maioria dos procedimentos é realizada com anestesia local, que bloqueia a sensibilidade da região. O paciente pode sentir pressão, leve incômodo ou uma picada inicial, mas não sofre dor intensa durante a coleta do material.

    Depois do procedimento, é comum surgir um desconforto moderado ou sensação de cólica na área examinada, que costuma melhorar com analgésicos simples e repouso leve no mesmo dia. Na maior parte dos casos, a recuperação é rápida e o paciente retoma as atividades habituais em pouco tempo.

    Como o material da biópsia é analisado no laboratório?

    A análise do material de uma biópsia no laboratório envolve uma sequência precisa de etapas que garantem a preservação, preparo e interpretação correta do tecido coletado. A Sociedade Brasileira de Patologia explica o passo a passo:

    • A amostra retirada do nódulo é imediatamente colocada em um fixador adequado, composto por formol tamponado em concentração padronizada, preservando a estrutura celular até o material chegar ao laboratório;
    • A etapa de fixação determina a qualidade dos testes posteriores, já que a preservação correta do tecido é fundamental para identificar o tipo tumoral e orientar o tratamento;
    • O fragmento permanece no fixador, em temperatura ambiente, por um período controlado entre 12 e 24 horas, sem ultrapassar 48 horas;
    • Após esse intervalo, inicia-se a macroscopia, fase em que o material é examinado a olho nu para descrição de formato, textura, coloração e possíveis áreas que indiquem crescimento anormal;
    • Em seguida, o tecido passa pelo processamento histológico, com exposição a soluções químicas que promovem desidratação, clarificação e inclusão do material em um bloco de parafina;
    • O bloco é encaminhado ao micrótomo, aparelho que realiza cortes extremamente finos, entre três e cinco micrômetros, cerca de duzentas vezes menos que 1 milímetro. Cada fragmento é colocado em uma lâmina de vidro, corado e protegido com lamínula;
    • Concluído o preparo, ocorre a análise microscópica, na qual o patologista observa detalhes celulares, padrões de crescimento, organização do tecido e alterações que indicam benignidade ou malignidade.

    O laudo final é resultado da interpretação cuidadosa das imagens, integrando técnica, conhecimento científico e experiência do especialista.

    O que o laudo da biópsia de tumor mostra?

    O laudo da biópsia de um tumor reúne todas as informações microscópicas necessárias para entender a natureza da lesão e orientar o tratamento oncológico. É um documento detalhado, produzido após análise minuciosa do tecido coletado, que descreve características estruturais, biológicas e comportamentais das células examinadas.

    O laudo costuma incluir:

    • Confirmação diagnóstica: indica se há tumor benigno ou maligno, com nome do tipo histológico identificado;
    • Subtipo tumoral: descreve a classificação específica dentro da categoria principal;
    • Grau histológico: informa o quanto as células se assemelham às células normais do tecido;
    • Margens cirúrgicas: informa se o tumor foi removido com segurança ou se há restos microscópicos;
    • Invasão vascular/linfática: indica risco maior de disseminação;
    • Status de biomarcadores: auxilia na escolha de terapias direcionadas ou imunoterapia.

    Em alguns casos, o laudo pode incluir uma recomendação de biópsia complementar, quando o material analisado é insuficiente para confirmar o diagnóstico.

    Quais cuidados são necessários antes e depois da biópsia?

    Antes do exame de biópsia, o médico orienta sobre jejum, suspensão de remédios anticoagulantes e uso de anestésicos. Também podem ser solicitados exames de sangue para avaliar a coagulação e o estado geral de saúde.

    Após a biópsia, os cuidados variam conforme o tipo de procedimento:

    • Evitar esforços físicos nas primeiras 24 a 48 horas;
    • Manter o curativo limpo e seco;
    • Usar analgésicos prescritos, se houver dor;
    • Observar sinais de infecção.

    Quanto tempo leva o resultado da biópsia?

    O prazo varia conforme o tipo de exame e o laboratório, mas em geral, os resultados simples ficam prontos entre 5 e 10 dias úteis. Quando há necessidade de exames complementares, o tempo pode chegar a três semanas.

    Em situações urgentes, como durante uma cirurgia, é possível realizar uma biópsia intraoperatória, cujo resultado sai em minutos.

    Quando a biópsia de tumor é indicada?

    O exame é solicitado sempre que há uma lesão suspeita de câncer identificada em exames de imagem, alterações laboratoriais ou sintomas persistentes.

    • Presença de nódulos em diferentes órgãos;
    • Lesões de pele que mudam de aspecto;
    • Feridas que não cicatrizam;
    • Aumento de órgãos sem causa aparente.

    A decisão de realizar a biópsia é sempre individualizada.

    Há riscos na realização de uma biópsia de tumor?

    Apesar de ser um procedimento seguro, toda biópsia envolve pequenos riscos, como sangramento, infecção local e dor leve. Em casos raros, pode ocorrer necessidade de nova coleta.

    Vale destacar que a biópsia não espalha o câncer, sendo um mito comum entre pacientes.

    Perguntas frequentes

    1. Por que alguns médicos solicitam uma nova biópsia?

    Uma nova biópsia pode ser necessária quando o material inicial é inconclusivo ou quando há mudança no comportamento da lesão.

    2. O resultado da biópsia pode mudar o plano de tratamento?

    Sim. O laudo define o tipo de tumor e orienta a escolha do tratamento mais adequado.

    3. O que significa “margens livres” no laudo?

    Significa que não há células tumorais nas bordas do tecido retirado, indicando remoção completa da lesão.

    4. Como lidar com a ansiedade enquanto espera o resultado?

    Buscar apoio médico, evitar informações não confiáveis e contar com suporte emocional ajudam a enfrentar esse período.

    5. O que acontece se a biópsia for inconclusiva?

    O médico pode solicitar nova coleta ou exames complementares.

    6. A biópsia substitui outros exames?

    Não. Ela faz parte de um conjunto de exames clínicos, laboratoriais e de imagem para um diagnóstico completo.

    Especialistas consultados:

    Marilda da Costa Brandão, anatomopatologista. CRM-SP 54.670.

    Carlos Zelandi Filho, anatomopatologista. CRM-SP 52.702

  • Talassemia e traço talassêmico: entenda mais e saiba o que muda na prática 

    Talassemia e traço talassêmico: entenda mais e saiba o que muda na prática 

    As talassemias são doenças genéticas raras que afetam a produção da hemoglobina, a proteína responsável por transportar oxigênio no sangue. Apesar de muitas vezes serem diagnosticadas ainda na infância, algumas formas mais leves podem passar despercebidas por anos, sendo descobertas apenas em exames de rotina.

    Entender como essas doenças se manifestam, quais são seus diferentes tipos e quando há risco de formas mais graves é essencial, especialmente para o aconselhamento genético. Isso porque, mesmo indivíduos sem sintomas importantes podem carregar alterações capazes de impactar futuras gerações.

    O que são talassemias?

    As talassemias são doenças genéticas raras caracterizadas por mutações na estrutura da hemoglobina, a proteína presente nas hemácias responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Essas alterações resultam em produção inadequada das hemácias e aumento de sua destruição na circulação sanguínea.

    Devido à formação incorreta das células do sangue e às alterações estruturais da hemoglobina, o oxigênio não é transportado de forma eficiente, comprometendo a oxigenação dos tecidos do corpo.

    A hemoglobina é composta por duas cadeias principais de proteínas: cadeias alfa e cadeias beta. As talassemias surgem quando há defeitos na produção de uma dessas cadeias. A cadeia alfa depende de quatro genes, enquanto a cadeia beta depende de dois genes, o que explica a grande variação de gravidade da doença.

    As talassemias possuem herança autossômica recessiva, o que significa que ambos os pais precisam carregar pelo menos o traço da doença para que os filhos possam manifestar a forma clínica.

    Tipos de talassemia

    Alfa talassemia

    A alfa talassemia ocorre quando há produção reduzida ou ausência das cadeias alfa da hemoglobina. A gravidade da doença depende do número de genes afetados:

    • Perda de 1 gene: forma leve, geralmente assintomática;
    • Perda de 2 ou 3 genes: quadros variáveis, podendo causar anemia leve a moderada;
    • Perda de 4 genes: forma mais grave, incompatível com a vida, levando à hidropsia fetal e morte intrauterina.

    Em muitos casos leves, os pacientes não apresentam sintomas e o diagnóstico ocorre de forma incidental.

    Beta talassemia

    A beta talassemia é causada pela redução ou ausência da produção das cadeias beta da hemoglobina. A gravidade varia conforme o tipo de mutação presente nos dois genes responsáveis por sua produção.

    Existem mutações que causam apenas diminuição da produção e outras que levam à ausência completa. Quanto maior o comprometimento genético, mais grave será o quadro clínico, podendo evoluir para anemia severa e necessidade frequente de transfusões sanguíneas.

    Traço talassêmico

    O traço talassêmico representa a forma mais leve das talassemias e, na maioria das vezes, é assintomático.

    Na alfa talassemia: ocorre quando o indivíduo possui 3 genes normais e 1 alterado;

    Na beta talassemia: ocorre quando há 1 gene normal e 1 gene alterado.

    Esses pacientes geralmente não apresentam anemia ou apresentam apenas anemia leve.

    A principal importância do diagnóstico do traço talassêmico está no aconselhamento genético. Apesar de não apresentarem sintomas relevantes, esses indivíduos têm maior chance de ter filhos com formas mais graves da talassemia, dependendo da genética do parceiro ou parceira.

    Esse cuidado é especialmente importante na alfa talassemia, pois a forma mais grave é incompatível com a vida e o diagnóstico pode ser tardio durante a gestação.

    Principais sintomas

    Anemia

    A anemia é o achado mais frequente e pode variar de leve até severa, sendo mais intensa nas formas graves, como a talassemia major. No traço talassêmico, a anemia costuma ser ausente ou discreta.

    Sintomas de hemólise

    Nas formas moderadas a graves, ocorre destruição aumentada das hemácias (hemólise), levando a:

    • Pele amarelada (icterícia);
    • Aumento do fígado e do baço;
    • Elevação da bilirrubina no sangue, com aumento do risco de pedras na vesícula.

    Eritropoese extramedular

    Devido à produção ineficaz de hemácias na medula óssea, outros locais do corpo passam a produzir essas células, causando:

    • Deformidades ósseas;
    • Osteoporose;
    • Dores ósseas;
    • Sobrecarga de ferro;
    • Prejuízo do crescimento em crianças.

    Diagnóstico

    A suspeita diagnóstica ocorre diante de:

    • Histórico familiar de talassemia ou traço talassêmico;
    • Anemia sem causa aparente;
    • Idade de início dos sintomas sugestiva da gravidade.

    Nos exames de sangue, o achado mais comum é a anemia, com intensidade variável. Marcadores de hemólise, como aumento da bilirrubina, também podem estar presentes.

    A confirmação diagnóstica é feita por meio de:

    • Análise da hemoglobina;
    • Testes genéticos, quando disponíveis e indicados.

    Tratamento

    O tratamento da talassemia é individualizado e visa:

    • Corrigir ou controlar a anemia;
    • Reduzir os efeitos da eritropoese ineficaz;
    • Tratar complicações, como sobrecarga de ferro.

    As opções incluem:

    • Suplementação de vitaminas e ácido fólico;
    • Transfusões sanguíneas, nos casos moderados a graves.

    A suplementação de ferro não é recomendada, mesmo na presença de anemia, a menos que haja deficiência comprovada, devido ao risco de sobrecarga de ferro.

    Em casos mais graves, pode ser indicada a esplenectomia, que consiste na retirada cirúrgica do baço, como parte do manejo da doença.

    Leia também: Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar

    Perguntas frequentes sobre talassemias

    1. Talassemia é uma doença adquirida?

    Não. As talassemias são doenças genéticas, transmitidas de forma hereditária.

    2. Quem tem traço talassêmico precisa de tratamento?

    Na maioria dos casos, não. O principal cuidado é o aconselhamento genético.

    3. Talassemia sempre causa anemia grave?

    Não. A gravidade varia conforme o tipo e o número de genes afetados.

    4. Pessoas com talassemia podem tomar ferro?

    Não é recomendado, a menos que haja deficiência comprovada, devido ao risco de sobrecarga de ferro.

    5. A talassemia pode ser diagnosticada na gravidez?

    Sim. O diagnóstico pode ocorrer durante a gestação, especialmente em casos mais graves ou quando há investigação genética.

    Veja mais: Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

  • O que comer (e o que evitar) para dormir melhor 

    O que comer (e o que evitar) para dormir melhor 

    Dormir bem parece simples, mas o corpo funciona como um sistema integrado e aquilo que você coloca no prato pode determinar se a noite será tranquila ou marcada por insônia, agitação e despertares frequentes.

    A relação entre alimentação, digestão e qualidade do sono é estudada há anos, e hoje sabemos que o que comemos (e quando comemos) interfere diretamente nos hormônios, na digestão, na saúde do estômago e no funcionamento do relógio biológico.

    Desde refeições muito pesadas até o consumo de cafeína à noite, tudo influencia na forma como o corpo descansa. Também é bem comum que problemas digestivos, como refluxo gastroesofágico, interrompam o sono ou causem sensação de sufocamento durante a madrugada.

    A seguir, entenda como isso acontece e como ajustar sua alimentação para noites realmente reparadoras.

    Por que alimentação e sono estão tão conectados?

    A relação acontece por três caminhos principais:

    • Digestão;
    • Hormônios ligados à fome e saciedade;
    • Saúde digestiva, incluindo refluxo.

    Cada um deles influencia diretamente a qualidade do sono.

    1. Digestão: quando o estômago trabalha demais, o cérebro trabalha junto

    Durante a noite, o corpo entra em um estado de descanso metabólico. Mas quando fazemos refeições grandes, gordurosas ou muito tarde, isso muda completamente.

    O impacto da digestão pesada

    Refeições grandes exigem mais fluxo de sangue para o sistema digestivo, o que mantém o organismo em alerta.

    Isso pode causar:

    • Dificuldade para adormecer;
    • Sensação de estômago cheio;
    • Aumento da temperatura corporal (que prejudica o início do sono);
    • Sono leve e fragmentado.

    O ideal é fazer a última refeição 2 a 3 horas antes de deitar, com opções leves, moderadas em gordura e ricas em fibras.

    2. Refluxo gastroesofágico: um vilão noturno muito comum

    O refluxo ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago, causando queimação, tosse, desconforto no peito e, em alguns casos, sensação de sufocamento.

    À noite, o problema costuma piorar porque estamos deitados, pois a gravidade deixa de ajudar.

    Como a alimentação contribui para o refluxo noturno

    Alguns alimentos relaxam o esfíncter esofágico (uma “válvula” que impede o retorno do ácido), aumentando o risco de refluxo:

    • Frituras;
    • Alimentos muito gordurosos;
    • Café;
    • Chocolate;
    • Bebidas alcoólicas;
    • Refrigerantes;
    • Menta;
    • Alimentos apimentados;
    • Excesso de molho de tomate.

    Para quem sofre de refluxo, ajustes na refeição da noite fazem enorme diferença. Elevar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 cm também ajuda a reduzir sintomas noturnos.

    3. Nutrientes que ajudam (ou atrapalham) o sono

    Alimentos que favorecem o adormecer

    Alguns nutrientes estimulam a produção de serotonina e melatonina, hormônios essenciais para o sono:

    • Triptofano: está presente em leite, ovos, queijo, frango, banana;
    • Magnésio: presente no abacate, nas amêndoas e espinafre;
    • Carboidratos leves: ajudam o triptofano a chegar ao cérebro;
    • Fibras: estabilizam o açúcar no sangue durante a noite.

    Estudos mostram que refeições equilibradas evitam quedas e picos de glicemia, um fator que reduz despertares noturnos.

    O papel das proteínas

    Uma pequena porção de proteína magra na noite ajuda a manter saciedade sem sobrecarregar o estômago.

    Boas escolhas:

    • Iogurte natural;
    • Ovo;
    • Peito de frango;
    • Tofu.

    4. Alimentos e hábitos que prejudicam o sono

    Cafeína

    Café, chás pretos, chá verde, chimarrão, refrigerantes e chocolate.

    A cafeína pode permanecer ativa no corpo por 6 a 8 horas, dificultando o início do sono.

    Álcool

    Apesar de dar sensação de relaxamento, o álcool reduz drasticamente a fase REM do sono, que é essencial para memória, regulação emocional e restauração do cérebro.

    Açúcar e ultraprocessados

    Estimulam picos glicêmicos, que podem gerar despertares e maior fragmentação do sono.

    5. Horários importam tanto quanto escolhas alimentares

    O corpo funciona como um relógio, e a alimentação é um dos principais “marcadores” do ritmo circadiano.

    Diretrizes de sono recomendam:

    • Jantar cedo;
    • Evitar beliscar tarde da noite;
    • Manter regularidade nos horários das refeições.

    Quando o corpo recebe sinais claros de rotina, dorme melhor.

    6. Quanto a hidratação interfere no sono?

    Beber água é essencial, mas excesso próximo da hora de dormir aumenta as idas ao banheiro.

    O ideal é:

    • Hidratar-se ao longo do dia;
    • Reduzir o volume de líquidos 1 a 2 horas antes de deitar;

    7. Quem tem insônia ou refluxo deve procurar ajuda médica

    Insônia crônica, despertares frequentes ou refluxo que atrapalha o sono devem ser avaliados por um profissional. O tratamento precoce evita complicações, melhora o bem-estar e restaura a energia diária.

    Veja também: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

    Perguntas frequentes sobre sono e alimentação

    1. É normal sentir sono pesado depois de comer mal?

    Sim. Refeições muito gordurosas ou grandes sobrecarregam a digestão e atrapalham o sono.

    2. Leite realmente ajuda a dormir?

    Para algumas pessoas sim, porque contém triptofano. Mas não funciona sozinho se o resto dos hábitos estiver desregulado.

    3. Comer fruta à noite engorda ou atrapalha o sono?

    Não. Frutas leves podem até ajudar, principalmente as ricas em triptofano.

    4. Posso tomar café à tarde sem prejudicar meu sono?

    Depende da sensibilidade individual, mas a orientação é evitar cafeína após as 14h ou 15h.

    5. Quem tem refluxo precisa cortar tudo?

    Não necessariamente. Ajustar horários, quantidades e alimentos gatilho já faz grande diferença.

    6. Chá ajuda a relaxar?

    Sim, desde que sem cafeína (camomila, erva-doce, melissa).

    7. Jejum noturno melhora o sono?

    Não é indicado como estratégia primária. Comer leve e cedo é mais seguro e eficaz.

    Leia mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

  • Endocardite é grave? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

    Endocardite é grave? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

    Você já ouviu falar em endocardite? A infecção, normalmente causada por bactérias, atinge o revestimento interno do coração e, principalmente, as válvulas cardíacas, estruturas responsáveis por controlar o fluxo de sangue dentro do órgão.

    Apesar de não ser tão comum, ela pode ter consequências sérias quando não diagnosticada e tratada rapidamente. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que é endocardite?

    A endocardite é uma infecção grave que atinge o revestimento interno do coração e, principalmente, as válvulas cardíacas. Na maioria dos casos, ela ocorre quando microrganismos (como bactérias ou fungos) entram na corrente sanguínea e se fixam em áreas do coração que já possuem alguma fragilidade ou lesão.

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, quando isso acontece, eles formam pequenos aglomerados chamados vegetações, compostos por germes, células de defesa do organismo e coágulos de sangue. As vegetações costumam se fixar nas válvulas do coração, onde passam a crescer.

    Com o tempo, as vegetações podem danificar as válvulas, fazendo com que o coração precise trabalhar mais para bombear o sangue. Isso pode levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca, que é quando o coração não consegue mais bombear o sangue de forma eficiente.

    Para complementar, pedaços das vegetações podem se soltar e viajar pela corrente sanguínea — o que pode causar entupimentos em vasos do cérebro, levando a um AVC, ou atingir os pulmões, causando embolia pulmonar.

    Causas da endocardite

    A endocardite é causada quando microrganismos, principalmente bactérias, entram na corrente sanguínea e conseguem se fixar no coração, especialmente nas válvulas cardíacas.

    Isso costuma acontecer em duas etapas. Primeiro, as bactérias entram no sangue, o que pode ocorrer em situações comuns do dia a dia, como:

    • Infecções na boca e na gengiva;
    • Procedimentos dentários que causam sangramento;
    • Feridas na pele;
    • Infecções urinárias, respiratórias ou na pele;
    • Uso de agulhas, como em drogas injetáveis, piercings ou tatuagens mal higienizados;
    • Cirurgias ou procedimentos invasivos.

    Depois, as bactérias que estão circulando no sangue encontram um local no coração onde conseguem se fixar, formando as vegetações.

    Quem tem mais risco de desenvolver a endocardite?

    Existem algumas condições que aumentam o risco de desenvolver endocardite, segundo Juliana. É importante destacar que é incomum a endocardite ocorrer em pessoas que não apresentem pelo menos um desses fatores de risco.

    As principais pessoas em maior risco são:

    • Pessoas com doença nas válvulas cardíacas, como aquelas que tiveram sequelas da febre reumática ou que apresentam degeneração das válvulas;
    • Pessoas que possuem válvula cardíaca artificial, seja prótese mecânica ou biológica;
    • Pessoas com doença cardíaca congênita, ou seja, que nasceram com alguma alteração na estrutura do coração;
    • Usuários de drogas injetáveis, já que o uso de agulhas facilita a entrada de bactérias na corrente sanguínea;
    • Pessoas que já tiveram endocardite no passado, pois o risco de ter novamente é maior.

    As condições tornam o coração mais vulnerável à fixação das bactérias, facilitando o desenvolvimento da infecção.

    Quais os sintomas mais comuns da endocardite?

    A endocardite é uma doença complexa e pode causar diversos sinais e sintomas. Os mais comuns incluem:

    • Febre persistente;
    • Calafrios;
    • Cansaço intenso (fadiga);
    • Dores nas articulações;
    • Dor no peito, principalmente ao respirar;
    • Nódulos dolorosos nas pontas dos dedos, chamados nódulos de Osler;
    • Manchas arroxeadas, indolores, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, conhecidas como lesões de Janeway.

    Juliana explica que o sinal mais clássico da endocardite é o sopro cardíaco. Ele pode aparecer como um novo sopro ou como uma mudança em um sopro que a pessoa já tinha antes.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da endocardite é feito a partir da avaliação clínica, os sintomas e o exame físico. Durante o exame clínico, Juliana explica que o médico pode identificar sinais importantes, como a presença de sopros no coração ou outras alterações que levantam a suspeita de endocardite.

    Além da avaliação clínica, dois exames são fundamentais para confirmar o diagnóstico, como:

    • Hemocultura: exame de sangue no qual a amostra é colocada em cultura para identificar qual bactéria está presente na corrente sanguínea e causando a infecção;
    • Ecocardiograma: é uma ultrassom do coração que permite visualizar as válvulas e identificar as vegetações, e pode ser feito de duas formas: transtorácica, com o aparelho sobre o tórax, e transesofágica, com uma sonda pelo esôfago, que oferece imagens mais detalhadas e é a melhor para visualizar as vegetações.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar atendimento médico o quanto antes se apresentar sinais ou situações que possam indicar endocardite, como:

    • Febre persistente, que dura vários dias ou não melhora com remédios comuns;
    • Cansaço intenso, fraqueza ou mal-estar sem explicação;
    • Calafrios, suores noturnos ou perda de peso sem motivo aparente;
    • Dor no peito, falta de ar ou palpitações;
    • Manchas, nódulos ou alterações na pele, principalmente nas mãos, pés ou dedos;
    • Surgimento de um novo sopro no coração ou mudança em um sopro já existente.

    A atenção deve ser ainda maior em pessoas que têm válvulas cardíacas doentes ou próteses valvares, possuem doença cardíaca congênita, já tiveram endocardite ou usam drogas injetáveis.

    Tratamento de endocardite

    O tratamento de endocardite é feito com o uso de antibióticos aplicados diretamente na veia. Segundo Juliana, na maioria dos casos, o paciente precisa ficar internado recebendo antibióticos por um período prolongado, que normalmente varia de quatro a seis semanas.

    Em cerca de metade dos casos, também é necessário realizar uma cirurgia para substituir a válvula do coração que foi danificada pela infecção.

    A cirurgia é indicada quando a infecção não melhora com os antibióticos, quando a válvula está muito destruída e passa a causar insuficiência cardíaca, ou quando existem vegetações ou coágulos grandes, que aumentam o risco de que pedaços se soltem e provoquem embolias em outros órgãos.

    Como prevenir a endocardite?

    A principal forma de prevenir a endocardite é evitar que bactérias entrem na corrente sanguínea. As principais medidas são:

    • Manter uma boa higiene bucal, com escovação adequada, uso de fio dental e visitas regulares ao dentista, pelo menos duas vezes ao ano;
    • Cuidar bem da pele, mantendo cortes e feridas sempre limpos e protegidos para evitar infecções;
    • Evitar piercings e tatuagens, especialmente em pessoas com maior risco, pois são portas de entrada para bactérias;
    • Evitar piercings na língua ou em mucosas, que aumentam ainda mais o risco de infecção;
    • Usar antibiótico preventivo (profilaxia antibiótica) antes de procedimentos dentários invasivos, quando indicado pelo médico.

    A profilaxia antibiótica é recomendada para pessoas com alto risco de endocardite, como quem já teve a doença, quem possui válvulas cardíacas artificiais ou quem tem doença cardíaca congênita.

    Confira: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    A endocardite é uma doença contagiosa?

    Não, a endocardite não é uma doença contagiosa e não passa de uma pessoa para outra pelo contato direto, como acontece com gripes ou infecções respiratórias.

    A endocardite pode causar AVC?

    Pode, e isso é uma das complicações mais graves. As bactérias formam pequenas massas nas válvulas do coração, e pedaços delas podem se soltar e viajar pelo sangue. Se chegarem ao cérebro, podem causar um AVC. Por isso, a endocardite é considerada uma emergência médica.

    Quanto tempo leva para a endocardite se desenvolver após uma infecção?

    A endocardite pode se desenvolver dias ou semanas depois de uma bactéria entrar na corrente sanguínea. Às vezes, a infecção inicial já passou, como uma inflamação na garganta ou um problema dentário, mas as bactérias já se fixaram no coração e continuam causando danos.

    Quanto tempo dura o tratamento?

    O tratamento dura, em média, de quatro a seis semanas com antibióticos na veia. Durante o período, o paciente geralmente fica internado para garantir que a infecção seja totalmente eliminada.

    A endocardite pode afetar outros órgãos além do coração?

    Sim, as bactérias ou coágulos podem atingir pulmões, rins, cérebro e outros órgãos, causando embolias e infecções secundárias.

    Crianças podem ter endocardite?

    Sim, especialmente crianças com cardiopatia congênita, ou seja, que nasceram com problemas no coração. Embora seja menos comum que em adultos, a endocardite em crianças pode ser grave e exige tratamento rápido.

    Como saber se uma febre pode ser endocardite?

    Uma febre que dura vários dias, que não melhora com remédios comuns, acompanhada de cansaço, dor no peito, falta de ar ou sopro no coração deve levantar suspeita, especialmente em quem tem problema cardíaco. Nesses casos, é fundamental procurar um médico.

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