Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

Pessoa segurando um comprimido e um copo de água, representando o uso do medicamento oral Orforglipron para emagrecimento ou tratamento do diabetes.

O orforglipron é um medicamento de via oral que pertence à classe dos análogos de GLP-1 e recentemente foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

Ao contrário de treatments populares como o Ozempic e o Wegovy (semaglutida), que exigem aplicações de injeções subcutâneas semanais, o novo remédio é um comprimido de uso diário.

No Brasil, o remédio ainda não foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado.

“Apesar de se tratar de um mecanismo de ação já conhecido, ele chamou a atenção por ser mais uma opção no tratamento dessas doenças e principalmente por ser um agonista sintético não peptídico. Isso é inovador”, aponta o endocrinologista André Colapietro.

O que é o orforglipron?

O orforglipron, comercializado nos Estados Unidos com o nome comercial Foundayo, é um medicamento de uso oral, em formato de comprimido diário, desenvolvido para o tratamento da obesidade, do sobrepeso com comorbidades e do diabetes tipo 2. Ele pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, a mesma de compostos injetáveis como a semaglutida e a tirzepatida.

Segundo André, um dos principais diferenciais do orforglipron é o fato de ser administrado por via oral, sem necessidade de jejum prolongado ou cuidados muito específicos com horários e alimentação. Porém, as recomendações definitivas dependem ainda da aprovação regulatória final e da bula oficial.

“Muitas pessoas têm resistência ao uso de injeções, medo de agulhas ou dificuldade prática de armazenamento e aplicação. Um comprimido diário pode tornar o tratamento mais confortável e aceitável para parte dos pacientes”, aponta André.

Como o orforglipron funciona no corpo?

O medicamento atua imitando a ação do hormônio natural GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições. No corpo, ele desempenha funções importantes para a perda de peso e controle glicêmico, como:

  • Sinalização de saciedade: atua nos receptores do cérebro para reduzir o apetite e aumentar a sensação de que o corpo já está alimentado;
  • Retardo no esvaziamento gástrico: faz com que a comida permaneça mais tempo no estômago, prolongando a saciedade ao longo do dia;
  • Regulação da glicose: estimula a liberação de insulina pelo pâncreas apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos, além de diminuir a produção de glicose pelo fígado.

Diferente das versões injetáveis, André esclarece que o orforglipron é uma molécula não peptídica. Na prática, isso significa que ele foi estruturado quimicamente para resistir aos ácidos e enzimas do sistema digestivo, permitindo que seja totalmente absorvido pelo estômago de forma direta.

Qual a diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1, como Ozempic?

A principal diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1 está na estrutura química e na forma de uso.

Enquanto a semaglutida, por exemplo, é composto por proteínas que seriam destruídas pelo estômago se fossem engolidas, precisando de uma aplicação por injeção semanal e armazenamento em geladeira, o orforglipron é uma molécula menor e mais estável, que resiste aos ácidos digestivos e pode ser consumida diariamente como um comprimido guardado em temperatura ambiente.

O remédio também contorna as limitações da semaglutida oral já existente no mercado, pois dispensa a necessidade de jejum rígido e restrição de água, podendo ser tomado a qualquer hora do dia com ou sem alimentos.

Por fim, estudos clínicos de fase 3, publicados no periódico The Lancet, compararam diretamente o desempenho do orforglipron com a semaglutida oral no tratamento do diabetes tipo 2 e perda de peso.

O orforglipron, nas doses mais altas, apresentou resultados melhores, reduzindo a hemoglobina glicada (exame que reflete a média da glicose no sangue) em cerca de 1,9 a 2,2 pontos percentuais e promovendo uma perda de peso média de até 9,2% em um ano.

Já a semaglutida oral, nas doses avaliadas no mesmo estudo, reduziu a hemoglobina glicada em cerca de 1,4 ponto percentual e o peso corporal em aproximadamente 5,3%.

Ambos causam os mesmos efeitos gastrointestinais, mas como o orforglipron é uma molécula mais potente no estômago, a taxa de pessoas que interromperam o tratamento por efeitos colaterais foi ligeiramente maior quando comparada às que usavam semaglutida oral.

Quanto o Orforglipron promete emagrecer?

Os resultados dos estudos indicam que o potencial de emagrecimento do orforglipron depende da dose utilizada e do tempo de tratamento.

Segundo um estudo publicado em 2024 na revista científica Obesity Science & Practice, o orforglipron promoveu uma perda de peso média entre 5,5% e 8,8% do peso corporal após cerca de 26 semanas de tratamento, dependendo da dose utilizada. Os melhores resultados foram observados com as doses de 24 mg e 36 mg por dia.

Dados mais recentes de um estudo de fase 3, publicado em 2025 no The New England Journal of Medicine (NEJM), mostraram resultados ainda mais expressivos. Após 72 semanas de tratamento, os participantes que utilizaram 36 mg de orforglipron perderam, em média, 11,2% do peso corporal, enquanto o grupo placebo perdeu 2,1%.

Além disso, no grupo que recebeu a dose de 36 mg, 54,6% dos participantes perderam pelo menos 10% do peso corporal, 36% perderam ao menos 15% e 18,4% alcançaram uma redução igual ou superior a 20% do peso inicial.

Na prática, isso significa que uma pessoa com 100 kg poderia perder, em média, cerca de 11 kg ao longo de aproximadamente um ano e meio de tratamento. Em alguns casos, a perda pode ser ainda maior, especialmente quando o medicamento é associado a mudanças na alimentação e à prática regular de atividade física.

Quais são os efeitos colaterais do medicamento?

Os efeitos colaterais do orforglipron são muito semelhantes aos observados em outros medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 (como o Ozempic e o Mounjaro):

  • Náuseas e enjoos;
  • Vômitos;
  • Diarreia;
  • Constipação (prisão de ventre);
  • Sensação de estufamento, gases ou cólicas leves;
  • Diminuição acentuada do apetite.

Os sintomas costumam se manifestar com maior intensidade no início do tratamento ou logo após o aumento das doses, tendendo a diminuir ou desaparecer à medida que o corpo se adapta à medicação.

Como acontece com qualquer medicamento dessa classe, quadros mais graves, como inflamação no pâncreas (pancreatite) ou problemas na vesícula biliar, são considerados raros, mas precisam de acompanhamento e monitoramento médico rigoroso durante o tratamento.

“Cada organismo responde de maneira diferente, e o acompanhamento médico é importante para avaliar a tolerabilidade e segurança”, complementa André.

Cuidados quanto ao medicamento

Apesar dos resultados promissores, o orforglipron não funciona como uma solução isolada para a obesidade. Segundo André, ele depende de avaliação individualizada, mudanças de hábitos, acompanhamento médico e manejo de expectativas realistas.

“Além disso, resultados divulgados em estudos costumam representar médias populacionais, acompanhamento rigoroso e progressão até a dose máxima e não garantem que todos terão a mesma resposta, pode existir variação individual nos resultados, além das outras variáveis envolvidas no processo do tratamento”, destaca o especialista.

Também é importante considerar os possíveis efeitos colaterais, as contraindicações, os custos do tratamento e a necessidade de acompanhamento médico a longo prazo.

Quando o Orforglipron chega ao mercado?

No Brasil, o medicamento ainda não está disponível para compra e não tem uma data exata de lançamento definida. Para chegar às farmácias brasileiras, a farmacêutica Eli Lilly precisa submeter os dados completos de eficácia e segurança à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e obter o registro sanitário.

Após a aprovação da Anvisa, o medicamento ainda precisará passar pela definição de preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), um processo que costuma levar alguns meses até que o produto chegue efetivamente às prateleiras.

Perguntas frequentes

1. O orforglipron já foi aprovado?

Sim. Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu aprovação da agência regulatória FDA (Food and Drug Administration) e foi batizado com o nome comercial Foundayo.

2. Precisa tomar o orforglipron em jejum?

Não. Esse é um dos seus grandes diferenciais em relação aos outros comprimidos da mesma classe. O orforglipron pode ser tomado a qualquer hora do dia, com ou sem alimentos, e com qualquer quantidade de água.

3. O orforglipron serve para tratar diabetes?

Sim. No tratamento do diabetes tipo 2, ele ajuda o pâncreas a liberar insulina de forma inteligente (apenas quando o açúcar no sangue está alto) e reduz a produção de glicose pelo fígado.

4. O remédio é seguro para o estômago?

A maioria dos efeitos colaterais é considerada de leve a moderada, mas por ser um comprimido digerido diretamente no estômago, ele causou um pouco mais de desconforto gástrico nos testes do que as versões injetáveis, levando alguns pacientes a abandonarem o tratamento.

5. Ele causa hipoglicemia (queda drástica de açúcar no sangue)?

O risco de hipoglicemia é muito baixo quando o orforglipron é usado sozinho, porque ele só estimula a produção de insulina se os níveis de açúcar no sangue estiverem elevados. O risco aumenta apenas se ele for combinado com remédios antigos para diabetes, como a insulina sintética.

6. O orforglipron vai precisar de receita médica?

Sim. Assim como todos os análogos de GLP-1, se aprovado pela Anvisa, sua venda provavelmente só será permitida mediante receita médica.