Tag: agonistas do GLP-1

  • Como evitar deficiências nutricionais com as canetas emagrecedoras?

    Como evitar deficiências nutricionais com as canetas emagrecedoras?

    Em qualquer tratamento que envolva a perda de peso, o acompanhamento médico e nutricional deve acontecer de forma constante — e não seria diferente com o uso de agonistas de GLP-1, medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.

    Eles atuam controlando a fome e retardando o esvaziamento do estômago, o que prolonga a saciedade e, consequentemente, reduz o consumo de alimentos. Se não houver um plano alimentar individualizado, isso pode resultar em deficiências nutricionais, que comprometem o bem-estar e a saúde ao longo do tratamento, inclusive tornando o processo de emagrecimento mais desgastante.

    Como as canetas emagrecedoras atuam no emagrecimento?

    As canetas emagrecedoras, como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), atuam principalmente por meio da regulação do apetite e do metabolismo, interferindo em áreas específicas do cérebro responsáveis pela fome e saciedade.

    Elas imitam a ação de um hormônio natural do corpo, o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), que é liberado pelo intestino após as refeições. Ele envia sinais ao cérebro informando que o organismo está satisfeito, o que diminui o consumo de alimentos.

    Somado a isso, as canetas também retardam o esvaziamento do estômago, fazendo com que a sensação de saciedade dure por mais tempo. Com isso, a pessoa tende a comer menos e de forma mais controlada ao longo do dia — o que cria um ambiente metabólico favorável ao emagrecimento.

    Por que o uso pode causar deficiências nutricionais?

    As deficiências nutricionais podem acontecer porque os agonistas GLP-1 reduzem de forma significativa o apetite e, como resultado, a ingestão de alimentos. Quando a pessoa passa a comer menos, o corpo pode deixar de receber quantidades adequadas de vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais, como explica a nutricionista Bárbara Yared.

    Portanto, mesmo que a pessoa consiga emagrecer, a restrição alimentar prolongada, sem acompanhamento nutricional adequado, cria um desequilíbrio que pode afetar desde a imunidade até a saúde da pele, cabelos e músculos.

    A redução significativa da ingestão calórica também interfere na absorção de nutrientes. Como o esvaziamento do estômago é mais lento, o processo digestivo passa por algumas alterações, comprometendo a absorção de ferro, cálcio, vitamina B12 e outras substâncias.

    Para complementar, o enjoo e a sensação de saciedade precoce, efeitos comuns nas primeiras semanas, levam muitas pessoas a evitarem refeições completas ou variados grupos alimentares.

    Quais os riscos das deficiências nutricionais?

    Os riscos das deficiências nutricionais são muitos e podem afetar o corpo de várias formas, como:

    • Perda de massa muscular;
    • Fraqueza e fadiga frequente;
    • Queda de cabelo;
    • Pele e unhas mais frágeis;
    • Redução da imunidade;
    • Dificuldade de concentração;
    • Alterações no humor;

    Em situações mais graves, podem surgir quadros de anemia, enfraquecimento dos ossos (osteopenia), alterações hormonais e até dificuldades de concentração ou raciocínio.

    Como prevenir deficiências nutricionais usando canetas emagrecedoras?

    Antes de tudo, é importante destacar que o uso de agonistas de GLP-1 deve ser feito apenas com prescrição médica. Todo o tratamento precisa ter acompanhamento médico e nutricional, já que cada organismo reage de forma diferente aos medicamentos e às mudanças alimentares.

    No dia a dia, existem algumas estratégias que podem ajudar a prevenir deficiências nutricionais e manter o equilíbrio do corpo, como:

    Fracionar as refeições ao longo do dia

    Como o apetite tende a diminuir com o uso de agonistas GLP-1, Bárbara orienta a fracionar a alimentação em pequenas porções distribuídas ao longo do dia. O hábito de comer em intervalos regulares evita longos períodos de jejum e ajuda o corpo a receber nutrientes de forma contínua. Ah, e pequenas refeições equilibradas também reduzem o risco de enjoo, que é comum nas primeiras semanas do tratamento.

    Montar pratos equilibrados nas refeições principais

    Nas principais refeições, como almoço e jantar, o ideal é montar pratos balanceados, como:

    • 1/3 de carboidratos integrais, como arroz integral, batata-doce ou quinoa;
    • 1/3 de proteínas, como frango, peixe, ovos, carne magra ou leguminosas;
    • 1/3 de vegetais, preferindo uma boa variedade de cores para garantir diferentes vitaminas e minerais.

    Ter um equilíbrio ajuda a preservar a massa magra, sustenta por mais tempo e garante que o corpo receba energia suficiente para as atividades do dia a dia.

    Incluir gorduras boas nas refeições

    As gorduras boas são tipos de lipídios que ajudam a manter várias funções vitais em equilíbrio. Elas participam da produção de hormônios, protegem o coração, auxiliam na absorção de vitaminas (A, D, E e K) e contribuem para o bom funcionamento do cérebro.

    As gorduras são divididas em dois grupos, sendo eles:

    Monoinsaturadas: ajudam a reduzir o colesterol ruim (LDL) e aumentar o colesterol bom (HDL). Estão presentes em alimentos como azeite de oliva, abacate, amêndoas, castanhas e amendoim;

    Poli-insaturadas: incluem os famosos ômega-3 e ômega-6, que têm ação anti-inflamatória e são importantes para o sistema nervoso e imunológico. Podem ser encontradas em peixes como salmão, sardinha e atum, além de sementes de chia, linhaça e nozes.

    Apesar de saudáveis, as gorduras devem ser consumidas com moderação. Pequenas porções já são suficientes para oferecer benefícios sem prejudicar o controle de peso.

    Considerar opções nutritivas e leves

    Quando o apetite está muito reduzido, pode ser difícil atingir a quantidade ideal de nutrientes apenas com comida sólida. Nessas situações, podem ser incluídas vitaminas proteicas, shakes equilibrados ou sopas completas, sempre com orientação profissional. Elas ajudam a manter a ingestão adequada de proteínas e micronutrientes, evitando carências nutricionais.

    Fazer acompanhamento regular com exames

    Durante o tratamento com as canetas emagrecedoras, realizar exames periódicos é necessário para monitorar níveis de ferro, cálcio, vitamina B12, vitamina D e outros nutrientes. A avaliação constante ajuda a identificar precocemente qualquer sinal de deficiência e permite ajustar o plano alimentar antes que o problema evolua.

    Ainda, os resultados laboratoriais orientam o médico e o nutricionista na decisão sobre possíveis suplementações ou mudanças na dieta. Em alguns casos, pode ser necessário reforçar o consumo de determinados alimentos ou incluir vitaminas e minerais em cápsulas ou líquidos, de acordo com a necessidade de cada um.

    Leia também: Canetas emagrecedoras: como evitar o efeito rebote no emagrecimento?

    Quando o uso de suplementos é necessário?

    O uso de suplementos alimentares pode ser necessário quando a alimentação, mesmo quando bem planejada, não consegue suprir todas as necessidades nutricionais do organismo durante o tratamento com as canetas emagrecedoras.

    A indicação deve sempre ser feita por um profissional de saúde, após a análise de exames laboratoriais. Quando existe uma deficiência comprovada de nutrientes como ferro, vitamina B12, vitamina D, cálcio ou proteínas, o médico ou o nutricionista pode definir o tipo, a dose e o tempo de uso mais adequado. O uso depende sempre da avaliação individual, segundo Bárbara.

    Sinais de alerta de deficiências nutricionais

    Os principais sinais de que o corpo está com deficiências nutricionais são, de acordo com Bárbara:

    • Cansaço e fraqueza;
    • Fadiga constante;
    • Sonolência excessiva;
    • Falta de ar;
    • Infecções frequentes, como gripes e resfriados;
    • Cicatrização lenta de feridas;
    • Unhas quebradiças;
    • Queda de cabelo;
    • Constipação;
    • Dores abdominais.

    Se algum desses sinais aparecer, é importante procurar um médico para realizar exames e identificar possíveis deficiências antes que elas se tornem mais sérias.

    Veja mais: Canetas emagrecedoras: saiba como evitar a perda de massa muscular

    Perguntas frequentes sobre deficiências nutricionais

    1. Quem pode usar medicamentos agonistas de GLP-1?

    Os agonistas GLP-1, como Ozempic, são indicados para adultos com diagnóstico de obesidade, ou de sobrepeso com doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto ou apneia do sono.

    O uso deve sempre ser avaliado e prescrito por um médico, que analisará o histórico clínico, possíveis contraindicações e os objetivos do tratamento. O uso recreativo, estético ou sem acompanhamento profissional não é recomendado, pois pode causar efeitos colaterais graves. Nunca se automedique!

    2. Quais são os principais efeitos colaterais das canetas emagrecedoras?

    Os efeitos mais comuns aparecem nas primeiras semanas de uso e costumam ser leves e temporários, sendo eles:

    • Náuseas;
    • Dor de estômago;
    • Gases;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Azia;
    • Sensação de estufamento.

    Os sintomas normalmente diminuem à medida que o corpo se adapta, mas ainda é importante manter o acompanhamento médico e relatar qualquer desconforto, já que o ajuste da dose ou a mudança na forma de administração podem amenizar os efeitos.

    3. É possível manter os resultados após parar o uso?

    Sim, mas depende do estilo de vida adotado durante o tratamento. O medicamento ajuda a controlar o apetite e criar novos hábitos, mas, ao suspender o uso, o corpo tende a retomar o comportamento anterior se não houver uma reeducação alimentar sólida.

    Para manter o peso, é preciso continuar com uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e acompanhamento médico. Alguns profissionais também recomendam uma transição gradual para evitar o “efeito rebote”.

    4. O uso de canetas de GLP-1 substitui dieta e exercícios?

    Não! O remédio deve ser visto como um apoio no processo de emagrecimento, mas não substitui a importância de uma alimentação equilibrada e da prática regular de atividades físicas.

    A combinação entre remédio, dieta e exercício é o que garante resultados mais saudáveis. Sem isso, o corpo tende a recuperar todo o peso perdido assim que o tratamento termina.

    5. O que comer durante o tratamento com agonistas de GLP-1?

    Durante o uso de canetas emagrecedoras, a prioridade é comer alimentos leves, nutritivos e de fácil digestão. Uma ideia é montar pratos equilibrados com proteínas magras (frango, peixe, ovos), carboidratos integrais (arroz integral, quinoa, batata-doce) e vegetais variados.

    As refeições devem ser pequenas, fracionadas e distribuídas ao longo do dia para evitar enjoo e garantir energia constante.

    6. Quais alimentos evitar durante o uso de canetas emagrecedoras?

    O recomendado, durante e após o tratamento, é evitar o consumo de bebidas alcoólicas, refrigerantes, alimentos ultraprocessados e frituras. Também é bom limitar o consumo de doces e carboidratos simples, que podem causar picos de glicemia e atrapalhar o controle do apetite.

    O ideal é priorizar comidas naturais, ricas em fibras e proteínas, que sustentam por mais tempo e protegem a massa magra.

    Confira: 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras

  • Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    O orforglipron é um medicamento de via oral que pertence à classe dos análogos de GLP-1 e recentemente foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

    Ao contrário de treatments populares como o Ozempic e o Wegovy (semaglutida), que exigem aplicações de injeções subcutâneas semanais, o novo remédio é um comprimido de uso diário.

    No Brasil, o remédio ainda não foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado.

    “Apesar de se tratar de um mecanismo de ação já conhecido, ele chamou a atenção por ser mais uma opção no tratamento dessas doenças e principalmente por ser um agonista sintético não peptídico. Isso é inovador”, aponta o endocrinologista André Colapietro.

    O que é o orforglipron?

    O orforglipron, comercializado nos Estados Unidos com o nome comercial Foundayo, é um medicamento de uso oral, em formato de comprimido diário, desenvolvido para o tratamento da obesidade, do sobrepeso com comorbidades e do diabetes tipo 2. Ele pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, a mesma de compostos injetáveis como a semaglutida e a tirzepatida.

    Segundo André, um dos principais diferenciais do orforglipron é o fato de ser administrado por via oral, sem necessidade de jejum prolongado ou cuidados muito específicos com horários e alimentação. Porém, as recomendações definitivas dependem ainda da aprovação regulatória final e da bula oficial.

    “Muitas pessoas têm resistência ao uso de injeções, medo de agulhas ou dificuldade prática de armazenamento e aplicação. Um comprimido diário pode tornar o tratamento mais confortável e aceitável para parte dos pacientes”, aponta André.

    Como o orforglipron funciona no corpo?

    O medicamento atua imitando a ação do hormônio natural GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições. No corpo, ele desempenha funções importantes para a perda de peso e controle glicêmico, como:

    • Sinalização de saciedade: atua nos receptores do cérebro para reduzir o apetite e aumentar a sensação de que o corpo já está alimentado;
    • Retardo no esvaziamento gástrico: faz com que a comida permaneça mais tempo no estômago, prolongando a saciedade ao longo do dia;
    • Regulação da glicose: estimula a liberação de insulina pelo pâncreas apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos, além de diminuir a produção de glicose pelo fígado.

    Diferente das versões injetáveis, André esclarece que o orforglipron é uma molécula não peptídica. Na prática, isso significa que ele foi estruturado quimicamente para resistir aos ácidos e enzimas do sistema digestivo, permitindo que seja totalmente absorvido pelo estômago de forma direta.

    Qual a diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1, como Ozempic?

    A principal diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1 está na estrutura química e na forma de uso.

    Enquanto a semaglutida, por exemplo, é composto por proteínas que seriam destruídas pelo estômago se fossem engolidas, precisando de uma aplicação por injeção semanal e armazenamento em geladeira, o orforglipron é uma molécula menor e mais estável, que resiste aos ácidos digestivos e pode ser consumida diariamente como um comprimido guardado em temperatura ambiente.

    O remédio também contorna as limitações da semaglutida oral já existente no mercado, pois dispensa a necessidade de jejum rígido e restrição de água, podendo ser tomado a qualquer hora do dia com ou sem alimentos.

    Por fim, estudos clínicos de fase 3, publicados no periódico The Lancet, compararam diretamente o desempenho do orforglipron com a semaglutida oral no tratamento do diabetes tipo 2 e perda de peso.

    O orforglipron, nas doses mais altas, apresentou resultados melhores, reduzindo a hemoglobina glicada (exame que reflete a média da glicose no sangue) em cerca de 1,9 a 2,2 pontos percentuais e promovendo uma perda de peso média de até 9,2% em um ano.

    Já a semaglutida oral, nas doses avaliadas no mesmo estudo, reduziu a hemoglobina glicada em cerca de 1,4 ponto percentual e o peso corporal em aproximadamente 5,3%.

    Ambos causam os mesmos efeitos gastrointestinais, mas como o orforglipron é uma molécula mais potente no estômago, a taxa de pessoas que interromperam o tratamento por efeitos colaterais foi ligeiramente maior quando comparada às que usavam semaglutida oral.

    Quanto o Orforglipron promete emagrecer?

    Os resultados dos estudos indicam que o potencial de emagrecimento do orforglipron depende da dose utilizada e do tempo de tratamento.

    Segundo um estudo publicado em 2024 na revista científica Obesity Science & Practice, o orforglipron promoveu uma perda de peso média entre 5,5% e 8,8% do peso corporal após cerca de 26 semanas de tratamento, dependendo da dose utilizada. Os melhores resultados foram observados com as doses de 24 mg e 36 mg por dia.

    Dados mais recentes de um estudo de fase 3, publicado em 2025 no The New England Journal of Medicine (NEJM), mostraram resultados ainda mais expressivos. Após 72 semanas de tratamento, os participantes que utilizaram 36 mg de orforglipron perderam, em média, 11,2% do peso corporal, enquanto o grupo placebo perdeu 2,1%.

    Além disso, no grupo que recebeu a dose de 36 mg, 54,6% dos participantes perderam pelo menos 10% do peso corporal, 36% perderam ao menos 15% e 18,4% alcançaram uma redução igual ou superior a 20% do peso inicial.

    Na prática, isso significa que uma pessoa com 100 kg poderia perder, em média, cerca de 11 kg ao longo de aproximadamente um ano e meio de tratamento. Em alguns casos, a perda pode ser ainda maior, especialmente quando o medicamento é associado a mudanças na alimentação e à prática regular de atividade física.

    Quais são os efeitos colaterais do medicamento?

    Os efeitos colaterais do orforglipron são muito semelhantes aos observados em outros medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 (como o Ozempic e o Mounjaro):

    • Náuseas e enjoos;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação (prisão de ventre);
    • Sensação de estufamento, gases ou cólicas leves;
    • Diminuição acentuada do apetite.

    Os sintomas costumam se manifestar com maior intensidade no início do tratamento ou logo após o aumento das doses, tendendo a diminuir ou desaparecer à medida que o corpo se adapta à medicação.

    Como acontece com qualquer medicamento dessa classe, quadros mais graves, como inflamação no pâncreas (pancreatite) ou problemas na vesícula biliar, são considerados raros, mas precisam de acompanhamento e monitoramento médico rigoroso durante o tratamento.

    “Cada organismo responde de maneira diferente, e o acompanhamento médico é importante para avaliar a tolerabilidade e segurança”, complementa André.

    Cuidados quanto ao medicamento

    Apesar dos resultados promissores, o orforglipron não funciona como uma solução isolada para a obesidade. Segundo André, ele depende de avaliação individualizada, mudanças de hábitos, acompanhamento médico e manejo de expectativas realistas.

    “Além disso, resultados divulgados em estudos costumam representar médias populacionais, acompanhamento rigoroso e progressão até a dose máxima e não garantem que todos terão a mesma resposta, pode existir variação individual nos resultados, além das outras variáveis envolvidas no processo do tratamento”, destaca o especialista.

    Também é importante considerar os possíveis efeitos colaterais, as contraindicações, os custos do tratamento e a necessidade de acompanhamento médico a longo prazo.

    Quando o Orforglipron chega ao mercado?

    No Brasil, o medicamento ainda não está disponível para compra e não tem uma data exata de lançamento definida. Para chegar às farmácias brasileiras, a farmacêutica Eli Lilly precisa submeter os dados completos de eficácia e segurança à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e obter o registro sanitário.

    Após a aprovação da Anvisa, o medicamento ainda precisará passar pela definição de preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), um processo que costuma levar alguns meses até que o produto chegue efetivamente às prateleiras.

    Perguntas frequentes

    1. O orforglipron já foi aprovado?

    Sim. Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu aprovação da agência regulatória FDA (Food and Drug Administration) e foi batizado com o nome comercial Foundayo.

    2. Precisa tomar o orforglipron em jejum?

    Não. Esse é um dos seus grandes diferenciais em relação aos outros comprimidos da mesma classe. O orforglipron pode ser tomado a qualquer hora do dia, com ou sem alimentos, e com qualquer quantidade de água.

    3. O orforglipron serve para tratar diabetes?

    Sim. No tratamento do diabetes tipo 2, ele ajuda o pâncreas a liberar insulina de forma inteligente (apenas quando o açúcar no sangue está alto) e reduz a produção de glicose pelo fígado.

    4. O remédio é seguro para o estômago?

    A maioria dos efeitos colaterais é considerada de leve a moderada, mas por ser um comprimido digerido diretamente no estômago, ele causou um pouco mais de desconforto gástrico nos testes do que as versões injetáveis, levando alguns pacientes a abandonarem o tratamento.

    5. Ele causa hipoglicemia (queda drástica de açúcar no sangue)?

    O risco de hipoglicemia é muito baixo quando o orforglipron é usado sozinho, porque ele só estimula a produção de insulina se os níveis de açúcar no sangue estiverem elevados. O risco aumenta apenas se ele for combinado com remédios antigos para diabetes, como a insulina sintética.

    6. O orforglipron vai precisar de receita médica?

    Sim. Assim como todos os análogos de GLP-1, se aprovado pela Anvisa, sua venda provavelmente só será permitida mediante receita médica.

  • Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida? Endocrinologista explica

    Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida? Endocrinologista explica

    A semaglutida e a tirzepatida, princípios ativos de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, atuam no organismo imitando a ação de hormônios naturais liberados pelo intestino após a alimentação, que participam do controle da fome e dos níveis de glicose no sangue.

    Com isso, eles ajudam a reduzir o apetite, aumentar a sensação de saciedade e melhorar o controle glicêmico ao longo do dia.

    Mas afinal, qual a diferença entre eles? A semaglutida e a tirzepatida pertencem a uma nova geração de tratamentos metabólicos, mas se diferenciam principalmente pela quantidade de receptores que conseguem ativar no corpo. Vamos entender mais, a seguir.

    Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida?

    A principal diferença entre a semaglutida e a tirzepatida está na forma como cada uma atua nos hormônios que regulam o metabolismo.

    A semaglutida é um análogo do GLP-1, de modo que atua imitando a ação de um único hormônio ligado ao controle da fome e da glicose.

    Já a tirzepatida, segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, é considerada uma medicação de ação dupla, pois atua tanto no GLP-1 quanto no GIP, outro hormônio intestinal que também participa da regulação do metabolismo.

    Na prática, isso significa que a tirzepatida pode ter um efeito mais amplo sobre o controle do apetite e da glicemia. De acordo com estudos, o tratamento com a tirzepatida pode apresentar uma maior redução de peso em comparação com a semaglutida, mas a resposta pode variar de acordo com cada organismo.

    Como cada uma atua no organismo?

    Semaglutida

    A semaglutida atua estimulando receptores de GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após a alimentação. Segundo Daniella, o GLP-1 envia sinais de saciedade ao cérebro, o que contribui para a redução da fome ao longo do dia.

    Ela também diminui o ritmo de esvaziamento do estômago, fazendo com que o alimento permaneça por mais tempo no trato digestivo, o que prolonga a sensação de saciedade.

    Por fim, o princípio ativo estimula a liberação de insulina de forma dependente da glicose, então a ação ocorre principalmente quando os níveis de açúcar estão mais elevados. Ao mesmo tempo, há uma redução na liberação de glucagon, hormônio que aumenta a glicemia. Como resultado, ocorre um controle mais estável dos níveis de açúcar ao longo do dia, com menor risco de picos glicêmicos.

    Tirzepatida

    A tirzepatida, por outro lado, age no organismo imitando a ação de dois hormônios naturais liberados pelo intestino após a alimentação: o GLP-1 e o GIP. Ambos fazem parte do grupo das incretinas, substâncias que auxiliam na regulação da glicose no sangue e no apetite.

    O GIP, assim como o GLP-1, também estimula a produção de insulina após a alimentação e pode potencializar o efeito do hormônio no controle da glicemia. Além disso, ele está relacionado ao metabolismo energético, podendo influenciar a forma como o organismo utiliza e armazena os nutrientes.

    Na realidade, isso pode resultar em uma redução mais significativa do apetite, melhor controle da glicose e, em muitos casos, maior perda de peso, sempre dependendo da resposta individual de cada pessoa.

    Quais são os efeitos colaterais?

    A semaglutida e a tirzepatida apresentam efeitos colaterais semelhantes, principalmente porque atuam nos mesmos sistemas do organismo. Os mais comuns incluem:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação;
    • Sensação de estômago cheio;
    • Redução do apetite.

    Na maioria das situações, os sintomas são leves a moderados e tendem a melhorar com o tempo, conforme o corpo se acostuma com os medicamentos. Segundo Daniella, um fator interessante é que a tirzepatida costuma causar menos náusea do que a semaglutida, porque o GIP ajuda a equilibrar esse efeito.

    Se a pessoa apresentar sinais como dor abdominal intensa e persistente, vômitos frequentes, dificuldade de respirar ou sintomas de desidratação, é importante procurar avaliação médica o quanto antes para investigar a causa e evitar complicações.

    Quem pode usar cada um?

    A semaglutida e a tirzepatida são indicadas para adultos com diabetes tipo 2 e para pessoas com obesidade ou sobrepeso, especialmente quando há outras condições associadas, como hipertensão, colesterol elevado ou resistência à insulina.

    No caso do controle do peso, Daniella explica que a indicação costuma ser feita para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando existem doenças associadas.

    A avaliação considera não apenas o peso, mas também o histórico de saúde, os hábitos de vida e as tentativas anteriores de emagrecimento.

    Como escolher entre semaglutida e tirzepatida?

    A escolha entre a semaglutida e a tirzepatida depende de uma série de fatores, que precisam ser avaliados por um profissional da saúde. No caso de pessoas com diabetes tipo 2, ambas podem ser utilizadas para melhorar o controle glicêmico.

    Em alguns casos, a tirzepatida pode ser considerada quando há necessidade de um controle mais intensivo da glicose ou quando a resposta à semaglutida não foi suficiente, sempre com avaliação individual.

    Por isso, o uso deve ser sempre orientado por um médico, que pode avaliar os benefícios e os possíveis riscos para cada pessoa, definir a melhor opção e acompanhar a evolução ao longo do tratamento. Nunca se automedique!

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Qual delas emagrece mais rápido?

    Estudos clínicos mostram que a tirzepatida tende a promover uma perda de peso maior e mais rápida em comparação à semaglutida, devido à sua ação em dois receptores hormonais diferentes. Contudo, isso pode variar dependendo da resposta do organismo.

    2. A tirzepatida é mais segura que a semaglutida?

    Ambas possuem perfis de segurança semelhantes e foram aprovadas por órgãos rigorosos (como ANVISA e FDA). A segurança depende da avaliação médica das contraindicações de cada paciente.

    3. Posso trocar Ozempic por Mounjaro?

    Sim, a troca é possível, mas deve ser feita exclusivamente sob orientação médica para ajustar as doses equivalentes e monitorar a adaptação do organismo.

    4. Qual o nome comercial da tirzepatida?

    O nome comercial mais conhecido da tirzepatida é o Mounjaro (fabricado pela Eli Lilly).

    5. Qual o nome comercial da semaglutida?

    Os nomes comerciais mais comuns são Ozempic (para diabetes), Wegovy (específico para obesidade) e Rybelsus (oral).

    6. Elas interferem na absorção de outros remédios?

    Sim. Como ambas retardam o esvaziamento do estômago, tanto a semaglutida quanto a tirzepatida pode atrasar a absorção de medicamentos orais, como anticoncepcionais. Consulte o médico sobre isso.

    7. Posso usar semaglutida e tirzepatida ao mesmo tempo?

    Não. Elas agem em caminhos semelhantes e a combinação aumenta o risco de efeitos colaterais graves sem nenhum benefício clínico comprovado.

    8. É necessário fazer dieta enquanto usa Ozempic ou Mounjaro?

    Sim! Eles são apenas ferramentas que facilitam a adesão à dieta. Sem um déficit calórico e uma alimentação equilibrada, além da prática de atividades físicas, a perda de peso será menor e o risco de recuperar o peso após parar o tratamento é muito alto.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    O tratamento com os análogos de GLP-1, como semaglutida ou tirzepatida, atua diretamente nos mecanismos que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo, te ajudando a reduzir a ingestão alimentar de forma mais natural e sustentável.

    Por isso, eles são indicados especialmente em casos de obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    Em algumas semanas, já é possível notar os primeiros resultados na perda de peso, o que pode levantar uma dúvida comum: afinal, por quanto tempo é necessário manter a aplicação das injeções? Segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, a resposta depende de cada caso e deve ser individualizada, sempre com o acompanhamento de um médico.

    Quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro?

    A duração do tratamento com semaglutida ou tirzepatida pode variar de acordo com o perfil de cada pessoa. O tempo de uso depende especialmente de três fatores: a causa do ganho de peso, a resposta ao tratamento e a presença de outras condições de saúde.

    De acordo com Daniella, em situações em que o ganho de peso está ligado a um fator pontual, como uma gestação, um período de estresse intenso ou mudanças na rotina, o uso pode ser indicado temporariamente para a pessoa retornar ao peso anterior.

    Após a perda de peso e a retomada de hábitos saudáveis, alguns pacientes conseguem suspender a medicação com acompanhamento médico.

    Por outro lado, em casos de obesidade de longa data, em que existe uma tendência biológica ao ganho de peso, o tratamento pode ser mais prolongado. A obesidade é considerada uma doença crônica e, assim como outras condições, pode precisar de um cuidado contínuo para manter os resultados ao longo do tempo.

    Então, é possível usar para sempre?

    Em alguns casos, sim. Quando a obesidade é crônica e existe risco de reganho de peso, o uso pode ser prolongado ou até contínuo, de forma semelhante ao tratamento de outras doenças, como hipertensão ou diabetes.

    O que acontece ao interromper o uso?

    Quando o uso de medicamentos como Ozempic ou Mounjaro é interrompido, Daniella explica que um dos principais efeitos é o retorno gradual do apetite. Os remédios agem enquanto estão presentes no organismo, ajudando a aumentar a saciedade e reduzir a fome. Sem eles o corpo volta a funcionar como antes do tratamento, o que pode levar a:

    • Aumento da fome ao longo do dia;
    • Redução da sensação de saciedade nas refeições;
    • Maior dificuldade em controlar as porções;
    • Tendência ao reganho de peso.

    Em muitas pessoas, acontece a recuperação parcial ou total do peso perdido, especialmente quando ela não consegue manter uma rotina de hábitos saudáveis durante o tratamento.

    Também vale apontar que, durante o emagrecimento, pode ocorrer a perda de massa muscular, principalmente quando não há o consumo adequado de proteínas nem a prática de exercícios de força. Segundo Daniella, como a massa muscular influencia diretamente o gasto calórico em repouso, a redução pode facilitar ainda mais o ganho de peso com a interrupção do medicamento.

    Com isso, pode surgir o conhecido efeito sanfona, em que a pessoa perde e ganha peso repetidamente ao longo do tempo.

    Em cada ciclo, o corpo tende a perder a massa muscular durante o emagrecimento e recuperar principalmente gordura quando o peso volta a subir. Daniella aponta que o processo pode desacelerar o metabolismo progressivamente, tornando cada nova tentativa de emagrecimento mais difícil.

    É possível evitar o reganho do peso?

    A resposta é sim, desde que a interrupção do remédio seja feita com acompanhamento médico e de maneira gradual. Algumas medidas incluem:

    • Redução gradual da medicação: o médico pode diminuir a dose ou espaçar as aplicações aos poucos, o que ajuda o corpo a se adaptar sem provocar picos de fome;
    • Cuidado com o metabolismo: durante o emagrecimento, a pessoa pode perder massa muscular. Por isso, a prática de exercícios de força e o consumo adequado de proteínas são importantes para manter o metabolismo mais ativo;
    • Manutenção dos hábitos: o período de uso do medicamento deve servir para ajustar a rotina alimentar. Quando o tratamento termina, os hábitos precisam já fazer parte do dia a dia;
    • Apoio emocional: em muitos casos, o acompanhamento psicológico ajuda a lidar com a relação com a comida, evitando que a alimentação volte a ser uma forma de compensar emoções.

    Como os remédios imitam hormônios naturais do corpo, parar de usar de forma abrupta pode aumentar a fome e diminuir o gasto de energia, facilitando o ganho de peso.

    Existem riscos no uso prolongado de Ozempic ou Mounjaro?

    Os análogos de GLP-1 são considerados seguros quando bem indicados e acompanhados, mas o uso contínuo precisa de monitoramento. Os efeitos mais comuns são gastrointestinais, principalmente no início ou após aumento de dose:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia ou constipação;
    • Sensação de estômago cheio.

    Os estudos de longo prazo ainda são limitados, e o uso indevido sem supervisão médica pode aumentar riscos cardiovasculares e metabólicos, como desidratação, alterações na função renal e desequilíbrios eletrolíticos, especialmente em casos de vômitos e diarreia frequentes.

    A perda de peso rápida e sem acompanhamento também pode causar a perda de massa muscular, o que afeta diretamente o metabolismo e pode dificultar a manutenção do peso ao longo do tempo. Em alguns casos, também pode acontecer a formação de pedras na vesícula, principalmente quando o emagrecimento ocorre de forma muito acelerada.

    Também é importante lembrar que nem todas as pessoas podem usar os medicamentos. As pessoas com histórico de pancreatite, com doenças específicas da tireoide ou com problemas gastrointestinais precisam de uma avaliação médica antes de iniciar o uso.

    Quando o médico pode recomendar a interrupção?

    O médico pode recomendar a interrupção do Ozempic ou do Mounjaro em algumas situações específicas, como:

    • O objetivo do tratamento foi alcançado e a pessoa consegue manter uma rotina saudável com alimentação equilibrada e atividade física regular;
    • O ganho de peso teve uma causa pontual, como uma gestação, um período de estresse ou uma mudança de rotina;
    • Há efeitos colaterais persistentes, como náuseas intensas, vômitos frequentes ou dor abdominal importante;
    • Surgem sinais de complicações, como suspeita de pancreatite, problemas na vesícula ou alterações nos exames;
    • O medicamento não está trazendo o resultado esperado mesmo com o uso correto;
    • Existe alguma contraindicação, como histórico de pancreatite ou doenças específicas da tireoide.

    Vale ressaltar que você nunca deve iniciar ou interromper o uso de análogos de GLP-1 sem orientação médica. Apenas um profissional pode determinar a dosagem segura, avaliar contraindicações e realizar o desmame correto para evitar riscos para a saúde.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo leva para o Ozempic começar a fazer efeito?

    Os níveis de açúcar no sangue começam a baixar nos primeiros dias, mas a perda de peso significativa costuma ser percebida após as primeiras 4 semanas, conforme a dose é ajustada.

    2. O uso prolongado de GLP-1 vicia o organismo?

    Não causa dependência química (vício), mas como a obesidade é crônica, o corpo pode precisar do estímulo contínuo para manter o peso, assim como na hipertensão.

    3. Posso usar Ozempic apenas para perder 2 ou 3 quilos?

    Não, o medicamento é indicado para casos de obesidade ou sobrepeso com complicações de saúde, não para fins puramente estéticos e de curto prazo.

    4. É normal parar de perder peso depois de alguns meses de uso?

    Sim, pode ocorrer o chamado “platô”. Nesses casos, o médico avalia se é necessário ajustar a dose ou mudar a estratégia alimentar e de exercícios.

    5. O que acontece se eu esquecer de aplicar na data certa?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar disso, pule a dose e retome no dia habitual da semana seguinte.

    6. É seguro usar análogos de GLP-1 durante a gravidez?

    Não, o uso deve ser interrompido pelo menos 2 meses antes de tentar engravidar, pois pode afetar o desenvolvimento do feto.

    7. É necessário fazer exames de sangue periódicos durante o uso prolongado?

    Sim, o médico normalmente solicita exames de função renal, hepática, amilase e lipase (pâncreas), além de monitorar os níveis de glicose e vitaminas.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

  • Canetas emagrecedoras: quais alimentos ajudam a aliviar o intestino preso durante o tratamento? 

    Canetas emagrecedoras: quais alimentos ajudam a aliviar o intestino preso durante o tratamento? 

    A constipação é um dos efeitos colaterais mais comuns em pessoas que usam remédios agonistas do receptor de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro. Eles atuam retardando o esvaziamento do estômago e diminuindo os movimentos naturais do intestino, o que pode deixar o trânsito intestinal mais lento e irregular ao longo do tratamento, resultando no intestino preso.

    Apesar de ajudar no controle da glicemia e na perda de peso, a digestão mais lenta pode tornar as fezes endurecidas e difíceis de eliminar. A redução do apetite também contribui para um consumo menor de fibras e líquidos ao longo do dia, o que acaba agravando o quadro.

    O desconforto, que costuma incluir sensação de inchaço, dor abdominal e dificuldade para evacuar, pode ser diminuído a partir de alguns ajustes na dieta, que nós explicamos a seguir!

    Por que os agonistas do GLP-1 causam constipação?

    Os agonistas do GLP-1, também conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” atuam retardando o esvaziamento do estômago e diminuindo a velocidade do trânsito intestinal, o que prolonga a sensação de saciedade e contribui para o controle da glicemia.

    Mas, com o alimento permanecendo mais tempo no sistema digestivo, o intestino absorve mais água ao longo do percurso, deixando as fezes mais secas e difíceis de eliminar.

    Ao mesmo tempo, a nutricionista Bárbara Yared explica que, durante o tratamento, é comum reduzir a ingestão de alimentos ao longo do dia, principalmente de fibras. A ingestão de líquidos também pode cair, o que contribui ainda mais para o ressecamento das fezes.

    Quais alimentos ajudam a combater a prisão de ventre?

    Como a prisão de ventre é resultado especialmente da lentidão no esvaziamento gástrico, é importante priorizar alimentos que estimulem o funcionamento do intestino sem sobrecarregar a digestão.

    A ideia envolve escolher opções ricas em fibras, com boa quantidade de água e que sejam bem toleradas ao longo do tratamento. Bárbara aponta os principais, a seguir:

    1. Frutas com bagaço e casca comestível

    As frutas são ótimas fontes de fibras, principalmente quando consumidas com casca ou bagaço, já que boa parte das fibras fica concentrada nessas partes. Alguns exemplos incluem:

    • Laranja (com bagaço);
    • Maçã (com casca);
    • Pera (com casca);
    • Ameixa;
    • Mamão.

    As fibras solúveis ajudam a formar um gel no intestino, que melhora a consistência das fezes, enquanto as fibras insolúveis aumentam o volume e estimulam o movimento intestinal. O mamão, por exemplo, contém papaína, uma enzima que facilita a digestão, enquanto a ameixa é rica em sorbitol, um composto com leve efeito laxativo natural.

    2. Vegetais variados

    O consumo regular de vegetais variados é fundamental para combater a constipação, uma vez que são ricos em fibras solúveis e insolúveis. A diversidade de nutrientes também alimenta as bactérias benéficas da flora intestinal, o que contribui para um trânsito intestinal mais equilibrado e regular.

    • Folhas verdes (alface, rúcula, espinafre);
    • Brócolis;
    • Cenoura;
    • Abobrinha;
    • Couve.

    A inclusão diária desses alimentos ajuda a manter o intestino ativo, mesmo com menor volume de refeições.

    3. Grãos integrais e sementes

    Os grãos integrais e as sementes ajudam a aumentar o volume das fezes, o que facilita o trânsito intestinal. Mesmo em pequenas quantidades, já contribuem para a regularidade:

    • Aveia;
    • Arroz integral;
    • Quinoa;
    • Chia;
    • Linhaça.

    A aveia se destaca por conter beta-glucanas, fibras solúveis que formam um gel no intestino e ajudam na passagem das fezes. A chia e a linhaça, quando hidratadas, absorvem água e aumentam de volume, o que auxilia na lubrificação do intestino e torna a evacuação mais confortável.

    4. Leguminosas

    As leguminosas estão entre as fontes mais completas de fibras e também oferecem minerais importantes para o funcionamento intestinal.

    • Feijão;
    • Lentilha;
    • Grão-de-bico.

    Além do alto teor de fibras, o magnésio presente nos alimentos ajuda a atrair água para o intestino e favorece o relaxamento da musculatura do trato digestivo. O efeito favorece fezes menos ressecadas e uma evacuação mais regular. A inclusão frequente na rotina, em porções moderadas, ajuda a manter o intestino mais equilibrado.

    5. Pão integral

    O pão integral é uma opção prática para o dia a dia, principalmente em uma rotina com menos apetite e refeições menores. Vale dar preferência para versões com grãos e sementes, que têm mais fibras e ajudam ainda mais o intestino.

    Para quem sente saciedade precoce com o uso de GLP-1, o pão integral também é uma forma simples de garantir fibras sem precisar comer muito. Além disso, é fácil de incluir em lanches rápidos, o que ajuda a manter uma rotina mais equilibrada e o intestino funcionando melhor.

    Quanto de fibras é recomendado consumir?

    De acordo com Bárbara, o ideal é consumir cerca de 14 g de fibras para cada 1000 kcal ingeridas. No entanto, o ajuste deve ser feito conforme a tolerância individual, aumentando a ingestão de água simultaneamente para evitar gases e desconforto abdominal.

    Importância da hidratação no tratamento com GLP-1

    A fibra precisa de água para formar um bolo fecal mais macio e fácil de eliminar, segundo Bárbara. Isso acontece porque as fibras absorvem líquido no intestino, ajudando a dar volume e a deixar as fezes com uma consistência mais adequada para a evacuação.

    Quando ocorre aumento do consumo de fibras sem um aumento na ingestão de líquidos, a prisão de ventre pode piorar, já que as fezes podem ficar ainda mais ressecadas e difíceis de eliminar.

    Em geral, a recomendação fica na faixa de 20 a 40 ml de água por quilo de peso ao dia, com ajustes de acordo com o clima, o nível de atividade física e a presença de sintomas gastrointestinais.

    Dicas para melhorar o trânsito intestinal

    Pequenos ajustes na rotina já ajudam bastante a melhorar o funcionamento do intestino, principalmente durante o uso de GLP-1, como:

    • Distribuir a alimentação ao longo do dia, em pequenas refeições, o que ajuda a estimular o intestino com mais frequência. Mesmo com menos apetite, manter intervalos regulares pode favorecer a motilidade intestinal;
    • Aumentar gradativamente o consumo de fibras, o que evita desconfortos como gases e sensação de estufamento. O ideal é variar as fontes, combinando frutas, vegetais, grãos integrais e sementes ao longo do dia;
    • Beber água de forma distribuída, e não apenas em grandes volumes de uma vez, o que ajuda o intestino a funcionar melhor;
    • Movimentos simples, como caminhada, alongamento ou exercícios leves, que já estimulam o funcionamento do intestino. A atividade física contribui diretamente para a motilidade intestinal e pode reduzir a sensação de inchaço.

    Com uma rotina mais organizada e consistente, o intestino tende a responder melhor, trazendo mais conforto no dia a dia.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar orientação médica quando a prisão de ventre começa a durar mais tempo ou vem acompanhada de outros sintomas, como:

    • Vários dias sem evacuar, com piora progressiva;
    • Dor abdominal importante;
    • Distensão abdominal;
    • Náuseas ou vômitos.

    De acordo com Bárbara, os seguintes sinais também merecem atenção:

    • Presença de sangue nas fezes;
    • Perda de peso não planejada;
    • Dor intensa;
    • Histórico prévio de doenças intestinais.

    Nessas situações, o ideal é conversar com um médico e um nutricionista para entender melhor o que está acontecendo e ajustar tanto o uso do medicamento quanto a alimentação.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. É normal ficar dias sem ir ao banheiro no início do tratamento?

    Sim, é normal. No entanto, se o intervalo for superior a 3 dias ou houver dor intensa, é necessário consultar um médico.

    2. Pode comer qualquer tipo de fibra?

    O ideal é ter equilíbrio. As fibras solúveis (aveia, miolo de frutas) formam um gel que facilita a passagem, enquanto as fibras insolúveis (cascas, farelos) aumentam o volume das fezes.

    3. Pode usar laxantes durante o tratamento?

    Apenas sob orientação médica. O uso crônico de laxantes pode viciar o intestino e mascarar problemas que poderiam ser resolvidos com ajuste de dieta.

    4. O pão integral é melhor que o branco para quem usa GLP-1?

    Sim, o pão integral possui farelos que estimulam o movimento intestinal, enquanto o pão branco pode contribuir para um trânsito ainda mais lento.

    5. O consumo de iogurte e probióticos ajuda?

    Sim, os probióticos auxiliam no equilíbrio da flora intestinal, o que pode melhorar a frequência das evacuações e reduzir o inchaço abdominal.

    6. Quais alimentos “prendem” mais o intestino durante o tratamento?

    Alimentos ultraprocessados, ricos em farinha branca (pão francês, biscoitos, massas) e baixos em fibras, devem ser evitados, pois tornam o trânsito intestinal ainda mais lento.

    7. O uso de suplementos de ferro ou cálcio afeta o intestino?

    Sim, ambos são conhecidos por causar constipação como efeito colateral. Se você usa os suplementos e está em tratamento com GLP-1, converse com o médico sobre a melhor forma de administrá-los.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Sente fraqueza com o uso de GLP-1? Veja os erros mais comuns na dieta e como evitar 

    Sente fraqueza com o uso de GLP-1? Veja os erros mais comuns na dieta e como evitar 

    A sensação de fraqueza com o uso de canetas emagrecedoras (medicamentos análogos do GLP-1), como Ozempic e Mounjaro, é um dos efeitos mais comuns durante o tratamento. Ele acontece especialmente por erros alimentares que prejudicam a produção de energia no dia a dia.

    Como os remédios atuam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento gástrico, é comum reduzir o consumo de alimentos, causando um déficit de energia que se manifesta através de cansaço, fraqueza e menor tolerância ao exercício — principalmente nas primeiras semanas ou após o aumento de dose, de acordo com a nutricionista Bárbara Yared.

    Portanto, mesmo em um processo de emagrecimento, o recomendado é manter uma alimentação rica em carboidratos de qualidade, proteínas e nutrientes que asseguram um aporte mínimo de energia e nutrientes para o bom funcionamento do organismo.

    Por que o uso de GLP-1 pode causar fraqueza?

    As canetas emagrecedoras imitam a ação de um hormônio natural do corpo chamado peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), que é liberado pelo intestino após a alimentação.

    Ele atua no sistema nervoso central, aumentando a sensação de saciedade, além de retardar o esvaziamento gástrico, o que pode reduzir ainda mais a vontade de comer.

    Com a ingestão menor de alimentos, é comum ocorrer uma redução no consumo de calorias e nutrientes essenciais, especialmente carboidratos e proteínas. Como os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo, uma ingestão insuficiente pode levar a sintomas como cansaço, tontura e queda de disposição.

    Bárbara ainda aponta que náuseas, vômitos ou diarreia, que podem ocorrer durante o uso dos agonistas de GLP-1, podem levar a uma desidratação leve e a alterações de eletrólitos. O desequilíbrio no organismo também contribui para a sensação de fraqueza, além de poder causar mal-estar, dor de cabeça e dificuldade de concentração.

    Quais os erros comuns na dieta de quem usa análogos de GLP-1?

    Com a falta de apetite, algumas escolhas alimentares no dia a dia acabam intensificando a sensação de fraqueza ao longo do tratamento, como:

    • Comer muito pouco ao longo do dia: com menos fome, muitas pessoas ficam horas sem comer sem perceber. Isso faz a energia cair, principalmente em quem faz exercício, já que o corpo precisa de combustível para funcionar bem e se recuperar;
    • Viver de “beliscos” ultraprocessados: a falta de fome leva a escolhas rápidas, como biscoitos, pão branco e doces. Apesar de práticos, eles têm pouca proteína e poucos nutrientes, e não sustentam a energia ao longo do dia;
    • Beber pouca água e poucos eletrólitos: a hidratação acaba ficando de lado, ainda mais quando há náusea ou diarreia. Isso pode piorar sintomas como cansaço, tontura e mal-estar;
    • Falta de vitaminas e minerais importantes: dietas com pouco ferro, vitamina B12 e folato podem piorar a disposição, principalmente em quem já tinha tendência à deficiência. Os nutrientes são importantes para a produção de energia e para a saúde como um todo.

    “Em contextos de grande redução calórica, é comum a ingestão baixa de proteínas, ferro e vitaminas do complexo B, nutrientes diretamente ligados a energia, massa muscular e bem-estar”, explica Bárbara.

    Como evitar o desânimo e a fadiga durante o tratamento?

    Em qualquer processo de emagrecimento, Bárbara explica que ocorre perda de gordura e também de uma pequena quantidade de massa magra. Com o uso de análogos de GLP-1, isso também pode acontecer quando a ingestão de proteína é insuficiente e não há estímulo de força.

    Nesse contexto, é importante adotar algumas medidas para evitar a fadiga, como:

    • Garanta proteína suficiente ao longo do dia: incluir boas fontes como ovos, carnes, iogurte e leguminosas ajuda a preservar a massa muscular. Em geral, a recomendação é de 1,2 a 1,6 g por kg de peso ao dia, podendo ser maior para quem treina;
    • Pratique exercícios de força regularmente: atividades como musculação ajudam a manter a massa muscular e melhoram a disposição;
    • Faça refeições menores e nutritivas: prefira pequenas porções com boa combinação de proteína, carboidrato e gordura, evitando grandes volumes que podem piorar o enjoo;
    • Mantenha o consumo de carboidratos: mesmo em menor quantidade, eles são importantes para dar energia, principalmente antes e depois do treino (ex: meia banana com iogurte ou torrada integral com queijo);
    • Hidrate-se ao longo do dia: beber água ao longo do dia ajuda a evitar sintomas como cansaço, tontura e indisposição, que podem piorar durante o uso do medicamento.

    Quando a suplementação é necessária?

    A suplementação pode ser necessária em alguns casos, mas deve ser vista como um complemento e não como substituto da alimentação, segundo Bárbara.

    Ela costuma ser indicada quando, mesmo com ajustes na dieta, ainda existem sinais de deficiência ou quando exames mostram níveis baixos de nutrientes como ferro, vitamina B12 ou vitamina D. Nesses casos, a suplementação ajuda a corrigir o déficit e melhorar sintomas como cansaço e fraqueza.

    Também pode ser útil quando há dificuldade em atingir a quantidade ideal de proteína apenas com a alimentação. Nessa situação, o uso de whey protein ou outra fonte proteica em pó pode ajudar a alcançar a meta diária de forma mais prática.

    “A decisão idealmente é feita com avaliação nutricional e exames laboratoriais, para direcionar o que realmente precisa ser suplementado”, esclarece a nutricionista.

    Quando ir ao médico?

    É importante procurar um médico quando alguns sinais começam a aparecer ou persistir durante o tratamento:

    • Cansaço constante e fraqueza: falta de energia que não melhora, dificuldade para realizar atividades do dia a dia ou queda no desempenho nos treinos;
    • Mudanças no corpo e no bem-estar: queda de cabelo, unhas frágeis, piora do humor, queda da libido ou sono de baixa qualidade;
    • Emagrecimento muito rápido: perda de peso acelerada, com redução visível de massa muscular (braços e pernas afinando demais);
    • Sinais de deficiência nutricional: exames alterados ou sintomas que indiquem falta de nutrientes importantes.

    A avaliação médica ajuda a ajustar a alimentação, o tratamento e, se necessário, incluir suplementação de forma adequada.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    1. Por que o cansaço é mais forte nos primeiros dias após a aplicação?

    É o período em que a concentração do medicamento no sangue está mais alta, intensificando a saciedade e, às vezes, as náuseas, o que dificulta a alimentação adequada.

    2. O uso de GLP-1 pode causar hipoglicemia (açúcar baixo no sangue)?

    Embora o mecanismo do GLP-1 raramente cause hipoglicemia sozinho em não diabéticos, a falta de alimentação prolongada pode baixar o açúcar no sangue, gerando tontura e tremores.

    3. Por que sinto tontura ao levantar rápido durante o tratamento?

    Isso pode ser sinal de desidratação ou queda na pressão arterial, ambos comuns quando a ingestão de líquidos e sais minerais diminui devido à falta de apetite.

    4. O que comer para diminuir o enjoo e a fraqueza?

    Priorize alimentos secos e de fácil digestão, como torradas integrais, frutas como banana e maçã, e carnes magras grelhadas. Evite gorduras e frituras, que retardam ainda mais a digestão.

    5. Quanto de proteína devo comer por dia?

    A recomendação varia, mas em dietas de emagrecimento com GLP-1, especialistas sugerem focar em pelo menos 1,2g a 1,6g de proteína por quilo de peso corporal, podendo ser maior em quem treina força.

    6. Quando a fraqueza deixa de ser comum e vira um sinal de alerta?

    Se você não consegue manter nenhum alimento no estômago por mais de 24h, sente confusão mental ou tem vômitos incoercíveis, procure um médico imediatamente.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • GLP-1: como Ozempic e Mounjaro atuam no sono, na glicose e na saúde do coração

    GLP-1: como Ozempic e Mounjaro atuam no sono, na glicose e na saúde do coração

    Os medicamentos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, ganharam popularidade nos últimos anos devido ao seu efeito no emagrecimento — só que esse não é o único aspecto positivo dos injetáveis na saúde.

    Na prática, quando aliados a hábitos saudáveis de vida, eles podem contribuir para uma melhora na qualidade do sono, ajudar no controle do açúcar no sangue e reduzir a sobrecarga sobre o coração, criando um efeito positivo em cadeia no funcionamento do organismo.

    Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender de forma simples como o GLP-1 atua nessa conexão entre sono, glicose e saúde do coração e por que o equilíbrio faz tanta diferença no dia a dia. Confira!

    Qual a relação entre a qualidade do sono, glicemia e saúde cardiovascular?

    O sono, a glicemia e a saúde do coração estão diretamente ligados, de modo que, quando uma das áreas não vai bem, as outras acabam sendo afetadas, conforme explica Juliana.

    Por exemplo, após uma noite de sono ruim ou mal dormida, o organismo entende essa situação como um estado de estresse. Com isso, ocorre a liberação de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, além da ativação do sistema nervoso simpático, responsável pela reação de alerta do corpo.

    O aumento do cortisol faz com que mais glicose seja liberada na corrente sanguínea, elevando o açúcar no sangue e favorecendo a resistência à insulina, o que aumenta o risco de diabetes.

    Ao mesmo tempo, Juliana aponta que essa ativação mantém a frequência dos batimentos cardíacos e a pressão arterial mais altas durante a noite.

    O problema é que, de forma natural, a pressão e os batimentos deveriam diminuir durante o sono. Quando isso não acontece, o coração trabalha mais do que deveria, o que pode contribuir para o endurecimento das artérias e para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Como Ozempic e Mounjaro ajudam no sono?

    Os agonistas de GLP-1, ou canetas emagrecedoras, têm como principal função o controle da glicemia e o aumento da sensação de saciedade, o que acaba levando à perda de peso. A redução de peso, por sua vez, tem um papel importante na melhora do sono, especialmente em pessoas que sofrem com apneia do sono.

    Segundo a cardiologista, com a perda de gordura visceral e da gordura acumulada na região do pescoço, ocorre uma diminuição da pressão sobre as vias aéreas. Isso ajuda a reduzir o ronco e melhora a passagem do ar durante a noite, favorecendo um sono mais profundo e reparador.

    Além disso, os agonistas do GLP-1 possuem efeito anti-inflamatório, o que também contribui para uma melhor qualidade do sono. Por fim, o controle mais estável da glicemia evita picos ou quedas de açúcar no sangue durante a noite, o que reduz despertares noturnos e interrupções do sono.

    Dormir melhor ajuda no controle da pressão arterial e da glicose?

    Durante o sono, ocorre uma melhora na sensibilidade das células à insulina, fazendo com que elas respondam melhor à ação desse hormônio, o que é importante para o controle do açúcar no sangue.

    Ainda, no sono profundo, o sistema cardiovascular entra em um estado de descanso. Nesse momento, a pressão arterial tende a cair de forma natural, ajudando na regulação adequada dos mecanismos de controle da pressão.

    Mas, quando essa redução não acontece, o risco de desenvolver pressão alta aumenta.

    Hábitos de vida ajudam a potencializar o tratamento

    Para que qualquer medicamento funcione bem, Juliana explica que o estilo de vida precisa acompanhar o tratamento — e alguns cuidados simples no dia a dia podem ajudar, como:

    • Dormir bem e ter horários mais regulares de sono, pois o descanso ajuda o corpo a se equilibrar, regula hormônios e melhora o controle do açúcar no sangue;
    • Optar por refeições mais leves, principalmente à noite, evitando exageros que podem atrapalhar o sono e sobrecarregar o organismo;
    • Evitar comer perto da hora de dormir, dando um intervalo de 2 a 3 horas entre a última refeição e o sono, o que facilita a digestão e melhora a qualidade do descanso;
    • Manter alguma atividade física na rotina, mesmo que seja uma caminhada, já que o movimento ajuda a controlar a glicose, melhora a circulação e reduz o estresse;
    • Cuidar do estresse do dia a dia, buscando momentos de descanso, lazer ou relaxamento, porque o estresse em excesso atrapalha tanto o sono quanto a ação da medicação.

    Uso de canetas emagrecedoras precisa de acompanhamento médico

    Assim como qualquer medicamento, o tratamento com as canetas emagrecedoras exige acompanhamento de profissionais da saúde. Segundo Juliana, cada profissional tem um papel importante nesse processo, como:

    • Endocrinologista: responsável por ajustar as doses do medicamento, acompanhar os efeitos e garantir o controle adequado da glicose;
    • Cardiologista: que avalia a saúde do coração, o risco cardiovascular e faz o acompanhamento da pressão arterial;
    • Nutricionista: que orienta a alimentação para que a perda de peso seja saudável, evitando a perda de massa muscular e garantindo uma dieta equilibrada;
    • Profissional de educação física: que ajuda a incluir atividade física na rotina de forma segura e adequada para cada pessoa;
    • Psicólogo: em muitos casos essencial para lidar com questões emocionais relacionadas à alimentação, ao estresse e ao comportamento.

    Com o acompanhamento, é possível ter um tratamento mais seguro e com resultados que duram mais tempo.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Quem dorme mal tem mais dificuldade para emagrecer?

    Sim, pois dormir mal aumenta o cortisol, o hormônio do estresse, que estimula a fome e dificulta o controle do peso.

    2. Quem tem problema no coração pode usar GLP-1?

    Depende do caso. Por isso, a avaliação com um cardiologista é importante antes e durante o tratamento.

    3. O GLP-1 causa hipoglicemia?

    Na maioria dos casos, não. O risco é maior quando usado junto com outros medicamentos para diabetes, pois isso a administração deve ser feita com orientação médica.

    4. As canetas emagrecedoras são de uso contínuo?

    Em muitos casos, sim. A interrupção sem orientação médica pode levar à recuperação do peso.

    5. É normal sentir enjoo no início do tratamento?

    Sim. Sintomas como náusea, sensação de estômago cheio e desconforto abdominal são efeitos comuns no começo, principalmente nas primeiras doses. Eles costumam diminuir com o tempo e com o ajuste gradual da medicação.

    6. Em quanto tempo começam a aparecer os resultados do GLP-1?

    Os primeiros efeitos, como redução do apetite e maior saciedade, costumam surgir nas primeiras semanas. A perda de peso e a melhora do controle da glicose aparecem de forma gradual, ao longo dos meses, variando de pessoa para pessoa.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Os agonistas de GLP-1, como a tirzepatida, atuam imitando e potencializando a ação de hormônios intestinais liberados após as refeições. Eles atuam na comunicação entre o intestino e o cérebro, aumentando a sensação de saciedade e diminuindo o impulso por certos alimentos — incluindo doces e preparações ricas em açúcar e gordura.

    Com isso, a pessoa passa a sentir menos necessidade de comer por prazer ou por impulso, consegue parar de comer mais cedo e tem mais facilidade para reconhecer o momento em que já está satisfeita.

    No caso de pessoas com compulsão alimentar, ao reduzir a intensidade dos pensamentos constantes sobre comida e a busca por recompensa imediata, os agonistas de GLP-1 ajudam a diminuir episódios de perda de controle.

    Como o GLP-1 atua no cérebro para reduzir a compulsão alimentar?

    Os agonistas de GLP-1 atuam nos sinais químicos do cérebro que controlam a fome e a saciedade. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, eles avisam ao cérebro que o corpo já recebeu energia suficiente, ajudando a reduzir a fome.

    Os injetáveis também diminuem a vontade e o prazer de comer certos alimentos, especialmente os mais calóricos e ricos em gordura. Isso acontece porque eles reduzem a ação da dopamina, um neurotransmissor ligado ao sistema de recompensa, fazendo com que comer deixe de gerar aquela sensação intensa de satisfação.

    A cardiologista explica que, entre as áreas cerebrais envolvidas está o hipotálamo, que funciona como o centro de controle da fome e da saciedade, ajudando a sinalizar o momento de parar de comer. Outra região importante é o sistema mesolímbico, responsável pela sensação de recompensa.

    Ao modular a liberação de dopamina nessa área, o GLP-1 reduz o prazer associado à comida e, consequentemente, diminui os episódios de compulsão alimentar.

    Fenômeno do food noise

    O food noise, ou ruído alimentar, são pensamentos constantes e compulsivos sobre comida, mesmo quando a pessoa não está com fome. Elas tornam ainda mais difícil manter o controle alimentar, levando à vontade de comer por impulso e à sensação de perda de controle diante da comida.

    Um estudo publicado na Nature Medicine mostrou como o fenômeno aparece no cérebro e como pode ser reduzido por medicamentos de nova geração, como a tirzepatida, comercializado como Mounjaro.

    Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia observaram a atividade cerebral de pessoas com compulsão alimentar e identificaram um padrão específico ligado ao desejo intenso por comida. Em uma paciente que usava tirzepatida, esse padrão e os pensamentos compulsivos praticamente desapareceram.

    Com o tempo, a atividade cerebral ligada ao food noise voltou a aumentar, sugerindo possível redução do efeito do medicamento no cérebro. Ainda assim, o estudo reforça que os agonistas de GLP-1 atuam diretamente nos mecanismos da compulsão alimentar e abrem caminho para tratamentos mais focados no controle desses impulsos.

    Há risco de o paciente substituir a compulsão por outros comportamentos?

    De acordo com Juliana, resultados preliminares indicam que não há uma relação direta de substituição de uma compulsão por outro comportamento.

    Alguns estudos observacionais mostram que pacientes em uso de GLP-1 também tendem a reduzir a vontade de consumir álcool e de fumar, já que o medicamento atua no sistema geral de recompensa do cérebro, e não apenas na alimentação.

    Porém, quando a comida é usada como principal válvula de escape emocional, a redução do comportamento pode causar ansiedade, o que reforça a importância de acompanhamento adequado.

    O que acontece com a compulsão alimentar após a suspensão do GLP-1

    Depois da suspensão do GLP-1, o efeito do medicamento no cérebro vai diminuindo aos poucos. Com isso, a fome, o food noise e a compulsão alimentar podem voltar, principalmente se não houver acompanhamento.

    Por isso, o GLP-1 ajuda no controle dos sintomas enquanto está em uso, mas não substitui mudanças de hábitos nem o acompanhamento médico, psicológico e nutricional, que são fundamentais para manter os resultados a longo prazo.

    O controle da compulsão ajuda a proteger o coração?

    A resposta é sim. A compulsão alimentar costuma envolver ingestão rápida e excessiva de calorias, o que favorece picos de glicemia, inflamação sistêmica e acúmulo de gordura visceral.

    Quando a compulsão é controlada, Juliana explica que há maior estabilidade dos níveis de açúcar no sangue, redução da inflamação e melhora da resistência à insulina.

    Os fatores, em conjunto, contribuem para a manutenção da perda de peso e para a redução do risco cardiovascular a longo prazo.

    Veja mais: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre compulsão alimentar e bulimia?

    Na compulsão alimentar não há comportamentos compensatórios, como vômitos ou uso de laxantes, o que ocorre na bulimia.

    Quais são os principais sintomas da compulsão alimentar?

    Os principais sintomas da compulsão alimentar envolvem comer rapidamente, ingerir grandes quantidades mesmo sem fome, comer até sentir desconforto físico e sentir culpa ou vergonha após os episódios.

    Como é feito o diagnóstico da compulsão alimentar?

    O diagnóstico é clínico, feito por profissional de saúde, com base na frequência dos episódios e nos comportamentos associados.

    Com que frequência os episódios precisam ocorrer para caracterizar o transtorno?

    Normalmente, ao menos uma vez por semana, por três meses ou mais, segundo critérios clínicos.

    A compulsão alimentar tem cura?

    Não se fala em cura, mas em controle. Com tratamento adequado, é possível reduzir episódios e melhorar a relação com a comida.

    Quem pode usar medicamentos à base de GLP-1?

    Pessoas com obesidade, sobrepeso associado a comorbidades ou diabetes tipo 2, sempre com indicação médica.

    O GLP-1 pode ser usado por tempo prolongado?

    Em muitos casos, sim, desde que haja acompanhamento médico e avaliação regular dos benefícios e riscos.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Os benefícios dos agonistas do GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, podem ir muito além da perda de peso e do controle do açúcar no sangue.

    De acordo com estudos recentes, as canetas emagrecedoras apresentam impacto no perfil lipídico, reduzindo principalmente os níveis de triglicerídeos e do colesterol ruim (LDL), além de ajudarem na manutenção ou até em um leve aumento do colesterol bom (HDL).

    Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar como essas medicações influenciam o metabolismo das gorduras e qual é o papel da perda de peso nesse processo. Confira!

    Canetas emagrecedoras e colesterol: como elas melhoram o perfil lipídico?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os agonistas do GLP-1 atuam em diferentes frentes do metabolismo, envolvendo tanto o fígado quanto o intestino.

    No fígado, a medicação reduz a produção de VLDL, uma lipoproteína de muito baixa densidade responsável pelo transporte de triglicerídeos, o que diminui a quantidade de gordura liberada na circulação.

    No intestino, o retardo do esvaziamento gástrico e da absorção de gorduras após as refeições ajuda a evitar picos de gordura no sangue.

    Juliana explica que a melhora do perfil lipídico acontece, principalmente, como consequência da perda de peso. Com o emagrecimento, ocorre melhora da resistência à insulina, tornando o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    Contudo, também existem evidências de que os agonistas do GLP-1 exercem um efeito direto na redução do processo inflamatório do organismo e da inflamação do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, o que contribui de forma adicional para a melhora dos níveis de colesterol.

    As canetas emagrecedoras substituem os remédios para colesterol?

    Os agonistas do GLP-1 podem ajudar a melhorar os exames de colesterol, mas não substituem os medicamentos usados no tratamento.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, as estatinas, que são os remédios específicos para controlar o colesterol, têm um efeito muito mais efetivo. Em alguns casos, conseguem reduzir até 50% dos níveis de colesterol ruim, enquanto os agonistas do GLP-1 promovem uma redução em torno de 10%.

    No caso dos triglicerídeos, as canetas emagrecedoras costumam ter um efeito mais significativo. Mesmo assim, as estatinas continuam sendo a principal opção para o tratamento do colesterol.

    Por isso, é necessário manter o uso das estatinas sempre que houver indicação médica, mesmo durante o tratamento com agonistas do GLP-1.

    Quem tem colesterol normal também se beneficia?

    Mesmo em pacientes com colesterol normal e em uso de estatinas, a adição dos agonistas do GLP-1 demonstrou impacto na redução do risco de infarto e AVC.

    Segundo Juliana, isso acontece principalmente devido à ação anti-inflamatória, à melhora da função do endotélio, que corresponde à parede interna dos vasos sanguíneos, e à melhora da pressão arterial.

    Tudo isso contribui para um benefício cardiovascular positivo, mesmo quando os níveis de colesterol já estão controlados.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Por que emagrecer melhora o colesterol?

    A perda de peso melhora a resistência à insulina e torna o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    É seguro usar GLP-1 junto com estatina?

    Sim, quando indicado pelo médico. As medicações atuam por mecanismos diferentes e podem se complementar.

    Quanto tempo leva para notar melhora nos exames?

    As mudanças costumam aparecer de forma gradual, acompanhando a perda de peso ao longo dos meses.

    Qual a diferença entre colesterol LDL e HDL?

    O LDL é conhecido como colesterol ruim, pois pode se acumular nas artérias. O HDL é chamado de colesterol bom, pois ajuda a remover o excesso de gordura da circulação.

    A alimentação influencia muito nos níveis de colesterol?

    Sim, o consumo excessivo de gorduras saturadas, ultraprocessados e açúcar pode elevar os níveis de colesterol e triglicerídeos.

    Com que frequência o colesterol deve ser avaliado?

    A periodicidade depende do perfil de risco, mas geralmente a avaliação ocorre pelo menos uma vez por ano ou conforme orientação médica.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

  • Emagrecer rápido demais faz mal ao coração? Entenda o papel das canetas emagrecedoras

    Emagrecer rápido demais faz mal ao coração? Entenda o papel das canetas emagrecedoras

    Independentemente do método escolhido, o emagrecimento acelerado e sem orientação médica pode trazer uma série de riscos para a saúde.

    Quando a perda de peso ocorre de forma brusca, o coração precisa lidar com alterações no volume de sangue, na pressão arterial e na disponibilidade de energia — o que pode aumentar o risco de tonturas, queda de pressão e alterações no ritmo cardíaco.

    Com a popularização dos remédios agonistas de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, o quadro merece uma atenção ainda mais especial. Vamos entender mais a relação, a seguir.

    Emagrecer rápido demais faz mal para o coração?

    De acordo com a cardiologista Juliana Soares, apesar do emagrecimento a longo prazo trazer benefícios para o sistema cardiovascular, devido a redução da gordura corporal, uma perda de peso muito rápida pode promover uma situação de estresse agudo para o organismo.

    A perda acelerada de peso pode levar à falta de nutrientes importantes, como potássio e magnésio, que são essenciais para o funcionamento do coração. Também pode ocorrer a perda excessiva de massa muscular, e como o coração é um músculo, ele também pode ser afetado.

    Para completar, quedas súbitas de pressão arterial, tonturas e alterações no ritmo cardíaco podem surgir no processo, especialmente quando o organismo é submetido a um estresse metabólico intenso.

    O uso de canetas emagrecedoras aumenta o risco?

    Os agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, atuam no organismo reduzindo o apetite, aumentando a sensação de saciedade e retardando o esvaziamento gástrico. Com isso, a ingestão de alimentos tende a diminuir de forma significativa, o que favorece a perda de peso.

    Segundo Juliana, se a dose for aumentada de maneira muito rápida ou se o paciente simplesmente deixar de comer por não sentir fome, e a perda de peso ultrapassar o limite recomendado (como mais de 1 kg por semana), pode ocorrer uma perda desproporcional de massa magra em vez de gordura, o que não é saudável.

    Por isso, esse tipo de medicamento deve ser usado com orientação médica, com ajuste das doses e atenção ao ritmo da perda de peso. O acompanhamento profissional garante uma alimentação adequada, preserva nutrientes essenciais e permite o monitoramento do organismo ao longo do tratamento, como explica Juliana.

    Como saber se o corpo está emagrecendo rápido demais?

    O organismo costuma dar indícios quando a perda de peso acontece em uma velocidade inadequada para o metabolismo. Alguns sintomas podem indicar que o emagrecimento está ocorrendo de forma acelerada demais, como:

    • Fadiga excessiva e tontura, que podem indicar desidratação ou hipoglicemia;
    • Queda intensa de cabelo, relacionada ao choque metabólico;
    • Irritabilidade e falta de energia, causadas pela deficiência de nutrientes que afetam o funcionamento do cérebro;
    • Flacidez acentuada, associada à perda excessiva de massa muscular;
    • Formação de cálculos biliares, conhecidos como pedras na vesícula, que ocorre porque a bile se torna mais concentrada durante perdas de peso muito rápidas.

    Se os sinais surgirem, é importante procurar avaliação médica para reavaliar a estratégia de emagrecimento e ajustar o ritmo da perda de peso.

    Por que emagrecer com equilíbrio é fundamental?

    Quando o emagrecimento é feito de forma gradual, o corpo consegue se adaptar melhor às mudanças. Isso ajuda a preservar a massa muscular, manter vitaminas e minerais em níveis adequados e evitar sobrecarga para o coração.

    A perda de peso mais lenta também contribui para manter a pressão arterial estável, reduzir o risco de alterações no ritmo do coração e deixar o metabolismo funcionando de forma mais equilibrada.

    Com acompanhamento médico e nutricional, o processo se torna mais seguro, sustentável e benéfico para a saúde ao longo do tempo.

    Perguntas frequentes

    Por que o emagrecimento com GLP-1 costuma ser mais eficiente?

    Além de reduzir a quantidade de alimentos ingeridos, os medicamentos atuam em áreas do cérebro ligadas à fome e ao prazer alimentar. Isso ajuda a diminuir a vontade de comer em excesso, principalmente alimentos calóricos, facilitando a adesão ao tratamento.

    Qual é um ritmo considerado seguro de emagrecimento?

    De modo geral, a perda de até 0,5 a 1 kg por semana costuma ser considerada mais segura, pois permite que o organismo se adapte sem sobrecarga.

    Quem pode usar agonistas do GLP-1 para emagrecer?

    O uso costuma ser indicado para pessoas com sobrepeso ou obesidade, especialmente quando há doenças associadas, como diabetes ou resistência à insulina. A indicação deve ser sempre médica.

    Existem riscos cardiovasculares com o uso do GLP-1?

    Quando bem indicado e acompanhado, o tratamento tende a trazer benefícios cardiovasculares, principalmente em pessoas com excesso de peso e diabetes.

    O que acontece se o medicamento for suspenso?

    Sem mudanças sustentáveis nos hábitos, pode ocorrer retorno do apetite e recuperação do peso. Por isso, o tratamento deve fazer parte de uma estratégia mais ampla.

    A perda de massa muscular afeta a saúde do coração?

    Sim! Como o coração é um músculo, perdas excessivas de massa muscular refletem em menor reserva energética e podem comprometer o desempenho cardiovascular.

    Desidratação durante o emagrecimento pode afetar o coração?

    Pode. A desidratação altera o volume de sangue circulante, o que pode causar tonturas, queda de pressão e sobrecarga cardíaca.