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  • Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    O orforglipron é um medicamento de via oral que pertence à classe dos análogos de GLP-1 e recentemente foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

    Ao contrário de treatments populares como o Ozempic e o Wegovy (semaglutida), que exigem aplicações de injeções subcutâneas semanais, o novo remédio é um comprimido de uso diário.

    No Brasil, o remédio ainda não foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado.

    “Apesar de se tratar de um mecanismo de ação já conhecido, ele chamou a atenção por ser mais uma opção no tratamento dessas doenças e principalmente por ser um agonista sintético não peptídico. Isso é inovador”, aponta o endocrinologista André Colapietro.

    O que é o orforglipron?

    O orforglipron, comercializado nos Estados Unidos com o nome comercial Foundayo, é um medicamento de uso oral, em formato de comprimido diário, desenvolvido para o tratamento da obesidade, do sobrepeso com comorbidades e do diabetes tipo 2. Ele pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, a mesma de compostos injetáveis como a semaglutida e a tirzepatida.

    Segundo André, um dos principais diferenciais do orforglipron é o fato de ser administrado por via oral, sem necessidade de jejum prolongado ou cuidados muito específicos com horários e alimentação. Porém, as recomendações definitivas dependem ainda da aprovação regulatória final e da bula oficial.

    “Muitas pessoas têm resistência ao uso de injeções, medo de agulhas ou dificuldade prática de armazenamento e aplicação. Um comprimido diário pode tornar o tratamento mais confortável e aceitável para parte dos pacientes”, aponta André.

    Como o orforglipron funciona no corpo?

    O medicamento atua imitando a ação do hormônio natural GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições. No corpo, ele desempenha funções importantes para a perda de peso e controle glicêmico, como:

    • Sinalização de saciedade: atua nos receptores do cérebro para reduzir o apetite e aumentar a sensação de que o corpo já está alimentado;
    • Retardo no esvaziamento gástrico: faz com que a comida permaneça mais tempo no estômago, prolongando a saciedade ao longo do dia;
    • Regulação da glicose: estimula a liberação de insulina pelo pâncreas apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos, além de diminuir a produção de glicose pelo fígado.

    Diferente das versões injetáveis, André esclarece que o orforglipron é uma molécula não peptídica. Na prática, isso significa que ele foi estruturado quimicamente para resistir aos ácidos e enzimas do sistema digestivo, permitindo que seja totalmente absorvido pelo estômago de forma direta.

    Qual a diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1, como Ozempic?

    A principal diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1 está na estrutura química e na forma de uso.

    Enquanto a semaglutida, por exemplo, é composto por proteínas que seriam destruídas pelo estômago se fossem engolidas, precisando de uma aplicação por injeção semanal e armazenamento em geladeira, o orforglipron é uma molécula menor e mais estável, que resiste aos ácidos digestivos e pode ser consumida diariamente como um comprimido guardado em temperatura ambiente.

    O remédio também contorna as limitações da semaglutida oral já existente no mercado, pois dispensa a necessidade de jejum rígido e restrição de água, podendo ser tomado a qualquer hora do dia com ou sem alimentos.

    Por fim, estudos clínicos de fase 3, publicados no periódico The Lancet, compararam diretamente o desempenho do orforglipron com a semaglutida oral no tratamento do diabetes tipo 2 e perda de peso.

    O orforglipron, nas doses mais altas, apresentou resultados melhores, reduzindo a hemoglobina glicada (exame que reflete a média da glicose no sangue) em cerca de 1,9 a 2,2 pontos percentuais e promovendo uma perda de peso média de até 9,2% em um ano.

    Já a semaglutida oral, nas doses avaliadas no mesmo estudo, reduziu a hemoglobina glicada em cerca de 1,4 ponto percentual e o peso corporal em aproximadamente 5,3%.

    Ambos causam os mesmos efeitos gastrointestinais, mas como o orforglipron é uma molécula mais potente no estômago, a taxa de pessoas que interromperam o tratamento por efeitos colaterais foi ligeiramente maior quando comparada às que usavam semaglutida oral.

    Quanto o Orforglipron promete emagrecer?

    Os resultados dos estudos indicam que o potencial de emagrecimento do orforglipron depende da dose utilizada e do tempo de tratamento.

    Segundo um estudo publicado em 2024 na revista científica Obesity Science & Practice, o orforglipron promoveu uma perda de peso média entre 5,5% e 8,8% do peso corporal após cerca de 26 semanas de tratamento, dependendo da dose utilizada. Os melhores resultados foram observados com as doses de 24 mg e 36 mg por dia.

    Dados mais recentes de um estudo de fase 3, publicado em 2025 no The New England Journal of Medicine (NEJM), mostraram resultados ainda mais expressivos. Após 72 semanas de tratamento, os participantes que utilizaram 36 mg de orforglipron perderam, em média, 11,2% do peso corporal, enquanto o grupo placebo perdeu 2,1%.

    Além disso, no grupo que recebeu a dose de 36 mg, 54,6% dos participantes perderam pelo menos 10% do peso corporal, 36% perderam ao menos 15% e 18,4% alcançaram uma redução igual ou superior a 20% do peso inicial.

    Na prática, isso significa que uma pessoa com 100 kg poderia perder, em média, cerca de 11 kg ao longo de aproximadamente um ano e meio de tratamento. Em alguns casos, a perda pode ser ainda maior, especialmente quando o medicamento é associado a mudanças na alimentação e à prática regular de atividade física.

    Quais são os efeitos colaterais do medicamento?

    Os efeitos colaterais do orforglipron são muito semelhantes aos observados em outros medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 (como o Ozempic e o Mounjaro):

    • Náuseas e enjoos;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação (prisão de ventre);
    • Sensação de estufamento, gases ou cólicas leves;
    • Diminuição acentuada do apetite.

    Os sintomas costumam se manifestar com maior intensidade no início do tratamento ou logo após o aumento das doses, tendendo a diminuir ou desaparecer à medida que o corpo se adapta à medicação.

    Como acontece com qualquer medicamento dessa classe, quadros mais graves, como inflamação no pâncreas (pancreatite) ou problemas na vesícula biliar, são considerados raros, mas precisam de acompanhamento e monitoramento médico rigoroso durante o tratamento.

    “Cada organismo responde de maneira diferente, e o acompanhamento médico é importante para avaliar a tolerabilidade e segurança”, complementa André.

    Cuidados quanto ao medicamento

    Apesar dos resultados promissores, o orforglipron não funciona como uma solução isolada para a obesidade. Segundo André, ele depende de avaliação individualizada, mudanças de hábitos, acompanhamento médico e manejo de expectativas realistas.

    “Além disso, resultados divulgados em estudos costumam representar médias populacionais, acompanhamento rigoroso e progressão até a dose máxima e não garantem que todos terão a mesma resposta, pode existir variação individual nos resultados, além das outras variáveis envolvidas no processo do tratamento”, destaca o especialista.

    Também é importante considerar os possíveis efeitos colaterais, as contraindicações, os custos do tratamento e a necessidade de acompanhamento médico a longo prazo.

    Quando o Orforglipron chega ao mercado?

    No Brasil, o medicamento ainda não está disponível para compra e não tem uma data exata de lançamento definida. Para chegar às farmácias brasileiras, a farmacêutica Eli Lilly precisa submeter os dados completos de eficácia e segurança à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e obter o registro sanitário.

    Após a aprovação da Anvisa, o medicamento ainda precisará passar pela definição de preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), um processo que costuma levar alguns meses até que o produto chegue efetivamente às prateleiras.

    Perguntas frequentes

    1. O orforglipron já foi aprovado?

    Sim. Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu aprovação da agência regulatória FDA (Food and Drug Administration) e foi batizado com o nome comercial Foundayo.

    2. Precisa tomar o orforglipron em jejum?

    Não. Esse é um dos seus grandes diferenciais em relação aos outros comprimidos da mesma classe. O orforglipron pode ser tomado a qualquer hora do dia, com ou sem alimentos, e com qualquer quantidade de água.

    3. O orforglipron serve para tratar diabetes?

    Sim. No tratamento do diabetes tipo 2, ele ajuda o pâncreas a liberar insulina de forma inteligente (apenas quando o açúcar no sangue está alto) e reduz a produção de glicose pelo fígado.

    4. O remédio é seguro para o estômago?

    A maioria dos efeitos colaterais é considerada de leve a moderada, mas por ser um comprimido digerido diretamente no estômago, ele causou um pouco mais de desconforto gástrico nos testes do que as versões injetáveis, levando alguns pacientes a abandonarem o tratamento.

    5. Ele causa hipoglicemia (queda drástica de açúcar no sangue)?

    O risco de hipoglicemia é muito baixo quando o orforglipron é usado sozinho, porque ele só estimula a produção de insulina se os níveis de açúcar no sangue estiverem elevados. O risco aumenta apenas se ele for combinado com remédios antigos para diabetes, como a insulina sintética.

    6. O orforglipron vai precisar de receita médica?

    Sim. Assim como todos os análogos de GLP-1, se aprovado pela Anvisa, sua venda provavelmente só será permitida mediante receita médica.

  • Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida? Endocrinologista explica

    Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida? Endocrinologista explica

    A semaglutida e a tirzepatida, princípios ativos de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, atuam no organismo imitando a ação de hormônios naturais liberados pelo intestino após a alimentação, que participam do controle da fome e dos níveis de glicose no sangue.

    Com isso, eles ajudam a reduzir o apetite, aumentar a sensação de saciedade e melhorar o controle glicêmico ao longo do dia.

    Mas afinal, qual a diferença entre eles? A semaglutida e a tirzepatida pertencem a uma nova geração de tratamentos metabólicos, mas se diferenciam principalmente pela quantidade de receptores que conseguem ativar no corpo. Vamos entender mais, a seguir.

    Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida?

    A principal diferença entre a semaglutida e a tirzepatida está na forma como cada uma atua nos hormônios que regulam o metabolismo.

    A semaglutida é um análogo do GLP-1, de modo que atua imitando a ação de um único hormônio ligado ao controle da fome e da glicose.

    Já a tirzepatida, segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, é considerada uma medicação de ação dupla, pois atua tanto no GLP-1 quanto no GIP, outro hormônio intestinal que também participa da regulação do metabolismo.

    Na prática, isso significa que a tirzepatida pode ter um efeito mais amplo sobre o controle do apetite e da glicemia. De acordo com estudos, o tratamento com a tirzepatida pode apresentar uma maior redução de peso em comparação com a semaglutida, mas a resposta pode variar de acordo com cada organismo.

    Como cada uma atua no organismo?

    Semaglutida

    A semaglutida atua estimulando receptores de GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após a alimentação. Segundo Daniella, o GLP-1 envia sinais de saciedade ao cérebro, o que contribui para a redução da fome ao longo do dia.

    Ela também diminui o ritmo de esvaziamento do estômago, fazendo com que o alimento permaneça por mais tempo no trato digestivo, o que prolonga a sensação de saciedade.

    Por fim, o princípio ativo estimula a liberação de insulina de forma dependente da glicose, então a ação ocorre principalmente quando os níveis de açúcar estão mais elevados. Ao mesmo tempo, há uma redução na liberação de glucagon, hormônio que aumenta a glicemia. Como resultado, ocorre um controle mais estável dos níveis de açúcar ao longo do dia, com menor risco de picos glicêmicos.

    Tirzepatida

    A tirzepatida, por outro lado, age no organismo imitando a ação de dois hormônios naturais liberados pelo intestino após a alimentação: o GLP-1 e o GIP. Ambos fazem parte do grupo das incretinas, substâncias que auxiliam na regulação da glicose no sangue e no apetite.

    O GIP, assim como o GLP-1, também estimula a produção de insulina após a alimentação e pode potencializar o efeito do hormônio no controle da glicemia. Além disso, ele está relacionado ao metabolismo energético, podendo influenciar a forma como o organismo utiliza e armazena os nutrientes.

    Na realidade, isso pode resultar em uma redução mais significativa do apetite, melhor controle da glicose e, em muitos casos, maior perda de peso, sempre dependendo da resposta individual de cada pessoa.

    Quais são os efeitos colaterais?

    A semaglutida e a tirzepatida apresentam efeitos colaterais semelhantes, principalmente porque atuam nos mesmos sistemas do organismo. Os mais comuns incluem:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação;
    • Sensação de estômago cheio;
    • Redução do apetite.

    Na maioria das situações, os sintomas são leves a moderados e tendem a melhorar com o tempo, conforme o corpo se acostuma com os medicamentos. Segundo Daniella, um fator interessante é que a tirzepatida costuma causar menos náusea do que a semaglutida, porque o GIP ajuda a equilibrar esse efeito.

    Se a pessoa apresentar sinais como dor abdominal intensa e persistente, vômitos frequentes, dificuldade de respirar ou sintomas de desidratação, é importante procurar avaliação médica o quanto antes para investigar a causa e evitar complicações.

    Quem pode usar cada um?

    A semaglutida e a tirzepatida são indicadas para adultos com diabetes tipo 2 e para pessoas com obesidade ou sobrepeso, especialmente quando há outras condições associadas, como hipertensão, colesterol elevado ou resistência à insulina.

    No caso do controle do peso, Daniella explica que a indicação costuma ser feita para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando existem doenças associadas.

    A avaliação considera não apenas o peso, mas também o histórico de saúde, os hábitos de vida e as tentativas anteriores de emagrecimento.

    Como escolher entre semaglutida e tirzepatida?

    A escolha entre a semaglutida e a tirzepatida depende de uma série de fatores, que precisam ser avaliados por um profissional da saúde. No caso de pessoas com diabetes tipo 2, ambas podem ser utilizadas para melhorar o controle glicêmico.

    Em alguns casos, a tirzepatida pode ser considerada quando há necessidade de um controle mais intensivo da glicose ou quando a resposta à semaglutida não foi suficiente, sempre com avaliação individual.

    Por isso, o uso deve ser sempre orientado por um médico, que pode avaliar os benefícios e os possíveis riscos para cada pessoa, definir a melhor opção e acompanhar a evolução ao longo do tratamento. Nunca se automedique!

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Qual delas emagrece mais rápido?

    Estudos clínicos mostram que a tirzepatida tende a promover uma perda de peso maior e mais rápida em comparação à semaglutida, devido à sua ação em dois receptores hormonais diferentes. Contudo, isso pode variar dependendo da resposta do organismo.

    2. A tirzepatida é mais segura que a semaglutida?

    Ambas possuem perfis de segurança semelhantes e foram aprovadas por órgãos rigorosos (como ANVISA e FDA). A segurança depende da avaliação médica das contraindicações de cada paciente.

    3. Posso trocar Ozempic por Mounjaro?

    Sim, a troca é possível, mas deve ser feita exclusivamente sob orientação médica para ajustar as doses equivalentes e monitorar a adaptação do organismo.

    4. Qual o nome comercial da tirzepatida?

    O nome comercial mais conhecido da tirzepatida é o Mounjaro (fabricado pela Eli Lilly).

    5. Qual o nome comercial da semaglutida?

    Os nomes comerciais mais comuns são Ozempic (para diabetes), Wegovy (específico para obesidade) e Rybelsus (oral).

    6. Elas interferem na absorção de outros remédios?

    Sim. Como ambas retardam o esvaziamento do estômago, tanto a semaglutida quanto a tirzepatida pode atrasar a absorção de medicamentos orais, como anticoncepcionais. Consulte o médico sobre isso.

    7. Posso usar semaglutida e tirzepatida ao mesmo tempo?

    Não. Elas agem em caminhos semelhantes e a combinação aumenta o risco de efeitos colaterais graves sem nenhum benefício clínico comprovado.

    8. É necessário fazer dieta enquanto usa Ozempic ou Mounjaro?

    Sim! Eles são apenas ferramentas que facilitam a adesão à dieta. Sem um déficit calórico e uma alimentação equilibrada, além da prática de atividades físicas, a perda de peso será menor e o risco de recuperar o peso após parar o tratamento é muito alto.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    O tratamento com os análogos de GLP-1, como semaglutida ou tirzepatida, atua diretamente nos mecanismos que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo, te ajudando a reduzir a ingestão alimentar de forma mais natural e sustentável.

    Por isso, eles são indicados especialmente em casos de obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    Em algumas semanas, já é possível notar os primeiros resultados na perda de peso, o que pode levantar uma dúvida comum: afinal, por quanto tempo é necessário manter a aplicação das injeções? Segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, a resposta depende de cada caso e deve ser individualizada, sempre com o acompanhamento de um médico.

    Quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro?

    A duração do tratamento com semaglutida ou tirzepatida pode variar de acordo com o perfil de cada pessoa. O tempo de uso depende especialmente de três fatores: a causa do ganho de peso, a resposta ao tratamento e a presença de outras condições de saúde.

    De acordo com Daniella, em situações em que o ganho de peso está ligado a um fator pontual, como uma gestação, um período de estresse intenso ou mudanças na rotina, o uso pode ser indicado temporariamente para a pessoa retornar ao peso anterior.

    Após a perda de peso e a retomada de hábitos saudáveis, alguns pacientes conseguem suspender a medicação com acompanhamento médico.

    Por outro lado, em casos de obesidade de longa data, em que existe uma tendência biológica ao ganho de peso, o tratamento pode ser mais prolongado. A obesidade é considerada uma doença crônica e, assim como outras condições, pode precisar de um cuidado contínuo para manter os resultados ao longo do tempo.

    Então, é possível usar para sempre?

    Em alguns casos, sim. Quando a obesidade é crônica e existe risco de reganho de peso, o uso pode ser prolongado ou até contínuo, de forma semelhante ao tratamento de outras doenças, como hipertensão ou diabetes.

    O que acontece ao interromper o uso?

    Quando o uso de medicamentos como Ozempic ou Mounjaro é interrompido, Daniella explica que um dos principais efeitos é o retorno gradual do apetite. Os remédios agem enquanto estão presentes no organismo, ajudando a aumentar a saciedade e reduzir a fome. Sem eles o corpo volta a funcionar como antes do tratamento, o que pode levar a:

    • Aumento da fome ao longo do dia;
    • Redução da sensação de saciedade nas refeições;
    • Maior dificuldade em controlar as porções;
    • Tendência ao reganho de peso.

    Em muitas pessoas, acontece a recuperação parcial ou total do peso perdido, especialmente quando ela não consegue manter uma rotina de hábitos saudáveis durante o tratamento.

    Também vale apontar que, durante o emagrecimento, pode ocorrer a perda de massa muscular, principalmente quando não há o consumo adequado de proteínas nem a prática de exercícios de força. Segundo Daniella, como a massa muscular influencia diretamente o gasto calórico em repouso, a redução pode facilitar ainda mais o ganho de peso com a interrupção do medicamento.

    Com isso, pode surgir o conhecido efeito sanfona, em que a pessoa perde e ganha peso repetidamente ao longo do tempo.

    Em cada ciclo, o corpo tende a perder a massa muscular durante o emagrecimento e recuperar principalmente gordura quando o peso volta a subir. Daniella aponta que o processo pode desacelerar o metabolismo progressivamente, tornando cada nova tentativa de emagrecimento mais difícil.

    É possível evitar o reganho do peso?

    A resposta é sim, desde que a interrupção do remédio seja feita com acompanhamento médico e de maneira gradual. Algumas medidas incluem:

    • Redução gradual da medicação: o médico pode diminuir a dose ou espaçar as aplicações aos poucos, o que ajuda o corpo a se adaptar sem provocar picos de fome;
    • Cuidado com o metabolismo: durante o emagrecimento, a pessoa pode perder massa muscular. Por isso, a prática de exercícios de força e o consumo adequado de proteínas são importantes para manter o metabolismo mais ativo;
    • Manutenção dos hábitos: o período de uso do medicamento deve servir para ajustar a rotina alimentar. Quando o tratamento termina, os hábitos precisam já fazer parte do dia a dia;
    • Apoio emocional: em muitos casos, o acompanhamento psicológico ajuda a lidar com a relação com a comida, evitando que a alimentação volte a ser uma forma de compensar emoções.

    Como os remédios imitam hormônios naturais do corpo, parar de usar de forma abrupta pode aumentar a fome e diminuir o gasto de energia, facilitando o ganho de peso.

    Existem riscos no uso prolongado de Ozempic ou Mounjaro?

    Os análogos de GLP-1 são considerados seguros quando bem indicados e acompanhados, mas o uso contínuo precisa de monitoramento. Os efeitos mais comuns são gastrointestinais, principalmente no início ou após aumento de dose:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia ou constipação;
    • Sensação de estômago cheio.

    Os estudos de longo prazo ainda são limitados, e o uso indevido sem supervisão médica pode aumentar riscos cardiovasculares e metabólicos, como desidratação, alterações na função renal e desequilíbrios eletrolíticos, especialmente em casos de vômitos e diarreia frequentes.

    A perda de peso rápida e sem acompanhamento também pode causar a perda de massa muscular, o que afeta diretamente o metabolismo e pode dificultar a manutenção do peso ao longo do tempo. Em alguns casos, também pode acontecer a formação de pedras na vesícula, principalmente quando o emagrecimento ocorre de forma muito acelerada.

    Também é importante lembrar que nem todas as pessoas podem usar os medicamentos. As pessoas com histórico de pancreatite, com doenças específicas da tireoide ou com problemas gastrointestinais precisam de uma avaliação médica antes de iniciar o uso.

    Quando o médico pode recomendar a interrupção?

    O médico pode recomendar a interrupção do Ozempic ou do Mounjaro em algumas situações específicas, como:

    • O objetivo do tratamento foi alcançado e a pessoa consegue manter uma rotina saudável com alimentação equilibrada e atividade física regular;
    • O ganho de peso teve uma causa pontual, como uma gestação, um período de estresse ou uma mudança de rotina;
    • Há efeitos colaterais persistentes, como náuseas intensas, vômitos frequentes ou dor abdominal importante;
    • Surgem sinais de complicações, como suspeita de pancreatite, problemas na vesícula ou alterações nos exames;
    • O medicamento não está trazendo o resultado esperado mesmo com o uso correto;
    • Existe alguma contraindicação, como histórico de pancreatite ou doenças específicas da tireoide.

    Vale ressaltar que você nunca deve iniciar ou interromper o uso de análogos de GLP-1 sem orientação médica. Apenas um profissional pode determinar a dosagem segura, avaliar contraindicações e realizar o desmame correto para evitar riscos para a saúde.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo leva para o Ozempic começar a fazer efeito?

    Os níveis de açúcar no sangue começam a baixar nos primeiros dias, mas a perda de peso significativa costuma ser percebida após as primeiras 4 semanas, conforme a dose é ajustada.

    2. O uso prolongado de GLP-1 vicia o organismo?

    Não causa dependência química (vício), mas como a obesidade é crônica, o corpo pode precisar do estímulo contínuo para manter o peso, assim como na hipertensão.

    3. Posso usar Ozempic apenas para perder 2 ou 3 quilos?

    Não, o medicamento é indicado para casos de obesidade ou sobrepeso com complicações de saúde, não para fins puramente estéticos e de curto prazo.

    4. É normal parar de perder peso depois de alguns meses de uso?

    Sim, pode ocorrer o chamado “platô”. Nesses casos, o médico avalia se é necessário ajustar a dose ou mudar a estratégia alimentar e de exercícios.

    5. O que acontece se eu esquecer de aplicar na data certa?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar disso, pule a dose e retome no dia habitual da semana seguinte.

    6. É seguro usar análogos de GLP-1 durante a gravidez?

    Não, o uso deve ser interrompido pelo menos 2 meses antes de tentar engravidar, pois pode afetar o desenvolvimento do feto.

    7. É necessário fazer exames de sangue periódicos durante o uso prolongado?

    Sim, o médico normalmente solicita exames de função renal, hepática, amilase e lipase (pâncreas), além de monitorar os níveis de glicose e vitaminas.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

  • Sente fraqueza com o uso de GLP-1? Veja os erros mais comuns na dieta e como evitar 

    Sente fraqueza com o uso de GLP-1? Veja os erros mais comuns na dieta e como evitar 

    A sensação de fraqueza com o uso de canetas emagrecedoras (medicamentos análogos do GLP-1), como Ozempic e Mounjaro, é um dos efeitos mais comuns durante o tratamento. Ele acontece especialmente por erros alimentares que prejudicam a produção de energia no dia a dia.

    Como os remédios atuam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento gástrico, é comum reduzir o consumo de alimentos, causando um déficit de energia que se manifesta através de cansaço, fraqueza e menor tolerância ao exercício — principalmente nas primeiras semanas ou após o aumento de dose, de acordo com a nutricionista Bárbara Yared.

    Portanto, mesmo em um processo de emagrecimento, o recomendado é manter uma alimentação rica em carboidratos de qualidade, proteínas e nutrientes que asseguram um aporte mínimo de energia e nutrientes para o bom funcionamento do organismo.

    Por que o uso de GLP-1 pode causar fraqueza?

    As canetas emagrecedoras imitam a ação de um hormônio natural do corpo chamado peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), que é liberado pelo intestino após a alimentação.

    Ele atua no sistema nervoso central, aumentando a sensação de saciedade, além de retardar o esvaziamento gástrico, o que pode reduzir ainda mais a vontade de comer.

    Com a ingestão menor de alimentos, é comum ocorrer uma redução no consumo de calorias e nutrientes essenciais, especialmente carboidratos e proteínas. Como os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo, uma ingestão insuficiente pode levar a sintomas como cansaço, tontura e queda de disposição.

    Bárbara ainda aponta que náuseas, vômitos ou diarreia, que podem ocorrer durante o uso dos agonistas de GLP-1, podem levar a uma desidratação leve e a alterações de eletrólitos. O desequilíbrio no organismo também contribui para a sensação de fraqueza, além de poder causar mal-estar, dor de cabeça e dificuldade de concentração.

    Quais os erros comuns na dieta de quem usa análogos de GLP-1?

    Com a falta de apetite, algumas escolhas alimentares no dia a dia acabam intensificando a sensação de fraqueza ao longo do tratamento, como:

    • Comer muito pouco ao longo do dia: com menos fome, muitas pessoas ficam horas sem comer sem perceber. Isso faz a energia cair, principalmente em quem faz exercício, já que o corpo precisa de combustível para funcionar bem e se recuperar;
    • Viver de “beliscos” ultraprocessados: a falta de fome leva a escolhas rápidas, como biscoitos, pão branco e doces. Apesar de práticos, eles têm pouca proteína e poucos nutrientes, e não sustentam a energia ao longo do dia;
    • Beber pouca água e poucos eletrólitos: a hidratação acaba ficando de lado, ainda mais quando há náusea ou diarreia. Isso pode piorar sintomas como cansaço, tontura e mal-estar;
    • Falta de vitaminas e minerais importantes: dietas com pouco ferro, vitamina B12 e folato podem piorar a disposição, principalmente em quem já tinha tendência à deficiência. Os nutrientes são importantes para a produção de energia e para a saúde como um todo.

    “Em contextos de grande redução calórica, é comum a ingestão baixa de proteínas, ferro e vitaminas do complexo B, nutrientes diretamente ligados a energia, massa muscular e bem-estar”, explica Bárbara.

    Como evitar o desânimo e a fadiga durante o tratamento?

    Em qualquer processo de emagrecimento, Bárbara explica que ocorre perda de gordura e também de uma pequena quantidade de massa magra. Com o uso de análogos de GLP-1, isso também pode acontecer quando a ingestão de proteína é insuficiente e não há estímulo de força.

    Nesse contexto, é importante adotar algumas medidas para evitar a fadiga, como:

    • Garanta proteína suficiente ao longo do dia: incluir boas fontes como ovos, carnes, iogurte e leguminosas ajuda a preservar a massa muscular. Em geral, a recomendação é de 1,2 a 1,6 g por kg de peso ao dia, podendo ser maior para quem treina;
    • Pratique exercícios de força regularmente: atividades como musculação ajudam a manter a massa muscular e melhoram a disposição;
    • Faça refeições menores e nutritivas: prefira pequenas porções com boa combinação de proteína, carboidrato e gordura, evitando grandes volumes que podem piorar o enjoo;
    • Mantenha o consumo de carboidratos: mesmo em menor quantidade, eles são importantes para dar energia, principalmente antes e depois do treino (ex: meia banana com iogurte ou torrada integral com queijo);
    • Hidrate-se ao longo do dia: beber água ao longo do dia ajuda a evitar sintomas como cansaço, tontura e indisposição, que podem piorar durante o uso do medicamento.

    Quando a suplementação é necessária?

    A suplementação pode ser necessária em alguns casos, mas deve ser vista como um complemento e não como substituto da alimentação, segundo Bárbara.

    Ela costuma ser indicada quando, mesmo com ajustes na dieta, ainda existem sinais de deficiência ou quando exames mostram níveis baixos de nutrientes como ferro, vitamina B12 ou vitamina D. Nesses casos, a suplementação ajuda a corrigir o déficit e melhorar sintomas como cansaço e fraqueza.

    Também pode ser útil quando há dificuldade em atingir a quantidade ideal de proteína apenas com a alimentação. Nessa situação, o uso de whey protein ou outra fonte proteica em pó pode ajudar a alcançar a meta diária de forma mais prática.

    “A decisão idealmente é feita com avaliação nutricional e exames laboratoriais, para direcionar o que realmente precisa ser suplementado”, esclarece a nutricionista.

    Quando ir ao médico?

    É importante procurar um médico quando alguns sinais começam a aparecer ou persistir durante o tratamento:

    • Cansaço constante e fraqueza: falta de energia que não melhora, dificuldade para realizar atividades do dia a dia ou queda no desempenho nos treinos;
    • Mudanças no corpo e no bem-estar: queda de cabelo, unhas frágeis, piora do humor, queda da libido ou sono de baixa qualidade;
    • Emagrecimento muito rápido: perda de peso acelerada, com redução visível de massa muscular (braços e pernas afinando demais);
    • Sinais de deficiência nutricional: exames alterados ou sintomas que indiquem falta de nutrientes importantes.

    A avaliação médica ajuda a ajustar a alimentação, o tratamento e, se necessário, incluir suplementação de forma adequada.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    1. Por que o cansaço é mais forte nos primeiros dias após a aplicação?

    É o período em que a concentração do medicamento no sangue está mais alta, intensificando a saciedade e, às vezes, as náuseas, o que dificulta a alimentação adequada.

    2. O uso de GLP-1 pode causar hipoglicemia (açúcar baixo no sangue)?

    Embora o mecanismo do GLP-1 raramente cause hipoglicemia sozinho em não diabéticos, a falta de alimentação prolongada pode baixar o açúcar no sangue, gerando tontura e tremores.

    3. Por que sinto tontura ao levantar rápido durante o tratamento?

    Isso pode ser sinal de desidratação ou queda na pressão arterial, ambos comuns quando a ingestão de líquidos e sais minerais diminui devido à falta de apetite.

    4. O que comer para diminuir o enjoo e a fraqueza?

    Priorize alimentos secos e de fácil digestão, como torradas integrais, frutas como banana e maçã, e carnes magras grelhadas. Evite gorduras e frituras, que retardam ainda mais a digestão.

    5. Quanto de proteína devo comer por dia?

    A recomendação varia, mas em dietas de emagrecimento com GLP-1, especialistas sugerem focar em pelo menos 1,2g a 1,6g de proteína por quilo de peso corporal, podendo ser maior em quem treina força.

    6. Quando a fraqueza deixa de ser comum e vira um sinal de alerta?

    Se você não consegue manter nenhum alimento no estômago por mais de 24h, sente confusão mental ou tem vômitos incoercíveis, procure um médico imediatamente.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Canetas emagrecedoras: cuidados e efeitos colaterais que você precisa conhecer 

    Canetas emagrecedoras: cuidados e efeitos colaterais que você precisa conhecer 

    Nos últimos anos, medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras ganharam enorme destaque no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Fármacos dessa classe, como os análogos do GLP-1, demonstraram grande eficácia na perda de peso e no controle da glicose no sangue, o que ampliou o interesse tanto de médicos e pacientes.

    Apesar dos benefícios, esses medicamentos não são uma solução mágica para emagrecer. Eles agem em mecanismos específicos do organismo e podem causar efeitos colaterais em algumas pessoas. Por isso, especialistas reforçam que o uso deve ser sempre acompanhado por profissionais de saúde e combinado com mudanças no estilo de vida.

    Assista: quais cuidados devem ser tomados com as canetas emagrecedoras

    Veja neste vídeo uma explicação direta sobre os cuidados necessários ao utilizar medicamentos dessa classe.

    O que são as chamadas “canetas emagrecedoras”

    As chamadas canetas emagrecedoras são um nome popular para medicamentos injetáveis usados originalmente no tratamento do diabetes tipo 2, mas que também demonstraram grande eficácia na perda de peso.

    Elas pertencem a uma classe de medicamentos chamada análogos do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), um hormônio que participa da regulação do apetite e do metabolismo da glicose.

    Entre seus principais efeitos estão:

    • Redução do apetite;
    • Aumento da sensação de saciedade;
    • Melhor controle da glicose no sangue;
    • Retardo do esvaziamento do estômago;
    • Auxílio na perda de peso.

    Além disso, estudos clínicos mostraram que alguns medicamentos dessa classe também podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares em pessoas com diabetes e obesidade.

    Como esses medicamentos ajudam na perda de peso

    Um dos principais mecanismos dos análogos de GLP-1 é retardar o esvaziamento do estômago, fazendo com que a digestão seja mais lenta e a sensação de saciedade dure mais tempo.

    Isso leva a:

    • Menor ingestão de alimentos;
    • Redução da fome entre as refeições;
    • Maior facilidade para seguir uma dieta equilibrada.

    Esse conjunto de efeitos explica por que muitas pessoas conseguem perder peso com o tratamento.

    Quem deve ter cuidado ao usar esses medicamentos

    Nem todas as pessoas podem utilizar medicamentos dessa classe. Existem contraindicações e situações que exigem avaliação médica cuidadosa.

    Por esse motivo, especialistas reforçam que o uso dessas medicações nunca deve ser feito por conta própria.

    Veja também: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes sobre canetas emagrecedoras

    As canetas emagrecedoras funcionam mesmo?

    Sim. Diversos estudos clínicos demonstraram que medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 podem promover perda de peso significativa quando associados a mudanças no estilo de vida.

    Esses medicamentos servem apenas para emagrecer?

    Não. Eles foram inicialmente desenvolvidos para tratar o diabetes tipo 2, ajudando a controlar os níveis de glicose no sangue.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Os mais frequentes são náuseas, vômitos, sensação de estômago cheio e desconforto digestivo, especialmente no início do tratamento.

    É possível perder o apetite completamente?

    Em alguns casos, a redução do apetite pode ser muito intensa. Por isso, é importante ter orientação médica e nutricional para manter uma alimentação adequada.

    O peso pode voltar depois de parar o medicamento?

    Sim. Se não houver mudanças sustentáveis na alimentação e no estilo de vida, existe risco de recuperação do peso.

    Posso usar canetas emagrecedoras por conta própria?

    Não. Esses medicamentos precisam de prescrição e acompanhamento médico para garantir segurança.

    Atividade física é necessária durante o tratamento?

    Sim. A prática regular de exercícios ajuda a potencializar a perda de peso e contribui para manter os resultados a longo prazo.

    Veja mais: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

  • 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras

    6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras

    Os análogos do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, transformaram o tratamento da obesidade e do sobrepeso. Conhecidos como “canetas emagrecedoras”, eles ajudam a controlar o apetite, aumentar a saciedade e até reduzir o ruído alimentar (food noise) — aquele pensamento insistente sobre comida. Mas, apesar dos resultados animadores, esses medicamentos não fazem tudo sozinhos.

    Para quem recebeu indicação médica e está começando o uso, seguir um plano estruturado é fundamental para garantir um emagrecimento seguro, contínuo e com preservação da massa muscular. A seguir, veja 6 dicas práticas para aproveitar melhor os resultados e manter o equilíbrio durante todo o tratamento.

    1. Nunca use canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico

    Pode parecer básico, mas este é o ponto-chave. Os agonistas de GLP-1 (como a semaglutida) e os agonistas de GLP-1 e GIP (como a tirzepatida) são medicamentos potentes, que exigem prescrição e monitoramento médico.

    Somente o médico pode indicar a dose ideal, avaliar contraindicações e ajustar o tratamento conforme a resposta do organismo. Usar por conta própria ou por sugestão de terceiros pode trazer riscos sérios.

    2. Tenha uma dieta validada por uma nutricionista

    As canetas não substituem uma alimentação equilibrada — elas são parceiras dela. O ideal é ter um plano alimentar personalizado e adequado à nova rotina de fome reduzida.

    A nutricionista ajuda a:

    • Garantir ingestão adequada de vitaminas, minerais e proteínas;
    • Evitar deficiências nutricionais;
    • Proteger a massa muscular e evitar queda de energia.

    3. Foque no aporte de proteínas

    Com menos fome, é fácil comer menos do que o corpo precisa. Se faltar proteína, porém, o organismo perde músculo junto com a gordura — e isso prejudica o metabolismo e a saúde.

    Por isso, mesmo sem muita fome, priorize:

    • Ovos, peixes, frango e carnes magras;
    • Queijos brancos, iogurtes naturais e whey protein;
    • Feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas.

    A proteína ajuda a manter o metabolismo ativo, melhora a saciedade e preserva os músculos durante o emagrecimento.

    4. Aplique a caneta estrategicamente

    Os efeitos de maior saciedade costumam atingir o pico cerca de dois dias após a aplicação. Por isso, uma estratégia útil é aplicar um ou dois dias antes dos momentos em que você costuma exagerar.

    Se os deslizes acontecem no fim de semana, aplicar a dose na quinta-feira pode ajudar a controlar melhor o apetite. Não substitui disciplina, mas é um reforço bem-vindo.

    5. Alinhe as expectativas

    Os resultados são consistentes, mas exigem paciência. Uma média de até 5% de perda de peso no primeiro mês já é considerada excelente.

    Evite comparações: cada corpo reage em um ritmo. O foco deve estar em perder gordura e preservar músculos, e não apenas em ver números menores na balança. Emagrecimento saudável também traz mais energia, disposição e melhora da composição corporal.

    6. Foque na musculação

    A musculação é o melhor complemento ao uso das canetas emagrecedoras, porque ela:

    • Preserva e aumenta a massa muscular;
    • Melhora o metabolismo;
    • Reduz o risco de efeito sanfona.

    Treinar com regularidade faz muita diferença. Combine exercícios de força com caminhadas ou outras atividades aeróbicas para cuidar também do coração.

    Veja mais: Ozempic, Mounjaro: como evitar o efeito rebote no emagrecimento?

    Perguntas frequentes sobre canetas emagrecedoras

    1. Posso usar canetas emagrecedoras sem receita?

    Não. São medicamentos de prescrição obrigatória. Automedicação é perigosa.

    2. Qual é a melhor hora para aplicar?

    Escolha um dia fixo da semana e mantenha horários semelhantes. Muitas pessoas preferem quinta-feira para reduzir o apetite no fim de semana.

    3. Quanto peso posso perder no primeiro mês?

    Em média, até 5% do peso corporal. Resultados maiores devem ser avaliados com o médico e a nutricionista.

    4. Posso fazer exercícios durante o uso?

    Sim — e é recomendável. A musculação preserva músculos, melhora o tônus e evita efeito sanfona.

    5. O que comer durante o tratamento?

    Priorize proteínas, vegetais, frutas, legumes e evite frituras, ultraprocessados e álcool.

    6. Posso parar quando atingir o peso ideal?

    Só com orientação médica, que definirá o melhor momento e a estratégia para interrupção.

    7. A caneta substitui dieta e treino?

    Não. Ela é um suporte importante, mas os resultados duradouros vêm do conjunto de hábitos saudáveis.

    Confira: Canetas emagrecedoras: saiba como evitar a perda de massa muscular