Autor: Dr. André Colapietro

  • Hipotireoidismo e ganho de peso: quantos quilos é possível engordar?

    Hipotireoidismo e ganho de peso: quantos quilos é possível engordar?

    O hipotireoidismo é uma disfunção em que a glândula tireoide não produz uma quantidade suficiente dos hormônios T3 e T4, responsáveis por regular o metabolismo e o funcionamento de praticamente todos os órgãos do corpo.

    Com a redução dos hormônios, o organismo funciona de maneira mais lenta, então o ganho de peso costuma ser um dos primeiros sinais notados pelos pacientes. Mas, ao contrário do que a maioria imagina, o hipotireoidismo costuma provocar um aumento de peso discreto, e não um ganho de dezenas de quilos.

    Na maioria dos casos, o peso extra varia entre 3 e 5 kg, sendo que os ganhos maiores normalmente estão associados a fatores como alimentação inadequada, sedentarismo ou outras condições de saúde.

    Quando o paciente inicia o tratamento médico adequado com a reposição do hormônio sintético, o corpo consegue eliminar os fluidos retidos e o peso da pessoa retorna ao padrão normal.

    Como o hipotireoidismo causa o ganho de peso?

    O ganho de peso no hipotireoidismo acontece porque os hormônios produzidos pela tireoide determinam a velocidade com que as células do corpo gastam energia. Quando os níveis de T3 e T4 estão baixos, o metabolismo basal, que representa a quantidade de energia necessária para manter as funções vitais em repouso, desacelera.

    Além da queima de calorias ficar mais lenta, a falta de estímulo hormonal também reduz a lipólise, processo responsável pela quebra das moléculas de gordura para a produção de energia.

    O organismo tende a gastar menos calorias ao longo do dia, o que pode favorecer um ganho gradual de peso quando associado a outros fatores, como alimentação inadequada e menor nível de atividade física.

    Por fim, o aumento de peso também pode ser causado pelo acúmulo de substâncias chamadas glicosaminoglicanos nos tecidos. As moléculas atraem água, provocando um inchaço difuso na pele e nos músculos, conhecido como mixedema. Logo, parte do aumento de peso observado no hipotireoidismo está relacionada à retenção de líquidos, e não ao acúmulo de gordura.

    Quantos quilos é possível engordar devido ao hipotireoidismo?

    De acordo com o médico endocrinologista André Colapietro, o ganho de peso causado diretamente pelo hipotireoidismo não acontece de forma ilimitada. Na maioria dos casos, o aumento costuma flutuar apenas entre três e cinco quilos, resultado da combinação entre a retenção de líquidos e a redução do metabolismo.

    O especialista ainda destaca que a disfunção não tem a capacidade de gerar um acúmulo tão massivo de tecido adiposo, e ganhos de peso de 10 ou 15 quilos não costumam ser justificados pelo hipotireoidismo.

    Caso a pessoa perceba um aumento de peso muito acentuado, os médicos precisam investigar outros fatores associados, como a presença de hábitos alimentares inadequados, a falta de atividade física diária ou a presença de outras doenças metabólicas.

    O peso acumulado é perdido após iniciar o tratamento?

    Na maioria dos casos, sim, mas nem todo o peso desaparece automaticamente. Quando o tratamento com levotiroxina normaliza os níveis dos hormônios da tireoide, o metabolismo volta a funcionar adequadamente e o organismo elimina boa parte da retenção de líquidos causada pelo hipotireoidismo.

    Segundo André, o médico ajusta a dosagem durante o acompanhamento do paciente para identificar qual é a quantidade de medicamento que ele realmente precisa em cada fase da vida.

    No entanto, se parte do ganho aconteceu por acúmulo de gordura corporal, apenas controlar o hipotireoidismo não será suficiente para emagrecer. Também é necessário manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e adotar hábitos saudáveis.

    O que fazer para emagrecer com hipotireoidismo?

    Para pessoas com diagnóstico de hipotireoidismo, o primeiro passo para perder peso é seguir corretamente o tratamento prescrito pelo endocrinologista.

    Quando os exames emitem que os níveis hormonais estão controlados e a dose da medicação está ajustada, o emagrecimento passa a depender principalmente da adoção de hábitos saudáveis, assim como acontece com pessoas que não têm a doença. Veja algumas dicas importantes:

    1. Tome o medicamento da forma correta

    O tratamento do hipotireoidismo só funciona quando a levotiroxina é usada corretamente. Siga todas as orientações do médico e tome o medicamento diariamente, em jejum, com água, aguardando o tempo recomendado antes de comer ou ingerir outros remédios.

    Além disso, não interrompa o tratamento por conta própria, mesmo que os sintomas melhorem, e mantenha os exames e as consultas de acompanhamento em dia para que a dose seja ajustada sempre que necessário.

    2. Pratique atividade física com frequência

    A prática regular de exercícios ajuda o organismo a gastar mais calorias, preservar a massa muscular e facilitar a perda de gordura. Caminhadas, corridas, musculação e outras atividades também melhoram o condicionamento físico, aumentam a disposição e contribuem para a saúde de forma geral.

    3. Tenha uma alimentação equilibrada

    O ideal é dar preferência a frutas, verduras, legumes, proteínas magras, grãos integrais e alimentos ricos em fibras. Também vale diminuir o consumo de refrigerantes, doces, frituras e produtos ultraprocessados, visto que os alimentos industriais costumam ser ricos em calorias, açúcares, gorduras e sódio, favorecendo o ganho de peso.

    4. Tenha paciência e mantenha a constância

    Mesmo com os hormônios da tireoide normalizados, vale lembrar que a perda de peso não acontece de um dia para o outro. O emagrecimento saudável costuma ser um processo gradual e depende da combinação constante entre a alimentação saudável, a realização de atividade física e a continuidade do tratamento médico.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo o medicamento leva para regular o peso?

    O processo de eliminação do inchaço causado pela retenção de fluidos costuma começar algumas semanas após o início do tratamento, dependendo da normalização do exame de TSH.

    2. Por que sinto tanto cansaço com o hipotireoidismo?

    A diminuição na produção de energia pelas células faz com que o corpo funcione em um ritmo muito mais lento, gerando sintomas como fadiga crônica, fraqueza muscular e sonolência excessiva.

    3. O hipotireoidismo tem cura?

    Na grande maioria dos casos clínicos, o hipotireoidismo decorrente de causas autoimunes é uma condição crônica que não tem cura, precisando do uso contínuo da medicação por toda a vida.

    4. O estresse pode afetar a tireoide?

    O estresse crônico altera a produção de cortisol e pode desregular o sistema imunológico, piorando a resposta inflamatória nos pacientes que possuem a doença autoimune de Hashimoto.

    5. Qual é o melhor exercício para quem tem hipotireoidismo?

    A combinação de exercícios de força, como a musculação, com atividades aeróbicas regulares é a melhor escolha, ajudando a elevar o gasto calórico e a construir massa muscular para acelerar o metabolismo.

    6. Como diferenciar o ganho de peso da tireoide do ganho de peso comum?

    O aumento provocado pela tireoide costuma vir acompanhado de outros sintomas característicos, incluindo pele muito seca, unhas quebradiças, queda de cabelo excessiva, intestino preso e intolerância ao frio.

    7. O que é o exame de TSH?

    O TSH é um hormônio produzido pela hipófise (no cérebro) que serve para mandar a tireoide trabalhar. Quando a tireoide funciona de menos, o TSH sobe para tentar estimulá-la; quando ela funciona demais, o TSH cai.

    Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

  • Efeito sanfona: por que o peso volta depois de emagrecer? 

    Efeito sanfona: por que o peso volta depois de emagrecer? 

    Depois de dietas restritivas, períodos de emagrecimento acelerado ou mudanças que não conseguem ser mantidas por muito tempo, o corpo tende a recuperar o peso antigo e, em alguns casos, com alguns quilos a mais.

    Para você ter uma ideia, estudos sobre o efeito sanfona indicam que cerca de 80% das pessoas que emagrecem por métodos restritivos convencionais recuperam boa parte ou todo o peso perdido dentro de um a dois anos. A situação pode causar frustração e a sensação de que faltou disciplina, mas ela não é causada por força de vontade.

    Durante o emagrecimento, o organismo passa por adaptações que reduzem o gasto de energia e aumentam os sinais de fome, como uma forma de proteger as reservas energéticas. Quando os hábitos antigos voltam a fazer parte da rotina depois da dieta, o corpo encontra condições favoráveis para recuperar os quilos perdidos.

    O que é o efeito sanfona?

    O efeito sanfona, conhecido na medicina como ciclo do peso, acontece quando uma pessoa emagrece e, depois de algum tempo, volta a ganhar os quilos perdidos. Em alguns casos, o peso recuperado pode até ser maior do que o peso inicial, explica o endocrinologista André Colapietro.

    A situação costuma acontecer após dietas muito restritivas, jejuns prolongados sem orientação profissional ou estratégias de emagrecimento difíceis de manter no dia a dia. Quando a alimentação fica cheia de regras, cortes e proibições, seguir o plano por muito tempo se torna insustentável.

    A retirada de grupos alimentares inteiros e o consumo muito baixo de calorias podem aumentar a sensação de privação, fazendo com que a vontade de comer fique cada vez maior. Quando a dieta chega ao fim, é comum acontecerem exageros alimentares, justamente porque o corpo e a mente passaram semanas ou meses lidando com restrições.

    Por que o peso volta tão rápido?

    O retorno do peso acontece por uma série de fatores biológicos e comportamentais. Primeiro, durante o emagrecimento, principalmente quando a perda de peso acontece de forma rápida, o organismo pode passar por algumas adaptações para economizar energia.

    A redução do peso costuma diminuir naturalmente o gasto calórico diário, já que um corpo menor precisa de menos energia para funcionar. Depois de dietas muito restritivas, o organismo também pode entrar em um modo mais econômico, gastando menos calorias até para realizar atividades que antes precisavam de mais esforço.

    Ao mesmo tempo, os hormônios que controlam a fome e a saciedade também podem passar por alterações para estimular a recuperação das reservas de energia. A grelina, conhecida como hormônio da fome, tende a aumentar após períodos de restrição alimentar, enquanto hormônios relacionados à sensação de saciedade podem diminuir, fazendo com que a vontade de comer fique mais intensa.

    Assim, quando você interrompe a dieta e volta aos hábitos antigos, o corpo gasta muito menos do que gastava antes, o que estoca o excedente como gordura e faz o peso subir mais rápido.

    Principais riscos do efeito sanfona para a saúde

    A oscilação constante de peso faz o organismo passar por sucessivas adaptações metabólicas, o que pode aumentar o risco de problemas de saúde ao longo do tempo, como:

    • Aumento da gordura visceral: durante o emagrecimento rápido, pode haver perda de gordura e massa muscular. Quando o peso volta, parte da recuperação tende a acontecer na forma de gordura abdominal, aumentando a gordura visceral, que está associada a inflamação e a problemas metabólicos;
    • Maior risco cardiovascular: as oscilações frequentes de peso estão associadas a alterações metabólicas que podem aumentar o risco de problemas cardiovasculares. A presença de mais gordura visceral, somada a fatores como pressão alta, colesterol elevado e inflamação crônica, favorece o desenvolvimento de condições como hipertensão, infarto e AVC;
    • Resistência à insulina e diabetes tipo 2: o ganho e a perda de peso repetidamente podem contribuir para alterações no metabolismo da glicose. Com o tempo, as células podem se tornar menos sensíveis à ação da insulina, aumentando o risco de resistência à insulina e, consequentemente, do desenvolvimento do diabetes tipo 2.

    Também vale acrescentar que o ciclo pode gerar sentimentos de frustração e culpa, principalmente quando a pessoa acredita que o ganho de peso é resultado de falta de disciplina ou comprometimento.

    O estresse crônico provocado por sucessivas tentativas de emagrecimento pode aumentar os níveis de cortisol, hormônio que, em excesso, está associado ao aumento do apetite, ao acúmulo de gordura abdominal e à dificuldade de controlar o peso no longo prazo.

    Como evitar o efeito sanfona?

    Para interromper o ciclo de ganho e perda de peso, André explica que o foco não deve estar apenas em emagrecer rapidamente, mas na construção de hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo. Para isso, algumas medidas podem ajudar, como:

    • Priorizar a reeducação alimentar em vez de dietas restritivas: fazer mudanças graduais na alimentação costuma trazer resultados mais duradouros do que eliminar grupos alimentares inteiros. Pequenos ajustes são mais fáceis de manter no dia a dia e ajudam a evitar a sensação de privação;
    • Praticar exercícios de força: atividades como musculação ajudam a preservar e aumentar a massa muscular, o que é importante para manter um bom gasto energético e facilitar a manutenção do peso a longo prazo;
    • Estabelecer metas realistas: buscar uma perda de peso gradual, em vez de resultados rápidos, torna o processo mais sustentável e reduz as chances de recuperar os quilos perdidos pouco tempo depois;
    • Cuidar do sono e controlar o estresse: dormir bem e encontrar formas de lidar com o estresse ajuda a equilibrar os hormônios relacionados à fome e à saciedade, reduzindo a vontade de consumir alimentos mais calóricos e favorecendo hábitos mais saudáveis.

    Se você está tentando emagrecer, o acompanhamento com um nutricionista ou médico pode ajudar a tornar o processo mais seguro.

    Além de avaliar as necessidades individuais, o profissional consegue identificar possíveis fatores que dificultam a perda de peso, como alterações hormonais, hábitos alimentares inadequados, sedentarismo ou problemas de saúde que muitas vezes passam despercebidos.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Remédios para emagrecer causam o efeito sanfona?

    Podem causar caso o uso ocorra sem indicação médica e não haja uma mudança real no estilo de vida. Ao interromper o medicamento, a tendência é recuperar o peso antigo.

    2. Fazer jejum intermitente evita o efeito sanfona?

    Não necessariamente. O jejum funciona para o emagrecimento, mas, se a pessoa desenvolver episódios de compulsão alimentar nos períodos de janela aberta, o peso voltará.

    3. Quanto tempo leva para o metabolismo voltar ao normal após o efeito sanfona?

    O tempo varia para cada organismo e depende do histórico de dietas. A recuperação exige consistência em uma alimentação equilibrada e treinos de força por vários meses.

    4. O efeito sanfona deixa a pele flácida?

    Sim, o estica e puxa constante rompe as fibras de colágeno e elastina que dão sustentação à pele, o que favorecer o surgimento de flacidez e estrias.

    5. O efeito sanfona afeta a imunidade?

    Sim, a falta de nutrientes gerada por dietas radicais e o estresse da oscilação de peso enfraquecem as células de defesa, deixando o corpo mais vulnerável a infecções.

    6. Existe um peso ideal definitivo para evitar a oscilação?

    O melhor peso é aquele que a pessoa consegue manter sem passar fome e sem prejudicar a saúde mental, unindo exames laboratoriais bons a uma rotina confortável.

    7. A genética determina o efeito sanfona?

    A genética influencia a velocidade do metabolismo, mas o efeito sanfona é ditado principalmente pelo comportamento e pelo tipo de dieta escolhida para perder peso.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

  • Por que é tão difícil emagrecer? O papel dos hormônios na perda de peso

    Por que é tão difícil emagrecer? O papel dos hormônios na perda de peso

    Se você já passou semanas em dieta, perdeu alguns quilos e depois viu o peso voltar rapidamente, já deve saber o quão frustrante o processo de emagrecimento pode ser. Mas, por trás da dificuldade de perder peso, não existe apenas falta de disciplina ou força de vontade.

    O peso corporal é regulado por um sistema complexo que envolve hormônios, genética, metabolismo e hábitos de vida. “O corpo tem mecanismos hormonais que tentam manter o peso. Quando você emagrece, o organismo entende isso como uma ameaça e resiste. Ele aumenta a fome e diminui o gasto de energia”, explica o endocrinologista André Colapietro.

    Nos primeiros meses, a perda de peso costuma acontecer com mais facilidade, mas, com o passar do tempo, o organismo se adapta à redução de calorias e passa a economizar energia. Como resultado, o emagrecimento desacelera e a sensação de fome pode se tornar cada vez mais intensa.

    Por que emagrecer parece tão difícil?

    O principal motivo pelo qual o emagrecimento pode ser tão difícil é que o corpo possui mecanismos naturais que tentam manter o peso estável. Durante milhares de anos, os seres humanos viveram períodos de escassez de alimentos, então armazenar gordura funcionava como uma reserva de energia importante para a sobrevivência.

    Quando você reduz o consumo de calorias para perder peso, o organismo pode entender como uma redução na disponibilidade de energia. Como resposta, ocorrem adaptações hormonais e metabólicas que dificultam o emagrecimento, como:

    • Aumento da fome, devido à alteração dos hormônios que controlam o apetite;
    • Maior vontade de consumir alimentos mais calóricos;
    • Redução do gasto energético, fazendo com que o organismo passe a consumir menos calorias para realizar as mesmas atividades.

    Por isso, a perda de peso costuma estagnar depois de algumas semanas, o que é conhecido como efeito platô, e a sensação de fome aumenta. “Manter o peso perdido às vezes é mais desafiador do que emagrecer. O emagrecimento não é apenas comer menos e gastar mais. Ele é um processo que envolve o corpo inteiro”, complementa André.

    O papel dos hormônios na perda de peso

    Os hormônios funcionam como mensageiros químicos que ajudam a controlar a fome, a saciedade, o gasto de energia e o armazenamento de gordura.

    Durante o processo de emagrecimento, os níveis hormonais podem mudar para tentar fazer você recuperar o peso perdido, já que o organismo entende a redução de peso como uma possível ameaça às suas reservas de energia.

    De acordo com André, os principais hormônios envolvidos no processo incluem:

    • Grelina, o hormônio da fome: é produzida principalmente no estômago e sinaliza ao cérebro quando está na hora de comer. Quando o estômago fica vazio, os níveis de grelina aumentam, estimulando a fome. Durante o emagrecimento, a produção do hormônio pode crescer, aumentando o apetite;
    • Leptina, o hormônio da saciedade: é produzida pelas células de gordura e informa ao cérebro que o corpo possui energia suficiente armazenada. Quando a pessoa perde peso, os níveis de leptina diminuem, reduzindo a sensação de saciedade e favorecendo o aumento da fome.

    Além deles, níveis elevados de cortisol por longos períodos estão associados ao aumento da fome, especialmente da vontade de consumir alimentos ricos em açúcar e gordura. O excesso do hormônio do estresse também pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal.

    Como emagrecer de forma realista e sustentável?

    Para emagrecer de forma sustentável, o ideal é construir hábitos de vida que possam ser mantidos ao longo do tempo, e não apenas por algumas semanas. As principais recomendações envolvem:

    • Evite dietas muito restritivas: cortar grupos alimentares inteiros ou passar longos períodos com fome pode fazer o organismo ativar os mecanismos de defesa mais rapidamente, aumentando o apetite e reduzindo o gasto de energia;
    • Pratique atividade física regularmente: exercícios, especialmente a combinação de musculação e atividades aeróbicas, ajudam a aumentar o gasto calórico e a preservar a massa muscular, fator importante para manter o metabolismo mais ativo durante o emagrecimento;
    • Durma bem: a privação de sono altera hormônios relacionados ao controle do apetite. A produção de grelina, o hormônio da fome, aumenta, enquanto a de leptina, responsável pela saciedade, diminui, favorecendo o aumento da fome ao longo do dia;
    • Beba água e consuma fibras: frutas, verduras, legumes e grãos integrais são ricos em fibras, que ajudam a prolongar a sensação de saciedade. A ingestão adequada de água também contribui para o bom funcionamento do organismo e auxilia no controle da fome.

    André também ressalta que o emagrecimento precisa ser baseado em uma alimentação adequada ao gasto energético de cada pessoa. O ideal é estimar quantas calorias o organismo gasta diariamente, levando em consideração fatores como idade, peso, altura e nível de atividade física, e reduzir uma quantidade moderada de calorias.

    O déficit calórico controlado permite que a perda de peso aconteça de forma gradual e mais sustentável, reduzindo as chances de o organismo ativar mecanismos intensos de defesa, como o aumento excessivo da fome e a desaceleração do metabolismo.

    Quando o uso de medicamentos é indicado para emagrecer?

    Em alguns casos específicos, como situações de obesidade ou excesso de peso associado a problemas de saúde, o médico pode indicar o uso de remédios como parte do tratamento para emagrecer. Eles atuam diretamente no sistema nervoso ou no trato gastrointestinal, ajudando a aumentar a saciedade, controlar a compulsão alimentar ou reduzir a absorção de gorduras.

    No entanto, o uso de medicamentos deve ser sempre um complemento à mudança de estilo de vida e ter acompanhamento médico regular. Nunca se automedique!

    Confira: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

    Perguntas frequentes

    1. Por que é mais difícil manter o peso do que emagrecer?

    Porque após perder peso, o metabolismo continua lento e os hormônios da fome permanecem alterados por meses. Se você voltar aos hábitos antigos, o corpo recuperará a gordura perdida rapidamente para se proteger.

    2. Por que o metabolismo fica lento durante a perda de peso?

    Porque o corpo reduz o ritmo das suas funções para gastar menos energia e proteger as reservas de gordura, entendendo a dieta como um período de escassez de alimentos.

    3. Como acelerar o metabolismo de forma natural?

    A forma mais eficaz é praticar exercícios de força, como a musculação, para ganhar massa magra. Os músculos gastam mais energia do que a gordura, mesmo quando o corpo está em repouso.

    4. O que é déficit calórico?

    O déficit calórico é consumir menos calorias do que o seu corpo gasta ao longo do dia. É a regra básica e necessária para que o organismo use a gordura estocada como fonte de energia.

    5. Por que o estresse atrapalha o emagrecimento?

    O estresse crônico aumenta a produção de cortisol, hormônio que estimula o apetite por alimentos mais calóricos (doces e gorduras) e facilita o estoque de gordura na região da barriga.

    6. Qual o papel das fibras no processo de emagrecimento?

    As fibras não são digeridas pelo corpo, então elas formam uma espécie de gel no estômago que torna a digestão mais lenta. Isso prolonga a sensação de saciedade e ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.

    7. Pular refeições ajuda a emagrecer mais rápido?

    Não é uma boa estratégia para a maioria das pessoas. Pular refeições pode gerar uma fome exagerada na refeição seguinte, levando a exageros, além de deixar o organismo em alerta para economizar energia.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

  • Nódulo na tireoide é sempre câncer? Entenda

    Nódulo na tireoide é sempre câncer? Entenda

    Comum especialmente em mulheres e em pessoas acima dos 40 anos, o nódulo na tireoide é uma pequena massa ou caroço que se desenvolve dentro da glândula tireoide, localizada na base do pescoço. Normalmente, ele é identificado durante exames de rotina, como um ultrassom, ou ao apalpar a região durante o banho ou ao se olhar no espelho.

    É comum sentir medo ou ansiedade pela possibilidade do caroço indicar um quadro de câncer, mas, na maioria dos casos, o nódulo na tireoide é benigno e não representa qualquer risco para a saúde. Ele costuma surgir por alterações naturais da glândula, cistos cheios de líquido ou pequenos crescimentos do tecido tireoidiano que não possuem características malignas.

    Ainda assim, qualquer alteração precisa ser avaliada por um médico, para identificar quais lesões apresentam baixo risco e quais precisam de acompanhamento mais próximo ou de exames complementares. Hoje, o ultrassom é a principal ferramenta utilizada para analisar o tamanho, a forma e outras características que ajudam a estimar a probabilidade de malignidade.

    Nódulo na tireoide é sempre câncer?

    Segundo o endocrinologista André Colapietro, a grande maioria dos nódulos não é câncer. Cerca de 90% a 95% dos nódulos na tireoide são benignos e costumam ser apenas cistos cheios de líquido, crescimentos localizados do próprio tecido da glândula (adenomas) ou alterações associadas a processos inflamatórios, como a tireoidite de Hashimoto.

    Apenas uma pequena parcela, aproximadamente 5% a 10% dos casos, corresponde a um tumor maligno, isto é, ao câncer de tireoide.

    Principais causas de nódulos na tireoide

    Geralmente, o aparecimento de um nódulo na tireoide acontece por um crescimento desordenado de células da própria glândula, mas que não tem nenhuma relação com o câncer. As principais causas benignas incluem:

    • Cistos na tireoide: são nódulos totalmente preenchidos por líquido. Eles quase sempre são benignos, mas podem crescer e causar algum desconforto local se ficarem muito grandes;
    • Bócio nodular ou multinodular: acontece quando a tireoide aumenta de tamanho e desenvolve um ou vários nódulos em sua estrutura. Isso pode ocorrer por predisposição genética ou, de forma mais rara hoje em dia, por falta de iodo na alimentação;
    • Adenoma tireoidiano: é um tumor benigno e consiste em um acúmulo de tecido tireoidiano normal que cresce em formato de caroço. Na maioria das vezes não causa problemas, mas alguns adenomas podem produzir hormônios da tireoide em excesso, levando ao hipertireoidismo;
    • Tireoidite de Hashimoto: é uma doença autoimune onde as defesas do corpo atacam a tireoide, gerando uma inflamação crônica. A inflamação pode deixar a glândula irregular e favorecer o aparecimento de nódulos.

    Como saber se o nódulo está crescendo?

    A forma mais segura de saber se o nódulo está crescendo é fazendo o ultrassom da tireoide periodicamente, conforme a orientação do endocrinologista.

    Como a maioria dos nódulos é interna e muito pequena, as variações de milímetros no tamanho só conseguem ser detectadas e comparadas de verdade através das imagens do exame de um ano para o outro.

    Em casos onde o crescimento é mais expressivo, você pode começar a notar sinais físicos na rotina, como perceber um caroço mais visível ao olhar no espelho, sentir uma assimetria ou um caroço endurecido ao apalpar o pescoço, ou notar que colares e golas de camisa começaram a apertar sem que você tenha engordado.

    Por fim, o crescimento do nódulo pode causar sintomas de compressão na região do pescoço. Se ele aumentar a ponto de pressionar as estruturas vizinhas, você pode começar a sentir dificuldade ou desconforto para engolir alimentos sólidos, uma sensação constante de pigarro ou aperto na garganta, e até mesmo rouquidão persistente sem uma causa gripal aparente.

    Sinais de alerta para procurar o médico com urgência

    Você deve procurar um endocrinologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço se notar:

    • Dificuldade para engolir alimentos ou líquidos;
    • Sensação de que a comida fica presa na garganta;
    • Falta de ar ou sensação de sufocamento, principalmente ao deitar;
    • Rouquidão ou mudança na voz por mais de duas semanas;
    • Crescimento rápido do nódulo em poucas semanas ou meses;
    • Nódulo muito duro e que não se movimenta ao engolir;
    • Presença de ínguas persistentes nas laterais do pescoço.

    A presença dos sintomas não significa um diagnóstico de câncer, mas são sinais de alerta de que a região está sendo comprimida ou de que o nódulo precisa ser investigado pelo médico.

    Como saber se o nódulo na tireoide é maligno?

    Não é possível determinar se um nódulo na tireoide é maligno apenas pela palpação ou pela presença de sintomas. A confirmação depende de uma avaliação médica que combina exames de imagem e, quando necessário, a análise das células do nódulo.

    O primeiro exame utilizado é o ultrassom da tireoide, que permite avaliar características associadas a um maior risco de câncer, como a presença de microcalcificações, bordas irregulares, formato mais alto do que largo e áreas muito sólidas e escuras no exame.

    O médico também pode solicitar a realização de exames de sangue para avaliar o funcionamento da glândula, como TSH, T3 e T4. Embora não diagnostiquem o câncer diretamente, ajudam o médico a entender o comportamento do nódulo e a planejar os próximos passos.

    Segundo André, quando o nódulo apresenta características suspeitas ou atinge determinado tamanho, o médico pode solicitar uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF). Durante o procedimento, uma agulha fina é utilizada para coletar células do nódulo, que são enviadas para análise em laboratório.

    Atualmente, a punção é considerada o principal exame para diferenciar nódulos benignos de malignos.

    Como é feito o tratamento de nódulo na tireoide?

    O tratamento do nódulo na tireoide depende de alguns fatores, como tamanho, características observadas nos exames, presença de sintomas e do resultado da investigação.

    Quando o nódulo é benigno, pequeno e não causa desconforto, a medida mais comum é apenas o acompanhamento periódico com consultas médicas e exames de ultrassom para monitorar possíveis alterações de tamanho ou de aparência ao longo do tempo.

    Nos casos em que o nódulo cresce, provoca sintomas ou apresenta suspeita de malignidade, outras abordagens podem ser necessárias, como:

    • Acompanhamento regular com ultrassom e exames clínicos;
    • Punção aspirativa para avaliação das células do nódulo;
    • Cirurgia para retirada parcial ou total da tireoide;
    • Tratamento com iodo radioativo em situações específicas;
    • Procedimentos minimamente invasivos para alguns nódulos benignos selecionados.

    A cirurgia costuma ser indicada quando existe confirmação ou forte suspeita de câncer, quando o nódulo é muito grande ou quando causa sintomas como dificuldade para engolir, sensação de pressão no pescoço ou alterações respiratórias.

    Segundo André, os casos de câncer têm alta chance de cura, especialmente quando diagnosticados precocemente, o que torna importante manter exames de rotina.

    Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem nódulo na tireoide engorda?

    O nódulo em si não altera o peso. Porém, se o nódulo for causado por hipotireoidismo (tireoide lenta), a pessoa pode ter uma leve tendência a ganhar peso devido ao metabolismo mais lento.

    2. Qual é o tamanho de um nódulo na tireoide que preocupa?

    Os nódulos maiores que 1 cm costumam receber mais atenção e podem precisar de punção. No entanto, mais importante que o tamanho são as características visíveis no ultrassom, como formato e bordas.

    3. Cisto na tireoide é a mesma coisa que nódulo?

    O cisto é um tipo de nódulo, mas preenchido por líquido. A boa notícia é que cistos puros são praticamente 100% benignos.

    4. É normal ter vários nódulos na tireoide?

    Sim, isso é chamado de bócio multinodular. É uma condição muito comum, especialmente com o avanço da idade e em mulheres, e a maioria absoluta desses nódulos é benigna.

    5. Quem tem nódulo na tireoide pode fazer academia?

    Sim, a atividade física está liberada. Ter um nódulo não limita os movimentos ou o esforço físico, a menos que haja alguma recomendação médica específica pós-cirúrgica.

    6. Nódulo na tireoide altera a voz?

    A rouquidão ou mudança na voz só acontecem se o nódulo for muito grande ou se for um tumor maligno que esteja afetando os nervos que controlam as cordas vocais.

    7. Grávida pode ter nódulo na tireoide?

    Sim, devido às intensas alterações hormonais da gestação, novos nódulos podem surgir ou os já existentes podem crescer. Eles devem ser avaliados pelo obstetra e endocrinologista, mas a investigação (como o ultrassom) é segura na gravidez.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Diabetes gestacional: por que ele aparece na gravidez? 

    Diabetes gestacional: por que ele aparece na gravidez? 

    O diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, é uma condição relativamente comum durante a gravidez. No Brasil, a estimativa é que entre 14% e 18% das gestantes desenvolvem o problema ao longo da gestação.

    Ele acontece devido a uma reação natural do próprio organismo à gravidez, afetando inclusive mulheres que nunca tiveram problemas com a glicemia antes.

    A principal causa do diabetes gestacional está relacionada aos hormônios produzidos pela placenta. Para garantir o desenvolvimento saudável do bebê, a placenta libera substâncias que acabam bloqueando a ação da insulina no corpo da mãe.

    Na maioria das vezes, o pâncreas da gestante consegue compensar a mudança, mas, quando isso não acontece, o açúcar se acumula no sangue. “Na maioria das vezes, a mulher não sente nada. Por isso, o diagnóstico é feito por exames de rotina no pré-natal. Se não for controlado, pode trazer riscos para o bebê”, explica o endocrinologista André Colapietro.

    Por que o diabetes gestacional aparece na gravidez?

    O diabetes gestacional é causado principalmente pelas alterações hormonais que acontecem durante a gravidez. A placenta, órgão responsável por nutrir e proteger o bebê, também produz uma grande quantidade de hormônios essenciais para a manutenção da gravidez, como o lactogênio placentário, a progesterona e o cortisol.

    Os hormônios podem reduzir a ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que permite a entrada da glicose nas células para ser utilizada como fonte de energia. A condição é conhecida como resistência à insulina.

    Na prática, o organismo da gestante pelas seguintes mudanças:

    • Os hormônios da placenta dificultam a ação da insulina;
    • Para compensar essa resistência, o pâncreas aumenta a produção de insulina;
    • Em algumas mulheres, porém, o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para atender à demanda maior da gestação.

    Quando isso acontece, a glicose permanece em excesso na corrente sanguínea, levando ao desenvolvimento do diabetes gestacional.

    Principais fatores de risco do diabetes gestacional

    Qualquer mulher pode desenvolver o diabetes gestacional, mas algumas gestantes têm uma propensão maior a enfrentar essa sobrecarga no pâncreas, como aquelas que:

    • Estão acima do peso ou têm obesidade antes da gravidez;
    • Têm histórico familiar de diabetes tipo 2;
    • Já tiveram diabetes gestacional em uma gestação anterior;
    • Apresentaram pré-diabetes antes de engravidar;
    • Têm síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Engravidaram após os 35 anos;
    • Já tiveram um bebê com peso elevado ao nascer (acima de 4 kg);
    • Apresentam hipertensão arterial ou outras alterações metabólicas.

    Vale destacar que a ausência dos fatores de risco não garante que a gestante não desenvolverá a condição. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames de rotina são recomendados para todas.

    Quando o diabetes gestacional costuma surgir?

    Na maioria dos casos, o diabetes gestacional costuma surgir a partir da 24ª semana de gravidez, que corresponde ao final do quinto mês e início do sexto mês de gestação.

    Nessa fase, a placenta já atingiu um tamanho significativo e passa a produzir quantidades cada vez maiores dos hormônios responsáveis pela manutenção da gravidez.

    Até a metade da gestação, o pâncreas normalmente consegue compensar as mudanças sem grandes dificuldades, mas com o aumento da resistência à insulina no segundo trimestre, o organismo precisa produzir muito mais insulina para manter os níveis de glicose sob controle.

    Por isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) orienta a realização do rastreamento do diabetes gestacional entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez. O principal exame utilizado é o teste oral de tolerância à glicose (TOTG), que avalia como o organismo da gestante reage após a ingestão de uma solução açucarada.

    Quando diagnosticado e tratado adequadamente, o diabetes gestacional pode ser controlado com mudanças na alimentação, prática de atividade física orientada e, em alguns casos, uso de medicamentos.

    Como saber se a causa é a gravidez ou pré-diabetes?

    Quando a gestante apresenta níveis elevados de glicose logo nos primeiros meses da gravidez, a causa normalmente não é a gravidez. Como a placenta ainda é muito pequena e produz poucos hormônios, o resultado indica que a mulher provavelmente já tinha pré-diabetes (ou diabetes tipo 2) antes de engravidar e não sabia.

    Por outro lado, quando os exames iniciais estão normais e a glicemia se altera apenas a partir da segunda metade da gravidez, especialmente após a 24ª semana, o quadro costuma estar mais relacionado ao diabetes gestacional provocado pelas mudanças hormonais da placenta.

    O que acontece depois do parto?

    Após o parto, a maioria das mulheres com diabetes gestacional volta a apresentar níveis normais de glicose. É recomendado repetir os exames entre 6 e 12 semanas após o nascimento do bebê.

    Se a glicemia permanecer alterada, isso pode indicar que a mulher já tinha pré-diabetes ou diabetes antes da gestação, ou que desenvolveu um risco maior para as condições.

    “Na maioria dos casos, o diabetes cede depois do parto, mas é um sinal de alerta para o futuro, já que as mulheres que tiveram diabetes gestacional têm risco aumentado de desenvolver diabetes ao longo da vida”, finaliza André.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Perguntas frequentes

    1. Qual o valor normal da glicose na gravidez?

    No exame de jejum feito no início da gestação, o valor considerado normal é abaixo de 92 mg/dL. Valores entre 92 mg/dL e 125 mg/dL já indicam diabetes gestacional.

    2. Como é feito o exame de curva glicêmica?

    Chamado de TOTG, a gestante colhe o sangue em jejum, toma um líquido extremamente doce (75g de glicose) e colhe o sangue novamente após 1 hora e 2 horas. Ele avalia a capacidade do corpo de processar o açúcar.

    3. O diabetes gestacional dá algum sintoma?

    Na grande maioria das vezes, ele é assintomático. É por isso que os exames de sangue são obrigatórios, já que a grávida costuma se sentir perfeitamente bem.

    4. Quais os riscos para o bebê se o diabetes não for controlado?

    O principal risco é a macrossomia (bebê nascer muito grande, acima de 4 kg), o que pode antecipar o parto, causar quedas de açúcar no bebê logo após o nascimento e desconforto respiratório.

    5. Posso praticar exercícios físicos tendo a condição?

    Se não houver nenhuma contraindicação médica, caminhadas leves e hidroginástica são excelentes, pois ajudam os músculos a gastar o açúcar do sangue de forma natural.

    6. Quem tem diabetes gestacional precisa fazer cesárea?

    Não obrigatoriamente. O tipo de parto depende das condições de saúde da mãe e do tamanho do bebê.

    7. Posso tomar remédios em comprimido para o diabetes na gravidez?

    Normalmente, o tratamento de escolha quando a dieta não funciona é a insulina. Alguns comprimidos, como a metformina, podem ser usados em casos muito específicos, mas sempre sob orientação médica.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

    É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

    No Brasil, cerca de trinta milhões de pessoas convivem com o pré-diabetes, uma condição em que os níveis de glicose no sangue estão acima do normal, mas ainda não são altos o suficiente para configurar um quadro de diabetes tipo 2. Como normalmente não causa sintomas, é comum identificar a alteração apenas durante os exames de rotina.

    Apesar de não ser considerada uma doença propriamente dita, o pré-diabetes funciona como um sinal de alerta de que o corpo já está encontrando dificuldades para controlar a glicose. Sem o acompanhamento adequado, a condição pode evoluir para o diabetes tipo 2 e aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Mas afinal, como é possível reverter o pré-diabetes? Como o problem está relacionado principalmente à resistência à insulina, existem alguns hábitos que podem ajudar o organismo a utilizar o hormônio de forma mais eficiente e, consequentemente, reduzir os níveis de glicose no sangue.

    O pré-diabetes tem cura?

    Diferente do diabetes tipo 2, o pré-diabetes tem cura e o quadro pode ser totalmente revertido, de acordo com o endocrinologista André Colapietro. Como as células do corpo estão apenas começando a apresentar resistência à insulina, o pâncreas ainda consegue produzir o hormônio em boa quantidade e, por isso, é possível recuperar o controle da glicose por meio de mudanças no estilo de vida.

    Na prática, a reversão acontece quando os exames de sangue voltam a mostrar níveis de glicose dentro da faixa considerada normal:

    • Glicemia de jejum: deixa de ficar entre 100 mg/dL e 125 mg/dL e volta a apresentar valores abaixo de 100 mg/dL;
    • Hemoglobina glicada: deixa de ficar entre 5,7% e 6,4% e volta a apresentar valores abaixo de 5,7%.

    Vale destacar que, embora a reversão seja possível, isso não significa que o risco desaparece. Se você abandonar os hábitos saudáveis, os níveis de glicose podem voltar a subir ao longo do tempo, aumentando novamente o risco de desenvolver pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

    Como reverter o pré-diabetes?

    1. Ajuste na alimentação e a contagem de carboidratos

    As mudanças na alimentação são a primeira medida para reverter o pré-diabetes e fazer os níveis de glicose no sangue voltarem aos valores considerados normais.

    O recomendado é reduzir o consumo de carboidratos simples e refinados, como arroz branco, pães, massas, doces e refrigerantes, pois eles são digeridos rapidamente e causam picos de glicose no sangue.

    Em vez disso, a alimentação deve priorizar alimentos que ajudam a controlar os níveis de glicose e aumentam a sensação de saciedade ao longo do dia, como:

    • Vegetais e legumes como brócolis, couve, espinafre, abobrinha, cenoura, chuchu e berinjela, que são ricos em fibras e nutrientes importantes para a saúde;
    • Grãos integrais como aveia, arroz integral, quinoa, chia e linhaça, que ajudam a desacelerar a absorção do açúcar pelo organismo;
    • Frutas in natura como maçã, pera, laranja, morango e kiwi, consumidas preferencialmente com casca ou bagaço sempre que possível;
    • Proteínas magras como frango, peixe, ovos, tofu e cortes magros de carne, que contribuem para a manutenção da massa muscular e ajudam a prolongar a saciedade;
    • Leguminosas como feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha, que combinam fibras, proteínas e carboidratos de absorção mais lenta;
    • Gorduras saudáveis presentes no azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes, amêndoas e sementes, que fazem parte de uma alimentação equilibrada e ajudam na saúde cardiovascular;
    • Laticínios com baixo teor de gordura, como leite, iogurte natural e queijos magros, quando indicados pelo profissional de saúde.

    Como as necessidades nutricionais variam de acordo com a idade, o peso, o nível de atividade física e a presença de outras condições de saúde, sempre que possível, a alimentação deve ser planejada com o acompanhamento de um médico ou nutricionista.

    2. Prática regular de exercícios físicos

    A prática regular de exercícios ajuda os músculos a utilizarem a glicose como fonte de energia, reduzindo a quantidade de açúcar circulando no sangue e melhorando a sensibilidade à insulina. Como resultado, o organismo passa a responder melhor à ação do hormônio, facilitando o controle da glicemia.

    A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que os adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, como caminhada rápida, ciclismo ou dança, ou entre 75 e 150 minutos de atividades vigorosas, como corrida e natação intensa.

    A OMS também orienta a realização de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana e destaca a importância de reduzir o tempo sedentário, evitando permanecer muitas horas seguidas sentado.

    3. Perda de peso consciente e sustentável

    O acúmulo de gordura corporal, especialmente a gordura visceral, localizada na região abdominal, libera substâncias inflamatórias que bloqueiam a ação da insulina. Para pessoas que estão acima do peso ou convivem com a obesidade, a perda de peso é necessária para melhorar a sensibilidade à insulina e facilitar o controle dos níveis de glicose no sangue.

    “Mesmo a perda de 5 a 10% do peso corporal, para quem está acima do peso, já faz muita diferença. Quanto mais cedo agir, maiores as chances de evitar o diabetes”, explica André.

    4. Melhora na qualidade do sono

    Quando o corpo passa por noites de sono insuficientes ou de má qualidade (menos de 7 horas por noite), há um aumento na produção de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. O cortisol alto estimula o fígado a liberar mais glicose na corrente sanguínea e, ao mesmo tempo, aumenta a resistência à insulina nas células.

    Além disso, a privação de sono desregula os hormônios da saciedade, aumentando o apetite por alimentos calóricos e doces no dia seguinte.

    5. Uso de medicamentos quando indicado pelo médico

    O medicamento normalmente prescrito para o pré-diabetes é a metformina, que atua diminuindo a quantidade de glicose produzida pelo fígado e aumentando a sensibilidade dos músculos à insulina.

    O uso de remédios costuma ser indicado pelo endocrinologista para pacientes com maior risco de evolução para o diabetes tipo 2, como pessoas com obesidade severa, histórico de diabetes gestacional ou que não conseguiram baixar os níveis de glicose apenas com dieta e exercícios.

    Quanto tempo leva para reverter o pré-diabetes?

    O tempo necessário para reverter o pré-diabetes varia de pessoa para pessoa, pois depende de fatores como genética, idade, peso corporal e, principalmente, do comprometimento com as mudanças no estilo de vida.

    Nas primeiras semanas após a adoção de hábitos mais saudáveis, o organismo já começa a responder melhor à insulina, o que ajuda a reduzir os picos de glicose após as refeições. Em alguns casos, os níveis de glicemia de jejum também podem começar a apresentar melhora nesse período.

    No entanto, para confirmar que o pré-diabetes foi revertido, é necessário observar uma melhora consistente nos exames de laboratório, especialmente na hemoglobina glicada (HbA1c). Como o exame mostra a média dos níveis de glicose no sangue dos últimos dois a três meses, os resultados costumam aparecer de forma mais clara após cerca de 3 a 6 meses.

    O que acontece se o pré-diabetes não for tratado?

    Sem mudanças na alimentação, na prática de atividade física e em outros hábitos de vida, o pâncreas precisa trabalhar mais para produzir insulina, enquanto as células do organismo se tornam progressivamente mais resistentes à ação desse hormônio.

    Com o passar dos anos, a sobrecarga pode levar ao desenvolvimento do diabetes tipo 2 e aumentar o risco de diversas complicações de saúde, como:

    • Diabetes tipo 2, quando os níveis de glicose permanecem elevados de forma persistente;
    • Doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Pressão alta e alterações do colesterol, que aumentam ainda mais o risco cardiovascular;
    • Doença hepática gordurosa (esteatose hepática), conhecida popularmente como gordura no fígado;
    • Problemas nos rins, que podem surgir devido aos danos causados pela glicose elevada;
    • Lesões nos nervos, provocando sintomas como formigamento, dormência e perda de sensibilidade, principalmente nos pés e nas mãos;
    • Alterações na visão, que podem comprometer a saúde dos olhos ao longo do tempo.

    Vale apontar que o pré-diabetes é uma condição silenciosa e não costuma causar sintomas evidentes, o que torna importante manter uma rotina periódica de exames de rotina.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes

    1. Qual exame detecta o pré-diabetes e o diabetes?

    Os principais exames são a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, que medem a quantidade de açúcar circulando no sangue.

    2. Qual o valor da glicemia em jejum no pré-diabetes?

    O resultado do exame de sangue fica entre 100 miligramas por decilitro e 125 miligramas por decilitro.

    3. Quem tem pré-diabetes pode comer doce?

    O consumo deve ser evitado ao máximo e reservado para ocasiões muito raras e em quantidades bem pequenas.

    4. O que é diabetes tipo 1?

    É uma doença autoimune onde o próprio corpo destrói as células do pâncreas que produzem a insulina.

    5. Quais são os sintomas clássicos do diabetes?

    Os principais sintomas são sede excessiva, aumento da vontade de urinar, perda de peso sem motivo aparente, fome frequente e visão embaçada.

    6. O que é a insulina e para que serve?

    A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que funciona como uma chave. Ela permite que o açúcar do sangue entre nas células para virar energia.

    7. O diabetes é uma doença hereditária?

    Existe um forte fator genético, principalmente no diabetes tipo 2. Quem tem pais ou irmãos com a doença tem maior risco de desenvolver a condição.

    8. Quais são as principais complicações do diabetes não tratado?

    A glicose alta por muito tempo danifica os vasos sanguíneos e pode causar infarto, derrame cerebral, problemas de visão, insuficiência nos rins e problemas de cicatrização nos pés.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    O orforglipron é um medicamento de via oral que pertence à classe dos análogos de GLP-1 e recentemente foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

    Ao contrário de treatments populares como o Ozempic e o Wegovy (semaglutida), que exigem aplicações de injeções subcutâneas semanais, o novo remédio é um comprimido de uso diário.

    No Brasil, o remédio ainda não foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado.

    “Apesar de se tratar de um mecanismo de ação já conhecido, ele chamou a atenção por ser mais uma opção no tratamento dessas doenças e principalmente por ser um agonista sintético não peptídico. Isso é inovador”, aponta o endocrinologista André Colapietro.

    O que é o orforglipron?

    O orforglipron, comercializado nos Estados Unidos com o nome comercial Foundayo, é um medicamento de uso oral, em formato de comprimido diário, desenvolvido para o tratamento da obesidade, do sobrepeso com comorbidades e do diabetes tipo 2. Ele pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, a mesma de compostos injetáveis como a semaglutida e a tirzepatida.

    Segundo André, um dos principais diferenciais do orforglipron é o fato de ser administrado por via oral, sem necessidade de jejum prolongado ou cuidados muito específicos com horários e alimentação. Porém, as recomendações definitivas dependem ainda da aprovação regulatória final e da bula oficial.

    “Muitas pessoas têm resistência ao uso de injeções, medo de agulhas ou dificuldade prática de armazenamento e aplicação. Um comprimido diário pode tornar o tratamento mais confortável e aceitável para parte dos pacientes”, aponta André.

    Como o orforglipron funciona no corpo?

    O medicamento atua imitando a ação do hormônio natural GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições. No corpo, ele desempenha funções importantes para a perda de peso e controle glicêmico, como:

    • Sinalização de saciedade: atua nos receptores do cérebro para reduzir o apetite e aumentar a sensação de que o corpo já está alimentado;
    • Retardo no esvaziamento gástrico: faz com que a comida permaneça mais tempo no estômago, prolongando a saciedade ao longo do dia;
    • Regulação da glicose: estimula a liberação de insulina pelo pâncreas apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos, além de diminuir a produção de glicose pelo fígado.

    Diferente das versões injetáveis, André esclarece que o orforglipron é uma molécula não peptídica. Na prática, isso significa que ele foi estruturado quimicamente para resistir aos ácidos e enzimas do sistema digestivo, permitindo que seja totalmente absorvido pelo estômago de forma direta.

    Qual a diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1, como Ozempic?

    A principal diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1 está na estrutura química e na forma de uso.

    Enquanto a semaglutida, por exemplo, é composto por proteínas que seriam destruídas pelo estômago se fossem engolidas, precisando de uma aplicação por injeção semanal e armazenamento em geladeira, o orforglipron é uma molécula menor e mais estável, que resiste aos ácidos digestivos e pode ser consumida diariamente como um comprimido guardado em temperatura ambiente.

    O remédio também contorna as limitações da semaglutida oral já existente no mercado, pois dispensa a necessidade de jejum rígido e restrição de água, podendo ser tomado a qualquer hora do dia com ou sem alimentos.

    Por fim, estudos clínicos de fase 3, publicados no periódico The Lancet, compararam diretamente o desempenho do orforglipron com a semaglutida oral no tratamento do diabetes tipo 2 e perda de peso.

    O orforglipron, nas doses mais altas, apresentou resultados melhores, reduzindo a hemoglobina glicada (exame que reflete a média da glicose no sangue) em cerca de 1,9 a 2,2 pontos percentuais e promovendo uma perda de peso média de até 9,2% em um ano.

    Já a semaglutida oral, nas doses avaliadas no mesmo estudo, reduziu a hemoglobina glicada em cerca de 1,4 ponto percentual e o peso corporal em aproximadamente 5,3%.

    Ambos causam os mesmos efeitos gastrointestinais, mas como o orforglipron é uma molécula mais potente no estômago, a taxa de pessoas que interromperam o tratamento por efeitos colaterais foi ligeiramente maior quando comparada às que usavam semaglutida oral.

    Quanto o Orforglipron promete emagrecer?

    Os resultados dos estudos indicam que o potencial de emagrecimento do orforglipron depende da dose utilizada e do tempo de tratamento.

    Segundo um estudo publicado em 2024 na revista científica Obesity Science & Practice, o orforglipron promoveu uma perda de peso média entre 5,5% e 8,8% do peso corporal após cerca de 26 semanas de tratamento, dependendo da dose utilizada. Os melhores resultados foram observados com as doses de 24 mg e 36 mg por dia.

    Dados mais recentes de um estudo de fase 3, publicado em 2025 no The New England Journal of Medicine (NEJM), mostraram resultados ainda mais expressivos. Após 72 semanas de tratamento, os participantes que utilizaram 36 mg de orforglipron perderam, em média, 11,2% do peso corporal, enquanto o grupo placebo perdeu 2,1%.

    Além disso, no grupo que recebeu a dose de 36 mg, 54,6% dos participantes perderam pelo menos 10% do peso corporal, 36% perderam ao menos 15% e 18,4% alcançaram uma redução igual ou superior a 20% do peso inicial.

    Na prática, isso significa que uma pessoa com 100 kg poderia perder, em média, cerca de 11 kg ao longo de aproximadamente um ano e meio de tratamento. Em alguns casos, a perda pode ser ainda maior, especialmente quando o medicamento é associado a mudanças na alimentação e à prática regular de atividade física.

    Quais são os efeitos colaterais do medicamento?

    Os efeitos colaterais do orforglipron são muito semelhantes aos observados em outros medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 (como o Ozempic e o Mounjaro):

    • Náuseas e enjoos;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação (prisão de ventre);
    • Sensação de estufamento, gases ou cólicas leves;
    • Diminuição acentuada do apetite.

    Os sintomas costumam se manifestar com maior intensidade no início do tratamento ou logo após o aumento das doses, tendendo a diminuir ou desaparecer à medida que o corpo se adapta à medicação.

    Como acontece com qualquer medicamento dessa classe, quadros mais graves, como inflamação no pâncreas (pancreatite) ou problemas na vesícula biliar, são considerados raros, mas precisam de acompanhamento e monitoramento médico rigoroso durante o tratamento.

    “Cada organismo responde de maneira diferente, e o acompanhamento médico é importante para avaliar a tolerabilidade e segurança”, complementa André.

    Cuidados quanto ao medicamento

    Apesar dos resultados promissores, o orforglipron não funciona como uma solução isolada para a obesidade. Segundo André, ele depende de avaliação individualizada, mudanças de hábitos, acompanhamento médico e manejo de expectativas realistas.

    “Além disso, resultados divulgados em estudos costumam representar médias populacionais, acompanhamento rigoroso e progressão até a dose máxima e não garantem que todos terão a mesma resposta, pode existir variação individual nos resultados, além das outras variáveis envolvidas no processo do tratamento”, destaca o especialista.

    Também é importante considerar os possíveis efeitos colaterais, as contraindicações, os custos do tratamento e a necessidade de acompanhamento médico a longo prazo.

    Quando o Orforglipron chega ao mercado?

    No Brasil, o medicamento ainda não está disponível para compra e não tem uma data exata de lançamento definida. Para chegar às farmácias brasileiras, a farmacêutica Eli Lilly precisa submeter os dados completos de eficácia e segurança à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e obter o registro sanitário.

    Após a aprovação da Anvisa, o medicamento ainda precisará passar pela definição de preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), um processo que costuma levar alguns meses até que o produto chegue efetivamente às prateleiras.

    Perguntas frequentes

    1. O orforglipron já foi aprovado?

    Sim. Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu aprovação da agência regulatória FDA (Food and Drug Administration) e foi batizado com o nome comercial Foundayo.

    2. Precisa tomar o orforglipron em jejum?

    Não. Esse é um dos seus grandes diferenciais em relação aos outros comprimidos da mesma classe. O orforglipron pode ser tomado a qualquer hora do dia, com ou sem alimentos, e com qualquer quantidade de água.

    3. O orforglipron serve para tratar diabetes?

    Sim. No tratamento do diabetes tipo 2, ele ajuda o pâncreas a liberar insulina de forma inteligente (apenas quando o açúcar no sangue está alto) e reduz a produção de glicose pelo fígado.

    4. O remédio é seguro para o estômago?

    A maioria dos efeitos colaterais é considerada de leve a moderada, mas por ser um comprimido digerido diretamente no estômago, ele causou um pouco mais de desconforto gástrico nos testes do que as versões injetáveis, levando alguns pacientes a abandonarem o tratamento.

    5. Ele causa hipoglicemia (queda drástica de açúcar no sangue)?

    O risco de hipoglicemia é muito baixo quando o orforglipron é usado sozinho, porque ele só estimula a produção de insulina se os níveis de açúcar no sangue estiverem elevados. O risco aumenta apenas se ele for combinado com remédios antigos para diabetes, como a insulina sintética.

    6. O orforglipron vai precisar de receita médica?

    Sim. Assim como todos os análogos de GLP-1, se aprovado pela Anvisa, sua venda provavelmente só será permitida mediante receita médica.

  • Nódulos na tireoide: quando se preocupar e como diferenciar benignos de malignos 

    Nódulos na tireoide: quando se preocupar e como diferenciar benignos de malignos 

    Os nódulos na tireoide são achados comuns na prática médica e frequentemente despertam preocupação nos pacientes, sobretudo pelo medo de câncer. Estima-se que uma parcela significativa da população adulta possa apresentar nódulos detectáveis ao longo da vida, muitas vezes de forma silenciosa.

    Embora a grande maioria seja benigna, uma pequena porcentagem pode representar risco maior, exigindo investigação detalhada.

    Para esclarecer as principais dúvidas, conversamos com o endocrinologista André Colapietro, que explica como os nódulos aparecem, quais características merecem atenção e quais exames definem se há motivo para preocupação.

    O que são nódulos na tireoide e por que aparecem?

    Os nódulos na tireoide são pequenos aglomerados de células que se formam no interior da glândula tireoide, localizada na região anterior do pescoço.

    “Podem surgir por alterações celulares benignas, processos inflamatórios ou, mais raramente, câncer”, fala o médico. Fatores como envelhecimento, predisposição genética e inflamações da tireoide aumentam a probabilidade de surgimento desses nódulos.

    Apesar de muita gente associar os nódulos ao câncer logo de cara, o médico tranquiliza e esclarece que nem sempre a presença de um nódulo é motivo imediato de alarme. “Cerca de 90% dos nódulos de tireoide são benignos”.

    No entanto, o acompanhamento médico é essencial na presença de um nódulo na tireoide. A avaliação criteriosa garante que os casos suspeitos sejam investigados de forma precoce e que os pacientes com nódulos benignos não passem por intervenções desnecessárias.

    Quais sintomas indicam investigação detalhada?

    Grande parte dos nódulos é assintomática, descoberta apenas em exames de rotina. No entanto, alguns sinais merecem atenção especial, pois aumentam a suspeita de malignidade ou de complicações locais.

    • Crescimento rápido do nódulo
    • Dor local
    • Rouquidão persistente
    • Dificuldade para engolir (disfagia) ou para respirar (dispneia)

    Além disso, fatores de risco individuais, como histórico familiar de câncer de tireoide e exposição prévia à radiação na região cervical, elevam a necessidade de investigação cuidadosa.

    Confira: 7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico inicial pode ser feito no exame físico, por palpação do pescoço, ou como achado incidental em exames de imagem, como tomografia ou ressonância.

    “Mas o exame de primeira linha, que fornece as informações mais completas sobre as características do nódulo, é o ultrassom”, esclarece André.

    No ultrassom de tireoide, o médico não avalia apenas se há um nódulo, mas também suas características, como formato, bordas, consistência e presença de calcificações.

    Cada detalhe recebe uma pontuação e, ao final, o resultado é convertido em um escore chamado Ti-Rads, que varia de 1 a 5. Quanto maior o número, maior a chance de o nódulo ser suspeito.

    Nódulos de baixo risco geralmente só precisam de acompanhamento periódico, enquanto aqueles classificados como de risco mais alto podem exigir exames adicionais.

    “Lembrando que não existe uma idade recomendada para iniciar o rastreio. Alguns tipos raros de câncer de tireoide com determinadas mutações genéticas implicam em rastreio precoce, ainda na infância. Mas a grande maioria das indicações do exame ocorre na idade adulta”, esclarece o endocrinologista.

    Quais exames diferenciam nódulos benignos de malignos?

    Embora o ultrassom seja a principal ferramenta para avaliar os nódulos na tireoide, ele sozinho não consegue dizer com certeza se o nódulo é benigno ou maligno. O exame mostra características que ajudam a estimar o risco, mas o diagnóstico definitivo depende de uma investigação mais aprofundada.

    Para casos de maior risco, conforme características ultrassonográficas, histórico familiar ou evolução do nódulo, pode ser necessária a punção aspirativa por agulha fina (PAAF).

    Nesse procedimento simples, feito em consultório, uma agulha fina retira uma pequena amostra de células do nódulo, que depois é analisada em laboratório.

    Isso permite identificar alterações típicas de benignidade ou malignidade, auxiliando na decisão sobre o tratamento do nódulo na tireoide.

    Leia também: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Quando a cirurgia de tireoide pode ser indicada?

    Nem todo nódulo precisa ser removido. Os critérios para acompanhamento ou cirurgia de tireoide dependem de características clínicas e laboratoriais:

    • Acompanhamento periódico: indicado para nódulos benignos ou para aqueles que não tiveram indicação de PAAF. O seguimento é feito com ultrassom em intervalos regulares.
    • Cirurgia: recomendada para nódulos com diagnóstico compatível com câncer ou para nódulos muito volumosos, que comprimem estruturas vizinhas, causando sintomas como dificuldade para engolir ou respirar.

    Esse equilíbrio entre observar e intervir garante que apenas pacientes que realmente necessitam passem por cirurgia, evitando procedimentos desnecessários.

    Fatores de risco associados ao câncer de tireoide

    Alguns fatores podem aumentar o risco de câncer em pacientes com nódulos, embora não estejam diretamente relacionados à formação do nódulo em si. Entre eles:

    • Tabagismo: prejudica a saúde geral e pode impactar negativamente a evolução de doenças.
    • Obesidade grave: associada a alterações hormonais e inflamatórias.
    • Estresse crônico: pode impactar a saúde como um todo.

    O médico faz questão de esclarecer que não há uma medicação ou substância específica que atue nessa proteção. “Tanto no surgimento do nódulo quanto na sua evolução para maligno, a prevenção está ligada a bons hábitos de vida”.

    Perguntas e respostas sobre nódulos na tireoide

    1. O que são nódulos na tireoide e por que aparecem?

    São aglomerados de células que se formam dentro da glândula tireoide. Podem surgir por alterações benignas, inflamações ou, mais raramente, câncer, sendo mais comuns com o envelhecimento e predisposição genética.

    2. A maioria dos nódulos na tireoide é câncer?

    Não. Cerca de 90% dos nódulos são benignos, mas o acompanhamento médico é essencial para descartar casos suspeitos e evitar intervenções desnecessárias.

    3. Quais sintomas indicam investigação imediata?

    Crescimento rápido, dor, rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou respirar. Histórico familiar de câncer de tireoide e exposição prévia à radiação também elevam o risco.

    4. Como é feito o diagnóstico inicial?

    O exame físico pode identificar nódulos, mas o ultrassom é o principal método. Ele avalia características do nódulo e gera um escore de risco chamado Ti-Rads, que varia de 1 a 5.

    5. Quais exames diferenciam benignos de malignos?

    A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é usada em casos de maior risco. O material coletado é analisado em laboratório para definir se o nódulo é benigno ou maligno.

    6. Quando a cirurgia é indicada?

    É recomendada para nódulos com diagnóstico de câncer ou muito volumosos, que comprimem estruturas do pescoço e causam sintomas. Nódulos benignos geralmente só exigem acompanhamento.

    7. Quais fatores aumentam o risco de câncer de tireoide?

    Tabagismo, obesidade grave e estresse crônico podem impactar a evolução da doença, embora não causem diretamente os nódulos. Bons hábitos de vida ajudam na prevenção.

    Veja mais: Autoexame: como detectar precocemente diferentes tipos de câncer

  • Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária? 

    Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária? 

    O tratamento do diabetes é um dos maiores desafios da endocrinologia moderna. A doença, que afeta milhões de pessoas, exige estratégias individualizadas para manter a glicose sob controle e reduzir o risco de complicações cardiovasculares, renais e neurológicas. Entre as principais abordagens, estão os medicamentos orais e a insulina injetável, cada um com papel específico.

    Mas, afinal, qual a diferença entre insulina e medicamentos orais para diabetes? Em quais casos cada um é mais indicado? Para esclarecer essas dúvidas, conversamos com o endocrinologista André Colapietro, que detalhou os mecanismos de ação, as indicações e os avanços recentes nos dois tratamentos.

    Qual a diferença entre insulina e medicamentos orais no tratamento de diabetes?

    A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e sua função é permitir que a glicose no sangue entre nas células para ser usada como energia. “Todas as pessoas sem diabetes produzem insulina”. Quando essa produção falha ou quando as células não respondem bem à insulina, como em casos de diabetes, ocorre a hiperglicemia, ou seja, o excesso de açúcar no sangue.

    No tratamento do diabetes, a escolha entre insulina e medicamentos orais depende do tipo e da gravidade da doença:

    • Medicamentos orais para diabetes: usados principalmente no diabetes tipo 2 inicial, quando o pâncreas ainda consegue produzir insulina. Eles atuam de formas diferentes, estimulando a produção de insulina, aumentando a sensibilidade das células ou eliminando o excesso de glicose pela urina.
    • Insulina injetável: indispensável no diabetes tipo 1, já que o organismo não produz o hormônio. Também pode ser necessária no diabetes tipo 2 mais avançado, em casos de diabetes gestacional ou quando há glicotoxicidade (níveis muito altos de glicose que “inibem” temporariamente o pâncreas).

    Ou seja, enquanto os medicamentos orais ajudam a aproveitar a insulina que o corpo ainda produz, a insulina aplicada substitui ou complementa essa produção quando ela é insuficiente.

    Como agem os medicamentos orais para diabetes?

    Os medicamentos orais usados no tratamento de diabetes são variados e atuam em diferentes mecanismos do metabolismo da glicose. Eles podem ser divididos em famílias de substâncias, cada uma agindo em uma frente distinta:

    • Aumentam a secreção de insulina: como as sulfonilureias e glinidas.
    • Melhoram a sensibilidade à insulina: exemplos clássicos são a metformina e a pioglitazona.
    • Promovem a excreção de glicose pela urina: como os inibidores de SGLT2, que ajudam o corpo a eliminar o excesso de açúcar.

    Essas classes podem ser usadas de forma isolada, mas também usadas em conjunto, segundo orientação médica. “Eles podem ser combinados em diferentes estratégias de tratamento”, reforça Colapietro.

    Qual é a função da insulina aplicada no tratamento de diabetes?

    A insulina injetável tem a função de substituir ou complementar a insulina que o corpo não consegue mais produzir em quantidade suficiente ou que não está sendo utilizada corretamente por resistência insulínica.

    “A insulina se liga a um receptor específico na membrana das células e ‘abre’ o transportador que permite a passagem da glicose do sangue para dentro da célula (para ser utilizada como fonte energética). Na ausência de insulina, esse transporte não ocorre, o que leva ao acúmulo de glicose no sangue”, detalha o endocrinologista.

    Isso significa que, enquanto os comprimidos atuam ajudando o corpo a lidar melhor com a glicose, a insulina é uma substituição direta, essencial em alguns tipos de diabetes.

    Diabetes tipo 1 e tipo 2: as diferenças nos tratamentos

    No diabetes tipo 1, o sistema imunológico destrói as células do pâncreas que produzem insulina. Como o corpo praticamente não consegue produzir o hormônio, a aplicação de insulina é indispensável desde o diagnóstico. Em alguns casos, medicamentos orais podem ser usados como complemento, mas a base do tratamento sempre será a insulina aplicada diariamente.

    Já o diabetes tipo 2 é caracterizado pela resistência insulínica, quando as células não utilizam bem a insulina produzida pelo corpo. O tratamento inicial combina mudanças no estilo de vida, como dieta equilibrada, exercícios físicos e perda de peso. Em paralelo, usam-se medicamentos orais que ajudam a controlar a glicose por diferentes mecanismos. Com o avanço da doença, pode ser necessária a aplicação de insulina para manter o controle glicêmico adequado.

    Assim, enquanto o diabetes tipo 1 exige insulina desde o início, no tipo 2 geralmente é possível começar com medidas mais conservadoras, mas há risco de evolução para a necessidade de insulina em estágios mais avançados. “Isso pode acontecer devido à progressão da doença (muitos anos de diagnóstico), por predisposição genética (algumas pessoas evoluem mais rapidamente) ou por refratariedade ao tratamento oral isolado (não ser possível atingir as metas seguras de controle glicêmico)”, explica o médico.

    Existem avanços no tratamento de diabetes?

    Nos últimos anos, o tratamento do diabetes evoluiu muito, tanto com relação aos medicamentos orais quanto nas formulações de insulina.

    “Os grandes destaques para os medicamentos orais são os que, além de ajudarem no controle glicêmico, têm boa segurança contra hipoglicemia, auxiliam na perda de peso e, o mais importante, reduzem risco cardiovascular e de doença renal crônica significativamente (ou seja, ajudam a glicemia, o peso, o coração e os rins)”.

    Já em relação à insulina, o médico explica que surgiram novas versões de ação prolongada, capazes de manter níveis mais estáveis de glicose sem grandes oscilações, além de insulinas ultrarrápidas, que atuam de forma mais precisa logo após a aplicação.

    Essas melhorias tornaram o tratamento mais confortável, reduziram efeitos colaterais e facilitaram a rotina de quem convive com a doença.

    De qualquer forma, o mais importante é o acompanhamento contínuo e a personalização do tratamento para garantir não apenas o controle da glicose, mas também a prevenção de complicações graves.

    Veja mais: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Perguntas e respostas

    1. Qual a principal diferença entre insulina e medicamentos orais no tratamento de diabetes?

    Os comprimidos ajudam o corpo a usar melhor a insulina que ele ainda produz, enquanto a insulina aplicada substitui ou complementa a produção natural quando ela não é suficiente.

    2. Em quais casos os medicamentos orais são indicados?

    São usados principalmente no diabetes tipo 2 inicial, quando o pâncreas ainda produz insulina, ajudando a controlar a glicose por diferentes mecanismos.

    3. Quem precisa usar insulina desde o início do tratamento?

    Pessoas com diabetes tipo 1 precisam de insulina desde o diagnóstico, pois o corpo praticamente não produz mais o hormônio.

    4. Pessoas com diabetes tipo 2 podem precisar de insulina?

    Sim. Com a progressão da doença ou quando os comprimidos deixam de controlar a glicemia, a aplicação de insulina pode se tornar necessária.

    5. Quais os avanços recentes nos tratamentos?

    Os medicamentos orais mais modernos ajudam também no peso, no coração e nos rins. Já as insulinas novas são mais estáveis e rápidas, trazendo mais segurança e praticidade.

    Leia mais: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

  • Hipoglicemia: saiba como reconhecer os sintomas e o que fazer na hora da crise 

    Hipoglicemia: saiba como reconhecer os sintomas e o que fazer na hora da crise 

    A hipoglicemia é um dos quadros clínicos que mais preocupam endocrinologistas e pacientes com diabetes. Popularmente chamada de “queda de açúcar no sangue”, a condição acontece quando a glicose atinge níveis abaixo do necessário para garantir energia suficiente para os órgãos vitais. Dependendo da gravidade, pode causar desde tremores e suor frio até perda de consciência e convulsões.

    Segundo o endocrinologista André Colapietro, a condição pode ocorrer tanto em pessoas com diabetes quanto em não diabéticos em situações específicas (como jejum prolongado). Com as orientações do médico, vamos entender como reconhecer os sintomas de hipoglicemia e o que fazer na hora da crise.

    O que é hipoglicemia e como identificar

    A hipoglicemia acontece quando a quantidade de glicose (açúcar) no sangue fica abaixo do normal. A glicose é o combustível principal do corpo, especialmente do cérebro. Sem energia suficiente, o organismo começa a dar sinais de alerta. Na prática clínica, considera-se:

    • Glicemia < 70 mg/dL: já caracteriza hipoglicemia.
    • Glicemia < 54 mg/dL: indica hipoglicemia grave, especialmente quando há alteração do nível de consciência.

    Mais importante do que o número isolado é o conjunto de sintomas. Muitas vezes, o paciente sente os sinais de glicemia baixa antes mesmo de confirmar no aparelho, e isso deve ser levado a sério. Afinal, é uma condição que pode se agravar rapidamente.

    Quem pode ter hipoglicemia?

    A maioria dos casos de hipoglicemia ocorre em pessoas com diabetes em tratamento com insulina ou medicamentos que aumentam o risco de quedas de glicose. No entanto, não se trata de uma condição exclusiva desse grupo.

    “Em não diabéticos, pode ocorrer em situações de jejum prolongado, prática intensa de exercícios, consumo excessivo de álcool ou, raramente, em alguns distúrbios hormonais ou tumores pancreáticos”, explica o endocrinologista.

    Em resumo, qualquer pessoa pode, em determinadas circunstâncias, apresentar uma queda de glicose e ter hipoglicemia. Por isso, conhecer os sinais e saber como agir é fundamental.

    Sintomas de hipoglicemia mais comuns

    A glicemia baixa geralmente dá sinais visíveis que podem ser reconhecidos precocemente. Esses sintomas de hipoglicemia aparecem porque o corpo tenta compensar a falta de glicose, acionando hormônios como a adrenalina.

    Os sinais mais típicos incluem:

    • Tremores
    • Sudorese (suor frio)
    • Palpitações
    • Fome intensa
    • Ansiedade
    • Tontura e fraqueza

    “Atenção, porque alguns desses sintomas de hipoglicemia podem ser semelhantes aos da pressão baixa, então é importante, sempre que possível, aferir a pressão e também a glicemia capilar para evitar confusão com a causa dos sintomas”, enfatiza André.

    Após os primeiros sinais, se a glicemia continuar caindo, o paciente pode até evoluir para sintomas neurológicos mais sérios, como dificuldade de raciocínio, alteração da fala e desmaio.

    Leia também: Diabetes gestacional: o que é, sintomas, o que causa e como evitar

    Hipoglicemia assintomática: o risco silencioso

    Nem todos percebem os sintomas de hipoglicemia. Alguns pacientes, principalmente aqueles com diabetes de longa duração, podem ter episódios sem qualquer sintoma perceptível.

    “Principalmente pacientes que apresentaram múltiplos episódios de hipoglicemia ao longo da vida podem se tornar menos sensíveis e evoluir com hipoglicemias assintomáticas”, explica Colapietro.

    Esse fenômeno, chamado de hipoglicemia inadvertida, é particularmente perigoso porque aumenta o risco de crises graves sem aviso prévio. Para esses pacientes, o monitoramento frequente da glicemia é indispensável.

    O que fazer na hora da crise de hipoglicemia

    Uma crise de hipoglicemia exige ação imediata, com medidas simples que podem salvar vidas. O protocolo inicial inclui três passos básicos:

    1. Medir a glicemia, se possível. Essa confirmação ajuda a diferenciar de outras condições.
    2. Consumir carboidratos de ação rápida. Os líquidos doces são os mais indicados, pois são rapidamente absorvidos pelo organismo. Entre as opções estão suco de fruta, refrigerante comum, água com açúcar ou mel.
    3. Ficar em local seguro. Evitar dirigir, operar máquinas ou realizar atividades que ofereçam risco até que a glicemia esteja normalizada.

    “Depois disso, deve-se repetir a medição da glicemia capilar em 15 minutos. Se não melhorar, é indicado repetir a ingestão de carboidrato e procurar um serviço de pronto-atendimento”. Na prática, recomenda-se a chamada regra dos 15: ingerir cerca de 15 g de glicose rápida. Isso pode ser feito com:

    • 3 a 4 balas de doce
    • Meio copo de suco de fruta
    • 1 colher de sopa de açúcar ou mel

    “Depois, a pessoa pode comer um lanche com carboidrato + proteína (um misto quente, por exemplo) para manter a glicemia estável”. Esse cuidado evita um novo episódio pouco tempo depois da correção inicial, garantindo que a glicemia se mantenha equilibrada.

    Veja mais: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

    Hipoglicemia grave: quais os sinais?

    Algumas crises podem ser corrigidas em casa seguindo essas indicações do médico, porém, em alguns casos, a hipoglicemia se torna uma emergência médica.

    Situações que caracterizam hipoglicemia grave incluem:

    • Perda ou rebaixamento da consciência
    • Convulsões
    • Incapacidade de ingerir alimentos sozinho

    “Em casos graves, pode ser necessário glucagon injetável ou atendimento hospitalar”, afirma Colapietro. O uso de glucagon, que eleva a glicose rapidamente, deve ser prescrito e ensinado pelo médico para situações de emergência.

    Como prevenir episódios em pessoas com diabetes

    Para quem vive com diabetes, a prevenção é o pilar central do cuidado. Pequenas mudanças no dia a dia reduzem muito o risco de quedas de glicose. Entre as principais medidas estão:

    • Monitoramento regular da glicemia: ajuda a identificar quedas antes que causem sintomas.
    • Ajuste da medicação: sempre em parceria com o médico, para usar o menor número possível de fármacos de alto risco.
    • Padrão estável de atividade física: manter rotina equilibrada, evitando mudanças bruscas de intensidade.
    • Alimentação adequada: evitar jejum prolongado e manter horários regulares de refeição.
    • Reconhecimento precoce dos sintomas: agir rápido assim que aparecerem os primeiros sinais.

    Para pessoas com diabetes, a prevenção deve ser parte do cuidado diário, enquanto para a população em geral, conhecer os sinais é uma forma de evitar emergências.

    Embora seja uma condição comum, nunca deve ser banalizada. O acompanhamento médico é essencial para ajustar o tratamento, orientar condutas de emergência e reduzir os riscos a longo prazo.

    Perguntas e respostas sobre hipoglicemia

    1. O que é hipoglicemia?

    É a queda do nível de glicose no sangue abaixo de 70 mg/dL. Quando chega a menos de 54 mg/dL, já pode ser considerada grave.

    2. Quem pode ter hipoglicemia?

    É mais comum em pessoas com diabetes que usam insulina ou certos medicamentos, mas pode ocorrer em não diabéticos em casos como jejum prolongado, exercício intenso ou consumo excessivo de álcool.

    3. Quais são os sintomas mais comuns?

    Tremores, suor frio, palpitações, fome intensa, ansiedade, tontura e fraqueza. Em casos mais graves, pode causar dificuldade de raciocínio e até desmaios.

    4. Existe hipoglicemia sem sintomas?

    Sim. Pacientes com diabetes de longa duração podem perder a sensibilidade aos sinais, apresentando crises silenciosas, o que aumenta o risco de complicações.

    5. O que fazer durante uma crise?

    Consumir carboidratos de rápida absorção, como suco, refrigerante comum, açúcar ou mel. Depois, repetir a glicemia em 15 minutos e reforçar a alimentação com carboidrato e proteína.

    6. Quando a hipoglicemia é considerada grave?

    Quando causa perda de consciência, convulsões ou incapacidade de se alimentar sozinho. Nessas situações, pode ser necessário glucagon injetável ou atendimento hospitalar.

    7. Como prevenir novos episódios?

    Monitorar a glicemia com frequência, ajustar medicamentos com orientação médica, evitar jejum prolongado, manter alimentação regular e reconhecer os sintomas logo no início.

    Leia também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos