Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

Grávida aplicando creme hidratante na barriga durante a gestação.

Durante a gestação, algumas substâncias, produtos e medicamentos que costumavam fazer parte do dia a dia da mulher podem representar riscos para o desenvolvimento do bebê.

Por causa das mudanças no organismo e da formação dos órgãos do feto, determinados componentes podem atravessar a placenta e interferir no processo.

Neste guia, você vai entender o que grávidas não podem usar durante a gestação, quais produtos devem ser evitados e quais cuidados ajudam a proteger a saúde da mãe e do bebê ao longo de toda a gravidez. Dá uma olhada!

Por que alguns produtos comuns podem ser perigosos na gravidez?

O principal problema associado ao uso de alguns produtos durante a gestação está relacionado à permeabilidade da placenta. A placenta funciona como uma barreira de proteção entre a mãe e o bebê, só que ela não é totalmente capaz de impedir a passagem de todas as substâncias.

Muitos medicamentos, compostos químicos e até algumas substâncias presentes em cosméticos podem atravessar a placenta e chegar à circulação do feto. Quando isso acontece, esses componentes podem interferir no desenvolvimento do bebê, especialmente durante as fases em que os órgãos e sistemas ainda estão em formação.

Dependendo da substância e do momento da gestação, a exposição pode aumentar o risco de malformações ou até causar alterações no funcionamento dos órgãos, afetar o crescimento do bebê ou provocar complicações para a gravidez.

O que deve ser evitado na gravidez?

1. Medicamentos

Nenhum medicamento deve ser usado por conta própria na gravidez, pois mesmo remédios comuns podem trazer riscos para o bebê, já que muitas substâncias conseguem atravessar a placenta.

De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é necessário evitar:

  • Anti-inflamatórios não hormonais: ibuprofeno, naproxeno e cetoprofeno, pois podem causar o fechamento precoce do canal arterial e hipertensão pulmonar no feto;
  • Remédios classificados como categoria D ou X: substâncias com evidências de risco ou contraindicação absoluta, como a talidomida (causadora de focomelia) e o propiltiouracil (que afeta a tireoide do bebê);
  • Antibióticos de classes contraindicadas: medicamentos que atravessam a placenta e podem interferir no desenvolvimento do bebê (devem ser substituídos por opções seguras prescritas pelo médico);
  • Remédios para pressão arterial sem indicação: especialmente os inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), que podem causar alterações na formação dos rins do feto.

Como identificar medicamentos seguros?

Andreia explica que uma forma importante de orientação é consultar a bula do medicamento. Toda bula possui uma seção chamada categoria de risco na gravidez, que indica o nível de risco que determinada substância pode representar para o feto.

A classificação possui cinco categorias: A, B, C, D e X. Cada uma indica o nível de segurança ou de risco para o bebê.

  • Categoria A: inclui medicamentos considerados seguros e que, muitas vezes, são até recomendados durante a gravidez. Um exemplo são os suplementos vitamínicos, como o ácido fólico, fundamental para o fechamento do tubo neural do bebê;
  • Categoria B: também é considerada segura para uso na gestação, com estudos que não demonstram risco significativo para o bebê;
  • Categoria C: indica que não existem dados suficientes para afirmar se o medicamento é seguro ou não. Nesses casos, o uso deve ser feito com cautela e apenas quando realmente necessário;
  • Categoria D: existem evidências de risco para o feto, então o medicamento só deve ser utilizado em situações muito específicas e sempre com supervisão médica;
  • Categoria X: representa contraindicação absoluta durante a gravidez, pois já existem evidências científicas de que a substância pode causar danos graves ao feto.

Um exemplo de medicamento da categoria D é o propiltiouracil, usado para tratar hipertireoidismo. Quando a gestante apresenta essa condição, Andreia esclarece que é necessário controlar a doença, porque o descontrole também pode trazer riscos para a gravidez.

No entanto, o medicamento pode atravessar a placenta e afetar a tireoide do bebê, que normalmente não apresenta o problema. Por isso, quando necessário, ele pode ser utilizado em doses menores e com acompanhamento rigoroso, incluindo ultrassonografias para avaliar a tireoide fetal.

2. Produtos de beleza

Certos cosméticos e procedimentos estéticos também precisam de cuidado durante a gravidez, principalmente quando têm substâncias que podem ser absorvidas pela pele. Por isso, Andreia recomenda evitar:

Cremes com retinol ou substâncias de alta absorção

Os produtos dermatológicos com retinol ou derivados da vitamina A devem ser evitados. As substâncias podem ser absorvidas pela pele e, em alguns casos, estão associadas a riscos para o desenvolvimento do bebê.

Tinturas de cabelo com metais pesados

Algumas tinturas capilares podem conter metais pesados, como chumbo ou mercúrio. Por precaução, muitas vezes recomenda-se evitar esse tipo de produto ou optar por tonalizantes, que costumam ter fórmulas mais suaves.

Procedimentos estéticos

Procedimentos estéticos mais invasivos, como aplicações injetáveis ou tratamentos dermatológicos intensos, geralmente não são recomendados durante a gravidez. Além da falta de evidências de segurança, o corpo da gestante passa por mudanças hormonais que podem alterar a resposta da pele.

Maquiagens de procedência duvidosa

O uso de maquiagens costuma ser considerado seguro na gravidez, mas você deve evitar produtos de origem desconhecida ou sem registro sanitário.

Algumas fórmulas podem conter excesso de conservantes, fragrâncias ou metais pesados, substâncias que podem causar irritações na pele ou aumentar o risco de exposição a compostos potencialmente prejudiciais. Sempre que possível, o ideal é optar por marcas confiáveis e produtos dermatologicamente testados.

3. Cigarro e exposição à fumaça

O tabagismo pode prejudicar a circulação de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê, o que pode afetar o desenvolvimento fetal.

Entre os possíveis efeitos estão o aumento do risco de aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer e problemas respiratórios no recém-nascido. Além disso, bebês expostos ao cigarro durante a gravidez podem ter maior chance de apresentar dificuldades respiratórias e infecções nos primeiros meses de vida.

Importante: mesmo quando a gestante não fuma, conviver com pessoas que fumam ou permanecer em ambientes com fumaça pode trazer riscos. O ideal é evitar locais onde haja cigarro e manter o ambiente sempre livre de fumaça.

4. Cafeína em excesso

Quando ingerida em grandes quantidades, a cafeína pode atravessar a placenta e chegar ao bebê, que ainda não tem o organismo totalmente preparado para metabolizar a substância. O recomendado é limitar o consumo de bebidas que contêm cafeína, como café, chá-preto, chá-verde, refrigerantes à base de cola e bebidas energéticas.

5. Fitoterápicos

Os fitoterápicos são feitos a partir de plantas e, mesmo sendo naturais, possuem substâncias ativas que podem provocar reações no corpo, assim como acontece com os medicamentos tradicionais. Na gravidez, várias das substâncias não foram suficientemente estudadas, então não é possível garantir a segurança de vários fitoterápicos para a gestante e para o bebê.

Além disso, algumas plantas podem estimular contrações uterinas, alterar a pressão arterial ou interferir no funcionamento de órgãos importantes durante a gestação. Por isso, o uso de fitoterápicos deve ser feito apenas com orientação médica.

Chás com efeito medicinal

Os chás preparados com plantas medicinais podem conter substâncias ativas capazes de provocar efeitos no organismo. Na gestação, algumas dessas plantas podem estimular contrações uterinas, alterar a pressão arterial ou interferir no desenvolvimento do bebê.

A concentração dos compostos também pode variar muito de acordo com a forma de preparo, o que torna difícil controlar a quantidade ingerida, então o consumo frequente não é indicado sem orientação médica.

Entre alguns dos chás que devem ser evitados, é possível destacar:

  • Chá de canela;
  • Chá de arruda;
  • Chá de boldo;
  • Chá de sene;
  • Chá de hibisco;
  • Chá de losna;
  • Chá de carqueja.

Em caso de dúvida sobre qualquer tipo de chá ou planta medicinal, o mais seguro é sempre conversar com um profissional de saúde antes do consumo.

O que fazer se usar algo proibido por engano?

Se você utilizou algum medicamento ou produto da lista de contraindicados por descuido, mantenha a calma. O risco para o bebê depende de vários fatores, como a dosagem, o tempo de exposição e a idade gestacional.

Nesses casos, siga algumas orientações:

  • Interromper o uso imediatamente, suspendendo o consumo ou a aplicação do produto assim que perceber o erro;
  • Consultar o obstetra e informar exatamente o que foi usado, a quantidade e por quanto tempo, para que o médico possa avaliar o risco real;
  • Identificar a substância, tendo em mãos a bula do medicamento ou o rótulo do cosmético para facilitar a análise médica;
  • Verificar a categoria de risco, permitindo que o médico consulte ferramentas e referências para saber se será necessário realizar exames extras, como uma ultrassonografia mais detalhada;
  • Evitar a automedicação para tentar corrigir o erro, já que o uso de outra substância sem orientação médica pode aumentar o risco.

Na maioria das vezes, o uso isolado e acidental de substâncias de baixo risco, como alguns cremes ou um único comprimido de anti-inflamatório, não causa danos imediatos. Mesmo assim, a avaliação médica é importante para garantir a segurança da gestante e do bebê.

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Perguntas frequentes

1. Probióticos são permitidos na gravidez?

Sim, normalmente são considerados seguros para uso durante a gestação.

2. Onde vejo se o remédio é seguro para o bebê?

A forma mais rápida é consultar a seção “Categoria de Risco na Gravidez” na bula ou perguntar diretamente ao médico.

3. Grávida pode usar protetor solar comum?

Sim, o uso de protetor solar é indispensável, pois a pele da gestante tem maior tendência a manchas (melasma), mas prefira os indicados para o seu tipo de pele.

4. Grávida pode usar hidratante com vitamina C?

Sim. Diferente do retinol, a vitamina C tópica costuma ser segura e ajuda a prevenir manchas durante a gestação.

5. Remédio para acne (uso tópico) é liberado?

A maioria deve ser evitada, especialmente os que contêm ácido salicílico em altas concentrações ou derivados de vitamina A. Consulte o dermatologista antes.

6. Grávida pode usar repelente?

Sim, o uso é fundamental para prevenir doenças como o Zika vírus. Prefira repelentes aprovados pela ANVISA para uso em gestantes.

7. Pode fazer tatuagem ou micropigmentação?

Não é recomendado durante a gestação devido ao risco de infecções, reações alérgicas e à presença de metais pesados nas tintas.

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