Diretamente associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, a síndrome metabólica envolve uma série de alterações que, ao longo do tempo, podem comprometer o funcionamento do organismo, afetando o coração, a circulação e o metabolismo.
Elas costumam ocorrer de forma conjunta e estão relacionadas ao acúmulo de gordura abdominal, à inflamação crônica e à dificuldade no controle do açúcar e das gorduras no sangue. Como evolui de maneira silenciosa, a síndrome metabólica muitas vezes passa despercebida e é identificada apenas em exames de rotina.
Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar o que é a condição, quais fatores contribuem para seu desenvolvimento e por que ela representa um risco relevante para a saúde.
O que é síndrome metabólica?
A síndrome metabólica é uma condição marcada pela associação de alterações metabólicas que ocorrem de forma simultânea e aumentam de maneira significativa o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, além de diabetes tipo 2.
A condição está relacionada à presença de fatores como acúmulo de gordura abdominal, pressão arterial elevada, níveis elevados de açúcar no sangue, triglicerídeos altos e colesterol HDL baixo, conhecido como colesterol bom.
As alterações estão ligadas à resistência à insulina e ao acúmulo de gordura visceral, que provocam um estado de inflamação crônica no organismo.
Na maioria dos casos, a síndrome se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas claros nas fases iniciais, o que faz com que muitas pessoas só descubram a condição em exames de rotina.
Quais fatores estão por trás do desenvolvimento da síndrome metabólica?
O desenvolvimento da síndrome metabólica está ligado à combinação de fatores que afetam o metabolismo e o equilíbrio do organismo ao longo do tempo, como:
- Acúmulo de gordura abdominal, especialmente a gordura visceral;
- Resistência à insulina, que dificulta o controle do açúcar no sangue;
- Alimentação rica em açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados;
- Sedentarismo e baixa prática de atividade física;
- Ganho de peso e obesidade;
- Alterações hormonais, como as que ocorrem com o envelhecimento;
- Predisposição genética;
- Estresse crônico e noites mal dormidas.
Os fatores normalmente atuam juntos, desequilibrando o metabolismo, aumentando a inflamação no organismo e sobrecarregando o coração e os vasos sanguíneos, o que facilita o desenvolvimento da síndrome metabólica com o passar do tempo.
Como a síndrome metabólica aumenta o risco de infarto e AVC?
A síndrome metabólica consiste em alterações que mantêm o organismo em um estado constante de inflamação. A gordura abdominal, em especial, libera substâncias inflamatórias que afetam diretamente o funcionamento dos vasos sanguíneos, conforme explica Juliana.
Com o tempo, o processo contribui para o enrijecimento das artérias e facilita a formação de placas de colesterol, prejudicando a circulação do sangue. Isso aumenta de forma significativa o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC. Além disso, a inflamação e as alterações metabólicas podem deixar o sangue mais espesso, favorecendo a formação de coágulos.
Juliana também destaca que a síndrome metabólica aumenta de forma importante o risco de desenvolver diabetes, podendo elevar essa chance em até cinco vezes em comparação com quem não tem a condição, o que agrava ainda mais os riscos para a saúde do coração.
Por que ela é mais comum em mulheres após os 40 anos?
O aumento da incidência da síndrome metabólica nas mulheres, especialmente após os 40 anos, está diretamente relacionado às alterações hormonais que ocorrem ao longo da menopausa, de acordo com Juliana. A queda nos níveis do hormônio estrogênio é o principal fator responsável por esse aumento do risco.
O estrogênio desempenha um papel importante na proteção do sistema cardiovascular das mulheres, atuando como um vasodilatador natural. Ele torna os vasos sanguíneos mais flexíveis e também auxilia na distribuição da gordura pelo corpo. Enquanto o estrogênio está presente, há uma tendência ao acúmulo de gordura nas coxas e nos quadris.
Com a diminuição do estrogênio, no entanto, a gordura passa a se acumular com mais intensidade na região abdominal, levando ao aumento da gordura visceral, que é metabolicamente ativa e prejudicial ao organismo, resultando em um processo inflamatório crônico.
Além disso, a cardiologista ressalta que essa alteração hormonal também reduz o metabolismo, o que contribui para a perda de massa muscular e facilita o ganho de peso, mesmo sem mudanças significativas na dieta.
A reposição hormonal pode interferir no risco?
A terapia de reposição hormonal não é indicada para reduzir o risco cardiovascular e é contraindicada em pacientes com alto risco cardiovascular.
Segundo a cardiologista, o tratamento é feito para reduzir os sintomas relacionados à menopausa, principalmente os sintomas vasomotores. Existe uma janela de tempo ideal para sua realização, sendo recomendado que seja iniciada logo no início do processo da menopausa ou, no máximo, até 10 anos depois.
Quando bem indicada, pode contribuir para a melhora do bem-estar geral da mulher, da disposição e da qualidade de vida, fatores que ajudam no estado geral de saúde. Contudo, Juliana ressalta que ela não é recomendada para tratar ou prevenir a síndrome metabólica.
Sintomas da síndrome metabólica
Na maioria das vezes, a síndrome metabólica é uma condição silenciosa. Segundo Juliana, alterações como colesterol elevado ou aumento da gordura visceral não costumam provocar sintomas claros no dia a dia, o que faz com que muitas pessoas não percebam o problema nas fases iniciais.
Mesmo assim, alguns sinais podem servir de alerta e merecem atenção, como:
- Aumento da circunferência abdominal;
- Aumento da cintura;
- Cansaço frequente ou sensação de fadiga constante;
- Inchaço no corpo;
- Maior retenção de líquidos.
A presença dos sinais não confirma o diagnóstico, mas indica a necessidade de avaliação médica e acompanhamento mais cuidadoso da saúde metabólica.
Quais exames ajudam a identificar precocemente a síndrome metabólica?
A avaliação da síndrome metabólica é feita de forma clínica, com a realização de exames simples, que ajudam a identificar alterações metabólicas importantes. Os principais incluem:
- Medida da circunferência abdominal;
- Medida da pressão arterial;
- Colesterol total;
- Colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim;
- Colesterol HDL, conhecido como colesterol bom;
- Triglicerídeos;
- Glicemia de jejum;
- Insulina de jejum;
- Hemoglobina glicada.
É possível controlar ou reverter a síndrome metabólica?
Como a condição está fortemente ligada ao estilo de vida, é possível controlar e até reverter a síndrome metabólica a partir de hábitos mais saudáveis, como:
- Alimentação equilibrada, com redução de açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados;
- Prática regular de atividade física;
- Redução do sedentarismo no dia a dia;
- Perda e manutenção do peso corporal adequado;
- Melhora da qualidade do sono;
- Controle do estresse;
- Uso correto das medicações prescritas, quando necessário.
Com acompanhamento médico e cuidados contínuos, muitas pessoas conseguem sair do quadro de síndrome metabólica, reduzindo de forma importante o risco de diabetes, infarto, AVC e outras complicações ao longo do tempo.
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Perguntas frequentes
1. A síndrome metabólica é uma doença?
Não exatamente. A síndrome metabólica não é uma doença única, mas um conjunto de alterações que, quando presentes ao mesmo tempo, aumentam significativamente o risco de problemas graves de saúde ao longo do tempo, como infarto, AVC e diabetes tipo 2.
2. Quem tem mais risco de desenvolver síndrome metabólica?
Pessoas com excesso de peso, especialmente gordura abdominal, sedentárias, com alimentação inadequada, histórico familiar de doenças cardiovasculares, diabetes ou alterações hormonais têm maior risco. Ele também aumenta com a idade.
3. Qual a relação entre síndrome metabólica e gordura abdominal?
A gordura abdominal, especialmente a visceral, é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias no organismo. Isso interfere no funcionamento dos vasos sanguíneos e no controle do açúcar e das gorduras no sangue, contribuindo diretamente para a síndrome metabólica.
4. Crianças e adolescentes podem ter síndrome metabólica?
Podem, especialmente quando há obesidade infantil, sedentarismo e alimentação inadequada. A presença da síndrome metabólica em fases precoces da vida aumenta o risco de doenças cardiovasculares na idade adulta.
5. O consumo de álcool interfere na síndrome metabólica?
O consumo excessivo de álcool favorece o ganho de peso, eleva os triglicerídeos e prejudica o controle metabólico, contribuindo para a piora da síndrome metabólica.
6. A síndrome metabólica pode voltar após ser controlada?
Se os cuidados com alimentação, atividade física e acompanhamento médico forem deixados de lado, as alterações metabólicas podem retornar. Por isso, o controle precisa ser contínuo ao longo da vida.
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