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  • Pressão arterial em idosos: por que a pressão aumenta com a idade e qual deve ser a meta?

    Pressão arterial em idosos: por que a pressão aumenta com a idade e qual deve ser a meta?

    É comum ouvir que é normal a pressão subir depois de certa idade. De fato, o envelhecimento favorece o aumento da pressão arterial, mas isso não significa que toda pressão elevada seja normal ou possa ser ignorada.

    A hipertensão arterial continua sendo um dos principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica, independentemente da idade.

    Ao mesmo tempo, a redução excessiva da pressão pode não ser bem tolerada por alguns idosos e provocar tonturas, desmaios e outros efeitos adversos.

    Por isso, embora atualmente a meta abaixo de 130/80 mmHg seja recomendada para a maioria dos idosos com hipertensão, o tratamento deve levar em consideração fatores como fragilidade, capacidade funcional, presença de outras doenças e tolerância aos medicamentos.

    Por que a pressão aumenta com o envelhecimento?

    O aumento da pressão arterial está relacionado a diversas mudanças que ocorrem no sistema cardiovascular ao longo dos anos. Uma das principais é o enrijecimento das artérias.

    Com o envelhecimento, os vasos sanguíneos perdem parte de sua elasticidade e tornam-se mais rígidos.

    Quando isso acontece, as artérias apresentam maior dificuldade para se expandir e acomodar o sangue bombeado pelo coração, o que favorece principalmente o aumento da pressão arterial sistólica, que corresponde ao primeiro número da medida.

    O que acontece com as artérias ao longo dos anos?

    As paredes das artérias possuem fibras elásticas que permitem que os vasos se expandam a cada batimento cardíaco.

    Com o avanço da idade, podem ocorrer alterações como:

    • Redução da elasticidade;
    • Aumento da deposição de colágeno;
    • Espessamento da parede dos vasos;
    • Calcificação arterial em alguns pacientes.

    Essas mudanças tornam os vasos mais rígidos e dificultam a acomodação do fluxo sanguíneo, favorecendo o aumento da pressão arterial.

    Por que a pressão sistólica sobe mais?

    Nos idosos, é muito comum ocorrer a chamada hipertensão sistólica isolada.

    Nesse quadro:

    • A pressão sistólica, que corresponde ao valor mais alto da aferição, está elevada;
    • A pressão diastólica, o valor mais baixo, permanece normal ou pode até diminuir.

    Esse padrão está diretamente relacionado à perda de elasticidade das grandes artérias e representa uma forma muito frequente de hipertensão após os 60 anos.

    Mesmo quando apenas a pressão sistólica está elevada, existe aumento do risco cardiovascular.

    Apenas a idade explica a hipertensão?

    Não. Embora o envelhecimento favoreça o aumento da pressão, diversos outros fatores contribuem para o desenvolvimento da hipertensão.

    Entre eles:

    • Excesso de peso;
    • Sedentarismo;
    • Alimentação rica em sal;
    • Diabetes;
    • Doença renal crônica;
    • Consumo excessivo de álcool;
    • Tabagismo;
    • Predisposição genética.

    Por isso, envelhecer não significa necessariamente desenvolver hipertensão. O estilo de vida e as condições de saúde acumuladas ao longo dos anos também exercem influência importante.

    Qual é o novo limite saudável da pressão em idosos?

    Essa é uma dúvida muito comum, e as recomendações mudaram nos últimos anos.

    De acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, a meta recomendada para a maioria dos idosos com hipertensão é manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg.

    Em idosos muito frágeis, institucionalizados, com múltiplas doenças ou maior risco de quedas, metas menos rigorosas, como manter a pressão sistólica abaixo de 140 a 150 mmHg, podem ser mais apropriadas.

    Entretanto, o tratamento não deve ser igual para todos.

    Além da idade, devem ser considerados fatores como:

    • Estado funcional;
    • Grau de fragilidade;
    • Presença de outras doenças;
    • Tolerância ao tratamento;
    • Risco de hipotensão;
    • Expectativa de vida.

    Para idosos frágeis, muito idosos ou com condições que comprometam a expectativa de vida, a recomendação é reduzir a pressão até o menor valor que seja bem tolerado pelo paciente.

    Ou seja, o objetivo é oferecer proteção cardiovascular sem provocar efeitos adversos pelo excesso de redução da pressão.

    Pressão mais baixa é sempre melhor?

    Não necessariamente. Embora o controle adequado da hipertensão reduza o risco cardiovascular, valores excessivamente baixos podem não ser tolerados por alguns pacientes.

    Isso pode provocar:

    • Tonturas;
    • Desmaios;
    • Hipotensão sintomática;
    • Lesão renal aguda em alguns pacientes.

    O cuidado deve ser ainda maior em idosos frágeis, pessoas com 80 anos ou mais e pacientes que apresentam queda da pressão ao se levantar, condição chamada hipotensão ortostática.

    Por isso, quando a meta abaixo de 130/80 mmHg não é tolerada, o objetivo passa a ser atingir o menor valor de pressão que o paciente consiga manter com segurança.

    Como os médicos definem a meta ideal?

    Mais importante do que considerar apenas a idade cronológica é avaliar as condições gerais daquele idoso.

    Além dos valores da pressão arterial, o médico pode observar:

    • Se o idoso é independente para as atividades do dia a dia;
    • Presença de comprometimento cognitivo;
    • Grau de fragilidade;
    • Histórico de quedas;
    • Doenças cardiovasculares;
    • Função renal;
    • Uso de múltiplos medicamentos.

    Esse conjunto de informações ajuda a definir a estratégia de tratamento mais segura e eficaz para cada pessoa.

    Um idoso de 80 anos independente, ativo e com boa condição funcional pode ter necessidades diferentes das de outro paciente da mesma idade que apresente fragilidade importante e várias doenças associadas.

    O que é hipotensão ortostática?

    A hipotensão ortostática é a queda da pressão arterial que acontece quando a pessoa se levanta.

    Ela pode provocar sintomas como:

    • Tontura;
    • Sensação de fraqueza;
    • Visão turva;
    • Desequilíbrio;
    • Desmaio.

    Essa condição merece atenção especial em idosos porque pode aumentar o risco de quedas.

    Por isso, durante o tratamento da hipertensão, não basta observar apenas se os números da pressão diminuíram. Também é importante avaliar como o paciente se sente e se apresenta sintomas ao mudar de posição.

    Como é feito o diagnóstico da hipertensão?

    O diagnóstico de hipertensão não deve ser baseado em uma única medida isolada da pressão.

    Em geral, são necessárias:

    • Aferições repetidas;
    • Medidas realizadas com técnica adequada;
    • Avaliação do comportamento da pressão ao longo do tempo.

    Em alguns casos, também podem ser utilizados exames como a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) ou a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA).

    Esses métodos permitem acompanhar a pressão fora do consultório e ajudam a identificar situações como a hipertensão do avental branco e a hipertensão mascarada.

    Nos idosos, o acompanhamento fora do consultório também pode ser útil devido à maior variabilidade da pressão arterial.

    O tratamento sempre envolve medicamentos?

    Nem sempre. Mudanças no estilo de vida fazem parte do tratamento da hipertensão e continuam importantes mesmo quando também é necessário utilizar medicamentos.

    Entre as principais medidas estão:

    • Redução do consumo de sal;
    • Alimentação rica em frutas, verduras e legumes;
    • Controle do peso;
    • Prática regular de atividade física;
    • Limitação do consumo de álcool;
    • Suspensão do tabagismo.

    Quando essas medidas não são suficientes ou quando existe indicação de acordo com os níveis da pressão e o risco cardiovascular, medicamentos anti-hipertensivos podem ser necessários.

    É perigoso interromper o tratamento porque a pressão “normalizou”?

    Sim. Muitas pessoas acreditam que podem suspender os medicamentos quando percebem que a pressão voltou ao normal.

    Na realidade, em grande parte dos casos, a pressão está controlada justamente porque o tratamento está funcionando.

    Interromper os medicamentos sem orientação médica pode fazer com que os níveis voltem a subir e aumentar o risco de complicações cardiovasculares.

    Isso também vale para idosos que apresentam valores mais baixos ao longo do tratamento.

    Caso surjam tonturas, fraqueza ou outros sintomas, o ideal é procurar o médico para avaliar a necessidade de ajustar as doses ou os medicamentos, e não interrompê-los por conta própria.

    Como medir corretamente a pressão em casa?

    A técnica utilizada para medir a pressão interfere diretamente no resultado.

    Para obter valores mais confiáveis:

    • Repouse por pelo menos cinco minutos antes da medida;
    • Evite café, cigarro e exercícios físicos nos 30 minutos anteriores;
    • Sente-se com as costas apoiadas e os pés no chão;
    • Apoie o braço na altura do coração;
    • Não converse durante a aferição;
    • Utilize aparelho validado e manguito adequado ao tamanho do braço.

    Também é útil registrar as medidas realizadas em dias diferentes.

    Esse acompanhamento ajuda o médico a avaliar como a pressão se comporta fora do consultório e se o tratamento está conseguindo atingir a meta proposta.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    Uma pressão elevada merece atenção especial quando aparece acompanhada de sintomas que podem indicar uma condição grave.

    Procure atendimento de urgência diante de sinais como:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Fraqueza em um lado do corpo;
    • Alteração da fala;
    • Perda da visão;
    • Dor de cabeça intensa e súbita;
    • Confusão mental.

    Esses sintomas podem estar relacionados a uma emergência hipertensiva ou a outras condições graves e precisam de avaliação imediata.

    Confira: Remédio para pressão e coração acelerado: como funciona o atenolol

    Perguntas frequentes sobre pressão arterial em idosos

    1. É normal a pressão aumentar com a idade?

    O envelhecimento favorece o aumento da pressão devido, principalmente, ao enrijecimento das artérias. Isso, porém, não significa que a hipertensão seja uma consequência normal da idade ou que possa ser ignorada.

    2. Qual é a pressão ideal para um idoso?

    Atualmente, a meta recomendada é manter a pressão abaixo de 130/80 mmHg para a maioria dos idosos com hipertensão.

    Em idosos frágeis, muito idosos ou com condições que comprometam a expectativa de vida, a meta deve considerar a tolerância individual, buscando o menor valor que possa ser mantido com segurança.

    3. A pressão sistólica alta é preocupante mesmo com a diastólica normal?

    Sim. A hipertensão sistólica isolada é muito comum nos idosos e também está associada ao aumento do risco cardiovascular.

    Por isso, a elevação apenas do primeiro número da pressão não deve ser considerada inofensiva.

    4. Pressão muito baixa pode ser perigosa?

    Pode. Em alguns idosos, uma redução excessiva da pressão pode provocar sintomas como tontura e desmaio e aumentar o risco de efeitos adversos.

    Por esse motivo, além dos números obtidos na aferição, é importante avaliar a tolerância do paciente ao tratamento.

    5. Mudanças no estilo de vida ainda ajudam na terceira idade?

    Sim. Alimentação saudável, redução do consumo de sal, atividade física, controle do peso, limitação do álcool e abandono do tabagismo continuam sendo medidas importantes para o controle da pressão arterial.

    6. Posso parar o remédio quando a pressão estiver normal?

    Não por conta própria. Na maioria das vezes, a pressão está normal justamente porque o tratamento está funcionando. Qualquer redução, troca ou suspensão do medicamento deve ser orientada pelo médico.

    7. Por que alguns idosos precisam de metas diferentes de pressão?

    Porque idade cronológica não é o único fator que determina o tratamento. Fragilidade, capacidade funcional, doenças associadas, risco de efeitos adversos e tolerância à redução da pressão também precisam ser considerados.

    O objetivo é oferecer proteção cardiovascular sem comprometer a segurança e a qualidade de vida do paciente.

    Veja mais: Artérias endurecidas: por que a condição aumenta o risco de infarto e AVC

  • 7 hábitos que evitam o envelhecimento precoce das artérias

    7 hábitos que evitam o envelhecimento precoce das artérias

    O envelhecimento das artérias acontece naturalmente com o passar dos anos, mas alguns hábitos podem fazer o processo acontecer muito mais cedo do que o esperado.

    Uma alimentação rica em alimentos ultraprocessados, o sedentarismo, o cigarro, o excesso de álcool e até doenças mal controladas, como pressão alta e diabetes, podem favorecer o acúmulo de gordura, aumentar a inflamação e deixar os vasos sanguíneos mais rígidos. Aos poucos, as alterações dificultam a circulação do sangue e aumentam o risco de problemas cardiovasculares.

    Em contrapartida, a saúde das artérias também é influenciada pelas escolhas do dia a dia. Mesmo pequenas mudanças na rotina podem ajudar a preservar a elasticidade dos vasos e contribuem para que o coração trabalhe de forma mais eficiente.

    O que é o envelhecimento precoce das artérias?

    O envelhecimento precoce das artérias acontece quando os vasos sanguíneos ficam mais rígidos e perdem parte da elasticidade antes do esperado para a idade da pessoa. Normalmente, as artérias são flexíveis e conseguem se expandir e contrair conforme o coração bombeia o sangue.

    Quando o envelhecimento das artérias acontece de forma acelerada, os vasos perdem parte da capacidade de dilatação. Além disso, o acúmulo de placas de gordura, conhecido como aterosclerose, pode diminuir o espaço disponível para a passagem do sangue.

    Com o tempo, o endotélio, camada que reveste a parte interna das artérias, também pode deixar de funcionar adequadamente. A circulação fica prejudicada e o coração pode precisar fazer mais esforço para bombear o sangue pelo organismo.

    Por que ele acontece?

    O envelhecimento precoce das artérias está relacionado principalmente à inflamação crônica e ao estresse oxidativo, que podem danificar as paredes dos vasos sanguíneos. Alguns hábitos e problemas de saúde aumentam o risco, como uma alimentação pouco saudável, sedentarismo, tabagismo, pressão alta, diabetes, colesterol elevado e o estresse crônico.

    Os radicais livres produzidos pelo organismo também podem danificar o endotélio. Quando a camada interna das artérias sofre alterações, pode diminuir a produção de óxido nítrico, substância que ajuda os vasos sanguíneos a relaxar e se dilatar, facilitando a circulação.

    As alterações no endotélio também podem favorecer o acúmulo de colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias. Ao longo do tempo, podem surgir placas que dificultam a circulação e contribuem para a perda da elasticidade dos vasos.

    Como evitar o envelhecimento das artérias?

    1. Praticar exercícios aeróbicos regularmente

    As atividades como caminhada rápida, corrida, natação e ciclismo ajudam a cuidar da saúde do coração e das artérias. Durante o exercício, o fluxo sanguíneo aumenta e estimula o endotélio a produzir óxido nítrico, uma substância que ajuda os vasos sanguíneos a relaxar e se dilatar.

    A prática regular de exercícios também contribui para o controle da pressão arterial, melhora a circulação e ajuda a reduzir outros fatores de risco para doenças cardiovasculares.

    2. Consumir alimentos ricos em antioxidantes

    As frutas, as verduras, os legumes, as sementes e outros alimentos de origem vegetal fornecem vitaminas, minerais e antioxidantes importantes para a saúde.

    As frutas vermelhas, como o morango, o mirtilo e a amora, além das uvas roxas e dos vegetais verde-escuros, são fontes de compostos como os flavonoides e os polifenóis, que ajudam a combater os radicais livres e o estresse oxidativo, fatores que podem danificar as células e favorecer alterações nas paredes das artérias.

    3. Reduzir o consumo de ultraprocessados e açúcares

    Os refrigerantes, biscoitos recheados, embutidos e muitos outros alimentos ultraprocessados podem apresentar grandes quantidades de açúcar, sódio e gorduras. Para se ter uma ideia, o consumo frequente pode favorecer o ganho de peso, o aumento da pressão arterial, alterações na glicose e no colesterol e outros fatores relacionados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Por isso, o ideal é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como as frutas, as verduras, os legumes, os grãos integrais, as leguminosas e as fontes de proteínas.

    4. Priorizar um sono de qualidade

    O sono também participa da manutenção da saúde cardiovascular, pois, durante a noite, a frequência cardíaca e a pressão arterial normalmente diminuem, permitindo um período de menor atividade para o sistema cardiovascular.

    Se você dorme pouco ou tem problemas que prejudicam a qualidade do sono, como a apneia, o organismo pode ter dificuldade para reduzir a pressão arterial durante a noite. Além disso, a falta de sono pode aumentar a liberação de hormônios ligados ao estresse, favorecer processos inflamatórios e, ao longo do tempo, prejudicar a saúde dos vasos sanguíneos.

    O recomendado é manter uma rotina de sono adequada, buscando dormir de 7 a 9 horas por noite, o que pode ajudar a proteger o coração e as artérias. Os sintomas como ronco intenso, pausas na respiração durante o sono e cansaço excessivo durante o dia também merecem atenção médica, pois podem indicar problemas que afetam a qualidade do sono.

    5. Controlar o estresse crônico

    O estresse prolongado mantém o organismo em estado de alerta e aumenta a liberação de hormônios como o cortisol e a adrenalina. Quando a situação acontece com frequência, pode afetar a saúde do coração e dos vasos sanguíneos.

    A adrenalina pode acelerar os batimentos cardíacos, aumentar a pressão arterial e provocar a contração dos vasos. Já o excesso de cortisol por longos períodos pode favorecer alterações na pressão, na glicose e no metabolismo, aumentando o risco de problemas cardiovasculares.

    Para controlar o estresse no dia a dia, você pode praticar atividades físicas, fazer exercícios de respiração e meditação, reservar momentos para o lazer e manter uma boa rotina de sono.

    6. Evitar o cigarro e o uso de vapes

    O cigarro contém diversas substâncias que prejudicam o coração e os vasos sanguíneos. A nicotina, por exemplo, pode acelerar os batimentos cardíacos, aumentar a pressão arterial e provocar a contração dos vasos.

    O tabagismo também pode danificar o endotélio, que é a camada que reveste a parte interna das artérias, além de favorecer a inflamação e a formação de placas de gordura e coágulos. Com o passar do tempo, os danos aumentam o risco de problemas cardiovasculares, como o infarto e o AVC.

    Também vale destacar que os cigarros eletrônicos (ou vapes) oferecem riscos, pois podem conter nicotina e outras substâncias capazes de prejudicar os vasos sanguíneos e aumentar o risco cardiovascular.

    7. Manter uma boa hidratação ao longo do dia

    A água participa de várias funções importantes do organismo, incluindo a manutenção do volume de sangue e do equilíbrio dos líquidos corporais.

    Quando o organismo está desidratado, o volume de sangue circulante pode diminuir, fazendo o coração trabalhar mais para manter a circulação adequada. A desidratação também pode provocar alterações na frequência cardíaca e na pressão arterial.

    A quantidade ideal de água por dia é de cerca de 35 ml por quilo de peso corporal para adultos, o que costuma representar entre 2 e 3 litros no total. No entanto, a necessidade pode variar de acordo com fatores como o peso, a idade, a prática de atividade física, a temperatura do ambiente e a alimentação.

    Como saber a saúde das suas artérias?

    A avaliação da saúde das artérias é feita por um cardiologista, que pode analisar o histórico de saúde, os hábitos de vida, os fatores de risco e o histórico familiar, além de realizar o exame físico.

    Dependendo do perfil de cada pessoa, alguns exames também podem ser solicitados, como:

    • Medição da pressão arterial: verifica a pressão exercida pelo sangue nas paredes das artérias;
    • Perfil lipídico e glicemia: os exames de sangue ajudam a avaliar os níveis de colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos e glicose;
    • Ultrassom Doppler das carótidas: permite avaliar as artérias do pescoço e pode identificar alterações na parede dos vasos e a presença de placas;
    • Velocidade da Onda de Pulso (VOP): é um método não invasivo utilizado para avaliar a rigidez das artérias;
    • Índice Tornozelo-Braquial (ITB): compara a pressão arterial medida nos braços com a pressão nos tornozelos e pode ajudar a identificar problemas na circulação das pernas.

    A necessidade de cada exame depende da avaliação médica e dos fatores de risco apresentados pela pessoa.

    Quando consultar um cardiologista?

    A consulta com o cardiologista também pode fazer parte dos cuidados preventivos, mesmo quando você não apresenta dor, falta de ar ou qualquer outro sintoma. O acompanhamento permite avaliar a saúde do coração e identificar fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares antes que apareçam complicações.

    De forma geral, os homens podem começar a fazer avaliações periódicas entre os 35 e 40 anos, enquanto as mulheres podem iniciar entre os 40 e 45 anos ou após a menopausa. A frequência das consultas pode variar de acordo com o estado de saúde e os fatores de risco de cada pessoa.

    O acompanhamento pode começar mais cedo quando há casos de infarto, AVC ou morte súbita em familiares próximos, principalmente pais ou irmãos que apresentaram o problema ainda jovens. As pessoas com diabetes, colesterol ou triglicérides elevados, obesidade, estresse crônico ou que fumam também precisam de atenção maior à saúde cardiovascular.

    A avaliação médica ainda pode ser recomendada antes de começar exercícios intensos ou treinos de alta performance, principalmente para quem está sedentário há muito tempo ou apresenta fatores de risco.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. O envelhecimento das artérias pode ser revertido?

    Parcialmente. O envelhecimento natural não pode ser revertido, mas hábitos saudáveis e o controle da pressão, do colesterol e de outros fatores de risco podem melhorar a função dos vasos e reduzir a rigidez arterial.

    2. Qual é o papel da vitamina K2 na saúde das artérias?

    A vitamina K2 participa da regulação do cálcio no organismo e pode ajudar a evitar o depósito do mineral nas artérias. No entanto, ainda são necessários mais estudos para confirmar os benefícios da suplementação para a saúde cardiovascular.

    3. Quem tem pressão baixa também pode ter artérias rígidas?

    Sim. A pressão alta favorece a rigidez arterial, mas outros fatores, como o diabetes, o tabagismo, o colesterol alto, a idade e a genética, também podem contribuir para o problema.

    4. O uso de ômega-3 ajuda a manter as artérias jovens?

    Sim, o ômega-3 pode ajudar a reduzir os triglicérides e apresenta efeitos benéficos para a saúde cardiovascular. No caso dos suplementos, o uso deve ser orientado por um médico ou nutricionista.

    5. Como o diabetes acelera o envelhecimento das artérias?

    O excesso de glicose no sangue danifica diretamente as células do endotélio e se liga às proteínas das artérias (glicação), tornando os vasos mais rígidos, espessos e propensos ao acúmulo de gordura.

    6. O consumo diário de chocolate amargo faz bem para as artérias?

    O cacau contém flavonoides associados a benefícios para a saúde dos vasos sanguíneos. O chocolate amargo pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas deve ser consumido com moderação por também fornecer calorias, gorduras e, dependendo do produto, açúcar.

    7. Como a obesidade afeta a flexibilidade das artérias?

    A obesidade pode favorecer a inflamação, a pressão alta, a resistência à insulina e outras alterações metabólicas que, ao longo do tempo, prejudicam a saúde e a elasticidade das artérias.

    Leia mais: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

  • Ecocardiograma: entenda mais sobre o exame que mostra detalhes do coração

    Ecocardiograma: entenda mais sobre o exame que mostra detalhes do coração

    Quando o médico precisa olhar além do ritmo do coração e observar como ele realmente funciona por dentro, o ecocardiograma costuma ser o exame de escolha. Com a mesma tecnologia usada no ultrassom, ele mostra em tempo real as estruturas cardíacas em movimento e revela se as válvulas estão funcionando bem, se o músculo está contraindo como deveria e até como o sangue circula.

    Seguro, indolor e acessível, é um dos principais exames de diagnóstico das doenças do coração.

    O que é o ecocardiograma?

    O ecocardiograma é um exame de imagem que usa ondas de ultrassom para visualizar as estruturas do coração. Ele mostra o tamanho, o formato, o funcionamento das válvulas e permite que o médico veja até como o sangue circula dentro das cavidades cardíacas.

    Enquanto o eletrocardiograma fala da eletricidade do coração, o ecocardiograma, também chamado de ecocardiografia, revela a anatomia e a forma com que o órgão funciona.

    Leia também: Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Como o exame é feito?

    O exame lembra muito um ultrassom de abdômen ou gravidez:

    • A pessoa fica deitada em uma maca;
    • O médico aplica um gel no peito;
    • Um transdutor (aparelho que emite ultrassom) é deslizado sobre a região do coração;
    • As ondas sonoras se transformam em imagens do coração em tempo real.

    O médico anota todos os parâmetros importantes para fazer o laudo.

    O procedimento é indolor, não invasivo e dura em média 20 a 40 minutos.

    Saiba mais: MAPA: o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro

    Tipos de ecocardiograma

    Existem diferentes formas de realizar o exame, dependendo da necessidade de cada pessoa, e isso é definido pelo médico:

    • Ecocardiograma transtorácico: o mais comum, feito pelo tórax;
    • Ecocardiograma transesofágico: o transdutor é introduzido no esôfago para imagens mais detalhadas, exigindo preparo diferente;
    • Ecocardiograma com Doppler: avalia o fluxo de sangue e a pressão dentro das câmaras do coração;
    • Ecocardiograma de estresse: feito após esforço físico ou uso de medicamentos que simulam o comportamento do coração durante exercício.

    Para que serve o exame?

    O exame ajuda a diagnosticar e acompanhar condições como:

    • Doenças das válvulas cardíacas;
    • Avaliação após um infarto;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Cardiopatias congênitas, que são alterações de nascença;
    • Avaliação do impacto da pressão alta no coração.

    Quem deve fazer o exame?

    O ecocardiograma pode ser indicado para pessoas com sintomas como falta de ar, dor no peito, palpitações, desmaios ou histórico familiar de doenças cardíacas. É bem comum em check-ups de quem já tem diagnóstico de problemas no coração.

    Leia também: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes sobre ecocardiograma

    1. Qual a diferença entre ecocardiograma e eletrocardiograma?

    O eletrocardiograma mostra a atividade elétrica do coração. O ecocardiograma mostra imagens estruturais do órgão em movimento.

    2. O exame precisa de preparo?

    O ecocardiograma transtorácico, que é o mais comum, não precisa de preparo. Já o transesofágico exige jejum e sedação, mas é o laboratório ou o médico que passam as informações de preparo para cada caso.

    3. Crianças e gestantes podem fazer o exame?

    Sim. O exame é seguro para todas as idades e durante a gestação.

    4. O resultado sai na hora?

    As imagens são geradas imediatamente, mas a análise final é feita pelo cardiologista, o que pode levar alguns dias para sair o laudo.

    5. Posso fazer o exame pelo SUS?

    Sim. O exame está disponível na rede pública, mas pode haver fila de espera dependendo da região.

    Leia também: Eletrocardiograma: o que é e quem deve fazer

  • Holter 24h: como o exame ajuda a flagrar arritmias ocultas 

    Holter 24h: como o exame ajuda a flagrar arritmias ocultas 

    O coração nem sempre mostra seus segredos durante os minutos de uma consulta médica ou em um eletrocardiograma comum. Algumas alterações, como arritmias e pausas nos batimentos, acontecem de forma intermitente e podem não aparecer no exame convencional.

    Nesses casos, o Holter 24h é indicado. Esse exame registra continuamente a atividade elétrica do coração ao longo de um dia inteiro e é considerado uma ferramenta essencial para avaliar palpitações, arritmias e outras alterações que surgem em momentos específicos da rotina.

    O que é o Holter 24h?

    O Holter 24h é um exame que monitora de forma contínua a atividade elétrica cardíaca por 24 horas ou mais (há versões de até 48h ou 72h). Ele funciona como um eletrocardiograma portátil, permitindo observar como o coração se comporta durante as atividades diárias e também durante o sono.

    Como o exame é feito?

    • A pessoa vai até o consultório ou laboratório para instalar o aparelho;
    • Pequenos eletrodos são fixados no peito e conectados a um gravador portátil preso à cintura, ombro ou peito;
    • O equipamento registra todos os batimentos cardíacos por 24 horas;
    • O paciente deve manter um diário com atividades, horários de alimentação e sintomas;
    • Após 24 horas, o aparelho é retirado para análise dos registros.

    Leia mais: Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    Para que serve o Holter 24h?

    O exame pode ser solicitado para:

    • Investigar arritmias cardíacas;
    • Avaliar sintomas como palpitação, tontura, desmaios e sensação de coração acelerado;
    • Monitorar se medicamentos para controlar os batimentos estão funcionando;
    • Observar o funcionamento de dispositivos como marcapassos;
    • Detectar alterações que não aparecem em exames de curta duração, como o eletrocardiograma.

    Veja mais: Saiba quando os batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca

    Quem deve fazer o Holter 24h?

    O cardiologista pode recomendar o exame para pessoas com:

    • Palpitações frequentes;
    • Desmaios sem causa aparente;
    • Tonturas ou sensação de fraqueza;
    • Histórico de arritmias ou doenças cardíacas;
    • Acompanhamento após cirurgias cardíacas ou implante de marcapasso.

    Perguntas frequentes sobre Holter 24h

    1. O Holter 24h dói?

    Não. O exame é indolor e não invasivo.

    2. Posso tomar banho durante o exame?

    Não. O aparelho não pode ser molhado. O banho deve ser feito apenas após a retirada do equipamento.

    3. O Holter atrapalha o sono?

    Os aparelhos atuais são pequenos, então raramente atrapalham o sono.

    4. Crianças podem usar o Holter 24h?

    Sim. O exame é seguro em qualquer idade, desde que indicado pelo médico.

    5. O resultado sai na hora?

    Não. Os registros precisam ser analisados pelo cardiologista, que emite o laudo posteriormente.

    6. O Holter substitui o eletrocardiograma comum?

    Não. O exame é complementar: o ECG mostra um retrato do momento, enquanto o Holter acompanha o coração por um período mais longo.

    7. É possível usar o Holter por mais de 24 horas?

    Sim. Existem versões de 48h ou 72h, de acordo com a necessidade e indicação médica.

    Confira: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

  • Eletrocardiograma: entenda para que serve e quem deve fazer o exame 

    Eletrocardiograma: entenda para que serve e quem deve fazer o exame 

    Em consultórios, pronto-socorro e em exames de rotina, o eletrocardiograma está entre os testes mais pedidos pelos médicos. Simples de fazer, muito rápido e indolor, ele registra a atividade elétrica do coração e ajuda a identificar alterações discretas no ritmo cardíaco ou até mesmo sinais de infarto.

    Apesar de parecer um exame complexo pela quantidade de fios ligados ao peito, a verdade é que o procedimento é bem tranquilo e pode trazer respostas importantes em poucos minutos.

    O que é o eletrocardiograma?

    O eletrocardiograma é um exame que registra a atividade elétrica do coração. Cada batida cardíaca gera sinais elétricos que podem ser captados na pele por eletrodos, que são pequenas placas adesivas conectadas a fios.

    O resultado aparece como linhas em um papel ou tela, que mostram ao médico como está o ritmo e a condução elétrica do coração.

    Como o exame é feito?

    O exame é simples e bem rápido:

    • A pessoa deita em uma maca;
    • O técnico do laboratório ou hospital coloca eletrodos no peito, braços e pernas;
    • O aparelho capta os sinais elétricos por alguns minutos.

    Em menos de 10 minutos, o exame está concluído. Aí é só retirar os eletrodos e aguardar o resultado.

    Vale dizer que o exame é indolor, não invasivo e não envolve nenhum tipo de radiação. A parte mais “difícil” é retirar os adesivos que seguraram os eletrodos na pele, ou seja, o exame não causa nenhum sofrimento.

    Veja mais: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

    O que o eletrocardiograma mostra?

    Afinal, por que ele é um dos exames mais solicitados por médicos cardiologistas? A resposta é simples. Ele consegue mostrar informações importantes do coração, como:

    • Frequência cardíaca: mostra se o coração bate rápido, devagar ou no ritmo certo;
    • Arritmias: sinaliza batidas fora do compasso;
    • Isquemia ou infarto: indica quando há sinais de falta de oxigênio no músculo do coração;
    • Aumento de câmaras cardíacas: consegue indicar quando o coração está dilatado;
    • Distúrbios da condução elétrica: identifica batimentos rápidos ou muito lentos.

    É importante dizer, porém, que nem sempre um eletrocardiograma isolado é suficiente para um diagnóstico. Muitas vezes ele é combinado com outros exames, como o ecocardiograma ou o teste ergométrico. Tudo isso fica a critério do médico e de acordo com cada caso.

    Veja também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Para quem o exame é indicado?

    O médico pode pedir o eletrocardiograma em várias situações, como:

    • Check-up de rotina, especialmente em adultos e idosos;
    • Antes de cirurgias, para avaliar o risco cardíaco;
    • Sintomas suspeitos, como dor no peito, palpitações, falta de ar ou desmaios;
    • Acompanhamento de quem já tem doença no coração.

    Outro ponto importante é que, quando necessário, qualquer pessoa pode fazer o exame, pois não há contraindicações. Até gestantes podem realizar sem problemas.

    Entenda: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Perguntas frequentes sobre eletrocardiograma

    1. O eletrocardiograma é igual ao ecocardiograma?

    Não. O eletrocardiograma analisa a atividade elétrica do coração, enquanto o ecocardiograma mostra imagens do órgão em movimento por ultrassom.

    2. Precisa de preparo especial?

    Não é necessário jejum nem suspensão de medicamentos, a não ser que o médico oriente. É bom evitar cremes na pele, pois podem atrapalhar os eletrodos.

    3. O resultado sai na hora?

    Sim. O traçado do coração aparece imediatamente, mas a interpretação final é feita pelo médico, e isso pode demorar algum tempo.

    4. Crianças podem fazer o exame?

    Podem, sim. O exame é muito seguro para qualquer idade.

    5. O exame detecta todas as doenças do coração?

    Não. Ele é muito útil, mas não substitui outros exames de imagem ou exames de sangue. Muitas vezes, o eletrocardiograma funciona como a primeira etapa da investigação de algum problema cardíaco.

    6. O eletrocardiograma serve para ver pressão alta?

    Não, ele não mede a pressão alta. Porém, pode ajudar o médico a identificar problemas no coração causados pela pressão alta de longa data.

    7. Qual a diferença entre eletrocardiograma de repouso e teste ergométrico?

    O eletrocardiograma tradicional é feito em repouso. Já o teste ergométrico avalia a mesma coisa no coração, porém durante o esforço físico.

    Leia mais: Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova

  • Artérias endurecidas: por que a condição aumenta o risco de infarto e AVC

    Artérias endurecidas: por que a condição aumenta o risco de infarto e AVC

    Quando se fala em doenças das artérias, a maioria das pessoas pensa logo em colesterol alto ou em vasos entupidos. No entanto, existe outra alteração que começa muito antes dos primeiros sintomas e também aumenta o risco de problemas cardiovasculares: a rigidez arterial.

    Ao longo da vida, as artérias perdem parte da elasticidade que permite acomodar o fluxo de sangue bombeado pelo coração. Embora esse processo faça parte do envelhecimento natural, ele pode ser acelerado por fatores como pressão alta não controlada, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo.

    Hoje, a rigidez arterial é reconhecida como um importante marcador de envelhecimento vascular e está associada a maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica.

    O que é rigidez arterial?

    As artérias, especialmente a aorta, têm grande quantidade de fibras elásticas.

    Essa elasticidade permite que elas:

    • Se expandam quando o coração ejeta sangue;
    • Armazenem parte dessa energia;
    • Liberem o sangue de maneira contínua entre um batimento e outro.

    Esse mecanismo funciona como um verdadeiro amortecedor da circulação.

    Quando as artérias ficam rígidas, elas perdem essa capacidade de absorver a pressão gerada a cada batimento cardíaco. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais e a circulação sofre um aumento das oscilações de pressão.

    Rigidez arterial é a mesma coisa que aterosclerose?

    Não. Embora frequentemente coexistam, são processos diferentes.

    Aterosclerose

    É o acúmulo de gordura, colesterol e células inflamatórias na parede das artérias, formando placas que podem reduzir ou obstruir o fluxo sanguíneo.

    Rigidez arterial

    Refere-se principalmente à perda da elasticidade da parede arterial.

    Ela ocorre devido a alterações como:

    • Fragmentação das fibras de elastina;
    • Aumento do colágeno;
    • Calcificação da parede arterial;
    • Inflamação crônica;
    • Alterações das células musculares lisas dos vasos.

    Uma pessoa pode apresentar rigidez arterial mesmo sem obstruções importantes nas artérias.

    Quando a rigidez arterial começa?

    Ao contrário do que muitos imaginam, ela não começa apenas na velhice. O envelhecimento das artérias é um processo gradual que pode iniciar ainda na vida adulta jovem.

    Em pessoas saudáveis, esse processo costuma ser lento. Entretanto, diversos fatores podem acelerá-lo significativamente:

    • Pressão alta;
    • Diabetes mellitus;
    • Obesidade;
    • Tabagismo;
    • Colesterol elevado;
    • Doença renal crônica;
    • Sedentarismo;
    • Alimentação rica em ultraprocessados e sal.

    Quanto maior o tempo de exposição a esses fatores, maior tende a ser a perda da elasticidade arterial.

    Por que as artérias ficam mais rígidas?

    A parede das artérias sofre mudanças estruturais ao longo dos anos. Entre as principais alterações estão:

    • Diminuição da elastina, proteína responsável pela elasticidade;
    • Aumento do colágeno, que torna a parede mais rígida;
    • Calcificação vascular;
    • Inflamação de baixo grau;
    • Estresse oxidativo;
    • Disfunção do endotélio, camada interna dos vasos.

    Essas alterações reduzem a capacidade das artérias de se expandirem durante cada batimento cardíaco.

    Quais são as consequências da rigidez arterial?

    As consequências vão muito além da pressão alta.

    Hipertensão arterial

    Artérias rígidas aumentam a pressão sistólica, o primeiro número da pressão arterial, favorecendo o desenvolvimento de hipertensão, principalmente em pessoas mais velhas. Em muitos casos, a rigidez arterial antecede o aparecimento da hipertensão.

    Sobrecarga do coração

    Quando a aorta perde sua elasticidade, o coração precisa exercer mais força para bombear o sangue.

    Isso pode favorecer:

    • Espessamento do músculo cardíaco, chamado de hipertrofia ventricular esquerda;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Maior consumo de oxigênio pelo coração.

    Maior risco de infarto e AVC

    A rigidez arterial aumenta a carga sobre o sistema cardiovascular e está associada a maior incidência de:

    • Infarto do miocárdio;
    • AVC;
    • Mortalidade cardiovascular.

    Mesmo após o ajuste para outros fatores de risco, ela permanece como um preditor independente de eventos cardiovasculares.

    Lesão dos rins

    Os rins possuem uma rede de pequenos vasos muito sensíveis às oscilações de pressão.

    Com artérias rígidas, há maior transmissão dessa pressão para a microcirculação renal, o que favorece:

    • Doença renal crônica;
    • Proteinúria;
    • Redução progressiva da função dos rins.

    Alterações cerebrais

    O cérebro também sofre com o excesso de pulsação transmitido pelas grandes artérias.

    Esse fenômeno está relacionado a maior risco de:

    • Pequenos infartos cerebrais;
    • Declínio cognitivo;
    • Demência vascular;
    • AVC.

    Existem sintomas?

    Na maioria das vezes, não. A rigidez arterial evolui silenciosamente durante muitos anos.

    Os sintomas geralmente aparecem apenas quando surgem complicações, como:

    • Hipertensão;
    • Infarto;
    • AVC;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Doença renal.

    É justamente por isso que a prevenção é tão importante.

    Como os médicos avaliam a rigidez arterial?

    Na prática clínica, a forma mais estudada de avaliação é a velocidade da onda de pulso, conhecida pela sigla em inglês PWV, de Pulse Wave Velocity. Quanto mais rígida a artéria, mais rapidamente a onda de pressão se propaga pelos vasos.

    A velocidade da onda de pulso carotídeo-femoral é considerada o padrão-ouro para avaliação não invasiva da rigidez arterial e possui valor prognóstico para eventos cardiovasculares.

    Esse exame não faz parte dos check-ups de rotina para toda a população, sendo utilizado principalmente em situações específicas.

    É possível reduzir a rigidez arterial?

    Embora parte do envelhecimento vascular seja inevitável, diversas medidas ajudam a retardar sua progressão e, em alguns casos, melhorar parcialmente a elasticidade dos vasos.

    Controlar a pressão arterial

    A hipertensão é um dos principais fatores que aceleram o endurecimento das artérias. Manter a pressão controlada reduz a sobrecarga sobre a parede vascular e pode favorecer o remodelamento arterial ao longo do tempo.

    Praticar atividade física

    Exercícios aeróbicos regulares:

    • Melhoram a função do endotélio;
    • Reduzem a pressão arterial;
    • Ajudam a preservar a elasticidade vascular.

    Os benefícios aparecem mesmo em pessoas de meia-idade.

    Alimentação saudável

    Uma dieta rica em:

    • Frutas;
    • Verduras;
    • Legumes;
    • Grãos integrais;
    • Oleaginosas;
    • Peixes.

    E pobre em sal, açúcares e alimentos ultraprocessados contribui para um envelhecimento vascular mais saudável.

    Não fumar

    O tabagismo acelera a perda da elasticidade arterial por diversos mecanismos, incluindo inflamação e estresse oxidativo.

    Parar de fumar reduz esse impacto ao longo do tempo.

    Controlar diabetes e colesterol

    Glicemia alta persistente e colesterol elevado favorecem alterações estruturais na parede das artérias. O tratamento adequado reduz a velocidade de progressão dessas alterações.

    Manter um peso saudável

    A obesidade está associada a maior inflamação sistêmica e aumento da rigidez arterial. A perda de peso, especialmente quando acompanhada de atividade física, melhora diversos parâmetros cardiovasculares.

    Existe um medicamento específico para rigidez arterial?

    Atualmente, não existe um medicamento aprovado cujo único objetivo seja reduzir diretamente a rigidez arterial.

    Entretanto, diversos tratamentos utilizados para hipertensão, diabetes e dislipidemia podem contribuir indiretamente para retardar sua progressão ao controlar os fatores que aceleram o envelhecimento vascular.

    Quando conversar com o médico sobre esse assunto?

    Vale discutir o risco de rigidez arterial principalmente se você apresenta:

    • Pressão alta;
    • Diabetes;
    • Doença renal crônica;
    • Colesterol elevado;
    • Histórico familiar de doença cardiovascular precoce;
    • Tabagismo;
    • Obesidade.

    Nessas situações, controlar os fatores de risco é mais importante do que realizar exames específicos para medir a rigidez arterial.

    Confira: Exame de cálcio coronariano é útil para prevenir infarto? Saiba para que serve e quem deve fazer

    Perguntas frequentes sobre rigidez arterial

    1. O que é rigidez arterial?

    É a perda da elasticidade das artérias, especialmente da aorta, reduzindo sua capacidade de amortecer a pressão gerada pelos batimentos cardíacos.

    2. A rigidez arterial faz parte do envelhecimento?

    Sim. Ela aumenta naturalmente com a idade, mas pode ser acelerada por hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade e outros fatores de risco cardiovasculares.

    3. Quais doenças ela pode causar?

    Está associada a maior risco de hipertensão, infarto, AVC, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e declínio cognitivo.

    4. Ela causa sintomas?

    Geralmente não. É uma alteração silenciosa que costuma ser identificada apenas por exames específicos ou pelas complicações que pode provocar.

    5. Como é medida?

    O método mais utilizado é a velocidade da onda de pulso, ou PWV, especialmente a velocidade carotídeo-femoral, considerada o padrão-ouro para avaliação não invasiva.

    6. É possível prevenir?

    Sim. Controlar a pressão arterial, praticar atividade física regularmente, manter alimentação saudável, não fumar, controlar o diabetes e o colesterol e manter um peso adequado ajudam a retardar o envelhecimento vascular.

    7. Existe tratamento específico?

    Ainda não há um medicamento específico para reverter a rigidez arterial. O tratamento consiste principalmente em controlar os fatores de risco cardiovasculares e adotar um estilo de vida saudável, reduzindo a progressão do processo e o risco de complicações.

    Veja também: Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

  • Falta de ar: entenda quando pode ser problema do coração

    Falta de ar: entenda quando pode ser problema do coração

    Quem nunca ficou sem fôlego depois de subir alguns lances de escada ou correr para não perder o ônibus? A falta de ar, também conhecida como dispneia, tende a ser uma resposta natural do corpo diante de um esforço físico. Em situações como essas, o organismo simplesmente exige mais oxigênio para manter o ritmo, e logo o fôlego se recupera.

    No entanto, a falta de ar nem sempre está ligada apenas ao esforço físico. Quando surge de maneira repentina, intensa, em repouso ou durante a noite, o sintoma pode indicar problemas cardíacos que precisam de atenção imediata.

    O cardiologista e cardio-oncologista Giovanni Henrique Pinto, do Hospital Albert Einstein, detalhou como identificar quando a falta de ar pode ter origem cardíaca, quais doenças estão por trás do quadro e quando é hora de procurar ajuda médica.

    Quando a falta de ar pode estar ligada ao coração?

    Nem todo cansaço é apenas consequência de estar fora de forma. De acordo com Giovanni Henrique Pinto, alguns sinais específicos podem indicar que o problema tem origem no coração. É importante procurar avaliação médica se a falta de ar:

    • Piora com pouco esforço: dificuldade para respirar em atividades leves que antes eram fáceis, como andar um ou dois quarteirões, ou piora rápida em dias ou semanas;
    • Aparece ao deitar: necessidade de usar mais travesseiros ou acordar de madrugada com a sensação de estar sufocando;
    • Vem acompanhada de outros sintomas: dor ou pressão no peito, palpitações, tontura, desmaio, inchaço nas pernas ou ganho de peso rápido e sem explicação;
    • Surge após infecção viral ou em quem já tem problemas cardíacos: pode indicar pericardite, miocardite ou agravamento de doença pré-existente.

    Qual a diferença entre cansaço comum e o cardíaco?

    Muitas vezes, o corpo apenas sinaliza esforço. Pessoas sedentárias, acima do peso ou que carregam objetos pesados podem sentir fôlego curto sem que isso represente doença. Nesses casos, o cansaço melhora rapidamente quando a atividade acaba, não aparece em repouso e não costuma vir com outros sintomas.

    Já quando a causa é cardíaca, a falta de ar surge em esforços cada vez menores e até ao deitar-se. Tosse noturna persistente, chiado no peito, palpitações, sensação de aperto no peito, inchaço nas pernas e cansaço desproporcional ao esforço são sinais de sobrecarga do coração.

    Quais condições cardíacas podem causar falta de ar?

    De acordo com o cardiologista, existem várias condições em que a falta de ar é frequente, como:

    • Insuficiência cardíaca: coração fraco que acumula líquido e dificulta a respiração;
    • Doença das artérias coronárias: inclui angina e infarto, causados por obstruções no fluxo sanguíneo;
    • Valvopatias: mau funcionamento das válvulas cardíacas, como estenose aórtica ou insuficiência mitral;
    • Arritmias: batimentos muito rápidos, lentos ou irregulares, que reduzem o oxigênio no corpo;
    • Miocardite e pericardite: inflamações do músculo ou membrana do coração, muitas vezes após infecções;
    • Pressão alta sem controle: força excessiva sobre o coração que pode gerar falta de ar;
    • Doenças congênitas: malformações de nascença que afetam a respiração.

    Quando procurar um cardiologista?

    A orientação é procurar um especialista sempre que a falta de ar se torna frequente, piora rapidamente, aparece em repouso ou ao deitar, ou quando surge com dor no peito, palpitações, tontura ou inchaço.

    Entre os exames para investigar estão: histórico clínico, exame físico, aferição de pressão, eletrocardiograma, ecocardiograma, radiografia de tórax, teste ergométrico, cintilografia, tomografia de coronárias, cateterismo, Holter e MAPA.

    Falta de ar: situações que exigem atendimento imediato

    Procure uma urgência se houver:

    • Falta de ar em repouso;
    • Lábios e extremidades azuladas;
    • Dor forte no peito;
    • Desmaio;
    • Confusão mental;
    • Inchaço com ganho de peso rápido.

    Esses sintomas podem indicar complicações graves, como infarto ou insuficiência cardíaca aguda.

    É possível tratar a falta de ar causada por problemas no coração?

    Sim. O tratamento inclui controle da pressão arterial, diuréticos para insuficiência cardíaca, remédios para arritmias, correções de valvopatias, anti-isquêmicos e até procedimentos de revascularização, conforme Giovanni Henrique Pinto.

    Reabilitação cardíaca e prática de atividade física também são fundamentais. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de recuperação e prevenção de complicações.

    Veja mais: Tosse que não melhora: quando pode ser problema no coração

    Perguntas frequentes sobre falta de ar e coração

    1. É normal sentir falta de ar ao subir escadas?

    Sim, especialmente para quem está fora de forma. Preocupa quando piora em poucas semanas, exige paradas frequentes ou surge em atividades leves. Se vier com dor no peito, palpitações, tontura ou inchaço, procure um médico.

    2. A falta de ar pode ser um sintoma de infarto?

    Sim. Embora a dor no peito seja o sintoma mais conhecido, a falta de ar pode indicar angina ou infarto, principalmente em mulheres, idosos e diabéticos.

    3. É normal sentir falta de ar todos os dias?

    Não. Pode estar ligada a doenças do coração, pulmões, anemia ou ansiedade. Se for frequente, procure atendimento médico.

    4. A falta de ar pode ser só ansiedade?

    Sim. Crises de ansiedade podem causar respiração acelerada e sensação de aperto no peito. Apenas um médico pode diferenciar corretamente.

    5. Em que casos a falta de ar é uma emergência médica?

    Quando surge em repouso, com lábios azulados, dor forte no peito, desmaio, confusão mental ou inchaço repentino.

    6. A idade aumenta o risco de sentir falta de ar por problemas no coração?

    Sim. O envelhecimento torna artérias e músculo cardíaco mais rígidos, aumentando o risco de insuficiência cardíaca e estenose aórtica, que podem causar falta de ar, dor no peito e desmaios.

    Veja mais: Pneumotórax: entenda a condição que causa falta de ar repentina

  • MAPA: entenda o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro 

    MAPA: entenda o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro 

    A pressão arterial pode se comportar de maneiras bem diferentes ao longo do dia. Em alguns momentos, ela sobe; em outros, volta ao normal. No consultório, a medição dura poucos segundos, e isso nem sempre reflete a realidade dos outros momentos.

    É aí que entra o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), um exame que acompanha a pressão durante 24 horas e registra as variações em atividades comuns e até durante o sono.

    Cada vez mais solicitado pelos cardiologistas, o MAPA é considerado um excelente exame para entender se a pressão alta aparece apenas em situações específicas, como no consultório médico, ou se realmente está elevada durante todo o dia.

    O que é o exame MAPA?

    O MAPA é um exame que mede e registra a pressão arterial ao longo de 24 horas. A pessoa usa um aparelho preso à cintura, conectado a uma braçadeira no braço. Em intervalos programados (geralmente a cada 15 a 30 minutos durante o dia e a cada 30 a 60 minutos à noite), o aparelho infla automaticamente e mede a pressão arterial.

    Leia também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Para que serve o MAPA?

    O exame é muito útil para diversas situações, como:

    • Confirmar diagnóstico de pressão alta;
    • Avaliar o efeito de remédios para pressão alta;
    • Detectar hipertensão do avental branco: quando a pressão sobe apenas no consultório do médico;
    • Identificar pressão alta mascarada: parece normal no consultório, mas está elevada no dia a dia;
    • Avaliar se a pressão cai adequadamente durante o sono.

    Como o MAPA é feito na prática?

    • A pessoa vai ao consultório ou laboratório para colocar o equipamento;
    • Durante as 24 horas, ela segue a rotina normal e anota em um diário as atividades, horários de sono e sintomas;
    • No dia seguinte, retorna para retirar o aparelho e entregar o diário.

    O exame não dói, não é invasivo, mas pode causar algum incômodo por conta do enchimento frequente da braçadeira, que gera pressão no braço, inclusive durante o sono.

    Confira: Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Quem deve fazer o MAPA?

    O médico pode indicar o exame para:

    • Pessoas com suspeita de pressão alta;
    • Quem está em tratamento para pressão alta, para avaliar se os medicamentos estão funcionando;
    • Indivíduos com variações de pressão ainda sem explicação;
    • Casos de sintomas como tontura, palpitação ou dor de cabeça que podem estar relacionados à pressão arterial.

    Confira: Holter 24h: como o exame ajuda a flagrar arritmias ocultas

    Perguntas frequentes sobre o exame MAPA

    1. O exame MAPA dói?

    Não, o exame MAPA não dói. Ele pode causar um incômodo leve na hora da braçadeira inflar, pois aperta o braço, mas não causa dor.

    2. Preciso ficar internado para fazer o exame?

    Não é necessário ficar internado para fazer o exame. A pessoa pode manter a rotina normalmente, apenas usando o aparelho durante as 24 horas.

    3. Posso tomar banho durante o exame?

    Não é permitido molhar o equipamento, logo, não se deve tomar banho durante o uso do MAPA 24h. O banho deve ser feito antes da colocação ou depois da retirada do aparelho.

    4. O MAPA substitui as medições de pressão em casa?

    Não. Ele complementa as medições de pressão arterial. As medições caseiras também são importantes no acompanhamento.

    5. O resultado sai na hora?

    Não. Os dados precisam ser analisados pelo médico, que gera um relatório detalhado e só depois apresenta o resultado.

    Leia também: Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova 

  • Diabetes: por que controlar é tão importante para a saúde do coração 

    Diabetes: por que controlar é tão importante para a saúde do coração 

    Você provavelmente já ouviu falar de diabetes, mas talvez não saiba exatamente o que é ou por que os médicos batem tanto na tecla da importância de controlar a glicemia. O fato é que a doença pode afetar toda a saúde, inclusive o coração.

    Apesar de muita gente associar o diabetes apenas ao açúcar alto no sangue, ele é bem mais complexo. A condição mexe com todo o metabolismo, pode afetar órgãos importantes e, quando não controlada, abrir caminho para problemas sérios.

    O que é diabetes

    Quando comemos alimentos que contêm carboidratos, como pães, massas, arroz, frutas e doces, eles são digeridos e transformados em glicose, um tipo de açúcar que serve de combustível para as células do corpo.

    Em condições normais, a glicose passa do intestino para a corrente sanguínea e, com a ajuda da insulina (um hormônio produzido pelo pâncreas), entra nas células para ser usada como energia.

    Quando a pessoa tem diabetes, esse processo é prejudicado. Ou o corpo não produz insulina suficiente, ou a insulina não consegue fazer o seu papel direito. Como resultado, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue. Esse excesso, com o tempo, pode danificar vasos sanguíneos, nervos e órgãos.

    Tipos de diabetes

    Existem diferentes tipos de diabetes, mas todos exigem cuidado e acompanhamento médico.

    • Diabetes tipo 1: de origem autoimune, costuma aparecer na infância ou adolescência, embora também possa surgir em adultos.
    • Diabetes tipo 2: mais comum em adultos, mas está cada vez mais frequente em jovens por conta de hábitos ruins de vida;
    • Diabetes gestacional: aparece durante a gravidez e exige atenção redobrada.

    Por que controlar o diabetes é tão importante para o coração

    O diabetes não tratado, segundo a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, é um grande problema.

    “Ele aumenta consideravelmente o risco do desenvolvimento de outras condições de saúde, em especial as doenças cardiovasculares. A doença cardiovascular ainda é a principal causa de morte nos pacientes diabéticos”, conta a especialista.

    Quando o açúcar no sangue fica alto por muito tempo, ele favorece o acúmulo de gordura e placas nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, que pode levar a infarto e AVC.

    “Além disso, o diabetes não tratado pode levar a alterações nos nervos e vasos sanguíneos com diminuição de sensibilidade, um processo chamado neuropatia, e que pode inclusive dificultar a percepção de infarto, pois o paciente com diabetes pode ter um infarto sem dor”, detalha a médica.

    Quem tem diabetes tipo 1 precisa ainda ficar mais atento. Além do endocrinologista, Juliana Soares recomenda acompanhamento com:

    • Nefrologista: para a saúde dos rins;
    • Oftalmologista: para prevenir retinopatia diabética que pode provocar perda de visão;
    • Cardiologista: para avaliar e proteger o coração;
    • Nutricionista: para ajustar a alimentação.

    A médica explica que portadores de diabetes tipo 1 têm mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares, principalmente quando os controles dos níveis de glicose são inadequados.

    “Isso leva ao aumento do processo de formação das placas nas artérias e a lesão nos vasos sanguíneos e nervos. A doença cardiovascular é a principal causa de morte em adultos com diabetes tipo 1”, alerta.

    E o pré-diabetes?

    Se o diabetes é o sinal vermelho, o pré-diabetes é o sinal amarelo. Os níveis de açúcar já estão acima do normal, mas ainda não chegaram ao ponto de ser diabetes.

    A boa notícia, segundo Juliana Soares, é que mudanças no estilo de vida como melhora da alimentação, prática de atividade física e perda de peso são altamente eficazes.

    “Em algumas situações o uso de remédios, em especial a metformina, é muito benéfico e ajuda a conter a evolução para o diabetes”.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Hoje há novos remédios que podem tratar diabetes, sendo que o mais falado atualmente é a semaglutida (Ozempic). Esse remédio pertence ao grupo dos agonistas do GLP-1, um hormônio que, como explica Juliana Soares, estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, evitando picos de glicose no sangue.

    Esses remédios também ajudam a reduzir risco de infarto e AVC, melhorando colesterol, pressão arterial e até a saúde dos vasos sanguíneos.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Nos últimos anos, uma classe de remédios ganhou destaque no tratamento do diabetes tipo 2: os agonistas do GLP-1, como a semaglutida (Ozempic). O GLP-1 é um hormônio que o próprio corpo produz e que ajuda a regular a glicose no sangue de forma inteligente.

    A cardiologista explica que, quando os níveis de açúcar estão altos, os remédios agonistas do GLP-1 estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas e, ao mesmo tempo, inibem a liberação de um hormônio chamado glucagon, que atua na liberação de glicose pelo fígado. Ou seja, eles não só ajudam a colocar a glicose para dentro das células, mas também evitam que o fígado jogue mais açúcar na corrente sanguínea.

    Esse tipo de remédio também age no cérebro. Eles diminuem o apetite, aumentam a sensação de saciedade e ainda reduzem a velocidade com que o estômago esvazia após as refeições. Esse conjunto de ações faz com que a glicose seja absorvida mais devagar e evita picos de açúcar no sangue.

    “Os agonistas do GLP-1 podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC e até mesmo morte por causas cardiovasculares”, conta a médica. “A ação no controle dos níveis de açúcar e no peso são, por si, fatores protetores e que reduzem o risco cardiovascular através da melhora metabólica”.

    Como viver bem com diabetes tipo 2

    O diagnóstico de diabetes não precisa ser sinônimo de uma qualidade de vida ruim. “A vida do portador de diabetes pode ser saudável desde que um estilo de vida adequado e os cuidados necessários sejam seguidos. O foco no autocuidado, no tratamento adequado e na prevenção das complicações é fundamental”, reforça Juliana Soares.

    O tratamento conta com:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física regular;
    • Controle do colesterol e da pressão;
    • Monitoramento da glicemia;
    • Uso correto dos remédios;
    • Exames regulares.

    Leia também: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

    Perguntas frequentes sobre diabetes

    1. O diabetes pode ser curado?

    Não, mas pode ser controlado com tratamento e mudanças no estilo de vida.

    2. O que é hipoglicemia?

    É quando o açúcar no sangue fica muito baixo. Isso pode causar tontura, suor frio, desmaio e, se a queda de açúcar for muito intensa e não for revertida a tempo, pode levar até à morte.

    3. Como prevenir o diabetes tipo 2?

    Mantendo um peso saudável, fazendo exercícios e comendo de forma equilibrada.

    5. O que é pré-diabetes?

    É quando a glicose está acima do normal, mas ainda não ao ponto de ser caracterizada diabetes.

    6. Diabetes afeta só o açúcar no sangue?

    Não, pode atingir coração, rins, olhos e nervos, por isso é importante tratar a doença.

    7. O que é resistência à insulina?

    É quando o corpo não consegue usar a insulina de forma eficiente, e isso faz com que o açúcar no sangue fique mais alto.

    8. Quem tem diabetes pode comer doce?

    Sim, mas com moderação e dentro de um plano alimentar equilibrado.

    Veja também: É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

  • Exercício físico no frio: por que o coração trabalha mais no inverno?

    Exercício físico no frio: por que o coração trabalha mais no inverno?

    Para muita gente, o inverno é a estação ideal para caminhar, correr ou pedalar. As temperaturas mais amenas costumam tornar a prática de exercícios mais confortável do que nos dias de calor intenso e favorecem atividades ao ar livre.

    Mas o frio também modifica o funcionamento do organismo. Antes mesmo de o exercício começar, o corpo reage às baixas temperaturas contraindo os vasos sanguíneos para conservar calor. Essa adaptação aumenta a resistência à circulação do sangue e faz o coração trabalhar mais para bombeá-lo. Durante a atividade física, esse esforço se soma às demandas naturais do exercício.

    Em pessoas saudáveis, essas mudanças costumam ser bem toleradas. Já quem tem pressão alta, doença coronariana, insuficiência cardíaca ou outras doenças cardiovasculares precisa de mais atenção, pois o frio pode aumentar a sobrecarga sobre o coração e favorecer o aparecimento de sintomas.

    O que acontece com o corpo quando fazemos exercício no frio?

    Assim que somos expostos a baixas temperaturas, o organismo ativa mecanismos para evitar a perda excessiva de calor.

    Entre eles estão:

    • Contração dos vasos sanguíneos da pele (vasoconstrição);
    • Liberação de adrenalina e noradrenalina;
    • Produção de calor pelos músculos;
    • Em temperaturas muito baixas, tremores involuntários.

    Essas adaptações ajudam a manter a temperatura interna estável, mas aumentam o trabalho do sistema cardiovascular.

    Por que o coração trabalha mais no inverno?

    O principal motivo é a vasoconstrição. Quando os vasos sanguíneos se contraem para reduzir a perda de calor, o sangue encontra maior resistência para circular.

    Como consequência:

    • A pressão arterial tende a aumentar;
    • O coração precisa gerar mais força para ejetar o sangue;
    • O consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco aumenta.

    Durante o exercício, essa carga adicional se soma ao aumento natural da frequência cardíaca e da necessidade de irrigar os músculos ativos.

    Estudos clássicos demonstraram que a exposição ao frio aumenta a resistência vascular e o trabalho do ventrículo esquerdo, mesmo durante exercícios de intensidade semelhante aos realizados em ambientes mais quentes.

    A frequência cardíaca sempre aumenta no frio?

    Não necessariamente. Esse é um ponto que costuma gerar confusão. Embora o trabalho do coração aumente, a frequência cardíaca pode:

    • Permanecer semelhante;
    • Ser discretamente menor;
    • Ou aumentar, dependendo da temperatura, da intensidade do exercício, das roupas utilizadas e das características individuais.

    Isso acontece porque o esforço cardíaco depende não apenas da frequência dos batimentos, mas também da pressão contra a qual o coração precisa bombear o sangue.

    Em outras palavras, o coração pode estar trabalhando mais mesmo sem bater muito mais rápido.

    O frio aumenta a pressão arterial?

    Sim. A vasoconstrição provocada pelas baixas temperaturas faz com que a pressão arterial aumente temporariamente. Esse efeito é geralmente pequeno em pessoas jovens e saudáveis, mas pode ser mais intenso em:

    • Idosos;
    • Pessoas com hipertensão;
    • Portadores de doença arterial coronariana;
    • Pacientes com doença renal crônica.

    Esse aumento da pressão explica, em parte, por que eventos cardiovasculares são mais frequentes durante o inverno.

    Quem deve tomar mais cuidado?

    Embora a prática de exercícios continue sendo recomendada, alguns grupos exigem atenção especial.

    Entre eles:

    • Pessoas com doença coronariana;
    • Hipertensos;
    • Quem tem insuficiência cardíaca;
    • Idosos;
    • Pessoas com doença vascular periférica;
    • Indivíduos que não praticam atividade física regularmente.

    Nessas situações, exercícios intensos realizados em ambientes muito frios podem aumentar o risco de dor no peito, elevação importante da pressão arterial e outros eventos cardiovasculares.

    O frio também interfere na respiração?

    Sim. Inspirar ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias.

    Isso pode provocar:

    • Tosse;
    • Sensação de aperto no peito;
    • Chiado;
    • Falta de ar, principalmente em pessoas com asma.

    Em indivíduos suscetíveis, o ar frio potencializa a broncoconstrição induzida pelo exercício.

    O gasto de energia aumenta no frio?

    Em muitos casos, sim. Além da energia necessária para realizar o exercício, o organismo precisa produzir calor para manter a temperatura corporal.

    Quando o frio é intenso, isso pode aumentar o consumo de oxigênio e o gasto energético, principalmente em exercícios de menor intensidade ou quando há tremores. À medida que a intensidade do exercício aumenta, essa diferença tende a diminuir.

    Como praticar atividade física com segurança no inverno?

    Algumas medidas simples tornam o exercício mais seguro e confortável.

    Faça um aquecimento mais longo

    No frio, músculos, tendões e vasos sanguíneos demoram mais para atingir condições ideais de funcionamento. Um aquecimento de 10 a 15 minutos ajuda a preparar o organismo para o esforço.

    Vista-se em camadas

    O ideal é utilizar roupas que permitam conservar o calor sem causar superaquecimento. As camadas podem ser retiradas conforme o corpo aquece.

    Proteja as extremidades

    Grande parte da perda de calor ocorre pelas mãos, pés e cabeça. Luvas, meias adequadas e gorros podem melhorar o conforto térmico.

    Evite iniciar o exercício de forma muito intensa

    Começar devagar permite que o sistema cardiovascular e os músculos se adaptem progressivamente às condições ambientais.

    Não esqueça da hidratação

    Mesmo sem sentir tanta sede, o corpo continua perdendo líquidos durante o exercício. A desidratação também pode prejudicar o desempenho físico.

    É perigoso correr ou caminhar no frio?

    Para a maioria das pessoas saudáveis, não. Na verdade, temperaturas moderadamente frias costumam favorecer o desempenho aeróbico em comparação com ambientes muito quentes.

    O maior risco está na exposição a frio intenso, especialmente quando associada a:

    • Exercícios vigorosos;
    • Ventos fortes;
    • Roupas inadequadas;
    • Doenças cardiovasculares preexistentes.

    Quando é melhor evitar o exercício ao ar livre?

    Considere adiar ou adaptar a atividade quando houver:

    • Temperaturas extremamente baixas;
    • Sensação térmica muito reduzida;
    • Chuva intensa acompanhada de frio;
    • Gelo ou risco de quedas;
    • Sintomas respiratórios importantes.

    Nessas situações, exercícios em ambientes fechados podem ser uma alternativa mais segura.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure atendimento se, durante ou após o exercício, ocorrerem:

    • Dor ou pressão no peito;
    • Falta de ar desproporcional ao esforço;
    • Tontura ou desmaio;
    • Palpitações persistentes;
    • Dor irradiando para braço, mandíbula ou costas.

    Esses sintomas merecem avaliação imediata, principalmente em pessoas com fatores de risco cardiovasculares.

    Veja mais: Por que a pressão arterial aumenta no frio? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes sobre exercício físico no frio

    1. O coração realmente trabalha mais no inverno?

    Sim. O frio provoca vasoconstrição, aumenta a resistência dos vasos sanguíneos e faz o coração bombear contra uma pressão maior, elevando sua carga de trabalho.

    2. O frio aumenta a pressão arterial?

    Sim. A contração dos vasos sanguíneos pode elevar temporariamente a pressão arterial, especialmente em pessoas com hipertensão ou doença cardiovascular.

    3. É seguro fazer exercícios ao ar livre no inverno?

    Na maioria dos casos, sim. Pessoas saudáveis podem praticar atividade física normalmente, desde que utilizem roupas adequadas, façam um bom aquecimento e evitem condições climáticas extremas.

    4. Quem precisa ter mais cuidado?

    Idosos, hipertensos, pessoas com doença coronariana, insuficiência cardíaca, doença vascular periférica e indivíduos sedentários devem redobrar a atenção e seguir orientação médica quando necessário.

    5. O frio pode causar dor no peito?

    Em pessoas com doença coronariana, o aumento da pressão arterial e do consumo de oxigênio pelo coração pode facilitar o aparecimento de angina durante esforços realizados em ambientes frios.

    6. Exercício no frio faz gastar mais calorias?

    Pode aumentar discretamente o gasto energético, pois o organismo utiliza energia adicional para manter a temperatura corporal, especialmente em ambientes muito frios.

    7. Como reduzir os riscos de treinar no inverno?

    Faça um aquecimento adequado, vista-se em camadas, proteja mãos e cabeça, mantenha-se hidratado, aumente a intensidade do exercício gradualmente e interrompa a atividade caso surjam sintomas como dor no peito, tontura ou falta de ar intensa.

    Confira: Tempo frio pode aumentar o risco cardíaco? Veja como proteger o coração no inverno