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  • Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    A Copa do Mundo é um dos eventos esportivos mais emocionantes do planeta e costuma mobilizar milhões de torcedores. Durante os jogos, principalmente nas partidas decisivas, é normal sentir o coração acelerar, ficar ansioso, nervoso, tenso ou extremamente eufórico a cada lance.

    Com tantos sentimentos intensos acontecendo ao mesmo tempo, é natural se perguntar se eles podem aumentar o risco de algum problema de saúde, como infarto ou AVC. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, as emoções, independente da origem, podem causar uma série de respostas ao organismo.

    “Em quem já tem alguma predisposição a ter alguma doença cardiovascular ou quem já tem doença cardíaca previamente, as emoções podem aumentar, no momento do pico da emoção, o risco de eventos cardíacos”, explica a especialista.

    Fortes emoções podem mesmo afetar o coração?

    As emoções intensas, independentemente de serem positivas ou negativas, podem funcionar como um gatilho para eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas que já possuem fatores de risco ou doenças cardíacas pré-existentes.

    O corpo humano não consegue diferenciar o estresse provocado por um jogo de futebol de uma situação de perigo real. Por isso, quando vivemos uma emoção muito forte, o cérebro envia um sinal de alerta que afeta diretamente o funcionamento do coração.

    Em pessoas saudáveis, as alterações costumam ser temporárias, mas em pessoas vulneráveis elas podem representar um risco adicional.

    O que acontece no corpo durante um momento de grande tensão ou euforia?

    Durante um momento de grande tensão, ansiedade ou euforia, Juliana explica que o cérebro avisa o sistema nervoso simpático, que é a parte do organismo responsável por reagir a situações de estresse. O sistema prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga, como se precisássemos fugir de uma ameaça física.

    Para preparar o corpo, ocorre uma liberação massiva de hormônios do estresse na corrente sanguínea, principalmente a adrenalina e a noradrenalina, que desencadeiam:

    • Frequência cardíaca mais acelerada, fazendo o coração bater mais rápido e provocando palpitações;
    • Pressão arterial mais elevada, devido à contração dos vasos sanguíneos para acelerar a circulação do sangue;
    • Aumento da força de contração do coração, que passa a trabalhar com mais intensidade;
    • Aumento da necessidade de oxigênio, já que o coração precisa de mais energia para sustentar o esforço extra.

    Em uma pessoa saudável, o corpo costuma lidar bem com esse pico de adrenalina e retorna ao normal pouco tempo após o fim do jogo.

    Mas, em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou alguma doença cardíaca, Juliana destaca que o aumento súbito da pressão arterial e dos batimentos cardíacos pode provocar o rompimento de uma dessas placas, causando um infarto, além de desregular o ritmo do coração e desencadear arritmias.

    Infarto ou AVC: qual é o maior risco durante o jogo?

    Segundo Juliana, o infarto é o maior risco e o evento cardiovascular mais comum durante um jogo de futebol.

    O aumento dos níveis de adrenalina provocado pela emoção altera diretamente a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de poder causar o rompimento de uma placa de gordura presente nas artérias. Quando isso ocorre, pode haver a obstrução do fluxo sanguíneo, levando ao infarto.

    O AVC também pode acontecer em situações de grande tensão emocional, mas é consideravelmente menos frequente. A associação entre emoções intensas e AVC costuma ocorrer principalmente em pessoas com pressão arterial descontrolada ou que apresentam alguma arritmia grave.

    Quem precisa ter cuidado redobrado em jogos emocionantes?

    Os grupos de pessoas que precisam de ter cuidados redobrados são:

    • Pessoas que já sofreram um infarto anteriormente;
    • Doentes com histórico de AVC;
    • Indivíduos diagnosticados com insuficiência cardíaca;
    • Pessoas que sofrem de arritmias cardíacas;
    • Pacientes com angina ou outras doenças coronárias conhecidas;
    • Hipertensos com a pressão arterial descontrolada;
    • Diabéticos;
    • Pessoas com níveis de colesterol alto e descontrolado;
    • Fumadores crónicos;
    • Pessoas com obesidade.

    Nesses casos, o estresse e a emoção do jogo podem representar uma sobrecarga maior para o coração. É importante ter atenção redobrada e seguir corretamente todas as orientações médicas para aproveitar as partidas com mais segurança.

    Sinais de alerta: quando a emoção vira uma emergência médica?

    É normal sentir o coração acelerar, ficar nervoso ou até suar mais durante um jogo decisivo, mas alguns sintomas podem indicar um problema de saúde mais sério, como:

    • Dor ou pressão no peito que não melhora com o passar dos minutos;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Suor excessivo acompanhado de desconforto no peito;
    • Náuseas ou enjoos associados à dor no peito;
    • Palpitações intensas ou sensação de que o coração está batendo de forma irregular;
    • Tontura, desmaio ou perda de consciência;
    • Dificuldade para falar ou para compreender o que as outras pessoas dizem;
    • Dor de cabeça muito forte e de início repentino.

    Caso qualquer um dos sintomas apareça durante ou após o jogo, o ideal é procurar atendimento médico imediatamente. Em situações como infarto ou AVC, agir rapidamente pode fazer toda a diferença no tratamento e na recuperação.

    Como torcer e curtir a Copa do Mundo em segurança?

    A emoção faz parte do esporte e da vida, mas alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos, especialmente para quem já tem alguma doença cardiovascular ou fatores de risco. Entre as principais, Juliana orienta:

    • Manter o tratamento médico em dia e seguir corretamente as orientações do profissional de saúde;
    • Não interromper nem suspender os medicamentos por conta própria;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, principalmente durante os jogos;
    • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
    • Controlar fatores de risco como pressão alta, diabetes e colesterol elevado;
    • Realizar consultas médicas regularmente para acompanhar a saúde cardiovascular.

    “A emoção faz parte da nossa vida, nós não temos como nos privar totalmente, mas cuidar da saúde de base, estar com todos os fatores controlados”, finaliza Juliana.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. De que forma a adrenalina afeta o sistema cardiovascular?

    A adrenalina faz o coração bater mais rápido (taquicardia), aumenta a força de contração do músculo cardíaco e estreita os vasos sanguíneos, o que provoca uma subida rápida da pressão arterial.

    2. O uso de calmantes naturais (como passiflora ou camomila) antes do jogo funciona?

    Sim, fitoterápicos à base de passiflora, valeriana ou camomila ajudam a modular o sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade de forma leve. Eles podem ser úteis para pessoas muito ansiosos, pois ajudam a evitar que a frequência cardíaca suba de forma tão abrupta.

    3. Energéticos misturados com álcool aumentam o risco cardíaco na hora do jogo?

    Muito, os energéticos contêm altas doses de cafeína e outros estimulantes que aceleram o coração. Quando misturados ao álcool, mascaram os efeitos de sonolência da bebida, fazendo com que a pessoa beba mais e exponha o coração a um duplo estresse: a arritmia induzida pela cafeína e a toxicidade do álcool.

    4. Por que ficar muito tempo sentado a ver o jogo também é perigoso?

    Ficar sentado imóvel por várias horas, especialmente se associado à desidratação e ao álcool, lentifica a circulação nas pernas, aumentando o risco de trombose venosa profunda (TVP). Se o coágulo se desprender, pode viajar até aos pulmões, causando uma embolia pulmonar. O ideal é levantar e caminhar um pouco no intervalo.

    5. Tomar uma aspirina (AAS) antes do jogo previne o infarto em quem é do grupo de risco?

    Não se deve fazer isso sem orientação médica. Embora a aspirina afine o sangue e previna coágulos, o uso preventivo por conta própria pode mascarar sintomas ou aumentar o risco de hemorragias (inclusive AVC hemorrágico), especialmente se a pressão arterial subir muito durante a partida.

    6. O que é a síndrome do coração partido e como ela se relaciona com o futebol?

    Também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição desencadeada por um forte estresse emocional. Ela causa sintomas semelhantes aos de um infarto, mas ocorre por uma alteração temporária no funcionamento do músculo cardíaco provocada pelo excesso de hormônios do estresse.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

  • Menopausa: conheça os cuidados com o coração nessa fase da vida 

    Menopausa: conheça os cuidados com o coração nessa fase da vida 

    A menopausa é definida pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos e acontece, normalmente, entre os 45 e 55 anos de idade. Nesse período da vida, o corpo passa por alterações hormonais significativas (em especial, a queda do estrogênio), que afetam o metabolismo, os ossos, o humor e, principalmente, a saúde do coração.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), são a principal causa de morte entre as mulheres após a menopausa. O risco aumenta justamente porque, com a queda hormonal, o organismo perde parte da proteção natural que tinha durante a fase reprodutiva.

    Por isso, especialistas destacam a importância do acompanhamento médico regular, de exames preventivos e da adoção de hábitos saudáveis.

    Por que a menopausa aumenta o risco de doenças do coração?

    A menopausa provoca uma série de mudanças no corpo que impactam diretamente o coração. Primeiramente, o estrogênio, principal hormônio feminino, exerce um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular. Ele ajuda a manter as artérias flexíveis, regula o colesterol e contribui para o equilíbrio da pressão arterial. Quando o hormônio diminui, o risco de desenvolver doenças do coração aumenta.

    “Com a queda do estrogênio, há piora do perfil do colesterol (aumento do LDL e redução do HDL), aumentando a aterosclerose, assim como aumento da gordura visceral, ganho de peso, resistência à insulina e rigidez dos vasos. Com isso, o risco para doenças cardiovasculares sobe”, explica Giovanni Henrique Pinto, cardiologista e cardio-oncologista do Hospital Albert Einstein.

    Vale lembrar que, muitas vezes, o impacto não acontece de imediato, mas ao longo de anos, o que torna a prevenção ainda mais importante.

    Sintomas cardíacos que merecem atenção após a menopausa

    Pode ser difícil identificar sinais de alerta para problemas cardiovasculares, uma vez que eles podem ser confundidos com os efeitos comuns da menopausa, como insônia e palpitações.

    Segundo o Giovanni Henrique Pinto, é importante não ignorar manifestações como:

    • Dor ou pressão no peito, podendo aparecer também como queimação ou dor nas costas, nos braços ou na mandíbula;
    • Falta de ar em atividades simples;
    • Palpitações frequentes;
    • Tontura ou desmaios;
    • Inchaço nas pernas;
    • Cansaço desproporcional ao esforço.

    Se os sintomas surgirem, é importante procurar atendimento médico para descartar a possibilidade de doenças cardíacas.

    Quais hábitos podem ajudar a proteger o coração na menopausa?

    O estilo de vida continua sendo a melhor forma de reduzir riscos, e mesmo em rotinas mais agitadas, incluir alguns hábitos é necessário para manter a saúde. Segundo orientações do Ministério da Saúde e do cardiologista Giovanni Henrique Pinto:

    • Praticar atividade física regularmente (150 a 300 minutos por semana de exercícios aeróbicos + treinos de força duas vezes por semana);
    • Adotar alimentação de padrão mediterrâneo ou DASH, priorizando frutas, verduras, grãos integrais, peixes e azeite, além de reduzir o consumo de sal;
    • Dormir de 7 a 9 horas por noite;
    • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou hobbies;
    • Não fumar e moderar o consumo de álcool;
    • Seguir corretamente o uso de medicamentos para pressão, colesterol e diabetes, quando indicados.

    Acompanhamento na menopausa é importante para proteger o coração

    Durante a menopausa, manter consultas regulares com o cardiologista permite identificar cedo alterações na pressão, no colesterol, na glicemia e até na rigidez dos vasos. Os exames cardíacos regulares nessa fase incluem:

    • Eletrocardiograma (ECG);
    • Holter (monitoramento do ritmo cardíaco por 24h);
    • Ecocardiograma;
    • MAPA (monitoramento da pressão arterial);
    • Exames laboratoriais de glicemia, hemoglobina glicada e perfil lipídico;
    • Teste ergométrico (de esforço);
    • Escore de cálcio coronário em mulheres de risco intermediário;
    • Cintilografia ou angiotomografia coronária quando há sintomas sugestivos ou risco elevado.

    Além disso, o acompanhamento não serve só para detectar doenças, mas também para discutir formas de prevenção. O médico pode orientar sobre dieta, atividade física, controle de peso e, quando necessário, prescrever medicações para equilibrar colesterol, glicemia ou pressão.

    Leia também: Por que cuidar do coração antes de uma cirurgia

    Reposição hormonal na menopausa protege o coração?

    O tratamento de reposição hormonal (TRH ou MHT) pode ser útil para aliviar sintomas moderados a graves da menopausa, como fogachos e suores noturnos. No entanto, Giovanni Henrique Pinto reforça que não deve ser usado com o objetivo de prevenir doenças cardiovasculares.

    A terapia pode ter perfil de risco mais favorável quando iniciada antes dos 60 anos ou até 10 anos após a última menstruação, especialmente pela via transdérmica (adesivo ou gel), que apresenta menor risco de trombose do que os comprimidos orais.

    Ainda assim, há contraindicações importantes: mulheres com histórico de infarto, AVC, trombose ativa, alguns tipos de câncer ou sangramentos uterinos não esclarecidos devem evitar o tratamento. A decisão deve sempre ser individualizada e tomada em conjunto com o médico.

    Confira: Névoa mental na menopausa: o que é e como tratar o “brain fog”

    Perguntas frequentes sobre saúde do coração na menopausa

    1. A menopausa pode acelerar doenças já existentes?

    Sim. Condições como pressão alta, colesterol alto, diabetes e doença coronária podem se agravar mais rápido depois da menopausa se não fizer um controle rigoroso.

    2. A partir de que idade a menopausa costuma aparecer?

    A menopausa ocorre, em média, aos 51 anos. Ela é confirmada quando a mulher fica 12 meses consecutivos sem menstruar. Porém, pode acontecer mais cedo: entre 40 e 45 anos é chamada de menopausa precoce, e antes dos 40 anos recebe o nome de insuficiência ovariana prematura.

    3. Quais são os sintomas mais comuns da menopausa?

    Os principais sintomas da menopausa são:

    • Ondas de calor;
    • Suores noturnos;
    • Insônia;
    • Irritabilidade;
    • Diminuição da libido;
    • Secura vaginal;
    • Alterações do humor;
    • Dificuldade de concentração e palpitações.

    Os sinais podem começar anos antes da última menstruação e durar até 8 anos.

    4. Quais doenças cardiovasculares são mais comuns após a menopausa?

    Há um risco maior de doenças como:

    • Doença arterial coronariana (angina e infarto);
    • Pressão alta;
    • Acidente vascular cerebral (AVC);
    • Arritmias, como fibrilação atrial;
    • Insuficiência cardíaca.

    5. A menopausa causa aumento de peso? Isso afeta o coração?

    Sim. Na menopausa o metabolismo fica mais lento e o corpo gasta menos energia. Isso facilita o ganho de peso, principalmente na barriga, onde a gordura tende a se acumular.

    E é importante apontar: esse tipo de gordura libera substâncias inflamatórias que aumentam a resistência à insulina, aumentando o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Além disso, está diretamente ligada à pressão alta e à aterosclerose — que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

    6. Quais sinais diferenciam sintomas da menopausa de problemas cardíacos?

    Fogachos e palpitações podem ser sintomas da menopausa, mas quando há dor no peito, falta de ar, inchaço em pernas ou cansaço desproporcional, é preciso investigar problemas cardíacos.

    O acompanhamento médico é fundamental porque apenas exames, como eletrocardiograma e ecocardiograma, conseguem diferenciar com clareza o que é efeito hormonal e o que é sinal de doença cardiovascular.

    7. A menopausa pode causar palpitações?

    Sim. Muitas mulheres sentem o coração acelerar ou bater mais forte durante a menopausa, por causa das mudanças hormonais e das ondas de calor. Mas, se as palpitações forem frequentes e vierem junto com tontura, dor no peito ou falta de ar, é importante procurar um médico para investigar.

    8. Como diferenciar sintomas de ansiedade dos sintomas cardíacos na menopausa?

    A ansiedade pode provocar palpitações, falta de ar, aperto no peito e até sensação de desmaio — sintomas muito semelhantes aos cardíacos. A diferença é que, muitas vezes, a ansiedade aparece em situações de estresse emocional ou crises de pânico, e tende a melhorar com técnicas de respiração e relaxamento.

    Já os sintomas de origem cardíaca podem surgir de forma inesperada, durante esforços leves ou mesmo em repouso, e não desaparecem apenas com controle emocional. Destaca-se que a única forma segura de diferenciar é com avaliação médica e exames específicos.

    Veja também: Perimenopausa (pré-menopausa): como saber se ela já começou?

  • Tempo frio pode aumentar o risco cardíaco? Veja como proteger o coração no inverno

    Tempo frio pode aumentar o risco cardíaco? Veja como proteger o coração no inverno

    Sabia que não são apenas as vias respiratórias e as articulações que sofrem com a chegada dos dias frios? A queda de temperatura provoca uma série de respostas fisiológicas que sobrecarregam o coração, especialmente em pessoas que já têm alguma vulnerabilidade cardiovascular, de acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de infarto e de outras complicações cardíacas pode aumentar em até 30% durante o inverno. “Não é comentário ou coincidência que hospitais registrem aumento de atendimentos por infarto e descompensação cardíaca nos meses mais frios do ano”, comenta o cardiologista.

    Como é comum haver mudanças na rotina no inverno, como a redução da prática de atividades físicas, o aumento do consumo de alimentos calóricos e a menor ingestão de água, alguns fatores de risco cardiovasculares podem se tornar ainda mais difíceis de controlar.

    Por que o coração sofre mais no inverno?

    Com a queda nas temperaturas, o organismo ativa mecanismos de defesa para preservar o calor corporal e manter a temperatura interna estável. Um dos principais é a vasoconstrição, processo em que os vasos sanguíneos se contraem para diminuir a perda de calor pela pele.

    Como consequência, o coração precisa fazer mais esforço para bombear o sangue através dos vasos mais estreitos, o que pode aumentar a pressão arterial e sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    “Em hipertensos, isso é especialmente preocupante porque a pressão já está elevada e o frio pode levá-la a níveis perigosos. É por isso que o inverno é associado a maior incidência de sangramentos cerebrais (AVC hemorrágico) e infartos”, explica Giovanni.

    Ao mesmo tempo, o cardiologista explica que ocorre a ativação do sistema nervoso simpático, liberando hormônios que aceleram a frequência cardíaca e elevam a pressão arterial, como a adrenalina e noradrenalina.

    O sangue também tende a ficar mais espesso (maior viscosidade) e com maior tendência a coagular no frio, o que aumenta o risco de entupimento de artérias. Para completar, o frio pode provocar espasmos nas artérias coronárias, que são responsáveis por irrigar o coração, diminuindo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

    O frio realmente aumenta o risco de infarto?

    O risco de infarto e de acidente vascular cerebral (AVC) pode aumentar em até 30% nos dias frios e no inverno, segundo dados do Instituto Nacional de Cardiologia e do Ministério da Saúde.

    “No Brasil, mesmo com invernos mais amenos que os europeus, também se observa essa sazonalidade. Cidades como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre registram aumento de internações por infarto e AVC no período de junho a agosto”, aponta Giovanni.

    O risco costuma ser maior não exatamente nos dias mais frios, mas nas primeiras quedas de temperatura após períodos mais quentes, quando o organismo ainda não conseguiu se adaptar ao frio.

    O cardiologista destaca que os dias com grande variação de temperatura entre a manhã e à tarde também exigem mais do corpo e podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares.

    Quem faz parte do grupo de risco?

    O inverno pode afetar qualquer pessoa, mas alguns grupos têm maior risco de sofrer complicações cardiovasculares durante o inverno, como:

    • Pessoas com hipertensão arterial;
    • Pessoas com histórico de infarto ou insuficiência cardíaca;
    • Pacientes com colesterol alto ou diabetes;
    • Idosos;
    • Fumantes;
    • Pessoas sedentárias;
    • Indivíduos com obesidade;
    • Quem possui histórico familiar de doenças cardiovasculares.

    “Quando o frio aumenta a demanda, exigindo mais trabalho para manter a temperatura e bombear o sangue pelos vasos contraídos, o coração comprometido pode não conseguir suprir essa demanda extra, desencadeando um infarto, uma descompensação da insuficiência cardíaca ou uma arritmia grave”, pontua o cardiologista.

    Como proteger o coração nos dias frios?

    Segundo Giovanni, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir a sobrecarga do coração durante o inverno, como:

    • Agasalhar-se adequadamente, com atenção especial para a cabeça, o pescoço, as mãos e os pés, regiões onde a perda de calor costuma ser maior;
    • Evitar mudanças bruscas de temperatura, como sair rapidamente de ambientes aquecidos para o frio intenso;
    • Manter a casa aquecida, principalmente o quarto e o banheiro;
    • Não interromper os medicamentos cardiovasculares sem orientação médica, especialmente no caso de pessoas com hipertensão;
    • Seguir corretamente o tratamento prescrito, já que alguns pacientes podem precisar de ajuste nas doses dos medicamentos durante o inverno;
    • Evitar o consumo de álcool, pois a bebida provoca dilatação dos vasos e aumenta a perda de calor;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, mesmo com a menor sensação de sede provocada pelo frio;
    • Continuar praticando atividades físicas de forma regular e segura, respeitando as orientações médicas quando houver doenças cardíacas pré-existentes.

    Exercícios ao ar livre no frio são seguros?

    Para pessoas saudáveis, a prática de exercícios físicos no frio costuma ser segura, desde que alguns cuidados sejam adotados no dia a dia. Giovanni orienta o aquecimento prévio, por cerca de 10 a 15 minutos, pois ajuda o organismo a se adaptar gradualmente ao esforço físico. Também é recomendado:

    • Cobrir o nariz e a boca com um lenço ou uma máscara para ajudar a aquecer o ar antes que ele chegue aos pulmões;
    • Respirar pelo nariz, já que isso contribui para o aquecimento do ar inspirado;
    • Evitar os horários mais frios do dia, como a madrugada e o início da manhã.

    Para pessoas com doenças cardiovasculares, a recomendação é evitar exercícios intensos ao ar livre quando a temperatura estiver abaixo de 10 °C, dando preferência a ambientes fechados e climatizados durante o inverno. Também é importante não iniciar atividades físicas intensas sem avaliação médica.

    “Uma caminhada em ritmo moderado é muito diferente de correr ou fazer esforço intenso — o tipo de exercício importa tanto quanto a temperatura”, destaca Giovanni.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    Qualquer sinal de alerta cardiovascular no frio deve ser levado a sério e avaliado rapidamente. Giovanni comenta os principais:

    • Dor, pressão ou aperto no peito, mesmo que leve ou passageiro;
    • Dor irradiando para o braço esquerdo, a mandíbula, as costas ou o pescoço;
    • Falta de ar desproporcional ao esforço ou até mesmo em repouso;
    • Palpitações, com o coração acelerado ou irregular de forma persistente;
    • Tontura, desmaio ou sensação de desmaio iminente;
    • Suor frio sem motivo aparente;
    • Inchaço súbito nas pernas;
    • Para pessoas com hipertensão, pressão arterial muito acima do habitual.

    “Um sinal que muitas pessoas ignoram: dor em uma mandíbula ou dente sem causa dentária aparente, especialmente associada ao esforço no frio — pode ser angina atípica”, explica Giovanni.

    No caso de dor no peito intensa e súbita, o correto é ligar imediatamente para o SAMU (192) ou acionar o serviço de emergência mais próximo.

    Confira: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. A partir de qual temperatura o coração começa a correr risco?

    Não existe um número exato na tabela, mas estudos mostram que quando a temperatura média diária fica abaixo de 14°C, o corpo já começa a fazer um esforço cardiovascular significativamente maior para manter o calor interno.

    2. Sinto palpitações ou o coração acelerado no frio. Isso é normal?

    Até certo ponto, sim. O coração bate mais rápido no frio para acelerar a circulação e ajudar a produzir calor. No entanto, se as palpitações vierem acompanhadas de tontura, falta de ar ou dor no peito, você deve procurar um médico.

    3. Tomar banho muito quente logo após sair do frio faz mal para o coração?

    Pode ser perigoso para quem tem problemas cardíacos. A mudança brusca do ambiente gelado para a água muito quente causa uma dilatação rápida dos vasos (vasodilatação), o que pode fazer a pressão despencar repentinamente, provocando tonturas, desmaios ou arritmias.

    4. Quem toma remédio para pressão alta precisa mudar a dose no inverno?

    Apenas se houver orientação médica. Como a pressão tende a subir no frio, o médico pode ajustar a medicação após uma consulta. Nunca altere a dose ou interrompa o tratamento por conta própria, pois isso pode causar crises hipertensivas graves.

    5. O uso de aquecedores elétricos em casa ajuda a proteger o coração?

    Ajuda, pois mantém o ambiente em uma temperatura confortável, evitando que o corpo precisa fazer vasoconstrição constante. No entanto, lembre-se de manter uma bacia de água no quarto para o ar não ficar muito seco, o que prejudica as vias respiratórias.

    6. Por que as extremidades (mãos e pés) ficam tão frias?

    É um mecanismo de defesa. O corpo prioriza mandar o sangue quente para os órgãos vitais localizados no tórax e no abdômen (incluindo o coração). Por isso, ele “fecha” a circulação das pontas dos dedos, orelhas e nariz.

    7. Tomar a vacina da gripe ajuda a proteger o coração no frio?

    Sim, com certeza. Como as infecções respiratórias graves (como a gripe) causam uma inflamação intensa no corpo capaz de romper placas de gordura nas artérias, estar vacinado reduz drasticamente esse gatilho inflamatório, protegendo indiretamente o coração.

    8. Café ou chá preto bem quentes ajudam a proteger o coração nos dias frios?

    Bebidas quentes são ótimas para ajudar a aquecer o corpo, mas é preciso moderação com a cafeína. O café e o chá preto em excesso são estimulantes que podem aumentar os batimentos cardíacos e a pressão arterial, que já tendem a estar mais altos por causa do frio. Prefira chás de ervas sem cafeína, como camomila ou erva-doce.

    9. Por que urinamos mais no frio e como isso afeta o coração?

    Quando o corpo contrai os vasos sanguíneos periféricos para reter calor, mais sangue se concentra na região central do corpo.

    O organismo interpreta esse aumento de volume central como um sinal de que há excesso de líquido e estimula os rins a produzirem mais urina. Se você urina mais e não se hidrata adequadamente, o sangue fica mais denso, prejudicando a circulação.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca? Descubra 

    Batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca? Descubra 

    Sentir o coração disparar de repente é uma experiência que assusta qualquer pessoa. Muitas vezes, essa aceleração é apenas uma resposta natural do corpo — pode acontecer durante a prática de exercícios, em situações de estresse ou logo após um susto.

    Mas nem sempre é algo passageiro. Em alguns casos, os batimentos rápidos e fora do ritmo podem indicar uma arritmia cardíaca, um distúrbio no sistema elétrico que comanda o funcionamento do coração. Reconhecer essa diferença é muito importante para saber quando é hora de procurar ajuda médica.

    O que causa batimentos acelerados?

    É normal que nosso coração acelere em resposta a vários fatores, como durante um exercício físico, uma emoção forte ou um susto. “Isso é chamado de taquicardia sinusal, um ritmo cardíaco normal, apenas mais rápido”, explica o cardiologista Pablo Cartaxo.

    Uma arritmia cardíaca, por outro lado, é uma alteração nesse ritmo considerado normal. Na arritmia, o coração pode bater rápido demais (taquiarritmia), mas também devagar demais (bradiarritmia) ou de forma totalmente irregular.

    “A arritmia é como uma falha no ‘circuito elétrico’ que comanda o coração, podendo ocorrer até mesmo em repouso”, diz o médico.

    Ou seja, os batimentos acelerados podem ter relação ou não com arritmias. Algumas causas são normais e fisiológicas, outras estão ligadas a doenças e a outros problemas:

    • Acelerações normais (sinusais): esforço físico, ansiedade, estresse, excesso de cafeína, febre e desidratação;
    • Causas não cardíacas: alterações da tireoide, apneia do sono, desequilíbrio de eletrólitos no sangue;
    • Causas cardíacas: cicatrizes de infarto, dilatação das câmaras do coração ou doenças congênitas que afetam o sistema elétrico.

    Além disso, ansiedade e estresse também podem causar aceleração sem ser, de fato, uma arritmia cardíaca. “Eles ativam o sistema de ‘luta ou fuga’ do corpo, liberando adrenalina, e um dos efeitos diretos é o aumento da frequência cardíaca”, diz o médico.

    Essa é uma sensação desconfortável, mas que não costuma representar perigo. No entanto, em pessoas com predisposição, picos de estresse podem servir de gatilho para arritmias verdadeiras.

    Sinais de alerta de arritmia cardíaca

    As palpitações já merecem investigação, mas há sintomas que exigem ainda mais atenção, já que podem estar relacionados a uma arritmia cardíaca:

    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Desmaio (síncope);
    • Falta de ar intensa;
    • Dor ou desconforto no peito.

    Esses sinais indicam que a arritmia cardíaca pode estar comprometendo a circulação sanguínea do corpo, o que requer atendimento médico imediato.

    Exames de diagnóstico e tratamento para arritmias

    O diagnóstico começa no consultório, com avaliação clínica detalhada. Mas, como muitas arritmias são intermitentes, exames complementares são indispensáveis:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração no momento do exame;
    • Holter 24 horas: monitora continuamente os batimentos ao longo de um dia inteiro;
    • Ecocardiograma: avalia a estrutura e a função do coração;
    • Teste ergométrico (teste de esforço): analisa como o coração reage durante atividade física.

    O médico destaca que nem toda arritmia cardíaca precisa de tratamento. Há arritmias benignas que não exigem intervenção, mas o tratamento é fundamental quando há risco de complicações.

    “A intervenção é indicada quando a arritmia causa sintomas, afeta a qualidade de vida ou, mais importante, quando representa risco de complicações graves, como AVC, interferência na função cardíaca ou morte súbita.”

    Nesses casos, o tratamento das arritmias depende do tipo e da gravidade. Em alguns pacientes, o controle pode ser feito apenas com medicamentos antiarrítmicos.

    Quando há maior risco, podem ser indicados procedimentos como a ablação por cateter, que elimina os focos elétricos anormais, ou o implante de dispositivos, como o marca-passo.

    Veja mais: Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova

    Fatores de risco para arritmias e como prevenir

    Algumas condições aumentam a probabilidade de desenvolver arritmias:

    • Idade avançada;
    • Pressão alta;
    • Diabetes;
    • Obesidade;
    • Consumo excessivo de álcool ou cafeína;
    • Tabagismo;
    • Apneia do sono;
    • Presença de doença cardíaca prévia, como a coronariana.

    A prevenção de arritmias envolve cuidados com o estilo de vida e controle de doenças associadas.

    “Isso inclui dieta balanceada, atividade física regular, gerenciamento do estresse, sono de qualidade, moderação no álcool e na cafeína e, fundamentalmente, o tratamento adequado de condições como pressão alta e diabetes”, reforça o especialista.

    O check-up cardiológico regular é a melhor forma de identificar e tratar problemas precocemente.

    Leia mais: Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Perguntas Frequentes sobre arritmia e batimentos acelerados

    1. Batimentos acelerados sempre indicam arritmia cardíaca?

    Não. Eles podem ser apenas resposta a esforço físico, ansiedade, febre ou consumo de cafeína.

    2. Como diferenciar taquicardia normal de arritmia cardíaca?

    Na taquicardia sinusal (“normal”) o coração bate mais rápido, mas o ritmo continua organizado e previsível, comum em situações como esforço físico e estresse. Já nas arritmias, o ritmo se torna irregular ou anormal, podendo acelerar, desacelerar ou apresentar batidas fora de ordem, mesmo em repouso.

    3. A ansiedade pode causar palpitações perigosas?

    Geralmente não, mas pode funcionar como gatilho para arritmias em pessoas predispostas.

    4. Quais exames ajudam a diagnosticar arritmia?

    Eletrocardiograma, Holter de 24h, ecocardiograma e teste ergométrico são os principais.

    5. Toda arritmia precisa de tratamento?

    Não. Algumas são benignas. O tratamento é necessário quando causam sintomas, afetam a vida ou oferecem risco de complicações.

    6. Quais fatores aumentam o risco de arritmia?

    Idade avançada, pressão alta, diabetes, obesidade, álcool, cafeína, tabagismo, apneia do sono e doenças cardíacas.

    7. Como prevenir arritmias?

    Com estilo de vida saudável, controle de doenças como hipertensão e diabetes, sono de qualidade, menos estresse e check-ups regulares.

    Confira: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

  • Quer começar a correr? Veja se é preciso ir ao cardiologista antes

    Quer começar a correr? Veja se é preciso ir ao cardiologista antes

    A vontade de calçar o tênis e simplesmente sair correndo pode aparecer do nada, ou surgir pela intenção de melhorar a saúde, entrar em forma ou apenas desestressar. Mas aí vem a dúvida: é preciso mesmo passar no cardiologista antes para avaliar a saúde do coração?

    Correr é uma das formas mais simples e acessíveis de se exercitar, pois não precisa de mensalidade na academia, dá para fazer sozinho e ainda traz resultados rápidos. Só que, como em qualquer atividade física, é importante respeitar o corpo e começar do jeito certo para evitar sustos e fazer com que o novo hábito dure por muito tempo.

    Quando é necessário fazer avaliação médica antes de correr

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, conta que, se a pessoa não tiver nenhum sintoma de problemas cardíacos, for jovem e sem fatores de risco, ela pode começar a fazer corrida com intensidade leve.

    “Mas é prudente fazer uma avaliação médica antes, especialmente para quem está sedentário ou tem histórico familiar de problemas cardíacos”, recomenda.

    Mesmo quem é jovem pode se beneficiar de uma avaliação preventiva. Quem tem histórico familiar de problemas cardíacos ou está há muito tempo parado, o ideal é passar no consultório antes de acelerar o passo.

    Segundo o cardiologista, alguns sinais indicam que é melhor procurar avaliação médica antes de continuar os treinos:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar desproporcional ao esforço;
    • Palpitações (sensação de coração acelerado ou batendo irregular);
    • Tontura;
    • Desmaios.

    “Esses sintomas não devem ser ignorados, mesmo em jovens”, aconselha.

    Leia Mais: Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    Quais exames o cardiologista pode pedir

    Para avaliar se o coração está pronto para encarar os treinos, os exames mais comuns são:

    • Eletrocardiograma;
    • Teste ergométrico;
    • Ecocardiograma.

    “Esses exames ajudam a identificar alterações que poderiam representar risco durante a atividade física, como arritmias e isquemia”, explica o cardiologista.

    Benefícios da corrida para o coração

    A corrida não é só boa para a disposição, ela também fortalece o coração de várias formas. “Melhora a função cardíaca, reduz a pressão arterial, o colesterol ruim (LDL), melhora o bom colesterol (HDL), diminui a inflamação e o risco de arritmias”, conta o especialista.

    Mas quem tem pressão alta ou colesterol elevado precisa ter um pouco mais de cuidado antes de correr. “Essa pessoa precisa de acompanhamento médico para ajustar medicações e controlar os fatores de risco. O exercício faz parte do tratamento”.

    Se você é sedentário e quer começar a correr, a pressa é inimiga da saúde. Comece devagar e siga estas dicas do cardiologista:

    Por que correr demais ou sem orientação pode ser perigoso

    Nada de exagerar. “O esforço excessivo e súbito pode causar arritmias, aumento de pressão e, em casos raros, eventos cardíacos como parada cardiorrespiratória e morte súbita”, alerta Giovanni.

    O segredo está no equilíbrio. “É importante respeitar os limites, seguir um plano progressivo e fazer acompanhamento médico e físico adequado”, aconselha.

    Confira: Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca?

    Perguntas frequentes sobre corrida e cardiologista

    1. Preciso ir ao cardiologista antes de correr se sou jovem e saudável

    Não é obrigatório, mas é recomendado se você está sedentário ou tem histórico familiar de problemas cardíacos.

    2. Quais exames são mais comuns antes de começar a correr

    Eletrocardiograma, teste ergométrico e, em casos específicos, ecocardiograma.

    3. Posso correr com pressão alta?

    Sim, mas com acompanhamento médico para ajustar os remédios e controlar os fatores de risco.

    4. Posso correr com colesterol alto?

    Sim, e a corrida pode ajudar a reduzi-lo, desde que com supervisão médica.

    5. A corrida pode causar problemas no coração?

    Quando feita de forma exagerada ou sem preparo, pode trazer riscos, mas com acompanhamento é segura e faz bem.

    6. Começar correndo é melhor do que começar caminhando?

    Para iniciantes, o ideal é começar com caminhadas e progredir pouco a pouco.

    7. Posso correr se já tive problemas no coração?

    Depende do caso. É muito importante uma avaliação médica com cardiologista antes de retomar as atividades.

    8. Correr faz bem para a saúde mental também?

    Sim! A corrida libera endorfina, diminui o estresse e melhora o humor.

    Veja também: Correr desgasta o joelho? Saiba quando a corrida pode ser prejudicial e como evitar problemas

  • Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    O coração trabalha 24 horas por dia, sem pausa para descanso. E, assim como um carro que precisa de revisão para não quebrar no meio da estrada, o coração também merece atenção preventiva. É aí que entra o check-up cardíaco, um conjunto de exames que ajuda a identificar riscos e prevenir problemas antes que eles apareçam.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, explica que a partir dos 40 anos mesmo quem não tem fatores de risco já deve começar a avaliação.

    “Mas se houver histórico familiar de doenças cardíacas, diabetes, hipertensão ou colesterol alto, o check-up deve começar antes, por volta dos 30 ou 35 anos”, recomenda.

    Quando começar o check-up do coração

    Se você tem um histórico familiar de infarto ou AVC, a recomendação é antecipar o check-up cardíaco.

    “Se um parente de primeiro grau teve infarto ou AVC antes dos 55 anos, no caso de homens, ou 65 anos, para mulheres, é indicado iniciar a avaliação 10 anos antes da idade em que o evento ocorreu”, orienta Giovanni.

    Exames básicos que fazem parte do check-up cardíaco

    Segundo o cardiologista, todo check-up começa com exames essenciais:

    • Eletrocardiograma: exame que registra a atividade elétrica do coração e ajuda a detectar arritmias.
    • Dosagem de colesterol e glicemia: exame que mede as gorduras e o açúcar no sangue, fatores ligados a doenças cardíacas.
    • Avaliação da pressão arterial: verifica se a pessoa tem pressão alta, um dos maiores problemas para o coração.

    Exames complementares que podem ser solicitados no check-up cardíaco

    Dependendo do perfil e histórico da pessoa, o médico pode pedir outros exames do coração para avaliar pontos específicos. Alguns deles são:

    • Ecocardiograma: ultrassom que mostra o funcionamento do coração.
    • Teste ergométrico: é o famoso teste da esteira, que avalia o desempenho do coração sob esforço intenso.
    • MAPA ou Holter: monitoram a pressão arterial ou o ritmo cardíaco por 24 horas.
    • Cintilografia miocárdica ou angiotomografia coronariana: em casos selecionados, para avaliar fluxo sanguíneo e artérias do coração.

    Esses são exames para prevenir infarto e outros problemas cardiovasculares.

    Homens e mulheres: exames iguais, mas atenção diferente

    De maneira geral, os homens e as mulheres fazem os mesmos exames do coração. “No entanto, mulheres podem apresentar sintomas atípicos de doenças cardíacas e, por isso, a avaliação pode incluir exames mais específicos”, diz o médico.

    “A menopausa também é um fator de risco e devemos estar atentos a esse período de vida das mulheres”, alerta o cardiologista. Nessas situações, o médico pode recomendar exames extras.

    Com que frequência repetir os exames

    A resposta depende do risco cardiovascular de cada um. A partir do primeiro check-up cardíaco, o médico saberá dizer quando deve ser feito o próximo.

    • Baixo risco, sem outros fatores de risco: a cada 2 a 3 anos.
    • Risco moderado: anualmente.
    • Alto risco ou portadores de doenças cardiovasculares: anual ou até semestral, conforme orientação médica.

    Check-up cardiológico detecta risco de infarto?

    Sim, o check-up cardíaco consegue detectar risco de infarto, conta o cardiologista.

    “Por meio da análise dos fatores de risco e exames, é possível estimar a chance de eventos cardiovasculares e adotar medidas preventivas”, afirma o médico.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto conta que exames como escore de cálcio e teste ergométrico podem identificar placas nas artérias ou isquemia silenciosa, que é quando o coração sofre falta de sangue sem causar sintomas.

    Sintomas que merecem atenção fora da rotina

    Apesar de fazer o check-up regularmente, não espere a data do próximo exame cardiológico para procurar ajuda se sentir:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar ao se esforçar;
    • Tontura ou desmaios;
    • Palpitações;
    • Inchaço nas pernas.

    Esses são sinais que você deve procurar um médico imediatamente para investigar o que está acontecendo.

    Check-up cardiológico normal significa risco zero?

    Infelizmente, não. “O risco cardiovascular pode mudar com alterações nos hábitos, peso, pressão e colesterol. Por isso, mesmo com exames normais, é fundamental manter hábitos saudáveis e reavaliar periodicamente”, reforça o Dr. Giovanni.

    Veja também: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    Perguntas frequentes sobre check-up cardíaco

    1. Check-up cardíaco dói?

    Não. Os exames são simples e não invasivos na maioria dos casos.

    2. Preciso fazer jejum para o check-up?

    Para exames de sangue, sim, geralmente de 8 a 12 horas.

    3. Posso fazer check-up grávida?

    Alguns exames são seguros, mas é preciso informar o médico para adaptar a avaliação.

    4. Quanto custa um check-up cardíaco?

    O valor varia conforme a quantidade de exames solicitados e o local. Os planos de saúde também cobrem os exames que constam no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

    5. Atletas também precisam fazer check-up?

    Sim. A avaliação ajuda a garantir que o coração está preparado para esforços intensos.

    6. Quem nunca teve sintomas precisa fazer?

    Sim. O objetivo é prevenir e identificar riscos antes dos sintomas aparecerem e manter a saúde do coração.

    7. Existe idade máxima para fazer check-up?

    Não. A avaliação é importante em qualquer fase da vida.

    8. O check-up substitui hábitos saudáveis?

    De forma alguma. Ele complementa a prevenção, para que os médicos consigam intervir precocemente caso necessário, mas não dispensa alimentação equilibrada, exercícios e controle do estresse.

    Confira: Como organizar um check-up médico anual? Veja algumas dicas que podem te ajudar

  • Pressão alta faz mal para os rins: veja como proteger a saúde renal

    Pressão alta faz mal para os rins: veja como proteger a saúde renal

    A pressão alta é conhecida como um fator de risco para doenças cardíacas, mas o que muita gente não sabe é que ela também pode afetar os rins, órgãos essenciais para filtrar o sangue e manter o corpo funcionando bem. Quando a pressão alta não é controlada, a saúde dos rins sofre.

    E o mais alarmante é que, quando os danos aparecem, muitas vezes já é tarde demais, como os casos de insuficiência renal. Entender essa relação é o primeiro passo para prevenir complicações graves.

    Neste artigo, você vai entender como a hipertensão afeta os rins, quais são os sinais de alerta, e que mudanças você pode fazer na sua vida para proteger a saúde dos rins.

    O que é pressão alta e por que ela prejudica os rins?

    A pressão alta, ou hipertensão arterial, acontece quando a pressão do sangue nas artérias está constantemente alta, acima de 130×85 em pelo menos duas medições. Ela pode atingir pessoas de todas as idades, mas é mais comum entre idosos, pessoas com diabetes, obesidade, doenças cardíacas e histórico familiar de doenças renais.

    A grande armadilha é que, muitas vezes, os sintomas da pressão alta não são percebidos e ela vai causando danos silenciosamente. Além de coração e cérebro, os rins também são afetados e podem perder parte de sua função com o tempo.

    Como a pressão alta afeta os rins?

    Os rins filtram o sangue, mandam toxinas embora e mantêm o equilíbrio de líquidos dentro do organismo. Quando a pressão está sempre alta, os vasos sanguíneos que irrigam os rins sofrem. Isso reduz o fluxo de sangue e dificulta o trabalho dos rins.

    “Da mesma forma, a doença renal crônica pode desencadear um aumento dos níveis da pressão, o que também eleva o risco de doenças cardiovasculares e morte”, diz Edilza Câmara Nóbrega, médica cardiologista pelo InCor-HCFMUSP.

    4 doenças renais relacionadas à hipertensão

    As doenças renais mais comuns causadas ou agravadas pela pressão alta são as abaixo.

    1. Nefroesclerose hipertensiva

    É quando os vasos sanguíneos dentro dos rins vão sendo danificados pela pressão alta. Com o tempo, isso causa cicatrizes e os rins vão perdendo a capacidade de funcionar. É uma das principais causas de falência dos rins em quem tem pressão alta.

    2. Glomeruloesclerose

    Os glomérulos são como filtros minúsculos dentro dos rins. Essa doença endurece e danifica esses filtros. A pressão alta pode piorar esse problema, dificultando ainda mais o trabalho dos rins.

    3. Lesão renal aguda

    É quando os rins param de funcionar de repente. Pode acontecer por várias razões, e a pressão alta descontrolada é uma delas. Nesse caso, o corpo não consegue eliminar bem as toxinas, o que pode ser perigoso e precisa de atenção médica urgente.

    4. Doença renal policística

    É uma condição hereditária, ou seja, passa de pais para filhos, em que se formam vários cistos (bolsas cheias de líquido) nos rins. Esses cistos crescem com o tempo e a pressão alta pode fazer a doença evoluir mais rápido.

    Sinais de que os rins podem estar sendo afetados pela pressão alta

    A maioria dos problemas renais evolui sem sintomas no começo. Mas, com o tempo, alguns sinais podem indicar que os rins estão comprometidos. Veja alguns deles.

    Inchaço

    Quando os rins não conseguem eliminar o excesso de líquido do corpo, ele pode se acumular nas pernas, tornozelos e pés, causando inchaço. Esse costuma ser um dos primeiros sinais de problema renal.

    Mudanças na urina

    Preste atenção se você começar a urinar muito mais ou muito menos que o normal, se a urina estiver escura, com sangue ou se formar muita espuma. Essas alterações podem indicar que algo não vai bem com os rins.

    Cansaço sem motivo aparente

    Se você anda se sentindo muito cansado, mesmo dormindo bem e sem estar doente, pode ser que os rins não estejam filtrando o sangue como deveriam.

    Náuseas e vômitos

    Quando os rins não funcionam direito, o corpo acumula substâncias que deveriam ser eliminadas. Isso pode causar enjoo e até vômitos frequentes.

    Falta de apetite

    Se você tem sentido menos vontade de comer sem uma causa clara, isso também pode estar ligado a um problema nos rins. Vale investigar com um médico.

    Coceira no corpo

    O acúmulo de resíduos no sangue pode causar coceira constante na pele, principalmente quando os rins começam a falhar.

    Falta de ar

    O acúmulo de líquido no corpo, por causa do mau funcionamento dos rins, pode chegar aos pulmões e dificultar a respiração.

    Confira: Falta de ar: quando pode ser problema do coração 

    Dor nas costas

    Dor nas costas na região lombar também pode estar relacionadas a problemas renais.

    Como proteger seus rins da pressão alta?

    “Para controlar a pressão alta e evitar danos renais é fundamental adotar uma abordagem abrangente que inclua tanto medidas medicamentosas quanto mudanças no estilo de vida”, comenta Edilza. Veja o que fazer.

    Remédios

    Remédios para pressão alta devem ser usados quando o médico prescrever. “Mesmo que a pressão esteja sob controle, não pare os remédios por conta própria”, alerta a cardiologista.

    7 mudanças no estilo de vida para proteger seus rins

    • Boa alimentação: frutas, legumes, grãos integrais e menos sal. A dieta DASH é ótima para isso.
    • Exercício físico regular: 30 minutos de caminhada ou outra atividade aeróbica quase todos os dias.
    • Controlar o peso: manter o peso adequado ajuda a reduzir a pressão arterial.
    • Evitar cigarro e bebida alcoólica: eles prejudicam o sistema cardiovascular e renal.
    • Gerenciar o estresse e dormir bem: um bom sono e técnicas de relaxamento ajudam a controlar a pressão.
    • Acompanhamento médico: faça exames de sangue e urina regularmente e meça a pressão com frequência.
    • Medir a pressão arterial em casa: usar aparelhos em casa pode ajudar a acompanhar o tratamento da hipertensão e evitar problemas nos rins.Saiba mais: Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    Perguntas frequentes sobre pressão alta e saúde dos rins

    1. Toda pessoa com pressão alta terá problemas nos rins?

    Não necessariamente. Mas quando a pressão alta não é tratada, ela pode, sim, afetar os rins com o tempo.

    2. Quem tem problema nos rins pode ter pressão alta?

    Sim. Há uma relação de mão dupla entre doença renal e pressão alta, ou seja, um problema nos rins pode causar pressão alta.

    3. Como saber se meus rins estão sendo afetados?

    Com exames de creatinina, taxa de filtração glomerular e exame de urina, pedidos por um médico.

    4. Só o remédio resolve a pressão alta?

    Os remédios são importantes, mas os hábitos saudáveis fazem toda a diferença no controle da pressão alta.

    5. A alimentação faz diferença na saúde dos rins?

    Sim. Comer bem, com pouco sal e alimentos naturais, ajuda a controlar a pressão alta e a saúde dos rins.

    6. Quais exames devo fazer para acompanhar minha saúde renal?

    Os principais exames são a dosagem de creatinina no sangue, a taxa de filtração glomerular (TFG) e o exame de urina tipo 1. Eles ajudam a identificar alterações na função dos rins, mesmo antes dos sintomas aparecerem.

    7. É possível reverter o problema nos rins causado pela pressão alta?

    Em muitos casos, os danos renais não são reversíveis. Por isso, o mais importante é identificar cedo e controlar a pressão para evitar que o problema avance.

    8. A dor nos rins é um sinal comum de hipertensão?

    Nem sempre. A maioria dos problemas renais causados por pressão alta não provoca dor no início. A dor costuma aparecer apenas em casos mais avançados, quando os rins já estão com problema, ou quando há outra condição associada, como infecção ou pedra nos rins.

    9. Crianças e jovens também precisam se preocupar com pressão alta?

    Sim. Embora mais comum em adultos, a pressão alta também pode afetar crianças e adolescentes, principalmente em casos de obesidade, sedentarismo ou histórico familiar. Por isso, o acompanhamento médico desde cedo é importante.

    10. Tomar muita água ajuda a proteger os rins?

    Manter-se hidratado é importante para a saúde dos rins, mas só a água não previne os danos causados pela pressão alta. O controle da pressão e hábitos saudáveis são essenciais para proteger os rins. Consulte seu médico.

    Leia também: Como o excesso de sal afeta o coração, os rins e a pressão arterial

  • Como o excesso de sal afeta o coração, os rins e a pressão arterial

    Como o excesso de sal afeta o coração, os rins e a pressão arterial

    Você já deve ter ouvido que o sal em excesso faz mal, mas você sabe o que realmente acontece dentro do corpo quando você exagera no consumo?

    O sódio, mineral presente no sal de cozinha, é especialmente necessário para regular o ritmo cardíaco e a transmissão de impulsos nervosos, só que quando ele aparece em excesso no organismo, o corpo retém mais água para tentar equilibrar a concentração do mineral no sangue.

    Como consequência, aumenta o volume de sangue circulando nas artérias, o que pode elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração ao longo do tempo. Para se ter uma ideia, o consumo excessivo de sal (cloreto de sódio) é um dos maiores fatores de risco para doenças crônicas e mortalidade precoce no Brasil e no mundo.

    O papel do sal no organismo

    O sal de cozinha, chamado de cloreto de sódio, é a principal fonte de sódio na alimentação, representando cerca de 74% do consumo, principalmente quando adicionado ao preparo de alimentos. Em pequenas quantidades, ele participa de várias funções essenciais para a manutenção da vida, como:

    • Regular o equilíbrio de líquidos no organismo, ajudando a manter a quantidade adequada de água dentro e fora das células;
    • Ajudar no controle da pressão arterial e na manutenção do volume de sangue circulando pelo corpo;
    • Participar da transmissão dos impulsos nervosos, permitindo a comunicação entre o cérebro, os nervos e os músculos;
    • Auxiliar na contração dos músculos, incluindo o músculo cardíaco, fundamental para os batimentos do coração;
    • Contribuir para o funcionamento adequado das células e para diversos processos metabólicos essenciais ao organismo.

    Vale apontar que o problema não é a presença do sal, mas a concentração. O corpo humano precisa de quantidades muito pequenas para realizar as funções, o equivalente a cerca de 1,5g a 2g de sódio por dia. Qualquer valor muito acima disso pode favorecer a retenção de líquidos e aumentar o risco de pressão alta ao longo do tempo.

    Quais os riscos do excesso de sal para a saúde?

    O excesso de sal afeta diretamente o revestimento interno das artérias, segundo a cardiologista Juliana Soares. O organismo produz uma substância chamada óxido nítrico, responsável por promover o relaxamento dos vasos sanguíneos e permitir que o sangue circule de forma adequada.

    Quando há sódio em excesso no organismo, a ação do óxido nítrico pode ser prejudicada e, consequentemente, os vasos sanguíneos ficam mais contraídos e o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue. Com o passar do tempo, a sobrecarga pode deixar o músculo cardíaco mais espesso e aumentar o risco de problemas, como:

    • Hipertensão arterial;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Infarto;
    • AVC (acidente vascular cerebral);
    • Doença renal crônica;
    • Retenção de líquidos e inchaço;
    • Maior rigidez das artérias e piora da circulação sanguínea.

    De acordo com estudos, dietas com altíssimo teor de sal (sódio) também danificam a mucosa do estômago, agindo como um irritante crônico que aumenta significativamente o risco de inflamações (gastrite), úlceras e o desenvolvimento de tumores, especialmente o adenocarcinoma gástrico.

    Sinais de que você está consumindo sódio demais

    O excesso de sódio nem sempre provoca sintomas claros no início, mas o corpo pode enviar pequenos alertas quando os níveis de sal estão altos demais na dieta. Alguns deles incluem:

    • Se você sente que não consegue saciar a sede, mesmo bebendo água regularmente;
    • Dores de cabeça frequentes e latejantes, devido a dilatação dos vasos sanguíneos no cérebro;
    • Alterações no paladar, em que você precisa de mais sal para conseguir sentir o sabor dos alimentos;
    • Alterações na urina, como ir ao banheiro frequentemente ou urina mais escura e concentrada;
    • Aumento da pressão arterial, que pode causar tonturas e palpitações em algumas pessoas.

    Algumas pessoas também podem perceber sensação de retenção de líquido, ganho rápido de peso relacionado ao inchaço e desconforto após refeições muito salgadas.

    Como reduzir o sal sem perder o sabor?

    1. Aposte nas ervas aromáticas e nas especiarias

    As ervas aromáticas são ótimas substitutas do sal, porque adicionam mais sabor e aroma aos pratos. Veja algumas dicas:

    • Para carnes vermelhas: alecrim, tomilho, alho e cominho;
    • Para aves e peixes: limão, coentro, sálvia e salsinha;
    • Para massas e molhos: manjericão fresco e orégano.

    Além de deixarem os preparos mais saborosos, os temperos naturais ajudam o paladar a se adaptar gradualmente a menos sal.

    2. Use ingredientes ácidos

    Os sabores ácidos ajudam a realçar o gosto dos alimentos de forma semelhante ao sal. O limão e os vinagres, como o de maçã e o balsâmico, podem ser usados na finalização das saladas, das carnes, das sopas e dos legumes.

    3. Use bastante alho e cebola

    O alho e a cebola deixam os preparos naturalmente mais saborosos. Quando são bem refogados, eles liberam aromas e sabores marcantes que diminuem a necessidade de exagerar no sal. Outros ingredientes naturais, como o alho-poró e a cebolinha, também podem ajudar a enriquecer os pratos.

    4. Prepare um sal de ervas caseiro

    O sal de ervas é uma alternativa prática para reduzir o consumo de sódio no dia a dia. A mistura pode ser feita com parte de sal e parte de ervas secas, como o orégano, o alecrim e o manjericão. Com mais aroma e volume, o tempero ajuda a usar menos sal sem comprometer o sabor das refeições.

    5. Tome cuidado com os molhos prontos

    Os molhos industrializados, como o shoyu, o ketchup, os temperos prontos e os molhos para salada, costumam concentrar grandes quantidades de sódio. Sempre que possível, prefira os molhos caseiros preparados com o azeite, o limão, as ervas naturais e as especiarias.

    6. Tire o saleiro da mesa

    Muitas pessoas têm o hábito de adicionar mais sal à comida antes mesmo de provar o prato. Retirar o saleiro da mesa ajuda a diminuir o comportamento e incentiva uma percepção mais natural do sabor dos alimentos.

    7. Leia os rótulos dos alimentos

    A maior parte do sódio consumido no dia a dia provém dos alimentos industrializados, inclusive aqueles considerados saudáveis, como sopas instantâneas, cereais matinais, pães de forma, bebidas esportivas e refrigerantes.

    A forma mais fácil de saber se um alimento tem muito sódio é olhar a tabela nutricional da embalagem. Pelas regras da Anvisa, alimentos com grande quantidade de sódio precisam exibir uma lupa de alerta na embalagem, indicando que aquele produto tem alto teor do mineral.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre sal e sódio?

    O sal de cozinha (cloreto de sódio) é composto por cerca de 40% de sódio e 60% de cloro. O sódio é o mineral que causa a retenção de líquidos e o aumento da pressão arterial quando em excesso.

    2. O sal rosa do Himalaia é mais saudável?

    Embora contenha mais minerais, a quantidade de sódio é quase a mesma do sal comum. Ele deve ser consumido com a mesma moderação que o sal branco.

    3. O sal marinho é melhor que o refinado?

    O sal marinho não passa pelo processo de refinamento e preserva alguns minerais, mas o seu teor de sódio é equivalente ao do sal refinado.

    4. Como saber se um alimento industrializado tem muito sal?

    Verifique o rótulo: se o alimento possuir mais de 400 mg de sódio por cada 100g de produto, ele é considerado rico em sal.

    5. O sal causa pedra nos rins?

    Sim. O excesso de sódio aumenta a excreção de cálcio na urina, o que favorece a formação de cristais e cálculos renais.

    6. Posso substituir o sal pelo sal de potássio (sal light)?

    Sim, mas com cautela. Ele ajuda a reduzir o sódio, mas pessoas com problemas renais devem evitar o sal de potássio sem orientação médica.

    7. Quais alimentos “escondem” mais sódio?

    Refrigerantes (inclusive os diet), pães de forma, temperos prontos (caldos em cubo), embutidos (presunto, salame) e conservas.

    8. Por que sentimos sede após comer algo salgado?

    É uma resposta do cérebro para tentar diluir a alta concentração de sódio no sangue, buscando restaurar o equilíbrio hídrico.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração  

    Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração  

    A primeira ideia que vem à mente quando surge uma dor no peito é um problema cardíaco, como infarto ou angina. Mas nem sempre a origem está exatamente no coração. Questões musculares, digestivas e até emocionais também podem provocar sintomas semelhantes.

    Para esclarecer quando a dor deve ser considerada um alerta sério, conversamos com o cardiologista Pablo Cartaxo. “A dor no peito é um sintoma que gera muita ansiedade, mas nem toda dor nessa região significa um problema no coração”.

    Quais são as possíveis causas da dor no peito?

    Um dos motivos mais frequentes para uma dor no peito é um problema osteomuscular, que envolve ossos, músculos ou articulações da região torácica. “Geralmente está ligada a esforço físico ou má postura”, destaca Pablo Cartaxo.

    Outra causa comum são os problemas gastrointestinais, frequentemente confundidos com dor cardíaca, sendo normalmente relacionados ao refluxo gastroesofágico. “Esses sintomas geralmente têm relação com a alimentação ou com a posição de deitar”, explica Cartaxo.

    Dor no peito e ansiedade também podem estar relacionadas. Crises de ansiedade e estresse ativam o sistema nervoso, liberando adrenalina e acelerando os batimentos cardíacos.

    Por fim, estão as causas cardíacas, que podem ser desencadeadas por esforço físico ou estresse e melhorar com repouso, podendo vir acompanhadas de suor frio, náuseas e sensação de morte iminente. Esse é o tipo de dor que deve ser considerado uma urgência médica.

    Confira: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Como é a dor típica de problema cardíaco?

    A dor cardíaca clássica está ligada à angina (falta de sangue e oxigênio no coração) ou ao infarto. Segundo Cartaxo, nesses casos, a dor causa “um aperto ou peso no centro do tórax, que pode irradiar para braços, mandíbulas ou costas, piorando com o esforço”.

    O médico alerta que outras doenças cardíacas também causam dor:

    • Pericardite: inflamação da membrana que envolve o coração. A dor piora ao deitar e ao respirar fundo, mas melhora quando a pessoa inclina o tronco para a frente.
    • Dissecção de aorta: emergência gravíssima. A dor surge de forma súbita, muito intensa, descrita como “rasgando” o peito e irradiando para as costas. Exige atendimento imediato.

    Segundo Pablo Cartaxo, um dos maiores mitos é acreditar que a dor no peito cardíaca é sempre insuportável. O cardiologista alerta: “A dor cardíaca pode se manifestar como um leve desconforto, uma pressão sutil ou até mesmo uma sensação estranha no peito”.

    Ele explica que mulheres, idosos e diabéticos muitas vezes apresentam sintomas atípicos, como dor abdominal, náuseas ou apenas mal-estar. Esses sinais discretos podem mascarar um infarto, tornando fundamental valorizar qualquer desconforto novo.

    Veja também: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

    Sintomas que reforçam a suspeita de origem cardíaca

    Além da dor, outros sintomas são fortes indícios de problema no coração:

    • Falta de ar súbita ou ao realizar esforços leves;
    • Suor frio inesperado;
    • Náuseas, vômitos ou mal-estar geral;
    • Tontura ou sensação de desmaio iminente.

    Se esses sintomas estiverem presentes junto com a dor no peito, não deixe de procurar ajuda médica para uma avaliação detalhada.

    Leia mais: Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa

    Quando a dor pode não ser do coração?

    Esses sintomas citados acima normalmente relacionam a dor no peito a uma causa cardíaca, mas nem toda dor no peito tem relação com o coração. Algumas características ajudam a diferenciar:

    • Dor muscular: localizada, piora com movimento ou ao pressionar a região;
    • Dor digestiva: sensação de queimação que sobe do estômago ou piora após refeições;
    • Estresse e ansiedade: podem gerar dor no peito, palpitações e falta de ar.

    De qualquer forma, o recado do especialista é claro. “Na dúvida, procure ajuda. Interrompa o que estiver fazendo e repouse”, diz Cartaxo. “Se a dor for forte, nova ou vier com outros sintomas (falta de ar, suor), acione um serviço de emergência (SAMU 192) ou vá imediatamente a um pronto-socorro. Não dirija e nunca se automedique”.

    Exames que ajudam no diagnóstico

    O cardiologista explica que, assim que o paciente chega ao pronto-socorro com dor no peito, são realizados exames como o eletrocardiograma (ECG) e exames de sangue, como a troponina, para detectar danos no músculo cardíaco.

    “A partir daí, para uma investigação completa, o cardiologista pode solicitar exames de imagem como o ecocardiograma e a angiotomografia coronariana, ou testes para avaliar o coração em esforço, como cintilografia miocárdica. Em casos específicos, o cateterismo cardíaco pode ser necessário”.

    Confira:

    Perguntas Frequentes sobre dor no peito

    1. Toda dor no peito é do coração?

    Não. Ela pode ter origem muscular, digestiva, emocional ou respiratória.

    2. Como diferenciar dor cardíaca de muscular?

    A dor cardíaca é um aperto ou peso, muitas vezes irradiada para outras partes do corpo. Já a muscular é localizada e piora ao movimentar ou tocar a região.

    3. Dor no peito por ansiedade existe?

    Sim. A ansiedade pode causar dor torácica, mas essa causa só deve ser considerada após exames descartarem causas físicas.

    4. Dor cardíaca sempre é intensa?

    Não. Ela pode ser leve, discreta e até confundida com má digestão, principalmente em mulheres, idosos e diabéticos.

    5. Que exames ajudam a diagnosticar dor no peito?

    Eletrocardiograma, exames de sangue (troponina), ecocardiograma, tomografia e, em alguns casos, cateterismo.

    6. Existem diferenças da dor no peito entre homens e mulheres?

    Sim. Nas mulheres, os quadros de infarto muitas vezes não incluem dor torácica intensa. É mais comum aparecer cansaço extremo, dor nas costas, estômago ou mandíbula, além de náuseas.

    7. Quando procurar ajuda urgente?

    Se a dor for nova, intensa ou vier acompanhada de falta de ar, suor frio, tontura ou mal-estar, deve-se acionar o SAMU (192) ou ir ao pronto-socorro imediatamente.

    Leia também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

  • Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca? 

    Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca? 

    Você já ouviu falar no termo coração de atleta? Quando uma pessoa se exercita com regularidade, o coração passa por mudanças estruturais e funcionais que tornam o funcionamento mais eficiente e adaptado ao esforço.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, as mudanças fazem parte de uma resposta natural do organismo. Um coração adaptado ao exercício consegue bombear mais sangue a cada batimento e, ao mesmo tempo, trabalhar com uma frequência mais baixa, reduzindo o esforço necessário para manter o corpo em funcionamento.

    O especialista esclarece que as mudanças são visíveis em exames como ecocardiograma e eletrocardiograma, mas é importante que médicos e atletas saibam reconhecê-las para não confundi-las com doenças cardíacas. Afinal, o que é uma adaptação de alta performance para um maratonista pode ser um sinal de alerta para uma pessoa sedentária.

    O que acontece com o coração de quem treina pesado?

    Quando você treina com intensidade e regularidade, o coração (que é, essencialmente, um músculo) passa por um remodelamento cardíaco fisiológico. Segundo Giovanni, as mudanças variam conforme o tipo de exercício, mas algumas adaptações são comuns em quem mantém uma rotina de treinos:

    • Câmaras do coração maiores: o ventrículo esquerdo, que bombeia o sangue para o corpo, pode aumentar de tamanho. Isso permite que mais sangue seja enviado a cada batimento, algo muito comum em esportes de resistência, como corrida, natação e ciclismo;
    • Paredes do coração mais fortes: em atividades de força, como musculação e lutas, as paredes do coração podem ficar um pouco mais espessas. Isso acontece como resposta ao esforço e ao aumento da pressão durante o exercício;
    • Mais sangue a cada batimento: o coração treinado consegue bombear uma quantidade maior de sangue em cada contração. Com isso, ele não precisa bater tantas vezes para dar conta das necessidades do corpo;
    • Melhor relaxamento do coração: entre um batimento e outro, o coração consegue relaxar e se encher de sangue com mais facilidade, o que melhora ainda mais o funcionamento.

    Em pessoas com coração de atleta, também é possível observar a redução da frequência cardíaca em repouso, ou bradicardia sinusal, com frequências entre 40 e 60 batimentos por minuto, ou até abaixo disso em atletas de elite.

    Isso é consequência direta do maior volume sistólico: o coração não precisa bater com tanta frequência para cumprir sua função, segundo Giovanni.

    “Mas existe um ponto importante: a bradicardia só é saudável quando assintomática. Se a pessoa apresenta tontura, fadiga, síncope ou intolerância ao exercício com frequências baixas, é necessária avaliação médica, pois pode haver uma bradicardia patológica associada”, complementa o cardiologista.

    Coração de atleta é considerado saudável?

    Na maioria dos casos, sim. Giovanni explica que as modificações do coração do atleta estão associadas a menor risco cardiovascular, maior longevidade e melhor qualidade de vida.

    “Atletas e pessoas fisicamente ativas têm, em média, menor incidência de hipertensão, doença coronariana, insuficiência cardíaca e morte súbita do que sedentários. Isso está diretamente relacionado às adaptações positivas que o exercício regular promove no coração e em todo o sistema cardiovascular” explica o cardiologista.

    Vale destacar que as pessoas ativas também podem desenvolver doenças cardíacas, e alguns problemas que estavam silenciosos podem aparecer justamente durante exercícios mais intensos. Por isso a importância do acompanhamento com um cardiologista, principalmente para quem treina com frequência ou em alta intensidade.

    Como diferenciar o coração de atleta de uma doença cardíaca?

    É preciso fazer uma avaliação cuidadosa para diferenciar o que é uma adaptação saudável do que pode indicar um problema, já que algumas alterações vistas nos exames de atletas podem parecer, à primeira vista, iguais às de doenças cardíacas mais sérias.

    Segundo o Giovanni, alguns pontos ajudam nessa distinção:

    • História clínica e familiar: o médico avalia se existem casos de doenças cardíacas na família. Sintomas como desmaio durante o exercício, palpitações fortes ou dor no peito são um sinal de alerta;
    • Resposta ao tempo sem treino: quando a mudança no coração é apenas uma adaptação ao exercício, ela costuma diminuir ou até desaparecer após um período sem treinar, normalmente entre 3 e 6 meses. Isso não acontece em doenças cardíacas;
    • Exames complementares: podem ser necessários exames mais detalhados, como ressonância cardíaca, teste de esforço, Holter ou outros, para confirmar o diagnóstico.

    “Isso reforça que a avaliação de atletas de alto rendimento deve ser feita por cardiologistas com experiência em medicina esportiva”, diz Giovanni.

    Existe risco em treinar demais?

    A atividade física regular contribui com vários benefícios para o coração, mas existe um limite entre o que é uma adaptação saudável e o que pode virar sobrecarga. Isso vale principalmente para quem pratica esportes de resistência por muitos anos, com treinos muito intensos.

    Segundo Giovanni, a saúde do coração não melhora sem parar conforme você aumenta o treino. Para a maioria das pessoas, a recomendação de 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada já é suficiente para fortalecer o músculo cardíaco, melhorar a circulação e prevenir doenças cardiovasculares.

    Treinar muito além disso pode até melhorar o desempenho, mas não significa, necessariamente, mais saúde.

    Riscos do treinamento extremo (ultra-endurance)

    Pessoas que treinam por muitos anos com volumes e intensidades muito altos, como maratonistas e triatletas, podem apresentar algumas alterações no coração:

    • Fibrilação atrial: aumento na incidência de arritmias cardíacas devido ao estresse crônico nas câmaras superiores do coração (átrios);
    • Fibrose miocárdica: pequenas cicatrizes no tecido do coração resultantes de anos de inflamação e esforço extremo;
    • Calcificação de artérias: em alguns casos, atletas de elite podem apresentar maior acúmulo de cálcio nas coronárias do que pessoas moderadamente ativas.

    Para quem treina em alta intensidade, o acompanhamento cardiológico regular é necessário para garantir que o coração está apenas se adaptando ao esforço, e não sofrendo uma sobrecarga que possa comprometer a saúde a longo prazo.

    Como o exercício transforma o coração sedentário (em qualquer idade)?

    O coração humano é extremamente responsivo à prática de atividades físicas, independentemente da idade em que se começa. Quando você começa uma rotina regular de treinos, nas primeiras semanas, já é possível observar reduções na frequência cardíaca de repouso, melhora da capacidade aeróbica e redução da pressão arterial.

    “Com meses a anos de treinamento progressivo, é possível observar adaptações estruturais no coração, como aumento do volume das câmaras e melhora da função diastólica, semelhantes (em menor grau) às observadas em atletas”, explica Giovanni.

    Segundo estudos, o exercício físico pode reverter danos do sedentarismo no coração. Mesmo em idades mais avançadas, o treino de endurance com supervisão médica atua diretamente contra o enrijecimento cardíaco, melhorando a performance do órgão e a longevidade.

    “Portanto, nunca é tarde para começar. O coração de quem começa a se exercitar hoje não será idêntico ao de um atleta que treina há décadas — mas será significativamente mais saudável do que o de quem permanece sedentário. E isso tem impacto direto na qualidade e na expectativa de vida”, finaliza o cardiologista.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Por que atletas têm batimentos cardíacos baixos?

    Como o coração de atleta ejeta um volume maior de sangue a cada batida, ele não precisa bater tantas vezes para manter o corpo funcionando em repouso.

    2. Qual é a frequência cardíaca de repouso normal para um atleta?

    Normalmente entre 40 e 60 bpm, mas atletas de elite de alto rendimento podem chegar a registrar entre 30 e 40 bpm.

    3. O que é hipertrofia ventricular esquerda fisiológica?

    É o espessamento das paredes do ventrículo esquerdo como resposta natural ao treino de força ou resistência, sem causar prejuízos à saúde.

    4. Qual o melhor exame para avaliar o coração de quem treina?

    O ecocardiograma e o eletrocardiograma (ECG) são os principais, mas o teste ergométrico ajuda a ver como o coração reage ao esforço.

    5. O que é o volume sistólico e por que ele aumenta no atleta?

    É a quantidade de sangue que o coração expulsa em cada batida. No atleta, o ventrículo se dilata e se torna mais elástico, permitindo que ele se encha mais e bombeie um volume maior de sangue a cada pulsação.

    6. Existe diferença entre o coração de quem faz crossfit e quem corre?

    Sim. As práticas de força (como crossfit ou musculação) tendem a promover mais o espessamento das paredes cardíacas. Já esportes de endurance (corrida, ciclismo) promovem mais a dilatação das câmaras para lidar com o volume de sangue.

    7. Por que é importante o histórico familiar na avaliação do atleta?

    Muitas doenças que causam morte súbita em esportistas são genéticas e silenciosas. Saber se houve casos de desmaios ou mortes precoces na família é crucial para garantir a segurança de quem treina em alta intensidade.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração