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  • Dormir mal prejudica a saúde do coração? Conheça os riscos

    Dormir mal prejudica a saúde do coração? Conheça os riscos

    Você já deve saber que a qualidade do sono é um dos principais pilares para manter o corpo funcionando — e que uma noite mal dormida não provoca só olheiras e mau humor.

    Na verdade, quando o sono é interrompido ou insuficiente com frequência, o corpo entra num modo de alerta constante, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina, que podem prejudicar o sistema cardiovascular e aumentar o risco de problemas cardíacos, como pressão alta e até infarto.

    Mas afinal, quantas horas devemos dormir por dia? Conversamos com uma especialista para esclarecer as principais dúvidas.

    Por que o sono é tão importante para a saúde do coração?

    A maior parte da regulação metabólica do organismo acontece durante o sono. Nesse período, o corpo entra em um estado de recuperação que permite que o coração e os vasos sanguíneos descansem e se regenerem. A atividade do sistema nervoso simpático diminui e o parassimpático assume, sendo ele responsável por manter o corpo em estado de repouso e recuperação.

    Como resultado, há uma redução natural da pressão arterial, os batimentos cardíacos ficam mais lentos e o sistema cardiovascular trabalha com menor esforço — o que é importante para evitar sobrecarga ao longo do tempo.

    Quando o sono não é de qualidade, o corpo não completa os ciclos de recuperação e ocorre uma desregulação entre os sistemas simpático e parassimpático. Assim, acontece a liberação constante de hormônios relacionados ao estresse, como adrenalina e cortisol, que mantêm a pressão arterial elevada e aumentam a carga de trabalho do coração. Com o tempo, isso favorece o desenvolvimento de hipertensão, arritmias e outras complicações cardiovasculares.

    Vale lembrar que o sono irregular não se limita apenas à redução de horas dormidas. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, ele envolve um padrão inconsistente, que engloba tanto alterações na duração quanto nos horários de dormir e acordar — além das interrupções noturnas.

    Riscos do sono irregular para a saúde do coração

    Mesmo quando a quantidade total de sono parece suficiente, dormir em horários irregulares ou ter um sono fragmentado prejudica o sistema cardiovascular. O corpo depende de um ritmo constante de descanso para manter o equilíbrio hormonal e metabólico, e quando esse padrão é rompido, aumenta o risco de problemas como:

    • Aterosclerose: a irregularidade do sono está ligada ao acúmulo de placas de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, de acordo com Juliana. As placas dificultam a passagem do sangue e aumentam o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Alteração dos hormônios do estresse: a privação crônica de sono, seja pela má qualidade ou pela quantidade insuficiente, eleva os níveis de cortisol e adrenalina, hormônios que aumentam a pressão arterial e forçam o coração a trabalhar com mais intensidade. O esforço constante provoca desgaste dos vasos sanguíneos e favorece a hipertensão;
    • Inflamação e estresse contínuos: um sono ruim, curto, interrompido ou com horários desordenados impede que o corpo entre em seu estado de recuperação natural. Com isso, a pressão arterial não diminui durante a noite e há aumento de substâncias inflamatórias, como as citocinas, que danificam as artérias;
    • Impacto metabólico e hormonal: a falta de sono interfere na regulação da insulina e dos hormônios ligados à saciedade, o que pode levar ao ganho de peso, à obesidade e ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. Os fatores, em conjunto, ampliam significativamente o risco de doenças cardiovasculares.

    Os riscos são ainda maiores para pessoas que trabalham em turnos, de acordo com Juliana. Isso porque o corpo humano é regulado por um relógio biológico natural, conhecido como ciclo circadiano, que controla funções como o sono e a liberação hormonal. A melatonina, hormônio do sono, é produzida à noite, enquanto o cortisol, hormônio do estresse, tem pico pela manhã.

    Quando uma pessoa dorme em horários contrários ao ciclo biológico, ocorre um desequilíbrio nesses hormônios, comprometendo a pressão arterial, a glicemia e o metabolismo. A cardiologista complementa que o desequilíbrio favorece o surgimento de diabetes, obesidade, arritmias, hipertensão e aumenta o risco de infarto e AVC.

    Quantas horas dormir por dia?

    Cada pessoa possui um relógio biológico próprio e necessita de uma quantidade de sono específica. A liberação hormonal ocorre de acordo com o ritmo circadiano individual, que determina os períodos naturais de vigília e descanso do organismo.

    Mas, de forma geral, a National Sleep Foundation (Fundação Nacional do Sono), dos Estados Unidos, elaborou uma tabela com os períodos médios de sono recomendados para cada faixa etária:

    • Recém-nascidos: de 0 a 3 meses, 14 a 17 horas por dia (inclui cochilos). De 4 a 11 meses, 12 a 15 horas por dia;
    • Crianças pequenas: entre 1 e 2 anos, 11 a 14 horas por dia (sono noturno + cochilos);
    • Crianças: pré-escolar (3 a 5 anos): 10 a 13 horas/dia; escolar (6 a 13 anos): 9 a 11 horas/noite;
    • Adolescentes: 14 a 17 anos: 8 a 10 horas/noite;
    • Adultos: 18 a 64 anos: 7 a 9 horas/noite; a partir de 65 anos: 7 a 8 horas/noite.

    Além da duração, Juliana ressalta que a regularidade dos horários de dormir e acordar também é importante, pois ajuda a manter o equilíbrio hormonal e o bom funcionamento do sistema cardíaco.

    O sono, mesmo que não seja muito longo, precisa ser restaurador, isto é, deve permitir que o corpo complete seus ciclos naturais de descanso. Uma pessoa com sono de qualidade acorda sentindo-se disposta, com a mente alerta e o corpo relaxado, e não deve sentir sonolência excessiva durante o dia.

    Como saber se dormir mal está prejudicando a saúde?

    Diversos sinais podem indicar que o sono insuficiente ou irregular está impactando o organismo, e Juliana aponta os principais:

    • Acordar com sensação de cansaço;
    • Sonolência excessiva durante o dia;
    • Dificuldade de concentração;
    • Lapsos de memória;
    • Irritabilidade;
    • Ronco alto ou pausas na respiração durante o sono;
    • Dores de cabeça ao despertar;
    • Aumento da pressão arterial.

    Se os sintomas persistirem, é recomendado procurar um médico, pois além de prejudicar a qualidade de vida, o sono de má qualidade pode comprometer seriamente a saúde do coração.

    Confira: Higiene do sono: guia prático para dormir melhor e cuidar da saúde

    Perguntas frequentes

    1. Roncar é sempre sinal de problema cardíaco?

    Nem sempre, mas o ronco pode indicar apneia do sono, especialmente quando é alto e acompanhado de pausas na respiração. A apneia interfere na oxigenação e mantém o corpo em alerta durante a noite, o que impede o descanso adequado do coração e dos vasos sanguíneos.

    Quando o oxigênio no sangue cai repetidamente, o sistema nervoso reage liberando adrenalina e aumentando a pressão arterial. O processo se repete várias vezes ao longo da noite, sobrecarregando o coração e elevando o risco de hipertensão, arritmias, infarto e AVC.

    Por isso, o ronco persistente, principalmente se vier acompanhado de sonolência diurna, cansaço excessivo, dores de cabeça ao acordar ou pausas observadas na respiração, deve ser avaliado por um médico.

    2. O que é considerado um sono de qualidade?

    Um sono de qualidade deve ser contínuo (sem interrupções), profundo e restaurador. A pessoa acorda com sensação de descanso, sem sonolência excessiva durante o dia.

    No sono adequado, o corpo completa todas as fases, incluindo o sono profundo e o REM, que são fundamentais para o equilíbrio hormonal, a recuperação muscular e o funcionamento cardiovascular.

    3. O que é o ciclo circadiano?

    O ciclo circadiano é o relógio interno que regula o sono, a temperatura corporal, a liberação de hormônios e o metabolismo — e ele se ajusta à luz e à escuridão do ambiente. Quando existe um desajuste, como em quem trabalha à noite ou dorme em horários variados, o corpo perde o ritmo natural e os hormônios do sono e do estresse se desregulam, prejudicando o coração.

    4. Como o sono ruim afeta o metabolismo?

    A falta de sono reduz a sensibilidade à insulina e eleva a glicose no sangue, o que facilita o ganho de peso e aumenta o risco de diabetes. O metabolismo de gorduras também sofre alterações significativas, com aumento do colesterol ruim (LDL) e redução do colesterol bom (HDL). Esse desequilíbrio favorece o acúmulo de gordura nas artérias e eleva o risco de aterosclerose.

    Com o tempo, o corpo passa a responder de forma menos eficiente aos processos metabólicos, o que impacta diretamente a saúde do coração e o controle da pressão arterial.

    5. Praticar exercícios físicos ajuda a dormir melhor?

    Com certeza! A prática regular de atividade física ajuda a regular o sono, melhora a circulação, reduz o estresse e controla o peso corporal. Exercícios aeróbicos, como caminhada, natação e ciclismo, por exemplo, estimulam a liberação de endorfina e serotonina, que ajudam o corpo a relaxar.

    Porém, é importante evitar treinos intensos nas horas próximas de dormir, pois eles podem manter o corpo em estado de alerta e dificultar o sono.

    6. Como tratar a insônia?

    O tratamento da insônia depende da causa, mas normalmente envolve mudanças de comportamento e hábitos de sono. O primeiro passo é a higiene do sono, que consiste em manter horários regulares para dormir e acordar, evitar cafeína e bebidas alcoólicas à noite, desligar telas antes de deitar e criar um ambiente escuro e silencioso no quarto.

    Quando as medidas não são suficientes, o médico pode indicar terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a controlar pensamentos e comportamentos que atrapalham a pessoa de dormir bem.

    Em casos específicos, podem ser usados medicamentos para indução do sono por um período curto, sempre com prescrição médica.

    Leia mais: Insônia na menopausa: 4 medidas para melhorar o sono

  • Qual a diferença entre mamografia e ultrassom das mamas?

    Qual a diferença entre mamografia e ultrassom das mamas?

    O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois apenas do câncer de pele não melanoma. Por esse motivo, a partir de uma determinada idade, é recomendado manter uma rotina de exames de rastreamento, uma vez que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de um tratamento eficaz e de cura.

    Entre os exames de imagem disponíveis, os mais conhecidos são mamografia e ultrassom das mamas, cada um com suas indicações e limitações específicas. Para entender as diferenças entre eles e quando é necessário realizar cada um, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é mamografia e para que serve?

    A mamografia é um exame de imagem realizado por meio de raios-X de baixa dose, capaz de identificar alterações muito pequenas na mama, mesmo antes de serem palpáveis, como nódulos, cistos, microcalcificações e alterações nos tecidos mamários.

    De acordo com Andreia Sapienza, a mamografia é considerada o padrão-ouro para o rastreamento do câncer de mama, pois é o único exame que comprovadamente reduz a mortalidade da doença em estudos de longo prazo.

    Isso significa que, quando realizada de forma regular, a mamografia aumenta as chances de detectar tumores em estágios iniciais, quando o tratamento costuma ser mais eficaz e menos agressivo.

    Como a mamografia é feita?

    Durante a mamografia, o aparelho faz imagens das mamas usando raio-X. Para isso, cada mama é colocada no equipamento e levemente pressionada por alguns segundos, o que ajuda a deixar o tecido mais visível. A etapa pode ser um pouco incômoda e dolorosa, mas dura poucos minutos.

    Todo o processo costuma durar de 10 a 15 minutos. Depois, as imagens são avaliadas pelo médico radiologista, que verifica se existe alguma alteração nas mamas que precise de investigação. Quando há suspeita, pode ser indicada uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

    O que é o ultrassom das mamas e quando ele é indicado?

    O ultrassom das mamas é um exame que utiliza ondas sonoras (sem radiação) para produzir imagens internas da mama. Ele é totalmente indolor e pode ser feito em qualquer idade.

    De acordo com Andreia Sapienza, o ultrassom é mais útil em mulheres jovens, que possuem mamas densas — ou seja, com mais tecido glandular e menos gordura. Nessas situações, a mamografia pode ter limitações na visualização de algumas áreas, e o ultrassom ajuda a complementar o diagnóstico.

    Além disso, o ultrassom é indicado para:

    • Investigar nódulos palpáveis que não aparecem na mamografia;
    • Avaliar cistos e diferenciar se uma alteração é sólida ou líquida;
    • Complementar o rastreamento em casos de mamas densas;
    • Acompanhar próteses mamárias.

    No entanto, é importante destacar: o ultrassom não substitui a mamografia.

    Como a ultrassom das mamas é feita?

    A ultrassonografia das mamas é um exame rápido e indolor. A mulher deita em uma maca, normalmente de barriga para cima e com os braços apoiados atrás da cabeça, para facilitar o acesso às mamas.

    Depois, o médico aplica um gel transparente sobre a pele, que ajuda na transmissão das ondas de som. Com um aparelho chamado transdutor, ele desliza sobre a mama e também sobre a região das axilas, gerando imagens em tempo real em uma tela.

    O exame dura em média de 10 a 20 minutos e não envolve radiação, sendo considerado totalmente seguro para qualquer mulher.

    Mamografia x ultrassom das mamas: quais as principais diferenças?

    Característica Mamografia Ultrassom das mamas
    Tipo de imagem Raios-X (baixa dose) Ondas sonoras de alta frequência (sem radiação)
    Indicação Mulheres a partir dos 40 anos (rastreamento anual ou bienal) Mulheres jovens (abaixo de 40) e complemento em mamas densas
    O que detecta Microcalcificações, muitas vezes primeiro sinal de câncer inicial Natureza de nódulos: sólido (potencialmente maligno) ou cístico (geralmente benigno)
    Função principal Rastreamento (detecção precoce em assintomáticas). Único exame com redução comprovada de mortalidade Diagnóstico complementar e avaliação de nódulos/cistos. Rastreamento auxiliar em mamas densas

    De acordo com Andreia Sapienza, a melhor estratégia é a associação dos dois exames, especialmente em mulheres com mamas densas. A mamografia atua no rastreamento, e o ultrassom complementa em casos de achados duvidosos.

    A partir de que idade devo começar a fazer mamografia?

    A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização de mamografia anual a partir dos 40 anos de idade. Já o Ministério da Saúde, por meio do SUS, atualizou recentemente seus protocolos e definiu faixas etárias com orientações diferentes:

    • 40 a 49 anos: acesso garantido ao exame, mas sem rastreamento populacional obrigatório. Nessa faixa, a mamografia é feita “sob demanda”, quando há vontade da paciente e indicação médica;
    • 50 a 74 anos: rastreamento populacional bienal, a cada dois anos, mesmo sem sinais ou sintomas;
    • Acima de 74 anos: decisão individualizada, considerando comorbidades e expectativa de vida.

    Antes da mudança, o protocolo oficial do SUS previa mamografia apenas entre 50 e 69 anos, também a cada dois anos, o que deixava de fora mulheres mais jovens que poderiam se beneficiar do rastreamento antecipado.

    Além disso, de acordo com Andreia, mulheres com histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau, como mãe ou irmã, devem iniciar a mamografia 10 anos antes da idade em que a doença foi diagnosticada no familiar.

    De acordo com o Ministério da Saúde, 22,6% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres entre 40 e 49 anos.

    A radiação da mamografia é perigosa?

    Segundo Andreia, a dose utilizada na mamografia é mínima e não representa risco para as pacientes. O cuidado maior é para os profissionais de saúde, que lidam diariamente com a radiação e, por isso, utilizam aventais de chumbo e protocolos de proteção.

    E a ressonância magnética das mamas, é recomendada?

    A ressonância magnética das mamas é um exame de imagem avançado, que utiliza um campo magnético e ondas de rádio para gerar imagens detalhadas do tecido mamário. Diferente da mamografia, ela não envolve radiação, e, ao contrário do ultrassom, consegue mostrar com mais precisão a vascularização e as características internas de possíveis lesões.

    Por ser mais caro e exigir preparo específico (como o uso de contraste endovenoso), a ressonância não é indicada como exame de rotina para todas as mulheres. Ela tem papel importante em situações muito específicas, como:

    • Mulheres com alto risco genético;
    • Avaliação de próteses;
    • Esclarecimento de achados inconclusivos em outros exames.

    No entanto, como explica Andreia, a ressonância não substitui a mamografia, pois não há evidências de que reduza a mortalidade. Ela deve ser indicada apenas em casos selecionados.

    Veja também: Ozempic e similares podem reduzir risco de câncer ligado à obesidade?

    Perguntas frequentes

    1. Qual exame é mais confiável para detectar o câncer de mama?

    O exame mais confiável para detectar o câncer de mama é a mamografia, porque é o único que mostrou, em estudos de longo prazo, a capacidade de reduzir a mortalidade pela doença. Ela consegue identificar alterações muito pequenas, como microcalcificações, que podem ser sinais iniciais de câncer ainda invisíveis ao toque ou a outros exames.

    2. A mamografia dói?

    A mamografia pode causar desconforto porque a mama precisa ser comprimida durante alguns segundos para que a imagem seja captada com clareza. A compressão é necessária para achatar o tecido mamário e permitir a detecção de pequenas alterações.

    Algumas mulheres relatam dor, mas na maioria das vezes é apenas de um incômodo rápido. O desconforto pode ser maior em quem tem mamas mais sensíveis, especialmente no período pré-menstrual, mas não há nenhum risco associado ao procedimento.

    3. Grávidas e lactantes podem fazer mamografia?

    Durante a gestação, a mamografia não é recomendada por envolver radiação, mesmo em doses muito baixas. Nessa fase, quando há necessidade de investigar alguma alteração, o ultrassom é o exame mais seguro e utilizado pelos médicos.

    No caso das mulheres que estão amamentando, a mamografia pode ser realizada se houver indicação médica, sem oferecer riscos para a mãe ou para o bebê e sem necessidade de interromper a amamentação. No entanto, a interpretação das imagens pode ser dificultada devido ao aumento da densidade mamária.

    Por isso, em algumas situações, o médico pode optar também pelo ultrassom das mamas como exame complementar.

    4. Qual é a frequência ideal para repetir a mamografia?

    A frequência depende da idade e do protocolo seguido. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda o exame anual a partir dos 40 anos. O Ministério da Saúde, por meio do SUS, recomenda a cada dois anos entre 50 e 74 anos.

    Mulheres de 40 a 49 anos podem fazer sob demanda, quando há indicação médica. Já mulheres com risco aumentado, por histórico familiar ou fatores genéticos, podem precisar de intervalos menores, sempre definidos pelo médico.

    Veja também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

  • Câncer: quais os principais fatores de risco?

    Câncer: quais os principais fatores de risco?

    O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo: a cada ano 8,2 milhões de pessoas morrem devido à doença. Ela é resultado de uma combinação de fatores internos, como predisposição genética, condições imunológicas e alterações hormonais, e de fatores externos, como poluição, tabagismo, radiação e exposição a agentes infecciosos.

    Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% dos casos de câncer estão associados a fatores externos. Isso significa que, em grande parte, a doença está ligada a comportamentos e exposições ambientais que podem ser evitados ou controlados.

    Mas o que é um fator de risco?

    Um fator de risco é qualquer característica, exposição ou hábito que aumenta a chance de uma pessoa saudável desenvolver uma doença. Eles podem ser ambientais, hereditários ou comportamentais.

    Vale lembrar que um mesmo fator pode aumentar o risco de várias doenças ao mesmo tempo. O tabagismo e a obesidade, por exemplo, estão relacionados não apenas ao câncer, mas também a doenças cardiovasculares e respiratórias.

    Além disso, nem sempre a exposição a um fator de risco resulta em câncer imediato. Muitas vezes, os efeitos só aparecem após anos de exposição contínua, como no caso do tabaco, da radiação solar ou da poluição.

    Quais os fatores de risco do câncer?

    Poluição e exposição ambiental

    A poluição atmosférica é um dos maiores problemas da saúde pública no Brasil. Ela contém uma série de substâncias cancerígenas, como material particulado fino, óxidos de nitrogênio e compostos voláteis.

    Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) publicado na revista Environmental Research, por exemplo, apontou que uma hora de trânsito em São Paulo equivale a fumar cinco cigarros.

    Além da poluição do ar, a exposição constante a fumaça, vapores e gases tóxicos pode causar irritação nas vias respiratórias, reduzir a capacidade pulmonar e aumentar as chances de desenvolver câncer de pulmão.

    Então, mesmo pessoas que nunca fumaram, mas trabalham em ambientes de trabalho com presença de produtos químicos, poeiras industriais, metais pesados ou solventes, estão vulneráveis a danos respiratórios significativos ao longo do tempo.

    Alimentação não saudável

    De acordo com pesquisas, 60% a 70% dos casos de câncer estão diretamente relacionados ao estilo de vida — incluindo uma alimentação inadequada. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, que são ricos em açúcares, gorduras, aditivos químicos e conservantes, favorece o aumento da inflamação no organismo e o risco de mutações celulares.

    Isso porque eles passam por processos industriais que modificam suas propriedades naturais, liberando substâncias nocivas que podem comprometer a saúde intestinal e favorecer o aparecimento de tumores.

    O oncologista Thiago Chadid também destaca a dieta pobre em fibras como fator de risco, uma vez que as fibras alimentam a microbiota intestinal, que, equilibrada, atua como fator protetivo contra neoplasias. Para adultos saudáveis, a recomendação é consumir de 25 g a 30 g de fibras por dia — o equivalente a, no mínimo, cinco porções de frutas e vegetais.

    Fatores genéticos

    A herança genética é responsável por apenas 5% a 10% de todos os casos de câncer, de acordo com o Ministério da Saúde. No entanto, quando mutações genéticas específicas estão presentes em uma família, o risco pode ser muito elevado.

    As alterações podem comprometer os mecanismos naturais de reparo do DNA ou dificultar a detecção precoce de células tumorais, permitindo que mutações evoluam para câncer.

    Normalmente, casos de câncer hereditário apresentam histórico familiar de diagnósticos em diferentes gerações. Hoje, existem testes genéticos que permitem identificar mutações associadas, como os genes BRCA1 e BRCA2 no câncer de mama e ovário.

    Radiação

    A radiação faz parte do dia a dia e pode ter efeitos diferentes no corpo, dependendo do tipo e da intensidade da exposição.

    As radiações ionizantes, como os raios X e a radioatividade, são as que merecem maior atenção. Elas possuem energia suficiente para alterar o DNA das células, o que, segundo o Ministério da Saúde, eleva o risco de desenvolver câncer.

    Por outro lado, as radiações não ionizantes (como a solar) não têm a mesma capacidade de alterar os átomos – mas podem causar danos a longo prazo quando em excesso. A exposição prolongada ao sol, por exemplo, é o principal fator de risco para o câncer de pele, o tipo de câncer mais comum no Brasil e no mundo, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país.

    Contaminação ambiental

    Quando ocorre uma contaminação ambiental, o ar, a água, o solo ou até os alimentos podem ser afetados por substâncias tóxicas, como metais pesados, agrotóxicos, resíduos industriais, esgoto ou radiação. Ao serem inaladas, elas podem causar danos e alterações genéticas nas células dos pulmões, facilitando o surgimento do câncer de pulmão.

    O oncologista Thiago Chadid relembrou um caso que ocorreu em Paulínia, em São Paulo, após vazamentos de refinaria, que resultaram em contaminação do solo e da água. Os moradores da região apresentaram aumento de casos de câncer hematológico e de tumores sólidos.

    Nesses casos, a exposição a poluentes ambientais é difícil de medir e muitas vezes só é detectada após anos de convivência em áreas afetadas.

    Obesidade

    De acordo com o Ministério da Saúde, o sobrepeso, obesidade e ganho de peso na fase adulta estão associados a diversos tipos de câncer, incluindo mama, próstata, rim, intestino e ovário.

    O excesso de gordura corporal provoca resistência à insulina, inflamação crônica, alteração na produção hormonal e outros processos que favorecem mutações celulares. Ele também compromete a resposta imunológica, diminuindo a capacidade do corpo de identificar e eliminar células tumorais.

    Álcool

    O álcool é classificado como uma substância cancerígena pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). O risco de desenvolver a doença aumenta conforme cresce o consumo — e não existe uma dose considerada segura. Ele está associado a diferentes tipos de câncer, como os de boca, faringe, esôfago, estômago, intestino, fígado e pulmão.

    Isso acontece porque o etanol, presente em todas as bebidas alcoólicas, é transformado no corpo em uma substância chamada acetaldeído, que é altamente tóxica e cancerígena. Ela ataca diretamente o DNA das células, causando danos e mutações que podem levar ao crescimento descontrolado de um tumor. Inclusive, Thiago ressalta que mesmo beber “socialmente” pode ser prejudicial.

    Agrotóxicos

    Os agrotóxicos são substâncias químicas, físicas ou biológicas usadas para controlar pragas, doenças e plantas daninhas em lavouras, pastagens e outros ecossistemas. Apesar do uso regulado por lei no Brasil, estudos científicos apontam que a exposição está associada a diversos tipos de câncer, como leucemia, linfoma não-Hodgkin, câncer de cérebro, de mama, de próstata e digestivo.

    De acordo com Thiago, o risco depende especialmente do tipo de substância, da forma de contato e até da fruta consumida. Frutas de casca fina, como morangos, tendem a acumular mais resíduos, enquanto as de casca grossa apresentam menor risco, por exemplo.

    Sedentarismo

    O sedentarismo favorece a obesidade, reduz a imunidade e aumenta processos inflamatórios no organismo, sendo um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de câncer.

    Desse modo, é indispensável limitar hábitos sedentários, como assistir à televisão e usar por muito tempo o celular, e adotar mais atividades físicas no dia a dia. Elas ajudam a equilibrar os hormônios, fortalecer a imunidade, melhorar o funcionamento do intestino e controlar o peso.

    A recomendação geral é de pelo menos 30 minutos de exercício moderado por dia, mas mesmo em menor tempo já traz benefícios para a saúde e para a prevenção do câncer. O mais importante é se manter ativo, escolhendo uma atividade que você goste de praticar.

    Tabagismo

    O tabagismo é a principal causa evitável de câncer no mundo. Ele está ligado a mais de 15 tipos de câncer, incluindo pulmão, boca, esôfago, estômago e bexiga.

    A fumaça do cigarro contém mais de 7 mil substâncias tóxicas, muitas delas comprovadamente cancerígenas. O tabagismo passivo também representa risco, já que não fumantes expostos à fumaça inalam as mesmas toxinas.

    Infecções

    Alguns vírus e bactérias estão diretamente associados ao câncer, como é o caso do Papilomavírus Humano (HPV), responsável por até 70% dos casos de câncer do colo do útero. Além dele, outros agentes infecciosos também representam riscos, como os vírus da hepatite B e C, associados ao câncer de fígado, e a bactéria Helicobacter pylori, ligada ao câncer de estômago.

    Nesses casos, a vacinação contra HPV e hepatite, que está disponível gratuitamente no SUS, é a medida mais eficaz de prevenção. Manter exames de rotina também é fundamental para detectar lesões precocemente.

    É possível prevenir o câncer?

    Nem todos os casos de câncer podem ser evitados, mas cerca de 60% a 70% poderiam ser prevenidos com mudanças de hábitos. Isso implica não fumar, manter o peso corporal adequado, praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada e rica em frutas e vegetais, evitar o consumo de álcool e proteger-se da exposição solar.

    Ah, e também é fundamental realizar exames de rastreamento, como mamografia, papanicolau e colonoscopia, que aumentam as chances de diagnóstico precoce. Detectar a doença em estágios iniciais contribui para um tratamento mais eficaz e aumenta as chances de cura.

    Veja mais: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Perguntas frequentes

    1. Se meus pais tiverem câncer, eu também terei?

    Não necessariamente, pois apenas 5% a 10% dos casos de câncer estão ligados a fatores genéticos herdados. Isso significa que ter histórico familiar aumenta o risco, mas não garante que a doença vai se manifestar.

    Muitas vezes, hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares e abandono do tabagismo, podem neutralizar parte da predisposição. Testes genéticos também podem identificar mutações específicas e auxiliar na prevenção personalizada.

    2. Radiação de exames médicos aumenta o risco de câncer?

    Exames como radiografias e tomografias utilizam radiação ionizante em doses muito baixas, geralmente seguras quando feitas sob indicação médica. No entanto, a exposição excessiva e repetida pode acumular riscos. Por isso, médicos avaliam a real necessidade de cada exame antes de solicitar.

    3. Existe uma quantidade segura de álcool para consumo?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, não existe dose segura de álcool. Mesmo pequenas quantidades aumentam o risco de câncer, em especial de boca, garganta, esôfago, fígado e intestino.

    O consumo combinado com tabaco potencializa ainda mais os efeitos cancerígenos. Portanto, a recomendação mais segura é reduzir ao máximo ou evitar completamente o consumo de bebidas alcoólicas.

    4. O estresse pode causar câncer?

    O estresse em si não é considerado um fator de risco direto para o câncer. No entanto, o estresse crônico pode enfraquecer o sistema imunológico, aumentar a inflamação no organismo e induzir comportamentos de risco, como má alimentação, tabagismo, abuso de álcool e sedentarismo, que, por sua vez, aumentam a probabilidade da doença.

    Portanto, ainda que indiretamente, o estresse pode contribuir para um ambiente mais favorável ao surgimento da doença.

    5. O câncer é contagioso?

    Não, o câncer não é uma doença transmissível de uma pessoa para outra. O que pode ser transmitido são os vírus e bactérias que aumentam o risco da doença, como o HPV e o vírus da hepatite. Por isso, vacinas e cuidados com a saúde sexual são medidas importantes de prevenção. Mas o tumor em si, as células cancerígenas, não são contagiosas em nenhuma circunstância.

    6. O bronzeamento artificial em câmaras aumenta o risco de câncer?

    Com certeza! As câmaras de bronzeamento artificial emitem radiação ultravioleta em níveis muito superiores aos encontrados no sol, de modo que a exposição intensa e concentrada danifica o DNA das células da pele, aumentando significativamente o risco de câncer de pele, especialmente o melanoma, que é a forma mais agressiva da doença.

    Por isso, a utilização, o fabrico e a comercialização de câmaras de bronzeamento artificial são proibidos no Brasil desde 2009 pela Anvisa.

    Veja também: Câncer ocupacional: o que é e quais as profissões de risco?

  • Fome emocional: o que é, sintomas e como controlar

    Fome emocional: o que é, sintomas e como controlar

    Em certos momentos do dia a dia, usar a comida como um estímulo ou como uma recompensa para comemorar não é necessariamente algo ruim. Mas, quando o comportamento se repete com frequência e se torna a única forma de lidar com emoções, pode indicar um quadro de fome emocional — um mecanismo comum quando o corpo precisa lidar com sentimentos difíceis.

    Normalmente, ela aparece de repente, acompanhada de um desejo específico por alimentos mais calóricos ou que proporcionam conforto imediato, como doces, massas ou frituras. E, já que não está relacionado às necessidades reais do organismo, o comportamento pode causar um impacto significativo na saúde e no bem-estar.

    Afinal, o que é fome emocional?

    A fome emocional é o impulso de comer como forma de aliviar ou lidar com emoções, como tristeza, ansiedade, frustração, tédio, solidão ou até alegria exagerada. A comida se torna uma espécie de válvula de escape, consolo ou distração que proporciona alívio imediato, mas temporário.

    A nutricionista Hágata Ramos explica que, diferente da fome física, que aparece de forma gradual e pode ser saciada com qualquer tipo de alimento, a fome emocional costuma ser repentina, específica e não traz saciedade duradoura — podendo vir acompanhada de culpa depois de comer, inclusive.

    Normalmente, o desejo de comer é direcionado a alimentos doces ou ultraprocessados, como fast food, chocolates, massas, sorvetes ou salgadinhos. “Eles promovem liberação rápida de dopamina e serotonina que são neurotransmissores ligados ao prazer e ao bem-estar, mas que logo passam, reforçando o ciclo da fome emocional”, esclarece a nutricionista.

    Gatilhos mais comuns da fome emocional

    A fome emocional surge, em muitos casos, como uma resposta automática a sensações internas ou situações do dia a dia. Alguns dos principais gatilhos incluem:

    • Estresse e sobrecarga mental;
    • Ansiedade e inquietação;
    • Cansaço físico e mental;
    • Solidão ou isolamento social;
    • Frustração e baixa autoestima;
    • Tédio ou falta de estímulos;
    • Problemas no trabalho ou em casa;
    • Falta de sono;
    • Dietas muito restritivas.

    Hágata destaca que a fome emocional também pode surgir como um comportamento condicionado, quando a pessoa passa a associar a comida a recompensa ou forma de consolo.

    Sintomas de fome emocional: como identificar?

    A fome emocional pode manifestar da seguinte forma:

    • Vontade repentina e urgente de comer;
    • Comer sem ter fome real;
    • Sentimento de culpa, vergonha ou raiva após comer;
    • Comer como uma forma de consolo após um dia ruim ou como recompensa após um esforço emocional;
    • Episódios repetitivos, principalmente em situações específicas, como estresse no trabalho, discussões, momentos de solidão ou ansiedade.

    Para identificar a fome emocional no dia a dia, Hágata explica que uma maneira simples é fazer uma pausa e se perguntar se a vontade de comer estaria presente mesmo diante de um alimento simples, como uma fruta ou algo do dia a dia.

    “Se a resposta for não, provavelmente é uma fome emocional. Além disso, observar onde a fome se manifesta. A fome física também tem sintomas físicos, enquanto a emocional vem acompanhada de pensamentos insistentes sobre comida”, aponta a nutricionista.

    Fome emocional e fome física: como diferenciar?

    Fome física Fome emocional
    Vem aos poucos Aparece do nada
    Aceita vários tipos de alimentos Desejo por comida específica
    Surge após muitas horas sem comer Pode surgir mesmo após uma refeição
    Some ao comer Persiste mesmo depois de saciar o estômago
    Não causa culpa Pode gerar culpa e arrependimento

    Como a fome emocional afeta a saúde?

    A fome emocional altera a maneira como o corpo lida com comida, emoção e bem-estar geral. Quando uma pessoa come para lidar com sentimentos como estresse, ansiedade, tristeza ou frustração, o corpo acaba recebendo mais alimentos do que realmente precisa, muitas vezes ricos em açúcar, gordura e sal, o que pode levar a:

    • Aumento de peso progressivo;
    • Acúmulo de gordura abdominal;
    • Alterações nos níveis de colesterol e glicose;
    • Maior risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina e diabetes tipo 2.

    A fome emocional também pode afetar profundamente a saúde mental, alimentando ciclos de culpa, vergonha e insatisfação com o próprio corpo. Isso enfraquece a autoestima e pode causar distúrbios alimentares, como compulsão ou transtorno de alimentação restritiva.

    A pessoa come para se sentir melhor, se sente culpada por comer, tenta compensar com dietas extremas e volta a comer por impulso, criando um ciclo que é difícil de quebrar.

    Como controlar a fome emocional no dia a dia?

    Para controlar a fome emocional no dia a dia, é importante ter atenção aos próprios sentimentos, adotar uma rotina equilibrada e pequenas estratégias práticas, como:

    • Evite longos períodos em jejum: comer em horários regulares reduz os impulsos por alimentos calóricos e exageros;
    • Planeje refeições e lanches saudáveis: tenha sempre opções equilibradas à mão, como frutas, castanhas, iogurtes naturais e ovos cozidos. Isso reduz a chance de recorrer a ultraprocessados;
    • Durma bem: noites mal dormidas bagunçam os hormônios do apetite e aumentam a vontade de comer alimentos gordurosos e açucarados no dia seguinte;
    • Crie fontes alternativas de prazer: caminhe, ligue para alguém, ouça uma música que você gosta, tome banho com calma, leia algo leve. Atividades que aliviam o estresse sem envolver comida também são ótimos substitutos, como pilates, caminhada e dança, por exemplo;
    • Evite dietas muito restritivas: quanto mais rígida for a alimentação, maior a chance de uma pessoa ter descontrole emocional, então comer com equilíbrio dá mais liberdade e reduz recaídas;
    • Registre emoções e padrões alimentares: um diário com anotações simples do que você comeu, o que sentia na hora e o que te levou a comer pode revelar gatilhos e ajudar a entender o próprio comportamento.

    A ideia não é cortar a comida da rotina, mas entender por que a vontade de comer apareceu naquele momento — especialmente quando o corpo não está com fome de verdade.

    Ainda, no processo, ter a orientação de um nutricionista pode ajudar a pessoa a compreender os sinais de fome e saciedade, equilibrar a alimentação e criar estratégias práticas para lidar com a ansiedade sem recorrer à comida, conforme explica Hágata.

    “O nutricionista pode ajustar uma rotina que inclua opções que tragam conforto e prazer com equilíbrio, promovendo uma relação mais leve e consciente com o comer”, completa a nutricionista.

    Procure apoio psicológico

    A fome emocional é um dos gatilhos mais comuns para o surgimento de transtornos alimentares, principalmente porque transforma a comida em uma resposta automática às emoções, em vez de ser um ato consciente de cuidado com o corpo.

    Quando sentimentos como tristeza, ansiedade, frustração ou até mesmo alegria intensa não são bem elaborados, o impulso de comer aparece como uma tentativa rápida de encontrar conforto. Como consequência, a alimentação deixa de ser uma necessidade do corpo e passa a ser um mecanismo de fuga emocional.

    Nesse contexto, quando aliado a uma rotina equilibrada, o apoio psicológico é um passo importante para mudar a maneira como se lida com as emoções. A terapia permite identificar os gatilhos que fazem a comida se tornar um refúgio e ensina maneiras mais saudáveis de reagir diante do que se sente.

    Ao longo do processo terapêutico, é possível, por exemplo, notar certos padrões inconscientes, muitas vezes carregados desde a infância ou formados ao longo da vida adulta, que influenciam a maneira como se lida com o estresse, a frustração ou a carência emocional.

    Com o tempo, a terapia ajuda a desenvolver ferramentas internas para lidar com as emoções de maneira mais consciente, substituindo o hábito automático de comer por alternativas que tragam conforto verdadeiro e duradouro.

    Confira também: Como montar um prato saudável em buffets? Veja algumas dicas

    Perguntas frequentes sobre fome emocional

    1. Como saber se estou com fome emocional ou fome física?

    Uma boa forma de diferenciar as duas é prestar atenção aos sinais do corpo e da mente. A fome física dá sinais corporais, como ronco no estômago, tontura, fraqueza e até dor de cabeça. Ela aparece aos poucos e pode ser saciada com qualquer alimento nutritivo.

    Já a fome emocional surge de repente, é urgente, costuma vir acompanhada de desejo por comidas específicas (geralmente doces ou fast food) e não passa mesmo depois que se come. Ela também pode vir acompanhada de culpa ou arrependimento, coisa que raramente acontece com a fome real.

    2. A fome emocional pode virar um transtorno alimentar?

    Sim, se não for observada e cuidada, a fome emocional pode evoluir para um transtorno alimentar, como compulsão alimentar periódica. Isso acontece quando a pessoa perde o controle frequentemente, come grandes quantidades mesmo sem fome e sente culpa ou vergonha depois.

    Ao longo do tempo, esse padrão pode gerar sofrimento emocional, isolamento e impactos significativos na saúde física e mental. Por isso, é importante buscar ajuda quando perceber que a relação com a comida está se tornando uma forma de fuga emocional constante.

    3. A fome emocional pode estar ligada ao cansaço?

    Sim! O cansaço físico e mental, quando é frequente, pode enfraquecer a capacidade do cérebro de tomar decisões conscientes. Quando o corpo está exausto, devido a fatores como privação do sono, por exemplo, os mecanismos de autocontrole ficam prejudicados — o que pode aumentar o desejo por comidas calóricas.

    4. Como perceber padrões de comportamento ligados à comida?

    Um ótimo método para identificar padrões é registrar as emoções e o que você come em um diário. Escreva, por exemplo:

    • “Comi brigadeiro às 16h. Estava entediada no trabalho.”
    • “Jantei pizza com os amigos e me senti leve e feliz.”

    Com o tempo, dá pra perceber gatilhos, emoções repetidas, horários mais críticos, o que facilita o autoconhecimento e a construção de estratégias para quebrar o ciclo da fome emocional. Um nutricionista ou psicólogo pode te ajudar a interpretar esse diário com mais profundidade.

    5. Por que normalmente queremos comer doce na fome emocional?

    Os doces são alimentos que ativam rapidamente os neurotransmissores do prazer. O açúcar causa picos de dopamina e serotonina no organismo, trazendo uma sensação de alívio, relaxamento e prazer. É quase automático: o cérebro associa doce a recompensa emocional, então é o primeiro que vem à mente quando você quer se sentir melhor.

    Leia também: Carboidratos nos treinos: veja a importância e como incluir na dieta

  • Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

    No Brasil, cerca de dois milhões de pessoas convivem com insuficiência cardíaca — e cerca de 240 mil novos casos surgem a cada ano, segundo o Ministério da Saúde. A condição, que acontece quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue de forma eficiente, está entre as principais causas de internações hospitalares em adultos acima de 60 anos.

    Apesar de ser progressiva, com o diagnóstico precoce e um tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, reduzir o risco de complicações e ter uma vida com qualidade. Conversamos com um especialista para te explicar os principais detalhes sobre a insuficiência cardíaca.

    O que é insuficiência cardíaca?

    A insuficiência cardíaca, que também pode ser chamada de insuficiência cardíaca congestiva, acontece quando o músculo cardíaco não consegue bombear sangue de maneira adequada para atender à demanda dos tecidos do corpo. Quando isso acontece, há um fluxo sanguíneo insuficiente para levar oxigênio e nutrientes a órgãos e músculos.

    Para entender melhor, o coração é composto por quatro câmaras (dois átrios e dois ventrículos), que trabalham em conjunto para bombear sangue para todo o organismo. Quando existe alguma falha no mecanismo, o sangue pode se acumular nos pulmões, nas pernas e em outras partes do corpo, levando ao surgimento de sintomas como falta de ar, cansaço extremo e inchaço.

    De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, a condição pode ocorrer porque o músculo cardíaco está enfraquecido, rígido ou lesionado — o que compromete a força e o enchimento do coração a cada batimento.

    Como classificar a insuficiência cardíaca?

    A insuficiência cardíaca pode ser classificada de diferentes formas, de acordo com a parte do coração afetada e a gravidade da condição:

    Insuficiência cardíaca esquerda: acontece quando o ventrículo esquerdo, que envia sangue para todo o corpo, perde força e não consegue manter o fluxo adequado, provocando acúmulo de líquido nos pulmões e falta de ar;

    Insuficiência cardíaca direita: surge quando o ventrículo direito, responsável por bombear sangue para os pulmões, passa a funcionar com menor eficiência, levando à retenção de líquidos nas pernas, tornozelos e abdômen;

    Insuficiência cardíaca sistólica: ocorre quando o coração perde a capacidade de se contrair com força suficiente, reduzindo a quantidade de sangue que é expulsa a cada batimento;

    Insuficiência cardíaca diastólica: caracteriza-se pela dificuldade do músculo cardíaco em relaxar após a contração, o que impede o enchimento adequado das câmaras e compromete o volume de sangue que será bombeado.

    “Na maioria das vezes, ela se desenvolve lentamente, ao longo de meses ou anos, especialmente em pessoas com pressão alta ou doenças cardíacas prévias. Porém, pode surgir de forma aguda, por exemplo, após um infarto ou infecção grave, quando o coração descompensa rapidamente”, explica Giovanni.

    Causas da insuficiência cardíaca

    Normalmente, a insuficiência cardíaca surge como consequência de outros problemas de saúde que danificam o músculo cardíaco ao longo do tempo, como:

    Infarto do miocárdio: quando ocorre um infarto, parte do músculo cardíaco sofre necrose (morte das células) devido à falta de oxigênio. Isso reduz a força de contração do coração e pode gerar falhas permanentes;

    Hipertensão arterial não controlada: a pressão alta força o coração a trabalhar com mais intensidade, o que provoca espessamento e rigidez das paredes cardíacas. Com o tempo, o músculo enfraquece e perde a capacidade de bombear sangue com eficiência;

    Doenças das válvulas cardíacas: as válvulas são responsáveis por regular o fluxo de sangue dentro do coração. Quando estão danificadas, o sangue pode voltar para câmaras anteriores (refluxo) ou encontrar dificuldade para avançar (estenose);

    Miocardites: são inflamações do músculo cardíaco que podem surgir após infecções virais, bacterianas ou reações autoimunes. A inflamação compromete a força de contração do coração, reduzindo sua capacidade de bombear sangue adequadamente;

    Miocardiopatias genéticas ou tóxicas: incluem alterações hereditárias que afetam diretamente a estrutura e o funcionamento do músculo cardíaco, bem como danos causados por substâncias tóxicas, como o álcool e alguns medicamentos quimioterápicos.

    Segundo Giovanni, o envelhecimento e a presença de algumas condições metabólicas, como diabetes e obesidade, também aumentam o risco de insuficiência cardíaca.

    Quais os sintomas de insuficiência cardíaca?

    Os sintomas da insuficiência cardíaca podem variar de acordo com o grau de comprometimento do coração e a velocidade de evolução da doença. No início, eles são discretos e facilmente confundidos com sinais de cansaço ou estresse, mas tendem a piorar com o tempo. Entre os mais comuns, é possível destacar:

    Falta de ar;

    Fadiga e fraqueza;

    Inchaço nas pernas, tornozelos e pés;

    Batimento cardíaco rápido ou irregular;

    Capacidade reduzida de exercício ou atividades regulares;

    Chiado no peito;

    Inchaço na região da barriga;

    Náuseas e falta de apetite;

    Dificuldade de concentração ou diminuição do estado de alerta;

    Dor no peito, se a insuficiência cardíaca for causada por um ataque cardíaco.

    “A falta de ar pode surgir nos esforços e, em casos mais avançados, até em repouso ou ao deitar. O inchaço costuma aparecer no fim do dia, com sensação de peso nas pernas e sapatos apertados. O cansaço vem da menor oxigenação muscular. Também é comum o aumento de peso repentino por acúmulo de líquido e a necessidade de urinar mais à noite”, completa Giovanni.

    Existem fatores de risco?

    Os principais fatores de risco para insuficiência cardíaca são:

    Hipertensão arterial;

    Doenças coronarianas e infarto prévio;

    Diabetes;

    Colesterol alto e obesidade;

    Sedentarismo;

    Tabagismo e consumo frequente de álcool;

    Apneia do sono, que provoca quedas de oxigênio durante o sono, sobrecarregando o coração;

    Histórico familiar de doenças cardíacas;

    Idade avançada, pois o risco aumenta após os 60 anos, pois o músculo cardíaco tende a se tornar mais rígido e menos eficiente.

    Como é feito o diagnóstico de insuficiência cardíaca

    O diagnóstico de insuficiência cardíaca é baseado na avaliação clínica detalhada e em exames complementares que verificam o funcionamento do coração. No exame físico, o especialista pode observar a presença de inchaço, ruídos pulmonares e frequência cardíaca.

    Entre os principais exames solicitados, Giovanni aponta:

    Eletrocardiograma, que avalia o ritmo e a atividade elétrica do coração;

    Ecocardiograma, que permite observar o funcionamento do músculo cardíaco e das válvulas;

    Exames de sangue, como o BNP e o NT-proBNP.

    Em alguns casos, o médico pode solicitar exames complementares, como raio-X de tórax, teste ergométrico, angiotomografia de coronárias e ressonância magnética cardíaca.

    Vale destacar que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves. Quanto antes a insuficiência é identificada, maiores são as chances de preservar a função cardíaca.

    Quando procurar um médico?

    Procure atendimento médico imediato se você sentir os seguintes sintomas:

    Dor no peito;

    Desmaio ou fraqueza severa;

    Batimento cardíaco rápido ou irregular com falta de ar, dor no peito ou desmaio;

    Falta de ar repentina e grave e tosse com muco espumoso branco ou rosa.

    Tratamento para insuficiência cardíaca

    O tratamento de insuficiência cardíaca envolve diversas abordagens para melhorar os sintomas, retardar a progressão da doença e reduzir o risco de complicações.

    Remédios para insuficiência cardíaca

    Os remédios são prescritos para melhorar o funcionamento do coração, aliviar sintomas e aumentar a qualidade e a expectativa de vida. Eles ajudam o coração a bombear o sangue de forma mais eficiente e reduzem a sobrecarga sobre o órgão.

    De acordo com Giovanni, são combinadas medicações específicas, como:

    Betabloqueadores;

    Inibidores da ECA (como Enalapril);

    Bloqueadores dos receptores de angiotensina – BRA (como Losartana);

    ARNI (como Sacubitril-valsartana);

    Antagonistas da aldosterona (como Espironolactona);

    Inibidores de SGLT2 (como Dapagliflozina).

    Somente um médico pode indicar o uso desses medicamentos. A automedicação é perigosa e pode agravar o quadro cardíaco, por isso, antes de iniciar qualquer tratamento, consulte um especialista.

    Mudanças no estilo de vida

    Como a insuficiência cardíaca muitas vezes está relacionada a fatores como pressão alta, diabetes e sedentarismo, adotar hábitos saudáveis no dia a dia é necessário para reduzir o risco de agravamento do quadro e controlar a doença, como:

    Reduzir o consumo de sal nas refeições;

    Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e grãos integrais;

    Praticar atividade física, com orientação médica;

    Evitar o cigarro e o consumo de bebidas alcoólicas;

    Controlar o peso corporal e o índice de massa corporal (IMC);

    Monitorar a pressão arterial e o nível de glicose com regularidade;

    Dormir bem e respeitar os horários de descanso;

    Tomar corretamente os medicamentos prescritos;

    Fazer acompanhamento médico periódico.

    Cirurgias e outros procedimentos

    Em alguns casos, o tratamento da insuficiência cardíaca pode incluir cirurgias ou dispositivos que ajudam o coração a funcionar melhor — e as opções são indicadas pelo cardiologista de acordo com a causa e a gravidade da doença.

    Cirurgia de revascularização do miocárdio (ponte de safena): indicada quando há artérias coronárias bloqueadas. O procedimento cria um novo caminho para o sangue fluir até o coração, melhorando o aporte de oxigênio ao músculo cardíaco;

    Reparo ou substituição de válvula cardíaca: recomendada quando uma válvula danificada está prejudicando o fluxo de sangue. Pode ser feita por cirurgia aberta ou técnica minimamente invasiva;

    Cardiodesfibrilador implantável (CDI): dispositivo colocado sob a pele que monitora os batimentos e aplica choques elétricos quando o coração entra em ritmo perigoso, prevenindo paradas cardíacas;

    Terapia de ressincronização cardíaca (TRC): é usado um aparelho que envia impulsos elétricos para sincronizar as contrações das câmaras inferiores do coração, melhorando o bombeamento do sangue;

    Dispositivo de assistência ventricular (DAV): consiste em um equipamento mecânico que ajuda o coração a bombear o sangue, usado enquanto o paciente aguarda um transplante ou como tratamento definitivo em casos graves;

    Transplante cardíaco: indicado quando o coração está muito enfraquecido e não responde mais a medicamentos ou outros tratamentos. O procedimento substitui o órgão por um coração saudável de doador.

    Os procedimentos são indicados apenas após uma avaliação criteriosa, e a escolha depende do estado clínico e das necessidades de cada paciente.

    Insuficiência cardíaca tem cura?

    A insuficiência cardíaca, na maioria das vezes, é uma condição crônica e não tem uma cura definitiva, mas é possível controlar o quadro e levar uma vida com qualidade.

    “Quando o paciente segue o tratamento e mantém acompanhamento regular com o cardiologista, é possível ter boa qualidade de vida e controle dos sintomas. Hoje, com as novas terapias e dispositivos (como ressincronizadores e desfibriladores), muitos pacientes vivem por muitos anos de forma estável”, esclarece Giovanni.

    Como prevenir a insuficiência cardíaca?

    A prevenção está diretamente relacionada à adoção de um estilo de vida saudável e ao controle das doenças que prejudicam o coração. Algumas medidas importantes incluem:

    Controlar a pressão arterial;

    Manter níveis adequados de colesterol e glicose;

    Evitar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool;

    Adotar uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras;

    Praticar atividade física regularmente;

    Controlar o peso corporal;

    Realizar consultas médicas periódicas;

    Evitar automedicação.

    “Em quem já tem o diagnóstico, essas medidas — somadas ao uso correto dos remédios — são essenciais para evitar descompensações e hospitalizações”, finaliza Giovanni.

    Veja mais: Síndrome do coração partido: o que é, sintomas, riscos e como diferenciar do infarto

    Perguntas frequentes

    A insuficiência cardíaca é a mesma coisa que ataque cardíaco?

    Não! O ataque cardíaco, também conhecido como infarto do miocárdio, acontece quando o fluxo de sangue que chega a uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente por um coágulo que obstrui uma artéria coronária. Quando isso ocorre, as células cardíacas daquela região começam a morrer por falta de oxigênio.

    Já a insuficiência cardíaca é o resultado da incapacidade do coração de bombear sangue de maneira eficiente para o resto do corpo. Em alguns casos, um infarto pode causar danos permanentes ao músculo cardíaco e evoluir para um quadro de insuficiência, mas são eventos diferentes.

    Enquanto o infarto é um episódio agudo, a insuficiência é uma condição crônica que precisa de acompanhamento prolongado.

    Quais os primeiros sinais de insuficiência cardíaca que devem gerar preocupação?

    Os sintomas iniciais de insuficiência cardíaca costumam ser discretos e passam despercebidos por muito tempo. O sintoma mais comum é a falta de ar, principalmente ao subir escadas ou realizar pequenas atividades — além de inchaço nos pés e tornozelos, resultado da retenção de líquidos.

    Também é importante observar cansaço excessivo, ganho de peso rápido (devido à retenção de líquidos), dificuldade para dormir deitado e batimentos acelerados. Quando esses sintomas aparecem juntos e persistem, é necessário procurar um cardiologista o quanto antes.

    O estresse pode causar insuficiência cardíaca?

    O estresse, por si só, não costuma causar insuficiência cardíaca, mas é um fator que contribui para o surgimento de doenças cardíacas. Em situações de tensão prolongada, o corpo libera hormônios como a adrenalina e o cortisol, que aumentam a pressão arterial e aceleram o ritmo cardíaco.

    Quando o estresse se torna crônico, ele prejudica a saúde do coração, favorecendo hipertensão, inflamações e até o estreitamento das artérias. Além disso, pessoas estressadas tendem a adotar hábitos que fazem mal à saúde, como fumar, ingerir álcool ou exagerar em alimentos ultraprocessados — fatores que, combinados, aumentam o risco de insuficiência cardíaca.

    Pessoas com insuficiência cardíaca podem engravidar?

    A gravidez em mulheres com insuficiência cardíaca exige avaliação médica rigorosa. Durante a gestação, o corpo precisa de mais sangue e oxigênio para nutrir o bebê, o que aumenta o esforço do coração.

    Nos casos leves e bem controlados, é possível ter uma gestação segura com acompanhamento conjunto de cardiologista e obstetra especializado em gravidez de alto risco. Quando a insuficiência cardíaca é mais grave, a gestação pode representar riscos significativos para a mãe e para o bebê, por isso é importante avaliar cuidadosamente cada situação.

    O planejamento familiar, feito com orientação médica e acolhimento, ajuda o casal a tomar decisões com segurança.

    Existe alguma dieta recomendada para quem tem insuficiência cardíaca?

    Sim! A dieta de pessoas com insuficiência cardíaca deve ser rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes e carnes magras, priorizando alimentos frescos e naturais. O consumo de sal também deve ser reduzido ao mínimo possível.

    Por fim, é importante limitar alimentos ultraprocessados, enlatados, refrigerantes e doces, que favorecem a retenção de líquidos e aumento de peso. A ingestão de líquidos pode precisar ser controlada, dependendo do grau da insuficiência — sempre sob orientação médica e nutricional.

    Quem tem insuficiência cardíaca pode beber álcool?

    O consumo de álcool deve ser evitado por pessoas que têm insuficiência cardíaca, pois o álcool sobrecarrega o músculo cardíaco, interfere na ação dos medicamentos e favorece a retenção de líquidos. Além disso, ele pode provocar arritmias e aumentar a pressão arterial, o que agrava o quadro.

    Quem tem insuficiência pode trabalhar?

    Sim, é possível trabalhar tendo insuficiência cardíaca, mas isso varia conforme o estágio da doença e o tipo de atividade exercida. Quando o quadro está controlado e os sintomas são leves, o trabalho pode ser mantido, desde que haja acompanhamento médico regular e, se necessário, pequenas adaptações na rotina.

    Porém, em casos em que a limitação física é maior e o esforço causa fadiga, falta de ar ou inchaço, pode ser indicado o afastamento temporário. Se a condição evoluir e impedir definitivamente o desempenho das funções, o trabalhador pode ter direito a benefícios previdenciários, como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez concedida pelo INSS.

    Veja mais: 7 erros comuns que atrapalham a saúde do coração

  • Criança engoliu um objeto? Veja o que fazer imediatamente 

    Criança engoliu um objeto? Veja o que fazer imediatamente 

    É uma cena mais comum do que parece: a criança pequena brinca, se distrai e, em segundos, coloca algo na boca, como uma moeda, uma peça de brinquedo, uma pilha. Esse tipo de acidente, chamado ingestão de corpo estranho, é frequente na pediatria, especialmente em crianças menores de 3 anos.

    Na maioria dos casos, o objeto percorre o sistema digestivo e é eliminado naturalmente. Mas há situações em que ele pode ficar preso no esôfago, estômago ou intestino, provocando entupimento, perfuração ou intoxicação, e exigindo atendimento médico imediato. Saber como agir faz toda a diferença.

    O que é a ingestão de corpo estranho

    A ingestão de corpo estranho acontece quando a criança engole acidentalmente algo que não é alimento, como moedas, botões, brinquedos, pedaços de plástico ou pilhas.

    Embora pareça simples, o risco depende do tipo e tamanho do objeto, da idade da criança e de onde ele fica preso no trato digestivo.

    Por que isso acontece?

    A curiosidade natural das crianças pequenas é o principal motivo. Nessa fase, elas exploram o mundo com todos os sentidos, incluindo o paladar. Cores, texturas e formatos diferentes despertam o interesse, e colocar coisas na boca é parte do aprendizado.

    Por isso, os acidentes costumam acontecer sem supervisão direta, durante brincadeiras, quando os adultos se distraem por poucos segundos.

    Quais são os riscos?

    Nem todos os objetos causam complicações. Muitos passam sozinhos pelo tubo digestivo e são eliminados nas fezes. Alguns tipos, porém, representam alto risco, principalmente quando ficam presos ou liberam substâncias tóxicas.

    Os principais perigos incluem:

    Obstrução: o objeto entala no esôfago, estômago ou intestino, impedindo a passagem de alimentos;

    Perfuração: pontas afiadas ou pressão excessiva podem furar as paredes do tubo digestivo;

    Queimaduras químicas: no caso das pilhas, que liberam substâncias alcalinas e podem causar lesões graves em poucos minutos;

    Ímãs: se mais de um for engolido, eles podem se grudar através das paredes do intestino, causando necrose e perfuração.

    Essas situações exigem intervenção médica imediata.

    Sinais e sintomas

    Os sintomas variam de acordo com o tipo de objeto, local onde ele ficou preso e tempo decorrido desde a ingestão.

    Quando o objeto está no esôfago:

    Dificuldade para engolir;

    Dor ou desconforto na garganta;

    Salivação excessiva (às vezes com sangue);

    Tosse ou engasgos;

    Irritabilidade;

    Dor no peito ou dificuldade para respirar.

    Quando o objeto está no estômago ou intestino:

    Dor abdominal;

    Náuseas e vômitos;

    Febre;

    Sangue nas fezes.

    Se a criança tiver tosse intensa, engasgo ou falta de ar, deve-se procurar ajuda médica de emergência imediatamente.

    O que fazer quando a criança engole um objeto

    Mesmo que a criança pareça bem, é essencial levar ao pronto-socorro o mais rápido possível. O médico poderá solicitar exames, como raio-X ou endoscopia, para localizar o objeto e avaliar se ele está causando obstrução.

    Nunca tente provocar vômito ou retirar o objeto com as mãos, pois isso pode piorar a situação.

    Se houver engasgo e dificuldade para respirar, deve-se acionar imediatamente o serviço de emergência (SAMU 192) e iniciar manobras de desobstrução das vias aéreas, se houver treinamento para isso.

    Diagnóstico e tratamento

    O médico avaliará o caso com base em:

    Histórico e sintomas da criança;

    Exame físico;

    Radiografia simples ou seriada, para acompanhar a movimentação do objeto.

    A conduta médica pode variar:

    Apenas observação, se o objeto for pequeno e não estiver causando sintomas;

    Retirada por endoscopia, caso o objeto esteja preso ou represente risco;

    Cirurgia, em situações graves, como perfuração ou obstrução intestinal.

    A retirada de emergência por meio de endoscopia é indicada quando há:

    Obstrução do esôfago;

    Pilha ou bateria presa no esôfago;

    Objeto cortante ou pontiagudo.

    Esses casos exigem atendimento imediato, pois o risco de complicações é elevado.

    Como prevenir a ingestão de corpo estranho

    Prevenir é sempre o melhor tratamento e, nesse caso, depende principalmente da atenção dos adultos. Veja medidas simples que fazem toda a diferença:

    Mantenha objetos pequenos fora do alcance das crianças;

    Evite brinquedos com peças pequenas para menores de 3 anos;

    Não ofereça alimentos duros ou redondos, como amendoim ou balas;

    Ensine, de forma lúdica, que só comida vai à boca;

    Supervisione sempre as brincadeiras e refeições.

    Esses cuidados reduzem significativamente os riscos e ajudam as crianças a explorarem o mundo com segurança.

    Leia também: Meningite bacteriana: veja tipos, sintomas e como se prevenir

    Perguntas frequentes sobre ingestão de objetos estranhos

    1. O que fazer se meu filho engolir uma moeda?

    Leve imediatamente ao pronto-socorro. Mesmo que pareça bem, é importante fazer um exame para garantir que o objeto não ficou preso no esôfago.

    2. Engolir uma pilha é perigoso?

    Sim, é uma emergência médica. As pilhas podem liberar substâncias que queimam o tecido e causam perfuração. Vá ao pronto-socorro imediatamente caso isso aconteça.

    3. É possível o objeto sair sozinho?

    Depende do tamanho e formato. Alguns passam naturalmente nas fezes, mas só o médico pode avaliar se é seguro esperar.

    4. Quando é necessário fazer endoscopia?

    Quando o objeto está preso, é cortante ou representa risco químico (como pilhas e ímãs).

    5. Como saber se o objeto ainda está no corpo da criança?

    Apenas exames de imagem, como raio-X, podem confirmar a localização.

    6. Posso tentar fazer a criança vomitar?

    Não. Isso pode causar engasgo ou lesões. Procure atendimento médico imediatamente.

    Veja também: Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro

  • Acalasia: o distúrbio que dificulta a passagem dos alimentos ao engolir

    Acalasia: o distúrbio que dificulta a passagem dos alimentos ao engolir

    Engolir um alimento parece simples, mas depende de um delicado mecanismo entre o esôfago e o estômago. Quando esse sistema falha, comer pode se tornar uma tarefa difícil. É o que acontece na acalasia, um distúrbio que impede o relaxamento adequado do esfíncter esofágico inferior, o “anel” que permite a passagem do alimento ao estômago.

    O resultado é a sensação de entalo, dor no peito, tosse e até regurgitação. Embora seja uma doença pouco conhecida, o diagnóstico e o tratamento corretos fazem toda a diferença para aliviar os sintomas e prevenir complicações.

    O que é acalasia?

    A acalasia é uma doença que afeta o esôfago, o tubo que transporta o alimento da boca até o estômago. Ela ocorre quando o músculo do esôfago e o esfíncter esofágico inferior (anel que liga o esôfago ao estômago) não funcionam corretamente, o que dificulta a passagem dos alimentos.

    Com isso, o alimento não consegue descer normalmente, e isso se reflete em uma dificuldade para engolir, sensação de entalo e até dor no peito.

    Como o esôfago funciona normalmente

    Em uma pessoa saudável, o esôfago faz movimentos de contração rítmicos (chamados de peristaltismo) que empurram o alimento até o estômago. Quando o alimento chega ao final do esôfago, o esfíncter se abre para permitir a passagem.

    Na acalasia, esses movimentos não ocorrem adequadamente, e o esfíncter não se abre completamente, o que impede a descida do alimento e causa acúmulo dentro do esôfago.

    Sintomas da acalasia

    Os sintomas aparecem gradualmente e tendem a piorar com o tempo. Os mais comuns são:

    Dificuldade para engolir alimentos e líquidos (sensação de que o alimento “para” no meio do peito);

    Regurgitação, especialmente à noite;

    Dor ou pressão no peito;

    Perda de peso sem explicação;

    Tosse e engasgos frequentes;

    Azia ou sensação de queimação (muitas vezes confundida com refluxo).

    Esses sintomas podem variar de intensidade e, em alguns casos, se parecer com os do refluxo gastroesofágico.

    Causas e fatores envolvidos

    A causa exata da acalasia ainda não é totalmente compreendida, mas sabe-se que ocorre degeneração dos nervos responsáveis pelos movimentos do esôfago. Isso faz com que o músculo perca a força de contração e o esfíncter deixe de relaxar corretamente.

    As possíveis origens da condição são:

    Alterações autoimunes, quando o corpo ataca suas próprias células nervosas;

    Causas infecciosas, como na doença de Chagas;

    Fatores genéticos, em casos mais raros.

    Diagnóstico de acalasia

    O diagnóstico é feito por um médico gastroenterologista, com base nos sintomas e em exames específicos:

    Esofagomanometria: mede a pressão e os movimentos do esôfago (é o exame mais importante para confirmar a acalasia);

    Endoscopia digestiva alta: permite visualizar o esôfago e descartar outras causas, como tumores;

    Esofagografia baritada: exame de raio X com contraste que mostra o formato do esôfago e se há retenção de alimentos.

    Esses exames ajudam a classificar a doença em três tipos de acalasia, o que orienta a escolha do tratamento ideal.

    Tratamento da acalasia

    O tratamento tem como objetivo melhorar a passagem dos alimentos e aliviar os sintomas. Embora não exista cura, há diversas opções que ajudam a tratar a doença.

    Medicamentos: podem ser usados em casos leves, ajudando o esfíncter a relaxar;

    Dilatação endoscópica: um balão é introduzido e inflado no esfíncter para alargá-lo e facilitar a passagem do alimento.

    Injeção de toxina botulínica (botox): relaxamento temporário do músculo, indicada para quem não pode realizar procedimentos mais invasivos;

    Cirurgia (miotomia de Heller): corte das fibras musculares do esfíncter para normalizar a passagem dos alimentos;

    Terapia endoscópica POEM (miotomia endoscópica peroral): técnica moderna feita por endoscopia, com recuperação mais rápida e resultados duradouros.

    A escolha do tratamento depende da gravidade do caso, da idade e das condições clínicas do paciente, sempre sob avaliação médica.

    Cuidados e acompanhamento

    Após o tratamento, é fundamental:

    Fazer acompanhamento regular com o gastroenterologista;

    Evitar deitar logo após comer;

    Mastigar bem e comer devagar;

    Manter o peso adequado e uma alimentação equilibrada.

    Mesmo com o tratamento, algumas pessoas podem ter sintomas residuais leves e devem fazer controle periódico para evitar complicações, como inflamações ou acúmulo de alimentos no esôfago.

    Quando procurar o médico

    Procure atendimento médico se houver:

    Dificuldade frequente para engolir;

    Perda de peso inexplicada;

    Regurgitação frequente;

    Dor ou pressão no peito.

    O diagnóstico precoce evita desconfortos e melhora muito a qualidade de vida.

    Leia também: Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre acalasia

    1. A acalasia tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas há tratamentos eficazes que controlam os sintomas e devolvem conforto ao paciente.

    2. A acalasia é causada por refluxo?

    Não. Embora os sintomas sejam parecidos, a acalasia é causada por problemas nos nervos e músculos do esôfago, não pelo ácido do estômago.

    3. Como diferenciar acalasia de refluxo?

    Na acalasia, o problema está em empurrar o alimento para o estômago, enquanto no refluxo o problema é o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago.

    4. O que acontece se a acalasia não for tratada?

    Podem ocorrer dilatação do esôfago, perda de peso, infecções e, em casos raros, aumento do risco de câncer de esôfago.

    5. A cirurgia de acalasia é segura?

    Sim. Os procedimentos modernos, como a miotomia endoscópica (POEM), têm altas taxas de sucesso e recuperação rápida.

    Veja mais: Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro

  • Psoríase: entenda a doença de pele que vai muito além da aparência

    Psoríase: entenda a doença de pele que vai muito além da aparência

    A psoríase é uma das doenças de pele mais comuns e, ao mesmo tempo, uma das mais mal compreendidas. Apesar das manchas vermelhas e da descamação visível, o problema vai muito além da aparência, pois trata-se de uma condição inflamatória crônica ligada ao sistema imunológico, que pode afetar o corpo inteiro e causar impacto na qualidade de vida.

    Ainda hoje, muitas pessoas enfrentam preconceito e desinformação, e tudo isso atrasa o diagnóstico e dificulta o tratamento.

    Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença grave e não contagiosa, a psoríase pode ser controlada com acompanhamento médico, novos medicamentos e mudanças no estilo de vida.

    O que é a psoríase?

    A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, causada por alterações no sistema imunológico, com influência genética. Ela pode variar de casos leves a graves e afetar não apenas a pele, mas também as articulações e outros órgãos. Embora não tenha cura, é uma condição que pode ser controlada com tratamento e hábitos saudáveis.

    É importante reforçar: a psoríase não é contagiosa. O contato direto com a pele de uma pessoa com psoríase não transmite a doença.

    Em 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a psoríase como uma doença crônica grave e não transmissível, chamando atenção para os impactos emocionais, diagnósticos incorretos e o preconceito que muitos pacientes enfrentam.

    Quem pode ter psoríase?

    A psoríase pode atingir homens e mulheres de qualquer idade, mas costuma aparecer mais cedo nas mulheres e em quem tem histórico familiar da doença. Os primeiros sinais costumam surgir em duas faixas etárias: entre 20 e 39 anos e novamente entre 50 e 69 anos.

    Por que a psoríase acontece?

    A psoríase surge por uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais.

    Fatores genéticos

    Pessoas com parentes de primeiro grau com psoríase têm maior risco de desenvolver a doença. A herança genética pode explicar até 90% da predisposição em alguns casos.

    Alterações imunológicas

    O sistema de defesa do corpo ataca, por engano, as próprias células da pele. Isso libera substâncias inflamatórias que aceleram a renovação celular, e isso faz com que a pele descame e forme placas avermelhadas.

    Gatilhos da psoríase

    Estresse;

    Infecções;

    Tabagismo e consumo de álcool;

    Alguns medicamentos (como betabloqueadores, lítio e antimaláricos);

    Obesidade;

    Clima frio e seco (que resseca a pele).

    Sintomas mais comuns

    Os sintomas da psoríase variam conforme o tipo e a gravidade. Os mais comuns são:

    Manchas vermelhas com descamação branca ou prateada;

    Pele ressecada e rachada (às vezes com sangramento);

    Coceira, dor ou sensação de queimação;

    Unhas grossas, deformadas ou descoladas;

    Dor, rigidez ou inchaço nas articulações.

    Tipos de psoríase e como se manifestam

    Psoríase em placas (vulgar)

    É a forma mais comum (90% dos casos). Aparecem placas vermelhas com escamas esbranquiçadas ou prateadas, principalmente nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e região lombar.

    Psoríase do couro cabeludo

    Provoca descamação intensa e coceira, semelhante à caspa, mas mais espessa e inflamada.

    Psoríase ungueal

    Afeta as unhas, deixando-as grossas, amareladas e deformadas, podendo até se soltar.

    Psoríase gutata

    Mais comum em crianças e jovens, geralmente após infecções bacterianas, com pequenas manchas em forma de gota espalhadas pelo corpo.

    Psoríase invertida (ou flexural)

    Surge em áreas de dobras (axilas, virilhas, sob as mamas), com lesões mais vermelhas e úmidas, sem escamas grossas.

    Psoríase pustulosa

    Forma grave, com lesões vermelhas cobertas por pequenas bolhas de pus. Pode ser localizada (mãos e pés) ou generalizada, com febre e mal-estar.

    Psoríase eritrodérmica

    A mais rara e grave, afeta quase todo o corpo com manchas vermelhas e quentes, coceira e febre. Pode exigir internação hospitalar.

    Psoríase artropática

    Envolve inflamação nas articulações, com dor, rigidez, inchaço e até deformidades.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é geralmente clínico, com base na aparência e na distribuição das lesões. Em alguns casos, o dermatologista pode solicitar uma biópsia de pele para confirmar o diagnóstico.

    Para avaliar a gravidade, utiliza-se o índice PASI, que mede a vermelhidão, a espessura das placas e a área afetada.

    Até 10 pontos: psoríase leve

    Acima de 10: psoríase moderada a grave

    Tratamentos disponíveis

    O tratamento é individualizado e definido pelo dermatologista conforme o tipo e a gravidade da doença.

    Casos leves

    Cremes e pomadas com corticoides ou derivados da vitamina D;

    Hidratação da pele;

    Exposição solar moderada e orientada.

    Casos moderados

    Fototerapia (luz ultravioleta controlada);

    Casos graves ou resistentes

    Medicamentos orais ou injetáveis;

    Terapias biológicas (injeções sob supervisão médica);

    Novas terapias orais que modulam a inflamação.

    Além do tratamento médico, hábitos saudáveis são bem importantes, como:

    Alimentação equilibrada;

    Controle do peso;

    Atividade física regular;

    Manejo do estresse;

    Apoio psicológico, quando necessário.

    Convivendo com a psoríase

    O diagnóstico precoce e o tratamento adequado ajudam a reduzir os sintomas e prevenir complicações. Com os avanços da medicina, é possível que muitas pessoas vivam com a pele praticamente sem lesões, mesmo nos casos graves.

    É fundamental não interromper o tratamento por conta própria, pois isso pode agravar a doença. Além disso, o cuidado com o estilo de vida, como dormir bem, praticar exercícios e controlar o estresse ajuda no controle da doença.

    Confira: Alergia a níquel de bijuterias: por que acontece, como tratar e se tem cura

    Perguntas frequentes sobre psoríase

    1. Psoríase é contagiosa?

    Não. O contato com a pele de uma pessoa com psoríase não transmite a doença.

    2. A psoríase tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas a doença pode ser controlada com tratamento médico e hábitos saudáveis.

    3. O que piora a psoríase?

    Estresse, frio, consumo de álcool, tabagismo, obesidade e certos medicamentos podem agravar as crises.

    4. Qual médico trata a psoríase?

    O dermatologista é o profissional indicado para diagnóstico e tratamento. Em casos com comprometimento das articulações, o reumatologista também pode acompanhar.

    5. Psoríase pode causar dor nas articulações?

    Sim. A psoríase artropática (artrite psoriásica) pode afetar as articulações e causar dor e rigidez.

    6. A exposição ao sol ajuda?

    Sim, em quantidades moderadas e com orientação médica, o sol pode ajudar a controlar a inflamação.

    7. Alimentação influencia na psoríase?

    Sim. Uma dieta equilibrada, rica em frutas, legumes e grãos integrais, e o controle do peso podem ajudar a reduzir as crises.

    Veja também: Dermatite atópica: o que é, sintomas e cuidados

  • Suplemento alimentar: o que é, para que serve e quando tomar

    Suplemento alimentar: o que é, para que serve e quando tomar

    Indicados para complementar a alimentação e equilibrar o consumo de nutrientes, os suplementos alimentares fornecem vitaminas, minerais, proteínas e outras substâncias que nem sempre são ingeridas em quantidade suficiente na rotina.

    Com o uso correto e indicado por um profissional da saúde, eles podem melhorar a disposição, fortalecer a imunidade, apoiar o desempenho físico e até corrigir deficiências nutricionais.

    No entanto, são necessários alguns cuidados antes de começar qualquer suplementação — o que inclui entender quando ela realmente é necessária e como utilizá-la da forma mais segura.

    Afinal, o que é um suplemento alimentar?

    Um suplemento alimentar é um produto formulado para complementar a dieta e fornecer nutrientes que, por algum motivo, não estão sendo ingeridos em quantidade suficiente. Ele pode conter vitaminas, minerais, proteínas, fibras, aminoácidos, enzimas ou outras substâncias com valor nutricional.

    Os suplementos podem ser encontrados em várias formas, como cápsulas, comprimidos, pó, líquidos ou gomas — e são utilizados tanto por pessoas com carências nutricionais quanto por quem busca melhorar o desempenho físico, fortalecer a imunidade ou manter o equilíbrio do organismo.

    Apesar de úteis, os suplementos não substituem uma alimentação equilibrada, eles apenas complementam a dieta quando há uma necessidade comprovada. Somente um especialista pode indicar o uso, o tipo adequado e a dose segura.

    Para que serve?

    A principal função do suplemento alimentar é complementar a nutrição e ajudar o corpo a atingir suas necessidades diárias de nutrientes. Assim, ele pode ser utilizado para:

    Corrigir deficiências de vitaminas e minerais;

    Melhorar a recuperação muscular após exercícios;

    Apoiar o sistema imunológico;

    Aumentar a disposição e o foco;

    Ajudar na manutenção do peso corporal, quando associado a uma dieta balanceada.

    Em casos específicos, como gestação, lactação, envelhecimento ou dietas restritivas (como vegetarianismo ou veganismo), o uso de suplementos pode ser necessário para evitar carências nutricionais.

    Tipos de suplemento alimentar

    Os suplementos alimentares são divididos em categorias com base em sua composição e finalidade, sendo os principais:

    Suplementos vitamínicos e minerais: fornecem micronutrientes essenciais, como ferro, cálcio, magnésio, zinco e vitaminas do complexo B, C, D e E. São indicados para quem tem deficiências comprovadas ou dificuldade em manter uma dieta variada;

    Suplementos proteicos: são os mais conhecidos entre quem pratica atividades físicas. O whey protein, por exemplo, é uma fonte concentrada de proteína que ajuda na reconstrução e no crescimento muscular. Há também versões vegetais, como proteína de ervilha e arroz;

    Suplementos energéticos e de performance: contêm substâncias que aumentam a energia e melhoram o rendimento físico, como creatina, cafeína, BCAA e maltodextrina. Devem ser usados com cautela, já que o excesso pode causar efeitos indesejados, como taquicardia e insônia;

    Suplementos naturais e fitoterápicos: feitos com ingredientes de origem vegetal, como cúrcuma, gengibre, ginseng e maca peruana. Podem ajudar na imunidade, na disposição e no controle hormonal. Mesmo sendo naturais, também exigem acompanhamento profissional;

    Suplementos de fibras e probióticos: ajudam na digestão, no controle do colesterol e na saúde intestinal. Fibras solúveis, como a aveia e o psyllium, e probióticos com lactobacilos são exemplos bastante usados.

    Qual a diferença entre suplemento e medicamento?

    A diferença entre o suplemento e o medicamento está na forma como cada um age no organismo.

    O suplemento alimentar é usado para complementar a dieta e prevenir deficiências nutricionais. Ele atua de forma mais leve, sem objetivo de curar doenças;

    O medicamento, por outro lado, tem função terapêutica, sendo indicado para tratar, curar ou controlar doenças e condições de saúde, com composição e dosagem controladas.

    Outra diferença é que os medicamentos passam por testes clínicos rigorosos antes da comercialização, enquanto os suplementos seguem normas específicas da Anvisa, mas sem exigência de comprovação de eficácia terapêutica.

    Quando o suplemento alimentar é indicado?

    De acordo com a nutricionista Serena Del Favero, o uso de suplementos é indicado quando a alimentação sozinha não consegue suprir todas as necessidades nutricionais do corpo. Isso pode acontecer em várias situações, como:

    Deficiências nutricionais comprovadas por exames, como falta de vitamina B12, vitamina D ou ferro;

    Dietas restritivas, como vegetarianas ou veganas, que podem levar à carência de ferro e B12;

    Condições de saúde que comprometem a absorção de nutrientes, como a doença de Crohn e outros distúrbios intestinais;

    Gestação e amamentação, períodos em que o corpo exige mais nutrientes, como ácido fólico, ferro e cálcio;

    Atividade física intensa, quando há necessidade de repor proteínas, carboidratos e eletrólitos perdidos no treino;

    Idade avançada, fase em que o organismo absorve menos cálcio e vitamina D, aumentando o risco de osteoporose.

    “Nesses contextos, a suplementação ajuda a prevenir ou corrigir carências, sempre como complemento a uma alimentação equilibrada e sob orientação profissional”, explica a especialista.

    ⁠Como o nutricionista avalia a real necessidade de um suplemento?

    Na prática clínica, Serena explica que o nutricionista avalia a necessidade de suplementação de forma criteriosa, considerando sinais e sintomas clínicos, resultados de exames laboratoriais, hábitos alimentares e o contexto individual de cada paciente.

    “A prioridade é sempre ajustar a dieta para suprir as necessidades nutricionais, utilizando suplementos apenas como recurso complementar quando a alimentação, sozinha, não é suficiente”, esclarece.

    Crianças e idosos podem usar suplementos?

    Crianças e idosos podem usar suplementos, mas somente com indicação médica ou nutricional. Em crianças, a suplementação é indicada apenas quando há deficiências comprovadas por exames ou condições específicas que dificultam a absorção de nutrientes.

    Em muitos casos, uma alimentação variada e colorida já é suficiente para suprir o que o organismo precisa durante o crescimento.

    Nos idosos, o uso de suplementos é mais frequente, pois com o passar do tempo o corpo absorve menos nutrientes, especialmente cálcio, vitamina D, B12 e ferro. O apetite também tende a diminuir e certas doenças crônicas podem interferir na digestão e no aproveitamento dos alimentos.

    Mas, lembre-se: tanto em crianças quanto em idosos, o uso deve ser individualizado e sempre acompanhado por um profissional de saúde!

    Existe risco em usar suplemento sem orientação?

    O uso de suplementos sem orientação de um profissional de saúde, como médico ou nutricionista, pode ser arriscado. O uso excessivo de vitaminas e minerais, por exemplo, pode sobrecarregar o fígado e os rins, causar intoxicação e provocar desequilíbrios no organismo.

    “A ideia de que ‘quanto mais, melhor’ não se aplica à nutrição, pois o corpo precisa de um equilíbrio. Um consumo exagerado pode levar a quadros de toxicidade, que são tão prejudiciais quanto às deficiências”, diz a nutricionista.

    Além disso, certos suplementos podem interagir com medicamentos, reduzir o efeito de tratamentos em andamento ou até mascarar sintomas de doenças, dificultando o diagnóstico correto.

    Para completar, Serena aponta que muitos produtos no mercado não são regulamentados, o que aumenta o risco de contaminação com substâncias não declaradas. Por isso, a supervisão de um especialista é crucial para garantir a segurança e a eficácia da suplementação.

    Suplementos alimentares funcionam para emagrecer?

    Nenhum suplemento é responsável, por si só, pela perda de peso. Contudo, alguns podem ajudar como apoio dentro de um plano alimentar equilibrado, como termogênicos (como cafeína e chá-verde), fibras solúveis e proteínas em pó — normalmente indicados para essa finalidade.

    Os termogênicos aumentam levemente o gasto calórico, as fibras ajudam a prolongar a saciedade e as proteínas mantêm a massa magra durante o emagrecimento. No entanto, o efeito só aparece quando há déficit calórico, ou seja, quando a pessoa consome menos calorias do que gasta.

    Usar suplementos sem reeducação alimentar e acompanhamento profissional não traz resultados duradouros e pode ser perigoso para a saúde. Um emagrecimento saudável depende de alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade.

    Suplementos não substituem uma alimentação saudável

    O mais importante é entender que o suplemento alimentar deve ser utilizado como um complemento, não um substituto. A alimentação continua sendo a principal fonte de energia, vitaminas e minerais que o corpo precisa para funcionar bem. Nenhum produto industrializado consegue reproduzir a complexidade e a combinação natural de nutrientes presentes em frutas, verduras, legumes, grãos e proteínas.

    O suplemento apenas é considerado quando a dieta não dá conta sozinha — por exemplo, em pessoas com deficiências nutricionais, restrições alimentares ou necessidades específicas, como atletas e gestantes. Mesmo nesses casos, ele deve ser usado com orientação profissional e sempre aliado a uma rotina alimentar equilibrada.

    Por isso, antes do uso de qualquer suplemento, marque uma consulta com um nutricionista ou médico para avaliar o real estado nutricional e identificar se há necessidade de suplementação.

    Veja também: O que acontece no corpo quando falta vitamina A

    Perguntas frequentes sobre suplemento alimentar

    1. Todo mundo precisa tomar suplemento alimentar?

    Não! A maioria das pessoas consegue suprir suas necessidades nutricionais apenas com uma alimentação equilibrada. O uso de suplemento é indicado apenas quando há carência de vitaminas, minerais ou proteínas comprovada por exames, ou quando a rotina alimentar e o estilo de vida dificultam o consumo adequado de nutrientes.

    2. Como saber se estou precisando de suplemento alimentar?

    O primeiro passo é realizar exames de sangue e passar por avaliação profissional. Só assim é possível identificar o que realmente está em falta no organismo e evitar o uso desnecessário de produtos.

    3. Quem faz academia precisa tomar whey protein obrigatoriamente?

    Não! O whey protein é uma forma prática de ingerir proteína, mas não é obrigatório para quem treina. Se a alimentação já oferece proteína suficiente (por exemplo, através de carnes, ovos, leguminosas e laticínios), o suplemento pode ser dispensável.

    Ele se torna útil apenas quando a rotina não permite refeições completas ou quando a necessidade proteica é alta, como em atletas ou pessoas em fase de ganho de massa muscular.

    4. Suplementos naturais são mais seguros?

    O fato de um suplemento ser natural não significa que ele esteja livre de riscos. Na verdade, os produtos fitoterápicos, como maca peruana, ginseng e cúrcuma, também podem causar reações adversas, principalmente se forem usados em excesso ou sem controle de qualidade.

    Além disso, suplementos vendidos pela internet podem conter substâncias não declaradas no rótulo. Por isso, sempre procure marcas confiáveis e consulte um profissional antes de iniciar o uso.

    5. Como saber se um suplemento é seguro e autorizado pela Anvisa?

    Todo suplemento regularizado no Brasil precisa ter o número de registro ou notificação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no rótulo. Ele também deve conter informações claras sobre composição, fabricante e dosagem recomendada.

    Produtos vendidos sem procedência, com promessas milagrosas de emagrecimento ou ganho de massa rápida, são grandes sinais de alerta. Por isso, sempre compre de marcas conhecidas e lojas confiáveis.

    6. Como ter uma alimentação saudável para obter todas as vitaminas e minerais sem precisar de suplemento?

    Na rotina alimentar, é importante variar os alimentos e priorizar o que vem da natureza. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, a base da alimentação deve ser composta por comidas de verdade, ou seja, alimentos in natura ou minimamente processados — como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, grãos, ovos, carnes, leite e feijões.

    Também é recomendado evitar ultraprocessados, refrigerantes e fast food, que possuem alto teor de sódio e gordura e quase nenhum valor nutricional. Comer bem todos os dias, beber água e ter horários regulares para as refeições é o meio mais eficaz para obter todos os nutrientes sem depender de suplementação.

    Se você possui dificuldade em manter uma alimentação equilibrada no dia a dia, vale buscar a ajuda de um nutricionista. O profissional pode montar um plano alimentar personalizado, levando em conta a sua rotina, preferências e necessidades individuais.

    Leia mais: Vitamina B12: o que é, para que serve e como identificar carência ou excesso

  • Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo 

    Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo 

    Quando se fala em cálcio, a maioria das pessoas pensa logo nos ossos, e com razão. Esse mineral é o principal componente estrutural do esqueleto humano. Mas o papel do cálcio vai além disso, pois ele é importante para contração muscular, transmissão de impulsos nervosos e coagulação do sangue.

    Dada a importância dele e o fato de não ser produzido naturalmente pelo organismo, o cálcio precisa ser obtido todos os dias pela alimentação, mas o equilíbrio é muito importante. Faltas ou excessos podem trazer consequências importantes para a saúde dos ossos e saúde metabólica.

    Por que o cálcio é essencial para o corpo

    O cálcio é responsável por fortalecer ossos e dentes, mas também está envolvido em diversas funções vitais. Veja abaixo algumas delas:

    Contração muscular: o cálcio permite que músculos, incluindo o coração, contraiam e relaxem de forma coordenada;

    Transmissão nervosa: atua como mensageiro nas sinapses entre os neurônios;

    Coagulação do sangue: ajuda a estancar sangramentos por ter ação na ativação das plaquetas;

    Equilíbrio hormonal: importante para a liberação de hormônios e enzimas envolvidos em várias reações metabólicas;

    Saúde cardiovascular: ajuda a manter a pressão arterial dentro dos níveis normais.

    Fontes de cálcio na alimentação

    O cálcio pode ser encontrado em diversos alimentos, tanto de origem animal quanto vegetal. As principais fontes são:

    Laticínios: leite, queijos e iogurtes são os mais conhecidos;

    Vegetais verde-escuros: brócolis, couve e espinafre;

    Peixes: sardinha e salmão enlatado;

    Leguminosas: feijão, grão-de-bico e soja;

    Oleaginosas e sementes: amêndoas, chia e gergelim;

    A absorção do cálcio pode ser influenciada por outros nutrientes. A vitamina D, por exemplo, é essencial para que o corpo consiga absorver o mineral de forma eficiente.

    Fatores que afetam os níveis de cálcio

    Alguns hábitos e condições podem interferir na absorção ou aumentar a perda de cálcio pelo corpo. Veja alguns:

    Consumo muito alto de de cafeína e álcool;

    Dietas muito ricas em sal;

    Baixa ingestão de vitamina D;

    Sedentarismo;

    Alterações hormonais, especialmente em mulheres após a menopausa.

    O equilíbrio entre cálcio, fósforo e magnésio também é importante. Um excesso de um desses minerais pode atrapalhar a absorção dos outros.

    Deficiência de cálcio: o que pode acontecer

    A carência de cálcio, chamada de hipocalcemia, pode causar sintomas leves no início, mas, a longo prazo, traz sérias consequências.

    Sinais e sintomas possíveis:

    Câimbras e fraqueza muscular;

    Dormência ou formigamento nas mãos e pés;

    Irritabilidade e insônia;

    Enfraquecimento dos ossos, que pode causar osteopenia ou osteoporose.

    A deficiência é mais comum em idosos, mulheres na pós-menopausa, pessoas com intolerância à lactose ou que fazem dietas restritivas.

    Cálcio, hormônios e metabolismo ósseo

    O cálcio no sangue é regulado por três hormônios principais:

    Paratormônio (PTH): aumenta os níveis de cálcio no sangue ao retirá-lo dos ossos quando há deficiência;

    Calcitonina: faz o oposto, ajudando a armazenar cálcio nos ossos;

    Vitamina D: melhora a absorção intestinal do cálcio.

    Esse equilíbrio faz com que o organismo sempre tenha cálcio disponível para funções importantes sem comprometer a densidade óssea.

    Veja mais: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes sobre cálcio

    1. Quanto cálcio devo consumir por dia?

    Adultos precisam de cerca de 1.000 mg por dia, enquanto mulheres acima de 50 anos e idosos devem ingerir até 1.200 mg diários.

    2. Posso ter cálcio alto no sangue?

    Sim. O excesso, chamado de hipercalcemia, pode acontecer por doenças hormonais ou uso de suplementos em excesso, e deve ser avaliado por um médico.

    3. É verdade que só leite tem cálcio?

    Não. Vegetais verde-escuros, determinados peixes e sementes também são excelentes fontes.

    4. Cálcio e vitamina D têm relação?

    Sim. A vitamina D é importante para que o intestino consiga absorver o cálcio da alimentação.

    5. O que acontece se eu não consumir cálcio suficiente?

    A falta de cálcio por períodos longos pode causar perda de massa óssea e aumentar o risco de osteoporose e fraturas.

    6. Crianças e adolescentes precisam de mais cálcio?

    Sim, é uma fase de crescimento ósseo intenso, e a ingestão adequada ajuda a garantir ossos fortes na vida adulta.

    7. Como manter o cálcio equilibrado naturalmente?

    Com alimentação variada, exposição moderada ao sol (para ativar a vitamina D), exercícios com impacto e consumo adequado de proteínas e minerais.

    Leia também: Café da manhã sem lactose: saiba o que comer numa dieta saudável