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  • Pré-eclâmpsia: o que toda gestante precisa saber 

    Pré-eclâmpsia: o que toda gestante precisa saber 

    A pré-eclâmpsia é uma das complicações mais temidas da gestação, e não sem motivo. Embora muitas vezes silenciosa, ela pode evoluir rápido e trazer riscos para a gestante e para o bebê.

    A condição costuma surgir a partir da 20ª semana de gestação e envolve aumento da pressão arterial associado à presença de proteína na urina. O acompanhamento rigoroso permite intervir no momento certo, reduzindo riscos graves como eclâmpsia, síndrome HELLP e problemas no desenvolvimento fetal. Entenda mais.

    O que acontece no corpo da gestante

    A pré-eclâmpsia provoca um estreitamento dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação do sangue. Isso pode gerar:

    • Inchaço nas mãos, rosto e pernas;
    • Perda de proteínas na urina (proteinúria), indicando sofrimento renal;
    • Alterações no fígado, como dor na parte superior do abdômen e aumento de enzimas;
    • Distúrbios de coagulação;
    • Redução do fluxo sanguíneo para a placenta, prejudicando o crescimento do bebê.

    Nos quadros graves, o cérebro também pode ser afetado, o que causa convulsões. Quando isso acontece, chamamos de eclâmpsia, o estágio mais perigoso da doença.

    Sintomas que merecem atenção imediata

    Mesmo que a gestante se sinta bem, a pré-eclâmpsia pode evoluir sem sinais evidentes. Ainda assim, alguns sintomas devem ser considerados alertas importantes:

    • Ddor de cabeça forte e persistente;
    • Visão turva, manchas na visão ou sensibilidade à luz;
    • Inchaço repentino no rosto, mãos ou pés;
    • Dor na parte superior do abdômen;
    • Náuseas e vômitos persistentes;
    • Falta de ar;
    • Diminuição da quantidade de urina.

    Como a pressão alta pode ser silenciosa, o pré-natal regular, com aferição de pressão, exames de urina e sangue, é muito importante.

    Como é feito o diagnóstico?

    A pré-eclâmpsia é diagnosticada quando a gestante apresenta:

    • Pressão arterial ≥ 140 x 90 mmHg em duas medições separadas
    • Proteinúria, ou seja, presença de proteína na urina

    Além disso, podem ser solicitados:

    • Outros exames laboratoriais;
    • Ultrassonografias para avaliar o bem-estar e crescimento fetal.

    Fatores de risco

    Algumas mulheres têm maior chance de desenvolver pré-eclâmpsia. Os principais fatores de risco são:

    • Primeira gestação;
    • Histórico pessoal ou familiar de pré-eclâmpsia;
    • Pressão alta crônica;
    • Diabetes;
    • Obesidade;
    • Gravidez múltipla;
    • Idade materna acima de 35 anos;
    • Doenças autoimunes ou problemas de coagulação.

    Possíveis complicações

    Quando não tratada, a pré-eclâmpsia pode evoluir para quadros graves, como:

    • Eclâmpsia (convulsões);
    • Síndrome HELLP;
    • Lesões em órgãos como rins, fígado e cérebro;
    • Descolamento prematuro de placenta.

    Para o bebê, há risco de:

    • Restrição de crescimento;
    • Baixo peso ao nascer;
    • Parto prematuro.

    Em situações extremas, há risco de óbito materno e fetal.

    Tratamento e cuidados

    Toda gestante com pré-eclâmpsia precisa de acompanhamento rigoroso em ambiente hospitalar ou unidade de alto risco. A doença é imprevisível e pode se agravar rapidamente.

    O tratamento depende da gravidade e da idade gestacional:

    • Casos leves: controle da pressão com medicamentos, repouso orientado, exames frequentes e vigilância médica constante;
    • Casos graves: pode ser necessário antecipar o parto para proteger mãe e bebê.

    A importância do pré-natal

    A melhor forma de evitar complicações é um pré-natal bem feito. É nele que a equipe consegue identificar alterações na pressão arterial, proteinúria e sinais precoces da doença.

    Com diagnóstico precoce e manejo adequado, a maioria das mulheres com pré-eclâmpsia pode ter uma gestação segura e um bebê saudável.

    Prevenção: o que pode ajudar

    Embora não exista forma garantida de evitar a pré-eclâmpsia, algumas medidas reduzem o risco, especialmente em gestantes de alto risco:

    • Suplementação de cálcio (se indicada pelo médico);
    • Uso de medicamentos preventivos sob orientação;
    • Pré-natal regular;
    • Controle de peso;
    • Manejo adequado de diabetes e pressão alta;
    • Hábitos de vida saudáveis e manejo do estresse.

    Veja mais: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes sobre pré-eclâmpsia

    1. A pré-eclâmpsia sempre causa sintomas?

    Não. Muitas vezes é silenciosa, por isso o pré-natal é tão importante.

    2. Toda pressão alta na gravidez é pré-eclâmpsia?

    Não. A pré-eclâmpsia exige também proteinúria ou outros sinais de comprometimento.

    3. Quem teve pré-eclâmpsia em uma gestação terá novamente?

    O risco é maior, mas não é regra. O acompanhamento precoce ajuda a prevenir complicações.

    4. Como a doença afeta o bebê?

    Pode prejudicar o crescimento, causar parto prematuro e reduzir o fluxo sanguíneo para a placenta.

    5. A única cura definitiva é o parto?

    Sim. A placenta é parte central da doença. Após o parto, os sintomas costumam regredir.

    6. Pré-eclâmpsia pode acontecer no pós-parto?

    Sim. Pode surgir até 6 semanas após o parto.

    7. Exercícios ajudam a prevenir?

    Eles ajudam no controle do peso e da saúde geral, mas não garantem prevenção.

    Veja também: Tratamento de diabetes gestacional: como é feito?

  • Barriguinha que não vai embora? Pode ser diástase abdominal 

    Barriguinha que não vai embora? Pode ser diástase abdominal 

    A diástase abdominal é uma condição muito comum, especialmente no período pós-parto, mas ainda pouco compreendida por grande parte das pessoas. Ela ocorre quando os músculos da parte da frente do abdômen se afastam além do normal, criando um espaço entre eles. Esse afastamento pode gerar alterações estéticas, desconforto e até impactar a postura e o equilíbrio corporal.

    Apesar de ser frequentemente associada à maternidade, a diástase também pode aparecer em homens e mulheres que nunca engravidaram. Saber identificar os sinais, entender por que ela acontece e buscar ajuda profissional são passos importantes para evitar complicações e recuperar a força do core de forma segura.

    O que é a diástase abdominal?

    A diástase dos músculos retos abdominais é o afastamento anormal das duas bandas musculares que formam a parede frontal do abdômen. Esse afastamento acontece quando a linha alba, uma faixa de tecido conjuntivo que une esses músculos, fica enfraquecida e alongada.

    Por que isso acontece?

    A causa mais comum é a gravidez. Conforme o útero cresce, a parede abdominal precisa se alongar para acomodar o bebê, o que pode afinar e fragilizar a linha alba. Depois do parto, esses músculos nem sempre voltam totalmente à posição original.

    Outros fatores também contribuem:

    • Obesidade;
    • Perda rápida de peso;
    • Fraqueza natural dos tecidos;
    • Postura inadequada ou esforço excessivo;
    • Pode ocorrer em homens, embora seja mais comum em mulheres.

    Como identificar

    O sinal mais comum é um abaulamento no centro da barriga, especialmente quando ocorre aumento da pressão abdominal, como ao tossir, levantar da cama ou durante alguns exercícios.

    A aparência pode ser de uma “barriguinha” persistente, mesmo em pessoas magras ou fisicamente ativas. A diástase em si não costuma gerar dor, mas pode contribuir para:

    • Desconforto abdominal;
    • Dores lombares;
    • Sensação de instabilidade no tronco.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é feito com exame físico, avaliando a distância entre os músculos retos. Considera-se diástase quando:

    • A separação é maior que 2 cm, ou
    • Há abaulamento evidente à contração abdominal.

    Para confirmar o quadro e avaliar melhor a parede abdominal, o médico pode solicitar:

    • Ultrassom de parede abdominal;
    • Tomografia (quando necessário)

    Esses exames também ajudam a identificar a presença de hérnias associadas.

    Tratamento

    A boa notícia: a maior parte dos casos melhora sem cirurgia.

    Tratamento conservador (primeira escolha)

    • Fisioterapia especializada;
    • Exercícios específicos para fortalecimento profundo do core;
    • Reeducação postural;
    • Movimentos que não aumentem a pressão abdominal (evitar abdominais tradicionais).

    Nos casos leves, a melhora pode acontecer com o tempo, o fortalecimento adequado ou até de forma espontânea.

    Quando a cirurgia é indicada

    • Há separação muito grande;
    • Existe dor importante ou limitação funcional;
    • Há hérnia associada;
    • Não há melhora após tratamento conservador.

    O procedimento reconstrói a parede abdominal e aproxima novamente os músculos.

    Pode voltar ao normal?

    Sim. A recuperação depende:

    • Do tamanho da separação;
    • Do tempo desde o início da diástase;
    • Da adesão ao tratamento.

    Mas é importante lembrar que a diástase pode retornar com futuras gestações ou esforço excessivo que aumente a pressão abdominal.

    Como prevenir

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Controlar o ganho de peso na gravidez;
    • Manter postura adequada;
    • Fortalecer o core antes e depois da gestação;
    • Evitar levantar peso de forma incorreta;
    • Praticar exercícios orientados por profissionais capacitados

    Quando procurar um profissional

    Consulte um médico ou fisioterapeuta se você notar:

    • Abaulamento persistente na barriga;
    • Sensação de fraqueza no core;
    • Dificuldade de estabilizar o tronco;
    • Dor lombar associada;
    • Suspeita de hérnia.

    O diagnóstico precoce facilita o tratamento e melhora a função abdominal.

    Veja mais: Exercícios para fortalecer a coluna: o guia completo para proteger sua postura e prevenir dores

    Perguntas frequentes sobre diástase abdominal

    1. Toda gestante terá diástase?

    Não. É comum, mas não acontece com todas as mulheres.

    2. A diástase causa dor?

    Ela não causa dor diretamente, mas pode contribuir para desconforto, dor lombar e instabilidade.

    3. Posso treinar normalmente com diástase?

    Pode, mas com adaptações. Alguns exercícios pioram o quadro, e a orientação de um profissional é essencial.

    4. Só cirurgia resolve a diástase?

    Na maioria dos casos, não. A fisioterapia é eficaz para muitos pacientes.

    5. Homens podem ter diástase?

    Sim. Embora mais comum em mulheres, homens também podem desenvolver o problema.

    6. Diástase e hérnia são a mesma coisa?

    Não. Mas podem ocorrer juntas.

    7. Quanto tempo leva para melhorar?

    Depende do caso. Com tratamento adequado, muitas pessoas veem melhora em semanas a meses.

    Leia mais: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

  • Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

    Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

    Dormir bem é muito importante para o corpo se recuperar e o coração descansar. No entanto, muitos hábitos que parecem inofensivos antes de deitar, como olhar o celular, fazer uma refeição muito tarde ou fazer exercícios vigorosos à noite, podem afetar a qualidade do sono sem que você perceba.

    A seguir, conheça 7 hábitos noturnos comuns que atrapalham o descanso e veja como ajustar sua rotina para dormir melhor.

    1. Usar o celular antes de dormir

    Checar redes sociais, assistir vídeos ou responder mensagens na cama pode parecer relaxante, mas a luz azul emitida pelas telas reduz a produção de melatonina, o hormônio que induz o sono. O estímulo mental e emocional também atrasa o adormecer, o que te faz perder um tempo precioso de descanso.

    Estudos mostram que o uso prolongado de telas à noite está associado a menor duração e qualidade do sono. Por isso, desligue o celular ou deixe-o fora do quarto ao menos 30 minutos a 1 hora antes de dormir. Prefira uma leitura leve ou meditação nesse período.

    2. Comer muito tarde

    Quando comemos muito próximo da hora de dormir, o corpo precisa trabalhar na digestão justo quando deveria descansar. Isso atrasa o sono, aumenta a chance de refluxo gastroesofágico e reduz o tempo de sono profundo. Refeições tardias podem causar despertares noturnos e sonolência diurna.

    Sempre que puder, programe-se para encerrar o jantar pelo menos 2 a 3 horas antes de dormir. Se tiver fome, prefira um lanche leve.

    3. Comer alimentos gordurosos ou pesados

    Refeições ricas em gordura, como frituras e carnes gordas, têm digestão lenta e podem dificultar o sono ou causar desconforto abdominal. À noite, mesmo algumas horas antes de se deitar, prefira refeições mais leves, como legumes, sopas, saladas e proteínas magras.

    4. Fazer exercícios intensos muito tarde

    A prática regular de atividade física é ótima para o sono, mas não no horário errado. Exercícios muito intensos perto da hora de dormir aumentam a frequência cardíaca, a temperatura corporal e a liberação de adrenalina, o que dificulta o relaxamento.

    Sempre que possível, finalize o treino pesado pelo menos quatro horas antes da hora de dormir. Caso queira se movimentar à noite, escolha exercícios mais leves, alongamentos ou yoga.

    5. Manter o ambiente muito iluminado

    A luz forte à noite, especialmente de lâmpadas frias e eletrônicos, confunde o relógio biológico e atrapalha a produção de melatonina. Dormir em local muito claro ou com televisão ligada reduz a profundidade do sono e aumenta o risco de despertares noturnos.

    Se puder, reduza a iluminação uma hora antes de se deitar, use luzes amareladas e mantenha o quarto escuro e silencioso.

    Confira: Higiene do sono: guia prático para dormir melhor e cuidar da saúde

    6. Tomar café, energéticos ou álcool à noite

    Cafeína e álcool são inimigos do sono. Enquanto a cafeína estimula o sistema nervoso e retarda o sono profundo, o álcool até pode dar sono no início, mas fragmenta o descanso, provocando despertares e roncos.

    Por isso, evite café, chás estimulantes, refrigerantes e bebidas alcoólicas após o fim da tarde.

    7. Levar preocupações para a cama

    Problemas todos temos, mas ir se deitar pensando neles — no trabalho ou em listas de tarefas — ativa o sistema nervoso simpático, que nos mantém em alerta. Isso faz o coração bater mais rápido, eleva a pressão arterial e dificulta o adormecer, além de aumentar o risco de insônia e ansiedade.

    Para controlar a ansiedade e não pensar em problemas na hora errada, procure criar um ritual relaxante noturno: desligue telas, faça respiração profunda ou anote as tarefas para o dia seguinte, deixando a mente livre para descansar.

    Leia mais: Insônia na menopausa: 4 medidas para melhorar o sono

    Perguntas frequentes sobre hábitos noturnos e sono

    1. Quantas horas de sono um adulto precisa?

    A maioria dos adultos precisa de 7 a 9 horas por noite, segundo a American Academy of Sleep Medicine.

    2. Dormir tarde faz mal mesmo dormindo a mesma quantidade de horas?

    Sim. O corpo segue um ritmo biológico natural. Dormir e acordar tarde pode alterar hormônios e prejudicar a regulação metabólica e cardiovascular.

    3. Posso usar o celular com filtro de luz azul antes de dormir?

    Ajuda um pouco, mas o estímulo cognitivo continua. O ideal é evitar o celular e criar um ambiente de relaxamento.

    4. Exercício à noite sempre atrapalha o sono?

    Nem sempre. Atividades leves, como alongamento, yoga ou caminhada, podem até ajudar. O problema são os treinos intensos próximos da hora de dormir.

    5. Comer à noite engorda?

    Depende do total de calorias diárias, mas comer tarde pode interferir no sono. E dormir mal com frequência pode estar ligado ao aumento do peso.

    6. Qual é o pior hábito para o sono?

    O uso de telas antes de dormir é um dos principais problemas, por combinar luz azul, estímulo mental e atraso no descanso.

    7. Existe um horário ideal para dormir?

    O ideal é respeitar o ritmo natural do corpo e manter uma rotina regular, indo para a cama e acordando nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana.

    Leia também: Apneia do sono: quando o ronco é sinal de algo mais sério

  • A importância da luz natural para regular o sono e o humor 

    A importância da luz natural para regular o sono e o humor 

    Em uma rotina cada vez mais marcada por telas, ambientes fechados e luz artificial, muitas pessoas passam boa parte do dia sem contato direto com a luz natural. Esse hábito tem efeitos profundos sobre o corpo, especialmente no sono, no humor e na saúde mental.

    A ciência mostra que a luz natural é um dos principais reguladores do ritmo circadiano, nosso relógio biológico interno. Quando nos expomos ao sol nos horários adequados, o cérebro entende quando deve estar alerta, quando deve relaxar e quando é hora de dormir.

    A falta dessa exposição, por outro lado, desorganiza o ciclo do sono, prejudica o humor e aumenta o risco de ansiedade, depressão e fadiga constante.

    Como a luz natural regula o ritmo circadiano

    O ritmo circadiano é o conjunto de processos biológicos que funciona como um relógio interno e sincroniza o organismo com o ciclo de 24 horas do dia. A luz natural é o sinal mais importante para manter esse sistema ajustado.

    Quando a luz entra pelos olhos, células especiais da retina enviam mensagens ao cérebro informando que é dia. Isso desencadeia uma série de reações:

    • Redução da melatonina, o hormônio do sono;
    • Aumento da serotonina e dopamina, ligadas ao humor e à disposição;
    • Regulação da temperatura corporal;
    • Sincronização do metabolismo e da liberação hormonal.

    Por isso, pessoas que passam muito tempo em ambientes fechados ou iluminados apenas artificialmente tendem a ter mais:

    • Sono irregular;
    • Dificuldade para despertar;
    • Maior sonolência diurna;
    • Alterações de humor.

    Luz natural e produção de hormônios que regulam o humor

    A exposição à luz natural pela manhã estimula a produção de serotonina, neurotransmissor relacionado a bem-estar, energia e motivação. É por isso que caminhar ao ar livre logo cedo ajuda a:

    • Manter o humor melhor;
    • Reduzir a ansiedade,
    • Aliviar sintomas depressivos,
    • Aumentar a clareza mental.

    Como a luz natural melhora o sono

    Durante o dia, a luz solar suprime a melatonina, o que mantém o corpo desperto. À noite, com a queda natural da luminosidade, o cérebro entende que é hora de descansar e volta a produzir melatonina para induzir o sono.

    Quando a exposição à luz natural é insuficiente, especialmente pela manhã, esse processo fica desajustado. O resultado pode ser:

    • insônia;
    • dificuldade de pegar no sono;
    • despertar durante a madrugada;
    • sensação de “acordar cansado”;
    • sonolência ao longo do dia.

    Pessoas que trabalham em locais fechados ou fazem home office com pouca luz natural são especialmente vulneráveis a esse desajuste.

    Benefícios da luz natural para o corpo e a saúde

    Mais energia e disposição

    A luz natural aumenta os níveis de serotonina e dopamina, e isso deixa o corpo mais desperto e preparado para enfrentar o dia.

    Humor melhor e redução do estresse

    Exposição adequada à luz ajuda a proteger contra sintomas depressivos e melhora a resposta do organismo ao estresse.

    Sono mais profundo e restaurador

    Quando o ritmo circadiano está alinhado, o ciclo sono-vigília funciona melhor, e isso resulta em noites mais tranquilas.

    Imunidade mais forte

    A produção de vitamina D, estimulada pela luz solar, tem impacto na saúde imunológica e metabólica.

    Quanto tempo de luz natural é suficiente?

    Não é preciso muito. Cerca de 20 a 30 minutos de luz natural pela manhã, de preferência ao ar livre, já são suficientes para regular o relógio biológico. Quanto mais cedo, melhor: entre 7h e 10h da manhã, o corpo responde mais intensamente ao estímulo.

    Para quem não pode sair de casa, abrir janelas, trabalhar perto da luz natural e fazer as pausas do dia ao ar livre já ajudam bastante.

    Por que a luz artificial não substitui a luz natural

    A luz das telas e de lâmpadas LED tem composição diferente, com excesso de luz azul, que:

    • Engana o cérebro;
    • Inibe a produção de melatonina;
    • Dificulta o sono;
    • Aumenta o estado de alerta à noite, justamente quando o corpo precisa se recolher.

    É por isso que dormir com o celular ou assistir séries até tarde atrapalha tanto a qualidade do sono.

    Como incluir mais luz natural na rotina

    • Abra janelas logo ao acordar;
    • Tome seu café da manhã próximo à luz natural;
    • Faça pequenas caminhadas ao ar livre;
    • Use a varanda ou um local iluminado para trabalhar;
    • Reduza o uso de telas à noite;
    • Diminua o brilho de dispositivos eletrônicos após o pôr do sol.

    Esses pequenos hábitos são importantes para regular o relógio biológico e melhoram tanto o humor quanto o sono.

    Leia também: Como controlar o sono depois do almoço?

    Perguntas frequentes sobre luz natural e sono

    1. É verdade que a luz natural ajuda a acordar mais disposto?

    Sim. A luz natural suprime a melatonina e aumenta hormônios ligados ao bem-estar e à energia.

    2. Qual é o melhor horário para se expor ao sol?

    De manhã, entre 7h e 10h, quando o efeito sobre o ritmo circadiano é maior.

    3. Luz natural através da janela funciona?

    Ajuda, sim, mas estar ao ar livre é ainda melhor.

    4. Ficar no celular à noite atrapalha o sono?

    Muito. A luz azul das telas reduz a produção de melatonina, o hormônio do sono.

    5. Luz artificial branca durante o dia substitui a luz solar?

    Não. Ela não reproduz a intensidade nem o espectro completo da luz natural.

    6. A falta de luz natural pode causar tristeza ou ansiedade?

    Sim. Baixa exposição está associada a humor deprimido, estresse e fadiga.

    Leia mais: Higiene do sono: guia prático para dormir melhor e cuidar da saúde

  • O que acontece com seu corpo enquanto você dorme 

    O que acontece com seu corpo enquanto você dorme 

    Dormir é muito mais do que desligar o corpo por algumas horas. Durante o sono, o organismo trabalha intensamente para se recuperar, equilibrar funções vitais e preparar o cérebro e o coração para o dia seguinte.

    Mesmo sem perceber, cada fase do sono é responsável por uma série de processos biológicos, seja liberação de hormônios, reparação dos tecidos, consolidação da memória ou regulação da pressão arterial.

    Nos últimos anos, pesquisas médicas têm mostrado que dormir pouco ou mal afeta profundamente a saúde do corpo e da mente. A privação de sono está associada a maior risco de pressão alta, diabetes, obesidade, depressão e doenças cardiovasculares.

    O que acontece com o corpo enquanto dormimos

    Durante o sono, o corpo passa por fases cíclicas, que se repetem várias vezes ao longo da noite. Cada uma delas tem uma função específica para o equilíbrio do organismo.

    As duas grandes etapas são o sono NREM (não REM) e o sono REM (movimentos rápidos dos olhos):

    • Sono leve (NREM 1 e 2): o corpo começa a relaxar, a respiração e os batimentos cardíacos diminuem. É o momento de transição entre o estado de vigília e o sono profundo;
    • Sono profundo (NREM 3): ocorre a regeneração dos tecidos, liberação de hormônios do crescimento e fortalecimento do sistema imunológico. É a fase mais restauradora;
    • Sono REM: o cérebro fica mais ativo, os sonhos acontecem e ocorre a consolidação da memória e das emoções.

    Um adulto saudável costuma passar por 4 a 6 ciclos completos de sono por noite, cada um com duração média de 90 minutos.

    O que o corpo faz em cada sistema enquanto dormimos

    Cérebro: consolida memórias e limpa toxinas

    Enquanto dormimos, o cérebro organiza as informações do dia e decide o que deve ser armazenado na memória de longo prazo. Durante o sono profundo, entra em ação o sistema glinfático, responsável por remover toxinas e resíduos neuronais, como a proteína beta-amiloide, associada ao Alzheimer.

    Portanto, dormir bem melhora a memória, a concentração e a saúde mental.

    Coração e circulação: entram em ritmo de recuperação

    O sono reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial, e isso permite que o sistema cardiovascular descanse e se regenere. Durante a fase de sono profundo, o corpo diminui o esforço do coração e equilibra os níveis hormonais que controlam a pressão.

    Dormir mal ou dormir pouco, por outro lado, aumenta a produção de adrenalina e cortisol, hormônios do estresse, que sobrecarregam o coração e elevam o risco de pressão alta e arritmias.

    Músculos e tecidos: se recuperam e crescem

    Durante o sono, especialmente na fase profunda, o corpo produz o hormônio do crescimento (GH), essencial para a regeneração dos tecidos, cicatrização e manutenção da massa muscular. É por isso que pessoas que dormem mal costumam ter mais dores musculares, menor desempenho físico e recuperação lenta após exercícios.

    Sistema imunológico: se fortalece

    Dormir bem é uma das maneiras mais simples e eficazes de manter a imunidade forte. Durante o sono, o corpo produz substâncias que ajudam a combater vírus, bactérias e inflamações.

    Quem dorme menos de 6 horas por noite tem maior propensão a infecções, gripes e recuperação mais lenta de doenças.

    Metabolismo e hormônios: se equilibram

    O sono regula os hormônios que controlam fome, saciedade e metabolismo energético, como leptina, grelina e insulina. Quem nunca reparou que a fome aumentou depois de uma noite mal dormida?

    Quando dormimos pouco, a leptina (hormônio da saciedade) cai, e a grelina (que estimula o apetite) aumenta. Quando tudo isso acontece com frequência, a tendência é ganhar peso e desenvolver resistência à insulina.

    Dormir bem, portanto, ajuda a controlar o peso, reduzir o risco de diabetes tipo 2 e manter o metabolismo em ordem.

    O que acontece quando dormimos mal

    A falta de sono regular impacta o corpo de forma ampla. Entre as principais consequências estão:

    • Aumento da pressão arterial e risco de doenças cardíacas;
    • Queda na imunidade;
    • Alterações de humor, irritabilidade e ansiedade;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
    • Desejo por alimentos mais calóricos e ganho de peso;
    • Envelhecimento precoce da pele e do sistema nervoso.

    Dicas para dormir melhor

    • Mantenha horários regulares: deitar e acordar no mesmo horário ajuda a regular o relógio biológico;
    • Evite telas antes de dormir: a luz azul de celulares e computadores inibe a melatonina, hormônio do sono;
    • Cuide da alimentação: evite café, álcool e refeições pesadas à noite;
    • Pratique atividade física leve: exercícios ajudam a regular o sono, mas devem ser feitos até 3 horas antes de dormir;
    • Crie um ambiente relaxante: mantenha o quarto escuro, silencioso e fresco.

    Leia mais: Higiene do sono: guia prático para dormir melhor e cuidar da saúde

    Perguntas frequentes sobre o sono

    1. Quantas horas de sono são ideais por noite?

    Adultos precisam de 7 a 9 horas por noite; menos do que isso compromete funções vitais do organismo.

    2. O que acontece se eu dormir pouco por vários dias?

    A privação crônica de sono pode causar irritabilidade, perda de memória, desequilíbrio hormonal e aumento do risco de doenças do coração.

    3. Dormir demais faz mal?

    Sim, o excesso de sono (mais de 10 horas diárias) também pode indicar problemas, como depressão, apneia do sono ou distúrbios metabólicos.

    4. Dormir mal engorda?

    Sim. Dormir mal altera hormônios ligados à fome e à saciedade, e isso facilita o ganho de peso.

    5. Por que o sono é tão importante para o coração?

    Durante o sono profundo, o coração reduz o ritmo e o corpo controla melhor a pressão e a circulação, e isso previne doenças cardíacas.

    6. O que é sono REM e por que ele importa?

    É a fase em que o cérebro processa memórias e emoções, essencial para o equilíbrio da mente e da cognição.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Se o cansaço, a sonolência diurna ou a dificuldade para dormir persistirem, é importante procurar um clínico geral ou especialista em sono.

    Leia mais: Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa

  • Obesidade infantil: o que é, causas e como prevenir

    Obesidade infantil: o que é, causas e como prevenir

    Você sabia que a obesidade infantil é um fator de risco importante para doenças crônicas na vida adulta, como diabetes tipo 2 e hipertensão? No Brasil, uma em cada três crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos está acima do peso, segundo levantamento nacional com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). A taxa de sobrepeso nessa faixa etária cresceu quase 9% em dez anos.

    A exposição prolongada ao excesso de gordura corporal na infância pode desencadear uma série de problemas de saúde mais cedo, além de causar outras complicações a curto e longo prazo — afetando o desenvolvimento físico e psicológico da criança. Vamos entender mais, a seguir!

    O que é obesidade infantil?

    A obesidade infantil é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, acima do recomendado para a idade e altura, em crianças de até 12 anos de idade.

    A condição acontece quando o corpo recebe mais calorias do que gasta, o que pode ocorrer em uma alimentação rica em ultraprocessados e aliada ao pouco movimento no dia a dia, o grande tempo sentado e o uso excessivo de telas — que fazem o corpo armazenar gordura com facilidade.

    Quais os tipos de obesidade infantil?

    A obesidade infantil pode ser classificada de duas formas principais pela causa:

    Exógena: é causada pela soma de ambiente alimentar desregulado, consumo alto de ultraprocessados, bebidas açucaradas e rotina com pouco movimento. A criança vive em um ambiente que facilita comer muito e gastar pouco;

    Endógena: é provocada por alterações internas do organismo. A criança pode ter distúrbios hormonais (como problemas de tireoide ou síndrome de Cushing) ou usar remédios que favorecem ganho de peso, como corticoides.

    A obesidade infantil também pode ser dividida pela gravidade, medida pelo IMC para idade e sexo:

    • Sobrepeso, aparece quando o IMC está acima do percentil 85 e abaixo do percentil 95;
    • Obesidade, aparece quando o IMC está acima do percentil 95;
    • Obesidade grave (ou obesidade mórbida) costuma ser usada quando o IMC está em 40 kg/m² ou mais, refletindo acúmulo muito elevado de gordura corporal.

    O que causa a obesidade em crianças?

    A obesidade é uma doença multifatorial, o que significa que ela é influenciada por uma série de fatores biológicos, comportamentais e sociais, como:

    Alimentação inadequada

    O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados é uma das principais causas do acúmulo excessivo de gordura corporal em crianças.

    Refrigerantes, biscoitos, salgadinhos e fast food, por exemplo, são ricos em calorias, gorduras saturadas, açúcar e sódio — mas pobres em nutrientes, como fibras, vitaminas e minerais. Com o tempo, o desequilíbrio favorece o ganho de peso e prejudica o desenvolvimento adequado do organismo.

    Além disso, o consumo frequente desses produtos altera o paladar infantil, fazendo com que a criança prefira alimentos muito doces, salgados ou gordurosos, e rejeite opções mais naturais, como frutas, verduras e legumes.

    Sedentarismo

    O sedentarismo em crianças é caracterizado por longos períodos de inatividade, como assistir televisão, jogar videogame ou usar o celular. O comportamento ficou cada vez mais comum nos últimos anos, com o avanço da tecnologia e a redução das brincadeiras ao ar livre, o que faz com que as crianças gastem menos energia do que consomem.

    Quando a baixa movimentação é somada com uma alimentação rica em ultraprocessados e pobre em nutrientes, o resultado é o acúmulo de gordura corporal e o aumento do peso. O sedentarismo também interfere no desenvolvimento muscular, na coordenação motora e na saúde emocional, podendo causar irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração.

    A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças e adolescentes realizem pelo menos 60 minutos de atividade física por dia, incluindo brincadeiras, esportes e jogos.

    Fatores genéticos e hormonais

    As crianças filhas de pais com obesidade têm maior predisposição genética a desenvolver o mesmo quadro, já que herdam genes que influenciam o metabolismo, o apetite e a forma como o corpo armazena gordura.

    Além da herança genética, o ambiente familiar também tem grande impacto: hábitos alimentares inadequados, pouca prática de atividade física e rotina sedentária tendem a ser reproduzidos pelas crianças.

    Para complementar, distúrbios hormonais, como hipotireoidismo, síndrome de Cushing e resistência à insulina podem interferir no metabolismo, diminuindo o gasto energético e favorecendo o ganho de peso.

    Fatores emocionais

    Não é incomum que algumas crianças utilizem a comida como uma forma de compensar sentimentos de tristeza, ansiedade, solidão ou até tédio. O comportamento, conhecido como “fome emocional”, faz com que o alimento se torne uma válvula de escape para lidar com emoções difíceis.

    Com o tempo, isso pode gerar um ciclo de dependência: a criança come para se sentir melhor, mas logo sente culpa ou desconforto, o que leva a novos episódios de compulsão alimentar.

    Sono inadequado

    O sono inadequado na infância altera o equilíbrio hormonal e o funcionamento do metabolismo, aumentando o risco de obesidade. Durante o sono, o corpo regula hormônios importantes relacionados ao apetite, como a leptina (que sinaliza saciedade) e a grelina (que estimula a fome).

    Quando a criança dorme pouco, há uma redução da leptina e um aumento da grelina, o que faz com que ela sinta mais fome e tenha maior tendência a consumir alimentos calóricos e ultraprocessados.

    Crianças que dormem mal também tendem a ficar mais irritadas, dispersas e cansadas durante o dia, o que reduz a disposição para se movimentar, praticar esportes ou brincar, aumentando o comportamento sedentário e, consequentemente, o risco de obesidade.

    Por que a obesidade infantil tem crescido tanto nos últimos anos?

    A obesidade infantil no Brasil é um problema de saúde pública crescente, com cerca de um em cada três crianças entre 5 e 9 anos estando acima do peso. Para se ter uma ideia, pela primeira vez na história, o excesso de peso grave superou a desnutrição como a maior forma de má nutrição infantil, de acordo com dados do Fundo das Nações Unidas.

    Mas afinal, por que isso está acontecendo? De acordo com a nutricionista Mariana Del Bosco, o país vive uma realidade com ambientes cada vez mais obesogênicos. As crianças estão mais sedentárias, a questão da segurança tende a impedir atividade física e há uma enorme oferta de alimentos de alta densidade energética.

    O consumo de ultraprocessados cresceu, e os produtos têm alto teor de açúcar e gordura que aumentam a ingestão calórica e o risco de a obesidade aparecer.

    “Todas as esferas da sociedade têm o seu papel. O governo, por exemplo, com políticas que poderiam proteger as crianças, com regulamentação de rotulagem e de publicidade para produtos de criança; a escola, promovendo uma cantina mais saudável, podendo ser um ambiente de educação alimentar e nutricional; as indústrias fazendo uma comunicação clara, melhorando a qualidade de produtos, e a família com uma parcela dessa responsabilização”, explica a nutricionista.

    Sintomas de obesidade infantil

    A obesidade infantil pode se desenvolver de forma gradual, e nem sempre o quadro é percebido de imediato pelos pais. O principal sintoma é o acúmulo excessivo de gordura corporal, além de sinais como:

    • Aumento rápido de peso desproporcional ao crescimento da altura;
    • Acúmulo de gordura em regiões como abdômen, braços, coxas e rosto;
    • Roupas apertando com frequência ou necessidade de trocar de tamanho fora do padrão esperado para a idade;
    • Falta de fôlego ou cansaço durante atividades simples, como subir escadas ou correr;
    • Dores nas articulações, especialmente joelhos e tornozelos, devido à sobrecarga do peso.

    A criança também pode apresentar sinais comportamentais e emocionais, como:

    • Preferência por alimentos ultraprocessados e rejeição a frutas, verduras e refeições caseiras;
    • Sedentarismo e desinteresse por atividades físicas;
    • Uso excessivo de telas (celular, TV, videogame);
    • Baixa autoestima e isolamento social, muitas vezes por causa de bullying;
    • Alterações de humor, ansiedade e compulsão alimentar.

    Riscos da obesidade infantil

    O excesso de gordura corporal na infância pode causar diversos problemas de saúde ainda nessa fase e aumentar o risco de doenças graves na vida adulta. Entre os principais riscos, é possível destacar:

    • Diabetes tipo 2;
    • Colesterol e triglicerídeos elevados;
    • Hipertensão arterial;
    • Doenças cardiovasculares precoces;
    • Problemas respiratórios, como apneia do sono;
    • Alterações hormonais e puberdade precoce;
    • Dores nas articulações e deformidades ósseas;
    • Esteatose hepática (gordura no fígado);
    • Dificuldades de locomoção e baixa resistência física;
    • Transtornos alimentares e ansiedade;
    • Baixa autoestima e isolamento social;
    • Maior probabilidade de obesidade na vida adulta.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da obesidade infantil é feito pelos pediatras através da avaliação do peso, da altura e outros fatores ligados ao crescimento e à composição corporal da criança. O principal parâmetro utilizado é o Índice de Massa Corporal (IMC), cujo valor é comparado com curvas de crescimento específicas para idade e sexo, de acordo com Mariana.

    Além do IMC, a avaliação pode incluir também composição corporal, percentual de gordura, circunferências e análise do padrão alimentar. Em muitos casos, são solicitados exames complementares, como:

    • Glicemia e insulina;
    • Colesterol total e frações (HDL, LDL);
    • Triglicerídeos;
    • Função hepática (TGO, TGP);
    • Função tireoidiana.

    Vale ressaltar que o diagnóstico não se baseia apenas em números e é fundamental compreender o contexto alimentar, o nível de atividade física e fatores emocionais e sociais que podem estar contribuindo para o ganho de peso.

    Nesse contexto, Mariana explica que o pediatra está na linha de frente dessa triagem, porque acompanha peso e estatura pelo menos uma vez por ano. A observação da curva de crescimento é um dos sinais mais precoces: mesmo antes de cruzar as linhas de sobrepeso ou obesidade, a tendência de subida já é alerta de risco e já justifica avaliação mais detalhada.

    Tratamento de obesidade infantil

    O tratamento da obesidade infantil deve ser sempre individualizado e supervisionado por profissionais de saúde, envolvendo médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo. O objetivo principal não é apenas a perda de peso, mas a mudança de hábitos e a promoção de um estilo de vida saudável que possa ser mantido a longo prazo.

    Ele envolve uma série de medidas, como:

    Alimentação equilibrada: basear as refeições em alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras. Deve-se reduzir o consumo de ultraprocessados, refrigerantes, doces e fast-food;

    Rotina alimentar estruturada: manter horários regulares para as refeições e evitar “beliscar” o tempo todo. Fazer as refeições à mesa, sem distrações como TV ou celular, ajuda a reconhecer quando está satisfeito;

    Atividade física diária: incentivar pelo menos 60 minutos de movimento por dia, incluindo brincadeiras, esportes e atividades ao ar livre. O objetivo é aumentar o gasto energético e fortalecer músculos e ossos;

    Uso de medicamentos (em casos específicos): indicado apenas sob orientação médica, quando há doenças associadas ou obesidade grave que não responde a outras medidas;

    Sono adequado: a privação de sono desequilibra os hormônios da fome (grelina e leptina) e favorece o ganho de peso;

    Redução do tempo de tela: limitar o uso de televisão, celular e videogame a no máximo duas horas por dia, conforme recomendação da OMS;

    Apoio psicológico: ajudar a criança a lidar com sentimentos de ansiedade, frustração e baixa autoestima que podem levar à compulsão alimentar.

    Segundo Mariana, se a criança entra na puberdade com peso adequado, o risco de manter obesidade na vida adulta diminui de forma significativa. Por isso, o cuidado precisa começar assim que o risco aparece, e não apenas quando o problema já está instalado.

    Dieta restritiva é necessária no tratamento de obesidade infantil?

    A dieta restritiva não é indicada no tratamento da obesidade infantil. A criança precisa comer bem para crescer, se desenvolver e construir relação saudável com o alimento. De acordo com Mariana, o foco não é cortar alimentos de forma rígida, mas melhorar a qualidade do que está na rotina da família.

    A orientação nutricional busca organizar o entorno: o que entra no carrinho de supermercado, o que está disponível em casa, como a família faz as refeições e como o alimento aparece no dia a dia.

    Assim, a rotina será mais equilibrada, com mais alimentos nutritivos e menos ultraprocessados, sem comprometer o desenvolvimento do pequeno. A inclusão de indulgências eventuais, como um sorvete no fim de semana ou uma festinha, faz parte do plano. O resultado vem da mudança sustentada de comportamento, e não de restrição radical.

    Quanto de atividade física para crianças é recomendado?

    De acordo com o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, as recomendações variam conforme a idade e o estágio de desenvolvimento da criança:

    • Crianças de até 1 ano: pelo menos 30 minutos por dia em posição de bruços (“de barriga para baixo”), distribuídos ao longo do dia, em diferentes momentos;
    • Crianças de 1 a 2 anos: pelo menos 3 horas por dia de atividades físicas de qualquer intensidade, divididas ao longo do dia;
    • Crianças de 3 a 5 anos: pelo menos 3 horas por dia de atividades físicas de qualquer intensidade, sendo no mínimo 1 hora de intensidade moderada a vigorosa.

    A atividade física para crianças pode acontecer principalmente por meio de jogos, brincadeiras e movimentos espontâneos, mas também pode envolver atividades mais estruturadas, como aulas de educação física, escolinhas de esportes e natação — sempre supervisionadas por pais, responsáveis ou professores.

    Alguns exemplos de atividades por faixa etária:

    • Até 1 ano: brincadeiras que estimulem movimentos como rolar, engatinhar, sentar, puxar, empurrar, equilibrar-se e alcançar objetos;
    • De 1 a 2 anos: atividades que envolvam andar, correr, pular, escalar, lançar e segurar bolas, girar e equilibrar-se;
    • De 3 a 5 anos: jogos e brincadeiras como caminhar, correr, chutar, saltar, arremessar e atravessar obstáculos. Nessa fase, a criança também pode participar de esportes, danças, ginástica, lutas e deslocamentos ativos (a pé ou de bicicleta, sempre acompanhada por um adulto).

    Confira: Como montar um prato saudável em buffets? Veja algumas dicas

    É possível prevenir a obesidade infantil?

    A obesidade infantil pode ser prevenida, principalmente com hábitos saudáveis adotados desde os primeiros anos de vida. A prevenção começa em casa, com o exemplo dos pais, e deve envolver alimentação equilibrada, prática de atividade física e um ambiente emocional saudável. Veja alguns cuidados:

    • Oferecer frutas, verduras, legumes, grãos integrais e alimentos naturais no dia a dia, evitando ultraprocessados, refrigerantes, doces e fast-food;
    • Manter horários regulares, comer à mesa e evitar distrações como TV e celular durante as refeições.
    • Manter a amamentação exclusiva e em livre demanda até os 6 meses, o que ajuda a regular o apetite e reduzir o risco de obesidade futura;
    • Crianças maiores de 6 meses devem beber água antes, durante e após a atividade física.
    • Estimular brincadeiras ativas, esportes e atividades ao ar livre diariamente, como caminhadas, corridas, danças e ginásticas;
    • Reduzir o tempo em frente à televisão, computador e celular a no máximo duas horas por dia.

    Quanto mais cedo os hábitos forem incorporados à rotina familiar, maiores serão as chances de a criança crescer saudável e manter um peso adequado na vida adulta.

    Leia também: Delivery saudável: nutricionista dá dicas para escolher bem

    Perguntas frequentes

    Como saber se meu filho está acima do peso?

    O peso isolado não é suficiente para avaliar a obesidade infantil. O pediatra utiliza o IMC (peso dividido pela altura ao quadrado) e compara com curvas de crescimento específicas para cada faixa etária. Quando o valor ultrapassa o percentil 97, a criança é considerada obesa.

    O acúmulo de gordura no abdômen, os hábitos alimentares, o nível de atividade física e o histórico familiar também entram na avaliação. Por isso, manter acompanhamento regular com o especialista é importante para identificar fatores de risco de forma precoce.

    A obesidade infantil tem cura?

    Sim, é possível reverter o quadro de obesidade infantil com mudanças de estilo de vida. Na infância, o organismo ainda está em formação, o que facilita o controle do peso quando há intervenção precoce.

    O tratamento envolve alimentação equilibrada, estímulo à atividade física e acompanhamento médico e nutricional. O foco não é apenas emagrecer, mas adotar hábitos que possam ser mantidos por toda a vida.

    Quando procurar ajuda profissional?

    Os pais devem procurar um pediatra ou nutricionista quando perceberem ganho de peso acelerado, cansaço, falta de disposição para brincar ou sinais de baixa autoestima.

    Mesmo em casos leves, o acompanhamento profissional é importante para evitar que o quadro se agrave. Quanto mais cedo o diagnóstico e a orientação, maiores as chances de sucesso.

    A obesidade infantil pode continuar na vida adulta?

    Sim! Pesquisas mostram que cerca de 70% das crianças com obesidade se tornam adultos obesos, principalmente quando o problema não é tratado precocemente. Isso aumenta o risco de desenvolver doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Assim, a infância é a fase mais importante para agir e tratar a condição.

    A amamentação ajuda a prevenir a obesidade infantil?

    Sim, pois o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade ajuda a regular o apetite da criança e favorece o desenvolvimento de um metabolismo saudável. O leite materno contém todos os nutrientes necessários e estimula o bebê a reconhecer os sinais de fome e saciedade, o que reduz o risco de obesidade no futuro.

    Crianças obesas podem praticar qualquer tipo de esporte?

    Sim, desde que respeitadas suas condições físicas e sob orientação de um profissional. Esportes como natação, caminhada, ciclismo e dança são boas opções, pois reduzem o impacto nas articulações e estimulam o prazer pelo movimento.

    O mais importante é que a criança se divirta e mantenha a regularidade, sem sentir que o exercício é uma punição.

    Veja mais: Fome emocional: o que é, sintomas e como controlar

  • Capacete para criança: por que ele é importante nos esportes?

    Capacete para criança: por que ele é importante nos esportes?

    O uso de capacetes é necessário em uma série de esportes, mesmo naqueles considerados de baixa velocidade ou que envolvem mais contato físico do que velocidade. Seja em uma volta de bicicleta no quarteirão, uma tarde de skate no parque ou uma aula de equitação, o risco de quedas e colisões existe e pode resultar em traumas sérios na cabeça, especialmente em crianças.

    De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, a importância do capacete para criança na infância é ainda maior porque a proporção da cabeça em relação ao corpo é significativamente maior nas crianças. Isso faz com que a chance de elas baterem a cabeça em uma queda seja muito superior à dos adultos.

    Para complementar, o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, o que o torna mais vulnerável a impactos e possíveis lesões. Mas afinal, em quais esportes o capacete é necessário e como escolher o melhor? Vamos entender, a seguir.

    Por que o capacete para crianças é tão importante?

    A cabeça da criança é proporcionalmente maior e mais pesada do que o corpo, o que aumenta o risco de bater primeiro com ela ao cair, de acordo com Ana Gandolfi. Além disso, o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, de modo que qualquer impacto pode ter consequências sérias.

    De acordo com estudos da American Academy of Pediatrics (AAP), o uso de capacete reduz de 63% a 88% o risco de lesões cerebrais potencialmente fatais em atividades como ciclismo e esportes na neve. Mesmo em quedas de baixa velocidade, como de um patinete ou skate, a energia do impacto pode ser suficiente para causar lesões cerebrais irreversíveis.

    Nessa situação, o capacete funciona como um amortecedor de impacto. A camada externa rígida impede que objetos duros penetrem. Já o interior, de espuma densa, absorve a energia do choque, reduzindo a aceleração do cérebro dentro do crânio — o que evita danos como concussões ou traumas mais graves.

    Vale apontar que o capacete não evita o impacto, mas diminui a força transferida ao crânio e ao cérebro, reduzindo drasticamente a gravidade da lesão.

    É possível ter uma concussão mesmo usando capacete?

    A resposta é sim, o trauma pode acontecer do mesmo modo, porque o cérebro, ao sofrer uma pancada, se movimenta dentro do crânio e bate nas paredes internas. A diferença é que, com capacete, a força é muito menor e por isso diminui muito a chance de um trauma moderado ou grave, de acordo com Ana Gandolfi.

    A especialista também lembra que a concussão pode ocorrer mesmo sem uma pancada direta na cabeça, basta um impacto forte no tórax ou em outra parte do corpo que provoque o movimento brusco do cérebro dentro do crânio.

    Quais esportes exigem capacete para criança?

    O capacete é necessário em praticamente todos os esportes com risco de queda, colisão ou impacto na cabeça — e não só nas atividades mais radicais. Veja alguns exemplos:

    • Bicicleta: é o esporte com a maior quantidade de acidentes com trauma de crânio infantil. Todos devem usar capacete, inclusive em trajetos curtos;
    • Patins, skate e patinete: quedas são comuns e costumam atingir a cabeça, cotovelos e joelhos;
    • Esportes na neve (ski e snowboard): responsáveis por até 20% das lesões graves de cabeça em crianças;
    • Equitação: o trauma mais comum é o craniano, e usar capacete reduz em até 96% o risco de hemorragia intracraniana;
    • Esportes de rodas: qualquer atividade com velocidade ou desníveis deve incluir proteção;
    • Hóquei, beisebol e futebol americano: todos exigem capacetes específicos, que reduzem drasticamente o risco de concussões e fraturas faciais.

    Orientações para crianças pequenas

    Segundo Ana Gandolfi, crianças menores possuem equilíbrio mais instável, já que o sistema locomotor está em formação. Por isso, elas estão mais propensas a cair, principalmente em esportes com rodas, como patinete, patins e skate.

    A recomendação é que essas atividades comecem apenas a partir dos 4 ou 5 anos de idade — quando a criança já tem um controle corporal mais maduro e consegue se equilibrar melhor.

    Como escolher o melhor capacete para criança?

    Na hora de escolher o melhor capacete esportivo para crianças, o primeiro passo é verificar se ele segue padrões de segurança reconhecidos. O ideal é optar por modelos fabricados por marcas confiáveis, com materiais resistentes, boa ventilação, ajuste firme na cabeça e sistema de fixação seguro.

    Na hora de comprar o capacete, vale observar alguns pontos importantes, como:

    • Tamanho correto: deve encaixar bem, sem folgas ou aperto excessivo;
    • Ajuste regulável: alças e presilhas ajustáveis garantem melhor fixação;
    • Forração interna: espuma macia, removível e que absorve impacto;
    • Ventilação: aberturas que mantêm a cabeça fresca;
    • Peso leve: facilita o uso contínuo;
    • Cores vivas: aumentam a visibilidade e segurança.

    Substitua o capacete após qualquer impacto forte, mesmo que pareça intacto. O material interno perde eficiência após uma pancada.

    Quais as outras formas de proteção?

    Além do capacete, Ana Gandolfi aponta outros acessórios essenciais:

    • Cotoveleiras e joelheiras: protegem contra cortes e fraturas;
    • Luvas: evitam escoriações nas mãos;
    • Roupas adequadas: leves, elásticas e respiráveis para facilitar movimentos.

    Meu filho bateu a cabeça. O que devo fazer?

    Depois de uma queda, mesmo com capacete, observe se aparecem:

    • Dor de cabeça forte;
    • Sonolência ou confusão;
    • Dificuldade para andar ou falar;
    • Náuseas ou vômitos;
    • Alterações de força ou sensibilidade.

    Se houver qualquer um desses sinais, procure o pronto-socorro imediatamente.

    Saiba mais: Esportes de contato: pancadas repetitivas na cabeça fazem mal?

    Perguntas frequentes sobre capacete para criança

    1. A partir de que idade a criança pode praticar esportes com rodas?

    De acordo com a neurocirurgiã Ana Gandolfi, a partir dos 4 ou 5 anos, quando o equilíbrio corporal está mais desenvolvido.

    2. Preciso trocar o capacete depois de uma queda?

    Sim. Mesmo que pareça intacto, o capacete perde capacidade de absorção após um impacto forte.

    3. O que fazer se a criança cair mesmo usando capacete?

    Observe por horas seguintes. Se houver dor de cabeça intensa, sonolência, confusão, dificuldade para andar, náuseas ou fala alterada, vá ao pronto-socorro.

    4. O que acontece no cérebro durante uma pancada na cabeça?

    O cérebro se move dentro do crânio, podendo bater nas paredes internas. Isso causa lesão por aceleração e desaceleração.

    5. Como identificar se uma batida na cabeça foi grave?

    Procure ajuda urgente se houver perda de consciência, vômitos repetidos, desequilíbrio, sangramento por nariz ou ouvido, sonolência excessiva ou confusão mental.

    6. É normal a criança dormir após uma batida?

    Não é ideal deixá-la dormir imediatamente, pois isso pode mascarar sinais de gravidade. Mantenha acordada e observe.

    Veja mais: Capacete protege mesmo contra lesões cerebrais?

  • 5 dicas simples para se movimentar mais no dia a dia — e os benefícios disso 

    5 dicas simples para se movimentar mais no dia a dia — e os benefícios disso 

    O corpo foi feito para se movimentar mais, mas a rotina moderna tem feito muitas pessoas passarem boa parte do dia sentadas, como no trabalho, no carro, em frente à televisão ou mexendo no celular. Essa falta de movimento diário está entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes tipo 2.

    De fato, 150 minutos de exercícios semanais é a recomendação para uma boa saúde, mas não é preciso ir à academia todos os dias para ser mais ativo. Pequenas atitudes ao longo do dia, como subir escadas, caminhar após o almoço ou trocar o carro por uma curta caminhada, já fazem diferença para a saúde do coração.

    A seguir, veja 5 maneiras simples de se movimentar mais e os benefícios de cada uma.

    1. Suba escadas sempre que puder

    Trocar o elevador pelas escadas é uma das formas mais eficientes de adicionar atividade física ao dia. Subir degraus fortalece as pernas, o coração e o sistema respiratório, além de queimar calorias e melhorar a circulação.

    Se estiver sedentário, comece aos poucos, com um ou dois lances de escada por dia, e vá aumentando conforme o fôlego melhora.

    2. Faça uma breve caminhada após o almoço ou o jantar

    Caminhar por 10 a 15 minutos após as refeições ajuda na digestão, no controle da glicemia e na circulação sanguínea. O simples ato de levantar da mesa e se movimentar reduz o tempo sentado, que está relacionado a maior risco de doenças do coração e mortalidade precoce.

    Transforme a caminhada pós-refeição em um hábito. Pode ser no quarteirão, no corredor do prédio ou no quintal: o importante é levantar e se mover.

    3. Use menos o carro para trajetos curtos

    Se o destino for perto, vá a pé ou de bicicleta. Pequenas caminhadas substituindo o carro já contam como atividade física. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem acumular pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, o que pode ser atingido com movimentos simples ao longo do dia.

    Se o trajeto for muito longo e precisar ir de carro, uma dica é estacionar o carro um pouco mais longe. Descer um ponto antes do ônibus ou caminhar até a padaria, quando em ambientes seguros, também são estratégias que somam movimento ao seu cotidiano.

    4. Fique menos tempo sentado

    Passar muitas horas sentado reduz a circulação, aumenta o risco de trombose e favorece ganho de peso. Mesmo quem pratica exercícios pode ter prejuízos se passar longos períodos parado.

    Mesmo sem tempo para se exercitar, ao menos levante-se a cada 30-60 minutos, alongue-se, caminhe alguns passos ou faça uma pausa ativa de 2 minutos.

    5. Transforme tarefas domésticas em oportunidades de movimento

    Arrumar a casa, varrer, aspirar ou cuidar do jardim são atividades que ajudam a gastar energia e mexer os músculos. Essas tarefas contam como atividade física leve a moderada, especialmente quando feitas com ritmo e regularidade.

    Separe momentos do dia para cuidar da casa e tente fazer isso de uma forma leve, como ouvindo uma música ou um podcast. Assim, você se exercita sem nem perceber.

    Os benefícios de se movimentar mais

    Incorporar pequenas doses de movimento no dia a dia melhora o condicionamento físico, o humor e a saúde cardiovascular. Pessoas mais ativas têm menor risco de:

    • Pressão alta;
    • Diabetes tipo 2;
    • Obesidade;
    • Doenças cardíacas e AVC.

    Além disso, o movimento regular ajuda a controlar o estresse, melhora a disposição e a qualidade do sono.

    Lembre-se que cada passo conta. Pequenas mudanças somadas ao longo do tempo têm um impacto enorme na sua saúde.

    Confira: Exercícios para fortalecer a coluna: o guia completo para proteger sua postura e prevenir dores

    Perguntas frequentes sobre movimento e saúde

    1. Caminhar no dia a dia conta como atividade física?

    Sim. Caminhar, subir escadas e fazer tarefas domésticas são formas válidas de atividade física.

    2. Quantos minutos devo me movimentar por dia?

    A OMS recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, o que equivale a cerca de 20 a 30 minutos diários.

    3. Trabalhar um pouco em pé já ajuda?

    Sim, ficar em pé por alguns períodos e se movimentar entre as tarefas reduz o tempo sedentário e melhora a circulação.

    4. Tenho pouco tempo: é melhor um treino intenso curto ou várias pausas ao longo do dia?

    Ambas as opções ajudam. As pausas ativas ao longo do dia são ótimas para quem tem rotina corrida e ainda não consegue treinar regularmente.

    5. Subir escadas faz bem para o coração?

    Sim. É um exercício aeróbico que melhora a resistência cardiovascular e a força das pernas, além de ser prático e gratuito.

    6. Atividades domésticas substituem academia?

    Não totalmente, mas ajudam. Elas aumentam o gasto calórico e reduzem o sedentarismo, especialmente quando feitas com frequência.

    7. Por que se movimentar é tão importante para o coração?

    Porque o movimento fortalece o músculo cardíaco, melhora a circulação e regula a pressão arterial, e tudo isso ajuda a reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

    Veja também: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

  • Diabetes MODY: o tipo raro que muita gente tem sem saber

    Diabetes MODY: o tipo raro que muita gente tem sem saber

    Embora pouco conhecido, o diabetes MODY vem ganhando atenção entre especialistas porque muitas pessoas convivem com ele sem saber. Como costuma surgir na adolescência ou no início da vida adulta, é comum que seja confundido com diabetes tipo 1 ou tipo 2, o que pode levar a tratamentos inadequados.

    A diferença é que, no MODY, a causa está em alterações genéticas específicas que afetam a capacidade das células do pâncreas de produzir insulina.

    Reconhecer essa forma rara de diabetes é importante para o paciente e para toda a família. Por ser hereditário e transmitido de forma autossômica dominante (ou seja, basta um dos pais ter a mutação), o diagnóstico correto ajuda a orientar parentes, escolher o tratamento ideal e prever riscos a longo prazo.

    O que é o diabetes MODY?

    O diabetes MODY (do inglês Maturity-Onset Diabetes of the Young) é um diabetes raro e hereditário, causado por alterações em um único gene, por isso é chamado de diabetes monogênico.

    Essas mutações afetam o funcionamento das células beta do pâncreas, que são responsáveis por produzir insulina. Assim como em outros tipos de diabetes, o organismo tem dificuldade em regular a glicose no sangue, mas o mecanismo por trás do problema é diferente.

    O diabetes MODY costuma surgir antes dos 25 anos, pode atingir várias pessoas da mesma família e, por ser leve em alguns casos, muitas vezes passa despercebido por anos.

    Pontos importantes sobre o diabetes MODY:

    • Não há autoanticorpos destruindo o pâncreas (como no tipo 1);
    • Geralmente não há resistência à insulina (como no tipo 2);
    • Não costuma causar cetoacidose.

    Por que o diabetes MODY acontece?

    A causa está em mutações hereditárias que prejudicam como o pâncreas percebe a glicose e libera insulina. Mais de 14 mutações diferentes já foram identificadas, cada uma com seu comportamento, idade típica de início e resposta ao tratamento.

    Como o MODY se diferencia de outros tipos de diabetes

    Tipo de diabetes O que acontece Autoanticorpos? Resistência à insulina?
    Tipo 1 O sistema imunológico destrói o pâncreas Sim Não
    Tipo 2 O corpo não usa a insulina corretamente Não Sim
    MODY Mutação genética afeta a produção de insulina Não Geralmente não

    Quem pode ter diabetes MODY?

    • Menos de 5% das pessoas com diabetes têm o MODY;
    • Ocorre em famílias com vários casos de diabetes em jovens, muitas vezes em pessoas magras.
    • É transmitido de pai/mãe para filho com 50% de chance.

    Sintomas do diabetes MODY

    Parecidos com os de qualquer diabetes:

    • Sede aumentada;
    • Urinar mais vezes;
    • Perda de peso;
    • Visão embaçada;
    • Infecções de repetição.

    Mas alguns casos, como o diabetes MODY 2, podem quase não causar sintomas e ser descobertos apenas em exames.

    Principais tipos de diabetes MODY

    MODY 3 (HNF1A)

    • Mais comum;
    • Surge entre 20 e 25 anos;
    • Progressivo: o pâncreas perde capacidade de liberar insulina;
    • Responde muito bem a sulfonilureias.

    MODY 2 (GCK)

    • Causado por alteração na glicocinase;
    • Glicose levemente elevada e estável;
    • Geralmente não precisa de remédios;
    • Exige atenção especial na gestação.

    MODY 1 (HNF4A)

    • Semelhante ao MODY 3;
    • Pode causar maior peso ao nascer e hipoglicemia neonatal;
    • Boa resposta a sulfonilureias.

    MODY 5 (HNF1B)

    • Atinge outros órgãos: rins, fígado e genitais;
    • Pode exigir insulina;
    • Requer acompanhamento com nefrologista.

    Outros tipos

    Incluem MODY 4, 6, 12 e 13, alguns relacionados a diabetes neonatal ou hipoglicemia na infância.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico depende de suspeita clínica bem feita. Sinais que levantam hipótese:

    • Diagnóstico antes dos 25 anos;
    • Vários parentes com diabetes jovem;
    • Paciente magro;
    • Ausência de autoanticorpos;
    • Produção de insulina preservada (peptídeo C normal).

    Quando a suspeita é forte, o médico solicita teste genético, que confirma o subtipo e orienta o tratamento.

    Tratamento

    O tratamento depende do tipo de mutação:

    Tipo de diabetes MODY Tratamento
    MODY 2 Geralmente não precisa de medicamentos
    MODY 1 e 3 Excelente resposta às sulfonilureias
    MODY 5 Costuma precisar de insulina; acompanhamento dos rins

    Em todos os casos:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física;
    • Controle regular da glicose;
    • Acompanhamento médico.

    Na gravidez, o acompanhamento deve ser ainda mais atento.

    Prognóstico

    • MODY 2: leve, raramente causa complicações;
    • MODY 1 e 3: risco semelhante ao tipo 1/2 se mal controlados;
    • MODY 5: maior risco de problemas renais.

    Com acompanhamento adequado, a maioria das pessoas tem vida longa e saudável.

    Por que o diagnóstico importa?

    Porque o tratamento muda completamente. E, por ser hereditário, outros membros da família podem ter diabetes MODY sem saber.

    Veja também: Sintomas silenciosos do diabetes: atenção aos sinais que podem passar despercebidos

    Perguntas frequentes sobre diabetes MODY

    1. O diabetes MODY é comum?

    Não. Representa menos de 5% dos casos de diabetes.

    2. Diabetes MODY é a mesma coisa que diabetes tipo 1?

    Não. No diabetes MODY não há autoanticorpos destruindo o pâncreas.

    3. Como descobrir se tenho diabetes MODY?

    O diagnóstico é confirmado por teste genético, solicitado quando há suspeita clínica.

    4. Quem tem diabetes MODY sempre precisa usar insulina?

    Depende do subtipo. Alguns respondem bem a comprimidos; outros precisam de insulina.

    5. Diabetes MODY pode causar cetoacidose?

    É raro. Diferente do diabetes tipo 1, o MODY normalmente não evolui com cetoacidose.

    6. Crianças podem ter diabetes MODY?

    Sim. Ele costuma aparecer antes dos 25 anos e pode surgir ainda na infância.

    7. Diabetes MODY tem cura?

    Não, mas tem tratamento eficaz e controle adequado evita complicações.

    8. Familiares precisam fazer exame?

    Sim. Como é hereditário, parentes de primeiro grau devem ser avaliados.

    Veja mais: Diabetes: por que controlar é tão importante para o coração

  • Como organizar uma geladeira saudável e prática para o dia a dia 

    Como organizar uma geladeira saudável e prática para o dia a dia 

    A geladeira é uma das principais coisas a se prestar atenção para quem quer manter uma alimentação equilibrada e ter mais saúde, mas também pode ser a origem de escolhas menos saudáveis se estiver desorganizada ou repleta de produtos ultraprocessados.

    Manter esse espaço bem arrumado e bem pensado ajuda a planejar melhor as refeições, evitar desperdícios e fazer escolhas mais conscientes, o que é importante para quem busca cuidar da saúde do coração e do corpo.

    Com pequenas mudanças na forma de armazenar e organizar os alimentos, é possível facilitar a rotina, reduzir o consumo de produtos industriais e garantir que frutas, verduras e proteínas estejam sempre à mão. Veja abaixo como montar uma geladeira saudável, prática e segura.

    1. Dê prioridade aos alimentos in natura e minimamente processados

    A base de uma geladeira saudável deve ser composta por alimentos frescos e naturais: frutas, verduras, legumes, ovos, carnes magras, iogurtes e queijos simples.

    Esses alimentos são ricos em nutrientes e ajudam a controlar a pressão arterial, o colesterol e o peso corporal, fatores diretamente ligados à saúde cardiovascular.

    Evite deixar refrigerantes, embutidos e doces à vista. Estudos mostram que a exposição visual aumenta o consumo por impulso. Prefira deixar frutas lavadas e cortadas em recipientes transparentes nas prateleiras centrais.

    2. Organize por zonas e frequência de uso

    Manter uma lógica de organização facilita a rotina e evita o desperdício.

    • Prateleira superior: guarde os alimentos prontos para consumo, como sobras de refeições, iogurtes, queijos e ovos;
    • Prateleira do meio: reserve para frutas, legumes e verduras já higienizados e cortados;
    • Gavetas inferiores: use para vegetais que duram mais tempo, como cenoura, beterraba, repolho e folhas;
    • Porta da geladeira: armazene produtos menos sensíveis à variação de temperatura, como temperos, molhos e bebidas.

    Manter os alimentos saudáveis em locais de fácil acesso estimula o consumo consciente e reduz a tentação de optar por opções calóricas ou ultraprocessadas.

    3. Evite o excesso de alimentos industrializados

    Salsichas, presuntos, queijos processados, refrigerantes e sobremesas prontas são práticos, mas ricos em sódio, gorduras e açúcares — substâncias associadas a maior risco de pressão alta, doenças cardíacas e câncer.

    A dica é deixar esses produtos fora do campo de visão. Quanto menos acessíveis estiverem, menor a probabilidade de consumo diário. Dê preferência a alimentos de preparo simples e rápido, como frango grelhado, ovos cozidos e legumes assados.

    4. Tenha porções prontas e saudáveis à vista

    Separar porções de alimentos prontos facilita as escolhas e ajuda a manter a alimentação equilibrada mesmo nos dias mais corridos. Deixe frutas cortadas, saladas lavadas e recipientes com legumes assados ou grelhados prontos para consumo.

    Quanto mais acessíveis estiverem as opções saudáveis, menor será a chance de recorrer a lanches calóricos ou fast food.

    5. Use potes transparentes e etiquetas

    A visualização é fundamental. Potes transparentes ajudam a enxergar o que há disponível, o que evita desperdício e facilita o planejamento das refeições. Use etiquetas com o nome do alimento e a data de preparo, principalmente em marmitas, sopas e legumes pré-cozidos.

    A falta de organização visual leva ao consumo de alimentos mais fáceis, nem sempre saudáveis. Uma geladeira organizada estimula escolhas conscientes e equilíbrio na alimentação.

    6. Reavalie o conteúdo da geladeira semanalmente

    Reserve um momento da semana para verificar prazos de validade, higienizar prateleiras e repor alimentos saudáveis. Esse hábito reduz o desperdício e mantém o foco em escolhas boas para a saúde.

    Uma dica é aproveitar esse momento para planejar as refeições da semana, pois ajuda a manter uma alimentação mais regular, variada e benéfica ao coração.

    Por que isso importa para a saúde

    Uma boa parte das doenças cardiovasculares pode ser prevenida com hábitos saudáveis, incluindo uma alimentação equilibrada. Uma geladeira bem organizada é mais do que uma questão de estética ou praticidade — é uma estratégia simples de prevenção e promoção de saúde.

    Ao manter alimentos frescos e evitar produtos industrializados, você melhora o controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia, além de facilitar a adesão a uma rotina alimentar equilibrada.

    Confira: Food noise: por que você não para de pensar em comida

    Perguntas frequentes sobre geladeira saudável

    1. O que não pode faltar em uma geladeira saudável?

    Frutas, verduras, legumes, ovos, queijos simples, carnes magras e iogurtes naturais devem ser prioridade.

    2. Posso deixar frutas e saladas já cortadas?

    Sim, desde que bem higienizadas e armazenadas em potes limpos e bem vedados.

    3. Alimentos industrializados podem fazer parte?

    Podem, mas com moderação. O ideal é que sejam exceção, não regra, e que fiquem menos visíveis.

    4. Com que frequência devo limpar a geladeira?

    O ideal é higienizar semanalmente para remover restos de alimentos e limpar prateleiras com pano úmido e sabão neutro.

    5. Ter uma geladeira organizada realmente ajuda a comer melhor?

    Sim. A facilidade visual e o acesso rápido a alimentos frescos incentivam escolhas mais equilibradas no dia a dia.

    Veja também: 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras