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  • Farmácia de viagem: o que levar para evitar imprevistos de saúde 

    Farmácia de viagem: o que levar para evitar imprevistos de saúde 

    Ao viajar para locais longe de casa, seja para praias, áreas rurais, trilhas ou até para outros países, é muito importante levar uma farmácia de viagem com itens básicos para lidar com imprevistos de saúde.

    Pequenos problemas como dor, febre, enjoo ou ferimentos leves são comuns durante viagens e, quando bem manejados, evitam desconforto maior e a necessidade de buscar atendimento médico imediato.

    A farmácia de viagem deve ser adaptada ao tipo de destino, à duração da viagem e às condições de saúde dos viajantes. O ideal é incluir medicamentos sintomáticos, itens de higiene e materiais para primeiros socorros.

    Medicamentos para tratar sintomas

    É recomendável levar medicamentos para tratar sintomas comuns que podem surgir durante a viagem. Porém, é importante conversar com o médico antes para entender quais medicamentos você pode, individualmente, usar nesses casos.

    Antitérmicos e analgésicos

    Medicamentos como dipirona ou paracetamol são úteis tanto para controle de febre quanto para dores em geral. São especialmente importantes em casos de resfriados, infecções virais leves, intoxicações alimentares e gastroenterites, situações relativamente frequentes em viagens.

    Medicamentos para enjoo e náuseas

    Enjoos são comuns em viagens longas, cruzeiros, trajetos de ônibus ou avião. Medicamentos como ondansetrona, metoclopramida e dimenidrinato ajudam no controle das náuseas e vômitos.

    Anti-inflamatórios e analgésicos musculares

    Em viagens que envolvem caminhadas, trilhas, esportes ou longos períodos andando, é útil levar anti-inflamatórios prescritos pelo médico.

    Além disso, géis ou pomadas anti-inflamatórias podem ser aplicados localmente em casos de dores musculares ou articulares.

    Sintomas respiratórios leves e dor de garganta

    Para gripes e resfriados, além dos antitérmicos, antialérgicos como loratadina ajudam a aliviar coriza e congestão nasal. Pastilhas para dor de garganta também auxiliam no alívio do desconforto.

    Alterações intestinais

    Para constipação intestinal, medicamentos como lactulose e bisacodil podem ser úteis, especialmente em viagens com mudança de rotina alimentar. Converse com seu médico.

    Dores abdominais e gases

    Dores abdominais leves podem ser controladas com analgésicos simples e antiespasmódicos, como a escopolamina. Quando associadas a gases, a simeticona costuma trazer bom alívio.

    Produtos de higiene e proteção

    Alguns itens são indispensáveis para prevenir problemas de saúde durante a viagem:

    • Protetor solar, especialmente em ambientes com exposição solar intensa, como praias, piscinas e áreas abertas;
    • Repelente de insetos, dependendo do destino, para prevenção de picadas.

    Esses produtos ajudam a evitar queimaduras solares e doenças transmitidas por insetos.

    Materiais para primeiros socorros

    Para pequenos cortes, arranhões e machucados, é importante incluir na farmácia de viagem:

    • Algodão;
    • Álcool 70%;
    • Gazes;
    • Curativos adesivos.

    Esses itens permitem realizar a limpeza local e fazer um curativo provisório, reduzindo o risco de infecção até avaliação médica, se necessário.

    Medicamentos de uso contínuo

    Pessoas com doenças crônicas que fazem uso regular de medicamentos devem levar quantidade suficiente para todo o período da viagem, preferencialmente com uma margem extra, caso algum comprimido seja perdido ou danificado.

    Em viagens para outros estados ou para o exterior, é altamente recomendável portar:

    • Receita médica dos medicamentos em uso;
    • Lista com os nomes dos medicamentos e doses.

    Isso facilita a comprovação do uso, a reposição em farmácias e evita problemas em aeroportos ou alfândegas.

    Tranquilidade para a viagem

    Uma farmácia de viagem bem planejada traz segurança, conforto e tranquilidade. Ela permite lidar com situações comuns sem comprometer o aproveitamento do passeio.

    Sempre que possível, a escolha dos itens deve ser individualizada, considerando idade, condições de saúde e destino da viagem.

    Veja mais: Vai tirar férias? Veja dicas para descansar a mente de verdade

    Perguntas frequentes sobre farmácia de viagem

    1. Preciso levar antibiótico na farmácia de viagem?

    Antibióticos não devem ser usados sem prescrição médica. Só devem ser incluídos se houver orientação específica.

    2. Posso levar medicamentos na bagagem de mão?

    Sim, especialmente medicamentos de uso contínuo. Em viagens internacionais, é recomendável levar receita médica.

    3. Crianças precisam de uma farmácia diferente?

    Sim. As doses e formulações devem ser adequadas para a idade e o peso da criança.

    4. Repelente é obrigatório?

    Depende do destino. Em áreas com alta incidência de insetos ou doenças transmitidas por mosquitos, é altamente recomendado.

    5. Quanto de medicamento devo levar?

    O suficiente para todo o período da viagem, com pequena margem de segurança.

    6. Posso montar uma farmácia padrão para todas as viagens?

    Não é o ideal. O conteúdo deve variar conforme o destino, clima e atividades planejadas.

    7. Quando procurar atendimento médico durante a viagem?

    Se houver febre persistente, dor intensa, sinais de desidratação, piora rápida dos sintomas ou qualquer situação que gere preocupação.

    Confira: Vai para a praia? Cuidado com a intoxicação alimentar

  • Falta de sono pode te deixar mais doente 

    Falta de sono pode te deixar mais doente 

    Dormir bem não é apenas importante para manter a disposição e a concentração ao longo do dia. O sono é um dos pilares da saúde do sistema imunológico. Quando dormimos pouco, mal ou de forma irregular, o corpo perde parte da sua capacidade natural de defesa contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.

    Diversos estudos mostram que pessoas com privação de sono têm maior probabilidade de adoecer após exposição a vírus respiratórios, como os da gripe ou do resfriado comum.

    Isso acontece porque o sono participa da regulação das respostas imunes, da inflamação e da produção de células de defesa. Ou seja, dormir mal não é apenas um problema de cansaço — é também um fator de risco para infecções.

    Como o sono se relaciona com o sistema imunológico?

    Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, o organismo realiza processos fundamentais para manter a imunidade equilibrada e eficiente.

    • Produção e liberação de citocinas, proteínas que coordenam a resposta contra infecções;
    • Ativação e fortalecimento de células de defesa, como linfócitos T e B;
    • Regulação do equilíbrio entre resposta inflamatória e anti-inflamatória;
    • Recuperação dos tecidos e redução do estresse fisiológico.

    Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, esses mecanismos ficam comprometidos, enfraquecendo as defesas do organismo.

    O que acontece no corpo quando dormimos mal?

    A privação de sono desencadeia uma série de alterações que podem favorecer infecções.

    1. Redução das células de defesa

    Dormir pouco reduz a eficácia dos linfócitos, responsáveis por identificar e combater microrganismos invasores. Com isso, o corpo fica menos preparado para reagir a vírus e bactérias.

    2. Aumento da inflamação

    A falta de sono eleva os níveis de marcadores inflamatórios no sangue, como a proteína C-reativa (PCR). Esse estado inflamatório persistente pode enfraquecer o sistema imune e piorar doenças já existentes.

    3. Maior liberação de cortisol (hormônio do estresse)

    Dormir mal aumenta a produção de cortisol. Em excesso, esse hormônio pode suprimir a resposta imunológica e reduzir a capacidade do corpo de combater infecções.

    Quem está mais vulnerável?

    Embora qualquer pessoa possa ser impactada pela falta de sono, alguns grupos são mais suscetíveis:

    • Pessoas com insônia crônica ou distúrbios do sono;
    • Trabalhadores em turnos noturnos;
    • Estudantes em períodos de provas;
    • Indivíduos com alto nível de estresse;
    • Idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Nessas populações, o impacto da privação de sono pode ser ainda mais significativo para a imunidade.

    Quanto sono é considerado adequado?

    As recomendações gerais variam de acordo com a idade:

    • Adultos: 7 a 9 horas por noite;
    • Adolescentes: 8 a 10 horas;
    • Crianças: 9 a 12 horas, dependendo da idade.

    Dormir menos do que o recomendado de forma recorrente já pode comprometer o funcionamento do sistema imunológico.

    O que fazer para melhorar o sono e proteger a imunidade?

    Adotar hábitos simples pode fazer grande diferença tanto na qualidade do sono quanto na proteção contra infecções.

    1. Criar uma rotina de sono

    • Deitar e acordar no mesmo horário todos os dias;
    • Evitar telas (celular, TV, computador) pelo menos 1 hora antes de dormir.

    2. Melhorar o ambiente de sono

    • Quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
    • Colchão e travesseiros confortáveis.

    3. Cuidar da alimentação e do estilo de vida

    • Evitar cafeína, álcool e refeições pesadas à noite;
    • Praticar atividade física regularmente (mas não muito perto da hora de dormir).

    4. Gerenciar o estresse

    • Técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação;
    • Psicoterapia, se houver ansiedade ou insônia persistente.

    Melhorar a qualidade do sono é uma das estratégias mais simples — e eficazes — para fortalecer o sistema imunológico no dia a dia.

    Veja mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

    Perguntas frequentes sobre dormir mal e imunidade

    1. Dormir mal realmente aumenta o risco de gripe?

    Sim. Estudos mostram que a privação de sono reduz a capacidade do organismo de reagir a vírus respiratórios.

    2. Uma noite mal dormida já prejudica a imunidade?

    Uma noite isolada pode causar impacto leve, mas o risco maior ocorre quando a privação se torna frequente.

    3. Dormir demais faz mal?

    O texto aborda principalmente a privação de sono. O excesso de sono também deve ser avaliado caso esteja associado a outros sintomas.

    4. O estresse influencia a imunidade?

    Sim. O aumento do cortisol relacionado ao estresse pode suprimir a resposta imunológica.

    5. Crianças que dormem pouco ficam mais doentes?

    Podem ficar, já que o sono adequado é fundamental para o desenvolvimento e a maturação do sistema imune.

    6. Insônia precisa de tratamento médico?

    Se for persistente e afetar a qualidade de vida, deve ser avaliada por um profissional de saúde.

    7. Melhorar o sono reduz o risco de infecções?

    Sim. Sono adequado ajuda a manter a resposta imune equilibrada e eficiente.

    Confira também: Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

  • Infecção hospitalar: o que é, tipos e quais os cuidados necessários para evitar

    Infecção hospitalar: o que é, tipos e quais os cuidados necessários para evitar

    Você já ouviu falar em infecções hospitalares? Também chamadas de IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde), elas surgem durante a internação ou como consequência direta dos cuidados recebidos em hospitais, clínicas, pronto-socorros ou outros serviços de saúde.

    Basicamente, elas não estavam presentes no momento da admissão da pessoa e podem surgir tanto durante o período de internação quanto dias após a alta.

    No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que entre 5% e 14% dos pacientes internados desenvolvem algum tipo de infecção hospitalar — sendo um dos principais desafios de segurança do sistema de saúde.

    Afinal, o que é infecção hospitalar e como surge?

    As infecções hospitalares são infecções que surgem durante a internação ou após a realização de cuidados em hospitais, clínicas e outros serviços de saúde.

    Elas surgem quando microrganismos, como bactérias, vírus ou fungos, entram no organismo por portas de entrada criadas durante o tratamento, como cateteres, sondas, drenos, feridas cirúrgicas ou aparelhos de respiração.

    O risco aumenta porque muitos pacientes estão com a imunidade mais baixa e porque o hospital concentra microrganismos mais resistentes, que podem se espalhar pelo contato com mãos, equipamentos e superfícies.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, elas permanecem um desafio devido à complexidade dos pacientes, uso de dispositivos invasivos e aumento da resistência bacteriana.

    Quem tem mais risco de ter uma infecção hospitalar?

    Por terem o sistema imunológico mais frágil ou por necessitarem de cuidados mais intensivos, algumas pessoas apresentam um risco maior de desenvolver infecções hospitalares, sendo elas:

    • Idosos;
    • Recém-nascidos, especialmente prematuros;
    • Pessoas com imunidade baixa ou em uso de medicamentos imunossupressores;
    • Pessoas com diabetes;
    • Pacientes com doenças crônicas;
    • Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI).

    Nesses grupos, a atenção à prevenção e à identificação precoce de sinais de infecção precisa ser ainda maior.

    Quais tipos de infecção hospitalar são mais comuns?

    As infecções mais comuns normalmente estão associadas ao uso de dispositivos invasivos e a procedimentos realizados durante a internação. Giovanni aponta os principais:

    • Infecção urinária associada ao uso de cateter, comum em pacientes que utilizam sonda vesical por vários dias;
    • Pneumonia associada à ventilação mecânica, que pode ocorrer em pacientes que precisam de aparelhos para ajudar na respiração;
    • Infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso, quando bactérias entram na circulação por meio de cateteres;
    • Infecção de sítio cirúrgico, que surge após cirurgias e pode atingir a pele, os tecidos mais profundos ou órgãos operados.

    “Cateteres, ventilação mecânica, drenos e cirurgias aumentam portas de entrada, e quanto maior o tempo de internação, maior a chance de colonização por microrganismos hospitalares e exposições repetidas”, explica o cardiologista.

    O uso excessivo ou mal indicado de antibióticos também contribui para infecções mais difíceis de tratar, pois favorece a seleção de bactérias resistentes e aumenta o risco de eventos como a infecção por Clostridioides difficile, o que torna o tratamento mais longo e complexo.

    Como as infecções hospitalares se espalham no ambiente de saúde

    As infecções hospitalares se espalham principalmente pelo contato, e algumas das formas mais comuns de transmissão incluem mãos não higienizadas, equipamentos compartilhados entre pacientes e superfícies contaminadas.

    Os microrganismos presentes em um paciente podem passar para outro quando não há limpeza adequada das mãos ou dos materiais utilizados.

    Além disso, procedimentos invasivos, como uso de cateteres, sondas, drenos e aparelhos de respiração, criam portas de entrada para bactérias, vírus e fungos.

    Para completar, o ambiente hospitalar também concentra microrganismos mais resistentes, que conseguem sobreviver por mais tempo em superfícies e se espalhar com facilidade se os protocolos de higiene não forem seguidos corretamente.

    Como evitar as infecções hospitalares?

    Os cuidados para prevenir as infecções envolve tanto os profissionais de saúde quanto os familiares. Algumas medidas simples, quando seguidas corretamente, reduzem de forma significativa o risco de transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar.

    Entre alguns dos cuidados, estão:

    • Higiene adequada das mãos, com água e sabonete ou álcool em gel, antes e depois do contato com o paciente;
    • Uso correto de equipamentos de proteção, como luvas, aventais e máscaras, conforme orientação da equipe de saúde;
    • Cuidados rigorosos com cateteres, sondas, drenos e curativos, evitando manipulação desnecessária;
    • Avaliação diária da necessidade de dispositivos invasivos, retirando-os o mais cedo possível;
    • Uso responsável de antibióticos, apenas quando indicados e pelo tempo correto;
    • Limpeza e desinfecção adequadas de superfícies e equipamentos;
    • Participação do paciente e da família, mantendo as mãos higienizadas e seguindo as orientações recebidas.

    “Muitos microrganismos se espalham por mãos não higienizadas e por uso inadequado de equipamentos entre pacientes. Campanhas e auditorias de adesão fazem parte do núcleo de prevenção em serviços de saúde”, esclarece Giovanni.

    O que pacientes devem observar durante a internação?

    Durante a internação, o paciente pode ajudar na prevenção de infecções hospitalares observando sinais simples e seguindo orientações da equipe de saúde, como manter as mãos limpas, antes das refeições e após usar o banheiro.

    Caso perceba dor, vermelhidão, secreção, febre ou qualquer mudança no próprio estado de saúde, o paciente deve avisar a equipe imediatamente.

    Pós-alta hospitalar: como identificar uma infecção?

    Algumas infecções hospitalares podem se manifestar somente após a alta. Por isso, é importante ficar atento a sinais e sintomas que merecem avaliação médica, como:

    Sinais gerais

    • Febre persistente;
    • Calafrios;
    • Mal-estar intenso ou cansaço fora do habitual.

    Alterações na ferida cirúrgica

    • Vermelhidão progressiva ao redor do corte;
    • Dor intensa ou aumento da sensibilidade;
    • Calor local;
    • Presença de secreção ou pus;
    • Abertura dos pontos.

    Sinais urinários, especialmente após uso de sonda

    • Ardor ao urinar;
    • Urgência urinária;
    • Dor lombar;
    • Febre.

    Sinais respiratórios

    • Falta de ar;
    • Tosse com secreção;
    • Febre após internação recente/

    Alterações intestinais

    Diarreia intensa ou persistente após uso de antibióticos ou internação prolongada, podendo indicar infecção por Clostridioides difficile

    Na presença de qualquer um dos sinais, procure atendimento médico o quanto antes. As infecções exigem acompanhamento cuidadoso, pois podem se agravar rapidamente se não forem identificadas e tratadas de forma adequada.

    Infecções hospitalares têm tratamento?

    As infecções hospitalares podem ser tratadas, mas o tipo de tratamento varia conforme a infecção, o microrganismo responsável e o estado de saúde do paciente.

    Em muitos casos, são usados antibióticos, antivirais ou antifúngicos, escolhidos após exames que identificam qual germe está causando a infecção.

    Quando a infecção envolve bactérias resistentes, o tratamento costuma ser mais demorado, pode exigir medicamentos mais fortes e, em alguns casos, um período maior de internação.

    Por isso, a prevenção continua sendo a melhor maneira de evitar complicações, reduzir o tempo no hospital e proteger a saúde do paciente.

    Confira: Como a alimentação influencia o sistema imunológico (e fortalece as defesas do corpo)

    Perguntas frequentes

    1. O que é uma “superbactéria”?

    São bactérias que, de tanto serem expostas a antibióticos em ambiente hospitalar, sofreram mutações e se tornaram resistentes à maioria dos remédios comuns. Elas não são necessariamente “mais agressivas”, mas são muito mais difíceis de tratar.

    2. O ar-condicionado do hospital transmite infecção?

    Os hospitais possuem filtros especiais (HEPA) que limpam o ar em áreas críticas como centros cirúrgicos. O risco maior não está no ar, mas no contato físico e em objetos compartilhados.

    3. O que é “infecção de sítio cirúrgico”?

    É a infecção que acontece exatamente onde foi feita a cirurgia. Ela pode ser superficial (na pele) ou profunda (atingindo órgãos). É uma das causas mais comuns de reidratação hospitalar após a alta.

    4. O que fazer se eu suspeitar que peguei uma infecção no hospital?

    Não tente se automedicar com antibióticos que sobraram de outras vezes. Entre em contato imediato com o médico que fez o procedimento ou procure o pronto-socorro da mesma instituição onde você foi atendido.

    5. Por que os médicos pedem para tirar o esmalte antes de uma cirurgia?

    O esmalte (principalmente os escuros) impede que o aparelho de oximetria meça corretamente o oxigênio no sangue. Além disso, as unhas naturais ajudam o médico a perceber rapidamente sinais de má circulação ou infecção.

    6. Posso pegar uma infecção hospitalar em um exame simples?

    É raro, mas pode acontecer. Qualquer procedimento que envolva furos, cortes ou introdução de aparelhos no corpo pode abrir caminho para bactérias se os protocolos de higiene não forem seguidos à risca.

    Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

  • Excesso de exercícios físicos faz mal ao coração? Conheça os riscos

    Excesso de exercícios físicos faz mal ao coração? Conheça os riscos

    Não é um segredo que a prática regular de atividades físicas é uma das principais medidas para ter uma vida mais saudável. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana para adultos, o que contribui para reduzir o risco de doenças crônicas e melhorar a saúde cardiovascular.

    Mas se você é uma daquelas pessoas que acaba exagerando nas horas na academia, pensando que vai alcançar resultados de forma mais rápida, vale explicar que existe um limite fisiológico para qualquer corpo. O excesso de exercícios não é bom.

    Quando a rotina de exercícios ultrapassa a capacidade de recuperação, surge um quadro conhecido como overtraining, capaz de provocar fadiga persistente, queda de desempenho e alterações cardiovasculares preocupantes.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para esclarecer como o excesso de exercícios físicos impacta o coração, quais sinais merecem atenção e como montar uma rotina segura.

    Como o treino em excesso afeta o coração?

    Quando a estimulação do treino acontece de forma repetida e diária, o organismo passa a operar em estado de estresse contínuo. O coração, que é um músculo altamente responsivo a variações de intensidade, é submetido a uma sobrecarga progressiva.

    Isso altera o padrão de funcionamento e pode provocar impactos que vão muito além da simples fadiga, sobretudo em pessoas predispostas, como:

    • Aumento contínuo da frequência cardíaca: treinos intensos repetidos sem descanso mantêm o coração em estado de alerta. A frequência cardíaca permanece elevada mesmo em repouso, indicando esforço excessivo do músculo cardíaco para lidar com a sobrecarga diária;
    • Elevação sustentada de hormônios do estresse: cortisol e adrenalina aumentam de forma contínua quando não há recuperação adequada. Esses hormônios aceleram batimentos, favorecem arritmias transitórias e estimulam um estado de hiperativação que prejudica o sistema cardiovascular;
    • Risco maior de arritmias: o estresse fisiológico prolongado, somado à fadiga muscular e à inflamação, pode desencadear batimentos irregulares, palpitações e alterações na condução elétrica do coração, principalmente em pessoas predispostas;
    • Inflamação acumulada no músculo cardíaco: o exercício intenso provoca microlesões naturais. Sem descanso, o organismo não consegue reparar danos, e a inflamação se mantém elevada;
    • Oscilações de pressão arterial: picos repetidos de esforço vigoroso podem elevar a pressão sistólica de maneira exagerada. Com semanas de sobrecarga, podem surgir tonturas ou sensação de descompasso;
    • Queda da capacidade de adaptação cardiovascular: o corpo perde eficiência para lidar com novos estímulos. O coração demora mais para normalizar frequência e pressão após exercícios, indicando estresse cumulativo.

    “O treino exagerado (lembrando que o coração é um músculo) pode promover uma hipertrofia, um crescimento desse coração. E a partir do momento que essa hipertrofia ultrapassa a capacidade de adaptação fisiológica do organismo, ela passa do ponto benéfico e pode se tornar patológico, podendo prejudicar o funcionamento cardiovascular”, explica Juliana.

    Treino em excesso é perigoso para quem tem problemas cardiovasculares?

    O treino em excesso aumenta a demanda cardíaca em um ritmo que nem sempre o organismo consegue acompanhar, o que se torna especialmente perigoso para indivíduos com doenças cardiovasculares.

    Quem convive com hipertensão, arritmias, histórico de infarto, insuficiência cardíaca ou lesões nas artérias coronárias tende a apresentar respostas exageradas ao esforço quando ultrapassa o próprio limite.

    Por isso, cardiologistas orientam que indivíduos com doenças cardíacas pratiquem exercícios de maneira estruturada, com progressão gradual, monitorização constante e intervalos adequados de descanso.

    E quando se torna overtraining?

    O overtraining é um estado de exaustão física e fisiológica que surge quando a carga de treino ultrapassa a capacidade de recuperação do organismo por um período prolongado. Ele não aparece de um dia para o outro: o processo se instala após semanas ou meses de carga elevada associada a descanso insuficiente, sono irregular, alimentação inadequada ou estresse emocional.

    Com o tempo, o corpo passa a operar em modo de alerta permanente, com liberação contínua de hormônios ligados ao estresse e queda progressiva da eficiência metabólica.

    Sintomas do overtraining para ficar atento

    • Aumento anormal da frequência cardíaca em repouso;
    • Batimentos irregulares ou sensação de coração acelerado;
    • Cansaço intenso que não melhora mesmo após descanso;
    • Diminuição do desempenho;
    • Recuperação muito demorada entre treinos;
    • Dor, pressão ou aperto no peito durante o exercício.

    Quando os sinais aparecem, é recomendado reduzir a intensidade e reorganizar a rotina de descanso. Ignorar esses alertas pode transformar o treinamento em fonte de risco.

    Qual a quantidade recomendada de atividades físicas?

    De forma geral, as recomendações da Organização Mundial da Saúde para adultos são:

    • 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada, como caminhada acelerada, bicicleta leve ou natação confortável;
    • ou 75 a 150 minutos por semana de atividade vigorosa, como corrida, ciclismo rápido ou esportes de alta intensidade;
    • exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.

    A combinação entre atividades aeróbicas e treinos de força ajuda a preservar massa magra e melhorar a capacidade cardiorrespiratória.

    Se você convive com doenças crônicas ou histórico cardiovascular, o ideal é buscar orientação médica antes de definir intensidade e volume de treino.

    Como evitar o excesso de treino?

    • Progredir devagar, evitando aumentos bruscos de carga;
    • Alternar dias intensos com treinos leves;
    • Incluir dias de descanso real na rotina;
    • Dormir bem e manter alimentação compatível com o gasto energético;
    • Observar sinais do próprio corpo;
    • Acompanhar frequência cardíaca e desempenho;
    • Incluir técnicas de recuperação, como alongamentos e mobilidade.

    Consultar um educador físico antes de iniciar uma rotina também é uma forma segura de estruturar treinos e prevenir sobrecarga cardiovascular.

    Veja mais: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

    Perguntas frequentes

    Overtraining acontece apenas com atletas profissionais?

    Não. Pessoas comuns que treinam sem descanso adequado também podem desenvolver o quadro.

    Como distinguir cansaço normal de fadiga do overtraining?

    O cansaço comum melhora com descanso. Já o overtraining provoca fadiga persistente, queda de desempenho e alterações no humor mesmo após repouso.

    Treinar todos os dias faz mal ao coração?

    Treinos regulares fortalecem o coração, mas atividades intensas diárias sem recuperação podem gerar sobrecarga cardiovascular.

    Treino excessivo pode causar dor no peito?

    Sim. O esforço exagerado aumenta a demanda de oxigênio do coração e pode provocar desconforto torácico, principalmente em pessoas predispostas.

    O coração pode “crescer demais” com treino?

    O exercício pode causar hipertrofia fisiológica benéfica, mas quando ultrapassa o limite de adaptação, pode se tornar prejudicial.

    Quem tem problema cardíaco pode treinar?

    Sim, mas com orientação médica, progressão gradual e monitoramento adequado.

    Qual é o principal sinal de alerta?

    Frequência cardíaca elevada em repouso associada a fadiga persistente e queda de desempenho.

    Confira: 13 benefícios do exercício físico para a saúde (e como começar a treinar)

  • Desmaio por emoção ou susto: por que isso acontece? 

    Desmaio por emoção ou susto: por que isso acontece? 

    É comum ver pessoas que desmaiam ao receberem uma notícia chocante, levarem um susto repentino ou passarem por uma emoção muito forte. Apesar de assustador, esse tipo de episódio, na maioria das vezes, tem uma explicação fisiológica clara e está relacionado à chamada síncope vasovagal.

    A síncope vasovagal é a causa mais frequente de desmaio em pessoas saudáveis. Ela acontece quando o sistema nervoso reage de forma exagerada a um estímulo emocional ou físico, provocando uma queda súbita da pressão arterial e, às vezes, da frequência cardíaca. Com menos sangue chegando ao cérebro por alguns segundos, ocorre a perda temporária da consciência.

    O que é a síncope vasovagal

    A síncope vasovagal é um tipo de desmaio provocado por um reflexo do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções automáticas como batimentos cardíacos, pressão arterial e respiração.

    Nesse tipo de desmaio, dois mecanismos principais acontecem ao mesmo tempo:

    • Vasodilatação (vasodepressão): os vasos sanguíneos se dilatam de forma abrupta, fazendo a pressão arterial cair;
    • Bradicardia (cardioinibição): o coração pode bater mais devagar do que o esperado naquele momento.

    Essa combinação reduz temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro, levando ao desmaio.

    Por que o susto ou a emoção desencadeiam o desmaio?

    Situações de medo, ansiedade, susto ou emoção intensa ativam fortemente o sistema nervoso. Em pessoas predispostas, essa ativação pode, paradoxalmente, desencadear o reflexo vasovagal.

    Entre os gatilhos mais comuns estão:

    • Receber uma notícia chocante ou traumática;
    • Ver sangue ou passar por procedimentos médicos;
    • Ter medo intenso ou pânico repentino;
    • Ficar muito ansioso ou estressado;
    • Permanecer muito tempo em pé em ambiente quente.

    Nessas circunstâncias, o corpo reage de forma exagerada, causando queda súbita da pressão arterial e possível desmaio.

    O que a pessoa sente antes de desmaiar?

    Na maioria dos casos, o desmaio não acontece de forma totalmente inesperada. Antes de perder a consciência, muitas pessoas apresentam sinais de alerta, chamados pródromos.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Tontura ou sensação de cabeça leve;
    • Suor frio;
    • Palidez;
    • Náuseas;
    • Visão embaçada ou escurecimento visual;
    • Zumbido no ouvido;
    • Sensação de fraqueza nas pernas.

    Esses sinais indicam que o desmaio pode estar prestes a acontecer. Ao percebê-los, a pessoa deve tentar sentar ou deitar imediatamente para evitar quedas e traumas.

    O que acontece durante e depois do desmaio?

    A síncope vasovagal geralmente dura poucos segundos e raramente ultrapassa 1 a 2 minutos. Quando a pessoa cai ou se deita, o fluxo sanguíneo para o cérebro melhora rapidamente, permitindo a recuperação espontânea da consciência.

    Após o episódio, é comum sentir:

    • Cansaço ou sonolência;
    • Confusão leve e passageira;
    • Mal-estar geral.

    Esses sintomas costumam melhorar gradualmente em pouco tempo.

    Quando devo me preocupar?

    Na maior parte das vezes, a síncope vasovagal é benigna. Ainda assim, é importante procurar avaliação médica se:

    • Os desmaios forem frequentes;
    • Ocorrerem sem sintomas prévios;
    • Acontecerem durante exercício físico;
    • Houver histórico de doença cardíaca;
    • A pessoa se machucar durante a queda.

    Nessas situações, é fundamental investigar outras possíveis causas de desmaio, como alterações cardíacas ou neurológicas.

    Como prevenir novos episódios

    Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de novos episódios de síncope vasovagal:

    • Evitar ficar muito tempo em pé sem se movimentar;
    • Manter boa hidratação;
    • Evitar ambientes muito quentes;
    • Ao perceber os primeiros sintomas, sentar ou deitar imediatamente;
    • Seguir orientações médicas específicas em casos recorrentes.

    Em pessoas com episódios frequentes, o médico pode indicar estratégias adicionais para controle.

    Confira: Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Perguntas frequentes sobre síncope vasovagal

    1. Síncope vasovagal é perigosa?

    Na maioria dos casos, não. Ela é considerada benigna, mas deve ser avaliada se ocorrer repetidamente ou em situações atípicas.

    2. Desmaio por susto é sempre síncope vasovagal?

    Nem sempre, mas é a causa mais comum quando ocorre após emoção intensa.

    3. É possível evitar o desmaio?

    Sim. Ao perceber os sintomas iniciais, deitar-se ou sentar-se pode evitar a perda de consciência.

    4. Quem tem síncope vasovagal tem problema no coração?

    Geralmente não. A síncope vasovagal ocorre por reflexo do sistema nervoso, não por doença cardíaca estrutural.

    5. Pode acontecer mais de uma vez?

    Sim. Algumas pessoas são mais predispostas e podem ter episódios recorrentes.

    6. Crianças e adolescentes podem ter?

    Sim. A síncope vasovagal é comum em jovens e adultos jovens.

    7. Precisa fazer exames?

    Depende do contexto. Quando há fatores de risco ou sinais de alerta, exames podem ser solicitados para descartar outras causas.

    Veja mais: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

  • Enteroviroses: o que são e por que infectam tantas crianças 

    Enteroviroses: o que são e por que infectam tantas crianças 

    As enteroviroses são um conjunto de infecções causadas por vírus do gênero Enterovirus, da família Picornaviridae. Esses vírus têm grande capacidade de circulação na população e podem infectar o trato gastrointestinal e respiratório, com possibilidade de disseminação para outros órgãos.

    Muito comuns em todo o mundo, as enteroviroses afetam principalmente crianças, mas também podem acometer adultos. A maioria dos casos evolui de forma leve ou até assintomática, porém algumas infecções podem causar quadros mais graves, como meningite viral, inflamação do músculo cardíaco e manifestações neurológicas.

    O que são enteroviroses

    As enteroviroses incluem doenças causadas por diferentes tipos de enterovírus, como:

    • Coxsackievírus;
    • Echovírus;
    • Enterovírus humanos não-poliomielíticos;
    • Vírus da poliomielite, em regiões onde ainda há circulação.

    Esses vírus têm em comum a capacidade de se replicar inicialmente no trato gastrointestinal após infecção, principalmente pela via fecal-oral, e causar manifestações clínicas variadas.

    A infecção pode começar pelo contato com fezes contaminadas, água ou alimentos infectados. Em algumas situações, também ocorre disseminação por secreções respiratórias.

    Como as enteroviroses são transmitidas

    A principal forma de transmissão das enteroviroses é a via fecal-oral, ou seja, pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes que contêm o vírus. Pequenas quantidades virais já são suficientes para causar infecção.

    Outras formas de transmissão incluem:

    • Gotículas respiratórias ou contato com secreções de pessoas infectadas;
    • Superfícies contaminadas e mãos não higienizadas adequadamente.

    Essa combinação explica por que as enteroviroses se espalham com facilidade em creches, escolas e ambientes com grande circulação de crianças.

    Sintomas das enteroviroses

    Os sintomas variam conforme o tipo de enterovírus e a resposta do organismo da pessoa infectada.

    Sintomas inespecíficos

    Muitos casos cursam com manifestações leves ou até ausência de sintomas, especialmente em adultos. Os sinais mais comuns são:

    • Febre;
    • Mal-estar geral;
    • Dor de cabeça;
    • Náuseas;
    • Dor corporal.

    Esses sintomas podem se confundir facilmente com outras infecções virais comuns.

    Quadros respiratórios

    Alguns enterovírus causam infecções do trato respiratório superior, principalmente em crianças, com sintomas como:

    • Coriza;
    • Tosse;
    • Dor de garganta.

    Doenças específicas associadas

    Em uma parcela menor dos casos, podem ocorrer manifestações mais graves, como:

    • Meningite viral: cefaleia intensa, febre e rigidez de nuca;
    • Encefalite: inflamação do cérebro, com confusão mental e alterações neurológicas;
    • Miocardite e pericardite: inflamação do músculo cardíaco ou das membranas que envolvem o coração;
    • Doenças cutâneas e exantemas, incluindo a síndrome mão-pé-boca, mais comum na infância.

    Diagnóstico

    O diagnóstico das enteroviroses é baseado na avaliação clínica e no contexto epidemiológico, sendo complementado por exames laboratoriais quando necessário.

    Exames laboratoriais

    Os exames mais utilizados são:

    • PCR (reação em cadeia da polimerase) para detecção do RNA viral em fezes, líquor, sangue ou secreções respiratórias;
    • Cultura viral e sorologia, que podem ser úteis em investigações epidemiológicas ou para identificação do tipo viral, mas não são necessárias na maioria dos casos.

    A indicação dos exames depende da gravidade do quadro e da suspeita de complicações.

    Tratamento e cuidados

    Não existe tratamento antiviral específico para a maioria das enteroviroses. Por isso, o manejo é basicamente de suporte, com foco no alívio dos sintomas e na prevenção de complicações.

    As principais medidas incluem:

    • Hidratação adequada;
    • Controle da febre e da dor com analgésicos ou antipiréticos;
    • Repouso;
    • Monitoramento clínico, especialmente de sinais neurológicos ou cardíacos.

    Em casos de meningite viral ou outras complicações, pode ser necessária internação e suporte clínico avançado.

    Prevenção

    Como não há vacinas disponíveis para todos os enterovírus, com exceção da poliomielite, incluída no calendário vacinal, a prevenção baseia-se principalmente em medidas de higiene:

    • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão;
    • Garantir saneamento básico adequado;
    • Consumir água tratada;
    • Evitar contato próximo com pessoas infectadas durante surtos.

    Essas medidas reduzem de forma significativa a transmissão fecal-oral e respiratória.

    Confira: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

    Perguntas frequentes sobre enteroviroses

    1. Enteroviroses são contagiosas?

    Sim. A transmissão fecal-oral e respiratória facilita a disseminação, principalmente entre crianças.

    2. Todas as enteroviroses são graves?

    Não. A maioria causa sintomas leves ou nenhum sintoma, embora possam ocorrer formas graves.

    3. Existe vacina para enteroviroses?

    A única vacina amplamente disponível é contra a poliomielite. Para os demais enterovírus, ainda não há imunização específica.

    4. Crianças adoecem mais?

    Sim. Crianças em idade pré-escolar e escolar são mais afetadas devido ao contato próximo e à imunidade ainda em desenvolvimento.

    5. Como prevenir a infecção?

    Com higiene adequada das mãos, saneamento básico e consumo de água tratada.

    6. Enteroviroses podem ser fatais?

    Casos graves são raros, mas podem ocorrer quando há acometimento do sistema nervoso central ou do coração.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Se houver sinais de meningite, dificuldade respiratória, dor no peito, confusão mental ou piora rápida do quadro.

    Veja também: Piolhos (pediculose): o que são e como tratar corretamente

  • Vasculite: o que é, sintomas e como é feito o tratamento da condição

    Vasculite: o que é, sintomas e como é feito o tratamento da condição

    A vasculite é uma inflamação que afeta os vasos sanguíneos, estruturas do sistema circulatório responsáveis por transportar o sangue por todo o corpo.

    Como elas estão presentes em praticamente todos os órgãos e tecidos, a condição pode se manifestar de formas diferentes. Por isso, os sintomas variam muito de uma pessoa para outra, indo de quadros leves até situações mais graves.

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para entender como ela afeta o organismo, os principais sintomas e como é feito o diagnóstico.

    O que é vasculite?

    A vasculite é uma condição caracterizada pela inflamação dos vasos sanguíneos. Quando isso acontece, as paredes dos vasos podem ficar mais espessas, estreitas ou até se fechar, dificultando a passagem do sangue, de acordo com Marcelo Dalio.

    Como os vasos sanguíneos estão distribuídos por todo o corpo, a vasculite pode atingir diferentes órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, pulmões, nervos e cérebro. Isso explica porque os sintomas variam tanto de uma pessoa para outra, indo de quadros leves até situações mais graves.

    Como a vasculite afeta o corpo?

    A vasculite compromete o organismo por meio de um processo inflamatório que altera a estrutura física das paredes dos vasos sanguíneos, sejam eles artérias, veias ou capilares.

    Quando a parede vascular inflama, ela pode ficar mais grossa, diminuindo o espaço por onde o sangue passa, o que é conhecido como estenose.

    A obstrução parcial ou total restringe a passagem do fluxo sanguíneo, resultando em isquemia, que é a privação de oxigênio e nutrientes essenciais para a sobrevivência dos tecidos e órgãos.

    Se essa falta de circulação for intensa e durar muito tempo, pode ocorrer a morte do tecido, conhecida como necrose.

    Em outros casos, a inflamação pode levar ao enfraquecimento da parede do vaso sanguíneo, tornando-o vulnerável à pressão interna do sangue. O processo favorece a formação de aneurismas, dilatações anormais que apresentam risco elevado de ruptura e hemorragia.

    Quais os tipos de vasculite?

    A condição é classificada em dois grandes grupos: as vasculites primárias, que ocorrem de forma isolada, e as vasculites secundárias, que surgem como consequência de outros fatores ou doenças preexistentes.

    Vasculite primária

    As vasculites primárias são doenças raras em que o vaso sanguíneo é o principal alvo da inflamação, sem uma causa claramente definida. A classificação depende, principalmente, do tamanho do vaso acometido.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, elas podem ocorrer de duas formas:

    • Localizadas, quando atingem apenas um órgão ou tecido, como pele, olhos ou sistema nervoso central;
    • Sistêmicas, quando afetam vários órgãos ao mesmo tempo ou em momentos diferentes.

    Entre os principais exemplos estão vasculites de vasos grandes, médios e pequenos, cada uma com características próprias.

    Vasculite secundário

    As vasculites secundárias acontecem quando a inflamação dos vasos está relacionada a outra condição, como doenças autoimunes, infecções, câncer, uso de medicamentos ou exposição a determinadas substâncias. Nesses casos, a vasculite surge como consequência de outro problema de saúde.

    Classificação pelo tamanho dos vasos

    As vasculites também são classificadas de acordo com o tamanho dos vasos afetados, segundo Marcelo:

    • Vasculites de pequenos vasos: geralmente se manifestam na pele, causando manchas, púrpura ou feridas;
    • Vasculites de vasos médios: podem atingir artérias importantes, como as coronárias ou as artérias das pernas;
    • Vasculites de grandes vasos: acometem artérias maiores, como a aorta.

    Um exemplo de vasculite de vasos médios é a tromboangeíte obliterante, uma doença autoimune em que o tabagismo atua como gatilho da inflamação.

    Já entre as vasculites de grandes vasos, destaca-se a arterite de Takayasu, que afeta a aorta e pode comprometer a circulação em várias partes do corpo.

    O que causa a vasculite?

    Na maioria das vezes, a vasculite está relacionada a uma reação inadequada do sistema imunológico, que passa a atacar estruturas do próprio corpo. Nesse processo, os vasos sanguíneos se tornam o alvo da inflamação, como se o organismo os reconhecesse de forma equivocada como uma ameaça.

    No entanto, ela também pode estar associada a outros fatores que funcionam como gatilhos para o processo inflamatório, especialmente em pessoas com predisposição, como:

    • Doenças autoimunes sistêmicas: a vasculite pode surgir como complicação de outras doenças em que o sistema imunológico já funciona de forma desregulada, como lúpus, artrite reumatoide ou síndrome de Sjögren;
    • Infecções: alguns vírus e bactérias podem desencadear inflamação nos vasos sanguíneos. Entre os exemplos mais conhecidos estão os vírus das hepatites B e C, o HIV e infecções bacterianas mais graves, como a endocardite;
    • Reações a medicamentos: certos remédios, como antibióticos, anti-inflamatórios ou anticonvulsivantes, podem provocar uma reação exagerada do sistema imunológico, levando à inflamação dos vasos;
    • Câncer: embora seja menos comum, alguns tipos de câncer, especialmente leucemias e linfomas, podem estar associados ao surgimento de vasculite. Nesses casos, a inflamação ocorre como uma reação indireta do organismo à doença;
    • Fatores genéticos e ambientais: a combinação entre predisposição genética e contato com poluentes, toxinas ou outras agressões ambientais pode facilitar o desenvolvimento da vasculite em pessoas mais suscetíveis.

    Sintomas da vasculite

    Os sintomas de vasculite podem variar bastante, porque a inflamação pode atingir vasos sanguíneos de diferentes partes do corpo. Normalmente, os sinais aparecem de forma gradual e costumam persistir por semanas.

    Antes de surgir um sintoma específico, o corpo costuma dar sinais de inflamação, como:

    • Febre persistente;
    • Cansaço intenso;
    • Mal-estar geral;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Dores musculares e articulares.

    Quando a inflamação se concentra em determinados vasos, os órgãos correspondentes começam a apresentar sintomas, como:

    • Pele: sendo uma das partes mais afetadas pela vasculite, podem surgir manchas arroxeadas que não somem quando apertadas, lesões parecidas com alergia, feridas abertas que demoram a cicatrizar ou caroços doloridos sob a pele;
    • Sistema nervoso: podem aparecer dormência, formigamento, perda de sensibilidade ou fraqueza repentina em uma mão ou em um pé. Quando o cérebro é afetado, podem surgir dor de cabeça forte, confusão mental ou dificuldade para pensar com clareza;
    • Rins: no início, a inflamação dos vasos dos rins pode não causar sintomas. Com o tempo, podem surgir sinais como urina com sangue, urina espumosa ou aumento repentino da pressão arterial;
    • Aparelho respiratório: a pessoa pode sentir falta de ar, ter tosse que não melhora ou, em casos mais graves, tossir com presença de sangue;
    • Aparelho digestivo: podem ocorrer dores fortes na barriga, principalmente após as refeições, além de sangue nas fezes;
    • Olhos e ouvidos: é possível notar olhos vermelhos, visão embaçada, perda repentina da audição ou zumbido constante nos ouvidos.

    Diagnóstico de vasculite

    O diagnóstico começa com uma avaliação clínica cuidadosa, uma vez que a vasculite é uma doença rara e com sintomas variados. Segundo Marcelo, o médico observa os sinais apresentados pela pessoa e analisa quais vasos sanguíneos podem estar afetados, sejam vasos grandes, médios, pequenos ou microvasos.

    Durante o exame físico, o especialista pode identificar alterações importantes, como a diminuição ou ausência de pulso em algumas artérias, especialmente quando vasos grandes estão envolvidos.

    Já nos casos de vasculite de pequenos vasos da pele, Marcelo aponta que não há alteração do pulso, mas podem surgir manchas arroxeadas, púrpura, feridas ou outras lesões cutâneas, com padrões que ajudam a orientar o diagnóstico.

    Também podem ser necessários outros exames, como:

    • Exames de imagem, como tomografia, ressonância ou arteriografia, para visualizar estreitamentos ou inflamações nos vasos sanguíneos;
    • Exames laboratoriais, como a dosagem da proteína C-reativa (PCR) e do VHS, que costumam mostrar sinais de inflamação no organismo. Em alguns tipos de vasculite, existem exames específicos que ajudam a confirmar o diagnóstico.

    Nas vasculites que afetam apenas a pele, o diagnóstico muitas vezes é clínico, baseado nos sintomas e no aspecto das lesões, sem necessidade de exames de imagem.

    Como é feito o tratamento de vasculite?

    O tratamento inicial da vasculite costuma ser clínico, a fim de controlar a inflamação dos vasos sanguíneos, aliviar os sintomas e evitar danos aos órgãos. A escolha do tratamento depende do tipo de vasculite, dos vasos atingidos e da gravidade do quadro.

    Na maioria dos casos, o tratamento é clínico, feito com o uso dos seguintes medicamentos:

    • Corticoides, que reduzem rapidamente a inflamação e costumam ser a base do tratamento inicial;
    • Imunossupressores, usados quando a inflamação é mais intensa ou não responde apenas ao corticoide;
    • Medicamentos imunobiológicos, mais recentes, que ajudam a modular a resposta do sistema imunológico de forma mais direcionada.

    Se a vasculite for desencadeada por uma infecção (como a hepatite C) ou pelo uso de algum medicamento, o tratamento da infecção ou a suspensão da substância é necessária para a recuperação.

    Segundo Marcelo, o tratamento e o acompanhamento costumam ser feitos pelo reumatologista, especialista em doenças autoimunes.

    Com o controle da inflamação, os sintomas tendem a melhorar, as lesões de pele regridem, a dor nas articulações diminui e a progressão da doença é interrompida.

    Quando é necessário tratamento vascular?

    Em alguns casos, a vasculite pode causar sequelas nos vasos, como estreitamentos ou obstruções importantes. Quando isso acontece, o cirurgião vascular pode atuar para corrigir essas alterações, principalmente se houver risco de perda de função, dificuldade para andar, AVC ou comprometimento de órgãos como os rins.

    Marcelo explica que essas correções podem ser feitas por procedimentos cirúrgicos ou endovasculares, sempre após o controle da inflamação.

    Vasculite precisa de acompanhamento a longo prazo?

    Mesmo após a melhora dos sintomas, o acompanhamento continua sendo importante, já que a vasculite pode voltar em alguns casos e o controle precoce ajuda a evitar complicações.

    Algumas pessoas entram em remissão completa e conseguem suspender os medicamentos, mantendo apenas o seguimento regular. Outras, segundo Marcelo, podem precisar de tratamento contínuo ou intermitente ao longo da vida.

    Quando ir ao médico?

    A avaliação médica é importante sempre que surgirem sintomas persistentes ou sem causa aparente, principalmente quando envolvem mais de uma parte do corpo. Alguns sinais merecem atenção especial:

    • Febre que dura vários dias sem explicação;
    • Cansaço intenso e mal-estar constante;
    • Dores nas articulações ou músculos que não melhoram;
    • Manchas arroxeadas, feridas ou lesões na pele sem motivo claro;
    • Perda de peso sem mudança na alimentação;
    • Dormência, formigamento ou fraqueza em braços ou pernas;
    • Falta de ar, tosse persistente ou presença de sangue ao tossir;
    • Dor abdominal forte ou sangue nas fezes;
    • Inchaço, alterações na urina ou aumento repentino da pressão arterial.

    Também é importante procurar um médico se houver histórico de doenças autoimunes, uso recente de medicamentos novos ou infecções, já que essas situações podem estar relacionadas ao surgimento da vasculite.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes

    1. A vasculite é considerada um tipo de câncer?

    Não, a vasculite é uma doença inflamatória, normalmente de origem autoimune, e não uma neoplasia. Contudo, em casos raros, ela pode surgir como uma reação secundária a algum tipo de câncer.

    2. A vasculite é contagiosa?

    Não, a vasculite não é uma doença infectocontagiosa. Ela decorre de uma disfunção do sistema imunológico ou de reações internas do organismo.

    3. Existe cura para a vasculite?

    Muitas formas de vasculite podem entrar em remissão completa, onde o paciente fica livre de sintomas e pode levar uma vida normal. No entanto, em muitos casos, ela é tratada como uma condição crônica que exige monitoramento contínuo.

    4. É seguro praticar exercícios físicos?

    Durante a fase aguda de inflamação, o repouso é normalmente indicado. Após o controle da doença, a atividade física é recomendada para combater os efeitos colaterais dos medicamentos e melhorar a saúde vascular.

    5. A vasculite pode causar cegueira?

    Sim, particularmente na Arterite de Células Gigantes. A inflamação das artérias que suprem o nervo óptico pode causar perda de visão súbita e irreversível se não for tratada como uma emergência médica.

    6. Qual a relação entre a vasculite e o fumo?

    O tabagismo é um fator de risco crítico para a vasculite, especialmente para a Tromboangeíte Obliterante (Doença de Buerger), um tipo de vasculite que afeta as extremidades e está diretamente ligada ao consumo de tabaco, podendo levar à amputação se o hábito não for interrompido.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Aumento da frequência das evacuações, fezes mais líquidas e dor ou desconforto abdominal são alguns dos principais sintomas da diarreia, que pode surgir de forma repentina ou se desenvolver ao longo de alguns dias, dependendo do que está causando o problema.

    Normalmente, o quadro é passageiro e melhora espontaneamente em poucos dias, mas quando dura 14 dias ou mais, ele é considerado persistente.

    “Quando [a diarreia] se prolonga por semanas, aumenta a chance de desidratação, perda de peso e de haver uma causa que precisa de investigação”, explica o cardiologista e clínico geral Giovanni Henrique Pinto.

    O que pode ser a diarreia constante?

    Quando a diarreia persiste por vários dias, ela pode estar relacionada a diferentes fatores, como aponta Giovanni:

    • Gastroenterites virais ou bacterianas, especialmente quando não tratadas adequadamente;
    • Parasitoses intestinais, mais comuns em locais com saneamento inadequado;
    • Uso de medicamentos, como antibióticos, metformina, suplementos de magnésio e laxantes;
    • Infecção por Clostridioides difficile, geralmente após uso recente de antibióticos ou período de internação hospitalar;
    • Intolerâncias alimentares, como lactose ou frutose;
    • Síndrome do intestino irritável, principalmente nas formas com predomínio de diarreia;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

    Quais os riscos da diarreia constante?

    A desidratação é o principal risco da diarreia constante e acontece porque o corpo perde muita água e sais minerais pelas fezes. Quando o organismo não consegue repor rapidamente essas perdas, Giovanni explica que podem surgir queda da pressão arterial, tontura, fraqueza e até lesão renal aguda.

    Em pessoas idosas, o perigo é maior porque o organismo tem menos capacidade de se adaptar à perda de líquidos. Além disso, a sensação de sede costuma ser menor, o que facilita a desidratação, mesmo quando a diarreia parece leve.

    No caso de pessoas com problemas no coração, como insuficiência cardíaca, doença coronariana ou arritmias, a perda de líquidos reduz a quantidade de sangue circulando no corpo.

    Nesses casos, a diarreia persistente pode agravar sintomas, alterar o funcionamento do coração e aumentar o risco de complicações, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Se você apresentar os seguintes sinais, procure atendimento médico imediatamente, pois a diarreia pode estar associada a um quadro mais grave e precisa de avaliação.

    • Presença de sangue nas fezes;
    • Fezes muito escuras ou com aspecto de borra de café;
    • Febre alta ou persistente;
    • Dor abdominal intensa ou que piora com o tempo;
    • Sinais de desidratação, como boca seca, diminuição da quantidade de urina, fraqueza intensa e tontura ou confusão mental;
    • Episódios de desmaio;
    • Piora do estado geral.

    A atenção deve ser redobrada quando os sintomas surgem em idosos, gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou com o sistema imunológico comprometido, pois o risco de complicações é maior.

    O que tomar para diarreia constante?

    Em adultos saudáveis, sem febre e sem presença de sangue nas fezes, alguns medicamentos antidiarreicos podem ser usados por curto período. Mesmo assim, o uso deve ser cauteloso, pois nem toda diarreia deve ser interrompida com remédios.

    Quando há suspeita de infecção mais grave, o uso dos medicamentos deve ser evitado, já que podem mascarar sintomas importantes e aumentar o risco de complicações. Em casos persistentes ou com sinais de alerta, a avaliação médica é indispensável.

    Como é feita a investigação da causa?

    Para investigar a causa da diarreia constante, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada, para entender a duração da diarreia, a frequência das evacuações, a presença de sintomas associados — além de hábitos alimentares, uso de medicamentos, viagens recentes e histórico de doenças intestinais.

    Também podem ser solicitados alguns exames específicos, como:

    • Exames de fezes: pesquisa de parasitas, bactérias, vírus, presença de muco, sangue ou sinais de inflamação;
    • Exames de sangue: avaliação de infecção, inflamação, anemia, desidratação e alterações de sais minerais;
    • Testes para intolerâncias alimentares: como lactose ou frutose, ou dieta de exclusão orientada;
    • Colonoscopia: indicada quando a diarreia é persistente ou há sinais de alerta, permitindo avaliar inflamações, lesões e doenças intestinais;
    • Outros exames de imagem ou endoscópicos: solicitados em situações específicas, conforme a suspeita clínica.

    Diarreia constante tem tratamento?

    O tratamento da diarreia constante depende da causa do problema e da gravidade dos sintomas. Em todos os casos, a reposição de líquidos e sais minerais é sempre necessária para prevenir a desidratação.

    Em casos de infecções, o tratamento varia de acordo com o agente causador. Infecções bacterianas ou parasitárias podem exigir o uso de medicamentos específicos, enquanto infecções virais costumam melhorar com medidas de suporte, como hidratação e alimentação adequada.

    Quando a diarreia está relacionada a intolerâncias alimentares, o principal cuidado é ajustar a dieta, com retirada temporária ou definitiva do alimento responsável.

    Já em doenças inflamatórias intestinais, o tratamento envolve acompanhamento médico contínuo e uso de remédios próprios para controle da inflamação.

    O uso de medicamentos para reduzir a diarreia pode ser indicado em situações selecionadas e por curto período, sempre com orientação profissional.

    Cuidados com a diarreia constante para evitar complicações

    Enquanto o quadro de diarreia constante não melhora, alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a proteger o organismo, reduzir complicações e favorecer a recuperação, especialmente em pessoas mais vulneráveis. Alguns deles incluem:

    • Hidratação com sais minerais: dar preferência ao soro de reidratação oral, que repõe água e sais minerais de forma correta e funciona melhor do que beber apenas água;
    • Alimentação leve: escolher alimentos simples, como arroz, batata, banana e sopas, evitando álcool, comidas gordurosas e produtos industrializados;
    • Atenção aos sinais do corpo: observar se a urina diminuiu e se surgem tontura ou fraqueza;
    • Mais cuidado com grupos de risco: idosos e pessoas com problemas no coração precisam de acompanhamento mais próximo.

    Quem faz uso de diuréticos ou medicamentos para pressão arterial não deve ajustar doses por conta própria em caso de desidratação. Nesses casos, a orientação médica é importante para evitar queda de pressão ou sobrecarga nos rins.

    O que evitar se estiver com diarreia?

    Durante a diarreia, o intestino fica mais sensível e qualquer alimento inadequado pode piorar os sintomas, como:

    • Alimentos gordurosos ou frituras;
    • Leite e derivados;
    • Doces, açúcar e adoçantes artificiais;
    • Bebidas com cafeína, como café, chá preto e energéticos;
    • Álcool;
    • Alimentos muito condimentados ou apimentados;
    • Carnes processadas, como embutidos e fritos;
    • Vegetais crus e alimentos ricos em fibras insolúveis;
    • Refrigerantes e sucos industrializados;
    • Suplementos e laxantes.

    Assim que os sintomas melhorarem, a alimentação pode ser retomada de forma gradual, começando por alimentos leves e de fácil digestão.

    Veja também: Dor abdominal do lado esquerdo? Veja se pode ser diverticulite

    Perguntas frequentes

    1. Quando a diarreia passa a ser considerada “constante”?

    A diarreia é classificada como constante quando a alteração do hábito intestinal (fezes amolecidas ou líquidas) persiste por mais de 4 semanas.

    2. Por que sinto cólicas fortes junto com a diarreia?

    As cólicas são contrações musculares do intestino tentando expelir o conteúdo rapidamente. Se forem constantes, podem indicar inflamação ou sensibilidade exacerbada do órgão.

    3. É normal ter gases excessivos com a diarreia?

    Muitas vezes sim, especialmente se a causa for má absorção de carboidratos ou fermentação bacteriana excessiva no intestino (como no SIBO).

    4. Posso tomar remédios para “trancar” o intestino por conta própria?

    Não é recomendado. Se a diarreia for causada por uma infecção ou bactéria, segurar o fluxo pode piorar o quadro. O uso de medicamentos deve ser orientado por um médico.

    5. Qual especialista devo procurar?

    O gastroenterologista é o médico especialista indicado para investigar e tratar qualquer alteração intestinal que dure mais de um mês.

    6. O que é a esteatorreia (fezes gordurosas)?

    É um tipo de diarreia onde as fezes são volumosas, pálidas, têm odor muito forte e flutuam no vaso. Ela pode indicar má absorção de gordura, muitas vezes ligada a problemas no pâncreas ou no fígado.

    Confira: Diarreia: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum

  • Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    A trombose venosa profunda, conhecida pela sigla TVP, é a formação de um coágulo de sangue dentro de uma veia profunda, normalmente nas pernas. Ela pode acontecer em qualquer fase da vida, mas é especialmente frequente durante a gravidez, devido às mudanças naturais que ocorrem no corpo feminino.

    As veias profundas são responsáveis por levar o sangue de volta ao coração e, quando um coágulo se forma ali, a circulação sanguínea é prejudicada. O maior risco surge quando parte do coágulo se solta e viaja pela corrente sanguínea, podendo alcançar os pulmões e causar uma embolia pulmonar, uma condição grave que exige atendimento imediato.

    No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a trombose na gravidez corresponde a aproximadamente 1% das causas de morte materna.

    Por que a trombose venosa profunda é mais comum na gravidez?

    Na gravidez, as mudanças que ocorrem no corpo feminino, principalmente na circulação e nos hormônios, podem favorecer a formação de coágulos. O processo envolve alguns fatores, sendo eles:

    Hipercoagulabilidade

    O sangue da mulher se torna naturalmente mais espesso durante a gravidez, porque o organismo aumenta a produção de fatores de coagulação, como uma forma de prevenir hemorragias importantes durante o parto. É um mecanismo de proteção, mas a mudança favorece a formação de coágulos.

    Estase venosa

    Com o crescimento do útero, há uma pressão direta sobre as veias da pelve e sobre a veia cava inferior, responsável por levar o sangue das pernas de volta ao coração.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a compressão dificulta o retorno venoso, fazendo com que o sangue circule de forma mais lenta — o que aumenta o risco de trombose, especialmente no último trimestre.

    Alterações hormonais

    O aumento dos hormônios da gravidez, como a progesterona e estrogênio, provoca o relaxamento das paredes das veias. Com isso, as veias ficam mais dilatadas e menos eficientes para impulsionar o sangue, contribuindo para a lentidão da circulação e aumentando o risco de trombose.

    Quais os fatores de risco?

    Algumas mulheres apresentam risco aumentado de desenvolver trombose venosa profunda durante a gravidez, especialmente quando possuem um ou mais dos fatores a seguir:

    • Histórico pessoal de trombose;
    • Histórico familiar de trombose;
    • Doenças que aumentam a coagulação do sangue;
    • Obesidade;
    • Gravidez múltipla;
    • Necessidade de repouso prolongado.

    As situações pedem mais atenção durante o pré-natal, com avaliação do risco de forma individual e definição das melhores medidas para prevenir a trombose.

    Sintomas de trombose na gravidez

    Os sintomas de trombose durante a gravidez costumam aparecer, principalmente, nas pernas. O sinal mais comum é dor em uma perna só, normalmente acompanhada de inchaço, segundo Andreia.

    No geral, é importante observar:

    • Dor em uma perna só, na maioria das vezes;
    • Inchaço mais evidente em apenas uma perna;
    • Dor diferente do habitual, que não melhora com o repouso;
    • Sensação de dor muscular profunda, que não parece uma câimbra comum;
    • Endurecimento da musculatura da perna afetada;
    • Inchaço que não oscila ao longo do dia e não desaparece pela manhã;
    • Desconforto que pode melhorar levemente ao elevar a perna, mas não desaparece;
    • Dor localizada, que surge exatamente onde está a trombose, como na panturrilha, na coxa ou na região da bacia.

    Durante a gravidez, o diagnóstico pode ser mais difícil porque o inchaço e as dores nas pernas já são comuns, especialmente no último trimestre. Por isso, o principal alerta é quando uma perna fica visivelmente mais inchada e dolorida que a outra, com sintomas que persistem ao longo do tempo.

    Como é feito o diagnóstico de trombose na gravidez?

    O diagnóstico de trombose na gravidez é feito a partir da avaliação dos sintomas e do histórico da gestante.

    Em caso de suspeita, Andreia explica que o exame indicado para confirmar o diagnóstico é o ultrassom com Doppler, que avalia o fluxo de sangue nas veias das pernas e, quando necessário, também nas veias do abdômen. O exame é seguro para a gestante e para o bebê, além de não utilizar radiação.

    A ginecologista também destaca que exames de sangue, como o D-dímero, não costumam ajudar durante a gravidez, já que esse marcador biológico fica naturalmente elevado no período. Por isso, o resultado pode confundir e não confirma nem descarta trombose na gestação.

    Tratamento de trombose na gravidez

    O tratamento de trombose na gravidez é feito a partir da aplicação de injeções diárias de heparina, um medicamento que atua impedindo a formação e o crescimento de coágulos no sangue. Ele é considerado seguro durante a gestação, pois a heparina não atravessa a placenta e não oferece riscos ao bebê.

    Na maioria dos casos, é utilizada a heparina de baixo peso molecular, aplicada diariamente sob a pele. Segundo Andréia, o tratamento costuma ser mantido até o fim da gravidez e, em muitos casos, também durante o puerpério, período em que o risco de trombose ainda permanece elevado.

    A ginecologista também explica que medicamentos anticoagulantes de uso oral, comuns fora da gestação, não são indicados para grávidas, pois não possuem segurança comprovada no período.

    Então, mesmo que o uso de injeções cause desconforto, elas continuam sendo a opção segura para tratar a trombose durante a gravidez e no pós-parto.

    Por que o risco de trombose é prolongado no puerpério?

    Mesmo com o nascimento do bebê, o organismo da mulher não volta ao normal imediatamente.

    Os níveis de estrogênio no puerpério ainda permanecem elevados, o que mantém o sangue mais propenso à coagulação. O corpo também está se recuperando do parto, que pode causar lesões nos vasos sanguíneos, principalmente em casos de cesariana.

    Para completar, a redução da mobilidade nos primeiros dias após o parto podem fazer com que a mulher se movimente menos, o que favorece a circulação mais lenta nas pernas.

    Como evitar a trombose na gravidez?

    Apesar do aumento do risco durante a gravidez, a trombose pode ser prevenida a partir de algumas medidas, como aponta Andreia:

    • Movimentar as pernas ao longo do dia;
    • Evitar ficar muito tempo sentada ou em pé sem se movimentar;
    • Elevar as pernas ao final do dia;
    • Usar meia elástica, inclusive modelos próprios para gestantes.

    Em situações de risco mais elevado, pode ser indicada a prevenção com medicação. Nesses casos, o médico pode prescrever uma dose preventiva de heparina, menor do que a dose usada no tratamento da trombose, aplicada diariamente durante a gestação e também no puerpério.

    Mas, vale apontar que a decisão de usar heparina preventiva é sempre médica, baseada em critérios e evidências científicas, e deve ser discutida entre a gestante e o obstetra.

    As medidas sem remédio são indicadas para todas as gestantes, enquanto a heparina preventiva é reservada apenas para quem apresenta risco aumentado.

    No pré-natal, o obstetra avalia os fatores de risco, como histórico prévio de trombose, histórico familiar ou a presença de algumas doenças. Em alguns casos, o cirurgião vascular também participa dessa avaliação, por meio de interconsulta.

    Grávidas podem usar aspirina para prevenir a trombose?

    Em algumas situações, o uso do ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses é indicado por outros motivos, como a prevenção da pré-eclâmpsia ou em casos de restrição de crescimento fetal de origem placentária.

    Apesar da aspirina ajudar a evitar a formação de coágulos, a heparina continua sendo a opção mais eficaz e segura para prevenir e tratar a trombose durante a gravidez.

    Em casos específicos, o médico pode indicar a associação entre AAS e heparina, nas a decisão sempre é médica e leva em conta os riscos e benefícios de cada gestante, já que cada situação precisa ser avaliada de forma individual.

    Trombose na gravidez afeta o bebê?

    As complicações da trombose afetam o desenvolvimento da gestação, pois o coágulo reduz o fluxo de oxigênio e nutrientes para a placenta. Isso pode comprometer o crescimento do bebê, aumentar o risco de parto prematuro e, em situações mais graves, levar a complicações maternas que exigem acompanhamento e tratamento imediatos.

    Quem já teve trombose pode engravidar?

    Mulheres com histórico de trombose podem engravidar, desde que tenham acompanhamento médico adequado desde o início da gestação. Isso permite adotar medidas de prevenção, como mudanças de hábitos e, em alguns casos, o uso de medicação segura durante a gravidez.

    Com o controle correto e a prevenção adequada, a maioria das mulheres que já teve trombose consegue ter uma gestação segura, reduzindo bastante o risco de uma nova trombose, finaliza Andreia.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. O que fazer em caso de suspeita de trombose?

    Procure atendimento médico imediato (obstetra ou pronto-atendimento). Não massageie a região, pois isso pode desprender o coágulo.

    2. Qual o maior risco da trombose não tratada?

    O maior risco é a Embolia Pulmonar, que ocorre quando o coágulo se solta e viaja até os pulmões, o que pode ser fatal se não tratado rapidamente.

    3. Posso amamentar usando heparina?

    Sim, a heparina de baixo peso molecular é compatível com a amamentação e não passa para o leite materno em quantidades significativas.

    4. O que é trombofilia?

    É uma condição (genética ou adquirida) que faz com que o sangue da pessoa tenha uma tendência natural maior a coagular. Muitas mulheres só descobrem que têm após uma trombose ou perdas gestacionais.

    5. O uso de meias de compressão é obrigatório para todas as gestantes?

    Não é obrigatório, mas é altamente recomendado para quem passa muito tempo em pé ou sentada, ou que já possui varizes. Elas ajudam o sangue a subir, combatendo a “estase” (sangue parado). O uso deve ser indicado por um médico.

    6. Posso praticar musculação ou exercícios de impacto se tiver risco de trombose?

    Os exercícios de baixo impacto (caminhada, hidroginástica, natação) são os melhores durante a gravidez. Se você já tem um diagnóstico de trombose ativa, o exercício deve ser suspenso até que o médico libere, para evitar que o coágulo se desloque.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Alergia infantil: quando suspeitar e quais sinais você deve ficar atento

    Alergia infantil: quando suspeitar e quais sinais você deve ficar atento

    As crianças nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo no dia a dia, o que pode tornar complicado identificar problemas de saúde — incluindo alergias, como dermatite atópica, rinite alérgica ou alergia alimentar.

    Em muitos casos, os sinais aparecem de forma sutil e acabam sendo confundidos com reações comuns da infância.

    “As alergias na infância são comuns e fazem parte do dia a dia de muitas famílias. Nem todo sintoma é alergia, mas alguns sinais merecem atenção especial”, aponta a alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Vamos entender mais, a seguir.

    Quando desconfiar de alergia infantil?

    Os sintomas de alergia em bebês e crianças podem variar, mas normalmente envolvem a pele, o sistema respiratório e o trato gastrointestinal.

    Na pele

    • Manchas vermelhas ou placas avermelhadas;
    • Coceira persistente;
    • Ressecamento intenso da pele;
    • Feridas ou lesões que não cicatrizam com facilidade.

    De acordo com Brianna, a dermatite atópica costuma ser uma das primeiras manifestações alérgicas da infância. Em muitos bebês, ela surge nos primeiros meses de vida, com placas avermelhadas, coceira intensa e pele muito seca, principalmente no rosto, dobras dos braços e pernas

    “Ela pode ser o primeiro passo do que chamamos de ‘marcha atópica’, um percurso em que algumas crianças evoluem, ao longo dos anos, para rinite, asma ou alergias alimentares”, explica a especialista.

    No sistema respiratório

    • Espirros repetidos;
    • Nariz entupido sem presença de febre;
    • Coriza clara e frequente;
    • Tosse persistente;
    • Chiado no peito.

    Os sinais levantam a suspeita de doenças alérgicas como rinite e asma. “Quando esses sintomas se repetem ao longo do ano ou pioram em ambientes específicos, como casa com poeira ou presença de animais, a alergia se torna ainda mais provável”, complementa Brianna.

    No trato gastrointestinal

    • Vômitos repetidos;
    • Diarreia persistente;
    • Presença de sangue ou muco nas fezes;
    • Barriga inchada ou distensão abdominal;
    • Recusa alimentar ou dificuldade para se alimentar.

    A suspeita de alergia alimentar aumenta quando os sintomas surgem logo após o consumo de um alimento específico.

    Como diferenciar uma alergia infantil de uma infecção?

    De acordo com Brianna, nas infecções, os sintomas costumam surgir de forma mais intensa e vêm acompanhados de sintomas como:

    • Febre;
    • Mal-estras geral;
    • Cansaço;
    • Duração limitada, com melhora progressiva ao longo dos dias.

    Um exemplo comum é o nariz escorrendo após uma gripe, que melhora gradualmente conforme a infecção passa.

    Nas alergias, o quadro costuma ser diferente, pois:

    • Não há febre;
    • Os sintomas se repetem ou permanecem por longos períodos;
    • Nariz entupido ou escorrendo pode durar semanas ou meses;
    • Tosse e chiado aparecem de forma persistente, fora de quadros infecciosos.

    Um nariz entupido que dura meses e não vem acompanhado de febre costuma indicar uma alergia, e não infecção. O mesmo vale para tosse e chiado no peito que continuam mesmo depois de uma gripe ou virose já ter passado.

    Quando procurar um alergologista?

    A consulta com um alergologista é indicada quando os sintomas se tornam frequentes, persistentes ou mais intensos, interferindo no bem-estar e na rotina da criança. Entre alguns dos sinais, é possível destacar:

    • Crises respiratórias repetidas, como tosse, chiado ou falta de ar;
    • Dermatite intensa ou de difícil controle;
    • Suspeita de alergia alimentar;
    • Uso constante de medicamentos, sem melhora satisfatória;
    • Histórico familiar importante de alergias.

    A avaliação médica ajuda a identificar a causa dos sintomas e a orientar o tratamento mais adequado, trazendo mais qualidade de vida para a criança.

    Como confirmar a alergia?

    A confirmação de uma alergia é feita por avaliação médica, geralmente com um alergologista. É feita uma conversa detalhada sobre os sintomas da criança, quando surgem, com que frequência aparecem e se há relação com alimentos, poeira, animais, medicamentos ou outros fatores do dia a dia.

    Após a avaliação, o especialista pode solicitar alguns exames, como:

    • Teste cutâneo de puntura (prick test): pequenas quantidades de substâncias alergênicas são aplicadas na pele para observar se ocorre reação local;
    • Dosagem de IgE específica no sangue: exame que identifica sensibilização a alimentos, ácaros, pólens, pelos de animais e outros alérgenos;
    • IgE total: avalia o nível geral de imunoglobulina E, que pode estar elevado em pessoas alérgicas;
    • Teste de exclusão e reintrodução alimentar: retirada temporária do alimento suspeito e reintrodução controlada, sempre com acompanhamento médico;
    • Teste de provocação oral, em ambiente hospitalar, quando há necessidade de confirmar alergia alimentar de forma segura.

    A escolha dos exames depende da idade da criança, dos sintomas apresentados e da suspeita clínica.

    Sinais de alerta para ir ao pronto-socorro imediatamente

    No dia a dia, é fundamental que os pais prestem atenção em alguns sinais, que podem indicar uma reação alérgica grave (anafilaxia) e precisam de atendimento de emergência, com:

    • Inchaço dos lábios, da língua ou do rosto;
    • Dificuldade para respirar ou falta de ar;
    • Chiado intenso no peito;
    • Palidez ou aspecto muito abatido;
    • Sonolência excessiva ou confusão;
    • Queda de pressão;
    • Vômitos repetidos após ingerir um alimento ou após picada de inseto.

    Quanto mais cedo o socorro, maiores são as chances de evitar complicações para o pequeno.

    Confira: Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

    Perguntas frequentes

    1. O bebê pode ter alergia ao leite materno?

    Não, o bebê não tem alergia ao leite da mãe, mas sim a proteínas que a mãe consome (como as do leite de vaca, ovo ou soja) e que passam para o leite materno.

    2. Intolerância à lactose é o mesmo que alergia ao leite?

    Não, a alergia é uma reação do sistema imune à proteína. A intolerância é uma dificuldade do sistema digestivo em processar o açúcar do leite (lactose). Bebês raramente têm intolerância à lactose.

    3. Com qual idade se pode fazer testes de alergia?

    Testes de sangue (IgE específica) ou de picada na pele (Prick Test) podem ser feitos em qualquer idade, mas a interpretação em bebês muito pequenos deve ser feita com cautela pelo especialista.

    4. A introdução alimentar tardia evita alergias?

    Atualmente, a recomendação é não adiar. Introduzir alimentos potencialmente alergênicos entre os 6 e 9 meses, enquanto ainda há amamentação, pode criar uma “janela de tolerância”.

    5. O que fazer em caso de uma reação grave (choque anafilático)?

    Deve-se buscar o pronto-socorro imediatamente. Crianças com histórico de reações graves devem portar sempre uma caneta aplicadora de adrenalina autoinjetável.

    6. O sabão em pó das roupas pode causar alergia?

    Sim, mas geralmente é uma dermatite de contato. Os perfumes e corantes dos produtos de limpeza irritam a pele sensível. O ideal é usar sabões neutros (tipo coco) e enxaguar bem as roupas.

    7. Como lidar com a escola em caso de alergia alimentar severa?

    A escola deve ter um plano de ação escrito pelo médico, cópia da receita e treinamento para os professores. É essencial ter um kit de emergência e avisar todos os pais da turma para evitar o envio de certos alimentos em festinhas.

    Veja também: Alergias em crianças: como a escola deve lidar?