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  • Nem toda convulsão é epilepsia: entenda quando o corpo responde ao estresse em forma de crise

    Nem toda convulsão é epilepsia: entenda quando o corpo responde ao estresse em forma de crise

    Crises convulsivas costumam ser associadas automaticamente à epilepsia. No entanto, nem toda crise com movimentos involuntários, quedas ou perda aparente de consciência tem origem neurológica elétrica. Em muitos casos, exames não mostram alterações, e os tratamentos tradicionais não funcionam, o que gera frustração para pacientes e profissionais de saúde.

    As crises não epilépticas psicogênicas são um exemplo disso. Elas imitam crises epilépticas, mas têm origem psicológica e emocional. Por serem difíceis de diferenciar à beira do leito, essas crises ainda levam muitos pacientes a diagnósticos equivocados, uso desnecessário de medicamentos anticonvulsivantes e atrasos no tratamento adequado.

    O que são as crises não epilépticas psicogênicas?

    As crises não epilépticas psicogênicas são respostas involuntárias do organismo a situações ou condições que atuam como gatilhos emocionais ou psicológicos. Embora se manifestem de forma semelhante às crises epilépticas, elas não estão associadas a descargas elétricas anormais no cérebro.

    A diferenciação clínica pode ser difícil, especialmente durante a crise, o que faz com que muitos pacientes sejam tratados como se tivessem epilepsia, passando por intervenções desnecessárias.

    As crises não epilépticas psicogênicas são mais frequentes em pessoas em torno dos 30 anos, mas podem ocorrer em qualquer idade. São observadas com maior frequência em mulheres e em indivíduos com comorbidades psiquiátricas ou distúrbios do desenvolvimento.

    Principais sintomas

    Um aspecto fundamental das crises não epilépticas psicogênicas é que elas costumam ser desencadeadas por gatilhos específicos, geralmente associados a situações sociais, emocionais ou estressantes.

    Características gerais das crises

    A descrição feita pelo próprio paciente costuma ser vaga. Por isso, o relato de pessoas que presenciam a crise é essencial para a avaliação.

    Entre as manifestações possíveis estão:

    • Convulsões dissociativas ou funcionais, com quedas (quando o paciente está em pé);
    • Movimentos amplos e irregulares do tronco, cabeça e membros.

    Perda de consciência aparente

    Em algumas crises, ocorre uma perda de consciência que pode se assemelhar a uma síncope. Um detalhe clínico importante é a posição dos olhos:

    • Em crises epilépticas, os olhos geralmente permanecem abertos;
    • Nas crises não epilépticas psicogênicas, os olhos costumam ficar fechados, e o paciente pode resistir à tentativa de abertura das pálpebras.

    Duração e comportamento durante a crise

    As crises não epilépticas psicogênicas tendem a ser mais prolongadas, podendo durar mais de 30 minutos, o que é incomum em crises epilépticas.

    Durante a crise, manifestações vocais como choro, gagueira ou vocalizações com forte carga emocional são mais sugestivas de origem psicogênica.

    Diferentemente das crises epilépticas, os pacientes:

    • Não perdem completamente a consciência;
    • Relatam crises muito frequentes, às vezes diárias;
    • Podem apresentar exame físico normal entre os episódios.

    Após a crise, o retorno ao estado basal costuma ser rápido, sem o período pós-ictal de sonolência e confusão típico da epilepsia.

    Causas

    As crises não epilépticas psicogênicas são entendidas como manifestações de transtornos psiquiátricos, geralmente relacionadas a situações estressoras.

    O transtorno mais frequentemente associado é o transtorno conversivo, no qual sintomas físicos surgem de forma involuntária após eventos emocionais significativos. Isso difere do transtorno factício, em que os sintomas são simulados conscientemente.

    O mecanismo exato ainda não é totalmente conhecido, mas acredita-se que resulte da interação entre fatores genéticos, desequilíbrios emocionais e respostas ao estresse.

    Diagnóstico

    O diagnóstico baseia-se principalmente:

    • Nas características das crises;
    • Nas situações em que ocorrem;
    • Nos relatos de testemunhas.

    A avaliação por um neurologista é essencial, assim como a realização de um eletroencefalograma (EEG). Nas crises não epilépticas psicogênicas, o EEG costuma ser normal, mesmo durante os episódios.

    O diagnóstico também exige a exclusão de causas neurológicas e cardíacas que possam justificar as crises, reforçando a importância de uma avaliação clínica completa.

    Tratamento

    O tratamento começa com um passo fundamental: explicar claramente o diagnóstico ao paciente. É importante esclarecer que:

    • As crises são reais;
    • Não há alterações estruturais ou elétricas no cérebro;
    • Trata-se de uma condição relativamente comum.

    A abordagem terapêutica é centrada em:

    • Psicoterapia;
    • Acompanhamento psicológico ou psiquiátrico para tratar outras questões que aparecem em conjunto com as crises.

    Medicamentos anticonvulsivantes que tenham sido prescritos anteriormente devem ser retirados de forma gradual, sob supervisão médica, quando o diagnóstico de crises não epilépticas psicogênicas é confirmado.

    Veja também: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes sobre crises não epilépticas psicogênicas

    1. As crises não epilépticas psicogênicas são fingimento?

    Não. As crises são involuntárias e não controladas conscientemente pelo paciente.

    2. Essas crises aparecem nos exames?

    Não costumam aparecer no eletroencefalograma, que geralmente é normal.

    3. Elas podem acontecer todos os dias?

    Sim. Diferente da epilepsia, podem ocorrer com alta frequência, inclusive diariamente.

    4. Medicamentos anticonvulsivantes ajudam?

    Não. Esses medicamentos não tratam crises não epilépticas psicogênicas.

    5. Psicoterapia realmente funciona?

    Sim. É a principal forma de tratamento e manejo da condição.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

  • Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    A menopausa é uma fase biológica que representa a última menstruação, confirmada após doze meses consecutivos sem sangramento menstrual. Ela indica o encerramento da fase reprodutiva e costuma ocorrer, na maioria dos casos, entre os 45 e 55 anos.

    Mas você conhece a fase que antecede a última menstruação? Antes da menopausa propriamente dita, o corpo passa por um período de transição chamado perimenopausa. A fase, que pode começar anos antes do fim definitivo dos ciclos menstruais, é caracterizada por oscilações hormonais importantes. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que é a perimenopausa?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o climatério é o período de transição da vida reprodutiva para a menopausa e se divide em três fases: perimenopausa, menopausa propriamente dita e pós-menopausa.

    A perimenopausa corresponde a todo o intervalo que antecede a cessação definitiva da menstruação e é marcada, principalmente, por alterações hormonais e irregularidade dos ciclos menstruais.

    A fase funciona como um período de preparação do organismo para o fim da vida reprodutiva e também tem um papel importante no diagnóstico da menopausa.

    Quando, após a perimenopausa, ocorre a ausência completa da menstruação por doze meses consecutivos, é confirmado, de forma retrospectiva, que o último sangramento marcou a menopausa.

    Quais os sintomas da perimenopausa?

    Os sintomas da perimenopausa estão associados às oscilações hormonais que ocorrem na fase. O sinal mais comum é a irregularidade menstrual, com ciclos que podem ficar mais curtos ou mais longos, além de variações no fluxo e na duração da menstruação.

    A mulher também pode apresentar os seguintes sintomas:

    • Ondas de calor e suores noturnos;
    • Distúrbios do sono, como dificuldade para dormir ou sono não reparador;
    • Alterações de humor, incluindo irritabilidade, ansiedade e variações emocionais;
    • Cansaço e redução da energia;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
    • Sensibilidade ou dor nas mamas;
    • Dores de cabeça;
    • Inchaço e desconforto articular;
    • Diminuição da libido;
    • Ressecamento vaginal;
    • Alterações na pele e nos cabelos.

    A intensidade e a combinação dos sintomas variam de mulher para mulher. Para algumas, eles se manifestam de forma mais leve, enquanto para outras podem ser mais intensos, o que mostra a importância de uma avaliação individual durante a fase.

    Quanto tempo dura a perimenopausa?

    De acordo com Andreia, a duração da perimenopausa pode variar bastante. Em algumas mulheres, a fase dura apenas alguns meses, enquanto em outras pode se estender por vários anos.

    Em média, a perimenopausa dura de quatro a oito anos, estendendo-se até a confirmação da menopausa, que ocorre após doze meses consecutivos sem menstruação. Nesse período, é comum que os sintomas se tornem mais intensos nos anos que antecedem a última menstruação.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    É possível engravidar durante a perimenopausa, mas a chance é bem menor, segundo Andreia. Isso acontece porque o número de óvulos disponíveis já é reduzido, mas ainda podem ocorrer ciclos menstruais com ovulação. Eles se tornam menos frequentes e mais irregulares, porém não desaparecem completamente.

    Por isso, o uso de métodos contraceptivos continua sendo importante nessa fase. Andreia explica que algumas mulheres engravidam perto da menopausa justamente por acreditarem que não há mais risco e acabam relaxando nos cuidados.

    Como a perimenopausa afeta a saúde?

    As oscilações do estrogênio durante a perimenopausa afetam o ciclo menstrual, o humor, o sono e a regulação da temperatura corporal, favorecendo sintomas como irregularidade menstrual, ondas de calor, irritabilidade e cansaço.

    Além disso, a queda gradual do estrogênio pode impactar a saúde dos ossos, aumentando o risco de perda óssea, e influenciar o metabolismo, facilitando o ganho de peso e alterações no colesterol. Algumas mulheres também notam mudanças na saúde cardiovascular, na pele, nos cabelos e na lubrificação vaginal.

    O acompanhamento médico ajuda a identificar essas mudanças logo no começo, orientar os cuidados certos e indicar tratamentos quando necessário, ajudando no controle dos sintomas e a manter a qualidade de vida durante a perimenopausa.

    Cuidados durante a perimenopausa

    Os cuidados na perimenopausa ajudam a aliviar os sintomas e a manter a saúde durante essa fase de transição, sendo os principais:

    • Acompanhamento médico regular, para avaliar os sintomas e orientar o tratamento;
    • Alimentação equilibrada, com nutrientes importantes para o corpo e para os hormônios;
    • Prática de atividade física, que ajuda no controle do peso, no humor, na saúde dos ossos e na redução das ondas de calor;
    • Atenção ao sono, buscando manter uma rotina que favoreça um descanso de qualidade;
    • Controle do estresse, com atividades que promovam bem-estar e relaxamento;
    • Uso de métodos contraceptivos, enquanto ainda houver chance de ovulação.

    A reposição hormonal pode ser considerada para aliviar sintomas como ondas de calor e fogachos, além de contribuir para a proteção da saúde óssea.

    Contudo, a indicação depende de uma avaliação médica cuidadosa, na qual a ginecologista analisa o histórico clínico e os possíveis riscos antes de definir o tratamento mais adequado.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre perimenopausa e menopausa?

    A perimenopausa ocorre antes da menopausa e é marcada por ciclos menstruais irregulares. Já a menopausa é a última menstruação, confirmada após doze meses seguidos sem menstruar. A perimenopausa ajuda a identificar que a menopausa está se aproximando.

    Com que idade a perimenopausa costuma começar?

    A perimenopausa normalmente começa entre os 40 e 50 anos, mas pode surgir um pouco antes ou depois, dependendo de fatores genéticos, estilo de vida e condições de saúde.

    A menstruação para completamente na perimenopausa?

    Não. Durante a perimenopausa, a menstruação ainda acontece, mas de forma irregular. A parada definitiva só ocorre na menopausa.

    Exames são necessários para diagnosticar a perimenopausa?

    Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na idade. Os exames podem ser solicitados em situações específicas, mas não são obrigatórios.

    A perimenopausa pode causar ganho de peso?

    Sim, as mudanças hormonais afetam o metabolismo, facilitando o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. Além disso, a perda de massa muscular e a redução do gasto energético contribuem para esse ganho.

    Toda mulher precisa fazer reposição hormonal na menopausa?

    Não, a reposição hormonal não é indicada para todas. A decisão depende dos sintomas, do histórico de saúde e da avaliação médica individual.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Cortar grupos alimentares inteiros, impor regras pouco realistas e ignorar completamente as diferenças individuais são apenas algumas das características das dietas milagrosas, que costumam prometer um emagrecimento rápido ou cura de alguma doença ou condição.

    Mas afinal, será que isso é seguro? Na maioria dos casos, a resposta é não. “Essas dietas vendem a ideia de que existe uma solução simples e imediata para algo que, na prática, exige construção de hábitos, autoconhecimento e continuidade”, explica a nutricionista Fernanda Pacheco.

    A exclusão prolongada de nutrientes essenciais pode causar deficiências nutricionais, queda de energia, alterações hormonais e problemas no metabolismo.

    Além disso, as dietas quase nunca levam em conta o histórico de saúde, a rotina e as necessidades de cada pessoa, nem contam com acompanhamento profissional — fatores importantes para mudanças alimentares seguras.

    Emagrecimento rápido, mas insustentável

    A perda de peso inicial costuma acontecer porque o corpo reage à restrição intensa com perda de líquidos e de massa muscular, e não de gordura, segundo Fernanda.

    Como o organismo interpreta a redução calórica extrema como um risco, ele diminui o metabolismo para economizar energia, um mecanismo natural de sobrevivência.

    “Quando a pessoa tenta voltar a comer de forma mais normal, o metabolismo reduzido torna mais fácil recuperar peso. Ou seja: o corpo se adapta à restrição, mas não sustenta o resultado depois”, explica a nutricionista.

    Como resultado, ocorre o chamado efeito sanfona, com ciclos repetidos de perda e ganho de peso, além de aumento da frustração, dificuldade para manter hábitos saudáveis e maior risco de prejuízos à saúde física e emocional ao longo do tempo.

    Quando o corpo passa por longos períodos de fome ou baixa ingestão calórica, ele ativa mecanismos de defesa para preservar energia, diminuindo o gasto metabólico.

    Depois, ao voltar a comer mais, o organismo tende a estocar gordura com mais facilidade, como forma de proteção para futuros períodos de restrição, complementa Fernanda.

    Riscos das dietas restritivas para a saúde

    As dietas restritivas podem causar uma série de problemas para a saúde, como:

    • Queda de energia e cansaço frequente;
    • Perda de massa muscular;
    • Diminuição do metabolismo;
    • Alterações hormonais;
    • Problemas gastrointestinais;
    • Impactos negativos na saúde mental, como ansiedade e culpa;
    • Dificuldade para manter hábitos alimentares saudáveis a longo prazo;
    • Aumento do risco de efeito sanfona, que pode impactar o metabolismo, a autoestima e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

    “Em casos mais graves, podem gerar carências nutricionais e desencadear comportamentos de risco, especialmente em quem já tem relação delicada com a comida”, complementa Fernanda.

    Existe alguma dieta ideal para todas as pessoas?

    Não existe uma única dieta ideal que funcione para todas as pessoas, pois cada pessoa possui história de vida, preferências alimentares, rotina, condições de saúde, acesso a alimentos e uma relação própria com a comida.

    “Um padrão que é sustentável e saudável para alguém pode ser impraticável para outra pessoa”, aponta Fernanda.

    Por isso, durante uma jornada de emagrecimento, o mais importante é buscar um plano alimentar individualizado, que respeite a realidade de cada pessoa, seja possível de manter no dia a dia e priorize a saúde a longo prazo, em vez de resultados rápidos e temporários.

    Como emagrecer de forma saudável?

    O emagrecimento envolve uma série de mudanças que precisam ser mantidas ao longo do tempo e que respeitem as necessidades do corpo. Isso inclui:

    • Uma alimentação equilibrada, com presença de diferentes grupos alimentares, sem cortes radicais ou proibições rígidas;
    • Respeito aos sinais de fome e saciedade, aprendendo a reconhecer quando o corpo realmente precisa comer;
    • Criação de hábitos alimentares que sejam possíveis de manter na rotina, sem gerar culpa ou frustração;
    • Prática regular de atividade física, escolhendo exercícios que façam sentido para o dia a dia e tragam prazer;
    • Manutenção de um sono adequado, já que dormir mal pode dificultar o emagrecimento;
    • Controle do estresse, que influencia diretamente o apetite e as escolhas alimentares;
    • Cuidado com a saúde emocional e a relação com a comida;
    • Acompanhamento de um profissional de saúde, que pode ajudar a ajustar o plano conforme as necessidades individuais.

    Nesse processo, a reeducação alimentar é importante para mudar gradualmente a forma de se relacionar com a comida, com foco em escolhas mais conscientes e equilibradas.

    “A reeducação alimentar não busca mudanças drásticas, mas sim ajustes graduais que se encaixam na vida real. Ela envolve aprender a montar refeições equilibradas, desenvolver percepção de fome e saciedade, aprimorar escolhas ao longo do tempo e incluir variedade e prazer nas refeições”, explica Fernanda.

    A nutricionista destaca que esse processo fortalece hábitos que podem ser mantidos por meses e anos, e não apenas durante o período da dieta. Além disso, ele considera aspectos emocionais e comportamentais da alimentação, pontos geralmente ignorados pelas dietas milagrosas.

    Como manter a motivação durante o processo?

    A motivação durante o emagrecimento passa, principalmente, por ter metas realistas e alinhadas com a rotina. Segundo Fernanda, ela tende a aumentar quando a pessoa começa a perceber benefícios que vão além do peso na balança, como:

    • Mais disposição no dia a dia;
    • Melhora na qualidade do sono;
    • Digestão mais leve;
    • Menor ansiedade em relação à comida.

    Os sinais mostram que o corpo está respondendo positivamente às mudanças, o que ajuda a manter o engajamento no processo

    “Para isso, é importante ter metas realistas e acompanhar pequenas vitórias semanais, entendendo que consistência vale mais que perfeição. Estratégias como planejar refeições, organizar o ambiente alimentar e identificar gatilhos ajudam a sustentar hábitos mesmo quando a motivação oscila — o que é totalmente normal”, esclarece a especialista.

    Vale lembrar que o acompanhamento profissional também faz diferença, pois oferece orientação segura, metas adequadas e apoio ao longo do caminho.

    “Isso reduz a chance de desistência, evita métodos arriscados e ajuda a pessoa a entender suas dificuldades sem culpa. O profissional também ajusta o plano sempre que necessário, garantindo que a mudança seja realmente possível e saudável no longo prazo”, finaliza Fernanda.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    O que é dieta restritiva?

    A dieta restritiva é um tipo de estratégia alimentar que impõe cortes severos de calorias ou exclui grupos alimentares inteiros, como carboidratos, gorduras ou até refeições completas. Normalmente, ela promete o emagrecimento rápido ou benefícios imediatos, mas ignora as necessidades de cada pessoa.

    É possível emagrecer sem cortar grupos alimentares?

    Sim, o emagrecimento saudável não exige exclusão de grupos alimentares, mas equilíbrio. Cortes radicais aumentam o risco de deficiências nutricionais e dificultam a manutenção dos hábitos. Ajustar quantidades, frequência e qualidade dos alimentos costuma ser mais eficaz do que eliminar categorias inteiras.

    Comer carboidrato atrapalha o emagrecimento?

    Não necessariamente. Os carboidratos são fonte importante de energia para o corpo e o cérebro. O problema costuma estar no excesso ou na baixa qualidade das escolhas. Quando bem distribuídos e combinados com proteínas, fibras e gorduras boas, podem fazer parte de um plano alimentar saudável.

    Como identificar se uma dieta é perigosa?

    As dietas que prometem resultados muito rápidos, proíbem vários alimentos, usam linguagem alarmista ou garantem cura para doenças sem base científica merecem atenção. A ausência de personalização e acompanhamento profissional também é um sinal de alerta.

    Pular refeições ajuda a emagrecer?

    Pular refeições geralmente não ajuda. A prática pode aumentar a fome nas refeições seguintes, favorecer exageros e desorganizar o metabolismo, dificultando o controle do peso.

    Dietas restritivas podem causar compulsão alimentar?

    Sim, a restrição intensa aumenta o desejo por alimentos proibidos e pode levar a episódios de compulsão, seguidos de culpa e frustração, criando um ciclo difícil de romper.

    Quando procurar ajuda profissional para emagrecer?

    O acompanhamento profissional é indicado sempre que houver dificuldade para emagrecer, histórico de dietas restritivas, condições de saúde associadas ou insegurança sobre como fazer mudanças de forma segura.

    Veja também: Qual o papel do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares?

  • Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura 

    Ter uma cirurgia marcada costuma gerar ansiedade, e não apenas pelo procedimento em si. Antes de entrar no centro cirúrgico, o corpo passa por uma série de adaptações, e o coração é um dos órgãos que mais sente esse impacto. A anestesia, a dor, a perda de sangue e o estresse do pós-operatório aumentam a demanda cardíaca, e por isso a avaliação prévia é fundamental.

    O que muita gente não sabe é que existe um verdadeiro checklist de segurança para garantir que o coração esteja preparado para enfrentar esse momento. Quando seguidos, esses cuidados reduzem o risco de complicações e tornam a recuperação mais tranquila.

    Por que o coração precisa de um checklist antes da cirurgia

    Toda cirurgia gera estresse fisiológico. Durante o procedimento, ocorrem alterações hormonais, variações da pressão arterial, aceleração dos batimentos e maior demanda de oxigênio pelo coração.

    Na maioria das pessoas saudáveis, isso é bem tolerado. Mas pacientes com pressão alta, diabetes, histórico de doenças cardíacas, colesterol alto ou idade mais avançada podem ter risco aumentado de complicações como:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca aguda
    • AVC

    Por isso, garantir que o coração está em ordem para operar é uma das etapas mais importantes do preparo cirúrgico.

    Checklist cardíaco pré-operatório: o que avaliar antes de operar

    É importante que essa avaliação seja feita assim que a cirurgia for marcada. Assim há tempo suficiente para pedir exames, ajustar medicações ou investigar sintomas.

    A seguir, um checklist objetivo do que deve ser avaliado pelo médico:

    1. Histórico de doenças cardíacas

    Se a pessoa já teve:

    • Infarto
    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Doença coronariana
    • Stent ou angioplastia
    • AVC prévio

    A avaliação cardiológica é obrigatória.

    2. Fatores de risco

    Mesmo sem doença cardíaca conhecida, alguns fatores aumentam o risco cirúrgico:

    • Pressão alta
    • Diabetes
    • Colesterol alto
    • Obesidade
    • Tabagismo
    • Idade acima de 50–60 anos

    Essas condições precisam estar controladas antes da cirurgia.

    3. Sintomas recentes

    Sinais de alerta que exigem consulta imediata:

    • Dor no peito
    • Falta de ar
    • Cansaço sem explicação
    • Inchaço nas pernas
    • Palpitações
    • Tonturas ou desmaios

    4. Exames necessários

    Dependendo do caso, o cardiologista pode solicitar:

    • Eletrocardiograma
    • Ecocardiograma
    • Teste ergométrico
    • Monitorização de arritmias
    • Exames laboratoriais específicos

    O objetivo é detectar alterações que possam impactar a cirurgia.

    5. Ajustes de medicação

    Medicamentos como anticoagulantes e anti-hipertensivos podem precisar de ajustes. Mas é importante jamais suspender por conta própria.

    6. Tipo de cirurgia

    Cirurgias de maior porte (abdominais, ortopédicas extensas, vasculares) exigem preparo mais rigoroso. Mesmo em cirurgias pequenas, porém, o coração precisa ser avaliado se houver fatores de risco.

    Como o coração é protegido durante a cirurgia

    Durante a operação, o anestesista monitora:

    • Pressão arterial
    • Frequência cardíaca
    • Oxigenação
    • Ritmo elétrico cardíaco

    O manejo cuidadoso da dor, dos fluidos e da anestesia ajuda a evitar sobrecarga.

    Cuidados com o coração no pós-operatório

    Após a cirurgia, ainda existe risco de:

    • Arritmias
    • Insuficiência cardíaca
    • Infarto
    • Complicações respiratórias

    Por isso, o acompanhamento médico é indispensável. Reabilitação cardíaca, fisioterapia, boa hidratação e controle da dor ajudam na recuperação.

    Checklist final: estou pronto para a cirurgia?

    Você está mais preparado quando:

    • Exames estão atualizados
    • Sintomas foram avaliados
    • Fatores de risco estão controlados
    • Medicações foram ajustadas pelo médico
    • Cardiologista liberou o procedimento

    Isso não elimina totalmente o risco, mas reduz as chances de complicações.

    Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

    Perguntas frequentes sobre avaliação cardiológica antes de cirurgias

    1. Preciso de cardiologista mesmo para cirurgias pequenas?

    Sim. Quem tem fatores de risco ou sintomas deve ser avaliado mesmo em procedimentos simples.

    2. A cirurgia pode ser adiada por causa do coração?

    Sim, especialmente se houver sintomas, exames alterados ou risco cardíaco elevado.

    3. Já tive infarto. Posso fazer cirurgia?

    Pode, desde que o cardiologista avalie o tempo desde o evento e solicite exames necessários.

    4. Quais complicações cardíacas podem ocorrer na cirurgia?

    Infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e AVC estão entre as mais comuns.

    5. Preciso suspender meus remédios antes de operar?

    Somente com orientação médica, principalmente anticoagulantes.

    6. Idosos têm risco maior?

    Sim. Idade avançada aumenta a probabilidade de fatores de risco associados.

    7. Quando devo procurar o cardiologista?

    Assim que a cirurgia for marcada, mesmo que você se sinta bem.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar 

    Doação de sangue: quem pode, quem não pode e por que é tão importante doar 

    Em hospitais de todo o país, todos os dias, pessoas dependem de transfusões de sangue para sobreviver. São vítimas de acidentes, pacientes em cirurgias, pessoas com câncer, doenças hematológicas, complicações no parto e tantas outras situações em que o sangue faz a diferença entre a vida e a morte.

    Apesar disso, os estoques de sangue costumam operar no limite, especialmente em feriados prolongados, períodos de frio ou férias. Doar sangue é um gesto simples, rápido e seguro, mas que ainda gera muitas dúvidas e receios. Entender por que a doação é tão importante e quem pode donar ajuda a transformar solidariedade em ação concreta.

    Por que doar sangue é tão importante?

    O sangue não pode ser fabricado em laboratório. Ele só pode ser obtido por meio da doação voluntária.

    Cada bolsa de sangue coletada pode beneficiar até quatro pessoas diferentes, já que o material é separado em componentes como:

    • Concentrado de hemácias;
    • Plaquetas;
    • Plasma;
    • Crioprecipitado.

    Esses componentes são usados em situações como:

    • Cirurgias de grande porte;
    • Tratamentos oncológicos;
    • Acidentes graves;
    • Anemias severas;
    • Transplantes;
    • Complicações obstétricas.

    Sem doadores regulares, hospitais simplesmente não conseguem atender a demanda.

    Quem pode doar sangue?

    De forma geral, muitas pessoas podem doar, desde que atendam a alguns critérios básicos de segurança, tanto para quem doa quanto para quem recebe.

    Requisitos básicos para doar sangue

    Você pode doar sangue se:

    • Tem entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis;
    • Pesa no mínimo 50 kg;
    • Está em boas condições de saúde;
    • Dormiu pelo menos 6 horas na noite anterior;
    • Está alimentado (evitar alimentos gordurosos antes da doação);
    • Não ingeriu bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
    • Apresenta documento oficial com foto.

    A triagem inclui uma entrevista confidencial e rápida, além da verificação de sinais vitais.

    Quem não pode doar sangue?

    Algumas condições impedem a doação de forma temporária ou definitiva, para proteger o receptor.

    Impedimentos temporários

    Você precisa aguardar um período se:

    • Está com febre, gripe ou infecção;
    • Teve diarreia recente;
    • Fez tatuagem ou piercing nos últimos 12 meses;
    • Fez endoscopia, colonoscopia ou cirurgia recente;
    • Está grávida ou até 90 dias após o parto;
    • Amamenta (em alguns casos, por período determinado);
    • Usou antibióticos recentemente;
    • Tomou algumas vacinas específicas (o tempo varia conforme a vacina).

    Após o período indicado pelo hemocentro, a doação pode ser liberada.

    Impedimentos definitivos

    Algumas doenças impedem a doação de forma permanente, pois podem ser transmitidas pelo sangue ou comprometer a segurança do receptor.

    Algumas delas são:

    • HIV/Aids;
    • Hepatite B ou C;
    • Doença de Chagas;
    • HTLV;
    • Uso de drogas injetáveis ilícitas.

    Essas restrições não são julgamento, mas medidas de proteção em saúde pública.

    Doar sangue faz mal para quem doa?

    Não. A doação é segura quando realizada em locais autorizados.

    O corpo repõe o volume de sangue em poucas horas e os glóbulos vermelhos em algumas semanas. A quantidade retirada é pequena e não causa prejuízo à saúde de pessoas saudáveis.

    Após a doação, recomenda-se:

    • Ingerir bastante líquido;
    • Evitar esforço físico intenso no mesmo dia;
    • Manter o curativo por algumas horas.

    Por que os estoques de sangue vivem baixos?

    Alguns fatores contribuem:

    • Medo ou desinformação;
    • Falta de tempo;
    • Campanhas concentradas apenas em datas específicas;
    • Redução de doadores em períodos frios ou feriados.

    Por isso, doadores regulares são essenciais para manter os bancos abastecidos o ano todo.

    Doar sangue é um ato de cidadania

    Mais do que solidariedade, doar sangue é um compromisso coletivo. Ninguém sabe quando vai precisar, mas todos podem ser a chance de alguém continuar vivendo.

    A doação regular garante que o sistema funcione mesmo em momentos de emergência.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre doação de sangue

    1. Doar sangue engorda ou emagrece?

    Não. A doação não altera peso gordura corporal.

    2. Posso doar se tiver pressão alta?

    Sim, desde que esteja controlada e for liberado na triagem.

    3. Quem tem diabetes pode doar?

    Depende do tipo e do controle. O hemocentro avalia caso a caso.

    4. Quantas vezes por ano posso doar?

    Homens: até 4 vezes ao ano;
    Mulheres: até 3 vezes ao ano.

    5. A doação dói?

    A picada é rápida e geralmente pouco dolorosa.

    6. Posso trabalhar depois de doar?

    Sim, desde que evite esforço físico intenso no mesmo dia.

    7. Preciso estar em jejum?

    Não. Apenas evite alimentos gordurosos antes da doação.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • ‘Comida de verdade’: veja o que mudou na nova pirâmide alimentar americana

    ‘Comida de verdade’: veja o que mudou na nova pirâmide alimentar americana

    O governo dos Estados Unidos divulgou novas diretrizes alimentares que propõem mudanças na forma como os norte-americanos devem se alimentar nos próximos anos. As orientações, apresentadas pelo secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr., reforçam a importância de consumir mais proteínas e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e de açúcar adicionado.

    Publicadas a cada cinco anos pelo Departamento de Agricultura e pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, as diretrizes servem como base para programas federais de nutrição, como a merenda escolar.

    Nesta nova versão, o foco está na chamada “comida de verdade”, com incentivo ao consumo de proteínas, gorduras consideradas saudáveis e laticínios integrais, além de regras mais flexíveis sobre o consumo de bebidas alcoólicas.

    Apesar de manter recomendações já conhecidas, as novas orientações defendem uma alimentação mais simples e menos industrializada. A seguir, vamos entender quais foram as principais mudanças e no que devemos prestar atenção.

    O que mudou na nova pirâmide alimentar americana?

    A nova Diretriz Alimentar Americana 2025–2030 tem como base o lema “comida de verdade” (eat real food). Em relação às versões anteriores, a pirâmide alimentar passou por mudanças importantes, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares:

    • Mudança na base da pirâmide: os alimentos prioritários passam a ser proteínas de alta qualidade, gorduras saudáveis e vegetais, substituindo o modelo anterior centrado em carboidratos;
    • Redução do topo da pirâmide: carboidratos processados e grãos refinados, que antes ocupavam a base, agora aparecem em menor quantidade;
    • Aumento da recomendação de proteína: o consumo diário recomendado subiu de 1,2 g para 1,6 g por quilo de peso corporal, com incentivo à ingestão de proteína em todas as refeições;
    • Revisão do papel das gorduras saturadas naturais: alimentos como ovos e carnes passam a ser aceitos dentro do padrão de comida real, mantendo-se o limite de até 10% de gordura saturada diária;
    • Liberação dos laticínios integrais: desde que sem açúcar, laticínios integrais podem ser consumidos, diferentemente das diretrizes anteriores, que priorizavam versões desnatadas ou light;
    • Posicionamento claro contra ultraprocessados: pela primeira vez, o documento recomenda explicitamente evitar alimentos ultraprocessados, ricos em conservantes, corantes e aditivos;
    • Tolerância zero ao açúcar adicionado: a diretriz afirma que nenhuma quantidade de açúcar adicionado é considerada saudável ou necessária;
    • Mudança na recomendação sobre álcool: foi retirado o limite diário de consumo. A orientação atual é beber menos ou não beber para uma melhor saúde, sem incentivo ao consumo de álcool.

    As recomendações nutricionais do governo dos Estados Unidos têm efeito direto sobre a alimentação de milhões de crianças atendidas por escolas públicas e programas de assistência alimentar.

    As atualizações nas diretrizes podem modificar os critérios de financiamento federal e influenciar os alimentos oferecidos nas refeições escolares.

    As novas diretrizes incentivam a dieta carnívora?

    As diretrizes não incentivam uma dieta carnívora, ao contrário do que muitas interpretações sugerem. Segundo Juliana, o que ocorreu foi o aumento da recomendação de consumo de proteína, que passou de 1,2 para 1,6 g por quilo de peso corporal, além de uma abordagem mais flexível em relação às gorduras de origem animal.

    Isso não significa que as pessoas devem excluir vegetais, frutas, fibras e outros nutrientes de origem vegetal, que continuam sendo fundamentais para a saúde. A confusão surge porque, ao reduzir o espaço ocupado por carboidratos refinados, as proteínas acabam ganhando mais destaque visual no prato.

    A diretriz recomenda proteínas de alta qualidade, mas reforça a necessidade de micronutrientes fornecidos pelos vegetais.

    Mudanças têm gerado opiniões diferentes

    As novas diretrizes representam uma quebra importante em relação às recomendações seguidas nas últimas décadas. Durante muito tempo, a principal orientação era reduzir o consumo de gorduras, especialmente as de origem animal, dando espaço às chamadas dietas com baixo teor de gordura.

    De acordo com Juliana, um dos pontos que mais gerou discussão foi a mudança na forma de olhar para as gorduras naturais. Alimentos como ovos e manteiga, que eram proscritos nas diretrizes anteriores, agora passam a ter espaço, desde que dentro de um contexto de alimentação baseada em alimentos in natura.

    Além disso, especialistas alertam que dar mais espaço às proteínas, principalmente as de origem animal, pode levar a um consumo maior de calorias e favorecer ganho de peso, além de sobrecarregar os rins em algumas pessoas.

    Ao mesmo tempo, a menor presença de grãos integrais pode reduzir a ingestão de fibras e de nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

    Para completar, a recomendação de eliminar o açúcar adicionado da alimentação também despertou debate. Apesar de diversos profissionais da saúde concordarem que reduzir o açúcar é importante para a saúde, a orientação ainda encontra resistência, especialmente da indústria de alimentos ultraprocessados.

    Diretrizes estão alinhadas com as evidências científicas atuais?

    As pesquisas mais recentes mostram que as gorduras presentes em alimentos naturais, como ovos e laticínios integrais, não são tão prejudiciais quanto se acreditava. Quando eles fazem parte de uma alimentação equilibrada, sem excesso de calorias e açúcar, o impacto negativo para a saúde tende a ser menor, conforme explica Juliana.

    Hoje, o risco cardiovascular está mais relacionado a processos inflamatórios e à resistência à insulina, que são estimulados principalmente pelo consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares refinados, como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, doces industrializados e embutidos.

    De acordo com a cardiologista, os ultraprocessados costumam conter grandes quantidades de gordura trans, sódio e aditivos químicos — o que provoca alterações importantes no metabolismo, prejudicando o funcionamento do organismo.

    Com o tempo, essas alterações podem danificar a parte interna das artérias, processo conhecido como disfunção endotelial. Isso contribui para o aumento da pressão arterial e para a formação de placas de gordura, que podem levar a problemas graves, como infarto e AVC.

    Além disso, os ultraprocessados favorecem o ganho de peso, pois têm muitas calorias e poucos nutrientes. O consumo frequente de calorias vazias aumenta o risco de obesidade, que é um fator associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

    Qual a diferença entre as diretrizes americanas e o Guia Alimentar para a População Brasileira?

    O Guia Alimentar para a População Brasileira tem forte base científica e é reconhecido internacionalmente por focar no grau de processamento dos alimentos. A principal recomendação sempre foi priorizar alimentos in natura e minimizar o consumo de ultraprocessados, o que segue alinhado com as evidências mais atuais em saúde.

    Enquanto o guia americano traz um olhar mais técnico, voltado para macronutrientes e aspectos bioquímicos da alimentação, o guia brasileiro valoriza o ato de comer, o preparo das refeições e o respeito à cultura alimentar do país, com destaque para combinações tradicionais como arroz e feijão.

    Nesse contexto, para a população brasileira, Juliana explica que o Guia Alimentar Nacional continua sendo uma referência mais segura e adequada, e se encaixa melhor na realidade cultural e social do Brasil.

    Quais recomendações práticas resumem uma alimentação cardioprotetora hoje?

    Uma alimentação cardioprotetora envolve escolhas simples no dia a dia, como aponta Juliana:

    • Priorizar alimentos de origem vegetal, com variedade de vegetais e frutas;
    • Reduzir ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Utilizar gorduras de boa qualidade, como azeite de oliva e oleaginosas;
    • Garantir ingestão adequada de fibras;
    • Diminuir o consumo de sódio;
    • Reduzir o consumo de açúcar;
    • Incluir uma fonte de proteína em todas as refeições para aumentar a saciedade e ajudar no controle da insulina.

    Além das orientações, vale destacar que manter regularidade nas refeições e atenção ao tamanho das porções também faz diferença para a saúde do coração. Comer com calma, respeitar os sinais de fome e saciedade e evitar longos períodos em jejum ajudam a manter o metabolismo mais equilibrado.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    Qual o papel das proteínas na saúde cardiovascular?

    As proteínas ajudam na saciedade, no controle do açúcar no sangue e na manutenção da massa muscular. Quando escolhidas de forma adequada, como carnes magras, ovos, peixes, leguminosas e laticínios sem açúcar, contribuem para uma alimentação mais equilibrada.

    Gordura faz mal para o coração?

    Depende do tipo de gordura. Gorduras trans e excesso de gordura presente em alimentos ultraprocessados são prejudiciais. Já gorduras naturais e de boa qualidade, como azeite de oliva, oleaginosas e gorduras presentes em alimentos naturais, podem fazer parte de uma alimentação saudável quando consumidas sem exageros.

    Qual a importância das fibras na alimentação cardioprotetora?

    As fibras ajudam a controlar o colesterol, melhoram o funcionamento do intestino e reduzem picos de açúcar no sangue. Uma alimentação rica em fibras contribui diretamente para a saúde do coração e do metabolismo.

    Comer tarde da noite prejudica o coração?

    Pode prejudicar, principalmente quando as refeições noturnas são grandes e ricas em gordura e açúcar. O hábito de comer muito tarde pode atrapalhar o metabolismo, o sono e o controle do peso, fatores importantes para a saúde cardiovascular.

    Farinha de mandioca e derivados podem ser consumidos?

    Podem ser consumidos em pequenas quantidades. A mandioca faz parte da cultura alimentar brasileira, mas o consumo excessivo pode aumentar a ingestão de carboidratos refinados.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro 

    Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro 

    Quando o assunto é produtividade, a maioria das pessoas pensa em aplicativos de organização, listas de tarefas e técnicas de foco. Mas do ponto de vista médico, existe uma ferramenta simples e gratuita que pode ajudar, que é justamente mexer o corpo.

    Atividade física e produtividade estão relacionadas porque movimentar o corpo não só beneficia o coração, mas altera para melhor o funcionamento do cérebro, e isso se reflete em uma melhor capacidade de atenção, criatividade e tomada de decisão.

    Para quem detesta o ambiente de academias, é importante dizer que não é só lá que acontece a atividade física do dia. Caminhar, subir escadas ou fazer pequenos intervalos de movimento ao longo do dia já contam como movimento.

    Isso explica por que, mesmo após poucos minutos de atividade, muitas pessoas relatam que pensam melhor, se concentram com mais facilidade e realizam tarefas com mais eficiência.

    Como a atividade física impacta o cérebro

    1. Aumenta o fluxo sanguíneo do cérebro

    Mexer o corpo faz o coração bombear mais sangue, o que leva mais oxigênio e nutrientes para áreas essenciais do cérebro, como:

    • Córtex pré-frontal, onde acontecem decisões e planejamento;
    • Hipocampo, região da memória;
    • Amígdala, ligada a respostas emocionais.

    Esse abastecimento extra deixa o cérebro mais alerta, mais estável e mais eficiente.

    2. Melhora a memória e o aprendizado

    A atividade física estimulada libera o BDNF, uma proteína conhecida como fertilizante cerebral. Ela fortalece conexões entre neurônios e facilita o aprendizado, algo essencial para quem estuda, trabalha sob pressão ou precisa memorizar novas informações.

    3. Reduz o estresse e melhora o humor

    Ao se movimentar, o corpo libera endorfinas e serotonina. Esses neurotransmissores:

    • Reduzem a ansiedade;
    • Equilibram o humor;
    • Aumentam a motivação;
    • Ajudam na tomada de decisões.

    E quando a mente está menos estressada, a produtividade naturalmente sobe.

    4. Aumenta a energia e combate o cansaço mental

    A atividade física melhora a eficiência dos músculos e do sistema cardiovascular, reduzindo a sensação de esgotamento ao longo do dia. Isso é especialmente útil para quem trabalha sentado por muitas horas.

    5. Melhora o sono e, consequentemente, o desempenho

    Dormir melhor significa:

    • Mais foco;
    • Memória mais afiada;
    • Mais capacidade de resolver problemas.

    Como a atividade física regula o ritmo circadiano, ela ajuda o corpo a dormir com mais facilidade e ter sono de qualidade.

    Como colocar movimento no dia a dia para aumentar a produtividade

    1. Caminhadas curtas ao longo do dia

    Caminhar 5 a 10 minutos entre reuniões ou depois do almoço aumenta o fluxo sanguíneo cerebral imediatamente.

    2. Subir escadas sempre que possível

    É uma forma simples e eficiente de elevar a frequência cardíaca sem equipamentos.

    3. Alongar-se a cada 60 ou 90 minutos

    Ideal para quem trabalha sentado. Reduz a tensão muscular e melhora a oxigenação.

    4. Fazer reuniões caminhando

    Reuniões telefônicas ou conversas informais podem ser transformadas em pequenas caminhadas.

    5. Inserir pequenas rotinas de treino

    Pode ser polichinelo, agachamento, yoga ou bicicleta ergométrica. Comece com 10 minutos por dia e aumente progressivamente.

    6. Evitar longos períodos sentado

    Mesmo quem faz exercícios não está protegido se passa horas sentado. Levantar e se mover protege o coração e melhora o desempenho mental.

    Quem mais se beneficia desse hábito?

    • Pessoas que trabalham em escritório;
    • Estudantes;
    • Quem enfrenta estresse crônico;
    • Quem sente cansaço mental frequente;
    • Idosos que querem preservar cognição;
    • Profissionais que trabalham com criatividade.

    O que dizem os estudos a respeito da produtividade?

    • Caminhadas leves aumentam criatividade em até 60%;
    • Atividade física regular reduz risco de depressão em até 30%;
    • Exercício leve melhora a memória operacional imediatamente;
    • Pessoas que se movimentam se concentram melhor e produzem mais.

    Perguntas frequentes sobre atividade física e produtividade

    1. Preciso fazer academia para melhorar minha produtividade?

    Não. Caminhadas, escadas e alongamentos já trazem benefícios. Para a saúde geral, recomenda-se 150 minutos semanais de atividade moderada.

    2. Quanto de movimento por dia faz diferença?

    De 10 a 20 minutos já ativam o cérebro. O ideal é somar 150 minutos semanais.

    3. Exercício melhora o foco imediatamente?

    Sim. O movimento pode melhorar o foco imediatamente.

    4. Qual o melhor horário para mexer o corpo?

    O melhor é o que cabe na rotina. Pequenas doses ao longo do dia funcionam muito bem.

    5. Quem trabalha sentado precisa se exercitar mais?

    Precisa se levantar e se mover regularmente. Ficar sentado por longos períodos reduz o fluxo sanguíneo cerebral.

    6. Mexer o corpo ajuda contra estresse e ansiedade?

    Muito. O exercício reduz cortisol e aumenta endorfinas.

    7. Quem tem problemas cardíacos pode se beneficiar?

    Sim, mas deve conversar com o médico para ajustar intensidade e frequência.

  • Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente 

    Como identificar sinais de desidratação mesmo quando você acha que bebe água suficiente 

    Em dias quentes, durante a rotina corrida ou até no trabalho em ambientes climatizados, muitas pessoas acreditam que estão bebendo água o suficiente, mas o corpo pode estar dizendo o contrário. O problema é que nem todo mundo ouve esse pedido do organismo, pois a desidratação nem sempre dá sinais óbvios.

    A desidratação leve pode passar despercebida, mas já é capaz de causar tonturas, dor de cabeça, cansaço e queda na concentração. Em níveis mais graves, pode levar à queda de pressão, confusão mental e risco aumentado de arritmias. Por isso, entender o que o corpo está sinalizando é bem importante para evitar problemas.

    Por que você pode estar desidratado mesmo bebendo água?

    Existem várias razões:

    • Você perde mais água do que imagina, e isso pode ser pelo suor, respiração ou urina;
    • O consumo de água não acompanha essas perdas;
    • Café, chá preto e bebidas alcoólicas aumentam a diurese, favorecendo a eliminação de líquidos;
    • Exercícios físicos, clima seco e ar-condicionado aceleram a desidratação, mesmo sem suor visível;
    • Pessoas idosas têm menor sensação de sede, o que dificulta perceber a necessidade de se hidratar.

    Ou seja, aquela sensação de que você bebeu bastante água hoje pode ser traiçoeira, pois nem sempre corresponde ao que o corpo realmente precisa.

    Sinais de desidratação que passam despercebidos

    1. Urina muito amarela ou com cheiro forte

    É um dos primeiros sinais. A urina saudável tende a ser amarelo-clara. Se estiver escura ou reduzida, é sinal de pouca ingestão de líquidos.

    2. Dor de cabeça e dificuldade de concentração

    A desidratação reduz o fluxo sanguíneo cerebral e afeta o funcionamento do cérebro. Isso pode causar:

    • Dor de cabeça;
    • Lentidão de raciocínio;
    • Sensação de mente cansada.

    3. Cansaço exagerado, mesmo sem esforço

    Quando falta água, o sangue fica mais concentrado, o coração trabalha mais e o corpo produz menos energia. Isso gera:

    • Fraqueza;
    • Indisposição;
    • Sonolência ao longo do dia.

    4. Tonturas ou sensação de “escurecimento” ao se levantar

    A desidratação pode reduzir o volume sanguíneo, o que aumenta o risco de quedas de pressão (hipotensão postural). É um dos sinais mais importantes para avaliação médica.

    5. Pele seca e com pouca elasticidade

    Um teste simples: belisque suavemente a pele no dorso da mão. Se ela demorar a voltar ao lugar, faltam líquidos.

    6. Boca seca, lábios rachados e saliva grossa

    São sinais clássicos de que a produção de saliva diminuiu. Em desidratações mais intensas, também aparece mau hálito.

    7. Aumento da frequência cardíaca

    Quando falta líquido no corpo, o coração pode bater mais rápido para manter o fluxo sanguíneo adequado. Isso pode aumentar o risco cardiovascular em pessoas vulneráveis.

    Quem tem mais risco de desidratação?

    • Idosos;
    • Crianças;
    • Pessoas com diarreia ou vômitos;
    • Quem faz exercícios intensos;
    • Quem trabalha em ambientes quentes;
    • Usuários frequentes de diuréticos, laxantes ou certos medicamentos;
    • Gestantes e lactantes.

    Como garantir hidratação adequada na prática

    Algumas recomendações são:

    • Observe a urina, que deve estar clara na maior parte do dia;
    • Distribua a ingestão ao longo do dia, não de uma vez só;
    • Aposte em alimentos ricos em água, como frutas, vegetais e sopas;
    • Aumente o consumo de água ao praticar atividades físicas;
    • Evite excesso de álcool e modere o café;
    • Use garrafinhas de fácil acesso para criar hábito.

    Lembre-se que a sede é um sinal tardio de desidratação. Não espere sentir sede para beber água.

    Leia também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre desidratação

    1. Quanto de água eu devo beber por dia?

    Não existe um número único. A recomendação geral é entre 30–35 ml/kg/dia, e isso é ajustado conforme o clima e o nível de atividade física.

    2. Água com gás hidrata?

    Sim, hidrata da mesma forma que água normal, desde que seja realmente água e não tenha açúcar.

    3. Beber muita água de uma vez só resolve?

    Não. O corpo absorve água melhor quando o consumo é distribuído ao longo do dia.

    4. Chá e café contam como hidratação?

    Contam, mas em excesso podem aumentar a urina e favorecer desidratação.

    5. Desidratação pode causar arritmia?

    Sim. A queda de eletrólitos e de volume sanguíneo pode afetar o ritmo cardíaco.

    6. Quando devo procurar um médico?

    Se houver tontura, confusão mental, pouca urina ou sinais de desidratação em crianças, idosos ou gestantes.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

  • Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Canetas emagrecedoras e colesterol: o que muda nos níveis de gordura no sangue?

    Os benefícios dos agonistas do GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, podem ir muito além da perda de peso e do controle do açúcar no sangue.

    De acordo com estudos recentes, as canetas emagrecedoras apresentam impacto no perfil lipídico, reduzindo principalmente os níveis de triglicerídeos e do colesterol ruim (LDL), além de ajudarem na manutenção ou até em um leve aumento do colesterol bom (HDL).

    Mas afinal, como isso acontece? Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para explicar como essas medicações influenciam o metabolismo das gorduras e qual é o papel da perda de peso nesse processo. Confira!

    Canetas emagrecedoras e colesterol: como elas melhoram o perfil lipídico?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os agonistas do GLP-1 atuam em diferentes frentes do metabolismo, envolvendo tanto o fígado quanto o intestino.

    No fígado, a medicação reduz a produção de VLDL, uma lipoproteína de muito baixa densidade responsável pelo transporte de triglicerídeos, o que diminui a quantidade de gordura liberada na circulação.

    No intestino, o retardo do esvaziamento gástrico e da absorção de gorduras após as refeições ajuda a evitar picos de gordura no sangue.

    Juliana explica que a melhora do perfil lipídico acontece, principalmente, como consequência da perda de peso. Com o emagrecimento, ocorre melhora da resistência à insulina, tornando o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    Contudo, também existem evidências de que os agonistas do GLP-1 exercem um efeito direto na redução do processo inflamatório do organismo e da inflamação do endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, o que contribui de forma adicional para a melhora dos níveis de colesterol.

    As canetas emagrecedoras substituem os remédios para colesterol?

    Os agonistas do GLP-1 podem ajudar a melhorar os exames de colesterol, mas não substituem os medicamentos usados no tratamento.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, as estatinas, que são os remédios específicos para controlar o colesterol, têm um efeito muito mais efetivo. Em alguns casos, conseguem reduzir até 50% dos níveis de colesterol ruim, enquanto os agonistas do GLP-1 promovem uma redução em torno de 10%.

    No caso dos triglicerídeos, as canetas emagrecedoras costumam ter um efeito mais significativo. Mesmo assim, as estatinas continuam sendo a principal opção para o tratamento do colesterol.

    Por isso, é necessário manter o uso das estatinas sempre que houver indicação médica, mesmo durante o tratamento com agonistas do GLP-1.

    Quem tem colesterol normal também se beneficia?

    Mesmo em pacientes com colesterol normal e em uso de estatinas, a adição dos agonistas do GLP-1 demonstrou impacto na redução do risco de infarto e AVC.

    Segundo Juliana, isso acontece principalmente devido à ação anti-inflamatória, à melhora da função do endotélio, que corresponde à parede interna dos vasos sanguíneos, e à melhora da pressão arterial.

    Tudo isso contribui para um benefício cardiovascular positivo, mesmo quando os níveis de colesterol já estão controlados.

    Confira: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Por que emagrecer melhora o colesterol?

    A perda de peso melhora a resistência à insulina e torna o metabolismo das gorduras mais eficiente.

    É seguro usar GLP-1 junto com estatina?

    Sim, quando indicado pelo médico. As medicações atuam por mecanismos diferentes e podem se complementar.

    Quanto tempo leva para notar melhora nos exames?

    As mudanças costumam aparecer de forma gradual, acompanhando a perda de peso ao longo dos meses.

    Qual a diferença entre colesterol LDL e HDL?

    O LDL é conhecido como colesterol ruim, pois pode se acumular nas artérias. O HDL é chamado de colesterol bom, pois ajuda a remover o excesso de gordura da circulação.

    A alimentação influencia muito nos níveis de colesterol?

    Sim, o consumo excessivo de gorduras saturadas, ultraprocessados e açúcar pode elevar os níveis de colesterol e triglicerídeos.

    Com que frequência o colesterol deve ser avaliado?

    A periodicidade depende do perfil de risco, mas geralmente a avaliação ocorre pelo menos uma vez por ano ou conforme orientação médica.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

  • Bulimia nervosa: quais cuidados nutricionais podem ajudar no tratamento?

    Bulimia nervosa: quais cuidados nutricionais podem ajudar no tratamento?

    Com impacto no comportamento alimentar e na saúde emocional, a bulimia nervosa é um transtorno em que a pessoa costuma passar por episódios de compulsão alimentar, nos quais come grandes quantidades de comida em pouco tempo, sentindo perda de controle.

    Depois disso, surge um sentimento intenso de culpa, vergonha ou medo de ganhar peso, o que leva a comportamentos compensatórios, como provocar vômitos, usar laxantes, jejuar por longos períodos ou praticar exercícios físicos de forma excessiva.

    Mas afinal, como a condição é tratada? Além do acompanhamento psicológico, a alimentação tem um papel fundamental no tratamento da bulimia.

    As estratégias nutricionais ajudam a organizar a rotina alimentar, reduzir os episódios de compulsão e os comportamentos compensatórios.

    Como a bulimia nervosa se manifesta?

    A bulimia nervosa pode se manifestar por sinais físicos, emocionais e comportamentais, como:

    • Episódios frequentes de compulsão alimentar, com ingestão de grandes quantidades de comida em pouco tempo;
    • Sensação de perda de controle durante a compulsão;
    • Comportamentos compensatórios após comer, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes ou diuréticos;
    • Períodos de jejum prolongado ou prática excessiva de exercícios físicos;
    • Preocupação intensa com peso, forma corporal e aparência;
    • Sentimentos recorrentes de culpa, vergonha ou arrependimento após comer;
    • Oscilações de humor, ansiedade e irritabilidade;
    • Dor de garganta frequente, desgaste do esmalte dos dentes e mau hálito;
    • Inchaço abdominal, alterações intestinais e desconforto gastrointestinal.

    Os sinais podem variar entre as pessoas e, muitas vezes, passam despercebidos, o que torna fundamental a atenção aos sintomas e o diagnóstico precoce.

    Quais as complicações nutricionais da bulimia?

    A bulimia nervosa pode causar várias complicações nutricionais, devido à combinação de compulsão alimentar com comportamentos compensatórios, como vômitos, uso de laxantes ou exercícios em excesso, conforme explica a nutricionista Fernanda Pacheco.

    Isso pode levar à perda de nutrientes importantes, à desidratação e a desequilíbrios eletrolíticos, como alterações nos níveis de potássio, fósforo e magnésio, afetando diretamente o funcionamento do coração, dos músculos e do sistema nervoso.

    “Além disso, é comum haver deficiências de vitaminas e minerais, queda de cabelo, fragilidade nas unhas, alterações de pele e problemas gastrointestinais. Em casos mais graves, as alterações metabólicas podem colocar a vida do paciente em risco”, explica Fernanda.

    Como as carências nutricionais são identificadas?

    As carências nutricionais são identificadas por meio da avaliação clínica e da análise de exames laboratoriais. O profissional de saúde observa sinais físicos, sintomas relatados pelo paciente e resultados de exames de sangue que mostram alterações nos níveis de vitaminas, minerais e outros nutrientes.

    Além disso, o nutricionista analisa o padrão alimentar, a frequência das refeições e a presença de comportamentos compensatórios, o que ajuda a entender quais nutrientes podem estar em falta e a definir a melhor medida de tratamento.

    A partir disso, Fernanda explica que o nutricionista orienta uma alimentação equilibrada, com foco em alimentos ricos em vitaminas, minerais e proteínas. Quando necessário, a suplementação pode ser indicada de forma individualizada.

    “O objetivo é reconstruir o equilíbrio nutricional de maneira gradual, respeitando as limitações do paciente e evitando que a recuperação cause desconfortos físicos ou emocionais”, complementa a nutricionista.

    Cuidados nutricionais no tratamento de bulimia

    No tratamento da bulimia, o foco está em reduzir os gatilhos, diminuir a ansiedade em torno da comida e ajudar o paciente a reconstruir uma relação mais estável e segura com a alimentação. Entre algumas das estratégias, é possível destacar:

    • Evitar longos períodos de jejum, já que a fome intensa aumenta o risco de compulsão e de vômitos;
    • Fracionar as refeições ao longo do dia, ajudando a manter a fome mais controlada;
    • Priorizar alimentos que causem menos desconforto gástrico, principalmente no início do tratamento;
    • Estimular a regularidade alimentar, com horários mais previsíveis para comer;
    • Orientar sobre a importância da hidratação, reduzindo riscos de desidratação e perda de eletrólitos;
    • Monitorar, quando necessário, alterações nutricionais com apoio médico.

    “O objetivo é diminuir a urgência de usar métodos compensatórios, fortalecendo gradualmente a confiança do paciente na alimentação”, complementa Fernanda.

    Para reduzir a ansiedade relacionada à comida, a nutricionista esclarece que também podem ser usadas estratégias como:

    • Comer de forma fracionada ao longo do dia, evitando longos períodos sem se alimentar;
    • Incluir alimentos que promovem maior saciedade;
    • Estimular o comer consciente, com mais atenção aos sinais de fome e saciedade;
    • Desconstruir crenças rígidas sobre “alimentos proibidos”;
    • Mostrar que o equilíbrio alimentar é possível sem restrições extremas;
    • Criar um ambiente alimentar previsível e sem julgamentos;
    • Reduzir a pressão emocional associada às refeições.

    Durante o tratamento de bulimia, é necessário restringir algum alimento?

    A restrição de alimentos não é indicada, pois a proibição tende a aumentar a ansiedade e manter o ciclo de compulsão e comportamentos compensatórios. Segundo Fernanda, o foco é ampliar a variedade alimentar e mostrar que todos os alimentos podem fazer parte de uma rotina equilibrada.

    Assim, o medo e a culpa em relação à comida diminuem, favorecendo uma relação mais leve e saudável com a alimentação.

    “A reconstrução da rotina alimentar é feita de maneira progressiva. O primeiro passo é organizar horários regulares para comer, evitando jejuns prolongados. Em seguida, o nutricionista introduz gradualmente alimentos de todos os grupos, sempre considerando preferências e tolerâncias do paciente”, explica a nutricionista.

    Com o tempo, a pessoa aprende a se alimentar em diferentes situações, como sozinho, com a família ou em eventos sociais, sem recorrer a comportamentos compensatórios.

    Quando a suplementação é indicada?

    A suplementação é indicada quando os exames mostrarem falta de vitaminas, minerais ou outros nutrientes, ou quando a alimentação sozinha não consegue suprir as necessidades.

    Muitos pacientes apresentam deficiências de ferro, vitaminas do complexo B, vitamina D, cálcio e magnésio, devido à purgação frequente e à alimentação irregular, segundo Fernanda.

    “No entanto, a indicação é sempre individualizada e baseada em exames laboratoriais, evitando a automedicação e garantindo segurança”, complementa Fernanda.

    O tratamento de bulimia nervosa é multidisciplinar

    Uma vez que a bulimia nervosa envolve fatores emocionais, comportamentais e físicos, o tratamento precisa contar com diferentes profissionais.

    De acordo com Fernanda, o médico acompanha possíveis complicações, como alterações no coração, no sistema digestivo ou nos hormônios. Já o psicólogo ou psiquiatra atua nos aspectos emocionais e comportamentais, ajudando o paciente a lidar com ansiedade, culpa e baixa autoestima.

    “Essa integração garante que o paciente receba um cuidado completo, aumentando muito as chances de recuperação duradoura”, finaliza a especialista.

    Veja também: Qual o papel do nutricionista no tratamento de transtornos alimentares?

    Perguntas frequentes

    Como é feito o diagnóstico de bulimia?

    O diagnóstico da bulimia nervosa é feito a partir da conversa com o profissional de saúde, que avalia os comportamentos alimentares e os episódios de compulsão seguidos de práticas compensatórias. Também é observado o impacto desses comportamentos na saúde física e emocional.

    A bulimia pode causar problemas de saúde?

    Sim, a condição pode levar a desidratação, desequilíbrios de eletrólitos, alterações cardíacas, problemas gastrointestinais, desgaste dos dentes, inflamação na garganta e alterações hormonais.

    Vômitos frequentes fazem mal ao coração?

    Sim, a perda de eletrólitos, como potássio e magnésio, pode interferir diretamente no ritmo cardíaco, aumentando o risco de arritmias e outras complicações.

    A bulimia pode voltar após o tratamento?

    A condição pode apresentar recaídas, principalmente em períodos de estresse emocional. Por isso, o acompanhamento contínuo e o suporte psicológico são fundamentais para manter a recuperação.

    Exercício físico em excesso pode fazer parte da bulimia?

    Sim, a prática excessiva de exercícios pode ser usada como forma de compensação após comer. No tratamento, a relação com o exercício também é trabalhada para que ele volte a ser saudável.

    O uso de laxantes pode prejudicar o intestino?

    Sim, o uso frequente de laxantes pode causar dependência intestinal, desidratação e alterações no funcionamento do intestino ao longo do tempo.

    Leia mais: Anorexia nervosa: entenda o papel da nutrição na recuperação e na prevenção de recaídas