O afogamento é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma deterioração respiratória decorrente da submersão ou imersão em líquido. Estima-se que ocorram mais de 300 mil mortes por afogamento por ano no mundo, sendo mais de 90% em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Mais da metade dessas mortes acontece em indivíduos com menos de 30 anos de idade.
Os principais fatores de risco incluem supervisão inadequada por adultos, especialmente em crianças, permanecer sozinho próximo a corpos d’água naturais ou artificiais, não saber nadar, comportamentos de risco, consumo de álcool, traumas, crises convulsivas e arritmias cardíacas.
Como acontece o afogamento
O processo geralmente começa com pânico, perda do padrão respiratório normal, sensação intensa de falta de ar e dificuldade de manter a cabeça acima da água.
Depois, ocorrem reflexos inspiratórios involuntários, levando à aspiração de água e tosse. Com a progressão, há queda da oxigenação do sangue, perda de consciência e, nos casos mais graves, evolução para apneia (ausência de respiração).
Nos pulmões, a água aspirada altera a permeabilidade dos alvéolos, causando edema pulmonar e podendo evoluir para síndrome do desconforto respiratório agudo, resultando em baixa oxigenação do sangue. Essas alterações costumam surgir rapidamente, geralmente nas primeiras 8 horas após o evento.
No sistema nervoso central, a baixa oxigenação do sangue pode levar a sequelas neurológicas permanentes. Já no sistema cardiovascular, a associação entre hipotermia e hipoxemia favorece o surgimento de arritmias, infarto do miocárdio e até parada cardiorrespiratória.
Primeiros socorros em caso de afogamento
Ao presenciar uma situação de afogamento, não se deve tentar resgatar a vítima imediatamente, a menos que haja treinamento adequado. Muitas pessoas que tentam realizar o resgate acabam se tornando novas vítimas.
A primeira conduta é chamar ajuda imediatamente, acionando um salva-vidas ou o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Caso opte por tentar o resgate, é fundamental:
- Utilizar objetos flutuantes para oferecer apoio à vítima;
- Comunicar outra pessoa sobre a ação que será realizada.
Após retirar a vítima da água
Não se deve tentar retirar a água dos pulmões com manobras improvisadas.
A manobra de Heimlich só está indicada se houver suspeita de obstrução das vias aéreas por corpo estranho, e não rotineiramente nos casos de afogamento.
A prioridade é avaliar a responsividade da vítima.
Se a vítima estiver consciente
- Se estiver responsiva e apresentar apenas tosse, deve-se mantê-la aquecida e em observação;
- Se houver espuma na boca, isso indica comprometimento respiratório, sendo necessário suporte com oxigênio e encaminhamento para atendimento médico.
Se a vítima estiver inconsciente
Deve-se avaliar:
- Vias aéreas;
- Respiração;
- Pulso.
Se houver pulso presente, mas a respiração estiver inadequada:
- Iniciar ventilações de resgate;
- Administrar oxigênio, se disponível;
- Encaminhar imediatamente para um serviço de saúde.
Se não houver pulso:
- Iniciar reanimação cardiopulmonar (RCP) com compressões torácicas;
- Solicitar ajuda adicional;
- Utilizar um desfibrilador externo automático (DEA) assim que disponível.
Prevenção do afogamento
A maioria dos casos de afogamento é prevenível. As medidas mais importantes incluem:
- Instalação de cercas e portões de proteção em piscinas, especialmente em residências com crianças;
- Supervisão constante de adultos durante atividades aquáticas;
- Evitar nadar sozinho;
- Uso de coletes ou objetos de flutuação;
- Evitar o consumo de álcool ou outras substâncias antes ou durante atividades aquáticas.
A prevenção é a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade e as sequelas associadas ao afogamento.
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Perguntas frequentes sobre afogamento
1. Toda pessoa que se afoga perde a consciência?
Não. Em alguns casos, a vítima pode estar consciente, tossindo e com dificuldade respiratória.
2. É correto virar a pessoa de cabeça para baixo para tirar a água?
Não. Essa prática não é recomendada e pode atrasar medidas mais importantes, como avaliar respiração e iniciar RCP.
3. A manobra de Heimlich deve ser feita em todo afogamento?
Não. Só está indicada se houver suspeita de obstrução por corpo estranho.
4. Quando iniciar RCP?
Se a vítima estiver inconsciente e sem pulso, a RCP deve ser iniciada imediatamente.
5. A vítima precisa ir ao hospital mesmo se melhorar?
Sim, principalmente se houver sintomas respiratórios, pois complicações pulmonares podem surgir nas primeiras horas.
6. Crianças têm maior risco de afogamento?
Sim. A falta de supervisão é um dos principais fatores de risco.
7. Álcool aumenta o risco?
Sim. O consumo de álcool é um importante fator de risco para afogamento.









