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  • Primeiros socorros em caso de afogamento: saiba como agir 

    Primeiros socorros em caso de afogamento: saiba como agir 

    O afogamento é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma deterioração respiratória decorrente da submersão ou imersão em líquido. Estima-se que ocorram mais de 300 mil mortes por afogamento por ano no mundo, sendo mais de 90% em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Mais da metade dessas mortes acontece em indivíduos com menos de 30 anos de idade.

    Os principais fatores de risco incluem supervisão inadequada por adultos, especialmente em crianças, permanecer sozinho próximo a corpos d’água naturais ou artificiais, não saber nadar, comportamentos de risco, consumo de álcool, traumas, crises convulsivas e arritmias cardíacas.

    Como acontece o afogamento

    O processo geralmente começa com pânico, perda do padrão respiratório normal, sensação intensa de falta de ar e dificuldade de manter a cabeça acima da água.

    Depois, ocorrem reflexos inspiratórios involuntários, levando à aspiração de água e tosse. Com a progressão, há queda da oxigenação do sangue, perda de consciência e, nos casos mais graves, evolução para apneia (ausência de respiração).

    Nos pulmões, a água aspirada altera a permeabilidade dos alvéolos, causando edema pulmonar e podendo evoluir para síndrome do desconforto respiratório agudo, resultando em baixa oxigenação do sangue. Essas alterações costumam surgir rapidamente, geralmente nas primeiras 8 horas após o evento.

    No sistema nervoso central, a baixa oxigenação do sangue pode levar a sequelas neurológicas permanentes. Já no sistema cardiovascular, a associação entre hipotermia e hipoxemia favorece o surgimento de arritmias, infarto do miocárdio e até parada cardiorrespiratória.

    Primeiros socorros em caso de afogamento

    Ao presenciar uma situação de afogamento, não se deve tentar resgatar a vítima imediatamente, a menos que haja treinamento adequado. Muitas pessoas que tentam realizar o resgate acabam se tornando novas vítimas.

    A primeira conduta é chamar ajuda imediatamente, acionando um salva-vidas ou o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

    Caso opte por tentar o resgate, é fundamental:

    • Utilizar objetos flutuantes para oferecer apoio à vítima;
    • Comunicar outra pessoa sobre a ação que será realizada.

    Após retirar a vítima da água

    Não se deve tentar retirar a água dos pulmões com manobras improvisadas.

    A manobra de Heimlich só está indicada se houver suspeita de obstrução das vias aéreas por corpo estranho, e não rotineiramente nos casos de afogamento.

    A prioridade é avaliar a responsividade da vítima.

    Se a vítima estiver consciente

    • Se estiver responsiva e apresentar apenas tosse, deve-se mantê-la aquecida e em observação;
    • Se houver espuma na boca, isso indica comprometimento respiratório, sendo necessário suporte com oxigênio e encaminhamento para atendimento médico.

    Se a vítima estiver inconsciente

    Deve-se avaliar:

    • Vias aéreas;
    • Respiração;
    • Pulso.

    Se houver pulso presente, mas a respiração estiver inadequada:

    • Iniciar ventilações de resgate;
    • Administrar oxigênio, se disponível;
    • Encaminhar imediatamente para um serviço de saúde.

    Se não houver pulso:

    • Iniciar reanimação cardiopulmonar (RCP) com compressões torácicas;
    • Solicitar ajuda adicional;
    • Utilizar um desfibrilador externo automático (DEA) assim que disponível.

    Prevenção do afogamento

    A maioria dos casos de afogamento é prevenível. As medidas mais importantes incluem:

    • Instalação de cercas e portões de proteção em piscinas, especialmente em residências com crianças;
    • Supervisão constante de adultos durante atividades aquáticas;
    • Evitar nadar sozinho;
    • Uso de coletes ou objetos de flutuação;
    • Evitar o consumo de álcool ou outras substâncias antes ou durante atividades aquáticas.

    A prevenção é a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade e as sequelas associadas ao afogamento.

    Confira: Viroses de verão: como evitar que elas estraguem suas férias

    Perguntas frequentes sobre afogamento

    1. Toda pessoa que se afoga perde a consciência?

    Não. Em alguns casos, a vítima pode estar consciente, tossindo e com dificuldade respiratória.

    2. É correto virar a pessoa de cabeça para baixo para tirar a água?

    Não. Essa prática não é recomendada e pode atrasar medidas mais importantes, como avaliar respiração e iniciar RCP.

    3. A manobra de Heimlich deve ser feita em todo afogamento?

    Não. Só está indicada se houver suspeita de obstrução por corpo estranho.

    4. Quando iniciar RCP?

    Se a vítima estiver inconsciente e sem pulso, a RCP deve ser iniciada imediatamente.

    5. A vítima precisa ir ao hospital mesmo se melhorar?

    Sim, principalmente se houver sintomas respiratórios, pois complicações pulmonares podem surgir nas primeiras horas.

    6. Crianças têm maior risco de afogamento?

    Sim. A falta de supervisão é um dos principais fatores de risco.

    7. Álcool aumenta o risco?

    Sim. O consumo de álcool é um importante fator de risco para afogamento.

    Veja mais: Queimadura por água-viva: o que fazer na hora

  • Por que pular refeições pode causar mal-estar em algumas pessoas? 

    Por que pular refeições pode causar mal-estar em algumas pessoas? 

    É comum ouvir que o ideal é realizar cerca de cinco refeições ao dia: café da manhã, almoço e jantar, além de dois lanches intermediários. Essa organização ajuda a manter níveis mais estáveis de energia, evita longos períodos de jejum e contribui para o bom funcionamento do organismo.

    Na prática, porém, é diferente. Pular refeições é algo comum, afinal, a rotina corrida faz com que muitas pessoas acabem deixando de se alimentar com regularidade — e há também quem opte pelo jejum intermitente. Embora isso pareça normal, ficar muitas horas sem comer pode desencadear reações fisiológicas que explicam sintomas como fraqueza, tontura, irritabilidade e até náuseas em determinadas pessoas.

    Esses sintomas não são coincidência: eles refletem adaptações do corpo ao jejum prolongado e ao estresse metabólico provocado pela falta de alimento.

    O que acontece no corpo quando pulamos refeições?

    Quando ficamos muito tempo sem comer, o organismo precisa ativar mecanismos para manter as funções vitais. Algumas dessas adaptações podem gerar mal-estar.

    1. Hipoglicemia (queda do açúcar no sangue)

    A glicose é a principal fonte de energia do cérebro e dos músculos. Ao passar várias horas sem se alimentar, os níveis de glicose podem cair, provocando sintomas como:

    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Tremores;
    • Dificuldade de concentração;
    • Irritabilidade;
    • Sudorese fria.

    Pessoas mais sensíveis ou com metabolismo mais acelerado tendem a perceber esses sinais com maior intensidade.

    2. Aumento da acidez estomacal

    Mesmo em jejum, o estômago continua produzindo ácido para auxiliar na digestão. Sem alimento para ajudar a neutralizar essa acidez, podem surgir:

    • Queimação no estômago;
    • Dor epigástrica;
    • Náuseas;
    • Piora de gastrite ou refluxo.

    Isso explica por que algumas pessoas sentem dor ou desconforto gástrico quando passam muitas horas sem comer.

    3. Liberação de adrenalina e cortisol (hormônios do estresse)

    A falta de alimento pode ser interpretada pelo organismo como um sinal de estresse. Como resposta, há aumento da produção de adrenalina e cortisol, hormônios que ajudam a mobilizar energia armazenada.

    Essa resposta pode causar:

    • Ansiedade ou irritação;
    • Palpitações;
    • Sensação de inquietação;
    • Aumento da frequência cardíaca;
    • Sensação de fraqueza ou tremor.

    Isso ajuda a entender por que algumas pessoas ficam mais nervosas ou “diferentes” quando estão muito tempo em jejum.

    4. Desidratação (em alguns casos)

    Quem pula refeições muitas vezes também acaba ingerindo menos líquidos. A desidratação leve pode agravar sintomas como:

    • Tontura;
    • Dor de cabeça;
    • Cansaço;
    • Sensação de fraqueza.

    Quando associada à hipoglicemia, pode intensificar ainda mais o mal-estar.

    Por que algumas pessoas sentem mais mal-estar do que outras?

    A resposta ao jejum varia de pessoa para pessoa. Alguns fatores que aumentam a probabilidade de sintomas incluem:

    • Metabolismo mais acelerado;
    • Histórico de gastrite ou refluxo;
    • Ansiedade ou estresse elevado;
    • Baixa ingestão de água;
    • Dietas muito restritivas;
    • Prática de atividade física sem alimentação adequada.

    O que fazer para evitar o mal-estar?

    Nem sempre é possível manter horários rígidos para alimentação, mas algumas estratégias ajudam a reduzir os sintomas.

    1. Evitar longos períodos de jejum

    Se não for possível fazer uma refeição completa, tente consumir pequenos lanches ao longo do dia.

    2. Priorizar alimentos de absorção mais lenta

    Alimentos ricos em fibras e proteínas ajudam a manter a glicemia mais estável. Algumas opções são:

    • Frutas com castanhas;
    • Iogurte natural;
    • Sanduíche integral com queijo ou frango;
    • Aveia.

    3. Manter hidratação adequada

    Beber água ao longo do dia é essencial para prevenir tontura, dor de cabeça e sensação de fraqueza.

    4. Cuidar da saúde gástrica

    Pessoas com gastrite ou refluxo devem evitar longos períodos em jejum e procurar orientação médica se os sintomas forem frequentes.

    Veja mais: O que comer (e o que evitar) para dormir melhor

    Perguntas frequentes sobre pular refeições

    1. Pular refeições sempre causa hipoglicemia?

    Não necessariamente. Em pessoas saudáveis, o organismo costuma compensar por um período, mas algumas são mais sensíveis à queda da glicose.

    2. Jejum é sempre prejudicial?

    Não. O efeito depende da duração, da condição de saúde da pessoa e do acompanhamento adequado.

    3. Dor de estômago pode ser causada por jejum?

    Sim. O aumento da acidez estomacal pode provocar queimação e desconforto.

    4. Por que fico irritado quando estou com fome?

    A liberação de hormônios como adrenalina e cortisol pode alterar o humor.

    5. Beber água ajuda a reduzir o mal-estar?

    Sim. A hidratação adequada pode aliviar sintomas como tontura e dor de cabeça.

    6. Quem pratica atividade física deve evitar jejum prolongado?

    Sim. Exercício sem alimentação adequada pode aumentar o risco de mal-estar.

    7. Quando procurar avaliação médica?

    Se os episódios de mal-estar forem frequentes, intensos ou acompanhados de desmaio, é importante buscar avaliação médica.

    Leia também: 9 dicas para trazer mais nutrientes para o seu prato

  • Por que o envelhecimento acelera o endurecimento das artérias? Cardiologista explica

    Por que o envelhecimento acelera o endurecimento das artérias? Cardiologista explica

    O sistema cardiovascular é naturalmente afetado pelas mudanças que acompanham o envelhecimento — inclusive as artérias. Com o passar dos anos, elas tendem a perder elasticidade e se tornar mais rígidas, processo que pode dificultar a circulação do sangue e aumentar o risco de problemas cardíacos.

    A rigidez, apesar de esperada com o avanço da idade, não acontece da mesma forma para todas as pessoas. O ritmo do processo depende de diversos fatores, como hábitos de vida, presença de doenças crônicas e cuidados com a saúde ao longo dos anos.

    O que acontece com as artérias durante o envelhecimento?

    Com o avanço da idade, as artérias passam por mudanças naturais na estrutura e no funcionamento. Segundo a cardiologista Juliana Soares, uma das principais alterações envolve a perda gradual da elasticidade, característica importante para que os vasos consigam se expandir e se contrair conforme o sangue circula pelo corpo.

    Parte do processo acontece porque a elastina, proteína responsável pela flexibilidade das artérias, diminui ao longo dos anos e acaba sendo substituída por colágeno, que apresenta maior rigidez.

    Além disso, Juliana aponta que pode haver depósito de cálcio nas paredes arteriais, fenômeno conhecido como arteriosclerose, que contribui para o endurecimento dos vasos.

    Com isso, as artérias ficam menos capazes de absorver a pressão do sangue que sai do coração. Isso pode aumentar a pressão arterial e elevar o risco de problemas cardiovasculares, principalmente quando existem fatores como colesterol alto, diabetes, tabagismo e sedentarismo.

    É possível evitar o endurecimento das artérias?

    Um certo grau de enrijecimento das artérias acontece naturalmente com o avanço da idade. Contudo, o processo pode ser mais lento quando existe cuidado com a saúde desde cedo, segundo Juliana. O controle dos fatores de risco faz diferença importante para preservar a flexibilidade dos vasos ao longo do tempo.

    Afinal, quais fatores aceleram o envelhecimento vascular?

    A maioria dos fatores que podem acelerar o envelhecimento das artérias e favorecer o endurecimento dos vasos sanguíneos está associada ao estilo de vida e a condições de saúde que, quando não controladas, aumentam o desgaste do sistema cardiovascular ao longo do tempo.

    Entre eles, Juliana aponta:

    Inflamação crônica

    A inflamação agride a parede dos vasos sanguíneos, facilita o acúmulo de cálcio e a formação de placas, contribuindo para o endurecimento arterial. Normalmente, ela está associada ao sedentarismo e à obesidade, que favorecem processos inflamatórios persistentes no organismo.

    Colesterol elevado (especialmente LDL)

    O colesterol ruim, o LDL, pode se depositar na parede das artérias ao longo do tempo. O acúmulo favorece a formação de placas de gordura, que reduzem a elasticidade dos vasos e dificultam a passagem do sangue.

    Com a progressão desse processo, aumenta o risco de endurecimento arterial e de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Pressão arterial alta

    A hipertensão provoca desgaste constante nas paredes das artérias, já que os vasos precisam suportar a passagem do sangue sob pressão mais elevada. Com o tempo, elas tendem a se tornar mais espessas e rígidas como forma de adaptação, o que reduz a capacidade de dilatação e compromete a circulação.

    Ciclo de aumento da pressão arterial

    Quando as artérias ficam mais rígidas, a circulação do sangue se torna mais difícil, o que faz com que o coração precise bombear com mais força para manter o fluxo adequado, elevando ainda mais a pressão arterial. Logo, se forma um ciclo em que a rigidez aumenta a pressão, e a pressão elevada acelera o envelhecimento das artérias.

    Diabetes

    Os níveis elevados de glicose no sangue podem danificar as paredes dos vasos sanguíneos e favorecer processos inflamatórios. Ao longo do tempo, isso contribui para o endurecimento arterial, reduz a elasticidade dos vasos e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

    Como o cardiologista avalia o envelhecimento das artérias?

    A avaliação do envelhecimento vascular começa com a análise clínica, que inclui histórico de saúde, hábitos de vida, presença de doenças crônicas, exame físico, medida da pressão arterial e exames de sangue para verificar colesterol, glicemia e outros indicadores importantes.

    Segundo Juliana, alguns exames específicos ajudam a avaliar a saúde das artérias com mais precisão:

    • Ultrassom das artérias carótidas: identifica espessamento das paredes dos vasos, sinal de envelhecimento vascular;
    • Velocidade da onda de pulso: exame que mede o grau de rigidez das artérias;
    • Escore de cálcio coronariano (tomografia): detecta calcificação nas artérias do coração, indicador de risco cardiovascular.

    Em geral, quanto maior a rigidez ou o nível de calcificação, maior tende a ser o comprometimento da saúde vascular.

    O que pode ajudar a proteger as artérias?

    Pequenas mudanças no estilo de vida ajudam a preservar a saúde das artérias e a reduzir o risco de endurecimento precoce dos vasos sanguíneos, como:

    • Alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras boas ajuda a controlar colesterol e inflamação;
    • Atividade física regular: exercícios melhoram a circulação, ajudam no controle da pressão e mantêm as artérias mais flexíveis;
    • Controle da pressão, colesterol e glicemia: acompanhamento médico regular reduz o risco de danos vasculares;
    • Evitar o tabagismo: o cigarro agride diretamente os vasos sanguíneos e acelera o envelhecimento vascular;
    • Peso corporal adequado: excesso de peso favorece inflamação e sobrecarga do sistema cardiovascular;
    • Sono de qualidade e menos estresse: descanso adequado ajuda na regulação hormonal e na saúde dos vasos.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre arteriosclerose e aterosclerose?

    A arteriosclerose é o endurecimento genérico das artérias pelo envelhecimento. A aterosclerose é um tipo específico onde há o acúmulo de placas de gordura e inflamação dentro dos vasos.

    2. Como o sedentarismo acelera esse processo?

    A falta de exercício reduz a produção de óxido nítrico, uma molécula que ajuda as artérias a relaxarem. Sem esse “estímulo de elasticidade”, o endurecimento progride mais rápido.

    3. Quais são os riscos de ter artérias endurecidas?

    O principal risco é a sobrecarga do coração, que precisa fazer mais força para bombear o sangue, podendo levar à insuficiência cardíaca, além de aumentar as chances de AVC e demência vascular.

    4. Qual a relação entre o endurecimento das artérias e os rins?

    Os rins são órgãos altamente vascularizados e sensíveis à pressão. Quando as grandes artérias endurecem, elas não conseguem amortecer a pressão do pulso cardíaco, que atinge os pequenos vasos renais com força excessiva, podendo causar insuficiência renal.

    5. A genética determina quão rápido as artérias vão endurecer?

    Segundo estudos, a genética contribui com cerca de 20% a 40% da variação na rigidez arterial. No entanto, a epigenética (como seus hábitos ativam ou desativam esses genes) desempenha um papel muito mais importante no envelhecimento vascular.

    6. Bebidas alcoólicas prejudicam as artérias?

    O consumo excessivo de álcool pode elevar a pressão arterial, alterar o metabolismo das gorduras e favorecer a inflamação. Isso aumenta o risco de envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos.

    7. Mudanças no estilo de vida ainda ajudam depois dos 40 ou 50 anos?

    Sim, nunca é tarde para cuidar da saúde cardiovascular. Um alimentação equilibrada, atividade física, controle de doenças e abandono do tabagismo continuam trazendo benefícios para as artérias em qualquer fase da vida.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Carnaval com saúde: 11 dicas para curtir sem perrengue 

    Carnaval com saúde: 11 dicas para curtir sem perrengue 

    O carnaval é bem parecido com uma maratona: horas em pé, calor, aglomeração, pouca pausa para comer direito e aquela tendência de “só hoje”. O resultado é previsível: desidratação, insolação, pressão caindo, crises de ansiedade, intoxicação alimentar, viroses e, em casos mais sérios, falta de ar, desmaios e até consequências mais sérias.

    A boa notícia é que dá, sim, para aproveitar muito e reduzir bastante o risco de perrengue com medidas simples. Abaixo, um checklist realista para você, seus amigos e sua família atravessarem a folia com mais segurança.

    1. Faça da água sua fantasia oficial

    Aglomeração somada a calor e álcool aumentam a perda de líquido e favorecem desidratação. Um sinal clássico de que passou do ponto é tontura, fraqueza, dor de cabeça e urina muito escura. Em casos graves, pode haver confusão mental e desmaio.

    E isso é bem fácil de evitar:

    • Beba água e outros líquidos ao longo do dia, não só quando a sede bater (não vale álcool, pois ele não hidrata o corpo);
    • Intercale álcool com água, se for beber, e atente-se à quantidade;
    • Procure sombra e pausas, especialmente no pico de calor.

    2. Saiba reconhecer exaustão pelo calor e insolação (e aja rápido)

    Calor excessivo pode causar desde exaustão até insolação, que é considerada uma emergência. Sinais de alerta incluem temperatura muito alta, confusão, desmaio, pele muito quente, vômitos persistentes e piora rápida.

    O que fazer:

    • Leve a pessoa para um local fresco, afrouxe roupas e ofereça líquidos se ela estiver consciente;
    • Procure atendimento urgente se houver confusão, desmaio, convulsão ou piora progressiva.

    3. Proteja sua pele do sol

    Bloquinho diurno é exposição intensa ao sol, por isso a importância de usar protetor solar, boné ou chapéu, além de óculos. Eles ajudam a reduzir queimaduras e o risco de insolação.

    E sim: suor, atrito e glitter podem irritar a pele, principalmente em quem tem dermatite ou pele sensível. Uma dica simples é testar os produtos que pretende usar antes da folia e evitar “misturinhas” na hora.

    4. Alimente-se com estratégia (para não passar mal no meio do bloco)

    Ficar muitas horas só no salgadinho com um drink aumenta a chance de mal-estar, gastrite ou refluxo e hipoglicemia em pessoas sensíveis.

    Melhores escolhas para aguentar mais:

    • Coma antes de sair. Aqui vale algo que combine carboidrato com proteína;
    • Faça lanches simples ao longo do dia (fruta, iogurte, sanduíche);
    • Não vá em jejum.

    5. Cuidado com comida de procedência duvidosa

    Intoxicação alimentar no Carnaval é mais comum do que parece: calor, manipulação inadequada e alimentos fora de refrigeração são uma combinação ruim.

    • Evite maionese ou cremes fora de refrigeração, ou alimentos com cheiro estranho ou aparência alterada;
    • Fique atento ao gelo de origem desconhecida e à água não tratada, especialmente quando a higiene do local é duvidosa.

    6. Álcool: moderação não é moralismo, mas segurança

    Exagerar aumenta risco de quedas, desidratação, vômitos, desmaio e comportamentos de risco. Para o coração, vale atenção maior se a pessoa já tem arritmia, pressão alta, insuficiência cardíaca ou histórico de desmaio.

    Energético combinado com álcool, por exemplo, pode piorar palpitações em pessoas suscetíveis.

    Se o corpo começou a dar sinais, como náusea, tontura, palpitação e falta de ar, pare e se recupere.

    7. Sexo seguro e prevenção de ISTs

    Aglomeração e encontros casuais aumentam o risco de ISTs. Camisinha segue sendo base, e existe prevenção com medicamentos em situações específicas.

    • Use preservativo: tenha o seu, não conte com a sorte de achar na hora;
    • PEP: se houver uma exposição de risco ao HIV, a profilaxia pós-exposição precisa começar em até 72 horas e é feita por 28 dias. Procure imediatamente um serviço de saúde especializado;
    • PrEP: para quem tem risco contínuo de exposição ao HIV, é uma estratégia preventiva planejada com serviço de saúde.

    8. Se você tem uma condição cardíaca, combine a folia com o autocuidado

    Se a pessoa já sabe que tem problema cardíaco, dá para curtir com mais segurança:

    • Respeite limites de cansaço;
    • Evite álcool e estimulantes, que podem disparar palpitações em alguns casos;
    • Leve seus remédios e mantenha os horários de administração.

    Se sentir dor no peito, falta de ar fora do esperado, desmaio, palpitação com tontura, procure imediatamente um pronto atendimento.

    9. Cuide dos pés

    Bolha, corte e torção podem acabar com a festa. Por isso, por mais que o calçado seja bonito, ele precisa ser funcional e confortável.

    • Use calçado confortável e já “amaciado”;
    • Leve curativo simples se puder;
    • Higienize cortes e observe sinais de infecção (vermelhidão que piora, pus, febre).

    10. Sono e descanso

    Privação de sono piora imunidade, aumenta irritabilidade e eleva o risco de acidentes. Se der para escolher uma coisa para não negociar depois da folia, que seja dormir.

    11. Se ficou doente, recolha-se

    Febre, vômitos, diarreia, dor no corpo importante e tosse intensa pedem pausa e avaliação conforme o caso. Além de cuidar de você, isso reduz transmissão em ambientes lotados.

    Leia mais: HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje

    Perguntas frequentes sobre como curtir o Carnaval com saúde

    1. Hidratação é só água?

    Água é a base. Em calor intenso e muita sudorese, alternar com alimentação e, em alguns casos, reposição de sais pode ajudar, mas o mais importante é não deixar desidratar.

    2. Como diferenciar ressaca de algo mais sério?

    Se houver confusão, desmaio, febre alta, dor no peito, falta de ar, vômitos que não param ou piora rápida, trate como alerta e procure atendimento.

    3. Insolação é perigosa mesmo?

    Sim. Insolação pode ser fatal e exige ação rápida e atendimento.

    4. Camisinha ainda é a melhor prevenção no Carnaval?

    É uma das medidas mais importantes para reduzir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para algumas pessoas, a profilaxia pré-exposição (PrEP) pode ser indicada; e a profilaxia pós-exposição (PEP) existe para situações de exposição recente.

    5. Em quanto tempo posso procurar PEP se aconteceu uma relação de risco?

    A PEP deve ser iniciada em até 72 horas após a exposição e dura 28 dias.

    6. Quem tem arritmia ou pressão alta pode curtir bloquinho?

    Em geral, sim, com bom senso e orientação do cardiologista antes. A pessoa deve priorizar hidratação, pausas, evitar excesso de álcool e estimulantes e respeitar sinais de alerta. Se aparecer dor no peito, desmaio ou falta de ar importante, é hora de parar e avaliar.

    7. Preciso faltar na escola ou trabalho depois do Carnaval para não passar vírus?

    Se você estiver bem, não. Mas se estiver com febre, vômitos, diarreia ou sintomas intensos, vale se poupar e evitar aglomerações para não transmitir.

    Veja também: PrEP e PEP: o que são e como ajudam a prevenir o HIV

  • Por que algumas pessoas têm alergia e outras não? Alergista explica

    Por que algumas pessoas têm alergia e outras não? Alergista explica

    As alergias, sejam respiratórias, alimentares ou cutâneas, podem surgir em qualquer fase da vida — inclusive em pessoas que nunca apresentaram sintomas antes. Mas afinal, por que elas surgem?

    “A alergia é resultado de uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que, para a maioria das pessoas, são inofensivas, como poeira, pólen, alimentos ou pelos de animais”, explica a alergologista e imunologista Brianna Nicoletti.

    A reação pode estar relacionada a fatores genéticos, mas também sofre influência do ambiente, do estilo de vida e da frequência de exposição aos alérgenos. Vamos entender mais, a seguir.

    O que acontece no sistema imunológico de uma pessoa alérgica?

    Em pessoas alérgicas, o sistema imunológico passa a identificar determinadas substâncias como ameaças. Com isso, Brianna explica que ocorre a produção de anticorpos específicos, principalmente a imunoglobulina E (IgE).

    Quando há novo contato com a substância desencadeante, as células do sistema imunológico liberam mediadores inflamatórios, como a histamina — responsável pelo surgimento dos sintomas mais comuns, como coceira, inchaço, vermelhidão, coriza, chiado no peito e tosse.

    Os sintomas podem variar de intensidade e duração, dependendo do tipo de alergia, da quantidade de exposição ao alérgeno e da sensibilidade de cada pessoa.

    Em algumas pessoas, as reações são leves e passam rápido. Em outras, os sintomas aparecem com frequência e acabam atrapalhando o sono, o trabalho e as atividades do dia a dia.

    Por que surgem as alergias?

    As alergias surgem a partir da combinação de diferentes fatores que influenciam o funcionamento do sistema imunológico.

    Predisposição genética

    Pessoas com histórico familiar de alergias têm maior chance de desenvolver o problema. Quando pais ou irmãos apresentam rinite, asma, dermatite ou alergia alimentar, o organismo tende a reagir com mais facilidade a determinadas substâncias.

    “No entanto, elas podem surgir mesmo sem histórico familiar, pois fatores ambientais têm grande peso na ativação dessa predisposição”, complementa Brianna.

    Exposição frequente aos alérgenos

    O contato repetido com a substância que causa alergia aumenta a chance de sensibilização. Ambientes com muita poeira, mofo, poluição ou presença constante de pelos de animais, por exemplo, favorecem o surgimento dos sintomas.

    Fatores ambientais

    Segundo Brianna, ambientes urbanos, com maior poluição, menos contato com natureza, excesso de produtos químicos e maior exposição a alérgenos internos, como ácaros, favorecem o desenvolvimento de doenças alérgicas.

    Mudanças ao longo da vida

    Fatores como alterações hormonais, infecções, uso de medicamentos, estresse e mudanças de ambiente podem modificar a resposta do sistema imunológico. Por isso, a alergia pode surgir mesmo em pessoas que nunca tiveram sintomas antes.

    Estilo de vida

    Hábitos como alimentação inadequada, sono irregular e exposição constante a produtos químicos ou fragrâncias fortes também podem contribuir para o aparecimento ou piora dos quadros alérgicos.

    Por que a alergia pode surgir em momentos diferentes da vida?

    O sistema imunológico é influenciado por vários fatores ao longo da vida. Algumas pessoas já nascem com maior predisposição genética, o que facilita o aparecimento de alergias desde cedo.

    Com o passar do tempo, outros fatores podem surgir, como mudanças no ambiente, novas exposições a substâncias alergênicas, infecções, uso de medicamentos, estresse e alterações hormonais.

    Tudo isso pode modificar a forma como o organismo reage, fazendo com que a alergia apareça apenas na vida adulta, mesmo em quem nunca teve sintomas antes.

    É possível prevenir alergias ou reduzir o risco de desenvolvê-las?

    Não é possível garantir prevenção total das alergias, mas algumas medidas ajudam a reduzir o risco e a controlar melhor os sintomas ao longo da vida:

    • Manter o aleitamento materno exclusivo, sempre que possível;
    • Introdução alimentar no momento adequado, com orientação profissional;
    • Evitar exposição ao fumo, inclusive fumaça de cigarro no ambiente;
    • Manter os ambientes bem arejados;
    • Reduzir umidade e mofo dentro de casa;
    • Tratar precocemente condições como dermatite e rinite;
    • Estimular hábitos de vida saudáveis, com boa alimentação, sono adequado e rotina equilibrada.

    Os hábitos contribuem para um sistema imunológico mais equilibrado e ajudam a diminuir a frequência e a intensidade das crises alérgicas.

    Veja também: Alergia infantil: quando suspeitar e quais sinais você deve ficar atento

    Perguntas frequentes

    1. Por que o corpo ataca algo inofensivo?

    O sistema imune confunde uma proteína comum (chamada de alérgeno) com um invasor perigoso, como uma bactéria ou um vírus. Para “defender” o organismo, ele libera anticorpos e substâncias inflamatórias.

    2. Por que as alergias estão aumentando no mundo?

    Existem várias teorias, mas as principais envolvem o aumento da poluição, mudanças na dieta processada e a Hipótese da Higiene.

    3. O que diz a hipótese da higiene?

    A hipótese da higiene explica que o sistema imunológico precisa de contato com microrganismos logo nos primeiros anos de vida para aprender a reagir de forma equilibrada.

    Quando o ambiente é excessivamente limpo, com pouco contato com bactérias, vírus e outros microrganismos naturais, o sistema de defesa pode “ficar sem treino”.

    Como resultado, ele passa a reagir de forma exagerada a substâncias inofensivas, como poeira, pólen ou alimentos, favorecendo o surgimento de alergias.

    4. Quais são os alérgenos mais comuns?

    Os alérgenos mais comuns no dia a dia são:

    • Aéreos: ácaros, pólen, fungos e pelos de animais;
    • Alimentares: leite, ovos, amendoim, frutos do mar e glúten;
    • Contato: níquel (bijuterias), látex e fragrâncias.

    5. Como saber se sou alérgico ou se é apenas um resfriado?

    O resfriado costuma vir acompanhado de febre baixa e dores no corpo, durando cerca de uma semana. A alergia não causa febre e os sintomas (coriza clara, coceira e espirros) persistem enquanto você estiver exposto ao gatilho.

    6. Por que uma mesma substância causa alergia em algumas pessoas e nenhuma reação em outras?

    Isso acontece porque o sistema imunológico funciona de maneira diferente em cada pessoa. Os fatores genéticos influenciam a forma como o organismo reage, assim como o momento do contato, a quantidade da substância e o estado geral de saúde.

    Para a maioria das pessoas, poeira, alimentos ou pólen não causam qualquer reação. Em outras, o organismo interpreta essas substâncias como uma ameaça e desencadeia uma resposta exagerada, dando origem aos sintomas alérgicos.

    7. Por que algumas alergias desaparecem sozinhas com a idade?

    Isso é comum com alergias alimentares na infância (como leite e ovo). À medida que o sistema imunológico e o trato digestivo amadurecem, o corpo pode aprender que aquelas proteínas não são ameaças, desenvolvendo uma tolerância natural.

    8. Amamentar ajuda a prevenir alergias no bebê?

    Sim, o leite materno contém anticorpos e fatores que ajudam a “selar” o revestimento do intestino do bebê e a treinar o sistema imunológico, reduzindo o risco de asma e dermatites.

    Veja também: Alergias em crianças: como a escola deve lidar?

  • Farmácia de viagem: o que levar para evitar imprevistos de saúde 

    Farmácia de viagem: o que levar para evitar imprevistos de saúde 

    Ao viajar para locais longe de casa, seja para praias, áreas rurais, trilhas ou até para outros países, é muito importante levar uma farmácia de viagem com itens básicos para lidar com imprevistos de saúde.

    Pequenos problemas como dor, febre, enjoo ou ferimentos leves são comuns durante viagens e, quando bem manejados, evitam desconforto maior e a necessidade de buscar atendimento médico imediato.

    A farmácia de viagem deve ser adaptada ao tipo de destino, à duração da viagem e às condições de saúde dos viajantes. O ideal é incluir medicamentos sintomáticos, itens de higiene e materiais para primeiros socorros.

    Medicamentos para tratar sintomas

    É recomendável levar medicamentos para tratar sintomas comuns que podem surgir durante a viagem. Porém, é importante conversar com o médico antes para entender quais medicamentos você pode, individualmente, usar nesses casos.

    Antitérmicos e analgésicos

    Medicamentos como dipirona ou paracetamol são úteis tanto para controle de febre quanto para dores em geral. São especialmente importantes em casos de resfriados, infecções virais leves, intoxicações alimentares e gastroenterites, situações relativamente frequentes em viagens.

    Medicamentos para enjoo e náuseas

    Enjoos são comuns em viagens longas, cruzeiros, trajetos de ônibus ou avião. Medicamentos como ondansetrona, metoclopramida e dimenidrinato ajudam no controle das náuseas e vômitos.

    Anti-inflamatórios e analgésicos musculares

    Em viagens que envolvem caminhadas, trilhas, esportes ou longos períodos andando, é útil levar anti-inflamatórios prescritos pelo médico.

    Além disso, géis ou pomadas anti-inflamatórias podem ser aplicados localmente em casos de dores musculares ou articulares.

    Sintomas respiratórios leves e dor de garganta

    Para gripes e resfriados, além dos antitérmicos, antialérgicos como loratadina ajudam a aliviar coriza e congestão nasal. Pastilhas para dor de garganta também auxiliam no alívio do desconforto.

    Alterações intestinais

    Para constipação intestinal, medicamentos como lactulose e bisacodil podem ser úteis, especialmente em viagens com mudança de rotina alimentar. Converse com seu médico.

    Dores abdominais e gases

    Dores abdominais leves podem ser controladas com analgésicos simples e antiespasmódicos, como a escopolamina. Quando associadas a gases, a simeticona costuma trazer bom alívio.

    Produtos de higiene e proteção

    Alguns itens são indispensáveis para prevenir problemas de saúde durante a viagem:

    • Protetor solar, especialmente em ambientes com exposição solar intensa, como praias, piscinas e áreas abertas;
    • Repelente de insetos, dependendo do destino, para prevenção de picadas.

    Esses produtos ajudam a evitar queimaduras solares e doenças transmitidas por insetos.

    Materiais para primeiros socorros

    Para pequenos cortes, arranhões e machucados, é importante incluir na farmácia de viagem:

    • Algodão;
    • Álcool 70%;
    • Gazes;
    • Curativos adesivos.

    Esses itens permitem realizar a limpeza local e fazer um curativo provisório, reduzindo o risco de infecção até avaliação médica, se necessário.

    Medicamentos de uso contínuo

    Pessoas com doenças crônicas que fazem uso regular de medicamentos devem levar quantidade suficiente para todo o período da viagem, preferencialmente com uma margem extra, caso algum comprimido seja perdido ou danificado.

    Em viagens para outros estados ou para o exterior, é altamente recomendável portar:

    • Receita médica dos medicamentos em uso;
    • Lista com os nomes dos medicamentos e doses.

    Isso facilita a comprovação do uso, a reposição em farmácias e evita problemas em aeroportos ou alfândegas.

    Tranquilidade para a viagem

    Uma farmácia de viagem bem planejada traz segurança, conforto e tranquilidade. Ela permite lidar com situações comuns sem comprometer o aproveitamento do passeio.

    Sempre que possível, a escolha dos itens deve ser individualizada, considerando idade, condições de saúde e destino da viagem.

    Veja mais: Vai tirar férias? Veja dicas para descansar a mente de verdade

    Perguntas frequentes sobre farmácia de viagem

    1. Preciso levar antibiótico na farmácia de viagem?

    Antibióticos não devem ser usados sem prescrição médica. Só devem ser incluídos se houver orientação específica.

    2. Posso levar medicamentos na bagagem de mão?

    Sim, especialmente medicamentos de uso contínuo. Em viagens internacionais, é recomendável levar receita médica.

    3. Crianças precisam de uma farmácia diferente?

    Sim. As doses e formulações devem ser adequadas para a idade e o peso da criança.

    4. Repelente é obrigatório?

    Depende do destino. Em áreas com alta incidência de insetos ou doenças transmitidas por mosquitos, é altamente recomendado.

    5. Quanto de medicamento devo levar?

    O suficiente para todo o período da viagem, com pequena margem de segurança.

    6. Posso montar uma farmácia padrão para todas as viagens?

    Não é o ideal. O conteúdo deve variar conforme o destino, clima e atividades planejadas.

    7. Quando procurar atendimento médico durante a viagem?

    Se houver febre persistente, dor intensa, sinais de desidratação, piora rápida dos sintomas ou qualquer situação que gere preocupação.

    Confira: Vai para a praia? Cuidado com a intoxicação alimentar

  • Falta de sono pode te deixar mais doente 

    Falta de sono pode te deixar mais doente 

    Dormir bem não é apenas importante para manter a disposição e a concentração ao longo do dia. O sono é um dos pilares da saúde do sistema imunológico. Quando dormimos pouco, mal ou de forma irregular, o corpo perde parte da sua capacidade natural de defesa contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.

    Diversos estudos mostram que pessoas com privação de sono têm maior probabilidade de adoecer após exposição a vírus respiratórios, como os da gripe ou do resfriado comum.

    Isso acontece porque o sono participa da regulação das respostas imunes, da inflamação e da produção de células de defesa. Ou seja, dormir mal não é apenas um problema de cansaço — é também um fator de risco para infecções.

    Como o sono se relaciona com o sistema imunológico?

    Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, o organismo realiza processos fundamentais para manter a imunidade equilibrada e eficiente.

    • Produção e liberação de citocinas, proteínas que coordenam a resposta contra infecções;
    • Ativação e fortalecimento de células de defesa, como linfócitos T e B;
    • Regulação do equilíbrio entre resposta inflamatória e anti-inflamatória;
    • Recuperação dos tecidos e redução do estresse fisiológico.

    Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, esses mecanismos ficam comprometidos, enfraquecendo as defesas do organismo.

    O que acontece no corpo quando dormimos mal?

    A privação de sono desencadeia uma série de alterações que podem favorecer infecções.

    1. Redução das células de defesa

    Dormir pouco reduz a eficácia dos linfócitos, responsáveis por identificar e combater microrganismos invasores. Com isso, o corpo fica menos preparado para reagir a vírus e bactérias.

    2. Aumento da inflamação

    A falta de sono eleva os níveis de marcadores inflamatórios no sangue, como a proteína C-reativa (PCR). Esse estado inflamatório persistente pode enfraquecer o sistema imune e piorar doenças já existentes.

    3. Maior liberação de cortisol (hormônio do estresse)

    Dormir mal aumenta a produção de cortisol. Em excesso, esse hormônio pode suprimir a resposta imunológica e reduzir a capacidade do corpo de combater infecções.

    Quem está mais vulnerável?

    Embora qualquer pessoa possa ser impactada pela falta de sono, alguns grupos são mais suscetíveis:

    • Pessoas com insônia crônica ou distúrbios do sono;
    • Trabalhadores em turnos noturnos;
    • Estudantes em períodos de provas;
    • Indivíduos com alto nível de estresse;
    • Idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Nessas populações, o impacto da privação de sono pode ser ainda mais significativo para a imunidade.

    Quanto sono é considerado adequado?

    As recomendações gerais variam de acordo com a idade:

    • Adultos: 7 a 9 horas por noite;
    • Adolescentes: 8 a 10 horas;
    • Crianças: 9 a 12 horas, dependendo da idade.

    Dormir menos do que o recomendado de forma recorrente já pode comprometer o funcionamento do sistema imunológico.

    O que fazer para melhorar o sono e proteger a imunidade?

    Adotar hábitos simples pode fazer grande diferença tanto na qualidade do sono quanto na proteção contra infecções.

    1. Criar uma rotina de sono

    • Deitar e acordar no mesmo horário todos os dias;
    • Evitar telas (celular, TV, computador) pelo menos 1 hora antes de dormir.

    2. Melhorar o ambiente de sono

    • Quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
    • Colchão e travesseiros confortáveis.

    3. Cuidar da alimentação e do estilo de vida

    • Evitar cafeína, álcool e refeições pesadas à noite;
    • Praticar atividade física regularmente (mas não muito perto da hora de dormir).

    4. Gerenciar o estresse

    • Técnicas de relaxamento, como respiração profunda ou meditação;
    • Psicoterapia, se houver ansiedade ou insônia persistente.

    Melhorar a qualidade do sono é uma das estratégias mais simples — e eficazes — para fortalecer o sistema imunológico no dia a dia.

    Veja mais: Sono leve ou agitado? Veja 7 hábitos noturnos que podem ser os culpados

    Perguntas frequentes sobre dormir mal e imunidade

    1. Dormir mal realmente aumenta o risco de gripe?

    Sim. Estudos mostram que a privação de sono reduz a capacidade do organismo de reagir a vírus respiratórios.

    2. Uma noite mal dormida já prejudica a imunidade?

    Uma noite isolada pode causar impacto leve, mas o risco maior ocorre quando a privação se torna frequente.

    3. Dormir demais faz mal?

    O texto aborda principalmente a privação de sono. O excesso de sono também deve ser avaliado caso esteja associado a outros sintomas.

    4. O estresse influencia a imunidade?

    Sim. O aumento do cortisol relacionado ao estresse pode suprimir a resposta imunológica.

    5. Crianças que dormem pouco ficam mais doentes?

    Podem ficar, já que o sono adequado é fundamental para o desenvolvimento e a maturação do sistema imune.

    6. Insônia precisa de tratamento médico?

    Se for persistente e afetar a qualidade de vida, deve ser avaliada por um profissional de saúde.

    7. Melhorar o sono reduz o risco de infecções?

    Sim. Sono adequado ajuda a manter a resposta imune equilibrada e eficiente.

    Confira também: Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

  • Infecção hospitalar: o que é, tipos e quais os cuidados necessários para evitar

    Infecção hospitalar: o que é, tipos e quais os cuidados necessários para evitar

    Você já ouviu falar em infecções hospitalares? Também chamadas de IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde), elas surgem durante a internação ou como consequência direta dos cuidados recebidos em hospitais, clínicas, pronto-socorros ou outros serviços de saúde.

    Basicamente, elas não estavam presentes no momento da admissão da pessoa e podem surgir tanto durante o período de internação quanto dias após a alta.

    No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que entre 5% e 14% dos pacientes internados desenvolvem algum tipo de infecção hospitalar — sendo um dos principais desafios de segurança do sistema de saúde.

    Afinal, o que é infecção hospitalar e como surge?

    As infecções hospitalares são infecções que surgem durante a internação ou após a realização de cuidados em hospitais, clínicas e outros serviços de saúde.

    Elas surgem quando microrganismos, como bactérias, vírus ou fungos, entram no organismo por portas de entrada criadas durante o tratamento, como cateteres, sondas, drenos, feridas cirúrgicas ou aparelhos de respiração.

    O risco aumenta porque muitos pacientes estão com a imunidade mais baixa e porque o hospital concentra microrganismos mais resistentes, que podem se espalhar pelo contato com mãos, equipamentos e superfícies.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, elas permanecem um desafio devido à complexidade dos pacientes, uso de dispositivos invasivos e aumento da resistência bacteriana.

    Quem tem mais risco de ter uma infecção hospitalar?

    Por terem o sistema imunológico mais frágil ou por necessitarem de cuidados mais intensivos, algumas pessoas apresentam um risco maior de desenvolver infecções hospitalares, sendo elas:

    • Idosos;
    • Recém-nascidos, especialmente prematuros;
    • Pessoas com imunidade baixa ou em uso de medicamentos imunossupressores;
    • Pessoas com diabetes;
    • Pacientes com doenças crônicas;
    • Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI).

    Nesses grupos, a atenção à prevenção e à identificação precoce de sinais de infecção precisa ser ainda maior.

    Quais tipos de infecção hospitalar são mais comuns?

    As infecções mais comuns normalmente estão associadas ao uso de dispositivos invasivos e a procedimentos realizados durante a internação. Giovanni aponta os principais:

    • Infecção urinária associada ao uso de cateter, comum em pacientes que utilizam sonda vesical por vários dias;
    • Pneumonia associada à ventilação mecânica, que pode ocorrer em pacientes que precisam de aparelhos para ajudar na respiração;
    • Infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso, quando bactérias entram na circulação por meio de cateteres;
    • Infecção de sítio cirúrgico, que surge após cirurgias e pode atingir a pele, os tecidos mais profundos ou órgãos operados.

    “Cateteres, ventilação mecânica, drenos e cirurgias aumentam portas de entrada, e quanto maior o tempo de internação, maior a chance de colonização por microrganismos hospitalares e exposições repetidas”, explica o cardiologista.

    O uso excessivo ou mal indicado de antibióticos também contribui para infecções mais difíceis de tratar, pois favorece a seleção de bactérias resistentes e aumenta o risco de eventos como a infecção por Clostridioides difficile, o que torna o tratamento mais longo e complexo.

    Como as infecções hospitalares se espalham no ambiente de saúde

    As infecções hospitalares se espalham principalmente pelo contato, e algumas das formas mais comuns de transmissão incluem mãos não higienizadas, equipamentos compartilhados entre pacientes e superfícies contaminadas.

    Os microrganismos presentes em um paciente podem passar para outro quando não há limpeza adequada das mãos ou dos materiais utilizados.

    Além disso, procedimentos invasivos, como uso de cateteres, sondas, drenos e aparelhos de respiração, criam portas de entrada para bactérias, vírus e fungos.

    Para completar, o ambiente hospitalar também concentra microrganismos mais resistentes, que conseguem sobreviver por mais tempo em superfícies e se espalhar com facilidade se os protocolos de higiene não forem seguidos corretamente.

    Como evitar as infecções hospitalares?

    Os cuidados para prevenir as infecções envolve tanto os profissionais de saúde quanto os familiares. Algumas medidas simples, quando seguidas corretamente, reduzem de forma significativa o risco de transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar.

    Entre alguns dos cuidados, estão:

    • Higiene adequada das mãos, com água e sabonete ou álcool em gel, antes e depois do contato com o paciente;
    • Uso correto de equipamentos de proteção, como luvas, aventais e máscaras, conforme orientação da equipe de saúde;
    • Cuidados rigorosos com cateteres, sondas, drenos e curativos, evitando manipulação desnecessária;
    • Avaliação diária da necessidade de dispositivos invasivos, retirando-os o mais cedo possível;
    • Uso responsável de antibióticos, apenas quando indicados e pelo tempo correto;
    • Limpeza e desinfecção adequadas de superfícies e equipamentos;
    • Participação do paciente e da família, mantendo as mãos higienizadas e seguindo as orientações recebidas.

    “Muitos microrganismos se espalham por mãos não higienizadas e por uso inadequado de equipamentos entre pacientes. Campanhas e auditorias de adesão fazem parte do núcleo de prevenção em serviços de saúde”, esclarece Giovanni.

    O que pacientes devem observar durante a internação?

    Durante a internação, o paciente pode ajudar na prevenção de infecções hospitalares observando sinais simples e seguindo orientações da equipe de saúde, como manter as mãos limpas, antes das refeições e após usar o banheiro.

    Caso perceba dor, vermelhidão, secreção, febre ou qualquer mudança no próprio estado de saúde, o paciente deve avisar a equipe imediatamente.

    Pós-alta hospitalar: como identificar uma infecção?

    Algumas infecções hospitalares podem se manifestar somente após a alta. Por isso, é importante ficar atento a sinais e sintomas que merecem avaliação médica, como:

    Sinais gerais

    • Febre persistente;
    • Calafrios;
    • Mal-estar intenso ou cansaço fora do habitual.

    Alterações na ferida cirúrgica

    • Vermelhidão progressiva ao redor do corte;
    • Dor intensa ou aumento da sensibilidade;
    • Calor local;
    • Presença de secreção ou pus;
    • Abertura dos pontos.

    Sinais urinários, especialmente após uso de sonda

    • Ardor ao urinar;
    • Urgência urinária;
    • Dor lombar;
    • Febre.

    Sinais respiratórios

    • Falta de ar;
    • Tosse com secreção;
    • Febre após internação recente/

    Alterações intestinais

    Diarreia intensa ou persistente após uso de antibióticos ou internação prolongada, podendo indicar infecção por Clostridioides difficile

    Na presença de qualquer um dos sinais, procure atendimento médico o quanto antes. As infecções exigem acompanhamento cuidadoso, pois podem se agravar rapidamente se não forem identificadas e tratadas de forma adequada.

    Infecções hospitalares têm tratamento?

    As infecções hospitalares podem ser tratadas, mas o tipo de tratamento varia conforme a infecção, o microrganismo responsável e o estado de saúde do paciente.

    Em muitos casos, são usados antibióticos, antivirais ou antifúngicos, escolhidos após exames que identificam qual germe está causando a infecção.

    Quando a infecção envolve bactérias resistentes, o tratamento costuma ser mais demorado, pode exigir medicamentos mais fortes e, em alguns casos, um período maior de internação.

    Por isso, a prevenção continua sendo a melhor maneira de evitar complicações, reduzir o tempo no hospital e proteger a saúde do paciente.

    Confira: Como a alimentação influencia o sistema imunológico (e fortalece as defesas do corpo)

    Perguntas frequentes

    1. O que é uma “superbactéria”?

    São bactérias que, de tanto serem expostas a antibióticos em ambiente hospitalar, sofreram mutações e se tornaram resistentes à maioria dos remédios comuns. Elas não são necessariamente “mais agressivas”, mas são muito mais difíceis de tratar.

    2. O ar-condicionado do hospital transmite infecção?

    Os hospitais possuem filtros especiais (HEPA) que limpam o ar em áreas críticas como centros cirúrgicos. O risco maior não está no ar, mas no contato físico e em objetos compartilhados.

    3. O que é “infecção de sítio cirúrgico”?

    É a infecção que acontece exatamente onde foi feita a cirurgia. Ela pode ser superficial (na pele) ou profunda (atingindo órgãos). É uma das causas mais comuns de reidratação hospitalar após a alta.

    4. O que fazer se eu suspeitar que peguei uma infecção no hospital?

    Não tente se automedicar com antibióticos que sobraram de outras vezes. Entre em contato imediato com o médico que fez o procedimento ou procure o pronto-socorro da mesma instituição onde você foi atendido.

    5. Por que os médicos pedem para tirar o esmalte antes de uma cirurgia?

    O esmalte (principalmente os escuros) impede que o aparelho de oximetria meça corretamente o oxigênio no sangue. Além disso, as unhas naturais ajudam o médico a perceber rapidamente sinais de má circulação ou infecção.

    6. Posso pegar uma infecção hospitalar em um exame simples?

    É raro, mas pode acontecer. Qualquer procedimento que envolva furos, cortes ou introdução de aparelhos no corpo pode abrir caminho para bactérias se os protocolos de higiene não forem seguidos à risca.

    Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

  • Excesso de exercícios físicos faz mal ao coração? Conheça os riscos

    Excesso de exercícios físicos faz mal ao coração? Conheça os riscos

    Não é um segredo que a prática regular de atividades físicas é uma das principais medidas para ter uma vida mais saudável. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana para adultos, o que contribui para reduzir o risco de doenças crônicas e melhorar a saúde cardiovascular.

    Mas se você é uma daquelas pessoas que acaba exagerando nas horas na academia, pensando que vai alcançar resultados de forma mais rápida, vale explicar que existe um limite fisiológico para qualquer corpo. O excesso de exercícios não é bom.

    Quando a rotina de exercícios ultrapassa a capacidade de recuperação, surge um quadro conhecido como overtraining, capaz de provocar fadiga persistente, queda de desempenho e alterações cardiovasculares preocupantes.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para esclarecer como o excesso de exercícios físicos impacta o coração, quais sinais merecem atenção e como montar uma rotina segura.

    Como o treino em excesso afeta o coração?

    Quando a estimulação do treino acontece de forma repetida e diária, o organismo passa a operar em estado de estresse contínuo. O coração, que é um músculo altamente responsivo a variações de intensidade, é submetido a uma sobrecarga progressiva.

    Isso altera o padrão de funcionamento e pode provocar impactos que vão muito além da simples fadiga, sobretudo em pessoas predispostas, como:

    • Aumento contínuo da frequência cardíaca: treinos intensos repetidos sem descanso mantêm o coração em estado de alerta. A frequência cardíaca permanece elevada mesmo em repouso, indicando esforço excessivo do músculo cardíaco para lidar com a sobrecarga diária;
    • Elevação sustentada de hormônios do estresse: cortisol e adrenalina aumentam de forma contínua quando não há recuperação adequada. Esses hormônios aceleram batimentos, favorecem arritmias transitórias e estimulam um estado de hiperativação que prejudica o sistema cardiovascular;
    • Risco maior de arritmias: o estresse fisiológico prolongado, somado à fadiga muscular e à inflamação, pode desencadear batimentos irregulares, palpitações e alterações na condução elétrica do coração, principalmente em pessoas predispostas;
    • Inflamação acumulada no músculo cardíaco: o exercício intenso provoca microlesões naturais. Sem descanso, o organismo não consegue reparar danos, e a inflamação se mantém elevada;
    • Oscilações de pressão arterial: picos repetidos de esforço vigoroso podem elevar a pressão sistólica de maneira exagerada. Com semanas de sobrecarga, podem surgir tonturas ou sensação de descompasso;
    • Queda da capacidade de adaptação cardiovascular: o corpo perde eficiência para lidar com novos estímulos. O coração demora mais para normalizar frequência e pressão após exercícios, indicando estresse cumulativo.

    “O treino exagerado (lembrando que o coração é um músculo) pode promover uma hipertrofia, um crescimento desse coração. E a partir do momento que essa hipertrofia ultrapassa a capacidade de adaptação fisiológica do organismo, ela passa do ponto benéfico e pode se tornar patológico, podendo prejudicar o funcionamento cardiovascular”, explica Juliana.

    Treino em excesso é perigoso para quem tem problemas cardiovasculares?

    O treino em excesso aumenta a demanda cardíaca em um ritmo que nem sempre o organismo consegue acompanhar, o que se torna especialmente perigoso para indivíduos com doenças cardiovasculares.

    Quem convive com hipertensão, arritmias, histórico de infarto, insuficiência cardíaca ou lesões nas artérias coronárias tende a apresentar respostas exageradas ao esforço quando ultrapassa o próprio limite.

    Por isso, cardiologistas orientam que indivíduos com doenças cardíacas pratiquem exercícios de maneira estruturada, com progressão gradual, monitorização constante e intervalos adequados de descanso.

    E quando se torna overtraining?

    O overtraining é um estado de exaustão física e fisiológica que surge quando a carga de treino ultrapassa a capacidade de recuperação do organismo por um período prolongado. Ele não aparece de um dia para o outro: o processo se instala após semanas ou meses de carga elevada associada a descanso insuficiente, sono irregular, alimentação inadequada ou estresse emocional.

    Com o tempo, o corpo passa a operar em modo de alerta permanente, com liberação contínua de hormônios ligados ao estresse e queda progressiva da eficiência metabólica.

    Sintomas do overtraining para ficar atento

    • Aumento anormal da frequência cardíaca em repouso;
    • Batimentos irregulares ou sensação de coração acelerado;
    • Cansaço intenso que não melhora mesmo após descanso;
    • Diminuição do desempenho;
    • Recuperação muito demorada entre treinos;
    • Dor, pressão ou aperto no peito durante o exercício.

    Quando os sinais aparecem, é recomendado reduzir a intensidade e reorganizar a rotina de descanso. Ignorar esses alertas pode transformar o treinamento em fonte de risco.

    Qual a quantidade recomendada de atividades físicas?

    De forma geral, as recomendações da Organização Mundial da Saúde para adultos são:

    • 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada, como caminhada acelerada, bicicleta leve ou natação confortável;
    • ou 75 a 150 minutos por semana de atividade vigorosa, como corrida, ciclismo rápido ou esportes de alta intensidade;
    • exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.

    A combinação entre atividades aeróbicas e treinos de força ajuda a preservar massa magra e melhorar a capacidade cardiorrespiratória.

    Se você convive com doenças crônicas ou histórico cardiovascular, o ideal é buscar orientação médica antes de definir intensidade e volume de treino.

    Como evitar o excesso de treino?

    • Progredir devagar, evitando aumentos bruscos de carga;
    • Alternar dias intensos com treinos leves;
    • Incluir dias de descanso real na rotina;
    • Dormir bem e manter alimentação compatível com o gasto energético;
    • Observar sinais do próprio corpo;
    • Acompanhar frequência cardíaca e desempenho;
    • Incluir técnicas de recuperação, como alongamentos e mobilidade.

    Consultar um educador físico antes de iniciar uma rotina também é uma forma segura de estruturar treinos e prevenir sobrecarga cardiovascular.

    Veja mais: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

    Perguntas frequentes

    Overtraining acontece apenas com atletas profissionais?

    Não. Pessoas comuns que treinam sem descanso adequado também podem desenvolver o quadro.

    Como distinguir cansaço normal de fadiga do overtraining?

    O cansaço comum melhora com descanso. Já o overtraining provoca fadiga persistente, queda de desempenho e alterações no humor mesmo após repouso.

    Treinar todos os dias faz mal ao coração?

    Treinos regulares fortalecem o coração, mas atividades intensas diárias sem recuperação podem gerar sobrecarga cardiovascular.

    Treino excessivo pode causar dor no peito?

    Sim. O esforço exagerado aumenta a demanda de oxigênio do coração e pode provocar desconforto torácico, principalmente em pessoas predispostas.

    O coração pode “crescer demais” com treino?

    O exercício pode causar hipertrofia fisiológica benéfica, mas quando ultrapassa o limite de adaptação, pode se tornar prejudicial.

    Quem tem problema cardíaco pode treinar?

    Sim, mas com orientação médica, progressão gradual e monitoramento adequado.

    Qual é o principal sinal de alerta?

    Frequência cardíaca elevada em repouso associada a fadiga persistente e queda de desempenho.

    Confira: 13 benefícios do exercício físico para a saúde (e como começar a treinar)

  • Desmaio por emoção ou susto: por que isso acontece? 

    Desmaio por emoção ou susto: por que isso acontece? 

    É comum ver pessoas que desmaiam ao receberem uma notícia chocante, levarem um susto repentino ou passarem por uma emoção muito forte. Apesar de assustador, esse tipo de episódio, na maioria das vezes, tem uma explicação fisiológica clara e está relacionado à chamada síncope vasovagal.

    A síncope vasovagal é a causa mais frequente de desmaio em pessoas saudáveis. Ela acontece quando o sistema nervoso reage de forma exagerada a um estímulo emocional ou físico, provocando uma queda súbita da pressão arterial e, às vezes, da frequência cardíaca. Com menos sangue chegando ao cérebro por alguns segundos, ocorre a perda temporária da consciência.

    O que é a síncope vasovagal

    A síncope vasovagal é um tipo de desmaio provocado por um reflexo do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções automáticas como batimentos cardíacos, pressão arterial e respiração.

    Nesse tipo de desmaio, dois mecanismos principais acontecem ao mesmo tempo:

    • Vasodilatação (vasodepressão): os vasos sanguíneos se dilatam de forma abrupta, fazendo a pressão arterial cair;
    • Bradicardia (cardioinibição): o coração pode bater mais devagar do que o esperado naquele momento.

    Essa combinação reduz temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro, levando ao desmaio.

    Por que o susto ou a emoção desencadeiam o desmaio?

    Situações de medo, ansiedade, susto ou emoção intensa ativam fortemente o sistema nervoso. Em pessoas predispostas, essa ativação pode, paradoxalmente, desencadear o reflexo vasovagal.

    Entre os gatilhos mais comuns estão:

    • Receber uma notícia chocante ou traumática;
    • Ver sangue ou passar por procedimentos médicos;
    • Ter medo intenso ou pânico repentino;
    • Ficar muito ansioso ou estressado;
    • Permanecer muito tempo em pé em ambiente quente.

    Nessas circunstâncias, o corpo reage de forma exagerada, causando queda súbita da pressão arterial e possível desmaio.

    O que a pessoa sente antes de desmaiar?

    Na maioria dos casos, o desmaio não acontece de forma totalmente inesperada. Antes de perder a consciência, muitas pessoas apresentam sinais de alerta, chamados pródromos.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Tontura ou sensação de cabeça leve;
    • Suor frio;
    • Palidez;
    • Náuseas;
    • Visão embaçada ou escurecimento visual;
    • Zumbido no ouvido;
    • Sensação de fraqueza nas pernas.

    Esses sinais indicam que o desmaio pode estar prestes a acontecer. Ao percebê-los, a pessoa deve tentar sentar ou deitar imediatamente para evitar quedas e traumas.

    O que acontece durante e depois do desmaio?

    A síncope vasovagal geralmente dura poucos segundos e raramente ultrapassa 1 a 2 minutos. Quando a pessoa cai ou se deita, o fluxo sanguíneo para o cérebro melhora rapidamente, permitindo a recuperação espontânea da consciência.

    Após o episódio, é comum sentir:

    • Cansaço ou sonolência;
    • Confusão leve e passageira;
    • Mal-estar geral.

    Esses sintomas costumam melhorar gradualmente em pouco tempo.

    Quando devo me preocupar?

    Na maior parte das vezes, a síncope vasovagal é benigna. Ainda assim, é importante procurar avaliação médica se:

    • Os desmaios forem frequentes;
    • Ocorrerem sem sintomas prévios;
    • Acontecerem durante exercício físico;
    • Houver histórico de doença cardíaca;
    • A pessoa se machucar durante a queda.

    Nessas situações, é fundamental investigar outras possíveis causas de desmaio, como alterações cardíacas ou neurológicas.

    Como prevenir novos episódios

    Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de novos episódios de síncope vasovagal:

    • Evitar ficar muito tempo em pé sem se movimentar;
    • Manter boa hidratação;
    • Evitar ambientes muito quentes;
    • Ao perceber os primeiros sintomas, sentar ou deitar imediatamente;
    • Seguir orientações médicas específicas em casos recorrentes.

    Em pessoas com episódios frequentes, o médico pode indicar estratégias adicionais para controle.

    Confira: Pressão arterial oscilante: o que pode causar e quando é perigoso

    Perguntas frequentes sobre síncope vasovagal

    1. Síncope vasovagal é perigosa?

    Na maioria dos casos, não. Ela é considerada benigna, mas deve ser avaliada se ocorrer repetidamente ou em situações atípicas.

    2. Desmaio por susto é sempre síncope vasovagal?

    Nem sempre, mas é a causa mais comum quando ocorre após emoção intensa.

    3. É possível evitar o desmaio?

    Sim. Ao perceber os sintomas iniciais, deitar-se ou sentar-se pode evitar a perda de consciência.

    4. Quem tem síncope vasovagal tem problema no coração?

    Geralmente não. A síncope vasovagal ocorre por reflexo do sistema nervoso, não por doença cardíaca estrutural.

    5. Pode acontecer mais de uma vez?

    Sim. Algumas pessoas são mais predispostas e podem ter episódios recorrentes.

    6. Crianças e adolescentes podem ter?

    Sim. A síncope vasovagal é comum em jovens e adultos jovens.

    7. Precisa fazer exames?

    Depende do contexto. Quando há fatores de risco ou sinais de alerta, exames podem ser solicitados para descartar outras causas.

    Veja mais: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico