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  • Rash no rosto e dor nas articulações: pode ser lúpus? Entenda mais

    Rash no rosto e dor nas articulações: pode ser lúpus? Entenda mais

    Cansaço persistente, dores nas articulações, manchas avermelhadas no rosto que pioram após exposição ao sol. Esses sintomas podem parecer isolados ou até confundidos com outras condições comuns. Mas, quando aparecem de forma recorrente e associada, podem ser sinais de uma doença autoimune chamada lúpus.

    A doença é conhecida por seu comportamento imprevisível, alternando períodos de crise e remissão, e afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva. Entender seus sinais e buscar diagnóstico precoce é fundamental para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.

    O que é lúpus

    O lúpus eritematoso sistêmico (LES), conhecido simplesmente como lúpus, é uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio corpo. Essa reação provoca inflamação e pode comprometer diferentes órgãos, como pele, articulações, rins, pulmões, coração e sistema nervoso.

    O quadro é bastante variável: algumas pessoas apresentam sintomas leves e controláveis, enquanto outras podem desenvolver complicações mais graves. A doença costuma evoluir em ciclos, com períodos de crise intercalados com fases de remissão. Embora possa afetar qualquer pessoa, é mais comum em mulheres em idade reprodutiva.

    O que causa o lúpus?

    A causa exata do lúpus ainda não é completamente conhecida. Sabe-se que a doença resulta da combinação de fatores genéticos, ambientais e hormonais que levam à perda da tolerância imunológica.

    Fatores genéticos

    Certos genes relacionados à regulação do sistema imunológico aumentam o risco de desenvolver lúpus. Pessoas com familiares que têm doenças autoimunes apresentam maior predisposição.

    Fatores ambientais

    Podem atuar como gatilhos em indivíduos predispostos:

    • Exposição excessiva à luz solar;
    • Infecções;
    • Tabagismo;
    • Uso de alguns medicamentos.

    Fatores hormonais

    O fato de o lúpus ser muito mais frequente em mulheres sugere influência de hormônios como o estrogênio no desenvolvimento da doença.

    Como o lúpus afeta o corpo?

    O lúpus pode comprometer diferentes sistemas do organismo.

    Pele e mucosas

    • Rash malar (vermelhidão em “asa de borboleta” no rosto);
    • Lesões em áreas expostas ao sol;
    • Úlceras orais e nasais;
    • Queda de cabelo.

    Articulações e músculos

    • Dor e inchaço nas articulações;
    • Rigidez matinal;
    • Dor muscular.

    Rins (Nefrite lúpica)

    É uma das manifestações mais graves e pode causar:

    • Proteinúria;
    • Alterações na urina;
    • Insuficiência renal.

    Sistema nervoso

    • Cefaleia;
    • Alterações cognitivas;
    • Convulsões;
    • Alterações de humor.

    Sistema cardiovascular e pulmonar

    • Pericardite;
    • Pleurite;
    • Aumento do risco de doença cardiovascular precoce.

    Sintomas mais comuns

    Os sinais podem variar bastante, mas incluem:

    • Fadiga intensa;
    • Dor articular;
    • Febre baixa persistente;
    • Erupções cutâneas desencadeadas pelo sol;
    • Perda de peso involuntária;
    • Fenômeno de Raynaud (mudança de cor dos dedos ao frio).

    Os sintomas tendem a piorar durante crises e melhorar nos períodos de remissão.

    Como é feito o diagnóstico?

    Não existe um exame único que confirme o lúpus. O diagnóstico é feito com base na combinação de sinais clínicos e exames laboratoriais.

    Exames laboratoriais

    • Anticorpos antinucleares (ANA);
    • Anti-DNA de dupla hélice;
    • Anti-Sm;
    • Avaliação da função renal;
    • Exame de urina.

    O ANA é positivo na maioria dos casos, mas não é exclusivo do lúpus. Por isso, o diagnóstico depende da análise conjunta de sintomas e exames.

    Tratamento e acompanhamento

    O lúpus não tem cura, mas pode ser controlado.

    Medicamentos mais utilizados

    • Antimaláricos (como hidroxicloroquina);
    • Anti-inflamatórios;
    • Corticosteroides;
    • Imunossupressores;
    • Medicamentos biológicos em casos selecionados.

    Cuidados gerais

    • Uso diário de protetor solar;
    • Controle da pressão arterial e colesterol;
    • Acompanhamento regular da função renal;
    • Manutenção de hábitos saudáveis.

    O tratamento é individualizado e pode variar conforme os órgãos acometidos.

    Prognóstico

    O prognóstico depende da gravidade e do comprometimento de órgãos vitais, como rins e sistema nervoso. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes conseguem manter boa qualidade de vida.

    Leia também: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

    Perguntas frequentes sobre lúpus

    1. O lúpus é contagioso?

    Não. É uma doença autoimune e não é transmitida de pessoa para pessoa.

    2. Por que afeta mais mulheres?

    Acredita-se que hormônios femininos influenciem a resposta imunológica.

    3. É possível viver normalmente com lúpus?

    Sim. Com acompanhamento adequado, muitos pacientes mantêm rotina ativa.

    4. O lúpus causa infertilidade?

    Não diretamente. No entanto, a doença e alguns medicamentos podem exigir planejamento prévio para gravidez.

    5. Quem tem lúpus pode tomar sol?

    A exposição sem proteção não é recomendada, pois pode desencadear crises cutâneas.

    6. Toda dor nas articulações é lúpus?

    Não. Existem diversas causas para dor articular.

    7. O lúpus sempre é grave?

    Não. A gravidade varia muito entre os pacientes.

    Leia mais: Esclerodermia: como essa doença autoimune afeta o organismo

  • Transplante de medula óssea: como é feito e quando é indicado

    Transplante de medula óssea: como é feito e quando é indicado

    Utilizada quando o organismo perde a capacidade de produzir células do sangue de maneira saudável, o transplante de medula óssea é uma alternativa para tratar doenças que comprometem o funcionamento da medula, como leucemias, mieloma múltiplo e falhas graves na produção celular.

    Mas afinal, o que é medula óssea? Ela consiste em um tecido esponjoso localizado no interior dos ossos, conhecido como tutano, responsável por fabricar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Segundo o oncologista Thiago Chadid, é ali que vivem as células-tronco hematopoéticas, capazes de dar origem a todas as células sanguíneas que garantem oxigenação adequada, defesa contra infecções e coagulação.

    Quando acontece algum defeito na produção das células, o corpo perde a capacidade de manter as suas funções vitais. Com o transplante, é possível substituir células doentes por células saudáveis, permitindo que o corpo volte a fabricar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas de forma equilibrada. Entenda mais, a seguir!

    O que é o transplante de medula óssea e quando é indicado?

    O transplante de medula óssea é um procedimento utilizado quando a medula perde a capacidade de produzir células do sangue de forma adequada. De acordo com o Ministério da Saúde, a proposta é substituir uma medula doente ou insuficiente por células saudáveis, capazes de restaurar a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

    O tratamento pode ser feito de duas maneiras:

    • No transplante autogênico, utilizam-se células saudáveis do próprio paciente, coletadas e preservadas antes da etapa de quimioterapia de alta intensidade;
    • No transplante alogênico, as células vêm de um doador compatível, que pode ser um familiar ou alguém inscrito no registro nacional de doadores.

    A indicação surge em doenças que comprometem de forma profunda o funcionamento da medula, como anemia aplástica grave, síndromes mielodisplásicas e diversos tipos de leucemias, nas quais há alteração da função e do ritmo de crescimento dos leucócitos.

    De acordo com Thiago, o tratamento funciona como um “reset”, semelhante a reiniciar um computador, substituindo a medula comprometida por uma medula saudável.

    Quanto o transplante de medula óssea é indicado?

    O transplante de medula óssea é indicado quando a medula perde a capacidade de produzir células sanguíneas de forma adequada, seja por proliferação descontrolada, seja por falência progressiva. Segundo Thiago, ao lembrarmos que as células-tronco da medula dão origem a todos os tipos de células do sangue, é mais fácil compreender por que alterações nesse processo podem desencadear doenças graves.

    Uma mutação que interfere na diferenciação celular pode gerar células defeituosas, incapazes de exercer suas funções. Em muitos casos, isso resulta no surgimento de cânceres que se originam na própria medula óssea.

    Segundo o oncologista, em alguns casos, o transplante é feito com intenção curativa, buscando eliminar totalmente a doença. Em outros, o objetivo é controle dos sintomas, principalmente quando a medula está muito hiperprodutiva e provoca excesso de células doentes. Nessas situações, o transplante reduz a população de células malignas, melhora o bem-estar e prolonga a vida do paciente, mesmo que a cura definitiva não seja possível.

    Entre algumas das principais indicações de transplante de medula óssea, destacamos:

    Mieloma múltiplo

    O mieloma múltiplo é um tumor originado nas células responsáveis pela produção de imunoglobulinas, como o IgG. Uma mutação faz com que as células deixem de produzir anticorpos funcionais e passem a fabricar proteínas defeituosas, que não têm utilidade e se acumulam na corrente sanguínea, segundo Thiago.

    O excesso provoca sobrecarga nos rins e nos vasos, além de favorecer a proliferação desordenada dessas células dentro dos ossos, levando à corrosão óssea e a quadros de dor e fragilidade. É um processo resultante de uma diferenciação celular defeituosa, que gera uma proteína inútil e perda de função imunológica.

    Leucemias

    As leucemias são tumores que surgem quando há falha na diferenciação das células brancas: um neutrófilo, que deveria combater bactérias, ou um linfócito, que deveria combater vírus, passa a se desenvolver de forma anormal.

    A célula perde completamente sua função de defesa e se torna uma célula maligna cuja única atividade é proliferar. A multiplicação excessiva causa danos ao organismo, como Thiago explica.

    Existem dois tipos de leucemias, sendo elas:

    • Leucemias crônicas: surgem quando a célula ainda preserva parte da função original e se multiplica de forma mais lenta e gradual. Por isso, muitos casos evoluem de maneira silenciosa no início, permitindo que o organismo se adapte temporariamente à presença das células alteradas;
    • Leucemias agudas: ocorrem quando a célula perde completamente a capacidade funcional e passa a se multiplicar de forma acelerada e desordenada. A medula rapidamente se enche de células imaturas e inúteis, que impedem a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

    As leucemias agudas, por evoluírem em ritmo muito rápido, são quadros mais graves, com sintomas intensos desde o início — e exigem intervenção imediata para evitar complicações graves.

    Outras doenças da medula óssea

    Nem todos os problemas da medula óssea estão ligados ao excesso de proliferação celular. Na verdade, em quadros como mielofibrose, síndromes mielodisplásicas e algumas doenças mieloproliferativas, o que ocorre é uma falência progressiva da medula.

    É como se o tecido sofresse um envelhecimento precoce: as células-tronco deixam de se multiplicar como deveriam ou passam a morrer mais rapidamente, comprometendo a produção normal das séries sanguíneas.

    Quando a medula falha, o organismo começa a sentir sinais claros de desequilíbrio, como:

    • Anemia: queda da produção de glóbulos vermelhos, causando cansaço intenso, palidez, tonturas e falta de ar mesmo em esforços leves;
    • Redução da imunidade: diminuição dos glóbulos brancos, deixando o corpo mais vulnerável a infecções frequentes, graves ou de evolução rápida;
    • Problemas de coagulação: queda no número de plaquetas, levando a sangramentos fáceis, manchas roxas sem motivo aparente e maior risco de hemorragias.

    Linfomas

    Os linfomas são cânceres que surgem nos linfonodos e no sistema linfático, afetando células de defesa chamadas linfócitos. Eles podem ser classificados em linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin, cada um com comportamentos e respostas ao tratamento diferentes.

    Em muitos casos, a primeira abordagem envolve quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia, dependendo do subtipo e do estágio da doença.

    O transplante de medula óssea costuma ser indicado quando o linfoma não responde totalmente ao tratamento inicial ou apresenta recaída após a primeira remissão. Nesses cenários, o transplante (autólogo ou alogênico) ajuda a restaurar uma medula saudável e intensifica as chances de controle prolongado da doença.

    Como é feito o transplante de medula óssea?

    O transplante é realizado em diversas etapas, desde o preparo do organismo até o acompanhamento prolongado após a infusão das células. Primeiro, é necessário entender se o procedimento será alogênico ou autólogo:

    Transplante alogênico

    No transplante alogênico, as células utilizadas vêm de outra pessoa — um familiar compatível ou alguém cadastrado no REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea), um banco de dados financiado pelo Ministério da Saúde com informações de possíveis doadores para quem precisa de transplante de medula óssea.

    O processo começa com exames que verificam a compatibilidade entre o sangue do doador e do paciente. A ideia é encontrar a combinação mais segura possível para diminuir o risco de rejeição e evitar que as células do doador ataquem órgãos do paciente.

    Quando a compatibilidade está confirmada, o doador passa por um procedimento no centro cirúrgico, sob anestesia, e a coleta dura cerca de duas horas. O médico faz várias punções com agulhas na parte posterior da bacia para aspirar a medula óssea. A retirada não causa problemas para a saúde do doador, de acordo com Thiago Chadid.

    Transplante autólogo

    No transplante autólogo, o paciente recebe de volta as próprias células saudáveis da medula. As células-tronco são coletadas da medula ou do sangue do próprio paciente e passam por aférese, um processo de filtragem que separa apenas as células saudáveis. Depois da coleta, o material é armazenado até o momento do transplante.

    Fase de condicionamento

    Na etapa seguinte, antes da infusão das células, o paciente é submetido a uma quimioterapia de alta intensidade, capaz de destruir a medula doente e eliminar células comprometidas.

    O período é conhecido como aplasia e, uma vez que a medula não está produzindo células, a pessoa fica extremamente vulnerável e apresenta risco elevado de infecções. Por isso, ela deve adotar cuidados muito rigorosos, como:

    • Não consumir alimentos crus;
    • Manter higiene minuciosa das mãos, do corpo e do ambiente;
    • Permitir visitas apenas com uso de máscara;
    • Permanecer em um espaço altamente protegido e livre de contaminantes.

    Como a imunidade fica praticamente zerada, qualquer pequena ferida pode se transformar em porta de entrada para infecções graves. Até situações simples do dia a dia exigem atenção redobrada, já que o organismo não consegue responder de forma adequada durante essa fase.

    Infusão das células-tronco

    Após o tratamento, as células previamente coletadas, sejam elas do doador ou do próprio paciente, são infundidas pela veia, de maneira semelhante a uma transfusão de sangue. Elas percorrem a circulação até alcançar o interior dos ossos, onde se instalam, se multiplicam e retomam a produção de células do sangue.

    O procedimento é indolor e não requer sala cirúrgica, já que as células entram pela corrente sanguínea e migram espontaneamente até a medula óssea, onde começam o processo de enxertia.

    Período de pega da medula

    A pega é a fase em que as células infundidas começam a se estabelecer no interior dos ossos e retomar a produção de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. O processo costuma levar de 10 a 30 dias, dependendo do tipo de transplante.

    Durante o intervalo, o risco de infecções e complicações é elevado, porque o sistema imunológico ainda não está funcional. Assim, o paciente permanece sob vigilância diária, com uso de antibióticos, antivirais e suporte transfusional quando necessário.

    Cuidados pós-transplante de medula óssea

    Depois da fase de pega, é iniciada uma fase prolongada de acompanhamento médico. Em casos de transplante alogênico, é necessário identificar sinais de doença do enxerto contra o receptor (quando as células do doador atacam o corpo do receptor), ajustar imunossupressores e monitorar rejeição.

    Quando o transplante é autólogo, o acompanhamento é voltado para recaídas, toxicidade dos medicamentos e recuperação hematológica.

    O paciente precisa manter consultas frequentes, evitar contato com agentes infecciosos, seguir rigorosamente a prescrição de remédios e adaptar alimentação, hidratação e rotina às orientações do médico.

    A recuperação completa do sistema imunológico pode levar meses ou até anos — a velocidade varia muito de pessoa para pessoa e depende do tratamento específico e do estado geral de saúde do paciente.

    Nesse período, vacinas são reorganizadas, exames são repetidos regularmente e qualquer sinal de infecção ou inflamação deve ser investigado. Com o tempo, o organismo volta a produzir células de defesa de forma adequada, restaurando o funcionamento saudável da medula óssea.

    Quais os possíveis riscos para o paciente e para o doador?

    No caso do paciente, os principais riscos surgem durante o período em que a medula deixa de funcionar após o preparo para o transplante. Com a queda da imunidade, a pessoa fica mais suscetível a infecções e precisa de monitoramento constante.

    Além disso, após a infusão das novas células, pode ocorrer uma reação em que as novas células reconhecem alguns tecidos do receptor como estranhos. A complicação, conhecida como doença enxerto contra hospedeiro, varia de intensidade e costuma ser controlada com o uso de medicamentos específicos.

    A rejeição do transplante é pouco frequente, mas pode acontecer. Por isso, a seleção cuidadosa do doador e o preparo adequado do paciente são etapas fundamentais.

    Para o doador, os riscos são muito baixos. A medula retirada se regenera naturalmente em poucas semanas, sem problemas à saúde geral. Antes da coleta, a pessoa passa por uma avaliação clínica detalhada para garantir segurança durante a anestesia e o procedimento.

    Após a doação, podem surgir desconfortos temporários, como dor na região da bacia, cansaço leve ou dor de cabeça, sintomas que costumam melhorar rapidamente com analgésicos simples.

    É possível curar doenças com transplante de medula óssea?

    A chance de cura varia conforme o tipo da doença, a compatibilidade do doador, a idade e o estado de saúde da pessoa. Em alguns casos, o transplante pode realmente levar à cura, e em outros, ajuda a controlar a doença por muitos anos, mantendo o quadro estável e permitindo boa qualidade de vida.

    No mieloma múltiplo, por exemplo, muitos pacientes vivem por décadas realizando transplantes em momentos específicos do tratamento. Já certas leucemias têm maior chance de cura quando o transplante é feito cedo, antes que a doença avance.

    A dificuldade está em eliminar totalmente todas as células doentes, porque mesmo após tratamentos intensos algumas podem permanecer no organismo, levando a recaídas em parte dos casos.

    Como se tornar um doador de medula óssea?

    Para se tornar doador de medula óssea, o caminho é simples, seguro e muito mais rápido do que você imagina. O cadastro é feito no REDOME, banco oficial brasileiro que reúne milhões de doadores em potencial. A partir do cadastro, os dados são cruzados sempre que um paciente precisa de um transplante e busca-se alguém compatível.

    Mas quem pode ser doador? As principais recomendações incluem:

    • Ter entre 18 e 35 anos (a idade limite para se cadastrar é 35 anos, porque doadores mais jovens oferecem melhor qualidade celular). Após o cadastro, o doador pode ser convocado para doação até completar 60 anos de idade;
    • Estar em boa saúde, sem doenças infecciosas transmissíveis ou condições que impeçam a doação;
    • Não ter histórico de câncer, doenças hematológicas, hepatites crônicas, HIV, entre outras contraindicações semelhantes às da doação de sangue.

    Depois do cadastro, são retirados cerca de 5 a 10 ml de sangue, o suficiente para realizar a tipagem HLA, que identifica características genéticas usadas para comparar com possíveis receptores. Depois da análise, seus dados entram no banco de doadores. A partir desse momento, você pode ser chamado a qualquer momento caso apareça alguém compatível.

    Quanto maior for o número de doadores cadastrados, maior será a possibilidade de alguém encontrar uma medula compatível e, com isso, ter acesso a um tratamento que realmente pode mudar o rumo de uma doença grave. Muitas vezes, o transplante é a única esperança de quem está lutando contra leucemias, mielomas e outras alterações que impedem o organismo de produzir células saudáveis.

    Para muitas famílias, a ligação do REDOME confirmando um doador compatível significa alívio, esperança e a possibilidade real de continuar. Por isso, é muito importante informar, desmistificar medos e incentivar o cadastro. Quando mais pessoas se dispõem a participar, mais vidas podem ser salvas.

    Leia também: Entenda mais sobre a leucemia

    Perguntas frequentes

    Quais são os tipos de doação de medula óssea?

    A doação pode ocorrer pela bacia, onde se encontram as maiores concentrações de células-tronco, ou pela circulação periférica, quando medicamentos estimulam a migração dessas células para o sangue. O método é escolhido pela equipe médica de acordo com as necessidades do transplante.

    No caso da coleta por aférese, o doador recebe medicamento que estimula as células-tronco durante alguns dias. Depois, ele fica conectado a uma máquina de aférese que retira apenas as células desejadas e devolve o restante. É semelhante a uma doação de sangue prolongada. A recuperação é praticamente imediata.

    Doar medula dói?

    Quando a coleta ocorre pela bacia, o doador recebe anestesia e não sente dor durante o procedimento. Depois, pode surgir desconforto leve, semelhante a uma contusão, que melhora em poucos dias.

    A coleta por aférese provoca sensação de pressão óssea por causa do medicamento que estimula a liberação das células-tronco, mas, novamente, é uma sensação temporária. A experiência costuma ser bastante tranquila.

    Onde fazer o cadastro para se tornar doador de medula óssea?

    O cadastro é realizado em hemocentros públicos e unidades credenciadas ao REDOME. O processo inclui preenchimento de ficha e coleta de pequena amostra de sangue para análise do perfil genético. Em menos de meia hora, a pessoa conclui tudo.

    O que significa “aplasia” durante o transplante de medula óssea?

    A aplasia corresponde ao período em que a medula fica totalmente inativa depois da quimioterapia preparatória. Durante alguns dias, o organismo não produz hemácias, plaquetas ou glóbulos brancos — então a pessoa fica extremamente vulnerável a infecções, sangramentos e cansaço intenso.

    Todas as medidas de proteção são reforçadas: alimentação cozida, higiene rigorosa, ambiente controlado, uso de máscara, restrição de visitas e monitorização constante. É um período bem delicado, mas temporário, até que as novas células iniciem a regeneração.

    O transplante sempre cura?

    Não, o transplante pode curar quando a doença é controlada previamente, a carga tumoral está baixa e o organismo recebe células altamente compatíveis. Em outras situações, o transplante controla o avanço da doença, prolonga a sobrevida e melhora a qualidade de vida. Mesmo quando não existe cura completa, o transplante pode oferecer muitos anos de estabilidade e retorno às atividades.

    O doador de medula óssea paga alguma coisa?

    O doador de medula óssea não paga por nada! O sistema de saúde cobre exames, coleta, transporte e todo o processo. O compromisso do doador é apenas a disponibilidade.

    Posso desistir depois de ser chamado?

    Tecnicamente sim, mas é importante lembrar que, quando alguém é convocado, há uma pessoa do outro lado aguardando um transplante urgente. Em muitos casos, é a única chance de tratamento, então a decisão de se cadastrar deve ser consciente e responsável.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • HTLV-1: o vírus pouco conhecido que pode causar doenças graves

    HTLV-1: o vírus pouco conhecido que pode causar doenças graves

    O HTLV-1 (vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1) é um retrovírus que infecta principalmente os linfócitos T CD4+. Ele foi o primeiro retrovírus humano identificado e, apesar de ser menos conhecido do que o HIV, também pode causar doenças importantes.

    Milhões de pessoas no mundo vivem com o HTLV-1. No entanto, a maioria permanece assintomática ao longo da vida. Em uma pequena parcela dos casos, a infecção pode evoluir para complicações graves, como leucemia ou linfoma de células T do adulto ou uma doença neurológica chamada mielopatia associada ao HTLV-1, também conhecida como paraparesia espástica tropical.

    O que é o HTLV-1?

    O HTLV-1 é um retrovírus da família Retroviridae. Após infectar a célula, ele integra seu material genético ao DNA do hospedeiro, permanecendo no organismo por toda a vida.

    Diferente de outros vírus, sua replicação ocorre principalmente pela multiplicação das células infectadas, e não por grande produção de partículas virais livres.

    O vírus tem distribuição mundial, com maior prevalência em:

    • Japão;
    • Caribe;
    • África subsaariana;
    • América do Sul, incluindo o Brasil.

    Como ocorre a transmissão?

    A transmissão do HTLV-1 acontece por contato com células infectadas.

    1. Transmissão sexual

    É uma das principais formas de disseminação, sendo mais comum a transmissão homem-mulher.

    2. Transmissão vertical (mãe para filho)

    Ocorre principalmente por meio da amamentação prolongada. A transmissão intrauterina é menos comum.

    3. Transmissão por seringas ou sangue

    Pode ocorrer por:

    • Compartilhamento de seringas;
    • Transfusão de sangue contaminado (atualmente rara em países com triagem obrigatória).

    O vírus não é transmitido por contato casual, beijo social, abraço ou uso compartilhado de utensílios domésticos.

    Quando suspeitar da infecção?

    A infecção deve ser considerada em pessoas que apresentem:

    • Fraqueza progressiva nas pernas;
    • Rigidez muscular;
    • Alterações urinárias sem causa aparente;
    • Diagnóstico de leucemia/linfoma de células T;
    • Dermatites persistentes;
    • Histórico de parceiro(a) infectado(a);
    • Origem ou residência em área endêmica.

    O teste também faz parte da triagem de doadores de sangue e pode ser incluído no pré-natal, conforme protocolos locais.

    Quais doenças estão associadas ao HTLV-1?

    A maioria dos infectados nunca desenvolverá doença. Estima-se que cerca de 5% evoluam com manifestações clínicas ao longo da vida.

    1. Leucemia/Linfoma de células T do adulto (LLTA)

    É uma neoplasia agressiva que pode se manifestar com:

    • Aumento de linfonodos;
    • Lesões de pele;
    • Hipercalcemia;
    • Comprometimento sistêmico.

    2. Mielopatia associada ao HTLV-1 (Paraparesia espástica tropical)

    Doença inflamatória crônica da medula espinhal caracterizada por:

    • Fraqueza progressiva nas pernas;
    • Rigidez muscular (espasticidade);
    • Alterações urinárias;
    • Dor lombar.

    A evolução costuma ser lenta e progressiva.

    3. Outras manifestações associadas

    Podem incluir:

    • Uveíte;
    • Dermatite infecciosa;
    • Artrite;
    • Maior suscetibilidade a algumas infecções.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é feito por exames sorológicos que detectam anticorpos contra o HTLV-1.

    O processo geralmente inclui:

    • Teste de triagem (ELISA ou quimioluminescência);
    • Testes confirmatórios (Western blot ou PCR).

    Em casos de doença neurológica associada, podem ser solicitados:

    • Análise do líquor;
    • Exames de imagem.

    Existe tratamento?

    Não existe tratamento capaz de eliminar o vírus do organismo.

    O manejo depende da doença associada:

    • LLTA: quimioterapia e, em casos selecionados, transplante de medula óssea;
    • Mielopatia associada: tratamento sintomático e, em alguns casos, imunomoduladores;
    • Tratamento específico para complicações associadas.

    O acompanhamento médico regular é muito importante.

    Como prevenir a transmissão?

    • Uso de preservativos;
    • Triagem de sangue para transfusão;
    • Orientação sobre amamentação em mães infectadas;
    • Testagem de parceiros.

    Leia também: PrEP e PEP: o que são e como ajudam a prevenir o HIV

    Perguntas frequentes sobre HTLV-1

    1. HTLV-1 é igual ao HIV?

    Não. São vírus diferentes. O HTLV-1 não causa Aids.

    2. Toda pessoa infectada desenvolverá doença?

    Não. A maioria permanece assintomática ao longo da vida.

    3. Existe cura?

    Atualmente não há cura para o HTLV-1.

    4. Quem tem HTLV pode ter filhos?

    Sim, mas é importante receber orientação médica para reduzir o risco de transmissão.

    5. O vírus é transmitido por beijo?

    Não há evidências de transmissão por contato social casual.

    6. O HTLV-1 é comum no Brasil?

    Sim, o vírus HTLV-1 é comum no Brasil.

    7. Toda fraqueza nas pernas pode ser HTLV?

    Não. A maioria dos casos de fraqueza tem outras causas. A investigação depende do contexto clínico.

    Veja mais: HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje

  • Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

    Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

    A epilepsia é uma condição neurológica crônica marcada por crises epilépticas recorrentes, que são episódios causados por descargas elétricas anormais no cérebro. Essas crises podem se manifestar de diferentes formas: desde breves momentos de desconexão até convulsões com perda de consciência.

    Embora muitas pessoas associem a epilepsia à infância, ela pode surgir em qualquer fase da vida. Em adultos, é comum que esteja relacionada a lesões cerebrais prévias, como AVC, traumatismo craniano ou tumores. O diagnóstico correto e o tratamento adequado são fundamentais para garantir segurança, autonomia e qualidade de vida.

    O que são crises epilépticas?

    Crises epilépticas são eventos súbitos provocados por descargas elétricas excessivas e sincronizadas entre neurônios. Dependendo da área do cérebro envolvida, os sintomas podem variar bastante.

    Entre as manifestações mais comuns estão:

    • Perda de consciência ou alteração do estado de alerta;
    • Movimentos involuntários (convulsões tônico-clônicas);
    • Espasmos musculares localizados;
    • Sensações visuais, auditivas ou olfativas incomuns;
    • Sensação de déjà vu ou confusão mental;
    • Olhar fixo e ausência de resposta por alguns segundos.

    Nem toda crise envolve convulsão. Algumas podem ser discretas e difíceis de reconhecer.

    Causas e fatores de risco

    A epilepsia em adultos pode estar associada a diversas condições.

    Entre as causas mais frequentes estão:

    • Lesões estruturais cerebrais: sequelas de AVC, traumatismo craniano, tumores ou malformações;
    • Infecções do sistema nervoso central: meningite e encefalite;
    • Alterações metabólicas: hipoglicemia e distúrbios eletrolíticos;
    • Intoxicações ou abstinência alcoólica;
    • Fatores genéticos.

    Além disso, alguns fatores podem precipitar crises em pessoas predispostas:

    • Privação de sono;
    • Consumo excessivo de álcool;
    • Uso de drogas ilícitas;
    • Estresse intenso;
    • Interrupção abrupta de medicação.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico de epilepsia é essencialmente clínico, baseado na história detalhada das crises.

    A avaliação envolve:

    • Descrição minuciosa do episódio;
    • Relato de testemunhas;
    • Identificação de possíveis gatilhos;
    • Exame neurológico completo.

    Exames complementares

    Podem ser solicitados:

    • Eletroencefalograma (EEG): registra a atividade elétrica cerebral e pode mostrar padrões típicos de epilepsia;
    • Ressonância magnética (RM): identifica lesões estruturais;
    • Tomografia computadorizada (TC), em situações específicas;
    • Exames laboratoriais, quando há suspeita de causas metabólicas.

    Nem sempre o EEG mostra alterações entre as crises, o que não exclui o diagnóstico.

    Tratamento e controle das crises

    O objetivo do tratamento é controlar as crises com o menor número possível de efeitos colaterais.

    1. Medicamentos antiepilépticos

    O tratamento principal é feito com medicamentos antiepilépticos (MAEs). Alguns dos mais utilizados incluem:

    • Lamotrigina;
    • Levetiracetam;
    • Valproato;
    • Carbamazepina;
    • Fenitoína.

    Princípios importantes:

    • Iniciar com um único medicamento, sempre que possível;
    • Ajustar a dose gradualmente;
    • Associar medicamentos apenas quando necessário.

    Com tratamento adequado, grande parte dos pacientes consegue ficar livre de crises.

    2. Adesão ao tratamento

    A regularidade na tomada dos medicamentos é muito importante. Esquecer doses ou interromper o tratamento por conta própria pode desencadear novas crises.

    3. Estratégias complementares

    Além da medicação, ajudam no controle:

    • Sono regular e adequado;
    • Evitar álcool em excesso;
    • Redução do estresse;
    • Acompanhamento psicológico quando necessário.

    Em casos refratários (quando as crises não respondem aos medicamentos), pode-se avaliar:

    • Cirurgia de epilepsia;
    • Estimulação do nervo vago;
    • Outras terapias neuromodulatórias.

    É possível suspender o tratamento?

    Em alguns pacientes que permanecem sem crises por anos, pode-se considerar redução gradual da medicação. Essa decisão deve ser feita exclusivamente com acompanhamento neurológico, pois há risco de recorrência.

    Impacto na vida cotidiana

    A epilepsia pode interferir em diferentes áreas da vida, como:

    • Direção de veículos (há regras específicas conforme controle das crises);
    • Atividades de risco, como nadar sozinho ou trabalhar em altura;
    • Planejamento de gravidez;
    • Escolha de profissão.

    Com tratamento adequado, muitas pessoas levam vida plenamente ativa.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda imediata se houver:

    • Convulsão com duração maior que cinco minutos;
    • Repetição de crises sem recuperação entre elas;
    • Dificuldade respiratória;
    • Trauma importante durante a crise;
    • Primeira crise da vida.

    Leia mais: Desmaiar de calor é perigoso? Saiba por que acontece e o que fazer

    Perguntas frequentes sobre epilepsia

    1. Toda convulsão é epilepsia?

    Não. Uma única crise pode ocorrer por febre, intoxicação ou distúrbio metabólico. A epilepsia envolve tendência recorrente.

    2. É possível ficar anos sem crise?

    Sim. Muitas pessoas alcançam controle completo com tratamento adequado.

    3. Epilepsia tem cura?

    Depende da causa. Em alguns casos, especialmente quando há lesão removível, pode haver remissão completa.

    4. Medicamentos causam dependência?

    Não. Eles não causam dependência, mas não devem ser interrompidos abruptamente.

    5. Quem tem epilepsia pode trabalhar normalmente?

    Na maioria dos casos, sim, desde que as crises estejam controladas.

    6. Crises sempre envolvem convulsões?

    Não. Algumas são discretas e envolvem apenas alterações de consciência ou percepção.

    7. Gravidez é possível para mulheres com epilepsia?

    Sim. É possível, mas exige planejamento e acompanhamento médico cuidadoso.

    Confira: Desmaio: causas, o que fazer e quando procurar o médico

  • Caxumba ainda existe? Saiba como reconhecer e prevenir

    Caxumba ainda existe? Saiba como reconhecer e prevenir

    A caxumba é uma infecção viral bastante conhecida por causar inchaço no rosto, especialmente na região próxima às orelhas. Antes da vacinação em larga escala, era uma doença muito comum na infância. Hoje, graças à vacina tríplice viral, os casos diminuíram drasticamente, mas surtos ainda podem acontecer, principalmente em locais com baixa cobertura vacinal.

    Apesar de geralmente ser uma doença leve e autolimitada, a caxumba pode causar complicações, sobretudo em adolescentes e adultos. Por isso, entender como ela se transmite, quais são os sintomas e quando é preciso buscar atendimento médico é fundamental.

    O que é a caxumba?

    A caxumba é causada por um vírus da família Paramyxoviridae, do gênero Rubulavirus. Trata-se de uma infecção viral sistêmica cuja manifestação mais característica é a parotidite, ou seja, a inflamação das glândulas parótidas.

    O período de incubação varia de 12 a 25 dias (em média 16 a 18 dias). A doença geralmente começa com sintomas inespecíficos, como:

    • Febre;
    • Dor de cabeça;
    • Mal-estar;
    • Fadiga;
    • Dores musculares;
    • Perda de apetite.

    Em até 48 horas, surge o aumento doloroso das glândulas salivares, principalmente das parótidas. O inchaço pode ser:

    • Unilateral;
    • Bilateral (mais comum).

    O inchaço pode durar até 10 dias.

    Como ocorre a transmissão?

    A caxumba é altamente contagiosa e se transmite por:

    • Gotículas respiratórias (tosse, espirro ou fala);
    • Contato direto com saliva;
    • Objetos contaminados.

    O vírus começa a ser eliminado antes mesmo dos sintomas aparecerem. A pessoa pode transmitir a doença cerca de:

    • 2 dias antes do início do inchaço;
    • Até 5 dias após o surgimento da parotidite.

    Ambientes fechados e com contato próximo, como escolas, universidades e quartéis, favorecem surtos.

    Mesmo pessoas vacinadas podem adoecer, principalmente muitos anos após a vacinação. No entanto, a vacina reduz significativamente a gravidade e o risco de complicações.

    Quais são os principais sintomas?

    A manifestação clássica é a parotidite dolorosa, caracterizada por:

    • Inchaço entre a orelha e o ângulo da mandíbula;
    • Dor ao mastigar;
    • Sensibilidade local;
    • Vermelhidão no ducto da glândula dentro da boca.

    Outros achados em exames de sangue podem incluir:

    • Leucopenia com linfocitose relativa;
    • Aumento da amilase sérica.

    Cerca de 15% a 20% dos casos podem ser sem sintomas, especialmente em adultos.

    Complicações da caxumba

    Embora geralmente seja benigna, a caxumba pode causar complicações, mesmo quando o inchaço das glândulas não é evidente.

    1. Orquite

    É a complicação mais comum em homens após a puberdade, ocorrendo em 15% a 30% dos casos sintomáticos.

    Pode causar:

    • Febre alta;
    • Dor testicular intensa;
    • Inchaço e vermelhidão do escroto.

    Pode ser unilateral ou bilateral. A atrofia testicular pode ocorrer em 30% a 50% dos casos não vacinados. A infertilidade é rara, mas o risco aumenta quando há acometimento bilateral.

    2. Ooforite

    Inflamação dos ovários, ocorre em cerca de 5% das mulheres após a puberdade e pode causar:

    • Dor abdominal inferior;
    • Febre;
    • Vômitos.

    3. Complicações neurológicas

    Antes da vacinação, a caxumba era uma das principais causas de meningite viral.

    Pode causar:

    • Meningite asséptica (1% a 10% dos casos);
    • Encefalite;
    • Surdez neurossensorial.

    Na maioria das vezes, a meningite evolui de forma benigna.

    4. Outras complicações

    Mais raramente, podem ocorrer:

    • Pancreatite;
    • Miocardite;
    • Artrite;
    • Tireoidite;
    • Mastite;
    • Nefrite.

    Como é feito o diagnóstico?

    Em situações de surto, o diagnóstico pode ser clínico, baseado no quadro típico de parotidite.

    A confirmação laboratorial pode ser feita por:

    • RT-PCR para detecção do RNA viral (swab bucal);
    • Sorologia com detecção de IgM.

    O swab bucal deve ser coletado preferencialmente até o terceiro dia após o início do inchaço.

    Em pessoas vacinadas, o IgM pode ser negativo, dificultando a confirmação laboratorial.

    Casos suspeitos devem ser notificados às autoridades de saúde.

    Tratamento

    Não existe antiviral específico para caxumba. O tratamento é sintomático e envolve:

    • Analgésicos e antitérmicos;
    • Compressas frias ou mornas nas parótidas;
    • Repouso;
    • Suporte escrotal e compressas frias em casos de orquite.

    O paciente deve permanecer em isolamento respiratório por 5 dias após o início da parotidite.

    Prevenção

    A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). A introdução da vacina levou a uma redução superior a 99% dos casos em diversos países.

    Alta cobertura vacinal reduz:

    • O número de casos;
    • A duração dos surtos;
    • A gravidade da doença;
    • A taxa de complicações.

    O que esperar

    O prognóstico é geralmente excelente. A maioria das pessoas se recupera completamente.

    Complicações graves são raras, especialmente em populações amplamente vacinadas. A surdez permanente é incomum, mas pode ocorrer.

    Confira: Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer

    Perguntas frequentes sobre caxumba

    1. Caxumba é uma doença grave?

    Na maioria dos casos, não. É autolimitada, mas pode causar complicações em adolescentes e adultos.

    2. Quem já teve caxumba pode ter novamente?

    É raro, pois a infecção geralmente confere imunidade duradoura.

    3. A vacina protege totalmente?

    A vacina é altamente eficaz, mas não garante 100% de proteção. Ainda assim, reduz a gravidade da doença.

    4. Adultos podem ter caxumba?

    Sim. E, nessa faixa etária, o risco de complicações é maior.

    5. Caxumba pode causar infertilidade?

    É raro. O risco aumenta em casos de orquite bilateral.

    6. Quando devo procurar médico?

    Se houver dor intensa, febre alta persistente ou sinais de complicação neurológica.

    7. É preciso afastar da escola?

    Sim. Recomenda-se isolamento por 5 dias após início da parotidite.

    Veja mais: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

  • Quais remédios podem afetar o coração? Saiba quando buscar acompanhamento

    Quais remédios podem afetar o coração? Saiba quando buscar acompanhamento

    Os remédios atuam em diferentes partes do organismo para tratar doenças, aliviar sintomas ou controlar funções do corpo. Mas, durante o processo, algumas substâncias podem interferir diretamente no sistema cardiovascular — inclusive aquelas presentes em medicamentos comuns do cotidiano.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares para entender quais remédios podem afetar o coração, os sinais de alerta para ficar atento e como é feito o acompanhamento cardiológico nesses casos.

    Como um remédio pode afetar o coração?

    As substâncias presentes em alguns medicamentos podem alterar a pressão arterial, modificar o ritmo dos batimentos ou interferir na força com que o coração bombeia o sangue. As mudanças podem acontecer como reação indesejada do organismo ou como efeito colateral do tratamento.

    Alguns remédios atuam diretamente nos vasos sanguíneos, provocando vasoconstrição ou retenção de líquidos, fatores que favorecem aumento da pressão arterial e maior sobrecarga cardíaca. Outros podem interferir no sistema elétrico do coração, favorecendo palpitações, arritmias ou sensação de batimento irregular.

    Também existem medicamentos capazes de alterar o metabolismo de gorduras, açúcar e hormônios, o que pode aumentar o risco cardiovascular ao longo do tempo. Isso torna ainda mais necessário o acompanhamento médico regular para reduzir os riscos.

    Quais classes de medicamentos precisam de mais atenção?

    Segundo Juliana, o coração pode ser afetado por uma série de classes de medicações, que podem alterar tanto a questão do funcionamento do músculo cardíaco, da força do músculo cardíaco, quanto questões relacionadas ao ritmo dos batimentos. Isso não significa que devam ser evitados, mas sim usados com orientação adequada para reduzir riscos.

    Entre eles, a cardiologista aponta:

    1. Quimioterápicos

    Os medicamentos utilizados no tratamento do câncer podem provocar efeitos colaterais cardiovasculares. Em algumas situações, Juliana explica que pode ocorrer a chamada cardiotoxicidade induzida por quimioterapia, condição que pode prejudicar o funcionamento do coração e exigir monitoramento específico durante e após o tratamento.

    2. Imunossupressores

    Os remédios usados em doenças autoimunes e em pacientes transplantados podem alterar pressão arterial e níveis de colesterol. As alterações aumentam o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo, o que justifica acompanhamento clínico regular.

    3. Antivirais

    Alguns medicamentos antivirais, como os utilizados no tratamento do HIV, podem interferir no metabolismo do colesterol. Isso pode contribuir para aumento do risco cardiovascular, especialmente quando associado a outros fatores de risco.

    4. Medicamentos psiquiátricos

    Alguns antidepressivos, especialmente tricíclicos, e certas medicações antipsicóticas podem alterar o ritmo cardíaco. Um dos efeitos possíveis é o prolongamento do intervalo QT, situação em que o coração demora mais para se recuperar eletricamente entre batimentos, o que pode favorecer arritmias potencialmente graves.

    5. Medicamentos hormonais

    O uso de esteroides anabolizantes pode aumentar a espessura do músculo cardíaco, condição conhecida como hipertrofia ventricular, além de favorecer elevação da pressão arterial e redução do colesterol considerado protetor.

    Já contraceptivos hormonais e terapias de reposição podem estimular a produção de fatores de coagulação, principalmente no fígado, o que pode elevar o risco de trombose e embolia, sobretudo em pessoas com outros fatores de risco cardiovaculares.

    Remédios comuns do dia a dia podem oferecer risco?

    A resposta é sim. De acordo com Juliana, remédios como anti-inflamatórios, corticoides e descongestionantes nasais também podem impactar a saúde cardiovascular.

    Os descongestionantes nasais, que contêm substâncias como a pseudoefedrina, podem causar vasoconstrição, que é o estreitamento dos vasos sanguíneos. Isso pode aumentar a pressão arterial, provocar palpitações e favorecer arritmias, principalmente em pessoas que já apresentam algum fator de risco.

    Os corticoides, quando usados por períodos prolongados ou em doses elevadas, podem provocar alterações como aumento da resistência à insulina, diabetes, piora do colesterol, pressão alta e ganho de peso. Tudo isso pode elevar o risco cardiovascular ao longo do tempo.

    Já os anti-inflamatórios podem levar à retenção de sal e líquidos no corpo. A situação pode elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração, aumentando o risco de problemas como infarto, AVC e insuficiência cardíaca, principalmente em quem já tem histórico dessas condições.

    Sinais de alerta para efeitos colaterais no coração

    Se você iniciar o uso de um medicamento e apresentar sintomas que antes não existiam, é importante ficar atento. Alguns sinais podem indicar efeitos colaterais com impacto na saúde cardiovascular, como explica Juliana:

    • Falta de ar aos esforços, principalmente se antes não ocorria;
    • Tontura ou episódios de desmaio;
    • Dor ou desconforto no peito;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Inchaço nas pernas ou tornozelos;
    • Sensação de palpitações ou batimentos irregulares.

    Se algum dos sintomas aparecer após o início de uma medicação, procure avaliação médica para investigar a causa.

    Como é feito o acompanhamento cardiológico nesses casos

    Quando existe risco de um medicamento afetar o coração, o acompanhamento cardiológico ajuda a prevenir complicações e identificar alterações logo no início. O processo costuma começar com avaliação clínica, em que o médico analisa histórico de saúde, sintomas, uso de medicamentos e fatores de risco cardiovasculares.

    Também podem ser solicitados exames para monitorar o funcionamento do coração, como:

    • Eletrocardiograma: avalia ritmo e atividade elétrica cardíaca;
    • Ecocardiograma: mostra estrutura e força do coração;
    • Exames de sangue: verificam colesterol, glicemia e outros marcadores;
    • Mapa ou Holter: monitoram pressão arterial ou batimentos por 24 horas.

    Com base nos resultados, o médico decide se é necessário ajustar a dose do remédio, trocar a medicação ou apenas manter observação.

    Vale lembrar que toda pessoa que possui alguma condição cardiovascular deve informar o médico, independentemente da especialidade, sobre o diagnóstico e os medicamentos que utiliza. Isso é importante para evitar interações medicamentosas e o uso de substâncias que possam sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    Juliana ainda complementa que mesmo quem não tem doença cardíaca prévia, dependendo do tipo de tratamento que vai realizar, principalmente se for prolongado ou envolver medicamentos com potencial cardiotóxico, como os quimioterápicos, também deve considerar acompanhamento cardiológico preventivo.

    Perguntas frequentes

    1. Remédios para emagrecer podem afetar o coração?

    Sim, pois muitos atuam como estimulantes. Se não forem prescritos corretamente, podem causar taquicardia e picos de hipertensão arterial.

    2. O que é cardiotoxicidade induzida por drogas?

    É o dano causado ao músculo cardíaco ou ao sistema elétrico do coração devido à exposição a certas substâncias químicas ou medicamentos.

    3. Como saber se o meu remédio está afetando meu coração?

    Fique atento a sintomas como palpitações, falta de ar incomum, inchaço nas pernas, tontura ou dor no peito.

    4. Existe algum suplemento “natural” que afete o coração?

    Sim. Suplementos à base de efedrina ou altas doses de cafeína podem provocar arritmias e crises hipertensivas em pessoas suscetíveis.

    5. Suplementos de cálcio podem ser prejudiciais?

    Quando tomados sem orientação e em doses excessivas, o cálcio pode se depositar nas paredes das artérias (calcificação), aumentando o risco de doenças coronárias. O ideal é obter cálcio via alimentação.

    6. O que é o prolongamento do intervalo QT e por que ele é citado em tantas bulas?

    O intervalo QT é o tempo que o coração leva para se recarregar eletricamente entre um batimento e outro. Muitos remédios (como certos antipsicóticos e antifúngicos) retardam o processo, o que pode desencadear uma arritmia grave e potencialmente fatal.

  • Acantose nigricans: mancha escura no pescoço pode ser sinal de alerta 

    Acantose nigricans: mancha escura no pescoço pode ser sinal de alerta 

    Manchas escuras e espessadas na região do pescoço ou das axilas costumam gerar preocupação. Muitas vezes, as pessoas acreditam que se trata apenas de sujeira ou falta de higiene. No entanto, quando a pele apresenta aspecto aveludado e mais grossa, pode estar diante de um quadro chamado acantose nigricans.

    Na maioria dos casos, essa alteração está relacionada à resistência à insulina e à obesidade. Porém, em situações mais raras, pode ser um sinal de doenças hormonais ou até de câncer. Por isso, entender suas causas e características é fundamental para saber quando investigar.

    O que é acantose nigricans

    A acantose nigricans é uma alteração cutânea caracterizada por:

    • Escurecimento da pele;
    • Espessamento;
    • Aspecto aveludado;
    • Localização predominante em áreas de dobra.

    As regiões mais acometidas são:

    • Parte posterior do pescoço;
    • Axilas;
    • Virilha;
    • Dobras sob as mamas.

    As lesões costumam ter bordas pouco definidas e podem evoluir de manchas planas para placas palpáveis.

    Principais causas

    A acantose nigricans pode ter diferentes origens.

    1. Resistência à insulina e obesidade (forma mais comum)

    É a causa mais frequente. O excesso de insulina circulante estimula receptores semelhantes ao fator de crescimento (IGF-1), o que promove a proliferação de queratinócitos e fibroblastos.

    A perda de peso e o controle glicêmico costumam levar à melhora das lesões.

    2. Distúrbios endócrinos

    Pode estar associada a:

    • Síndrome dos ovários policísticos;
    • Hipotireoidismo;
    • Acromegalia;
    • Síndrome de Cushing;
    • Doença de Addison;
    • Síndromes graves de resistência à insulina.

    3. Uso de medicamentos

    Alguns medicamentos podem desencadear o quadro, como:

    • Glicocorticoides sistêmicos;
    • Anticoncepcionais orais combinados;
    • Hormônio do crescimento;
    • Insulina injetável;
    • Ácido nicotínico;
    • Inibidores de protease;
    • Estrogênios.

    Em muitos casos, as lesões melhoram após suspensão da medicação.

    4. Forma hereditária

    Pode ocorrer como traço autossômico dominante, manifestando-se na infância.

    5. Acantose nigricans maligna

    É rara, mas pode estar associada principalmente a:

    • Adenocarcinomas gastrointestinais, especialmente gástricos;
    • Câncer de próstata, mama e ovário;
    • Mais raramente pulmão e linfoma.

    Os sinais de alerta são:

    • Início súbito;
    • Evolução rápida;
    • Prurido intenso;
    • Múltiplas queratoses seborreicas (sinal de Leser-Trélat);
    • Espessamento palmar (“tripe palms”).

    Em parte dos casos, a alteração cutânea surge antes do diagnóstico do câncer.

    6. Outras variantes

    • Forma acral, mais comum em pessoas com pele escura;
    • Forma unilateral (nevoide);
    • Forma autoimune, associada a lúpus e outras doenças autoimunes.

    Como a doença se desenvolve

    O mecanismo mais comum envolve:

    • Ativação de receptores de IGF-1 por níveis elevados de insulina;
    • Proliferação de queratinócitos e fibroblastos;
    • Espessamento da pele (epiderme);
    • Hiperqueratose.

    Na forma maligna, fatores de crescimento produzidos pelo tumor estimulam diretamente a pele.

    Quadro clínico

    As pessoas geralmente apresentam:

    • Manchas escuras e espessadas;
    • Aspecto aveludado;
    • Localização em dobras;
    • Eventual coceira.

    Em crianças, o pescoço é o local mais acometido.

    Em casos raros, pode atingir:

    • Mucosa oral;
    • Nariz;
    • Esôfago;
    • Laringe;
    • Mamilos.

    Visualmente, não é possível diferenciar apenas pela aparência as formas benignas das malignas.

    Diagnóstico

    O diagnóstico é principalmente clínico. A investigação pode envolver:

    • Avaliação para resistência à insulina;
    • Dosagem de hemoglobina glicada;
    • Rastreamento para diabetes;
    • Investigação de neoplasias quando houver sinais suspeitos.

    Em casos selecionados, pode ser necessária biópsia de pele ou exames de imagem.

    Tratamento

    A acantose nigricans é um sinal clínico, não uma doença isolada. O tratamento depende da causa.

    Controle metabólico

    • Perda de peso;
    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física;
    • Controle glicêmico;
    • Uso de sensibilizadores à insulina, como metformina, quando indicado.

    Suspensão de medicamentos desencadeantes

    Quando a pessoa está usando remédios que podem provocar a acantose nigricans, o médico pode suspender o uso e indicar outros medicamentos.

    Tratamentos dermatológicos

    Podem melhorar o aspecto estético, mas com resultados variáveis:

    • Retinoides tópicos;
    • Lactato de amônio;
    • Análogos da vitamina D;
    • Peelings químicos;
    • Laser;
    • Dermabrasão.

    Na forma maligna, a melhora pode ocorrer após tratamento do tumor.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure atendimento se houver:

    • Escurecimento súbito e rápido da pele;
    • Lesões extensas ou com prurido;
    • Perda de peso inexplicada;
    • Suspeita de diabetes;
    • Histórico familiar de câncer.

    Confira: Diabetes MODY: o tipo raro que muita gente tem sem saber

    Perguntas frequentes sobre acantose nigricans

    1. Acantose nigricans é sujeira?

    Não. Trata-se de alteração da pele, não relacionada à higiene.

    2. Sempre indica diabetes?

    Não, mas é fortemente associada à resistência à insulina.

    3. Pode aparecer em crianças?

    Sim, especialmente em casos de obesidade ou predisposição genética.

    4. Toda acantose é câncer?

    Não. A forma maligna é rara.

    5. Clareadores resolvem?

    Não tratam a causa, apenas podem melhorar o aspecto superficial.

    6. Emagrecer melhora?

    Sim, em muitos casos a perda de peso reduz as lesões.

    7. Precisa fazer biópsia?

    Nem sempre. Geralmente o diagnóstico é clínico.

    Veja mais: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

  • Vai entrar no bisturi? Veja os exames cardiológicos necessários antes de uma cirurgia plástica

    Vai entrar no bisturi? Veja os exames cardiológicos necessários antes de uma cirurgia plástica

    Qualquer procedimento cirúrgico precisa de avaliação médica prévia para garantir segurança — mesmo aqueles com finalidade estética. Durante uma cirurgia plástica, o organismo passa por anestesia, mudanças na circulação e estresse físico, fatores que exigem uma atenção especial à saúde do coração.

    Mas afinal, quais exames são necessários fazer antes de entrar no bisturi? Conversamos com a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega para entender como deve ser o acompanhamento.

    Por que fazer avaliação cardiológica antes da cirurgia plástica

    Durante uma cirurgia plástica, o corpo passa por adaptações para lidar com a anestesia, o estresse cirúrgico e a cicatrização. A anestesia pode alterar pressão, batimentos e respiração, enquanto o organismo libera hormônios para manter o funcionamento dos órgãos.

    Após o procedimento, ocorre um processo inflamatório natural para reparar os tecidos, com inchaço e sensibilidade temporários até a recuperação completa.

    Por isso, mesmo em pessoas jovens e consideradas saudáveis, a avaliação cardiológica ajuda a identificar condições que muitas vezes não apresentam sintomas, como algumas cardiomiopatias ou arritmias congênitas. Elas podem se manifestar durante o estresse do procedimento cirúrgico e da anestesia.

    Além disso, ela permite definir o chamado risco basal, isto é, entender como o coração e o organismo tendem a reagir ao trauma cirúrgico, de acordo com Edilza. As informações ajudam a equipe médica e de anestesia a planejar o procedimento com mais segurança, reduzindo riscos e garantindo uma melhor recuperação no pós-operatório.

    Quais exames são necessários antes de uma cirurgia plástica?

    Para pacientes considerados de baixo risco e em cirurgias de pequeno porte, a avaliação pré-operatória costuma seguir um protocolo básico. Segundo Edilza, ela envolve:

    • Anamnese e exame físico: considerados fundamentais para avaliar o risco cirúrgico, pois permitem analisar histórico de saúde, uso de medicamentos, hábitos de vida e possíveis sintomas.
    • Eletrocardiograma (ECG): avalia o ritmo do coração e identifica possíveis alterações ou sinais de sobrecarga cardíaca;
    • Exames de sangue: normalmente incluem hemograma, dosagem de eletrólitos como sódio e potássio, avaliação da função renal e coagulograma, que verifica a capacidade de coagulação do sangue;

    “Cirurgias plásticas, embora muitas vezes eletivas, são procedimentos cirúrgicos reais que exigem o mesmo rigor de segurança que qualquer outra intervenção”, complementa a cardiologista.

    O porte da cirurgia influencia os exames?

    A necessidade de exames depende tanto das condições de saúde da pessoa quanto do tipo de cirurgia que será realizada. Procedimentos maiores, como abdominoplastia ou cirurgias combinadas, por exemplo, exigem mais preparo do organismo e uma avaliação mais cuidadosa do coração.

    Quanto maior o tempo da cirurgia e a área operada, maior é o esforço do organismo. Por isso, nesses casos, a avaliação costuma ser mais completa para garantir mais segurança durante a cirurgia e na recuperação.

    Quando solicitar exames avançados?

    Alguns exames cardiológicos mais detalhados, como ecocardiograma, teste ergométrico ou cintilografia, costumam ser solicitados quando existe suspeita de maior risco cardiovascular. A decisão depende da avaliação médica e das características de cada pessoa.

    Normalmente, os exames são indicados quando:

    • Há sintomas cardíacos, como falta de ar, dor no peito, tontura ou perda de consciência;
    • Existe baixa capacidade funcional, quando a pessoa se cansa com facilidade em atividades simples, como subir escadas;
    • Há doenças ou fatores de risco importantes, como diabetes, obesidade grau III, tabagismo ou outras condições que aumentam o risco cardiovascular.

    Quando a cirurgia plástica pode ser contraindicada?

    Algumas condições de saúde aumentam o risco de complicações durante e após a cirurgia plástica. Quando identificadas na avaliação pré-operatória, podem levar ao adiamento do procedimento até que a situação esteja controlada. Entre as principais, Edilza aponta:

    • Isquemia miocárdica recente ou aguda: indica sofrimento do músculo cardíaco e exige avaliação e tratamento antes de qualquer cirurgia;
    • Insuficiência cardíaca descompensada: quando o coração não está funcionando de forma adequada, o risco cirúrgico aumenta;
    • Anemia severa: reduz a oxigenação do organismo, incluindo o coração, o que pode comprometer a segurança do procedimento;
    • Arritmias cardíacas: algumas alterações no ritmo do coração precisam de controle ou tratamento antes da cirurgia;
    • Pressão arterial sem controle: níveis elevados aumentam o risco de complicações durante a anestesia e no pós-operatório;
    • Alterações importantes nos eletrólitos: desequilíbrios como sódio ou potássio fora do normal podem provocar complicações cardíacas graves.

    E quando pode ser adiada?

    Condições como arritmias, hipertensão e doenças das válvulas cardíacas podem exigir o adiamento da cirurgia até que estejam controladas. No caso da hipertensão, valores acima de 180/110 mmHg geralmente indicam a necessidade de controle antes do procedimento.

    Arritmias e doenças das válvulas cardíacas também precisam estar estabilizadas, o que pode envolver uso de medicamentos, anticoagulantes ou outros tratamentos.

    Como a cirurgia plástica é um procedimento não urgente, qualquer condição que aumente o risco de complicações durante ou após a cirurgia deve ser tratada previamente para garantir mais segurança ao paciente.

    Cuidados antes da cirurgia plástica

    Além dos exames cardiológicos, alguns cuidados também são importantes antes da cirurgia plástica, como:

    • Evitar cigarro e álcool: o tabagismo prejudica a cicatrização e aumenta o risco de complicações, enquanto o álcool pode interferir na anestesia e na recuperação;
    • Seguir orientação sobre medicamentos: alguns remédios, como anticoagulantes e hormônios, podem precisar de ajuste ou suspensão temporária;
    • Manter alimentação equilibrada e boa hidratação: contribuem para melhor cicatrização e recuperação do organismo;
    • Organizar o pós-operatório: planejar repouso, ajuda em casa e retorno às atividades facilita a recuperação.

    Edilza ainda complementa que substâncias hormonais, como anticoncepcionais, terapias de reposição e implantes hormonais estéticos, podem aumentar o risco de formação de coágulos que podem se deslocar pela circulação e causar complicações.

    Por isso, muitas diretrizes médicas recomendam avaliar a suspensão temporária dessas terapias algumas semanas antes da cirurgia, para reduzir o risco de trombose e embolia, especialmente em procedimentos eletivos, como as cirurgias plásticas. A decisão deve sempre ser individualizada e orientada pelo médico responsável.

    Veja também: Cirurgia marcada? Veja quando procurar o cardiologista

    Perguntas frequentes

    1. Com quanto tempo de antecedência devo fazer os exames?

    Os exames laboratoriais e cardiológicos normalmente têm validade de 3 a 6 meses. Se houver mudança no seu estado de saúde nesse intervalo, uma reavaliação é necessária.

    2. Preciso parar de tomar remédio para pressão antes da cirurgia?

    Nunca suspenda por conta própria. Normalmente, é orientado tomar o remédio inclusive no dia da cirurgia, com apenas um gole de água, para evitar picos de pressão durante o procedimento. Em todo o caso, siga as orientações do médico.

    3. Existe risco de infarto durante uma cirurgia plástica?

    O risco existe em qualquer cirurgia, mas em pacientes com exames normais e risco cirúrgico baixo, ele é mínimo. A avaliação prévia serve justamente para filtrar quem tem essa predisposição.

    4. O teste de esforço (esteira) é obrigatório para todas as idades?

    Não, ele costuma ser solicitado para pacientes acima de 40-50 anos, fumantes ou pessoas com histórico familiar de doença coronariana. Para jovens saudáveis, o ECG simples costuma ser suficiente.

    5. O uso de álcool nos dias anteriores afeta o coração na cirurgia?

    O álcool é um depressor do sistema nervoso e pode afetar a contratilidade do coração. O ideal é abstinência total por, no mínimo, 7 dias antes da bateria de exames e da cirurgia.

    6. Como o coração é monitorado durante a cirurgia plástica?

    Durante a cirurgia, a pessoa fica conectada a um monitor multiparamétrico. Ele exibe em tempo real o eletrocardiograma, a frequência cardíaca, a saturação de oxigênio e a pressão arterial, permitindo que o anestesista reaja a qualquer oscilação em segundos.

    Veja também: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

  • 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    No Brasil, a incidência de infarto entre pessoas mais jovens tem aumentado. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos quase vinte anos, as internações por infarto em pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram — o que acende um alerta para a saúde cardiovascular nessa faixa etária.

    Para se ter uma ideia, entre pessoas de 35 a 39 anos, as internações subiram 93,5%, passando de 9,3 casos por 100 mil habitantes para cerca de 18. Já entre jovens de 25 a 29 anos, os registros mais que triplicaram, saindo de 1,43 caso por 100 mil habitantes para quase 5 casos por 100 mil.

    O aumento é consequência de uma combinação de fatores que envolvem mudanças no estilo de vida, maior exposição ao estresse e crescimento de condições metabólicas em idades cada vez mais precoces.

    O que pode causar infarto em jovens?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, existem causas bem estabelecidas ligadas ao estilo de vida e a fatores genéticos que ajudam a explicar o aumento dos casos de infarto em jovens.

    1. Obesidade infantil e excesso de peso precoce

    O excesso de peso desde a infância favorece a inflamação crônica, resistência à insulina, alterações do colesterol e aumento da pressão arterial. Isso acelera a formação de placas de gordura nas artérias, processo chamado aterosclerose, que hoje já aparece em adultos jovens.

    2. Sedentarismo e baixa atividade física

    Uma rotina marcada por muitas horas sentado, pouco exercício físico e ausência de movimento regular prejudica o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos. A prática de atividade física ajuda a controlar peso, glicemia, colesterol e pressão arterial — além de reduzir a inflamação no organismo, melhorar a circulação sanguínea e favorecer o equilíbrio hormonal.

    Mesmo exercícios moderados, como caminhadas, bicicleta ou atividades funcionais algumas vezes na semana, já trazem diversos benefícios para a saúde.

    3. Diabetes tipo 2 em idade precoce

    O diagnóstico de diabetes tipo 2 em idades precoces é um fator determinante para o comprometimento da saúde do coração. A glicose elevada provoca danos progressivos nos vasos sanguíneos, favorece a inflamação e acelera a aterosclerose. Sem diagnóstico e controle adequados, o risco de eventos cardíacos pode surgir décadas antes do esperado.

    4. Estresse crônico e rotina intensa

    O estresse constante influencia a pressão arterial, o sono, a alimentação e o equilíbrio do organismo. A liberação contínua de hormônios ligados ao estresse pode aumentar a inflamação e afetar a saúde cardiovascular. Com o tempo, o coração também sente os efeitos da sobrecarga.

    5. Consumo frequente de alimentos ultraprocessados

    Os alimentos ultraprocessados, como fast food, salgadinhos, refrigerantes e produtos industrializados, costumam conter altos níveis de açúcar, gordura e sódio. O consumo frequente pode favorecer o ganho de peso, o aumento do colesterol e o desenvolvimento da diabetes — além de contribuir para inflamação vascular e formação precoce de placas de gordura nas artérias, segundo Juliana.

    6. Predisposição genética

    De acordo com Juliana, a genética é um fator determinante para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares na juventude.

    O colesterol alto, ou hipercolesterolemia familiar, impede a remoção adequada do LDL (colesterol ruim), mantendo níveis elevados desde a infância. Jovens com a condição podem desenvolver aterosclerose acelerada e apresentar infarto antes dos 30 anos quando não há diagnóstico precoce. O histórico familiar de infarto precoce também exige maior atenção preventiva.

    7. Tabagismo e o cigarro eletrônico

    O cigarro tradicional e o eletrônico podem causar inflamação nos vasos sanguíneos e favorecer a formação de placas de gordura e coágulos. Mesmo em pessoas jovens, o tabagismo aumenta o risco de infarto e outras doenças do coração.

    8. Uso de drogas ilícitas

    De acordo com Juliana, algumas drogas, como a cocaína, podem provocar a contração das artérias do coração, elevar a pressão e causar infarto até em pessoas sem histórico cardíaco. O risco pode surgir de forma inesperada e grave.

    9. Uso de anabolizantes sem orientação médica

    Os anabolizantes podem causar o aumento do músculo cardíaco, alterar o colesterol e favorecer a formação de coágulos. Isso aumenta o risco de problemas cardíacos, inclusive o infarto em pessoas jovens.

    10. Consumo excessivo de bebidas energéticas

    As bebidas energéticas contêm grandes quantidades de cafeína e outras substâncias estimulantes, como taurina e guaraná. O consumo em excesso pode aumentar a pressão arterial, provocar arritmias e funcionar como gatilho para problemas cardíacos, principalmente quando já existe predisposição.

    11. Doenças inflamatórias e autoimunes

    As doenças inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, mantêm o organismo em um estado constante de inflamação. Além de afetar as articulações ou outros órgãos, ela também pode atingir as artérias, favorecendo o desgaste da parede dos vasos e o acúmulo de gordura.

    Com o tempo, isso acelera a formação de placas e aumenta o risco de eventos cardiovasculares, como infarto ou AVC, principalmente quando não há controle adequado da doença.

    Vacinas não tem relação com aumento de casos de infarto

    Não existe uma relação de causa e efeito entre as vacinas e o aumento nos casos de infartos. Na verdade, é possível observar o oposto: o próprio vírus da COVID-19, por exemplo, é conhecido por causar inflamações severas no sistema cardiovascular, aumentando significativamente o risco de trombose e problemas cardíacos em pessoas com o vírus.

    A imunização protege contra complicações graves da doença, reduz a intensidade da resposta inflamatória causada pelo vírus e, consequentemente, diminui o risco de eventos cardiovasculares associados à infecção.

    Quando a infecção ocorre sem proteção, a inflamação sistêmica pode favorecer a formação de coágulos, elevar a pressão arterial e sobrecarregar o coração. Assim, a vacina continua sendo uma das principais medidas para a proteção da saúde, inclusive do coração.

    Sinais de infarto para ficar atento

    Os sinais de infarto em jovens podem ser sutis ou até confundidos com ansiedade, dores musculares ou problemas digestivos. Mesmo assim, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando surgem de forma inesperada ou persistem:

    • Sensação de aperto, peso ou queimação que pode aparecer em repouso ou durante esforço;
    • Dificuldade para respirar sem motivo claro ou após atividades leves;
    • Desconforto que pode atingir braço, costas, pescoço, mandíbula ou região do estômago;
    • Sensação de coração acelerado, irregular ou batendo mais forte que o habitual;
    • Episódios de fraqueza, sensação de desmaio ou perda momentânea da consciência;
    • Mal-estar geral acompanhado de sudorese, enjoo ou sensação estranha no corpo;
    • Cansaço intenso e frequente, em explicação aparente, especialmente quando associada a outros sintomas.

    Na presença de qualquer sinal suspeito, procure atendimento médico imediatamente.

    Quando procurar avaliação cardiológica?

    É recomendável buscar avaliação se existe histórico familiar de infarto precoce, colesterol alto, pressão elevada, diabetes ou doenças cardíacas. Pessoas que fumam, utilizam anabolizantes, consomem energéticos com frequência ou levam uma rotina muito estressante podem se beneficiar do acompanhamento preventivo.

    Pessoas que pretendem iniciar uma rotina de atividades físicas ou desejam fazer um check-up cardiovascular também podem procurar o cardiologista.

    Vale ressaltar que a avaliação cardiológica não deve acontecer apenas quando surgem sintomas intensos. O acompanhamento preventivo ajuda a identificar fatores de risco precocemente e evita complicações no futuro — ainda mais em jovens com condições que aumentam o risco cardiovascular.

    Como reduzir o risco de infarto ainda jovem?

    A prevenção de infarto e outros problemas do coração envolve uma série de mudanças na rotina, que podem melhorar a qualidade de vida ao longo do tempo:

    • Manter uma alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras, reduzindo alimentos ultraprocessados, excesso de sal, açúcar e gordura;
    • Praticar atividade física regularmente: caminhar, pedalar, nadar ou fazer exercícios de força ajuda a controlar peso, pressão, colesterol e glicose;
    • Evitar o tabagismo: cigarro tradicional ou eletrônico aumenta o risco cardiovascular mesmo em pessoas jovens;
    • Controlar o estresse: descanso adequado, lazer, sono de qualidade e técnicas de relaxamento ajudam a reduzir o impacto do estresse no coração;
    • Acompanhar o peso corporal: manter o peso saudável diminui o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto;
    • Monitorar pressão, colesterol e glicemia: exames periódicos ajudam a identificar alterações precocemente;
    • Evitar o uso de anabolizantes e drogas: essas substâncias podem provocar alterações cardíacas importantes;
    • Consumir álcool com moderação: o excesso pode elevar pressão arterial e prejudicar o coração;
    • Dormir bem: noites mal dormidas aumentam inflamação, estresse e risco cardiovascular;
    • Realizar acompanhamento médico regular: check-ups ajudam a prevenir, diagnosticar e tratar fatores de risco antes que evoluam.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Por que o infarto em jovens é considerado mais perigoso?

    Muitas vezes é mais fatal porque o jovem ainda não desenvolveu a chamada circulação colateral — pequenos vasos que o corpo cria ao longo de décadas para compensar artérias parcialmente obstruídas. Quando ocorre o entupimento súbito, o dano ao músculo cardíaco é imediato e extenso.

    2. O estresse do trabalho pode causar infarto em quem é saudável?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina, o que aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Em pessoas com predisposição ou pequenas placas de gordura ignoradas, o estresse pode ser o gatilho para a ruptura das placas.

    3. Como diferenciar um ataque de ansiedade de um infarto?

    No infarto, a dor costuma ser uma pressão que não muda com a respiração. Na ansiedade, é comum a sensação de formigamento nas mãos e lábios. Na dúvida, é importante procurar um pronto-socorro. O eletrocardiograma é o único exame que dá a certeza.

    4. O uso de anticoncepcionais aumenta o risco cardíaco?

    Em mulheres jovens que fumam, a combinação de anticoncepcional e tabagismo aumenta significativamente o risco de trombose e infarto, devido à alteração na coagulação sanguínea.

    5. É possível ter um “infarto silencioso”?

    Sim. No infarto silencioso, o paciente não sente a dor clássica, apenas um mal-estar vago ou cansaço súbito. Muitas vezes o jovem só descobre que enfartou semanas depois, ao fazer um eletrocardiograma de rotina que mostra a cicatriz no músculo.

    6. O que é a “síndrome do coração partido”? Ela atinge jovens?

    Chamada de Cardiomiopatia de Takotsubo, a condição é um enfraquecimento súbito do músculo cardíaco causado por um estresse emocional extremo (término de namoro, luto, perda de emprego). Os sintomas imitam um infarto e podem ocorrer em jovens, especialmente mulheres.

    7. O uso crônico de anti-inflamatórios aumenta o risco?

    O uso frequente e sem controle médico de alguns anti-inflamatórios não esteroides (como ibuprofeno ou diclofenaco) pode elevar a pressão arterial e aumentar levemente o risco de eventos trombóticos em pessoas predispostas.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    Conhecido como colesterol bom, o HDL é uma lipoproteína de alta densidade que atua diretamente na proteção do coração e dos vasos sanguíneos.

    Diferente do colesterol ruim, que tende a se acumular nas artérias, o HDL atua na remoção do excesso de gordura da circulação, ajudando a manter o equilíbrio do colesterol no organismo.

    Quando os níveis de HDL estão baixos ou sua função está comprometida, o risco cardiovascular aumenta, mesmo que outros exames pareçam controlados. Mas como é possível aumentá-los? Vamos entender mais, a seguir.

    Qual o papel do colesterol HDL no coração?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, a principal função do HDL é realizar a limpeza do sistema circulatório.

    O HDL remove o excesso de colesterol ruim (LDL) das artérias e transporta a gordura de volta para o fígado. No fígado, o colesterol pode ser eliminado ou reaproveitado pelo organismo, o que é chamado de transporte reverso de colesterol.

    Além disso, o HDL apresenta propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antitrombóticas, que contribuem para a preservação da saúde da camada interna dos vasos sanguíneos, reduzindo o risco de inflamação e da formação de placas de gordura nas artérias.

    Quais hábitos podem ajudar a aumentar o colesterol bom?

    Mesmo mudanças simples na rotina ajudam o colesterol HDL a desempenhar melhor o papel de proteção cardiovascular, como:

    Alimentação saudável

    Uma alimentação balanceada, com redução de carboidratos refinados, açúcares e gorduras hidrogenadas, como as gorduras trans, contribui para um perfil lipídico mais saudável e favorece o funcionamento adequado do HDL.

    O ideal é priorizar alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras.

    Consumo de gorduras boas

    O aumento da ingestão de gorduras de boa qualidade auxilia na composição da lipoproteína e reforça a capacidade de remoção do colesterol ruim da circulação.

    O recomendado é incluir na rotina fontes de ômega 3, como peixes de águas frias, sementes de linhaça e chia, além do uso regular de azeite de oliva extra-virgem.

    As oleaginosas, como castanhas e nozes, também contribuem para a elevação do HDL e para a melhora da função cardiovascular, desde que consumidas com moderação, devido ao alto valor calórico.

    Prática regular de atividade física

    A atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos, é uma das melhores medidas para elevar o HDL. Além de aumentar os níveis, o exercício melhora a eficiência funcional do colesterol bom, potencializando a proteção das artérias.

    A Organização Mundial da Saúde recomenda a prática de, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade mais elevada.

    Perda de peso e redução da gordura abdominal

    Em situações de sobrepeso ou obesidade, a perda de peso contribui de maneira significativa para a melhora do perfil lipídico.

    A redução da gordura abdominal está associada ao aumento do HDL e à diminuição do colesterol ruim, reforçando a importância do controle do peso por meio de alimentação adequada e atividade física regular.

    Parar de fumar

    O tabagismo reduz os níveis de HDL e compromete a função da lipoproteína. Além de diminuir o colesterol bom, fumar favorece processos inflamatórios e altera a formação de placas de gordura nas artérias.

    Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para a melhora do HDL e para a proteção da saúde cardiovascular.

    O uso de remédios consegue aumentar o colesterol HDL?

    Alguns medicamentos, como a niacina e os fibratos, conseguem aumentar um pouco os níveis de colesterol bom. No entanto, pesquisas mostram que o aumento nem sempre significa mais proteção para o coração.

    Segundo Juliana, o HDL elevado por medicação não reduz o risco de infarto na mesma proporção que o HDL aumentado naturalmente por mudanças no estilo de vida, especialmente com exercício físico regular.

    O foco do tratamento medicamentoso do colesterol continua sendo a redução do LDL, principalmente com o uso de estatinas, sempre com orientação médica.

    Consumo de álcool ainda é indicado para elevar o HDL?

    Não existe recomendação médica para o consumo de álcool com o objetivo de aumentar o HDL, de acordo com Juliana. Na verdade, os riscos associados ao uso de álcool, como doenças hepáticas, câncer e dependência, superam qualquer possível benefício para o coração.

    Hoje, a melhor forma de proteger o coração é através de uma alimentação saudável, atividades físicas regulares e hábitos saudáveis de vida.

    HDL alto nem sempre significa proteção cardiovascular

    Níveis muito altos de colesterol bom nem sempre garantem proteção cardiovascular e, em situações extremas, podem até ser prejudiciais.

    Em algumas pessoas, especialmente na presença de fatores genéticos ou de doenças inflamatórias crônicas, o HDL pode estar alto no exame, mas não funcionar de forma adequada. Nesses casos, ocorre o chamado HDL disfuncional, que perde a capacidade de remover o colesterol ruim das artérias.

    Com isso, mesmo com números altos no exame, a proteção cardiovascular pode ser menor do que o esperado.

    Quais os valores de referência para o colesterol bom?

    Os valores de referência para o colesterol bom são:

    • HDL acima de 40 mg/dL para homens;
    • HDL acima de 50 mg/dL para mulheres.

    Vale lembrar que o resultado do HDL deve ser analisado por um médico junto com outros exames, como LDL, triglicerídeos e colesterol total, além de fatores como alimentação, atividade física, peso corporal e hábito de fumar.

    Quando analisado sozinho, ele não é capaz de indicar o risco cardiovascular.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. O que significa a sigla HDL?

    A sigla HDL significa High-Density Lipoprotein (Lipoproteína de Alta Densidade). Ela é chamada de “colesterol bom” porque sua principal função é o transporte reverso: recolher o excesso de gordura das artérias e levá-lo ao fígado para ser eliminado.

    2. O que causa o HDL baixo?

    Os principais fatores responsáveis pelo HDL baixo são o sedentarismo, o tabagismo, o excesso de peso, o consumo excessivo de carboidratos refinados e fatores genéticos.

    3. O HDL baixo em mulheres após a menopausa é comum?

    Sim, pois o estrogênio ajuda a manter os níveis de HDL. Com a queda da hormônio na menopausa, o HDL tende a diminuir e o LDL a subir, o que explica o aumento do risco cardíaco feminino nessa fase da vida.

    4. Qual o exame que mede o HDL?

    É o lipidograma completo, feito através de um exame de sangue comum. Atualmente, o jejum prolongado nem sempre é obrigatório, mas deve-se seguir a recomendação do laboratório e do médico.

    5. O consumo de fibras solúveis ajuda o HDL?

    De forma indireta, sim. As fibras solúveis (como as da aveia e do psyllium) ajudam a reduzir o LDL e os triglicérides. Ao baixar os triglicérides, o ambiente metabólico favorece que as partículas de HDL durem mais tempo na corrente sanguínea.

    6. O uso de esteroides anabolizantes afeta o HDL?

    Sim, e muito! O uso de testosterona em doses suprafisiológicas ou outros anabolizantes é uma das causas mais comuns de queda drástica do HDL (muitas vezes chegando a níveis abaixo de 10 mg/dL). Isso aumenta o risco de aterosclerose, infarto e AVC, inclusive em jovens.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração